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Voz sobre IP: Introdução e Tecnologias

ADRIANO JOSÉ MOURA DE SOUZA 1


BOANERGES DE BARROS RAMOS JÚNIOR 2
HERVAL FREIRE DE ALBUQUERQUE JÚNIOR 3
MILTON GOMES VIEIRA NETO 4
TATIANA PEREIRA MENDES 5

<endereços>

Resumo. A implantação de tráfego de voz pelas redes IP, mais conhecido como voz sobre IP (VoIP), torna-se, cada
vez mais, uma alternativa atraente pela possibilidade de realizar telefonemas de longa distância, pagando apenas o
pulso local, além da possibilidade de se utilizar a rede de dados, que muitas empresas já possuem, para atender a
todas às necessidades de telecomunicações. Escolhida como uma solução viável graças à sua imensa estrutura
mundial, a rede IP apresenta vantagens, porém carece de muitos recursos e apresenta problemas graves, que devem
ser contornados de alguma forma. Este trabalho apresenta uma idéia geral das tecnologias de Voz sobre IP existentes
hoje, seus pontos fortes e suas falhas.

Palavras-chave: Voz sobre IP. Protocolos de Rede. Internet.


Índice
1 Introdução..........................................................................................................................

2 Voz Sobre Redes................................................................................................................


2.1 Dados X Voz............................................................................................
2.2 Redes de Pacotes para Transmissão de Voz.............................................
2.3 Tecnologias Concorrentes........................................................................
2.3.1 Frame-Relay....................................................................................
2.3.2 ATM................................................................................................
2.3.3 IP.....................................................................................................
2.3.4 Quadro Resumo...............................................................................
3 Voz sobre IP.......................................................................................................................
3.1 Histórico...................................................................................................
3.2 Vantagens e Desvantagens do VoIP.........................................................
4 Protocolos e Algorítmos....................................................................................................
4.1 Algorítmos utilizados...............................................................................
4.1.1 Algoritmos de Codificação de voz..................................................
4.1.2 Algoritmos para Economia de Largura de Banda...........................
4.1.3 Algoritmos de Compressão Padronizados.......................................
4.1.4 Remoção de Eco..............................................................................
4.2 Elementos típicos da Telefonia IP............................................................
4.2.1 Servidores........................................................................................
4.2.2 Gateways.........................................................................................
4.3 Cenários Típicos......................................................................................
4.4 Protocolos................................................................................
4.4.1 Protocolo ITU-T..............................................................................
4.4.1.1 Protocolo H.323..................................................................................
4.4.2 Protocolos IETF.................................................................
4.4.2.1 SIP – Session Initiation Protocol.........................................................
4.4.2.2 SDP...................................................................................................................
4.4.2.3 RTP – Real-Time Transfer Protocol..................................................................
4.4.2.4 RSVP – Resourse ReSerVation Protocol..........................................................
4.4.2.5 CLP – Call Processing Language......................................................................
4.4.2.6 RTSP – Real-Time Streaming Protocol............................................................
4.4.2.7 GLP – Gateway Location Protocol...................................................................
5 Implementações e Mercado...............................................................................................
5.1 Produtos oferecidos..................................................................................
5.2 Requisitos mínimos..................................................................................
5.3 Os Custos do Novo Mercado...................................................................
6 Conclusão..........................................................................................................................

7 Apêndice: Qualidade de Serviço - QoS.............................................................................

8 Bibliografia........................................................................................................................
1 Introdução
Com o desenvolvimento da tecnologia de transmissão de dados, o mercado
já trabalha com uma possível convergência das redes de dados com as redes de
telecomunicações. Nos últimos anos, o avanço da eletrônica permitiu a criação de
circuitos mais rápidos, máquinas com maior capacidade de processamento e enlaces
de alta velocidade. Estes fatores permitiram que fosse possível a transmissão de voz e
vídeo trafegando em uma infra-estrutura IP, como na própria Internet ou em redes
corporativas.
A implantação de tráfego de voz pelas redes IP, mais conhecido como voz
sobre IP (VoIP), torna-se, cada vez mais, uma alternativa atraente pela possibilidade de
realizar telefonemas de longa distância, pagando apenas o pulso local. Além da
possibilidade de se utilizar a rede de dados, que muitas empresas já possuem, para
atender a todas às necessidades de telecomunicações.
Esta tecnologia vem crescendo bastante no mercado, tanto que os
fabricantes já fazem estimativas de que boa parte tráfego telefônico do mundo estará
trafegando por redes IP nos próximos anos.
O que mais motiva a possibilidade de trafegar voz nas redes IP é que a
estrutura básica da tecnologia IP é relativamente barata. Outra vantagem é que a
implantação de VoIP seria bastante econômico para as redes telefônicas de
corporações de um certo porte, já que pode-se evitar os custos de ligações
interurbanas e internacionais: empresas com sedes em vários países ou mesmo uma
empresa com filiais em uma mesma cidade poderia desfrutar de ligações virtualmente
gratuitas com a implementação do VoIP em sua rede interna.
Escolhida como uma solução viável graças à sua imensa estrutura mundial,
a rede IP apresenta vantagens, porém carece de muitos recursos e apresenta
problemas graves, que devem ser contornados de alguma forma.

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2 Voz Sobre Redes

2.1 Dados X Voz

As redes projetadas para transmitir dados enfrentam, de um modo geral, alguns problemas quando
utilizadas para transmitir tráfego em tempo real, em especial nas transmissões de voz e/ou vídeo sob demanda.
A sensibilidade ao atraso, por exemplo, é um dos pontos que devem ser considerados quando falarmos
em transmissão de voz. De uma forma geral, o significado dos dados que trafegam pelas redes não é comprometido
pelo tempo decorrido entre o instante da transmissão desses dados e o seu recebimento efetivo, entretanto, nas
conversações de voz, esse tempo faz diferença. Se a voz do interlocutor demorar muito para chegar ao ouvinte na
outra ponta da rede, a conversa começa a ficar insuportável. Se esse intervalo de tempo variar de forma
descontrolada, a conversação pode tornar-se inviável.
A comunicação em tempo real exige das redes a garantia de que certos parâmetros, como esses atrasos
envolvidos nas transmissões, sejam mantidos sob controle estrito. Em conjunto, esses parâmetros de desempenho
constituem o que se convencionou chamar, em linguagem técnica, de Qualidade de Serviço (ou QoS, do inglês
Quality of Service).
Para se conseguir uma transmissão de voz com qualidade, deve-se levar em conta alguns requisitos
técnicos básicos como:
• compressão, o que significa reduzir a quantidade de banda usada para a conversação, enquanto se
mantém alta qualidade;
• supressão de silêncio, a habilidade para não usar banda de rede durante períodos de silêncio – o que
caracteriza cerca de 60% de uma conversação – faz com que esta banda esteja disponível para outros
usuários da rede;
• Qos: controle de atraso e sua variação, entre outros aspectos;
• sinalização para tráfego de voz;
• comutação para a rede telefônica e
• controle de eco.

