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PINSKY © swine Pity Selegdo, organtzagdo e introdudo (Cler Landuce ‘alo death — Tes, cavern de Senden 1. é T2'Phcare Egypenne, Estons dar! Alber Stra. 1954 St, | MODOS DE PRODUCAO je sons NA ANTIGUIDADE WME Etoes Lada | | So Antares (ape de Macédo afr ea . Blobal editora Bete tte te cee tet ict Mt tte EE et ttt Ete ‘aP-seat Catalog cago | ‘Chars Bass do Lint SP | Fimig, Jane, 1939 Modo de produto ou antiiade/ wo, orgie sion soe nrduet aie Py. Deed Sie Pact ie selma, | (exes: 2) ALGUNS AGRADECIMENTOS, 1 Civaago antiga 2. Wisin ania. 3, Hira tecondmica~ Ate 00 & Minin soca = Ate 30 |, Pins. Primeiramente; ss editores que autcrizaram, gentiltent, Sime, 1938. transcrigS0 4 traduplo dos textos que compdem esta coletines (s eréitosextdo no final de cada texo e fica 0 leitor, desde jf, cops convidado a procurar os originals, dos uals epresentamos aqui fo But fpents pequenas pasagens ‘Acs colegss com quem, em diferentes momentos, conversmos Tadics para algo aenco { sobre este projeto © que deram sugesties pare sua organizagio. 1, Aniguidae Matra 930 } Eles no tém culpa do resultado final, mas gostsfamos de lembrat 2 Amiguidade : Mitra econdmicn 330901 © Ulpiano, a Vavi @ Chiguinha e 9 Bucldes, 5 Amtigidade: Mitra soil 309-101 4. Chiao aan 930 ‘Acs tradutores © adaptadorcs Marina, Heitor © Mima. Ao sti sign 950 pessoal de produséo da Global — Mara e equipe —, amigor ef forgados qus, em tempo record, colocaram este lio na praca aoe alunos ¢ exslunos de Hiséria Antiga que em cursos | rogulares — em Assis, na USP e na UNICAMP — ou em cursos = de Tomo Pesto s Cuisbé — tm sido cobsias ava, 10. " 2 18 SUMARIO Apreseatagio ta Formagées ccondmicas pré-capitalisias — Karl Marx Clviliagdo e diviso de trabalho — F. Engels [A revolugdo urbana — V. Gordon Childe |A sociedade conten o Estado — Pierre Clasres |A.organizasGo dat obras pblicas na antghidade coriental — Kart Marx NNaturezn ¢ Teis do modo de produsio asitico — Maurie Godelir (© modo de produgio eseravsta — Perry Anderson ‘Amos e esravos — M. 1. Finley Classes e exrutura de classes na sociedad eseravsta antiga — Serget Urchenko A Grécia — Perry Anderson Mercado © democracia na Grésia — George ‘Thomson ‘As gens ¢ o Estado em Roma — F. Engels s caracteres especificos da lota de clases na ant sidade lisse — Charles Parain Monotesmo e modo de produgo - Jaime Pinsky " 19 25 6 at 8 113 157 169 87 at ms 257 APRESENTACAO Esta coletines pretende colaborar pars que « dlvciplina de em nossts niversdades se integre, de forma ext a, s outras que compsem o eurrculo dos cursos. Neste sentido, cla € quase uma proposta de curt. Com os textos aq apresentados pretendemes evtat uma ert: digdo ostentva e gratuits; nem por iso acetamos eair em esque: mas simplisis e rosseiros que apresentam todo © mundo pré- capitalists deforma mecinica. Nosso objetivo € exatemente mostrar a dversdade de interpreagSes que alguns problemas lige dos aos modos de produsio predominantes na antiguidade tém rmeresido por parte dos historiadores mais conseqUentes, AA coletinea no contém transcrigSo de documentos, urna vez «qe isto jd fot objeto de outro livro quo organizamos (100 TEXTOS DE HISTORIA ANTIGA, 32 edigdo, Global, 1985), Sua preocu paglo 6 apresentar textos interpretatvos, oF asim chamadoe "6 ‘Hoos, que podem ser analisados concomitanlements aoe documten tos de “100 TEXTOS...” Os autores desta coletinea vém de diferentes formagSes te6- rieas,o que resulta em rico debate historiogifico, Dest forma, ‘nfo possivel fazerse uma leitura aria dos texts, como sum apenas screscentsse algo aos anteriores. Hé também cheques de ideias¢ concopgdes que dover ser rxgatadas no trabalho em clase. ‘Uma preccupasio que mantivemos 6 2 de buscar as genera HzagSes, sem a perda da