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INFLUÊNCIA DA MINERAÇÃO NA GEOQUÍMICA DAS

ÁGUAS SUPERFICIAIS E DOS SEDIMENTOS NO ALTO

CURSO DA BACIA DO RIBEIRÃO MATA PORCOS,

QUADRILÁTERO FERRÍFERO – MINAS GERAIS

i
UNIVERSIDADE FEDERAL DE OURO PRETO

Reitor

João Luiz Martins

Vice-Reitor

Antenor Barbosa Júnior

Pró-Reitor de Pesquisa e Pós-Graduação

André Barros Cota

ESCOLA DE MINAS

Diretor

José Geraldo Arantes de Azevedo Brito

Vice-Diretor

Wilson Trigueiro de Souza

DEPARTAMENTO DE GEOLOGIA

Chefe

Issamu Endo

iii
E V O L U Ç Ã O C RU S T A L E R EC U R SO S N a t u r ais

iv
CONTRIBUIÇÕES ÀS CIÊNCIAS DA TERRA – VOL. 71

DISSERTAÇÃO DE MESTRADO

Nº 307

INFLUÊNCIA DA MINERAÇÃO NA GEOQUÍMICA DAS ÁGUAS

SUPERFICIAIS E DOS SEDIMENTOS NO ALTO CURSO DA BACIA

DO RIBEIRÃO MATA PORCOS, QUADRILÁTERO FERRÍFERO –

MINAS GERAIS

Fellipe Pinheiro Chagas Mendonça

Orientadora

Mariangela Garcia Praça Leite

Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Evolução Crustal e Recursos


Naturais do Departamento de Geologia da Escola de Minas da Universidade Federal de Ouro Preto
como requisito parcial à obtenção do Título de Mestre em Ciências Naturais, Área de Concentração:
Geologia Ambiental e Conservação de Recursos Naturais

OURO PRETO

2012

v
Universidade Federal de Ouro Preto – http://www.ufop.br
Escola de Minas - http://www.em.ufop.br
Departamento de Geologia - http://www.degeo.ufop.br/
Programa de Pós-Graduação em Evolução Crustal e Recursos Naturais
Campus Morro do Cruzeiro s/n - Bauxita
35.400-000 Ouro Preto, Minas Gerais
Tel. (31) 3559-1600, Fax: (31) 3559-1606 e-mail: pgrad@degeo.ufop.br

M539i Mendonça, Fellipe Pinheiro Chagas.


Influência da mineração na geoquímica das águas superficiais e nos
sedimentos no alto curso da bacia do ribeirão Mata Porcos, Quadrilátero Ferrífero – Minas
Gerais [manuscrito] / Fellipe Pinheiro Chagas Mendonça – 2012.
xxiii, 131f. : il. color.; grafs.; tabs.; mapas. (Contribuições às Ciências da Terra, Série
M, v.71, n. 307)
ISSN: 85-230-0108-6

Orientadora: Profª Drª Mariângela Garcia Praça Leite.

Dissertação (Mestrado) - Universidade Federal de Ouro Preto. Escola de Minas.


Departamento de Geologia. Programa de Pós-Graduação em Evolução Crustal e Recursos
Naturais.
Área de concentração:Geologia Ambiental
e Conservação de Recursos Naturais.

1. Geoquímica ambiental - Teses. 2. Bacias hidrográficas - Teses. 3.


Quadrilátero Ferrífero (MG) - Teses. I. Universidade Federal de Ouro Preto. II. Título.
CDU: 550.4:622.7

Catalogação: sisbin@sisbin.ufop.br

Os direitos de tradução e reprodução reservados.


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fotocopiada ou reproduzida por meios mecânicos ou eletrônicos ou utilizada sem a
observância das normas de direito autoral.

vi
Dedico este trabalho a minha família, em especial ao vovô Pinheiro e minha mãe Ofélia
Agradecimentos
Agradeço a Deus, soberano sobre todas as coisas e pelo dom da vida;

As minhas tias-mães Cecília, Ana e Adriana que vêm me guiando sempre com amor
incondicional e sabedoria; A todos os primos, afilhados, agregados... Amo muito vocês!

Ao meu pai Fernando e a Ana Lúcia sempre presentes;

Aos amigos que compreenderam o distanciamento nesse período e que nunca deixaram de
estar comigo, em especial ao meu amigo-irmão Davi, a Ângela, ao Luís Felipe e a todos os outros, que
são tão importantes! Vocês são minha segunda família!

Ao João Tadeu pelo carinho, compreensão e cuidado, especialmente por ser tão companheiro;

A todos os amigos da pós-graduação que me ajudaram a cumprir essa etapa; a minha querida
Fernanda Ataíde (Fefezuda) por enfrentar praticamente todos os campos comigo! A Fernanda Costa,
presente desde o início desta jornada. Aos bolsistas Lucas (Cuada) e Klaus que contribuíram muito
para esse trabalho, com responsabilidade e competência. Ao Raphael, Érika e Lili, meus companheiros
de sala e de discussões acadêmicas; A Augusta, por todo o carinho comigo. A Debora Reis pelo
incentivo constante;

Ao Fábio, ao Rondon, e a Jaguatirica pela alegria da convivência aqui em casa!

As empresas Mineração Herculano e a SAFM nas pessoas do Armando, Edimilson, Marcelo e


Glauco por sempre disponibilizar toda a ajuda necessária para a condução dessa pesquisa; Ao
Toninho, por abrir as portas da sua fazenda e nos receber com cordialidade;

Ao Governo de Minas, por meio do Instituto Estadual de Florestas, pela logística nos trabalhos
de campo, pelos materiais cartográficos e por me ceder durante estes dois anos para a Universidade
Federal de Ouro Preto. Meu obrigado a todos os colegas da Diretoria de Áreas Protegidas: Silvério,
Élcio, Denise, Delma, Ivan, Mariana Gontijo e Madazinha. Ao Ronaldo Ferreira e a Josyany pelo
apoio nos campos. A Adauta e a todo o pessoal da GEMOG, sempre me socorrendo!

A CAPES pela bolsa-auxílio em todo o período;

Ao Laboratório de Geoquímica Ambiental – LGQA e toda a sua equipe, minha sincera


gratidão. Ao coordenador Prof. Hermínio, a Adriana, ao Leo e ao Celso. Vocês são pessoas
fantásticas, obrigado!

A minha orientadora Prof. Mariangela que acreditou em mim, caminhou junto em cada passo
dessa pesquisa, participou com incentivo, sabedoria, dedicação e fundamentalmente com o bom humor
de quem simplesmente ama o que faz! Mari, não sei como te agradecer por tudo isso... Só quero dizer
que foi um prazer inigualável (e sempre será) trabalhar com você. Valeu!

ix
Sumário
AGRADECIMENTOS ......................................................................................................................... ix 
LISTA DE FIGURAS ........................................................................................................................ xiii
LISTA DE TABELAS........................................................................................................................ xix
RESUMO ............................................................................................................................................ xxi
ABSTRACT ...................................................................................................................................... xxiii
CAPÍTULO 1. INTRODUÇÃO ........................................................................................................... 1
1.1- CONSIDERAÇÕES INICIAIS ....................................................................................................... 1
1.2- HIPÓTESES .................................................................................................................................... 2
1.3- OBJETIVOS GERAIS E ESPECÍFICOS ........................................................................................ 3
CAPÍTULO 2. A MINERAÇÃO E OS RECURSOS HÍDRICOS.................................................... 5
2.1- A MINERAÇÃO ............................................................................................................................. 5
2.2- IMPACTOS AMBIENTAIS DA MINERAÇÃO SOBRE OS RECURSOS HÍDRICOS .............. 6
2.2.1- Impactos da exploração do ferro................................................................................10 
2.2.2- Impactos da exploração do ouro ................................................................................12 
2.2.3- Impactos da exploração do caulim ............................................................................13 
2.3- MINERAÇÃO E RECURSOS HÍDRICOS NO QUADRILÁTERO FERRÍFERO ......................14
CAPÍTULO 3. METODOLOGIA ......................................................................................................19
3.1- CONSIDERAÇÕES INICIAIS ......................................................................................................19
3.2- PRODUÇÃO CARTOGRÁFICA ..................................................................................................20
3.2.1- Hidrografia e hierarquização dos canais ....................................................................20
3.2.2- Hipsometria e declividade .........................................................................................20
3.2.3- Processamento digital de imagens de sensoriamento remoto ....................................21
3.3- ESCOLHA DOS PONTOS DE MONITORAMENTO..................................................................22
3.4- AMOSTRAGEM ............................................................................................................................24
3.4.1- Campanhas de coleta de amostras .............................................................................24
3.4.2- Determinação da velocidade de fluxo, profundidade e largura do canal ...................24
3.4.3- Amostragem das águas ..............................................................................................25
3.4.4- Amostragem dos sedimentos de leito ........................................................................26
3.5- ANÁLISES DA ÁGUA E DO SEDIMENTO ................................................................................26
3.5.1- Análises da água realizadas in situ ............................................................................26
3.5.2- Geoquímica das águas superficiais ............................................................................27
3.5.3- Granulometria dos sedimentos de leito......................................................................28
3.5.4- Mineralogia dos sedimentos de leito .........................................................................29
3.5.5- Geoquímica dos sedimentos de leito .........................................................................29
3.6- TRATAMENTO ESTATÍSTICO DOS DADOS ...........................................................................30

xi
CAPÍTULO 4. CARACTERIZAÇÃO DA ÁREA DE ESTUDO ................................................... 33
4.1- LOCALIZAÇÃO E ACESSO........................................................................................................ 33
4.2- CLIMA E HIDROGRAFIA ........................................................................................................... 34
4.3- USO, OCUPAÇÃO E COBERTURA VEGETAL ........................................................................ 38
4.4- GEOMORFOLOGIA ..................................................................................................................... 41
4.5- GEOLOGIA REGIONAL E LOCAL ............................................................................................ 44
4.6- MINERAÇÕES .............................................................................................................................. 49
4.6.1 - Mineração Magnesita (caulim) ................................................................................ 49
4.6.2 - Mineração Herculano (ferro e manganês) ................................................................ 50
4.6.3 - Mineração SAFM (ferro e manganês) ..................................................................... 51
4.6.4 - Mineração Várzea do Lopes – Gerdau (ferro) ......................................................... 52
4.6.5 - Mineração de Arêdes (ferro) .................................................................................... 53
4.6.6 - Sítios arqueológicos da exploração mineral (ouro).................................................. 54
CAPÍTULO 5. RESULTADOS E DISCUSSÃO .............................................................................. 55
5.1- CONTROLE GEOLÓGICO NA GEOQUÍMICA DAS ÁGUAS E DOS SEDIMENTOS NAS
NASCENTES ........................................................................................................................................ 55
5.2- INFLUÊNCIA DA MINERAÇÃO DE FERRO NO RIBEIRÃO ARÊDES................................. 58
5.2.1- Análise das águas ...................................................................................................... 59
5.2.2- Análise dos sedimentos ............................................................................................. 65
5.3- INFLUÊNCIA DA MINERAÇÃO DE FERRO NO RIBEIRÃO DO SILVA .............................. 73
5.3.1- Análise das águas ...................................................................................................... 73
5.3.2- Análise dos sedimentos ............................................................................................. 78
5.4- INFLUÊNCIA DA MINERAÇÃO DE FERRO NO CÓRREGO BENEVIDES .......................... 85
5.4.1- Análise das águas ...................................................................................................... 86
5.4.2- Análise dos sedimentos ............................................................................................. 89
5.5- INFLUÊNCIA DA MINERAÇÃO DE CAULIM NO RIBEIRÃO DO SILVA ........................... 92
5.5.1- Análise das águas ...................................................................................................... 92
5.5.2- Análise dos sedimentos ............................................................................................. 96
5.6- TAMPONAMENTO DO SISTEMA FLUVIAL PELAS FORMAÇÕES FECHO DO FUNIL E
GANDARELA .................................................................................................................................... 104
CAPÍTULO 6. CONCLUSÕES ....................................................................................................... 107
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ............................................................................................ 109
APÊNDICES ...................................................................................................................................... 115
ANEXOS ............................................................................................................................................ 129
BANCA EXAMINADORA (FICHA DE APROVAÇÃO) ............................................................. 131

xii
Lista de figuras
Figura 2.1- Principais estados brasileiros produtores de minérios no ano de 2010 de acordo com o
recolhimento da CFEM – Contribuição Financeira pela Exploração de Recursos Minerais ............. 6
Figura 2.2- Desenho esquemático das principais estruturas encontradas em uma mina do tipo céu
aberto, evidenciando sua relação com os cursos d’água. Em a) cava; em b) pilhas de estéril, em
c) barragem de rejeitos; em d) planta de beneficiamento de minérios; em e) diques de contenção
de material fino. Adaptado de Förstner & Salomons (1995). ............................................................ 7
Figura 3.1- Fluxograma geral das etapas desenvolvidas ao longo do trabalho.. ................................... 19
Figura 3.2- Mapa da área de estudo com a hidrografia e os pontos de amostragem. As áreas de
ocupação dos empreendimentos foram extraídas do mapa de uso e ocupação produzido por
classificação supervisionada. Em verde as minas em atividade; em vermelho as minas que estão
paralisadas.. ...................................................................................................................................... 23
Figura 3.3- Fotografia e desenho esquemático da técnica de integração na vertical para a obtenção
da vazão em uma determinada seção do rio. O trecho na fotografia é uma secção do ribeirão
Arêdes. ............................................................................................................................................. 25
Figura 3.4- Fotografias representativas dos aparelhos utilizados para análises. a) multiparâmetro;
b) turbidímetro; c) oxímetro e d) colorímetro. ................................................................................. 27
Figura 4.1- Mapa de localização da área de estudo, alto curso da bacia do ribeirão Mata Porcos
(montante da comunidade rural de Ribeirão do Eixo).. ................................................................... 34
Figura 4.2- Hietograma da precipitação total anual da estação pluviométrica Mina do Pico (latitude
20°22’00’’ S, e longitude 43°29’00’’ W). Adaptado de SAFM (2010).. ......................................... 35
Figura 4.3- Hietograma da precipitação média mensal histórica (outubro de 1990 a setembro de
2009) da estação pluviométrica Mina do Pico (latitude 20°22’00’’ S, e longitude 43°29’00’’
W). Adaptado de SAFM (2010). ...................................................................................................... 35
Figura 4.4- Mapa da área de estudo com os principais tributários do alto curso do ribeirão Mata
Porcos hierarquizados conforme Strahler (1957). As cores na rede de drenagem representam as
diferentes ordens dos canais. ............................................................................................................ 37
Figura 4.5- Ruínas do antigo núcleo minerador de Arêdes, localizado no interior da área de estudo.
a) senzala; b) capela São Sebastião e altar de rocha; c) ruínas de moradia. ..................................... 38
Figura 4.6- Mapa da área de estudo com a delimitação do uso, ocupação e cobertura vegetal. As
classes estão representadas por cores diferentes e foram obtidas por técnicas de processamento
digital de imagens de sensoriamento remoto. A descrição encontra-se na tabela 4.1. ..................... 40
Figura 4.7- Mapa hipsométrico da área de estudo com a delimitação das classes de altitudes. O
mapa exibe em cores, os diferentes intervalos de altitudes obtidos pela realização do modelo
digital de terreno. ............................................................................................................................. 42
Figura 4.8- Mapa de declividades da área de estudo com a delimitação de diferentes classes. O
mapa exibe em cores, os diferentes intervalos de declividade do relevo obtidos pela realização
do modelo digital de terreno. ........................................................................................................... 43
Figura 4.9- Mapa geológico simplificado do quadrilátero ferrífero. Adaptado de: Alkmim &
Marshak (1998). ............................................................................................................................... 44
Figura 4.10- Geologia e estratigrafia da área de estudo (Lobato, 2005). .............................................. 47
Figura 4.11- Mapa de localização, fotografia (a) e imagem Google Earth® (b) da Mineração
Magnesita (seta amarela). Em negro no mapa, a área aproximada ocupada pelo
empreendimento. .............................................................................................................................. 49

xiii
Figura 4.12- Mapa de localização, fotografia (a) e imagem Google Earth® (b) da Mineração
Herculano (seta amarela). Em negro no mapa, a área aproximada ocupada pelo
empreendimento. ............................................................................................................................. 50
Figura 4.13- Mapa de localização, fotografia (a) e imagem Google Earth® (b) da Mineração
SAFM (seta amarela). Em negro no mapa, a área aproximada ocupada pelo empreendimento. .... 51
Figura 4.14- Mapa de localização, fotografia (a) e imagem Google Earth® (b) da Mineração
Gerdau (seta amarela). Em negro no mapa, a área aproximada ocupada pelo empreendimento. ... 52
Figura 4.15- Mapa de localização, fotografia (a) e imagem Google Earth® (b) da Mineração
Arêdes (seta amarela). Em negro no mapa, a área aproximada ocupada pelo empreendimento. .... 53
Figura 4.16- Mapa de localização, fotografia (a) e imagem Google Earth® (b) de um dos locais de
extração antiga de ouro de aluvião. Em negro no mapa, a área aproximada ocupada com
vestígios de cascalhos (rejeitos). ..................................................................................................... 54
Figura 4.17- Vestígios da mineração antiga e recente. a) No círculo amarelo: boca de galeria aberta
pela mineração de ouro antiga, desabada em uma encosta; na seta amarela: área de utilização da
mineração de ferro atual. b) Nas setas: montes de rejeito (grânulos e cascalhos) da mineração
antiga. .............................................................................................................................................. 54
Figura 5.1- Gráfico tipo score plot mostrando a PCA dos elementos químicos nas águas das
nascentes (variáveis) e pontos de coleta (amostras PR05, PR06, PR14, PR15 E PR21)... ............. 56
Figura 5.2- Gráfico tipo score plot mostrando a PCA dos elementos químicos nos sedimentos das
nascentes (variáveis) e pontos de coleta (amostras PR05, PR06, PR14, PR15 E PR21). ............... 56
Figura 5.3- À esquerda: mapa representando as drenagens e os pontos de amostragem nas
imediações da mineração de ferro SAFM e Arêdes (em vermelho no mapa). À direita: imagem
Google Earth® com destaque para o posicionamento dos pontos de amostragem em relação a
mina (setas amarelas na foto), vistos em perspectiva. ..................................................................... 59
Figura 5.4- a): foto da “nascente” do córrego onde se situa o ponto PR10 (tributário do ribeirão
Arêdes). b) fotografia mostrando um detalhe do Pico de Itabirito, onde se localiza o grande
complexo minerador de ferro da empresa Vale, chamado Complexo Pico..................................... 60
Figura 5.5- Gráficos apresentando a variação temporal de alguns dos parâmetros aferidos nas
amostras dos pontos PR10, PR11 e PR21 separados por campanha de coleta e parâmetro
avaliado. Condutividade elétrica (a); turbidez (b); pH (c); potencial oxi-redução – Eh (d). Notar
os valores inferiores do PH em relação ao permitido pela legislação, entre 6 e 8 (tracejado). ....... 61
Figura 5.6- Gráficos mostrando a variação da condutividade elétrica (a) e do pH (b) ao longo do
ribeirão Arêdes. Os pontos PR10-PR11-PR13-PR18-PR02 estão organizados de montante para
jusante. Notar a condição mais ácida imposta pelas águas no ponto PR10 (a). O aumento de
todos os valores nos pontos PR18 e PR02 é coincidente com a ocorrência dos afloramentos de
mármores da Formação Fecho do Funil. ......................................................................................... 61
Figura 5.7- Mapa mostrando a ocorrência das formações contendo carbonatos: Gandarela (grupo
Itabira) Fecho do Funil (grupo Piracicaba) na área de estudo. Detalhe para os afloramentos de
mármores ao longo do ribeirão do Silva (setas vermelhas), cuja influência geoquímica é
percebida nos pontos de coleta PR02, PR08, PR07 e PR16. A legenda dos pontos amostrais está
representada sem o prefixo (PR). .................................................................................................... 63
Figura 5.8- Gráficos mostrando a variação dos cátions Ca (a) e Mg (b) ao longo do ribeirão
Arêdes. Os pontos PR10-PR10-PR18-PR13-PR02 estão organizados de montante para jusante.
O aumento nos valores é coincidente com os mármores da Formação Fecho do Funil, principal
contribuição geogênica associada. .................................................................................................. 64

xiv
Figura 5.9- Gráficos mostrando a concentração dos elementos nas amostras de águas superficiais
referentes aos pontos PR10 e PR11 e PR21. Em (a): Fe (µg/L); em (b): Al (µg/L). Notar os
teores mais elevados de Fe e Al nas amostras do ponto PR10 em relação aos limites aceitáveis
pela legislação (tracejado). ............................................................................................................... 64
Figura 5.10- Gráficos mostrando a concentração média dos elementos nas amostras de águas
superficiais referentes aos pontos PR10-PR11-PR13-PR18-PR02 e sua variação junto às
medidas de pH. Em (a): Al (µg/L); em (b): Fe (µg/L)... .................................................................. 65
Figura 5.11- Dendograma dos elementos químicos (variáveis) e pontos de coleta (amostras PR02,
PR06, PR10, PR11, PR13, PR18 e PR21). ...................................................................................... 67
Figura 5.12- Gráfico do tipo Score Plot da PCA dos elementos químicos (variáveis) e pontos de
coleta (amostras PR02, PR06, PR10, PR11, PR13, PR18 e PR21) para as amostras de
sedimentos........................................................................................................................................ 68
Figura 5.13- Gráficos demonstrando a contribuição dos elementos químicos na PC1 para as
amostras do ponto PR10. Foram representadas três campanhas realizadas, com exceção da
quarta. Notar as maiores contribuições exercidas pelos elementos Co, Cr, Ti e Y (baixas
concentrações em relação aos outros pontos), assinalados na barra do gráfico com uma seta
vermelha. .......................................................................................................................................... 69
Figura 5.14- Gráficos demonstrando a contribuição dos elementos químicos na PC2 para as
amostras do ponto PR06. Foram representadas três campanhas realizadas, com exceção da
segunda. Notar as maiores contribuições exercidas pelos elementos As, Th e Zr (maiores
concentrações em relação aos outros pontos), assinalados na barra do gráfico com uma seta
vermelha.. ......................................................................................................................................... 70
Figura 5.15- Mapa representando as drenagens e a concentração do Mn em épocas distintas: 1979
e 2011.. ............................................................................................................................................. 72
Figura 5.16- Mapa representando as drenagens e a concentração do Fe em épocas distintas: 1979 e
2011.................................................................................................................................................. 72
Figura 5.17- À esquerda: mapa representando as drenagens e os pontos de amostragem nas
imediações da mineração de ferro (em vermelho). À direita: imagem Google Earth® com
destaque para o posicionamento dos pontos de amostragem em relação a mina (setas amarelas),
vistos em perspectiva.. ..................................................................................................................... 73
Figura 5.18- Gráficos apresentando a variação temporal de alguns dos parâmetros aferidos nas
amostras dos pontos PR05 e PR08 separados por campanha de coleta e parâmetro avaliado. pH
(a); potencial oxi-redução – Eh (b); oxigênio dissolvido (c); turbidez (d).. ..................................... 74
Figura 5.19- Variação da condutividade elétrica (a), da alcalinidade (b) ao longo do ribeirão do
Silva. Os pontos PR15-PR17-PR05-PR08-PR07-PR16 estão organizados de montante para
jusante. O aumento nos valores é coincidente com a ocorrência dos afloramentos de mármores
da Formação Fecho do Funil. ........................................................................................................... 75
Figura 5.20- Fotos dos afloramentos das lentes de mármores e dolomitos pertencentes à Formação
Fecho do Funil (setas amarelas). Em (a) afloramento nas margens do ribeirão Arêdes, ponto
PR02; em (b) afloramento nas margens do ribeirão do Silva, ponto PR08...................................... 76
Figura 5.21- Gráficos mostrando a variação dos cátions Ca (a) e Mg (b) ao longo do ribeirão do
Silva. Os pontos PR15-PR17-PR05-PR08-PR07-PR16 estão organizados de montante para
jusante. O aumento nos valores é coincidente com os mármores da Formação Fecho do Funil,
principal contribuição geogênica associada. .................................................................................... 77
Figura 5.22- Distribuição das frações granulométricas em % dos Grânulos (> 2,0mm), % das
Areias (< 2,0mm e > 0,063mm) e % da fração Silte/Argila (< 0,063mm). Em (a) campanha de
setembro de 2010; em (b) campanha de dezembro de 2010; em (c) campanha de março de
2011; em (d) campanha de junho de 2011. ...................................................................................... 78

xv
Figura 5.23- Dendograma dos elementos químicos (variáveis) e pontos de coleta (amostras PR05 e
PR08)............................................................................................................................................... 80
Figura 5.24- Gráfico tipo score plot mostrando a PCA dos elementos químicos (variáveis) e pontos
de coleta (amostras PR05 e PR08).. ................................................................................................ 80
Figura 5.25- Gráficos demonstrando a contribuição dos elementos químicos na PC1 para as
amostras do ponto PR05. Foram representadas três campanhas realizadas, com exceção da
primeira. Notar as maiores contribuições exercidas pelos elementos Cr, K e Na (especialmente
no ponto PR05-2) seguidos do Al (exceto ponto PR05-2) Th e Zr , assinalados na barra do
gráfico com uma seta vermelha. ...................................................................................................... 81
Figura 5.26- Gráficos demonstrando a contribuição dos elementos químicos na PC1 para as
amostras do ponto PR08 na estação chuvosa. Foram representadas as amostras PR08-2 e PR08-
3. Notar as maiores contribuições exercidas pelos elementos Ba, Fe e Mn, assinalados na barra
do gráfico com uma seta vermelha.. ................................................................................................ 82
Figura 5.27- Gráficos demonstrando a contribuição dos elementos químicos na PC2 para as
amostras do ponto PR08 na estação seca. Foram representadas as amostras PR08-1 e PR08-4.
Notar as maiores contribuições exercidas pelos elementos Ca, S e Zn, assinalados na barra do
gráfico com uma seta vermelha. ...................................................................................................... 83
Figura 5.28- Mapa representando as drenagens e a concentração do Fe em épocas distintas: 1979 e
2011. ................................................................................................................................................ 84
Figura 5.29- Mapa representando as drenagens e a concentração do Mn em épocas distintas: 1979
e 2011.. ............................................................................................................................................ 84
Figura 5.30- Imagens Landsat 5 em composição colorida RGB 4-5-3. Em a: cena do ano de 1984.
Em b: cena do ano de 2011. A vegetação arbórea possui tons avermelhados, a vegetação
rasteira e o solo possuem tons esverdeados. Notar nas setas amarelas a expansão urbana em
tons claros (setas a esquerda do ponto PR08) e o surgimento da mineração em tons arroxeados
(setas a direita do ponto PR08)........................................................................................................ 85
Figura 5.31- À esquerda: mapa representando as drenagens e os pontos de amostragem nas
imediações da mineração de ferro Herculano (em vermelho no mapa). À direita: imagem
Google Earth® com destaque para o posicionamento dos pontos de amostragem em relação a
mina (setas amarelas na foto), vistos em perspectiva.. .................................................................... 86
Figura 5.32- Gráficos mostrando a variação de alguns dos parâmetros aferidos nas águas dos
pontos PR01 e PR04 separados por campanha de coleta e parâmetro avaliado. Condutividade
elétrica (a); Turbidez (b); PH (c); potencial oxi-redução – Eh (d). ................................................. 87
Figura 5.33- Distribuição das frações granulométricas em % dos Grânulos (> 2,0mm), % das
Areias (< 2,0mm e > 0,063mm) e % da fração Silte/Argila (< 0,063mm). Em (a) campanha de
setembro de 2010; em (b) campanha de dezembro de 2010; em (c) campanha de março de
2011; em (d) campanha de junho de 2011....................................................................................... 88
Figura 5.34- Gráficos mostrando a variação na concentração dos elementos nas amostras de águas
superficiais referentes aos pontos PR01 e PR04. Em (a) Ca (mg/L); em (b) Mg (mg/L); em (c)
Fe (µg/L) e em (d) Mn (µg/L). Notar os teores mais elevados de Mn nas amostras das
diferentes campanhas de dezembro 2010 e março de 2011 no ponto PR04.................................... 89
Figura 5.35- Dendograma dos elementos químicos (variáveis) e pontos de coleta (amostras PR01 e
PR04)............................................................................................................................................... 90
Figura 5.36- PCA dos elementos químicos (variáveis) e pontos de coleta (amostras PR01 e PR04). . 91
Figura 5.37- À esquerda: mapa representando as drenagens e os pontos de amostragem nas
imediações da mineração de caulim (em vermelho no mapa). À direita: imagem Google Earth®
com destaque para o posicionamento dos pontos de amostragem em relação a mina (setas
amarelas na foto), vistos em perspectiva.. ....................................................................................... 92

xvi
Figura 5.38- Gráficos mostrando a variação de alguns dos parâmetros aferidos nas águas dos
pontos PR14, PR15 e PR17 separados por campanha de coleta e parâmetro avaliado.
Condutividade elétrica (a); Turbidez (b); PH (c); potencial oxi-redução – Eh (d). ......................... 94
Figura 5.39- Gráficos mostrando a concentração dos elementos Ca (mg/L) e Mg (mg/L) nas
amostras de águas superficiais referentes aos pontos PR14, PR15 e PR17. Notar os teores mais
elevados de Ca (a) e Mg (b) nas amostras das diferentes campanhas do ponto PR14. Este ponto
localiza-se sobre a Formação Gandarela.. ........................................................................................ 95
Figura 5.40- Gráficos mostrando a concentração dos elementos Ba (µg/L) e Mn (µg /L) nas
amostras de águas superficiais referentes aos pontos PR14, PR15 e PR17. Notar os teores mais
elevados de Ba (a) e Mn (b) nas amostras das diferentes campanhas do ponto PR17. .................... 96
Figura 5.41- Dendograma dos elementos químicos (variáveis) e pontos de coleta (PR14, PR15 e
PR17).. ............................................................................................................................................. 97
Figura 5.42- PCA dos elementos químicos (variáveis) e pontos de coleta (amostras PR14, PR15 e
PR17) ............................................................................................................................................... 98
Figura 5.43- Gráficos demonstrando a contribuição dos elementos químicos na PC1 para as
amostras do ponto PR14. Foram representadas todas as campanhas realizadas. Notar as maiores
contribuições exercidas pelos elementos Bi, Ca e Fe, assinalados nas barras do gráfico, com
uma seta vermelha. ........................................................................................................................... 99
Figura 5.44- Gráficos demonstrando a contribuição dos elementos químicos na PC1 para as
amostras do ponto PR15. Foram representadas as três primeiras campanhas realizadas. Notar as
maiores contribuições exercidas pelos elementos Cr, K e Mg (especialmente na campanha
PR15-2), assinalados nas barras do gráfico com uma seta vermelha.. ........................................... 100
Figura 5.45- Gráficos demonstrando a contribuição dos elementos químicos na PC2 para as
amostras do ponto PR17. Foram representadas todas as campanhas realizadas. Notar as maiores
contribuições exercidas pelos elemento Zn (exceção à amostra PR17-1), assinalado na barra do
gráfico com uma seta vermelha...................................................................................................... 101
Figura 5.46- Distribuição das frações granulométricas em % dos Grânulos (> 2,0mm), % das
Areias (< 2,0mm e > 0,063mm) e % da fração Silte/Argila (< 0,063mm). Em (a) campanha de
setembro de 2010; em (b) campanha de dezembro de 2010; em (c) campanha de março de
2011; em (d) campanha de junho de 2011. .................................................................................... 103
Figura 5.47- Mineração de caulim. (a): vista da mina para o ribeirão do Silva, onde não foi
observada nenhuma medida de contenção do material fino. Em (b): detalhe da mina..... ............. 104

xvii
Lista de tabelas
Tabela 3.1- Classes de declividade segundo metodologia adaptada por Gonçalves (2010). ................ 21
Tabela 3.2- Coletas, período e código das amostras. ............................................................................ 24
Tabela 3.3- Tipos de peneira, tamanho e classificação dos grãos segundo Wentworth (1922). ........... 29
Tabela 4.1- Classes de uso e ocupação com nome, descrição e área na bacia. ..................................... 39
Tabela 5.1-Tabela contendo os teores de elementos maiores e traço obtidos por meio da digestão
em micro-ondas (EPA, 2007) dos pontos PR05, PR06, PR14, PR15, e PR21, bem como os
respectivos limites de quantificação do método empregado. Os valores de concentração estão
em mg/kg com exceção do Al, Fe e Mn assinalados com um asterisco, cuja unidade é g/kg. ........ 57
Tabela 5.2- Tabela contendo os teores de elementos maiores e traço obtidos por meio da digestão
em micro-ondas (EPA, 2007) dos pontos PR02, PR06, PR10, PR11, PR13, PR18 e PR21, bem
como os respectivos limites de quantificação do método empregado. Os valores de
concentração estão em mg/kg com exceção do Al, Fe e Mn assinalados com um asterisco, cuja
unidade é g/kg. ................................................................................................................................. 66
Tabela 5.3- Tabela contendo os autovetores obtidos na PCA, o p valor obtido na ANOVA e o teste
F de Fischer, realizado entre os pontos PR02, PR06, PR10, PR11, PR13, PR18 e PR21 ............... 67
Tabela 5.4- Teores de elementos maiores e traço obtidos por meio da digestão em micro-ondas
(EPA, 2007) dos pontos PR05 e PR08, bem como os respectivos limites de quantificação do
método empregado. Os valores de concentração estão em mg/kg com exceção do Al, Fe e Mn
assinalados com um asterisco, cuja unidade é g/kg. Os autovetores extraídos a partir da PCA e
o P-valor dos testes T estão representados para cada um dos elementos. ........................................ 79
Tabela 5.5- Teores de elementos maiores e traço obtidos por meio da digestão em micro-ondas
(EPA, 2007) dos pontos PR01 e PR04. Os valores de concentração estão em mg/kg com
exceção do Al, Fe e Mn assinalados com um asterisco, cuja unidade é g/kg. Os autovetores
extraídos a partir da PCA e o P-valor dos testes T estão representados para cada um dos
elementos.. ....................................................................................................................................... 90
Tabela 5.6- Teores de elementos maiores e traço obtidos por meio da digestão em micro-ondas
(EPA, 2007) dos pontos PR14, PR15 e PR17, bem como os respectivos limites de quantificação
do método empregado. Os valores de concentração estão em mg/kg com exceção do Al, Fe e
Mn assinalados com um asterisco, cuja unidade é g/kg. Os autovetores extraídos a partir da
PCA e o P-valor dos testes T estão representados para cada um dos elementos. ............................ 97

xix
Resumo
O presente estudo avaliou a influência de diferentes atividades de mineração na cabeceira da
bacia hidrográfica do ribeirão Mata Porcos. Ainda que reconhecidamente uma área em que os
empreendimentos minerários possuem elevada significância, a região carece de trabalhos mais
aprofundados buscando compreender a relação entre a geologia, as minas e os recursos hídricos.

Para tanto, o monitoramento de parâmetros de qualidade das águas, bem como a concentração
de elementos químicos nas águas e nos sedimentos de leito foram avaliados ao longo de quatro
campanhas trimestrais, realizadas no período entre setembro de 2010 e junho de 2011. As amostras
foram coletadas nos principais cursos d’água na região: ribeirão do Silva, córrego Benevides, ribeirão
Arêdes e alguns dos tributários mais importantes.

Os parâmetros físico-químicos determinados nas águas foram: pH, Eh, oxigênio dissolvido,
condutividade elétrica, sólidos totais dissolvidos, turbidez, alcalinidade, sulfato e cloreto. Nas águas e
nos sedimentos, a concentração de elementos químicos maiores e traço foi analisada por ICP-OES. Os
dados foram submetidos às análises estatísticas uni e multivariada, sendo a análise por principais
componentes – PCA a principal ferramenta utilizada na discriminação das amostras.

As águas apresentaram-se, na grande maioria dos casos, satisfatórias quanto aos parâmetros
legais estabelecidos pela Resolução CONAMA 357/05. Exceção a uma drenagem que recebe águas
aduzidas do Complexo de Minas do Pico, cuja condição de acidez (PH = 4,5 em média) foi detectada,
aumentando também a concentração do Fe e do Al dissolvidos.

Nos sedimentos, concentrações elevadas de Fe (até 409,7 g/kg) e Mn (até 9,7 g/kg) foram
observadas tanto à montante quanto à jusante das minerações, sendo associadas principalmente às
fontes litogênicas. Contudo, a avaliação temporal de dados geoquímicos e de sensoriamento remoto
sugere que fontes antropogênicas contribuíram para o enriquecimento destes elementos ao longo dos
anos.

Assinaturas geoquímicas distintas foram evidenciadas nos sedimentos, as quais refletem a


contribuição das diferentes unidades litoestratigráficas do Supergrupo Minas, demonstrando o forte
controle exercido pela geologia local.

Rochas carbonáticas e afloramentos de mármore da Formação Fecho do Funil são as fontes


principais de Ca e Mg para os ribeirões Arêdes e do Silva. Estas rochas são responsáveis pela elevação
do pH das águas e exercem um importante papel no controle de condições de acidez inseridas no meio.
O efeito de tamponamento demonstrado neste trabalho sugere que drenagens ácidas de minas no
Quadrilátero Ferrífero possam ser naturalmente remediadas pela existência destas litologias.

xxi
Abstract
The study in subject assessed the influence of different mining activities at the headboard of
the drainage basin of Mata Porcos stream. Even though acknowledged as a zone where the mineral
enterprises hold a high significance, there is a lack of further studies in the area, looking for the
comprehension between the geology, the mines and the water resources.

Thus, the monitoring of the quality parameters of the water, as well as the concentration of
chemical elements in the water and streambed sediments, were evaluated during four quarterly
campaigns, conducted from September 2010 until June 2011. The samples were collected in the major
watercourses of the zone: Silva’s stream, Benevides brook, Arêdes stream and some of the most
important tributaries.

The physicochemical parameters determined for the waters were: pH, Eh, dissolved oxygen,
electrical conductibility, total dissolved solids, turbidity, alkalinity, sulfate and chloride. In the water
and sediments, the chemical concentration of major and trace chemical elements were analyzed by
ICP-OES. The data were submitted to the uni and multivariate statistical analysis, being the principal
components analysis (PCA) the main tool used to discriminate the samples.

The waters were, in most of cases, satisfactory regarding the legal parameters established by
CONAMA’s resolution 357/05. Except for one drainage that receives adduced waters from Minas do
Pico complex, which acidic condition (PH = 4,5 average) was detected, increasing the concentration of
Fe and Al dissolved as well.

In the sediments, high concentrations of Fe (until 409,7 g/kg) and Mn (until 9,7 g/kg) were
observed both upstream and downstream of mining, being associated especially to the lithogenic
sources. However, the time evaluation of geochemical data and remote sensing suggests that
anthropogenic sources contributed to the increase of these elements over the years.

Distinct geochemical signatures were evidenced in the sediments, those which reflect the
contribution of the different lithostratigraphic unities of Supergrupo Minas, demonstrating the strong
control exercised by the local geology.

Carbonate rocks and marble outcrops of shaping Fecho do Funil are the main sources of Ca
and Mg for the Arêdes stream and Silva’s stream. These rocks are responsible for the elevation of the
pH in the waters and play an important role in conditions control of the acidity inserted to the
environment. The tamponade effect demonstrated in this work suggests that acid mine drainages in
Quadrilátero Ferrífero may be naturally fixed up by the existence of these lithologies.

xxiii
CAPÍTULO 1
INTRODUÇÃO

1.1- CONSIDERAÇÕES INICIAIS

Os recursos naturais são fundamentais para sustentar o desenvolvimento humano. A


manutenção de sua qualidade é uma questão essencial não só para este desenvolvimento, mas também
de sobrevivência, já que estes constituem-se como a base energética que apoia todos os seres vivos,
incluindo o homem. Entretanto, o contínuo crescimento populacional e a demanda excessiva por
matérias primas apresentam-se como um fator negativo frente à disponibilidade dos recursos naturais.
Na indústria da mineração a tecnologia vem se aperfeiçoando no intuito de minimizar esse conflito. As
técnicas de exploração e beneficiamento de minérios tem se aprimorado, proporcionando o maior
aproveitamento dos bens explorados e a redução dos impactos negativos na natureza.
Concomitantemente, as estratégias de prevenção de impactos e monitoramento ambiental evoluíram e
vêm sendo aplicadas nas empresas do setor, frente às exigências de mercado e aquelas contidas na
legislação ambiental. A manutenção da qualidade dos recursos naturais é, portanto, uma questão de
desenvolvimento e sobrevivência, para que a humanidade construa seu caminho de maneira
sustentável.

Dentre todos os outros setores, a indústria da mineração destaca-se pela sua intima relação
com os recursos hídricos superficiais e subterrâneos, desde as fases iniciais de exploração até o
fechamento de uma mina. Apesar das técnicas de exploração e beneficiamento estarem continuamente
se aprimorando com vistas a proporcionar o maior aproveitamento dos bens explorados e a redução
dos impactos negativos na natureza, estes ainda são muito frequentes. O aumento da turbidez dos rios
pela contribuição de material particulado oriundo das lavras, pinhas de estéril, barragens de rejeitos e
ainda, a alteração dos parâmetros geoquímicos das águas, dos sedimentos de leito e dos sedimentos em
suspensão são algumas das principais contribuições antrópicas que as minas podem provocar nas
bacias hidrográficas nas quais estão inseridas (Ripley et al,. 1996, ANA 2006).

Diante desse aspecto, as águas enquanto “bem natural”, necessitam de instrumentos de gestão
e normatização dos seus usos múltiplos, garantindo o acesso a todos os que dela usufruem, já que se
trata de um bem de uso comum e domínio público. Para tanto, Políticas Nacionais e Estaduais de
Recursos Hídricos vêm sendo editadas por diferentes países uma vez que muitos são os impactos que
as coleções hídricas podem sofrer, promovendo o desequilíbrio dos ecossistemas e comprometendo a
sua utilização. É nessa seara que a geoquímica ambiental lança suas aplicações, proporcionando
técnicas, métodos e conhecimentos que auxiliam na gestão da hidrosfera e dos demais compartimentos
ambientais.