O problema é que as redes atuais, utilizadas em aplicações fim-a-fim e concebidas originalmente para
o tráfego de dados, não têm mecanismos para oferecer essas garantias de QoS e operam com a política de "melhor
esforço".
Em oposição a essas más condições, que pioram a qualidade das transmissões de voz, alguns fatores
contribuíram para o crescimento da utilização de redes de pacotes para a transmissão de voz:
• desenvolvimento e padronização de protocolos que permitem QoS em redes IP: RSVP, RTP,
etc.;
• desenvolvimento acelerado de métodos de compressão de voz. Conhecidos como codecs
(codificadores/decodificadores), conseguem utilizar pouca faixa na largura de banda por canal
de voz, através de supressão de silêncio e de algoritmos otimizados;
• expansão da Internet.

2.2 Redes de Pacotes para Transmissão de Voz

Desde a invenção do telefone, a exigência básica para uma comunicação telefônica é o estabelecimento
de um circuito entre os dois assinantes ou interlocutores. Isto se dá ainda hoje, na maioria das ligações telefônicas
realizadas. É certo que o circuito era digitalizado e multiplexado, mas sua presença era indispensável.
A utilização de redes de pacotes para tráfego de voz veio amenizar tal necessidade. Dentro deste
conceito, a voz é empacotada e transmitida em redes compartilhadas, juntamente com dados. O objetivo da Telefonia
IP, o protocolo que conquistou o mundo de dados, é exatamente fazer com que um dos mais populares protocolos de
transmissão de dados entre também no mundo da transmissão de voz.

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2.3 Tecnologias Concorrentes

2.3.1 Frame-Relay

O Frame-Relay surgiu com a mudança na tecnologia de transmissão de comunicação que saiu de


circuitos analógicos lentos e não confiáveis para circuitos digitais rápidos e confiáveis. Por não ter um controle de
fluxo, apresenta deficiências para transmissões que exijam QoS que somente são supridas com o uso de protocolos
complementares. Sua popularidade entre as corporações cresceu muito rápido, particularmente na Europa, ganhando
espaço em substituição não somente de linhas privadas, mas também ao padrão X-25 que reinava anteriormente. Esta
popularidade faz com que sua utilização para transmissão de voz seja uma escolha natural para muitas empresas, se
não como uma opção fim-a-fim, mas pelo menos como complemento ao IP.

2.3.2 ATM

ATM é uma tecnologia que foi projetada para fornecer QoS como premissa básica ao contrario do IP e
do Frame Relay que necessitam de protocolos complementares para esta tarefa. O ATM surgiu para suprir as
deficiências das demais tecnologias de transmissão de pacotes, sua proposta inicial foi justamente atuar em
aplicações de vídeo sobre demanda e em substituição dos sistemas telefônicos.. Apesar deste cenário favorável e do
desejo de seus idealizadores, sua implementação fim a fim nunca se tornou, e dificilmente se tornará uma realidade.
A culpa disto, em parte, está no fato dela ter surgido após a consolidação da Internet como rede mundial e
conseqüentemente a ampla utilização do protocolo IP. Sua força reside atualmente nos serviços de backbone para
redes WANs e MANs

2.3.3 IP

O protocolo IP teve como premissa básica à possibilidade de poder rodar sobre os mais diversos e
antagônicos tipos de protocolo nível 2: confiáveis, não confiáveis, com conexão ou sem conexão. Neste contexto não
se levou em consideração sua eventual utilização para transmissões de Voz, mas tão somente sua flexibilidade e
facilidade de roteamento. Entretanto, com a explosão da Internet e com a propagação da grandes intranets, ambas
baseadas no conjunto de protocolos TCP/IP, criaram-se técnicas e protocolos complementares que possibilitaram
aplicações com exigências de QoS, como as de transmissão de voz, a funcionarem adequadamente em redes
baseadas no protocolo IP.
O protocolo IP está presente hoje na maioria das redes corporativas e em praticamente todos os
computadores pessoais inclusive nos modernos Palm Tops, além disso, por ser um protocolo de nível 3 pode fazer
uso de qualquer tecnologia de nível 2 (Ethernet, Frame Relay, ATM), fazendo com que a tecnologia de VoIP seja
uma alternativa natural na implementação de transmissão.

2.3.4 Quadro Resumo

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Tabela 1: Quadro Comparativo das Principais Tecnologias utilizadas na
Transmissão de Voz
Tecnologia Características
Convencional Alto custo, desempenho satisfatório, grande utilização do meio,
baixa capacidade de implementação de novas aplicações
Alto custo, alto desempenho, grande utilização do meio, baixa
Frame Relay capacidade de implementação de novas aplicações
Baixo custo, desempenho moderado, utilização moderada do
Intranet (IP) meio, grande facilidade de implementação de novas aplicações
Custos baixíssimos, desempenho baixo, grande facilidade de
Internet (IP) implementação de novas aplicações
Custo alto, alto desempenho, pouca possibilidade de novas
ATM aplicações

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3 Voz sobre IP

O termo Telefonia IP, Telefonia Internet ou ainda Voz sobre IP (VoIP - Voice over IP) tem-se aplicado
a utilização de redes baseadas em protocolo IP na camada de rede para transporte de voz, em especial a Internet.
Podemos destacar as vantagens da utilização deste serviço:
• Compartilhamento da rede para o tráfego de voz com o tráfego de dados (email, www, ftp, etc);
• Unificação de redes de transporte, sinalização e gerência sobre a mesma rede, com economia de infra-
estrutura e manutenção.
• Meio de transmissão de baixo custo, comparado ao sistema telefônico;
• Possibilidade de compactação e supressão de silêncio, reduzindo a largura de banda utilizada.
• Utilização de rede já instalada;
• Possibilidade de oferecer outros serviços como correio de voz, call centers via Internet,
segunda linha virtual, etc.
• Possibilidade de unificação de diversos serviços como email, fax, voz, web, com o auxílio de
tecnologias com reconhecimento e síntese de voz, através de interface telefônica.
A rede telefônica atual atinge quase toda a humanidade e as redes de comutação de dados tem
alcançado um grande número de usuários. Atualmente, a Internet, cuja tecnologia baseia no protocolo IP (Internet
Protocol), e as Intranets são as responsáveis por este crescimento como também o desenvolvimento de circuitos mais
rápidos e o aumento da capacidade de processamento das máquinas. Este dado torna viável a união das duas mídias
em uma única infra-estrutura.
A Voz sobre IP surge como uma solução para a integração da voz com as redes de comutação de
pacotes de dados. Porém para o desenvolvimento desta rede existem alguns obstáculos a serem superados. As redes
IP utilizam um serviço tipo datagrama (sem conexão), sem alocar um caminho fixo para um pacote de dados trafegar
na rede provocando atraso não garantindo Qos para a transmissão da voz. Entretanto, as redes IP surgem no mercado
como a melhor solução para a integração da voz em uma rede de comutação de dados, porque possibilita a
reutilização das estruturas já existentes, mesmo para a mais simples das LANs, como também a estrutura básica da
tecnologia IP é bastante barata comparada com as outras redes (Ex.: ATM) e proporciona economia com ligações
interurbanas e internacionais (Call Center Virtual), o que motiva o desenvolvimento de protocolos auxiliares (Ex.:
H.323, SIP, RSVP) como também gateways para garantir QoS.
Em uma solução de voz sobre IP, o sinal de voz é colocado em um pacote que compartilha os recursos
de rede com todos os outros serviços. O mesmo não acontece na chamada telefonia convencional, em que o sinal
percorre um caminho fixo, previamente estabelecido. Na transmissão de voz sobre IP, se não houver priorização de
tráfego, o sinal de voz pode vir a sofrer atrasos, comprometendo a solução.
Decidida a implementação de voz sobre IP, o primeiro passo é fazer uma análise completa do perfil de
utilização da rede, definindo, por exemplo, quantos canais de voz se pretende ter.
Uma vez conhecidas as características e necessidades da rede, e definidos os equipamentos que irão
assegurar a qualidade de serviço, surge uma outra questão: as soluções proprietárias. Como aconteceu com a Internet,
a padronização é a primeira exigência para o sucesso global da tecnologia de voz sobre IP – e hoje já existe por parte
dos fabricantes uma clara tendência para a adoção do padrão H.323.
Com a padronização dos equipamentos, a integração de voz e dados sobre IP passa a ser a opção mais
atraente para as empresas que já possuem redes privadas. O padrão IP é o que oferece maior flexibilidade em
ambientes com diferentes tecnologias, como ATM, Frame Relay e ISDN (Integrated Services Digital Network).

3.1 Histórico

Os primeiros pilotos de um Serviço de telefonia sobre Internet começaram no fim de 1994, em paralelo
com as Intranets, Extranets e a própria Internet. Iniciados como projetos acadêmicos nas instituições de ensino,
foram portados por entusiastas para o uso comercial muito rapidamente. As primeiras aplicações que apareceram
implementavam serviços de VoIP entre 2 PCs (Speak-Freely), que depois evoluíram para gateways baseados em PCs
com interfaces de modem. A seguir mostramos a evolução destas aplicações [WIM 98]:

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• 1994/95 – Programas proprietários de VoIP (Speak Freely)
• 1995 – Programas de Telefonia Integrada (Conference, Netmeeting, ...)
• 1995 - Gateways para a Rede Telefonia
• 1996 – Provedores de Serviços de VoIP (N2Phone, DeltaTree )
• 1997 – Conceitos de Conferência sobre IP MMUSIC do IETF
• 1997 – Padrões de funções para a interoperação com a rede comutada telefônica. Adaptação do
H.323 para VoIP pelo ETSI-TIPHON
• 1998 – Padronização de SS7 "Interworking Function", conduzido atualmente pelo IETF e pelo
ETSI-TIPHON

3.2 Vantagens e Desvantagens do VoIP

Um engano sobre Telefonia IP é pensar que seu maior benefício seja para chamadas de longa distância
de baixo custo. Enquanto ligações de longa distância baratas estão criando boas áreas de trabalho, as razões pelas
quais as companhias são atraídas para a Telefonia Internet são a facilidade de criação de serviços e a consolidação de
suas redes.
A principal vantagem de VoIP sobre a Rede Telefônica Pública Comutada (RTPC) é a facilidade de
adição de novos serviços e funcionalidades. Por exemplo pode-se criar uma vídeo-conferência pela definição de
como o fluxo de vídeo é codificado e decodificado. Ao contrário, fazer vídeo-conferência sobre a RTPC pode ser um
processo difícil e caro. Da mesma forma, como Telefonia IP é baseado em software é mais fácil adicionar serviços
como correio de voz, siga-me e outros.
Uma segunda vantagem para a Telefonia IP é a consolidação das redes de dados. Atualmente,
companhias telefônicas mantém duas redes, uma para voz e outra para dados. Como redes de voz são 4 ou 5 vezes
mais caras que as redes de dados, o uso de VoIP elimina a rede de voz, gerando grande redução de custos.
Podemos ainda prever a integração de diversos serviços sobre o sistema telefônico, utilizando de
tecnologias agregadas como reconhecimento e síntese de voz. Por exemplo, é possível ouvir todos os emails
recebidos por um telefone comum, utilizando a síntese de voz e transmissão sobre IP para que estes emails cheguem
sobre um telefone comum. Desta mesma forma, serviços como fax, web e outros podem ser acessados através de
telefones comuns.
Podemos prever ainda, a unificação de três redes hoje existentes para a manutenção do sistema
telefônico: a rede de transporte de voz, a rede de sinalização, e a rede de gerência. Estas redes possuem hoje
infraestruturas independentes e muitas vezes sobre redes físicas diferentes. Com o uso de telefonia IP, unifica-se
todas estas redes sobre a mesma infraestrutura e utilizando os mesmos protocolos de rede, IP.
Um último engano sobre VoIP é sobre sua qualidade final de transmissão de voz. Se a rede estiver
sobrecarregada, podem ser inseridos atrasos que podem atrapalhar a qualidade final da voz. Todavia, se Telefonia IP
é usada em uma rede privada dedicada, com garantia de QoS, a qualidade final de voz está bem próxima do nível
escolhido pelos clientes.

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4 Protocolos e Algorítmos

Tendo-se em mente que uma rede IP é um ambiente projetado sem uma finalidade específica de tráfego
de voz, não existe nada na rede que permita uma comunicação de voz satisfatória ou garantida. Para realizar-se uma
chamada, então, são necessários diversos protocolos auxiliares. O que estes protocolos visam em suas
implementações é resolver e garantir aspectos básicos de uma comunicação de voz sobre pacotes: codificação e
decodificação da voz, negociações, aproveitamento da largura de banda, controle, correções e sinalizações e gerência
das chamadas e usuários.

4.1 Algorítmos utilizados

As diversas pilhas de protocolos apresentadas a seguir vieram a ser criadas na tentativa de criar um
ambiente favorável para as aplicações de voz sobre IP em redes locais e na própria Internet - já que o IP não possui
nenhuma forma de controle que Qualidade de Serviço, requisito indispensável para qualquer transmissão do tipo
Stream (fluxo de dados - voz ou vídeo, por exemplo)
Dentre os algorítmos mais importantes, podemos citar:

4.1.1 Algoritmos de Codificação de voz

Sendo uma forma de onda mecânica, a voz é um objeto de difícil reprodução em um canal digital:
existe, então, a necessidade de se codificar a voz sobre um formato binário, capaz de compartilhar o meio de
transmissão. Existem duas implementações principais de algorítmos de compressão de sinais: a codificação da forma
de onda (não-paramétrica), que codifica o sinal de voz com a maior fidelidade possível, e a codificação na fonte
(paramétrica), que consiste na compactação máxima da voz, porém com uma perda na qualidade do sinal
transmitido.