historicidads. Assim, nfo procuramot pensar tm curso eonttado em epipeios ou mesopotimicos, dentro ‘de uma concepelo tradicional dos cursos, mas em modos de pro to membro da comunas conservandose como tl, ele cont ‘a conservar,¢ vice-versa. Sendo jum produ hstdrco, nfo x6 na ‘sua realidade, mar também na consciénca, portntoo resultado de lum proceso, a comuna pressupse a propriedade do tole, ito 6, are Tapio do sujeito wabalhador com as condigdes naturais do trabalho como pertencondo a ele. Mas esta propriedade & mediada pelo seu tstatuio de membro do Estado, pela exsténcia do Estado, emt str rma, por um prossuposto considerado de ordem diving, ete. Con- centragio na cidade, culo teritro se extende b zona rural; peque fa agriculture teabathendo pare 0 consumo dito, manufatura co ‘mo offelo acessérlo das muthores e das filbas (igo e teelagem) ou como atividade independente em eetts ramos (Jari, etc). A persiséncia da comunidade € gorantida pelo respeito de iqualdade centre os camponeses lives © independentes,eujo trabalho cond ciona 2 manutengio da propredade. Comportandose em relaggo 2s condigées naturais do trabalho como proprietériog, cles tém ‘que, pelo wabalho pessel,incesantemente afimilas como cond er € elementos cbetves da personaidade individual Por outro lado, esta pequena comunidade guerreire € levada, pelas suas prépriastendEncias, a ultrapasar esses limites, et. (RO: ma, Crea, Judsia, ete) Para ter com que vive, © individue ¢ olocado em candies tais que o objeto do sou trabalho no é @ aqulsilo da rguera mi st autosubsstnci, a sua propria repredugto como propretrio da parcel de tora c, nessa medida, como membro da comna. A per- Slsténcia da comuna equer a reprodugéo de todos os seus membroe como camponesee independents, cujo tempo excedente pertence justamente A comuna, ao trabalho da guerra, ctc. Apropriamse do Seu proprio trabalho, apropriando-se das condigées do trabalho, da ileba de tera que & garantide pela existéncia da comuna, a qual por sun vez garantida pelo trabalho excedente dos membros 43 ‘comuna sob a forma de servigo militar, ts. O mombro da comune reproduzse cooperando no ne eragio de viquezas, mas em trabe- 16 tho de interesse comum (imagine ou rel) com vista a manver 8 azsccago no interior face a exterior, A propriedade ¢ romans (0 proprietirioprivedo 36 06 na qualidade de romana, mas enquan to romano ele & propretitio privado mide de Kal Mare, Farmapder Econdmias Prbcoptalisas, tradao de Antonlo Rb, Calo Texos de Apso, 16 Toure Margus 1/8, pp. 38. Tendo olds © ard ” CIVILIZAGAO E DIVISAO DE TRABALHO * F. Engels De tudo que dissemos, inferese pois que a ciilizagso 6 ext sio de desenvolvimento da soiedade em que a dvisio do trabalho, & troca ene indviduos dela resultante e a produsdo mereantil ‘que compreende uma eoutra — atingem seu pleno desenvolvimento ‘ ocasionam uma revalucio em toda a sociedade anterior. Em todos os eigios anteriores da sociedad, a produgéo e essencakmente coletva e 0 consumo se realizava, também, sob um Feeime de dstbuigSo dreta doe produtos, no ssio de pequenas ot irandes coletvidades comunistas. Esa produ coleiva era leva: da a cabo dentro dos meisestreitos limites, mas, 0 mesmo tempo, ot produtores erm senhores de seu procesto de produo e de seus produtos, Sabiam o que era feito da produto: consumiam-, ele ho saia_de suas mos. E, enquano a producto se relizou sobre isa base, nfo pode sobreporse 20s produtores, nem fazer surgi te deleso espeteo de Poderes estrans, como sucede, regular © invitavelmente, na civlizacao. esse modo de produzt. porém, foise introduzindo lentamer- ts a divisto do trabalho. Minou a producio © a apropriacéo em Comum,crigio em rogra dominante © apropriagso individual, eran ‘dp, assim, a toca enze individucs Gj examinamos como, anterior