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O Brasil está entre os primeiros lugares em termos de "early adopters" de redes sociais.

Essa boa colocação não nos surpreende, uma vez que nosso povo é mundialmente
reconhecido como amistoso e por sua facilidade de relacionamento. Esse aspecto
cultural acaba refletindo imensamente no comportamento de uso da internet. Boa parte
do tempo de navegação do brasileiro é gasto em redes sociais. A rápida e massiva
adesão dos internautas brasileiros ao Orkut há alguns anos atrás surpreendeu muitos
executivos na sede do Google.
O mesmo acontece com Twitter, YouTube e mais recentemente, o Facebook. Quanto a
esse último, o que venho percebendo é que no Brasil, está crescendo como uma rede
social um ainda elitizada, enquanto o Orkut atrai cada usuário das Classes C e D. Entre
o Twitter e o YouTube, por exemplo. Embora os conceitos de uso dos sites como redes
sejam bem diferentes, sua audiência também segue os mesmos passos na distinção do
perfil sócio-econômico. Em Estudo realizado pela Bullet no Brasil, a maioria dos
usuários do Twitter no Brasil estão no Estado de São Paulo e Rio de Janeiro, são
estudantes do ensino superior ou já graduadas na universidade.

Enquanto o Twitter ainda é uma ferramenta para as Classes A e B brasileiras, o


YouTube é para todos. Seria isso um fenômeno natural de divisão social ou as classes
de baixa renda estão em atraso em relação uso de internet? Há muitas respostas para
essa pergunta, algumas das quais podem usar de conceitos técnicos baseados na
usabilidade de sites na sociologia ou simplesmente no acesso à tecnologia.

Embora o crescimento do Facebook no Brasil, em número de usuários, seja


vertiginosamente maior que o do Orkut, as classes C e D encontram nesse último uma
porta de entrada para o mundo virtual, através das redes sociais, muito interessante. É
através do uso contínuo dessas ferramentas de relacionamento que a confiança no canal
vai aumentando, de forma que cedo ou tarde esses usuários estarão mais seguros para
fazer suas primeiras transações comerciais.
A verdade é que o planejamento estratégico de campanhas de marketing em redes
sociais não deve deixar de levar em consideração esse aspecto de divisão, enquanto não
acontecem as fusões. Prever o que irá acontecer nesse mercado é especulação, mas
sabemos que uma realidade bastante próxima e em vias de desenvolvimento nos
Estados Unidos é o uso dessas redes sociais como motivação de compras, o social
commerce.

Preparado para isso as empresas devem estar, mas ainda faltam profissionais
especializados nesse cargo, que envolve marketing, vendas, atendimento ao cliente e
relações públicas. Enquanto isso o que devemos fazer é: ouvir e participar.
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O Brasil está entre os primeiros lugares em termos de "early adopters" de redes sociais.
Essa boa colocação não nos surpreende, uma vez que nosso povo é mundialmente
reconhecido como amistoso e por sua facilidade de relacionamento. Esse aspecto
cultural acaba refletindo imensamente no comportamento de uso da internet. Boa parte
do tempo de navegação do brasileiro é gasto em redes sociais. A rápida e massiva
adesão dos internautas brasileiros ao Orkut há alguns anos atrás surpreendeu muitos
executivos na sede do Google.
O mesmo acontece com Twitter, YouTube e mais recentemente, o Facebook. Quanto a
esse último, o que venho percebendo é que no Brasil, está crescendo como uma rede
social um ainda elitizada, enquanto o Orkut atrai cada usuário das Classes C e D. Entre
o Twitter e o YouTube, por exemplo. Embora os conceitos de uso dos sites como redes
sejam bem diferentes, sua audiência também segue os mesmos passos na distinção do
perfil sócio-econômico. Em Estudo realizado pela Bullet no Brasil, a maioria dos
usuários do Twitter no Brasil estão no Estado de São Paulo e Rio de Janeiro, são
estudantes do ensino superior ou já graduadas na universidade.

Enquanto o Twitter ainda é uma ferramenta para as Classes A e B brasileiras, o


YouTube é para todos. Seria isso um fenômeno natural de divisão social ou as classes
de baixa renda estão em atraso em relação uso de internet? Há muitas respostas para
essa pergunta, algumas das quais podem usar de conceitos técnicos baseados na
usabilidade de sites na sociologia ou simplesmente no acesso à tecnologia.

Embora o crescimento do Facebook no Brasil, em número de usuários, seja


vertiginosamente maior que o do Orkut, as classes C e D encontram nesse último uma
porta de entrada para o mundo virtual, através das redes sociais, muito interessante. É
através do uso contínuo dessas ferramentas de relacionamento que a confiança no canal
vai aumentando, de forma que cedo ou tarde esses usuários estarão mais seguros para
fazer suas primeiras transações comerciais.
A verdade é que o planejamento estratégico de campanhas de marketing em redes
sociais não deve deixar de levar em consideração esse aspecto de divisão, enquanto não
acontecem as fusões. Prever o que irá acontecer nesse mercado é especulação, mas
sabemos que uma realidade bastante próxima e em vias de desenvolvimento nos
Estados Unidos é o uso dessas redes sociais como motivação de compras, o social
commerce.

Preparado para isso as empresas devem estar, mas ainda faltam profissionais
especializados nesse cargo, que envolve marketing, vendas, atendimento ao cliente e
relações públicas. Enquanto isso o que devemos fazer é: ouvir e participar.
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Jésus Beltran Llera


Para entender o que é a sociedade em rede, a sociedade da informação,
convém ter claro o que era a sociedade anterior, a sociedade industrial.
Enquanto nesta última a ação do homem sobre o meio é direta, se dá em
espaços delimitados e em concordância temporal e física, na sociedade
da informação rompem-se as barreiras espaço-temporais e é possível
atuar à sua margem.

A sociedade em rede se caracteriza pela globalização das atividades Jésus Beltran


econômicas decisivas e sua organização em redes; pela flexibilidade e Llera
instabilidade do trabalho bem como por sua individualização; pela chamada cultura da
³virtualidade real´; e pela transformação das bases materiais da vida: o espaço e o
tempo mediante a constituição de um espaço de fluxos e de um tempo atemporal
(Castells, 1999).

Uma expressão resumida dessas mudanças ecológicas, até agora desconhecidas e ainda
por explorar, é a que reflete seis grandes dimensões bipolares ± já clássicas ± que
apontam o antes e o agora, o conhecido e o que ainda está para ser revelado: produto-
sistema; matéria-energia; codificação analógico-digital; proximidade-distancialidade;
espaços-redes, sincronia-assincronia. A primeira das pontas de cada um dos pares
representa o passado; a segunda, a nova ordem.

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O tema das comunidades é ventilado, mas é também delicado e levanta todo tipo de
suspeitas, ironias e perigos. A verdade é que a Internet é apenas um instrumento que
estimula, e não muda, certos comportamentos; ao contrário, é o comportamento que
muda a Internet (Castells, 1999). Os estudos de Wellman também mostram que as
comunidades virtuais na internet geram sociabilidade, relações e redes de relações
humanas, ainda que não seja exatamente da mesma forma que as comunidades físicas.
A sociabilidade está se transformando em nova maneira de relação pessoal, por meio da
qual se formam laços eletivos diferentes daqueles formados no trabalho ou no ambiente
familiar, como andar de bicicleta ou jogar tênis (Castells, 1999).



Em linhas gerais, comunidades virtuais são grupos de pessoas que se comunicam,


compartilham experiências e temas afins e se esforçam para atingir objetivos comuns.

    

Ainda que não haja um padrão definido para as comunidades virtuais, é possível apontar
alguns traços comuns aplicáveis a todas elas: a interação se estabelece por meio de
máquinas; são comunidades flexíveis tanto do ponto de vista temporal quanto do
espacial; há intercâmbio de informação; seus membros compartilham linguagens e
interesses afins; a comunicação se estabelece com o uso de diferentes instrumentos
tecnológicos: correio, chat, bate-papo, etc.; é uma comunicação multidirecional e mais
regular que a do cara-a-cara.

