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Superior Tribunal de Justiça

RECURSO ESPECIAL Nº 1.061.500 - RS (2008/0119719-3)

RELATOR

RECORRENTE

ADVOGADO

RECORRIDO

ADVOGADO

: MINISTRO SIDNEI BENETI BANCO CITIBANK S/A EDUARDO GRAEFF E OUTRO(S) ADELINA FARINA RUGA MARCOS LONGARAY E OUTRO(S) EMENTA RECURSO ESPECIAL. RESPONSABILIDADE CIVIL. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS. ENVIO DE CARTÃO DE CRÉDITO NÃO SOLICITADO E DE FATURAS COBRANDO ANUIDADE. DANO MORAL CONFIGURADO. I - Para se presumir o dano moral pela simples comprovação do ato ilícito, esse ato deve ser objetivamente capaz de acarretar a dor, o sofrimento, a lesão aos sentimentos íntimos juridicamente protegidos. II - O envio de cartão de crédito não solicitado, conduta considerada pelo Código de Defesa do Consumidor como prática abusiva (art. 39, III), adicionado aos incômodos decorrentes das providências notoriamente dificultosas para o cancelamento cartão causam dano moral ao consumidor, mormente em se tratando de pessoa de idade avançada, próxima dos cem anos de idade à época dos fatos, circunstância que agrava o sofrimento moral. Recurso Especial não conhecido. ACÓRDÃO

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moral. Recurso Especial não conhecido. ACÓRDÃO : : : : Vistos, relatados e discutidos os autos

Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima

indicadas, acordam os Ministros da Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça, por

unanimidade, não conhecer do recurso especial, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator.

Os Srs. Ministros Nancy Andrighi e Massami Uyeda votaram com o Sr.

Ministro Relator.

Brasília, 04 de novembro de 2008(Data do Julgamento)

Ministro SIDNEI BENETI Relator

Superior Tribunal de Justiça

RECURSO ESPECIAL Nº 1.061.500 - RS (2008/0119719-3)

RELATOR

: MINISTRO SIDNEI BENETI

:

:

:

:

RECORRENTE

BANCO CITIBANK S/A

ADVOGADO

EDUARDO GRAEFF E OUTRO(S)

RECORRIDO

ADELINA FARINA RUGA

ADVOGADO

MARCOS LONGARAY E OUTRO(S)

I. RELATÓRIO

O EXMO. SR. MINISTRO SIDNEI BENETI(Relator):

I. RELATÓRIO O EXMO. SR. MINISTRO SIDNEI BENETI(Relator): 1.- BANCO CITIBANK S/A interpõe Recurso Especial, com

1.- BANCO CITIBANK S/A interpõe Recurso Especial, com fundamento

na alínea "a" do permissivo constitucional, contra acórdão proferido pela 11ª Câmara Cível do

Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul, em autos de ação de indenização por

danos morais, cumulada com declaratória de inexistência de débito proposta por ADELINA

FARINA RUGA contra o recorrente.

Alegou a recorrida, em síntese, ter recebido cartão de crédito do banco

recorrente, por meio postal, sem solicitação, e que, apesar de ter requerido o cancelamento do

aludido cartão, a instituição financeira insistiu em cobrar a anuidade indevida, acarretando

abalo moral.

O banco recorrente contestou a ação argumentando que o cartão foi

solicitado pela ora recorrida, que os valores referentes à anuidade foram estornados e que dos

fatos narrados não adveio qualquer prejuízo moral para a autora a ensejar a reparação

pretendida.

2.- O pedido foi julgado procedente, declarando a inexistência do débito

e condenando o réu a pagar indenização no valor de R$ 10.000,00 (dez mil reais) a título

de danos morais, a ser corrigida pelo IGP-M desde o proferimento desta decisão,

somando os juros legais moratórios de 1% ao mês, a partir da citação, ambos até a data

do efetivo pagamento (fls. 50).

3.- Interposta apelação pelo recorrente, a E. 11ª Câmara Cível do Tribunal

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de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul, Relator Desembargador VOLTAIRE DE LIMA

MORAES, conferiu parcial provimento ao recurso, apenas para reduzir o valor da

indenização, nos termos da seguinte ementa (fls. 79):

AÇÃO

CARTÃO DE CRÉDITO SEM A DEVIDA SOLICITAÇÃO.

1. O envio de cartão de crédito, sem a devida solicitação por parte da autora, bem como de faturas para a cobrança da anuidade, infringe o disposto no art. 39, III, do CDC, caracterizando prática abusiva, passível de indenização a título de danos morais.

DE

INDENIZAÇÃO.

