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December 15, 2004 – 19 : 19 DRAFT i

0 Revisões de Álgebra 1
0.1 Os números reais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1
0.1.1 Propriedades das operações dos números reais . . . . . . . 5
Exercı́cio 0.1 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 7
0.2 Fracções . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 8
Exercı́cio 0.2 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 13
0.3 Expoentes . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 14
Exercı́cio 0.3 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 18
0.4 Expoentes Fraccionários . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 18
Exercı́cio 0.4 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 22
0.5 Expressões Algébricas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 23
Exercı́cio 0.5 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 34
0.6 Factorização e Fracções Algébricas . . . . . . . . . . . . . . . . . 34
0.6.1 Factores . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 34
0.6.2 Fracções Algébricas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 38
Exercı́cio 0.6 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 41

1 Equações 43
1.1 Equações do 1o e do 2o grau com uma incógnita . . . . . . . . . 43
Exercı́cio 1.1 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 54
1.2 Plano Cartesiano . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 56
Exercı́cio 1.2 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 61
1.3 Equações do 1o grau com duas incógnitas . . . . . . . . . . . . . 62
1.3.1 Aspectos gerais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 62
Exercı́cio 1.3.1 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 67
1.3.2 Caracterı́sticas gráficas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 68
Exercı́cio 1.3.2 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 84
1.3.3 Equação reduzida da recta . . . . . . . . . . . . . . . . . . 88
Exercı́cio 1.3.3 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 91
1.3.4 Determinação da equação reduzida de uma recta . . . . . 93
Exercı́cio 1.3.4 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 96
1.4 Equações Quadráticas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 97
1.4.1 Aspectos Gerais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 98
Exercı́cio 1.4.1 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 100
1.4.2 Caracterı́sticas Gráficas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 101
Exercı́cio 1.4.2 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 112
Exercı́cios de Revisão . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 114

2 Sistemas de Equações 119


2.1 Métodos da Substituição e da Eliminação . . . . . . . . . . . . . 119
2.1.1 Método da Substitução . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 123
2.1.2 Método da Eliminação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 128
Exercı́cio 2.1 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 133
2.2 Método da Condensação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 135
Exercı́cio 2.2 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 150
2.3 Classificação de sistemas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 154
Exercı́cio 2.3 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 162
Exercı́cios de Revisão . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 164
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3 Matrizes 169
3.1 Introdução . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 169
Exercı́cio 3.1 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 175
3.2 Álgebra de Matrizes . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 176
Exercı́cio 3.2 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 199
3.3 Matrizes e Aplicações . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 202
3.3.1 Matrizes e Sistemas de Equações Lineares . . . . . . . . . 202
3.3.2 Método dos Mı́nimos Quadrados . . . . . . . . . . . . . . 209
3.3.3 Redes Sociais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 218
3.3.4 Demografia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 224
Exercı́cio 3.3 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 229
Exercı́cios de Revisão . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 233

4 Determinantes 239
4.1 Definições . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 239
Exercı́cio 4.1 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 249
4.2 Inversa de uma matriz usando a matriz adjunta . . . . . . . . . . 251
Exercı́cio 4.2 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 255
4.3 Regra de Cramer . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 257
Exercı́cio 4.3 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 259
4.4 Equações determinantais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 260
4.4.1 Equação determinantal da recta . . . . . . . . . . . . . . 260
4.4.2 Equação determinantal da parábola . . . . . . . . . . . . 263
Exercı́cio 4.4 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 265
Exercı́cios de Revisão . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 267

Soluções . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 269

Índice . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 291
Capı́tulo 0

Revisões de Álgebra

0.1 Os números reais


Vamos começar por uma breve abordagem à estrutura dos números reais. É
conveniente classificar os vários tipos de números que vão aparecendo à medida
das nossas necessidades.
Comecemos pelo conjunto dos números naturais. Os números naturais são O zero não é um número
os números normalmente utilizados para contagens: 1, 2, 3 e assim por diante. natural.

Como o próprio nome sugere, estes números são frequentemente utilizados


para contar. Por exemplo, um ano tem 12 meses; um dia tem 24 horas.
É fácil verificar que a adição e a multiplicação de dois números naturais é
2-7 = -5; -5 não é um nú-
ainda um número natural. No entanto, nem sempre a subtracção e a divisão de mero natural.
dois números naturais é um número natural. 5
= 2,5; 2,5 não é um
2
Para ultrapassar o problema da subtracção, alargamos o conjunto dos núme- número natural.
ros naturais ao conjunto dos números inteiros. O conjunto dos números inteiros
inclui o conjunto dos números naturais, o conjunto dos negativos (simétricos)
dos números naturais e o zero.
Estes números são úteis em muitas situações. Por exemplo, se numa conta
bancária houver ¿10 000 e se se passar um cheque de ¿15 000, podemos repre-
sentar o saldo como sendo −5 000 euros, número que não faz sentido no conjunto
dos números naturais. É óbvio que todos os números naturais são também
números inteiros. Também é fácil verificar que a adição, a multiplicação e a
subtracção de dois números inteiros quaisquer é ainda um número inteiro.
Sempre que alargamos um conjunto de números, como por exemplo dos nú-
meros naturais para os números inteiros, fazemo-lo com o intuito de podermos
tratar novos problemas, geralmente mais complicados.
Com o conjunto dos números inteiros continuamos incapazes de resolver
muitos dos problemas que envolvem a divisão, isto é, nem sempre a divisão

1
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de dois números inteiros é um inteiro. Por exemplo, no conjunto dos números


inteiros não temos a solução de problemas do tipo: “A que parte do ano cor-
respondem três meses?” ou “A que parte do quilo correspondem quinhentos
gramas?”. Para podermos responder a estas perguntas temos que alargar o
nosso conjunto de números ao conjunto dos números racionais.
a
O conjunto dos números racionais é o conjunto dos números da forma
b
(razão de dois números), onde a e b são números inteiros e b é não nulo. A
a chamamos numerador e a b chamamos denominador. Portanto, um número
N umerador
é dito racional se puder ser expresso na forma duma razão de dois números
Denominador
inteiros. Fazendo b = 1, vemos que os números inteiros, e por conseguinte os
números naturais, são um caso particular dos números racionais.

Nota:

a
A expressão = c é válida se, e somente se, a expressão
b
inversa a = b.c for verdadeira. Por exemplo, consideremos a
fracção em que b é zero. Esta expressão não pode ser igual a
nenhum número c porque a expressão inversa, 5 = 0.c, não é
0
válida qualquer que seja o número c. Também a expressão
0
está mal definida porque a expressão inversa, 0 = 0.c, é válida
qualquer que seja o número c. Daqui concluı́mos que a divisão
por zero é uma operação que não tem sentido.

Embora os números racionais surjam com bastante frequência em problemas,


torna-se ainda necessário considerar números que não sejam racionais.

1 √ Por exemplo, consideremos um quadrado com um metro de comprimento


2 de lado. Para este quadrado, o comprimento da diagonal é um número cujo

quadrado é igual a dois, e que podemos representar por 2. Prova-se que este
1 número não pode ser expresso como a razão de dois números inteiros, logo não
é um número racional. Outro exemplo é o número obtido pela divisão entre o
d
perı́metro e o diâmetro duma circunferência. Este número, representado pela
letra grega π, também não pode ser expresso como a razão de dois números
inteiros e, portanto, também não é um número racional.
O conjunto dos números que não podem ser expressos como a razão entre
dois números inteiros, ou seja, que não sejam racionais, chamamos números
irracionais.
O conjunto formado pelos números racionais e irracionais chamamos núme-
ros reais. Podemos representar os números reais esquematicamente da seguinte
maneira:
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Números
Reais

Números Números
Irracionais Racionais

Números
Números
Fraccionários
Inteiros
Não-Inteiros

Números
Números
Zero Inteiros
Naturais
Negativos

Os números reais podem ser expressos na forma decimal. Quando um


número racional é expresso na forma decimal, a parte decimal ou é finita ou
repete-se infinitamente. Por exemplo,

1 1 1
= 0, 25 = 0, 333... = 0, 142857142857...
4 3 7

Contrariamente, quando um número irracional é expresso na sua forma deci-


mal, a parte decimal não segue nenhum padrão que se repita infinitamente. Por
exemplo,
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2 = 1, 4142135623... π = 3, 1415926535...

Geometricamente, o conjunto dos números reais pode ser representado pelos


pontos de uma linha recta denominada recta real. Começamos por desenhar
uma linha horizontal, orientada da esquerda para a direita e escolhemos um
ponto O para a origem ao qual atribuı́mos o número zero.

À esquerda da origem representamos os números negativos e à direita os


números positivos. Para tal escolhemos um ponto arbitrário A1 à direita da
origem e ao segmento OA1 corresponderá uma unidade. Assim, o ponto A1
representará o número inteiro um. Os números 2, 3, . . . são representados pelos
pontos A2 , A3 , . . . onde

OA2 = 2OA1 ; OA3 = 3OA1 ; ...

B3 B2 B1 O A1 A2 A3

-3 -2 -1 0 1 2 3

De um modo semelhante, se B1 , B2 , B3 , . . . são os pontos à esquerda da


origem tais que os segmentos OB1 , OB2 , OB3 , . . . sejam iguais aos segmentos
OA1 , OA2 , OA3 , . . ., respectivamente, então os pontos B1 , B2 , B3 , . . . represen-
1
-1 0 2 1 tam os números inteiros negativos −1, −2, −3, . . .. Os números racionais podem
ser representados por pontos na real real que fiquem a um número fraccionário
apropriado de unidades da origem, positivo para a direita e negativo para a
esquerda.
Os números irracionais também podem ser representados por um ponto na
recta real. Como não podem ser representados por uma fracção da unidade, a
sua representação será apenas aproximada. Por conseguinte, todos os números
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reais podem ser representados por um ponto na recta real e a cada ponto da
recta está associado um e apenas um número real. É por esta razão que fre-
quentemente utilizamos a palavra ponto quando nos referimos a um número.

0.1.1 Propriedades das operações dos números reais


A soma e o produto de dois números reais é ainda um número real. As
duas operações, adição e multiplicação, são fundamentais para o conjunto dos
números reais e gozam de algumas propriedades que, embora elementares, são
de suma importância para a compreensão de várias manipulações algébricas.

I - Propriedade Comutativa
Para quaisquer dois números reais a e b, temos:

a+b=b+a e a·b=b·a ! Importante!


Por exemplo, Geralmente omitimos o
sinal de multiplicação
“ · ” entre letras desde
3 + (−2) = (−2) + 3 e 4·5=5·4 que tal não cause am-
biguidades. Por exem-
plo,
ab = a.b,
II - Propriedade Associativa
mas no exemplo seguinte
Para quaisquer três números reais a, b e c, temos: o sinal é importante,

n.casa
(a + b) + c = a + (b + c) e (a · b) · c = a · (b · c)
que representa n vezes
casa!
Por exemplo,

(4+(-2))+3 = 4+((-2)+3) e (4 · 3) · 2 = 4 · (3 · 2)
2+3 = 4+1 12 · 2 = 4·6
5 = 5 24 = 24

Destas duas propriedades podemos concluir que na soma e na multi- I. Para cada uma das
alı́neas indique as pro-
plicação de dois números reais a ordem da operação não tem influência no
priedades utilizadas:
resultado final, podendo-se, portanto, eliminar os parêntesis nestes casos.
a) 4 + 3.5 = 4 + 5.3
III - Propriedade Distributiva da Multiplicação em relação à Adição
b) 1 + (5 + 4) = (5 + 4) + 1
Para quaisquer três números reais a, b e c, temos:
c) 2.x + 2.x = (2 + 2).x

a · (b + c) = a · b + a · c d) x.y + z.x = (y + z).x


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Por exemplo,

4 · (3 + 1) = 4·3+4·1
4·4 = 12+4
16 = 16

A propriedade distributiva pode ser aplicada quando dentro dos parêntesis


estiver indicada a soma de mais do que dois números. Por exemplo,

a · (b + c + d) = a · b + a · c + a · d

tributiva
Elementos neutros
d) comutativa e dis-
c) distributiva Para todo número real a, temos:
b) comutativa
a+0=a e a·1=a
a) comutativa

Soluções de I: Isto é, qualquer número real adicionado de zero ou multiplicado por um não
altera o seu valor. Por esta razão, o zero e o um são denominados de elemento
neutro da adição e elemento neutro da multiplicação, respectivamente.

Elemento oposto

Para cada número real a, existe um número denominado elemento oposto


relativo à adição e que é representado por −a (o simétrico de a), tal que,

a + (−a) = 0

Para todo o número real a, não nulo, existe também um número, denominado
inverso ou recı́proco de a e que é representado por a−1 , tal que,

a · a−1 = 1

Observe que na adição de um número real com o seu simétrico obtemos o


elemento neutro da adição que é o zero; na multiplicação de um número real
não nulo pelo seu recı́proco, obtemos o elemento neutro da multiplicação que é
a unidade.
Observe ainda que o simétrico de um número é o próprio número, assim
como o recı́proco do recı́proco de um número não nulo é o próprio número. Isto
é, para todo número real não nulo, temos:
¡ ¢−1
−(−a) = a e a−1 =a
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Por exemplo, o simétrico de 10 é −10, pois 10 + (−10) = 0. Pela mesma


razão, o simétrico de −10 é 10. Mas o simétrico de −10 também pode ser
representado por −(−10). Logo, −(−10) = 10. De uma maneira semelhante,
o recı́proco de 10 é 10−1 , pois 10 · 10−1 = 1. Portanto, o recı́proco de 10−1 é
¡ ¢−1
10. Como o recı́proco de 10−1 também pode ser representado por 10−1 ,
¡ −1 ¢−1
concluimos que 10 = 10.

Uma vez estabelecida a definição de elemento oposto, podemos definir a


subtracção como sendo uma adição, a − b = a + (−b), e a divisão como sendo
a
uma multiplicação, = a · b−1 , desde que b seja não nulo.
b
Assim, por definição, temos,

a
= a · b−1 , b 6= 0
b

Em particular, para a = 1, temos,

1
= b−1 , b 6= 0
b

Exercı́cios 0.1

A. Classifique de verdadeira ou falsa cada uma das seguintes afirmações:

1) -2 é um número natural. 2) Zero é um número inteiro.



3) 2 é um número racional. 4) 1003 é um número racional.

5) 6m + 3m = 9m 6) −2x.(−3) = −6x

7) −2.(x − y) = −2x + 2y 8) −7k.(x.y) = −7kx4(−7ky)

9) −(2x − y) = −2x − y 10) −x.(−y).(−z) = −xyz

11) 0 ÷ x = 0 para todo x real. 12) 0.x = x

13) −x ÷ (−y) = x ÷ y 14) xy − yx = 2xy

B. Simplifique as expressões seguintes:

1) 4 − 7 2) (−3) − (−9) 3) −(−5) + (−11)

4) (−2).8 5) −7 + (−16) 6) −(−6).(−7)

7) 14 ÷ (−7) 8) (−22) ÷ 11 9) (−24) ÷ (−6)


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10) −(2 + (−5)) 11) −(−(−2) + (−7)) 12) 6.2.(−1)

13) (−3).(−5).2 14) (−8).(−2).(−3) 15) (−2).(3 − (−5))

16) −(−9).(7 + (−2)) 17) −3.(9 + 2) 18) 4.(−2 + (3 − 2))

19) x.(y − z) 20) −z.(3 − x) 21) x.(2y + 15)

22) −2x.(3x − 6y) 23) x.(3−y)+y.(12+x) 24) 4x + (−2)(x + 5)

25) 7y + 7(x − y) − 7x 26) −4x − 2(3z − 2y) 27) −2z + 2z(1 + x)

28) 2(x + y) − 3(x − y) 29) 2x(−y)(z + 1) − xyz 30) 9(2x+3y)−(7x−3y)

31) x.y.(−z) 32) (−t).(−r).(−s) 33) (−x).y.(3 + 4z)

34) (−x).(−y).(2 − z) + x.y.(4 − 2z) 35) 4.(8x − 5z) − 2.(4x + 5z)

36) x.(2 + (2 + (−3).4) − 5) + 2x 37) y.(x + x.(2 + z) − 3x)

38) (−12).(2x).(y − z) 39) 2x − 2x.(y − 1) + 2x.((−4) + 3)

40) 2.(−2c).(a + b) 41) 3x − t − 2.(x + t)

42) 2x.(2y − 2z) − 3xy + 3xz 43) 6.(2.(3.((−2) + 7) − 14) + 3).x

44) 2.((−4).(x + 7) + 26 + 3.(x + y) 45) a.(3 − b) + b.(3 + a)

46) x(y−4z)−4x(y+z)+x(−4y+z) 47) xyz(2+(−3)(4+(−1)))÷(xyz)

48) (a + b) ÷ (a + b) 49) 4.(x ÷ x + (−2))

50) x−1 .(2x + 7) 51) x.(3 − 5.(x−1 + y))

0.2 Fracções
! Importante! Na secção anterior, vimos que
Importante:
a
−1 1 = a.b−1 (b 6= 0)
b = b
b

Desta definição é possı́vel derivar todas as propriedades frequentemente uti-


lizadas no cálculo de fracções.
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Multiplicação de fracções

A multiplicação de duas fracções é uma fracção cujo numerador é o produto


dos numeradores e o denominador é o produto dos denominadores.

a c a.c
· =
b d b.d

Exemplos

2 7 14 x 7 7x
· = e · =
3 3 9 2 5 10

Divisão de fracções

O quociente de duas fracções obtém-se multiplicando a primeira fracção


(fracção dividendo) pela segunda fracção (fracção divisora) invertida.

a c a d a.d
÷ = × =
b d b c b.c

³ c ´−1 d a c a ³ c ´−1 II. Calcule:


Isto porque, = e ÷ = · , conforme a definição da
d c b d b d
secção anterior. 2 6
a) ·
5 7
Exemplos (−3) 4
b) ·
8 (−9)
2 3 2 2 4 x 7 x 5 5x 2 3 4
÷ = · = e ÷ = · = c) · ·
3 2 3 3 9 2 5 2 7 14 3 4 5
5 3
d) ÷
14 7
(−12) 6
e) ÷
Cancelamento de factores comuns 5 5
µ ¶
4 7 2
f) ÷ ÷
O princı́pio fundamental das fracções diz-nos que: se o numerador e o de- 9 3 5

nominador de uma fracção estiverem ambos multiplicados por um mesmo fac-


tor, então a fracção é equivalente a outra fracção mais simples (no sentido dos
números envolvidos serem menores), em que esse factor comum é cancelado.
Isto é,

a.c a
= (c 6= 0)
b.c b

Este princı́pio pode ser utilizado para reduzir uma fracção à sua forma mais
simples, isto é, retirando do numerador e do denominador todos os factores
comuns.
10 DRAFT December 15, 2004 – 19 : 19
21
f)
10 Exemplos
e) −2
6
d) 70 6 2 · 5· 6 7 5 5
5 = = =
5 84 6 2 · 2 · 3· 6 7 2·3 6
c)
2
6
b)
1
35 28 6 2 · 2· 6 7 2
a) = =
12 42 6 2 · 3· 6 7 3

Soluções de II:
Relembremos o processo de factorização de um número:

Factorizar um número é decompô-lo em factores primos, isto é, é reescrevê-lo


na forma de um produto de números primos. Esta decomposição é única!
Números primos são to-
dos os números maiores Assim, começamos por dividir (sempre que for possı́vel) o número que pre-
do que 1 e que ape-
tendemos factorizar pelos números primos, começando pelo menor. O processo
nas são divisı́veis por si
próprio e por 1. Como da factorização termina quando o resultado da última divisão for a unidade.
exemplo dos primeiros Por exemplo, para factorizar o número 70 começamos por dividi-lo por 2.
números primos temos:
O resultado da divisão é 35 que já não é divisı́vel por 2. Como também não é
2, 3, 5, 7, 11, 13, . . .. O 2 é o
único primo que é par! divisı́vel por 3 passamos ao primo seguinte, que é o 5. A divisão de 35 por 5 dá 7.
Como 7 é um número primo, só podemos dividi-lo por ele próprio. Chegamos
estão ao produto pretendido: 70=2.5.7! Geralmente seguimos o processo de
factorização conforme indicado abaixo:
Começar o processo de
factorização pelo primei-
ro número primo, o 2,
e só passando ao primo 70 2
seguinte só quando não
35 5
pudermos dividir mais
por 2, garante-nos um 7 7
processo organizado e 1
eficaz de factorização.

III. Factorize os números Neste momento o leitor pode estar a perguntar-se como é que sabe se o
seguintes: número que pretende factorizar é divisı́vel por 2, por 3, por 5 ou por um outro
número primo qualquer. É claro que poderia responder a esta pergunta se
a) 270 tivesse uma calculadora. No entanto, nem sempre temos uma calculadora à
b) 11760 mão e outras vezes não a podemos utilizar (como é o caso das avaliações es-
c) 23625 critas da disciplina a que este livro dá apoio.) Pode ainda acontecer que o
d) 2240 número que pretendemos factorizar tenha mais dı́gitos que o maior permitido
e) 2016 na calculadora. Por estas razões, vamos apresentar no quadro seguinte alguns
critérios de divisibilidade, pelo menos para os primeiros números primos.
December 15, 2004 – 19 : 19 DRAFT 11

Critérios de Divisibilidade

Divisı́veis por 2 Este é o caso mais simples, basta que o número seja par!

Divisı́veis por 3 Para saber se um número é divisı́vel por 3, somamos todos


seus dı́gitos e se o resultado for divisı́vel por 3, então o número inicial
também o é.
Por exemplo, o número 246322191 é divisı́vel por 3 porque, somando os
seus dı́gitos,
2 + 4 + 6 + 3 + 2 + 2 + 1 + 9 + 1 = 30,

o resultado é um múltiplo de 3, ou seja, é divisı́vel por 3. Com efeito, IV. Verifique para ca-
podemos confirmar que 246322191 = 82107397 × 3 da um dos números se-
guintes se são divisı́veis
Divisı́veis por 5 Todo o múltiplo de 5 termina com um de dois dı́gitos: ou o por 3 ou por 7:

0 ou o 5.
a) 4788700371
Divisı́veis por 7 Para este primo vamos apresentar dois critérios, um para b) 8324965649
números mais pequenos, outro para números maiores: c) 6578100051
• Retiramos ao número o último dı́gito e subtraı́mos à parte que sobra o d) 22433356420
dobro do dı́gito que retirámos. Se o resultado for divisı́vel por 7, então
o número inicial também o é. Por exemplo, 315 é divisı́vel por 7 porque,
retirando o último dı́gito sobra 31. Subtraindo ao 31 duas vezes o cinco,
31 − 2 × 5 = 21, o resultado é um múltiplo de 7!
• Se o número for muito grande, procedemos da seguinte maneira: partindo
da direita para a esquerda, separamos o número em grupos de três dı́gitos.
Depois, começando com o primeiro da direita vamos somando e subtraindo
alternadamente com os restantes. Se o resultado final for divisı́vel por 7,
então o número inicial também o é. Por exemplo, o número 123471023473
é divisı́vel por 7. Com efeito, dividindo-o em grupos de três dı́gitos temos,
123,471,023,473. Fazendo a operação indicada,obtemos:

473 − 23 + 471 − 123 = 798.

Aplicando o critério anterior,

79 − 2 × 8 = 79 − 16 = 63

concluı́mos que 798 é divisı́vel por 7 assim como o número inicial


123471023473!
12 DRAFT December 15, 2004 – 19 : 19

Adição e subtracção de fracções

Quando na adição (subtracção) de duas fracções os denominadores são iguais


somam-se (subtraem-se) os numeradores e mantém-se o denominador.

a b a±b
± = (c 6= 0)
c c c
e) 2.2.2.2.2.3.3.7
Exemplos
d) 2.2.2.2.2.2.5.7
c) 3.3.3.5.5.5.7 3 6 9 3 8 5
+ = e − =−
b) 2.2.2.2.3.5.7.7 5 5 5 4 4 4
a) 2.3..3.3.5

Quando os denominadores forem diferentes, temos que reescrever as fracções


Soluções de III:
de modo a terem o mesmo denominador.
Para simplificar as contas, escolhemos para o denominador comum o mı́nimo
3 nem por 7!
múltiplo comum entres os denominadores.
d) Não é divisı́vel por
c) Divisı́vel por 3. Mı́nimo Múltiplo Comum
b) Divisı́vel por 7.
Observemos os múltiplos de 15 e 18:
a) Divisı́vel por 3 e 7.

15, 30, 45, 60, 75, 90, 105, 120, 135, 150, 165, 180, 195, . . .
Soluções de IV:
18, 36, 54, 72, 90, 108, 126, 144, 162, 180, 198, . . .

O mı́nimo múltiplo comum entre dois números a e b, que represen-


tamos por m.m.c(a, b), é, como o próprio nome indica, o menor dos
V. Calcule:
múltiplos entre a e b. Assim, do exemplo anterior vemos que os múltiplos
entre 15 e 18 são 90, 180, . . .. Portanto, o m.m.c(15, 18) = 90.
2 5
a) + O m.m.c(a, b) é o menor número que contém todos os factores comuns
3 3
4 10 a a e b. Assim, para determinar o m.m.c(a, b), factorizamos os números
b) +
7 7 a e b. Depois multiplicamos todos os números primos envolvidos, em
2 7
c) − que o número de vezes que multiplicamos cada primo é igual ao maior
5 5
12 25 de entre as factorizações. Em relação ao exemplo anterior, temos que
d) − +
13 13 15 = 3.5 e 18 = 2.3.3. Logo, o mı́nimo múltiplo comum é,

m.m.c(15, 18) = 2.3.3.5 = 90

Observe que o 3 aparece em ambas as factorizações mas o maior


número de vezes que aparece é duas!
December 15, 2004 – 19 : 19 DRAFT 13

Exemplo
VI. Calcule:
3 5
+ =? 2 4
70 84 a)
15
+
10
3 1
b) +
Como os denominadores são diferentes, temos que determinar o m.m.c(70, 84). 75 2
2 5
Temos que 70 = 2.5.7 e 84 = 2.2.3.7, de onde concluı́mos, c) −
7 6
3 2
d) −
m.m.c(70, 84) = 2.2.3.5.7 = 420 16 5

Portanto, para efectuar a operação acima indicada, temos que multiplicar a d) 1


primeira fracção por 2.3 = 6 e a segunda por 5. Assim, obtemos,
c) −1

3 5 3.6 5.5 18 25 43 b) 2
+ = + = + =
70 84 70.6 84.5 420 420 420 a)
3
(6) (5) 7

Soluções de V:

Exercı́cios 0.2
A. Calcule:

2 3 (−7) 15 12 15
1) × 2) × 3) ×
5 4 4 14 25 16
4 7 3 9 3 9
4) ÷ 5) ÷ 6) ÷
7 4 (−8) 16 5 15
µ ¶
2 (−3) 5 2 5 6 (−5)
7) × × 8) × ÷ 9) ÷ 2 × 32
3 5 (−7) 7 4 14 16
µ ¶ µ ¶
5 25 2 15 5 x y 48
10) ÷ × 11) ÷ ÷3 12) × ×
81 9 3 21 7 12 3 z

B. Calcule:

4 1 18 11 12 2
1) − 2) − 3) −
5 5 35 35 25 25
17 10 23 4 3 7 15
4) + 5) + 6) + −
21 21 108 108 5 5 5
µ ¶
10 5 2 5 3 15 7
7) − 8) + 9) −
3 21 7 4 5 16 6
1 2 5 5 8 1 1
10) 5 + 11) + − 12) − +
10 3 6 9 11 4 2
1 1 1 3 4 7 5 5 5
13) + × 14) × − × 15) −
2 3 6 7 5 3 4 22 33
14 DRAFT December 15, 2004 – 19 : 19

0.3 Expoentes

Como vimos na secção anterior, frequentemente aparecem produtos contendo


factores repetidos. Podemos utilizar a notação exponencial para representar tais
produtos.
Assim, se m for um número inteiro e a um número real, então a potência
m
a é definida por
am = a.a.a
| . . . a.a}
{z
m

e lê-se “a elevado ao expoente m”.

Definição:

Qualquer número não Se a 6= 0, então a0 = 1; se m for um número inteiro positivo, então


nulo elevado a zero é 1
a−m = m.
igual a um. a

Desta definição é possı́vel estabelecer uma série de propriedades conhecidas


por leis dos expoentes.
80
d) −
17
42
c) −
23 Leis dos Expoentes
50
b)
27
15
a)
8

Soluções de VI: 1a Propriedade

Na multiplicação de dois números com a mesma base, mantém-se a base e


somam-se os expoentes.

am · an = am+n

VII. Calcule:
Se m e n forem negativos, é necessário que a 6= 0 para que a expressão tenha
sentido.
a) 32 · 33 · 34
Observe ainda que esta propriedade resulta directamente da definição,
b) 8−5 · 85
c) 73 · 7−2
am · an = a
| · a{z. . . a} · |a · a{z. . . a} = |a · a{z. . . a} = a
m+n

m n m+n
December 15, 2004 – 19 : 19 DRAFT 15

Exemplos

43 · 42 = 45

x4 · x−6 · x2 = x0 = 1 (se x 6= 0)
1 1
2−4 = =
24 16
10850 = 1

2a Propriedade

Na divisão de dois números com a mesma base, mantém-se a base e subtrai-se


ao expoente do numerador o expoente do denominador.

am
= am−n , com a 6= 0
an

Nota:

1. Observe que esta segunda propriedade é equivalente à primeira se


tivermos em conta que

am 1
n
= am · n = am · a−n = am−n .
a a

2. Podemos efectuar a divisão dos dois números para o denominador,


isto é, mantém-se a base e subtrai-se ao expoente do denominador o
! Importante!
expoente do numerador, escrevendo-se o resultado no denominador. Podemos subtrair o
expoente do numerador
ao do denominador ou ao
am 1
n
= m−n , com a 6= 0 contrário!
a a

Esta observação tem interesse quando queremos escrever directa-


mente o resultado com expoente positivo.
Por exemplo, se quisermos escrever o resultado com expoente posi-
tivo, temos,
56 1 1
9
= 9−6 = 3 .
5 5 5
16 DRAFT December 15, 2004 – 19 : 19

Exemplos

33 ÷ 3−2 = 33−(−2) = 33+2 = 35


VIII. Simplifique: x4 ÷ x6 = x4−6 = x−2

a) 57 ÷ 52
b) 7−2 ÷ 7−5 3a Propriedade
c) 114 ÷ 117
Na potência de outra potência, mantém-se a base e multiplicam-se os ex-
poentes.

n
(am ) = am·n

IX. Simplifique:
Nota:
¡ ¢−1
a) 43 ÷ 47
¡ ¢2
b) 27 · 2−5 Observe que esta propriedade também está relacionada com a
¡ 6 ¢2 ¡ 2 ¢−6
c) 5 · 5 definição de potência. Com efeito,
n
z }| {
n
(am ) = a m
· am
. . . am
= am + m + · · · + m = am·n .
| {z }
n

Exemplos

¡ ¢−2
33 · 32 = 33 · 3−4 = 33−4 = 3−1
¡ 4 ¢4 ¡ −3 ¢−3
c) 7 x ÷ x = x16 ÷ x9 = x16−9 = x7
b) 1

4a Propriedade
a) 39

Soluções de VII:
A potência de um produto é igual ao produto das potências.

m
X. Escreva numa forma (a · b) = am · bm
equivalente:

Exemplos
a) (2 · 7)4
¡ ¢−2
b) x · y 2
¡ ¢−2
¡
c) x−3 · y
¢2 33 · 32 = 33 · 3−4 = 33−4 = 3−1
¡ 4 ¢4 ¡ −3 ¢−3
x ÷ x = x16 ÷ x9 = x16−9 = x7
December 15, 2004 – 19 : 19 DRAFT 17

Nota:

c) 11−3
1. Observe que esta propriedade também deriva da definição de b) 73
potência. Com efeito,
a) 55

m
(a · b) = ab
| · ab
{z. . . ab} . Soluções de VIII:
m

Como o produto é comutativo, temos:

m m m
(a · b) =a
| · a{z. . . a} · |b · b{z. . . }b = a · b c) 1
m m
b) 2−3
2. Os parêntesis são muito importantes. Observe a diferença: a) 410

¡ ¢2
23 · 5 = 26 · 52 = 64 · 25 = 1600 Soluções de IX:

e
23 · 52 = 8 · 25 = 200.

c) x−6 · y 2
b) x−2 · y −4
5a Propriedade
a) 24 · 74
A potência do quociente é igual ao quociente das potências.
Soluções de X:
³ a ´m am
= , b 6= 0
b bm

Nota: XI. Calcule:

µ ¶ µ ¶2
2·x 4 3
a) ·
3 2·x
Esta propriedade é equivalente à quarta propriedade, se tivermos em µ 2 ¶ −5
2
conta que: b) · (2 · 3)2
3
µ ¶2
³ a ´m ¡ ¢m ¡ ¢m am 5 7
= a · b−1 = am · b−1 = am · b−m = m . c) · −1
7 5
b b

Exemplos

µ ¶3
x4 x12
= 3
3 3
µ ¶5
2 25 25 ÷ 24 2
÷ 24 = 5 ÷ 24 = 5
= 5
3 3 3 3
18 DRAFT December 15, 2004 – 19 : 19

Exercı́cios 0.3

A. Exprima as operações em forma de potência:

1) 4.4.4.4.4.4 2) (−3).(−3) 3) (−2).(−2).(−2).(−2)

4) x.x.x.5.5.5 5) a.a.b.b.c.c.d.d 6) (−1).(−1).(−1)

7) y.y.7.7.7.7 f.f.f 9) 3.3.3.3.4.4.4


8)
g.g.g

B. Efectue as operações indicadas:

1) 23 · 24 2) y · y 7 3) 310
7 · 73 −1
5) (5y) 52 y 6) 5 · 5−1
4)
7 µ ¶−1 ¡ ¢2
2 9) 3x2
7) x · x2 · x3 8)
32 ¡ 2 ¢3
h¡ ¢ i−2
3 x
10) a2 ¡ ¢2 12)
11) 32 x4
¡ ¢−3 7 2
13) x2
¡ ¢−3
7 ·x 14) x−4 (−3x)
c) 15)
53 µ 3 ¶ µ ¶ −3x2
x y 4 6 ¡ −1 2 ¢2
2a b
b) 2−8 · 37 16) ÷ ÷ ¡ ¢3 ¡ ¢2
4 x y3 17) 3 18) 2 · 2x2 · 3y 3
a)
9 (a3 b)
4x2

Soluções de XI:

0.4 Expoentes Fraccionários


Tendo definido a potência am para expoentes inteiros, vamos alargar a
definição para o caso em que m é um número racional qualquer. Como todo o
número inteiro é um número racional, é conveniente que a definição da secção
anterior seja um caso particular desta.
1
Vamos considerar inicialmente a definição de a n . Pela 3a propriedade da lei
1
dos expoentes e fazendo m = , temos
n
³ 1 ´n 1
= a n ·n = a n = a1 = a
n
an

1
Portanto, se igualarmos b = a n e substituirmos na expressão anterior, obte-
mos bn = a, ou seja,
December 15, 2004 – 19 : 19 DRAFT 19

1
se b = a n , então necessariamente bn = a.