   


São muitas as vantagens das comunidades virtuais, haja vista sua multiplicação em
todos os âmbitos geográficos, culturais e profissionais do planeta. Eis algumas delas:
possibilidade de comunicação sincrônica e assincrônica; possibilidade de rever a
comunicação estabelecida; comunicação entre pessoas de diferentes áreas geográficas e
culturais; interatividade ilimitada e complexa a partir do computador; comunicação
livre, sem nenhuma ligação espacial; acesso a uma grande quantidade de textos e
gráficos.

  

Jonassen e outros (1998) propõem a seguinte divisão: a) comunidade de debate:


intercâmbio de idéias e opiniões; b) comunidades pragmáticas: grupos de trabalho sobre
temas relacionados à compreensão da vida real; c) comunidades de construção do
conhecimento: ajudar o aprendizado; e d) comunidades de aprendizagem.

A seguir, vamos tratar das comunidades de aprendizagem.

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São organizações sociais criadas por pessoas que compartilham metas, valores e práticas
sobre a experiência da aprendizagem. O potencial da Webno desenvolvimento da
aprendizagem colaborativa não possui precedentes ou limitações.

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As comunidades de aprendizagem surgem no contexto da explosão das novas TICs e da


insatisfação com o sistema educativo, que não parece oferecer respostas adequadas aos
próprios agentes do sistema, alunos e professores.

São três as mudanças mais marcantes que configuram o nosso atual contexto
pedagógico no âmbito das comunidades de aprendizagem: educativa, psicológica e
tecnológica. A primeira mudança fez com que a educação passasse do paradigma da
³instrução´, que acentua o ensino e o professor, a um paradigma ³pessoal´, centrado na
aprendizagem e no aluno que aprende. Aliás, o importante é que o aluno aprenda, e é
esse o processo que deve condicionar todos os elementos do sistema educativo,
incluindo professores e ensino.

Outra mudança que nos cabe analisar é a psicológica e conceitual daquilo que significa
aprender. A psicologia cognitiva estabeleceu três concepções de aprendizagem:
aquisição de respostas, aquisição de conhecimento e construção de significado. A
terceira mudança é também a dominante, mesmo que o problema continue sendo a
forma como esta construção é entendida, uma vez que os especialistas apontam até sete
concepções construtivistas diferentes (Beltrán, 1993).

Por fim, deparamos com a mudança tecnológica. A interpretação da tecnologia como


instrumento a serviço da aprendizagem passou por três estágios: aprender sobre
tecnologia; aprender pela tecnologia e aprender com tecnologia (Beltrán, 2003).
Interessa-nos a terceira. Aprender ³com tecnologia´, o que significa dizer que a
tecnologia, em geral, e os computadores, em particular, são utilizados como
instrumentos cognitivos. O que subjaz a esta nova denominação é uma concepção
construtivista de tecnologia a serviço de uma aprendizagem significativa. Segundo
Jonassen (2000), os instrumentos cognitivos servem fundamentalmente para ampliar,
potencializar e reorganizar as capacidades dos estudantes, transcendendo as limitações
da mente. Os instrumentos cognitivos podem cumprir adequadamente as funções de
arcabouço, porque guiam os processos de pensamento do aluno enquanto aprende.

É no interior deste contexto pedagógico que situamos nossa consideração sobre as


comunidades de aprendizagem.

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Uma forma de eliminar o caráter subjetivo de qualquer inventário é identificando os


desafios e atendo-se aos elementos essenciais da dinâmica de uma dada comunidade de
aprendizagem no contexto tecnológico. Tais elementos são: sujeito, comunidade,
objetivo, instrumentos, divisão de tarefas e regras. Da combinação de todos esses
elementos, surgem cinco grandes desafios: eleger os elementos adequados para cada
tarefa; eleger os elementos adequados para trabalhar em comunidade; conciliar os
objetivos pessoais e comunitários; dividir as tarefas em função das capacidades pessoais
e dos objetivos almejados; e estabelecer regras adequadas para manter um clima
favorável, tudo para que se consigam os objetivos propostos.

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Dentro de uma valoração global das comunidades de aprendizado, eis aqui algumas de
suas contribuições mais visíveis no âmbito das transformações educativas.

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É preciso que se distingam duas pedagogias. A pedagogia da reprodução e a pedagogia


da imaginação. A primeira consiste na apresentação e no desenvolvimento dos
conhecimentos que devem ser fielmente reproduzidos. A segunda, ao contrário, utiliza
estratégias adequadas para relacionar, combinar e transformar os conhecimentos.
Responde ao novo modelo de verdade, centrado na busca, na indagação, na curiosidade
e na imaginação.

Nas comunidades virtuais se pode encontrar, pela primeira vez, não apenas o que se vai
estudar em um determinado curso, mas tudo aquilo que já foi estudado até o momento e
também aquilo que ainda se pode estudar ao longo de toda a vida.

Além disso, a flexibilidade e a versatilidade da Internet nos permite realizar uma


verdadeira utopia ± sempre sonhada ±, a de relacionar dois mundos: o da mente e o do
coração. A comunidade de aprendizagem permite aos professores definirem seus
trabalhos nas duas linguagens, de modo que se podem transpor as fronteiras entre jogo e
trabalho, à medida que cada estudante e cada professor está completamente debruçado
no ato de aprender, descobrir e criar, assumindo riscos; os estudantes experimentam sem
limites sua paixão pelo conhecimento, as emoções são reconhecidas como parte da vida
acadêmica e não se reprime sem sentido; a harmonia e a expressão artística ocupam um
lugar privilegiado, e cada membro da comunidade educativa pode compartilhar com os
demais a responsabilidade de viver e transmitir esses
mesmos ideais.

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A segunda contribuição constitui um projeto de grande interesse e de longo prazo.


Trata-se de utilizar as novas tecnologias concretamente, utilizar as comunidades de
aprendizagem para desenvolver a tal ³tecnologia mental´; ou seja, esse conjunto de
habilidades estratégicas que constituem a base do comportamento inteligente. São
quatro as chaves estratégicas da nova arquitetura esboçada por meio da Internet:

(   
 É o que nos permite analisar e conhecer a realidade. Em nenhum
outro meio como a Internet podemos exercitar tão bem estas grandes alavancas da
inteligência analítica.

(  

 O pensamento dialético ilumina o mistério da vida. É um
pensamento flexível, ponderado, distante de dogmatismos. É possível encontrar um
espaço intelectual tão diverso, multifocal e contraditório quanto o da Internet?

(  
 É importante resolver os problemas. Mas é muito mais
importante saber quais deles merecem ser resolvidos. E é possível exercitar este tipo de
pensamento na Internet, porque a história do pensamento e da conduta humana ao longo
dos tempos está ao alcance das mãos.

(   

  Faz referência ao pensamento que se propõe a conciliar nossos
desejos e os desejos dos outros. O pensamento conciliador nos ajuda sempre a buscar
caminhos de entendimento, a aproximar posições e a utilizar estratégias de ganhar-
ganhar, em que todos esperam obter algum benefício. Dentro de uma comunidade
virtual de aprendizagem, as possibilidades de exercitar o pensamento virtual são
inúmeras, com a vantagem de que os conflitos, sobretudo os pessoais, são vividos,
virtualmente, de outra maneira.

&  

Após anos de estudos, os especialistas ainda não chegaram a um acordo sobre a


natureza complexa da aprendizagem humana. O que arriscam dizer é que a
aprendizagem é uma construção. Aprender é selecionar a informação ou, segundo a
linguagem poética de Tagore ao ouvir seu professor que tocava violino, roubá-la. Em
nenhum outro lugar melhor que a Internet o aluno pode ³roubar´ o conhecimento, já que
ela é o maior armazém (de informação) que jamais existiu antes.