 
Mendonça, F. P. C. Influência da mineração na geoquímica das águas superficiais e sedimentos...

A região do Quadrilátero Ferrífero, no centro sul do estado de Minas Gerais, constitui-se como
uma importante província mineral que vem sendo explorada desde o final do século XVII, quando da
descoberta do ouro na região. Atualmente, destacam-se as jazidas de ferro que contribuem para grande
parte da produção nacional, sendo o Brasil o principal exportador mundial deste minério (IBRAM
2010). Como resultado desta intensa exploração, alterações geoquímicas nos cursos d’água de diversas
bacias hidrográficas nessa região têm ocorrido ao longo dos últimos séculos, associados a minerações
e garimpos. Na atualidade, pesquisas buscam compreender a real dimensão destes impactos e propor
ações mitigadoras para os mesmos (Costa 2001, Borba 2002, Parra 2006, Costa 2007, Guimarães
Silva, 2007, Mendes 2007, Rhodes 2010). Contudo, para se chegar a inferências a respeito de
“impactos ambientais” e “contaminação antrópica” é de suma importância compreender os fenômenos
geológico-geoquímicos que atuam na região, pois anomalias naturais são relatadas em várias
localidades do Quadrilátero Ferrífero como por exemplo, para o arsênio (Matschullat et al.,2000;
Reimann et al., 2009).

Destaca-se desde então a importância do conhecimento geoquímico regional, dado que


concentrações anômalas para alguns elementos químicos nem sempre se estão associadas à
interferência humana, mas ocorrem como um fenômeno da própria natureza. Tais anomalias, porém,
podem ter seu comportamento natural amplificado pela ação do homem, como por exemplo,
aumentando drasticamente o aporte de metais e outros elementos químicos no solo e nas águas.

A bacia hidrográfica do ribeirão Mata Porcos insere-se nesse contexto, na medida em que
incorpora dentre de seus limites territoriais importantes empreendimentos minerários. Localizada na
porção central do quadrilátero, no interior do sinclinal Moeda, a bacia abriga ou abrigou, em razão da
sua diversificada geologia, empreendimentos relacionados à mineração de ferro, manganês, caulim,
ouro e água mineral. Ainda que reconhecidamente uma área em que a mineração possui elevada
significância, a região objeto desse estudo carece de trabalhos mais aprofundados buscando
compreender a relação entre a geologia, as minas e os recursos hídricos, com ênfase nas propriedades
geoquímicas das águas e sedimentos. A partir disso, faz-se necessário suprir tal lacuna, gerando
subsídios para melhorar a gestão dos recursos hídricos na área em questão e em demais áreas em que
tais conhecimentos forem aplicáveis.

1.2- HIPÓTESES

A estrutura e o desenvolvimento desse trabalho fundamentam-se principalmente na


investigação das seguintes hipóteses:

 As concentrações de alguns elementos químicos nas águas e nos sedimentos de rios


em bacias hidrográficas influenciadas pela extração de bens minerais aumentam à jusante dos
empreendimentos; tais modificações são fruto das intervenções causadas por estas atividades no
ambiente, sejam elas antigas ou recentes;

2
Contribuições às Ciências da Terra, série M, volume 71, 131p.

 A explotação de minérios, bem como seu beneficiamento e transporte, mobilizam


material particulado que é carreado para os cursos d’água, elevando a concentração dos sedimentos em
suspensão à jusante dos empreendimentos.

1.3- OBJETIVOS GERAIS E ESPECÍFICOS

O objetivo geral da dissertação reside em avaliar a influência antrópica na qualidade das águas
e sedimentos, investigando as que são exercidas pelas diferentes atividades de mineração localizadas
na cabeceira da bacia hidrográfica do ribeirão Mata Porcos, buscando atender as seguintes
especificidades:

 Delinear o uso e ocupação do alto curso do ribeirão Mata Porcos, em especial as


transformações derivadas das atividades minerarias;

 Caracterizar geoquimicamente as águas e os sedimentos de leito no alto curso da bacia


do ribeirão Mata Porcos, a partir de pontos selecionados estrategicamente para o monitoramento
trimestral;

 Avaliar a contribuição da mineração de ferro, caulim e ouro para a manutenção /


alteração da qualidade das águas superficiais e nos sedimentos;

 Compreender as relações estabelecidas entre a geologia, a geoquímica e as atividades


humanas na área de estudo;

 Contribuir para o monitoramento da qualidade das águas e sedimentos na cabeceira do


rio Mata Porcos, zona de amortecimento de unidades de conservação de proteção integral.

3
CAPÍTULO 2

A MINERAÇÃO E OS RECURSOS HÍDRICOS

2.1- A MINERAÇÃO

Desde os tempos mais remotos, a civilização humana sempre dependeu dos recursos naturais
para o seu desenvolvimento. Nesse aspecto, as relações entre os bens extraídos da natureza e as suas
funções, facilmente podiam ser percebidas pelo homem primitivo que trabalhava os diferentes
materiais para atender as suas necessidades. Na medida em que as civilizações evoluíram, as matérias
primas e suas propriedades foram de grande importância para esse processo, atendendo a demanda das
sociedades. Atualmente, os bens minerais são empregados nos mais diversificados produtos e
aplicações. As substâncias minerais metálicas e não-metálicas, combustíveis fósseis e pedras preciosas
passaram a compor parte da nossa existência, aprimorando e mantendo nossa qualidade de vida, sem
as quais seria impossível manter a modernidade e a tecnologia que usufruímos (Teixeira et al., 2008,
DNPM, 2009).

A mineração é o termo designado para um conjunto de diferentes técnicas e processos, cujo


objetivo maior é a retirada de substâncias minerais dos seus depósitos minerais, encontrados
naturalmente nas mais diversas rochas que compõem a crosta terrestre. Constituem-se minérios,
aqueles corpos minerais e suas associações que podem, em condições economicamente favoráveis,
serem trabalhados pela indústria e utilizados pelo homem. Para tanto, os volumes rochosos que se
encontram nas reservas minerais são inferidos, indicados e medidos. Quanto mais elevado o grau de
concentração da substância de interesse no depósito mineral (teor), mais valiosa será aquela jazida
(Press et al., 2006, Freire, 2009).

Para que as substâncias minerais úteis e economicamente viáveis possam ser retiradas das
rochas e aproveitadas, é preciso que ocorra uma sequência de eventos para torná-las disponíveis. Em
geral, as atividades de mineração ocorrem em seis estágios sucessivos que podem acontecer ou não,
dependendo do tipo de minério, da localização da jazida, da tecnologia disponível, do investimento, da
energia necessária, da disponibilidade de mão de obra, entre outros. As etapas incluem a pesquisa
mineral, o desenvolvimento da mina, a explotação do minério, o beneficiamento, o processo
metalúrgico e o descomissionamento (Ripley et al., 1996).

No Brasil, a indústria da mineração experimentou um expressivo crescimento nos últimos 10


anos. A procura maior por minerais a partir do ano 2000, principalmente pelo elevado índice de
crescimento mundial, impulsionou o valor da produção brasileira, que aumentou aproximadamente
400 % nesse período (IBRAM, 2010). O país é um dos maiores produtores e exportadores de minérios
assumindo na posição mundial, a liderança na exportação do minério de ferro e nióbio. Em segundo

 
Mendonça, F
F. P. C. Influên
ncia da mineraação na geoquíímica das águaas superficiais e sedimentos....

lugar enconntram-se o manganês,


m a bauxita e a tantalita. O setor da min
neração respponde por mais de
50% do salddo da balançça comercial brasileira, teendo o minérrio de ferro como
c o prim
meiro lugar na
n lista
de produtoss que geram as
a maiores reendas nas expportações brrasileiras (IBRAM, 2010)).

OE
Estado de Miinas Gerais possui
p sua hhistória de deesenvolvimen
nto vinculadda às atividad
des de
mineração. A região connhecida com
mo Quadriláteero Ferrífero hospeda um
m conjunto dee rochas arqu
ueanas
e paleoprotterozóicas quue vem send
do exploradaas desde o final
f do sécu
ulo XVII poor abrigar grrandes
jazidas minnerais de inteeresse econôm
mico, tais coomo o ferro, alumínio, ouro, mangannês e pedras semi-
preciosas, ddentre outroos. Minas Gerais
G é o maior estad
do produtor do país, dde acordo com
c o
recolhimentto da Compeensação Finan
nceira pela E
Exploração de
d Recursos Minerais
M –C
CFEM (figuraa 2.1),
sendo o ressponsável poor 48% de toda a produçãão nacional de minérios (IBRAM, 22010). A produção
caracteriza--se tanto pelaa diversidadee de substânccias, como peelos métodoss de extraçãoo e beneficiam
mento
empregadoss. As lavras apresentam-se nas mais diversas form
mas: desde pequenos
p gar
arimpos artessanais,
aos mais sofisticados méétodos aplicaados por granndes empresas do setor (SINDIEXTR
RA, 2011).

Figura 2.1- P
Principais estados brasileiros produtoress de minérios no
n ano de 201
10 de acordo ccom o recolhiimento
da CFEM – C Contribuição Financeira
F pela Exploraçãoo de Recursos Minerais.

2.2- IMP
PACTOS AMBIENT
TAIS DA MINERA
AÇÃO SO
OBRE OSS RECUR
RSOS
HÍDRICO
OS

As minas posssuem geralm


mente uma ação pontuaal em áreass relativameente pequenaas, se
comparadass, por exempplo, com a pecuária exxtensiva e co
om a agricu
ultura. Entreetanto, a principal
característicca é que durante a extraçção dos minéérios, inevitaavelmente é produzido uum grande vo
olume
de material indesejado (estéreis e reejeitos), connstituindo-se uma preocu
upação nesse tipo de indú
ústria,
tanto pela ddificuldade em
e alocá-lo, quanto peloo seu potenciial para prod
duzir efeitos adversos ao
o meio
ambiente (R
Ripley et al., 1996).

6
Contribuições às Ciências da Terra, série M, volume 71, 131p.

Em minas a céu aberto, na medida em que as lavras se desenvolvem, as cavas (figura 2.2 – a)
se aprofundam acompanhando o mergulho dos corpos minerais. Todo o material que não é
aproveitado denominado de estéril (figura 2.2 – b) vai sendo depositado próximo a estas, formando
novas feições morfológicas no terreno. De modo semelhante, as barragens de rejeito (figura 2.2 – c)
transformam os ambientes fluviais, inundando áreas com a lama proveniente da etapa do
beneficiamento a úmido (figura 2.2 – d).

De acordo com Farias (2002), os principais impactos resultantes da atividade de mineração


podem ser classificados em: subsidência do terreno, poluição sonora, poluição do ar e poluição das
águas. Ao conjunto de efeitos indesejáveis, dá-se o nome de externalidades. Além disso, durante todo
o processo de mineração, o relevo natural se altera formando feições antropogênicas na paisagem.
Ressalta Salomons (1995) que no caso da mineração, a erosão das pilhas de estéreis, os rejeitos das
operações de beneficiamento e a drenagem ácida constituem-se como as fontes responsáveis pela
emissão de metais no ambiente. Os processos de desmonte das rochas nas cavas, seu transporte até as
usinas de beneficiamento e a etapa de fragmentação da rocha respondem por grande parte das
emissões atmosféricas em áreas de mineração (Ripley et al., 1996). As minas não são os únicos meios
responsáveis pela disponibilidade de metais, pois outras atividades antrópicas também têm mobilizado
grandes quantidades de elementos, desequilibrado os ciclos biogeoquímicos naturais do planeta.

a) Cava

d) Planta de beneficiamento

c) Barragem de rejeitos

b) Pilhas de estéril

Estruturas das minas: e) contenção de material fino


íntima relação com os
cursos d’água

Figura 2.2- Desenho esquemático das principais estruturas encontradas em uma mina do tipo céu aberto,
evidenciando sua relação com os cursos d’água. Em a) cava; em b) pilhas de estéril, em c) barragem de rejeitos;
em d) planta de beneficiamento de minérios; em e) diques de contenção de material fino. Adaptado de Förstner
& Salomons (1995).

7
Mendonça, F. P. C. Influência da mineração na geoquímica das águas superficiais e sedimentos...

Embora existam locais onde as ocorrências geológicas naturais contribuam para um valor alto
de “background” geoquímico para determinados elementos, o enriquecimento destes nos corpos
d’água e nos sedimentos são claramente potencializados pelas atividades antrópicas, dentre elas, a
mineração. É notório que os empreendimentos minerários destacam-se, dentre todos os outros setores,
pela sua intima interação com os recursos hídricos superficiais e subterrâneos. As relações das
atividades de lavra com a hidrosfera iniciam-se na fase de desenvolvimento da mina e permanecem até
o seu fechamento (ANA, 2006). Não obstante, em muitos casos, os parâmetros de qualidade das águas
precisam ser frequentemente monitorados até mesmo com o encerramento das atividades da
mineração.

Durante o processo de extração e beneficiamento, as águas provenientes da chuva, dos


córregos e dos aqüíferos, assim como as utilizadas em todas as operações e setores da mina, são
potencialmente passíveis de sofrerem alterações e causarem impactos nos ecossistemas. Na etapa de
extração, os efluentes têm sua origem e composição relacionadas ao escoamento superficial das águas
pluviais que entram em contato com o material rochoso e mobilizam os produtos da oxidação, redução
e dissolução dos minerais, incluindo ácidos, bases e metais; aos óleos e graxas que escorrem dos
maquinários e ao esgotamento sanitário das instalações de pessoal. Já no beneficiamento, as águas
usadas nas usinas são geralmente encaminhadas a barragens de rejeitos, podendo concentrar elementos
maiores, menores e traço (Ripley et al,. 1996; Salomons, 1995).

Nas águas superficiais, além dos problemas químicos, outros efeitos indesejáveis são aqueles
relacionados aos fenômenos de erosão e transporte. A remoção da cobertura vegetal torna as encostas
e os solos mais expostos, desagregando material que fica disponível para ser levado pelo escoamento
superficial. A água, ao entrar em contato com o minério e as rochas associadas, possui a capacidade de
carregar consigo o material particulado. Caso estes atinjam os rios ou lagos, efeitos indesejáveis na
turbidez e assoreamento do corpo receptor podem ocorrer, causando alterações nos parâmetros de
qualidade e efeitos tóxicos nos organismos aquáticos (Ripley et al., 1996).

O conhecimento dos mecanismos pelos quais os elementos químicos se relacionam com os


sedimentos do leito e com as águas dos rios fornecem informações do quanto às águas em torno desse
material estão sujeitas às contaminações, que podem surgir, em muitos casos, derivadas de mudanças
nas condições físico química do curso d’água (Hutchinson et al,. 2008). A mobilidade dos metais e de
outros elementos químicos depende de uma rede mais ou menos complexa de interações entre reações
químicas, bem como de fenômenos de coagulação e floculação das partículas. Hidrólises e
complexações dissolvidas tendem a aumentar a solubilidade dos metais, enquanto a precipitação e a
adsorção irão diminuir sua disponibilidade e transporte no sistema água-sedimento (Förstner &
Salomons 1995).

8
Contribuições às Ciências da Terra, série M, volume 71, 131p.

A Análise dos sedimentos pode ser utilizada para determinar fontes de poluentes, pois ao
serem despejados nas coleções hídricas, muitos elementos químicos não permanecem em solução, pois
são agregados ao compartimento sedimentar (Förstner, 2004). Uma ideia da mobilidade relativa dos
elementos no ambiente superficial pode ser fornecida com as análises de PH e o potencial oxi-redução
– Eh do meio. A fração biodisponível pode ser avaliada por metodologias de extração química
sequencial (Quináia et al., 2009, Pereira et al., 2007).

As águas subterrâneas por sua vez, em cavas onde o nível do aquífero é atingido, são
bombeadas para fora da área de lavra e podem se apresentar inadequadas para serem lançadas
diretamente na rede hidrográfica natural. Comumente, comunidades adjacentes as áreas de mineração
necessitam serem abastecidas por estas mesmas águas. O esgotamento de nascentes pelo rebaixamento
do aqüífero é outro problema relacionado às interferências nas águas subterrâneas (ANA 2006). Como
medida ambientalmente sustentável, muitas minas já reutilizam águas que seriam descartadas como
efluentes, reaproveitando-as no próprio beneficiamento e consumo do empreendimento.

A preocupação com a qualidade ambiental em bacias hidrográficas associadas às atividades de


exploração mineral é atual e relevante. A melhor forma de assegurar os usos múltiplos desse recurso é
através de programas de monitoramento da qualidade das águas e dos sedimentos em bacias
hidrográficas. Estes servem ainda como subsídios para o planejamento das ações de manutenção da
saúde dos mananciais e das populações que deles se utilizam. Para ABNT (1987), quando é
implementando um monitoramento com o objetivo de avaliar as variações dos padrões de qualidade,
devem ser escolhidos pontos de amostragem nos locais onde a propabilidade de ocorrência da
alteração seja maior, ou seja, a montante e a jusante do lançamento de efluentes e do próprio
empreendimento. Diante de tal aspecto, os planos de controle ambiental – PCA de minas
devidadmente licenciadas, assumem pontos de controle de parâmetros da qualidade das águas
superficiais e subterrâneas em nascentes e poços, a montante e a jusante dos seus empreendimentos
(Gerdau Açominas, 2009; SAFM Mineração, 2010a; Vale, 2010).

Essa metodologia de amostragem é utilizada não só no Brasil, mas também em outros países.
Krishnaswamy et al. (2006), utilizaram metodologia semelhande na escolha de pontos amostrais, ao
avaliar a concentração de sedimentos em suspensão em um trecho de rio influenciado por uma
mineração de ferro no rio Bhadra (Índia). Os autores observaram que a concentração de sedimentos
em suspensão à jusante da mina foi significativamente maior do que a montante. O aumento na
concentração dos sedimentos em suspensão foi atribuído ao maior aporte de sólidos que chegam até os
rios, sendo este, promovido pela atividade da mina. Em Moçambique, Chilundo et al. (2008)
propuseram uma rede de monitoramento na segunda maior bacia do continente africano, avaliando
parâmetros físicos, químicos e biológicos. Eles encontraram concentrações de Zn, Cu, Cd, e Fe acima
dos limites legais permitidos para a região em uma sub bacia do rio Limpopo, cuja origem parece estar
associada ao transporte de sedimentos ao longo do canal, vindos de minerações à jusante do ponto de
9
Mendonça, F. P. C. Influência da mineração na geoquímica das águas superficiais e sedimentos...

monitoramento. No Vale do rio Gyama, localizado na região oeste do Tibet, por exemplo, Huang et al.
(2010) avaliaram a qualidade química dos mananciais através da análise das águas e dos sedimentos
na região onde existem minas de cobre e ferro. Os autores demonstraram por meio de um índice de
risco ambiental que as altas concentrações de Cu, Pb, Zn, Mn, Fe e Al nas águas superficiais e nos
sedimentos de fundo das partes altas e médias do vale, representam um risco para o meio ambiente
local. Os dados sugerem que as contaminações aparentam ser de origem natural, e ainda,
potencializadas pela contribuição das atividades minerárias. Outro exemplo de impactos dessa
magnitude foi demonstrado por Loredo et al. (2010) que, ao monitorarem a qualidade das águas em
Austurias no noroeste da Espanha, observaram a presença de anomalias hidroquímicas na bacia do rio
Caudal, cujas águas drenam minas de mercúrio. Através do monitoramento de parâmetros físico-
químicos e da concentração de elementos maiores e traço nas águas, os autores utilizaram a análise
estatística multivariada (cluster, análise discriminante e outras) comparando pontos localizados a
montante e a jusante do principal distrito metalúrgico na região. Foi demonstrado que nas drenagens
das minas e nos produtos da lixiviação de montes de rejeito podem ocorrer condições de grande acidez
contendo arsênio, causando a contaminação dos tributários do rio Caudal.

Diante do exposto, a geoquímica ambiental por meio da análise de qualidade das águas e
sedimentos é uma excelente ferramenta na investigação das reações e processos que afetam a
distribuição e a circulação de espécies químicas nos ambientes fluviais. Já as ferramentas estatísticas
são os meios pelos quais os dados são agrupados, comparados e interpretados (Vasconcelos et al.,
2009).

2.2.1- Impactos da exploração do ferro

O ferro é um dos elementos mais abundantes na crosta terrestre. Sua presença como
componente essencial, é marcada em vários minerais e rochas. Entretanto, apenas alguns minerais
possuem o ferro em concentrações mais altas, como por exemplo: hematita (Fe2O3), magnetita
(Fe3O4), goethita (FeOOH) e siderita (FeCO3). Os itabiritos constituem-se como as rochas com os
maiores depósitos desse mineral. A principal aplicação é a fabricação de aço e ferro fundido pelas
indústrias do setor (DNPM 2009).

Os principais distúrbios associados à mineração de ferro são atribuídos ao método de


explotação em cavas a céu aberto. As lavras se desenvolvem pelo sistema de bancadas, onde o
desmonte das rochas é efetuado com explosivos, escavadeiras e transporte em caminhões fora de
estrada, resultando na emissão de material particulado nos compartimentos ambientais (atmosfera e
hidrosfera). O trânsito de caminhões, veículos e máquinas por vias de acessos e áreas não
pavimentadas é responsável pela maior parte das emissões, pois o material particulado entra
facilmente em suspensão ao ser revolvido pela movimentação das máquinas. O beneficiamento a
úmido dos minérios exige a construção de barragens de rejeito para destinar as águas utilizadas no

10
Contribuições às Ciências da Terra, série M, volume 71, 131p.

processo. Estas águas podem conter elementos maiores, menores e traço que, se dispostos
inadequadamente, são mobilizados para rios, aqüíferos, sedimentos e solos (Ripley et al. 1996).

Apesar do rejeito gerado pelo processo de beneficiamento do minério de ferro ser classificado
como inerte ou de baixa toxicidade pela ABNT (2004), foi demonstrado que o efluente produzido é
capaz de provocar doenças em peixes (Payne et al., 2001). O estudo realizado por estes autores
consistiu em examinar trutas em uma lagoa influenciada por rejeitos advindos do beneficiamento do
ferro (magnetita e hematita) no Canadá. Os teores de Fe na água da lagoa chegam até 279 µg/L. Foram
observados danos no material genético (oxidação do DNA), bem como deficiência na produção da
vitamina A destes animais quando comparada com peixes da mesma espécie em outra lagoa, com
níveis menores do mesmo efluente. Para os mesmos autores, a evidência desta patologia pode indicar
às agências reguladoras do meio ambiente, que níveis para o limite toxicidade dos rejeitos do minério
de ferro podem ser menores do que se acredita. Resíduos de mineradoras de ferro em barragens foram
avaliados por Basílio (2005) na região leste-sudeste do Quadrilátero Ferrífero, cuja comparação entre
teores dos metais encontrados nos sedimentos com os teores dos minérios, demonstrou enriquecimento
de metais no material das barragens. Tal acréscimo, sugere o potencial de contaminação deste material
para o ambiente adjacente. O impacto da mineração de ferro em uma bacia hidrográfica tropical foi
demonstrado no estudo desenvolvido por Krishnaswamy et al. (2006), ao avaliarem a resposta da
carga sedimentar em suspensão nos monitoramentos realizados no rio Bhadra e seus tributários,
sudoeste da Índia. Os resultados apontam que mais de 50% dos sedimentos vêm dos territórios
influenciados pela mina de ferro, além de sugerir, por meio de dados históricos secundários, que o rio
tem transportado muito mais sedimentos após a implantação do empreendimento do que antes da sua
existência. As evidências foram observadas pela instalação de pontos de monitoramento a montante e
a jusante da mina, sendo que a jusante, foram sempre observados valores de concentração superiores
na carga sedimentar em suspensão transportada pelo rio.

Embora impactos possam ocorrer devido à presença de minas de ferro, em Marabasco, costa
pacífica do México, a influência da mineração aparenta não exercer impactos negativos nos
sedimentos superficiais do sistema rio-estuário. As amostras foram coletadas e analisadas por meio de
extração total e sequencial por Marmolejo-Rodríguez et al. (2007). Os autores demonstram que o
conteúdo total de todos os elementos no estudo são mais baixos, se comparados com outras áreas
costeiras do mundo, impactadas por minérios metálicos. O índice de enriquecimento do sedimento,
calculado com a utilização do alumínio como elemento normalisante, foi utilizado para o
estabelecimento dos níveis de “background” para os elementos Al, Cd, Co, Cu, Fe, Ni, Pb e Zn no
sistema. Os dados demonstram que as concentrações de ferro encontradas são bem menores do que em
outras áreas afetadas pelo mesmo tipo de mineração.

11
Mendonça, F. P. C. Influência da mineração na geoquímica das águas superficiais e sedimentos...

2.2.2- Impactos da exploração do ouro

O ouro é um dos poucos metais na natureza que pode ser encontrado no seu estado nativo
(Au). Nos depósitos minerais ele se apresenta denso, com uma cor amarela e brilhante. Suas
propriedades o tornam maleável e dúctil. Sendo assim, emprega-se a composição de ligas,
normalmente expressa em quilates, o que indica a quantidade do ouro em um total de 24 partes de
metal. Uma liga muito utilizada na fabricação de jóias é o ouro 18 quilates, formado por 75% de ouro,
10% a 20% de prata e 5% a 15% de cobre (DNPM 2009).

A extração e beneficiamento do ouro destacam-se por duas formas bem distintas na


atualidade: a produção formal realizada por grandes empresas do setor e a de caráter mais informal,
realizada por garimpeiros e com técnicas rudimentares (DNPM 2001). Na produção formal, as lavras
desenvolvem-se tanto em minas subterrâneas quanto em cavas a céu aberto. A preparação inicial do
minério envolve a explotação, britagem, peneiramento, moagem e a classificação. A etapa de
beneficiamento do ouro tem como objetivo fundamental a recuperação do metal, pois este ocorre em
baixas concentrações. De uma maneira geral, o beneficiamento compreende processos gravíticos,
hidrometalúrgicos por lixiviação, seguidos por recuperação de ouro em soluções contendo cianeto,
além dos processos de concentração por flotação, que consistem em separar o ouro por flutuação, por
meio da afinidade iônica do metal com os reagentes utilizados. Os principais problemas desta
atividade se relacionam com a grande quantidade de estéril produzida (relação de gramas de minério
por tonelada de material estéril), pela possibilidade de gerar drenagens ácidas (oxidação dos sulfetos),
pela liberação de arsênio, quando presente em rochas ricas em sulfetos (pirita, arsenopirita, etc.), e
pelo efluente rico em compostos químicos (Ripley et al., 1996; Trindade et al., 2002). Nos garimpos, é
empregado o uso do mercúrio para a recuperação do ouro. A formação de uma amálgama, devido à
grande afinidade entre os dois elementos, forma compostos intermetálicos. A decomposição da
amálgama é feita pelo aquecimento com tochas para volatizar o mercúrio, formando uma esponja de
ouro. O aumento da turbidez nos cursos d’água, a contaminação dos solos, sedimentos e águas e a
exposição dos trabalhadores às condições insalubres, constituem-se como os impactos mais
significativos dessa atividade (Trindade et al,. 2002).

A tecnologia e organização das lavras de ouro nos séculos XVIII e XIX serão apresentadas,
uma vez que este projeto de pesquisa se desenvolve em um complexo arqueológico que guarda
evidências expressivas da extração e beneficiamento nesse período. Não foram encontrados vestígios
de exploração atual de ouro na área de estudo, entretanto, notam-se impactos decorrentes das catas
antigas e estruturas correlatas, documentados no trabalho de Guimarães (2010). As jazidas exploradas
nessa época constituíam-se principalmente em dois tipos: o aluvião, contendo as partículas
desagregadas do ouro em meio ao cascalho, areia e terra e o filão, onde o metal aparece em veios nas
rochas auríferas. Os sedimentos aluvionares, depositados nos fundos dos rios, nas margens e nos
terraços envolvia o deslocamento de grandes massas de sedimentos produzindo alterações
12
Contribuições às Ciências da Terra, série M, volume 71, 131p.

significativas na morfologia dos canais explorados e no próprio relevo. Era comum o desvio dos
cursos originais dos córregos para se explorar os sedimentos do leito com mais eficácia. As catas
desenvolviam-se como cavas a céu aberto, geralmente em planícies e terraços aluviais com pouca ou
nenhuma tecnologia, aprofundando-se em forma de funil produzindo verdadeiros buracos no terreno, o
que deu origem a processos erosivos. O decapeamento das áreas de lavra compreendia a completa
retirada da cobertura vegetal e a remoção da canga ou do solo, o que pode ter originado o
desnudamento de vertentes inteiras. A adução da água para a lavra era fundamental no processo de
desmonte e beneficiamento; para tanto, canais eram construídos acompanhando curvas de nível para
levar a água às regiões mais elevadas, uma vez que findo o ouro nos aluviões, galerias eram abertas
para retirar o ouro dos veios nas rochas (Martins, 1989; Guimarães; 2010).

A contaminação histórica por mercúrio derivada da exploração artesanal de ouro foi


demonstrada por Tinôco (2008) em Minas Gerais, quando trabalhadores rurais do município de
Descoberto relataram a presença do elemento aflorando na superfície do solo. A autora sugere que a
contaminação ocorreu por antigos garimpos que existiram na região durante o século XIX. A análise
das águas e sedimentos demonstrou a contaminação por mercúrio nas amostras, em níveis não
preocupantes. No córrego Rico, região noroeste do estado de Minas Gerais, atividade garimpeira
histórica vêm sendo desenvolvida desde o século 18. Recentemente, nos anos 80, nova atividade de
garimpo se desenvolveu no fundo do córrego com o grande aporte de trabalhadores em busca de ouro.
Contudo, a avaliação geoquímica das águas e dos sedimentos desenvolvidas por Gurgel (2007)
apresentou valores dos cátions cálcio, magnésio, ferro manganês e potássio nas águas, dentro dos
limites estabelecidos pela legislação brasileira. Acréscimos nos valores obtidos na época de seca foram
relacionados com os garimpos e lançamento de esgotos. Nos sedimentos, anomalias de Cu e Zn foram
relatadas e associadas a contribuição antrópica. Para o Hg, este apresentou concentração uniforme,
exceto em algumas áreas pontuais de desenvolvimento de atividade garimpeira. O autor relata que os
fatores de contaminação estudados encontram-se abaixo do valor controle, sendo que os índices de
geoacumulação classificaram os sedimentos como não poluídos a moderadamente poluídos.

2.2.3- Impactos da exploração do caulim

Caulim é uma denominação genérica para o minério constituído por silicatos de alumínio,
tendo geralmente a caulinita (Al2O3-2SiO2-2H2O) como o mineral mais abundante, podendo conter
outras substâncias sob forma de impurezas como, por exemplo, quartzo, palhetas de mica, grãos de
feldspato, óxidos de ferro e titânio (Silva et al,. 2001). O processo de obtenção do caulim é o de lavras
a céu aberto. Após a remoção do minério, da retirada do estéril e da remoção da areia, o material é
disperso em água e transportado até o beneficiamento. Nessa etapa, ocorre a centrifugação, a remoção
de ferro por separação magnética e o branqueamento químico. O produto final é obtido a partir da
filtração e secagem (DNPM 2009).

13
Mendonça, F. P. C. Influência da mineração na geoquímica das águas superficiais e sedimentos...

O caulim tem muitas aplicações industriais e novos usos estão sendo constantemente
pesquisados e desenvolvidos. Suas principais aplicações são na indústria de papel e na fabricação de
pastas cerâmicas. Em menor escala, o caulim é usado na fabricação de materiais refratários,
fertilizantes, e outros. Os principais produtores de caulim do Brasil são os Estados do Pará e Amapá,
representando 70% da produção nacional. O restante se divide entre São Paulo, Espírito Santo, Santa
Catariana e Minas Gerais (Silva et al., 2001).

As principais consequências ambientais da extração do caulim e de outras argilas referem-se


aos distúrbios superficiais causados por minerações a céu aberto, a alteração dos sistemas de
drenagens natural e a produção excessiva de material particulado. Os sedimentos ficam disponíveis
para sofrerem a ação dos agentes de transporte, seja a água ou o vento. O assoreamento de cursos
d’água e a erosão das encostas configuram-se como os principais problemas dessa atividade (Ripley et
al., 1996; Picarelli et al., 2008).

O beneficiamento do caulim é necessário para retirar as impurezas que estão associadas ao


minério. Durante o tratamento, substâncias químicas contendo metais pesados são utilizadas para
promover a retirada do ferro e o clareamento do produto. Os efluentes gerados são ricos em Fe, Al, Zn
e Cd que ao serem dispostos sem tratamento prévio, podem atingir os corpos d’água superficiais
alterando a qualidade das águas. Quando o teor de Fe ultrapassa os limites que comprometem a
qualidade do caulim, o Zn é utilizado para a remoção excesso (Silva et al., 2001).

Anomalias geoquímicas associadas aos elementos alumínio, ferro, manganês, zinco e sulfato
foram relatadas em uma área de mineração de caulim no município de Mogi das Cruzes no estado de
São Paulo, conforme apresentado no trabalho de Terrell (2007). A autora avaliou a qualidade das
águas subterrâneas na área da mina, sugerindo que a disposição inadequada dos rejeitos foi a
responsável por contaminar o aquífero e lagoas artificiais com o sulfato e o zinco. Embora o ferro o
manganês e o alumínio serem próprios da geologia regional, a produção de efluentes ácidos pode
favorecer a mobilização destes metais.

2.3- MINERAÇÃO E RECURSOS HÍDRICOS NO QUADRILÁTERO FERRÍFERO

O Quadrilátero Ferrífero situa-se na região centro sul do estado de Minas Gerais, abrangendo
uma área aproximada de 7.200 km2. A nomenclatura tem origem na configuração das serras que
delimitam o local, pois estão dispostas em formato poligonal e abrigam grandes reservas de minério de
ferro. Nesta região estão hospedadas duas grandes bacias hidrográficas brasileiras: a bacia do rio Doce
e a bacia do rio das Velhas (afluente do rio São Francisco). O conflito de uso dos recursos naturais e a
preocupação com a qualidade das águas dessa região é pertinente, na medida em que as atividades
antrópicas avançam sobre a natureza. Cita-se aqui, como exemplo, a expansão imobiliária concentrada
no eixo sul da capital do estado por condomínios de alto padrão, o crescimento das manchas urbanas
em toda a região e ainda, a mineração em atividade e expansão. Tais fenômenos são tidos como os

14
Contribuições às Ciências da Terra, série M, volume 71, 131p.

principais causadores das não conformidades ambientais na cabeceira do rio das Velhas conforme
relatado no seu Plano Diretor de Recursos Hídricos (Camargos, 2005).

Estudos na região do Quadrilátero Ferrífero têm demonstrado que existe a relação entre
atividades antrópicas, incluindo a mineração, e a alteração de padrões de qualidade em mananciais.
Serão apresentados em sequencia, os alguns dos diversos trabalhos que foram desenvolvidos em
bacias hidrográficas da região.

No final dos anos 70 a pesquisa por halos geoquímicos anômalos de elementos calcófilos foi
realizada em todo o território do Quadrilátero Ferrífero, em especial nos horizontes estratigráficos do
Supergrupo Minas (Oliveira et al,. 1979). Cerca de 1550 amostras obtidas a partir de diferentes
matrizes, tais como: rochas, solos e sedimentos de leito foram coletadas. Concentrações de As, Au,
Cu, Fe, Mn, Pb, Sb e Zn nas frações finas dos sedimentos foram determinadas por meio de Absorção
Atômica. Embora de caráter prospectivo para minérios, o estudo fornece hoje uma importante fonte de
avaliação do “background” regional, contribuindo significativamente para estudos ambientais. Tal fato
representa o reflexo da época das coletas (ano de 1978), onde muitas das minas na região não haviam
sido abertas ou estavam na fase inicial de operação. Semelhantemente, o adensamento urbano e as
interferências antrópicas eram bem menores.

No rio Gualaxo do Norte (bacia do Rio Doce), o trabalho desenvolvido por Costa (2001)
demonstrou por meio do estudo das águas e dos sedimentos que as características geoquímicas da
bacia sofrem interferências das minas de ferro (Timbopeba, Samarco e Samitri) e dos garimpos de
ouro (Antônio Pereira e Paracatu de Baixo). Valores anômalos de alcalinidade, sulfato, sódio,
condutividade elétrica e sólidos totais dissolvidos, assim como altos teores de ferro e manganês, estão
associados ao arcabouço geológico da região e influenciados pelas emissões antropogênicas de
elementos químicos. Em análise mais recente deste mesmo rio, Rhodes (2010) demonstrou que
existem teores consideráveis de mercúrio (0,14 – 0,53 mg/kg) e arsênio (8,6 – 82,4 mg/kg) nos
sedimentos, mesmo com a diminuição das atividades de garimpo de ouro. A presença da goethita
como um dos maiores componentes no sedimento do rio, demonstra que este também vem sofrendo
com a influência das minas de ferro, conforme já relatado no trabalho de Costa (2001). Para Rhodes
(2010), as águas mantiveram a maioria dos parâmetros analisados dentro dos valores máximos para a
classe I e II1 estabelecidos pela legislação (CONAMA, 2005).

As bacias hidrográficas do rio das Velhas, rio do Carmo e rio Conceição também já foram
investigadas em relação a concentração de arsênio nos sedimentos. Este elemento foi disponibilizado
para o ambiente ao longo dos mais de trezentos anos de mineração, desenvolvida em importantes

1
As classes de qualidade das águas definidas na Resolução do Conselho Nacional de Meio Ambiente –
CONAMA representam um conjunto de condições e padrões de qualidade físicos, químicos e microbiológicos,
cuja qualificação tem por finalidade o atendimento aos usos preponderantes, atuais ou futuros de um corpo
d’água.
15
Mendonça, F. P. C. Influência da mineração na geoquímica das águas superficiais e sedimentos...

distritos auríferos destas bacias (Borba 2002). A concentração de As em sedimentos chega a


ultrapassar 4.000 mg/kg em alguns locais e, estima-se que mais de 390.000 toneladas tenham sido
mobilizadas nesses três séculos no Quadrilátero Ferrífero. O autor sugere o monitoramento das águas
superficiais e subterrâneas como prevenção ao consumo de águas contaminadas. O estudo demonstra
que o arsênio se apresenta como uma anomalia natural presente nas rochas da região, sendo liberado
pela oxidação da arsêniopirita.

Em outro estudo no rio Conceição, Parra (2006) demonstrou que existem não só elevadas
concentrações de As, mas também de Zn e Cu em sedimentos. Estas concentrações foram observadas
à montante do rio, sendo associadas pelo autor com minerações de ouro. As águas apresentaram
concentrações dentro dos parâmetros legais para a classe I e II (CONAMA, 2005) na maioria dos
locais amostrados no estudo, exceto para três pontos com concentrações elevadas dos metais
dissolvidos Fe, Ni, Pb e Cr, as quais foram relacionadas pelo autor com às atividades minerarias.

Na bacia do rio Caraça, um dos tributários do rio Conceição, Mendes (2007) classifica a bacia
em três compartimentos distintos, conforme sugerido pelos dados geoquímicos analisados no seu
estudo. Na área mais preservada, a contribuição das litologias nas características geoquímicas é a mais
expressiva, tendo uma única anomalia relacionada ao teor de alumínio. Já nas áreas ocupadas por
minerações, o aumento nas concentrações de ferro e manganês foram observados e se relacionam com
minas de serpentinito, dunito e a barragem de rejeitos da mina de ouro Córrego do Sítio.

A avaliação de sedimentos das planícies de inundação e dos terraços aluviais no ribeirão do


Carmo realizada por Costa (2007) demonstrou a existência de formas químicas de As, Cu e Zn que
podem ser facilmente solubilizadas e disponibilizadas para os organismos vivos. Os elementos As, Cd,
Cu e Zn respondem pelo maior fator de risco ambiental em sedimentos finos e grosseiros da região. De
acordo com a autora, a concentração de As, Cd, Cr, Cu, Li e Zn encontrados nas planícies de
inundação estão em níveis preocupantes, uma vez que estas podem se constituir como fontes
secundárias de contaminação do rio.

Grande parte do Quadrilátero Ferrífero é hoje reconhecida pelo poder público como uma Área
de Proteção Ambiental denominada de APA Sul. Sua nomenclatura faz referência à localização
geográfica em relação a capital do Estado de Minas Gerais, Belo Horizonte. Em seus 162.532 ha de
área, Machado & Cunha (2005) avaliaram amostras de águas superficiais e sedimentos de leito nas
bacias do rio das Velhas, Paraopeba e Piracicaba. Os autores verificaram altas concentrações de Fe e
Mn dissolvidos nas águas, além de pontos com valores acima dos permitidos pela legislação brasileira
para os elementos As, Cu e Ni e íons sulfato e fosfato. Os sedimentos de leito analisados no estudo
também apresentaram concentrações elevadas de As, Cd, Cr, Cu, Fe e Mn sugerindo contribuições
antrópicas e anomalias naturais relacionadas às ocorrências geológicas do local. Valores de
background geoquímico para os elementos As, Cr, Cu, Fe, Mn, Ni, Pb e Zn foram definidos. A faixa

16
Contribuições às Ciências da Terra, série M, volume 71, 131p.

de concentração foi recuperada da base de dados analíticos da Companhia de Pesquisa e Recursos


Minerais – CPRM, especialmente a partir do trabalho desenvolvido por Oliveira et al. (1979).

Diante de todo o exposto, é notório que as minas e os garimpos exercem influência em


diferentes escalas na geoquímica de águas e dos sedimentos. A investigação desses parâmetros fornece
informações sobre a dinâmica do uso e intervenção do solo nas bacias hidrográficas, caracterizando a
necessidade de pesquisas em áreas não investigadas e monitoramento constante naquelas áreas cujas
atividades de mineração são desenvolvidas.