Exemplos

1
27 3 = 3, pois 27 = 33

Quando n é par temos dois problemas:


1
1. Consideremos, por exemplo, 4 2 = b cujo valor terá que satisfazer neces-
sariamente b2 = 4. Mas é fácil verificar que existem dois valores possı́veis
para b: o 2 e o −2. Qual destes é que devemos escolher? A resposta é:
sempre o positivo!
! Importante!
Não faz sentido
2. Consideremos agora outra situação. Por exemplo, tomemos o caso seguinte:
1 falarmos de potências
(−4) 2 = b. Será que existe algum número real que satisfaça a igualdade
com bases negativas e
b2 = −4?
expoentes fraccionários
Sabendo que o quadrado de qualquer número real, positivo, negativo ou cujo denominador seja
nulo, nunca é negativo, isto é, é sempre positivo ou nulo, concluı́mos que: um número par!

• se n for um número inteiro par e positivo, e a um número real


1
não negativo, chamamos de raiz de ı́ndice n de a, ao número b = a n
se bn = a.
• se n for ı́mpar e positivo, a pode ser um número real qualquer
(positivo, negativo ou nulo).

1
b = a n se bn = a, com a ≥ 0 se n for par

Exemplos
1
16 2 = 4 porque 42 = 16
1
64 6 = 2 porque 26 = 64
1
3
(−27) 3 = −3 porque (−3) = −27
1
7
(−1) 7 = −1 porque (−1) = −1
1
(−1) 4 Não existe
Observe que no último exemplo não existe porque n é par (n = 4) e a base
é negativa (a = −1).
20 DRAFT December 15, 2004 – 19 : 19

Qualquer número com expoente fraccionário pode ser representado na forma


1
de raiz. Em particular, um número na forma a n pode ser representado por:

1 √
an = n
a


O sı́mbolo denomina-se radical, o n de ı́ndice e o a de radicando.

Nota:

Quando no ı́ndice de uma raiz não aparecer qualquer número, fica


implı́cito que este é igual a 2. Por exemplo,
√ 1
4 = 42

Assim, temos:

16 = 4 porque 42 = 16
√6
64 = 2 porque 26 = 64

3 3
−27 = −3 porque (−3) = −27
XII. Simplifique:
√7 7
1 −1 = −1 porque (−1) = −1
a) 32 5
√ √
b) 81 −1 Não existe
√3
c) −64
√4
Nota:
d) −16

Quando o radicando é negativo e o ı́ndice ı́mpar, o sinal negativo


pode sair da raiz e ser posto à sua frente. Por exemplo,

7

7
−1 = − 1

m
Estamos em condição de definir a n .
December 15, 2004 – 19 : 19 DRAFT 21

Definição

Sejam m e n números inteiros, com n positivo, e a um número real. Então,


1
se a n existir, definimos d) Não existe.
c) −4
b) 9
m
³ 1 ´m √ m
a n = an = ( n a)
a) 2

Soluções de XII:

m m 1 √ m
Se a n existir, então a n = (am ) n = n am . Assim, sempre que a n existir,
temos duas maneiras de o representar na forma de raiz: ! Importante!
Esta igualdade só é vá-
√ √
√ m lida quando n a existir.
( n a) = n am

Exemplos XIII. Calcule:

³ ´2 3
2 1 a) 4 2
125 3 = 125 3 = 52 = 25 5
³ 1 ´−1 b) (−9) 2
1 1
49− 2 = 49 2 = 7−1 = c) 32 5
4

7 5
2
h i
1 2 d) (−25) 2
2
(−27) 3 = (−27) 3 = (−3) = 9
5
h i
1 5
5
(−8) 3 = (−8) 3 = (−2) = −32
XIV. Simplifique:
5 1
(−16) não existe porque (−16) não existe!
4 4
3
a) 2 2 · 22
Com esta definição, verifica-se que as leis dos expoentes permanecem válidas. ³ 1´2
b) 5− 3
5

Apresentamos de seguida um resumo destas propriedades. p√


3
c) 2

Resumo:

1. am · an = am+n am
2. = am−n
an
n
3. (am ) = am·n m
4. (a · b) = am · bm
³ a ´m am
5. = m
b b
22 DRAFT December 15, 2004 – 19 : 19

Exemplos
d) Não existe.
1 1 4+1 5
c) 16 32 · 3 2 = 32+ 2 = 3 2 = 32
b) −243 52 3 10−3 7
3 = 52− 5 = 5 5 = 55
a) 8 5 5
³ 3 ´ 32 3 2 6
22 = 22·3 = 26 = 2
Soluções de XIII:
2 2 2
(x · y) 5 = x 5 · y 5
µ ¶ 14 1
5 54
= 1
3 34

Nota:
2 c)
√6

b) 3− 15
2 Observe que, pelas leis dos expoentes, temos:
a) 2 2
7
³ 1
´ 41 1 1 1

Soluções de XIV:
23 = 2 3 · 4 = 2 12 .

ou ainda, na forma de raiz,


q
4 √
3

12
2= 2.

ou seja, quando temos uma raiz (“sozinha”) dentro de outra raiz, man-
temos o radicando e multiplicamos os ı́ndices.
Atenção:

Isto só é válido quando aparece unicamente uma raiz dentro de outra
raiz. Por exemplo,
q
4 √
3
√ √
12

8
2 + 3 6= 2+ 3 !

Exercı́cios 0.4

A. Calcule:

√ √
3

4
1) 25 2) −8 3) 81
√ √ ¡√ ¢3
4) 36 5) −25 6) 9
2 3 √
7) 8− 3 8) (−100) 2 9) 26
December 15, 2004 – 19 : 19 DRAFT 23

B. Simplifique:

1 2 √ √ ³ ´4
1) 3 3 · 3 3 2) 5· 35 3)
1
78
2 3 √
4) (−5) 5 · 5 5 5) 2 3 −8 r r
2 3 3
p √ √ √ 6) 7
·
7)
3
4· 52 2 3 2
8) √6 p√
8 3
9) −64

C. Classifique de verdadeiro ou falso cada uma das seguintes proposições:

√ √ √ √
3
√ √ √ √ √
1) 7= 3+ 4 2) 35 = 3 5 · 3 7 8= 2+ 2
3)
p ¡√ ¢3 √ √ √ √
4) (−3)3 = −3 5) 22 = −2 6) 9 + 16 = 9+ 16
p√ p√ √ √ √ √
3
7) 16 = 2 8) 2= 52 9) 4 · 4 = 4 × 4
√ √ √ √
3

10) 9 + 9 = 9 × 9 11) a3 = a 12) a2 = a

0.5 Expressões Algébricas


Expressões do tipo x2 +3, 15y 3 −3y+10 e x+y são designadas expressões algé-
bricas. A unidade de construção das expressões algébricas denomina-se termo.
Por exemplo, a expressão algébrica x2 + 3 tem dois termos: x2 e 3; a expressão
15y 3 − 3y + 10 tem três termos: 15y 3 , −3y e 10.
Os termos podem ser formados por dois tipos de factores: os numéricos
ou coeficientes, e os literais ou parte literal. Por exemplo, no termo −3y, o
−3 é o coeficiente e o y a parte literal. Os termos que não têm parte literal
são designados termos constantes ou termos independentes. Por exemplo, na
expressão algébrica x2 + 3, o 3 é um termo constante.
As expressões algébricas com apenas um termo denominam-se monómios;
com dois termos, binómios; e com três termos, trinómios.
Exemplos

2x2 , 3xy são monómios

2x−2 + 2xy, 5 + 9x são binómios


5x
3x2 + − 1, 7 + x − y são trinómios
7
Em geral, as expressões algébricas com mais do que um termo designam-se
por multinómios. Se a expressão tiver apenas uma variável e os expoentes forem
24 DRAFT December 15, 2004 – 19 : 19

todos positivos ou nulos, designamos o multinómio de polinómio.

Adição e Subtracção

Dizemos que dois termos são semelhantes quando as suas partes literais são
iguais. Por exemplo, os termos xy e yx são semelhantes porque xy = yx, pela
Termos semelhantes.
propriedade comutativa da multiplicação (relembrar que xy significa “x vezes
y”). De um modo geral, dois termos semelhantes diferem quanto muito nos seus
coeficientes (parte numérica).

• Se adicionarmos duas maçãs a seis maçãs, ficamos com oito maçãs. Pode-
mos representar esta afirmação da seguinte maneira:

2maçãs + 6maçãs = 8maçãs

Só podemos somar ou


subtrair termos seme- Isto é simplesmente uma consequência da propriedade distributiva, pois
lhantes.

2maçãs + 6maçãs = (2 + 6)maçãs = 8maçãs

Se observarmos bem, estamos a aplicar a propriedade distributiva dos números


reais (secção 0.1), mas ao contrário.

• Se subtrairmos (retirarmos) duas maçãs a um conjunto de seis maçãs,


ficamos com quatro maçãs, ou seja,

6maçãs − 2maçãs = (6 − 2)maçãs = 4maçãs

• No entanto, se quisermos somar duas maçãs com quatro pêras, não o


podemos fazer porque são “objectos” diferentes.

2maçãs + 4peras = 2maçãs + 4peras

Observe que nas expressões anteriores, “maçãs” e “pêras” representam a


parte literal dos termos. Assim, chegamos à seguinte regra:

Para adicionar ou subtrair expressões algébricas, adi-


cionamos ou subtraı́mos os termos semelhantes.
December 15, 2004 – 19 : 19 DRAFT 25

Exemplos

3a − 5a = (3 − 5)a = −2a

4T R − 3T R = (4 − 3)T R = 1T R = T R

Na expressão a2 + 2a não podemos somar os termos porque as suas partes


literais são diferentes: a do primeiro termo é a2 e a do segundo a.
XV. Adicione as seguin-
tes expressões algébri-
cas:
Exemplo 0.1
a) x3 + 2x2 − 8x + 5 e
−x3 + 3x2 + 3x − 2
Adicione as expressões algébricas 4xy − 3x2 + y 2 + 1 e −2xy + 7x2 −
b) xy + 2x − 16y e 21y +
2y 2 + 8. 18x − 31yx

Resolução:

Os parêntesis não alte-


ram o resultado.
4xy − 3x2 + y 2 + 1 + (−2xy + 7x2 − 2y 2 + 8)
= 4xy − 3x2 + y 2 + 1 − 2xy + 7x2 − 2y 2 + 8
= 4xy − 2xy − 3x2 + 7x2 + y 2 − 2y 2 + 1 + 8
= (4 − 2)xy + (−3 + 7)x2 + (1 − 2)y 2 + 9
= 2xy + 4x2 − y 2 + 9 ♣

XVI. Para cada uma das


alı́neas do problema XV,
subtraia a segunda ex-
Exemplo 0.2
pressão à primeira.

Subtraia da expressão algébrica 4xy −3x2 +y 2 +1 a expressão −2xy +


7x2 − 2y 2 + 8.

Resolução:
O sinal negativo antes
dos parêntesis altera
o sinal de todos os
4xy − 3x2 + y 2 + 1 − (−2xy + 7x2 − 2y 2 + 8) =
termos dentro dos
= 4xy − 3x2 + y 2 + 1 + 2xy − 7x2 + 2y 2 − 8
parêntesis (propriedade
= 4xy + 2xy − 3x2 − 7x2 + y 2 + 2y 2 + 1 − 8 distributiva!).
2 2
= (4 + 2)xy + (−3 − 7)x + (1 + 2)y − 7
= 6xy − 10x2 + 3y 2 − 7 ♣
26 DRAFT December 15, 2004 – 19 : 19

Multiplicação de Expressões

• Na multiplicação de um monómio por um multinómio, aplicamos a pro-


priedade distributiva dos números reais, isto é, multiplicamos o monómio por
cada um dos termos do multinómio.
Exemplos
b · (a + c) = b · a + b · c
b) −30xy + 20x + 5y
a) 5x2 − 5x + 3
x · (x + 2) = x · x + x · 2 = x2 + 2x

x2 y · (x2 + 2x − 8y) = x4 y + 2x3 y − 8x2 y 2


Soluções de XV:
• Na multiplicação de dois multinómios vamos ter que aplicar a propriedade
distributiva mais do que uma vez.
Exemplo

Consideremos a multiplicação dos binómios a + b e c + d. Substituindo a


b) 32xy − 16x − 37y
primeira expressão por x, a multiplicação passa a ser x · (c + d) = x · c + x · d
a) 2x3 − x2 − 11x + 7
(multiplicação de um monómio por um binómio). Assim, substituindo o x pela
Soluções de XVI:
expressão original, temos:

(a + b) · (c + d) = (a + b) · c + (a + b) · d
= a·c+b·c+a·d+b·d

Portanto, para multiplicarmos dois multinómios, temos que multiplicar cada


termo do primeiro por todos os termos do segundo.

Exemplo 0.3

Multiplique as expressões algébricas x + 3y − 1 e 2x − y.


Resolução:

(x + 3y − 1) · (2x − y) = x · (2x − y) + 3y · (2x − y) − 1 · (2x − y)


= 2x · x − x · y + 3 · 2 · y · x − 3 · y · y − 2 · x − (−y)
= 2x2 − xy + 6xy − 3y 2 − 2x + y
= 2x2 + 5xy − 3y 2 − 2x + y ♣

Se quisermos, podemos evitar os passos intermédios, utilizando o seguinte


esquema de setas:
December 15, 2004 – 19 : 19 DRAFT 27

a.d
a.c Propriedade distributiva
da multiplicação.
(a + b) · (c + d) = ac + ad + bc + bd
b.c
b.d
No entanto, é preciso ter mais atenção com os sinais, pois é mais fácil
enganarmo-nos.

Exemplo 8x3

−4x5

(x2 − 3) · (−4x3 + 8x) = −4x5 + 8x3 + 12x3 − 24x


= −4x5 + 20x3 − 24x Atenção aos sinais.
12x3
−24x

Há certas multiplicações de binómios que aparecem com bastante frequência


e, portanto, podem ser tratadas como fórmulas: são os chamados casos notáveis. XVII. Efectue as seguin-
tes multiplicações:
1o Caso: o quadrado da soma
a) (3x + 4)(2x − 1)
(a + b) · (a + b) = a · a + a · b + b · a + b · b b) (a2 − 3a + 5)(5a − 2)
c) (8 + c)(3 − 2c)
Como a multiplicação é comutativa (a·b = b·a), e pela 1a lei dos expoentes,
d) (4r + 7s)(4r − 7s)
obtemos:

(a + b)2 = a2 + 2ab + b2

Ou seja, o quadrado da soma de dois termos é igual à soma do


quadrado do primeiro, mais duas vezes o primeiro pelo segundo,
mais o quadrado do segundo.

Exemplo 0.4

Desenvolva a expressão algébrica (x + 3)2 .

Resolução:

(x + 3)2 = x2 + 2 · x · 3 + 32 = x2 + 6x + 9 ♣
28 DRAFT December 15, 2004 – 19 : 19

Nota:(Muito importante)

Observe que (a + b)2 6= a2 + b2 . Considere o seguinte exemplo:

(2 + 3)2 = 52 6= 22 + 32 = 4 + 9 = 13

Se representarmos 5 ao quadrado por um quadrado de lado 5, con-


forme a figura seguinte,

d) 16r 2 − 49s2
5
c) 24 − 13c − 2c2 z}|{
b) 5a3 − 17a2 + 31a − 10 2
z}|{
a) 6x2 + 5x − 4

}
{{
Soluções de XVII:
2

|{z}
3

vemos que 5 ao quadrado é igual à soma de dois quadrados (um de lado


3 e outro de lado 2) mais dois rectângulos semelhantes que representam
2 × 3. Portanto,
52 6= 32 + 22 .
December 15, 2004 – 19 : 19 DRAFT 29

2o Caso: o quadrado da diferença

(a − b) · (a − b) = a · a − a · b − b · a + b · b

Pelos mesmos argumentos apresentados no 1o caso, temos

(a − b)2 = a2 − 2ab + b2

Ou seja, o quadrado da diferença de dois termos é igual à soma


do quadrado do primeiro, menos duas vezes o primeiro pelo se-
gundo, mais o quadrado do segundo.

Exemplo 0.5

Desenvolva a expressão algébrica (2x − 4)2 .

Resolução:

(2x − 4)2 = (2x)2 − 2 · 2x · 4 + 42 = 4x2 − 16x + 16

onde aplicámos também a 4a propriedade das leis dos expoentes. ♣

Nota:

Este caso é equivalente ao primeiro se tivermos em conta que:

(a − b)2 = (a + (−b))2 = a2 + 2 · a · (−b) + (−b)2


= a2 − 2ab + b2

Observe que, como no caso anterior, no quadrado da diferença aparece,


para além dos termos a2 e b2 , também o termo −2ab.

3o Caso: o produto da soma pela diferença

(a + b) · (a − b) = a · a − a · b + b · a − b · b

Pelas mesmas razões, temos

(a + b) · (a − b) = a2 − b2
30 DRAFT December 15, 2004 – 19 : 19

Ou seja, o produto da soma pela diferença de dois termos é igual


à soma do quadrado do primeiro menos o quadrado do segundo.

Exemplo 0.6

Efectue a multiplicação seguinte (x − 4) · (x + 4).

Resolução
(x − 4) · (x + 4) = x2 − 42 = x2 − 16 ♣

XVIII. Efectue as se-


guintes multiplicações: Nota:

a) (2x − 3)(2x + 3)
Observe que é indiferente a ordem das expressões, pois a multiplicação
b) (s − 8)(s − 8)
é comutativa, isto é,
c) (r + 5)(5 + r)
d) (−2x + 3y)(−2x − 3y) (x + 4) · (x − 4) = (x − 4) · (x + 4)

No entanto, é preciso ter atenção para saber qual é o termo que está a
somar e a subtrair o outro. No exemplo,

(−4 + x) · (4 + x)

é o número 4 que soma e subtrai o x. Logo,

(−4 + x) · (4 + x) = x2 − 16

Faça a multiplicação utilizando o esquema das setas para se convencer


que assim é.

Divisão de Expressões

Na secção 0.2, vimos que

a+b a b
= +
c c c

Esta propriedade é útil quando dividimos um multinómio por um monómio.


December 15, 2004 – 19 : 19 DRAFT 31

Por exemplo, na divisão do trinómio 3x3 + 4x2 − 8x pelo monómio x, temos:

3x3 + 4x2 − 8x 3x3 4x2 8x


= + −
x x x x

e utilizando a 2a propriedade das leis dos expoentes, temos,

3x3 + 4x2 − 8x
= 3x2 + 4x − 8
x

Não podemos esquecer que ao fazer esta divisão está implı́cito que x 6= 0,
caso contrário a fracção não teria sentido.

Exemplo 0.7

Dividir o polinómio 7x5 + 11x3 − 9x + 7 pelo monómio 7x2 .


Resolução:
XIX. Divida o multinó-
mio x2 y 3 + 3xy 2 − 15y + 24
7x5 + 11x3 − 9x + 7 7x5 11x3 −9x + 7 por cada um dos seguin-
= + + tes monómios:
7x2 7x 3 7x2 7x2
11 −9x + 7
= x3 + x + 2

7 7x a) 3
b) 6x
c) y
Numa divisão, o numerador é designado por dividendo e o denominador por
divisor.
d) 4x2 − 9y 2
Vamos agora considerar o caso da divisão de polinómios. (Este é o caso que
vai ser mais importante no nosso curso.) c) r 2 + 10r + 25
b) s2 − 16s + 64
Processo de Divisão
a) 4x2 − 9
1. Ordenar os polinómios de acordo com a maior potência, completando-os
com as potências que faltam ou deixando um espaço em branco. Soluções de XVIII:

2. Dividir o termo de maior grau do dividendo pelo termo de maior grau do


divisor, desde que o primeiro não seja inferior ao segundo.

3. Multiplicar o termo calculado no segundo passo por cada um dos termos


do divisor (propriedade distributiva).

4. Subtrair ao dividendo o resultado do terceiro passo.

5. Baixar um ou mais termos conforme necessário.

6. Repetir os passos 2 a 5 até que a maior potência do dividendo seja inferior


à maior do divisor.
32 DRAFT December 15, 2004 – 19 : 19

Exemplo 0.8

Divida o polinómio x3 − 3x2 + 2x + 1 por x − 1.

Resolução:
XX. Divida o polinómio
a4 − 3a2 + 4a − 2 por: x3 - 3x2 + 2x + 1 x - 1
- x3 + x2 x2 - 2x
a) a − 3
0 - 2x2 + 2x
b) a − 1
+ 2x2 - 2x
c) a2 + 2a − 1
0 + 0 + 1

x3
1. = x2
x
2. Multiplicar x2 pelos dois termos do divisor. O resultado é: x3 − x2 .

3. Subtrair este resultado ao dividendo. Observe que o termo de maior


potência do dividendo desaparece. Este é o objectivo!

4. Depois de subtrair, o termo de maior potência passou a ser −2x2 . Assim,


−2x2
o próximo termo do quociente é = −2x.
c) x2 y 2 + 3xy − 15 +
y x
24
6 2 2x x 5. Multiplicando este termo pelo divisor, obtemos: −2x2 + 2x.
b) + − +
xy 3 y2 5y 8

a)
3
+ xy 2 − 5y + 8
6. Subtraindo este resultado ao dividendo, obtemos um resto nulo. Isto sig-
nifica que acaba aqui o processo de divisão. ♣
x2 y 3

Soluções de XIX:

Exemplo 0.9

Divida o polinómio 2x3 + x + 5 por x2 + 3x + 1.

Resolução:

2x3 + 0x2 + x + 5 x2 + 3x + 1
3 2
- 2x - 6x - 2x 2x - 6
0 - 6x2 - x + 5
+ 6x2 + 18x + 6
0 + 17x + 11
December 15, 2004 – 19 : 19 DRAFT 33

Observe que completámos o polinómio do dividendo acrescentando o termo


0x2 . ♣
De um modo geral temos,

dividendo resto
= quociente +
divisor divisor

ou ainda,
a2 + 2a − 1
−14a + 4
c) a2 − 2a + 6 +
b) a3 + a2 − 2a + 2
a−3
dividendo = quociente × divisor + resto 64
a) a3 + 3a2 + 6a + 22 +

Soluções de XX:

Assim, para os dois exemplos anteriores, podemos escrever:


• para a primeira divisão:

x3 − 3x2 + 2x + 1
= x2 − 2x
x−1

ou
x3 − 3x2 + 2x + 1 = (x2 − 2x).(x − 1)

• para a segunda divisão:

2x3 + x + 5 17x + 11
= 2x − 6 + 2
x2 + 3x + 1 x + 3x + 1

ou
2x3 + x + 5 = (2x − 6).(x2 + 3x + 1) + 17x + 11
34 DRAFT December 15, 2004 – 19 : 19

Exercı́cios 0.5

A. Simplifique as seguintes expressões:

1) (12a) + (−2a) + (−a) 2) (a3 ) − (3a3 ) + (−7a3 )

3) (12a) + (−3a) − (10) 4) (−10x2 ) + (−3x) − (−5x2 )

5) (5r2 s − (−2r2 s) + (rs2 ) 6) (x2 − x + 1) + (7x − 4x2 + 9)

7) (8x2 − 2x + 1) − (−5x − 4 + 9x2 ) 8) x · (x + 3) − (x − 1) · (2x + 5)

9) (x2 − x + 1) · (2x + 7) 10) (ab − b) · (a + b2 ) − b · (a + b − 2)

11) (x + 8) · (x − 8) + 2x · (6 − x) 12) (−2 + 5a) · (−2 + 5a) + a3

13) (ab + 2)2 − 4ab + a2 b 14) (a+b+c)2 +2a2 −b2 −2c2 +6abc

B. Efectue as seguintes divisões:

1) (5a + 15a2 ) ÷ 5 2) (4x + x2 ) ÷ x

3) (3x5 + 21x3 + 12x − 15) ÷ 3x 4) (b5 + 2b4 − b3 ) ÷ b3

5) (x3 + 5x2 + 7x + 2) ÷ (x + 2) 6) (y 3 − 4y) ÷ (y + 2)

7) (7s2 − 63) ÷ (s + 3) 8) (8x2 + 5x − 4) ÷ (x2 − 7)

9) (2b3 + 3b2 − b − 2) ÷ (b − 4) 10) (x5 + x − 1) ÷ (x2 − 1)

0.6 Factorização e Fracções Algébricas

0.6.1 Factores
Um produto é o resultado da multiplicação de dois ou mais números ou
expressões. Por exemplo, se c = a · b, então dizemos que c é o produto de a por
b.

Definição:

Aos números ou expressões (diferentes de 1) que compõem um produto


designamos factores.
December 15, 2004 – 19 : 19 DRAFT 35

Exemplos

6 = 3.2

Dizemos que 2 e 3 são factores de 6.

12 = 2.6 ou 12 = 3.4

Dizemos que os números 2, 3, 4 e 6 são factores de 12.


XXI. Indique os factores
Do mesmo modo, x e (2x + 3) são factores da expressão 2x2 + 3x porque das seguintes expressões:
2x2 + 3x = x · (2x + 3).
a) 36
b) xy
O processo de “divisão” de uma expressão nos seus diversos factores designa-
c) 11z
-se factorização da expressão.
Para factorizar uma expressão, primeiro é necessário factorizar todos os seus
termos. Depois, identificamos os factores comuns a todos os termos e pomo-los
em evidência, extraindo-os de todos os termos.
Os exemplos seguintes ilustram este processo.

Exemplo 0.10

Factorize 2x2 + 3x.

Resolução:

Primeiro factorizamos os termos 2x2 e 3x.


Os factores com um
2x2 = 2.x. x cı́rculo à volta são os fac-
3x = 3. x tores comuns.

XXII. Factorize as se-


Em comum só existe um factor: o x. Se pusermos o x em evidência, ao guintes expressões:

primeiro termo sobram os factores 2 e x e ao segundo apenas o 3. (São os


a) 2ay − 2by
factores não envolvidos por um cı́rculo.) Assim, obtemos,
b) 9x2 − 9x
2 x y
2x + 3x = x.(2x + 3) ♣ c) −
2 2
d) 2a2 bc−4ab2 c+16abc2
36 DRAFT December 15, 2004 – 19 : 19

Exemplo 0.11

Factorize 6x3 y − 12x2 y 2 + 15x2 y 3 .

Resolução:

Primeiro factorizamos os três termos:

6x3 y = 2. 3 . x . x .x. y

12x2 y 2 = 2.2. 3 . x . x . y .y

c) 11 e z 15x2 y 3 = 3 .5. x . x . y .y.y


b) x e y
a) 2, 3, 4, 6, 9, 12 e 18
Vemos que em comum existem os factores 3, x, x e y. Assim, pondo-os em
Soluções de XXI: evidência, sobram os seguintes factores:

- ao primeiro termo: 2.x

- ao segundo termo: 2.2.y

- ao terceiro termo: 5.y.y

Assim, obtemos a seguinte factorização:

6x3 y − 12x2 y 2 + 15x2 y 3 = 3.x.x.y.(2.x − 2.2.y + 5.y.y)


= 3x2 y(2x − 4y + 5y 2 ) ♣

Consideremos agora o seguinte polinómio: x2 + 4x − 5. É fácil verificar que


não existe um único factor comum aos três termos em simultâneo. Poderı́amos
pensar, à priori, que é impossı́vel factorizar este polinómio. No entanto, este
d) 2abc(a − 2b + 8c) polinómio pode ser factorizado. Com efeito, podemos verificar que x2 +4x−5 =
2
c) (x − y) (x + 5)(x − 1).
1
b) 9x(x − 1) Os polinómio do tipo ax2 + bx + c, e outros de que não falaremos aqui, às
a) 2y(a − b)
vezes podem ser factorizados mesmo sem terem factores comuns. Por serem
frequentes no nosso curso, vamos aqui estudar apenas este caso particular.
Soluções de XXII:
Se o polinómio ax2 + bx + c for factorizável (nem todos o são!), então a
factorização será:
ax2 + bx + c = a(x − x1 )(x − x2 )

onde,
December 15, 2004 – 19 : 19 DRAFT 37


−b − b2 − 4ac
x1 =
2a
e √
−b + b2 − 4ac Fórmula resolvente.
x2 = .
2a
Estas duas fórmulas em conjunto denominam-se Fórmula Resolvente.

Exemplo 0.12

Factorize x2 + 4x − 5.

Resolução:

Por comparação com a expressão ax2 + bx + c, vemos que a = 1, b = 4 e


c = −5. Assim, temos:
p √
−4 − 42 − 4.1.(−5) −4 − 16 + 20
x1 = =
√ 2.1 2
−4 − 36 −4 − 6 −10
= = = = −5
2 2 2

e,
p √
−4 + 42 − 4.1.(−5) −4 + 16 + 20
x2 = =
√ 2.1 2
−4 + 36 −4 + 6 2
= = = =1
2 2 2

ou seja, a factorização será,

x2 + 4x − 5 = 1.(x − 1)(x − (−5))


= (x − 1)(x + 5) ♣
XXIII. Factorize os se-
guintes polinómios:

Nota:
a) x2 + 4x + 3
b) 4x2 − 16x + 16
Observe que, se o radicando na fórmula resolvente for negativo, isto c) x2 − 25
2
é, se b − 4ac < 0, então não podemos determinar a raiz quadrada e, d) 3x2 − 2x + 5
consequentemente, não existirá factorização.
38 DRAFT December 15, 2004 – 19 : 19

0.6.2 Fracções Algébricas


Uma fracção algébrica é uma razão de duas expressões algébricas. Por exem-
plo,
2x − 3 x2 − 8x + 9
e
x+1 x2 − 1

Para simplificarmos uma fracção temos que:

ˆ primeiro factorizar o numerador e o denominador;

ˆ em seguida recorrer à propriedade do cancelamento das fracções. (secção


0.2)

Exemplo 0.13

2x2 y + 8x4 y 2
Simplifique .
2xy
Resolução:

A factorização do numerador é,

2x2 y + 8x4 y 2 = 2x2 y(1 + 4x2 y)

e o denominador já se encontra factorizado. Assim, temos:

6 2.x62 . 6 y.(1 + 4x2 y)


= x(1 + 4x2 y)
6 2. 6 x 6 y

onde utilizámos a propriedade do cancelamento. ♣


d) Não é factorizável.
c) (x − 5)(x + 5)
b) 4(x − 2)2
Exemplo 0.14
a) (x + 3)(x + 1) x2 + 4x − 5
Simplifique .
x+5
Soluções de XXIII:
Resolução:

Já vimos que a factorização de x2 + 4x − 5 = (x + 5)(x − 1). Novamente


o denominador já está factorizado. (Não existem factores comuns!) Assim,
obtemos:
(x + 5)(x − 1)
=x−1 ♣
(x + 5)
December 15, 2004 – 19 : 19 DRAFT 39

Nota:

Vamos ver no capı́tulo seguinte que as letras representam números


reais desconhecidos à priori. Assim, no exemplo anterior,

2x2 y + 8x4 y 2
= x(1 + 4x2 y)
2xy

a simplificação só é válida para valores de x 6= 0 e y 6= 0. (x = 0 e y = 0


anulam o denominador!) Observe o caso em que y = 0. Substituindo
vemos que o lado direito da igualdade fica igual a x, enquanto que o lado
0
esquerdo fica igual a , que não faz sentido conforme já vimos. Portanto,
0
deixarı́amos de ter uma igualdade, o que seria falso.
Para o segundo exemplo, a igualdade só é válida se x 6= −5. (x = −5
anula o denominador!)

XXIV. Simplifique:
Para adicionar, subtrair, multiplicar ou dividir fracções algébricas recor-
remos às propriedades das fracções (secção 0.2) e simplificamos sempre que
x2 − 3x
a)
possı́vel. 21 − 7x
a2 − 9
Os exemplos seguintes ilustram estas operações. b)
7a + 21
9 − 3b
c) 2
b − 5b + 6

Exemplo 0.15

2x + 3 x − 1
Simplifique + .
x+1 x+1

Resolução:

Como os denominadores são iguais, podemos somar os numeradores e man-


temos o denominador,

2x + 3 x − 1 (2x + 3) + (x − 1)
+ =
x+1 x+1 x+1
2x + 3 + x − 1
=
x+1
3x + 2
= ♣
x+1
40 DRAFT December 15, 2004 – 19 : 19

Exemplo 0.16

3x + 3 x − 1
Simplifique − .
x+2 x+2
b−2
c) −
3
7 Resolução:
a−3
b)
7
a) −
x
Novamente os denominadores são iguais; subtraı́mos os numeradores e man-
Soluções de XXIV: temos o denominador,

3x + 3 x − 1 (3x + 3) − (x − 1)
− =
x+2 x+2 x+2
3x + 3 − x + 1
=
x+2
2x + 4
=
x+2
2(x + 2)
=
x+2
= 2

ou seja, para todos os valores de x, à excepção do −2, a expressão inicial vale


sempre o mesmo: 2! (Convença-se disto substituindo na expressão inicial o x
por valores à escolha!) ♣

Exemplo 0.17

2x x2 − 2x + 5
Simplifique − .
x−1 x2 − 1

Resolução:

XXV. Simplifique:
Temos agora um caso em que os denominadores não são iguais. Para efectuar
7 d2 esta operação temos de transformar estas fracções de modo a terem o mesmo
a) 2 + 2
d +7 d +7 denominador. O primeiro denominador já está factorizado; o segundo pode ser
7a2 − 2a + 1 a−2
b) − factorizado. Com efeito,
a(b + c) b+c
x2 − 36
c)
x+1
÷ (x − 6) x2 − 1 = (x + 1)(x − 1),

ou seja, os denominadores têm um factor em comum: (x − 1). Portanto, o


m.m.c(x − 1, x2 − 1) = (x + 1)(x − 1) = x2 − 1. Assim, depois de multiplicarmos
December 15, 2004 – 19 : 19 DRAFT 41

o numerador e o denominador do primeiro termo por (x + 1), obtemos,

2x(x + 1) x2 − 2x + 5 2x2 + 2x − (x2 − 2x + 5)


− =
(x + 1)(x − 1) (x + 1)(x − 1) (x + 1)(x − 1)
2x + 2x − x2 + 2x − 5
2
=
(x + 1)(x − 1)
2
x + 4x − 5
=
(x + 1)(x − 1).