Aprender também pode ser entendido como forma de organizar a informação; em


linguagem coloquial, poderíamos chamar isso de mobiliar. ³Mobiliar´ quer dizer
colocar os móveis adequados em cada parte da casa; analogamente, aprender é colocar
cada idéia ou cada conhecimento em seu lugar, e utilizá-los como se utilizam os móveis
quando a casa está devidamente habitada.

Aprender é . Seleciono algo a partir de uma informação recebida (roubar) e o


organizo em minha cabeça (mobiliar). Em seguida, é preciso elaborar tudo isso; ou seja,
colocar essas informações em contato com os conhecimentos que já tenho e, com base
nessa massa de informação, fazer minha própria construção: transformar a informação
em conhecimento.

Mas aprender é, sobretudo,  


  e 
 os conhecimentos ou habilidades
aprendidas. Ao deslocarmos do âmbito da comunidade de aprendizagem esta
característica do ensino, deparamo-nos com as possibilidades que a tecnologia oferece
para recuperar o sentido lúdico e utilitário do conhecimento aplicado.

A aprendizagem e a construção do conhecimento significam, sobretudo, capacidades; ou


seja, poder fazer algo com aquilo que foi aprendido: relacionar, explicar, comparar,
criticar e, de maneira especial, mudar e transformar a realidade a que este mesmo
conhecimento se refere. A cada conhecimento apreendido, adquirimos uma capacidade
que antes não tínhamos. Por isso, agora se diz, acertadamente, que conhecer é poder.

Essas cinco metáforas ou aspectos da aprendizagem não são nada mais do que formas
distintas de se descreverem as atividades da inteligência humana. As três primeiras
metáforas e atividades da aprendizagem (selecionar, organizar e elaborar) são as
grandes habilidades ou componentes da inteligência analítica,de acordo com o modelo
de Sternberg (1985, 1993; Beltrán, 1993, 1996). A metáfora do aprendizado, este
entendido como experimento e aplicação, corresponderia à inteligência prática ou
aplicada; e a aprendizagem, como forma de avaliar ou ponderar, coincidiria com a
inteligência sintética, na qual encontramos a criatividade e o pensamento crítico. Em
síntese: aprender é pensar, colocar a inteligência em contato com a informação para
transformá-la em conhecimento.

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No contexto das comunidades virtuais, a construção do conhecimento já é uma


atividade social e não meramente individual. A ênfase no aprendizado individual é
compreensível dado que o último valor da escolaridade se julga por aquilo que os
estudantes realizam individualmente e distantes dela. A idéia de conhecimento como
uma existência primariamente social não está presente no pensamento educativo. No
entanto, esta idéia tem se destacado na filosofia e na sociologia da ciência. Karl Popper
fez uma aguda distinção entre o conhecimento existente nas mentes individuais (mundo
2) e o conhecimento como abstração que (à maneira da economia de uma nação ou do
clima de uma classe) existe acima do nível individual (mundo 3). Ele percebeu que o
sentido da ciência era melhorá-lo e avançar em direção ao
mundo 3.

Por isso, o objetivo das comunidades de aprendizagem deixou de ser a promoção da


aprendizagem individual para apoiar a construção coletiva do conhecimento público
(mundo 3). A idéia é que os processos cognitivos invocados para articular as idéias e
crenças nas interações sociais estejam, depois, disponíveis para a auto-reflexão.

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O êxito das comunidades deixa claro que este enfoque funciona e melhora a
aprendizagem dos alunos. A razão fundamental é que o contexto de interação social e o
diálogo permanente permitem que os professores demonstrem estratégias e tornem
visível o pensamento, possibilitando, por sua vez, que os alunos estejam conscientes de
seus próprios processos mentais e possam controlá-los ao longo da aprendizagem.
Usando a terminologia de Bereiter e Scardamalia, pode-se dizer que trabalhar o mundo
3 torna visível o mundo 2.

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Para os seres humanos, aprender é adquirir cultura na prática e participar das


negociações continuas do conhecimento ou da construção do discurso. Tal hipótese está
contribuindo para uma revalorização das teorias de Vygotsky, quando este diz que o
pensamento é a internalização das condutas sociais e das práticas da fala.

Cazden (1988) apontou quatro grandes valores na utilização das tutorias dos iguais no
interior de uma comunidade: o discurso pode atuar como catalisador de outras idéias, à
medida que ao debater com outros estudantes tem-se acesso a uma série de pensamentos
e perspectivas.

Ao funcionar em rede, a comunidade preenche-se de múltiplas zonas de


desenvolvimento proximal por meio das quais os participantes navegam por rotas e
limites distintos. Professores e estudantes criam zonas de desenvolvimento proximal,
semeiam no ambiente idéias e conceitos valorizados por eles, e cultivam as que se
enraízam na comunidade. As idéias semeadas por membros do grupo migram para
outros participantes e perduram através do tempo. Apropriação mútua (Brown e
Campione, 1996).

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No interior das comunidades de aprendizagem já é tradicional a celebração de alguns


desafios inteligentes. Os desafios incorporam traços da avaliação sistemática e dinâmica
relacionada com os currículos baseados em certos problemas. Os desafios são elemento
substancial da aprendizagem, sobretudo no âmbito da motivação. As possibilidades que
oferecem os desafios no interior da Internet não se comparam às de uma sala de aula
convencional.

%   

As interações comunitárias permitem que os estudantes compartilhem e distribuam a


carga cognitiva do pensamento. O grupo torna possível que o conhecimento de cada
participante estruture-se de maneira diferente na memória a longo prazo. O que alivia a
memória individual, especialmente na hora de recorrer aos conhecimentos. O grupo
também tem uma maior memória coletiva de trabalho, de forma que as possibilidades
do grupo superam a de cada um dos membros em particular.

Alguém poderia perguntar se as comunidades virtuais de aprendizagem são compatíveis


com as comunidades presenciais. A resposta é sim. E mais: são complementares. Os
especialistas chegam a dizer que quanto maior a participação virtual dos membros da
comunidade, mais presença se deseja.

No sentido contrário, percebe-se que as comunidades virtuais de aprendizagem podem


se complementar com as classes presenciais, nas quais se podem encontrar o
contraponto das oscilações de voz, entonação, silêncio, gesto corporal (mãos, rosto,
olhar), a resposta e a contra-resposta imediata, o controle do processo de pensamento e
não apenas do produto, como na aprendizagem
virtual, etc.


) *

As comunidades de aprendizagem se transformaram no mecanismo mais eficaz que


conhecemos para alcançar a adaptação e a mudança no ensino. A mudança adaptativa,
hoje em dia, segue o rumo de uma certa estrutura descentralizada, complexa e dinâmica,
que permite que os estudantes trabalhem de maneira independente ou colaborativa. E ao
trabalhar assim, é possível desenvolver inovações, perspectivas e soluções aos
problemas assumidos e compartilhados pela comunidade.

As vantagens são evidentes: entre alunos e professores, a oportunidade de encontrarem-


se; aos membros, que pensem e reflitam com tempo, antes de responderem; torna visível
e acessível o arcabouço dos professores, ao mesmo tempo em que permite seguir o
caminho do raciocínio dos alunos. Enfim, os membros das comunidades julgam seus
companheiros pelo que dizem, não pelo que aparentam ser.

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A crítica mais sistemática aos modelos de comunicação vigentes encontrou abrigo nos
chamados ³novos movimentos sociais´, movimentos orientados no sentido de resistir às
múltiplas fontes de opressão identificados originalmente pelo anarquismo socialista e
feminista e que, na verdade, sempre atuaram em paralelo aos movimentos sociais
tradicionais. Esses movimentos consideram que as desigualdades econômicas não são
responsáveis por todas as demais formas de desigualdade entre os seres humanos. Por
isso, enfatizam a importância das dinâmicas socioculturais na sua compreensão dos
meios. São movimentos que ³visavam objetivos que em grande parte independiam do
que o Estado podia conceder ± objetivos que guardavam uma relação muito mais
próxima com um senso de crescimento e identidade pessoais em interação com a
subcultura do movimento´ (Downing 2002 p.57). Entre as diferenças entre os novos
movimentos sociais e os antigos, mais tradicionais, parece importante destacar que:
³existe uma outra idéia de hierarquia entre esses movimentos, nas relações entre as
pessoas que fazem esses movimentos, existe uma outra forma de relacionamento com as
comunidades com as quais eles se relacionam ou pelas quais eles lutam. Existe uma
procura muito grande por estabelecer formas autônomas de representação´ (Luiz C.
Costa, em aula ministrada na oficina sobre mídias digitais, Programa de Formação de
Agentes de Mediação Sociocultural (UFPE, MEC/SESu/Depem, novembro de 2007). ).

Essas formas autônomas de representação surgem da necessidade de compartilhar as


experiências de resistências às ³múltiplas formas de opressão´ (Downing 2002 p.53) ±
étnicas, religiosas, etc. A forma encontrada pelos novos movimentos sociais para
articular esses diversos diálogos, diante de uma mídia hegemônica que não lhes dá voz,
foi o desenvolvimento de mídias próprias, alternativas, radicais. Trata-se aqui de mídias
radicais, mais que alternativas, porque, em certa medida, tudo é alternativo a alguma
outra coisa. Segundo Downing, ³a mídia radical alternativa geralmente serve a dois
propósitos precedentes: a) expressar verticalmente, a partir dos setores subordinados,
oposição direta à estrutura de poder e seu comportamento; b) obter horizontalmente,
apoio e solidariedade e construir uma rede de relações contrária às políticas públicas ou
mesmo à própria sobrevivência de estrutura de poder´ (2002, p.29).

O termo cunhado por Downing pretende englobar um número muito amplo de


iniciativas em comunicação que podem ser rastreadas desde antes mesmo do surgimento
dos 
. Essas ações compartilham com a noção de mídia tática o desconforto
com a denominação de meramente ³alternativas´. Para Garcia e Lovink, ³embora as
mídias táticas incluam mídias alternativas, não estamos restritos a esta categoria. De
fato, nós introduzimos o termo tático para romper e ir além das rígidas dicotomias que
tem restringido o pensamento nesta área por tanto tempo, dicotomias tais como amador
vs. profissional, alternativo vs. popular. Mesmo privado vs. Público´.

(http://www.midiaindependente.org/pt/red/2003/03/249849.shtml).

O que está em jogo nessas concepções é o papel da audiência, do próprio sujeito, que
agora tem nas mãos a possibilidade de se manifestar. Essa possibilidade de uma
³audiência ativa´ (Downing 2002, p.38), capaz de elaborar e moldar os produtos
midiáticos, começa a deslocar a própria percepção dos meios. Érico Assis afirma que ³o
ativista atual [...] age no intermédio entre o engajado e o especialista, planejando e
executando seu ato político com os olhos voltados para sua tradução adequada para o
campo midiático. [...] Esta primeira reverberação da ação ativista visa gerar outras ao
longo do próprio campo midiático ± como nos exemplos de absorção pela indústria do
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Dênis de Moraes, doutor em Comunicação pela Universidade Federal do Rio de Janeiro,


é professor do Programa de Pós-Graduação em Comunicação, Imagem e Informação da
Universidade Federal Fluminense, do Brasil. Este artigo resulta de pesquisa apoiada
pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico. É colaborador
de ã ( .

O ambiente tendencialmente interativo, cooperativo e descentralizado da Internet


introduz um componente inesperado e criativo nas lutas sociais da segunda metade dos
anos 90. Partidos, sindicatos, organizações não-governamentais e até grupos
guerrilheiros, ainda que eventualmente separados por estratégias e táticas de ação,
descobrem no ciberespaço possibilidades de difundir suas reivindicações. E o que é
desconcertante: sobrepujando os filtros ideológicos e as políticas editoriais da chamada
grande mídia. Não se tem a pretensão de atingir milhões e milhões de pessoas,
privilégio dos que detêm o controle dos meios de comunicação tradicionais. O que se
busca é promover a disseminação de idéias e o máximo de intercâmbios. Poder interagir
com quem quer apoiar, criticar, sugerir ou contestar. Como também driblar o monopólio
de divulgação, permitindo que forças contra-hegemônicas se expressem com
desenvoltura, enquanto atores sociais empenhados em alcançar a plenitude da cidadania
e a justiça social. O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), a Central
Única dos Trabalhadores (CUT), a Ação da Cidadania contra a Fome e a Miséria, a
Anistia Internacional, Confédération Internationale des Syndicats Libres, o Human
Rights Watch, o Greenpeace, a Rede de Informações do Terceiro Setor (Rits), o Fórum
Nacional pela Democratização dos Meios de Comunicação, a Conferência Nacional dos
Bispos do Brasil (CNBB), a Ordem dos Advogados do Brasil, o Exército Zapatista de
Libertação Nacional (EZLN), do México, entidades feministas e partidos políticos
inscrevem-se entre as organizações da sociedade civil que decidiram apostar na Web.

A militância on line vem alargar a teia comunicacional planetária, usufruindo de uma


das singularidades do ciberespaço: a capacidade de disponibilizar, em qualquer espaço-
tempo, variadas atividades, formas e expressões de vida. A cibercultura universaliza as
visões de mundo mais díspares, os modos de organização social mais contrastantes, as
ambições mais difusas, sem favorecer pensamentos únicos ou domínios por coerção.
Trata-se de um âmbito virtual de conhecimentos múltiplos, que congrega forças,
ímpetos e interesses contraditórios. Com a peculiaridade fundamental ² apontada por
Pierre Lévy ² de universalizar sem totalizar. O ciberespaço configura-se como um
universal indeterminado, sem controles e hierarquias aparentes, sem pontos fixos para a
veiculação de informações e saberes. No ciberuniverso, as partes são fragmentos não-
totalizáveis, isto é, não sujeitas a um todo uniformizador de linguagens e concentrador
de poderes. As relações entre as partes podem reinventar-se, em densidade e em
extensão, sem que umas se sobreponham ou subjuguem as demais. (1)

A cada nó que se soma à rede em expansão contínua, incorporam-se novos usuários, os


quais se convertem, potencialmente, em produtores e emissores de informações novas e
imprevisíveis, em condições de serem consumidas instantaneamente, sem barreiras
geográficas, sem fusos horários e sem grades de programação. A dinâmica da Internet
como um sistema universal desprovido de centros fixos de enunciação e também de
significações unívocas não encontra paralelo nos meios dos comunicação que
conhecemos até hoje. Cabe à capacidade cognitiva de seus usuários determinar, por
conta própria, como se vão reorganizar, a todo momento e interativamente, as partes das
conexões globais. (2)

Essa imagem da Internet como um mega-sistema planetário em constante mutação e


saudável desordem justifica a sua classificação de Babel cultural do final do milênio.
Ela, de fato, assemelha-se a um gigantesco mosaico, no qual elementos paradoxais
convivem sem a prevalência de uns sobre os outros. Quem decide o que deve ser
destacado e aproveitado é o internauta, por afinidades e conveniências. No ciberespaço,
as contradições não precisam ser silenciadas, porque é da essência mesma do virtual a
veiculação simultânea e indefinida de conteúdos, pouco importando as suas
procedências, os seus alinhamentos ideológicos, as suas armas de confrontação e
fascínio. O princípio básico é disponibilizar, pôr em andamento e execução, tornar
dados, imagens e sons acessáveis e acessíveis. Em última análise, são os usuários ²
individuais ou coletivos ² que acabam por determinar os sentidos possíveis para as
mensagens.

