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SILICOSE, UMA DOENÇA OCUPACIONAL SEM CURA: PREVENIR, O

MELHOR REMÉDIO

Wilson Clivati Neto1


Orientador2

RESUMO

As poeiras que contenham sílica livre cristalizada podem causar doenças


ocupacionais quando presentes na área de trabalho. Um meio ambiente do trabalho
seguro é um dos direitos fundamentais concedidos ao trabalhador, direito este que
muitas vezes resta inobservado pelo empregador, nem sempre por má-fé e sim por
falta de informação sobre o assunto. Muitos empregados trabalham em condições
penosas, em situações de riscos, expostos a poeiras em excesso, em condições
insalubres e muitas vezes, sem condições mínimas de segurança no trabalho.
Poeiras originadas nos processos de várias indústrias, trás perigos pela exposição
pulmonar de trabalhadores ao contato com a sílica o que e a longo prazo
predispõem o organismo destes trabalhadores a doenças ocupacionais como a
silicose e tuberculose. A metodologia usada foi o exploratório baseado em revisão
de literatura sobre o assunto segurança do meio ambiente de trabalho e exposição
do trabalhador à sílica e seus efeitos ao organismo humano. A conclusão a que se
chegou foi que dentre as várias indústrias geradoras de poeiras contendo sílica, a
industria da construção civil é a que mais predispõe o trabalhador a poeiras
potencialmente nocivas ao seu organismo e que a prevenção e observância das
NR’s é essencial para se evitar não só a silicose, como também de várias doenças
respiratórias, consequência natural da inalação de poeiras no trabalho.

Palavras-chave: Sílica. Doença ocupacional. Poeira. Silicose.

1 INTRODUÇÃO

Este artigo tem por objetivo analisar “Silicose, uma doença ocupacional sem
cura: prevenir o melhor remédio”.

A sílica (SiO2) é conhecida desde a “Antigüidade, no Egito, Grécia e Roma,


em atividades de mineração, de construção e na produção de peças decorativas”,
1
Sua graduação. e-mail xxx@xxx.com.br
2
Graduação e detalhes. e-mail xxx@xxx.com.br
2

mas, o problema se agravou depois do processo de industrialização. (FILHO &


SANTOS, 2006, p.1)

A opção do estudo silicose se deu pela gravidade da doença e sua


irreversibilidade, seu estudo tem sido descrito desde 1939, Algranti (2001). Uma vez
inaladas a poeira contendo sílica de forma sistemática, as partículas se depositam
principalmente nos bronquíolos respiratórios e alvéolos, induzindo um processo
inflamatório, podendo progredir para a fase de fibrose. “A silicose é uma
potencialmente fatal, irreversível, doença pulmonar, que pode se desenvolver após a
inalação de grandes quantidades de pó de sílica ao longo de décadas”
(GREENBERG, 2007, p.1).

A silicose é uma doença ocupacional de consequências graves ao


trabalhador, podendo causar a morte. Outros problemas causados em se respirar a
poeira da sílica, são doenças como: asma, tuberculose, renite, derrame pleural,
entre outras. (OLIVEIRA, 2007)

Se denomina doença de trabalho ou doença ocupacional as doenças


adquiridas pelo trabalhador quando em exercício de sua função em uma empresa,
dentro ou fora de seu expediente e horário de trabalho.

Assim, se um trabalhador realiza suas atividades profissionais em um local


insalubre durante muito tempo, aos poucos seus órgãos serão atacados,
deteriorados, resultando no que se chama “moléstia profissional”.

Os trabalhadores não não precisam mais laborar em condições penosas


expostos a inalação de poeira contendo sílica, situações estas de risco a sua saúde.

As normas existentes e publicadas pelo Ministério do Trabalho evitam ou


minimizam seus efeitos das poeiras, existe proteção para o trabalhador e garantias
para sua qualidade de vida no trabalho. Conforme determina a CLT, artigo 163, é
obrigatória a constituição da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes – CIPA,
em toda empresa, prevista pela NR-5.

A função da CIPA é velar pela segurança e saúde dos trabalhadores no


exercício de suas atividades, seguindo as disposições da NR-5, ainda a NR-15
(Atividades e Operações Insalubres), sendo obrigatório em situações de risco o uso
de Equipamento de Proteção Individual-EPI, prevista pela NR-6. Os trabalhadores
devem desempenhar suas funções munidos de equipamentos de segurança
3

adequados, quando necessário, para prevenir as doenças ocupacionais no âmbito


do trabalho.

Um setor que preocupa as autoridades quanto à exposição dos


trabalhadores a poeira que contenha sílica é a construção civil, setor contemplado
comtemplado pela NR-18 (Obras de Construção, Demolição e Reparos).

As Normas Regulamentadoras também conhecidas por NR, são normas que


regulamentam as diversas afetividades no âmbito do trabalho no Brasil, fornecendo
parâmetros e instruções sobre Saúde e Segurança do Trabalho, editada pela
Portaria nº 3.214, de 8 de junho de 1978 da CLT.

Um dos riscos a que estes trabalhadores estão expostos é a poeira e seus


compostos, que podem conter diversas substâncias prejudiciais a saúde, dentre elas
a sílica. Segundo Gruenzner (2003; ALGRANTI, 1995) as poeiras respiráveis são as
com diâmetro menor que 10 μm, em conformidade com a NR-15, descrita em seu
Anexo 12 (Limites de Tolerância para Poeiras Mineral), têm importância fundamental
para a saúde e segurança no trabalho verificar as condições de trabalho para evitar
riscos por exposição a estas partículas contendo sílica, pois, as inalações destas
poeiras produzem doenças pulmonares conhecidas por silicose.

Poeira é um agente invisível causador de uma série de doenças


ocupacionais, é um fator que merece toda atenção dos profissionais ligados a área
de segurança do trabalho.

O objetivo deste artigo é verificar as consequências da doença ocupacional


silicose, adquirida pela exposição de trabalhadores da construção civil à poeiras
contendo sílica acima do limite de tolerância (LT), conforme estabelece a Norma
Regulamentadora NR-15, Anexo 12 do Ministério do Trabalho do Brasil.

Esta pesquisa, conscientizar trabalhadores e empresários da construção civil


e empresas que expõem seus funcionários a inalação de poeiras que contenham
sílica , sobre os perigos e irreversibilidade da silicose, e demonstrar que medidas de
prevenção podem eliminar esta doença ocupacional, presente na vida de milhares
de trabalhadores
4

1 FATORES IMPORTANTES

Segundo Castro e Lazzar (2003, p. 30) em tempos remotos, não havia


qualquer tipo de proteção ao empregado “nos primórdios da narração de emprego, o
trabalho, sem regulamentação alguma, era motivo de submissão de trabalhadores a
condições análogas as de escravos”, portanto, não existia, nada que pudesse
salvaguardar o individuo, seja em relação empregado-empregador, ou quanto aos
riscos das atividades desempenhadas pelas pessoas. (CASTRO E LAZZAR, 2003)
Pode-se afirmar que foi a partir da Revolução Industrial que houve, no
Brasil, uma maior preocupação em estabelecer uma legislação própria sobre
acidentes de trabalho e doenças ocupacionais, tendo em vista que neste período as
máquinas eram utilizadas constantemente por crianças e adultos, os quais
trabalhavam dia e noite em condições subumanas, e, conseqüentemente, o número
de acidentes e doenças relacionadas ao trabalho ocorriam em grande escala.

A partir de então, os trabalhadores começaram a se organizar e a se


manifestar por melhores condições de trabalho e de subsistência:

Em muitas regiões da Europa, os trabalhadores se organizaram para lutar


por melhores condições de trabalho. Os empregados das fábricas
formaram as trade unions (espécie de sindicatos) com o objetivo de
melhorar as condições de trabalho dos empregados. (LIMA & SECONI,
2010, p.12)

Ressalta Tortelli, inclusive, que aos poucos o trabalhador foi se organizando


e conquistando direitos, concretizados através de leis. (TORTORELLO, 1996)

Importante mencionar-se ainda, que “apenas no ano de 1919 é que surge a


primeira lei brasileira sobre acidentes de trabalho”, explicando Maranhão que a
referida Lei inspirou-se na teoria objetiva do risco profissional (MARANHÃO, 1999, p.
134), sendo que, a partir desse ano, começou-se a se responsabilizar a empresa
pelos acidentes ocorridos no âmbito do trabalho.

Após, no ano de 1967, a Lei n. 5.316 passa a deixar mais claro o conceito
de acidente de trabalho, classificando os acidentes em típico, de trajeto e de doença,
além de tornar obrigatório o seguro por acidente.
5

Sendo assim, constata-se que embora os acidentes e doenças relacionadas


ao trabalho estivessem presentes na vida dos trabalhadores desde a antiguidade,
somente passaram a se constituir objeto de análise e preocupação com o avanço do
processo de industrialização, ou seja, com o advento da Revolução Industrial.

Em suma, pode-se afirmar que as primeiras preocupações relacionadas ao


meio ambiente do trabalho foram com a segurança do trabalhador, na época da
Revolução Industrial, com o intuito de afastar a ocorrência dos acidentes do
trabalho.

Após este período, a preocupação passou a ser com as doenças do


trabalho, por meio da Medicina do Trabalho, posteriormente, passou-se a
preocupação com a higiene pessoal, visando à saúde do trabalhador.

As doenças ocupacionais são doenças originárias das condições de


trabalho conforme complementam Oliveira & Murofuse (2001, p.).

A saúde do trabalhador, no pensamento clássico da medicina ocupacional,


era entendida como relacionada apenas ao ambiente físico, na medida em
que o trabalhador está em contato com agentes químicos, físicos e
biológicos que lhe causem acidentes e enfermidades. (OLIVEIRA &
MUROFUSE, 2001, p.2).

Em outras palavras, a doença ocupacional é entendida como sendo a


doença adquirida ou desencadeada em função de condições em que o trabalho é
realizado, e que com ele se relacione diretamente, como por exemplo, a tuberculose,
a bronquite, a silicose, que tem como causa o trabalho realizado em local
extremamente empoeirados e agressivos às vias respiratória, etc.

No âmbito do programa da tuberculose, devem ser incluídas as informações


ocupacionais na ficha de investigação do paciente, uma vez que a
exposição à sílica é um fator de risco para o desenvolvimento da
tuberculose. O tratamento da silicotuberculose deve seguir o consenso do
tratamento da tuberculose isolada, porém é de grande importância que o
paciente seja reconhecido como pneumoconiótico, uma vez que isto irá
incorrer em cuidados especiais após a alta-cura. (MS, 2006, p.1)

As doenças ocupacionais, são aquelas que têm no trabalho sua causa


única, por sua própria natureza (e dizem respeito à insalubridade), ou seja, são
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doenças típicas de algumas atividades laborativas, como por exemplo, o saturnismo


(intoxicação provocada pelo chumbo); a silicose (doença que afeta os trabalhadores
da mineração, construção civil, entre outras, sujeitos à exposição do pó de sílica),
que tem como causa o trabalho realizado em locais extremamente empoeirados e
agressivos às vias respiratória.

Explica Moraes Filho que a doença profissional é entendida como aquela


produzida ou desencadeada pelo exercício do trabalho peculiar a determinada
atividade, ou seja, a doença é decorrente do desenvolvimento normal da atividade.
(MORAES FILHO, 2003, p. 528)

Pode-se afirmar que várias são as causas ou os “motivos” que provocam


doenças ocupacionais, podendo ser avaliadas como “condições inseguras” e os
“atos inseguros” as quais a segurança do trabalho poderá prontamente idendificar e
corrigir o problema.

A responsabilidade pelos acidentes e doenças ocupacionais, no passado,


eram vistos como sendo de responsabilidade exclusiva dos trabalhadores, através
dos “atos inseguros”, ou seja, entendia-se que a negligência, o descuido por parte
do empregado poderiam ser as causas mais frequentes destes fatores prejudiciais a
sua integridade física. Atualmente, tal ideia não persiste, tendo em vista que com a
adoção das técnicas prevencionistas procura-se realmente identificar se existe o ato
inseguro ou a condição insegura no ambiente de trabalho, para se poder então
compreender melhor a responsabilidade de cada parte. A “condição insegura”,
portanto, difere do “ato inseguro”.

Condição insegura é a condição do meio ambiente de trabalho que oferece


perigo ou risco ao trabalhador, salientando Oliveira, nesse contexto, que é de
responsabilidade do empregador a eliminação ou correção das condições inseguras
existentes nos locais de trabalho3. O empregador, portanto, é o responsável direto
pelas condições inseguras dos locais de trabalho, devendo evitá-las. (OLIVEIRA,
1999, p. 26)

O ato inseguro, diferentemente, é o ato praticado pelo homem, em geral


consciente, e que contraria as normas de segurança, ou seja, “são atitudes, atos,
ações ou comportamento do trabalhador contrários às normas de segurança e que
3
OLIVEIRA, Cláudio Antônio Dias de. Passo a passo da segurança do trabalho nos contratos de
empresas prestadoras de serviços. São Paulo: Saraiva, 1999, p. 26.
7

colocam em risco a sua saúde ou integridade física ou de outros colegas de


trabalho”. (OLIVEIRA, 1999, p. 26)

“A prevenção é uma ação de evitar ou diminuir os riscos profissionais


através de um conjunto de medidas tomadas no licenciamento e em todas as fases
de atividade do estabelecimento ou do serviço” (FESTI, 2003, p. 76).
Importante mencionar, ainda, que existem outras causas indiretas
relacionadas ao aumento das doenças ocupacionais, tais como: a falta de
informação do empregador e do empregado; a crescente exposição à substâncias
tóxicas (condições qualificadas como insalubres e perigosas); a ausência de normas
protetoras no ambiente de trabalho; a preferência pela redução dos riscos ao invés
da eliminação desses riscos; a falta de inspeção no ambiente de trabalho; o excesso
de horas extras (as quais também contribuem aumentar sua exposição à poeiras); a
ausência de conscientização do empregado e da empresa, etc.

Destacando-se que o papel da Segurança do Trabalho, nesses casos, uma


vez que cabe, a tal órgão, eliminar as condições e os atos inseguros no ambiente de
trabalho, reduzindo os acidentes e as doenças ocupacionais, conforme será
analisado na próxima sessão.

A legislação brasileira passou a dispor sobre medidas de proteção dos


trabalhadores relativos à saúde, higiene e segurança do trabalho, mesmo porque, a
saúde e a segurança no trabalho estão ligadas a qualidade de produção dos
trabalhadores, ou seja, quanto mais saudável e seguro for um ambiente de trabalho,
maior será a produção, e conseqüentemente, maior será o lucro para a empresa.

O respeito às normas de Segurança e Medicina do Trabalho é de


fundamental importância para proteger os trabalhadores e assegurar a eles seus
direitos fundamentais.

Por este motivo, em cada empresa deverá haver uma equipe técnica
especializada em segurança, higiene e medicina do trabalho, no intuito de minimizar
ou eliminar possíveis riscos à saúde e à integridade física do trabalhador, pois
conforme Matos (1998), a higiene e segurança do trabalho busca a diminuição dos
prejuízos empresariais, tanto do ponto de vista humano como financeiro pela
previsibilidade do comportamento humano nas atividades produtiva na empresa.

Constata-se que com o advento da Constituição Federal de 1988 a


segurança e a saúde no trabalho passou a ter grande importância, pois a
8

Constituição passou a dispor, em seu artigo 7º, inciso XXII, “a redução dos riscos
inerentes ao trabalho, por meio de normas de saúde, higiene e segurança”.