Já vimos que o numerador é factorizável. Assim,

x2 + 4x − 5 (x + 5)(x − 1)
=
(x + 1)(x − 1) (x + 1)(x − 1)
x+5
= ♣
x+1

x+1
c)
x+6
Exemplo 0.18
a(b + c)
b)
6a2 + 1
(x + 6)(x − 9) x − 1 a) 1
Simplifique ÷ .
x+1 x+1
Resolução: Soluções de XXV:

Para dividirmos duas fracções, invertemos a segunda e multiplicamos pela


primeira. Assim,

(x + 6)(x − 9) x − 1 (x + 6)(x − 9) x + 1
÷ = .
x+1 x+1 x+1 x−1
(x + 6)(x − 9)(x + 1)
=
(x + 1)(x − 1)
(x + 6)(x − 9)
= ♣
x−1

Exercı́cios 0.6

A. Factorize as seguintes expressões:

1) 3a − 21b 2) −5c − 15d 3) xy + 2xz

4) y 5 + y 4 5) x3 y 3 − 3x2 y 3 + 8x3 y 2 6) 36ab2 − 12a2 b + 18abc


42 DRAFT December 15, 2004 – 19 : 19

B. Factorize os seguintes polinómios:

1) x2 + 7x + 10 2) y 2 − 12y + 27 3) a2 − 14a + 33

4) 2x2 − 4x + 2 5) x2 + 2x − 8 6) 3x2 − 3x − 6

7) 48 − 14x + x2 8) y 2 + 7y − 18 9) 4x2 − 3x

10) 9 − x + 2x2 11) x2 − 49 12) 4x2 − 16

C. Simplifique:

5x x − 4 x + 5 1 − x 7x + 4
1) − 2) − −
8 8 3x 3x 3x
10x 9x + 3 2b 2a
3) − 4) −
2x − 6 2x − 6 a−b a−b
3x 5x 3 5
5) + 6) −
x−2 x+2 2y + 4 3y + 6
2a − 3 7 c2 + 5c
7) 2
− 8)
a − 25 5a − 25 c2 + 12c + 35
b2 + 6b − 7 2x2 − 2
9) 10)
b2 − 49 x2 − 4x − 5
y 2 + 8y + 12 a+b 15
11) 12) ·
y 2 − 3y − 10 5 11a + 11b
5ax + 10a 200 − 2a2 3x 5x
13) · 14) ÷
ab − 10b ax + 2a x+2 x+2
2(y + 3) 8(3 + y) x2 − 1 x2 y − y
15) ÷ 16) ÷
7 63 3x + 9 xy + 3y
Capı́tulo 1

Equações

A matéria apresentada neste capı́tulo é uma revisão de alguns conceitos


fundamentais, familiares aos alunos e muito importantes para a compreensão
do resto do curso.

1.1 Equações do 1o e do 2o grau com uma incóg-


nita
Comecemos por apresentar uma definição do que entendemos por uma equa-
ção.

Definição:
Uma equação é uma igualdade entre duas expressões algébricas.

Uma equação envolve uma ou mais letras a que chamamos incógnitas ou


variáveis. Como exemplos de equações temos:

2x + 4 = 1−x
r+3 = −5 + 11r2
y = x2 + x − 2
primeiro membro

A primeira e a segunda equações envolvem apenas uma variável, enquanto z }| {


2x + 4 = 1 − x
que a terceira envolve duas. | {z }
Numa equação, à expressão à esquerda da igualdade chamamos primeiro
membro e à que fica à direita chamamos segundo membro.
segundo membro
43
44 DRAFT December 15, 2004 – 19 : 19

O que se pretende quando temos uma equação é encontrar valores para as


variáveis de modo a que, quando substituı́das por estes valores, obtenhamos uma
identidade, ou seja, que a equação se transforme numa proposição verdadeira.

Definição:
A solução de uma equação é o conjunto de valores ou números que, quando
substituı́dos pelas incógnitas, transforma a equação numa identidade.

Por exemplo, para a equação 2x + 4 = 1 − x, o valor x = −1 é uma solução


desta equação. Com efeito, substituindo o valor de x por −1 obtemos,

2.(−1) + 4 = 1 − (−1)
−2 + 4 = 1+1
2 = 2

e o resultado final é uma identidade.


É fácil verificar que x = 1 não é solução da referida equação. Substituindo
na equação o valor de x por 1 obtemos,
Para evitar erros com os
sinais, sempre que subs-
tituirmos uma incógnita
por um valor, farêmo-lo 2.(1) + 4 = 1 − (1)
entre parênteses
2+4 = 1−1
6 = 0
! Importante! e o resultado final é uma relação numérica falsa ou contradição.
Para sabermos se um
Dizemos que as soluções satisfazem a equação. Uma equação pode ter uma
valor é ou não solução
solução, várias soluções, nenhuma solução ou ser sempre verdadeira para qual-
de uma equação, basta
quer valor da incógnita. Neste último caso, dizemos que a equação é uma
substituı́-lo na respec-
identidade.
tiva equação. Se o resul-
Por exemplo, a equação x2 + x − 2 = 0 tem duas soluções: −2 e 1, isto é,
tado for uma identidade
dadas por x = −2 e x = 1, como facilmente podemos comprovar. Por outro
então é solução. Caso
lado, a equação x2 + 1 = 0 não tem solução. Sem fazer contas, consegues ver
contrário não é solução.
porquê?„
„
não pode nunca ser zero!
tivo a sua soma com 1
Como nem todos os valores para as incógnitas satisfazem uma dada equação,
Como x2 é sempre posi-
podemos fazer um “jogo” de modo a determinar as suas soluções. Este jogo
consiste em duas etapas que chamaremos “análise” e “verificação”. A análise
December 15, 2004 – 19 : 19 DRAFT 45

vai depender da equação que estamos a resolver que, no nosso estudo, será do
1o ou 2o grau. A verificação será semelhante para todas as equações.
Para encontrar as soluções de uma equação, manipulamo-la conforme a
equação que temos em mãos. No entanto, as operações possı́veis são essencial-
mente as mesmas para todas as equações. As operações que podemos efectuar
são as seguintes:

1. Princı́pio da Adição - Podemos adicionar ou subtrair uma constante


ou uma expressão algébrica a ambos os membros de uma equação.

Por exemplo, dada a equação

2x + 4 = 0

podemos subtrair 4 a ambos os membros da equação, obtendo

2x + 4 − 4 = 0−4
2x = −4

depois das simplificações.


! Importante!
Comparando a equação inicial com a que obtivemos depois da subtracção
1. Podemos passar um
do 4, concluı́mos que podemos “passar” um termo(neste caso o 4) de mem-
termo de um membro
bro, mudando-lhe apenas o sinal. Observe que, se tivéssemos subtraı́do a
para o outro, trocando-
ambos os membros 2x, obterı́amos a equação final 4 = −2x(Confirme!).
-lhe apenas o sinal!

2. Princı́pio da Multiplicação - Podemos multiplicar ou dividir ambos


2. Podemos passar um
os membros de uma equação por um número não nulo.
factor de um membro
para o outro: se está
Por exemplo, dada a equação anterior 2x = −4, podemos dividir ambos
a multiplicar passa a di-
os membros por 2, obtendo
vidir e vice-versa. Mas
2x −4 atenção, não trocamos o
=
2 2 sinal!
x = −2

Comparando a equação inicial 2x = −4 com a que obtivemos depois da


divisão, concluı́mos que podemos passar um número que esteja a multi-
plicar num membro, para o outro membro, mas agora a dividir.
x
Consideremos ainda outro exemplo. À equação = −4 podemos multi-
2
46 DRAFT December 15, 2004 – 19 : 19


plicar a equação por dois, obtendo

x
2. = 2.(−4)
2
x = 2.(−4)
x = −8
! Importante! Comparando a equação inicial com a final, concluı́mos que podemos passar
Não podemos “passar”
um número que esteja a dividir num membro, para o outro membro a
um factor de um termo
que não esteja “sozinho”
multiplicar.
num membro. Por e-
xemplo, não podemos Uma classe importante de equações é a das chamadas equações polinomiais.
fazer a seguinte opera- Numa equação polinomial, aparece em cada membro uma expressão polino-
ção:
mial (ver secção 0.5). O grau da equação polinomial é determinado pela maior
2x + 4 = 0 potência da variável do polinómio. Por exemplo, a equação
0
x+4 6=
2
2x2 + 8x = 11
O 2 não pode “passar”
porque o primeiro mem-
é uma equação do 2o grau porque o maior expoente da variável x que aparece
bro tem o termo 4 para
na equação é o 2. A equação
além do termo 2x!

3x + 9x2 = 1 + 10x4

é uma equação do quarto grau.


A equação

2x − 5 = 0

é uma equação do 1o grau. Às equações do 1o grau chamamos também equações


lineares.
Vamos agora analisar o procedimento para determinar as soluções das equa-
ções do 1o e do 2o grau.

Equações do 1o grau

Na análise para determinar a solução de uma equação do 1o grau com uma


variável, o método utilizado vai ser o de transformar a equação (através das ope-
rações permitidas indicadas anteriormente) de modo a termos a parte literal num
dos membros da equação e a parte numérica no outro. Geralmente deixamos
∗ A partir de agora, sempre que dissermos que multiplicamos uma equação, estaremos a

referir-nos a ambos os membros.


December 15, 2004 – 19 : 19 DRAFT 47

“ficar” no primeiro membro os termos que têm incógnita e “passamos” para o


segundo membro os termos independentes.
Toda a equação do 1o grau com uma variável tem sempre uma, e só uma,
solução.
Depois de encontrada a solução, a verificação consiste em substituir a incó-
gnita pelo valor encontrado, e confirmar se obtemos numa identidade.

Exemplo 1.1

Determine a solução da equação 4x − 16 = 20.

I. Determine a solução
Resolução: das seguintes equações
lineares:

Observe que se trata de uma equação do 1o grau. Para determinar a solução a) x + 3 = 2 − x


desta equação vamos “passar” o 16 para o segundo membro, tendo em atenção b) 5x − 32 = x − 13
que ao mudar de membro muda também de sinal, c) 7 − 3x = 6x − 12
x x 3
d) + =
4x − 16 = 20 2 3 2
e) 6x − 9 = x + 2(x − 3)
4x = 20 + 16
4x = 36

Utilizando a 2a propriedade (da multiplicação), podemos “passar” o 4 para o


segundo membro (sem mudar de sinal!!) a dividir,

4 x = 36
36
x =
4
x = 9.

A solução encontrada foi 9. Para verificar se a solução está correcta, basta


substituir a incógnita x por 9 e temos,

4.(9) − 16 = 20
36 − 16 = 20
20 = 20.

Como obtivemos uma relação verdadeira (ou identidade, como quiserem dizer),
48 DRAFT December 15, 2004 – 19 : 19

concluı́mos que a equação está bem resolvida. ♣

Equações do 2o grau
e) x = 1
5
d) x =
9
9 Na análise para resolver uma equação do 2o grau, não podemos proceder da
c) x =
19
mesma maneira que fizemos para as equações do 1o grau. Agora o procedimento
4
b) x =
19 será “passar” todos os termos para um dos membros (geralmente o primeiro),
a) x = −
2 deixando o outro com o número zero.
1
Ao proceder desta maneira chegaremos, de um modo geral, à equação:
Soluções de I:
ax2 + bx + c = 0 (1.1)

onde a, b e c são números reais. Observe que a 6= 0, caso contrário deixarı́amos


de ter uma equação do 2o grau e passarı́amos a ter uma equação do 1o grau. Se
os três coeficientes forem diferentes de zero, dizemos que a equação é completa.
Vamos dividir este estudo em três casos:

i) Caso em que os coeficientes b e c são diferentes de zero.

Neste caso não temos outra solução senão a de aplicar a fórmula resol-
vente. Recordemos a fórmula resolvente a aplicar à equação ax2 + bx + c =
0:

Fórmula Resolvente −b ± b2 − 4ac
x =
2a

Vejamos um exemplo.

Exemplo 1.2

Determine a solução da equação x2 − 4x + 4 = 0.

Resolução:

Como se trata de uma equação do 2o grau completa, temos que aplicar


a fórmula resolvente. Comparando esta equação com a equação (1.1),
verificamos que a = 1, b = −4 e c = 4. Aplicando estes valores na fórmula
December 15, 2004 – 19 : 19 DRAFT 49

resolvente, obtemos:
p
−(−4) ± (−4)2 − 4.1.4
x =
√ 2.1
4 ± 16 − 16
x =
√2
4± 0
x =
2
4±0
x =
2
4
x = =2
2

Portanto, encontrámos apenas uma única solução, dada por x = 2. Para


fazermos a verificação, basta substituir a incógnita x pelo número 2. As-
sim, temos,

(2)2 − 4.(2) + 4 = 0
4−8+4 = 0
8−8 = 0
0 = 0

e concluı́mos que a solução está correcta. ♣

ii) Caso em que c = 0

Se na equação do 2o grau tivermos c = 0, podemos aplicar na mesma a


fórmula resolvente. No entanto existe um processo mais fácil. Neste caso, Lei do Anulamento
podemos factorizar a equação e utilizar a lei do anulamento do produto. do Produto

Consideremos o seguinte exemplo.


Um produto de dois
números é nulo se, e só
se, pelos menos um dos
Exemplo 1.3 seus factores for igual a
zero. Isto é,

a.b = 0
2
Determine a solução da equação x − 8x = 0. se e só se
a=0 ou b=0

Resolução:

Observe que neste exemplo c = 0.


50 DRAFT December 15, 2004 – 19 : 19

Factorizando a expressão do primeiro membro, x2 − 8x, obtemos:

x(x − 8) = 0

Para que o produto de dois factores (neste caso, x e x − 8) seja igual


a zero, basta que pelo menos um deles seja igual a zero. Assim, obtemos,

x=0 ou x−8=0

Observem que passámos de uma equação do 2o grau para duas equações


do 1o grau. Resolvendo estas duas equações, obtemos as soluções para a
equação do 2o grau dadas por,

x=0 e x=8

Observe que, se c = 0,
então uma das soluções é Se tivéssemos aplicado a fórmula resolvente, obterı́amos os mesmos va-
sempre x = 0. lores. Com efeito, neste exemplo temos a = 1, b = −8 e c = 0. Aplicando
estes valores na fórmula resolvente, vem:
p
−(−8) ± (−8)2 − 4.1.0
x =
√ 2.1
8 ± 64 − 0
x =
2
8±8
x =
2

ou seja,

8−8 8+8
x= e x=
2 2

0 16
x= e x=
2 2

x=0 e x = 8.

Para fazermos a verificação dos resultados obtidos, basta substituir a


variável x por 0 e por 8. Deixamos a verificação por conta do aluno.♣
December 15, 2004 – 19 : 19 DRAFT 51

iii) Caso em que b = 0


Se na equação do 2o grau b = 0 podemos também aplicar a fórmula re-
solvente. No entanto, também neste caso é mais fácil proceder da seguinte
maneira: deixamos no primeiro membro o termo em x2 e passamos para
o segundo membro o termo independente. Dividindo ambos os membros
por a (o coeficiente do termo em x2 ), ficamos com uma equação do tipo

x2 = constante. (1.2)

cuja solução é (ver secção 1.4)



x = ± constante.

(O sinal de ± aparece porque o expoente da variável x na equação (1.2) é


par. Se fosse ı́mpar não apareceria.)
Vejamos um exemplo.

Exemplo 1.4

Determine a solução da equação x2 + 1 = 0.

Resolução:

Observe que neste exemplo b = 0, porque não temos o termo em x.


Para resolvermos esta equação, vamos deixar no primeiro membro o x2 e
passar para o segundo membro o termo independente, tendo em conta que
este deve mudar de sinal.

x2 + 1 = 0
x2 = −1.

Assim, a solução vem imediatamente,



x = ± −1.

Como não existem raı́zes quadradas de números negativos (ver secção


52 DRAFT December 15, 2004 – 19 : 19

0.4), concluı́mos que a equação x2 + 1 = 0 não tem solução.


A verificação possı́vel para este caso é voltar atrás e conferir se não nos
enganámos a efectuar os cálculos ♣
II. Determine a solução
das seguintes equações
do 2o grau:
Numa equação do 2o grau só podemos ter uma das seguintes situações: ou
a) x2 − 3x = 2 − x2 a equação tem uma solução, ou tem duas soluções ou não tem solução. Os três
b) x2 − 26 = x − 14 exemplos anteriores ilustram cada um destes casos.
c) 16 − 3x2 = x2
Uma boa maneira de exercitar a matemática é através dos chamados pro-
d) 6x2 + 12x = −6x
x2 x
blemas na linguagem corrente ou simplesmente problemas. Os problemas são
e) + =0
4 3 questões onde nos são dadas quantidades, conhecidas como dados, com as quais
temos que “formar” equações e resolvê-las.
Assim, para a resolução dos problemas convém seguir as seguintes indicações
gerais: primeiro, identificar as incógnitas; segundo, traduzir o problema em uma
equação; terceiro, resolver a equação; e quarto, verificar se o resultado obtido
faz sentido.
Dos quatro passos anteriores sem dúvida nenhuma o mais difı́cil é o segundo.
Vamos então dar algumas dicas que ajudarão à elaboração da equação:

ˆ O dobro de um número x é 2x;

ˆ O triplo de um número x é 3x;


1 y
ˆ A metade de um número y é y ou ;
2 2
1 n
ˆ Um terço de um número n é n ou ;
3 3
2 2r
ˆ Dois quintos de um número r é r ou ;
5 5
a+5
ˆ A média (aritmética) ou semi-soma de um número a e 5 é ;
2
x−7
ˆ A semi-diferença de um número x e 7 é ;
2
ˆ O triplo da soma de y e 4 é 3(y + 4);

ˆ A soma do triplo de z e 9 é 3z + 9;

ˆ A soma de dois número x e y é x + y;

ˆ A diferença de dois número x e y é x − y;

ˆ Se quisermos dividir o número 100 em duas partes, se uma delas for p a


outra será 100 − p.
December 15, 2004 – 19 : 19 DRAFT 53

ˆ O quadrado de um número x é x2 ;

ˆ O quadrado da soma de y e 5 é (y + 5)2 = y 2 + 10x + 25;


3
ou x = 0 e) x = −
ˆ O quadrado da diferença entre z e 1 é (z − 1)2 = z 2 − 2z + 1; 4
d) x = −3 ou x = 0

ˆ O número anterior ao número inteiro x é x − 1; c) x = −2 ou x = 2


b) x = −3 ou x = 4
ˆ O número a seguir ao número inteiro y é y + 1. 2
a) x = − ou x = 2
1

Soluções de II:

Consideremos o seguinte problema.

Exemplo 1.5

Encontre um número tal que, adicionando a sua metade à sua terça


parte, seja igual à semi-soma de 4 com este número, mais três quintos
do mesmo.

Resolução:

O primeiro passo é verificar que o problema pretende que determinemos


apenas um número. Chamemos este número de x. Temos os seguintes termos:

x
ˆ A metade de x é ;
2
x
ˆ A terça parte de x é ;
3
x x
– A soma da metade de x com a sua terça parte é então + ;
2 3

x+4
ˆ A semi-soma de 4 com x é ;
2
3x
ˆ Três quintos de x é ;
5

x+4
– A soma da semi-soma de 4 e x com três quintos de x é igual a +
2
3x
;
5
54 DRAFT December 15, 2004 – 19 : 19

Assim, chegamos à seguinte equação do 1o grau:

x x x + 4 3x
+ = + (1.3)
2 3 2 5
(1.4)

e que passamos a resolver. Como o m.m.c(2, 3, 5) = 30, temos,

15x 10x 15(x + 4) 18x


+ = +
30 30 30 30
15x + 10x 15(x + 4) + 18x
=
30 30

Eliminando os denominadores de ambos os membros,

25x = 15x + 60 + 18x


25x − 15x − 18x = 60
−8x = 60
60
x =
−8
15
x = −
2

15
Portanto, o número pretendido é x = − . Podemos verificar que o re-
2
sultado está correcto substituindo-o na equação (1.3). No entanto, note que,
se a equação (1.3) que “construı́mos” estiver “errada”, então, mesmo que a
verificação esteja correcta, a solução encontrada não estará correcta! ♣

Exercı́cios 1.1

1. Resolva as seguintes equações do 1o grau.

2x 1 2
a) 2x − 4 = −18 b) − 3(x + ) =
15 25 9

x 2 2 − 3(x + 5) 1 + x 2
c) −5= d) + = 5(x + 1) −
3 3 2 3 3

e) 3x − 6 = 7x + 11 f) 3x + 1 = 2 − (x − 4) + 3x

g) 2(x − 3) = 3(x + 4) h) x + 3(4 − x) = 2 − 3(x − 4) + x


December 15, 2004 – 19 : 19 DRAFT 55

i) −5x + 2 = 16 − 3x t−3 4 − 3t
j) =
2 4
2(x − 1) 1
k) = 3(x + 2) − x−4 9
3 18 l) 5x − =2+
2 2

2. Resolva as seguintes equações do 2o grau.

a) x2 − x − 1 = 0 b) z 2 + 10 = z

c) x2 = −4x − 1 d) 2x2 + 2x − 13 = 2x − 3 + x2

e) x2 + 6x = −10x2 − 6x − 1 f) (x − 3)(x + 7) = 0

g) x2 − 25 = 0 h) y 2 − 2y = 5

i) t2 − 2t = 8 j) 4t2 = 1 − 3t

k) 5y 2 − 11y + 3 = 3 l) x(x − 2) = 3

3. A metade de um número é igual à semi-soma do dobro deste número com 2.


Determine este número.

4. A semi-diferença de um número e 5 é igual ao próprio número. Qual é este


número?

5. Dois terços de um número inteiro é igual à soma do dobro do número anterior


a ele e seis. Qual é este número?

6. Um quinto de uma parte do dia é igual a um terço do restante do dia. A que


parte nos referimos? (Dê o resultado em horas.)

7. A soma de três números inteiros consecutivos é igual a 36. Quais são estes
números?

8. O quadrado de um número inteiro é igual à semi-soma entre este número e


o 1. Qual é este número?

9. O quadrado de um número inteiro é igual à soma do quadrado do número


anterior com 9. Qual é este número?

10. A soma de um número e um quarto da sua metade é igual à diferença de


um terço deste número e 5. Qual é o número?
56 DRAFT December 15, 2004 – 19 : 19

1.2 Plano Cartesiano

Ao longo destas notas, o modelo visual será utilizado sempre que possı́vel.
O modelo visual utilizado será essencialmente a representação gráfica. Para
preparar a representação gráfica é que introduzimos o Plano Cartesiano.

Um gráfico pode ser visto como um “desenho” de uma equação. Na matemá-


tica também vale a máxima “um desenho vale mais do que mil palavras”. Uma
maneira eficiente de representar um gráfico foi desenvolvido independentemente
por dois matemáticos do século XVII: René Descartes e Pierre de Fermat. Dado
que o trabalho de René Descartes foi publicado (Fermat não publicou o seu
trabalho), o sistema gráfico foi baptizado de Sistema Coordenado Cartesiano.

Comecemos com duas rectas no mesmo plano: uma horizontal e outra vertical
(conforme a figura abaixo). A recta horizontal chamamos eixo dos x’s ou eixo
das abcissas e a recta vertical chamamos eixo dos y’s ou eixo das ordenadas.
Aos dois eixos em conjunto chamamos eixos coordenados.

Eixo das Ordenadas


III. Indique as coordena-
das dos pontos assinala-
dos:
y
D 3
b Eixo das Abcissas
2
bB 1
bA bC
x
−3 −2 −1 1 2 À semelhança da recta dos reais (secção 1.1), para cada uma destas rectas
−1
bE
−2 definimos uma escala conveniente. Usualmente, a escala será igual para ambas
−3 bF as rectas, mas se for necessário podemos utilizar escalas diferentes. A recta
horizontal tem uma origem, situando-se os números negativos à esquerda da
origem e os positivos à direita. A recta vertical também tem uma origem,
ficando os números negativos abaixo da origem e os positivos acima. As duas
rectas intersectam-se nas suas origens. A este ponto de intersecção chamamos
origem dos eixos coordenados.
December 15, 2004 – 19 : 19 DRAFT 57

y
3

Origem 2

x
−3 −2 −1 1 2 3
−1
f ) F (1, −3)
−2 2
e) E(0, −
3
−3 d) D(− , )
4 2
5 5
2
c) C( , 0)
5
b) B(−2, 1)
Ao plano contendo os eixos coordenados chamamos Plano Coordenado ou a) A(0, 0)
Plano Cartesiano.
Soluções de III:
O plano cartesiano pode ser visto como um conjunto infinito de pontos. Cada
ponto é especificado por um par ordenado de valores (x, y) e, se necessário,
também por uma letra, por exemplo P(x, y). É como se fosse o seu “nome” e
“endereço” no plano cartesiano. Ao primeiro valor chamamos abcissa do ponto
e ao segundo chamamos ordenada. A abcissa é a “distância”† a que o ponto se
encontra do eixo vertical. A ordenada é a “distância”‡ a que o ponto se encontra
Os pontos são repre-
do eixo horizontal.
sentados por letras mai-
Reciprocamente, a cada par ordenado de valores corresponde um, e só um, úsculas!
ponto no plano cartesiano. Para o localizar vamos apresentar duas maneiras
diferentes de o fazer:

ˆ Traçamos duas rectas: uma vertical a passar pelo eixo das abcissas no
valor correspondente à abcissa do ponto e outra horizontal a passar pelo
eixo das ordenadas no valor correspondente à ordenada do ponto. O ponto
pretendido localiza-se no ponto de intersecção destas duas rectas.

Consideremos o seguinte exemplo.

† Tendo em conta que será negativa à esquerda do eixo vertical e positiva à direita.
‡ Tendo em conta que será negativa abaixo do eixo horizontal e positiva acima.
58 DRAFT December 15, 2004 – 19 : 19

Exemplo 1.6

Localize o ponto P(2, −3).

Resolução:

Traçamos duas rectas: uma horizontal a passar na ordenada −3 e outra


vertical a passar na abcissa 2. No ponto de intersecção destas duas rectas
encontra-se o ponto P pretendido.
y
4
3
2
1

x
−4 −3 −2 −1 1 2 3 4
−1
−2
−3 bP

−4 ♣

ˆ O segundo processo é como se estivéssemos a “jogar a batalha naval”. En-


quanto que na batalha naval cada quadrado é identificado por um número
IV. Localize no plano
e uma letra § , no plano cartesiano temos sempre dois números para iden-
cartesiano os pontos se-
guintes: tificar um ponto. Por isso mesmo é que temos que ter um par ordenado.
O ponto (1, −2) não é o mesmo que o ponto (−2, 1)!
a) A(−1, 3)
Assim, para localizar um ponto, partimos da origem do plano cartesiano
b) B(0, −1)
e seguimos na horizontal tantas “unidades” quantas as indicadas pela ab-
5 3
c) C( , ) cissa do ponto (para a esquerda se for negativa ou para a direita se for pos-
4 4
1 5 itiva) e, a partir deste novo ponto, seguimos na vertical tantas “unidades”
d) D(− , )
4 2
7
quantas as indicadas pela ordenada do ponto (para baixo se for negativa
e) E(0, )
4 ou para cima se for positiva).
f ) F (−2, −2)
Consideremos o seguinte exemplo.

§ Embora seja mais usual indicarmos primeiro a letra e depois o número, por exemplo A2, a

verdade é que ela não é muito importante. Assim, se disséssemos 2A não haveria ambiguidade
em relação ao quadrado a que nos terı́amos a referir.
December 15, 2004 – 19 : 19 DRAFT 59

Exemplo 1.7

Localize o ponto Q(−3.8, 1).

Resolução:

−3
Para localizar o ponto Q vamos partir da origem e deslocamo-nos para
−2
a esquerda 2, 5 unidades (para a esquerda porque a abcissa é negativa). bF
−1
A partir desta nova posição, deslocamo-nos para cima (ordenada é posi- 2 −3 −2 −1 bB 1
x
tiva!) uma unidade. Depois destes dois passos encontramo-nos no ponto
pretendido Q.¶ b C 1
y 2 bE
3 D
b
3
bA
2 y
Q 4
b 1 5

x Soluções de IV:
−3 −2 −1 1 2 3
−1
−2
−3

Os dois eixos coordenados dividem o plano cartesiano em quatro partes, que


chamamos quadrantes. Os pontos no 1o quadrante têm ambas as coordenadas
positivas; no 2o quadrante, a abcissa é negativa e a ordenada é positiva; no 3o
quadrante têm ambas as coordenadas negativas; e no 4o quadrante, a abcissa é
positiva e a ordenada é negativa.
Observe que todos os
pontos localizados so-
2o quadrante 1o quadrante bre os eixos coordenados
têm pelo menos uma das
(−, +) (+, +)
coordenadas nulas. So-
bre o eixo das abcissas a

(−, −) (+, −) ordenada é nula e sobre o


eixo das ordenadas a ab-
3o quadrante 4o quadrante
cissa é nula!

¶ A ordem dos passos não altera o resultado final. “Andar” primeiro na horizontal e depois

na vertical é equivalente a “andarmos” primeiro na vertical e depois na horizontal.


60 DRAFT December 15, 2004 – 19 : 19

Ponto Médio

Resta apenas referir o ponto médio entre dois pontos.


Dados dois pontos A(x1 , y1 ) e B(x2 , y2 ), o ponto médio entre estes dois pontos
é dado por
µ ¶
x1 + x2 y1 + y2
, (1.5)
2 2

(x2 , y2 )
y2 b
(x, y)
b
(x1 , y1 )
y1 b

x1 x2 x

Consideremos o seguinte exemplo.

Exemplo 1.8

Determine o ponto médio entre os pontos P(3, −7) e Q(3, −2).


V. Determine o ponto
médio entre os seguintes
pontos:
Resolução:

a) A(2, 5) e B(4, 7)
Aplicando a fórmula (1.5), temos:
b) P(0, −4) e Q(3, −8)
µ ¶ µ ¶
c) R(−1, 1) e S(4, 6) 3 + 3 (−7) + (−2) 9
, = 3, −
2 2 2

December 15, 2004 – 19 : 19 DRAFT 61

µ¶
2 2
, c)
3 7
Exercı́cios 1.2

µ ¶
, −6
2
1. Determine as coordenadas dos pontos abaixo representados: b)
3
y a) (3, 6)
5
P
b
B
b 4 Soluções de V:
H
b D
3 b

2
E
b

−5 −4 −3 −2 −1 1 2 3 4 5x
−1 G
b

−2

A
−3 b

C
b −4
b Q
F b
−5

2. Localize no plano cartesiano os pontos:

a) A(1, 3) e B(0, 0) b) A(−5, 1) e B(3, −3)

c) C(−1, 6) e D(−1, −6) d) C(12, 3) e D(0, 2)


µ ¶ µ ¶
1 1 f) E(0, 3) e F(0, 8)
e) E , 5 e F , −1
2 2
h) G(7, 2) e H(−1, 4)
g) G(1, 1) e H(3, 3)
j) P(−3, 0) e Q(−6, 0)
i) P(−2, 0) e Q(4, 0)

3. Calcule o ponto médio entre os pontos da alı́nea anterior.

4. Se o ponto médio entre dois pontos, A e B, é M(4, −1), determine o ponto B


sabendo que as coordenadas do ponto A são (3, −1).
62 DRAFT December 15, 2004 – 19 : 19

1.3 Equações do 1o grau com duas incógnitas

Até aqui vimos apenas equações com uma incógnita. Vamos agora estudar
equações com duas incógnitas.

Muitos dos fenómenos do nosso quotidiano, os quais poderemos estar interes-


sados em representar matematicamente, são lineares ou, razoavelmente aproxi-
mados por modelos lineares. Estes modelos são os mais simples e, consequente-
mente, os mais fáceis. No entanto, alguns dos métodos utilizados para estudar
os modelos lineares serão também utilizados em modelos não-lineares. Daı́ a
importância do estudo destes modelos.

1.3.1 Aspectos gerais

Uma equação do 1o grau com duas incógnitas tem a seguinte forma geral

ax + by + c = 0

onde pelo menos um dos coeficientes a ou b é diferente de zero. Isto significa


que a equação terá que ter pelo menos um termo em x, ou em y, e ainda um
termo independente.
As letras podem ser di-
ferentes de x e y. As equações seguintes são exemplos de equações do 1o grau com duas incó-
gnitas

Perigo! 2x − 3y − 6 = 0

É importante distinguir 2r + 5s = 3
entre a equação do 1o y−1 = 0
grau com uma incógnita, 7x = −13
y−1 = 0 e a equação do 1o
grau com duas incógni-
tas, y − 1 = 0. Aparente-
mente são iguais. É
o contexto que as dis-
Observe que só a primeira equação está escrita na forma geral. No entanto,
tingue. No segundo caso
poderı́amos escrever as outras equações na forma geral, passando todos os ter-
está implı́cito que temos
mos para o primeiro membro. Por inspecção, podemos verificar que as equações
0.x + y − 1 = 0.
anteriores têm os seguintes coeficientes:
December 15, 2004 – 19 : 19 DRAFT 63

Coeficientes da equação

a b c

2x − 3y − 6 = 0 2 -3 -6

2r + 5s = 3 2 5 -3

y−1 = 0 0 1 -1

13 13
7x = − 7 0
5 5

À semelhança do que fizemos na secção anterior, estamos interessados em


determinar o conjunto solução deste tipo de equações. Como temos duas in-
cógnitas, teremos que encontrar pares de valores, um para o x e outro para
o y, tais que, quando substituı́dos na equação, transformem-na numa relação
verdadeira.

É usual representarmos este par de valores na forma de um par ordenado


(x, y), que designamos por par solução. Desta forma, o primeiro valor é referente
ao x e o segundo ao y, não havendo margem para dúvidas.

Suponhamos que nos é dada a seguinte equação

2x − 3y = 6.

Será que o par ordenado (3, 0) é um par solução desta equação? É fácil verificar
que é. Basta substituir na equação o x por 3 e o y por 0. Assim, temos

2.(3) − 3.(0) = 6
6−0 = 6
6 = 6

e obtivemos um relação verdadeira.

E será que este par solução éµúnico?¶A µ


resposta
¶ é não! Com
µ efeito,
¶ vemos por
3 9 15
exemplo que os pares (0, −2), , −1 , , 1 , (6, 2) e , 3 são também
2 2 2
pares solução desta equação. No entanto, é fácil verificar que o par (6, 0) não é
64 DRAFT December 15, 2004 – 19 : 19

solução. Se substituirmos na equação o x por 6 e o y por 0, temos

2.(6) − 3.(0) = 6
12 − 0 = 6
12 = 6

e obtemos uma relação falsa.

Para qualquer equação do 1o grau com duas incógnitas, existe uma infinidade
de pares solução. Assim, para determinar um par solução, atribuı́mos um valor
qualquer a uma das incógnitas; substituimos este valor na equação; e resolvemos
a equação daqui resultante na outra incógnita.
Vejamos alguns exemplos.

Exemplo 1.9

Determine o par solução da equação x − 3y = 10, quando:

a) x = 1.

b) y = −5.