Vale ressaltar que não concebemos o ciberespaço como uma esfera divorciada dos
embates sociais concretos. Embora a práxis virtual seja pautada por especificidades que
a distinguem claramente dos meios convencionais, há uma relação de
complementaridade com o real, que resulta na progressiva hibridação de recursos
tecnológicos. Os processos não se anulam, eles se acrescentam e se mesclam. Acabamos
por acumular dados e experiências que, isoladamente, nenhuma das partes poderia
produzir. Marc Guillaume salienta as confluências possíveis entre os padrões clássicos
de interação social e as redes eletrônicas: "A rede social preexistente pode melhorar sua
eficácia através da rede técnica, mas esta última não pode por si mesma criar uma rede
social. Está claro também que o bom uso das mídias comutativas passa pelas
complementaridade e hibridações, permitindo combinar automatismos e inteligência
humana, rapidez de informação e vagar na assimilação e na formação." (3)

A conjunção de atividades revela-se crucial numa época marcada por altíssima taxa de
expansão de conhecimentos científicos e de renovação incessante de métodos
produtivos. O rádio não substituiu o jornal, a TV não acabou com o rádio e a Internet
não vai ocupar o lugar de ninguém. Ela é uma mídia de novo tipo, na verdade um
viveiro de infomídias interativas, com difusão ultra-rápida, intermitente, extensiva e
multidimensional. É, pois, viável combinar os instrumentos de ação político-cultural
que o real e o virtual fornecem, sem perder de vista que no território físico, socialmente
reconhecido e vivenciado, se tece o imaginário do futuro.

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Para além do correio eletrônico, do entretenimento e das pesquisas, a Internet projeta-se


como fórum on line capaz de revitalizar lutas e movimentos civis, na atmosfera de
permutas própria da cultura de redes. Esta é outra dimensão do imaterial: favorece
processos tecnocomunicacionais de participação política, que não se confundem com
práticas arraigadas de exercício concentrado de poderes. A abundância de variedades na
Internet contraria a imaginação dos homens políticos que se habituaram a um universo
regido apenas por estatísticas, sondagens de opinião e efeitos televisivos. Eles
precisarão considerar o fato de que a explosão de redes interativas multimídias requer a
geração de planos específicos de comunicação para um número cada vez maior de
segmentos sociais que migram para o ciberespaço com ânsia de expressão.

As vozes da sociedade civil que se somam no ambiente on line representam grupos de


pessoas identificados com causas e comprometimentos comuns, não importando o porte
das ONGs à que se vinculam. "Na Internet, até mesmo as pequenas entidades têm
oportunidade de divulgar, a baixo custo, suas atividades ao conhecimento de segmentos
mais amplos da sociedade. Apesar de que muito anárquica, a rede é também muito mais
democrática, permitindo que todo mundo se expresse", opina a diretora do organização
ambientalista Greenpeace na Espanha, María Peñuelas. (4)

No espaço virtual, interagem entre si e com outros núcleos ativistas, numa seqüência de
cooperações societárias que evidencia a articulação de atores predispostos a explorar os
fluxos da mega-rede. Ilse Scherer-Warren acentua que "rede torna-se um conceito
propositivo dos movimentos, onde as relações interorganizacionais deverão se
caracterizar pela não-hierarquização do poder, e onde as relações entre os atores
participantes deverão ser mais horizontalizadas, complementares, abertas ao pluralismo
de idéias e à diversidade cultural". (5)

O ciberespaço parece alicerçar um itinerário comunicacional enlaçado por uma gama


considerável de organizações progressistas dos quatro quadrantes. Elas conscientizam-
se das vantagens de curto, médio e longo prazos que a comunicação on line pode gerar.
Desde o barateamento dos custos até o raio de abrangência global, passando pela
velocidade de transmissão, circulação e recepção das mensagens.

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra considera que a Internet


proporciona à campanha pela reforma agrária "um amplo canal de comunicação com a
sociedade". A sua homepage divulga objetivos, posicionamentos e comunicados, com
rapidez e economia de recursos financeiros. O coordenador do MST Neuri Rosseto
argumenta: "O fato de as forças progressistas terem seus próprios canais de
comunicação possibilita-nos uma maior credibilidade, uma vez que as notícias neles
veiculadas estão sob a ótica das próprias forças progressistas, sem filtragem, censura ou
deturpação dos fatos. Uma coisa é ler uma notícia sobre a política de privatizações em
um meio de difusão controlado ou influenciado pelo governo, que tem todo o interesse
em promovê-las. Outra é ler essa mesma notícia sob a ótica de quem se opõe a tal
política. Nesse sentido, uma homepage feita pelas forças progressistas possibilita, e
muito, a divulgação de seus pontos de vista. Os meios de comunicação massiva
funcionam como uma espécie de filtro entre o que deve ser noticiado, destacado ou
deturpado e ocultado. A Internet rompe com essa intermediação. Por isso, pode facilitar
que os agentes das notícias também sejam os agentes que fazem esse acontecimento
chegar até o conhecimento da sociedade."(6)

Foi com metas semelhantes que o Exército Zapatista de Libertação Nacional aderiu à
Internet, na primavera de 1994. Seu líder, o subcomandante Marcos, usou, sem
hesitação, o correio eletrônico instalado em seu notebook acoplado a uma linha
telefônica para veicular informações confiáveis sobre a guerrilha na região de Chiapas,
sul do México. Alcançou em segundos milhões de pessoas.

No documento convocatório do Encontro Intercontinental pela Humanidade e contra o


Neoliberalismo, realizado em fins de julho de 1996, em Chiapas, os zapatistas
acentuaram a importância das redes informáticas para os movimentos contra-
hegemônicos: "Aprendamos a ganhar espaços. As mídias não podem tudo. Busquemos a
tecnologia e o poder: a superestrada da informação como caminho da liberdade.
Máquinas a favor dos povos (o conhecimento é poder, poder para nós)." A questão
voltaria a ser abordada na Segunda Declaração pela Humanidade e contra o
Neoliberalismo, aprovada no Encontro: "Pela humanidade, declaramos: (...) Que
faremos uma rede de comunicação entre todas as nossas lutas e resistências. Uma rede
intercontinental de resistência, de comunicação alternativa contra o neoliberalismo e
pela humanidade. Esta rede buscará os canais para que a palavra caminhe pelos
caminhos que resistem. Será o meio para que se comuniquem entre si as distintas
resistências. Esta rede não é uma estrutura organizativa, não tem centro diretor nem
decisório, nem comando central ou hierarquias. A rede somos todos os que falamos e
escutamos."
A exposição da homepage do EZLN (http://www.ezln.org) não obedeceu, por certo, ao
simples impulso de experimentar o modismo Internet. Em um primeiro estágio, é até
provável que o subcomandante Marcos tenha se eletrizado pela comunicação todos-
para-todos. Depois de se adaptar aos nós da rede e verificar o efeito turbo das
mensagens, provavelmente o líder zapatista concluiu que, de certa maneira, a sociedade
civil mundial tornava-se crível, e a guerrilha não dependeria tanto dos humores da mídia
global.

Hoje, a página está consolidada como porta-voz do EZLN e eixo de convergência da


solidariedade internacional à causa zapatista. Reúne notícias, pronunciamentos, artigos,
denúncias, comunicados e documentos sobre a realidade sociopolítica e econômica do
México, além de realçar a luta antineoliberal. Disponibiliza acessos ao website de seu
braço político (a Frente Zapatista de Libertação Nacional) e aos de organizações de
defesa dos direitos humanos em todo o mundo. Também por seu intermédio, pode-se
consultar dezenas de páginas pró-EZLN elaboradas por entidades de diferentes países,
continentes e idiomas. Esses sites se auto-referenciam por links e mantêm intercâmbios,
fóruns e listas de discussão. Constituem, na verdade, uma comunidade zapatista
desterritorializada, em condições de disseminar, planetariamente, conteúdos que
sustentam, reforçam e universalizam as razões do movimento de Chiapas. (7)