Ressalte-se que foi a primeira vez que uma Constituição dispôs sobre esse
conteúdo, pois a Constituição de 1969 previa apenas o direito à higiene e à
segurança no trabalho, em nada se referindo à saúde do trabalhador.

É com a Constituição Federal de 1988, portanto, que buscou-se a proteção à


saúde física e mental dos trabalhadores, além da higiene e segurança no trabalho.

Embora a Constituição de 1988 imponha o dever ao empregador de reduzir


os riscos inerentes ao trabalho, por meio de normas de saúde, higiene e segurança,
pode-se afirmar que tais normas padecem de efetividade, ou seja, muitas vezes são
desrespeitadas, não cumpridas pela empresa/empregador.

As normas legais de Segurança e Medicina do Trabalho, que tem aplicação


a todos os empregados e empregadores, encontram-se nos artigos 154 a 201 da
Consolidação das Leis do Trabalho.

Dentre eles, cita-se o artigo 157, o qual dispõe da seguinte forma:

Art. 157. Cabe às empresas:


I - cumprir e fazer cumprir as normas de segurança e medicina do trabalho;
II - instruir os empregados, através de ordens de serviço, quanto às
precauções a tomar no sentido de evitar acidentes do trabalho ou doenças
ocupacionais;
III - adotar as medidas que lhes sejam determinadas pelo órgão regional
competente;
IV - facilitar o exercício da fiscalização pela autoridade competente..

É importante mencionar que no intuito de promover a saúde e a integridade


dos trabalhadores nos locais de trabalho, a CLT estabeleceu, no Capítulo V, as
“Medidas Preventivas de Medicina do Trabalho”, com o objetivo de tentar impedir
que ocorram danos à saúde física e psíquica do trabalhador oriundos do trabalho,
tais como a obrigatoriedade de exame médico admissional e demissional, bem como
exames periódicos e complementares (artigo 168 da CLT).

Art. 168. Será obrigatório exame médico por conta do empregador, nas
condições estabelecidas neste artigo e nas instruções complementares a serem
expedidas pelo Ministério do trabalho:

I - na admissão;
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II - na demissão;

III – periodicamente.

Ainda, de acordo com a CLT, artigo 163, é obrigatória a constituição da


Comissão Interna de Prevenção de Acidentes – CIPA, prevista pela NR-5, Norma
Regulamentar, disposta no Capítulo V, Título II, da Consolidação das Leis do
Trabalho, relativas a Segurança e Medicina do Trabalho, que tem como objetivo a
implantação de medidas preventivas em relação aos acidentes de trabalho ocorridos
no Brasil.

A principal função desta comissão, ressalte-se, é zelar pela segurança e


saúde dos trabalhadores no exercício de suas atividades, seguindo as disposições
NR-5 (Comissão Interna de Prevenção de Acidentes) e da NR-15 (Atividades e
Operações Insalubres), sendo formada por um grupo de trabalhadores composto de
representantes dos empregados e do empregador.

Os exames admissionais, quando da contratação do trabalhador, bem como


os exames demissionais, quando da sua demissão, em conformidade com o
artigo168 da CLT, dão-se devido ao fato de que é responsabilidade do empregador
oferecer ao trabalhador um local de trabalho sadio, assegurando-lhe que quando
demitido esteja em perfeito estado de saúde física e mental para o seu possível
retorno ao mercado de trabalho, bem como esteja perfeitamente saudável quando
da sua contratação, para realizar as atividades que lhe forem determinadas.

Dentre os objetivos da CIPA, citam-se, ainda, os seguintes: relatar os riscos


existentes nos ambientes de trabalho; solicitar medidas de controle para reduzi-los,
neutralizá-los e eliminá-los; discutir os acidentes ocorridos e solicitar medidas
preventivas; orientar os demais trabalhadores quanto à prevenção de acidentes e
doenças decorrentes do trabalho, dentre outras.

Todavia, de nada adiantam normas e regulamentos se não houver uma


fiscalização, conforme bem preleciona Mello:

O Estado, por meio do Ministério do Trabalho e Emprego e de outros órgãos


governamentais, é responsável pelo estabelecimento de normas de
segurança, higiene e medicina do trabalho (Portaria n. 3.214/78) e pela
fiscalização do seu cumprimento.
Mas, não obstante existam normas legais a respeito do assunto - em alguns
aspectos até em demasia, na prática, tais normas não são efetivamente
cumpridas, como mostram as estatísticas de acidentes, porque, se de um
lado existe a cultura atrasada e perversa de parte do empresariado, de outro
10

as multas aplicadas administrativamente pelos órgãos fiscalizadores são


insuficientes para forçar os responsáveis a manter ambientes de trabalho
seguros e salubres. (MELO, 2008, p. 27-33)

É imprescindível, portanto, que as normas e os regulamentos sejam


cumpridos pelo empregador, do contrário, as estatísticas de acidentes no âmbito de
trabalho em nada diminuirão.

Feitas essas considerações gerais acerca dos direitos do empregado acerca


da Segurança e Medicina do trabalho, discorre-se, a seguir, sobre o meio ambiente
do trabalho, poeira e sílica.

2 O AMBIENTE DE TRABALHO, POEIRA E SÍLICA

2.1 ASPECTOS GERAIS

Um ambiente de trabalho insalubre expõe o trabalhador à poeiras, o


levantamento de poeiras durante a execução de um projeto na indústria da
construção civil é praticamente inevitável. Portanto, o cuidado com o operário deve
ser redobrado, é um local de trabalho inóspito e prejudicial a saúde.

O setor da construção civil tem uma grande participação de afastamentos do


trabalho por motivos de doenças ocupacionais e acidentes de trabalho. Anualmente,
aproximadamente 1,3 milhões de pessoas em todo o mundo morrem em decorrência
de acidentes de trabalho e doenças de origem ocupacional, de acordo com a
Organização Internacional do Trabalho (OIT) (MORAES, PILATTI & KOVALESKI,
2006).

A incapacidade, muita das vezes, está na capacidade intelectual do operário


para ler placas de avisos, colocados ao longo da obra. De acordo com a OIT (2005):

Com relação ao perfil da mão-de-obra do setor da construção civil,


gostaríamos de destacar o trabalho desenvolvido pelo SESI - Departamento
Nacional, denominado "Projeto SESI na Construção Civil" - composto de
dois subprojetos - Diagnóstico da Mão-de-obra do Setor da Construção Civil
e Operação de Serviços em Canteiros de Obra no Distrito Federal que teve
como objetivo geral compreender as características e a dinâmica de
trabalho no setor, identificando estratégias e mecanismos de intervenção
por parte do SESI. Os principais resultados desse Projeto são os seguintes:
1) Baixa qualificação:
11

• 72% dos trabalhadores pesquisados nunca frequentaram cursos e


treinamentos.
• 80% possuem apenas o 1º grau incompleto;
• 20% são completamente analfabetos.
2) Elevada rotatividade no setor:
• 56,5% têm menos de um ano na empresa;
• 47% estão no setor há menos de cinco anos.4

As Normas Regulamentadoras, também conhecidas pela sigla NR, regulam


e fornecem orientações sobre métodos obrigatórios relacionados à medicina e
segurança no trabalho no Brasil. A Portaria nº 3.214, de 8 de junho de 1978, aprova
as 28 Normas Regulamentadoras – NRs, do Capítulo V, título II da CLT, relativas a
segurança e medicina do trabalho. O setor da construção civil foi contemplado com a
NR-18 Obras de Construção, Demolição e Reparos, devendo estar ajustada à NR-6,
Equipamento de Proteção Individual - EPI, dispositivos ou produtos de uso individual
utilizado pelo trabalhador, destinado à proteção de riscos suscetíveis de ameaçar a
segurança e a saúde no trabalho.