4.1.2 Algoritmos para Economia de Largura de Banda

Vários aspectos da voz humana permitem uma maior compressão e aproveitamento da banda quando
esta passa a ser codificada digitalmente. Dentre estes fatores, podemos citar a correlação entre amostras e ciclos
sucessivos e a enorme taxa de silêncio, que possibilitam uma boa compactação.
A supressão de silêncio é um dos fatores mais importantes: em uma conversação convencional, menos
de 40% do tempo é realmente utilizado pelo canal de voz - ficando este inativo por 60% do tempo de conexão. Um
mecanismo conhecido como VAD (Voice Activity Detection) se encarrega de perceber e remover este silêncio,
reduzindo consideravelmente o tamanho dos pacotes de voz.
A compressão de sinais é outra técnica utilizada para economia de largura de banda. Baseada em um
algorítmo de retirada de informações inúteis ou redundantes. Esta compressão pode ocorrer sem perda de
informações - trabalhando em tempo real, o compressor de sinais deve analisar os pacotes de voz e compará-los -
removendo pacotes iguais ou muito semelhantes, e assim diminuindo o tamanho final dos pacotes de voz.

4.1.3 Algoritmos de Compressão Padronizados

Diversos modelos de protocolos de compressão de áudio foram padronizados por órgãos internacionais
como o ITU (International Telecommunication Union), TIA (Telecommunication Industries Association) e USFS
(United States Federal Standards). Dentre os diversos protocolos, temos o ITU G-711, ITU G-726, ITU G-722 (mais

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usado em videoconferências), ITU G-723 (próprio para videoconferências, telefonia digital móvel e multimídia),
ITU G-728, ITU G-729, TIA IS-54 e TIA IS-641.

4.1.4 Remoção de Eco

Em uma comunicação full-duplex, a voz trafega nos dois sentidos ao mesmo tempo. A comunicação
entre o usuário e a central telefônica é feita por dois fios de par-trançado com transmissão full-duplex. A partir da
central telefônica, os canais de comunicação são separados, de forma que a voz do usuário A seguirá um circuito
diferente da voz do usuário B, com quem A se comunica. Os 2 canais separados utilizarão dois fios cada um, no
modo simplex, até chegarem a um decodificador semelhante no destino. Uma vez percorrido o caminho, os 4 fios são
mais uma vez convertidos em dois, gerando um eco perceptível ao receptor. Na telefonia, esta diferença raramente é
maior do que 10ms, porém valores superiores a este devem ser tratados. Para corrigir o problema, os gateways ou as
próprias estações devem implementar algoritmos de detecção e supressão deste eco

4.2 Elementos típicos da Telefonia IP

Diversos elementos seguem padrões para a sua implementação em uma rede de telefonia IP. Os
servidores e gateways são peças-chave previstas em praticamente todas as pilhas de protocolos de voz sobre IP, pois
são o que possibilita a implementação de uma rede funcional e confiável.

4.2.1 Servidores

A grande maioria dos protocolos de transmissão de voz sobre pacotes baseia-se no uso de servidores
específicos para o tráfego dos pacotes de voz. Estes servidores são peças importantes no conjunto e possuem várias
funções essenciais, como:
• Tradução de Endereços - O servidor responsabiliza-se por localizar os usuários da chamada através de seus
números IP na rede
• Controle de Admissão - além de tarifar o serviço, o o servidor se encarrega de autorizar ou não o uso do mesmo
• Controle de Largura de Banda - o servidor é responsável por autorizar um maior fluxo de ligações na rede,
liberar recursos como vídeo, etc
• Serviços de Localização - os usuários, uma vez cadastrados nos servidores, devem ser localizados de forma a
permitir que recebam suas chamadas corretamente, uma vez 'logados' no sistema

Todos estes serviços necessitam de uma comunicação entre o servidor e a estação. É bom lembrar que
a transmissão da voz, no entanto, é realizada diretamente entre as estações ou gateways relacionados com a
transmissão – em nenhuma arquitetura, os servidores participam da transmissão dos pacotes de voz. Conexão,
controle de chamada e sinalização são negociados entre os elementos finais apenas.

4.2.2 Gateways

Os Gateways são outra peça de fundamental importância nas implementações de ambientes VoIP –
necessários para a interligação entre redes VoIP e outros tipos de redes (como ISDN ou a rede telefônica
convencional). Os gateways são responsáveis tanto por converter os comandos dos protocolos utilizados nas redes
interligadas em questão quanto por converter o fluxo de voz nos dois sentidos.

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4.3 Cenários Típicos

Embora possa acreditar que Voz sobre IP é limitado somente para chamadas entre dois computadores,
na realidade, Voz sobre IP refere-se ao fluxo de voz sobre pacotes transportado sobre redes que utilizam o Internet
Protocol IP para terminais onde o fluxo é decodificado em voz novamente. Estes terminais podem ser computadores,
ou da mesma forma telefones convencionais analógicos. Neste caso, um gateway é requerido para converter os
pacotes de áudio para o formato analógico que o telefone entende.

Figura 1: Computador a computador

Este primeiro cenário é o mais simples e antigo da Voz sobre IP. Dois usuários se comunicando sem que
haja utilização da rede telefônica convencional. Vários softwares estão disponíveis para esta configuração, podendo
utilizar protocolo proprietário ou padrão. Nesta última opção, podemos encontrar a interação de softwares de
diferentes fabricantes. A codificação de voz é feita pelos computadores envolvidos e a transmissão é feita através da
rede IP.

Figura 2: Computador a telefone

Neste ambiente necessitamos da utilização de um gateway, um equipamento que faz a interface entre a
Voz sobre IP e a telefonia pública convencional. Todos os aspectos envolvidos com a Voz sobre IP terminam neste
equipamento e são aí processados e resolvidos. A partir dele a rede telefônica convencional é responsável pela
comunicação da voz. Ele converte voz, sinalização e controle da rede IP para a rede telefônica convencional,
permitindo a comunicação entre usuários dos dois ambientes: rede IP e telefonia convencional.

Figura 3: Telefone a telefone

Finalmente, temos a utilização da Telefonia IP para ligação de dois assinantes da telefonia


convencional. Desta forma, a rede IP é utilizada apenas como uma forma de transporte da voz, por ser um meio mais
barato. Um exemplo desta utilização é para chamadas internacionais, para redução de custos. As operadoras públicas
podem também ocasionalmente substituir parte de sua rede convencional por uma rede IP.