17
CAPÍTULO 3

METODOLOGIA

3.1- CONSIDERAÇÕES INICIAIS

O desenvolvimento deste trabalho envolveu as seguintes etapas: formulação da hipótese, o


delineamento dos objetivos, a revisão bibliográfica, a produção cartográfica para a caracterização da
área de estudo, a definição de metodologias de amostragem e análise, o tratamento estatístico dos
dados e a apresentação dos resultados para discussão e conclusão. Uma visão geral de todo processo é
apresentada na forma de um fluxograma (figura 3.1). Nesse capítulo, serão descritas as metodologias
utilizadas. INFLUÊNCIA DA MINERAÇÃO NA GEOQUÍMICA DAS ÁGUAS SUPERFICIAIS E DOS
SEDIMENTOS NO ALTO CURSO DA BACIA DO RIBEIRÃO MATA PORCOS,
QUADRILÁTERO FERRÍFERO – MINAS GERAIS

Revisão bibliográfica, formulação de


hipóteses e delineamento dos objetivos

Produção cartográfica, escolha de


metodologias e de pontos de coleta

ÁGUA SEDIMENTO

Amostragem

Análises in situ: PH, Eh, condutividade,


Coleta de aproximadamente 2 kg em sacos
resistividade, sólidos totais dissolvidos,
plásticos virgens para secagem em estufa
turbidez, temperatura e oxigênio
(± 40°c), quarteamento e peneiramento
dissolvido

Frascos de 30 Granulometria
ml filtrados e Frascos de 1000 e mineralogia
acidificados ml água natural (DRX)

Análise de Análise de Digestão por


elementos por ânios: HCO3-, microondas
ICP-OES: Al, SO4-2, Cl- EPA3051
As, Ba, Be, Ca,
Cd, Co, Cr, Cu,
Fe, K, Li, Mg,
Mn, Mo, Na, Ni, Análise de
Pb, Sc, Sr, Ti, Organização dos elementos por
V, Zn dados ICP-OES: Al,
As, Ba, Be, Bi,
Ca, Cd, Co, Cr,
Cu, Fe, K, Li,
Mg, Mn, Mo,
Na, Ni, Pb, Sb,
Tratamento estatístico, resultados, Sc, Sr, Ti, V,
discussão e conclusão da dissertação Zn, Zr

Figura 3.1- Fluxograma geral das etapas desenvolvidas ao longo do trabalho.

 
Mendonça, F. P. C. Influência da mineração na geoquímica das águas superficiais e sedimentos...

3.2- PRODUÇÃO CARTOGRÁFICA

A análise cartográfica é uma prática necessária no âmbito das ciências naturais, pois facilita a
compreensão integrada dos fenômenos a serem observados. Um melhor entendimento da área de
estudo foi obtido pela organização de um projeto no sistema de informação geográfica – SIG,
formando uma coleção de camadas de informações georreferenciadas, devidamente checadas em
campo durante as campanhas de reconhecimento e amostragem. Estas camadas são feições que
simbolizam a realidade do ambiente, sendo estas, representativas de um determinado momento na
escala do tempo e do espaço.

Diferentes dados cartográficos foram adquiridos da base de dados do Instituto Estadual de


Florestas de Minas Gerais. Dentre eles estão imagens de satélite, cartas topográficas (IBGE, 1977;
IBGE, 1985), mapa geológico (Lobato, 2005), cartas hidrográficas, entre outros. Os softwares
utilizados na adequação das bases cartográficas foram, a saber: ArcInfo 9.2®, ERMapper 6.2® e Envi
4.3®, disponíveis para uso no laboratório de geoprocessamento do Departamento de Geologia da
Universidade Federal de Ouro Preto.

3.2.1- Hidrografia e hierarquização dos canais

As drenagens utilizadas para a confecção dos mapas de hidrografia e hierarquia de canais


(vide figura 4.4 no capítulo 4) são arquivos vetoriais, restituídos das cartas topográficas da série
topográfica do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, escala 1:50.000 (IBGE, 1977; IBGE,
1985). As linhas (drenagens) foram submetidas a um processo de o pré-processamento, cujo objetivo
maior foi corrigir imperfeições, sobretudo aquelas relacionadas à fragmentação dos canais. Os rios
representados por margem dupla foram então transformados em canais de uma única linha para que
um modelo hidrológico consistente fosse obtido. Posteriormente, foi gerado um modelo digital de
elevação do terreno (MDT) a partir das curvas de nível restituídas do mapeamento topográfico. O
modelo foi submetido a um recondicionamento, “carimbando” as feições hidrográficas com suas
altimetrias nos pixels do MDT. Com isso, as drenagens foram “escavadas” na representação do relevo.
Operações automáticas para a determinação da direção do fluxo, fluxo acumulado e hierarquização
dos canais foram realizadas (ANA, 2009; Santos et al., 2008).

3.2.2- Hipsometria e declividade

A representação tridimensional de uma superfície topográfica qualquer pode ser facilmente


obtida a partir do processamento de uma malha de linhas contendo isovalores de altitude (curvas de
nível). O modelo digital de elevação do terreno (MDT), como é chamado esse tipo de representação,
pode ser utilizado em trabalhos com bacias hidrográficas. Derivam dos modelos as cartas de altitude,
declividade, orientação de vertentes, perfis topográfico, dentre outros (Fitz, 2008). Na construção do
MDT, utilizou-se a ferramenta 3D Analyst do software da ESRI® ArcView 9.2, que obteve o modelo a
partir das curvas de nível com equidistância de 10m. Posteriormente, foi aplicada uma palheta de cores
20
Contribuições às Ciências da Terra, série M, volume 71, 131p.

para a diferenciação das altimetrias, gerando assim o mapa hipsométrico (vide figura 4.7. no capítulo
4) Na construção do mapa de declividades foram eleitos seis intervalos distintos (tabela 3.1), conforme
metodologia utilizada no trabalho de Gonçalves (2010). A ferramenta utilizada foi o Slope, disponível
no módulo 3D Analyst do software da ESRI® ArcMap 9.2 (vide figura 4.8 no capítulo 4).

Tabela 3.1- Classes de declividade segundo metodologia adaptada por Gonçalves (2010).
Tipo de relevo Descrição Intervalo
Superfície de topografia esbatida ou horizontal, onde os
Plano 0–3%
desnivelamentos são muito pequenos.
Suave Superfície de topografia pouco movimentada, constituída por
3–8%
ondulado conjunto de colinas ou outeiros, apresentando declives moderados.
Moderadamente Superfície de topografia pouco movimentada, constituída por
8 – 13 %
ondulado colinas ou outeiros.
Superfície de topografia pouco movimentada, constituída por
Ondulado 13 – 20 %
colinas ou outeiros.
Superfície de topografia movimentada, formada por outeiros ou
Forte
morros (elevações de 50 a 100m e de 100 a 200m de altitudes 20 – 45 %
Ondulado
relativas) e raramente colinas, com declives fortes.
Superfície de topografia vigorosa, com predomínio de formas
acidentadas, usualmente constituída por morros, montanhas, > 45 %
Montanhoso maciços montanhosos e alinhamentos montanhosos, apresentando
desnivelamentos relativamente grandes e declives fortes ou muito
fortes.

3.2.3- Processamento digital de imagens de sensoriamento remoto

Genericamente, o sensoriamento remoto representa um conjunto de técnicas que captam


informações à distância dos objetos de interesse, utilizando para tanto, a energia refletida ou absorvida
por elementos na superfície terrestre (Fitz, 2008). Através de sensores instalados em satélites ou em
outros equipamentos, a energia é capturada e convertida em informações digitais (imagens, gráficos,
dados numéricos, entre outros). No processamento digital de imagens, softwares podem ser usados na
identificação, tratamento estatístico e extração de informações de interesse a partir das respostas do
espectro eletromagnético a partir do comprimento de onda dos diferentes alvos, como por exemplo, o
comportamento da vegetação, do solo, da água, entre outros (Crósta, 1992).

Na obtenção do mapa de uso, ocupação e cobertura vegetal (vide figura 4.6 no capítulo 4) foi
utilizada uma cena da imagem Rapid Eye® do dia 08 de agosto de 2009, gentilmente cedida pelo
Instituto Estadual de Florestas de Minas Gerais. A cena foi adquirida com a ortorretificação e
correções atmosféricas incluídas. Compatível com a escala de 1:25.000, a imagem possui resolução
espacial de 5 metros e resolução espectral entre 440 µm-850 µm, distribuídas em 5 bandas do espectro
eletromagnético: azul, verde, vermelho, red-edge e infravermelho próximo (Kazmierczak et al., 2009).

Dentre as inúmeras técnicas disponíveis, a classificação automática de imagens


multiespectrais é uma importante ferramenta de auxílio que permite diferenciar e agrupar diferentes

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Mendonça, F. P. C. Influência da mineração na geoquímica das águas superficiais e sedimentos...

elementos, muito utilizada em trabalhos na obtenção de mapas de uso e ocupação em bacias


hidrográficas, gestão ambiental, diferenciação de materiais geológicos e até mesmo em prospecção
mineral (Mulder et al., 2011; Tapsall, et al., 2010; Xing-Feng et al., 2007). A classificação
supervisionada por máxima verossimilhança foi realizada no software Envi 4.3®. Após vários testes,
foram definidas amostras de treinamento separadas em classes de interesse (vide tabela 3.1), cuja
acurácia final da classificação foi de 85,3%, considerada satisfatória para este trabalho.

Na avaliação temporal do uso e ocupação da bacia foram tratadas imagens Landsat 5, com
resolução espacial de 30 metros, adquiridas em épocas distintas: junho de 1984 e julho de 2011, ambas
do período de seca na região (INPE, 2011). As imagens foram pré-processadas e interpretadas em
composição colorida 4-5-3, onde a vegetação é realçada em vermelho, as rochas em tonalidades de
verde-cinza, as áreas urbanas e o solo exposto em tons azulados-arroxeados. Toda a análise e
processamento foi realizada no software Envi 4.3®.

3.3- ESCOLHA DOS PONTOS DE MONITORAMENTO

A escolha dos pontos de monitoramento teve como propósito avaliar a contribuição das
atividades de mineração para a alteração de parâmetros geoquímicos das águas e sedimentos,
produzidos pelas diferentes minas. O intuito foi identificar variações significativas nos trechos de rios
que recebem a descarga das águas que escoam dos territórios onde as minerações desenvolvem suas
atividades.

Na expectativa de atender os objetivos elegidos para o presente trabalho, foram alocados


pontos em seções de rios à montante e a jusante de cada uma das minas e ao longo do canal principal
da bacia (figura 3.2). Dessa maneira, procura-se obter um “retrato” das características geoquímicas do
rio, antes e depois de receber as contribuições das drenagens que passaram pelas minas. Foram
distribuídos, ainda, sítios amostrais em nascentes bem preservadas, buscando representar cada um dos
diferentes contextos litológicos encontrados na bacia e estabelecer a relação da geologia com a
assinatura geoquímica das amostras.

Os sítios amostrais foram marcados na rede hidrográfica integrante do sistema de informações


geográficas – SIG construído para o projeto. Por último, as coordenadas foram então transferidas para
um GPS de Navegação marca GARMIM modelo 60 Csx Map® para o reconhecimento dos locais em
campo. Ao todo foram definidos 21 pontos de coleta de amostras (figura 3.2). Em anexo ao trabalho,
encontra-se a relação dos pontos com as respectivas coordenadas (Apêndice I).

22
Contribuições às Ciências da Terra, série M, volume 71, 131p.

Figura 3.2- Mapa da área de estudo com a hidrografia e os pontos de amostragem. As áreas de ocupação dos
empreendimentos foram extraídas do mapa de uso e ocupação produzido por classificação supervisionada. Em
verde as minas em atividade; em vermelho as minas que estão paralisadas.

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Mendonça, F. P. C. Influência da mineração na geoquímica das águas superficiais e sedimentos...

3.4- AMOSTRAGEM

A amostragem configura-se como o passo mais importante nos procedimentos analíticos.


Erros durante essa etapa, inevitavelmente conduzem a resultados equivocados, os quais não podem ser
corrigidos posteriormente. Para evitar que isso aconteça, existem protocolos de coleta, armazenamento
e análises de amostras para assegurar a integridade das mesmas, produzindo assim resultados
adequados Nesse trabalho, os procedimentos amostrais e analíticos observaram protocolos
recomendados pela ABNT (1987), CETESB (1993), Carvalho et al. (2000), APHA (2005) e as
práticas descritas nos diversos procedimentos operacionais padrão do Laboratório de Geoquímica
Ambiental – LGQA (Departamento de Geologia – Universidade Federal de Ouro Preto).

3.4.1- Campanhas de coleta de amostras

Foram realizadas 4 campanhas trimestrais ao longo de um ano hidrológico. As coletas para a


amostragem dos sedimentos e das águas obedeceram a seguinte sequência: setembro de 2010,
dezembro de 2010, março de 2011 e junho de 2011. As amostras foram identificadas com a seguinte
nomenclatura: PR para todas elas; número da amostra (01 a 21) acrescido do código da campanha (1 a
4) quando conveniente (tabela 3.2). Em cada uma das campanhas, foram coletadas amostras de água e
de sedimentos de leito. Aferiu-se a vazão do canal no momento da coleta e ainda, determinaram-se
parâmetros físico-químicos no próprio local.

Tabela 3.2- Coletas, período e código das amostras.


Coletas Mês e ano da amostragem Código
1ª campanha Setembro de 2010 1
2ª campanha Dezembro de 2010 2
3ª campanha Março de 2011 3
4ª campanha Junho de 2011 4

3.4.2- Determinação da velocidade de fluxo, profundidade e largura do canal

A vazão pode ser definida como o volume de água que passa por uma determinada seção em
um canal (natural ou artificial) por unidade de tempo, incluindo os sólidos que se encontram
dissolvidos e/ou suspensos (USGS, 1976). Estimativas do volume de água em um canal, sua
distribuição no espaço e sua variação com o tempo são informações importantes para projetos de
abastecimento de água, estruturas hidráulicas e monitoramentos ambientais.

Em cada ponto de amostragem, foram selecionados trechos retilíneos em que a corrente


permanecesse paralela às margens, evitando-se as curvas no canal. O procedimento de aferição
consiste calcular a área correspondente à seção do rio a ser monitorada e a obtenção da velocidade
média naquele trecho. Foi utilizado um micromolinete fluviométrico modelo FP201 Global Flow
Probe na medida da velocidade e na determinação da profundidade do canal. As medidas de largura do
da secção e de altura das margens, foram obtidas com o auxílio de uma trena.

24
Contribuições às Ciências da Terra, série M, volume 71, 131p.

Os cursos d’água naturais possuem formas irregulares, dificultando a aplicação de fórmulas


padrões para o cálculo da área. Sendo assim, utiliza-se o método de integração nas verticais, onde a
seção transversal do rio é dividida em segmentos por um número de parcelas verticais. A soma das
vazões em cada perfil vertical corresponde à vazão média total do canal. A velocidade em cada
vertical foi obtida mergulhando-se a haste do micromolinete a 0,6 da profundidade total, assumindo
que esta é a velocidade média da vertical (Chow, 1959; Gupta, 2001).

Figura 3.3- Fotografia e desenho esquemático da técnica de integração na vertical para a obtenção da vazão em
uma determinada seção do rio. O trecho na fotografia é uma secção do ribeirão Arêdes.

3.4.3- Amostragem das águas

A qualidade das águas pode ser definida de acordo com suas características químicas, físicas e
biológicas. Elas variam conforme as condições naturais e os diferentes usos e intervenções na bacia
hidrográfica (Von Sperling, 2005). Existem diferentes parâmetros de monitoramento, sendo que
valores de referência para cada um deles estão estabelecidos em legislações específicas. Durante as
quatro campanhas trimestrais, em cada ponto de amostragem, foram coletados dois tipos de amostras
de água ao longo do canal principal, atendendo diferentes finalidades:

 Frascos de 30 ml: foram utilizados recipientes de polietileno transparentes e virgens. A


amostra destinada a esse frasco foi coletada em um béquer de 500 ml e imediatamente transferida para
uma seringa de 50 ml. Ambos os recipientes foram ambientados através da lavagem com a água
coletada no próprio local por no mínimo 3 vezes. A seringa foi acoplada a um filtro, com membrana
de acetato de celulose, marca Millipore® e porosidade de 0,45µm. A amostra filtrada foi acidificada
com 3 gotas de HNO3 concentrado Merck® em PH menor do que 2, para evitar a adsorção dos metais
a parede do frascos, mantendo-os em solução.

 Frascos de 1000 ml: foram utilizados recipientes de polietileno opacos e virgens. Durante
o procedimento de amostragem, os frascos foram posicionados contra a corrente, preenchidos até a
boca e tampados imediatamente. Esta amostra é destinada para a análise da alcalinidade, cloreto e
sulfato.

25
Mendonça, F. P. C. Influência da mineração na geoquímica das águas superficiais e sedimentos...

3.4.4- Amostragem dos sedimentos de leito

As amostras de sedimentos foram coletadas com o auxílio de um recipiente plástico, retirando-


se aproximadamente 2 kg da camada superficial do fundo, da margem direita e da margem esquerda
(amostragem composta), uma vez que os metais de interesse encontram-se adsorvidos a superfície das
argilas. Dessa maneira, obteve-se uma amostra em campo a partir de três sub amostras na secção do
rio.

Após a coleta, os sedimentos foram armazenados em sacos plásticos virgens de boca larga,
identificados e amarrados com lacres para selá-los e evitar o vazamento. Os sacos foram transportados
para o Laboratório de Sedimentologia do Departamento de Geologia da Universidade Federal de Ouro
Preto, em uma caixa de isopor.

3.5- ANÁLISES DA ÁGUA E DO SEDIMENTO

Parte da análise da água foi realizada no próprio local de coleta, evitando o transporte da
amostra e a possível alteração nas suas características originais. O restante foi realizado no
Laboratório de Geoquímica Ambiental – LGQA (Departamento de Geologia – Universidade Federal
de Ouro Preto) de acordo com as descrições que seguem.

3.5.1- Análises da água realizadas in situ

A determinação dos parâmetros físico-químicos (pH, Eh, condutividade elétrica, sólidos totais
dissolvidos, oxigênio dissolvido, temperatura e turbidez) foi realizada por meio de equipamentos
portáteis de campo (multiparâmetro, oxímetro e turbidímetro – figura 3.4) no próprio local de
amostragem. No dia anterior ao das coletas, os aparelhos foram limpos e devidamente calibrados,
seguindo a orientação dos fabricantes. Utilizou-se um equipamento multiparâmetro Ultrameter II da
marca Myron L Company, modelo 6Psi (figura 3.4 - a) na aferição do pH, do Eh, da condutividade
elétrica (CE), resistividade e dos sólidos totais dissolvidos (STD). As células de leitura foram lavadas
por no mínimo 3 vezes com a água do ambiente da coleta. Na determinação da turbidez, foi utilizado
um turbidímetro marca Hanna, modelo HI 93703 (figura 3.4 - b). A cubeta do aparelho foi preenchida
com aproximadamente 0,5 cm de altura com amostra a ser aferida. . O oxigênio dissolvido (OD) foi
medido por meio de um oxímetro marca Hanna, modelo HI 9146 (figura 3.4 - c). Se o local permitisse
a aferição com segurança no próprio curso d’água, então esta era a alternativa escolhida para o teste.
Caso contrário, retirava-se a água do rio em um béquer de 500 ml, previamente ambientado através da
lavagem com a água do próprio local por no mínimo 3 vezes.

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Contribuições às Ciências da Terra, série M, volume 71, 131p.

Figura 3.4- Fotografias representativas dos aparelhos utilizados para análises. a) multiparâmetro; b)
turbidímetro; c) oxímetro e d) colorímetro.

3.5.2- Geoquímica das águas superficiais

Na determinação da alcalinidade, foi escolhido o método titulométrico, realizado em até 24


horas após a coleta. As amostras coletadas nos frascos de 1000 ml foram retiradas da geladeira e
deixadas na bancada do laboratório até que fosse atingida a temperatura ambiente. Os frascos foram
agitados manualmente por algumas vezes, para homogeneizar a solução. Foram então pipetados 100
ml da água de cada uma das amostras com o auxílio de pipeta volumétrica e pêra. O volume foi
transferido para erlenmeyers de 250 ml devidamente identificados com o número das amostras, aos
quais foram adicionadas seis gotas de fenolftaleína e de metilorange. A solução foi titulada com ácido
sulfúrico 0,01 mol/L até que a cor transparente se torna-se vermelho-laranja (APHA, 2005). O volume
gasto na titulação foi anotado e a alcalinidade calculada por meio da equação 3.1:

C HCO3- = C H2SO4 × Vmo × 1220

Equação 3.1

Onde: C H2SO4 = concentração padronizada do ácido sulfúrico utilizado na titulação; Vmo =


volume gasto na titulação com metilorange; 1220 = valor constante.

Na obtenção dos valores de sulfato e cloreto foram utilizadas alíquotas de 10 a 25 ml da


amostra coletada no frasco de 1000 ml, respectivamente. Os frascos foram retirados da geladeira de
acordo com o procedimento descrito na etapa anterior. Entretanto, antes da realização dos testes, as
amostras foram filtradas para evitar a interferência das partículas em suspensão, utilizando um sistema
de filtração a vácuo em membrana de celulose com porosidade de 0,45µm. Os prazos estipulados não
ultrapassaram 7 dias para o sulfato e 14 dias para o cloreto (APHA, 2005). O método escolhido para a
obtenção da concentração dos ânions em solução foi o colorimétrico. Na determinação do sulfato e
cloreto, foi utilizado um colorímetro marca Hach, modelo DR-890 (figura 3.4 - d). Para cada amostra,

27
Mendonça, F. P. C. Influência da mineração na geoquímica das águas superficiais e sedimentos...

foram preenchidas duas cubetas do aparelho, cada uma contendo 10 ml da água a ser testada. Foram
adicionados os reagentes específicos para cada teste (SulfaVer® 4 e DPD chlorine free®, ambos para
10 ml de amostra), e as amostras foram homogeneizadas. Após o tempo de reação, a leitura foi
realizada no aparelho conforme as orientações do fabricante.

Teores de elementos maiores e traço como Al, As, Ba, Be, Ca, Cd, Co, Cr, Cu, Fe, K, Li, Mg,
Mn, Mo, Na, Ni, Pb, Sn, Sr, Ti, V e Zn foram determinados por Espectrofotômetro de Emissão
Atômica com Fonte de Plasma Indutivamente Acoplado (ICP-OES), marca SPECTRO, modelo Ciros
CCD. Para cada elemento analisado o valor da concentração corresponde à média de duas leituras. Os
elementos As, Be, Cd, Co, Cr, Mo, Ni, Pb, Sc, Ti, V e Y apresentaram-se abaixo do limite de
quantificação do método para todas as amostras Os teores dos elementos químicos e os respectivos
limites de quantificação encontram-se no Apêndice II deste trabalho.

3.5.3- Granulometria dos sedimentos de leito

No Laboratório de Sedimentologia do Departamento de Geologia da Universidade Federal de


Ouro Preto, os sacos plásticos contendo os sedimentos coletados no leito dos rios foram abertos e
preparados para o processo de secagem. As amostras foram transferidas para vasilhas plásticas,
recobertas com o próprio plástico utilizado na coleta. As vasilhas foram colocadas em estufas para a
secagem, submetidas a uma lâmpada de 200W em temperatura aproximada de 40°C durante 8 dias
para evitar a perda de elementos voláteis (Förstner, 2004). Depois de secos, os sedimentos foram
suavemente desagregados com o auxílio de graal e pistilo, ambos de porcelana, evitando assim
alterações na granulometria original do material. O material foi transferido para sacos virgens
devidamente identificados para o armazenamento até a etapa de peneiramento.

Na determinação da granulometria, aproximadamente 2000g da amostra bruta foi pesada em


balança analítica. O sedimento foi vertido e espalhado em uma folha de papel tipo craft para a
homogeneização (dobrando-se as pontas do papel para o centro) misturando o material por pelo menos
quatro vezes. Logo após, todo o sedimento foi centralizado no papel para a realização do
quarteamento. Os quartis 1 e 4 foram pesados juntos e levados até as peneiras (aproximadamente
900g) acopladas a um agitador eletromecânico tipo Ro-tap (SOLOTEST®). O tempo de peneiramento
foi de 20 minutos. As peneiras depois de separadas foram limpas com escova de aço, retirando-se os
grãos que porventura estivessem aderidos. A limpeza prosseguiu com a lavagem em água, sabão e
escova macia. Após a lavagem, todo o conjunto foi enxaguado com água destilada e seco na
temperatura ambiente. Finalizado o processo, o conteúdo de cada peneira foi despejado em uma folha
de papel A4, para a pesagem e determinação da granulometria. Cada fração granulométrica foi
guardada em saco plástico identificado. Os quartis 2 e 3 foram pesados e armazenados como
testemunho amostral. A classificação dos grãos e os tipos de peneiras encontram-se listados na tabela
3.3.

28
Contribuições às Ciências da Terra, série M, volume 71, 131p.

O material retido no fundo do conjunto de peneiras, correspondente a fração silte/argila


(0,063mm), foi separado para as análises e mineralógicas e geoquímicas.

Tabela 3.3- Tipos de peneira, tamanho e classificação dos grãos segundo Wentworth (1922).
Peneira (mesh) Tamanho dos grãos (mm) Classificação (Wentworth (1922) Código
18 2 mm – 1 mm Areia muito grossa AMG
35 1 mm – 0,500 mm Areia grossa AG
60 0,500 mm – 0,250 mm Areia média AM
120 0,250 mm – 0,125 mm Areia fina AF
230 0,125 mm – 0,063mm Areia muito fina AMF
fundo Menor que 0,063 mm Silte e argila S/A

3.5.4- Mineralogia dos sedimentos de leito

Na determinação dos constituintes mineralógicos das amostras de sedimentos, foi utilizado


aproximadamente 1g do sedimento retido no fundo do conjunto de peneiras, correspondente à fração
silte/argila (menor que 0,063mm). A amostra foi processada no Laboratório de Difratometria de Raios
X do Departamento de Geologia da Universidade Federal de Ouro Preto, por meio de um difratômetro
Rigaku, modelo D – MAXB equipado com tubos de cobre.

3.5.5- Geoquímica dos sedimentos de leito

A composição geoquímica parcial das amostras dos sedimentos de fundo foi determinada
através da digestão ácida em equipamento micro-ondas marca Milestone®, modelo Ethos-D,
utilizando-se o método EPA 3051ª. Adotou-se a composição de ácidos (9,0 ± 0,1 ml de HNO3 com 3,0
± 0,1ml de HCl) recomendada no método, por ser a mais apropriada em amostras ricas em nos
elementos químicos Fe e Al (EPA, 2007). Para tanto, parte da amostra correspondente à fração
silte/argila (menor do que 0,063mm) foi transferida para uma placa de petri lavada em HNO3 2,5%.
Cada uma das amostras foi identificada e conduzida para a secagem em estufa, mantida na temperatura
de 100 ± 5°C durante 2 horas. Ao término desse prazo, as placas foram transferidas para um
dessecador até o seu resfriamento. Pesou-se em frascos de polímero de fluorcarbono TMS (do próprio
equipamento) 0,5000g do sedimento. Utilizou-se uma balança analítica de quatro casas na aferição da
massa. Foram então adicionados respectivamente 3,0 ml de HCl marca Merck® e 9,0 ml de HNO3 do
mesmo fabricante. Após a homogeneização das amostras, os frascos foram vedados e levados ao
micro-ondas. O tempo de reação consiste em dois ciclos: o primeiro com duração de aproximadamente
5,5 minutos para atingir a temperatura de 175 ± 5 ºC (fase de rampa); o segundo com duração de 4,5
minutos com temperatura estável em 175 ± 5 ºC. O prazo de exaustão foi de 50 minutos. Terminado o
tempo de digestão e exaustão, os frascos foram deixados à temperatura ambiente até o seu completo
resfriamento. As soluções foram filtradas em papel de filtro com porosidade de 0,25µm, e os resíduos
lavados com água ultra purificada para aferição em balão volumétrico de 50 ml. Amostras em branco
foram processadas para cada ciclo de digestão. Após este processo, as amostras foram transferidas
29
Mendonça, F. P. C. Influência da mineração na geoquímica das águas superficiais e sedimentos...

para frascos de polietileno transparentes e virgens (30 ml) destinados à leitura por ICP-OES. As
amostras de sedimento foram analisadas para teores de Al, As, Ba, Be, Bi, Ca, Cd, Co, Cr, Cu, Fe, K,
Li, Mg, Mn, Mo, Na, Ni, P, Pb, S, Sb, Sc, Sr, Th, Ti, V, Y, Zn e Zr por Espectrofotômetro de Emissão
Atômica com Fonte de Plasma Indutivamente Acoplado (ICP-OES), marca SPECTRO, modelo Ciros
CCD. Para cada elemento analisado o valor da concentração corresponde à média de duas leituras. Os
elementos Be, Cd, Mo e Sb apresentaram-se abaixo do limite de quantificação do método para todas as
amostras.

Para a validação da análise, foi utilizado o material de referência americano SRM 2711a -
Montana II Soil, cujos elementos verificados em relação à taxa de recuperação foram o Al, As, Ba, Ca,
Co, Cr, Cu, Fe, K, Mg, Mn, Na, Ni, Pb, V, e Zn. A taxa de recuperação foi satisfatória (entre 80% e
120%) para a maioria dos elementos. Exceção aos elementos maiores Al, Fe e K assim como os
elementos traço Cr e V onde foram obtidas taxas de recuperação cerca de duas vezes acima do valor
descrito no certificado. No Apêndice IV do trabalho, encontra-se a tabela com as respectivas taxas de
recuperação.

3.6- TRATAMENTO ESTATÍSTICO DOS DADOS

A visualização inicial dos dados geoquímicos das águas e dos sedimentos foi obtida por meio
da construção de gráficos boxplot. Nesse tipo de gráfico os dados são representados por meio de uma
caixa, na qual as bordas superior e inferior equivalem aos quartis 25% e 75% respectivamente. A linha
central, por sua vez, representa à mediana. É uma ferramenta útil na comparação e visualização
empírica da distribuição das variáveis. A concentração dos elementos foi “especializada” com a
representação de gráficos de barra no mapa da bacia, complementando a análise. Os softwares
Minitab15® e ArcGis 9.2® foram utilizados para processar os dados.

Técnicas exploratórias de estatística multivariada foram utilizadas para determinar os padrões


de relacionamento e associação das diferentes variáveis analíticas (pontos de monitoramento e
elementos químicos). A análise de componentes principais – PCA e a análise hierárquica de
agrupamentos – CA apresentam-se adequadas na extração da informação de experimentos químicos e,
portanto, aplicadas nesse trabalho.

A análise de componentes principais reescreve as coordenadas das amostras em outro tipo de


eixo, no qual as variáveis originais geram componentes principais. Com a construção de um gráfico
entre as componentes é possível visualizar a distribuição da informação estatística por meio de pontos
(Singh, 2004). Nesse sentido, as amostras semelhantes se agrupam umas às outras em regiões distintas,
oferecendo uma visão privilegiada do conjunto de dados. Observando o gráfico das duas primeiras
componentes principais, geralmente é possível interpretar e identificar as variáveis originais com
maior peso na combinação linear entre elas. A análise de cluster, por sua vez, interliga as amostras por

30
Contribuições às Ciências da Terra, série M, volume 71, 131p.

sua semelhança, produzindo uma “árvore” de ligações entre elas, conhecida como dendograma (Neto
& Moita, 1998).

Estabelecidas as variáveis de interesse por meio das técnicas multivariadas e dos gráficos de
dispersão e boxplot, foram aplicados Testes de Student, quando comparados dois pontos amostrais, ou
testes de ANOVA e Tukey, quando comparadas mais de três pontos amostrais. O nível de
significância para ambos os testes foi estabelecido em 5%. Dessa forma, foi possível realizar a
inferência estatística entre a concentração de elementos químicos em diferentes pontos, especialmente
aqueles localizados à montante e a jusante das atividades de mineração.

31
CAPÍTULO 4

CARACTERIZAÇÃO DA ÁREA DE ESTUDO

4.1- LOCALIZAÇÃO E ACESSO

Em Minas Gerais, a área de estudo situa-se na região centro- sul do estado. Esta, insere-se nos
domínios do Quadrilátero Ferrífero, em uma importante região montana de grande extensão conhecida
geologicamente como sinclinal Moeda (figura 4.1). As drenagens que partem do interior do sinclinal
Moeda fluem para duas bacias principais: a do ribeirão do Peixe situada ao norte e a do ribeirão Mata
Porcos, posicionada ao sul dessa estrutura (SINDIEXTRA, 2008). A bacia hidrográfica do ribeirão
Mata Porcos, está localizada nos municípios de Itabirito (59,8%) e Ouro Preto (40,2%). Para o
presente estudo, foi delimitada toda a área de drenagem à montante da comunidade rural de ribeirão do
Eixo, correspondente ao alto curso da bacia. Este é o território onde as minas desenvolvem suas
atividades, conforme será abordado mais adiante.

O alto curso da bacia do ribeirão Mata Porcos pertence totalmente ao município Itabirito,
compreendido entre as latitudes 20°13’45’’ e 20°21’44’’ S e longitudes 45°58’15’’ e 43º52’43’’ W
(figura 4.1). A região está inserida em duas cartas topográficas da série IBGE na escala 1:50.000: as
Folhas Rio Acima (IBGE, 1977) e Itabirito (IBGE, 1985).

O acesso à região norte da bacia pode ser feito a partir da cidade de Ouro Preto, seguindo pela
BR-356 (Rodovia dos Inconfidentes) até o Posto Policial Rodoviário, já no município de Itabirito.
Nesse local, é necessário orientar-se pela placa de indicação Mina do Pico, seguindo as demais
sinalizações até atingir a Mineração SAFM (antiga Mina Ponto Verde) e Mineração Herculano. É
possível ter acesso a oeste pela BR-040 que faz a ligação entre a capital Belo Horizonte e o Rio de
Janeiro, nas proximidades do trevo para o município de Moeda, em uma distância aproximada de 55
km partindo de Belo Horizonte. Para tanto, é preciso se dirigir ao trevo de acesso próprio para a
Mineração Herculano. Ao sul, é possível chegar pela mesma rodovia, seguindo em direção ao distrito
de Ribeirão do Eixo. A maior parte dos acessos no interior da bacia é feita por estradas não
pavimentadas, destinadas ao escoamento da produção mineral da região (figura 4.1).

 
Mendonça, F. P. C. Influência da mineração na geoquímica das águas superficiais e sedimentos...

Comunidade
de Ribeirão
do Eixo

Figura 4.1- Mapa de localização da área de estudo, alto curso da bacia do ribeirão Mata Porcos (montante da
comunidade rural de Ribeirão do Eixo).

4.2- CLIMA E HIDROGRAFIA

Segundo a classificação climática de Köppen, a região apresenta o tipo Cwb, clima


mesotérmico com temperaturas moderadas, verão quente e chuvoso e inverno frio e seco (Vale, 2010).
O regime de chuvas na bacia hidrográfica foi caracterizado por meio dos hietogramas de precipitação

34
Contrribuições às Ciêências da Terra
ra, série M, vollume 71, 131p..

total anual (figuura 4.2) e média


m mensaal (figura 4.3), uma vezz que coletaas foram realizadas em
m
monitoramentos trimestrais
t ao
o longo de um
m ano hidrollógico.

Os dadoss utilizados referem-se aos registro


os obtidos na
n Estação Mina do Piico (latitudee
20°222’00’’ S, e loongitude 43°°29’00’’ W),, localizada a aproximadamente 2 km
m do limite a nordeste daa
regiãoo de estudo. Os dados reeferem-se aoo período com
mpreendido entre
e outubroo de 1990 e setembro dee
2009. Estes foram
m utilizados pelo licenciiamento amb
biental de um dos emprreendimentoss na área dee
estuddo (SAFM, 2010b), por seer esta a estaação de moniitoramento mais
m próximaa da bacia.

Figurra 4.2- Hietoggrama da preccipitação total anual da estaação pluvioméétrica Mina doo Pico (latitud
de 20°22’00’’’
S, e loongitude 43°229’00’’ W). Ad
daptado de SAAFM (2010).

Figurra 4.3- Hietograma da preecipitação méédia mensal histórica


h (outu
ubro de 19900 a setembro de 2009) daa
estaçãão pluviométrrica Mina do Pico (latitudee 20°22’00’’ S, e longitud
de 43°29’00’’’ W). Adaptaado de SAFM
M
(20100).

A caracteerização da duração,
d da inntensidade e da distribuição das chuvvas é fundam
mental já quee
estas variáveis innfluenciam o escoamentoo superficiall, a infiltraçãão de água nnos solos e a vazão noss
canaiis e, consequuentemente, os
o parâmetroos de qualidade dos rios a serem moniitorados (Tuccci, 2007).

A bacia do ribeirão Mata Porcoos drena suaas águas parra o rio Itabbirito, que por
p sua vez,,
consttitui-se comoo um importaante afluentee da margem
m esquerda do
o rio das Veelhas. O rio das
d Velhas é

35
Mendonça, F. P. C. Influência da mineração na geoquímica das águas superficiais e sedimentos...

um dos principais tributários do rio São Francisco. Sua nascente principal localiza-se no município de
Ouro Preto, numa altitude de aproximadamente 1.500 m. Toda a bacia do Velhas compreende uma
área de 29.173 Km2, onde estão localizados 51 municípios que abrigam uma população de
aproximadamente 4,8 milhões de habitantes (Camargos, 2005).

O alto curso da bacia do ribeirão Mata Porcos, delimitado a montante da comunidade de


Ribeirão do Eixo, possui uma área total de 7.550,11 ha. Dessa maneira, as demais descrições que
seguem ao longo do trabalho sempre fazem referência a esta área. Para a caracterização da rede de
drenagem foi estabelecida a carta de hierarquização de canais (figura 4.4) proposta por Strahler
(1957).

Os principais cursos d’água onde se localizam as atividades de mineração são, a saber: o


ribeirão do Silva, o córrego Benevides e o ribeirão Arêdes (figura 4.4). As descrições e a localização
detalhada das respectivas atividades de mineração serão descritas no item 4.6 deste capítulo.

O ribeirão do Silva se estende na direção norte-sul ao longo de toda a área de estudo. É a


principal drenagem do alto curso da bacia, coletando as contribuições de todos os outros córregos. Na
sua cabeceira, encontra-se um depósito de caulim com atividade de lavra a céu aberto. Este ribeirão
recebe ao sul de suas nascentes a drenagem de duas barragens de rejeito, pertencentes a uma planta de
beneficiamento de minério de ferro, posicionada no divisor de águas entre o ribeirão do Silva e o
córrego Benevides (figura 4.4).

O córrego Benevides localiza-se a oeste do ribeirão Arêdes e a leste do ribeirão do Silva,


sendo que suas águas vertem para o ribeirão do Silva. Este recebe a contribuição de outra barragem
rejeito, que pertence ao mesmo empreendimento de minério de ferro mencionado no parágrafo anterior
(figura 4.4).

O ribeirão Arêdes, situado a sudeste da área, é o principal córrego que coleta todo o
escoamento superficial de uma mina de minério de ferro recentemente licenciada, cujas operações de
beneficiamento não envolvem a disposição de rejeito nessa bacia. Tanto a jazida como o
beneficiamento primário encontram-se na bacia do ribeirão Arêdes. Este, assim como o córrego
Benevides, drena para o ribeirão do Silva (figura 4.4).

36
Contribuições às Ciências da Terra, série M, volume 71, 131p.

Figura 4.4- Mapa da área de estudo com os principais tributários do alto curso do ribeirão Mata Porcos
hierarquizados conforme Strahler (1957). As cores na rede de drenagem representam as diferentes ordens dos
canais.

37
Mendonça, F. P. C. Influência da mineração na geoquímica das águas superficiais e sedimentos...

4.3- USO, OCUPAÇÃO E COBERTURA VEGETAL

Desde o início da ocupação das terras das Minas Gerais em fins do século XVII, o Pico do
Itabirito, localizado ao norte da região de estudo, serviu como marco geográfico e referencial de
orientação para os caminhos descobertos pelos bandeirantes. Os caminhos já eram frequentados por
tribos indígenas, habitantes iniciais dessa região. Aponta a memória coletiva local para a presença da
tribo dos Aredês, grupo indígena habitante da Cadeia do Espinhaço na altura das cabeceiras do rio das
Velhas, que podem ter sido os primeiros povoadores da região de Itabirito. Um dos cursos d’água na
região recebe a denominação dessa tribo, chamado de ribeirão Arêdes (figura 4.4 e 4.5). Outras
referências aos indígenas também são encontradas no local em nomes de outros mananciais, como por
exemplo, o córrego do Bugre, cujo significado remete a uma denominação genérica para os índios
(Guimarães, 2010).

A ocupação do local onde hoje se situa a sede do município de Itabirito e seu domínio deu-se
por volta de 1709, com referências à instalação de lavras e capelas nas localidades hoje conhecidas
como Acuruí, Rio de Pedras e do próprio Pico de Itabirito. Estes povoamentos são contemporâneos às
primeiras explorações auríferas em Minas Gerais. A partir das vertentes do sinclinal Moeda, nos
arredores do Pico, surgiu o arraial de Nossa Senhora da Boa Viagem de Itabira (hoje Itabirito). Nas
margens do ribeirão Arêdes e de seus tributários, desenvolveu-se uma pequena localidade mineradora,
chamada de Cata Branca do Arêdes, onde foi erguida uma capela em honra de São Sebastião, hoje em
ruínas no local (Guimarães 2010). Pela sua importância e significado histórico-arqueológico, a área
hoje constitui-se como uma unidade de conservação da natureza.

Figura 4.5- Ruínas do antigo núcleo minerador de Arêdes, localizado no interior da área de estudo. a) senzala; b)
capela São Sebastião e altar de rocha; c) ruínas de moradia.