Para tentar deter os malefícios da globalização econômica e do neoliberalismo, centrais


e federações sindicais da Europa e dos Estados Unidos têm recorrido à Web para
pressionar empresas transnacionais e despertar a solidariedade aos trabalhadores. As
cibercampanhas sindicais, ainda em fase embrionária, partem do entendimento de que,
frente a uma economia globalizada, os meios de luta igualmente precisam se
internacionalizar e se conectar. Não bastam as greves, as passeatas e a imprensa
sindical. Já se pode inundar de e-mails as caixas postais dos patrões e de organismos
governamentais; denunciar, em tempo recorde, demissões e abusos, conclamando os
consumidores a boicotarem produtos das empresas; e convocar, em tempo real, afiliados
para assembléias conjuntas, manifestações de rua e piquetes. Iam Graham, porta-voz da
Federação Internacional dos Sindicatos de Trabalhadores em Indústrias Químicas
(Icem), diz que, sem a Internet, teria sido impossível mobilizar a opinião pública contra
a decisão do conglomerado japonês Bridgestone-Firestone de substituir os 2.300
grevistas de suas usinas nos Estados Unidos por trabalhadores avulsos, em julho de
1996. Graham declarou ao jornal francês Libération que a queda-de-braço com a
direção da empresa só começou a surtir efeito quando as mensagens de protestos
abarrotaram os correios eletrônicos de autoridades governamentais, de formadores de
opinião, de mídias do mundo inteiro, de entidades civis, do governo japonês, dos
diretores da matriz e das filiais do grupo Bridgestone, dos bancos que lhe concediam
créditos nos Estados Unidos e no Japão, de seus fornecedores e de seus clientes
espalhados pelo globo. Todos os endereços eletrônicos haviam sido catalogados
previamente pela Icem e foram disponibilizados pelo site da Federação no dia em que se
a empresa anunciou o afastamento dos grevistas. Qualquer pessoa, poderia endossar o
abaixo-assinado virtual e, com um clique do mouse, remetê-lo aos destinatários
escolhidos. Graham aponta outro diferencial da Internet: "Se tivéssemos enviado faxes
para todas as pessoas incluídas em nossa lista, seriam necessárias de duas a três horas, a
um custo elevadíssimo. Um minuto foi o tempo suficiente para convocarmos pela Web
as 150 organizações afiliadas à Icem a entrarem em nosso site e dispararem e-mails para
a relação de pessoas que havíamos selecionado. Em poucos minutos, as caixas postais
de todas elas estavam entupidas com as nossas mensagens. Os telejornais da noite e os
jornais do dia seguinte, inclusive de países europeus e do Japão, noticiaram com
destaque o fato, obrigando a empresa a vir a público se explicar e, logo depois, rever a
medida contra os trabalhadores." (8)

No Brasil, a Internet tem sido cada vez mais acionada para difundir campanhas e causas,
sobretudo através do correio eletrônico. "Não há dúvidas de que o e-mail mudou o
modo de comunicação entre as ONGs; a articulação entre as instituições se tornou mais
dinâmica", avalia Roberto Pereira, diretor-geral do Centro de Educação Sexual (Cedus),
completando: "É mais fácil organizar as passeatas e os encontros. Antes, fazíamos isso
por telefone, fax ou até mesmo carta, quando tínhamos que falar com grupos de outros
estados. Até algumas decisões podem ser tomadas pela Internet". (9)

Existem centrais virtuais de denúncias de violações dos direitos humanos (podem ser
enviados, por e-mail, relatos à Anistia Internacional, ao Human Rights Watch e à
Ordem dos Advogados do Brasil). Os denunciantes não precisam, necessariamente, se
identificar. Mas, se o fazem, o sigilo é assegurado. Os registros são encaminhados aos
setores encarregados de averiguá-los e, se preciso, complementá-los. Constatada a
veracidade da denúncia, o usuário recebe comunicação sobre as providências tomadas.

Fundada em 1º de maio de 1995, em Natal, Rio Grande do Norte, a DHnet ± Rede


Telemática de Direitos Humanos (http://www.dhnet.org.br) adota como estratégia
comunicacional diversificar ao máximo os espaços de conscientização, orientação,
participação, integração e mobilização. Observando-se a árvore de links, percebe-se a
variedade de possibilidades de navegação abertas ao usuário. Ainda não se consegue
fazer denúncias diretamente pela página, mas a DHnet informa os endereços eletrônicos
de entidades, órgãos governamentais e Igrejas que acolhem queixas. Há chats e listas de
discussão sobre direitos econômicos, sociais e culturais; fórum para comunicação dos
internautas com o ombudsman; cursos virtuais de cidadania; livro de visitas, onde as
pessoas consignam opiniões, críticas e sugestões; textos e manifestos sobre a inserção
dos movimentos sociais na Internet e também sobre a trajetória dos direitos humanos no
mundo; legislações brasileira e a internacional sobre o tema, códigos de ética e de
conduta; animações multimídias em Web TV e Rádio TV; a Onda de Sonhos apresenta
textos libertários de autores como Thomas Morus, Glauber Rocha, Karl Marx, Charlie
Chaplin, Ernesto Che Guevara, Carlos Marighela, Antônio Conselheiro e Antonin
Artaud. Para intensificar a convergência virtual de esforços, a DHnet hospeda duas
dezenas de sites afins, como os do Movimento Nacional de Direitos Humanos, o
Conselho Estadual de Defesa do Homem e do Cidadão, da Paraíba, o Centro de
Estudos, Documentação e Articulação da Cultura Negra e o Dossiê de Mortos e
Desaparecidos. Os pedidos de parceria com a DHnet são apreciados por um conselho de
avaliação. A hospedagem é gratuita. Interessante notar como as redes virtuais se
interpenetram e se retroalimentam. A DHnet hospeda e ao mesmo tempo faz parte da
Rede Brasileira de Educação em Direitos Humanos, que é um espaço de encontro,
apoio, intercâmbio, articulação e coordenação de organizações que desenvolvem
trabalhos sistemáticos na área.

···

As formas participativas e dialógicas que irrompem no ciberespaço começam a pôr em


xeque a renitente metáfora do Big Brother, que por décadas dominou a teoria crítica no
campo da comunicação. A mídia sempre encarnou ² e ainda encarna ² aquela sinistra
figura, dado o seu poder quase absoluto de divulgar as informações que julga relevantes.
A supremacia dos meios de comunicação persiste e provavelmente persistirá, porém não
há como negar que conteúdos contrários à lógica dominante podem ser veiculados pela
Internet, sem ingerência de governos e corporações empresariais ou militares. No
cenário que parecia um manjar dos deuses para os raciocínios lúgubres e derrotistas,
podemos agora discernir um componente imprevisto de oxigenação. Tomo como
minhas as palavras do jornalista e deputado federal Milton Temer (PT-RJ):
"Dependendo de nós, a Internet poderá se constituir em um instrumento que escape à
imbecilização unidirecional da mídia eletrônica. Quanto mais vierem para a rede, mais
espaços teremos para a divulgação do combate pelas utopias. Se disputarmos tais
espaços com o objetivo de transformar a Internet numa espécie de gora do terceiro
milênio, ela será um excelente instrumento de organização social." (10)

Na práxis virtual, as mobilizações podem efetivar-se com maior rapidez de resultados.