4.4 Protocolos

Diversos protocolos já foram criados e implementandos para a transmissão de voz sobre redes IP,
porém poucos garantiram uma real interoperabilidade e funcionalidade. Atualmente, dois grandes protocolos
dominam o cenário da telefonia IP: o H-323, proposto pela ITU-T; e o SIP, protocolo do IETF. Independente do
padrão adotado, o protocolo comumente utilizado para a transmissão do fluxo de voz entre os dois terminais é o RTP
(Real Time Protocol), descrito em detalhes na sessão 4.3.2.3

4.4.1 Protocolo ITU-T

4.4.1.1 Protocolo H.323

O H.323 é, na verdade, uma pilha de protocolos proposta pela ITU-T. Criado para ser o precursor da
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Telefonia IP, o H.323 foi o primeiro padrão a tentar estabelecer os requisitos mínimos para que a comunicação de voz
através de rede de dados fosse eficiente e satisfatória. Conhecido como um 'padrão guarda-chuva', o H.323 cobre
diversos protocolos em várias camadas, em redes locais que não têm garantia de QoS.

Dentre as suas várias funcionalidades, o H.323 implementa:


• Algoritmos de compressão de voz, conhecidos como 'áudio codecs' ou 'vocoders', que utilizam o RTP para
transmissão dos pacotes;
• Protocolos de gerência de conexão, localização de usuários e reserva de largura de banda;
• Protocolos de controle de chamada e estabelecimento de canais de comunicação, usados para garantir a
qualidade de serviço (em conjunto com o RTP);
• Protocolos de controle de canais de áudio e vídeo;
• Aplicações de interoperabilidade com outros terminais de voz, como Voz sobre ATM, ISDN ou mesmo telefonia
convencional - possibilitando a construção de Gateways para sua arquitetura

Sendo uma pilha de protocolos, podemos dividir o H.323 em vários outros protocolos menores: o
H.225 para conexão, H.245 para controle, H.332 para grandes conferências, H.335 para segurança, H.246 para
interoperabilidade com RTPC e a série H.450.x para serviços suplementares, como pode ser resumido a seguir:

Tabela 2: A Pilha de Protocolos H.323


Protocolo Descrição
H.323 Sistemas de comunicação multimídia baseada em pacotes
H.225.0, Sinalização de chamadas e encapsulamento de fluxo de dados
Q.931 para sistemas IP
H.245 Protocolo de controle para comunicação multimídia
H.246 Cooperação entre terminais multimídia
H.235 Segurança e criptografia para terminais
H.332 Gerencia de conferências H.323
H.335 Segurança e criptografia de pacotes H.323
H.450 Serviços suplementares do H.323
H.263 Codificador de vídeo para comunicação com baixa taxa de
transmissão
H.261 Codificador de vídeo
G.723.1 Modulador (codificador) de voz
G.711 Modulador (codificador) de voz

4.4.1.1.1 Arquitetura e componentes H.323

Diversos componentes são definidos na implementação do H.323:


• Terminal H.323: qualquer computador onde esteja implementado um serviço de telefonia IP
• Gateway H.323: Situado entre uma rede IP e outra de telecomunicações, de forma a permitir a
interoperabilidade entre as duas redes
• Gatekeeper: servidor de localização, tradução e admissão: com todas as funções de um servidor VoIP (descritas
anteriormente), o gatekeeper cuida de gerenciar largura de banda, localizar gateways, traduzir endereços e
controlar acesso à rede.
• Unidades de Controle de Multiponto (MCU): servidores especiais para a gerência de três ou mais estações.
Responsáveis por gerenciar os recursos em conferências ou outras comunicações entre várias estações

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É importante lembrar que não é necessário que todos os elementos estejam presentes em uma
comunicação Voz-IP utilizando-se o H.323 – duas estações utilizando-se do protocolo H.323 podem estabelecer uma
comunicação de voz sobre IP diretamente, seja pela Internet ou em uma LAN, porém sem que haja qualquer tipo de
garantia de serviço. A utilização adequada de toda a arquitetura, porém, permite a implementação de uma rede
confiável, capaz de interoperar com outros tipos de redes e gerenciar chamadas de maneira adequada.

4.4.1.1.2 Implementações

Vários softwares comerciais implementam o H.323 e são compatíveis entre si. Entre eles, podemos
citar o Microsoft Netmeeting, o Intel Internet VideoPhone, VocalTec Internet Phone, NetSpeak WebPhone ou
Netscape Conference. Por ser um dos protocolos mais popularizados e antigos para a transmissão e codificação de
voz em pacotes, o H.323 é o protocolo mais difundido e pesquisado para as mais diversas aplicações

4.4.1.1.3 Conclusão

Apesar de toda sua popularidade, o H.323 é um protocolo extenso e muito complexo, descrito em mais
de 700 páginas de padrões. A primeira versão do H.323 foi bastante criticada por sua falta de desempenho e
incompatibilidade entre diversos fabricantes – problemas resolvidos com o lançamento da versão 2 – que provê
conexões mais rápidas e mais funcionalidades. Mesmo com todos os melhoramentos, porém, o H.323 ainda não foi
capaz de livrar-se de seu principal problema, sua complexidade. A proposta dos padrões concorrentes do IETF vem
justamente para contornar este fato

4.4.2 Protocolos IETF

4.4.2.1 SIP – Session Initiation Protocol

Criado na Universidade de Columbia, sendo posteriormente aprovado pelo IETF (Internet Engineering
Task Force), o protocolo SIP foi publicado como RFC 2543 em 1999, tornando-se um protocolo alternativo ao
H.323.
Diferente ao H.323, o SIP não define aspectos de comunicação multimídia, preocupando-se apenas
com a sinalização. Reúne algumas características de outros protocolos como: basear-se em texto da mesma forma
que o SMTP e FTP, e possuir os mesmos cabeçalhos e regras de codificação que o HTTP.
O protocolo SIP apenas inicia uma sessão entre usuários, não definindo que tipo de sessão é
estabelecida entre eles. É um protocolo usado com as seguintes finalidades:
• Localização de usuários
• Controle de chamada de participantes de conferência
• Gerência de participantes de conferência

Em uma requisição SIP são enviados os campos de cabeçalhos que descrevem a chamada e, em
seguida, uma mensagem descrevendo a sessão individual que vem sendo realizada. Entretanto, em comunicações
multimídia, o protocolo SIP, por preocupar-se apenas com sinalização e não combinar todos os aspectos de
protocolos usados em comunicações multimídia, deve ser usado em conjunto com outro protocolo IETP para criar
uma solução completa.
As requisições são geradas por um computador cliente e enviadas para o servidor para que este
processe e lhe envie a resposta. Este processo é chamado de transação. O SIP possui um sistema denominado User
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Agent, que é dividido em dois componentes:
• User Agente Client (UAC) – Quando um cliente deseja enviar uma requisição ao servidor, o UAC é
quem se responsabilizará por iniciar as chamadas, enviando esta requisição.
• User Agent Server (UAS) – Este componente é responsável pelo envio das respostas às requisições
dos clientes.