Resolução:

VI. Para cada uma das


seguintes equações, de-
termine o par solução a) Substituindo, na equação x − 3y = 10, o x por 1, obtemos a seguinte
quando x = 3 e y = 1. equação em y,
1 − 3y = 10
a) 4x + 3y = 2
cuja solução é,
b) x = y + 3

−3y = 10 − 1
−3y = 9
9
y =
−3
y = −3.

Assim, quando x = 1, o par solução é (1, −3).

b) Substituindo, na equação x − 3y = 10, o y por −5, obtemos a seguinte


December 15, 2004 – 19 : 19 DRAFT 65

equação em x,

x − 3.(−5) = 10
x + 15 = 10

cuja solução é

x = 10 − 15
x = −5.

Assim, quando y = −5, o par solução é (−5, −5). ♣

Exemplo 1.10

Uma estação de rádio tem 30 horas semanais disponı́veis para


novos programas. Para preencher esse espaço de emissão, foram apre-
sentadas duas propostas. A proposta A apresenta um programa com
uma duração diária de 4 horas e a proposta B de 2 horas. Como ambas
as propostas são interessantes, o director da estação resolveu aceitar
as duas para as incluir na sua nova grelha de programas. Assim, se
x e y for o número de vezes que o programa A e B, respectivamente,
vão para o ar semanalmente:

a) determine quantas vezes vai para o ar semanalmente o programa


B se o programa A for duas vezes.

b) determine quantas vezes vai para o ar semanalmente o programa


A se o programa B for nove vezes.

Resolução:

a) Temos definidas duas variáveis:

x = número de vezes que o programa A vai para o ar semanalmente


y = número de vezes que o programa B vai para o ar semanalmente

Para podermos manejar melhor a informação contida nos dados, temos


66 DRAFT December 15, 2004 – 19 : 19

que “construir” a equação que relaciona esta duas variáveis. A equação


pretendida tem a seguinte estrutura:

Número total de horas utilizadas pelos dois programas = 30.

Cada vez que o programa A vai para o ar são utilizadas 4 horas e, para o
programa B, 2 horas . Assim, se por semana o programa A for x vezes para
o ar, então teremos 4x horas por semana do programa A. Raciocinando
b) (3, 0) e 4, 1) da mesma maneira, se por semana o programa B for y vezes para o ar,

µ ¶ ¶ µ
4
− ,1 e
3
3, − a)
teremos 2y horas por semana do programa B. Portanto, a equação que
1 10
procuramos é
Soluções de VI:      
No total de No total de No total
     
 horas do  +  horas do  =  de horas 
programa A programa B disponı́veis

ou seja,
4x + 2y = 30.

Assim, se o programa A vai para o ar duas vezes por semana, x = 2,


temos,

4.(2) + 2y = 30
8 + 2y = 30
2y = 30 − 8
22
y =
2
y = 11,

ou seja, o programa B irá para o ar onze vezes por semana.

b) Se o programa B for para o ar nove vezes por semana, y = 9, e,

4x + 2.(9) = 30
4x + 18 = 30
4x = 30 − 18
12
x =
4
x = 3,
December 15, 2004 – 19 : 19 DRAFT 67

ou seja, o programa A irá para o ar três vezes por semana. ♣

Quando nos é dada uma equação como a que apareceu no primeiro e-


xemplo, a princı́pio podemos atribuir qualquer valor para qualquer uma das
incógnitas. No entanto, quando as incógnitas têm um significado que não apenas
matemático, como no segundo exemplo, temos que ter atenção aos valores que
atribuı́mos e àqueles que obtemos depois de fazer as contas. Por exemplo, se no
segundo exemplo o programa A fosse para o ar oito vezes por semana, x = 8,
terı́amos,

4.(8) + 2y = 30
32 + 2y = 30
2y = 30 − 32
−2
y =
2
y = −1.

Este resultado não faz sentido. Não podemos dizer que, se o programa A for
oito vezes por semana para o ar, então o programa B terá de ir menos uma vez
por semana para o ar!
Neste exemplo, as incógnitas x e y não poderão ser negativas nem frac-
VII. Relativamente ao
cionárias. As únicas soluções possı́veis são: (0, 15), (1, 13), (2, 11), (3, 9), (4, 7),
segundo exemplo, qual
(5, 5), (6, 3) e (7, 1).(Convença-se que estes pares são mesmo os únicos possı́veis!) será o número de vezes
por semana que o pro-
grama A irá para o ar
Exercı́cios 1.3.1
se o programa B não for
nenhuma vez por sema-
1. Dada a equação 7x + 3y − 11 = 0, determine o par solução quando: na para o ar?

a) x = 0 2 e) x = −1
c) x =
7
b) y = 0 f) y = −2
1
d) y = −
3

2. Uma fábrica produz dois tipos de produtos, A e B. O produto A requer


três horas diárias para a sua manufactura e o produto B cinco horas. Se a
capacidade diária de trabalho da fábrica for de 75 horas, determine:

a) Quantos produtos do tipo A pode diariamente a fábrica produzir no má-


ximo?
68 DRAFT December 15, 2004 – 19 : 19

b) Quantos produtos do tipo B pode diariamente a fábrica produzir no má-


ximo?

c) Quantos produtos do tipo B pode a fábrica produzir diariamente se também


produzir cinco do tipo A?

3. O Sr. António tem uma dı́vida de 1200 euros. Sabendo que ele tem apenas
notas de vinte e cinquenta euros, queremos saber:

a) Se o Sr. António utilizar apenas notas de cinquenta, de quantas precisará?

huma vez para o ar.

b) E se utilizar apenas notas de vinte euros?


grama B não for nen-
as 30 horas se o pro-
não podemos preencher
c) Quantas notas de vinte precisa o Sr. António se utilizar doze notas de
gramas, concluı́mos que
cinquenta euros?
haver metades de pro-
pode
não como mas
seria
2
, resposta A d) Comente o caso se o Sr. António quiser utilizar quinze notas de cinquenta
15
euros para liquidar a sua dı́vida.
Soluções de VII:

1.3.2 Caracterı́sticas gráficas

Comecemos com a seguinte definição.

O gráfico de uma equação envolvendo duas variáveis, x e y, é o


conjunto de todos os pontos cujas coordenadas (x, y) satisfazem a
equação.

Vimosµ na secção
¶ anterior µ que,¶ para a equação
µ 2x−3y = 6, os pares ordenados

3 9 15
(0, −2), , −1 , (3, 0), , 1 , (6, 2) e , 3 são pares solução e que o par
2 2 2
ordenado (6, 0) não é par solução. Vamos representar no plano cartesiano estes
pontos.
December 15, 2004 – 19 : 19 DRAFT 69

y
4
µ ¶
15
,3 b
3 2

(6, 2) b
2
µ ¶
9
,1 b
1 2
(6, 0)
(3, 0) b u
−1 µ 1 ¶ 2
3 3 4 5 6 7 8x
, −1 b
−1 2
(0, −2)
−2 b

−3

Observando a representação gráfica dos pares solução, constatamos que eles


são todos colineares, isto é, estão todos alinhados sobre uma mesma linha. (Ob-
serve que o ponto (6, 0) não está sobre esta linha, mas também não é solução
! Importante!
da equação1) A representação gráfica
Temos que de toda equação linear é
uma recta.
O conjunto solução de uma equação do 1o grau envolvendo apenas
duas variáveis é representado graficamente por uma recta no plano
cartesiano.

Reciprocamente, podemos dizer que toda a recta é o conjunto de pontos


cujas coordenadas são pares solução de alguma equação do 1o grau envolvendo
apenas duas variáveis.
! Importante!
Para representar graficamente o conjunto solução de uma equação do 1o grau Toda a recta é o gráfico
com duas variáveis, basta ter presente que por dois pontos distintos passa uma de uma equação linear!
o
única recta. Assim, para obter o gráfico de uma equação do 1 grau com duas
incógnitas, procedemos da seguinte maneira:
Por dois pontos distintos
passa apenas uma única
(1) determinamos dois pares solução da equação e representamos no plano
recta.
cartesiano estes pontos;

(2) unimos os pontos por uma linha recta e estendemos em ambos os sentidos
tanto quanto possı́vel e necessário.
70 DRAFT December 15, 2004 – 19 : 19

Nota:

Os pontos mais fáceis de determinar são, naturalmente, aqueles que


envolvem menos contas e estes são obtidos substituindo as variáveis por
zero, isto é, fazendo x = 0 e y = 0. Assim, substituı́mos na equação o x
por zero e resolvemos a equação daqui resultante para o y, obtendo o par
solução (0, y); depois, substituı́mos o y por zero e resolvemos a equação
daqui resultante para o x, obtendo o ponto (x, 0).
Observe que os pontos resultantes, (0, y) e (x, 0), são os pontos so-
bre os eixos coordenados y e x, respectivamente. Estes pontos acabam
também por ser os pontos mais fáceis de marcar porque estão sobre os
eixos coordenados.

Vejamos alguns exemplos.

Exemplo 1.11

Represente o gráfico da equação 2x − 3y = 12.

Resolução:

Substituindo na equação x = 0 , vem,

2.(0) − 3y = 12
−3y = 12
12
y = −
3
y = −4 .

Daqui obtemos o ponto (0, −4). Para encontrar o segundo ponto, substituı́-
December 15, 2004 – 19 : 19 DRAFT 71

mos na equação y = 0 , e vem,

2.x − 3.(0) = 12
2x =12
12
x = −
2
x = 6 .

Obtemos então o ponto (6, 0).

Como já temos dois pontos, podemos traçar a recta. Para isso, basta marcar
VIII. Represente o gráfi-
no plano cartesiano e unı́-los por uma linha recta, estendendo em ambos os
co das equações:
sentidos o necessário.
a) −x + y − 1 = 0
y
2 b) 2x + 2y − 3 = 0

1
b
x
−3 −2 −1 1 2 3 4 5 6 7
−1
−2
−3
−4 b

−5
−6 ♣

Exemplo 1.12

Consideremos o problema do exemplo 1.10. Queremos determinar


quais os pares solução que são possı́veis, ou seja, quais os pares solução
da equação 4x + 2y = 30 que têm coordenadas inteiras não-negativas.

Resolução:

Vamos primeiro representar o gráfico da equação 4x + 2y = 30.


72 DRAFT December 15, 2004 – 19 : 19

Atribuindo o valor 0 a x, vem,

4.(0) + 2y = 30
2y = 30
−2 30
y =
−1 2
2 1 −2 −1 y = 15,
bx

1 ou seja, determinámos o ponto (0, 15).


2b
y Vamos agora atribuir o valor 0 a y. Assim, temos,
b)
4x + 2.(0) = 30
4x =
30
−2 30
x =
−1 4
2 1 −2 −1 15
x x = ,
b 2
µ ¶
b 1 15
e obtivemos o segundo ponto, ,0 .
2 2
y
a) Com estes dois pontos já podemos traçar a recta.

Observando o gráfico, verificamos que os pontos da recta que têm coorde-


Soluções de VIII: nadas inteiras não-negativas são: (0, 15), (1, 13), (2, 11), (3, 9), (4, 7), (5, 5),
(6, 3) e (7, 1). Estes são os pontos representados por triângulos no plano carte-
siano.
y
16
t
u
b

14
t
u
12
t
u
10
t
u
8
t
u
6
t
u
4
t
u
2
t
u
b
x
−2 2 4 6 8 ♣
December 15, 2004 – 19 : 19 DRAFT 73

Exemplo 1.13

Represente o gráfico da equação −2x + 5y = 0.


Resolução:

Observe que neste exemplo o termo é igual a zero.


Temos que determinar dois pontos. Para tal, podemos substituir na equação
o x por 0, e vem,

−2.(0) + 5y = 0
5y = 0
0
y =
5
y = 0

ou seja, determinámos o primeiro ponto (0, 0). Observe que para determinar o
segundo ponto não adianta substituir na equação o y por 0 porque obteremos
o mesmo ponto (0, 0) (Convença-se que assim é!). Portanto, para determinar o
segundo ponto teremos que escolher um outro valor para x ou para y. Vamos
escolher por exemplo x = 5. Assim, temos,

−2.(5) + 5y = 0
−10 + 5y = 0
5y = 10
10
y =
5
y = 2,

ou seja, determinámos o ponto (5, 2). Marcamos os pontos no plano cartesiano


Observe que toda a e-
e obtemos o gráfico abaixo representado para a equação dada.
quação que tem termo
independente nulo passa

y na origem!
3

2 b

−6 −5 −4 −3 −2 −1 1 2 3 4 5 6x
−1

−2


−3
74 DRAFT December 15, 2004 – 19 : 19

Intersecção com os eixos

Como já vimos, na representação gráfica de uma recta dois pontos impor-
tantes são os pontos de intersecção com os eixos coordenados: o ponto de inter-
secção com o eixo dos x′ s e o ponto de intersecção com o eixo dos y ′ s.

Definição: (intersecção com o eixo dos x′ s)


O ponto de intersecção com o eixo dos x′ s, P Ix , é o ponto onde o gráfico
de uma equação “corta” o eixo dos x′ s e pode ser determinado substituindo na
equação y = 0.

Definição: (intersecção com o eixo dos y ′ s)


O ponto de intersecção com o eixo dos y ′ s, P Iy , é o ponto onde o gráfico
P Ix
de uma equação “corta” o eixo dos y ′ s e pode ser determinado substituindo na
equação x = 0.
b

P Iy

b
Nem todas as rectas têm os dois pontos de intersecção com os eixos coor-
denados. Como é fácil de imaginar, existem rectas que só “cortam” o eixo dos
y ′ s e outras que só “cortam” o eixo dos x′ s. São os casos das equações do tipo
y = k e x = k, onde k é um valor constante qualquer.

Equações do tipo x = k

Este é um caso particular de uma equação linear com duas incógnitas em


que b = 0, ou seja, pela forma geral temos que esta é uma equação do tipo

ax + 0.y + c = 0.

O que caracteriza esta equação é que o valor de x é sempre igual a k indepen-


dentemente do valor que se queira atribuir ao y. Todos os pontos desta recta
têm em comum o valor da abcissa, x = k. Assim, para representar o gráfico
desta equação, basta escolher dois valores para y, por exemplo y = y1 e y = y2 ,
e obtemos os dois pontos, (k, y1 ) e (k, y2 ), para podermos traçar a recta.

Vejamos um exemplo.
December 15, 2004 – 19 : 19 DRAFT 75

Exemplo 1.14

Represente o gráfico da equação 2x + 3 = 0.

Resolução:

Observe que neste exemplo a equação não tem o termo em y. Isto significa
que a equação que realmente temos é 2x + 0.y + 3 = 0.
Substituindo na equação o y por 0, vem,

2x + 0.(0) + 3 = 0
2x = −3
3
x = − ,
2
µ ¶
3
ou seja, obtemos o ponto − ,0 .
2
Para encontrar o outro ponto não podemos substituir na equação o x por 0.
Vejamos porquê.

2.(0) + 0.y + 3 = 0
0+0+3 = 0
3 = 0.

Se x = 0, então obtemos uma relação falsa. Logo não existe nenhum par or-
denado com ordenada igual a zero que satisfaça a equação. Põe-se a pergunta:
Então que valor é que temos de atribuir para encontrar o outro ponto? (Já
vimos que a toda equação corresponde uma recta. Como temos uma equação,
esta recta existe e, consequentemente , existe uma infinidade de pontos que a
constituem. Portanto, somos capazes de encontrar um outro ponto para traçar
a recta).
Observe que não adianta querer substituir o x porque, como o y está multi-
plicado por zero, o termo em y é como se não existisse. Assim, só resta atribuir
valores ao y. Vamos atribuir, por exemplo, y = 1. Assim, temos,

2x + 0.(1) + 3 = 0
2x = −3
3
x = − ,
2
3
Determinámos as coordenadas do segundo ponto, (− , 1).
2
76 DRAFT December 15, 2004 – 19 : 19

Já temos os dois pontos. Para traçar a recta, basta representar estes pontos
IX. Qual é o gráfico da
no plano cartesiano e unı́-los por uma linha recta.
equação x = 0?
y
3

b 1

−5 −4 −3 −2 −1 1 2x
−1

−2


−3

Equações do tipo y = k

Este é um caso particular de uma equação linear com duas incógnitas em


que c = 0, ou seja, pela forma geral temos que esta é uma equação do tipo

0.x + by + c = 0.

O que caracteriza esta equação é que o valor de y é sempre igual a k indepen-


dentemente do valor que se queira atribuir ao x. Todos os pontos desta recta
têm em comum o valor da ordenada, y = k. Assim, para representar o gráfico
desta equação, basta escolher dois valores para x, por exemplo x = x1 e x = x2 ,
e obtemos os dois pontos, (x1 , k) e (x2 , k), para podermos traçar a recta.

Vejamos um exemplo.

Exemplo 1.15

Represente o gráfico da equação y − 5 = 0.


December 15, 2004 – 19 : 19 DRAFT 77

Resolução:

Observe que neste exemplo a equação não tem o termo em x. Isto significa
O próprio eixo dos y ′ s.
que a equação que realmente temos é 0x + y − 5 = 0.
Substituindo na equação o x por 0, vem, Soluções de IX:

0.(0) + y − 5 = 0
y−5 = 0
y = 5,

ou seja, obtemos o ponto (0, 5).


À semelhança do que vimos no exemplo anterior, também neste exemplo
não podemos atribuir o valor 0 a y. Vamos antes atribuir, por exemplo, x = 1.
X. Qual é o gráfico da
Assim, temos,
equação y = 0?

0.(1) + y − 5 = 0
0+y−5 = 0
y = 5.

Determinámos as coordenadas do segundo ponto, (1, 5).


Representando os pontos no plano cartesiano e unindo-os por uma linha
recta, obtemos o gráfico seguinte.
y
6

5 b b

−5 −4 −3 −2 −1 1 2 3 4 5x
−1


−2
78 DRAFT December 15, 2004 – 19 : 19

Declive

Uma das propriedades mais importantes das rectas é a “rapidez” com que
elas “crescem” ou “decrescem”. Os matemáticos desenvolveram uma maneira
de quantificar esta “rapidez”.
O próprio eixo dos x′ s.
Para assimilar melhor a ideia, vamos considerar um exemplo. Consideremos
Soluções de X: a equação 2x − y = 4, cujo gráfico representamos a seguir.
y
8
7
6
5
Q′b
4
3
2
1
Q b
x
−6 −5 −4 −3 −2 −1 1 2 3 4 5 6
−1
−2
−3
−4 b ′
P
−5
Pb
−6

Vamos escolher dois pontos quaisquer sobre esta recta, por exemplo os pontos
P (−1, −6) e Q(2, 0). A diferença entre as suas abcissas é

desvio = 2 − (−1) = 2 + 1 = 3.

A diferença entre as ordenadas dos mesmos pontos é

elevação = 0 − (−6) = 0 + 6 = 6.

Verificamos que a elevação é o dobro do desvio. Este será o caso para


quaisquer outros dois pontos que tivéssemos escolhido. Por exemplo, se esco-
A razão entre a elevação
lhermos os pontos P ′ (0, −4) e Q′ (4, 4), temos,
e o desvio é sempre cons-
tante.

desvio = 4 − 0 = 4
December 15, 2004 – 19 : 19 DRAFT 79

elevação = 4 − (−4) = 4 + 4 = 8.

Novamente obtemos a mesma relação entre a elevação e o desvio. Dizemos que


a razão∗ entre a elevação e o desvio é igual a 2. A esta razão designamos por
declive.
De um modo geral, dados dois pontos quaisquer de uma recta, P (x1 , y1 ) e
Q(x2 , y2 ), o declive da recta que passa por estes dois pontos é dado por:

∆y y2 − y1
m= = (1.6)
∆x x2 − x1

A letra m vem do francês monter, significando “subir” ou “crescer”.


Se ∆x = 1, temos
y
∆y ∆y
m= = ,
∆x 1
Q(x2 , y2 ) ou seja,
b
m = ∆y.
∆y =
P (x1 , y1 ) y2 − y1
b x
∆x = x2 − x1

10 %

Definição:

O declive de uma recta é a variação das ordenadas quando a abcissa é in-


crementada de uma unidade.
10 %

A noção de declive está de certo modo presente no código da estrada. Com


certeza já repararam nas placas de trânsito que aparecem antes de uma subida ou
descida bastante ı́ngreme. Na placa aparece uma rampa e um valor percentual.
Na figura ao lado apresentamos dois exemplos, um a subir e outro a descer.

∗A elevação
razão entre duas quantidades, neste caso a elevação e o desvio, é .
desvio
80 DRAFT December 15, 2004 – 19 : 19

O número indicado na placa é 10%. Isto significa que para cada 100 metros
deslocados, o camião vai subir ou descer 10 metros.
Vemos então que o declive pode ser interpretado como sendo uma taxa de
variação.

Exemplo 1.16

Determine o declive da recta que passa pelos pontos (3, 2) e (−2, 3).

Resolução:

Para calcular o declive da recta que passa pelos pontos dados temos que
determinar a elevação e o desvio entre os dois pontos. A ordem dos pontos é
irrelevante. Assim, se “nomearmos” o primeiro ponto de P e o segundo de Q,
aplicando a fórmula (1.6), obtemos

(3) − (2)
m =
(−2) − (3)
1
m =
−5
1
m = − . ♣
5

XI. Determine o declive


das rectas que passam
O declive pode ser positivo, negativo, nulo ou indefinido.
pelos pontos:
ˆ Uma recta com declive positivo “cresce” da esquerda para a direita, isto
a) (1, 1) e (4, 1). é, quanto maior for o valor da abcissa, maior será o valor da ordenada.
b) (2, 5) e (5, 8).
ˆ Uma recta com declive negativo “decresce” da esquerda para a direita, isto
c) (−2, 4) e (−2, 6)
é, quanto maior for o valor da abcissa, menor será o valor da ordenada.

ˆ Uma recta com declive nulo não “cresce” nem “decresce”. É uma recta
horizontal, ou seja, tem sempre o mesmo valor de ordenada para todas as
abcissas.

ˆ Uma recta com declive indefinido é uma recta vertical. Tem sempre a
mesma abcissa para todas as ordenadas. Observe que, se dois pontos de
uma recta tiverem a mesma abcissa, então o denominador da fórmula (1.6)
é igual a zero. Como esta divisão não está definida, dizemos que o declive
é indefinido.
December 15, 2004 – 19 : 19 DRAFT 81

O declive de uma recta é quantificado por um número real. Como acabámos


de ver, o sinal indica o crescimento; a magnitude indica a inclinação relativa.
Quanto maior a magnitude maior será a inclinação. Por exemplo, a recta r e s
têm o declive positivo, e as rectas t e u têm o declive negativo.

y y

u t
r

x x
s

No entanto, a recta s tem um declive maior do que o da recta r. Por exemplo,


3
se o declive da recta s for igual 1, o da recta r será menor, por exemplo . (Note c) m indefinido.
4
que têm de ser ambos positivos!) b) m = 1.

Também a recta t, por estar mais inclinada, tem um declive mais negativo
a) m = 0.
1
do que o da recta u. Por exemplo, se o declive da recta u for − , o da recta t
2 Soluções de XI:
será um número menor, por exemplo -1. (Ou seja, mais negativo.† )
O quadro seguinte resume os quatro tipos possı́veis de declives.

Declive Positivo Declive Negativo

y y

m>0

x x
m<0

A recta cresce da esquerda A recta decresce da esquerda


para a direita. para a direita.

† Não esquecer que entre dois números negativos, o menor é o “mais negativo”!
82 DRAFT December 15, 2004 – 19 : 19

Declive Nulo Declive Indefinido

y y

m=0 m indefinido

x x

Recta horizontal. Recta vertical.

Exemplo 1.17

Determine o declive da recta cuja equação é 12x − 3y + 24 = 0.


Resolução:

Na próxima secção vamos ver um processo mais simples de resolver este


mesmo problema. Mas, por enquanto, a única ferramenta disponı́vel é a fórmula
(1.6). Portanto, temos que determinar dois pontos da recta. Vamos determinar
os pontos de intersecção com os eixos coordenados.

1. P Ix (y = 0)

12x − 3.(0) + 24 = 0
12x = −24
−24
x =
12
x = −2 , obtivemos o ponto (−2, 0).

2. P Iy (x = 0)

12.(0) − 3y + 24 = 0
−3y = −24
−24
y =
−3
y = 8 , obtivemos o ponto (0, 8).
December 15, 2004 – 19 : 19 DRAFT 83

Aplicando a fórmula (1.6) a estes dois pontos, obtemos o seguinte declive,

(8) − (0)
m =
(0) − (−2)
8
m =
2
m = 4. ♣

Exemplo 1.18

Determine o declive da recta cujo gráfico é:


y
4
3
2 b

1
b
x
−6 −5 −4 −3 −2 −1
−1 1 2 3 4 5 6
−2
−3
−4

Resolução:

Observando o gráfico podemos determinar as coordenadas dos dois pontos


dados: a origem (0, 0) e o ponto (4, 2). Aplicando a fórmula (1.6) com estes dois
pontos, obtemos o seguinte declive,

(2) − (0)
m =
(4) − (0)
2
m =
4
1
m = . ♣
2

Duas rectas que não se intersectam num plano são paralelas. Duas rectas são
Rectas paralelas têm de-
paralelas se têm a mesma inclinação. Isto significa que duas rectas são paralelas
clives iguais!
se têm o mesmo declive. Reciprocamente, duas rectas distintas com o mesmo
84 DRAFT December 15, 2004 – 19 : 19

declive são paralelas.


y

−6 −5 −4 −3 −2 −1 1 2 3 4 5 6 x
−1

−2

−3

−4

Exercı́cios 1.3.2

1. Determine os pontos de intersecção com os eixos coordenados das rectas:

a) 2x + 6y − 12 = 0 b) 5x + 5y − 6 = 0

c) −3x + 4y + 5 = 0 d) −x + 2y + 10 = 0

e) 7x + 14 = 0 f) 4x + 13 = 0

g) −2y + 6 = 0 h) y − 8 = 0

2. Esboce os gráfico de cada uma das seguintes equações:

a) y = 2x − 4 b) −4x + 12y = 24

c) y + x = 4 d) 5x − 10y = 15

e) 2x + 3y = 0 f) 2x = −4

g) x − y = 0 h) −y − 6 = 0
x
i) x + 10 = 0 j) −y =1
2
k) 2y − 8 = 0 y
l) 2x − = 2
3
December 15, 2004 – 19 : 19 DRAFT 85

3. Determine o declive das rectas que passam pelos pontos:

a) (2, 5) e (−3, 1) b) (4, 3) e (0, 1)

c) (7, 6) e (−8, 6) d) (12, −3) e (−5, 7)

e) (1, 0) e (0, 1) f) (1, 4) e (−8, 7)

g) (−1, 6) e (−1, 8) h) (2, 0) e (−6, 8)

4. Utilize a figura seguinte para ordenar por ordem crescente os declives das
rectas representadas:
m4 y m5

m3

m2

m1

5. Determine o declive das rectas representadas no planos cartesianos seguintes:


a) y b) y
3
6
2
4
1
2

x
−3 −2 −1 1 2 3 x
−6 −4 −2 2 4 6
−1
−2
−2
−4
−3
−6
86 DRAFT December 15, 2004 – 19 : 19

c) d) y
y
6 3

4 2

2 1

x
−3 −2 −1 1 2 3 −6 −4 −2 2 4 6x
−2 −1

−4 −2

−6 −3

e) y f) y
3 3

2 2

1 1

x x
−3 −2 −1 1 2 3 −3 −2 −1 1 2 3
−1 −1

−2 −2

−3 −3

6. Determine o valor de a de modo a que os pontos (1, 0), (3, 2) e (4, a) per-
tencem à mesma recta.

7. Calcule os pontos de intersecção com os eixos coordenados da recta que passa


pelos pontos (1, 2) e (2, 1).

8. Imagine a recta que passa pelos pontos (−1, 3) e (1, 9). Dado o pontos (0, 3),
determine um outro ponto qualquer de modo a que a recta que passa por estes
dois pontos seja paralela à primeira recta.

9. O gráfico seguinte representa os resultados eleitorais das últimas quatro


eleições legislativas em Portugal.
December 15, 2004 – 19 : 19 DRAFT 87

145 b PSD
b
Número de lugares no parlamento
b b 112

b
b80

PS b

59 b

31 b PCP
b b bb17
15
CDS b
4 b
1987 1991 1995 1999 Eleição

Determine:

a) o partido a que corresponde o gráfico com declive mais negativo e os anos


entre os quais ocorre esse declive.

b) o partido a que corresponde o gráfico com maior declive e os anos entre


os quais ocorre esse declive.

c) o declive (por unidade anual) da recta que une o ponto correspondente à


eleição de 1987 e à de 1999 de cada partido. Qual o significado de cada
declive?

d) o declive (por unidade eleitoral, isto é, por número de eleições) da recta
que une o ponto correspondente à eleição de 1987 e à de 1999 de cada
partido. Qual o significado da cada declive?

10. Verifique se os pontos (−1, 7), (3, −8) e (0, 3) são colineares, isto é, se podem
pertencer a uma única recta.
88 DRAFT December 15, 2004 – 19 : 19

1.3.3 Equação reduzida da recta

Vimos na secção 1.3.1 que a forma geral de uma equação do 1o grau com
duas incógnitas é
Equação geral da recta:
ax + by + c = 0.
ax + by + c = 0

Também já vimos que o gráfico desta equação é representado por uma recta.
Por isso, esta equação é usualmente designada por equação geral da recta.

Outra maneira de representar a equação de uma recta é isolando o y no


primeiro membro (observe que isto só é possı́vel se b 6= 0.). Ficamos assim com
uma equação do tipo
A equação reduzida da
recta: y = mx + k.

y = mx + k Designamos esta equação por equação reduzida da recta. O m é o declive da


recta e o k é a ordenada do ponto de intersecção da recta com o eixo dos y ′ s.‡
Designamos o k simplesmente por ordenada na origem.
XII. Escreva as equações
seguintes na sua forma
reduzida:

Nota:
a) 3x − y + 5 = 0.
b) −8x + 2y + 10 = 0.
A equação geral de uma recta não é única. Por exemplo, a equação
c) 3x + 6y − 7 = 0

−2x + 4y − 3 = 0

é equivalente à equação

−4x + 8y − 6 = 0

‡ Observe que sobre o eixo dos y ′ s todos os pontos têm a abcissa nula. Assim, substituindo

na equação reduzida da recta o x por zero, obtemos


y = m.(0) + k
y = 0+k
y = k,
ou seja, o ponto de intersecção com o eixo dos y ′ s é (0, k)
December 15, 2004 – 19 : 19 DRAFT 89

Continuação:

pois podemos obter a segunda multiplicando a primeira por dois (Uti-


lizando o princı́pio da multiplicação referido na página 45.). Todas as
soluções da primeira equação são também soluções da segunda. Logo, são
representadas pelo mesmo gráfico. (Convença-se que qualquer solução
da primeira equação é também solução da segunda.)

Assim como multiplicámos por dois poderı́amos multiplicar ou dividir


por um número qualquer não-nulo sem alterar o conjunto solução da
equação. Portanto, concluı́mos que existe uma infinidade de equações
equivalentes que representam a mesma recta.

Por outro lado, a equação reduzida é única. Se isolarmos o y só o


poderemos fazer de uma maneira: isolando o y! Além disso, a equação
reduzida da recta dá-nos explicitamente o declive e a ordenada na origem.
Relembremos que o declive está directamente relacionado com a in-
clinação da recta, isto é, a cada declive corresponde apenas uma única
inclinação.) Portanto, se soubermos a “inclinação” da recta (declive) e o
ponto sobre o eixo dos y ′ s por onde passa a recta (ordenada na origem),
então temos uma única hipótese de representar a recta.

2 6
c) y = − x + .
1 7
b) y = 4x − 5.
Exemplo 1.19
a) y = 3x + 5.

Determine o declive e a ordenada na origem da recta dada pela Soluções de XII:

equação 3x + 6y − 5 = 0.

Resolução:

Para determinar o declive e a ordenada na origem da recta dada por esta


equação basta escrever a equação na forma reduzida, isto é, isolar o y no primeiro
membro.

Assim, isolando o y, obtemos

3x + 6y − 5 = 0
6y = −3x + 5
90 DRAFT December 15, 2004 – 19 : 19

−3x + 5
y =
6
3x 5
y = − +
6 6
x 5
y = − + ,
2 6
1 5
ou seja, o declive é m = − e a ordenada na origem é k = . ♣
2 6

Exemplo 1.20

Determine o declive e a ordenada na origem da recta dada pela


equação 2y + 8 = 0.

Resolução:

Observe que a equação não tem o termo em x. Isto significa que o coeficiente
do termo em x é nulo. Ou seja, a equação dada é equivalente à equação 0.x +
2y + 8 = 0.
Assim, isolando o y no primeiro membro, obtemos

2y = 0.x − 8
0.x − 8
y =
2
y = 0.x − 4,

ou seja, o declive é nulo e a ordenada na origem é k = −4.


Recapitule: a toda a equação da forma y = constante corresponde uma recta
horizontal e toda a recta horizontal tem declive nulo. (Ver quadro da página
81.) ♣

Exemplo 1.21

Determine o declive e a ordenada na origem da recta dada pela


equação 3x − 6 = 0.

Resolução:

Não podemos escrever esta equação na forma reduzida porque não temos o
December 15, 2004 – 19 : 19 DRAFT 91

termo em y. Isto significa que o declive não está definido. Consequentemente,


também a ordenada na origem está indefinida. Portanto, a recta é vertical,
paralela ao eixo dos y ′ s.
Recapitule: a toda a equação do tipo x = constante corresponde uma recta
vertical e toda a recta vertical tem declive indefinido. (Ver quadro da página
81.) ♣

Exemplo 1.22

O modelo N = 21t + 2376 descreve o número de doutorados por-


tugueses t anos depois de 1993. Para este modelo linear, determine o
declive e a ordenada na origem. Interprete o significado de cada um
destes números.
Resolução:

O modelo corresponde a uma equação do 1o grau com duas incógnitas. A


letra N substitui o y, e a letra t o x. Assim, podemos dizer que o declive é
m = 21 e a ordenada na origem é k = 2376.
Quanto ao significado destes números podemos dizer:

∆y
1. o declive representa uma taxa de variação, , neste caso, mais conc-
∆x
∆N
retamente, ; é a variação do número de doutorados portugueses por
∆t
unidade de t. Ou seja, este modelo prevê um aumento de 21 doutorados
portugueses por ano;

2. a ordenada na origem equivale ao número obtido quando substituı́mos a


abcissa, neste exemplo o t, por zero. Mas t = 0 corresponde a zero anos
depois de 1993, ou seja, corresponde ao próprio ano de 1993. Portanto,
podemos afirmar que k = 2376 significa que em 1993 (ano zero da con-
tagem) havia 2376 doutorados portugueses. ♣

Exercı́cios 1.3.3

1. Para cada equação geral da recta, passe para a correspondente equação


reduzida.

a) 2x + 6y − 12 = 0 b) 5x + 5y − 6 = 0

c) −3x + 4y + 5 = 0 d) −x + 2y + 10 = 0
92 DRAFT December 15, 2004 – 19 : 19

e) 3x − y + 500 = 0 f) −y + 12 = 0
4 1
g) x+ y−2=0 h) 4x − y − 5 = 0
5 4
i) −3x − 2y + 32 = 0 j) 3y − 15 = 0

2. Para cada uma das equações anteriores, determine o declive e a ordenada na


origem.