Há três anos, a Web era vista com certa desconfiança pelo Greenpeace, conhecido por
sua aversão aos efeitos colaterais das tecnologias. Hoje, denúncias de crimes contra o
meio ambiente, em qualquer parte do globo terrestre, em minutos ganham ressonância
pela rede mundial de computadores. "Não podemos prescindir do efeito imediato da
Internet", salienta María Peñuelas. (11) A Anistia Internacional ² uma das primeiras
organizações não-governamentais a aderir à Web ² tem um triplo propósito com sua
página: a) mundializar as denúncias e o acompanhamento de investigações sobre
desrespeitos aos direitos humanos; b) interconectar as suas seções espalhadas pelos
Continentes; c) agilizar o envio de comunicados sobre novas violações e as
conseqüentes providências. (12) A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil
interligou pela Internet todas as Dioceses, o que facilitou o planejamento, a
implementação e a avaliação das ações pastorais em todo o território nacional. O Cedus
recorreu ao correio eletrônico para articular o apoio de organizações de várias cidades
às manifestações pelo Dia Mundial de Luta contra a AIDS, em 1º de dezembro de 1999.
Com a criação de sua homepage no ano passado, o Cedus passou a receber e-mails de
adolescentes, principalmente, com dúvidas sobre sexualidade, doenças sexualmente
transmissíveis e gravidez. (13)

A página da Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional (Fase) traduz


bem a estratégia político-cultural-ideológica que norteia a circularidade informativa nas
redes contra-hegemônicas. A Fase funciona como uma espécie de centro de articulação
de 70 organizações não-governamentais do Brasil e do exterior vinculadas à defesa dos
direitos humanos, do meio ambiente, da reforma agrária e da educação. Permite acessos
instantâneos aos sites de entidades filiadas. Na página da Fase, as ONGs dispõem de
uma base de consulta comum, com informações atualizadas sobre ações em prol da
cidadania (reivindicações, protestos, campanhas, etc.), e de uma agenda de eventos
ligados aos movimentos sociais, dentro e fora da Internet. Há também fóruns e debates
on line. Já foram promovidas conferências eletrônicas sobre reforma agrária na América
Latina e agricultura familiar. Os usuários cadastrados podem opinar livremente sobre os
temas abordados. A Fase divulga na Web suas campanhas de conscientização popular.
Eis um trecho da apresentação da campanha "Olho vivo nestas eleições!": "Para
fortalecer e ampliar a luta pela defesa da cidadania para todos, da justiça social e da
recuperação da solidariedade; pelo fim da impunidade e implementação de mecanismos
de controle e fiscalização que combatam o clientelismo e a corrupção é que
recomendamos µOLHO VIVO NESSAS ELEIÇÕES!!!¶." O chamado à participação
caracteriza outras iniciativas de ONGs vinculadas à Fase, entre as quais destacamos a
marcha global contra o trabalho infantil e as mobilizações pela reforma agrária, contra a
pedofilia na Internet e em defesa da Amazônia (em parceria com o Greenpeace).

A meta da Central Única dos Trabalhadores na Internet é viabilizar uma "rede nacional
de comunicação, potencializando recursos internos previamente levantados (boletins,
revistas, jornais, páginas na Internet, programas de rádio e TV, jornalistas, dirigentes,
formadores de opinião etc.), que, com rapidez e eficácia, possam externar as políticas de
nossa Central e suas ações na conjuntura, de modo a influenciar a agenda nacional,
inclusive pautando na grande mídia o que a classe trabalhadora entender como
essencial". Por meio da Internet, a CUT incrementa intercâmbio de informações e
experiências com outras entidades nacionais e/ou internacionais. Entre os planos
imediatos da Central, estão a criação de um boletim informativo eletrônico, a ser
distribuído às instâncias sindicais, e a consolidação, a médio prazo, da comunicação via
Internet, com a construção de uma Intranet (rede interna), capaz de assegurar a
interconexão de todos os órgãos filiados. (14)

Entre os partidos brasileiros presentes na Web, deve ser mencionado o pioneirismo do


Partido dos Trabalhadores ao pôr no ar, em 1996, o PTnet (http://www.pt.org.br).
Atualizado diariamente, desdobra-se em links para organismos como Ação da
Cidadania contra a Fome e a Miséria, CUT, Anistia Internacional, MST, sindicatos,
Conselho Indigenista Missionário, Comissão Pastoral da Terra, Instituto da Cidadania,
associações ambientalistas e de defesa do consumidor, partidos e organizações de
esquerda do Brasil e do exterior (aí incluídos a Internacional Socialista, os zapatistas
mexicanos, a CubaWeb, o The Marx/Engels Archives).

A integração por links proporciona uma maior aproximação da instância partidária com
seus filiados e simpatizantes. Acessando com freqüência a página, os militantes podem
consultar comunicados e documentos, conhecer os pontos de vista assumidos pela
agremiação a respeito de questões relevantes da vida nacional, participar de chats com
dirigentes e personalidades, intervir nos debates internos através de listas de discussão,
avaliar o desempenho das bancadas do partido no Congresso, nas Assembléias
Legislativas e Câmaras Municipais, manter-se informado sobre eventos e campanhas,
comentar o que leu na correspondência eletrônica. Ou seja, os usuários têm ao seu
dispor um volume de informações que lhes permite uma avaliação abrangente sobre o
desempenho partidário em diversos níveis, sem falar na hipótese concreta de formar
juízos e interferir, a seu modo, no encaminhamento e no desdobramento de proposições.

O quadro de expectativas e esperanças aqui delineado não deve, entretanto, alimentar


ilusões fáceis. Em primeiro lugar, porque a cibermilitância necessita aprofundar
experiências de comunicação eletrônica, em sintonia com expectativas e demandas de
público-alvo. Em segundo, porque nos deparamos com um fenômeno ao mesmo tempo
hiperveloz (graças à expansão tecnológica) e lento (por conta de hábitos culturais e
políticos nem sempre fáceis de atualizar). Em terceiro, porque precisam ser aprimorados
e popularizados os sistemas de busca e localização das homepages na vastidão da Web,
como explica o coordenador da Fase, Luiz Antônio Correia de Carvalho: "A Internet
para nós é fundamental, mas tem tantos sites que você pode navegar a vida inteira e não
saber que existe determinada página. O difícil é dizer às pessoas onde está a informação,
a interação, a discussão, o debate". (15)
Não se trata de transformar a Internet em apanágio de todas as virtudes. Muito menos de
imaginar um Eldorado digital, habilitado a suplantar o poderio de veiculação dos
megagrupos ² o que seria, além de tolice, desconhecer o indiscutível predomínio dos
conglomerados multimídias no atual cenário de transnacionalização dos mercados de
informação e entretenimento. Quisemos ressaltar, sim, a emergência de potencialidades
no âmbito virtual, fundadas em práticas comunicacionais interativas, descentralizadas e
não submetidas aos mecanismos habituais de seleção e hierarquização adotados pela
grande mídia. As entidades civis valem-se da Internet enquanto esfera pública de
comunicação, livre de regulamentações e controles externos, para veicular informações
e análises quase sempre orientadas para o fortalecimento da cidadania e para o
questionamento de hegemonias constituídas.

Significa apontar e valorizar espaços alternativos e promissores de difusão de conteúdos


contra-hegemônicos, sob inspiração das plataformas reivindicantes de organismos
sociais e políticos que se opõem à lógica perversa de reprodução do capital. A
propósito, Manuel Castells sublinha a importância estratégica de "se utilizar o enorme
potencial da Internet, por exemplo, para reviver a democracia, não enquanto
substituição da democracia representativa por meio do voto, e sim para organizar grupos
de conversação, plebiscitos indicativos e consultas sobre distintos temas, disseminando
informações na sociedade". (16)

A maioria das ONGs pesquisadas se mostra consciente das vantagens de curto, médio e
longo prazos da comunicação virtual: barateamento dos custos; abrangência global;
velocidade de transmissão; autonomia frente às diretivas ideológicas e mercadológicas
dos impérios de comunicação. Elas elaboram e disponibilizam, simultaneamente, uma
gama de recursos interativos publicações, murais, fóruns e grupos de discussão
eletrônicos. Com isso, seguem a diretriz central de multiplicar os espaços de
conhecimento, interlocução e participação, em um mesmo site.