Existem três servidores, cada qual com funções diferentes, localizados em partes diferentes na rede.
São eles:
• Os Servidores de Registros – Responsáveis pela localização e atualização constante
de cada usuário da rede.
• Os Servidores Proxy – Recebem requisições e as enviam para os servidores next-hop
(que pode ser outro servidor proxy, UAS ou servidor de redirecionamento), podendo,
para isso, executar programas e consultar banco de dados.
• Servidor de Redirecionamento – Recebe requisições e ao contrário de reenviar a
requisição, neste caso, ele retorna o endereço do servidor next-hop ao cliente.

Tanto os servidores proxy como os de redirecionamento possuem também a função de determinar o


conjunto de servidores a serem usados no caminho para completarem a chamada.

Figura 4: Quadro padrão de transação SIP

Onde,
Invite = requisição
To / from = endereço do chamador e chamado
Subject = identifica o assunto da chamada
Call-ID = identificação da chamada
Cseq = Número de seqüência
Contact = Endereços onde o usuário pode ser contactado
Require = Negocia o protocolo a ser utilizado como extensão ao SIP
Content_lenght / Content_type = Usado para levar informações sobre o conteúdo da
mensagem

4.4.2.2 SDP

Como o protocolo SIP não é um protocolo que possa representar todo potencial para o estabelecimento
de sessões com recursos multimídia, ele deve ser usado em conjunto com um outro para melhorar sua
funcionalidade. Normalmente o protocolo SDP é usado para casos de telefonia e aplicações de difusão como rádio ou
tv via Internet.
Ao se estabelecer uma chamada SIP, a mensagem Invite deverá conter informações SDP descrevendo
os parâmetros aceitáveis, e a capacidade do chamador. Em resposta, o servidor altera a mensagem incorporando nela
as suas capacidades e a enviando de volta.

4.4.2.3 RTP – Real-Time Transfer Protocol

O RTP é um protocolo padrão para transporte de dados com características de tempo real, como nos
casos de vídeo e áudio. É um protocolo de grande importância para a telefonia IP, de tal forma que padrões
importantes fazem uso do RTP. O RTP foi definido pela RFC 1889 e sua principal função é agir como uma interface
entre as aplicações de tempo real e os protocolos das diversas camadas existentes.

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O protocolo RTP é considerado um componente universal na Telefonia IP, pois além do protocolos SIP,
o H.323 também faz uso dele. Por sua vez, o RTP utiliza do protocolo UDP – User Datagram Protocol – para
transmitir pacotes de voz porque neste caso a velocidade é importante e a perda de pacotes pode ser compensada na
codificação e decodificação da voz.
Dentre as funcionalidades do RTP, podemos citar:
♦ Sequenciamento – É atribuído um número a cada pacote que deve ser usado para a verificação de
perdas e no ordenamento pelo receptor;
♦ Sincronismo intramídia – A variação do atraso (jitter) que os pacotes podem sofrer é bastante
prejudicial à reprodução da mídia. Esta diferença entre os atrasos pode ser eliminada com a
colocação de buffers adicionais.
♦ Identificação do quadro – O RTP marca o início e o fim de cada pacote. Um pacote pode conter
diversos quadros, que são as unidades básicas na transmissão dos vocoders.
♦ Identificação da origem – Identifica o emissor do pacote. Este campo é importante em conferência
multicast, onde os dados podem ter diversas origens.

O RTP é formado por duas partes:


• Transmissão de dados – Formada por um protocolo responsável para aplicações com
características de tempo real, como por exemplo:
 Reconstrução temporal de mensagens – O protocolo de transporte deve transportar
informações de temporização de forma que o receptor possa fazer compensações para o
atraso.
 Detecção de perdas – O RTP não tenta reservar recursos na rede para evitar perdas e
atrasos, ele apenas permite ao receptor notar a presença desta perda e do atraso.
 Identificação do conteúdo – O RTP define o formato do pacote que trafega pela rede. O
pacote contém informações sobre a mídia, chamada RTP payload, junto ao cabeçalho
RTP. É através das informações contidas neste cabeçalho que o receptor irá reconstruir a
mídia.

O processo de transporte de dados é bastante complexo pelo fato de que os pacotes podem ser
perdidos, receber atrasos ou serem entregues fora de ordem. O protocolo de transporte deve permitir ao receptor
detectar tais perdas.
O transporte de dados é realizado quebrando-se o fluxo de bits gerado por um codificador de mídia -
tarefa esta realizada normalmente por um vocoder – em pacotes que serão então enviados pela rede. Depois, tal fluxo
será reproduzido pelo receptor.
O protocolo RTP não garante que os dados chegarão sem falhas e ordenadamente ao destinatário,
podendo estes serem perdidos na rede durante a transmissão. Existe então a necessidade do destinatário poder
processar um pacote independentemente dos outros.

• Controle (RTCP) – O RTCP, na verdade um sub-protocolo do RTP, é o responsável


pela transmissão de informações sobre os participantes da sessão e pelo
monitoramento da qualidade de serviço na transmissão.
Este protocolo provê suporte a conferência de grupos de qualquer tamanho na Internet. É oferecida
uma realimentação de QoS dos receptores para o grupo multicast, além do suporte à sincronização de
fluxos de mídias diferentes.
Desta forma, o RTCP que acompanha o RTP, provê de diversas informações adicionais sobre os seus
participantes:

• Retorno de Informações de Qualidade de Serviço – Os receptores podem retornar


informações sobre atraso, jitter e perdas ocorridos durante a transmissão.
• Sincronismo intermídia – Sincroniza fluxos diferentes, como os de vídeo e áudio,
que possam ser de origens diferentes.
• Identificação do usuário – Informações como: número telefônico, e-mail, nome,
etc.
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O RTCP usa o mesmo endereço do RTP, porém eles utilizam portas diferentes. É bom salientar que o
RTCP não é indispensável nas aplicações RTP, visto que em certos casos pode-se optar por não utiliza-lo.

4.4.2.4 RSVP – Resourse ReSerVation Protocol

Devido as limitações impostas pelas redes baseadas em protocolo IP, o IETF desenvolveu, além do
protocolo RTP, o protocolo RSVP (Protocolo de Reserva de Recursos) destinado a oferecer QoS.
O protocolo RSVP funciona no topo do protocolo IP, na camada de transporte. Foi projetado para
funcionar com os protocolos de roteamento considerando um único ou um grupo de receptores. Desta forma,
dependendo do caso, algumas aplicações podem ser direcionadas para apenas um receptor enquanto outras podem
enviar dados para diversos usuários, sem a necessidade de enviá-los para toda a rede.

A transmissão de dados utilizando o protocolo RSVP deve ocorrer em três passos:


• 1º Passo - O Transmissor possui dados a serem transmitidos que necessitam de
QoS.
• 2º Passo – O Receptor, antes da chegada dos dados, deve enviar notificações aos
roteadores para que se prepararem para recebe-los.
• 3º Passo – Os roteadores devem se responsabilizar pela reserva dos recursos
destinados a transmissão.