As atividades de mineração do ouro estenderam-se pelos séculos XVIII até meados do século
XIX, quando foram registradas as evidências da diminuição dos rendimentos das lavras e faiscações
em Minas Gerais. Com um desmoronamento da galeria principal da Mina de Cata Branca (a principal
da região) as atividades da empresa proprietária Brazilian Company foram precocemente encerradas
em 1844, iniciando-se um expressivo desaquecimento econômico na região. Houve então o completo
abandono do povoamento de Arêdes e redondezas e de sua atividade mineradora. No entanto, época da
38
Contribuições às Ciências da Terra, série M, volume 71, 131p.

instalação da Estrada de Ferro Dom Pedro II, a abertura de empresas de siderurgia, tecidos e couro
associados ao consequente crescimento da população, inicia-se uma nova fase de Itabirito que, aos
poucos, adquiriu feição industrial (Gerdau Açominas, 2007).

No alto curso da bacia do ribeirão Mata Porcos, a partir da instalação das empresas
siderúrgicas nas redondezas e início da exploração do minério de ferro (final do século XIX e ao longo
do século XX), os terrenos no local foram valorizados e novamente explorados, datando das décadas
de 1950 e 1960 as primeiras concessões de lavra (DNPM, 2012). Dessa época, existe documentado o
primeiro registro do desmatamento da região (alto curso da bacia do ribeirão Mata Porcos), para a
produção de carvão vegetal e abastecimento da Usina Queiroz Júnior no município de Itabirito. As
áreas que não possuíam interesse mineral deram origem a pastagens para a criação de gado. Nos locais
onde a condição permitia a ocupação urbana, foram desenvolvidos loteamentos (Fundação João
Pinheiro, 1976).

A delimitação das classes atuais de uso, ocupação e vegetação foi realizada por técnicas de
sensoriamento remoto, pois não foram localizadas informações em escala adequada para a área de
estudo. Utilizou-se, para tanto, a classificação supervisionada por máxima verossimilhança da imagem
de satélite.

As classes obtidas, a descrição sucinta bem como cada área correspondente a cada uma delas
estão sintetizadas na tabela 4.1 e podem ser visualizadas na figura 4.6.

Tabela 4.1- Classes de uso e ocupação com nome, descrição e área na bacia.

Nome da classe Descrição sucinta Área (ha)


Vegetação predominantemente de porte arbóreo, matas de 1.379,10
Formação florestal
galeria.
Campo aberto com poucas espécies arbóreas em meio a 3.285,26
Campo sujo cobertura herbácea e de gramíneas, campos ferruginosos e
vegetação rupícola.
Campo aberto com cobertura predominantemente formada por 1.444,19
Campo limpo
gramíneas e herbáceas, coberturas com vegetação inexpressiva.
Eucalipto e Eucalipto e culturas em diferentes estágios de crescimento. 94,89
culturas
Áreas de lavra e beneficiamento de minério de ferro, estradas 426,97
Mineração e
asfaltadas e vicinais, edificações, cobertura exposta de material
estradas
predominantemente de composição ferruginosa.
Áreas de lavra de outros minérios (caulim), feições erosivas, 249,94
Cobertura exposta edificações antrópicas (condomínios e adensamento urbano),
áreas rurais (pasto), cobertura exposta de material de alta
reflectância.
Água Corpos d'água naturais e artificiais 9,65
Áreas queimadas, afloramentos rochosos, sombras e pixels não 660,12
Outros
classificados.

39
Mendonça, F. P. C. Influência da mineração na geoquímica das águas superficiais e sedimentos...

Figura 4.6- Mapa da área de estudo com a delimitação do uso, ocupação e cobertura vegetal. As classes estão
representadas por cores diferentes e foram obtidas por técnicas de processamento digital de imagens de
sensoriamento remoto. A descrição encontra-se na tabela 4.1.

40
Contribuições às Ciências da Terra, série M, volume 71, 131p.

4.4- GEOMORFOLOGIA

O Quadrilátero Ferrífero é uma região conspícua, onde raízes de estruturas metassedimentares


proterozóicas, apresentando feições de um relevo jovem, encontram-se em destaque sobre rochas
cristalinas do Arqueano (Barbosa, 1980). Os quartzitos e itabiritos constituem o substrato das terras
altas, os xistos e filitos compreendem o substrato das terras de altitude mediana e as terras baixas estão
moldadas sobre granito-gnaisses (Harder & Chamberlin, 1915). Espacialmente, as terras altas
constituem um conjunto de cristas e superfícies erosivas soerguidas que possuem uma forma
grosseiramente quadrangular, daí a denominação de quadrilátero (Varajão et al., 2009).

O alto curso da bacia do ribeirão Mata Porcos insere-se totalmente no contexto de uma
megafeiçao morfoestrutural cuja configuração apresenta-se como uma dobra de geometria sinclinal.
Conhecida como sinclinal da Moeda, esta estrutura estende-se com traço axial de orientação N45W
inicial, desde a conexão com a Serra do Curral (limite norte do Quadrilátero Ferrífero) por
aproximados 40 km de extensão ao sul, sendo que a partir de sua porção central, este se orienta para
N-S (Silva, 1999). A conformação do relevo no sinclinal Moeda configura-se em dois compartimentos
principais: o das bordas do Sinclinal e o compartimento interior.

Nas bordas (abas da dobra) encontram-se cristas e cumeadas onde também se localizam as
maiores altitudes (até 1578 m no Pico de Itabirito) com declividades superiores a 20 % (figuras 4.7 e
4.8). As partes mais elevadas sustentam-se pelos quartzitos e itabiritos (por vezes capeados pela
canga) com vertentes íngremes e paredões de rocha, onde situam-se as lavras de minério de ferro.
Nestas elevações destacam-se os divisores leste-oeste do alto curso da bacia do ribeirão Mata Porcos.
O divisor oeste é conhecido como Serra da Moeda em toda sua extensão, sendo o divisor leste,
conhecido localmente como Serra das Serrinhas (SINDIEXTRA, 2008).

No interior do sinclinal Moeda, ocupado pelos xistos e filitos, evidenciam-se as menores


altitudes (em torno de 1300 m) e as declividades menos acentuadas (figuras 4.7 e 4.8). Estas são
caracterizadas por colinas amplas e suaves, de geometria convexa, com topos arredondados e
aplainados correspondendo ao relevo mais dissecado. (Dantas, 2005).

A configuração do relevo e a declividade de uma bacia hidrográfica são importantes


instrumentos de gestão ambiental. Nas vertentes mais íngremes e com as maiores altitudes (bordas do
sinclinal) existe a maior susceptibilidade de ravinamentos e de movimentos de massa. Contudo, nas
encostas menos declivosas (interior do sinclinal) voçorocamentos de grande profundidade e extensão
podem se associar as características geológicas e geomorfológicas do terreno (Dantas, 2005).

A obtenção das cartas de hipsometria e declividade foram trabalhadas a partir de um modelo


digital de terreno, obtido a partir das curvas de nível na escala de 1.50.000.

41
Mendonça, F. P. C. Influência da mineração na geoquímica das águas superficiais e sedimentos...

Figura 4.7- Mapa hipsométrico da área de estudo com a delimitação das classes de altitudes. O mapa exibe em
cores, os diferentes intervalos de altitudes obtidos pela realização do modelo digital de terreno.

42
Contribuições às Ciências da Terra, série M, volume 71, 131p.

Figura 4.8- Mapa de declividades da área de estudo com a delimitação de diferentes classes. O mapa exibe em
cores, os diferentes intervalos de declividade do relevo obtidos pela realização do modelo digital de terreno.

43
Mendonça, F. P. C. Influência da mineração na geoquímica das águas superficiais e sedimentos...

4.5- GEOLOGIA REGIONAL E LOCAL

O Quadrilátero Ferrífero (QF) é uma importante província mineral do Brasil, localizado na


porção central do Estado de Minas Gerais, estendendo-se por uma área de aproximadamente 7.200
km² na borda sul do Cráton São Francisco (figura 4.9). Seus limites são bem marcados: ao norte, a
Serra do Curral, limite sul da cidade de Belo Horizonte, capital do Estado de Minas Gerais; a oeste, a
Serra da Moeda, paralela a rodovia BR-040 que liga Belo Horizonte a cidade do Rio de Janeiro; ao sul,
a Serra do Ouro Branco e a leste a Serra do Caraça (Alkmim & Marshak, 1998; Dorr, 1969).
Geotectonicamente, o Quadrilátero Ferrífero posiciona-se no extremo sul do Cráton São Francisco
(Almeida, 1977). Com uma história geológica complexa e marcada por diversos eventos tectônicos-
vulcânicos, o QF corresponde a um grande bloco de estruturas do pré-cambriano, sendo sua
conformação atual resultante da conjunção de muitas variáveis como estrutura, litologia, epirogênese,
variações climáticas e erosão diferencial (Varajão et al., 2009). A variedade litológica no Quadrilátero
Ferrífero propiciou o desenvolvimento de ecossistemas diferenciados, alguns deles com endemismos
de espécies, intercalados na exuberante paisagem formada por vales, cristas, serras e baixadas.

Sinclinal
Moeda: área
de estudo

Figura 4.9- Mapa geológico simplificado do quadrilátero ferrífero. Adaptado de: Alkmim & Marshak (1998).

A geologia e litoestratigrafia do QF foram descritas em detalhe pelas equipes do Serviço


Geológico Norte Americano – USGS e do Departamento Nacional de Produção Mineral – DNPM
entre 1946 e 1963, compilando trabalhos anteriores de Derby (1906) & Harder & Chamberlin (1915).
Os estudos de cartografia foram então organizados e publicados por Dorr et al. (1957) & Dorr (1969),
e têm se mantido, com pequena modificação na coluna estratigráfica proposta, até os dias de hoje.
44
Contribuições às Ciências da Terra, série M, volume 71, 131p.

Segundo Alkmim & Marshak (1998), cinco unidades geológicas principais são reconhecidas no
contexto estratigráfico do QF: o embasamento cristalino arqueano, disposto em domos circundados
pelas unidades supracrustais; o Supergrupo Rio das Velhas, uma sequência arqueana do tipo
“greenstone belt”; o Supergrupo Minas, formado por sequências metassedimentares de idade paleo e
mesoproterozóicas; o Grupo Itacolomi; as rochas intrusivas pós Minas e as coberturas sedimentares
recentes do Cenozóico.

Na área de estudo (figura 4.10) destacam as rochas do Supergrupo Minas, cujo valor
econômico deve-se principalmente as jazidas de ferro que possui. Compreende uma sequencia
metassedimentar de idade paleoproterozóica, tendo sido dividido, da base para o topo, nos grupos
Caraça, Itabira, Piracicaba e Sabará (figura 4.10), sendo que, este último, não está representado no
local.

O Grupo Caraça, sequencia clástica basal, compreende duas formações, da base para o topo:
Moeda, constituída por quartzitos sericíticos finos a grossos com lentes de filitos gradando a
metaconglomerados; e, Batatal, constituída basicamente por filitos sericíticos e grafitosos e,
subordinadamente, itabiritos, dolomitos e cherts (Noce, 1995). Contudo, a presença do grupo Caraça
na área de estudo é pouco expressiva (aproximadamente 2% em relação à área total) e se detém as
bordas do sinclinal moeda.

O Grupo Itabira, sequência metassedimentar química intermediária, é dividido da base para o


topo nas formações: Cauê, constituída, principalmente, por itabiritos, itabiritos anfibolíticos, itabiritos
dolomíticos e lentes de quartzito, filito, dolomito e horizontes manganesíferos; e, Gandarela,
constituída por rochas dolomíticas e ainda itabiritos, e filitos dolomíticos e filitos (Dorr, 1969).

As rochas do Grupo Piracicaba têm grande expressão na área de estudo (aproximadamente


54% em relação à área total), cobrindo grande parte da zona de calha do sinclinal Moeda. Constitui-se
numa sequência metasedimentar terrígena sendo subdividido, da base para o topo, nas formações:
Cercadinho, Fecho do Funil, Taboões e Barreiro. Destaca-se, porém, as formações Cercadinho e Fecho
do funil como as mais expressivas localmente. A Formação Cercadinho, unidade basal do grupo
Piracicaba, foi descrita por Pomerene (1958) nas imediações do córrego de mesmo nome, ao sul da
cidade de Belo Horizonte. É caracterizada pela alternância de quartzitos e filitos, frequentemente
ferruginosos. Possui espessura variada entre 400 metros na região do platô Moeda (Dorr, 1969). A
Formação Fecho do Funil foi inicialmente nomeada e descrita por Simmons (1958) na quadrícula de
mesmo nome. É uma das menos resistentes aos processos intempéricos e possui espessura de
aproximadamente 300 metros no platô Moeda, onde o ribeirão Mata Porcos esculpiu um cânion
profundo e íngreme proporcionando bons afloramentos nesta sequência. É constituída por filitos,
filitos dolomíticos, lentes de dolomito e mármore impuro. As lentes de dolomito possuem em média
30 metros de espessura, geralmente associadas à base da Formação (embora possam ocorrer em

45
Mendonça, F. P. C. Influência da mineração na geoquímica das águas superficiais e sedimentos...

qualquer lugar), e centenas de metros de comprimento (Dorr, 1969). As sequências superiores estão
representadas Formação Taboões, é compreendida por quartzitos finos e maciços localmente
manganesíferos. A Formação Barreiro, é constituída por filitos e filitos grafitosos.

O Grupo Sabará constituído por filitos, xistos, xistos cloríticos, metagravaucas, quartzitos, e,
subordinadamente, metatufos, metacherts e formação ferrífera (Dorr, 1969; Noce, 1995).

O Grupo Itacolomi é restrito às porções sudeste e sul do QF, sendo constituído por quartzitos,
quartzitos conglomeráticos e lentes de conglomerados com seixos de itabirito, filito,quartzito e quartzo
de veio.

As coberturas recentes são formadas por aluviões, colúvios, cangas e lateritas. Destaca-se na
bacia em estudo a presença de cangas, bastante porosas, resistente à erosão, que ocorrem em meio a
sedimentos inconsolidados, em itabiritos, mas também em outras rochas, de forma menos comum. Os
depósitos de argila também assumem feições de importância no local, inclusive com a explotação
desse material (caulim).

46
Contribuições às Ciências da Terra, série M, volume 71, 131p.

Figura 4.10- Geologia e estratigrafia da área de estudo (Lobato, 2005). .

47
Contribuições às Ciências da Terra, série M, volume 71, 131p.

4.6- MINERAÇÕES

As minas representam a atividade econômica mais expressiva no alto curso da bacia do


ribeirão Mata Porcos, sendo que a caracterização sucinta destes empreendimentos será apresentada nos
itens que se seguem. Os minérios atualmente explorados são o ferro, o caulim e a água. O ouro foi
lavrado em época passada, não sendo possível detectar evidências da sua extração atual.

4.6.1 - Mineração Magnesita (caulim)

A mina de caulim, cujo polígono de concessão de lavra se refere à Magnesita Refratários


(DNPM, 2012), localiza-se no extremo norte da região de estudo (figura 4.11). Nas imediações da
cava situa-se a nascente do ribeirão Mata Porcos, que na sua porção inicial, recebe a denominação de
ribeirão do Silva (vide figura 4.4). As drenagens de toda a área da mina vertem para este ribeirão. A
atividade encontra-se paralisada, segundo informações locais. Entretanto, nenhuma informação de
fontes oficiais foi obtida. Não foi possível observar sinais de funcionamento no empreendimento, ao
longo de todo o período de coleta.

ribeirão
do Silva

Figura 4.11- Mapa de localização, fotografia (a) e imagem Google Earth® (b) da Mineração Magnesita (seta
amarela). Em negro no mapa, a área aproximada ocupada pelo empreendimento.

49
Mendonça, F. P. C. Influência da mineração na geoquímica das águas superficiais e sedimentos...

4.6.2 - Mineração Herculano (ferro e manganês)

A mineração Herculano (figura 4.12) possui sua estrutura de administração e beneficiamento


posicionada no divisor de águas (vide figura 4.4) entre o córrego Benevides e o ribeirão do Silva (ao
sul e a jusante da mina de caulim). Caracteriza-se pela exploração de minério de ferro, lavrado em
bancadas sucessivas a céu aberto. Contudo, a cava localiza-se fora da bacia, a nordeste do seu limite.
Sendo assim, a jazida de minério não se encontra no local. O desmonte da rocha é realizado por pás
mecânicas, escavadeiras e explosivos. O estéril é transportado e alocado na pilha do empreendimento
vizinho (Vale – Complexo do Pico), localizado fora da área de estudo. Para alcançar o local de
beneficiamento, o minério percorre em caminhões através uma estrada vicinal no divisor norte da
bacia hidrográfica. Possui hoje, dois sistemas de barragens que drenam: uma para o ribeirão do Silva
(a oeste) e outra para o córrego Benevides (a leste). Recentemente celebrou um importante acordo com
o Ministério Público de Minas Gerais que resultou na criação e implantação de uma unidade de
conservação (área de preservação) nas adjacências. Muitas medidas de preservação e monitoramento
ambiental fazem parte do teor deste documento, cujas ações de implantação puderam ser observadas
no local. Como exemplo, foram estabelecidos vários locais de monitoramento de parâmetros de
qualidade das águas e dos efluentes (Ministério Público, 2009a).

ribeirão
do Silva

córrego
Benevides

Figura 4.12- Mapa de localização, fotografia (a) e imagem Google Earth® (b) da Mineração Herculano (seta
amarela). Em negro no mapa, a área aproximada ocupada pelo empreendimento.

50
Contribuições às Ciências da Terra, série M, volume 71, 131p.

4.6.3 - Mineração SAFM (ferro e manganês)

Situa-se na margem esquerda do ribeirão Arêdes (vide figura 4.4), junto aos itabiritos que
compõe a borda leste do sinclinal Moeda. (figura 4.13). Dessa forma, todo o escoamento superficial
das águas da mina drenam para este ribeirão. Destina-se à exploração do minério de ferro e manganês
cujas jazidas estão na própria bacia, ao contrário da mineração Herculano. Dessa maneira, tanto as
operações de lavra quanto o beneficiamento ocorrem no mesmo local. O desenvolvimento da lavra se
dá em bancadas a céu aberto. O beneficiamento do minério, a princípio, envolve apenas operações
primárias de britagem e peneiramento. Conforme o estudo de impacto ambiental do empreendimento
(SAFM, 2010b) na fase de geração de rejeitos, não haverá a construção de barragens. O método de
destinação deste material não aproveitável será a co-disposição em forma de pasta, junto às pilhas de
estéril. De acordo com o estudo, este é um ganho ambiental já que não será necessária a construção de
barragens o que diminui a área de intervenção e proporcionará o maior aproveitamento da água para a
reutilização no processo. Esta empresa, também participa junto ao Ministério Publico de Minas Gerais
com ações de proteção e preservação do acervo arqueológico nas suas imediações.

ribeirão
Arêdes
a

Figura 4.13- Mapa de localização, fotografia (a) e imagem Google Earth® (b) da Mineração SAFM (seta
amarela). Em negro no mapa, a área aproximada ocupada pelo empreendimento.

51
Mendonça, F. P. C. Influência da mineração na geoquímica das águas superficiais e sedimentos...

4.6.4 - Mineração Várzea do Lopes – Gerdau (ferro)

A mina de ferro, cujo polígono de concessão de lavra se refere à Gerdau (DNPM, 2012),
localiza-se a oeste da região de estudo (figura 4.14) junto aos itabiritos que compõe a borda interna do
sinclinal Moeda nesse local. As operações de abertura e lavra do minério foram recentemente
regularizadas e licenciadas para iniciar o desenvolvimento da mina. De acordo com o estudo de
impacto ambiental realizado pela empresa (Gerdau Açominas, 2007) a operação da mina está prevista
em duas cavas (norte e sul), cujo volume estimado de minério produzido anualmente é de 1.500.000
t/ano. As pilhas de estéril serão depositadas em dois vales, ocupados pelos córregos Grota e Represa.
As alternativas de tratamento do incluem o tratamento a seco em planta de beneficiamento a ser
implantada no próprio local, ou ainda, enviar o minério ao município de Ouro Branco, onde a empresa
possui sua usina siderúrgica. Toda a drenagem do local da mina deságua no ribeirão do silva, a jusante
de todos os demais empreendimentos citados. Semelhantemente aos demais empreendimentos na
bacia, foi celebrado um importante acordo judicial com o Ministério Público do Estado de Minas
Gerais, resultando na criação e implantação de uma outra área de preservação (Monumento Natural)
na Serra da Moeda. No teor do acordo, versam ainda muitas medidas de proteção a todo o entorno da
mina (Ministério Público, 2009b).

Figura 4.14- Mapa de localização, fotografia (a) e imagem Google Earth® (b) da Mineração Gerdau (seta
amarela). Em negro no mapa, a área aproximada ocupada pelo empreendimento.

52
Contribuições às Ciências da Terra, série M, volume 71, 131p.

4.6.5 - Mineração de Arêdes (ferro)

A mineração Arêdes situa-se junto ao empreendimento (confrontante ao sul) descrito no item


4.6.3 (figura 4.15), margem esquerda do ribeirão Arêdes (vide figura 4.4), Desde o início desta
pesquisa, suas atividades encontram-se embargadas. De acordo com informações locais, destinava-se à
retirada de minério de ferro e ao beneficiamento primário para a produção de granulado. É possível
identificar pequenos diques e a barragens de contenção de material fino, cuja drenagem flui para um
barramento artificial do córrego cascalheira. O exutório da barragem verte para o ribeirão Arêdes. Esta
barragem, inundou o mais expressivo conjunto arqueológico da região. No local, o exploração de ouro
desenvolvida nos séculos XVIII e XIX, realizada em catas, retirou grande parte da cobertura do
terreno para explorar o metal depositado nas planícies de inundação e nos terraços aluviais,
produzindo uma verdadeira cratera totalmente preenchida hoje pela água (Guimarães, 2010).

Figura 4.15- Mapa de localização, fotografia (a) e imagem Google Earth® (b) da Mineração Arêdes (seta
amarela). Em negro no mapa, a área aproximada ocupada pelo empreendimento.

53
Mendonça, F. P. C. Influência da mineração na geoquímica das águas superficiais e sedimentos...

4.6.6 - Sítios arqueológicos da exploração mineral (ouro)

A exploração de ouro na bacia do ribeirão Arêdes (um dos maiores tributários da cabeceira do
ribeirão Mata Porcos) se desenvolveu ao longo do século XVIII até meados do século XIX. O
sedimento aurífero era explorado no próprio fundo do canal e grandes áreas de catas a céu aberto
foram lavradas nas margens dos rios (figura 4.16). No ribeirão Arêdes, é possível observar área de
lavra com montes de rejeito (cascalhos empilhados) e testemunhos do nível original do solo,
completamente devastado para a retirada do ouro (figura 4.17). Existem nas encostas, galerias
escavadas para se atingir veios auríferos nas rochas (Guimarães, 2010).

Figura 4.16- Mapa de localização, fotografia (a) e imagem Google Earth® (b) de um dos locais de extração
antiga de ouro de aluvião. Em negro no mapa, a área aproximada ocupada com vestígios de cascalhos (rejeitos).

Figura 4.17- Vestígios da mineração antiga e recente. a) No círculo amarelo: boca de galeria aberta pela
mineração de ouro antiga, desabada em uma encosta; na seta amarela: área de utilização da mineração de ferro
atual. b) Nas setas: montes de rejeito (grânulos e cascalhos) da mineração antiga.
54
CAPÍTULO 5

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Serão apresentados ao longo deste capítulo os principais resultados obtidos no projeto. A


organização dos tópicos apoiou-se em duas premissas fundamentais: a primeira delas buscou
compreender o controle geológico na geoquímica de águas e sedimentos, função das diferentes
litologias presentes na bacia; a segunda, relacionar possíveis mudanças na geoquímica dos sedimentos
e das águas com as atividades de mineração existentes na área de estudo.

Para um melhor entendimento e interpretação dos resultados, os pontos de amostragem foram


agrupados inicialmente em função das nascentes minimamente antropizadas (coletas realizadas em
canais de primeira ordem) e logo após, em quatro regiões geograficamente distintas, definidas de
acordo com a localização das mineradoras em função das drenagens que cortam a área de estudo.
Sendo assim, foram eleitos os principais córregos com as respectivas minas investigadas, a saber:

 Influência da mineração de Ferro no ribeirão Arêdes.


 Influência da mineração de Ferro no ribeirão do Silva;
 Influência da mineração de Ferro no córrego Benevides;
 Influência da mineração de Caulim no ribeirão do Silva;

Por fim, uma breve discussão sobre o efeito de tamponamento exercido pelas rochas
carbonáticas presentes na bacia de captação será apresentada.

5.1- CONTROLE GEOLÓGICO NA GEOQUÍMICA DAS ÁGUAS E DOS


SEDIMENTOS NAS NASCENTES

Rochas e minerais encontrados na crosta terrestre são as fontes primárias de elementos


químicos para o ambiente, os quais são liberados e redistribuídos por diferentes tipos de mecanismos.
Em regiões onde há predominância de maiores condições de umidade, a água constitui-se como o
principal agente intempérico. De uma forma geral, a ação das águas causam a alteração dos minerais
silicatos pela hidrólise e a dissolução dos carbonatos, resultando na liberação de íons de Ca, Mg, Na e
K, assim como a formação de horizontes de solos ricos em Al, Fe e Si (Licth, 1998). Nesse contexto,
água e sedimentos tendem a apresentar uma assinatura geoquímica característica das suas áreas-fonte,
fornecendo indicativos das contribuições geogênicas exercida por diferentes litologias nas bacias
hidrográficas.

Na hierarquia fluvial, os canais de primeira ordem são aqueles que correspondem às


cabeceiras de drenagem ou às nascentes (Strahler, 1957). Em regiões que apresentam diferentes

 
Mendonça, F
F. P. C. Influên
ncia da mineraação na geoquíímica das águaas superficiais e sedimentos....

litotipos, a qquímica das águas nos rios tende a seer muito maiis heterogêneea (Rudnick & Gao, 2004
4), em
contra partiida, diversoss estudos ind
dicam que a litologia é um
u fator esseencial na geooquímica do
os rios
em uma escala local (Otha, et al.,
a 2004; R
Ranasinghe et al., 2008). Nesse ssentido, buscando
compreendeer o controle geológico nas
n caracteríssticas químiccas dos sistem
mas fluviais dda bacia, os dados
das concenttrações dos diversos elem
mentos obtiddos nas amo
ostras de águ
uas e de seddimentos coleetadas
nas princippais drenagenns de primeeira ordem na área de estudo foraam submetiddas à análisse dos
principais ccomponentess – PCA (fig
guras 5.1 e 55.2). Os pon
ntos avaliado
os foram: PR
R05, PR06, PR14,
P
PR15 E PR
R21 (figura 4.10). A taabela 5.1 aprresenta a co
oncentração dos elemenntos químico
os nos
sedimentos analisados.

Figura 5.1- Gráfico tipoo score plot mostrando a PCA dos elementos
e quíímicos nas ágguas das nasscentes
(variáveis) e pontos de colleta (amostras PR05, PR06,, PR14, PR15 E PR21).

PR21
nho
form. Cercadin

PR14
form.. Gandarela PR05
fo
orm. Barreiro

PRR06 e PR15
C
Coberturas
ceenozoicas:
Argilas

Figura 5.2- Gráfico tipo score plot mostrando


m a PC
CA dos elemmentos químico
os nos sedime
mentos das nasscentes
(variáveis) e pontos de colleta (amostras PR05, PR06,, PR14, PR15 E PR21).

56
Contribuições às Ciências da Terra, série M, volume 71, 131p.

Tabela 5.1-Tabela contendo os teores de elementos maiores e traço obtidos por meio da digestão em micro-ondas (EPA, 2007) dos pontos PR05, PR06, PR14, PR15, e PR21,
bem como os respectivos limites de quantificação do método empregado. Os valores de concentração estão em mg/kg com exceção do Al, Fe e Mn assinalados com um
asterisco, cuja unidade é g/kg.

TEORES DE ELEMENTOS EM SEDIMENTOS NOS PONTOS DE COLETA PR05, PR06, PR14, PR15, E PR21
LQ PR05-2 PR05-3 PR05-4 PR06-1 PR06-2 PR06-3 PR06-4 PR14-1 PR14-2 PR14-3 PR14-4 PR15-1 PR15-2 PR15-3 PR21-2 PR21-3 PR21-4
Al* 0,0364* 28,62 41,60 35,90 32,08 51,54 31,07 29,46 11,60 11,73 11,23 9,20 73,83 37,20 31,64 33,50 33,11 30,69
As 5,98 < LQ < LQ < LQ 69,20 33,26 28,12 43,85 < LQ < LQ < LQ < LQ < LQ < LQ < LQ < LQ < LQ < LQ
Ba 0,0389 45,82 51,60 64,80 20,56 39,92 17,02 27,47 11,59 12,44 19,89 15,05 46,60 66,90 54,40 115,50 103,90 117,10
Bi 7,13 < LQ < LQ < LQ < LQ < LQ < LQ < LQ 10,89 12,12 13,47 14,85 < LQ < LQ < LQ 10,45 < LQ 9,00
Ca 19 175,10 525,00 997,00 250,10 165,40 190,00 163,10 322,70 288,30 326,40 307,00 127,80 77,60 150,10 355,30 306,00 448,00
Co 1,15 7,14 5,78 8,04 2,03 1,80 1,34 2,83 0,00 0,00 1,24 1,30 2,81 2,09 1,55 18,81 14,25 18,67
Cr 0,63 146,70 154,00 142,80 78,50 79,40 70,00 63,00 11,10 9,40 9,56 8,21 197,80 129,70 117,40 112,10 85,80 94,40
Cu 1,898 28,11 54,70 48,68 94,30 44,61 26,54 23,87 0,00 0,00 5,39 < LQ 26,12 37,39 28,32 98,10 32,54 32,45
Fe* 0,059* 140,92 103,36 104,97 81,38 131,05 128,04 135,41 370,08 377,91 409,75 367,00 163,12 100,68 95,45 208,38 234,24 220,54
K 9,08 2305,00 2134,00 2061,00 733,00 1512,00 618,00 730,00 21,90 12,91 27,18 19,32 932,00 988,00 699,00 1081,00 913,00 879,00
Mg 0,180 100,00 134,40 105,60 129,80 214,40 122,20 137,40 43,98 34,29 25,80 10,51 272,60 210,90 164,90 232,90 223,10 236,50
Mn* 0,0001* 1,66 0,36 0,69 0,23 0,29 0,23 0,57 0,94 0,97 1,40 1,21 0,22 0,12 0,10 2,73 2,70 3,92
Na 6,9 212,80 187,50 183,30 50,20 74,70 32,45 40,65 26,62 18,62 21,93 12,21 27,97 33,45 29,91 43,53 31,49 42,58
Ni 1,710 17,05 22,64 22,12 8,54 11,29 5,74 5,78 < LQ < LQ < LQ < LQ 13,65 9,91 8,48 31,85 24,20 30,53
P 5,78 286,20 276,70 270,50 165,40 323,50 283,10 244,00 465,70 505,00 466,90 394,50 299,60 215,80 201,40 434,70 489,50 476,10
Pb 7,47 20,51 < LQ 11,90 16,46 20,89 16,42 18,81 40,61 42,87 47,67 42,61 18,47 27,13 24,91 33,41 27,96 34,47
S 5,31 27,37 87,80 92,20 67,70 59,00 65,30 75,20 114,60 104,10 91,30 66,40 96,90 69,70 72,30 64,30 70,30 87,50
Sc 0,0536 3,54 3,58 3,37 2,29 4,16 3,39 3,02 0,46 0,42 0,35 0,21 6,50 4,11 3,78 4,10 3,81 3,70
Sr 0,0158 17,07 14,95 29,16 10,93 18,04 8,39 10,62 1,63 1,71 2,10 1,70 4,06 7,88 7,25 10,56 8,85 9,67
Th 1,72 11,77 11,52 11,79 15,53 12,50 11,53 11,83 3,49 3,02 3,25 3,09 16,36 16,61 16,53 9,33 9,20 10,04
Ti 0,84 1026,00 724,00 741,00 248,80 381,10 348,10 267,40 351,20 338,00 346,90 298,10 496,00 318,30 294,00 1133,00 926,00 936,00
V 6,39 96,70 82,50 78,20 109,90 117,10 100,30 97,30 21,51 20,85 20,89 20,12 126,20 83,40 73,90 115,00 97,70 98,10
Y 0,336 6,08 4,21 4,50 1,93 3,05 1,78 2,32 3,15 2,09 2,95 2,52 1,92 2,87 2,43 7,47 6,53 7,15
Zn 0,296 54,40 72,40 82,90 69,40 53,10 41,16 34,27 55,50 49,19 63,10 52,00 39,56 30,34 31,66 87,70 50,80 58,20
Zr 0,866 22,93 24,10 25,40 36,48 34,14 31,13 32,77 < LQ < LQ < LQ < LQ 32,87 20,69 19,09 25,42 24,30 28,15

57
Mendonça, F. P. C. Influência da mineração na geoquímica das águas superficiais e sedimentos...

Na análise dos principais componentes – PCA das águas foram extraídas dez componentes ao
todo. As duas primeiras, respectivamente denominadas PC1 e PC2, explicam juntas 48% da variância
total dos dados (figura 5.1). Em relação à PCA dos sedimentos, as primeiras componentes explicaram
70% da variação estatística contida nos dados (figura 5.2).

Embora as águas das nascentes não reflitam claramente a assinatura geoquímica das rochas
locais, a química dos sedimentos nos canais de primeira ordem possivelmente está associada às
diferentes ocorrências geológicas no local. No gráfico tipo score plot entre as primeiras componentes
da PCA, nota-se que amostras correlacionadas de um mesmo ponto de coleta agruparam-se em regiões
distintas (figura 5.2). Nesse contexto, ao se examinar o mapa geológico da área de estudo (figura
4.10), esta relação entre a geologia e a geoquímica dos sedimentos torna-se mais evidente: o ponto
PR21 situa-se na Formação Cercadinho, o ponto PR14 na Formação Gandarela, o ponto PR15 na
Formação Barreiro e os pontos PR06 e PR15 em coberturas cenozoicas constituídas de argilas. Ao
longo deste capítulo, a discussão sobre as características geoquímicas destes pontos será retomada.

5.2- INFLUÊNCIA DA MINERAÇÃO DE FERRO NO RIBEIRÃO ARÊDES

Localizado a oeste da mineração Herculano e do córrego Benevides, situa-se a área de lavra e


beneficiamento da mineração SAFM (em funcionamento), e a mineração Arêdes (paralisada). O
principal curso d’água nas imediações das minas chama-se ribeirão Arêdes. Foram selecionados 7
pontos de amostragem ao longo deste ribeirão e dos seus tributários: PR02, PR06, PR10, PR11, PR13,
PR18 e PR21 (figura 5.3). À montante da mina SAFM situam-se os pontos PR21 e PR11 na Formação
Cercadinho (grupo Piracicaba) constituída por filitos, quartzo-moscovita-xisto e quartzito ferruginoso.
Ainda a montante da mesma mina, porém em outro córrego, está o ponto PR10 sobre a Formação
Gandarela (grupo Itabira) onde predominam os dolomitos, mas ocorrem também filitos argilosos ,
itabiritos dolomíticos e algumas zonas manganesíferas. Os pontos PR13 e PR18 estão à jusante da
mineração SAFM, também na Formação Gandarela. O ponto PR06 localiza-se na única drenagem
perene à montante da mineração Arêdes, em um depósito aluvial antigo constituído de argila rica em
alumínio. Contudo, este ponto de amostragem recebe a influência de rochas das formações Moeda e
Batatal (grupo Caraça) constituídas por filitos, quartzitos e quartzo-moscoita-xisto. No exutório do
ribeirão Arêdes, foi efetuada a coleta no ponto denominado PR02, situado na Formação Fecho do
Funil (grupo Piracicaba) junto aos afloramentos de mármores desta mesma Formação.

58
Contribuições às Ciências da Terra, série M, volume 71, 131p.

PR10
Mina PR06
PR21 e 11

PR13
PR18

PR02

Figura 5.3- À esquerda: mapa representando as drenagens e os pontos de amostragem nas imediações da
mineração de ferro SAFM e Arêdes (em vermelho no mapa). À direita: imagem Google Earth® com destaque
para o posicionamento dos pontos de amostragem em relação a mina (setas amarelas na foto), vistos em
perspectiva.

5.2.1- Análise das águas

Os padrões de qualidade das águas nos pontos PR02, PR06, PR13 e PR18 não apresentaram
variações significativas quando comparados à legislação brasileira em vigor. A Resolução CONAMA
357, de 2005, é a que estabelece valores admitidos para as águas naturais (CONAMA, 2005). Todos os
parâmetros analisados nas drenagens, cujo enquadramento nesta área é da classe tipo II (Camargos,
2005), atendem a esta legislação. Execção aos pontos PR02, PR10, PR11 e PR21, nos quais alterações
pontuais foram observadas. A tabela com os parâmetros aferidos encontra-se nos Apêndices II e III.

A drenagem onde se encontra o ponto PR10, apresenta uma situção peculiar: a nascente do
córrego é um cano (figura 5.4a). A água bombeada até este ponto, origina-se em um empreendimento
de minério de ferro fora da bacia hidrográfica de estudo, no chamado Complexo Pico, de propriedade
da empresa Vale (figura 5.4b). Embora esta mineração não se situe no interior da bacia hidrográfica
objeto deste estudo, sua influência foi claramente percebida no ribeirão Arêdes. Prática muito comum
no Quadrilátero Ferrífero, nas lavras de minas que se localizam abaixo do nível piezométrico, é
necessária a retirada de um grande volume de água. Isto ocorre porque a água precisa ser bombeada
para fora da cava enquanto durar a explotação da mina. Com isso ocorre um o rebaixamento do lençol
freático, neste caso do aquífero fraturado da Formação Cauê, o que em geral provoca a redução da
vazão natural em córregos e rios (ANA, 2006). O bombeamento de água para essa drenagem destina-
se a manutenção da vazão no ribeirão Arêdes, com a criação de uma nascente artificial para a
reposição de águas na bacia (figura 5.4a).

59
Mendonça, F. P. C. Influência da mineração na geoquímica das águas superficiais e sedimentos...

a b

Figura 5.4 - a): foto da “nascente” do córrego onde se situa o ponto PR10 (tributário do ribeirão Arêdes). b)
fotografia mostrando um detalhe do Pico de Itabirito, onde se localiza o grande complexo minerador de ferro da
empresa Vale, chamado Complexo Pico.

Nas amostras referentes ao ponto PR10, local onde ocorre a reposição de águas no ribeirão
Arêdes, a condutividade elétrica permaneceu na faixa entre 24,05 µS e 31,15 µS. Os sólidos totais
dissolvidos variaram entre 15,29 mg/L e 19,70 mg/L. O pH apresentou condições de maior acidez,
permanecendo entre 4,29 a 4,86. O potencial oxi-redução – Eh variou entre 266 mV a 325 mV. A
turbidez atingiu o valor máximo de 5,87 NTU. O teor de oxigênio dissolvido permaneceu entre 5,37
mg/L a 7,80 mg/L. A temperatura manteve-se entre 25,8ºC e 29,2ºC. Na figura 5.5 estão representados
alguns destes parâmetros para as amostras dos pontos PR10, PR11 e PR21.

Em todas as campanhas de coleta, o ponto PR10 apresentou os valores mais baixos de pH,
quando comparado com todos os demais pontos monitorados na área de estudo (figura 5.5c). Estes
valores são inferiores ao mínimo estabelecido pela legislação (CONAMA, 2005). Para águas de classe
II (caso da área de estudo), o pH deveria se manter entre 6,0 e 8,0. Entretanto, quando analisados os
valores de pH, organizados os pontos no ribeirão Arêdes de montante para jusante (PR21, PR10,
PR11, PR13, PR18 e PR02), nota-se a elevação gradual deste parâmetro. Mesmo com o lançamento de
uma drenagem ácida, derivada da mineração de ferro, o próprio ambiente fluvial foi capaz de
tamponar o sistema, elevando o pH até este se tornar alcalino (figura 5.6). Esta capacidade relaciona-
se ao efeito de dissolução dos mármores e dolomitos Formação Fecho do Funil na geoquímica das
águas na área de estudo (ver item 5.6).

60
Contribuições às Ciências da Terra, série M, volume 71, 131p.

a b

c d

Figura 5.5- Gráficos apresentando a variação temporal de alguns dos parâmetros aferidos nas amostras dos
pontos PR10, PR11 e PR21 separados por campanha de coleta e parâmetro avaliado. Condutividade elétrica (a);
turbidez (b); pH (c); potencial oxi-redução – Eh (d). Notar os valores inferiores do PH em relação ao permitido
pela legislação, entre 6 e 8 (tracejado).

a b

Figura 5.6- - Gráficos mostrando a variação da condutividade elétrica (a) e do pH (b) ao longo do ribeirão
Arêdes. Os pontos PR10-PR11-PR13-PR18-PR02 estão organizados de montante para jusante. Notar a condição
mais ácida imposta pelas águas no ponto PR10 (a). O aumento de todos os valores nos pontos PR18 e PR02 é
coincidente com a ocorrência dos afloramentos de mármores da Formação Fecho do Funil.
61
Mendonça, F. P. C. Influência da mineração na geoquímica das águas superficiais e sedimentos...

Assim como os valores de pH, os valores da condutividade elétrica, dos sólidos totais
dissolvidos e da alcalinidade se elevam gradualmente na medida em que o ribeirão Arêdes passa suas
águas pelas as rochas carbonáticas da Formação Fecho do Funil. Nota-se a nítida transição na resposta
geoquímica destes parâmetros, especialmente quando as águas alcançaram os afloramentos de
mármores situados no ponto PR02 (figura 5.6). Os valores mais baixos de pH encontrados no ponto
PR10 acabam fazendo com que parte dos elementos químicos (especialmente os metais) entrem em
solução; com isso, os valores de condutividade e sólidos totais dissolvidos deste ponto são
relativamente mais altos que os dos pontos PR21 e PR11 (figura 5.5).

