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Universidade da Amazônia

Historiografia Brasileira – Revisão

1- A origem e a importância do IHGB


É fator fundamental, analisar a construção do conhecimento
histórico no contexto brasileiro com base na produção historiográfica
no século XIX e limiar do século XX. Naquele momento, muito em
voga os temas Nação e Civilização . Neste contexto foi importante
a atuação do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e o Projeto
de uma História Nacional
A criação, em 21 de outubro 1838, do Instituto Histórico e
Geográfico Brasileiro (IHGB) vem apontar em direção à
materialização deste empreendimento, que mantém profundas
relações com a proposta ideológica em curso. Esta instituição
esteve em constante diálogo com as europeias, sobre tudo com o
Instituto Francês
• O objetivo era delinear de um perfil para a "Nação brasileira", capaz de lhe
garantir uma identidade própria no conjunto mais amplo das "Nações", de
acordo com os novos princípios organizadores da vida social do século XIX.

• O IHGB foi modelando a escrita da história brasileira imbuído de cristalizar a


civilização a partir de um viés evolucionista; definir as fronteiras geográficas do
que seria a nascente nação; consolidar historicamente um projeto nacional da
gênese da Nação brasileira. Para tanto, incentivou viagens exploratórias,
pesquisas e coletas em diversas outras instituições e no próprio país.

• A partir da leitura do texto de Manoel Salgado Guimarães e no contexto da


historiografia brasileira do século XIX, a personificação do “outro”, interno e
externo, a ser definido no projeto da Nação brasileira eram: o negro , o índio e
as demais nações latinoamericanas
A interpretações e construções narrativas sobre o Brasil:
Francisco Varnhagen assumiu o papel de destrinchar o
passado, esculpi-lo e assim "inventar" a história do
Brasil, eivada de elogios à Europa. Uma escrita que
exaltava a herança do colonizador. Sua escrita ou
produção intelectual esteve pautada na construção de
uma versão apologética e salvífica da atuação do
colonizador. Fez vasta pesquisa documental, nos moldes
de uma história positivista, sobretudo, em arquivos fora
do Brasil custeado pelo IHGB.
Capistrano de Abreu construiu a sua interpretação do Brasil
quando a Monarquia estava abalada, em xeque, assim como a
escravidão, e se buscavam novas bases econômicas, sociais,
políticas e mentais para o Brasil.
Ele recusa os determinismos geográfico, climático e racial e o
evolucionismo. Historicista, ele percebe que a vida em eu mistério
pede um tratamento diferenciado da natureza. Seus estudos sobre a
história íntima, festejos, família, procurando a diferença, a
individualidade, as significações, o afastam do que é típico, regular,
constante.
Postulava que a ação humana não se submete a regras e leis
gerais. Capistrano foi pioneiro na procura das identidades do povo
brasileiro, contra o português e o Estado Imperial e as elites luso-
brasileiras.
Gilberto Freyre:
Trouxe para sua interpretação um “Brasil visto de fora”, pois sua
formação foi influenciada por correntes de pensamentos
europeus, e sobretudo, norte americanos. Destaca-se a formação
em antropologia cultural, como discípulo de Franz Boas. Casa
Grande & senzala, sua grande obra, teve um viés de análise
documental e metodológico inovadores. A casa grande e a
senzala se tornaram um grande metáfora para entender o Brasil,
país miscigenado como tantos outros intérpretes o disseram.
Mas, em Gilberto Freyre a miscigenação foi reinterpretada e
produziu o grande mito e o conceito de democracia racial.
Sérgio Buarque Holanda: atuou em época fecunda para o
pensamento social brasileiro com publicação de importantes obras
no campo da História e da Sociologia que tinham uma interpretação
mais exata do Brasil.
Procurou escrever uma História do Brasil, marcando a
herança ibérica, mas a entendia como história única,
dotada de individualidade. As raízes do Brasil repousam
nos europeus, mas também nos africanos e indígenas.
Destaca-se na obra de Sergio Buarque a discussão do
tipo social do brasileiro: o homem cordial
Caio Prado Jr.: Importante interpretação do Brasil, a obra de Caio
Prado provém precisamente de sua associação com o marxismo.
Isso principalmente em razão de o historiador paulista ter sabido
utilizar como poucos em nosso país o método marxista no estudo de
um objeto particular, a experiência histórico-social brasileira.
Realizou assim não somente um transplantar da análise da
experiência europeia.
A experiência analítica de Caio Prado sobre o Brasil pode ser vista
como particularizada. O que nos leva a rever a crítica da teoria
marxista ser atemporal e afeita a qualquer sociedade.
A nacionalização do marxismo, que a obra de Caio Prado Jr.
promove, se dá a partir de uma questão central: a relação entre
Colônia ( analítico) e Nação (normativo) no Brasil ( contexto das
outras interpretações)
• A representação que se consolidou em torno dos três intérpretes é quase
o equivalente a uma divisão do trabalho entre os pais fundadores do
pensamento social brasileiro:

• Gilberto Freyre teria importância por, influenciado pela antropologia


cultural norte-americana, ser um dos primeiros a reconhecer a relevância
da “contribuição negra” na formação de nossa sociedade.

• Sérgio Buarque de Holanda, por sua vez, inspirado em grande parte na


sociologia weberiana e na hermenêutica alemã, teria chamado a atenção
para a predominância de relações primárias entre nós, verdadeiro
impedimento para o estabelecimento da democracia no Brasil.

• Prado Jr. garantiria seu lugar no panteão dos grandes intérpretes do


Brasil, por ser o inaugurador no país do uso de um “método
relativamente novo”, o materialismo histórico. As classes como categoria
de análise crítica. (problematizadas)
• Importante Lembrar:

• A historiografia oficial do XIX foi, sobretudo, produzida sob a égide


da principal instituição responsável por esta escrita, qual seja o
IHGB

• trazia em seus postulados as ideias de “Nação” e “Civilização”,


bem como trilhava os caminhos para a escrita de uma história
nacional oficial e herdeira do processo de conquista europeia.

• A sociedade brasileira nas primeiras décadas do século XX viu


florescer a movimento Modernista, esse movimento artístico-
intelectual tinha como pilar repensar e interpretar a formação da
sociedade brasileira em seus vários aspectos, culturais,
econômicos e sociais. ( lembrar o intérpretes que representavam)
• Importante Lembrar:

• Problematizar a historiografia brasileira do século XIX é entende-la,


até certo ponto, como tributária das teorias desenvolvidas,
principalmente, no continente europeu com a tônica no pensamento
iluminista. Os nomes a ela associados são Adolfo Varnhagen,
Capistrano de Abreu e Karl Von Martius.
• Por fim..
• Refletir sobre os “outros” modos de expressão de uma
escrita da História no Século XIX. Após os debates acerca
da produção historiográfica no século XIX que procurou
interpretar a nascente nação brasileira ( contexto pós
Independência) e dar “feições” ao mito de origem do
Brasil, faremos o diálogo com denominada “pintura
história” dentro da perspectiva de uma História social da
Arte
• Como exemplo contexto e o intérprete trabalhado pelo J.
Coli, a segunda metade do XIX e a análise da produção
artística que faz de Vitor Meirelles com A primeira Missa.
Os heróis na nação: o nativo
• Análise sobre a construção literária acerca de Iracema
que é filha de Araquém, pajé da tribo tabajara, e deve
manter-se virgem porque “guarda o segredo da jurema e
o mistério do sonho. Sua mão fabrica para o Pajé a
bebida de Tupã”. Um dia, Iracema encontra, na floresta,
Martim, que se perdera de Poti, amigo e guerreiro
pitiguara com quem havia saído para caçar e agora
andava errante pelo território dos inimigos tabajaras.
Iracema leva Martim para a cabana de Araquém, que
abriga o estrangeiro: para os indígenas, o hóspede é
sagrado.
• A construção literária traz e personifica o herói ou
heroína na figura do nativo, ao mesmo tempo em que
lembra o encontro e o confronto entre colonizadores e
indígenas na América.