3. Dadas as equações seguintes, agrupe duas a duas as rectas paralelas entre si.

a) y − 12 = 0 b) 6x + 4y = 0

c) −3x + y + 5 = 0 d) −x + y + 10 = 0

e) 3x − y + 500 = 0 f) −x + y + 2 = 0

g) −x + 2y − 12 = 0 h) y − 5 = 0

i) −3x − 2y = 0 j) 7x − 14y − 15 = 0

Para cada um dos problemas seguintes determine o valor do declive e da orde-


nada na origem. Interprete o significado destes valores.

4. O número de mulheres na força laboral dos Estados Unidos da América


t
aumentou na década de 80. A equação n = 9 + descreve este aumento, onde
4
n é o número de mulheres com idades compreendidas entre os 35 e 44 anos
(medido em milhões) e t é o número de anos desde 1981 (t = 0 corresponde ao
ano de 1981).

5. O número de turistas que visitam o Algarve tem vindo a aumentar nos


últimos anos. A equação n = 150 + 10t descreve este aumento, onde n é o
número de turistas durante o verão (medido em milhares) e t é o número de
anos desde 1990 (t = 0 corresponde ao ano de 1990).

6. A taxa de juros tem vindo a diminuir. A equação que descreve esta diminuição
é T = 5, 7−0, 1t, onde T é a taxa de juros em unidades percentuais e t é o número
de bimestres desde o primeiro bimestre do ano de 1997 (t = 0 corresponde ao
primeiro bimestre do ano de 1997).
December 15, 2004 – 19 : 19 DRAFT 93

1.3.4 Determinação da equação reduzida de uma recta

Nesta secção vamos ver como podemos determinar a equação reduzida de


uma recta,
y = mx + k.

Observe que o que determina uma equação reduzida é o valor dos dois
parâmetros: m, o declive, e k, a ordenada na origem. As variáveis, x e y,
são as coordenadas de um ponto genérico e, portanto, não assumem nenhum
valor em particular.
A maneira como vamos determinar a equação vai depender da informação
que nos é dada. Vejamos os casos possı́veis:

ˆ O caso mais simples é quando conhecemos explicitamente os valores dos


dois parâmetros. Neste caso, basta substituir estes valores para termos
directamente a equação reduzida.

Exemplo 1.23

Determine a equação reduzida da recta que passa pelo ponto


(0, −3) e que tem declive igual a 2.

Resolução:

Observe que o ponto (0, −3) está sobre o eixo dos y ′ s. Logo, a ordenada
na origem é k = −3. Também sabemos o valor do declive, m = 2. Assim,
substituindo estes valores na equação, obtemos directamente a equação
reduzida recta pretendida,

y = 2x − 3. ♣

ˆ Outro caso é quando conhecemos apenas um dos parâmetros, o declive ou


a ordenada na origem, e um ponto. Neste caso, substituı́mos a informação
que temos na equação e determinamos o parâmetro que falta.
94 DRAFT December 15, 2004 – 19 : 19

Exemplo 1.24

Determine a equação reduzida da recta que passa pelo ponto


(−2, 3) e tem declive igual a -3.

Resolução:

Neste exemplo, o único parâmetro que conhecemos de antemão é o declive,


m = −3. Assim, substituindo esta informação, temos a equação,

y = −3x + k.

Ainda falta determinar o valor da ordenada na origem para concluirmos


o problema.
Observe que o ponto dado, (−2, 3), não corresponde à ordenada na origem
XIII. Determine a
porque não está sobre o eixo dos y ′ s. Portanto, contrariamente ao exemplo
equação reduzida da
recta que: anterior, não temos directamente o valor de k.
Mas, como nós queremos que o ponto (−2, 3) pertença à recta y = −3x+k,
a) passa pelo ponto
substituindo as coordenadas do ponto na equação, temos que obter uma
(1, 3) e tem k = 6.
relação verdadeira. Assim, temos
b) passa pelo ponto
(−3, −8) e tem m =
1.
3 = −3.(−2) + k
c) passa pela origem 3 = 6+k
e tem m = 8.
−k = 6−3
−k = 3 x(−1)
k = −3.

Ou seja, a equação reduzida da recta pretendida é y = −3x − 3. ♣

ˆ Finalmente, o último caso corresponde à situação em que conhecemos


apenas dois pontos da recta. Provavelmente, este é o caso mais frequente.
Se conhecemos dois pontos de uma recta, podemos determinar o declive
da recta usando a fórmula,

y2 − y1
m= .
x2 − x1

Determinado o valor do declive e com um dos pontos dados, estamos nas


condições do caso anterior.
December 15, 2004 – 19 : 19 DRAFT 95

Exemplo 1.25

Determine a equação reduzida da recta que passa pelos pontos


(3, 2) e (−2, 3).

Resolução:

Vamos determinar o declive da recta que passa por estes dois pontos.

3−2 c) y = 8x.
m =
−2 − 3 b) y = x − 5.
1
m = a) y = −3x + 6.
−5
1
m = − .
5 Soluções de XIII:

Substituindo esta informação na equação, temos

1
y = − x + k.
5

Como os dois pontos pertencem à mesma recta, podemos utilizar um deles


para determinar o parâmetro que falta. Por exemplo, vamos escolher
o primeiro, (3, 2). Substituindo os valores das coordenadas na equação,
XIV. Determine a
obtemos
equação reduzida da
1 recta que passa pelos
2 = − .(3) + k pontos:
5
3
2 = − +k a) (3, 7) e (4, 8).
5
3 b) (−1, 2) e (3, 10).
−k = − −2
5
c) (2, 3) e (0, 3)
−3 − 10
−k =
5
13
−k = − x(−1)
5
13
k = − .
5

(Convença-se que se tivesse escolhido o segundo ponto terı́amos obtido o


mesmo valor para k.) Logo, a equação reduzida da recta pretendida é

1 13
y =− x+− . ♣
5 5
96 DRAFT December 15, 2004 – 19 : 19

Exercı́cios 1.3.4

1. Determine a equação reduzida da recta que satisfaz as seguintes condições:

a) passa pelo ponto (0, 2) e tem m = −2.

b) passa pelo ponto (−3, 7) e tem m = 4.

c) passa pelo ponto (−5, −11) e tem k = 1.

d) passa pelo ponto (−9, 6) e tem m = −1.

e) passa pelo ponto (2, 0) e tem m = 8.

f) passa pelo ponto (3, 0) e tem k = 3.

g) passa pelo ponto (2, 2) e tem k = 0.

h) passa pela origem e tem m = −6.

2. Determine a equação reduzida da recta que passa pelos pontos:

a) (1, 2) e (3, 4) b) (6, 3) e (4, 3)

c) (−1, 0) e (3, 7) d) (−1, 1) e (0, 0)

e) (4, −3) e (8, 1) f) (13, 2) e (0, 1)


c) y = 3.
g) (6, 7) e (7, 6) h) (5, 5) e (6, 5)
b) y = 2x + 4.
a) y = x + 4. i) (9, 0) e (9, 1) j) (−9, 2) e (−7, 0)

k) (−1, 3) e (7, −5) l) (3, 6) e (6, −1)


Soluções de XIV:

3. Uma empresa tem uma despesa fixa diária de 300 euros e gasta 100 euros
por cada unidade produzida.

a) Determine a equação que descreve os gastos diários da empresa.

b) Usando a equação, determine a despesa que terá por mês se produzir 10


unidades diariamente (considere o mês com 22 dias úteis).

c) Se as despesas de um dia foram de 1500 euros, quantas unidades produziu


esta empresa?

4. O preço de uma determinada máquina nova é de 25000 euros. Supondo que


a máquina desvaloriza 1250 euros por ano,
December 15, 2004 – 19 : 19 DRAFT 97

a) Determine a equação que descreve esta desvalorização.

b) Qual é o valor da máquina ao fim de 5 anos?

c) Ao fim de quantos anos terá a máquina desvalorizado totalmente?

5. O número de alunos na UBI tem vindo a aumentar a uma taxa de 350 alunos
por ano. Se no ano lectivo de 1994/1995 havia 2935 alunos,

a) Determine a equação que descreve este aumento.

b) Qual é o número de alunos no ano lectivo de 1999/2000?

c) Em que ano lectivo o número de alunos ultrapassará a fasquia dos 5000


alunos?

1.4 Equações Quadráticas

Até agora temos visto apenas modelos lineares, isto é, modelos representados
por equações do 1o grau com duas incógnitas. Embora seja um modelo bastante
útil e conveniente, existem fenómenos do quotidiano que não podem ser des-
critos adequadamente por modelos lineares. Exemplo disto é a trajectória do
lançamento de um projéctil, conforme ilustrado na figura abaixo.

b b

A necessidade de mode-
los não-lineares para des-
crever certos fenómenos
b b
do quotidiano.

Assim, nesta secção, vamos introduzir o modelo não-linear das equações


quadráticas.
98 DRAFT December 15, 2004 – 19 : 19

1.4.1 Aspectos Gerais

As equações quadráticas que vamos estudar são do tipo

ax2 + bx + c + dy = 0

onde a 6= 0 e d 6= 0. Se a = 0 terı́amos uma equação do primeiro grau e não


uma do segundo grau; d 6= 0 porque senão desapareceria o termo em y, o que
nunca poderá acontecer!
À semelhança das equações do 1o grau com duas incógnitas, estamos interes-
sados em representar o gráfico de uma equação quadrática. Ou seja, pretende-
mos localizar todos os pontos do plano cartesiano cujas coordenadas satisfazem
a equação. Para encontrarmos um par-solução (também aqui precisamos de um
par de valores porque temos duas variáveis!) podemos atribuir valores a x ou a
y.
Consideremos o seguinte exemplo.

Exemplo 1.26

Encontre pares-solução da equação quadrática y − 2x2 + 3x − 1 = 0,


quando:

a) x = 0. b) y = 0
1
c) y = − d) y = −1.
8

Resolução:

a) Se atribuirmos a x o valor 0, isto é, se fizermos x = 0, temos

y − 2.(0)2 + 3.(0) − 1 = 0
y−0+0−1 = 0
y−1 = 0
y = 1,

ou seja, obtemos o par solução (0, 1).


December 15, 2004 – 19 : 19 DRAFT 99

b) Se atribuirmos a y o valor 0, isto é, se fizermos y = 0, temos

0 − 2x2 + 3x − 1 = 0
2
−2x + 3x − 1 = 0.

Aplicando a fórmula resolvente,


p
−3 ± 32 − 4.(−2).(−1)
x =
2.(−2)

−3 ± 9 − 8
x =
−4
−3 ± 1
x =
−4

1
e obtemos as soluções dadas por x = e x = 1. Assim, os pares-solução
2
1
são ( , 0) e (1, 0).
2
XV. Determine pares-
1 1 -solução das seguintes
c) Se atribuirmos a y o valor − , isto é, se fizermos y = − , temos
8 8 equações corresponden-
tes a x = 1 e y = −1:
1
− − 2x2 + 3x − 1 = 0
8
a) 3x2 − 4x + 1 + y = 0.
9
−2x2 + 3x − = 0
8 b) −x2 − 10 + y = 0.
c) x2 + 2x − y = 0
e, multiplicando ambos os membros por 8§ (ou achando o menor múltiplo
comum e eliminando o denominador de ambos os membros), obtemos,

−16x2 + 24x − 9 = 0.

Aplicando a fórmula resolvente a esta equação, obtemos


p
−24 ± 242 − 4.(−16).(−9)
x =
2.(−16)

−24 ± 576 − 576
x =
−32
−24 ± 0 −24 3
x = = = ,
−32 −32 4

3 1
ou seja, temos apenas um par-solução ( , − ).
4 8

§ Operação não obrigatória mas que evita efectuar contas na fórmula resolvente sem

fracções!
100 DRAFT December 15, 2004 – 19 : 19

d) Se atribuirmos a y o valor -1, isto é, se fizermos y = −1, temos

−1 − 2x2 + 3x − 1 = 0
2
−2x + 3x − 2 = 0.

Aplicando a fórmula resolvente, obtemos


p
−3 ± 32 − 4.(−2).(−2)
x =
2.(−2)

c) (1, 3) e (−1, −1). −3 ± 9 − 16
x =
−4
iste. √
b) (1, 11); y = −1 não ex- −3 ± −7
x = ,
3 −4
a) (1, 0), (0, −1) e ( , −1).
4
e, como o radicando é negativo, não existe par-solução para este valor de
Soluções de XV: y. ♣

Comentários:

1. Para encontrarmos pares-solução, podemos atribuir valores a x ou a y;

2. Se atribuirmos valores a x, obtemos uma equação do 1o grau em y. Já


sabemos que estas equações admitem sempre uma, e só uma, solução.

3. Se atribuirmos valores a y, obtemos uma equação do 2o grau em x. Já


sabemos que estas equações podem ter duas soluções, uma ou nenhuma.

Assim, chegamos à seguinte conclusão:

Se quisermos encontrar um par-solução de uma equação quadrá-


tica é preferı́vel atribuir valores a x. Atribuir valores a y implica
resolver em seguida uma equação do 2o grau que, a priori, é mais
difı́cil e nem sempre tem solução.

Exercı́cios 1.4.1

1. Determine os pares-solução das seguintes equações:

a) 2x2 + 5x − 5 + 2y = 0 quando x = 0, x = 1 e y = 1.
1
b) −x2 + 6x − 10 + y = 0 quando x = −1, x = − e y = 1.
2
c) x2 − 8x + 12 − 5y = 0 quando x = 2, y = −3 e y = 1.
December 15, 2004 – 19 : 19 DRAFT 101

1.4.2 Caracterı́sticas Gráficas

Nesta secção vamos estudar as caracterı́sticas gráficas das equações quadrá-


ticas e apresentar um método eficaz de as representar graficamente. Para isso,
vamos inicialmente ver um exemplo.
Consideremos a equação y − x2 = 0, ou ainda, y = x2 . Para “tentarmos”
visualizar o gráfico desta equação vamos determinar alguns pares-solução. Para
isso, já vimos que é preferı́vel atribuir valores à variável x. Se atribuirmos ao x,
por exemplo, os valores −3, −2, −1, 0, 1, 2 e 3, construı́mos a seguinte tabela:

x y
-3 9
-2 4
-1 1
0 0
1 1
2 4
3 9

Marcando os pontos da tabela anterior no plano cartesiano e unindo-os por


uma curva, obtemos o gráfico seguinte, (atenção que não é uma curva qualquer!)

b b
b y b
9
8
7
6
5
b b
b 4 b

3 b b
2
b1 b
b
x
−3 −2 −1 1 2

CORRECTO IMPERFEITA
A esta curva chamamos parábola.
Todas estas equações quadráticas são representadas graficamente por pará-
bolas. As parábolas podem ter duas orientações: se estiverem “abertas” para
102 DRAFT December 15, 2004 – 19 : 19

cima (risonhas), dizemos que têm a concavidade voltada (ou virada) para cima;
se estiverem “abertas” para baixo(tristonhas), dizemos que têm a concavidade
voltada (ou virada) para baixo.
Sentido da concavidade:
ou para cima ou para
baixo!

Concavidade voltada para baixo


Concavidade voltada para cima

O ponto mais alto nas parábolas voltadas para baixo e o ponto mais baixo
das parábolas voltadas para cima é designado por vértice. Este é um dos pontos
mais importantes da parábola.

Vértice
O vértice: um ponto
“extremo”!

Vértice

As parábolas têm uma simetria particular. A recta vertical que passa pelo
vértice é designada por eixo de simetria. Se dobrarmos a parábola segundo este
eixo, podemos ver que as duas metades coincidem.

Eixo de simetria!

Eixo de Simetria
December 15, 2004 – 19 : 19 DRAFT 103

O método que utilizámos para esboçar a parábola anterior pode ser designa-
do por método da “força bruta”, ou seja, “arregaçamos as mangas” e calculamos
vários pontos até termos os suficientes para esboçar a parábola. Porém, este
método nem sempre dá bons resultados. Por exemplo, ao atribuirmos valores a
x podemos não “atingir” o vértice e, consequentemente, não saberemos qual é
o ponto mais alto ou mais baixo da parábola, conforme for o caso.
As parábolas têm um conjunto caracterı́stico de dados que permitem traçá-
-las sem grande dificuldade. Estes dados são: a concavidade, o ponto de inter-
secção¶ com o eixo dos y’s, o ponto de intersecção com o eixo dos x’s e o vértice.
Intersecção e não inter-
Com estes dados, podemos fazer um esboço razoável de uma parábola.
cepção!
Vejamos cada um separadamente.

ˆ Concavidade

Dada a equação quadrática ax2 + bx + c + dy = 0 (que agora passaremos


também a designar por equação geral da parábola, por motivos óbvios),
podemos reescrevê-la de modo a isolar o y no primeiro membro,
Equação reduzida da pa-
y = ax2 + bx + c.
rábola.

Observe que os coeficientes a, b, c não são os mesmos para as duas equações. O y aparece isolado no
Esta equação designaremos por equação reduzida da parábola (à semelhan- primeiro membro!
ça do que fizemos com a equação reduzida da recta).

– Se na equação reduzida da parábola a > 0, então a parábola está


com a concavidade voltada para cima;
– Se na equação reduzida da parábola a < 0, então a parábola está
com a concavidade voltada para baixo.

a>0 a<0

Portanto, sem esboçar a parábola, temos a noção da sua orientação in-


speccionando apenas a sua equação! (Faça a analogia com a informação
que nos dá o declive na equação reduzida da recta.)
¶ Atenção à diferença:

intersecção: acto de cortar pelo “meio”;


interceptar: interromper o curso de; impedir!
104 DRAFT December 15, 2004 – 19 : 19

Exemplo 1.27

Dada a equação 3y − 3x2 + 14x − 15 = 0, determine a orientação da


concavidade da parábola sem representar o seu gráfico.
Resolução:
XVI. Sem esboçar o
gráfico, determine a
Para determinarmos a concavidade de uma parábola, basta escrever a
orientação da concavi-
dade da cada uma das
equação na forma reduzida, ou seja, isolar o y no primeiro membro. Assim,
parábolas seguintes: temos

a) 7x2 + 8 − y = 0. 3y − 3x2 + 14x − 15 = 0


b) 9x2 − 4x + 3y = 0. 3y = 3x2 − 14x + 15
c) −11x2 − 8y = 0 3x2 − 14x + 15
y =
3
2 14
y = x − x+5
3

Inspeccionando a equação, verificamos que o coeficiente do termo em x2 é


igual a 1 e, portanto, é positivo. Logo a parábola está voltada para cima.

ˆ Ponto de intersecção com o eixo dos y’s (P Iy )

Toda a parábola “corta” o eixo dos y’s uma, e só uma, vez.
Todo o ponto sobre o eixo dos y ′ s tem abcissa nula.

(0,y)

Assim, para encontrarmos o ponto de intersecção com o eixo dos y ′ s,


atribuı́mos a x o valor 0, isto é, fazemos x = 0 e calculamos a respectiva
ordenada y.
December 15, 2004 – 19 : 19 DRAFT 105

Exemplo 1.28

Determine o ponto de intersecção com o eixo dos y’s da parábola


dada pela equação 3y − 3x2 + 14x − 15 = 0.

Resolução
XVII. Determine o
′ ponto de intersecção
Para determinarmos o ponto de intersecção com o eixo dos y s (P Iy ),
com o eixo dos y’s para
basta atribuirmos o valor 0 a x. Assim, temos cada uma das parábolas
do problema XVI.
3y − 2.(0)2 + 5.(0) − 15 = 0
3y − 0 + 0 − 15 = 0
3y − 15 = 0
3y = 15
15 c) Para cima.
y = = 5.
3 b) Para baixo.
a) Para cima.
Logo, o P Iy é (0, 5). ♣
Soluções de XVI:
ˆ Ponto de intersecção com o eixo dos x’s (P Ix )

Uma parábola pode “cortar” o eixo dos x′ s duas vezes, uma vez ou pode
até nem “cortar”.

y y

x x

“corta” duas vezes o eixo “corta” apenas uma vez


106 DRAFT December 15, 2004 – 19 : 19

não “corta” o eixo

c) (0, 0)
b) (0, 0)
Todo o ponto sobre o eixo dos x′ s tem ordenada nula.
a) (0, 8)

Assim, para encontrarmos o(s) ponto(s) de intersecção com o eixo dos x′ s


Soluções de XVII:
(P Ix ), atribuı́mos o valor y = 0 e calculamos a(s) respectiva(s) abcissas
(x).

Exemplo 1.29

Determine os pontos de intersecção com o eixo dos x’s da parábola


dada pela equação 3y − 3x2 + 14x − 15 = 0.

Resolução:

Para determinarmos o ponto de intersecção com o eixo dos x′ s (P Ix ),


basta atribuirmos o valor 0 a y. Assim, temos

3.(0) − 3x2 + 14x − 15 = 0


0 − 3x2 + 14x − 15 = 0
2
−3x + 14x − 15 = 0.
December 15, 2004 – 19 : 19 DRAFT 107

Aplicando a fórmula resolvente, temos


p
−14 ± 142 − 4.(−3).(−15)
x =
2.(−3)

−14 ± 196 − 180
x =
−6

−14 ± 16 −14 ± 4
x = = ,
−6 −6

5 5
donde obtemos as soluções e 3, isto é, dadas por x = e x = 3.
3 3 XVIII. Determine, caso
exista, os pontos de in-
5 tersecção com o eixo dos
Portanto, neste exemplo, existem dois P Ix que são ( , 0) e (3, 0). ♣
3 x’s para cada uma das
parábolas seguintes:

a) −x2 + 9y = 0.
ˆ Vértice
b) 6x2 − 12x − 3y = 0.

Falemos inicialmente do eixo de simetria. Como já foi dito, toda a parábola c) −x2 + 5x − 6 + y = 0

tem um eixo de simetria, e este eixo é uma recta vertical que passa pelo d) −8x2 +x−1+11y = 0

vértice. Ou seja, se dobrarmos uma parábola sobre o seu eixo de simetria,


os dois “braços” da parábola coincidirão. Por outras palavras, se tivermos
um ponto sobre a parábola em um dos “braços”, então existirá outro ponto
sobre o outro “braço”, à mesma distância do eixo de simetria e à mesma
altura. (Note que a altura é neste caso o valor da ordenada!)

Consideremos uma parábola e uma recta horizontal que intersecte a pará-


bola em dois pontos. Sejam x1 e x2 as abcissas destes pontos (ver figura
abaixo). Como os dois pontos estão sobre uma mesma recta horizontal,
terão forçosamente a mesma ordenada y (Convença-se!)

Observe que, se dobrarmos a parábola ao meio, sobre o seu eixo de sime-


tria, estes pontos coincidirão. Isto é equivalente a dizer que x1 e x2 estão
à mesma distância do eixo de simetria. Ou ainda, que o eixo de simetria
x1 + x2
passa a meio dos dois pontos. O ponto médio será .
2

Já vimos que o eixo de simetria passa pelo vértice e é uma recta vertical.
Como as equações das rectas verticais são do tipo x = k (k constante),
todos os pontos do eixo de simetria terão a mesma abcissa. A equação
do eixo de simetria será x = xv , onde xv é a abcissa do vértice. Em
particular, o ponto médio está sobre esta recta, logo, podemos concluir
x1 + x2
que xv = .
2
108 DRAFT December 15, 2004 – 19 : 19

x1 + x2
2
x1 x2

d) Não existe.
c) (2, 0) e (3, 0)
b) (0, 0) e (2, 0)
a) (0, 0) Assim, para determinar a abcissa do vértice, basta encontrar dois pontos
sobre uma mesma recta horizontal e calcular a média. A ordenada do
Soluções de XVIII:
vértice obtém-se substituindo o valor da abcissa do vértice na equação da
parábola e calculando o valor correspondente do yv .

Fica uma pergunta por fazer. Dissemos que basta encontrar dois pontos
sobre uma mesma recta horizontal. A pergunta é: “Mas qual é a recta
horizontal que escolhemos?”.

Vamos ver que existem duas rectas mais convenientes.

– Se a parábola intersectar o eixo dos x′ s, então quando calculamos


o P Ix obtemos dois pontos sobre uma recta horizontal (neste caso,
o eixo dos x′ s). Se só houver um ponto de intersecção, então este
ponto só poderá ser o vértice (medite!).

– Se a parábola não intersectar o eixo dos x′ s, então teremos de en-


contrar uma recta que “corte”. Vamos ver que existe uma recta
privilegiada, que designaremos por recta conveniente.

Recta Conveniente

Se a parábola não intersecta o eixo dos x′ s, então a recta conveniente é


a recta horizontal que intersecta o eixo dos y ′ s no mesmo ponto que a
parábola.
December 15, 2004 – 19 : 19 DRAFT 109

Se consideramos a equação reduzida da parábola, y = ax2 + bx + c, a


equação da recta conveniente é y = c.
Vejamos dois exemplos.

Exemplo 1.30

Determine o vértice da parábola dada pela equação y = x2 −−3x+


2.

Resolução:
XIX. Determine o
′ vértice de cada uma das
Vamos ver se a parábola intersecta o eixo dos x s. Para isso, basta sub-
parábolas do problema
stituir na equação o y por 0. Assim, temos XVIII.

0 = x2 − 3x + 2.

Aplicando a fórmula resolvente, obtemos


p
−(−3) ± (−3)2 − 4.(1).(2)
x =
2.(1)

3± 9−8
x =
√2
3± 1
x =
2
3±1
x = ,
2

ou seja, obtemos dois pontos, (2, 0) e (1, 0).


110 DRAFT December 15, 2004 – 19 : 19

Como estes dois pontos estão sobre a mesma recta horizontal, o xv é igual à
média (ou semi-soma) das abcissas obtidas pela fórmula resolvente. Assim,
temos

1+2
xv =
2
3
xv = .
2

Para determinarmos o valor da ordenada do vértice, yv , basta substituir


3
na equação o x por . Ou seja,
2
µ ¶2 µ ¶
3 3
yv = − 3. +2
2 2
9 9
yv = − +2
4 2
9 − 18 + 8
yv =
4
¶ µ
16 352
, d) V 1
1 31
yv = − .
4
¶ µ
2 4
,− c) V
5 1
b) V (1, 0) µ ¶
3 1
Logo, as coordenadas do vértice são: V , .
2 4
a) V (0, 0)

Observe que neste exemplo também podı́amos ter aplicado o conceito da


Soluções de XIX:
recta conveniente para determinar as coordenadas do vértice. No entanto,
como geralmente procuramos primeiro saber se a parábola intersecta o
eixo dos x′ s, caso estes pontos existam, não precisamos recorrer à recta
conveniente. ♣

Exemplo 1.31

Determine o vértice da parábola dada pela equação y = x2 ++2x+


4.

Resolução:

Vamos ver se a parábola intersecta o eixo dos x′ s. Para isso, basta sub-
stituir na equação o y por 0. Assim, temos

0 = x2 + 2x + 4.
December 15, 2004 – 19 : 19 DRAFT 111

Aplicando a fórmula resolvente, obtemos


p
−(2) ± (2)2 − 4.(1).(4)
x =
2.(1)

−2 ± 4 − 16
x =
2

−2 ± −12
x = ,
2

e, como não existem raı́zes quadradas de números negativos, concluı́mos


que esta parábola não intersecta o eixo dos x′ s. Isto não significa que
não exista a parábola nem que seja impossı́vel determinar o vértice. Si-
gnifica apenas que, para determinar o vértice temos que recorrer à recta
conveniente.

Neste exemplo, a equação da recta conveniente é y = 4. Assim, subs-


tituindo este valor de y na equação, obtemos os seguintes valores de x:

4 = x2 + 2x + 4
0 = x2 + 2x + 4 − 4
0 = x2 + 2x.

Sendo esta equação do 2o grau, podemos aplicar a fórmula resolvente para


a resolver. No entanto, como não tem termo independente (c = 0, o c desta
equação e não o c da equação inicial!), podemos resolver factorizando a
expressão do 2o membro. Assim, temos

0 = x.(x + 2)

cujas soluções são 0 e 2, isto é, são dadas por x = 0 e x = −2. Observe que
determinámos dois pontos: (0, 4) e (−2, 4).Como estes dois pontos estão
sobre a mesma recta horizontal (y = 4), o valor da abcissa do vértice será
a média das duas abcissas obtidas. Assim, temos

0 + (−2)
xv =
2
−2
xv =
2
xv = −1.

Para determinarmos o valor da ordenada, basta substituir na equação o x


112 DRAFT December 15, 2004 – 19 : 19

por 1 e obtemos:

yv = (−1)2 + 2.(−1) + 4
yv = 1−2+4
yv = 3.

Ou seja, o vértice tem coordenadas V (−1, 3). ♣

Exercı́cios 1.4.2

1. Determine o vértice das parábolas, aplicando o conceito da recta conveniente.

a) y = 7x2 − 3x + 4 b) y − 4x2 + 2x − 1 = 0

c) y + x2 − 6x = 0 d) y = −5x2 + 6

e) y = (x + 4)(x − 2) f) y = (2 − x)x

2. Determine o ponto de intersecção com o eixo dos x′ s.

a) y = x2 + 4x + 4 b) y = (x + 1)(x + 10)

c) y = (x + 3)(5 − x) d) y = −5x2 − 6

e) y = x2 − 4 f) y = x2 + 1

3. Esboce o gráfico das seguintes equações: [Nota: indicará o ponto de inter-


secção com o eixo dos y ′ s, o ponto de intersecção com o eixo dos x′ s, o vértice,
o sentido da concavidade e o eixo de simetria.]

a) y = x2 − 4x + 4 b) y = 4x2 + 5x − 6

c) y = −x2 − 5x d) y = −3 − x2

e) y = x2 − 9 x2
f) y = − 10x
2

4. Esboce no mesmo plano cartesiano as equações y = x2 e y = x2 + 1.


Observe que a única diferença entre estas duas equações é o valor do termo
independente. Observando o gráfico das duas equações, que conclusão podemos
tirar desta diferença?
December 15, 2004 – 19 : 19 DRAFT 113

5. Esboce no mesmo plano cartesiano as equações y = x2 , y = 2x2 e y = 3x2 .


Observe que o que as diferencia é o coeficiente do termo em x2 . Observando o
gráfico, que conclusão podemos tirar quanto a esta diferença?

6. O custo médio (em dezenas de euros) por unidade para produzir x unidades
de um certo produto é de C = x2 − 16x + 67.

a) Qual é o número de unidades que deve ser produzido para minimizar o


custo?

b) Qual é este preço?

7∗ . A figura seguinte ilustra a localização relativa de três cidades. Pretende-se


construir uma unidade hospitalar que sirva as três cidades. Para isso, o local da
construção deverá ser tal que a soma dos quadrados das distâncias da unidade
a cada uma das cidades seja mı́nima. Isto é, pretende-se minimizar

3
X
y= (xi − x)2
i=1

ou ainda,
y = (x1 − x)2 + (x2 − x)2 + (x3 − x)2

onde xi é a localização da cidade i e x é a localização da futura unidade hospi-


talar.

23Km 38Km 62Km

cidade 1 cidade 2 cidade 3

a) Determine a expressão de y.

b) Determine qual deve ser o local da futura unidade.

8∗ . Verifique que as coordenadas do vértice de uma parábola de equação y =


ax2 + bx + c são µ ¶
b 4ac − b2
V − , .
2a 4a
114 DRAFT December 15, 2004 – 19 : 19

Exercı́cios de Revisão

1. [Exame de Recurso 90/91] Seja a recta que passa pelo ponto (1, 2) e que
1
tem declive − . Qual dos pontos seguintes pertence à recta
3
a) (0, 3) b) (0, −3) c) (−3, 1) d) (−2, 3) e) (2, −2)

2. [Exame de Recurso 90/91] Segundo uma estimativa feita por uma empresa
especializada, o valor de um autocarro diminui, em cada ano, 13% do seu
valor inicial. O valor do autocarro inicial foi de 10.000 contos. O seu valor
em contos ao fim de 7 anos é

a) 2300 b) 5100 c) 1600 d) 3700 e) 900

3. [Frequência 91/92] Escreva a equação reduzida da recta que contém os


pontos de coordenadas (−4, 0) e (0, 3).

4. [Frequência 91/92] Escreva uma equação geral da recta que contém os


pontos de coordenadas (1, 2) e (−1, 3).

5. [Exame de Recurso 90/91] Um automóvel novo (zero quilómetros) custa


2.000 contos. Por cada quilómetro, o automóvel desvaloriza 40 escudos
e por cada mês, após a compra, desvaloriza 30.000 escudos. Qual é a
equação linear que nos dá o valor do automóvel ao fim de x quilómetros e
de y meses?

6. [Frequência 91/92] Trace o gráfico da equação quadrática y = x2 − 3x + 2.


[Nota: Indicará: intersecção com o eixo dos y ′ s; intersecção com o eixo
dos x′ s; equação do eixo de simetria; vértice]

7. [Frequência 93/94] Esboce o gráfico da equação quadrática y = x2 +x−20.


[Nota:Indique claramente a intersecção com o eixo dos x′ s e dos y ′ s,
coordenadas do vértice, sentido da concavidade e a equação do eixo de
simetria.]

8. [Frequência 96/97] O preço tabelado da desvalorização de uma máquina é


expresso pela equação linear P = 5000 − 250t, onde P é o preço em contos
e t é a idade da máquina em anos.
December 15, 2004 – 19 : 19 DRAFT 115

(a) Encontre a intersecção com os eixos e interprete o seu significado.

(b) Determine o valor monetário que a máquina tem ao fim de 4 anos.

(c) Qual é o declive da recta e o seu significado?

(d) Esboce o gráfico da equação.

9. [Frequência 96/97] Esboce o gráfico da parábola de equação y = −2x2 +


+4x − 2 e da recta que passa pelo vértice da parábola e pelo ponto (2, 1).

10. [Exame 96/97] Supondo que a motivação do aluno por uma parte da
matéria varia de acordo com a equação m = 4.(8 − t)(t + 2), onde m é a
motivação em percentagem e t o tempo em dias desde o inı́cio do primeiro
contacto com a matéria, determine:

(a) A percentagem inicial de motivação.

(b) Quanto tempo leva um aluno a ficar 100% desmotivado (motivação


igual a 0%).

(c) A motivação no terceiro dia.

11. [Exame 96/97] Esboce o gráfico da parábola y = x2 − 4x − 5 e da recta


de declive nulo que passe pelo vértice da parábola. [Nota: Indicará a
intersecção com o eixo dos y ′ s, intersecção com o eixo dos x′ s e o vértice
da parábola.]