A não-conformidade com leis e regulamentos sobre segurança e medicina


do trabalho por parte do empresário, incluindo o que está estabelecido nas NR's, lhe
trará aborrecimentos e ainda estará sujeito à penalidades previstas na legislação
pertinente.

Para evitar contendas sobre o assunto, de comum acordo empresários,


governo e trabalhadores, redigiram um texto conforme discussão em reunião
tripartite e paritária, realizada em Brasília/DF, no período de 15 a 19 de maio/95.

O texto aprovado na referida reunião, fruto de consenso entre as partes


(trabalhadores, empregadores e Governo), foi submetido à Consultoria Jurídica do
Ministério do Trabalho e, posteriormente, publicado pela SSST, em julho de 1995,
como a nova NR-18 – Condições e Meio Ambiente de Trabalho na Indústria da
Construção.

Dentre os principais itens da nova norma, atualmente em vigor, destaca-se:

• Obrigatoriedade de elaboração e cumprimento pelas empresas do


PCMAT, exigido no primeiro ano de vigência da Norma, nos canteiros de
obra com 20 ou mais trabalhadores e, a partir do terceiro ano, naqueles
que tiverem vinte ou mais empregados;

4
OIT, 2005
12

• Criação de Comitês Permanentes Nacional e Regionais Sobre


Condições e Meio Ambiente de Trabalho na Indústria da Construção;

• Comunicação prévia à Delegacia Regional do Trabalho (DRT), antes do


início de qualquer obra de construção, demolição ou reparo, do
endereço e tipo da obra, das datas previstas do início e conclusão e
número máximo previsto de trabalhadores;

• Todos os acidentes ocorridos no setor devem ser comunicados à


FUNDACENTRO, que faz, anualmente, análise estatística;

• Quando da ocorrência de acidentes fatais, é obrigatória sua


comunicação imediata à autoridade policial competente e ao órgão
regional do Ministério do Trabalho, que a repassará imediatamente ao
sindicato da respectiva categoria profissional;

• Estruturação de áreas de vivência em canteiros de obras, definindo


parâmetros mínimos sobre instalações sanitárias, vestiários,
alojamentos, locais para refeições e cozinha, lavanderia e áreas de
lazer; Todos os trabalhadores devem receber treinamento admissional e
periódico, objetivando que suas atividades sejam executadas com
segurança;

• Instituição de que, em edifícios em construção com 12 ou mais


pavimentos, ou altura equivalente, seja obrigatória a instalação de pelo
menos um elevador de passageiros, devendo seu percurso alcançar
toda a extensão vertical da obra. Esse elevador deve ser ainda instalado
a partir da execução da sétima laje de edifícios em construção com oito
ou mais pavimentos ou altura equivalente, em cujo canteiro trabalhem
pelo menos 30 trabalhadores;

A norma será complementada e atualizada por meio de RTPs


(Recomendações Técnicas de Procedimentos), publicadas regularmente pela
FUNDACENTRO. Essas recomendações devem oferecer alternativas técnicas de
como se deve proceder ao cumprimento da norma.

A construção civil agrega um conjunto de atividades complexas, ligadas


entre si por uma gama diversificada de produtos e serviços e subdividida
13

basicamente em três campos de atuação: edificações, montagem industrial e


construção pesada.

A construção pesada inclui entre suas atividades a construção de


infraestrutura viária, urbana e industrial (terraplanagem, pavimentação, obras ligadas
à construção de rodovias, de aeroportos), construção de obras estruturais e de arte
(pontes, viadutos, contenção de encostas, túneis), obras de saneamento (redes de
água e esgoto), de barragens hidrelétricas e a perfuração de poços de petróleo.

Os serviços de terraplenagem e pavimentação trabalham com grande


volume de materiais particulados, entre estes materiais estão o solo e a brita, além
de muito serviço pesado, máquinas e equipamentos de médio e grande porte, o
serviço compreende a escavação, raspagem direta, aterramento, compactação e
nivelamento do terreno, muitas vezes, arruamento e preparação da infraestrutura
para a urbanização da área.

A movimentação dessas cargas ou a compactação exige grande quantidade


de energia que provoca agitação dessas partículas liberando as mesmas na
atmosfera, expondo os trabalhadores a grande quantidade de poeiras.

Segundo Santos (2001) a poeira possui forma, tamanho e natureza diversas,


sendo capaz de manter seu peso particulado (peso das partículas que existe em
cada faixa de tamanho) no ambiente de trabalho e podem ser classificadas segundo
essas características básicas:

A) Forma da partícula: Importante fator que influencia os processos de


impactação e deposição inercial no sistema respiratório e os projetos de
instrumentos adequados para amostragem e análise de partículas.

B) Origem da partícula: Podem ter origem diversa, mineral, animal e vegetal.

C) Tamanho e distribuição de tamanho: A faixa de tamanhos das partículas


encontradas na atmosfera é muito grande (0,001 a 100 μm). A maioria
dos processos envolvendo partículas depende do tamanho da partícula e
o estudo do comportamento geral da população de partículas requer o
conhecimento do número de partículas que existe em cada faixa de
tamanho. O local de deposição das partículas no sistema respiratório
humano depende diretamente do tamanho das partículas.
14

• inaláveis – partículas menores que 100 μm, capazes de penetrar


pelo nariz e pela boca;

• torácicas – partículas menores que 25 μm, capazes de penetrar


além da laringe;

• respiráveis – partículas menores que 10 μm, capazes de penetrar


na região alveolar.

As poeiras respiráveis, com diâmetro menor que 10 μm têm importância


fundamental para a saúde e segurança no trabalho. As inalações destas poeiras
contendo sílica podem produzir doenças pulmonares conhecidas por silicose.
(GRUENZNER, 2003).

De acordo com a FUNDACENTRO o número estimado de trabalhadores


potencialmente expostos a poeiras contendo sílica no Brasil é superior a 6 milhões,
sendo cerca de 4 milhões na construção civil, 500.000 em mineração e garimpo e
acima de 2 milhões em indústrias de transformação de minerais, metalurgia,
indústria química, de borracha, cerâmicas e vidros. Em 1978, estimou-se entre 25 e
30 mil o número de portadores de Silicose no Brasil, através de inquérito em
hospitais de tisiologia na região Sudeste.

Segundo Ribeiro (2002, p.5) em seus resultados da “análise por difração de


raios-X, o porcentual médio de sílica livre cristalina (SiO2) encontrado nas amostras
coletadas, foi de 2%”. Portanto, para esta forma de exposição, não é adotado um
valor fixo para o limite de tolerância (LT), pois este valor depende do “porcentual de
SiO2 presente no material particulado. Conforme estabelece a Norma
Regulamentadora NR-15, Anexo 1 do Ministério do Trabalho do Brasil, o valor de LT
pode ser calculado empregando-se a Equação 1”. (RIBEIRO, 2002, p.5). O limite de
tolerância para poeira total (respirável e não - respirável), expresso em mg/m3, é
dado pela seguinte fórmula:
15

Enuncia o Anexo 12 da NR-5 que tanto a concentração como a percentagem


da sílica (SiO2), para a aplicação deste limite, devem ser determinadas a partir da
porção que passa por um seletor com as características do Quadro abaixo:

Quadro 1 - Esfera de densidade unitária da sílica livre cristalina

DIÂMETRO AERODINÂMICO (μm) % DE PASSAGEM PELO


SELETOR

(ESFERA DE DENSIDADE
UNITÁRIA)

menor ou igual a:

2 90

2,5 75

3,5 50

5,0 25

10,0 0 (zero)

Ribeiro (2002, p.5) se baseou na NR-15, utilizando o valor descrito no anexo


12 (limites de tolerância para poeiras minerais) acima, que discorre sobre a Sílica
livre cristalizada, item 3, formulou sua pesquisa empregando o valor de 2,0 mg/m3
como limite de tolerância (LT) à poeira mineral respirável, contendo 2% de sílica livre
cristalina e chegou conclusões interessantes:
16