Na análise dos principais constituintes aniônicos nas amostras do ponto PR10, a alcalinidade
apresentou valores entre 6,31 mg/L e 10,10 mg/L. Baixas concentrações cloreto foram observadas,
entre 0,02 mg/L a 0,04 mg/L. O sulfato apresentou a concentração máxima de 3,0 mg/L. A tabela com
os principais ânions encontra-se no Apêndice III.

A distribuição das principais formações carbonáticas na área de estudo estão representadas na


figura 5.7. Em destaque, estão os afloramentos de mármores da Formação Fecho do Funil e a
distribuição da Formação Gandarela na área de estudo (Lobato et al, 2005).

62
Contribuições às Ciências da Terra, série M, volume 71, 131p.

Figura 5.7- Mapa mostrando a ocorrência das formações contendo carbonatos: Gandarela (grupo Itabira) Fecho
do Funil (grupo Piracicaba) na área de estudo. Detalhe para os afloramentos de mármores ao longo do ribeirão
do Silva (setas vermelhas), cuja influência geoquímica é percebida nos pontos de coleta PR02, PR08, PR07 e
PR16. A legenda dos pontos amostrais está representada sem o prefixo (PR).
63
Mendonça, F. P. C. Influência da mineração na geoquímica das águas superficiais e sedimentos...

As concentrações dos elementos Ca e Mg se elevaram quando as águas encontraram os


afloramentos de mármores e dolomitos das formações Fecho do Funil e Gandarela (figura 5.7). O teor
de Ca no ponto PR02 foi mais alto em relação aos demais pontos do ribeirão Arêdes, variando entre
4,45 mg/L a 15,61 mg/L. O Mg variou sua concentração entre 2,13 mg/L a 7,46 mg/L. O restante dos
pontos localizado à montante dos mármores apresentaram as concentrações máximas de 2,88 mg/L
para o Ca e 1,76 mg/L para o Mg (figura 5.8).

Figura 5.8- Gráficos mostrando a variação dos cátions Ca (a) e Mg (b) ao longo do ribeirão Arêdes. Os pontos
PR10-PR10-PR18-PR13-PR02 estão organizados de montante para jusante. O aumento nos valores é coincidente
com os mármores da Formação Fecho do Funil, principal contribuição geogênica associada.

As concentrações do Al e do Fe no ponto PR10 ultrapassaram os limites máximos aceitáveis


pela legislação (CONAMA, 2005). Para as águas de classe II, aceitam-se as concentrações máximas
de100 µg/L para o Al dissolvido e 300 µg/L para o Fe dissolvido. A concentração do Al variou entre
63,4 µg/L a 245,3 µg/L. Os teores de Fe mantiveram-se na faixa de 275,4 µg/L a 431,5 µg/L (figura
5.9).

Figura 5.9- Gráficos mostrando a concentração dos elementos nas amostras de águas superficiais referentes aos
pontos PR10 e PR11 e PR21. Em (a): Fe (µg/L); em (b): Al (µg/L). Notar os teores mais elevados de Fe e Al nas
amostras do ponto PR10 em relação aos limites aceitáveis pela legislação (tracejado).

64
Contribuições às Ciências da Terra, série M, volume 71, 131p.

Alterações nas condições de Eh e pH na água afetam o equilíbrio físico químico entre as fases
dissolvida e sólida dos elementos. Quando ocorre a redução do pH, o Fe e o Al tornam-se mais móveis
e deslocam-se para a fase dissolvida, consequentemente, elevando a concentração dos íons nas águas
(Vasconcelos, 2009). Com a elevação gradual do pH, a tendência é a redução dos teores do Fe e Al na
fase dissolvida pela sua incorporação na fase sólida. Na figura 5.10 estão representadas as médias dos
valores de pH junto às médias dos elementos Fe e Al, organizados de montante para jusante até o
exutório do ribeirão Arêdes.

Figura 5.10- Gráficos mostrando a concentração média dos elementos nas amostras de águas superficiais
referentes aos pontos PR10-PR11-PR13-PR18-PR02 e sua variação junto às medidas de pH. Em (a): Al (µg/L);
em (b): Fe (µg/L).

5.2.2- Análise dos sedimentos

A mineralogia dos sedimentos obtida pela difração de raios-x é bem homogênea entre os
pontos PR02, PR06, PR10, PR11, PR13, PR18 e PR21, sendo constante a presença dos seguintes
minerais: quartzo, hematita, gibbsita, caulinita, moscovita e ortoclásio.

As concentrações dos elementos químicos obtidas nos pontos PR02, PR06, PR10, PR11,
PR13, PR18 e PR21 foram submetidas à análise de agrupamentos – CA e à análise dos principais
componentes – PCA. Dessa forma, foi possível analisar o agrupamento de amostras segundo seu
comportamento geoquímico. Na tabela 5.2 foram representadas as concentrações dos elementos
químicos por ponto e época de coleta. Os pontos estão organizados de acordo com a sequência das
coletas: setembro de 2010, dezembro de 2010, março de 2011 e junho de 2011 (tabela 3.2). Na tabela
5.3 foram representados os autovetores obtidos na PCA, o p valor obtido na ANOVA e o teste F de
Fischer, realizado entre os pontos PR02, PR06, PR10, PR11, PR13, PR18 e PR21.

65
Mendonça, F. P. C. Influência da mineração na geoquímica das águas superficiais e sedimentos...

Tabela 5.2- Tabela contendo os teores de elementos maiores e traço obtidos por meio da digestão em micro-ondas (EPA, 2007) dos pontos PR02, PR06, PR10, PR11, PR13,
PR18 e PR21, bem como os respectivos limites de quantificação do método empregado. Os valores de concentração estão em mg/kg com exceção do Al, Fe e Mn assinalados
com um asterisco, cuja unidade é g/kg.
TEORES DE ELEMENTOS EM SEDIMENTOS NOS PONTOS DE COLETA PR02, PR06, PR10, PR11, PR13, PR18 E PR21
PR02 PR02 PR02 PR02 PR06 PR06 PR06 PR10 PR10 PR10 PR11 PR11 PR11- PR11- PR13 PR13 PR13- PR13- PR18 PR18 PR18 PR21 PR21 PR21
LQ
-1 -2 -3 -4 -1 -3 -4 -1 -2 -3 -1 -2 3 4 -1 -2 3 4 -2 -3 -4 -2 -3 -4
Al* 0,036 4,7 11,4 5,3 15,9 32,1 31,1 29,5 25,4 18,8 26,2 30,1 29,9 30,7 34,9 15,2 22,8 28,4 24,2 16,3 13,6 21,8 33,5 33,1 30,7
As 5,98 < LQ < LQ < LQ < LQ 69,2 28,1 43,9 < LQ < LQ < LQ < LQ < LQ < LQ < LQ < LQ < LQ < LQ < LQ < LQ < LQ < LQ < LQ < LQ < LQ
Ba 0,038 86,0 140,1 186,0 124,4 20,6 17,0 27,5 15,5 13,8 10,4 99,4 65,2 78,2 65,2 28,2 42,0 41,9 38,0 52,7 38,0 36,9 115,5 103,9 117,1
Ca 19,0 502,0 316,4 358,1 571,0 250,1 190,0 163,1 79,7 50,3 95,5 1410,0 235,7 303,7 694,0 606,0 252,4 352,3 624,0 181,2 201,2 484,5 355,3 306,0 448,0
Co 1,15 7,8 11,6 11,8 12,9 2,0 1,3 2,8 2,5 0,0 1,9 19,5 13,0 5,0 10,8 12,6 12,3 14,6 11,2 12,1 13,6 11,3 18,8 14,3 18,7
Cr 0,63 60,4 80,5 76,2 86,0 78,5 70,0 63,0 34,4 21,1 32,7 87,0 75,2 44,2 54,6 98,0 94,7 93,3 84,3 74,0 88,3 86,0 112,1 85,8 94,4
Cu 1,898 26,1 92,3 59,3 48,2 94,3 26,5 23,9 38,5 20,1 21,3 98,8 27,9 8,3 38,9 33,1 179,8 82,0 33,8 24,4 27,9 30,4 98,1 32,5 32,5
Fe* 0,059 180,1 175,2 167,8 189,4 81,4 128,0 135,4 183,3 299,5 178,3 222,5 211,1 291,6 219,5 147,5 172,8 164,3 174,4 181,1 162,4 171,6 208,4 234,2 220,5
K 9,08 297,7 342,5 247,7 472,3 733,0 618,0 730,0 397,0 318,9 598,0 1028,0 1264,0 432,2 712,0 445,5 873,0 1116,0 600,0 412,9 400,5 499,6 1081,0 913,0 879,0
Mg 0,180 106,5 116,3 65,3 198,0 129,8 122,2 137,4 41,8 20,7 67,5 368,0 223,1 95,8 212,8 105,7 112,0 175,5 168,9 70,0 79,7 163,5 232,9 223,1 236,5
Mn* 0,0001 2,4 3,4 3,2 3,5 0,2 0,2 0,6 0,5 0,5 0,3 3,5 1,6 2,1 2,8 1,4 1,8 1,6 1,8 2,7 2,2 2,2 2,7 2,7 3,9
Na 6,9 37,4 32,1 28,4 26,7 50,2 32,5 40,7 28,4 32,1 33,7 89,5 43,4 35,5 28,1 61,2 62,1 66,6 34,8 37,2 38,2 42,1 43,5 31,5 42,6
Ni 1,710 18,0 26,6 32,0 33,8 8,5 5,7 5,8 0,0 0,0 3,4 33,3 23,1 9,1 15,5 41,8 31,3 38,0 31,6 29,7 46,8 37,8 31,9 24,2 30,5
P 5,78 174,4 268,3 262,1 365,1 165,4 283,1 244,0 297,6 257,9 355,2 447,0 319,7 613,0 323,1 340,0 311,4 371,3 376,4 286,9 405,3 400,9 434,7 489,5 476,1
Pb 7,47 25,7 26,1 30,9 29,9 16,5 16,4 18,8 20,9 33,6 21,7 27,0 26,6 36,4 24,5 18,5 29,9 20,9 25,0 24,0 22,5 22,6 33,4 28,0 34,5
S 5,31 51,8 23,3 7,2 53,6 67,7 65,3 75,2 177,2 54,8 151,3 141,6 56,8 97,2 93,4 50,2 31,0 42,5 59,1 28,4 26,1 72,3 64,3 70,3 87,5
Sc 0,0536 1,4 2,5 2,7 2,8 2,3 3,4 3,0 0,9 1,2 1,2 3,1 3,0 3,0 2,1 2,5 2,6 4,3 2,7 2,2 2,5 2,4 4,1 3,8 3,7
Sr 0,0158 4,4 5,9 8,0 8,5 10,9 8,4 10,6 2,9 2,3 3,5 5,5 6,5 8,5 5,0 4,7 7,2 7,5 6,5 6,7 7,6 7,2 10,6 8,9 9,7
Th 1,72 5,6 8,3 9,3 9,5 15,5 11,5 11,8 9,5 6,9 11,0 9,2 8,9 8,4 10,8 8,7 8,7 8,8 10,3 7,2 8,1 9,5 9,3 9,2 10,0
Ti 0,84 661,0 496,7 676,0 622,0 248,8 348,1 267,4 191,5 208,3 238,5 847,0 748,0 553,0 400,1 791,0 756,0 838,0 613,0 519,0 694,0 604,0 1133,0 926,0 936,0
V 6,39 54,4 66,1 69,3 73,7 109,9 100,3 97,3 44,2 30,9 40,8 94,6 79,5 58,2 64,0 79,1 81,8 103,7 79,8 64,9 68,8 74,3 115,0 97,7 98,1
Y 0,336 4,5 5,5 6,8 6,4 1,9 1,8 2,3 3,6 2,2 4,1 7,2 6,4 4,5 5,5 5,1 5,1 6,0 4,7 4,3 5,0 4,5 7,5 6,5 7,2
Zn 0,296 57,8 73,6 54,6 54,2 69,4 41,2 34,3 39,4 42,3 34,0 105,5 42,7 63,8 85,1 90,1 119,4 77,0 66,0 53,4 64,6 65,6 87,7 50,8 58,2
Zr 0,866 10,7 16,3 17,8 19,6 36,5 31,1 32,8 17,9 11,6 18,0 19,4 20,9 23,0 24,0 17,6 17,9 18,3 21,8 14,9 16,2 20,7 25,4 24,3 28,2

66
Contrribuições às Ciêências da Terra
ra, série M, vollume 71, 131p..

Tabella 5.3- Tabelaa contendo os autovetores oobtidos na PCA


A, o p valor obtido na ANO
OVA e o teste F de Fischer,,
realizado entre os pontos
p PR02, PR06,
P PR10, PR11, PR13, PR18 e PR21.
P
PCA E ANOVA COM
C OS TESTEES F E O PCA E ANO
OVA COM OS TESTES
T FEO
ELEM
MENTOS RESPECTIVO P VALORR ELEMENTOS
E RESSPECTIVO P VAALOR
P
PC1 PC2 Teste F P valor PC1 PC2 Testee F P valor
Al 0
0,05 0,28 16,64 0,00 Ni 0,26 -0,09 14,3
32 0,00
As -00,11 0,36 19,17 0,00 P 0,18 -0,06 3,93 0,01
Ba 0
0,20 -0,15 19,81 0,00 Pb 0,13 -0,23 3,91 0,01
Ca 0
0,21 -0,03 1,96 0,13 S -0,08 0,06 4,15 0,01
Co 0
0,32 -0,08 11,99 0,00 Sc 0,26 0,16 7,74
4 0,00
Cr 0
0,28 0,11 11,81 0,00 Sr 0,15 0,27 9,90 0,00
Cu 0
0,15 0,09 0,80 0,59 Th -0,04 0,37 3,78 0,01
Fe 0
0,04 -0,25 6,02 0,00 Ti 0,31 -0,06 17,1
15 0,00
K 0
0,19 0,21 4,30 0,01 V 0,21 0,31 14,6
61 0,00
M
Mg 0
0,26 0,12 4,29 0,01 Y 0,29 -0,15 14,3
35 0,00
M
Mn 0
0,25 -0,19 18,77 0,00 Zn 0,22 0,00 2,78 0,05
Na 0
0,17 0,11 1,62 0,20 Zr 0,02 0,38 16,1
16 0,00

A análisee de agrupaamentos – C
CA, obtida a partir dos teores de eelementos qu
uímicos noss
sedim
mentos de leito,
l não revelou umaa relação diireta entre os grupos formados e assinaturass
geoquuímicas caraacterísticas dee cada um doos pontos de amostragem
m (figura 5.111).

Figurra 5.11- Denddograma dos elementos


e quím
micos (variáv
veis) e pontos de coleta (am
mostras PR02, PR06, PR10,,
PR11, PR13, PR18 e PR21).

Na análisse dos princiipais componnentes – PCA


A foram extrraídas dez coomponentes ao todo. Ass
duas primeiras, respectivamente denominnadas PC1 e PC2, expliccam juntas aapenas 60% da variânciaa
total dos dados (ffigura 5.12).. Três grupo s distintos foram
fo formad
dos: o primeeiro deles pelas amostrass
do poonto PR06, o segundo constituído
c ppelas amostrras do ponto PR10 e o úúltimo consttituído peloss
demaais pontos am
mostrais situados ao longgo do ribeirãão Arêdes (taanto à montaante quanto à jusante dee
ambaas as mineraações). Nota--se que grannde parte das amostras referentes
r aoos pontos sittuados nestee
ribeirrão não se diferenciam peela PCA, ou seja, todas elas
e estão fortemente corrrelacionadas entre si.

67
Mendonça, F
F. P. C. Influên
ncia da mineraação na geoquíímica das águaas superficiais e sedimentos....

PR066
Demais pontos:
02,
0 11, 13, 18 e 21
1

PR10

Figura 5.12-- Gráfico do tiipo Score Plott da PCA dos elementos qu


uímicos (variáv
veis) e pontoss de coleta (am
mostras
PR02, PR06,, PR10, PR11,, PR13, PR18 e PR21) paraa as amostras de d sedimentoss.

Os eelementos quue carregam os maiores ppesos na PC1 foram o Co


o (0,32), Ti ((0,31), e Cr (0,28).
(
Por meio dda ANOVA, menores con
ncentrações destes elem
mentos foram confirmadaas no ponto PR10,
P
quando com
mparadas a toodos os outrros pontos annalisados. Ass contribuiçõ
ões dos elem
mentos na priimeira
componentee para as am
mostras do ponto
p PR10 ppodem ser observadas
o na
n figura 5.113, sendo esstas as
principais reesponsáveis pela diferencciação destass amostras.

68
Contribuições às Ciências da Terra, série M, volume 71, 131p.

Contribuição elementos PR10-1 Contribuição elementos PR10-2


4,5 6
4,0
5
3,5
3,0 4
2,5
3
valor de contribuição

valor de contribuição
2,0
1,5 2
1,0 Co Cr Ti Co Cr Ti
1
0,5
0,0 0
-0,5
-1
-1,0
-1,5 -2
-2,0
-3
-2,5
-3,0 -4
-3,5
-5
-4,0
-4,5 -6
Al As Ba Ca Co Cr Cu Fe K Mg Mn Na Ni P Pb S Sc Sr Th Ti V Y Zn Zr Al As Ba Ca Co Cr Cu Fe K Mg Mn Na Ni P Pb S Sc Sr Th Ti V Y Zn Zr
elementos elementos

Contribuição elementos PR10-3


4,0
3,5
3,0
2,5
2,0
valor de contribuição

1,5
Co Cr Ti
1,0
0,5
0,0
-0,5
-1,0
-1,5
-2,0
-2,5
-3,0
-3,5
-4,0
Al As Ba Ca Co Cr Cu Fe K Mg Mn Na Ni P Pb S Sc Sr Th Ti V Y Zn Zr
elementos

Figura 5.13- Gráficos demonstrando a contribuição dos elementos químicos na PC1 para as amostras do ponto
PR10. Foram representadas três campanhas realizadas, com exceção da quarta. Notar as maiores contribuições
exercidas pelos elementos Co, Cr, Ti e Y (baixas concentrações em relação aos outros pontos), assinalados na
barra do gráfico com uma seta vermelha.

Maiores pesos foram encontrados na PC2 para o Zr (0,38), Th (0,37) e As (0,36). Por meio da
ANOVA, maiores concentrações destes elementos foram confirmadas nas amostras do ponto PR06 em
relação a todos os outros pontos. As contribuições dos elementos na segunda componente para as
amostras do ponto PR06 podem ser observadas na figura 5.14, sendo estas as principais responsáveis
pela diferenciação destas amostras.

O ponto PR06 foi o único local em toda a área de estudo onde foi detectada a presença do As
nos sedimentos de leito, situação válida para todas as campanhas analisadas. A concentração do As
variou entre 28,12 mg/kg e 69,20 mg/kg. O arsênio é um elemento calcófilo que ocorre normalmente
em rochas sulfetadas. Os minerais mais comuns de As são aqueles das classes dos sulfetos, como por
exemplo, a arsenopirita (FeAsS), podendo ocorrer também na pirita (FeS) como uma impureza (Borba,
2002; Wedepohl, 1978).

69
Mendonça, F. P. C. Influência da mineração na geoquímica das águas superficiais e sedimentos...

Contribuição elementos PR06-1 Contribuição elementos PR06-3


14 7
As Th Zr
12 Zr 6
10 5 As Th
8 4
valor de contribuição

valor de contribuição
6 3
4 2
2 1
0 0
-2 -1
-4 -2
-6 -3
-8 -4
-10 -5
-12 -6
-14 -7
Al As Ba Ca Co Cr Cu Fe K Mg Mn Na Ni P Pb S Sc Sr Th Ti V Y Zn Zr Al As Ba Ca Co Cr Cu Fe K Mg Mn Na Ni P Pb S Sc Sr Th Ti V Y Zn Zr
elementos elementos

Contribuição elementos PR06-4


8
7 As Zr
6 Th
5
4
valor de contribuição

3
2
1
0
-1
-2
-3
-4
-5
-6
-7
-8
Al As Ba Ca Co Cr Cu Fe K Mg Mn Na Ni P Pb S Sc Sr Th Ti V Y Zn Zr
elementos

Figura 5.14- Gráficos demonstrando a contribuição dos elementos químicos na PC2 para as amostras do ponto
PR06. Foram representadas três campanhas realizadas, com exceção da segunda. Notar as maiores contribuições
exercidas pelos elementos As, Th e Zr (maiores concentrações em relação aos outros pontos), assinalados na
barra do gráfico com uma seta vermelha.

Em outras regiões do Quadrilátero Ferrífero a presença do arsênio relaciona-se a


mineralizações de ouro, constituindo-se em alguns casos como fonte de contaminação associadas à
atividade de extração desse metal precioso. Contudo, anomalias naturais desse elemento são
encontradas em águas e sedimentos em toda a região (Costa, 2007; Rhodes, 2010). Considerado como
um elemento farejador de veios auríferos, sua presença sugere a associação geoquímica com depósitos
hidrotermais. A formação desses veios muitas vezes se processa com o metamorfismo de contato
quando fluidos hidrotermais preenchem falhas e fraturas nas rochas, os quais muitas vezes originam o
enriquecimento de um determinado metal (Licth, 1998). Na área de estudo, são observadas zonas de
cisalhamento de empurrão e direcionais no domínio leste no sinclinal Moeda, fruto dos eventos
deformacionais ocorridos no passado geológico da região (Silva, 1999). O ponto PR06 está situado em
uma destas falhas, sendo a presença do As um indicativo de que podem ocorrer mineralizações de
ouro e/ou sulfetos no local. A exploração antiga de ouro (ocorrida no século XVIII) à jusante desse
ponto é mais um indicativo que sugere a ocorrência da mineralização. Em outra falha situada na
mesma zona de cisalhamento, um pouco mais ao norte do ponto PR06, há a ocorrência de

70
Contribuições às Ciências da Terra, série M, volume 71, 131p.

mineralização aurífera, pois no local desta falha, funcionou uma importante mina de ouro no século
XIX (entre os anos de 1840 a 1844) denominada Mina da Cata Branca (Guimarães, 2010).

O zircônio é um elemento-traço abundante em rochas ígneas. Tem raio iônico semelhante ao


Mg2+, Fe2+, Y3+, Ti4+ e tende a se concentrar em lateritas, especialmente as bauxitas (Wedepohl, 1978).
Os teores de Zr no ponto PR06 variaram entre 31,13 mg/kg a 36,48 mg/kg. Existe relato da associação
deste elemento com mineralizações auríferas no alto curso da bacia do ribeirão do Carmo, cujas
concentrações mais elevadas em sedimentos podem se relacionar à co-precipitação deste elemento
com óxidos de ferro (Costa, 2007), sendo possível que associação semelhante tenha ocorrido no ponto
PR06.

A avaliação dos pontos PR02, PR11, PR13, PR18 e PR21, por meio da análise dos principais
componentes, não foi capaz de discriminar as amostras coletadas à montante e à jusante das minas.
Dessa forma, não foi possível associar a assinatura geoquímica dos pontos em relação à atividade de
mineração desenvolvida no local. Também, não houve uma diferenciação nítida entre as litologias
presentes no curso do ribeirão Arêdes.

Semelhante ao que foi observado no ponto PR08 (ribeirão do Silva – ver item 5.3), os teores
de Fe no ribeirão Arêdes também foram mais elevados. Nos pontos PR11 e PR21, a concentração do
Fe (montante das minas no ribeirão Arêdes) é estatisticamente maior em relação às concentrações
obtidas nos pontos PR13 e PR18 (jusante das minas no ribeirão Arêdes), onde os teores são mais
baixos. Nos pontos PR11 e PR21, o Fe variou entre 208,38 g/kg a 291,24 g/kg. Já nos pontos PR13 e
PR18, a concentração variou entre 147,46 g/kg a 181,07 g/kg. O mesmo ocorre com o Mn, onde
concentrações elevadas foram observadas à montante dos empreendimentos.

Não é possível afirmar que existe uma relação direta da atividade de mineração com as
concentrações elevadas de Fe e Mn nos sedimentos, pois a comparação da concentração média do
elemento Fe entre os pontos à montante e à jusante das minas, demonstrou que o background
geoquímico (fruto das amostras coletadas em áreas minimamente antropizadas) é elevado. O mesmo
ocorre com os elementos analisados no ribeirão Arêdes, onde concentrações mais elevadas de Al, Co e
Pb são encontradas à montante das minas. Trabalho semelhante desenvolvido em uma área de
mineração de ferro no México (Marmolejo-Rodríguez et al,. 2007), também encontrou concentrações
elevadas de Fe, Al, Cd, Co, Cu, Ni, Pb e Zn nos treze pontos monitorados. Porém, ao compararem
estes valores com dados de background de regiões geologicamente semelhantes, os autores não
encontraram impactos significativos da mineração de ferro sobre a geoquímica dos sedimentos
analisados, pois as concentrações são semelhantes a de outras áreas onde existem minas do mesmo
tipo.

Ao resgatar a concentração dos elementos ferro e manganês no estudo desenvolvido por


Oliveira et al. (1979), nota-se que não houve uma grande diferença na concentração do manganês no

71
Mendonça, F. P. C. Influência da mineração na geoquímica das águas superficiais e sedimentos...

ribeirão Arêdes e de seus tributários ao longo dos últimos trinta anos (figura 5.15). Tal fato corrobora
a hipótese de que o background geoquímico é elevado para esta região da bacia, uma vez que as
próprias jazidas de ferro e manganês situam-se nestes locais, hospedadas principalmente no grupo
Itabira. Entretanto, cabe destaque ao enriquecimento do ferro e manganês nos sedimentos (figura
5.16), sugerindo que a intervenção promovida pelas minas ao longo dos anos possa ser a responsavel
por este acréscimo.

Figura 5.15-Mapa representando as drenagens e a concentração do Mn em épocas distintas: 1979 e 2011.

Figura 5.16-Mapa representando as drenagens e a concentração do Fe em épocas distintas: 1979 e 2011.

72
Contribuições às Ciências da Terra, série M, volume 71, 131p.

5.3- INFLUÊNCIA DA MINERAÇÃO DE FERRO NO RIBEIRÃO DO SILVA

Ao sul da mina de caulim, localiza-se no divisor de águas entre o ribeirão do Silva e o córrego
Benevides, a usina de beneficiamento da Mineração Herculano. A cava, onde é explotado o minério,
situa-se fora da área de estudo, em outra bacia hidrográfica. Dois pontos de coleta de amostras foram
selecionados nas imediações da usina: PR05 e PR08 (figura 5.17). O ponto PR05 é uma nascente
localizada a montante do empreendimento em uma área sem interferências antrópicas significativas. O
ponto PR08 está localizado no ribeirão do Silva a jusante da barragem de rejeito mais antiga, de
propriedade da mineradora. O ponto PR05 situa-se sobre os filitos grafíticos e multicoloridos da
Formação Barreiro (grupo Piracicaba) ao passo que o ponto PR08, situa-se em um afloramento de uma
das lentes de dolomito pertencentes à Formação Fecho do Funil (grupo Piracicaba).

PR05
Beneficiamento

PR08

Figura 5.17- À esquerda: mapa representando as drenagens e os pontos de amostragem nas imediações da
mineração de ferro (em vermelho). À direita: imagem Google Earth® com destaque para o posicionamento dos
pontos de amostragem em relação a mina (setas amarelas), vistos em perspectiva.

5.3.1- Análise das águas

Na análise das águas, não foram observadas alterações significativas nos padrões de qualidade
para os pontos PR05 e PR08. Todos os parâmetros analisados nas drenagens atendem a legislação para
as águas de classe II. Exceção feita aos casos pontuais do pH e do oxigênio dissolvido, discutidos mais
adiante. A tabela com os parâmetros aferidos encontra-se nos Apêndices II e III.

Nas amostras referentes ao ponto PR05, a condutividade elétrica permaneceu na faixa entre
2,49 µS e 8,96 µS. Os sólidos totais dissolvidos variaram entre 1,57 mg/L e 5,59 mg/L. O pH
permaneceu entre 5,52 e 8,04. O potencial oxi-redução – Eh variou entre 203 mV a 283 mV. A
turbidez foi baixa, máximo de 2,42 NTU. O teor de oxigênio dissolvido permaneceu entre 6.06 mg/L e
7,85 mg/L. A temperatura manteve-se entre 21,6ºC e 23,8ºC. A tabela com os parâmetros aferidos
encontra-se no Apêndice III. Na figura 5.18 estão representados alguns dos parâmetros.

73
Mendonça, F. P. C. Influência da mineração na geoquímica das águas superficiais e sedimentos...

Nas amostras referentes ao ponto PR08, a condutividade elétrica permaneceu na faixa entre
42,78 µS e 78,06 µS. Os sólidos totais dissolvidos variaram entre 27,24 mg/L e 49,02 mg/L. O pH
permaneceu entre 4,90 e 8,244. O potencial oxi-redução – Eh variou entre 159mV a 307mV. A
turbidez foi baixa em todas as campanhas, cujo valor máximo foi 2,42 NTU. Contudo, na amostra
PR08-2 ocorreu o aumento para 18,03 NTU. O teor de oxigênio dissolvido permaneceu entre 5,80
mg/L a 7,85 mg/L. A temperatura manteve-se entre 23,1ºC e 25,8ºC. A tabela com os parâmetros
aferidos encontra-se no Apêndice III. Na figura 5.18 estão representados alguns dos parâmetros.

a b

c d

Figura 5.18- Gráficos apresentando a variação temporal de alguns dos parâmetros aferidos nas amostras dos
pontos PR05 e PR08 separados por campanha de coleta e parâmetro avaliado. pH (a); potencial oxi-redução – Eh
(b); oxigênio dissolvido (c); turbidez (d).

A análise dos principais constituintes aniônicos nas amostras do ponto PR05 apresentou a
alcalinidade entre 6,39 mg/L e 16,32 mg/L. Baixas concentrações cloreto foram observadas (0,04
mg/L) e o sulfato não foi detectado. A tabela com os principais ânions encontra-se no Apêndice III. A
análise dos principais constituintes aniônicos nas amostras do ponto PR08 apresentou a alcalinidade
entre 26,85mg/L e 53,03 mg/L. Baixas concentrações de sulfato e cloreto foram observadas. O teor

74
Contribuições às Ciências da Terra, série M, volume 71, 131p.

máximo de SO4 registrado foi 1,0 mg/L e o de Cl- foi 0,10 mg/L. A tabela com os principais ânions
encontra-se no Apêndice III.

Na segunda coleta referente às amostras PR05-2 e PR08-2 (dezembro de 2010), observaram-se


valores de pH menores do que 6,0 (abaixo do recomentado pela legislação para águas de classe II). A
turbidez apresentou-se elevada na no ponto PR08 (18,03 NTU), onde também, o oxigênio dissolvido,
registrou o seu teor mais baixo (5,80 mg/L). No dia de realização destas coletas, houve um evento de
precipitação na bacia, o que pode ser a causa desta variação. Como a turbidez representa a dificuldade
da água em transmitir um feixe de luz, provocada normalmente pelo material suspenso no corpo
d’água, seu aumento relativo pode ser reflexo do pico de precipitação registrado na bacia. Chuvas
torrenciais tendem a aumentar o escoamento superficial das encostas e enxurradas com o material
proveniente do entorno que atinge o canal, provocando o incremento da descarga líquida e da descarga
sólida (matéria orgânica e sedimentos em suspensão). Ácidos orgânicos decorrentes deste fenômeno
podem também contribuir para abaixar o pH e o teor de oxigênio dissolvido (Santos, 1997).

Ao examinar o perfil longitudinal do ribeirão do Silva (figura 4.2), organizando-se os pontos


desde a sua cabeceira até o extremo sul da área de estudo (localidade de ribeirão do eixo), observa-se
um aumento dos valores da condutividade elétrica, dos sólidos totais dissolvidos e da alcalinidade, em
todos os locais de coleta à jusante do ponto PR08 (figura 5.19). Todos estes sítios amostrais repousam
sobre o mesmo contexto litológico, a Formação Fecho do Funil do grupo Piracicaba. Contudo, o que
se observa, é que com o surgimento dos afloramentos de mármores e dolomitos, estes exercem uma
influência significativa nas águas do ribeirão. Os pontos organizados de montante para a jusante são
respectivamente: PR15, PR17, PR05, PR08, PR07 e PR16.

a b

Figura 5.19- Variação da condutividade elétrica (a), da alcalinidade (b) ao longo do ribeirão do Silva. Os pontos
PR15-PR17-PR05-PR08-PR07-PR16 estão organizados de montante para jusante. O aumento nos valores é
coincidente com a ocorrência dos afloramentos de mármores da Formação Fecho do Funil.

75
Mendonça, F. P. C. Influência da mineração na geoquímica das águas superficiais e sedimentos...

Como a condutividade elétrica é a medida da capacidade da água em conduzir corrente


elétrica, esta depende da presença de cátions e ânions em solução. Ou seja, quanto maior a
concentração de íons, maior será a condutividade (CETESB, 2009; Von Sperling, 2005). Já a
alcalinidade é a capacidade da água na neutralização de ácidos, cujo principal componente associado
na área de estudo é o íon bicarbonato (HCO3-). As fontes naturais destes ânions são a dissolução de
rochas e as reações de CO2 ou a própria decomposição da matéria orgânica (Neal, 2001).

Na área de estudo, a elevação da alcalinidade e da condutividade elétrica e dos sólidos totais


dissolvidos exibe uma relação direta com os afloramentos de mármores pertencentes à Formação
Fecho do Funil (figura 5.20). Estas rochas introduzem principalmente cálcio e bicarbonato no sistema
aquoso (CaCO3 + CO2 + H2O ↔ Ca2+ + 2 HCO3-), derivados dos processos intempéricos que liberam
estes íons, na medida em que dissolvem minerais carbonáticos (Deer, 1992). Em ambientes com a
faixa de pH situada entre 6.5 e 7.8, o bicarbonato é o ânion dominante e os principais cátions são o
cálcio e o magnésio. Esta condição é comum em climas mais úmidos e detentores de feições cárticas,
refletindo a composição local das rochas e proporcionando um bom efeito de tamponamento nas águas
(Hounslow, 1995).

Em outra região do Quadrilátero Ferrífero (sub-bacia do rio da Ponte), valores de alcalinidade


acima de 40 mg/L foram relatados em amostras sob a influência de rochas carbonáticas. A dissolução
dos dolomitos e filitos dolomíticos foi apontada como uma das causas de introdução dos íons
bicarbonato no rio da Ponte (Guimarães-Silva, 2007).

O efeito tampão exercido pelas rochas nos córregos da região possui significativo interesse
ambiental. Tal fato, torna-se importante quando se está preocupado com a capacidade que as rochas
possuem na neutralização de drenagens ácidas de mina, outros efluentes ácidos e a própria chuva ácida
(Langmuir, 1997). Em condições de acidez introduzidas no sistema, a boa capacidade de
tamponamento proporciona a auto-remediação dos córregos.

a b

Figura 5.20- Fotos dos afloramentos das lentes de mármores e dolomitos pertencentes à Formação Fecho do
Funil (setas amarelas). Em (a) afloramento nas margens do ribeirão Arêdes, ponto PR02; em (b) afloramento nas
margens do ribeirão do Silva, ponto PR08.
76
Contribuições às Ciências da Terra, série M, volume 71, 131p.

Mármores e dolomitos presentes no supergrupo Minas são as rochas carbonáticas que


fornecem grande parte das contribuições geogênicas dos elementos Ca e Mg para o ambiente. Os
minerais calcita e dolomita constituem-se como as principais fontes de cálcio, sendo a dolomita, a
responsável pela contribuição do magnésio (Santos, 1997).

Nas drenagens que cortam rochas carbonáticas na região do Himalaia, a alcalinidade e o cálcio
estão entre os íons mais abundantes nas águas, indicando a dominância do intemperismo dos
carbonatos e silicatos na carga dissolvida. As características geoquímicas das águas são fortemente
influenciadas pela litologia da bacia, relacionando-se ao desgaste das rochas da região que promovem
o input destes íons no sistema aquoso. Uma média de 75% da concentração do HCO3- é atribuída a
origem das rochas carbonáticas, sendo os 25% restantes, originados dos silicatos (Ahmad et al., 1998;
Dalai et al, 2002).

Ao longo do ribeirão do Silva, as concentrações de Ca e Mg se elevam quando as águas


encontram os afloramentos de litologias carbonáticas, representadas no local pelos mármores da
Formação Fecho do Funil. O teor de Ca nos pontos à montante destas rochas variou entre 0,04 mg/L a
1,29 mg/L. O Mg alcançou o teor máximo de 0,05 mg/L. À jusante dos mármores, os teores de Ca se
elevaram para a faixa entre 4,29 mg/L a 11,91 mg/L. O Mg permaneceu entre 2,07 mg/L a 4,11 mg/L.
Os principais cátions ao longo do ribeirão do Silva estão representados na figura 5.21. As elevações
destes íons contribuem também para a o aumento nos valores da condutividade elétrica e da
alcalinidade, conforme demonstrado anteriormente (figura 5.21).

Outros estudos desenvolvidos em rios no Quadrilátero Ferrífero (rio Conceição e seus


tributários) também constataram elevações na concentração do Ca e Mg nas águas, indicando como
causa principal as ocorrências litológicas de mármores e dolomitos do supergrupo Minas, em especial
aos do grupo Itabira. (Parra, 2006; Mendes, 2007).

Figura 5.21- Gráficos mostrando a variação dos cátions Ca (a) e Mg (b) ao longo do ribeirão do Silva. Os pontos
PR15-PR17-PR05-PR08-PR07-PR16 estão organizados de montante para jusante. O aumento nos valores é
coincidente com os mármores da Formação Fecho do Funil, principal contribuição geogênica associada.

77
Mendonça, F. P. C. Influência da mineração na geoquímica das águas superficiais e sedimentos...

5.3.2- Análise dos sedimentos

A mineralogia por difração de raios-x no ponto PR05 revelou a presença do quartzo, da


moscovita, da caulinita, e da gibbsita. É provável que a área fonte destes sedimentos esteja relacionada
com os filitos da Formação Barreiro, grupo Piracicaba. Esta é a principal ocorrência geológica no
local. Já a análise dos sedimentos no ponto PR08 revelou a presença destes mesmos minerais e da
hematita, que pode ter como fonte tanto as rochas do grupo Itabira, situadas no alto da Serra da
Moeda, como a usina de beneficiamento da Mineração Herculano. O aumento dos percentuais das
frações mais finas dos sedimentos de fundo (siltes e argilas) no PR08 quando comparado com o PR05
nos meses de chuva corrobora com esta segunda hipótese (figura 5.22).

a b

c d

Figura 5.22- Distribuição das frações granulométricas em % dos Grânulos (> 2,0mm), % das Areias (< 2,0mm e
> 0,063mm) e % da fração Silte/Argila (< 0,063mm). Em (a) campanha de setembro de 2010; em (b) campanha
de dezembro de 2010; em (c) campanha de março de 2011; em (d) campanha de junho de 2011.

No rio Bhadra (Índia), o acréscimo de material particulado em suspensão foi constatado à


jusante de uma mineração de ferro a céu aberto. Os dados históricos demonstraram que o rio passou a
transportar uma quantidade muito maior de sedimentos após a instalação da mineração, causando
danos aos recursos hídricos e ao ecosistema (Krishnaswamy et al., 2006). Na sub-bacia do rio da
78
Contribuições às Ciências da Terra, série M, volume 71, 131p.

Ponte, Quadrilátero Ferrífero, foi relatado o aumento na quantidade de material em suspensão no canal
do rio, decorrência da atividade garimpeira desenvolvida no local (Guimarães-Silva, 2007). Em outras
áreas de mineração de ferro no Quadrilátero, pesquisas também revelaram um incremento de material
em suspensão nos rios e aumento da turbidez nas águas como impactos decorrentes deste tipo de
atividade (Costa, 2001; Parra, 2006). O aumento no material em suspensão e na turbidez pode ser
prejudicial não somente à qualidade das águas, mas também deletérios aos organismos aquáticos. Os
principais fatores característicos dos sólidos suspensos que prejudicam as comunidades biológicas
estão relacionados à concentração deste sedimento no corpo d’água, à duração da exposição, à
composição química e a granulometria do material. As partículas finas são as que permanecem mais
tempo em suspensão e apresenta a maior capacidade de dispersão da sua área fonte, o que representa
uma ameaça em longo prazo para a biota (Bilotta & Brazier, 2008).

Na tabela 5.4 foram representadas as concentrações dos elementos químicos por ponto, época
de coleta, autovetores obtidos na PCA e o p valor obtidos no teste T de Student realizado entre os
pontos PR05 e PR08. Os pontos estão organizados de acordo com a sequência das coletas: setembro
de 2010, dezembro de 2010, março de 2011 e junho de 2011 (tabela 3.2).