12. [Exame de Recurso 96/97] Escreva a equação reduzida da recta que passa
pelos pontos (−4, 0) e (0, 3).

13. [Exame de Recurso 96/97] Considere a recta de equação y − 2x − 6 = 0.


Qual das seguintes rectas é paralela a esta? (Justifique!)

a) y − x − 6 = 0 b) −y + x − 6 = 0

c) 2y − x − 6 = 0 d) −y + 2x + 1 = 0
116 DRAFT December 15, 2004 – 19 : 19

14. [Exame de Recurso 96/97] Considere o seguinte gráfico

Uma equação reduzida desta recta poderia ser: (Justifique!)

a) y = c − 1 b) −y = −x − 1

c) y = −x − 1 d) y = x + 1

15. [1a µ
Frequência
¶ µ97/98]¶Determine a equação reduzida que passa pelos pon-
1 3
tos , 3 e −2, .
2 2

16. [1a Frequência 97/98] Esboce o gráfico da recta 2y − 3x + 12 = 0.

17. [1a Frequência 97/98] Esboce o gráfico da parábola y = (x + 1)(x − 5).


[Nota: indicará a intersecção com o eixo dos y ′ s, intersecção com o eixo
dos x′ s e o vértice.]

18. [1a Frequência 97/98] Escreva um pequeno ensaio sobre

“Cálculo das coordenadas do vértice de uma parábola.”

19. [1a Frequência 98/99] Represente o gráfico da equação −2x + 3y = 12.

3
20. [1a Frequência 98/99] Sabendo que uma recta tem declive igual a e que
5
passa pelo ponto (−1, 4), encontre o ponto da recta de abcissa igual a −4,
SEM determinar a equação da recta. (Justifique!)
December 15, 2004 – 19 : 19 DRAFT 117

21. [1a Frequência 98/99] Encontre a equação reduzida da recta que passa
pelo ponto (−18, 12) e que é paralela à recta de equação 2x − 5y + 21 = 0.

22. [1a Frequência 98/99] Diga porque razão os pontos (2, −5), (4, −1), (−1, −1)
e (5, −5) não podem pertencer a uma mesma parábola.

23. [Exame Final 98/99] Encontre a equação reduzida da recta que passa pelo
ponto (1, −5) e tem ordenada na origem igual a −7. Esboce o gráfico
desta recta.

24. [1a Frequência 99/00] No lançamento de um projéctil, a variação da altura


(em metros) com o tempo (em segundos) é dada pela equação h = −5t2 +
+20t. Determine,

(a) A altura máxima que atinge o projéctil.


(b) O tempo que leva até atingir novamente o chão (h = 0).

25. Dada a equação reduzida da parábola, y = ax2 +bx+c, e usando o conceito


da recta conveniente,
µ ¶ verifique que as coordenadas desta parábolas são
b 4ac − b2
− , .
2a 4a
118 DRAFT December 15, 2004 – 19 : 19
Capı́tulo 2

Sistemas de Equações

Neste capı́tulo, vamos estudar alguns métodos para resolve um sistema de


equações lineares. Existem vários métodos de resolução: o método da substi-
tuição, provavelmente o mais familiar para o aluno, remonta a tempos longı́nquos;
o método da eliminação, embora já exista há muitos séculos foi sistematizado
por Karl Fredrich Gauss (1777 − 1855) e Camile Jordan (1838 − 1922). Este
último método conduziu, de uma maneira natural, ao método matricial, muito
utilizado nos computadores para resolver sistemas de grande dimensão.
Veremos que o método matricial é o mais importante, porque permite resolver
e classificar os sistemas de equações de uma maneira directa e sistemática.

2.1 Método da Substituição e Método da Elimi-


nação
Um sistema de equações lineares é um conjunto de duas ou mais equações
do 1o grau. A seguir apresentamos alguns exemplos.
(
x+y = 1
Duas equações e duas incógnitas.
−2x + y = 0



 x+y = 1 Usamos uma chaveta pa-
2x + y = 0 Três equações e duas incógnitas. ra nos lembrarmos que


−3x + y = 5 estamos perante um sis-
tema de equações.

 2x + 4y
 = −1
2x + z = 6 Três equações e três incógnitas.


−5y + z = 15

119
120 DRAFT December 15, 2004 – 19 : 19

(
x + y − 2z = 0
Duas equações e três incógnitas.
−3x + y + z = 5

É importante tipificar os sistemas de equações quanto à sua dimensão, isto é,


pelo número de equações e pelo número de incógnitas. Assim, de um modo
geral, se um sistema de equações consiste de m equações com n incógnitas,
dizemos que o sistema é do tipo mxn, e lê-se “m por n”. Nos exemplos acima
apresentados, vemos que o primeiro é do tipo 2x2; o segundo é do tipo 3x2; o
terceiro é do tipo 3x3; e o último é do tipo 2x3.

Resolver um sistema de equações é determinar o conjunto de valores que as


incógnitas podem tomar de modo a satisfazer, simultaneamente, todas as equações
do sistema. Por exemplo, para o sistema
(
x+y = 7

! Importante! 2x − y = 2

o par ordenado: (3, 4), é um par-solução. Com efeito, se substituirmos no


Cada solução terá que sistema o x por 3 e o y por 4, obtemos
ter tantos valores quanto
o número de incógnitas:
(
(3) + (4) = 7
um valor para cada incó-
gnita! 2.(3) − (4) = 2

ou ainda, (
7 = 7
2 = 2
e temos duas identidades.
! Importante! Como vamos ver de seguida, o conjunto solução pode ser vazio, pode ter um
único elemento, ou pode ter uma infinidade de elementos. Quando um sistema
Um sistema linear de de equações tem pelo menos uma solução, dizemos que o sistema é consistente
equações que tenha mais
ou possı́vel. Caso contrário, dizemos que o sistema é inconsistente ou impossı́vel.
do que uma solução
é porque tem uma
infinidade de soluções. Nos casos de sistemas de equações lineares com duas incógnitas∗ , como cada
Isto significa que não equação é representada graficamente por uma recta, é fácil interpretar a con-
podemos ter um sistema
sistência ou inconsistência do sistema.
com apenas duas (ou
qualquer outro número Vamos por isso considerar o caso de um sistema com duas incógnitas com apenas
diferente de 1) de duas equações, ou seja, que o sistema é do tipo 2x2. Temos três situações
soluções.
distintas:

1. As duas rectas intersectam-se em um único ponto. Isto é, só existe um


∗ Nos sistemas com três incógnitas, cada equação corresponderia graficamente a um plano.

No entanto, estes casos ficam fora do âmbito do nosso curso.


December 15, 2004 – 19 : 19 DRAFT 121

ponto que é comum às duas rectas. Logo, só existe um par de valores
(um valor para x e outro para y), que satisfaz simultaneamente as duas
equações. Este par é dado pelas coordenadas (x0 , y0 ) do ponto. O sistema
é consistente.

y
s
r

y0 b

x0 x

2. As duas rectas são paralelas. Neste caso, não existe nenhum ponto em
comum. Isto é, não existe qualquer par de valores que satisfaça simul-
taneamente as duas equações. O sistema é inconsistente.

3. As duas rectas são coincidentes. Isto é, todos os pontos de uma são e-
xactamente os mesmos pontos da outra. Ou seja, existe uma infinidade
de pares de valores que satisfazem as duas equações: todos! O sistema é
consistente e tem uma infinidade de soluções.
122 DRAFT December 15, 2004 – 19 : 19

r
s

Será que existe outra


possibilidade para além
destas três? Será pos-
sı́vel, por exemplo, que
duas rectas se intersec-
tem apenas em dois pon-
tos?

Portanto, sempre que tivermos um sistema de equações com duas incógnitas,


podemos recorrer ao gráfico das rectas que essas equações representam, para
termos uma ideia da solução. [Este processo é válido mesmo que o sistema de
equações tenha mais do que duas equações.]

Vejamos um exemplo.

Exemplo 2.1

(
5x − 3y = −1 (1)
Esboce o gráfico do sistema: .
−10x + 9y = 4 (2)

Resolução:

5 1
A recta (1) tem declive m = e ordenada na origem k = . A recta (2) tem
3 3
10 4
declive m = e ordenada na origem k = .
9 9
Para esboçar o gráfico deste sistema de equações procedemos, para cada uma
das equações, da maneira indicada no capı́tulo anterior. Assim, para traçar cada
uma destas rectas temos que determinar dois pontos:
December 15, 2004 – 19 : 19 DRAFT 123

Equação (1) Equação (2)

• Ponto de Intersecção com o eixo • Ponto de Intersecção com o eixo


dos y ′ s (x = 0) dos y ′ s (x = 0)

1 4
(0, ) (0, )
3 9

• Ponto de Intersecção com o eixo • Ponto de Intersecção com o eixo



dos x s (y = 0) dos x′ s (y = 0)

1 2
(− , 0) (− , 0)
5 5
Se marcarmos estes pontos no plano cartesiano e unirmos os correspondentes a I. Esboce o gráfico dos
cada uma das rectas, obtemos o gráfico seguinte, sistemas seguintes:

(
y −x + 2y = 0
3 a)
(1) 3x − 6y = −12
(2) (
6x + 3y = 9
2 b)
2x + y = 3

1
bb
bb

−3 −2 −1 1 2 3x
−1

−2

−3

Do gráfico anterior, vemos que as rectas se intersectam. Logo, o sistema tem


1 2
uma única solução. A solução é dada por x = e y = . (Verifique que estes
5 3
dois valores satisfazem as duas equações!)

Nem sempre é fácil determinar a solução graficamente. Um gráfico mal traçado


pode enganar-nos. Assim, para obtermos valores correctos, recorremos a métodos
algébricos. Vamos ver, em primeiro o lugar, método da substituição.

2.1.1 Método da Substituição


O método da substituição consiste em isolar incógnitas e substituir o resul-
tado nas equações restantes. Deste modo, diminuı́mos a dimensão do sistema.
124 DRAFT December 15, 2004 – 19 : 19

Vamos proceder assim até restar apenas uma incógnita, caso não se esgotem as
equações primeiro.
−6 Mais concretamente, os passos a seguir são:
−5
−4
−3 (1) Isolar uma das incógnitas em uma das equações do sistema.
−2
−1 1 2 3 4 5
−6−5−4−3−2
−1
x
1 (2) Substituir o resultado da alı́nea anterior em todas as equações restantes.
2
3
4 (3) Se do passo anterior resultar um sistema com apenas uma incógnita, re-
5
solvemos as equações para essa incógnita. Caso contrário, repetimos os
y
passos (1) e (2) até sobrar apenas uma incógnita. (Isto se as equações não
b) acabarem antes!)

(4) Caso o sistema seja consistente, determinamos o valor das outras incógnitas
−3 substituindo o resultado do passo anterior no sistema conveniente. Pro-
−2 cedemos assim sucessivamente até determinarmos todas as incógnitas.

−1
2 1 −3 −2 −1 Vejamos um exemplo.
x

1
2
Exemplo 2.2
y
(
5x − 3y = −1 (1)
a) Resolva o sistema usando o método da
−10x + 9y = 4 (2)
Soluções de I:
substituição.

Resolução:

(1) Isolamos uma das incógnitas. Neste caso, tanto faz isolar o x ou o y.†
Vamos por exemplo isolar o x na primeira equação:

5x − 3y = −1
5x = 3y − 1
3y − 1
x = . (A)
5

(2) substituı́mos o resultado anterior nas equações restantes. Neste exemplo,

† Com a experiência passamos a ter percepção que existem problemas em que é preferı́vel

isolar uma das incógnitas em detrimento das outras.


December 15, 2004 – 19 : 19 DRAFT 125

temos apenas a segunda equação.

−10x + 9y = 4
µ ¶
2 3y − 1
−10. + 9y = 4
5
−2.(3y − 1) + 9y = 4

II. Resolva os sistemas


seguintes utilizando o
(3) obtivemos uma equação com apenas uma incógnita. Resolvendo esta
método da substituição:
equação obtemos o valor de y. Assim, temos:
(
−2x + y = 2
a)
−2.(3y − 1) + 9y = 4 −x + 3y = −4
(
−6y + 2 + 9y = 4 3x + y = −11
b)
6x − 2y = −2
3y = 4−2
2
y = .
3

(4) Conhecendo o valor de y, substituı́mo-lo na expressão (A) para determinar


o valor de x.

3y − 1
x =
5 ¶
µ
2
3. −1
3
x =
5
2−1
x =
5
1
x = .
5

1 2
A solução do sistema de equações é dada por x = e y = . (Não esqueça
5 3
da interpretação gráfica da solução.
µ Este
¶ resultado significa que as duas
1 2
rectas se intersectam no ponto , !) ♣
5 3

As desvantagens deste método são:

ˆ Obriga a trabalhar com fracções;

ˆ Se houver muitas variáveis e muitas equações, o processo pode tornar-se


confuso.
126 DRAFT December 15, 2004 – 19 : 19

O esquema seguinte ilustra o processo de resolução de um sistema do tipo 3x3.

1. Isolar uma incógnita, 2. Isolar outra incógnita,


por exemplo, o z por exemplo, o y

Sistema Sistema Sistema


3x3 2x2 1x1
x,y,z x,y x

b) x = −2 ; y = −5

a) x = −2 ; y = −2
4. Substituir valor de x e y no 3. Substituir valor de x no sis-
sistema 3x3 para determinar tema 2x2 para determinar
Soluções de II: o valor de z o valor de y

Vejamos um exemplo.

Exemplo 2.3



 2x + 3y − z = −4 (1)
Determine a solução do sistema: −3x − 4y + 2z = 9 (2)


x + y + 3z = 11 (3)
usando o método da substituição.
Resolução:

Vamos isolar o z na primeira equação. Assim, temos,

−z = −4 − 2x − 3y x(−1)

z = 4 + 2x + 3y. (B)

Substituindo este resultado nas outras duas equações ((2) e (3)), obtemos o
seguinte sistema 2x2:
(
−3x − 4y + 2.(4 + 2x + 3y) = 9
,
x + y + 3.(4 + 2x + 3y) = 11
December 15, 2004 – 19 : 19 DRAFT 127

ou ainda, (
−3x − 4y + 8 + 4x + 6y = 9
x + y + 12 + 6x + 9y = 11
(
x + 2y = 1
. (C)
7x + 10y = −1

Para evitar as fracções, vamos agora isolar o x na primeira equação do sistema III. Resolva os sistemas
seguintes utilizando o
2x2 anterior. Temos,
método da substituição:

x = 1 − 2y. (D)  x+y+z =1

a) 3x − 2y + z = −1


x + 3y − z = 11

Substituindo este resultado na segunda equação do sistema (C), obtemos a 


 3x − y + 2z = 6

seguinte equação do primeiro grau com uma incógnita: b) x + y + z = 10


−2x + y − z = 0
7.(1 − 2y) + 10y = −1
7 − 14y + 10y = −1
−4y = −1 − 7
−8
y =
−4
y = 2.

Ou seja, determinámos o valor de y, y = 2. Se agora andarmos para trás,


passando pelas expressões (D) e (B), determinamos os valores de x e z. Assim,
substituindo o valor y = 2 na expressão (D), obtemos,

x = 1 − 2y
x = 1 − 2.(2)
x = 1−4
x = −3.

e, substituindo na expressão (B) x = −3 e y = 2, obtemos,

z = 4 + 2x + 3y
z = 4 + 2.(−3) + 3.(2)
z = 4−6+6
z = 4.

Chegámos finalmente à solução do sistema inicial dada por: x = −3, y = 2 e


128 DRAFT December 15, 2004 – 19 : 19

z = 4. ♣

2.1.2 Método da Eliminação


Este método é preferı́vel ao método da substituição porque evita a utilização
! Importante! de fracções. Entender este método é um grande passo para entendermos o
método da condensação, pois os fundamentos são essencialmente os mesmos.
A solução de um sistema A ideia que está por detrás deste método é “eliminar” sucessivamente incó-
de equações tem de ser a
gnitas até sobrar apenas uma. Este processo de eliminação tem de ser feito
mesma qualquer que seja
o método utilizado. Se manipulando as equações sem alterar o conjunto solução de cada uma. Para
a solução tiver fracções, isso, as operações possı́veis são essencialmente as mesmas que apresentámos no
o método da eliminação capı́tulo anterior e que aqui vamos recapitular recorrendo a um exemplo bastante
determiná-las-á. No en-
ilustrativo.
tanto, e ao contrário
do que pode geralmente
Operações Possı́veis:
acontecer no método da
substituição, não vamos
1. Podemos alterar a ordem das equações
trabalhar com fracções a
não ser no cálculo final
das incógnitas! Por exemplo, se tivermos as seguintes equações: “duas maçãs e três pêras
custam um euro e dez cêntimos” e “três maçãs e duas pêras custam um
euro e quinze cêntimos”, ou, recorrendo a uma linguagem matemática,
(
b) x = −2, y = 4, z = 8 2m + 3p = 1, 10
3m + 2p = 1, 15,
a) x = 2, y = 2, z = −3
onde o m e o p são o preço de uma maçã e de uma pêra, respectivamente.
Soluções de III: Se dissermos o mesmo mas por ordem inversa o preço de cada peça de
fruta obviamente que não se altera. Isto traduz-se matematicamente por
dizer que o sistema anterior é equivalente ao sistema
(
3m + 2p = 1, 15
2m + 3p = 1, 10.

2. Podemos multiplicar ou dividir qualquer equação por um número não-nulo


(Princı́pio da Multiplicação, ver pág. 45, Capı́tulo 1)

É natural que se “duas maçãs e três pêras custam um euro e dez cêntimos”,
o dobro, “quatro maçãs e seis pêras custem dois euros e vinte cêntimos”.
Isto equivale a multiplicar a equação inicial, 2m + 3p = 1, 10, por 2,
obtendo a equação equivalente,‡ 4m + 6p = 2, 20.
‡ Relembrar que equivalente significa terem o mesmo conjunto solução. Neste caso, o preço

de cada peça de fruta não se altera se comprarmos o dobro das frutas.


December 15, 2004 – 19 : 19 DRAFT 129

3. Podemos substituir uma equação pela soma, ou diferença, da mesma com


uma outra qualquer (Princı́pio da Adição, ver pág. 45, Capı́tulo 1)

Se “duas maçãs e três pêras custam um euro e dez cêntimos” e “três maçãs
e duas pêras custam um euro e quinze cêntimos”, então “cinco maçãs e
cinco pêras custam dois euros e vinte e cinco cêntimos”. Para chegar a esta
conclusão não é preciso saber o preço de cada uma das frutas. Isto equivale
matematicamente adicionar, membro a membro, as duas equações:

2m + 3p = 1,10
3m + 2p = 1,15
5m + 5p = 2,25.

Este resultado parece bastante óbvio. Se formos duas vezes a uma mer-
cearia e comprarmos vários produtos e gastarmos uma certa quantidade
de cada vez, no final ficamos com os produtos comprados nas duas idas à
mercearia e gastámos a soma das duas despesas.

Com base nestas três operações, os passos a seguir para resolver um sistema de
equações pelo método da eliminação são:

(1) Escolher duas equações quaisquer; eliminar uma das incógnitas: multipli-
cando, se necessário, cada uma das equações por números convenientes, de
modo a que, ao adicionar ordenadamente as equações, elimine a incógnita
pretendida.

(2) Se houver mais equações, agrupamos cada uma delas com uma das equações
anteriores e eliminamos a mesma incógnita.

(3) Continuar os passos (1) e (2) até sobrar apenas uma incógnita. (Caso não
se esgotem primeiro as equações!)

(4) Resolver a equação resultante do passo anterior e substituir, de trás para


a frente, nos sistemas que foram sendo obtidos (dos de menor dimensão
para os de maior dimensão), os valores que foram sendo obtidos para cada
uma das incógnitas.

Vejamos um exemplo.
130 DRAFT December 15, 2004 – 19 : 19

Exemplo 2.4

(
5x − 3y = −1 (1)
Determine a solução do sistema:
−10x + 9y = 4 (2)
usando o método da eliminação.
IV. Resolva os sistemas
seguintes utilizando o
Resolução:
método da eliminação:

(
2x − 3y = −13 (1) Temos apenas duas equações e duas incógnitas. Vamos eliminar, por ex-
a)
4x + 2y = −2
( emplo, a incógnita y. Para isso, multiplicamos a equação (1) por 3.§ Assim
−x + y = 0 temos,
b)
2x + y = 9
( (
5x − 3y = −1 x(3) 15x − 9y = −3
−→
−10x + 9y = 4 −10x + 9y = 4

Adicionando as duas equações eliminamos o y.

15x - 9y = -3
-10x + 9y = 4
5x + 0 = 1.

Ficamos assim com uma equação com uma única incógnita. Resolvendo esta
1
equação obtemos o valor de x. Assim, chegamos ao resultado dado por x = .
5
Para determinar o valor de y, podemos substituir o valor obtido para x numa
das duas equações do sistema inicial. Por exemplo, se substituirmos na segunda
equação, obtemos

−10x + 9y = 4
1
−10. + 9y = 4
5
−2 + 9y = 4
9y = 4+2
6
y =
9
2
y = .
3
1 2
Ou seja, a solução do sistema é dada por: x = ey= . (Convença-se que se
5 3
utilizar a primeira equação obterá o mesmo resultado!) ♣
§ Multiplicamos a equação (1) por 3 para que os coeficientes da incógnita y sejam os mesmo

mas de sinal contrário. Isto faz com que, ao adicionarmos depois as duas equações, a incógnita
y desapareça.
December 15, 2004 – 19 : 19 DRAFT 131

Nota:
b) x = 3 e y = 3
ˆ Observe que no exemplo anterior podı́amos ter eliminado o x mul-
tiplicando a primeira equação por 2. a) x = −2 e y = 3

ˆ Observe que este problema é idêntico ao que foi resolvido pelo


método da substituição. As soluções obtidas são as mesmas, como Soluções de IV:

não poderia deixar de ser.

A desvantagem deste método é que se houver muitas equações e/ou se não


formos muito organizados, o processo pode tornar-se confuso.

O esquema seguinte ilustra o processo de resolução de um sistema do tipo 3x3.

1. Eliminar uma incógnita, 2. Eliminar outra incógnita,


por exemplo, o z por exemplo, o y

Sistema Sistema Sistema


3x3 2x2 1x1
x,y,z x,y x

4. Substituir valor de x e y no 3. Substituir valor de x no sis-


sistema 3x3 para determinar tema 2x2 para determinar
o valor de z o valor de y

Vamos ver o mesmo exemplo 2.3.

Exemplo 2.5



 2x + 3y − z = −4 (1)
Determine a solução do sistema: −3x − 4y + 2z = 9 (2)


x + y + 3z = 11 (3)
usando o método da eliminação.
132 DRAFT December 15, 2004 – 19 : 19

Resolução:

Vamos eliminar o z usando a primeira e a segunda equação,


( 4x + 6y - 2z = -8
2x+3y-z = -4 x(2)
-3x - 4y + 2z = 9
-3x-4y+2z = 9.
x + 2y = 1.
e também usando a primeira e a terceira equação,
( 6x + 9y - 3z = -12
2x+3y-z = -4 x(3)
x + y + 3z = 11
V. Resolva os sistemas x+y+3z = 11.
7x + 10y = -1.
seguintes utilizando o
método da substituição:
Agrupando estas duas equações, obtemos o seguinte sistema 2x2:

 5x + 5y + z = 0
 (
a)

10x + 25y + 2z = 0 x + 2y = 1

5x + 15y + 3z = 1 7x + 10y = −1

 x+y+z =6

b) 2x − y + 3z = 4 Vamos eliminar o y entre estas duas últimas equações,


4x + 5y − 10z = 13
( -5x - 10y = -5
x+2y = 1 x(-5)
7x + 10y = -1
7x+10y = -1.
2x = -6.
ou seja, temos a equação 2x = −6 da qual tiramos o valor de x: x = −3.
Substituindo este resultado numa das equações do sistema 2x2, por exemplo a
primeira equação, obtemos o valor de y:

(−3) + 2y = 1
2y = 1+3
4
y =
2
y = 2.

e, substituindo na primeira equação do sistema inicial o x = −3 e y = 2,


obtemos,

2.(−3) + 3.(2) − z = −4
−6 + 6 − z = −4
−z = −4
z = 4.

Chegámos finalmente à solução do sistema inicial: x = −3, y = 2 e z = 4.


December 15, 2004 – 19 : 19 DRAFT 133

Observe que o resultado é o mesmo que tı́nhamos alcançado usando o método


x = 2, y = 3, z = 1
da substituição. (Todos os sistemas têm uma única solução independente do
método utilizado para a determinar!)♣ b)

x=−
10 2
Exercı́cios 2.1 1
, y = 0, z =
1
a)
1. Classifique os seguintes sistemas de equações quanto à sua dimensão:
( ( Soluções de V:
2x + 3y = 4 x−y = 8
a) b)
−2x + y = 9 2x = 4


( 
 x+y = 0
7x + 13y = 6
c) d) 3x − 4y = 1
3x + 6z = 8 

x + 6y = 2

 
 x+y+z = 1
 8x + 4y = 4
 

 x−y+z = 0
e) 2x − 3z = −8 f)

 
 x = 4
9y + 5z = 15 

 y+z = −1

2. Dê um exemplo gráfico (não é preciso determinar as equações) para cada


uma das seguintes situações:

a) um sistema do tipo 3x2 inconsistente.

b) um sistema do tipo 3x2 consistente mas com uma única solução.

c) um sistema do tipo 3x2 consistente mas com uma infinidade de soluções.

3. Resolva os seguintes sistemas de equações pelo método da substituição e


esboce o gráfico do sistema.
( (
x−y = −1 3x + 5y = 8
a) b)
2x + y = 10 −x + y = 0

4. Resolva os seguintes sistemas de equações pelo método da substituição.


 2x − y + z = 0
( 
x−y = 8
a) b) x−y−z = 0
2x + 3y = 4 

3x + 4y = 1
134 DRAFT December 15, 2004 – 19 : 19

 
 x+y
 = 1 
 x+y = 6
c) 2x − y = 2 d) −3x + 2y = 12

 

x − 3y = 3 −x − y = −6



 x−y+z = 1 (
x + 3y = 4
e) 2x + 3y − z = −2 f)

 2x + 6y = 8
x + 4y − 2z = 5


( 
 x+y−z = 1
7x + 3y = 11
g) h) 2x − y + z = 2
−5x − 7y = 9 

−x − y − z = 3



 2x − 3y + z = 1 (
x+y−z = 4
i) −x + 4y − 7z = 5 j)

 2x − y − z = 8
x + y − 6z = 6

5. Resolva os seguintes sistemas de equações pelo método da eliminação e esboce


o gráfico do sistema.

( (
x+y = 0 2x − 3y = 0
a) b)
3x − 2y = 5 4x + 6y = 4

6. Resolva os seguintes sistemas de equações pelo método da eliminação.

( (
x+y = 6 x + 2y = 7
a) b)
x−y = 4 x+y = 5

( 
−3x + 6y = 8  2x − y = −1
c) d) 1 3
5x + 4y = 1  x+ y =
2 2
 

 x+y−z = 6  −x + 5y − 7z
 = 2
e) 3x − 2y + z = −5 f) 4x − 9y + 13z = −1

 

x + 3y − 2z = 14 2x + y − z = −3

 

 x + 2y − 3z = 1  x + y + 2z
 = 7
g) −3x + y + 5z = 0 h) x − 2y − 3z = −7

 

−2x + 3y + 2z = 1 x−y+z = 0
December 15, 2004 – 19 : 19 DRAFT 135
(
ax + 2y = 4
7. Determine o valor de a de modo a que o sistema de equações
3x + y = −6
seja inconsistente. (
2x − 5y = 3
8. Reescreva cada uma das equações do sistema na forma
x + 3y = -1
de equação reduzida e conclua o que pode afirmar em relação à consistência do
sistema. (Nota: não é necessário resolver o sistema!)

2.2 Método da Condensação


A ideia geral do método da condensação passa por transformar o sistema
inicial em um equivalente na “forma triangular”, de resolução mais simples.
Para transformar os sistemas vamos recorrer às três operações elementares uti-
lizadas no método da eliminação:

1. Troca de equações;

2. Multiplicação de uma equação por um escalar diferente de zero;

3. Adicionar ou subtrair, membro a membro, equações.

Para além destas três operações poderemos ainda efectuar outra operação sobre
as incógnitas, como veremos mais adiante. No entanto, só recorreremos a esta
operação em último caso pois é uma operação susceptı́vel de nos enganarmos!
Este método é idêntico ao método da eliminação a menos de um pequeno por-
menor: operamos sobre o sistema, “transportando-o” sempre em “blocos”, como
se estivesse dentro de uma “caixa”. Este processo permite-nos eliminar a parte
literal (as incógnitas) do sistema. Por exemplo, o sistema de equações
(
2x − y = −1
−5x + 3y = 6

escrever-se-á da seguinte maneira


" #
2 -1 -1
-5 3 6

A esta “caixa” de dados do sistema chamamos matriz ampliada.


A linha vertical separa os dois membros da equação, ou seja, corresponde ao sinal
de igualdade. Do lado esquerdo da linha vertical aparecem os coeficientes das
incógnitas envolvidas nas equações: uma coluna para cada uma das incógnitas.
Assim, na primeira coluna temos os coeficientes da incógnita x e na segunda
136 DRAFT December 15, 2004 – 19 : 19

coluna temos os coeficientes da incógnita y.¶ (Observe que não existem outras
incógnitas para além destas duas!) Do lado direito da linha vertical aparecem
os termos independentes.
VI. Escreva a matriz am-
pliada dos sistemas se-
guintes:

Exemplo 2.6
 3x + z = −6

a) −11x − 18z = 0 


5x − 7z = −11 
 5x − 3y + 2z = −1
 Escreva a matriz ampliada do sistema −10x + 9y − z = 4 .
 x+y+z =1
 

b) 3x − 2y + z = −1
x+z = 2


x + 3y − z = 11
 Resolução:
 3x − y + 2z = 6

c) x+y+z =7 O sistema têm três incógnitas: x, y e z. Por isso a matriz ampliada vai ter


−2x + y − z = 0 três colunas à esquerda da linha vertical. Assim, pondo na primeira coluna os
coeficientes de x, na segunda coluna os coeficientes de y e na terceira coluna os
de z, obtemos a seguintes matriz ampliada
 
5 -3 2 -1
 
 -10 9 -1 4 . ♣
1 0 1 2

É muito importante ter sempre presente que a cada matriz ampliada corresponde
a um sistema de equações. Por exemplo, à matriz ampliada
 
1 -3 0 4
 
 1 0 2 9 .
0 7 -6 5

corresponde o sistema


 x − 3y = 4
−x + 2z = 9


7y − 6z = 5

¶ Se uma equação não tiver uma das incógnitas, então é porque o seu coeficiente nessa
equação é nulo. Por exemplo, para o sistema
½
4x-3y = 5
2y = 3
a matriz ampliada é · ¸
4 -3 5
.
0 2 3
December 15, 2004 – 19 : 19 DRAFT 137

Nota:

7  c)  1
 
0 -1 1 -2
Observe que, se tivermos uma matriz ampliada e não tivermos re-

 
1 1
ferência de onde ela provém, então podemos atribuir a cada uma das 62 -1 3
colunas a incógnita que quisermos. Por exemplo, à matriz ampliada

-2 1 -1  
 
" # 3 -1 11 1
7 1 9

 
b) 3
2 1 -8 1 1 1 1

0  
 
podemos associar o sistema de equações -7 -11 5

 
( -18 a) -11
7x+y = 9 1 -6 3
2x+y = -8
Soluções de VI:
ou também (
7m+k = 9
.
2m+k = -8
VII. Usando as letras
No entanto, é mais usual utilizar as letras x, y e z para representar x, y e z, traduza cada
as incógnitas! uma das seguintes ma-
trizes ampliadas para um
Vejamos agora ao que nos referı́amos quando no inı́cio da secção dissemos “forma sistema de equações:

triangular”. Por exemplo, dizemos que as seguintes matrizes ampliadas estão 


4 -2 9

na forma triangular. 
a)  6 1

-3 
1 -3 2
" # " #  
1 7 4 3 -10 7 1 -3 2 0 9
 
0 2 3 0 1 8 -1 b)  0 5 1 -3 
7 13 0 8
    " #
-1 3 4 6 4 6 0 9 14 2 0 3
    c)
 0 2 1 0   0 1 2 5  0 1 1 2

0 0 3 8 0 0 0 0

Observe que todos os elementos abaixo da diagonal são nulos. Veremos no


capı́tulo seguinte que esta linha corresponde ao que chamamos diagonal de
uma matriz. Ela “passa” por todos os elementos cujas posições têm o mesmo VIII. Sobre cada uma
das seguintes matrizes
“número” de linha e de coluna. Isto é, compõem a diagonal os elementos que
ampliadas, trace a diago-
estão: na primeira linha e na primeira coluna; na segunda linha e na segunda nal.
coluna; na terceira linha e na terceira coluna; e assim por diante. Aos elementos " #
da diagonal chamamos pivots. Assim, e por exemplo em relação à segunda ma- 1 7 6
a)
3 1 4
triz ampliada em cima, o número 8 não pertence à diagonal pois está na posição  
1 -1 1
linha dois e coluna três! ATENÇÃO: no caso da matriz ampliada, a diagonal é  
b)  3 7 2 
composta apenas pelos coeficientes do sistema, isto é, nunca ultrapassa a linha 9 8 3
138 DRAFT December 15, 2004 – 19 : 19

vertical que separa os dois menbros da equação!

O objectivo principal no método da condensação é, através das operações possı́veis,


transformar a matriz ampliada inicial em uma outra equivalente cujos coefi-
cientes das incógnitas (elementos à esquerda da linha vertical da matriz ampli-
ada) sejam todos nulos à excepção dos da diagonal que devem ser todos iguais

(
y+z =2
c) a 1. Vejamos o porquê.
14x + 2y = 3


Por exemplo, se conseguirmos transformar a matriz ampliada de modo a obter-


mos

 −3x + 2y = 9
7x + 13y = 8


5y + z = −3


b)


algumas operações


" # " #
x − 3y = 2 3 4 7 1 0 1

 4x − 2y = 9

(...)
6x + y = −3 8 -5 3 0 1 1


a)

a última matriz ampliada dá-nos imediatamente a solução do sistema. Observe


Soluções de VII:
que da última matriz ampliada podemos ler
(
1.x + 0.y = 1
0.x + 1.y = 1

ou seja, (
x = 1
y = 1

2  
e dá-nos a solução (1, 1) do sistema.k

 
3 8 9
Em relação à última matriz ampliada, dizemos que está “condensada”. Daqui

 
7 b) 3
1 -1 1 o nome do método da condensação.
Vimos, assim, que o objectivo do método da condensação é “condensar” a matriz

# "
4 1 3
a) ampliada recorrendo às operações elementares. Só falta referir ao processo em
6 7 1
si. Propomos o processo seguinte:

1. Começamos por anular todos os elementos da primeira coluna, abaixo


Soluções de VIII:
da diagonal (neste caso são todos os elementos da coluna à excepção do
primeiro: o pivot!), recorrendo ao pivot da primeira coluna, desde que este
não seja nulo.
k À matriz ampliada inicial corresponde o sistema de equações
½
3x + 4y = 7
.
8x − 5y = 3
Substituindo o x e o y por 1, obtemos
½ ½
3.(1) + 4.(1) = 7 7 = 7
ou ainda, !
8.(1) − 3.(1) = 5 5 = 5
December 15, 2004 – 19 : 19 DRAFT 139

2. Procedemos da mesma maneira para as colunas restantes: primeiro a se-


gunda, depois a terceira, até chegarmos à última antes da linha vertical.
Não esqueçamos que à direita da linha vertical da matriz ampliada não
existem pivots! Cada coluna tem um único pivot que, desde que seja não
nulo, vai anular todos os outros dessa coluna. (Se o pivot for igual a zero,
então não serve para anular os outros elementos e teremos de ultrapassar
o problema com uma troca de colunas!)