Os resultados das avaliações técnicas (inspeções) realizadas nesta fábrica,


demonstram que a empresa possui um parque tecnológico obsoleto e
poluidor, com altos níveis de contaminação individual que se reflete em
casos de pneumoconioses, dermatites de contato e irritações diversas das
vias aéreas superiores, altos índices de incidentes críticos e acidentes
leves, ainda que subnotificados. O serviço médico não atende à demanda
dos exames e a investigação clínica se restringe a parâmetros
sintomatológicos, e não estabelece rotinas de acordo com o posto, a função
ou os problemas ambientais presentes no setor de trabalho.
A gerência de riscos se limita à identificação de pontos grosseiros e
recomendação de equipamento de proteção individual. Esta atitude é
também incorporada pela Comissão Interna de Prevenção de Acidentes
(CIPA), que acaba por se tornar uma reunião de cobranças mútuas, ao
invés de momentos de reflexão conjunta. (RIBEIRO, 2002, p.5)

A pesquisa revelou ser a fábrica utiliza maquinário e tecnologia já


ultrapassados, é importante mencionar que uma mudança no papel da CIPA (NR-5)
dessa fábrica se faz urgente, seu papel deveria ser de assessorar e orientar os
trabalhadores e a empresa no que diz respeito às questões de saúde no trabalho, o
que não vinha acontecendo. Portanto, é papel da CIPA é se identificar com os
interesses dos trabalhadores e não discordar e trocar acusações com a gerência de
riscos.

Na pesquisa de Souza & Quelhas (2003) a partir de uma lista das principais
atividades na construção civil, investigou ocupações que geram poeiras com
possíveis percentuais de sílica, fez um levantamento para avaliar os percentuais de
sílica.

Souza & Quelhas (2003) realizaram 14 amostragens de diferentes


atividades, tais como:

Tabela – Atividades de risco na construção civil

ATIVIDADES DE RISCO NA CONSTRUÇÃO CIVI


Terraplenagem.
Controle de entrada e saída de materiais do canteiro
Lixamento de concreto de fachada, com utilização de lixadeira elétrica
Escavação e transporte manual de solo
Preparação de argamassa com uso de betoneira sem carregador
Preparação de argamassa com uso de betoneira com carregador
Transporte de saco de cimento
Quebra de elemento estrutural de concreto com uso de martelete
Corte de granito com uso de máquina de corte ("maquita")
17

Apicotamento de parede de concreto com uso de marreta e ponteira.


Fonte: Souza & Quelhas (2003)

Souza & Quelhas (2003) com base nos resultados das avaliações e nas
visitas feitas aos canteiros de obras, concluir que:

Devemos destacar que o fato de algumas poeiras analisadas não


apresentarem teor de sílica livre suficiente para se caracterizarem como
poeiras fibrogênicas não elimina outros potenciais riscos ocupacionais à
saúde do trabalhador. Pois, a poeira respirável incômoda pode ser, da
mesma forma, causadora de outros tipos de alterações pulmonares que
possam determinar o aparecimento de sintomas clínicos, como por exemplo
bronquite alérgica. Portanto, especial atenção deve ser dispensada às
poeiras com concentrações que ultrapassem o LT para poeiras incômodas.
Certamente, o simples atendimento às recomendações dispostas neste
trabalho não implica a eliminação dos riscos da exposição ocupacional a
poeiras. O controle efetivo se dá através de avaliações periódicas das
medidas adotadas, verificando-se permanentemente, a eficiência das
mesmas, assim como, os níveis de aerodispersóides no ar. Souza &
Quelhas, 2003, p.10)

Deve ser dado especial atenção às operações que geram poeiras


comprovadamente fibrogênicas ou em concentrações capazes de superar o LT
definido pela NR-15, anexo 1, para poeiras respiráveis.

Tomando-se medidas adequadas de proteção ao trabalhador, utilizando os


EPI’s corretos a cada fator de exposição de poeiras conforme indicação da NR-6
Equipamento de Proteção Individual, listado em seu anexo 1, item D (veja Anexo A),
Lista de Equipamentos de Proteção Individual, existirá proteção e segurança para se
trabalhar sem prejudicar a saúde do trabalhador. Os empresários precisam se
conscientizar e a seus funcionários que é possível desenvolver qualquer atividade
sem colocar em risco a vida ou saúde de seus trabalhadores.

2.2 DOENÇAS PROVOCADAS PELA SÍLICA

De acordo com o Ministério da Saúde.

A Pneumoconiose fibrogênica silicose é uma doença causada pela inalação


de sílica livre cristalina que se manifesta após longo período de exposição,
habitualmente superior a dez anos, caracterizada por fibrose progressiva do
parênquima pulmonar. (MS, 2006 p.29)
18

Métodos de diagnósticos:

Verificar a história ocupacional quanto à exposição de poeiras do


trabalhador contendo sílica livre cristalina. Ver a história clínica com indícios
ausentes ou com presença de sintomas que, em geral, são precedidos pelas
alterações radiológicas. Tirar radiografia simples de tórax interpretada de acordo
com os critérios da OIT 2000, (MS, 2006).

A doença chamada silicose é uma doença pulmonar adquirida pelo


trabalhador quando exposto sílica, ou seja acima do limite de tolerância (LT),
apresentar-se clinicamente como uma doença aguda, acelerada ou crônica. Ratifica
Greenberg et al. (2007) dizendo textualmente que:

A fisiopatologia da silicose crônica é a inflamação crônica que surge como


resultado da acumulação de vários mediadores inflamatórios e fatores
fibrogênicos. Sob a influência desses fatores, silicoproteinose pulmonar
desenvolve-se como material proteináceo e eosinofílico se acumulam nos
espaços alveolares. A taxa de progressão da doença parece depender da
taxa de deposição de sílica nos pulmões, bem como o montante total de
sílica cristalina que é realmente retido no pulmão.

A silicose, então, é uma doença pulmonar adquirida pela exposição do


trabalhador à sílica durante muitos anos, é uma doença silenciosa que, quando
apresenta os sintomas já se encontra instalada na pessoa.

Para Santos & Lima (2005) ao dizer a sílica em quantidades normais


espalhadas na crosta terrestre e na natureza não prejudica o ser humano:

[...] a sílica constitui cerca de 60% da crosta terrestre, apresentando-se na


forma livre como no quartzo e na areia ou na forma combinada com óxidos
metálicos, como em argilas. O quartzo é a forma de sílica livre mais
abundante na natureza e a mais importante, em termos ocupacionais, como
causadora da silicose”.

O risco da inalação de poeira com sílica está presente em uma ampla


variedade de situações: na extração e beneficiamento de rochas e ainda:
19

[...] beneficiamento de pedras em geral, mineração de ouro, arsênico,


estanho e de pedras preciosas e perfuração de poços; nas indústrias
cerâmica, de materiais de construção, de borracha, na fabricação de vidro e
de fertilizantes (rocha fosfática), em fundições e na produção de talco
(comumente contaminado com sílica); operação de jateamento de areia
(Abolido CONFORME XXX), rebarbação, retífica e polimento de metais e
minerais com abrasivos contendo sílica, e em atividades de manutenção e
limpeza de fornos, moinhos e filtros; confecção de prótese dentária. (FILHO
E SANTOS, 2006, p.42)

Notifica Greenberg et al. (2007) que em alguns casos, a silicose pode


contribuir para o desenvolvimento paralelo de outras doenças, incluindo o câncer ou
tuberculose. Na atualidade, não existe cura ou tratamento para a silicose, a
prevenção, informação e uso de IPIs pelo trabalhador é a única forma de evita-la.
Devido à associação entre a exposição ocupacional à sílica e o desenvolvimento
posterior da silicose, existem normas de prevenção à silicose regulamentadas pelo
Ministério do Trabalho para prevenir o desenvolvimento da silicose em trabalhadores
de determinadas funções e tarefas.

A Empresa possui um quadro de funcionários que desenvolver suas


obrigações com segurança necessitam de um meio ambiente de trabalho seguro,
onde deverão ser obedecidos todos os requisitos legais exigidos conforme
determinações da NR-15, Norma Regulamentadora do Capítulo V, Título II, da
Consolidação das Leis do Trabalho, relativas à Segurança e Medicina do Trabalho.
Com medidas de prevenção, o risco pode ser reduzido ou até mesmo eliminados por
simples medidas de controle no ambiente e no homem.

O termo silicose é o nome dado à fibrose pulmonar causada pela inalação


de poeira contendo sílica cristalina. è uma doença de desenvolvimento lento, que
pode progredir independentemente do término da exposição.

A silicose é a principal doença pulmonar ocupacional e incapacitante,


especialmente em países em desenvolvimento. Nas últimas décadas observou-se
modificação da relação entre silicose e/ou exposição à sílica e câncer pulmonar,
devido ao aumento na expectativa de vida dos trabalhadores expostos à sílica.
(CARNEIRO, 2002)

A silicose é uma doença pulmonar com uma evolução progressiva e


irreversível que pode determinar incapacidade para o trabalho, invalidez, aumento
da suscetibilidade à tuberculose e, com frequência, ter relação com a causa de óbito
20

do paciente afetado. É uma fibrose pulmonar nodular causada pela inalação de


poeiras contendo partículas finas de sílica livre cristalina que leva de meses a
décadas para se manifestar.

Dentro desse contexto não é difícil observar, na construção civil, operadores


de máquinas expostos às poeiras dentro do canteiro de obras sem a utilização de
qualquer EPI específico para essa finalidade ou treinamento adequado para
conhecimento dos riscos a que está está exposto. Esses trabalhadores estão
expostos às poeiras totais e as contendo sílica, uma vez que esse risco depende
basicamente de três fatores, a concentração de poeira respirável, porcentagem de
sílica livre cristalina e a duração da exposição.

Os processos industriais que geram sílica livre respirável devem ser


compartimentalizados ou modificados; qualquer poeira que contenha sílica
jamais deve ser varrida seca, e os trabalhadores devem sempre utilizar
equipamento de proteção respiratória individual, a fim de evitar exposições,
mesmo por curtos períodos de tempo. (SOUZA & QUELHAS, 2003, p.3)

Nos estudos de Rodrigues et al. (2004) analisaram a influência da poeira


respirável de basalto, decorrente da produção de brita, a partir da verificação do teor
de sílica, tamanho e quantificação do material particulado, no sistema respiratório
dos trabalhadores.
Para Rodrigues et al. (2004, p.2) o material particulado mais importante é o
pó de pedra proveniente do beneficiamento da rocha e movimentação dos
equipamentos e veículos, estas emissões são classificadas nos seguintes grupos:
a. Emissões de Processamento: Têm início com o descarregamento da
matéria-prima dos caminhões basculantes no alimentador do britador
primário, sequenciando-se nas operações de britagem, transferência
(em geral através de correias sem coberturas) e peneiramento.
b. Emissões Fugitivas: Provenientes das operações não fixas, são de mais
difícil solução, pela natureza das operações geradoras, e representam
uma contribuição muito grande em termos de poeira total gerada numa
pedreira.
Rodrigues et al. (2004, p.2) informa ainda que:

O tamanho das partículas é um dos fatores que influi diretamente para


determinar o local de deposição das partículas, no sistema respiratório
21

humano. A retenção de poeira nos brônquios e alvéolos será mais intensa,


dependendo da natureza da poeira, para as partículas cujo diâmetro varia
de 0,5 a 3,0 micra. Acredita-se que as partículas com tamanho em torno 1,0
mícron podem ser as mais patogênicas. (RODRIGUES et al., 2004, p.2)

Sendo que as doenças pulmonares pelo fato da inalação ser de poeiras


inorgânicas serem chamadas pneumoconioses. Portanto a silicose é um tipo de
pneumoconiose acarretada pela inalação insistente de poeiras contendo partículas
finas de sílica livre e cristalina, é considerada uma doença pulmonar crônica,
incurável e irreversível, por isso deve ser a preocupação da segurança no trabalho.
Rodrigues et al. (2004) a seguinte conclusão em seus estudo:

O presente trabalho tratou do estudo da poeira respirável de basalto, por ser


um dos tipos de rocha mais utilizado na produção de brita no Paraná,
relativamente as suas concentrações, teores de sílica e tamanho das
partículas, pois estes são parâmetros que têm influência expressiva no
desenvolvimento de doenças pulmonares pelos trabalhadores de pedreiras.
Quanto ao teor de SiO2 na fração respirável de poeira no basalto o maior
valor obtido foi 3,8%, provavelmente em decorrência do material de
preenchimento das amígdalas que ocorrem no topo do derrame. A presença
de alguns grãos de quartzo disseminados é bastante comum em rochas
basálticas toleíticas. Deve-se salientar que segundo a literatura, o risco de
formação de nódulos silicóticos (silicose clássica) está relacionado com a
poeira que contém mais de 7,5% de sílica livre. Para poeiras com valores
menores, caso do basalto, é provável a ocorrência de pneumoconioses por
poeira mista.
Os valores para concentração de poeira no ambiente de trabalho mostraram
que 33% da poeira respirável na empresa X e 50% na empresa Y
encontram-se acima do limite de tolerância aceitável para os trabalhadores,
conforme estabelecido pela NR-15 do Ministério do Trabalho e Emprego.
Segundo os fatores avaliados, teor de sílica, tamanho e concentração pode-
se concluir que a poeira respirável proveniente da produção de brita a partir
do basalto é prejudicial para o sistema respiratório do trabalhador, sendo
possível a ocorrência de pneumoconiose por poeira mista. (RODRIGUES et
al., 2004, p.2)

Doenças relacionadas à exposição à sílica, conforme (OLIVEIRA, 2007, p.4):

Quadro 2 - Doenças relacionadas à exposição à sílica

DOENÇAS RELACIONADAS À EXPOSIÇÃO À SÍLICA


Trato Trato respiratório Doenças do parênquima Doenças Pleurais
respiratório alto baixo pulmonar
A Irritações/infla Asma ocupacional Pneumonites por Derrame pleural
Aguda mações; (bissinose e síndrome hipersensibilidade;
da disfunção reativa
Rinite alérgica. Pneumonites tóxicas.
das VA)

Crônicas Úlcera de Bronquite crônica Pneumoconioses (Silicose e Fibrose pleural;


22

septo nasal. ocupacional; Asbestose);

Enfisema pulmonar; Outras reações Carcinomas do trato


granulomatosas). respiratório:
Limitação crônica ao
fluxo aéreo. Carcinoma broncogênico;

Mesotelioma.
Fonte: OLIVEIRA, 2007.

Quadro 3 – Classificação dos riscos

CLASSIFICAÇÃO DOS RISCOS


• Deficiência de oxigênio;

• Contaminação por gases: Imediatamente perigosos à vida, ou não.

• Contaminação por aerodispersóides (poeiras, fumos, etc.);

• Contaminação por gases e aerodispersóides: imediatamente perigosos à vida, ou não.


Fonte: OLIVEIRA, 2007.

Quadro 4 – Tolerância do organismo humano conforme a NR15, Anexo 12 – MT

TOLERÂNCIA DO ORGANISMO HUMANO CONFORME A NR15, ANEXO 12 – MT


• Deficiência de oxigênio;

• Poeira respirável (PR): LTPR(mg/m3)= 8 / % SiO2+2

• Poeira total (PT): LTPT(mg/m3)= 24 / % SiO2+3


Fonte: OLIVEIRA, 2007.