Ile). Pouco # pouco, » produeto mercantil iomouse ® forms dominant Comm produsfo mercantil — prodgSo nlo mais para o co sumo pessoal e sim pera a troea — 0s proditor pats necese 7 Fhe do onpssizadr laments de umas pare outras mos. © produtor separase de seu produto na tro © jf nfo sabe 0 que é feito dele, Logo que o dF ito ¢ com ele o comerciante intervém como intermedia entre (0s produtores,complicase 0 wstema de toca e ternase ands ale Jncerto 0 destino final dos predutos. Os comersiantes so muitos, ¢ renhum deles sabe 0 que o outro est fazando. As mereadoras ago ra nio passam apenas de mio om mio, mas também de mercedo & mercado; os predutores Jé deixar de ser os senhores da prod (0 total das condicées de sua prépria vida e tampouco os comer. slanteschegaram a sb. Os produtos ea producéo estéoentreguct ‘Mas o scaso nfo é mais que um dos pélos de ums iterdepen dencia, da qual 0 outro pélo se cham necessidade. Ne natureca, ‘onde também parece imperar o acas, faz muito tempo que pide: ‘mos demonstra, em cada dominio espectico, 9 necessdade ime ‘ents as leis intemnas que se efirmam em tl caso. Eo que & certo para a natureza, também o € para a sociedade. Quanto mais uma atvidade social, uma sire de process socials, eseapam do con- role consiente do homem, quanto mais parecem abendonador 20 puro acaso, tanto mais as leis prépras, Imanentes, do dito ecaso se manifestam como ume necessidade natural, Leis andlogns tam bbém regem as eventualidade da produgio mercantile da torca de rmereadoriay; frente 20 produtor © 20 comercianteislados, aare ‘em como forcas estranhas ¢ no inicio até desconhecides, cuja ne- tureza precise sor Inboriosamente invertigade e estudade Estas leis econdmieas da produsdo mereantil modificamse de acordo com os dversos graus de desenvolvimento deste forma de ‘rodusdo; mas tedo o perfodo da civilizago, em geral, estéreghdo por els. Até hoj, 0 produto sinda domina 0 produtor; até hoje, toda @ produeto social sinda ¢ repsleds, nfo segundo um plano laborado coletivamente, mas por leis cegas que atuam com a forga dos lens em tine ints na tempest ds pos ‘Vimos como, numa fase bastante primitiva do desenvolvimen to da produgfo,«forga de trabalho do homem se torou sptn para produzic consderavelmente mais do que era preciso para 8 mand teagdo do produtor ¢ como essa fase de desenvalvimento 6, no essencial, «-mesma em que nasesrum a divisio do trabalho © @ 20 troca entre Individuos. Néo se demorou muito a descobrir a gran- de “verdade” de que também 0 homem podia servi de mereado- de que forge de trabalho do homem podia chegar& ser objeto fe toca e consumo, desde que o homem 38 trensformaste em esa: ‘vo. Mal os homens tabam descoberto a toca e comegaram logo ser tracados, eles prépros. © ativo se transformava em pastvo, Independentomente da vontade humnar Com 2 escravidéo, que atingiu o seu mais alto grau de de seavolvimento sob & civilizapio, yeio e primera geande clslo de fcciodade em uma classe que explorava e outra que ora explore: ‘a, Esta cisto mantevose_ através do todo o periodo civizado ‘A ectaviddo € a primeira forma de exploraci, a forma tpica de ‘ntigidade; euoedemna a servidio na Idade Média e o trabatho tssalariado nos tempos moderos. Sip as irs formas de avassi- Tamenio que caracterizam as tis grandes épocas da ivilizagio ‘A cvliagio faze sempre scompénhar da excravidio — a prin cfpio franca, depois mais ou menos distargada, (© estigio da produgio de mercadorias com que comest a civiliasio eatscterineze, do ponto de vista econdmico, pela intro. ‘dugdor 1) da mocda meilica(e, com ela, 0 capital em dinheir), dos juros ¢ da usura; 2) dos comerciantes como clase intermedi ria entre os produtores: 5) da propriedade privade da tera ¢ da hipotece; 4) do trabalho escravo como forms predaminante na pro: