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Práticas e Modelos de Autoavaliação das BEs 31 Outubro 2010

Contextualização:

Trabalho num Agrupamento de Escolas que sofreu, muito recentemente, um processo de fusão naquilo que se tem

chamado um “Mega-Agrupamento” – com oito estabelecimentos de ensino que albergam cerca de 3000 alunos, do pré-escolar

ao 12.º ano e inclui o ensino nocturno por módulos e um Centro de Novas Oportunidades. O processo não foi sereno; a Escola

Secundária que dá nome ao nosso Agrupamento fora sempre Escola não agrupada e a DRELVT impôs o processo num tempo

mínimo, sem dar tempo a que as estruturas e, principalmente, as pessoas que as compõem, passassem por um processo gradual

de adaptação. Neste contexto, tem havido por parte das hierarquias muita sensibilidade e serenidade para lidar com

questões novas para todos: a dimensão do Agrupamento trouxe problemas novos e alcandorou alguns outros a níveis

inesperados.

No caso das BEs, esta fusão veio sobrecarregar a tarefa das duas PB que se encontram ao serviço, e muito em especial

da Coordenadora, pois a Escola Secundária tem estado sem PB desde há muitos meses, por motivos de saúde. A colega foi

substituída em parte do ano, mas ainda não se apresentou ao serviço e apenas esta semana foi possível proceder à requisição

de um substituto através do sítio da DGRHE.

Na ausência da PB, foi necessário a Coordenadora assumir a gestão directa de duas das três BEs do Agrupamento, pois

a BECRE do Centro Escolar, com 16 turmas de 1.º ciclo e 9 salas de JI requer também a presença continuada de uma PB. Além

destas três escolas – Centro Escolar, com cerca de 600 alunos; EB 2,3, com cerca de 900 alunos; e Escola Secundária, com

cerca de 1200 alunos -, o Agrupamento conta ainda com várias outras escolas de 1.º ciclo e JI, algumas a distância

Maria Madalena Miranda Tavares Agrupamento de Escolas Damião de Goes


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considerável da sede, com as quais as BEs continuam a desenvolver trabalho de parceria e apoio directo, em itinerância e

actividades, tal como vem sendo feito nos últimos anos.

BECRE da ESDG:

Houve necessidade de intervir na organização das zonas funcionais da própria BE, considerando as realidades
apresentadas. Incluo essas intervenções no plano apresentado, embora algumas delas estejam já concluídas.

Situação inicial/actual
Espaço/ recursos físicos Recursos humanos Fundos documentais

BECRE de área razoável, disposta em L PB de atestado médico de longa duração + Grande número de filmes e CDs de
2 PB do Agrupamento música – não requisitados
Zona de computadores distante do balcão, numa parede 2 Assistentes Operacionais (uma para serviço diurno; Espólio diverso, mas pouco
ao fundo, sem vigilância imediata e sem registo prévio outra para nocturno) actualizado e a necessitar de
profundo desbaste
Zona de entrada/leitura informal com estantes cheias 1 Assistente Administrativo portador de deficiência Pouca adequação entre os fundos
de cassetes e DVDs, tapando parcialmente a luz motora, com mobilidade reduzida a nível dos membros existentes e as necessidades
superiores e inferiores e afecção ao nível da fala curriculares actuais
Estante de generalidades colocada perpendicularmente, Equipa de colaboradores do ano transacto muito Depósito de Diários da República
criando zona esconsa junto da janela, com mesas alargada (35 pessoas), sem estabelecimento de que ocupam várias estantes (a
redondas (professores colaboradores) tarefas próprias para a maioria (redução) retirar)
Estante de História/Biografia colocada Pouca interacção da BE com os docentes, excepção Fundos catalogados em Docbase
perpendicularmente a Linguística e Literatura, criando feita à requisição de videoprojectores e aulas de (reduzido número ainda por
zona fechada sem visibilidade para o balcão EF/outras em caso de falta de espaços próprios catalogar)
Apenas 7 computadores (terminais) para alunos, com um Pouca oferta de actividades e interacção com alunos Catálogo disponível on-line no sítio
servidor lento RBE

Maria Madalena Miranda Tavares Agrupamento de Escolas Damião de Goes


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BECRE tem de proceder ao empréstimo de portáteis e Grande resistência à mudança por parte de todos os
videoprojectores (do CRIE) pois não há outros serviços intervenientes da ESDG (incluindo alteração de
que se responsabilizem (Escola ainda não foi apetrecha- suportes de registo ou regras de utilização)
da pelo PTE, aguardando intervenção da Parque Escolar)
Internet wireless e fixa em toda a BECRE, permitindo Presidente da CAP pró-activa relativamente à
utilização dos portáteis dos alunos necessidade de redefinir as funcionalidades da
BECRE
Sistema de financiamento de iniciativas e política de
aquisição indefinidos.

Problemáticas identificadas:
A BECRE da ESDG demonstra, de uma maneira geral, uma grande resistência à mudança. Tal como Ross Todd (2003) aponta, é ainda encarada, tanto

por alunos como, principalmente, professores, como um espaço organizado com recursos destinados ao acesso à informação, e não já um “espaço de

trabalho e de construção do conhecimento”. Sendo um importante recurso para os alunos, amiúde a única Biblioteca a que recorrem, não está ainda a

cumprir o seu papel formativo e transformativo, colaborando com alunos e professores para o desenvolvimento de competências que permitam aos

alunos desenvolver-se enquanto seres críticos e responsáveis. O seu impacto, contrariamente ao desejável, não é ainda significativo junto dos jovens

que a ela recorrem (cf. Ross Todd 2010, revista Noesis) e não se conseguiu ainda articular com todas as instâncias da Escola no sentido de mudar as

práticas, as filosofias e as políticas, garantindo mais eficácia ao papel da BE e do PB. Apesar de já possuir algumas das ferramentas essenciais para

ser uma BE 2.0, a BECRE da ESDG não está ainda a utilizá-las a um nível óptimo. Por exemplo, apesar de o catálogo estar disponível on-line, e se poder

aceder a ele através da página Moodle da Escola, na verdade os alunos não sabem utilizar a ferramenta, cujo link, no início do ano, nem sequer estava

disponível no ambiente de trabalho dos computadores da BECRE.

Maria Madalena Miranda Tavares Agrupamento de Escolas Damião de Goes


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Planeamento das acções a implementar


Com o apoio da Direcção e da Coordenadora Interconcelhia, procedeu-se no início de Setembro a uma redefinição e requalificação das zonas funcionais

da BECRE, a fim de proporcionar um serviço de melhor qualidade e tornar a BE um espaço onde os alunos tivessem condições para realizar os seus

trabalhos e desenvolver as suas pesquisas de forma autónoma, se bem que acompanhada.

A nível do Conselho Pedagógico, foi solicitado que se definissem estratégias de cooperação com os diferentes Grupos Disciplinares e Departamentos.

Clarificou-se a questão de a BECRE estar a ser utilizada enquanto espaço de aula, salvaguardando-se algumas situações relacionadas com os Cursos

Profissionais.

Promoveu-se uma reunião das PB (que contou com a participação da CIBE) com os colaboradores, na qual se definiram estratégias e metodologias de

funcionamento.

Assim, salvaguardando-se estas questões iniciais, que tiveram de ser acauteladas, propõe-se:

- definir um orçamento que permita actualizar os fundos documentais ao dispor, adequando-os às solicitações curriculares;

- elaborar um plano de cooperação estratégico com os vários Departamentos, de molde a que a equipa possa corresponder às solicitações dos docentes

e alunos;

- apresentar periodicamente relatórios da actividade aos órgãos de gestão;

- publicar toda a informação da BECRE nos meios ao dispor;

- salvaguardar os interesses dos alunos adultos do CNO, fomentando parcerias e requisitando colaboração do PNL;

- candidatar a BECRE aos apoios disponíveis (FCG ou outras);

- promover acções de literacia da informação junto dos alunos e demais interessados;

- divulgar os fundos documentais existentes através de vários suportes, com destaque para os meios tecnológicos e informáticos;

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- promover a realização de actividades transversais de impacto para os alunos/docentes (participação activa no “Fórum Estudante”; convite a

personalidades de diversas áreas da cultura e das profissões; realização de Feira do Livro; lançamento de concurso literário e de ilustração);

- convidar as famílias a participarem activamente na vida da BECRE (divulgação das actividades; convite para participação em palestras, debates);

- continuar a actualizar o espólio existente e catalogar devidamente todos os recursos.

No ano transacto, atendendo à situação de doença da PB, a BECRE da ESDG interrompeu o processo de autoavaliação. Caso este ano seja retomado, a

nossa proposta vai no sentido de se escolher o domínio A. Apoio ao Desenvolvimento Curricular, por nos parecer que essa será, também, uma forma de

a Escola ver a BECRE como um parceiro efectivo de trabalho, e não apenas como um apêndice, um lugar onde tudo poderia ser guardado. A nossa

missão é transformar a BECRE num serviço competente e eficaz. Queremos ser capazes de gerar nos nossos alunos, os utilizadores por excelência,

uma verdadeira motivação para aprender a ser, utilizando todos os nossos recursos de uma forma autónoma e crítica. Pretendemos, assim, tornar-nos

peça-chave nessa senda de desenvolvimento de um “bem comum” (Ross Todd, 2010), cumprindo activamente um papel que é o das Bibliotecas Escolares,

e que não se esgota em estantes bem arrumadas e catálogos bem estruturados. A BECRE de amanhã tem de contar, já a partir de hoje, com PB

proactivos e dinâmicos, que não resistem às mudanças, antes as abraçam e aprendem com elas.

Maria Madalena Miranda Tavares Agrupamento de Escolas Damião de Goes