DANOS

MORAIS.

ENVIO

DE

de danos morais. DE INDENIZAÇÃO. DANOS MORAIS. ENVIO DE A recorrida ofereceu contra-razões (fls. 97/100). 2.

A

recorrida ofereceu contra-razões (fls. 97/100).

2. Redução do quantum indenizatório fixado a título de danos morais. Apelação provida parcialmente.

4.- Irresignado, o recorrente interpôs o presente Recurso Especial no qual

alega violação do disposto nos arts. 186 e 927 do Código Civil, ao argumento de que o dano

moral não restou comprovado, não havendo, consequentemente, o dever de indenizar.

Sustenta que a situação vivenciada pela recorrida, o recebimento de um cartão de crédito e de

algumas faturas que posteriormente vieram a ser canceladas, configura um mero

aborrecimento, não podendo ser considerada como uma das hipóteses em que a simples prova

do ato ilícito gera o dever de indenizar, sendo necessária a prova do dano efetivamente

sofrido.

É o relatório.

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RECURSO ESPECIAL Nº 1.061.500 - RS (2008/0119719-3)

II. VOTO

O EXMO. SR. MINISTRO SIDNEI BENETI(Relator):

5.- A questão controvertida resume-se em saber se cabe indenização por

danos morais na hipótese em que determinada instituição financeira, não obstante a ausência

de contratação dos serviços, envia cartão de crédito e faturas de cobrança da respectiva

cartão de crédito e faturas de cobrança da respectiva ”. anuidade ao consumidor. 6.- Extrai-se dos

”.

anuidade ao consumidor.

6.- Extrai-se dos autos que a recorrida recebeu o cartão de crédito não

solicitado, bem como três faturas no valor R$ 110,00 (cento e dez reais), relativas à anuidade

do cartão, e que a instituição financeira recorrente se negou a efetuar os cancelamentos do

cartão e das cobranças quando solicitados pela recorrida. Também não há discussão a

respeito do fato de que das cobranças indevidas não resultou qualquer abalo ao crédito da

recorrente.

A E. Corte de origem concluiu pela existência de danos morais, na espécie,

pelos seguintes fundamentos (fls. 81/82):

Inicialmente cabe salientar que o réu, ora apelante, alega em contestação (fl. 24), bem como em razões recursais (fl. 53), que “No caso em tela houve a solicitação do cartão de crédito pela autora, estando este disponível para utilização desde o momento

em que lhe foi

Contudo,

não fez prova dessa alegação, ônus seu (art. 333, II, do

CPC).

De outro lado, bem andou o nobre sentenciante, Dr. Eduardo Kothe Werlang, ao dizer, in verbis:

“A autora foi cobrada por dívida inexistente e que não deu causa, pois não solicitou cartão de crédito junto ao banco demandado, restando inegável o abalo moral sofrido.

“O demandado enviou o referido cartão de crédito à autora sem que ela tivesse efetuado o pedido e, posteriormente, procedeu à cobrança da anuidade. Assim, não restou demonstrada a responsabilidade da demandante pelo referido débito,

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constatando-se que a cobrança foi ilícita. Não há débito a ser pago pela autora ao réu, tanto é que a própria parte requerida menciona já ter sido efetuado o cancelamento do cartão, bem como estornada a cobrança.”

Ademais, a remessa de cartão de crédito, sem a devida solicitação, infringe o disposto no art. 39, III, do CDC, conduta caracterizada como prática abusiva.

A propósito da matéria, os seguintes arestos desta Corte:

“APELAÇÃO CÍVEL. RESPONSABILIDADE CIVIL. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS. ENVIO DE CARTÃO DE CRÉDITO SEM A SOLICITAÇÃO DO CONSUMIDOR. DANO

ilícitos. Sentença de improcedência
ilícitos. Sentença de improcedência

CONFIGURADO. ART. 39, III DO CDC. QUANTUM. FIXAÇÃO. 1. DANO MORAL. CONFIGURAÇÃO. A remessa de produto ou fornecimento de serviço ao consumidor, sem sua prévia e expressa solicitação, é vedada por lei, caracterizando ilícito civil. Hipótese em que restou evidenciado o ilícito do demandado que, independentemente de solicitação, enviou cartão de crédito à autora, ato que, por si só, basta para caracterizar o dever de indenizar. Inteligência do art. 39, III do CDC. Precedentes jurisprudenciais. Conduta que causou transtornos e preocupação à autora e que deve ser coibida, a fim de evitar a prática de novos

APELAÇÃO

PROVIDA. (Apelação Cível Nº 70012764783, Décima Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Des. Paulo Roberto Lessa Franz, Julgado em 17/11/2005).

“CARTÃO DE CRÉDITO. REMESSA PELA ADMINISTRADORA SEM A PRÉVIA SOLICITAÇÃO DO CONSUMIDOR. PRÁTICA ABUSIVA. DANO MORAL CONFIGURADO. NEXO CAUSAL. MONTANTE INDENIZATÓRIO. 1 - Apresenta-se ilegal o procedimento do banco que envia cartão de crédito ao consumidor sem a prévia solicitação. Dano que decorre do próprio fato. Termo de Compromisso originado no Ministério da Justiça. Prática abusiva. CDC, art. 39, III. Procedimento que colore a figura do ilícito, ensejando reparação por danos morais. Nexo causal configurado. 2 - A fixação do montante indenizatório segue critérios subjetivos do juiz, e deve ser consentâneo à realidade dos fatos. Apelação provida. (Apelação Cível Nº 70006474399, Décima Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Des. Paulo Antônio Kretzmann, Julgado em 06/11/2003).”

Por fim, no que se refere à redução dos danos morais, assiste razão ao apelante, pois, dada a peculiaridade do caso sub judice,

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onde não houve a inscrição do nome da autora, ora apelada, em cadastros de inadimplentes, mas tão-somente o envio, sem a devida solicitação, de cartão de crédito, bem como de faturas cobrando a anuidade, o que caracteriza prática abusiva, o valor de R$10.000,00 fixado pela r. sentença recorrida é elevado.

7.- A propósito do dano moral, prevalece no Superior Tribunal de Justiça o

entendimento no sentido de que a responsabilidade do agente decorre da comprovação do ato

ilícito, sendo desnecessária a comprovação do dano em si. Mas esse entendimento não diz

comprovação do dano em si. Mas esse entendimento não diz respeito a qualquer ato ilícito, esse

respeito a qualquer ato ilícito, esse ato tem que ser objetivamente capaz de acarretar a dor, o

sofrimento, a lesão aos sentimentos íntimos, juridicamente protegidos.

Ou seja, para se presumir o dano moral pela simples comprovação do fato,

esse fato tem que ter a capacidade de causar dano, o que se apura por um juízo de

experiência. Daí porque é presumido o dano moral em casos de inscrição indevida em

cadastros de proteção ao crédito, ou de recusa indevida de cobertura por plano de saúde.

8.- No caso, o envio de cartão de crédito não solicitado é conduta

considerada pelo Código de Defesa do Consumidor como prática abusiva (art. 39, III). Esse

fato e os incômodos decorrentes das providências notoriamente dificultosas para o

cancelamento significam sofrimento moral de monta, mormente em se tratando de pessoa de

idade avançada, próxima dos cem anos de idade à época dos fatos, circunstância que agrava

o sofrimento moral. Daí a manutenção do julgado do Tribunal de origem, negando-se

seguimento ao Recurso Especial.

9.- Pelo exposto, não se conhece do Recurso Especial.

Ministro SIDNEI BENETI Relator

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ERTIDÃO DE JULGAMENTO TERCEIRA TURMA

Número Registro: 2008/0119719-3

REsp 1061500 / RS

Números Origem: 10600091892 200701097360 70016318362 70017865726

PAUTA: 04/11/2008

JULGADO: 04/11/2008

Relator Exmo. Sr. Ministro SIDNEI BENETI

AUTUAÇÃO : : : : BANCO CITIBANK S/A EDUARDO GRAEFF E OUTRO(S) ADELINA FARINA RUGA
AUTUAÇÃO
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BANCO CITIBANK S/A
EDUARDO GRAEFF E OUTRO(S)
ADELINA FARINA RUGA
MARCOS LONGARAY E OUTRO(S)
CERTIDÃO

Presidente da Sessão Exmo. Sr. Ministro SIDNEI BENETI

Subprocurador-Geral da República Exmo. Sr. Dr. MAURÍCIO VIEIRA BRACKS

Secretária Bela. SOLANGE ROSA DOS SANTOS VELOSO

RECORRENTE

ADVOGADO

RECORRIDO

ADVOGADO

ASSUNTO: Civil - Responsabilidade Civil - Indenização

Certifico que a egrégia TERCEIRA TURMA, ao apreciar o processo em epígrafe na sessão realizada nesta data, proferiu a seguinte decisão:

A Turma, por unanimidade, não conheceu do recurso especial, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Nancy Andrighi e Massami Uyeda votaram com o Sr. Ministro Relator.

Brasília, 04 de novembro de 2008

SOLANGE ROSA DOS SANTOS VELOSO Secretária