Completados estes três passos o transmissor poderá enviar os dados.


Com a utilização do RSVP, a aplicação poderá com antecedência ser capaz de notificar quais recursos
de rede irá necessitar. Estes recursos serão reservados pelos roteadores envolvidos na transmissão dos dados.
Entretanto, é possível que o roteador não possa oferecer estes recursos ou que eles não estejam
disponíveis. Neste caso, o roteador irá recusar a reserva e a aplicação será notificada que a rede não suporta tais
recursos, deixando assim de transmitir os dados.

4.4.2.5 CLP – Call Processing Language

Um servidor tem a capacidade de implementar toda a funcionalidade do protocolo CLP, através de


bibliotecas ou utilizando uma linguagem já existente, como o Java ou Pearl. Entretanto, a utilização destas
linguagens geravam duas desvantagens que motivaram a criação deste protocolo:
• Qualquer função implementada levaria um tempo muito longo para ser executada
• Ocuparia um grande volume de memória

Utilizando o CLP, uma rede de telefonia Internet contém dois componentes básicos:
• End Systems – É quem pode originar uma chamada, podendo aceitá-la ou rejeitá-la. Os detalhes a
respeito deste processo (chamada, conferência de usuários) não são importantes para o CLP. Os
Gateways, por exemplo, são considerados End Systems, e não são abordados na RFC 2824 que
trata do CLP.
• Signalling Servers – São responsáveis pelo controle da transmissão. No protocolo SIP são os
servidores proxy, os servidores de redirecionamento e os servidores de registros; enquanto que no
protocolo H.323, os Gatekeepers fazem este trabalho. Signalling Servers normalmente mantêm
informações a respeito da localização dos End System.

Quando um end System deseja estabelecer uma conexão, a chamada de requisição pode passar por
uma variedade de rotas e componentes da rede. Desta forma, para iniciar uma chamada, o end System tem duas
possibilidades:
• A máquina de origem deve estar configurada para enviar a requisição para um servidor local

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específico, ou
• Através de um endereço, ela pode localizar um servidor remoto ou um end system para quem
possa enviar a requisição.

Quando uma requisição chega a um servidor, este pode utilizar de diversos métodos (user location
database, local policy, DNS resolution) para determinar qual será o próximo signalling server ou end system, para o
qual a esta deverá ser retransmitida. A requisição pode passar por diversos signalling servers: desde zero (no caso dos
end system se comunicarem diretamente), ou por todos os servidores da rede. Em princípio, qualquer end system ou
signalling server pode receber ou enviar requisições entre eles, sem nenhuma restrição.
O CLP é uma linguagem de scripts. Estes scripts estão localizados no signalling server e controlam os
sistemas proxy, o redirecionamento das informações ou quando um usuário não aceita receber uma chamada em
particular.
Os scripts mantêm atualizado o banco de dados no signalling server, com a posição dos end systems.
Na maioria das vezes, estes scripts estão associados com um endereço de telefonia Internet (Internet
telephony address). Quando uma requisição é recebida por um signalling server, este irá associar o endereço
especificado do destinatário com um banco de dados de scripts CLP. Caso um deles coincidir com o endereço da
requisição, o script será executado.

4.4.2.6 RTSP – Real-Time Streaming Protocol

Este protocolo é usado para controlar dispositivos capazes de reproduzir conteúdos de mídia
armazenados, como na casos das músicas. Os comandos do RTSP são semelhantes aos comandos utilizados por
qualquer eletrodoméstico que grave ou reproduza som, como play, fast forward, rewind, record e pause.
São diversas as aplicações do RTSP para a telefonia IP:

• Pode-se gravar toda ou apenas uma parte da conversação;


• Algum trecho de áudio, ou até mesmo vídeo, pode ser reproduzido durante uma sessão de
telefonia IP;
• Pode ser utilizado na transmissão de e-mail de voz;
• Nos serviços de secretária eletrônica.

4.4.2.7 GLP – Gateway Location Protocol

O protocolo GLP é utilizado para distribuir e manter o roteamento de chamadas entre diversos
provedores de telefonia Internet. Além disso, permite encontrar o número do IP do gateway com base no número
telefônico requisitado.
ITAD (Domínio Administrativo de Telefonia IP) é um conjunto de regras de telefonia IP sob o controle
de uma única autoridade administrativa. Servidores de localização (LsS) utilizam o protocolo GLP para manterem
atualizados o banco de dados de seus gateways através de diversos ITADs. Eles mantêm informações do endereço IP
do gateway, a faixa de números telefônicos que ele atende, além de informações do próprio gateway. O
funcionamento é muito semelhante ao serviços de nomes da Internet (DNS). Outro protocolo deve ser usado pelos
servidores de localização para distribuir estas informações entre os clientes SIP.

O modelo geral para a apresentação do protocolo GLP é mostrado na figura a seguir:

Figura 5: Apresentação do Protocolo GLP

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Um único ITAD, que possui um simples domínio administrativo, não possui gateways que possam acessar todos os
números telefônicos existentes. É necessário então que haja acordos comerciais entre os vários domínios para que os
servidores de localização possam se comunicar um com o outro, através do GLP.

O estabelecimento de uma ligação de telefonia IP com alguém na rede telefônica pode ser feito das seguintes
maneiras:
♦ Utilizando o LDAP – Lightweight Directory Access Protocol – Este protocolo permite acesso
direto à base de dados de um servidor de localização.
♦ Utilizando o SIP – Neste protocolo, o cliente envia uma mensagem com o número a ser discado
para o servidor de localização. Este irá consultar o número no seu banco de dados e o enviará de
volta.

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5 Implementações e Mercado
A realidade dos serviços de Voz sobre IP já é bastante animadora. Apesar de ainda não possuir
implementações apropriadas para negócios, o uso de VoIP pela internet já vem ocupando espaço em vários serviços:
empresas como a grande AT&T já começaram a disponibilizar serviços de telefonia IP aos seus clientes a baixos
custos. A grande maioria das empresas, contudo, prefere investir nos serviços de voz sobre IP como uma maneira de
melhorar seus serviços na web – como muitas rádios espalhadas por todo o mundo, que já vêm oferecendo
programação pela Internet.

5.1 Produtos oferecidos

Várias empresas vêm investindo na área de telefonia IP. Dentre os produtos e companhias, podemos
citar:
Tabela 3: Implementações comerciais de VoIP
Produto Descrição Investidores
WebPhone Software de telefonia IP, e gateways para Motorola, Creative
conversão de telefonia IP para telefonia Technology, ACT
convencional Networks
VDOPhone Sistema de videoconferência e broadcasting US West, Bell Atlantic,
Microsoft
Internet Phone, Softwares de telefonia IP, ferramentas para Deutsche Telekom,
VoxPhone, incorporação de voz em homepages e Intel, Netscape, AT&T,
OnLive! Talker gateways Creative Labs,
SOFTBANK Holdings,
Kleiner Perkins
Caufield & Byers,
Merrill Pickard
Anderson & Eyre,
Mohr Davidow, New
Enterprise Associates
VoIP PCI card Placa PCI que permite um que um telefone InnoMedia, QuakeCom,
convencional seja ligado diretamente a um
computador.

5.2 Requisitos mínimos

Os requisitos para uma comunicação VoIP para o usuário final são mínimos: qualquer usuário
acessando um 486 com um modem de 14.400 kbps e com acesso à Internet e kit multimídia deve ser capaz de manter
uma conversação utilizando os serviços de Voz-IP. É claro que a qualidade da linha e a velocidade de conexão
interferem no resultado final, porém os requisitos mínimos garantem que os serviços estão disponíveis a qualquer
usuário.

5.3 Os Custos do Novo Mercado

Embora a tecnologia de VoIP tenha entrado a pouco tempo no mercado como um negócio rentável, já
se iniciou uma acirrada guerra de preços e produtos.
Algumas empresas como a InnoMedia e a QuakeCom oferecem soluções compactas e baratas para
PCs, suas placas giram em torno de US$100,00 e permitem a ligação direta de um telefone convencional a um PC,
elas possuiem o H323 incorporado permitindo a ligação entre placas sem custo adicional (além do da internet),

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outras já começam a oferecer soluções completas como a VocalTec, produtora de um dos mais populares produtos de
Voz sobre IP, já coloca à venda seus primeiros gateways completos: a um custo de US$4000,00, a empresa propõe
um aparelho capaz de rotear uma ligação telefônica entre dois pontos distantes – capaz até mesmo de capacitar uma
conversão desta ligação para a linha telefônica normal, para que ela possa ser completada. Dessa forma, um usuário
que quisesse fazer uma ligação internacional pagaria apenas o custo da conexão à Internet

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6 Conclusão

Apesar de não representar uma solução ideal, a opção de implementação de voz sobre IP tem tido
um crescimento vertiginoso graças aos rumos que o IP tomou na atualidade. A grande difusão da Internet e sua
importância como meio de ligação de redes mostrou que, mesmo com diversos problemas, o IP seria a solução de
mais fácil implantação. Para isso, fez-se conveniente o surgimento de alternativas que complementassem o serviço
oferecido por essa tecnologia – os protocolos auxiliares – que trouxeram consigo uma gama de novas idéias e
equipamentos a serem incorporados à grande estrutura IP das redes mundiais. A transmissão de voz seria inviável
caso o IP não permitisse o uso de tais protocolos auxiliares que lhe oferecem ao menos o mínimo de condições para
que a voz possa ser transmitida por suas redes de dados que não oferecem qualidade de serviço.
A economia também mostrou ser um fator decisivo: parte importante do custo mensal de uma empresa
está diretamente ligada à infra-estrutura de telecomunicações: administração, gerenciamento e os circuitos
propriamente ditos. Avalia-se que tais custos tendem a aumentar com a globalização - as empresas, além da
comunicação com outras da mesma região, passam a se comunicar cada vez mais com empresas em todos os pontos
do planeta. Especialistas apostam num cenário, no máximo dentro de cinco anos, em que todas as empresas que
quiserem permanecer competitivas em suas atividades terão uma infra-estrutura de telecomunicações única
integrando os tráfegos de voz, dados e vídeo.
Com a realização deste trabalho, o grupo pode averiguar a existências de várias tecnologias que
permitem a integração de redes de dados à de voz, variando entre si, basicamente, pela qualidade de serviço
oferecida ou pelo custo exigido por essas tecnologias. Ficou claro também que, apesar de não apresentarem alta
qualidade de serviço, as redes IP oferecem uma disponibilidade maior para aderência de outras tecnologias à sua
arquitetura. Essa disponibilidade oferecida pelas redes IP faz com que a mesma apresente um custo relativamente
baixo e, atualmente, isso faz com que essa seja a opção mais viável para transmissão de voz em redes integradas de
dados.

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7 Apêndice: Qualidade de Serviço - QoS

O termo qualidade de serviço consiste em garantir parâmetros (Vazão, Latência, etc) variem dentro de
limites bem definidos (Valor mínimo e máximo).
Em redes, a qualidade de serviço é garantida por equipamentos e componentes e dependendo da
aplicação é requisitado uma “Solicitação de Serviço” ou “ Contrato de Serviço” denominado Service Level
Agreement (SLA), onde são definidos claramente quais requisitos uma ou mais de uma aplicação necessitam para
operarem com qualidade.

7.1 Parâmetros
Os principais parâmetros para a implantação e o gerenciamento de QoS definidos nas SLAs são:
Vazão: é a velocidade que os bits de dados são transmitidos na rede. Para a voz, a vazão típica é de
10Kbps a 120Kbps. Em uma rede IP WAN com uma centena de canais de voz simultâneos a vazão para uma
aplicação de VoIP seria de 2Mbps.
Latência (Atraso): em uma rede, é o somatório dos atrasos impostos pelos equipamentos utilizados
para a comunicação. Na aplicação, é o tempo de resposta (Tempo de entrega da informação) gasto principalmente na
propagação do sinal elétrico ou óptico na rede, pela velocidade de transmissão e pelo processamento dos pacotes nos
equipamentos da rede.
Jitter: consiste em garantir uma taxa constante aceitável na variação do tempo e na seqüência de
entregas da informação (pacotes) devido a variação da latência (atraso) da rede.
Taxa de Perdas: o gerente da rede tem que especificar limites razoáveis para garantir que a perda de
pacotes não comprometa a aplicação.
Disponibilidade: é a medida de garantia de execução da aplicação ao longo do tempo, dependendo
dos equipamentos da rede proprietária e da rede pública, quando a mesma é utilizada. Para uma rede IP WAN com
centenas de canais de voz simultâneos, a disponibilidade é de 99,5% do tempo.

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8 Bibliografia

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Reconhecimento de Voz (GABRIELA JACQUES DA SILVA, LUCAS HALBERSTADT DA ROSA, SANTOS


PEDROZO VIANA)
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Laboratório Teuto Brasileiro usará voz sob Frame-Relay


http://www.dts-
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Interurbanos Mais Baratos (Rosa Webster)


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Seminário de Teleinformática - Voz sobre IP (José Liesse Bollos Guimarães)
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A voz em alto e bom som (Luciano Frucht)


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VÍDEO E VOZ Sobre Redes Corporativas (Tom Nakano)


http://www.prolan.com.br/download/netw&com99.zip
As Aplicações que vão dominar a Banda Passante: Vídeo e Voz sobre IP (Vilson Sarto)
http://www.prolan.com.br/download/vozip.zip

Voz sobre IP – Perguntas Frequentes


http://www.creare.com.br

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