As ferramentas da WEB podem propiciar aos movimentos sociais uma intervenção ágil
em assuntos específicos, acentuando-lhes a visibilidade pública. Outro fator positivo é a
constituição de comunidades virtuais por afinidades eletivas. Formam-se, assim,
coletivos em rede, por aproximações temáticas, anseios e práticas comuns de cidadania.
Eles compartilham ações sociopolíticas, tendo em vista o fortalecimento dos laços
comunitários e de uma ética por interações, assentada em princípios de diálogo, de
cooperação e de participação. (17) "Tanto a Internet quanto as ONGs têm a tendência de
formar comunidades, assim como defender a liberdade é uma característica marcante
dos dois sistemas", observa Sérgio Góes, diretor-executivo da Rede de Informações do
Terceiro Setor, instituição privada, autônoma e sem finalidade lucrativa, mantida com o
apoio financeiro de agências privadas e públicas, nacionais e internacionais. (18)

No ambiente virtual desde a sua criação, em 1997, a Rits fornece informações, serviços
e apoio em tecnologias de comunicação e informação, com o objetivo de modernizar as
formas de gestão de organismos da sociedade civil. Sérgio Góes ressalva que "ainda
falta muito para que as organizações conquistem um grande espaço no mundo virtual."
Para ele, "a Internet tem enorme potencial para a mobilização, mas não podemos deixar
de levar em consideração que apenas 2% da população brasileira têm acesso a ela". (19)
Para melhorar esse quadro, a Rits e a Ongnet, primeiro provedor do Terceiro Setor, de
Minas Gerais, estão organizando e fomentando o desenvolvimento de novas redes,
integrando as organizações e potencializando o uso de novas tecnologias e serviços.
Com efeito, pelo menos dois quesitos desafiam o pleno aproveitamento da Internet
pelos movimentos progressistas: 1) a necessidade de políticas competentes de
comunicação eletrônica, capazes de ampliar o raio de difusão dos sites, ainda restrito; 2)
a exigência de se ampliar substancialmente o número de usuários plugados, o que
pressupõe a superação de obstáculos econômico-financeiros (custos de computadores,
modems, linhas e tarifas telefônicas, provedores de acesso) e a simplificação dos
procedimentos informáticos para se acessar a rede.

Tornar as páginas mais conhecidas dos internautas implica expandir redes, parcerias e
intercâmbios; divulgar sistematicamente os sites junto a setores da sociedade civil, tanto
pelos meios tradicionais, como por boletins e eventos eletrônicos; e promover chats,
conferências e seminários voltados à discussão de estratégias comunicacionais para a
Internet. Isto é decisivo para fazer sobressair as reivindicações no oceano virtual. (20)

Desejo, por fim, endossar a reflexão do filósofo italiano Antonio Negri. Com serena
lucidez, ele não vê esplendor nas tecnologias de comunicação, e sim a virtualidade de
mudanças que nos convidam a imaginar horizontes, "quer de um desenvolvimento da
informática no sentido de uma nova e mais poderosa barbárie, quer de uma nova tomada
de consciência da resistência e da possibilidade de retomarmos nas mãos da multidão o
desenho do futuro". Nenhum catastrofismo, assinala Negri, mas um empenho de luta,
conscientes de que as transformações que se processam no âmago das redes podem
facultar à inteligência humana novos meios de revolução. (21)

_______
 ë

(1) Pierre Lévy. Cyberculture. Rapport au Conseil de l¶Europe. Paris: Odile Jacob,
1997, p. 129-149. Consultar também: Derrick de Kerckhove. Connected intelligence:
the arrival of the Web society. Toronto: Somerville House Publishing, 1997.

(2) Ver Dênis de Moraes. "Novos paradigmas éticos na comunicação virtual", em Z ±


Revista eletrônica do Programa Avançado de Cultura Contemporânea da Universidade
Federal do Rio de Janeiro, nº 1, julho de 1999. Disponível em: www.ufrj.br/pacc/z

(3) Marc Guillaume. L¶empire des réseaux. Paris: Descartes & Cie, 1999, p. 72.

(4) María Peñuelas, citada em "El ciberactivismo despega en la rede", El País, 7 de


novembro de 1999.

(5) Ilse Scherer-Warren. "Redes e espaços virtuais (para a pesquisa de ações coletivas
na era da informação)", Cadernos de Pesquisa do Programa de Pós-Graduação em
Sociologia Política da Universidade Federal de Santa Catarina, nº 11, julho de 1997.

(6) Entrevista de Neuri Rosseto a Dênis de Moraes para o projeto de pesquisa


"Estratégias de mídia na era tecnológica". CNPq/Faperj/UFF, 13 de agosto de 1998. O
site do MST é http://www.mst.org.br

(7) Para acessar as páginas pró-zapatistas, basta digitar: http://www.ezln.org/links.html.


Sobre a ação comunicacional do EZLN na Internet, consultar o ensaio de Harry Cleaver,
The Zapatista Effect: The Internet and the Rise of an Alternative Political Fabric,
disponível em www.uff.br/mestcii/cleaver.htm. Harry Cleaver, professor da
Universidade do Texas em Austin, edita o Zapatistas in Cyberspace
(http://www.eco.utexas.edu/faculty/Cleaver/zapsincyber.html), o mais completo guia de
sites, artigos, comunicados, documentos e fotos sobre os zapatistas.

(8) Iam Graham, citado por Nicole Penicaut e Emmanuele Peyret, "Travailleurs de tous
les pays connectez-vous", Libération, 25 de abril de 1997.

(9) Roberto Pereira, citado por Elisa Travalloni, "Exercício da cidadania cresce com a
rede", Jornal do Brasil, 15 de dezembro de 1999. O site do Cedus é
http://www.cedus.org.br

(10) Entrevista de Milton Temer a Danielle Abreu Alonso, bolsista PIBIC/CNPq no


projeto de pesquisa "Estratégias de mídia na era tecnológica", CNPq/Faperj/UFF, 20 de
maio de 1998.

(11) María Peñuelas, citada em "El ciberactivismo despega en la rede", El País, 7 de


novembro de 1999.

(12) O site da Anistia Internacional é http://www.amnesty.org; o da CNBB,


http://www.cnbb.org.br; o do Cedus, http://www.cedus.org.br

(13) Com sede no Rio de Janeiro, a Fase é patrocinada por um consórcio de 12 agências
internacionais da Holanda, da Grã-Bretanha e da Alemanha. Seu site é
http://www.fase.org.br

(14) O site da CUT é http://www.cut.org.br

(15) Entrevista de Luiz Antônio Correia de Carvalho a Olívia Bandeira de Melo


Carvalho, bolsista PIBIC/CNPq no projeto de pesquisa "A cibermilitância: perspectivas
para movimentos sociais e políticos na Internet", em 24 de julho de 2000.

(16) Manuel Castells. "La izquierda tiene una actitud retrógada respecto a las
tecnologías de la información", em Enredando, Barcelona, 21 de outubro de 1997,
disponível em http://enredando.com/entrevistas3.html. Ver ainda a entrevista de Castells
a René Lefort, "El nuevo papel del ciudadano ante la revolución de Internet", Correio da
Unesco (versão espanhola), outubro de 1999.

(17) Ver Dênis de Moraes. "Novos paradigmas éticos na comunicação virtual", ob. cit.

(18) O site da Rits é http://www.rits.org.br

(19) Sérgio Góes, citado por Elisa Travalloni, "Exercício da cidadania cresce com a
rede", Jornal do Brasil, 15 de dezembro de 1999.

(20) A Rits tem planos de criar o Portal da Cidadania, justamente para reunir, em um
único site, informações de um abrangente conjunto de ONGs filiadas, evitando a
dispersão por muitas páginas. Os usuários encontrariam dados sobre uma série de temas
relacionados às entidades filiadas. Desejando aprofundar-se em determinado assunto, o
internauta seria instruído a pesquisar na homepage da instituição correspondente.
Entrevista de Paulo Henrique Lima, editor da Revista do Terceiro Setor, da Rits, a
Olívia Bandeira de Melo Carvalho, bolsista PIBIC/CNPq no projeto de pesquisa "A
cibermilitância: perspectivas para movimentos sociais e políticos na Internet", em 25 de
julho de 2000.

(21) Antonio Negri, "A melancolia dos catastrofistas: novos modos de revolução ainda
podem surgir com as mudanças da informática", Folha de S. Paulo (Mais!), 24 de
novembro de 1996.

Fonte: www.saladeprensa.org/