O risco da doença existe quando há > 7,5% de sílica livre na fração de


poeira respirável ou quando, mesmo abaixo deste valor, o limite de tolerância para a
sílica é ultrapassado. (OLIVEIRA, 2007)

Ademais, o direito ao meio ambiente do trabalho é um direito fundamental


que adquire este status por estar balizado na dignidade da pessoa humana,
conforme esclarece Oliveira. (OLIVEIRA, 2003, p. 31.)
23

Assim, o princípio da dignidade da pessoa humana, traz em si um valor


especial, em torno do qual gravitam todos os demais valores expressos nos direitos
fundamentais e consagrados pela Constituição Federal ao ser humano.

Fundamento do Estado brasileiro, a dignidade da pessoa humana inspira a


atuação de todos, Estado, empresas e trabalhadores, como expressão do mais
importante valor a ser tutelado pela Constituição Federal.

Desta forma, pode-se dizer que não se pode vislumbrar a garantia à


dignidade da pessoa humana sem a garantia da sadia qualidade de vida e trabalho
seguro.

Ressalte-se que esse princípio encontra-se assegurado pelo artigo 1º, inciso
III da Constituição Federal de 1988, e constitui um dos fundamentos da República
Federativa do Brasil.

3 DISCUSSÃO

Através da análise dos dados informados nesta pesquisa chega-se as


seguintes conclusões.

Não obstante o progresso quanto ao amparo legal conseguido pelos


trabalhadores ao longo dos anos muito ainda precisa ser feito em benefício de sua
saúde e integridade física.

A) De acordo com FUNDACENTRO o número estimado de trabalhadores


expostos a poeiras contendo sílica no Brasil é superior a 6 milhões,

a) sendo cerca de 4 milhões na construção civil,

b) 500.000 em mineração e garimpo e acima de

c) 2 milhões em indústrias de transformação de minerais,


metalurgia, indústria química, de borracha, cerâmicas e vidros.

d) Em 1978, estimou-se entre 25 e 30 mil o número de portadores


de Silicose no Brasil, através de inquérito em hospitais de tisiologia
na região Sudeste.
24

B) De acordo com a revisão de literatura apresentada a prevenção é o


melhor remédio contra a silicose e outras doenças relacionadas a
inalação de poeiras contendo sílica cristalizada, o trabalhador deve estar
munido de protetor e respiratório para seu bem-estar atual e futuro;

C) Ocorre o risco da doença quando há > 7,5% de sílica livre na fração de


poeira respirável ou quando, mesmo abaixo deste valor, o limite de
tolerância para a sílica é ultrapassado; (OLIVEIRA, 2007)

D) É possível determinar a concentração da poeira respirável nos ambientes


industriais pela separação das partículas de diâmetro < 10 μm do total de
poeira presente nos locais de trabalho e identificar os teores de sílica
livre cristalizada na dispersão de material particulado coletado do ar. Pela
legislação as poeiras respiráveis são as com diâmetro menor que 10 μm,
conforme a NR-15 em seu anexo 12 (Limites de tolerância para poeiras
minerais);

E) As partículas de poeiras em suspensão quando presentes no local de


trabalho, acima do limite de tolerância (LT), medida esta que pode ser
medida conforme a tabela que mede a densidade unitária da sílica livre
cristalina relatada na NR-5 (Normas regulamentadoras de segurança e
saúde no trabalho) podem afetar a vida e saúdo de trabalhador;

F) Neste sentido cabe a CIPA, por ter acesso a todos os setores da


empresa, verificar os locais com poeiras inaláveis com potencial para
prejudicar o trabalhador e que possam conter a sílica, comunicar o fato
aos responsáveis pela empresa e disponibilizar os equipamentos de
proteção, alertando ainda ao trabalhador, quanto aos riscos que corre
pela inalação deste tipo de poeira e às doenças que podem causar.

G) A observância e cumprimento das medidas de segurança previstas pelas


NR’s são de suma importância para diminuição e mesmo eliminação no
futuro da silicose provocada pela inalação de poeiras contendo sílica.
Esta doença ocupacional pode ser controlada e mesmo erradicada,
assim como tantas outras que no passado causaram tantos males ao
trabalhador e hoje já não existem mais.
25

5 CONCLUSÃO

Nos últimos anos ocorreram muitos progressos na área de prevenção de


doenças ocupacionais e muitas foram as conquistas dos trabalhadores, mas, as
estatísticas da Fundacentro demonstram que, somente na contrução civil, o número
de trabalhadores expostos a poeiras contendo sílica no Brasil é de cerca de 4
milhões.

Várias são as causas que contribuem para que isto ocorra. Dentre elas,
cita-se a falta do cumprimento e da fiscalização das normas de segurança; a
preferência pela redução dos riscos ao invés da eliminação desses riscos; o stress;
o excesso de horas extras; a ausência de conscientização do empregado e da
empresa, dentre inúmeras outras.

Os trabalhadores ligados a construção civil, um setor forte da economia e


que emprega grande mão de obra em massa e suas áreas afins, aonde a poeira
contendo sílica é mais abundante, correm grande riscos de adquirirem doenças
relacionadas pela inalação de sílica acima do previsto pela legislação.

Assim, mesmo seguindo uma ordem econômica e assegurando a livre


iniciativa empresarial, a mesma deve estar fundada na defesa do meio ambiente do
trabalho e na valorização do trabalhador, de modo a assegurar a todos a existência
digna, de acordo com os ditames da justiça social e ética.

Depreende-se, portanto, que a segurança no trabalho é um direito


fundamental, que deve ser respeitado pelo Estado, empresas e trabalhadores, caso
contrário, o princípio da dignidade da pessoa será apenas uma utopia e o desprezo
pela vida humana uma regra em nosso país.

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TORTORELLO, Jayme Aparecido. Acidentes do trabalho. Rio de Janeiro:


Forense,1996.
29

ANEXO I - LISTA DE EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL

LISTA DE EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL

A - EPI PARA PROTEÇÃO DA CABEÇA

A.1 - Capacete

a) capacete de segurança para proteção contra impactos de objetos sobre o crânio;

b) capacete de segurança para proteção contra choques elétricos;

c) capacete de segurança para proteção do crânio e face contra riscos provenientes


de fontes geradoras de calor nos trabalhos de combate a incêndio.

A.2 - Capuz

a) capuz de segurança para proteção do crânio e pescoço contra riscos de origem


térmica;

b) capuz de segurança para proteção do crânio e pescoço contra respingos de


produtos químicos;

c) capuz de segurança para proteção do crânio em trabalhos onde haja risco de


contato com partes giratórias ou móveis de máquinas.

B - EPI PARA PROTEÇÃO DOS OLHOS E FACE

B.1 - Óculos

a) óculos de segurança para proteção dos olhos contra impactos de partículas


volantes;
30

b) óculos de segurança para proteção dos olhos contra luminosidade intensa;

c) óculos de segurança para proteção dos olhos contra radiação ultra-violeta;

d) óculos de segurança para proteção dos olhos contra radiação infra-vermelha;

e) óculos de segurança para proteção dos olhos contra respingos de produtos


químicos.

B.2 - Protetor facial

a) protetor facial de segurança para proteção da face contra impactos de partículas


volantes;

b) protetor facial de segurança para proteção da face contra respingos de produtos


químicos;

c) protetor facial de segurança para proteção da face contra radiação infra-vermelha;

d) protetor facial de segurança para proteção dos olhos contra luminosidade intensa.

B.3 - Máscara de Solda

a) máscara de solda de segurança para proteção dos olhos e face contra impactos
de part ículas volantes;

b) máscara de solda de segurança para proteção dos olhos e face contra radiação
ultra-violeta;

c) máscara de solda de segurança para proteção dos olhos e face contra radiação
infra-vermelha;

d) máscara de solda de segurança para proteção dos olhos e face contra


luminosidade intensa.

C - EPI PARA PROTEÇÃO AUDITIVA

C.1 - Protetor auditivo


31

a) protetor auditivo circum-auricular para proteção do sistema auditivo contra níveis


de pressão sonora superiores ao estabelecido na NR - 15, Anexos I e II;

b) protetor auditivo de inserção para proteção do sistema auditivo contra níveis de


pressão sonora superiores ao estabelecido na NR - 15, Anexos I e II;

c) protetor auditivo semi -auricular para proteção do sistema auditivo contra níveis de
pressão sonora superiores ao estabelecido na NR - 15, Anexos I e II.

D - EPI PARA PROTEÇÃO RESPIRATÓRIA

D.1 - Respirador purificador de ar

a) respirador purificador de ar para proteção das vias respiratórias contra poeiras e


névoas;

b) respirador purificador de ar para proteção das vias respiratórias contra poeiras,


névoas e fumos;

c) respirador purificador de ar para proteção das vias respiratórias contra poeiras,


névoas, fumos e radionuclídeos;

d) respirador purificador de ar para proteção das vias respiratórias contra vapores


orgânicos ou gases ácidos em ambientes com concentração inferior a 50 ppm (parte
por milhão);

e) respirador purificador de ar para proteção das vias respiratórias contra gases


emanados de produtos químicos;

f) respirador purificador de ar para proteção das vias respiratórias contra partículas e


gases emanados de produtos químicos;

g) respirador purificador de ar motorizado para proteção das vias respiratórias contra


poeiras, névoas, fumos e radionuclídeos.

D.2 - Respirador de adução de ar

a) respirador de adução de ar tipo linha de ar comprimido para proteção das vias


respiratórias em atmosferas com concentração Imediatamente Perigosa à Vida e à
Saúde e em ambientes confinados;
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b) máscara autônoma de circuito aberto ou fechado para proteção das vias


respiratórias em atmosferas com concentração Imediatamente Perigosa à Vida e à
Saúde e em ambientes confinados;

D.3 - Respirador de fuga

a) respirador de fuga para proteção das vias respiratórias contra agentes químicos
em condições de escape de atmosferas Imediatamente Perigosa à Vida e à Saúde
ou com concentração de oxigênio menor que 18 % em volume.

E - EPI PARA PROTEÇÃO DO TRONCO

E.1 - Vestimentas de segurança que ofereçam proteção ao tronco contra riscos de


origem térmica, mecânica, química, radioativa e meteorológica e umidade
proveniente de operações com uso de água.

E.2 Colete à prova de balas de uso permitido para vigilantes que trabalhem portando
arma de fogo, para proteção do tronco contra riscos de origem mecânica. (Incluído
pela PORTARIA MTE/SIT/DSST Nº 191/2006)

F - EPI PARA PROTEÇÃO DOS MEMBROS SUPERIORES

F.1 - Luva

a) luva de segurança para proteção das mãos contra agentes abrasivos e


escoriantes;

b) luva de segurança para proteção das mãos contra agentes cortantes e


perfurantes;

c) luva de segurança para proteção das mãos contra choques elétricos;

d) luva de segurança para proteção das mãos contra agentes térmicos;

e) luva de segurança para proteção das mãos contra agentes biológicos;

f) luva de segurança para proteção das mãos contra agentes químicos;


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g) luva de segurança para proteção das mãos contra vibrações;

h) luva de segurança para proteção das mãos contra radiações ionizantes.

F.2 - Creme protetor

a) creme protetor de segurança para proteção dos membros superiores contra


agentes químicos, de acordo com a Portaria SSST nº 26, de 29/12/1994.

F.3 - Manga

a) manga de segurança para proteção do braço e do antebraço contra choques


elétricos;

b) manga de segurança para proteção do braço e do antebraço contra agentes


abrasivos e escoriantes;

c) manga de segurança para proteção do braço e do antebraço contra agentes


cortantes e perfurantes;

d) manga de segurança para proteção do braço e do antebraço contra umidade


proveniente de operações com uso de água;

e) manga de segurança para proteção do braço e do antebraço contra agentes


térmicos.

F.4 - Braçadeira

a) braçadeira de segurança para proteção do antebraço contra agentes cortantes.

F.5 - Dedeira

a) dedeira de segurança para proteção dos dedos contra agentes abrasivos e


escoriantes.
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G - EPI PARA PROTEÇÃO DOS MEMBROS INFERIORES

G.1 - Calçado

a) calçado de segurança para proteção contra impactos de quedas de objetos sobre


os artelhos;

b) calçado de segurança para proteção dos pés contra choques elétricos;

c) calçado de segurança para proteção dos pés contra agentes térmicos;

d) calçado de segurança para proteção dos pés contra agentes cortantes e


escoriantes;

e) calçado de segurança para proteção dos pés e pernas contra umidade


proveniente de operações com uso de água;

f) calçado de segurança para proteção dos pés e pernas contra respingos de


produtos químicos.

G.2 - Meia

a) meia de segurança para proteção dos pés contra baixas temperaturas.

G.3 - Perneira

a) perneira de segurança para proteção da perna contra agentes abrasivos e


escoriantes;

b) perneira de segurança para proteção da perna contra agentes t érmicos;

c) perneira de segurança para proteção da perna contra respingos de produtos


químicos;

d) perneira de segurança para proteção da perna contra agentes cortantes e


perfurantes;

e) perneira de segurança para proteção da perna contra umidade proveniente de


operações com uso de água.
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G.4 - Calça

a) calça de segurança para proteção das pernas contra agentes abrasivos e


escoriantes;

b) calça de segurança para proteção das pernas contra respingos de produtos


químicos;

c) calça de segurança para proteção das pernas contra agentes térmicos;

d) calça de segurança para proteção das pernas contra umidade proveniente de


operações com uso de água.

H - EPI PARA PROTEÇÃO DO CORPO INTEIRO

H.1 - Macacão

a) macacão de segurança para proteção do tronco e membros superiores e


inferiores contra chamas;

b) macacão de segurança para proteção do tronco e membros superiores e


inferiores contra agentes térmicos;

c) macacão de segurança para proteção do tronco e membros superiores e


inferiores contra respingos de produtos químicos;

d) macacão de segurança para proteção do tronco e membros superiores e


inferiores contra umidade proveniente de operações com uso de água.

H.2 - Conjunto

a) conjunto de segurança, formado por calça e blusão ou jaqueta ou paletó, para


proteção do tronco e membros superiores e inferiores contra agentes térmicos;

b) conjunto de segurança, formado por calça e blusão ou jaqueta ou paletó, para


proteção do tronco e membros superiores e inferiores contra respingos de produtos
químicos;
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c) conjunto de segurança, formado por calça e blusão ou jaqueta ou paletó, para


proteção do tronco e membros superiores e inferiores contra umidade proveniente
de operações com uso de água;

d) conjunto de segurança, formado por calça e blusão ou jaqueta ou paletó, para


proteção do tronco e membros superiores e inferiores contra chamas.

H.3 - Vestimenta de corpo inteiro

a) vestimenta de segurança para proteção de todo o corpo contra respingos de


produtos químicos;

b) vestimenta de segurança para proteção de todo o corpo contra umidade


proveniente de operações com água.

I - EPI PARA PROTEÇÃO CONTRA QUEDAS COM DIFERENÇA DE NÍVEL

I.1 - Dispositivo trava-queda

a) dispositivo trava-queda de segurança para proteção do usuário contra quedas em


operações com movimentação vertical ou horizontal, quando utilizado com cinturão
de segurança para proteção contra quedas.

I.2 - Cinturão

a) cinturão de segurança para proteção do usuário contra riscos de queda em


trabalhos em altura;

b) cinturão de segurança para proteção do usuário contra riscos de queda no


posicionamento em trabalhos em altura.

Nota: O presente Anexo poderá ser alterado por portaria específica a ser expedida
pelo órgão nacional competente em matéria de segurança e saúde no trabalho, após
observado o disposto no subitem 6.4.1.
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