3. Chegando à última coluna repetimos o processo, mas desta vez de trás


para a frente, anulando todos os elementos acima dos pivots.

Sempre que efectuarmos uma operação, vamos indicá-la recorrendo à seguinte


notação:

Lij : Troca da linha “i” com a linha “j”;

Li − αLj : Subtrair à linha “i” “α” vezes a linha “j”;


Li
: Dividir a linha “i” por α, deste que α 6= 0;
α
Cij : Troca da coluna “i” com a coluna “j”

Para obtermos um zero abaixo (acima) de um pivot como se processa? Propo-


mos o seguinte∗∗ :

• Respondemos ao inquérito seguinte:

(a) “Em que linha está o elemento que pretendemos anular?”, e escrevemos o
número da linha;

(b) “Em que linha está o pivot?”, e escrevemos o número da linha;

(c) “O número que pretendemos anular e o pivot têm o mesmo sinal?”. Se


sim, então subtraı́mos as linhas de (a) e (b), caso contrário adicionamo-las;

(d) “Qual é o menor múltiplo comum entre o elemento que pretendemos anular
e o pivot?”. Multiplicamos a linha de (a) por um número conveniente de
modo a que o elemento que pretendemos anular passe a ser igual ao m.m.c
calculado, e fazemos o mesmo com a linha (b) em relação ao pivot.

Respondendo a este “inquérito” (que pode parecer algo complicado, mas que
na prática é bastante simples!), obtemos a operação necessária para anular o
∗∗ Este processo não é único; existem outros. (Ver por exemplo “Álgebra Linear”, José

Vitória e Teresa Pedroso Lima, Universidade Aberta, 1998.) No entanto, este processo evita
as operações com as fracções durante todo o processo!
140 DRAFT December 15, 2004 – 19 : 19

elemento pretendido. Esta operação afecta apenas a linha que contém o ele-
mento que pretendemos anular. Ou seja, não altera a linha do pivot! Por isso,
podemos anular em simultâneo todos os elementos de uma mesma coluna.
Vejamos o exemplo anterior do qual tı́nhamos apenas a matriz ampliada inicial
e a final. " #
3 4 7 (Que operação?)
8 −5 3

Começando pela primeira coluna, temos que anular o número 8, pois é o único
elemento abaixo do primeiro pivot: o número 3 da primeira linha! Respondendo
ao inquérito temos:

(a) O número 8 está na segunda linha: L2 ;

(b) O pivot está na primeira linha: L1 ;

(c) Os sinais são iguais, portanto temos que subtrair as linhas: ?L2 −?L1 ;

(d) O m.m.c(8, 3) é 24. Assim, temos que multiplicar a segunda linha (cor-
respondente ao número 8) por 3 e a primeira linha (correspondente ao
número 3) por 8, obtendo a operação final 3L2 − 8L1 .

Efectuando esta operação obtemos a “nova” linha 2:

3L2 : 24 -15 9
−8L1 : -24 -32 -56
0 -47 -47

ou seja,
" # " #
3 4 7 3L2 − 8L1 3 4 7
8 -5 3 0 -47 -47
December 15, 2004 – 19 : 19 DRAFT 141

Transformámos a matriz ampliada em uma equivalente na forma triangular.


Falta anular só mais um elemento: o que está acima da diagonal, o número
quarto. Antes de avançarmos, podemos dividir a segunda linha por -47. Esta
operação†† vai simplificar o sistema. Assim, temos
" # L2 " #
3 4 7 −47 3 4 7
0 -47 -47 0 1 1
Agora vamos anular o número 4. Respondendo ao inquérito, temos:

(a) O número 4 está na primeira linha: L1 ;

(b) O pivot está na segunda linha: L2 ;

(c) Os sinais são iguais, portanto temos que subtrair as linhas: ?L1 −?L2 ;

(d) O m.m.c(1, 4) é o próprio 4. Assim, temos que multiplicar apenas a se-


gunda linha (correspondente ao número 1) por 4, obtendo a operação final
L1 − 4L2 .

Efectuando esta operação obtemos a “nova” linha 2:

L1 : 3 4 7
−4L2 : 0 -4 -4
3 0 3
ou seja,
" # " #
3 4 7 L1 − 4L2 3 0 3
0 1 1 0 1 1
Para finalizar o processo, temos que transformar o pivot da primeira linha em
1. Para isso basta dividir a primeira linha por 3. Assim, obtemos
" # L1 " #
3 0 3 3 1 0 1
0 1 1 0 1 1
Desta última matriz ampliada, concluı́mos que a solução do sistema é dada por
x = 1 e y = 1.
A seguir mostramos o processo completo:
†† Uma regra de “ouro” na matemática é simplificar sempre que possı́vel. Neste caso, sempre

que numa linha todos os elementos tiverem um factor em comum, dividimos essa linha por
esse factor. Neste exemplo, vemos que os três elementos são divisı́veis por -47. Por exemplo,
se a matriz ampliada tivesse uma linha do tipo
 
...
 4 14 38 72  ,
...
para simplificar o sistema, poderı́amos dividir esta linha por 2, que é o único factor comum
aos números 4, 14, 38 e 72!
142 DRAFT December 15, 2004 – 19 : 19

" # " # L2
3 4 7 3L2 − 8L1 3 4 7 −47
8 -5 3 0 -47 -47
" # " # L1
3 4 7 L1 − 4L2 3 0 3 3
0 1 1 0 1 1
" #
1 0 1
0 1 1

Vamos ver mais dois exemplos, um dos quais é necessário trocar linhas (ou
colunas).

Exemplo 2.7

Usando o método da condensação, resolva o sistema de equações




 4x + 8y − 6z = 1
3x − y − 4z = 8


16x + 20y − 30z = 13

Resolução:

A matriz ampliada do sistema é

 
4 8 -6 1
 
 3 -1 -4 8 
16 20 -30 13

onde traçamos também a diagonal. Portanto, temos inicialmente que anular


o 3 e o 16, em simultâneo, e depois o número que estiver a ocupar a posição
do 20. Depois anulamos “as posições” do -4 e -6 e finalmente a posição do 8.
Vamos apresentar o processo completo sem mais comentários, indicando apenas
os cálculos auxiliares.

   
4 8 -6 1 4 8 -6 1
  4L2 − 3L1  7L3 − 3L2
 3 -1 -4 8   0 -28 2 29 
16 20 -30 13 L3 − 4L1 0 -12 -6 9
December 15, 2004 – 19 : 19 DRAFT 143

4L2 : 12 -4 -16 32 L3 : 16 20 -30 13


−3L1 : -12 -24 18 -3 −4L1 : -16 -32 24 -4
0 -28 2 29 0 -12 -6 9

  L3  
4 8 -6 1 4 8 -6 1
  −24   L1 + 3L3
 0 -28 2 29   0 -28 2 29 
0 0 -48 -24 0 0 2 1 L2 − L3

7L3 : 0 -84 -42 63


−3L2 : 0 84 -6 -87
0 0 -48 -24

IX. Resolva os sistemas


seguintes utilizando o
método da condensação:
  L2  
4 8 0 4 4 8 0 4
 L1 − 8L2
(
  −28  3x − 4z = −6
 0 -28 0 28   0 1 0 -1  a)
x − 2z = 3
0 0 2 1 0 0 2 1 
 y+x−z =6

b) 4y − 3x − 2z = 2


5y + 2x + z = 0

 z + 3y + 2x = 0

c) −6z − 8y + 4x = 2


L1 : 4 8 -6 1 L2 : 0 -28 2 29 −z + y + 6x = 0

3L3 : 0 0 6 3 −L3 : 0 0 -2 -1
4 8 0 4 0 -28 0 28

 

4 0 0 12
 L1 1 0 0 3
  4 
 0 1 0

-1 
 0 1 0 -1   
L3 1
0 0 2 1 0 0 1
2 2

concluı́mos que a solução do sistema de equações é dada por x = 3, y = −1 e


1
z= . ♣
2
144 DRAFT December 15, 2004 – 19 : 19

Exemplo 2.8

Usando o método da condensação, resolva o sistema de equações



 6x + 8y + 5z
 = 7
−3x − 4y + 7z = 6


9x + y − z = 2
.

Resolução:

µ ¶
− , y = 1, −2
2
c)
1 A matriz ampliada do sistema é
b) (2, 0, −4)  
6 8 5 7

¶ µ
−12, −
2  
a)  -3 -4 7 6 
15
9 1 -1 2

Soluções de IX: onde traçamos também a diagonal. Portanto, temos inicialmente que anular o
-3 e o 9, em simultâneo, e depois o número que estiver a ocupar a posição do 1.
Depois anulamos “as posições” do 5 e 7 e finalmente a posição do 8.

   
6 8 5 7 6 8 5 7
  2L2 + L1   L2,3
 -3 -4 7 6   0 0 19 19 
9 1 -1 2 2L3 − 3L1 0 -22 -17 -17

2L2 : -6 -8 14 12 2L3 : 18 2 -2 4
L1 : 6 84 5 7 −3L1 : -18 -24 -15 -21
0 0 19 19 0 -22 -17 -17


6 8 5 7
 L3 
6 8 5 7

  19   L1 − 5L3
 0 -22 -17 -17   0 -22 -17 -17 
0 0 19 19 0 0 1 1 L2 + 17L3

  L2  
6 8 0 2 6 8 0 2
  −22   L1 − 8L2
 0 -22 0 0   0 1 0 0 
0 0 1 1 0 0 1 1
December 15, 2004 – 19 : 19 DRAFT 145

L1 : 6 8 5 7 L2 : 0 -22 -17 -17


−5L3 : 0 0 -5 -5 17L3 : 0 0 17 17
6 8 0 2 0 -22 0 0

 
  L1 1
6 0 0 2 1 0 0
  6  3 
 0 1 0 0  
 0 1 0

0 
0 0 1 1 0 0 1 1

L1 : 6 8 0 2
−8L2 : 0 -8 0 0
6 0 0 2

1
concluı́mos que a solução do sistema de equações é dada por x = , y =0 e
3
z = 1. ♣
Vejamos agora ver alguns problemas que envolvem sistemas de equações.

Exemplo 2.9

Recorrendo ao método da condensação, determine a equação re-


duzida da parábola que passa pelos pontos (0, 10), (−2, 24) e (1, 6).

Resolução:

Pretendemos determinar a equação da parábola que passa pelos pontos (0, 10),
(−2, 24) e (1, 6). Observando a equação reduzida da parábola, y = ax2 + bx + c,
verificamos que pretendemos é determinar os valores de a, b e c (O x e o y são
as coordenadas de um ponto genérico da parábola. O que determina, de uma
maneira única, a parábola são os valores dos coeficientes do termo em x2 , do
termo em x e do termo independente, isto é, de a, de b e de c, respectivamente!).
Como os três pontos têm que pertencer à mesma parábola, se substituirmos
as coordenadas de cada um dos pontos na equação reduzida, obtermos três
equações: uma correspondente para cada um dos pontos. Ou seja,

 
 10
 = a(0)2 + b(0) + c 
 c = 10
24 = a(−2)2 + b(−2) + c ou ainda, 4a − 2b + c = 24

 

6 = a(1)2 + b(1) + c a+b+c = 6
146 DRAFT December 15, 2004 – 19 : 19

Assim, a matriz ampliada do sistema é

 
0 0 1 10
 
 4 -2 1 24 
1 1 1 6

Observe que o pivot da primeira linha é igual a zero. Por isso, a primeira
operação vai ser a de trocar a primeira linha com uma das outras duas: a
terceira é preferı́vel. Depois seguimos o processo habitual.

   
0 0 1 10 1 1 1 6
  L1,3   L2 − 4L1
 4 -2 1 24   4 -2 1 24 
1 1 1 6 0 0 1 10

L2 : 4 -2 1 24
−4L1 : -4 -4 -4 -24
0 -6 -3 0

X. Recorrendo ao método
da condensação, determi-
ne a equação reduzida da
  L2  
1 1 1 6 1 1 1 6
parábola que passa pelos   −3   L1 − L3
 0 -6 -3 0   0 2 1 0 
pontos:
0 0 1 10 0 0 1 10 L2 − L3
a)

(1, −1), (−3, −33), (2, −8).


L1 : 1 1 1 6 L2 : 0 2 1 0
b)
−L3 : 0 0 -1 -10 −L3 : 0 0 -1 -10
(1, 0), (−1, 6), (2, 3). 1 1 0 -4 0 2 0 -10
c)

(3, −14), (6, −23), (−3, 22). 


1 1 0 -4
 L2 
1 1 0 -4

  2   L1 − L2
 0 2 0 -10   0 1 0 -5 
0 0 1 10 0 0 1 10

L1 : 1 1 0 -4
−L2 : 0 -1 0 5
1 0 0 1
December 15, 2004 – 19 : 19 DRAFT 147

 
1 0 0 1
 
 0 1 0 -5 
0 0 1 10

Assim, concluı́mos que a solução do sistema de equações é dada por a = 1,


b = −5 e c = 10, ou seja, a equação reduzida da parábola é y = x2 − 5x + 10.
Para fazer a verificação da nossa solução, basta substituir as coordenadas dos
pontos nesta equação e verificar se todos os pontos a satisfazem. ♣

− 6x + 1
3
c) y =
Exemplo 2.10 x2
b) y = 2x2 − 3x + 1
A industria de telemóveis tem crescido rapidamente desde os últimos a) y = −3x2 + 2x
anos da década de 80. A figura seguinte ilustra o número de sub-
scritores entre os anos de 1985 e 1990. Partido do princı́pio de que
a curva da figura se assemelha à de uma parábola e usando os da- Soluções de X:

dos referentes aos anos de 1985, 1987 e 1989 (20, 95 e 260 dezenas
de milhares de subscritores, respectivamente), determine a equação
reduzida da parábola n = at2 + bt + c, onde n é o número (em dezena
de milhares) de subscritores e t é o número de anos desde 1985. De
acordo com esta equação, quantos subscritores existirão no ano de
2003?
Subscritores, em dezenas de milhares

500
b

400

300
b

200

100 b

b
0
1985 86 87 88 89 90
148 DRAFT December 15, 2004 – 19 : 19

Resolução:

Observe que neste exemplo substituı́mos o y por n e o x por t. Além disso, o


t é o número de anos desde 1985, ou seja, em 1985 t = 0, em 1986 t = 1, etc.
Assim, a informação que o problema nos dá é a de três pontos da parábola.
(Portanto, é um problema semelhante ao anterior!) Os pontos da parábola são:
(0, 20) correspondente ao ano de 1985; (2, 95) correspondente ao ano de 1987; e
(4, 260) correspondente ao ano de 1989.
Seguindo os mesmos passos que no problema anterior, obtemos o seguinte sis-
tema de equações, 

 c = 20
4a + 2b + c = 95


16a + 4b + c = 260
cuja matriz ampliada é  
0 0 1 20
 
 4 2 1 95 
16 4 1 260

Os passos da condensação podem ser:

   
0 0 1 20 16 4 1 260
  L1,3   4L2 − L1
 4 2 1 95   4 2 1 95 
16 4 1 260 0 0 1 20

4L2 : 16 8 4 380
−L1 : -16 -4 -1 -260
0 4 3 120

   
16 4 1 260 16 4 0 240
  L1 − L3   L1 − L2
 0 4 3 120   0 4 0 60 
0 0 1 20 L2 − 3L3 0 0 1 20

L1 : 16 4 1 260 L2 : 0 4 3 120
−L3 : 0 0 -1 -20 −3L3 : 0 0 -3 -60
16 4 0 240 0 4 0 60
December 15, 2004 – 19 : 19 DRAFT 149

 
  L1 45
16 0 0 180 1 0 0
  16  4 
 0 4 0 60  
 0 1 0

15 
0 0 1 20 L2
0 0 1 20
4

L1 : 16 4 0 240
−L2 : 0 -4 0 -60
16 0 0 180

45
Ou seja, os valores dos coeficientes são dados por: a = , b = 15 e c = 20 e a
4
equação da parábola é
45 2
n= t + 15t + 20.
4

No ano de 2003, ou seja, t = 2003 − 1985 = 18, o número de subscritores


esperados é de

45
n = .(18)2 + 15.(18) + 20
4
45
= .324 + 270 + 20
4
810
= + 290
4
14580 + 1160
=
4
15740
=
4
= 3935

ou seja, teremos 3935 dezenas de milhares de subscritores, ou ainda, quase 40


milhões! ♣

Exemplo 2.11

Encontre o ponto de intersecção entre as duas rectas dadas pelas


equações 2x − y = 5 e −3x + 7y = 2.

Resolução:

O ponto de intersecção de duas rectas é um ponto que pertence simultanea-


mente às duas rectas. Como cada ponto é um par solução, o que se pretende é
150 DRAFT December 15, 2004 – 19 : 19

determinar uma solução, caso exista, comum às duas equações. Ou seja, temos
que resolver o sistema (
2x − y = 5
−3x + 7y = 2

Portanto, recorrendo ao método da condensação, temos


" # 2L2 : -6 14 2
2 -1 5 2L2 + 3L1
3L1 : 6 -3 15
-3 7 2
0 11 17

" # 11L1 : 22 -11 55


2 -1 5 11L1 + L2
L2 : 0 11 17
0 11 17
22 0 62

" # L1 
36

22 0 72 22 1 0

 11 
0 11 17 17 
L2 0 1
11
11
µ ¶
36 17
A solução é o par ordenado , . ♣
11 11

Exercı́cios 2.2

1. Complete os seguintes sistemas e respectivas matrizes ampliadas:


( " #
2x = 3 1 3
a)
− y = 8

  

 x + y = 6
 
b) −2x = 0  −7 


+ y = 8 13 8
( " #
− 5y = 9 0 0
c)
4x − 3y + z = 0 −3 7

  
 x
 = -2 0 1
 
d) y = 1  −1 0 


z = 0 3 4

2. Para cada uma das matrizes ampliadas da alı́nea anterior, indique os ele-
mentos da diagonal.
December 15, 2004 – 19 : 19 DRAFT 151

3. Efectue, se possı́vel, as operações indicadas. Faça um pequeno comentário


em caso de impossibilidade.
" #
1 -3 2 L2 − 2L1
a)
2 3 5 L2
" #
1 4 7 L1
b)
0 16 21
" # L2
-1 7 6 4 2
c)
2 0 8 6
" #
6 5 4 2 L2 + 7
d)
-7 9 4 -3
4. Usando o método da condensação, determine a solução de cada um dos
sistemas seguintes:

( (
4x − 6y = 54 4x − 9y = -1
a) b)
−3x − 8y = 47 −2x − 6y = -3
( (
6x − y = 5 8x − 3y = 49
c) d)
−6x + 10y = -41 2x + 3y = 1

 

 −x − 5y + 2z = 24 
 7x − 6y + 9z = -5
e) 5x + y − 3z = 21 f) 14x − 2y − z = 18

 

−7x + 5y + 19z = -17 −21x + 11y − 14z = -4

 
 x+y−z = 2

 x+y+z = 1 

 2x − 3y + w = 5
g) −2x + 3y − 6z = -1 h)

  −5x + 2z − w
 = -8
4x + 3y + 12z = 5 

 3y − 5z + w = 14

5. Encontre o ponto de intersecção entre as rectas dadas pelas equações seguintes:

a) 7x − 2y = 3 e −x + 6y = 0

b) 15x − 7y = −3 e −9x + 5y = −1

c) 24x − 15y = 7 e −18x + 3y = −5

6. Partindo da equação reduzida conveniente, determine a equação da recta ou


da parábola (da recta quando forem dados dois pontos e da parábola quando
152 DRAFT December 15, 2004 – 19 : 19

forem dados três pontos) que passa pelos pontos:


a) (1, 7) e (8, 6) b) (4, −5) e (6, 8)

c) (7, 9) e (9, 11) d) (1, 1), (3, 4) e (5, −1)

e) (−2, 0), (0, 3) e (1, 1) f) (−1, 6), (−2, 7) e (−3, 9)

7∗ . Uma companhia fabrica três tipos de produtos: H,L e M. Cada produto,


para ser processado, tem de passar por três departamentos: A, B e C. Na tabela
seguinte indica-se o número de horas necessárias para cada uma dessas etapas.
Na tabela aparece também o número máximo de horas semanais de laboração
cada departamento.
A companhia quer saber se existe alguma combinação do número de pro-
dutos dos três tipos, que poderiam ser produzidos, de modo a não desperdiçar
nenhuma hora laboral.

H L M
A 3 2 4 330
B 4 2 3 340
C 5 4 2 440

8∗ . Repita o problema anterior utilizando a tabela seguinte.

H L M
A 6 1 3 300
B 2 5 2 250
C 4 4 3 440

9∗ . A figura seguinte retrata o lucro anual da Walt Disney Company entre os


anos de 1986 e 1990 (valor estimado). Durante este perı́odo, o lucro anual parece
estar a crescer de uma maneira linear. Sabendo que em 1987 o lucro anual foi
de 762 milhões de dólares e que em 1989 foi de 1220 milhões de dólares:

a) Determine a equação reduzida da recta, L = mt + k, onde L é o lucro


anual em milhões de dólares e t é o número de anos contados a partir de
1986.

b) Usando esta equação, determine qual deve ser o lucro para o ano de 2000.
December 15, 2004 – 19 : 19 DRAFT 153

2000

milhões de dolares
Lucro anual, em
1500 b

1000
b
b

500

0
1986 87 88 89 90

10∗ . Durante a década de 80, o número de computadores nas escolas norte-


americanas aumentou. A figura seguinte ilustra esta realidade. Tendo em conta
a semelhança deste gráfico com o de uma parábola e usando os dados de 1983,
de 1986 e de 1988, em que o rácio estudantes por computador era de 125, 37 e
22, respectivamente, determine a equação reduzida da parábola

n = at2 + bt + c

onde n é o rácio estudantes por computador e t é o número de anos a contar


a partir de 1983. Usando esta equação, determine o rácio para o ano de 2000.
Que conclusão podemos tirar deste último resultado?

b
120
estudantes por computador

80 b
Rácio

b
40 b

b
b

0
1983 85 87 89
154 DRAFT December 15, 2004 – 19 : 19

2.3 Classificação de sistemas


Todos os sistemas que temos visto até agora, tinham uma única solução. Vamos
ver o que acontece quando o sistema não tem solução ou quando o sistema tem
infinitas soluções. Veremos que o método da condensação é um método prático
para classificar os sistemas quanto à sua consistência ou inconsistência.

Comecemos pelos sistemas inconsistentes, isto é, sem solução.


Consideremos o sistema de equações
(
x−y = 3
2x − 2y = -1

O gráfico seguinte representa este sistema.


y

1
2
1 3 x

2

−3

Vemos que as duas rectas são paralelas. Portanto, não existe nenhum ponto em
comum e dizemos que o sistema é IMPOSSÍVEL (S.I.).
Será que temos de esboçar o gráfico do sistema para concluir que o ele é im-
possı́vel? A resposta deve ser obviamente que NÃO! Se o sistema tivesse três
incógnitas, já não traçariamos rectas mas sim planos. E se o sistema tivesse
quatro incógnitas, então nem o gráfico poderı́amos esboçar!
Para classificar sistemas, aconselhamos o método da condensação.‡‡
Relativamente ao sistema anterior, temos a seguinte matriz ampliada:
" #
1 -1 3
2 -2 -1
‡‡ Também poderı́amos utilizar o método da substituição ou o da eliminação. No entanto,

aconselhamos o método da condensação por ser aquele que proporciona maior clareza do
resultado.
December 15, 2004 – 19 : 19 DRAFT 155

que depois de fazermos a operação L2 − 2L1 , obtemos

" # " #
1 -1 3 L2 − 2L1 1 -1 3
2 -2 -1 0 0 -7

Observe que não podemos avançar mais no processo de condensação porque o


segundo pivot é igual a zero. Não é possı́vel contornar esta situação. (Trocar de
linhas seria transferir o problema para o primeiro pivot!) Traduzindo a matriz
ampliada para a forma de sistema, temos
(
x−y = 3
0 = -7

A segunda equação é uma contradição. Matematicamente, dizemos que é uma


equação inconsistente. Tendo em conta que os dois sistemas são equivalentes,
concluı́mos que o sistema inicial é também impossı́vel.

Conclusão:

Os sistemas impossı́veis podem ser facilmente detectados pela presença de pelo


menos uma equação inconsistente.

E o que é que acontece quando o sistema é consistente, mas admite infinitas


soluções? Vejamos dois exemplos.

Consideremos o sistema de equações


(
x−y = -2
−2x + 2y = 4

cuja representação gráfica é


y

−2 x
156 DRAFT December 15, 2004 – 19 : 19

Ou seja, as duas rectas são coincidentes. Portanto, têm todos os pontos em


comum e o sistema admite infinitas soluções.
Se recorrermos ao método da condensação, partimos da seguinte matriz ampli-
ada " #
1 -1 -2
-2 2 4
e fazendo a operação L2 + 2L1 , obtemos,

" # " #
1 -1 -2 L2 + 2L1 1 -1 -2
-2 2 4 0 0 0

Neste exemplo, também não podemos continuar a condensação pelos mesmos


motivos. Assim, passando outra vez para a forma de sistema, obtemos,
(
x−y = -2
0 = 0

A segunda equação é consistente, mas estar ou não presente é indiferente. Assim,


para todos os efeitos, temos apenas uma equação, x − y = −2, que é a equação
de uma recta. Ou seja, a solução do sistema são todas as soluções desta equação
que, como já sabemos, tem uma infinidade de soluções. Dizemos que o sistema
é POSSÍVEL e INDETERMINADO.(S.P.I)

Consideremos agora outro sistema.




 x+y−z = 1
2x − y + 3z = 2


4x + y + z = 4

A matriz ampliada é  
1 1 -1 1
 
 2 -1 3 2 
4 1 1 4

seguindo os passos da condensação, obtemos


December 15, 2004 – 19 : 19 DRAFT 157
   
1 1 -1 1 1 1 -1 1
  L2 − 2L1   L3 − L2
 2 -1 3 2   0 -3 5 0 
4 1 1 4 L3 − 4L1 0 -3 5 0

 
1 1 -1 1
 
 0 -3 3 5 
0 0 0 0

Mais uma vez estamos impedidos de avançar com a condensação. (Pivot nulo
na terceira linha!) Observe que a terceira linha corresponde à equação 0 = 0,
que é consistente. Este sistema também é POSSÍVEL e INDETERMINADO.
Para justificar esta afirmação, vamos esquecer a terceira linha e continuar a
condensação no sentido ascendente.
" # " # L1
1 1 -1 1 3L1 + L2 3 0 2 3 3
0 -3 3 5 0 -3 5 0 L 3
  −3
2
 1 0
3
1 
 5 
0 1 − 0
3
ou ainda, temos 
 2
 x = 1− z
3
 5
 y = z
3
Portanto, temos os valores de x e de y que dependem do valor da incógnita
z. Assim, para cada valor de z temos uma solução e como podemos atribuir
qualquer valor a z, o sistema vai ter uma infinidade de soluções. Logo o sistema
é possı́vel e indeterminado.

Assim, para classificar um sistema de equações quanto à sua consistência, basta


condensar apenas abaixo da diagonal a matriz ampliada e “formar” um triângulo
isósceles com os pivots não-nulos. Se sobrar pelo menos uma coluna do lado es-
querdo na matriz ampliada, o sistema é possı́vel e indeterminado; caso contrário,
o sistema é POSSÍVEL e DETERMINADO.(S.P.D)
O esquema seguinte ilustra as três situações.
158 DRAFT December 15, 2004 – 19 : 19

 
 
 

 0 N 
 (S.I)
 ··· 0 

 
 
 
   
   







 (S.P.D)





0 

 
 
 



 (S.P.I)

0 

Relativamente aos dois exemplos anteriores, podemos “traçar” os seguintes


triângulos:

 
" # 1 1 -1 1
1 -1 -2  
 0 -3 3 5 
0 0 0
0 0 0 0

e, recorrendo ao esquema anterior, concluı́mos que os sistemas são ambos possı́veis


e indeterminados.
Vejamos alguns exemplos.

Exemplo 2.12



 2x − 3y + z = 2
Classifique de SPD, SPI ou SI o sistema : −3x − 4y − 2z = 3


5x + y + 3z = 6
December 15, 2004 – 19 : 19 DRAFT 159

Resolução:

A matriz ampliada do sistema é:


 
2 -3 1 2
 
 -3 -4 -2 3 
5 1 3 6

Condensando esta matriz ampliada para a classificarmos, temos

   
2 -3 1 2 2 -3 1 2
  2L2 + 3L1   L3 + L2
 -3 -4 -2 3   0 -17 -1 12 
5 1 3 6 2L3 − 5L1 0 17 1 22

2L2 : -6 -8 -4 6 2L3 : 10 2 6 12
3L1 : 6 -9 3 6 −5L1 : -10 15 -5 10
0 -17 -1 12 0 17 1 22

 
2 -3 1 2 L3 : 0 17 1 22
 
 0 -17 -1 12  L2 : 0 -17 -1 12
0 0 0 34 0 0 0 34

A última linha corresponde a uma equação inconsistente. Logo, o sistema é


impossı́vel. ♣

Exemplo 2.13


 −6x + 4y − 5z
 = 0
Classifique de SPD, SPI ou SI o sistema : 3x − 7y − 3z = −1


10y + 11z = 12
Resolução:

A matriz ampliada do sistema é:


 
-6 4 -5 0
 
 3 -7 -3 -1 
0 10 11 2

Condensando esta matriz ampliada para a classificarmos, temos


160 DRAFT December 15, 2004 – 19 : 19

   
-6 4 -5 0 -6 4 -5 0
  2L2 + L1   L3 + L2
 3 -7 -3 -1   0 -10 -11 -2 
0 10 11 2 0 10 11 2

2L2 : 6 -14 -6 -2 L3 : 0 10 11 12
L1 : -6 4 -5 0 L2 : 0 -10 -11 -12
0 -10 -11 -2 0 0 0 0

 
-6 4 -5 0
 
 0 -10 -11 -2 
0 0 0 0

Comparando com o esquema, concluı́mos que sistema é possı́vel e indeterminado.


Exemplo 2.14



 x+y+z = 1
Classifique de SPD, SPI ou SI o sistema : 3x + 5y − z = 0


−x + 2y + 3z = −2
Resolução:

A matriz ampliada do sistema é:


 
1 1 1 1
 
 3 5 -1 0 
-1 2 3 -2

Condensando esta matriz ampliada para a classificarmos, temos

   
1 1 1 1 1 1 1 1
  L2 − 3L1  2L3 − 3L2
 3 5 -1 0   0 2 -4 -3 
-1 2 3 -2 L 3 + L1 0 3 4 -1

L2 : 3 5 -1 0 L3 : -1 2 3 -2
−3L1 : -3 -3 -3 -3 L1 : 1 1 1 1
0 2 -4 -3 0 3 4 -1
December 15, 2004 – 19 : 19 DRAFT 161

 
1 1 1 1 2L3 : 0 6 8 -2
 
 0 2 -4 -3  −3L2 : 0 -6 12 9
0 0 20 7 0 0 20 7
Comparando com o esquema, concluı́mos que sistema é possı́vel e determinado.

XI. Classifique os seguin-
tes sistemas:
(
Exemplo 2.15 a)
2x + 4y = −3
−x + 6y = 2

Verifique se existe algum ponto comum às três rectas dadas pelas  −x + 2y − z = 0

b) x + 7y = 8
equações x − y = 0, 3x + 2y = −1 e −x + 2y = 3. 

−3x + y − z = 3

Resolução: 
 x + y + 4z = 0
c) 2x − 3y − z = 5
Se o sistema formado pelas três equações 

−x + 5y − 6z = −6
 
 x−y = 0 
 2x − 4y + 2z = 0

d) x + y + 2z = 2
3x + 2y = −1 


 −3x + 6y + 5z = 4
−x + 2y = 3

for possı́vel, então existe pelo menos uma solução comum às três equações. Caso
contrário, o sistema é impossı́vel e as rectas não se intersecção simultaneamente
em um único ponto. Assim, temos que classificar o sistema.
Condensando a matriz ampliada temos,
   
1 -1 0 1 -1 0
  L2 − 3L1   5L3 − L2
 3 2 -1   0 5 -1 
-1 2 3 L3 + L1 0 1 3

L2 : 3 2 -1 L3 : -1 2 3
−3L1 : -3 3 0 L1 : 1 -1 0
0 5 -1 0 1 3

 
1 -1 0 5L3 : 0 5 15
 
 0 5 -1  −L2 : 0 -5 1
0 0 16 0 0 16
A última linha corresponde a uma equação inconsistente. Logo, concluı́mos que
o sistema é impossı́vel. Ou seja, não existe um único ponto que pertença à três
rectas em simultâneo.
Se esboçarmos no plano cartesiano o gráfico das três equações, podemos confir-
mar facilmente esta conclusão.
162 DRAFT December 15, 2004 – 19 : 19

3
d) SPD 2
c) SPI
1 x

b) SI 2

a) SPD

Soluções de XI:

Exercı́cios 2.3

1. Para cada um dos seguintes sistemas, diga se o sistema é do tipo SPD, SPI
ou SI. 
( 
 x+y = 4
2x − 3y = 1
a) b) 2x − y = 5
x−y = 2 

−x + 3y = 0


 x+y−z = 8 (
3x − 2y = 8
c) 2x − y + 3z = 9 d)

 −6x + 4y = 6
( −x + 2y − 4z = −1 (
7x + 2y − z = 11 x − 2y + 3z = 1
e) f)
−5x + 6y + 2z = −3 −2x + 4y − 6z = 1
 
 8x − 2y + z = −3
 
 x+y+z = −1
g) −3x + y − z = 1 h) 3x − 2y − 4z = 7

 

 10x − 2y = −4 5x − 2z = −3
 x+y+z+w = 10 


 
 2x − y + 3z = 1
 −x − 3y + 2z + 2w = 7 
i) j) −6x + 3y − −9w = −3

 2x − y − z + w = 1 
 z 3z 1

  −y + − = −
 3x + y − z − w = −2 2 2 2
December 15, 2004 – 19 : 19 DRAFT 163

2. Comente quanto à existência de pontos comuns aos pares de rectas seguintes:

a) 3x − 4y = 1 e −2x + y = 0 b) −3x + 2y = 6 e 6x − 4y = 5
c) x − y = 2 e −2x + 2y = −4 d) x − 2y = 3 e −x + 5y = 7

3. Discuta quanto à existência de um ponto comum às três rectas dadas pelas
equações:
2x + y = −5, 7x + y = 0 e 3x − 2y = 17

4. Determine o valor de a, de modo a que o sistema

(
2x − y = 4
−3x + ay = 0

seja impossı́vel.
164 DRAFT December 15, 2004 – 19 : 19

Exercı́cios de Revisão

1. [Exame de Recurso 91/92] Usando a Condensação de Matrizes, resolva o


seguinte sistema 
 x + 2y − z
 = 2
2x − y + 2z = 0


x + 3y + z = 0

2. [Frequência 93/94] Considere o sistema de equações lineares



 2x + 3y
 = 8
3x + 2y = -1 ; Escreva - se possı́vel - a sua solução.