Tabela 5.4- Teores de elementos maiores e traço obtidos por meio da digestão em micro-ondas (EPA, 2007) dos
pontos PR05 e PR08, bem como os respectivos limites de quantificação do método empregado. Os valores de
concentração estão em mg/kg com exceção do Al, Fe e Mn assinalados com um asterisco, cuja unidade é g/kg.
Os autovetores extraídos a partir da PCA e o P-valor dos testes T estão representados para cada um dos
elementos. 
TEORES DE ELEMENTOS EM SEDIMENTOS NOS PONTOS DE COLETA PR05 E PR08 PCA E TESTE T
LQ PR05-2 PR05-3 PR05-4 PR08-1 PR08-2 PR08-3 PR08-4 PC1 PC2 P
valor
Al* 0,0364 28,6 41,6 35,9 16,8 18,9 12,4 15,7 0,23 0,14 0,00
Ba 0,0389 45,8 51,6 64,8 386,4 244,2 322,7 339,3 -0,25 0,02 0,00
Ca 19,00 175,1 525,0 997,0 1251,0 369,8 317,9 770,0 -0,07 0,41 0,75
Co 1,15 7,1 5,8 8,0 17,9 12,3 12,6 20,5 -0,23 0,12 0,02
Cr 0,63 146,7 154,0 142,8 67,2 63,1 39,3 50,7 0,24 0,11 0,00
Cu 1,898 28,1 54,7 48,7 52,0 32,6 22,5 81,5 -0,06 0,34 0,85
Fe* 0,059 140,9 103,4 105,0 232,4 230,3 223,6 228,6 -0,24 -0,11 0,00
K 9,08 2305,0 2134,0 2061,0 440,5 431,2 247,6 346,4 0,24 0,08 0,00
Li 5,19 < LQ < LQ < LQ 8,1 5,7 5,7 7,6 -0,25 0,02 0,00
Mg 0,180 100,0 134,4 105,6 430,7 163,3 191,4 336,6 -0,20 0,23 0,08
Mn* 0,0001 1,6 0,360 0,69 9,39 6,87 9,75 9,42 -0,24 -0,06 0,00
Na 6,9 212,8 187,5 183,3 52,9 49,4 35,9 34,2 0,24 0,07 0,00
Ni 1,710 17,1 22,6 22,1 36,9 23,2 24,4 30,0 -0,19 0,27 0,10
P 5,78 286,2 276,7 270,5 418,3 291,7 289,0 370,0 -0,18 0,25 0,15
Pb 7,47 20,5 < LQ 11,9 37,7 32,6 33,6 38,3 -0,23 -0,07 0,01
S 5,31 27,4 87,8 92,2 101,9 11,3 22,9 68,8 0,02 0,45 0,58
Sc 0,0536 3,5 3,6 3,4 2,6 2,2 1,9 2,3 0,22 0,16 0,00
Sr 0,0158 17,1 15,0 29,2 19,2 15,2 19,1 17,2 0,05 0,19 0,51
Th 1,72 11,8 11,5 11,8 8,0 7,6 6,1 6,6 0,23 0,13 0,00
Ti 0,84 1026,0 724,0 741,0 613,0 562,0 430,2 436,2 0,20 0,02 0,02
V 6,39 96,7 82,5 78,2 64,6 61,6 48,2 53,7 0,22 0,07 0,01
Y 0,336 6,1 4,2 4,5 9,6 6,5 6,9 7,9 -0,21 0,07 0,03
Zn 0,296 54,4 72,4 82,9 95,0 63,0 69,0 96,9 -0,13 0,37 0,42
Zr 0,866 22,9 24,1 25,4 15,9 14,8 11,5 13,4 0,23 0,16 0,00

79
Mendonça, F
F. P. C. Influên
ncia da mineraação na geoquíímica das águaas superficiais e sedimentos....

A aanálise de agrupamento
a s – CA, obbtida a partirr dos teoress de elemenntos químico
os nos
sedimentos de leito, revvelou a diferrenciação enntre dois grup
pos que posssuem assinatturas geoquíímicas
distintas coom 76% de similaridadee. Cada gruppo de elementos separad
do pelo denddograma sug
gere a
correspondêência comum
m para os pontos de colleta PR05 e PR08, confforme pode ser observaado na
figura 5.23.

PR
R08

PR05
P

Figura 5.23-- Dendogramaa dos elemento


os químicos (vvariáveis) e po
ontos de coletta (amostras PPR05 e PR08)..

Na análise dos principais


p co
omponentes – PCA, foraam extraídas dez componnentes ao tod
do. As
duas primeiiras, respectiivamente den
nominadas P
PC1 e PC2, explicam
e juntas 88% da vvariância tottal dos
dados, eviddenciando a maior partte da inform
mação estatíística presen
nte no conj unto. No gráfico
g
construído eentre a PC1 e PC2, os po
ontos PR05 e PR08 são separados
s po
or meio da PC
C1, demonsttrando
comportameentos geoquuímicos diferrenciados. Peercebe-se ain
nda, que a PC2
P separa o ponto PR0
08 em
duas regiões distintas, conforme a ép
poca de realiização da colleta (figura 5.24).
5

PR08
form
m. Fecho Funil
SECA

PR05
P
form. Barreiro

PR
R08
form. Fecho Funil
CHU UVA

Figura 5.24-- Gráfico tipoo score plot mostrando


m aP
PCA dos elem
mentos químicos (variáveis)) e pontos de coleta
(amostras PR
R05 e PR08).

80
Contribuições às Ciências da Terra, série M, volume 71, 131p.

Os elementos químicos Ca, Cu, Mg, Ni, Pb, S, Sr e Zn não apresentaram diferenças
estatísticas entre os pontos analisados por meio do teste T de Student.

Maiores concentrações dos elementos Al, Cr, K, Na, Sc,Th, Ti, Ve Zr foram verificadas nas
amostras do ponto PR05 (tabela 5.4). Contudo, os elementos que carregam os maiores pesos na PC1
são o Na (0,24), o K (0,24) e o Cr (0,24). Em seguida, destacam-se o Al (0,23), o Th (0,23) e o Zr
(0,23). As contribuições dos elementos na primeira componente podem ser observadas na figura 5.25.
Os elementos Ba, Co, Fe, Li, Mn, Pb e Y são os que possuem as concentrações mais elevadas no ponto
PR08 em relação ao ponto PR05 (tabela 5.4). Os elementos que carregam os maiores pesos na PC1 são
o Ba (-0,25), o Mn (-0,24) e o Fe (-0,23). Na PC2, destacam-se com os maiores pesos o S (0,45), o Ca
(0,41) e o Zn (0,37). As maiores concentrações de Al encontradas tanto no ponto PR05 como no PR08
relacionam-se a presença dos alumino-silicatos caulinita (Al2Si2O5(OH)4) e moscovita
(KAl2[(OH)2AlSi3O10]) e também do hidróxido de alumínio gibbsita (Al(OH)3).

Contribuição dos elementos PR05-2 Contribuição dos elementos PR05-3


2,5 2,5
K Na Al Cr
2,0 Cr Th 2,0 K Na Zr
Th
Zr
1,5 1,5
Al
valor de contribuição

valor de contribuição

1,0 1,0

0,5 0,5

0,0 0,0

-0,5 -0,5

-1,0 -1,0

-1,5 -1,5

-2,0 -2,0

-2,5 -2,5
Al Ba Ca Co Cr Cu Fe K Li Mg Mn Na Ni P Pb S Sc Sr Th Ti V Y Zn Zr Al Ba Ca Co Cr Cu Fe K Li Mg Mn Na Ni P Pb S Sc Sr Th Ti V Y Zn Zr

elementos elementos
Contribuição dos elementos PR05-4
2,0
Al Cr K Na Th Zr
1,5

1,0
valor de contribuição

0,5

0,0

-0,5

-1,0

-1,5

-2,0
Al Ba Ca Co Cr Cu Fe K Li Mg Mn Na Ni P Pb S Sc Sr Th Ti V Y Zn Zr

elementos

Figura 5.25- Gráficos demonstrando a contribuição dos elementos químicos na PC1 para as amostras do ponto
PR05. Foram representadas três campanhas realizadas, com exceção da primeira. Notar as maiores contribuições
exercidas pelos elementos Cr, K e Na (especialmente no ponto PR05-2) seguidos do Al (exceto ponto PR05-2)
Th e Zr , assinalados na barra do gráfico com uma seta vermelha.

81
Mendonça, F. P. C. Influência da mineração na geoquímica das águas superficiais e sedimentos...

Nota-se que a PC1 é a responsável por separar os pontos que possuem diferentes assinaturas
geoquímicas, obtidas em função das diferentes litologias onde se encontram os pontos e da influência
da usina de beneficiamento da Mineração Herculano. Contudo, a PC2 discrimina dois comportamentos
distintos referentes a amostras do ponto PR08, obtidas na estação seca (PR08-1 e PR08-4) em relação
à estação chuvosa (PR08-2 e PR08-3). As contribuições dos elementos na primeira componente para
as amostras obtidas no período chuvoso podem ser observadas na figura 5.26. A figura 5.26 apresenta
a contribuição dos elementos na segunda componente, referente às amostras obtidas no período de
seca. Na época da seca (coletas PR08-1 e PR08-4) maiores concentrações de Ca, S e Zn são
observadas nos sedimentos (tabela 5.4). Condição oposta ocorre no período de maior precipitação na
bacia (coletas PR08-2 e PR08-3), onde as concentrações tendem a diminuir (tabela 5.4). Os maiores
pesos na PC2 referem-se a estes elementos (figura 5.26). São eles, portanto, os principais responsáveis
pela distinção do comportamento geoquímico entre as amostras do ponto PR08. Em condições
oxidantes, com o pH situado entre 5-8, os elementos químicos Ca, S e Zn possuem alta mobilidade no
ambiente superficial (Licht, 1998). Com a vinda da estação chuvosa na bacia (entre os meses de
outubro a abril) estes elementos, por serem mais móveis, são lixiviados do compartimento sedimentar
e transportados nas águas como íons em solução. Consequentemente, menores concentrações são
observadas nas amostras de sedimentos coletadas no período chuvoso.

Contribuição dos elementos PR08-2 na PC1 Contribuição dos elementos PR08-3 na PC1
1,5 2,0
Fe Mn
1,5
Ba
1,0
Fe
Ba Mn
1,0
valor de contribuição

valor de contribuição

0,5
0,5

0,0 0,0

-0,5
-0,5

-1,0

-1,0
-1,5

-1,5 -2,0
Al Ba Ca Co Cr Cu Fe K Li Mg Mn Na Ni P Pb S Sc Sr Th Ti V Y Zn Zr Al Ba Ca Co Cr Cu Fe K Li Mg Mn Na Ni P Pb S Sc Sr Th Ti V Y Zn Zr

elementos elementos

Figura 5.26-Gráficos demonstrando a contribuição dos elementos químicos na PC1 para as amostras do ponto
PR08 na estação chuvosa. Foram representadas as amostras PR08-2 e PR08-3. Notar as maiores contribuições
exercidas pelos elementos Ba, Fe e Mn, assinalados na barra do gráfico com uma seta vermelha.

82
Contribuições às Ciências da Terra, série M, volume 71, 131p.

Contribuição dos elementos PR08-1 na PC2 Contribuição dos elementos PR08-4 na PC2
7 5,0
Ca S 4,5 Ca
6
4,0
5 3,5 Zn
4 3,0 S
Zn 2,5

valor de contribuição
valor de contribuição

3 2,0
2 1,5
1,0
1 0,5
0 0,0
-0,5
-1
-1,0
-2 -1,5
-3 -2,0
-2,5
-4 -3,0
-5 -3,5
-4,0
-6 -4,5
-7 -5,0
Al Ba Ca Co Cr Cu Fe K Li Mg Mn Na Ni P Pb S Sc Sr Th Ti V Y Zn Zr Al Ba Ca Co Cr Cu Fe K Li Mg Mn Na Ni P Pb S Sc Sr Th Ti V Y Zn Zr

elementos elementos

Figura 5.27-Gráficos demonstrando a contribuição dos elementos químicos na PC2 para as amostras do ponto
PR08 na estação seca. Foram representadas as amostras PR08-1 e PR08-4. Notar as maiores contribuições
exercidas pelos elementos Ca, S e Zn, assinalados na barra do gráfico com uma seta vermelha.

Elevadas concentrações de Fe e Mn no ponto PR08 foram observadas, atingindo


respectivamente 232,4 g/kg e 9,75 g/kg (tabela 5.4). O Fe é um dos elementos mais abundantes na
natureza, sendo frequentemente encontrado em associação com o Mn (Krauskopf, 1956). No caso dos
sedimentos do ponto PR08, a concentração elevada de Fe está relacionada à presença de hematita,
registrada nas análises de DRX. Como grande parte do minério de ferro encontrado no Quadrilátero
Ferrífero apresenta teores variáveis de Mn, os valores encontrados para este elemento podem também
estar relacionados com o material fino particulado, carreado pelas chuvas acumulado no leito do
ribeirão.

Outros estudos na região do Quadrilátero Ferrífero em áreas de mineração de ferro relatam


concentrações elevadas destes elementos em rios da região. Nos sedimentos do rio Gualaxo do Norte,
concentrações acima de 350 g/kg de Fe foram relatadas por Costa et. al., (2003). Para o Manganês
teores acima de 10 g/kg foram encontrados. Anomalias naturais foram demonstradas pelos autores em
pontos de amostragem cujas origens estão em mineralizações da própria região. No rio Conceição, o
estudo desenvolvido por Parra (2006) relaciona às ocorrências de Fe (até 156 g/kg) e Mn (até 8,15
g/kg) nos sedimentos a fontes geogênicas, fruto da presença das rochas do grupo Itabira e das
coberturas lateríticas (canga). Em ambos os casos, o enriquecimento dos sedimentos com os elementos
Fe e Mn não foram diretamente associados à mineração de ferro.

Os tributários da margem direita do ribeirão do Silva à montante do ponto PR08 drenam as


rochas pertencentes ao grupo Itabira, o que não ocorre com os córregos da margem esquerda. Dessa
forma, estas drenagens podem contribuir com o transporte de materiais como hematita e elevar a
concentração do Fe e Mn nos sedimentos do ponto PR08. Não foi possível, portanto, afirmar que a
fonte exclusiva dos teores elevados destes elementos nos sedimentos seja ação exclusiva da
mineradora. Entretanto, ao resgatar a concentração destes elementos no estudo desenvolvido por
Oliveira et al. (1979), nota-se um aumento nos teores destes elementos nos sedimentos dos córregos
83
Mendonça, F. P. C. Influência da mineração na geoquímica das águas superficiais e sedimentos...

(Anexo I), especialmente nas imediações do ponto PR08 (figuras 5.28 e 5.29). Esta elevação ocorrida
nos últimos trinta anos pode se relacionar a maior disponibilidade de Fe e Mn para o ambiente fluvial,
fruto da intervenção antrópica, em diferentes segmentos: a abertura de estradas, a construção e
expansão de condomínios e, em especial, a instalação da usina de beneficiamento e das pilhas de
estéreis da Mineração Herculano.

Figura 5.28-Mapa representando as drenagens e a concentração do Fe em épocas distintas: 1979 e 2011.

Figura 5.29-Mapa representando as drenagens e a concentração do Mn em épocas distintas: 1979 e 2011.

A avaliação temporal qualitativa do uso e ocupação da bacia, procedida com a


fotointerpretação de duas cenas das imagens Landsat 5 (junho de 1984 e julho de 2011) reforça a

84
Contribuições às Ciências da Terra, série M, volume 71, 131p.

hipótese do enriquecimento de elementos nos sedimentos de leito em função da intervenção antrópica.


Nota-se, em muitos locais, a transformação da paisagem entre as cenas. Percebe-se, nas imediações
dos pontos PR05 e PR08, que não havia a planta de beneficiamento tão pouco as barragens de rejeito
quando os dados de Oliveira et al. (1979) foram obtidos (figura 5.30).

a b

Figura 5.30- Imagens Landsat 5 em composição colorida RGB 4-5-3. Em a: cena do ano de 1984. Em b: cena do
ano de 2011. A vegetação arbórea possui tons avermelhados, a vegetação rasteira e o solo possuem tons
esverdeados. Notar nas setas amarelas a expansão urbana em tons claros (setas a esquerda do ponto PR08) e o
surgimento da mineração em tons arroxeados (setas a direita do ponto PR08).

5.4- INFLUÊNCIA DA MINERAÇÃO DE FERRO NO CÓRREGO BENEVIDES

A mineração de ferro Herculano possui planta de beneficiamento localizada no divisor de


águas entre o ribeirão do Silva e o córrego Benevides, já discutido anteriormente. Dois pontos de
coleta de amostras foram selecionados ao longo do córrego Benevides, porção leste da usina de
beneficiamento: PR04 e PR01 (figura 5.31). O ponto PR04 situa-se imediatamente à montante da
barragem de rejeito mais recente do empreendimento, sendo que o ponto PR01 está localizado à
jusante da barragem, no exutório do córrego Benevides. Ambos os pontos estão situados em filitos
multicoloridos e dolomíticos da Formação Fecho do Funil (grupo Piracicaba). Contudo, ambos
recebem a influência da Formação Cercadinho (grupo Piracicaba), aflorante em tributários situados a
montante dos pontos; esta última, constituída de filitos, quartzo-moscovita-xisto e quartzitos
ferruginosos.

85
Mendonça, F. P. C. Influência da mineração na geoquímica das águas superficiais e sedimentos...

Beneficiamento
PR04

PR01

Figura 5.31- À esquerda: mapa representando as drenagens e os pontos de amostragem nas imediações da
mineração de ferro Herculano (em vermelho no mapa). À direita: imagem Google Earth® com destaque para o
posicionamento dos pontos de amostragem em relação a mina (setas amarelas na foto), vistos em perspectiva.

5.4.1- Análise das águas

Na análise das águas, não foram observadas alterações significativas nos padrões de qualidade
para os pontos PR01 e PR04 em relação à legislação. Todos os parâmetros analisados nas drenagens,
atendem os limites para as águas de classe tipo II. A tabela com os parâmetros aferidos encontra-se
nos Apêndices II e III.

Nas amostras de água referentes ao ponto PR04, a condutividade elétrica permaneceu na faixa
entre 3,25 µS e 78,04 µS. Os sólidos totais dissolvidos variaram entre 2,45mg/L e 49,08 mg/L. O pH
permaneceu entre 6,07 e 7,37. O potencial oxi-redução – Eh variou entre 199mV a 287mV. A turbidez
foi baixa, no intervalo entre 2,89 NTU e 5,21 NTU. O teor de oxigênio dissolvido permaneceu entre
6,22mg/L a 7,76 mg/L. A temperatura manteve-se entre 19,2ºC e 29,7ºC. Já nas amostras referentes ao
ponto PR01, a condutividade elétrica permaneceu na faixa entre 2,66 µS e 6,35 µS. Os sólidos totais
dissolvidos variaram entre 1,65mg/L e 3,88 mg/L. O pH permaneceu entre 5,88 e 7,85. O potencial
oxi-redução – Eh variou entre 143mV a 316mV. A turbidez foi baixa (< 1 NTU) na maioria das
campanhas, tendo atingido o valor máximo de 6,08 NTU. O teor de oxigênio dissolvido permaneceu
entre 6,07mg/L a 7,65 mg/L. A temperatura manteve-se entre 25,6ºC e 30,6ºC. A tabela com os
principais parâmetros encontra-se no Apêndice III. Na figura 5.32 estão representados alguns dos
parâmetros.

86
Contribuições às Ciências da Terra, série M, volume 71, 131p.

a b

c d

Figura 5.32- Gráficos mostrando a variação de alguns dos parâmetros aferidos nas águas dos pontos PR01 e
PR04 separados por campanha de coleta e parâmetro avaliado. Condutividade elétrica (a); Turbidez (b); PH (c);
potencial oxi-redução – Eh (d).

Percebe-se, de uma maneira geral, que os dois pontos apresentam comportamento semelhante
no que diz respeito aos parâmetros físico-químicos, porém cabe destaque ao comportamento
diferenciado encontrado nos dois pontos na primeira campanha (setembro de 2010), com valores de
pH e condutividade apresentando comportamentos bem distintos. O valor mais baixo de pH
encontrado no ponto PR01, com uma redução de mais de 1 ponto no pH das águas do córrego em uma
distância de pouco mais de 1km (com o córrego correndo sobre rochas carbonáticas), aponta para uma
interferência da mina, já que a presença dos mármores da Formação Fecho do Funil tende a elevar de
forma significativa este parâmetro e não reduzi-lo, como aconteceu (figura 5.32c). No ribeirão Arêdes
discutido anteriormente (item 5.2.1), o efeito dos componentes carbonáticos do sistema elevou o pH
ácido nas águas originadas na mina (ponto PR10). Nesse sentido, se não houvesse o efeito do
tamponamento natural deste sistema, é provável que uma redução ainda maior no pH do córrego
Benevides fosse percebido à jusante da mineração Herculano. Da mesma forma, uma elevação de mais
de 100% do valor de turbidez encontrado na campanha de dezembro de 2011 (período chuvoso) e o

87
Mendonça, F. P. C. Influência da mineração na geoquímica das águas superficiais e sedimentos...

aumento relativo do percentual de finos no sedimento (figura 5.33) podem indicar um retrabalhamento
do material depositado nas pilhas de estéril pelas chuvas (situadas a montante do ponto PR01).

a b

c d

Figura 5.33- Distribuição das frações granulométricas em % dos Grânulos (> 2,0mm), % das Areias (< 2,0mm e
> 0,063mm) e % da fração Silte/Argila (< 0,063mm). Em (a) campanha de setembro de 2010; em (b) campanha
de dezembro de 2010; em (c) campanha de março de 2011; em (d) campanha de junho de 2011.

A concentração do Mn no ponto PR04 ultrapassou o limite de 100 µg/L estabelecido pela


legislação (classe II) em dois episódios, atingindo os teores de 190,3 µg/L e 197,6 µg/L
respectivamente (figura 5. 34). Porém, é comum a ocorrência de zonas manganesífereas nas rochas da
região, sendo que a concentração deste elemento pode se elevar diante desta circunstância. Dessa
forma, a divergência destes valores diante do estabelecido na legislação parece não se associar a
interferência humana, mas a uma variação geogênica na bacia, fato já demonstrado em outros
trabalhos na região do Quadrilátero Ferrífero (Mendes, 2007; Gonçalves 2010). Embora o Fe tenha
apresentado concentrações elevadas no sedimento, este não está presente na fase dissolvida nos pontos
de coleta PR01 e PR04 (figura 5. 34), função dos elevados valores de Eh encontrados.

88
Contribuições às Ciências da Terra, série M, volume 71, 131p.

a b

c d

Figura 5.34- Gráficos mostrando a variação na concentração dos elementos nas amostras de águas superficiais
referentes aos pontos PR01 e PR04. Em (a) Ca (mg/L); em (b) Mg (mg/L); em (c) Fe (µg/L) e em (d) Mn (µg/L).
Notar os teores mais elevados de Mn nas amostras das diferentes campanhas de dezembro 2010 e março de 2011
no ponto PR04.

5.4.2- Análise dos sedimentos

A mineralogia por difração de raios-x revelou em ambos os pontos a presença da hematita, do


quartzo, da moscovita e da caulinita. No ponto PR04 foi encontrada a gibbsita e no ponto PR01,
detectou-se a presença do ortoclásio.

De maneira semelhante ao que foi realizado com as análises anteriores, as amostras dos pontos
PR01 e PR04 foram submetidas à análise de agrupamentos – CA e a análise por principais
componentes – PCA. Entretanto, ao contrário do que ocorreu na porção oeste desta mineração
(ribeirão do Silva), a separação entre grupos de amostras do mesmo ponto por meio do seu
comportamento geoquímico não foi claramente evidenciada.

Na tabela 5.5 foram representadas as concentrações dos elementos químicos por ponto, época
de coleta, autovetores obtidos na PCA e o p valor obtidos no teste T de Student realizado entre os
pontos PR01 e PR04. Os pontos estão organizados de acordo com a sequência das coletas: setembro
de 2010, dezembro de 2010, março de 2011 e junho de 2011 (tabela 3.2).

89
Mendonça, F
F. P. C. Influên
ncia da mineraação na geoquíímica das águaas superficiais e sedimentos....

Tabela 5.5- Teores de elem


mentos maiorres e traço obttidos por meio
o da digestão em
e micro-onddas (EPA, 20007) dos
pontos PR011 e PR04, bemm como os respectivos lim mites de quantiificação do método
m empreggado. Os valo
ores de
concentraçãoo estão em mgg/kg com exceeção do Al, FFe e Mn assinalados com um asterisco, ccuja unidade é g/kg.
Os autovetorres extraídos a partir da PCA
P e o P-vvalor dos testtes T estão representados
r para cada um
u dos
elementos.

TEORES DE ELEMENTOS
S EM SEDIMENTTOS NOS PONTOS DE COLETA PR
R01 E
PCA E TESTE T
PR044
LQ
Q PR01-1 PR01-2 PR01
1-3 PR01-4 P
PR04-1 PR04-2
2 PR04-3 PR04-4
P PC1 PC2 P valor
Al* 0,03364 10,13 5,86 4,91
1 11,43 11,55 16,75
5 15,10 21,64
2 -0,14 0,36 0,02
Ba 0,03389 370,60 238,50 342,0
00 396,30 190,90 358,30
0 225,80 257,00 0,25 0,06 0,17
Ca 199 292,20 210,30 375,1
10 244,80 208,00 80,70
0 168,30 105,80 0,16 -0,31 0,02
Co 1,115 10,46 8,22 8,86
6 11,34 5,70 11,53
3 6,81 10,32
1 0,19 0,25 0,50
Cr 0,663 78,40 48,37 63,0
00 66,10 50,30 65,20
0 45,15 58,70
5 0,25 0,12 0,28
Cu 1,898 26,09 16,20 13,9
95 27,18 14,31 17,79
9 10,90 20,47
2 0,20 0,21 0,26
Fe* 0,059 191,87 159,95 147,5
52 189,09 188,87 226,68
8 247,64 274,91 -0,16 0,34 0,03
K 9,008 464,50 141,10 373,5
50 378,70 184,90 335,00
0 161,70 233,70 0,27 0,02 0,21
Mg 0,180 101,10 22,71 65,10 68,90 41,34 53,30
0 19,57 27,18
2 0,25 -0,03 0,15
Mn* 0,00001 7,06 4,73 6,62
2 9,22 3,69 5,88 4,17 5,86 0,24 0,07 0,11
Na 6,9 36,84 27,40 25,7
70 20,34 34,78 31,68
8 25,91 32,23
3 -0,04 0,14 0,40
Ni 1,710 22,93 15,93 21,9
92 20,40 11,13 17,68
8 8,90 14,48
1 0,27 -0,01 0,03
P 5,778 311,30 248,30 193,0
00 306,40 332,70 335,20
0 468,30 555,00 -0,17 0,30 0,04
Pb 7,447 30,74 19,97 27,7
73 36,37 23,26 31,97
7 29,24 33,57
3 0,13 0,28 0,85
S 5,331 69,30 23,37 13,16 27,52 47,46 41,20
0 57,70 72,80
7 -0,08 0,31 0,18
Sc 0,05536 2,67 1,94 1,94
4 2,44 2,78 3,24 2,66 3,19 -0,12 0,35 0,02
Sr 0,01158 14,93 8,90 16,0
01 16,83 7,64 10,52
2 8,74 11,76
1 0,25 -0,03 0,07
Th 1,772 8,69 5,28 6,96
6 7,98 5,38 7,22 5,53 6,45 0,26 0,12 0,25
Ti 0,884 785,00 477,90 744,0
00 656,00 413,70 504,00
0 385,70 471,00 0,26 -0,08 0,02
V 6,339 77,70 51,60 60,4
40 69,80 53,00 69,40
0 52,10 64,70
6 0,23 0,23 0,50
Y 0,336 8,06 3,95 6,99
9 6,67 3,36 4,39 3,17 3,96 0,27 -0,06 0,03
Zn 0,296 78,50 39,41 47,2
26 51,70 45,91 43,30
0 44,50 49,21
4 0,18 0,10 0,36
Zr 0,866 17,88 12,57 16,58 15,06 12,12 15,69
9 12,68 17,81
1 0,19 0,20 0,61

A aanálise de aggrupamentoss – CA foi a que obtev


ve o melhor desempenhoo, separando
o dois
grupos com
m 82% de sim
milaridade. No dendogram
ma é possívell visualizar um
u grupo quee se diferenccia dos
demais, form
mado pelos elementos
e All, Fe, Na, P, S e Sc (figurra 5.35).

Figura 5.35-- Dendogramaa dos elemento


os químicos (vvariáveis) e po
ontos de coletta (amostras PPR01 e PR04)..

90
Contrribuições às Ciêências da Terra
ra, série M, vollume 71, 131p..

Na análisse dos princcipais compoonentes – PCA


P foram extraídas
e deez componen
ntes ao todoo
(figurra 5.36). As duas primeiiras, respectiivamente den
nominadas PC1
P e PC2, explicam jun
ntas 81% daa
variânncia total doos dados. Entretanto, nãoo há um nítid
do agrupameento entre am
mostras do mesmo
m pontoo
de ccoleta, ou seja, as reepetições obbtidas nas diferentes campanhas não estão fortementee
correlacionadas.

Figurra 5.36- PCA dos elementos químicos (vvariáveis) e pontos de coletaa (amostras PR
R01 e PR04).

A PC1 diiscrimina um
m grupo de aamostras cujo
os maiores pesos
p encontr
tram-se nos elementos
e K
(0,277), Ni (0,27),, Y (0,27) e Ti (0,26). N
Na PC2 os maiores
m pesos estão nos elementos Al
A (0,36), Scc
(0,35), Fe (0,34) e Ca (-0,31).

Para avalliar as diferenças entre ass concentraçções dos elem


mentos nos ppontos PR01 e PR04, foii
realizzado o Teste de Student para
p todos oss elementos. O nível de significância
s a foi estabeleecido em 5%
%
(ɑ = 00,05). Apenaas os elementos Ca, Ni, T
Ti, Al, Fe, P e Sc apresen
ntaram conceentrações com
m diferençass
signifficativas enttre os dois pontos
p (p < 00,05), sendo
o que as concentrações ddos três prim
meiros foram
m
signifficativamentte maiores (p
p < 0,05) noo ponto PR01 (jusante daa mina) e ass demais no ponto PR044
(monntante da minna).

No que diz
d respeito ao Ca, a preesença destee elemento nos
n sedimenttos, assim co
omo do Mg,,
reflette os menorees valores encontrados paara as concen
ntrações desttes nas águass do ponto PR01
P quandoo
compparados com as concentrrações enconntradas no po
onto PR04, claramente
c ccontroladas pelos
p fatoress
físicoo-químicos encontrados e a presença dos mármorees e dolomito
os da Formaçção Fecho do
o Funil.

Maiores teores de Al,


A Fe, P e S
Sc estão preesentes nas amostras
a do ponto PR04, situado a
monttante da barrragem de rejeitos da minneração. A presença
p de gibbsita, um
m hidróxido de
d alumínio,,
apenaas neste ponnto, pode exp
plicar estas concentrações. Já o ferrro, claramentte associado
o à hematita,,
pode também esttar presente,, se bem quue em pequeenos percentu
uais. Segunddo Derr et al.
a (1992), é
comuum a presençça de Fe3+ naa forma de im
mpurezas em
m estruturas de
d gibbsita. A concentraçção do Fe noo

91
Mendonça, F. P. C. Influência da mineração na geoquímica das águas superficiais e sedimentos...

ponto PR04 variou entre 188,87 g/kg até 274,91 g/kg. Neste local, a presença de maiores
concentrações deste elemento pode estar relacionada à presença de quatzitos ferruginosos da
Formação Cercadinho. Entretanto, ao examinar a concentração do Fe comparando-a com a que foi
obtida em amostras de sedimentos no mesmo córrego, esta é quase o triplo do verificado há trinta
anos, como pode ser observado na figura 5.28 (Oliveira et al., 1979), o que poderia sugerir uma
influência antrópica, que teria acelerado a disponibilização deste elemento para o meio ambiente.

5.5- INFLUÊNCIA DA MINERAÇÃO DE CAULIM NO RIBEIRÃO DO SILVA

A mina de caulim localiza-se no extremo norte da região de estudo, cujo principal curso
d’água no local denomina-se ribeirão do Silva. Nenhuma atividade recente no empreendimento pode
ser verificada ao longo da pesquisa. A atividade encontra-se paralisada, segundo informações locais.
Três pontos para a coleta de amostras foram selecionados nas imediações: PR14, PR15 e PR17 (figura
37). O ponto PR14 é uma área minimamente antropizada a sudoeste da mina. O ponto PR15 refere-se
a uma nascente, também sem evidências de interferência humana significativa, porém, imediatamente
à montante do empreendimento. O ponto PR17, por sua vez, situa-se logo à jusante da área da mina. O
ponto PR14 está sobre a Formação Gandarela (grupo Itabira). Os pontos PR15 (Formação Barreiro) e
PR17 (Formação Fecho do Funil) estão situados em filitos do grupo Piracicaba.

PR15

Mina

PR17

PR14

Figura 5.37- À esquerda: mapa representando as drenagens e os pontos de amostragem nas imediações da
mineração de caulim (em vermelho no mapa). À direita: imagem Google Earth® com destaque para o
posicionamento dos pontos de amostragem em relação a mina (setas amarelas na foto), vistos em perspectiva.

5.5.1- Análise das águas

Na análise das águas, não foram observadas alterações significativas nos padrões de qualidade
para os pontos PR14, PR15 e PR17. Todos os parâmetros analisados nas drenagens, atendem a
legislação vigente. A tabela com os parâmetros aferidos encontra-se nos Apêndices II e III.

92
Contribuições às Ciências da Terra, série M, volume 71, 131p.

A condutividade elétrica variou entre 1,86 µS e 11,95 µS. O pH permaneceu entre 6,1 e 7,8. O
pontencial oxi-redução – Eh foi o que apresentou as maiores variações, entre 65 mV e 384 mV. A
turbidez variou entre 0 NTU e 11,3 NTU. O teor de oxigênio dissolvido manteve-se entre 7,06 mg/L e
8,97 mg/L. A temperatura esteve na faixa entre 21,9°C e e 27,5°C. Na figura 5.38 estão representados
alguns dos parametros aferidos nos pontos PR14, PR15 e PR17.

A análise dos principais constituintes aniônicos também não trouxe informações sobre a
atividade de mineração nos pontos analisados. A alcalinidade (HCO3-) permaneceu na faixa entre 5,08
mg/L e 11,50 mg/L. O teor de sulfato (SO4-2) não ultrapassou 2.0 mg/L em todas as coletas. Baixos
terores para o cloreto (Cl-), inferiores a 0,10 mg/L, foram registrados. A tabela com os resultados dos
principais ânions encontra-se noApêndice III.

A variação no potencial oxi-redução – Eh nas amostras PR15-3 (março 2011) e PR15-4 (junho
2011) demonstraram valores mais baixos nas coletas realizadas em dezembro e março (entre 60 mV e
90 mV). Estes valores denunciam um ambiente mais redutor em relação as outras campanhas e
amostras. A maior quantidade de matéria orgânica disponibilizada naqueles locais pode ser a causa
mais provável deste fenômeno. A matéria orgânica no leito dos rios é também reconhecida como um
importante componente natural que condiciona a disponibilidade de elementos para o ambiente, uma
vez que esta atua adsorvendo e retendo as espécies químicas (Dong et al., 2001).

Em condições redutoras (baixo Eh), alguns elementos químicos podem ter a sua mobilidade
alterada, passando para uma forma mais solúvel nas águas o que ocasiona também a sua dispersão. A
dispersão hidromórfica, na qual a água atua como o agente de transporte, pode ocorrer na forma de
íons livres ou íons complexos em solução, adsorvidos ou coprecipitados em sólidos finos (óxidos
hidratados, argilominerais, matéria orgânica) ou ainda em colóides. (Licht, 1998).

O pH é controlado pelas reações químicas e pelo equilíbrio entre os íons presentes na solução,
e depende, da quantidade de gás carbônico e da alcalinidade da água (Santos, 1997). Teores mais
elevados foram observados na primeira campanha de amostragem (setembro de 2010) para os pontos
PR15 e PR17. Esta é a época de máxima seca na região de estudo, prevalecendo o efeito de maior
concentração de íons. Condição oposta foi verificada no período de chuvas, prevalecendo o efeito de
diluição e ligeira diminuição no valor do pH.

As variáveis fisico-químicas pH e Eh são de suma importância no ecossitema aquatico, pois


atuando em conjunto, são capazes de determinar a dissolução, precipitação, oxidação e redução de
várias substâncias (Weiner, 2000).

A turbidez da água é um parâmetro que afere a transmissão de luz em uma determinada


amostra. Relacionada diretamente à presença de material em suspensão (orgânico e inorgânico) é a
expressão de uma propriedade óptica que causa espalhamento e absorção de um feixe de luz. Valores
mais elevados foram observados no ponto PR17 à jusante da mina de caulim (figura 5.38).
93
Mendonça, F. P. C. Influência da mineração na geoquímica das águas superficiais e sedimentos...

O escoamento superficial associado ao solo exposto, especialmente em áreas de mineração,


acarreta o carreamento de partículas e consequentemente o aumento do material particulado em
suspensão e a turbidez. O grande incremento na carga em suspensão em uma região de mineração de
ferro com altos índices pluviométricos foi relatada por Krishnaswamy et al. (2006).

Embora a mineração seja uma atividade que acarreta o acréscimo no material particulado e na
turbidez das águas superficiais, esta não se constitui como única fonte exclusiva. Na região do alto rio
das Velhas e na própria bacia do rio Itabirito, Raposo et al (2010) sinaliza além das minas,
voçorocamentos e atividades agropastoris como fontes do aumento da turbidez nas drenagens.

a b

c d

Figura 5.38- Gráficos mostrando a variação de alguns dos parâmetros aferidos nas águas dos pontos PR14,
PR15 e PR17 separados por campanha de coleta e parâmetro avaliado. Condutividade elétrica (a); Turbidez (b);
PH (c); potencial oxi-redução – Eh (d).

Na geoquímica das águas superficiais não foram identificadas alterações signifativas


associadas a atividade de mineração. A tabela com os resultados dos principais elementos encontra-se
no Apêndice II. O elemento zinco, que possui as concentrações mais elevadas no sedimento, não foi
detectado na maioria das amostras de água. Quando detectado, as concentrações nos pontos PR15 e
PR17 foram inferiores a 5,0 µg/L.
94
Contribuições às Ciências da Terra, série M, volume 71, 131p.

O teor de Ca no ponto PR14 variou entre 0,67 mg/L a 0,88 mg/L. Nos pontos PR15 e PR17 as
concentrações foram menores, entre 0,07 mg/L e 0,33 mg/L. O mesmo fenômeno foi observado para o
Mg, cuja concentração variou no ponto PR14 entre 0,22 a 0,29 e nos demais pontos entre 0,01 mg/L a
0,05 mg/L (figura 5.39). Os maiores teores de Ca e Mg nas águas do ponto PR14 em relação aos
outros refletem a assinatura geoquímica dos mármores e dolomitos da Formação Gandarela, presente
naquele local. Como são elementos de grande mobilidade e facilmente lixiviados, é provável que sua
presença nas águas seja a responsável por elevar a condutividade naquelas amostras, conforme
demonstrado anteriormente.

a b

Figura 5.39- Gráficos mostrando a concentração dos elementos Ca (mg/L) e Mg (mg/L) nas amostras de águas
superficiais referentes aos pontos PR14, PR15 e PR17. Notar os teores mais elevados de Ca (a) e Mg (b) nas
amostras das diferentes campanhas do ponto PR14. Este ponto localiza-se sobre a Formação Gandarela.

Nota-se que as amostras do ponto PR17 possuem teores mais elevados de Ba e Mn nas águas
(Apêndice II), quando comparados aos pontos PR14 e PR15 (figura 5.40). O íon bário está presente
em pequenas quantidades na grande maioria dos feldspatos, geralmente em substituição ao cálcio,
raramente ocorrendo como um constituinte majoritário destes minerais (Deer, 1992). O manganês
ocorre naturalmente na água superficial e subterrânea, normalmente em quantidades menores que 200
µg/L em condições naturais (CETESB, 2009).

95
Mendonça, F. P. C. Influência da mineração na geoquímica das águas superficiais e sedimentos...

a b

Figura 5.40- Gráficos mostrando a concentração dos elementos Ba (µg/L) e Mn (µg /L) nas amostras de águas
superficiais referentes aos pontos PR14, PR15 e PR17. Notar os teores mais elevados de Ba (a) e Mn (b) nas
amostras das diferentes campanhas do ponto PR17.

Nas amostras PR15-3 e PR17-2, foram verificados as maiores concentrações de Fe nas águas,
respectivamente 277,4 µg/L e 325,5 µg/L. Nelas, foram registrados os menores valores do potencial
oxi-redução – Eh. Nessas condições, o elemento Fe torna-se mais solúvel (Fe+2), o que explica as
maiores concentrações nestas amostras (Hem, 1985). É provável que o aumento da concentração esteja
relacionado ao efeito promovido pelo escoamento superficial dos solos ricos em ferro, uma vez que
estas amostras referem-se ao período de chuvas na bacia. Contudo, também não se descarta a hipótese
da contribuição exercida pela exposição das rochas na mina.

5.5.2- Análise dos sedimentos

As concentrações dos elementos químicos obtidas nos pontos PR14, PR15 e PR17 foram
submetidas à análise de agrupamentos – CA e à análise dos principais componentes – PCA. Dessa
forma, foi possível observar o agrupamento dos pontos de amostragem segundo seu comportamento
geoquímico. Na tabela 5.6 estão representadas as concentrações dos elementos químicos por ponto,
época de coleta, autovetores obtidos na PCA e o p valor obtidos no teste T de Student realizado entre
os pontos PR15 e PR17.

96
Contribuições às Ciências da Terra, série M, volume 71, 131p.

Tabela 5.6- Teores de elementos maiores e traço obtidos por meio da digestão em micro-ondas (EPA, 2007) dos
pontos PR14, PR15 e PR17, bem como os respectivos limites de quantificação do método empregado. Os
valores de concentração estão em mg/kg com exceção do Al, Fe e Mn assinalados com um asterisco, cuja
unidade é g/kg. Os autovetores extraídos a partir da PCA e o P-valor dos testes T estão representados para cada
um dos elementos. 
TEORES DE ELEMENTOS EM SEDIMENTOS NOS PONTOS DE COLETA PR14, PR15 E PR17 PCA E TESTE T
LQ PR14- PR14- PR14- PR14- PR15- PR15- PR15- PR17- PR17- PR17- PR17- P
PC1 PC2
1 2 3 4 1 2 3 1 2 3 4 valor
Al* 0,0364 11,6 11,7 11,2 9,2 73,8 37,2 31,6 23,2 4,2 10,4 3,0 0,15 0,29 0,03
Ba 0,0389 11,6 12,4 19,9 15,1 46,6 66,9 54,4 227,3 203,6 255,1 180,3 0,17 -0,28 0,00
Bi 7,13 10,9 12,1 13,5 14,9 < LQ < LQ < LQ < LQ < LQ < LQ < LQ -0,26 0,06 -
Ca 19 322,7 288,3 326,4 307,0 127,8 77,6 150,1 197,6 108,6 130,5 104,0 -0,25 0,06 0,62
Co 1,15 < LQ < LQ 1,2 1,3 2,8 2,1 1,5 6,1 3,2 4,9 2,7 0,20 -0,16 0,09
Cr 0,63 11,1 9,4 9,6 8,2 197,8 129,7 117,4 89,2 34,3 54,5 26,1 0,22 0,22 0,01
Cu 1,898 < LQ < LQ 5,4 < LQ 26,1 37,4 28,3 66,9 46,7 57,6 37,3 0,23 -0,17 0,05
Fe* 0,059 370,1 377,9 409,7 367,0 163,1 100,7 95,4 58,5 44,0 61,2 39,5 -0,25 0,13 0,02
K 9,08 21,9 12,9 27,2 19,3 932,0 988,0 699,0 856,0 165,2 335,0 142,5 0,23 0,17 0,06
Mg 0,180 44,0 34,3 25,8 10,5 272,6 210,9 164,9 184,6 55,3 77,4 49,7 0,22 0,21 0,04
Mn* 0,0001 0,94 0,96 1,39 1,20 0,21 0,11 0,09 0,31 0,22 0,73 0,10 -0,24 0,00 0,28
Na 6,9 26,6 18,6 21,9 12,2 28,0 33,5 29,9 35,6 17,0 23,3 12,1 0,14 0,18 0,23
Ni 1,710 0,0 0,0 0,0 0,0 13,7 9,9 8,5 27,3 20,8 21,4 17,2 0,23 -0,18 0,01
P 5,78 465,7 505,0 466,9 394,5 299,6 215,8 201,4 331,5 323,7 344,7 271,5 -0,23 -0,02 0,06
Pb 7,47 40,6 42,9 47,7 42,6 18,5 27,1 24,9 20,8 13,1 21,5 10,0 -0,23 0,13 0,13
S 5,31 114,6 104,1 91,3 66,4 96,9 69,7 72,3 95,7 36,4 48,5 34,4 -0,10 0,25 0,22
Sc 0,0536 0,5 0,4 0,4 0,2 6,5 4,1 3,8 3,8 2,8 3,3 2,4 0,26 0,10 0,09
Sr 0,0158 1,6 1,7 2,1 1,7 4,1 7,9 7,3 14,3 10,7 15,4 9,7 0,20 -0,22 0,02
Th 1,72 3,5 3,0 3,2 3,1 16,4 16,6 16,5 7,3 3,2 3,8 2,8 0,18 0,27 0,00
Ti 0,84 351,2 338,0 346,9 298,1 496,0 318,3 294,0 302,3 173,1 243,0 139,3 -0,02 0,32 0,07
V 6,39 21,5 20,9 20,9 20,1 126,2 83,4 73,9 64,7 35,7 52,4 28,9 0,22 0,21 0,03
Y 0,336 3,1 2,1 2,9 2,5 1,9 2,9 2,4 7,8 6,2 6,8 5,5 0,12 -0,30 0,00
Zn 0,296 55,5 49,2 63,1 52,0 39,6 30,3 31,7 67,7 77,4 79,6 67,5 -0,02 -0,33 0,00
Zr 0,866 < LQ < LQ < LQ < LQ 32,9 20,7 19,1 17,1 12,1 15,3 10,0 0,25 0,12 0,05

A análise de agrupamentos – CA, obtida a partir dos teores de elementos químicos nos
sedimentos de leito, revelou a diferenciação ao nível de 88% de similaridade entre três grupos que
possuem assinaturas geoquímicas distintas. Embora os grupos sejam muitos semelhantes, foi possível
realizar a discriminação entre eles, obtendo um resultado satisfatório. Cada grupo de elementos
separado pelo dendograma sugere a correspondência comum para os pontos de coleta (figura 5.41).

Dendograma elementos pontos 14, 15 e 17

81,84

PR15
PR17
Simiralidade

87,89

PR14

93,95

100,00
l V Mg K Sc Zr Th Na S Ti Ba Cu Sr Ni Y C o Zn Bi Fe Pb C a Mn P
A Cr
Elementos

97
Mendonça, F. P. C. Influência da mineração na geoquímica das águas superficiais e sedimentos...

Figura 5.41- Dendograma dos elementos químicos (variáveis) e pontos de coleta (PR14, PR15 e PR17).

Na análise dos principais componentes – PCA foram extraídas dez componentes ao todo. As
duas primeiras, respectivamente denominadas PC1 e PC2, explicam juntas 86% da variância total dos
dados. As primeiras componentes geralmente retêm o máximo de informação em relação à variação
dos dados. Nesse sentido, com a construção do gráfico entre a PC1 e a PC2, observou-se a
diferenciação entre os pontos de amostragem segundo o comportamento de cada um deles. Os pontos
PR14, PR15 e PR17 foram agrupados de acordo com suas assinaturas geoquímicas (figura 5.42).

PCA elementos pontos 14, 15 e 17


5
PR15 15
4 form. Barreiro
3 PR14 15
form. Gandarela 15
2
14 14
1
14
PC2

14
0

-1
PR17 17
-2 form. Fecho Funil
-3 17 17
17
-4
-5,0 -2,5 0,0 2,5 5,0
PC1

Figura 5.42- PCA dos elementos químicos (variáveis) e pontos de coleta (amostras PR14, PR15 e PR17).

Os elementos químicos que possuem o maior peso nas primeiras componentes são os
principais responsáveis pela diferenciação entre os pontos de coleta, fornecendo um indicativo de
contribuições geológicas ou antrópicas distintas. Diferenças estatísticas foram confirmadas para a
maioria dos elementos analisados. Apenas para os elementos Na, S e Ti não foram detectadas
diferenças entre as médias.

Maiores concentrações dos elementos Bi, Ca, Fe, Mn, P, e Pb foram confirmadas nas amostras
do ponto PR14 por meio do teste T (em negrito na tabela 5.6). Os elementos que carregam os maiores
pesos na PC1 são o Bi (-0,26), o Ca (-0,25), o Fe (-0,25) e o Mn (-0,24). As contribuições dos
elementos na primeira componente podem ser observadas na figura 5.43. O Cálcio pode ser
encontrado nos carbonatos, mais comumente na calcita e na dolomita (Wedepohl, 1978), formadores
das rochas carbonáticas das formações Gandarela e Fecho do Funil. O ferro e o manganês estão
presentes em abundância nas formações ferríferas do supergrupo Minas e nos hidróxidos derivados de
sua alteração intempérica (Dorr, 1969).

O ponto PR14 situa-se sobre a Formação Gandarela, rica em rochas carbonáticas (mármores e
dolomitos) e ferríferas (itabiritos dolomíticos). Em campo, observou-se que o trecho onde foi realizada
a coleta repousa sobre cobertura laterítica (canga), embora esta não esteja representada na escala do

98
Contribuições às Ciências da Terra, série M, volume 71, 131p.

mapeamento geológico utilizado neste trabalho. Fato corroborado pela mineralogia dos sedimentos no
ponto PR14, obtida por difração de raios-x, que revelou a presença majoritária de hematita. É possível
que esta canga esteja associada aos itabiritos dolomíticos pertencentes à Formação Gandarela. Ou seja,
é provável que a assinatura geoquímica dos sedimentos no ponto PR14 tenha sido herdada das rochas
presentes no local de coleta. Estas rochas são importantes fontes de Ca e Fe para o ambiente
supergênico (Rudnick & Gao, 2004).

Interessante é a presença do bismuto, elemento relativamente pouco abundante na crosta


(aproximadamente 0,008 g/ton – Greenwood & Earnshaw, 1997), participa da formação de alguns
minerais formadores de rochas. Destaque para seu peso no PCA, tendo sido detectado apenas no ponto
PR14 (tabela 5.6). A presença deste elemento em as crostas enriquecidas em ferro e manganês é bem
documentada, alcançando concentrações de até 28ppm (Wen et al., 1997).

Nota-se uma variação da contribuição do elemento Ca na PC1 entre as coletas (figura 5.43). O
fenômeno pode ser atribuído às variações de chuva na bacia, uma vez que este elemento possui grande
mobilidade. Dessa forma, a maior concentração (e consequentemente a maior contribuição na PC1)
pode ser observada na coleta PR14-1, época de máxima seca na região de estudo e maiores valores de
pH nas águas (figura 5.38); consequentemente, época em que ocorreria a menor taxa de lixiviação do
elemento.

Contribuição dos elementos PR14-1 Contribuição dos elementos PR14-2


2,5 2,5
Bi Ca Fe Bi Fe
2,0 2,0 Ca
1,5 1,5
valor de contribuição

valor de contribuição

1,0 1,0

0,5 0,5

0,0 0,0

-0,5 -0,5

-1,0 -1,0

-1,5 -1,5

-2,0 -2,0

-2,5 -2,5
Al Ba Bi Ca Co Cr Cu Fe K Mg Mn Na Ni P Pb S Sc Sr Th Ti V Y Zn Zr Al Ba Bi Ca Co Cr Cu Fe K Mg Mn Na Ni P Pb S Sc Sr Th Ti V Y Zn Zr

elementos elementos
Contribuição dos elementos PR14-3 Contribuição dos elementos PR14-4
3,0 3,5
Bi Ca Fe 3,0
Bi
2,5
2,5 Ca Fe
2,0
2,0
1,5
valor de contribuição

valor de contribuição

1,5
1,0
1,0
0,5 0,5
0,0 0,0

-0,5 -0,5
-1,0
-1,0
-1,5
-1,5
-2,0
-2,0
-2,5
-2,5 -3,0
-3,0 -3,5
Al Ba Bi Ca Co Cr Cu Fe K Mg Mn Na Ni P Pb S Sc Sr Th Ti V Y Zn Zr Al Ba Bi Ca Co Cr Cu Fe K Mg Mn Na Ni P Pb S Sc Sr Th Ti V Y Zn Zr

elementos elementos

99
Mendonça, F. P. C. Influência da mineração na geoquímica das águas superficiais e sedimentos...

Figura 5.43- Gráficos demonstrando a contribuição dos elementos químicos na PC1 para as amostras do ponto
PR14. Foram representadas todas as campanhas realizadas. Notar as maiores contribuições exercidas pelos
elementos Bi, Ca e Fe, assinalados nas barras do gráfico, com uma seta vermelha.

Os principais minerais identificados no ponto PR15, pela difração de raios-x, foram o quartzo,
a moscovita, a caulinita, a gibbsita e a hematita. Os elementos Al, Cr, K, Mg, Th, V e Zr são os que
possuem as maiores concentrações nas amostras do ponto PR15 quando comparadas com os demais
pontos, cujas diferenças estatísticas foram confirmadas por meio do teste T ( em negrito na tabela 5.6).
Destes, os elementos que carregam os maiores pesos na PC1 são o K (0,23), o Mg (0,22) e o Cr (0,22).
O Al possui um dos maiores pesos (0,23) na PC2. As contribuições dos elementos na primeira
componente (PC1) podem ser observadas na figura 5.44. O potássio está presente nos feldspatos e nas
micas, como por exemplo, na moscovita. O magnésio participa na formação de várias classes de
minerais podendo ocorrer nos feldspatos e nos filossilicatos. Já o alumínio é abundante em
aluminosilicatos, em argilominerais como a caulinita, e na gibbsita, estes últimos produtos do
intemperismo (Wedepohl 1978). É provável que a área fonte destes sedimentos esteja relacionada ao
intemperismo dos filitos multicoloridos e grafíticos da Formação Barreiro, grupo Piracicaba.

Contribuição dos elementos PR15-1 Contribuição dos elementos PR15-2


4,0 2,5
3,5 Cr K Mg
Mg 2,0
3,0 Cr
2,5
K
1,5
2,0
valor de contribuição

valor de contribuição

1,5 1,0

1,0
0,5
0,5
0,0 0,0
-0,5
-0,5
-1,0
-1,5 -1,0
-2,0
-2,5 -1,5

-3,0
-2,0
-3,5
-4,0 -2,5
Al Ba Bi Ca Co Cr Cu Fe K Mg Mn Na Ni P Pb S Sc Sr Th Ti V Y Zn Zr Al Ba Bi Ca Co Cr Cu Fe K Mg Mn Na Ni P Pb S Sc Sr Th Ti V Y Zn Zr

elementos elementos
Contribuição dos elementos PR15-3
2,5

2,0 K
Cr Mg
1,5
valor de contribuição

1,0

0,5

0,0

-0,5

-1,0

-1,5

-2,0

-2,5
Al Ba Bi Ca Co Cr Cu Fe K Mg Mn Na Ni P Pb S Sc Sr Th Ti V Y Zn Zr

elementos

Figura 5.44- Gráficos demonstrando a contribuição dos elementos químicos na PC1 para as amostras do ponto
PR15. Foram representadas as três primeiras campanhas realizadas. Notar as maiores contribuições exercidas
pelos elementos Cr, K e Mg (especialmente na campanha PR15-2), assinalados nas barras do gráfico com uma
seta vermelha.

100
Contribuições às Ciências da Terra, série M, volume 71, 131p.

A composição mineralógica da amostra PR17 pela difração de raios-x é a mesma do ponto


PR15: foram identificados o quartzo, a moscovita, a caulinita, a gibbsita e a hematita. As amostras do
ponto PR17 destacam-se principalmente pelas maiores concentrações dos elementos Ba, Co, Cu, Ni,
Sr, Y e Zn em relação aos outros pontos, cujas diferenças estatísticas foram confirmadas por meio do
teste T (em negrito na tabela 5.6). Contudo, é o Zinco o que carrega o maior peso na PC2 (-0,33),
assumindo destaque na discriminação das amostras do ponto PR17 em relação ao ponto PR15. Os
teores de Zn nessas amostras variaram entre 67,5 mg/kg e 79,6 mg/kg (tabela 5.6). A contribuição do
Zn na segunda componente (PC2) em relação às demais variáveis pode ser observada na figura 5.45.
No ambiente superficial, pode-se associar aos argilominerais, óxidos e hidróxidos de ferro e à matéria
orgânica (Wedepohl, 1978). Contudo, várias atividades antrópicas, dentre elas a mineração, podem
contribuir para aumentar sua disponibilidade no ambiente. As concentrações mais elevadas do Zn nas
amostras obtidas a jusante da mina, podem estar relacionadas com as atividades que foram
desenvolvidas no empreendimento. Na mineração de caulim o Zn é utilizado no beneficiamento do
minério sob a forma de hidrossulfito de zinco ou zinco metálico. Sua principal aplicação é na remoção
do ferro para promover o clareamento do produto. Tal remoção deve-se a redução do Fe3+ a Fe2+,
forma mais solúvel desse elemento (Silva & Vidal, 2001).

Contribuição dos elementos PR17-1 Contribuição dos elementos PR17-2


3,5 4

3,0 Zn Zn
3
2,5

2,0
2
valor de contribuição

valor de contribuição

1,5

1,0 1
0,5
0,0 0

-0,5
-1
-1,0
-1,5
-2
-2,0

-2,5 -3
-3,0

-3,5 -4
Al Ba Bi Ca Co Cr Cu Fe K Mg Mn Na Ni P Pb S Sc Sr Th Ti V Y Zn Zr Al Ba Bi Ca Co Cr Cu Fe K Mg Mn Na Ni P Pb S Sc Sr Th Ti V Y Zn Zr

elementos elementos
Contribuição dos elementos PR17-3 Contribuição dos elementos PR17-4
5 5
Zn Zn
4 4

3 3
valor de contribuição

valor de contribuição

2 2

1 1

0 0

-1 -1

-2 -2

-3 -3

-4 -4

-5 -5
Al Ba Bi Ca Co Cr Cu Fe K Mg Mn Na Ni P Pb S Sc Sr Th Ti V Y Zn Zr Al Ba Bi Ca Co Cr Cu Fe K Mg Mn Na Ni P Pb S Sc Sr Th Ti V Y Zn Zr

elementos elementos

Figura 5.45- Gráficos demonstrando a contribuição dos elementos químicos na PC2 para as amostras do ponto
PR17. Foram representadas todas as campanhas realizadas. Notar as maiores contribuições exercidas pelos
elemento Zn (exceção à amostra PR17-1), assinalado na barra do gráfico com uma seta vermelha.

101
Mendonça, F. P. C. Influência da mineração na geoquímica das águas superficiais e sedimentos...

A única campanha na qual o Zn não exerceu a maior contribuição em relação aos outros
elementos (figura 5.46) coincide com a época de máxima seca na região. É possível que a principal
fonte de Zn esteja relacionada ao material expostos na mina de caulim. Ao compararmos as amostras
coletadas no período de chuvas (amostras PR17-2 e PR17-3), percebe-se um pequeno aumento da
concentração do elemento nos sedimentos analisados (tabela 5.6). Este acréscimo deve-se
provavelmente a mobilização de material oriundo do local da mina. A disponibilidade dos elementos
químicos é aumentada pela mineração que promove a exposição das rochas e solos, tornando-os mais
susceptíveis ao intemperismo e erosão. Com as chuvas, parte do material erodido é transportada até os
cursos d’água, atingindo o compartimento dos sedimentos. Estes, por sua capacidade de concentrar os
elementos traço, podem-se configurar como uma importante área fonte de metais e metalóides para a
água e, consequentemente, para os organismos vivos (Adams &Barnett, 1992). Concentrações
elevadas de Zn em águas subterrâneas (maiores do que 5,0 mg/L) foram relatadas no local de uma
mina de caulim no estado de São Paulo, revelando o potencial de contaminação do Zn neste tipo de
atividade. Foi constatado no estudo que o beneficiamento do caulim pode ter sido o causador de
anomalias desse elemento nas águas (Terrell, 2007). Na área estudada, com valores de pH inferiores a
8, o Zn não seria colocado em solução, permanecendo nos sedimentos.

Na região do Quadrilátero Ferrífero valores elevados de Zn em sedimentos de leito também


foram relatados em outros trabalhos. Teores entre 50,8 mg/kg e 181,0 mg/kg foram encontrados por
Parra (2006) no leito do rio Conceição. Já Mendes (2007), obteve em suas análises a concentração
máxima de 237,6 mg/kg na bacia do rio Caraça, um afluente do rio Conceição. A mineração de ouro
foi sinalizada como a causa mais provável de enriquecimento de Zn nos sedimentos da bacia do rio
Conceição. Contudo, os autores relatam que o As, Cu e Zn são elementos tipicamente calcófilos que se
associam a veios sulfetados contendo ouro. Isto explica as anomalias naturais identificadas nos
trabalhos, que contribui para elevar o background geoquímico do Zn no local.

O valor do background geoquímico para o Zn nos sedimentos de leito foi sugerido para a
região da Área de Proteção Ambiental de Belo Horizonte – APA Sul, cujos limites alcançam a porção
norte da área de estudo Machado & Cunha (2005). A faixa de concentração obtida através da
recuperação dos estudos geoquímicos realizados por Oliveira et al. (1979) em sedimentos de leito foi
definida entre 8 mg/kg e 40 mg/kg. Nota-se que todas as amostras coletadas no ponto PR17
ultrapassaram o background geoquímico do Zn proposto por esse autor (tabela 5.6), o que sugere a
contribuição antrópica deste elemento nos sedimentos do rio.

Outra vertente problemática nos sedimentos em áreas de mineração a céu aberto, diz respeito
ao transporte de material de granulometria fina, cuja produção tem origem nas diferentes fases de
operação do empreendimento, já que grandes quantidades de rochas são explotadas, transportadas e
processadas (Ripley et al., 1996). O exame dos sedimentos na região da mina de caulim (ribeirão do
Silva) demonstrou em média, maior percentual da fração silte/argila no ponto PR17 (jusante da mina)
102
Contribuições às Ciências da Terra, série M, volume 71, 131p.

do que o ponto PR15 (montante mina). Este efeito foi avaliado por campanha de coleta (figura 5.46)
agrupando os dados em: % dos Grânulos (> 2,0mm), % das Areias (< 2,0mm e > 0,063mm) e % da
fração Silte/Argila (< 0,063mm). É possível que a mineração de caulim contribua com o aporte de
material fino no ribeirão do Silva, uma vez que este empreendimento encontra-se embargado e sem as
medidas de monitoramento e contenção adequadas (figura 5.47).

a b

c d

Figura 5.46- Distribuição das frações granulométricas em % dos Grânulos (> 2,0mm), % das Areias (< 2,0mm e
> 0,063mm) e % da fração Silte/Argila (< 0,063mm). Em (a) campanha de setembro de 2010; em (b) campanha
de dezembro de 2010; em (c) campanha de março de 2011; em (d) campanha de junho de 2011.

103
Mendonça, F. P. C. Influência da mineração na geoquímica das águas superficiais e sedimentos...

a b
Ribeirão
do Silva

MINA
CAULIM

MINA
CAULIM

Figura 5.47- Mineração de caulim. (a): vista da mina para o ribeirão do Silva, onde não foi observada nenhuma
medida de contenção do material fino. Em (b): detalhe da mina.

5.6- TAMPONAMENTO DO SISTEMA FLUVIAL PELAS FORMAÇÕES FECHO


DO FUNIL E GANDARELA

O equilíbrio entre o CO2, o HCO3- e o CO32- representa um dos principais mecanismos de


tamponamento em águas naturais. Entende-se por tamponamento, a capacidade da água de manter
estável o seu pH à medida em que se incorporam ácidos ou bases no sistema (APHA, 2005). Este
processo, como foi demonstrado nas discussões anteriores, é de fundamental importância na área de
estudo, uma vez que o efeito das drenagens de águas ácidas oriundas das minas e usinas de
beneficiamento foi sendo minimizado por ele ao longo das principais drenagens.

As rochas carbonáticas participam ativamente no equilíbrio deste sistema, pois a dissolução


dos minerais presentes nestas rochas, especialmente a calcita (CaCO3) e a dolomita CaMg(CO3)2,
incorporam íons bicarbonato no sistema. Esta dissolução apresenta o melhor desempenho nas reações
químicas com pH em torno de 7, sendo que a calcita é o principal agente envolvido (Langmuir, 1997.
Morse & Arvidson, 2002). O efeito da dissolução destes minerais e da sua participação em processos
de tamponamento em rios é bem documentado na literatura (Ahmad et al., 1998; Karin & Veizer,
2000; Dalai et al., 2002). O mesmo efeito de tamponamento foi relatado por Barth et al. (2003) em seu
estudo na bacia de drenagem do rio Langan (Irlanda). Os carbonatos presentes na região estudada por
estes autores possuem alta solubilidade e influenciam o ciclo do carbono, contribuindo na elevação do
pH e proporcionando o tamponamento contra inputs antropogênicos no sistema.

Na área do presente estudo, o efeito de tamponamento foi exercido pelas rochas carbonáticas
das formações Gandarela e Fecho do Funil. Na análise geoquímica das águas, ficou evidente o
aumento do pH ao longo dos ribeirões Arêdes e Silva e o acréscimo dos íons Ca, Mg e HCO3-. As
minas tendem a gerar drenagens ácidas, o que reduz o pH das águas. Contudo, a própria geologia do
local exerce a função de remediação ambiental, elevando este parâmetro à sua condição natural. Nesse

104
Contribuições às Ciências da Terra, série M, volume 71, 131p.

sentido, valores de pH na faixa do neutro não mobiliza os metais presentes na fase sólida para a
solução, contribuindo para a manutenção da qualidade das águas e do ecossistema.

105
CAPÍTULO 6

CONCLUSÕES

A avaliação dos parâmetros geoquímicos de águas e sedimentos no alto curso da bacia do


ribeirão Mata Porcos revelou um forte controle litológico nas principais características avaliadas nesse
estudo. Os sedimentos coletados nas nascentes herdaram uma assinatura geoquímica característica das
suas áreas-fonte, fornecendo indicativos das contribuições geogênicas exercida pelas diferentes
unidades litoestratigráficas do Supergrupo Minas na bacia. Tal assinatura revela a heterogeneidade dos
ambientes fluviais encontrados na cabeceira da bacia, especialmente no que diz respeito aos
sedimentos fluviais.

O uso e ocupação da área foram marcados pelo desenvolvimento das atividades de mineração,
dentre elas a extração do minério de ferro, do caulim e do ouro, esta nos séculos XVII e XVIII. A
avaliação qualitativa de imagens de sensoriamento remoto coletadas na década de 1980, quando
comparadas com as obtidas na data presente, apontou o final desta década como a principal fase de
implementação das atividades mineiras no alto curso da bacia. A expansão urbana observada nas
imagens também possui destaque nas transformações antrópicas ocorridas na região, principalmente a
partir da década de 1990.

Dados geoquímicos dos sedimentos de leito, quando comparados com o mapeamento


geoquímico realizado ao final da década de 1970 pela CPRM, demonstraram o enriquecimento de Fe e
Mn em algumas das drenagens. A mineração desenvolvida nos últimos anos, e outras transformações
antrópicas ocorridas na paisagem da região são sinalizadas como as principais responsáveis pelo
acréscimo destes elementos nos rios.

Na grande maioria das amostras de água, os parâmetros geoquímicos apresentaram-se dentro


dos limites estabelecidos para águas de classe II da resolução CONAMA 357/05, mas há exceções.
Embora estes parâmetros estejam na sua maioria em conformidade com a legislação, medidas de
monitoramento ambiental devem ser continuamente adotadas e avaliadas pelos empreendedores.
Dentre as exceções, destacam-se valores baixos de pH de algumas drenagens, resultado da atividade
mineira. Rochas carbonáticas e afloramentos de mármore da Formação Fecho do Funil e Gandarela
são as principais fontes de Ca e Mg para as águas e os sedimentos. Estas rochas são responsáveis pela
elevação do pH das águas e exercem um importante papel de tamponamento nos rios. Mesmo com o
lançamento de águas com elevada acidez, derivada da mineração de ferro, o próprio ambiente fluvial
foi capaz de tamponar o sistema, elevando o pH até este se tornar alcalino. Esta capacidade relaciona-
se ao efeito de dissolução dos mármores e dolomitos na geoquímica das águas na área de estudo.

 
Mendonça, F. P. C. Influência da mineração na geoquímica das águas superficiais e sedimentos...

Recomenda-se a continuidade dos trabalhos de monitoramento, visando uma melhor


compreensão do papel das rochas da Formação Fecho do Funil no tamponamento de drenagens ácidas.
Além disso, sugere-se a ampliação dos estudos relacionados às litologias que contém rochas
carbonáticas para toda a área do Quadrilátero Ferrífero, elucidando em uma escala regional o papel
destas rochas na melhoria da qualidade ambiental dos sistemas.

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114
Apêndice I
Tabela I.1: pontos de coleta de amostras relacionados pelo nome e referência espacial. As coordenadas
foram obtidas em UTM, fuso 23 e datum horizontal SAD69.

Coordenada N Coordenada E Nomeclatura Observações do local

612736,297 7757499,577 PR01 exutório do córrego Benevides, jusante da barragem Herculano

612769,478 7757474,581 PR02 ribeirão Arêdes, montante do córrego Benevides

612692,283 7757454,127 PR03 ribeirão Arêdes, jusante do córrego Benevides

612365,482 7759289,125 PR04 córrego Benevides, montante da barragem Herculano

611696,638 7761061,093 PR05 captação de água da Mineração Herculano

615259,426 7756844,290 PR06 montante das minas SAFM e Arêdes - Falha geológica

612911,659 7753028,290 PR07 ponte ribeirão do Silva

611122,247 7758710,893 PR08 ponte ribeirão do Silva

616063,176 7759083,306 PR10 cano e registro de água VALE

615115,437 7759041,996 PR11 cabeceira ribeirão Arêdes jusante PR10

614309,102 7757400,954 PR12 jusante barragem MINAR

614363,581 7757709,373 PR13 jusante mina SAFM

608503,800 7761209,485 PR14 nascente propriedade Toninho - Canga

610364,801 7762314,694 PR15 nascente montante mineração Caulim

614928,286 7748110,189 PR16 ponte comunidade de ribeirão do Eixo

609763,119 7761790,470 PR17 nascente montante mineração Caulim

614291,829 7757412,918 PR18 jusante mina SAFM

609714,150 7762437,966 PR19 cava mineração caulim - afloramento lençol

613871,748 7756926,484 PR20 ponto captação água mineral

615144,186 7759183,051 PR21 cabeceira ribeirão Arêdes montante PR10

115
Apêndice II
Tabela II.1: Teores de elementos maiores e traço determinados nas águas por ICP-OES. Resultados da 1ª campanha – setembro de 2010

Ponto Al As Ba Be Ca Cd Co Cr Cu Fe k Li Mg Mn Mo Na Ni P Pb S Sc Sr Ti V Y Zn
µg/L µg/L µg/L µg/L mg/L µg/L µg/L µg/L µg/L µg/L mg/L µg/L mg/L µg/L µg/L mg/L µg/L mg/L µg/L mg/L µg/L µg/L µg/L µg/L µg/L µg/L

PR01 14,8 <LQ 3,0 <LQ 0,2 <LQ <LQ <LQ <LQ 15,9 0,3 <LQ 0,0 15,1 <LQ 0,4 <LQ <LQ <LQ <LQ <LQ 1,1 <LQ <LQ <LQ 4,5

PR02 <LQ <LQ 2,7 <LQ 15,6 <LQ <LQ <LQ <LQ 15,2 0,2 1,9 7,5 18,3 <LQ 0,1 <LQ <LQ <LQ 0,2 <LQ 9,4 <LQ <LQ <LQ <LQ

PR03 <LQ <LQ 2,3 <LQ 12,0 <LQ <LQ <LQ <LQ 12,2 0,3 1,4 5,6 17,7 <LQ 0,2 <LQ <LQ <LQ 0,5 <LQ 7,8 <LQ <LQ <LQ <LQ

PR04 29,4 <LQ 3,2 <LQ 1,6 <LQ <LQ <LQ <LQ 18,7 0,7 3,2 0,1 17,5 <LQ 6,6 <LQ <LQ <LQ 0,9 <LQ 6,8 <LQ <LQ <LQ 6,7

PR05 137,6 <LQ 5,8 <LQ 0,3 <LQ <LQ <LQ <LQ 82,7 0,6 <LQ <LQ 122,5 <LQ 0,6 <LQ <LQ 75,5 <LQ <LQ 1,1 <LQ <LQ <LQ 7,9

PR06 12,5 <LQ 1,3 <LQ 0,2 <LQ <LQ <LQ <LQ 56,1 1,6 <LQ 0,0 12,8 <LQ 0,2 <LQ <LQ <LQ <LQ <LQ 0,6 <LQ <LQ <LQ <LQ

PR07 <LQ <LQ 4,6 <LQ 10,8 <LQ <LQ <LQ <LQ 12,4 0,6 1,1 3,7 7,6 <LQ 0,3 <LQ <LQ <LQ 3,1 <LQ 12,6 <LQ <LQ <LQ <LQ

PR08 <LQ <LQ 16,1 <LQ 8,5 <LQ <LQ <LQ <LQ 33,9 0,5 0,7 4,1 15,3 <LQ 0,4 <LQ <LQ 73,7 0,2 <LQ 5,0 <LQ <LQ <LQ <LQ

PR10 245,3 <LQ 3,9 <LQ 0,4 <LQ <LQ <LQ 4,5 431,5 0,6 <LQ 0,2 81,7 <LQ 1,0 <LQ <LQ <LQ 0,1 <LQ 2,9 <LQ <LQ <LQ 3,9

PR11 12,4 <LQ 4,3 <LQ 2,3 <LQ <LQ <LQ <LQ 240,9 0,2 <LQ 1,4 110,9 <LQ 0,1 <LQ <LQ <LQ <LQ <LQ 1,3 <LQ <LQ <LQ <LQ

PR12 <LQ <LQ 9,0 <LQ 0,1 <LQ 10,2 <LQ <LQ 66,8 0,4 <LQ 0,0 79,5 <LQ 0,2 <LQ <LQ <LQ <LQ <LQ 1,4 <LQ <LQ <LQ <LQ

PR13 <LQ <LQ 1,2 <LQ 2,9 <LQ 12,6 <LQ <LQ 11,3 0,2 <LQ 1,8 4,5 <LQ 0,1 <LQ <LQ <LQ <LQ <LQ 1,6 <LQ <LQ <LQ <LQ

PR14 <LQ <LQ 1,7 <LQ 0,7 <LQ 10,6 <LQ <LQ 37,4 0,1 <LQ 0,3 6,7 <LQ 0,1 <LQ <LQ <LQ <LQ <LQ 2,1 <LQ <LQ <LQ <LQ

PR15 <LQ <LQ 2,3 <LQ 0,0 <LQ <LQ <LQ <LQ 78,7 0,4 <LQ <LQ 5,8 <LQ 0,1 <LQ <LQ <LQ <LQ <LQ 0,2 <LQ <LQ <LQ <LQ

PR16 12,8 <LQ 7,1 <LQ 11,9 <LQ <LQ <LQ <LQ 24,4 0,9 1,6 4,0 33,1 <LQ 0,2 <LQ <LQ <LQ 3,2 <LQ 15,0 <LQ <LQ <LQ <LQ

PR17 <LQ <LQ 17,4 <LQ 0,1 <LQ 10,4 <LQ <LQ 117,7 0,1 <LQ <LQ 67,0 <LQ 0,0 <LQ <LQ <LQ <LQ <LQ 0,4 <LQ <LQ <LQ <LQ

LQ = 6,26 57,71 0,80 0,37 0,01 5,43 14,64 7,63 4,07 7,23 0,04 0,85 0,00 0,81 11,60 0,02 18,66 0,09 85,71 0,05 0,16 0,16 4,41 7,21 1,37 3,47

LQ = limite de quantificação do método


Os elementos As, Be, Cd, Co, Cr, Mo, Ni, Pb, Sc, Ti, V e Y apresentaram-se abaixo do limite de quantificação (<LQ) do método para todas as amostras

116
Tabela II.2: Teores de elementos maiores e traço determinados nas águas por ICP-OES. Resultados da 2ª campanha – dezembro de 2010

Ponto Al As Ba Be Ca Cd Co Cr Cu Fe k Li Mg Mn Mo Na Ni P Pb S Sc Sr Ti V Y Zn
µg/L µg/L µg/L µg/L mg/L µg/L µg/L µg/L µg/L µg/L mg/L µg/L mg/L µg/L µg/L mg/L µg/L mg/L µg/L mg/L µg/L µg/L µg/L µg/L µg/L µg/L

PR01 <LQ <LQ 1,5 <LQ 0,4 4,8 <LQ <LQ <LQ <LQ 0,2 <LQ 0,0 30,3 <LQ 0,3 <LQ <LQ <LQ 0,1 <LQ 1,6 <LQ <LQ <LQ <LQ

PR02 16,3 <LQ 2,0 <LQ 4,4 4,8 <LQ <LQ <LQ 20,0 0,2 0,9 2,1 33,4 <LQ 0,1 <LQ <LQ <LQ 0,1 <LQ 3,6 <LQ <LQ <LQ <LQ

PR03 56,3 <LQ 3,1 <LQ 4,5 <LQ <LQ <LQ <LQ 31,6 0,3 0,7 2,1 68,0 <LQ 0,2 <LQ <LQ <LQ 0,4 <LQ 4,2 <LQ <LQ <LQ <LQ

PR04 58,0 <LQ 7,9 <LQ 0,8 6,3 <LQ <LQ <LQ 54,9 0,3 0,9 0,1 197,6 <LQ 1,3 <LQ <LQ <LQ 0,2 <LQ 4,9 <LQ <LQ <LQ <LQ

PR05 <LQ <LQ 0,9 <LQ 0,1 5,0 <LQ <LQ <LQ 9,4 0,1 <LQ <LQ 9,7 <LQ 0,2 <LQ <LQ <LQ <LQ <LQ 0,3 <LQ <LQ <LQ <LQ

PR06 <LQ <LQ 0,9 <LQ 0,1 <LQ <LQ <LQ <LQ 109,1 0,1 <LQ 0,0 13,1 <LQ 0,1 <LQ <LQ <LQ 0,1 <LQ 0,9 <LQ <LQ <LQ <LQ

PR07 <LQ <LQ 5,1 <LQ 7,1 <LQ <LQ <LQ <LQ 16,4 0,4 0,9 2,6 22,8 <LQ 0,3 <LQ <LQ <LQ 1,9 <LQ 10,3 <LQ <LQ <LQ <LQ

PR08 <LQ <LQ 16,9 <LQ 5,0 <LQ <LQ <LQ <LQ 36,5 0,5 0,6 2,2 42,1 <LQ 0,4 <LQ <LQ <LQ 0,2 <LQ 6,3 <LQ <LQ <LQ <LQ

PR10 190,1 <LQ 3,6 <LQ 0,5 <LQ <LQ <LQ <LQ 398,5 0,3 <LQ 0,3 74,8 <LQ 0,9 <LQ <LQ <LQ 0,2 <LQ 2,8 <LQ <LQ <LQ <LQ

PR11 34,2 <LQ 7,2 <LQ 1,3 <LQ <LQ <LQ <LQ 166,3 0,2 <LQ 0,8 190,8 <LQ 0,3 <LQ <LQ <LQ <LQ <LQ 2,2 <LQ <LQ <LQ 4,7

PR12 <LQ <LQ 8,1 <LQ 0,4 <LQ <LQ <LQ <LQ 48,5 0,4 0,6 0,1 74,6 <LQ 0,4 <LQ <LQ <LQ <LQ <LQ 3,7 <LQ <LQ <LQ 13,4

PR13 <LQ <LQ 2,2 <LQ 0,8 <LQ <LQ <LQ <LQ 19,7 0,4 0,5 0,4 31,2 <LQ 0,2 <LQ <LQ <LQ <LQ <LQ 1,5 <LQ <LQ <LQ <LQ

PR14 32,0 <LQ 3,7 <LQ 0,8 <LQ <LQ <LQ <LQ 21,4 0,1 <LQ 0,2 56,3 <LQ 0,1 <LQ <LQ <LQ <LQ <LQ 2,4 <LQ <LQ <LQ <LQ

PR15 <LQ <LQ 2,7 <LQ 0,3 <LQ <LQ <LQ <LQ 176,7 0,1 <LQ 0,0 17,1 <LQ 0,1 <LQ <LQ <LQ <LQ <LQ 0,7 <LQ <LQ <LQ 4,9

PR16 21,0 <LQ 3,9 <LQ 6,7 <LQ <LQ <LQ <LQ 17,0 0,3 1,1 2,2 47,1 <LQ 0,3 <LQ <LQ <LQ 1,6 <LQ 10,7 <LQ <LQ <LQ 6,5

PR17 <LQ <LQ 19,7 <LQ 0,3 <LQ <LQ <LQ <LQ 325,5 0,1 <LQ 0,0 83,4 <LQ 0,2 <LQ <LQ <LQ <LQ <LQ 0,9 <LQ <LQ <LQ <LQ

PR18 12,5 <LQ 1,9 <LQ 0,7 <LQ <LQ <LQ <LQ 21,4 0,4 <LQ 0,3 29,8 <LQ 0,2 <LQ <LQ <LQ <LQ <LQ 1,8 <LQ <LQ <LQ <LQ

PR19 157,7 <LQ 3,8 <LQ 0,5 <LQ <LQ <LQ <LQ 388,3 0,2 <LQ 0,3 66,4 <LQ 0,1 <LQ <LQ <LQ <LQ <LQ 0,8 <LQ <LQ <LQ 17,9

PR20 <LQ <LQ 3,0 <LQ 13,2 <LQ <LQ <LQ <LQ <LQ 0,3 2,1 6,0 11,3 <LQ 0,2 <LQ <LQ <LQ 0,2 <LQ 8,5 <LQ <LQ <LQ <LQ

PR21 <LQ <LQ 5,3 <LQ 0,6 <LQ <LQ <LQ <LQ 53,3 0,1 <LQ 0,4 147,6 <LQ 0,1 <LQ <LQ <LQ <LQ <LQ 1,4 <LQ <LQ <LQ <LQ

LQ = 6,26 57,71 0,80 0,37 0,01 5,43 14,64 7,63 4,07 7,23 0,04 0,85 0,00 0,81 11,60 0,02 18,66 0,09 85,71 0,05 0,16 0,16 4,41 7,21 1,37 3,47

LQ = limite de quantificação do método


Os elementos As, Be, Cd, Co, Cr, Mo, Ni, Pb, Sc, Ti, V e Y apresentaram-se abaixo do limite de quantificação (<LQ) do método para todas as amostras

117
Tabela II.3: Teores de elementos maiores e traço determinados nas águas por ICP-OES. Resultados da 3ª campanha – março de 2011

Ponto Al As Ba Be Ca Cd Co Cr Cu Fe k Li Mg Mn Mo Na Ni P Pb S Sc Sr Ti V Y Zn
µg/L µg/L µg/L µg/L mg/L µg/L µg/L µg/L µg/L µg/L mg/L µg/L mg/L µg/L µg/L mg/L µg/L mg/L µg/L mg/L µg/L µg/L µg/L µg/L µg/L µg/L

PR01 <LQ <LQ 4,0 <LQ 0,8 <LQ <LQ <LQ <LQ 8,2 0,2 <LQ 0,0 67,9 <LQ 0,3 <LQ <LQ <LQ 0,1 <LQ 2,7 <LQ <LQ <LQ 3,9

PR02 <LQ <LQ 3,2 <LQ 8,6 <LQ <LQ <LQ 5,9 57,0 0,2 1,7 3,9 45,3 <LQ 0,1 <LQ <LQ <LQ 0,1 <LQ 6,1 <LQ <LQ <LQ 66,9

PR03 45,7 <LQ 5,0 <LQ 8,1 <LQ <LQ <LQ <LQ 49,6 0,2 1,7 3,6 108,0 <LQ 0,7 <LQ 0,1 <LQ 0,6 <LQ 7,1 <LQ <LQ <LQ 66,1

PR04 10,1 <LQ 6,5 <LQ 1,3 <LQ <LQ <LQ <LQ 9,5 0,3 <LQ 0,1 190,3 <LQ 0,9 <LQ <LQ <LQ 0,3 <LQ 5,2 <LQ <LQ <LQ 14,7

PR05 9,2 <LQ 1,0 <LQ 0,6 <LQ <LQ <LQ <LQ 11,3 0,2 <LQ <LQ 22,7 <LQ 0,4 <LQ 0,1 <LQ 0,1 <LQ 1,1 <LQ <LQ <LQ 31,8

PR06 25,3 <LQ 1,3 <LQ 0,9 <LQ <LQ <LQ <LQ 83,8 0,2 <LQ 0,0 15,6 <LQ 0,4 <LQ 0,1 <LQ 0,2 <LQ 2,3 <LQ <LQ <LQ 6,0

PR07 180,4 <LQ 11,3 <LQ 9,7 <LQ <LQ <LQ <LQ 169,3 0,4 1,6 3,1 147,8 <LQ 0,5 <LQ 0,1 <LQ 2,7 <LQ 14,9 <LQ <LQ <LQ 10,0

PR08 14,3 <LQ 18,1 <LQ 5,8 <LQ <LQ <LQ <LQ 51,1 0,3 <LQ 2,1 38,1 <LQ 0,3 <LQ <LQ <LQ 0,2 <LQ 7,2 <LQ <LQ <LQ 7,5

PR10 145,2 <LQ 2,7 <LQ 0,7 <LQ <LQ <LQ 5,2 275,4 0,3 <LQ 0,2 62,0 <LQ 0,9 <LQ 0,2 <LQ 0,3 <LQ 2,7 <LQ <LQ <LQ 10,0

PR11 <LQ <LQ 5,2 <LQ 1,3 <LQ <LQ <LQ <LQ 70,8 1,9 <LQ 0,5 166,9 <LQ 0,3 <LQ <LQ <LQ 0,1 <LQ 2,1 <LQ <LQ <LQ 5,2

PR12 <LQ <LQ 8,9 <LQ 0,7 <LQ <LQ <LQ <LQ 64,1 0,1 0,9 0,0 108,6 <LQ 0,2 <LQ <LQ <LQ 0,1 <LQ 2,7 <LQ <LQ <LQ <LQ

PR13 <LQ <LQ 2,2 <LQ 1,4 <LQ <LQ <LQ <LQ 16,0 0,1 <LQ 0,6 66,5 <LQ 0,3 <LQ <LQ <LQ 0,1 <LQ 1,7 <LQ <LQ <LQ <LQ

PR14 34,6 <LQ 3,0 <LQ 0,9 <LQ <LQ <LQ 6,3 35,2 0,4 <LQ 0,2 23,5 <LQ 0,5 <LQ <LQ <LQ 0,1 <LQ 3,2 <LQ <LQ <LQ 29,5

PR15 7,6 <LQ 2,4 <LQ 0,1 <LQ <LQ <LQ <LQ 277,4 0,2 <LQ <LQ 5,3 <LQ 0,3 <LQ <LQ <LQ 0,1 <LQ 0,5 <LQ <LQ <LQ <LQ

PR16 125,8 <LQ 13,2 <LQ 8,2 <LQ <LQ <LQ <LQ 167,2 0,5 1,5 2,7 213,8 <LQ 0,5 <LQ 0,1 <LQ 2,0 <LQ 13,0 <LQ <LQ <LQ 6,7

PR17 <LQ <LQ 21,8 <LQ 0,1 <LQ <LQ <LQ <LQ 206,5 0,2 <LQ <LQ 85,1 <LQ 0,1 <LQ <LQ <LQ <LQ <LQ 0,9 <LQ <LQ <LQ 4,6

PR18 <LQ <LQ 2,1 0,1 1,7 <LQ <LQ <LQ <LQ 24,3 0,1 <LQ 0,6 62,9 <LQ 0,2 <LQ <LQ <LQ 0,1 <LQ 2,0 <LQ <LQ <LQ <LQ

PR19 16,7 <LQ 1,7 <LQ 0,3 <LQ <LQ <LQ <LQ 19,5 0,2 <LQ <LQ 15,3 <LQ 0,1 <LQ <LQ <LQ <LQ <LQ 1,1 <LQ <LQ <LQ 15,8

PR20 <LQ <LQ 2,1 <LQ 14,3 <LQ <LQ <LQ <LQ <LQ 0,2 2,6 6,0 3,9 <LQ 0,2 <LQ <LQ <LQ 0,2 <LQ 9,3 <LQ <LQ <LQ <LQ

PR21 <LQ <LQ 5,1 <LQ 1,2 <LQ <LQ <LQ <LQ 58,3 0,2 <LQ 0,3 149,5 <LQ 0,2 <LQ <LQ <LQ <LQ <LQ 1,9 <LQ <LQ <LQ 8,2

LQ = 6,26 57,71 0,80 0,37 0,01 5,43 14,64 7,63 4,07 7,23 0,04 0,85 0,00 0,81 11,60 0,02 18,66 0,09 85,71 0,05 0,16 0,16 4,41 7,21 1,37 3,47

LQ = limite de quantificação do método


Os elementos As, Be, Cd, Co, Cr, Mo, Ni, Pb, Sc, Ti, V e Y apresentaram-se abaixo do limite de quantificação (<LQ) do método para todas as amostras

118
Tabela II.4: Teores de elementos maiores e traço determinados nas águas por ICP-OES. Resultados da 4ª campanha – junho de 2011

Ponto Al As Ba Be Ca Cd Co Cr Cu Fe k Li Mg Mn Mo Na Ni P Pb S Sc Sr Ti V Y Zn
µg/L µg/L µg/L µg/L mg/L µg/L µg/L µg/L µg/L µg/L mg/L µg/L mg/L µg/L µg/L mg/L µg/L mg/L µg/L mg/L µg/L µg/L µg/L µg/L µg/L µg/L

PR01 <LQ <LQ 3,1 <LQ 0,3 <LQ <LQ <LQ <LQ <LQ 0,1 <LQ 0,0 22,8 <LQ 0,2 <LQ <LQ <LQ <LQ <LQ 1,2 <LQ <LQ <LQ <LQ

PR02 <LQ <LQ 2,9 <LQ 11,9 <LQ <LQ <LQ <LQ 16,6 0,2 1,8 5,7 16,5 <LQ 0,1 <LQ <LQ <LQ 0,2 <LQ 7,9 <LQ <LQ <LQ <LQ

PR03 <LQ <LQ 2,6 <LQ 12,2 <LQ <LQ <LQ <LQ 11,6 0,2 1,8 5,6 18,2 <LQ 0,1 <LQ <LQ <LQ 0,9 <LQ 9,3 <LQ <LQ <LQ <LQ

PR04 <LQ <LQ 5,3 <LQ 0,3 <LQ <LQ <LQ <LQ <LQ 0,2 0,9 0,0 96,3 <LQ 0,2 <LQ <LQ <LQ 0,1 <LQ 2,1 <LQ <LQ <LQ <LQ

PR05 <LQ <LQ 2,5 <LQ 1,3 <LQ <LQ <LQ <LQ 16,2 0,2 <LQ <LQ 22,0 <LQ 0,2 <LQ <LQ <LQ 0,1 <LQ 13,8 <LQ <LQ <LQ 6,6

PR06 <LQ <LQ 2,0 <LQ 0,4 <LQ <LQ <LQ 4,5 78,4 0,4 <LQ 0,1 15,8 <LQ 0,3 <LQ <LQ <LQ 0,1 <LQ 1,1 <LQ <LQ <LQ 15,0

PR07 <LQ <LQ 4,5 <LQ 9,0 <LQ <LQ <LQ <LQ 67,3 0,3 1,2 3,2 7,9 <LQ 0,2 <LQ <LQ <LQ 2,4 <LQ 12,0 <LQ <LQ <LQ <LQ

PR08 <LQ <LQ 16,7 <LQ 7,9 <LQ <LQ <LQ <LQ 24,0 0,2 <LQ 3,9 13,2 <LQ 0,1 <LQ <LQ <LQ 0,2 <LQ 5,0 <LQ <LQ <LQ <LQ

PR10 63,4 <LQ 3,8 <LQ 0,5 <LQ <LQ <LQ <LQ 408,2 0,3 <LQ 0,3 90,4 <LQ 1,0 <LQ <LQ <LQ 0,4 <LQ 3,6 <LQ <LQ <LQ <LQ

PR11 <LQ <LQ 2,7 <LQ 2,1 <LQ <LQ <LQ <LQ 36,9 0,1 <LQ 1,0 30,7 <LQ 0,1 <LQ <LQ <LQ 0,1 <LQ 1,8 <LQ <LQ <LQ 10,5

PR12 <LQ <LQ 7,9 <LQ 0,4 <LQ <LQ <LQ <LQ 35,9 0,1 <LQ 0,0 67,1 <LQ 0,1 <LQ <LQ <LQ <LQ <LQ 1,8 <LQ <LQ <LQ 7,7

PR13 <LQ <LQ 1,7 <LQ 2,3 <LQ <LQ <LQ <LQ 20,2 0,4 <LQ 1,3 10,3 <LQ 0,1 <LQ <LQ <LQ 0,1 <LQ 1,8 <LQ <LQ <LQ 9,2

PR14 <LQ <LQ 1,7 <LQ 0,7 <LQ <LQ <LQ <LQ 145,6 0,1 <LQ 0,2 6,9 <LQ 0,1 <LQ <LQ <LQ <LQ <LQ 2,1 <LQ <LQ <LQ <LQ

PR15 <LQ <LQ 1,8 <LQ 0,3 <LQ <LQ <LQ <LQ 83,9 0,1 <LQ 0,0 4,9 <LQ 0,1 <LQ <LQ <LQ <LQ <LQ 0,7 <LQ <LQ <LQ <LQ

PR16 <LQ <LQ 4,7 <LQ 11,1 <LQ <LQ <LQ <LQ 19,2 0,6 1,6 3,6 18,4 <LQ 0,2 <LQ <LQ <LQ 2,8 <LQ 16,9 <LQ <LQ <LQ <LQ

PR17 <LQ <LQ 17,4 <LQ 0,1 <LQ <LQ <LQ <LQ 144,1 0,1 <LQ <LQ 62,1 <LQ 0,1 <LQ <LQ <LQ <LQ <LQ 0,6 <LQ <LQ <LQ <LQ

PR18 <LQ <LQ 1,6 <LQ 2,1 <LQ <LQ <LQ <LQ 19,1 0,4 <LQ 1,2 15,4 <LQ 0,2 <LQ <LQ <LQ 0,1 <LQ 1,8 <LQ <LQ <LQ <LQ

PR19 <LQ <LQ 2,5 <LQ 0,4 <LQ <LQ <LQ <LQ <LQ 0,1 <LQ 0,0 31,8 <LQ 0,1 <LQ <LQ <LQ <LQ <LQ 1,6 <LQ <LQ <LQ <LQ

PR20 <LQ <LQ 2,4 <LQ 13,5 <LQ <LQ <LQ <LQ <LQ 0,3 2,6 6,1 3,5 <LQ 0,1 <LQ <LQ <LQ 0,2 <LQ 8,8 <LQ <LQ <LQ <LQ

PR21 <LQ <LQ 2,1 <LQ 1,0 <LQ <LQ <LQ <LQ 20,2 0,1 <LQ 0,6 8,7 <LQ 0,1 <LQ <LQ <LQ <LQ <LQ 1,1 <LQ <LQ <LQ <LQ

LQ = 6,26 57,71 0,80 0,37 0,01 5,43 14,64 7,63 4,07 7,23 0,04 0,85 0,00 0,81 11,60 0,02 18,66 0,09 85,71 0,05 0,16 0,16 4,41 7,21 1,37 3,47

LQ = limite de quantificação do método


Os elementos As, Be, Cd, Co, Cr, Mo, Ni, Pb, Sc, Ti, V e Y apresentaram-se abaixo do limite de quantificação (<LQ) do método para todas as amostras

119
Apêndice III
Tabela III.1: Parâmetros físico-químicos (pH, Eh, condutividade elétrica, sólidos totais dissolvidos, oxigênio dissolvido, temperatura e turbidez) e principais
constituintes aniônicos (alcalinidade, sulfato e cloreto). Resultados da 1ª campanha – setembro de 2010

PONTO Condutividade Sólidos totais dissolvidos eH pH Turbidez Oxigênio dissolvido Temperatura Alcalinidade Sulfato Cloreto

(COND - µS) (TDS - mg/l) (mV) PH (NTU) (OD - mg/l) (° C) (mg/l de HCO3-) (SO42- - mg/l) (Cl - mg/l)
PR01 6,35 3,88 316,00 6,13 0,45 6,07 30,30 16,42 1,00 0,010
PR02 106,00 66,75 204,00 8,08 0,00 6,40 30,00 79,55 1,00 0,010
PR03 104,90 66,23 277,00 8,01 0,02 6,68 28,80 80,81 1,00 0,030
PR04 78,04 49,80 242,00 7,57 5,21 6,22 29,70 27,78 1,00 0,020
PR05 6,32 4,45 270,00 6,17 0,00 6,58 22,10 16,42 0,00 0,010
PR06 3,82 2,37 240,00 5,78 1,47 6,42 25,00 11,36 1,00 0,020
PR07 92,77 58,57 249,00 7,28 0,02 6,98 23,60 47,98 10,00 0,020
PR08 78,06 49,02 229,00 7,94 1,42 7,07 23,10 53,03 1,00 0,010
PR10 31,15 19,70 325,00 4,53 0,00 7,72 27,30 6,31 0,00 0,040
PR11 27,80 18,10 177,00 6,64 17,89 6,80 25,10 21,47 0,00 0,080
PR12 5,02 3,19 344,00 6,75 4,57 7,80 26,90 6,31 0,00 0,030
PR13 31,78 20,15 279,00 6,85 0,82 6,70 24,70 25,25 0,00 0,020
PR14 7,02 4,43 317,00 7,10 5,30 8,10 22,80 10.10 0,00 0,020
PR15 7,12 4,50 182,00 7,75 0,39 8,30 25,90 7,58 0,00 0,020
PR16 99,27 63,34 255,00 7,62 52,00 8,32 22,50 49,25 8,00 0,110
PR17 2,68 1,85 148,00 7,75 10,75 8,18 27,50 11,36 1,00 0,100

120
Tabela III.2: Parâmetros físico-químicos (pH, Eh, condutividade elétrica, sólidos totais dissolvidos, oxigênio dissolvido, temperatura e turbidez) e principais
constituintes aniônicos (alcalinidade, sulfato e cloreto). Resultados da 2ª campanha – dezembro de 2010

PONTO Condutividade Sólidos totais dissolvidos eH pH Turbidez Oxigênio dissolvido Temperatura Alcalinidade Sulfato Cloreto

(COND - µS) (TDS - mg/l) (mV) PH (NTU) (OD - mg/l) (° C) (mg/l de HCO3-) (SO42- - mg/l) (Cl - mg/l)
PR01 4,18 2,65 295,00 5,88 6,08 7,65 27,50 6,31 0,00 0,000
PR02 92,38 68,14 330,00 6,47 90,00 6,28 27,20 26,52 0,00 0,040
PR03 40,16 26,00 321,00 7,03 78,67 6,59 30,60 22,73 0,00 0,010
PR04 13,65 8,71 287,00 6,07 2,89 7,70 26,80 11,51 0,00 0,050
PR05 8,96 4,85 283,00 5,52 2,42 7,45 23,50 6,39 0,00 0,040
PR06 2,92 1,82 224,00 5,81 2,63 8,32 25,00 5,11 0,00 0,050
PR07 68,63 43,30 289,00 6,25 22,84 6,27 25,70 29,04 6,00 0,040
PR08 54,92 35,80 307,00 4,90 18,03 5,80 23,20 30,30 0,00 0,060
PR10 25,50 16,51 323,00 4,55 2,08 7,80 25,80 10,10 0,00 0,000
PR11 15,35 9,86 153,00 6,47 11,18 7,64 24,30 12,79 2,00 0,110
PR12 5,43 3,08 178,00 6,13 0,00 8,84 28,20 7,58 0,00 0,000
PR13 8,31 5,32 229,00 6,82 0,00 9,40 26,20 8,95 0,00 0,000
PR14 11,95 6,86 384,00 6,10 3,45 7,40 25,60 8,84 1,00 0,060
PR15 2,39 1,45 212,00 6,22 6,44 7,64 26,20 8,84 0,00 0,000
PR16 53,59 35,10 306,00 5,43 17,60 6,34 24,10 37,88 0,00 0,040
PR17 4,18 2,50 181,00 6,61 11,30 7,23 26,00 8,84 0,00 0,030
PR18 10,04 6,41 154,00 7,37 0,10 8,24 33,30 12,63 0,00 0,000
PR19 6,38 4,38 312,00 4,80 1,16 8,70 27,60 5,11 0,00 0,040
PR20 110,30 71,20 196,00 8,00 0,00 7,72 27,10 82,08 2,00 0,020
PR21 8,68 5,57 196,00 6,36 4,96 7,43 25,20 8,95 1,00 0,060

121
Tabela III.3: Parâmetros físico-químicos (pH, Eh, condutividade elétrica, sólidos totais dissolvidos, oxigênio dissolvido, temperatura e turbidez) e principais
constituintes aniônicos (alcalinidade, sulfato e cloreto). Resultados da 3ª campanha – março de 2011

PONTO Condutividade Sólidos totais dissolvidos eH pH Turbidez Oxigênio dissolvido Temperatura Alcalinidade Sulfato Cloreto

(COND - µS) (TDS - mg/l) (mV) PH (NTU) (OD - mg/l) (° C) (mg/l de HCO3-) (SO42- - mg/l) (Cl - mg/l)
PR01 5,00 3,18 143,00 7,65 0,00 6,80 27,00 8,95 1,00 0,050
PR02 69,88 44,79 107,00 8,13 0,00 7,22 26,10 52,42 0,00 0,050
PR03 66,29 42,45 125,00 8,37 0,00 7,09 26,90 44,75 1,00 0,030
PR04 3,25 5,88 199,00 6,84 4,54 6,88 25,80 14,06 0,00 0,090
PR05 2,49 1,57 203,00 8,04 0,00 7,85 23,80 8,95 0,00 0,010
PR06 3,28 2,07 197,00 5,95 0,00 7,86 23,40 6,39 0,00 0,020
PR07 73,28 46,87 173,00 8,28 3,16 7,93 27,24 37,08 4,00 0,080
PR08 42,78 27,24 159,00 8,24 1,93 7,85 25,80 26,85 1,00 0,040
PR10 24,05 15,42 296,00 4,29 0,00 6,91 29,20 6,39 3,00 0,030
PR11 10,50 6,67 116,00 6,56 0,00 7,22 24,50 12,79 1,00 0,030
PR12 2,51 1,58 65,00 7,30 0,00 7,26 28,30 7,67 1,00 0,010
PR13 11,72 7,39 159,00 7,40 0,69 7,60 26,70 17,90 1,00 0,030
PR14 7,11 4,52 201,00 6,42 0,00 7,06 25,60 11,51 0,00 0,020
PR15 4,38 2,80 89,00 7,85 0,00 7,64 25,20 7,67 0,00 0,030
PR16 68,85 44,21 208,00 7,69 11,44 7,75 25,20 39,64 4,00 0,040
PR17 3,00 1,88 103,00 6,44 7,93 7,48 25,60 10,23 2,00 0,050
PR18 11,37 7,17 121,00 8,26 1,51 7,70 26,60 15,34 1,00 0,030
PR19 3,86 2,41 252,00 5,14 0,00 6,70 29,40 7,67 0,00 0,000
PR20 111,80 8,92 156,00 8,90 0,00 7,65 26,80 79,27 0,00 0,020
PR21 7,32 4,66 139,00 6,70 0,00 6,80 23,90 11,51 2,00 0,020

122
Tabela III.4: Parâmetros físico-químicos (pH, Eh, condutividade elétrica, sólidos totais dissolvidos, oxigênio dissolvido, temperatura e turbidez) e principais
constituintes aniônicos (alcalinidade, sulfato e cloreto). Resultados da 4ª campanha – junho de 2011

PONTO Condutividade Sólidos totais dissolvidos eH pH Turbidez Oxigênio dissolvido Temperatura Alcalinidade Sulfato Cloreto

(COND - µS) (TDS - mg/l) (mV) PH (NTU) (OD - mg/l) (° C) (mg/l de HCO3-) (SO42- - mg/l) (Cl - mg/l)
PR01 2,66 1,65 202,00 7,75 0,00 7,29 25,60 5,08 0,00 0,060
PR02 105,10 66,38 218,00 8,08 0,00 7,02 28,10 67,38 0,00 0,080
PR03 102,80 64,88 164,00 8,10 0,00 7,82 25,80 66,10 0,00 0,060
PR04 3,91 2,45 230,00 6,70 3,63 7,76 19,20 5,08 0,00 0,050
PR05 8,87 5,59 251,00 6,10 0,55 6,06 21,60 7,63 0,00 0,040
PR06 11,11 6,90 177,00 6,32 7,90 7,35 24,60 6,36 0,00 0,010
PR07 77,33 48,40 214,00 7,76 20,30 8,70 23,80 36,87 4,00 0,060
PR08 71,88 45,53 218,00 7,32 2,37 6,91 24,00 46,40 0,00 0,100
PR10 24,78 15,29 266,00 4,86 5,87 5,37 28,80 6,36 0,00 0,020
PR11 18,00 11,25 175,00 6,88 16,64 7,52 24,30 16,53 1,00 0,040
PR12 3,25 2,05 185,00 6,04 2,50 6,30 26,10 8,90 0,00 0,040
PR13 27,68 17,58 279,00 6,63 1,10 6,02 24,60 16,53 0,00 0,020
PR14 6,70 4,13 229,00 6,61 1,61 6,95 22,90 8,90 1,00 0,030
PR15 1,86 1,15 65,00 7,22 7,76 7,84 23,00 5,08 1,00 0,020
PR16 91,20 58,01 198,00 7,81 21,41 6,69 22,30 45,76 7,00 0,090
PR17 2,31 1,42 131,00 6,60 0,00 8,97 21,90 6,36 1,00 0,020
PR18 22,37 13,95 229,00 6,92 2,66 6,04 25,50 15,25 0,00 0,020
PR19 8,25 5,15 261,00 5,76 2,87 6,88 22,70 6,36 1,00 0,030
PR20 113,50 71,25 251,00 8,12 6,76 7,16 27,50 72,46 1,00 0,030
PR21 11,16 7,03 178,00 6,79 5,16 8,18 24,70 10,17 1,00 0,030

123
Apêndice IV
Tabela IV.1: taxas de recuperação dos elementos químicos obtidas do material de referência americano SRM 2711a - Montana II Soil. Método EPA 3051. Os
elementos verificados em relação à taxa de recuperação foram o Al, As, Ba, Ca, Co, Cr, Cu, Fe, K, Mg, Mn, Na, Ni, Pb, V, e Zn.

Teores dos elementos químicos em mg/kg obtidos pela digestão do material de referência com as respectivas taxas de recuperação
Amostra Al As Ba Ca Co Cr Cu Fe K Mg Mn Na Ni Pb V Zn
R2711A-01 26487,0 88,3 211,0 15863,0 8,9 27,7 118,3 26812,0 5303,0 6736,0 424,0 203,4 16,3 1228,0 53,7 375,7
R2711A-02 26105,0 90,6 214,7 16227,0 8,8 27,9 118,5 26697,0 5425,0 6742,0 423,6 211,1 16,2 1234,0 54,4 371,6
Média das amostras 26296,0 89,5 212,9 16045,0 8,9 27,8 118,4 26754,5 5364,0 6739,0 423,8 207,3 16,3 1231,0 54,1 373,7
Desvio padrão 270,1 1,6 2,6 257,4 0,1 0,2 0,1 81,3 86,3 4,2 0,3 5,4 0,1 4,2 0,5 2,9
Desvio relativo (%) 1,0 1,8 1,2 1,6 0,7 0,6 0,1 0,3 1,6 0,1 0,1 2,6 0,3 0,3 0,9 0,8
valor inferior certificado 9800,0 81,0 170,0 14000,0 5,5 12,0 120,0 14000,0 3300,0 5000,0 450,0 140,0 13,0 1100,0 24,0 310,0
Mediana valor certificado 13200,0 89,0 190,0 14000,0 7,5 15,0 130,0 15000,0 3900,0 5700,0 460,0 180,0 15,0 1300,0 28,0 350,0
valor superior certificado 15000,0 110,0 200,0 17000,0 9,0 18,0 160,0 18000,0 4600,0 6600,0 580,0 210,0 18,0 1400,0 34,0 380,0
Taxa de recuperação (%) 199,2 100,5 112,0 114,6 118,3 185,1 91,1 178,4 137,5 118,2 92,1 115,1 108,5 94,7 193,0 106,8

A taxa de recuperação foi considerada satisfatória quando o percentual de recuperado manteve-se entre 80% a 120%.

Assim como o esperado pelo método EPA 3051, os elementos maiores Al, Fe e K bem como os elementos traço Cr e V apresentaram taxas de recuperação cerca de
duas vezes acima do valor certificado, devido ao melhor desempenho do processo de extração química.

124
Apêndice V
Tabela V.1: granulometria dos sedimentos de leito. 1ª campanha – setembro de 2010

massa amostra massa após o desvio desvio


Ponto média (g) Conjunto de peneiras com malha em mm e o respectivo percentual retido
bruta (g) peneiramento (g) padrão relativo
2,0 mm 1,0 mm 0,500 mm 0,250 mm 0,125 mm 0,063 mm fundo

PR01 1232,0 1224,8 1254,8 32,2 2,6 42,8 11,6 23,1 9,8 7,6 2,4 2,6
PR02 931,4 930,0 970,2 54,9 5,7 12,2 10,2 19,9 23,0 20,4 10,3 4,2
PR03 610,1 606,7 642,6 46,0 7,2 24,1 10,9 18,4 22,4 14,2 6,3 3,7
PR04 793,1 787,6 833,6 57,3 6,9 9,4 9,6 14,8 14,5 18,4 24,2 9,1
PR05 425,6 410,6 436,7 15,7 3,6 60,7 17,1 5,6 1,5 1,8 4,1 9,1
PR06 793,8 794,6 815,7 31,0 3,8 29,5 26,7 22,3 10,3 7,6 2,3 1,3
PR07 892,9 890,6 938,0 63,8 6,8 4,5 5,4 27,2 36,9 11,9 7,5 6,8
PR08 920,9 919,0 942,1 29,9 3,2 38,3 19,4 23,7 10,5 3,9 1,7 2,5
PR10 826,6 821,2 866,2 56,0 6,5 6,3 14,5 34,4 30,9 9,5 2,8 1,6
PR11 744,3 740,4 777,8 47,4 6,1 15,9 17,0 30,5 22,4 9,8 2,8 1,6
PR12 376,7 377,8 389,0 17,4 4,5 57,6 17,7 9,9 4,6 3,7 2,7 3,8
PR13 940,7 940,4 947,7 9,9 1,0 74,1 12,0 5,0 3,6 2,2 0,9 2,2
PR14 617,1 629,4 660,1 60,9 9,2 9,9 4,0 5,0 11,1 24,8 28,4 16,8
PR15 682,5 682,7 713,9 44,5 6,2 19,7 17,4 22,4 16,3 12,9 7,6 3,7
PR16 824,9 824,4 854,2 41,5 4,9 34,4 7,0 6,2 9,2 14,4 13,4 15,5
PR17 585,2 585,2 610,0 35,1 5,8 40,8 9,6 12,5 12,6 12,9 6,5 5,2

125
Tabela V.2: granulometria dos sedimentos de leito. 2ª campanha – dezembro de 2010

massa amostra massa após o desvio desvio


Ponto média (g) Conjunto de peneiras com malha em mm e o respectivo percentual retido
bruta (g) peneiramento (g) padrão relativo
2,0 mm 1,0 mm 0,500 mm 0,250 mm 0,125 mm 0,063 mm fundo

PR01 627,7 623,5 652,9 35,6 5,4 38,1 11,6 15,9 14,4 10,9 7,2 2,0
PR02 743,7 732,4 761,9 25,7 3,4 44,1 19,5 23,4 9,1 2,6 1,0 0,4
PR03 750,8 747,4 784,3 47,4 6,0 21,5 11,4 31,9 20,7 7,4 4,3 2,7
PR04 844,3 841,7 871,0 37,7 4,3 35,3 11,3 17,9 19,5 11,4 3,3 1,3
PR05 743,9 743,9 751,0 10,1 1,3 65,8 19,9 6,4 3,0 1,1 1,8 2,1
PR06 525,5 523,3 547,9 31,7 5,8 22,5 32,6 26,2 11,0 4,3 2,0 1,4
PR07 991,1 987,2 1027,3 51,2 5,0 17,3 10,2 8,7 9,6 26,3 20,3 7,5
PR08 917,3 884,8 954,0 51,9 5,4 18,2 8,4 22,7 32,6 11,8 3,9 2,4
PR10 853,2 851,7 882,3 41,1 4,7 12,6 29,2 32,9 15,7 6,4 2,2 0,9
PR11 700,5 698,9 731,8 44,2 6,0 23,4 14,0 25,9 19,0 11,4 3,8 2,4
PR12 217,8 215,3 254,8 52,3 20,5 17,1 9,0 10,6 10,8 12,8 14,1 25,6
PR13 816,6 816,8 831,0 20,4 2,5 47,2 23,9 18,9 6,3 1,6 0,9 1,1
PR14 875,0 872,1 906,9 45,1 5,0 20,1 16,1 20,5 10,2 11,0 15,0 7,1
PR15 635,5 633,7 647,4 16,9 2,6 60,2 15,9 7,7 3,8 3,5 3,9 4,9
PR16 792,7 791,6 823,6 43,7 5,3 32,5 5,7 8,2 34,9 16,1 1,8 0,8
PR17 741,7 738,4 781,9 56,8 7,3 12,8 6,9 15,6 15,5 18,3 16,9 14,0
PR18 913,4 912,5 941,4 39,6 4,2 26,2 17,9 26,7 16,1 7,9 3,1 2,3
PR21 639,4 635,2 646,8 10,5 1,6 60,9 24,3 12,3 1,6 0,3 0,3 0,4

126
Tabela V.3: granulometria dos sedimentos de leito. 3ª campanha – março de 2011

massa amostra massa após o desvio desvio


Ponto média (g) Conjunto de peneiras com malha em mm e o respectivo percentual retido
bruta (g) peneiramento (g) padrão relativo
2,0 mm 1,0 mm 0,500 mm 0,250 mm 0,125 mm 0,063 mm fundo

PR01 758,5 754,5 790,7 45,5 5,8 24,4 11,3 16,5 13,9 15,4 9,1 9,6
PR02 698,0 687,4 721,7 33,6 4,6 37,2 15,4 11,4 6,8 12,4 12,0 4,9
PR03 954,7 951,8 976,6 30,9 3,2 46,0 10,2 13,6 12,9 7,2 5,5 4,5
PR04 905,2 901,7 934,7 41,7 4,5 28,8 12,3 14,1 12,0 9,3 12,8 10,8
PR05 711,4 708,6 720,2 12,5 1,7 65,0 17,4 9,9 3,7 1,8 1,3 0,9
PR06 726,4 763,4 755,6 41,3 5,5 11,9 29,7 31,1 9,1 12,4 4,1 1,7
PR07 889,3 885,1 907,2 25,3 2,8 51,8 12,4 6,4 4,2 6,6 10,7 8,0
PR08 658,6 655,2 674,5 22,4 3,3 58,7 9,6 8,5 6,7 8,2 5,1 3,3
PR10 881,7 870,4 919,2 53,1 5,8 11,6 13,3 24,5 18,8 12,9 10,0 8,9
PR11 689,3 687,5 729,9 57,4 7,9 9,4 9,5 14,3 14,8 23,0 14,9 14,2
PR12 207,8 205,2 245,7 53,6 21,8 18,7 5,5 9,8 14,2 17,3 15,6 19,0
PR13 764,2 760,9 777,8 19,2 2,5 59,7 13,1 15,2 8,7 2,0 0,9 0,4
PR14 889,8 888,8 920,7 43,8 4,8 19,1 19,0 29,7 12,3 8,0 8,5 3,4
PR15 552,5 547,8 580,6 39,8 6,9 31,3 12,5 15,9 15,1 8,6 9,0 7,7
PR16 994,3 991,9 1012,6 25,9 2,6 51,9 11,4 8,8 8,5 5,0 6,0 8,2
PR17 741,7 738,4 781,9 56,8 7,3 12,8 6,9 15,6 15,5 18,3 16,9 14,0
PR18 714,2 715,7 730,7 23,3 3,2 44,9 22,1 12,6 7,0 3,9 3,0 6,4
PR21 965,2 932,3 988,7 33,2 3,4 37,3 15,8 21,2 16,0 5,9 1,7 2,1

127
Tabela V.4: granulometria dos sedimentos de leito. 4ª campanha – junho de 2011

massa amostra massa após o desvio desvio


Ponto média (g) Conjunto de peneiras com malha em mm e o respectivo percentual retido
bruta (g) peneiramento (g) padrão relativo
2,0 mm 1,0 mm 0,500 mm 0,250 mm 0,125 mm 0,063 mm fundo

PR01 725,0 675,4 753,9 40,8 5,4 18,1 24,1 33,9 19,3 3,6 0,3 0,6
PR02 795,8 784,2 812,7 23,9 2,9 48,3 17,9 13,4 8,4 6,1 3,1 2,9
PR03 655,6 656,1 678,4 32,3 4,8 42,9 11,4 18,9 14,2 6,4 2,8 3,4
PR04 936,4 961,1 955,3 26,7 2,8 46,8 15,4 15,3 10,8 4,1 3,2 4,4
PR05 416,9 416,4 424,0 10,0 2,4 70,6 15,2 9,1 2,6 0,9 1,0 0,6
PR06 837,9 836,4 847,9 14,1 1,7 57,0 23,1 13,4 4,3 1,6 0,5 0,2
PR07 939,4 938,0 961,4 31,1 3,2 39,6 16,3 10,9 11,9 10,0 7,3 3,9
PR08 569,8 575,9 593,6 33,6 5,7 43,8 8,7 14,5 17,6 7,7 4,2 3,5
PR10 672,4 345,3 701,6 41,2 5,9 37,4 4,3 8,2 8,5 11,4 15,5 14,7
PR11 612,6 612,6 640,3 39,1 6,1 28,4 16,3 23,5 17,3 8,6 3,6 2,3
PR12 181,2 181,7 220,5 55,6 25,2 13,6 7,8 10,5 18,9 18,7 16,0 14,6
PR13 678,7 680,8 690,8 17,1 2,5 59,7 16,2 12,7 6,8 1,8 0,8 2,0
PR14 717,2 716,1 750,1 46,5 6,2 19,7 14,5 26,1 13,6 9,7 11,9 4,5
PR15 346,3 678,0 372,4 36,9 9,9 36,9 10,9 16,5 20,9 9,0 4,3 1,5
PR16 772,6 771,6 782,2 13,6 1,7 71,0 9,7 7,6 5,0 2,3 1,5 2,9
PR17 466,8 466,7 505,8 55,1 10,9 14,4 7,6 7,6 9,6 17,7 26,6 16,4
PR18 700,7 703,5 710,3 13,6 1,9 70,0 10,8 10,8 4,6 1,4 0,6 1,8
PR21 705,3 720,3 720,3 21,2 2,9 48,7 21,2 17,9 6,2 1,2 1,6 3,1

128
Anexo I
Tabela I.1: Teores de elementos maiores e traço determinados nos sedimentos do alto curso da bacia do Ribeirão Mata Porcos. Fonte: Oliveira, J. C. C., et al. 1979
Projeto Geoquímico do Quadrilátero Ferrífero: levantamento orientativo e regional (CPRM). As coordenadas estão em graus decimais, datum horizontal SAD69

Longitude Latitude Cu (mg/kg) Pb (mg/kg) Zn (mg/kg) As (mg/kg) Fe (mg/kg) Mn (mg/kg) Sb (mg/kg)


-43,9111 -20,3614 20 10 75 L 10 46000 1100 2
-43,8989 -20,3594 40 9 50 L 10 59000 3400 8
-43,9081 -20,3547 30 7 30 20 43000 760 2
-43,9147 -20,3547 15 4 20 10 30000 800 2
-43,9178 -20,3500 40 8 28 20 82000 220 2
-43,9047 -20,3478 23 0 35 L 10 27000 900 4
-43,9047 -20,3478 24 3 40 L 10 28000 940 4
-43,9047 -20,3478 23 0 30 10 28000 850 3
-43,9047 -20,3478 24 3 30 L 10 26000 760 4
-43,9239 -20,3475 14 5 21 L 10 76000 940 L1
-43,9131 -20,3464 10 8 18 L 10 84000 700 2
-43,9028 -20,3436 10 0 10 40 34000 1100 2
-43,9139 -20,3331 20 10 24 10 0 780 2
-43,9150 -20,3319 20 10 19 10 0 1300 2
-43,9111 -20,3308 14 11 22 20 0 840 2
-43,9086 -20,3281 8 3 16 L 10 90000 2000 2
-43,9233 -20,3203 8 4 20 L 10 79000 1200 2
-43,9131 -20,3178 16 10 16 60 0 3700 20
-43,9236 -20,3178 20 11 35 10 84000 2900 2
-43,9167 -20,3175 18 9 16 20 0 4200 4
-43,9167 -20,3175 19 10 18 10 0 4700 4
-43,9167 -20,3175 21 10 20 20 0 5000 4
-43,9167 -20,3175 22 10 20 10 0 4600 4
-43,9194 -20,3175 8 3 22 L 10 76000 1700 1
-43,9208 -20,3097 29 20 40 10 0 5100 4
-43,9267 -20,3094 16 20 24 10 0 1200 2
-43,9308 -20,3081 20 26 60 20 0 6700 4
-43,9303 -20,3072 12 11 35 10 0 6400 5
-43,9194 -20,3008 27 14 30 L 10 0 3000 4
-43,9197 -20,2986 21 4 27 L 10 26000 1800 2
-43,9261 -20,2961 15 10 26 L 10 35000 2700 2
-43,9264 -20,2908 9 4 16 L 10 0 1700 L1
-43,9297 -20,2794 23 10 50 L 10 67000 1100 4
-43,9078 -20,2789 15 9 14 80 0 3900 15

129
-43,9103 -20,2786 27 7 28 L 10 36000 2200 1
-43,9039 -20,2783 13 10 11 10 0 770 2
-43,9189 -20,2781 130 12 40 10 53000 1300 15
-43,9314 -20,2772 30 11 65 L 10 54000 1300 2
-43,9203 -20,2767 16 4 20 10 35000 1300 10
-43,9378 -20,2758 7 9 22 L 10 0 3000 2
-43,9006 -20,2675 120 15 24 10 100000 2500 7
-43,9206 -20,2669 30 0 45 L 10 75000 2800 7
-43,9206 -20,2669 28 0 40 L 10 64000 2500 5
-43,9206 -20,2669 35 0 45 L 10 73000 3400 6
-43,9206 -20,2669 35 0 50 L 10 80000 3000 6
-43,9225 -20,2669 24 8 21 10 55000 1400 10
-43,9367 -20,2664 45 14 55 L 10 68000 1000 2
-43,8961 -20,2628 8 0 8 L 10 52000 1600 6
-43,8989 -20,2625 27 5 65 10 39000 2600 8
-43,8989 -20,2625 28 8 65 10 42000 2800 8
-43,8989 -20,2625 26 6 55 10 39000 2000 8
-43,8989 -20,2625 25 6 55 10 37000 1800 8
-43,8958 -20,2617 20 6 23 10 62000 1100 2
-43,9456 -20,2606 40 10 75 L 10 58000 6000 L1
-43,9469 -20,2600 14 10 24 10 100000 8400 L1
-43,9433 -20,2569 24 15 45 10 100000 5000 L1
-43,9400 -20,2550 40 14 35 10 55000 3400 5
-43,9467 -20,2542 50 8 75 10 39000 3200 2
-43,8983 -20,2531 20 9 16 L 10 36000 600 1
-43,9475 -20,2522 14 3 21 L 10 0 0 N1
-43,9475 -20,2475 65 20 50 40 0 120 3
-43,9506 -20,2458 15 12 29 10 0 0 N1
-43,9575 -20,2453 50 15 40 L 10 95000 3500 2
-43,9500 -20,2414 16 8 40 L 10 44000 790 L1
-43,9500 -20,2414 15 8 40 L 10 40000 750 1
-43,9500 -20,2414 16 8 45 L 10 44000 680 2
-43,9500 -20,2414 17 9 50 L 10 43000 660 2
-43,9489 -20,2400 65 11 100 10 38000 1500 1
média 26,3 8,3 35,0 8,8 39352,9 2234,7 3,8
desvio Padrão 21,3 5,3 18,7 13,9 31705,2 1773,7 3,8
1º quartil 15 4 21 0 0 875 2
mediana 21 9 30 10 39000 1650 2
3º quartil 29 11 45 10 63000 3100 5
Legenda:
L = teor abaixo do limite inferior de sensibilidade; N = teor não detectado Dados gentilmente cedidos pela CPRM: Companhia de Pesquisa
em Recursos Minerais

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BANCA EXAMINADORA (Ficha de Aprovação)
DISSERTAÇÃO DE MESTRADO

TÍTULO: Influência da mineração na geoquímica das águas superficiais e dos sedimentos no


alto curso da bacia do ribeirão Mata Porcos, Quadrilátero Ferrífero – Minas Gerais

AUTOR(A): Fellipe Pinheiro Chagas Mendonça

ORIENTADORA: Prof.ª Dra. Mariangela Garcia Praça Leite

Aprovada em: _______/_______/_______

BANCA EXAMINADORA

Prof.ª Dra. Mariangela Garcia Praça Leite ______________________________ DEGEO/UFOP

Prof. Dr. Antônio Pereira Magalhães Junior _______________________________ IGC/UFMG

Prof. Dr. Hermínio Arias Nalini Júnior _________________________________ DEGEO/UFOP

Ouro Preto, _______/_______/_______

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