4x − y = 2

3. [Frequência 93/94] Diga se é possı́vel ou impossı́vel cada um dos sistemas


seguintes (no caso de possibilidade, não lhe é pedido que calcule a solução).

 x + 2y = 3

a) 2x + y = 3 Possı́vel ° Impossı́vel °


z = 3


 x + 2y
 = 3
b) 2x + y = 3 Possı́vel ° Impossı́vel °


3x + 3y = 3
(
x + y + 3z = 2
c) Possı́vel ° Impossı́vel °
2x + 2y + 7z = 4

4. [Frequência 94/95] Classifique os seguintes sistemas de equações:



 5x − y + z
 = 5
a) −2x + 3y + 3z = 4 Possı́vel ° Impossı́vel °


3x + 2y + 4z = 9


 2x + 3y − z
 = 4
b) −x + y + z = 1 Possı́vel ° Impossı́vel °


x+y+z = 3
December 15, 2004 – 19 : 19 DRAFT 165


 4x + 2y = 6
c) 5x − 3z = 2 Possı́vel ° Impossı́vel °


9x + 2y − 3z = 9

5. [Frequência 95/96] Considerando duas rectas, uma que passa pelos pontos
(1, 1) e (3, 3) e outra que passa pelos pontos (−1, 2) e (−2, 3), o ponto de
intersecção das duas rectas é:

µ ¶ µ ¶ µ ¶
1 1 1 1 1 1
a) , ° b) , ° c) ,
3 2 2 2 2 3
µ ¶ µ ¶ µ ¶
1 1 1 1 1 1
d) , ° e) − , ° f) ,−
3 3 2 3 2 3

6. [Frequência 95/96] Considere o sistema de equações lineares:




 x + 2z = 0
2x + y + 4z = 2 .


y+z = -2

Efectue a condensação da matriz ampliada para determinar a solução e


faça a verificação.

7. [Frequência 95/96] Considere os seguintes sistemas de equações. Marque


a alternativa correcta. (Não é preciso encontrar a solução dos que forem
possı́veis!)
SI - Sistema Impossı́vel; SPI - Sistema Possı́vel Indeterminado; SPD - Sis-
tema Possı́vel Determinado.


 2x + y − z
 = 1
a) 3x − 2z = 2 ° SI ° SPI ° SPD


4x + y = -1


 5x + y − z
 = 1
b) 4x − 2z = 2 ° SI ° SPI ° SPD


−x − y − z = -1
166 DRAFT December 15, 2004 – 19 : 19



 y−x−z = 1
c) 3x − 2y − 2z = 2 ° SI ° SPI ° SPD


−3z + 2x − y = 3



 x−z = 0
d) 3x + y − 2z = 0 ° SI ° SPI ° SPD


2x + y − z = 0

8. [Frequência 95/96] A soma de três números positivos é seis. Seis vezes um


deles menos o triplo do outro é igual a zero. A soma do dobro do menor
de entre estes dois com o terceiro é sete. Encontre os três números.

9. [Frequência 95/96] Num bando de flamingos, contam-se cem cabeças no


ar. Olhando para o chão, contam-se 141 pernas e três cabeças. Quantos
flamingos estão apoiados numa perna e quantos estão apoiados em ambas
as pernas?

10. [Exame 95/96] Classifique de verdadeira ou falsa cada uma das seguintes
afirmações:

(a) Só podemos encontrar soluções de sistemas em que o número de


equações é igual ao número de incógnitas.

(b) Na condensação de uma matriz ampliada, podemos adicionar e sub-


trair linhas.

(c) Na condensação de um matriz ampliada, não podemos multiplicar


um número diferente de zero por uma linha.

(d) Num plano, duas rectas com declives diferentes, podem não se inter-
sectar.

11. [Exame 95/96] A sala de computadores pode ser utilizada por 40 alunos
simultaneamente. Alguns dos terminais são utilizados apenas por um
aluno e outros por dois alunos. Quantos terminais existem de cada tipo
se o total de terminais for de 21.

12. [Exame 95/96] Encontre a equação da parábola que passa pelos pontos
(0, 1), (1, 3) e (−1, 3).
December 15, 2004 – 19 : 19 DRAFT 167

13. [Exame de Recurso 95/96] O bilhete de cinema para adultos custa 600$00
e para as crianças com menos de 12 anos custa 400$00. Se numa sessão
com 125 pessoas que pagaram o bilhete, a receita terá sido de 59.000$00,
quantos eram os adultos e quantas eram as crianças.

14. [Exame 96/97] Encontre o ponto de intersecção - se existir - das rectas


4x + 2y = 24 e −2x − y = 10.

15. [Frequência 96/97] Classifique cada um dos seguintes sistemas de equações:



 x + y + 3z = 0 
 2x − 3y + z = 0

 
 2x + 3y + 5z = 4
a) b) x − 6y + 3z = -1
 3x + 4y + 8z
 = 4 



 x + 2y + 2z 7x + 2y − 5z = 4
= 4

 5x − 2y + 6z = -3
( 
−12x + 3y − 6z = 18
c) d) −2x + 5y − z = 1
4x − y + 2z = 14 

3x + 3y + 5z = 2

16. [Exame 96/97] Considere as rectas de equações 3x+2y = 8 e −2x+ax = 9.


Determine o valor de a de modo a que as rectas não se intersectem.

17. [Exame de Recurso 96/97] Escreva a equação reduzida da recta que passa
pelos pontos (−4, 0) e (0, 3).

18. [Exame de Recurso 96/97] Encontre - se existir - o ponto de intersecção


das rectas de equações 4x + 2y = 24 e −2x − y = 10.

19. [1a Frequência 97/98] Encontre o ponto de intersecção da recta dada por
y + x − 8 = 0 e da recta que passa pelos pontos (−1, 0) e (0, 1).

20. [1a Frequência 97/98] Resolva o seguinte problema:

“A diferença do triplo de um número e da metade de um


outro é igual a 7. Se o primeiro mais um terço do segundo for
igual a −2, quais são estes números?”
168 DRAFT December 15, 2004 – 19 : 19

21. [1a Frequência 97/98] Comente, quanto à veracidade, a seguinte afirmação:

“Três quilos de maçãs mais quatro quilos de laranjas custam


350$00; um quilo das mesmas maçãs mais um quilo das mesmas
laranjas custam 150$00.”

22. [2a Frequência 97/98] Partindo da equação y = ax2 + bx + c, encontre a


equação da parábola que passa pelos pontos (0, 0), (1, 1) e (4, 6).

23. [Exame Final 97/98] Verifique se existe um único ponto comum às três
rectas: x + y − 3 = 0, −2x + 4y − 6 = 0 e −3x + y + 1 = 0.

24. [Exame de Recurso 97/98] Resolva o problema:

“A soma de dois números é igual a seis vezes um deles. Se o


dobro deste é igual ao outro, quais são estes números?”

25. [Exame de Recurso 97/98] Resolva o problema:

“A soma do dobro de um número com o triplo de outro é


igual a zero. Se a diferença do primeiro para o segundo for igual
a cinco, quais são estes números?”

26. [1a Frequência 98/99] Diga por que razão os pontos (2, −5), (4, −1),
(−1, −1) e (5, −5) não podem pertencer a uma mesma parábola.

27. [1a Frequência 98/99] A soma de dois números é igual a 81. A diferença
entre o dobro de um e o triplo do outro é 62. Encontre estes números.

28. [1a Frequência 98/99] Num autocarro com vinte bancos vão cinquenta
pessoas (adultos e crianças). Em cada banco vão sentados ou dois adultos
ou três crianças. Quantos bancos com adultos e quantos bancos com
crianças existem?

29. [Exame Final 98/99] Uma mercearia não marca os preços dos bens que
vende. A D. Maria foi a essa mercearia e comprou três pacotes de 1Kg de
açúcar e duas dúzias de ovos, num total de 710$00. O seu vizinho foi à
mesma mercearia e comprou dois pacotes de 1kg de açucar e três dúzias
de ovos, num total de 790$00. Quanto é que uma outra pessoa pagaria,
para trazer dois pacotes de açúcar e duas dúzias de ovos?
Capı́tulo 3

Matrizes

3.1 Introdução

Imagine uma turma de cinco alunos que, por conveniência, chamaremos de:
aluno A, aluno B, aluno C, aluno D e aluno E. Cada aluno, ao longo do semestre
efectua duas frequências e apresenta um trabalho. Como é que o professor
pode apresentar, e de uma maneira eficiente, as notas de avaliação de todos os
alunos? Uma maneira conveniente do professor expor toda esta informação será
recorrendo à tabela seguinte:
I. Forme a tabela que
traduza a seguinte reali-
dade:
1a freq. 2a freq. trabalho
Da população activa
aluno A 15 15 16 da cidade da Covilhã,
12% trabalha fora do
local de residência e
aluno B 18 19 19 88% trabalha no local
de residência, enquanto
aluno C 17 15 17 que da população activa
da cidade do Fundão,
18% trabalha fora do
aluno D 14 17 16 local de residência e
82% trabalha no local de
aluno E 12 13 15 residência.

Observe que os dados na tabela formam de uma maneira natural um quadro


rectangular. Se eliminarmos os “cabeçalhos” e enquadrarmos os números entre
dois parêntesis rectos, obtemos o quadro seguinte:

169
170 DRAFT December 15, 2004 – 19 : 19

 
15 15 16
 
 18 19 19 
 
 17 15 17 
 
 
 14 17 16 
12 13 15

Este quadro é um exemplo de uma matriz.


Neste exemplo, a cada linha vertical de cinco números corresponde a uma parte
da avaliação: a primeira linha vertical corresponde às notas da 1a frequência, a
residência. segunda às notas da 2a frequência e a terceira à nota do trabalho. De um modo
residência e no local de análogo, a cada linha horizontal corresponde um aluno diferente: a primeira
balham fora do local de linha horizontal corresponde às notas do aluno A, e assim sucessivamente. As-
trabalhadores que tra- sim, estando ciente desta informação, podemos dizer, por exemplo, que o 18
lunas dizem respeito aos corresponde à nota do aluno B na primeira frequência; o 13 corresponde à nota
lhã e do Fundão, e as co- do aluno E na segunda frequência.
peito às cidades da Covi- Portanto, não restam dúvidas que se trata de uma maneira natural, eficiente
onde as linhas dizem res- e “limpa” de armazenar informação. Se a isto adicionarmos a possibilidade
de extrair informação, recorrendo a algumas operações que definiremos mais

# "
82 18
88 12 adiante, somos obrigados a concluir que as matrizes são uma “coisa boa”.

informação dada é:


A matriz que resume a Definição:

Solução de I:
Uma matriz é uma tabela de elementos, geralmente números reais, enquadrada
por dois parêntesis rectos.∗

É usual atribuirmos às matrizes letras maiúsculas, por exemplo, A, B ou C.


Além disso, e aqui no texto, as letras aparecerão em negrito.
A seguir apresentamos mais alguns exemplos de matrizes.

" # " #
3 5 9 -8 7
A= B=
1 4 2 15 21

 
10 h i h i
 
C =  -1  D= 4 6 8 0 E= 12
13

Aos números que formam as matrizes designamos elementos. O conjunto de


todos os elementos de uma linha horizontal formam uma linha, e o conjunto de
∗ Geralmente, as matrizes são enquadradas por parêntesis rectos, [ ], mas há quem utilize

também os parêntesis curvos, ().


December 15, 2004 – 19 : 19 DRAFT 171

todos os elementos de uma linha vertical formam uma coluna. Por exemplo, a
matriz A tem duas linhas e três colunas. Os elementos da primeira linha são 3,
5 e 9, e os elementos da terceira coluna são 9 e 2.

A dimensão de uma matriz é determinada pelo número de linhas e pelo número


de colunas. De um modo geral, se a matriz tiver m linhas e n colunas, dizemos
que a matriz tem dimensão mxn, e lê-se “m por n”. Também é usual dizer
que a matriz é do tipo mxn. É fácil ver que uma matriz do tipo mxn tem
exactamente m.n elementos. Por exemplo, a matriz da avaliação apresentada
no começo deste capı́tulo é do tipo 5x3 e tem 15 elementos. (Verifique!)

Quando nos queremos referir a uma matriz e ao mesmo tempo indicar a sua di-
mensão, fazemo-lo escrevendo a letra associada à matriz e em ı́ndice escrevemos
a sua dimensão. Por exemplo, e em relação às cinco matrizes anteriores, temos
as matrizes: A2x3 , B2x2 , C3x1 , D1x4 e E1x1 .

Assim como associamos uma letra maiúscula a uma matriz, vamos também
associar a correspondente letra minúscula a cada elemento da matriz, seguida
de dois ı́ndices (o primeiro para o número da linha e o segundo para o número
da coluna). Por exemplo, se a matriz A é do tipo mxn, então a sua forma geral

 
a11 a12 ··· a1n
 
 
 
 a
 21 a22 ··· a2n 

 
A=


 (∗)
 .. .. .. 
 . . . 
 
 
 
am1 am2 ··· amn

Cada elemento da matriz A, genericamente representado por aij , lê-se “a ı́ndices


i, j”, ou simplesmente “a i, j”, e é especificado por dois ı́ndices: o primeiro, o
i, que indica o número da linha na qual se encontra o elemento, e o segundo, o
j, que indica o número da coluna na qual se encontra o elemento. Por exemplo,
para a matriz " #
-8 7
,
15 21
† A matriz A tem m linhas. Como este número não está especificado, utilizamos os três

pontos (· · · ) para indicar que a sequência de elementos continua até ao último da linha m.
172 DRAFT December 15, 2004 – 19 : 19

temos: b11 = −8, b12 = 7, b21 = 15 e b22 = 21.


A matriz Amxn anterior, pode ser escrita sinteticamente na forma A = [aij ]mxn .
Observe que a informação é a mesma que a apresentada em (∗): está indicada a
dimensão, mxn, e tem o elemento geral aij . Se soubermos a expressão do termo
geral, podemos inclusivamente escrever a matriz. Vejamos um exemplo.

Exemplo 3.1

Determine a matriz A = [aij ]2×3 , onde o termo geral é dado por


aij = i + j.

Resolução:

Conhecemos a dimensão da matriz A2x3 . Assim, esta matriz será do tipo:


" #
a11 a12 a13
A= .
a21 a22 a23

II. Determine as ma- Como o termo geral é aij = i + j, para determinar cada um dos elementos da
trizes:
matriz A basta somar os ı́ndices correspondentes. Assim, temos:
a) A = [aij ]2x1 e aij = 0

b) B = [bij ]1x3 e bij = 1 a11 = 1 + 1 = 2 a12 = 1 + 2 = 3 a13 = 1 + 3 = 4


c) C =( [cij ]2x2 e
1 , se i=j a21 = 2 + 1 = 3 a22 = 2 + 2 = 4 a23 = 2 + 3 = 5.
cij =
0 , se i 6= j

d) D (= [dij ]3x3 e
j , se i≤j Logo, a matriz A é
dij = " #
0 , se i>j
2 3 4
A= .♣
3 4 5

Já falámos no capı́tulo anterior sobre a diagonal de uma matriz. Agora, podemos
observar facilmente que a diagonal de uma matriz A é formada por todos os
elementos cujos ı́ndices são iguais, isto é, todos os elementos da forma aii . Por
exemplo, dada a matriz  
1 -7
 
G= 4 3 
2 1

a diagonal é formada pelos elementos 1 e 3 (correspondentes aos elementos g11


e g22 , respectivamente).
December 15, 2004 – 19 : 19 DRAFT 173

Tipos Especiais de Matrizes

Existem algumas matrizes que, pela sua importância ou pela sua aparência,
recebem nomes especiais. Apresentamos aqui as que achamos serem as mais
importantes para o presente curso.

ˆ Matriz linha Naturalmente, é uma matriz que tem apenas uma linha.
São matrizes de dimensão 1xn, onde n pode ser um número qualquer
não-nulo. As matrizes que se seguem são exemplos de matrizes linha.

3  d) D =  0
A = [1 − 3 4] B = [0 1]
 
3 0 0

 
2
3 2 1

ˆ Matriz coluna À semelhança da matriz linha, a matriz coluna é uma


# "
1 0
c) C =
matriz que tem apenas uma coluna. São matrizes de dimensão mx1, onde 0 1

i h
m pode ser um número qualquer não-nulo. A seguir apresentamos alguns 1 1 1 b) B =
exemplos de matrizes coluna.

# "
0
a) A =
0

 
" # 0 Soluções de II:
2  
A= B= 1 
-1
4

ˆ Matriz quadrada É uma matriz que tem o mesmo número de linhas


e de colunas. Portanto, são matrizes que tem dimensão do tipo mxm
(podemos designar a dimensão apenas por um ı́ndice). Já vimos alguns
exemplos e a seguir apresentamos mais alguns.

 
" # 1 0 0
2 -1  
A= B= 0 -1 2 
-1 0
4 0 0

ˆ Matriz identidade A matriz identidade é uma das mais importantes


na teoria das matrizes. A matriz identidade é uma matriz quadrada que
tem 1′ s na diagonal e os restantes elementos são zero. Existem matrizes
identidade de dimensão 1x1, 2x2, 3x3 e assim por diante. Esta matrizes
são representadas pela letra I. Se for necessário distinguir uma das outras,
174 DRAFT December 15, 2004 – 19 : 19

utilizam-se os ı́ndices. Por exemplo, temos


 
" # 1 0 0
1 0  
I1 = [1] I2 = I3 =  0 1 0 
0 1
0 0 1

ˆ Matriz nula A matriz nula é uma matriz cujos elementos são todos
iguais a zero. A sua dimensão pode ser uma qualquer, vai depender do
contexto. Representa-se por O. Por exemplo,
 
  0 0 0
" # 0 0 0 0  
0 0    0 0 0 
O2×2 = , O3×4 =  0 0 0 0 , O4×3 = 
 0

0 0  0 0 

0 0 0 0
0 0 0

ˆ Matriz triangular As matrizes triangulares são matrizes quadradas


em que são nulos os elementos situados para um dos lados da diagonal
principal. Existem dois tipos de matrizes triangulares: as matrizes trian-
gulares superiores e as matrizes triangulares inferiores. As primeiras têm
zeros abaixo da diagonal (“formam um triângulo” na parte superior) e as
segundas têm zeros acima da diagonal (“formam um triângulo” na parte
inferior). Por exemplo, temos as matrizes triangulares superiores
 
2 5 −7 9  
" #   2 3 4
2 6  0 −1 3 2   

 0
  0 2 3 ,
0 −3  0 1 4 

0 0 2
0 0 0 −6

e as matrizes triangulares inferiores


 
2 0 0 0  
" #   2 0 0
2 0  5 −1 0 0   

 −7
  3 2 0 .
6 −3  3 1 0 

4 3 2
9 2 4 −6
December 15, 2004 – 19 : 19 DRAFT 175

Exercı́cios 3.1

São dadas as matrizes:

   
2 -1 " # 0 -1 0
  -12 0 -3  
A= 7 13  B= C= 1 0 -1 
4 26 -19
0 1 0 1 0

 
" # 8 -7 " #
2 0 -14 5   - 53 1
D= E= 1 0  F= 4
1 3 0 12 1
0 7
2 -1

 
" # - 41
1 0 h i
 
G= H= 18 7 J= 0 
0 2 7
2

1. Determine a dimensão das matrizes dadas.

2. Indique os seguintes elementos referentes às matrizes dadas:

a) a23 b) c23 c) d13 d) h11

e) g23 f) j21 g) f12 h) e31

i) g22 j) b23 k) c33 l) h21

3. Determine as diagonais das matrizes dadas.

4. Indique as matrizes quadradas, as matrizes linha e as matrizes coluna.

5. Invente as seguintes matrizes: H2x3 , M2x1 e N4x3 .


176 DRAFT December 15, 2004 – 19 : 19

6. Encontre a matriz A = [aij ], onde a dimensão e o elemento geral são:


 i+j
 , se i 6= j
a) 2x3 e aij = 2i − 1 b) 3x4 e aij =


0 , se i=j


 1
 , se i par
i
c) 3x3 e aij = (−1) .j d) 2x2 e aij =


0 , se i ı́mpar


 -2+j-i
 , se (i − j)2 ≤ 1
2
e) 1x5 e aij = (i − j) f) 3x3 e aij =


0 caso contrário

3.2 Álgebra de Matrizes


As matrizes podem ser adicionadas, subtraı́das e multiplicadas. Veremos que
a operação de divisão não existe para as matrizes. Só a algumas matrizes está
associada outra matriz, a chamada matriz inversa, que pode ser identificada
como a matriz que corresponde a uma divisão.
Veremos também que as matrizes têm muitas propriedades semelhantes às dos
números reais. A álgebra de matrizes é o estudo destas propriedades.
Vamos começar pela definição de igualdade de matrizes.

Definição:

Duas matrizes A = [aij ] e B = [bij ] são ditas iguais se:

(i) tiverem a mesma dimensão;

(ii) os elementos homólogos‡ forem iguais, isto é, aij = bij para todo i e j.

‡ Elementos homólogos são elementos que ocupam a mesma posição. Isto é, elementos que

têm o mesmo número de linha e o mesmo número de coluna


December 15, 2004 – 19 : 19 DRAFT 177

Exemplo 3.2

Dadas as matrizes

" # " #
2 x 3 a 5 3
A= e B=
y -1 4 0 b 4

determine os valores de a, b, x e y de modo a que as matrizes sejam


iguais.
III. Dadas as matrizes
" #
Resolução: x2 1
A=
2 x−1
É evidente que as dimensões das matrizes são iguais: 2x3. Assim, para que " #
1 y
as matrizes sejam iguais é necessário que os elementos homólogos sejam iguais. B=
z 0
Comparando as duas matrizes, vemos que isto se verifica se: a = 2, b = −1, " #
−x z
x = 5 e y = 0. ♣ C=
y 1 − x2
determine os valores de
x, y e z tais que:
Definição:
a) A=B

Seja A uma matriz qualquer. A matriz que se obtém permutando as linhas b) A=C

com as colunas da matriz A é designada por matriz transposta de A que c) B=C


representaremos por AT e cuja dimensão é n × m. Ou seja, a transposta de
uma matriz A é a matriz cuja primeira linha é igual à primeira coluna de A, a
segunda linha é igual à segunda coluna de A, e assim por diante.

Exemplo 3.3

" # IV. Determine a trans-


2 6 0 posta das seguintes ma-
Determine a transposta da matriz A = . trizes
1 3 9
 
1 −2 −3
Resolução: 
a)  2 1

−4 
3 4 1
A transposta da matriz A é
 
4
   
2 1 b)  7 
AT =  6
 
3 . ♣ −5

0 9
178 DRAFT December 15, 2004 – 19 : 19
c) x = −1 e y = z.

b) Impossı́vel.
Adição e Subtracção de Matrizes
a) x = 1, y = 1 e z = 2.
Dadas duas matrizes, A e B, da mesma dimensão, a soma (diferença) entre A
Soluções de III: e B, que representaremos por A + B (A − B), é a matriz, da mesma dimensão,
obtida somando (subtraindo) os elementos homólogos das matrizes A e B.
Se as matrizes não tiverem a mesma dimensão, então as operações de adição e
subtracção não estão definidas.
Numa linguagem matemática, podemos dizer que: se

A = [aij ]mxn e B = [bij ]mxn ,

então
C = A ± B = [cij ]mxn ,

onde
cij = aij ± bij .

Exemplo 3.4

Dadas as matrizes
" # " # " #
1 4 7 1 -2 -6 5 4
A= , B= , C=
-1 0 3 4 8 0 1 -3

quais são as que podem ser adicionadas e subtraı́das? Efectue as


somas e subtracções possı́veis.

Resolução:

Só podemos somar ou subtrair matrizes com a mesma dimensão. Ou seja, só
podemos somar ou subtrair as matrizes A2x3 e C2x3 , porque têm a mesma
dimensão, 2x3. A matriz B2x2 tem uma dimensão diferente das outras duas
(2x2).
Assim, podemos efectuar as seguintes operações:

A + C , A − C , C + A e C − A.
December 15, 2004 – 19 : 19 DRAFT 179

Vamos efectuar cada uma das operações separadamente:

" # " #
1 4 7 -6 5 4
• A+C = +
-1 0 3 0 1 -3
" #
1+(-6) 4+5 7+4
=
-1+0 0+1 3+(-3)
" #
-5 9 11
= .
-1 1 0

V. Efectue, quando
" # " #
1 4 7 -6 5 4 possı́vel, as operações.
• A−C = −
-1 0 3 0 1 -3 "
1
#
−1
# "
" # a) +
1-(-6) 4-5 7-4 −7 7
= " # " #
-1-0 0-1 3-(-3) 4 7 2
" # b) +
5 3 1
7 -1 3
= . " # " #
-1 -1 6 c)
−1 0
+
3 2
2 1 0 1

" # " #
-6 5 4 1 4 7
• C+A = +
0 1 -3 -1 0 3
" #
-6+1 5+4 4+7
=
0+(-1) 1+0 -3+3
" #
-5 9 11
= .
-1 1 0

" # " #
-6 5 4 1 4 7
• C−A = −
0 1 -3 -1 0 3
" #
-6-1 5-4 4-7
=
0-(-1) 1-0 -3-3
" #
-7 1 -3
= . ♣
1 1 -6

Do exemplo anterior vemos que A + C = C + A. Podemos demonstrar que esta


propriedade é sempre válida. Dizemos que a adição das matrizes é comutativa,
isto é, a ordem das parcelas não altera o resultado.
Por outro lado, vemos que A − C = − (C − A).
180 DRAFT December 15, 2004 – 19 : 19

Multiplicação de uma Matriz por um Escalar§

" #
2 2
c)
2 2

b) Impossı́vel.
Temos de distinguir entre a operação de multiplicação de uma matriz por um

# "
0
.
0
a) escalar e a operação de multiplicação entre duas matrizes. Como veremos, a
primeira está sempre definida enquanto que a segunda nem sempre está definida.
Solução de V:

Dada uma matriz A qualquer e um escalar α, o produto de α pela matriz A,


! Importante! que representaremos por αA, é a matriz com a mesma dimensão que se obtém
multiplicando todos os elementos da matriz A por α.
A divisão de uma ma-
triz por um escalar cor-
Numa linguagem matemática, podemos dizer que:
responde à da matriz
pelo recı́proco do es- se
calar. Por exemplo, A = [aij ]mxn
A 1
= A então
α α
αA = [αaij ]mxn .

Vejamos um exemplo.

Exemplo 3.5

" #
4 -1 3
Dada a matriz A = , determine:
0 12 -6

a) 3A b) −A

§O termo escalar é usualmente utilizado como substituto de número.


December 15, 2004 – 19 : 19 DRAFT 181

Resolução:

a) Para determinar a matriz 3A basta multiplicar todos os elementos da


matriz pelo número 3. Assim, temos,
VI. Dada a matriz
" # " # " #
4 -1 3 12 -3 9 2 6
3A = 3 = . A=
−8 14
0 12 -6 0 36 -18
determine

A
a)
b) Para determinar a matriz −A, que designaremos por o negativo da matriz 2
A, basta verificar que é equivalente a (−1)A. Assim, temos, b) −5A

" # " #
4 -1 3 -4 1 -3
−A = − = . ♣
0 12 -6 0 -12 6

Multiplicação de Matrizes

Enquanto que as operações de adição e subtracção de matrizes e a multiplicação


de um escalar por uma matriz definem-se de uma maneira intuitiva e directa, a
multiplicação de matrizes requer um pouco mais de detalhe.
Será que podemos multiplicar quaisquer duas matrizes? Qual será a dimensão
da matriz produto? E como é que se obtém a matriz produto? Esta são as
perguntas a que procuraremos responder nos próximos parágrafos.

Vamos ver que a resposta à primeira pergunta é: NÃO!


Poderı́amos começar por definir a multiplicação de matrizes, mas vamos optar
por fazer primeiro uma analogia com o jogo do dominó, para depois definir, de
uma maneira mais intuitiva, a multiplicação de matrizes.
Comecemos por associar a cada matriz uma peça de dominó: o número do lado
esquerdo representará o número de linhas da matriz e o do lado direito o número
de colunas. Assim, por exemplo, à matriz A3x2 associamos a peça

b b
b
b b

Feita esta correspondência entre as matrizes e as peças de dominó, dizemos que


a multiplicação de matrizes é análoga à união das peças de dominó. Isto é, só
182 DRAFT December 15, 2004 – 19 : 19

podemos multiplicar matrizes cujo número de colunas da primeira matriz (a que


fica à esquerda) é igual ao número de linhas da segunda matriz (a que que fica
à direita). Por exemplo, podemos multiplicar a matriz A anterior pela matriz
B2x1 , porque o número de colunas da matriz A é igual ao número de linhas da
matriz B. Com efeito, se associarmos as peças de dominó correspondentes, a
multiplicação
−70

# "
40
−30 −10
b) A·B

−4 corresponde à junção das peças


# "
7
a)
3 1

Solução de VI:

b b b
b b
b b b
(3x2) (2x1)

Observe que não podemos multiplicar a matriz B pela matriz A. Com efeito,
se associarmos as peças de dominó correspondentes, vemos imediatamente a
impossibilidade da multiplicação

b b b
b b
b b b
(2x1) (3x2)

Qual será o resultado da multiplicação? Seguindo ainda a analogia com as


peças de dominó, ter duas peças juntas, uma do tipo 3x2 e outra do tipo 2x1,
é equivalente a ter uma única peça do tipo 3x1. (Convença-se disto!) Ou
seja, da multiplicação das matrizes, por exemplo, A3x2 e B2x1 resulta a matriz
C3x1 . Observe que, se ao produto A · B quisermos acrescentar outra matriz D
à esquerda, isto é D · A · B, a matriz D terá de ter três colunas:
December 15, 2004 – 19 : 19 DRAFT 183

b b b b
? b b b
b b b b
D · A · B

Por outro lado, se ao A · B quisermos acrescentar outra matriz E à direita, isto


é A · B · E, a matriz E terá de ter uma única linha:

b b b
b b b ?
b b b
A · B · E

Assim, podemos concluir acerca da multiplicação de matrizes que:

Dadas duas matrizes Amxp e Bpxn , o resultado da multiplicação


da matriz A pela matriz B, que representaremos por A · B, é a
matriz produto Cmxn , ou seja,

Amxp · Bpxn = Cmxn .

Resta-nos responder apenas a uma pergunta: Como é que determinamos a ma-


triz produto?

A obtenção dos elementos da matriz produto é feita multiplicando “linhas por


colunas”, isto é, multiplicando as linhas da primeira matriz pelas colunas da
segunda matriz. Mais concretamente, temos:

para obter o elemento cij , isto é, o elemento da linha i e coluna j, da


matriz produto multiplicamos a linha i da primeira matriz pela col-
una j da segunda matriz. A multiplicação é feita do seguinte modo:
multiplicamos o primeiro elemento da linha pelo primeiro elemento
184 DRAFT December 15, 2004 – 19 : 19

da coluna; o segundo elemento da linha pelo segundo elemento da


coluna, e assim sucessivamente até esgotar os elementos da linha
e da coluna. No final somamos todos estes produtos e obtemos o
elemento cij .

Esquematicamente, temos

Podemos escrever sinte-


ticamente
p
X A · B = C
cij = aik bkj
k=1

p
P coluna j
onde o sı́mbolo sig-
k=1      
nifica que vamos somar
     
as quantidades aik bkj em      
linha i   = cij 
que ı́ndice k varia entre      
     
1 e p.

Vejamos um exemplo.

Exemplo 3.6

Dadas as matrizes
 
2 -5 " #
  -12 3
A =  -1 3  e B=
0 -2
0 4

determine o produto A · B.

Resolução:

Quando abordamos pelas primeiras vezes a multiplicação de matrizes, pode ser


vantajoso escrever primeiro a matriz produto com os elementos na forma geral.
Neste exemplo, vemos que

A · B = C

(3x2) (2x2) (3x2)

2=2
December 15, 2004 – 19 : 19 DRAFT 185

Ou seja, a multiplicação é possı́vel e o resultado é uma matriz do tipo 3x2, cuja


forma geral é  
c11 c12
 
 c21 c22  .
c31 c32

Com os elementos identificados desta maneira, os ı́ndices indicam qual é a linha


da primeira matriz e a coluna da segunda matriz que devemos multiplicar para
o determinar. Assim, para determinar o elemento c11 , temos que multiplicar a
primeira linha da primeira matriz pela primeira coluna da segunda matriz
 
2 -5 " #
  -12 3
 -1 3 
0 -2
0 4
ou seja,
 
³ ´ -12
c11 = 2 -5   = 2.(−12) + (−5).0 = −24 + 0 = −24.
0

De um modo semelhante, temos:


 
³ ´ 3
c12 = 2 -5   = 2.3 + (−5).(−2) = 6 + 10 = 16
-2
 
³ ´ -12
c21 = -1 3   = (−1).(−12) + 3.0 = 12 + 0 = 12
0
 
³ ´ 3
c22 = -1 3   = (−1).3 + 3.(−2) = −3 + (−6) = −9
-2
 
³ ´ -12
c31 = 0 4   = 0.(−12) + 4.0 = 0 + 0 = 0
0
 
³ ´ 3
c32 = 0 4   = 0.3 + 4.(−2) = 0 + (−8) = −8
-2

Ou seja, a matriz produto é


 
-24 16
 
A · B =  12 -9  . ♣
0 -8
186 DRAFT December 15, 2004 – 19 : 19

VII. Dadas as matrizes



1
 Ao contrário do que acontece com os números reais, a multiplicação de matrizes

A= 7 
 não é comutativa, isto é, de um modo geral
−2
h i A · B 6= B · A.
B = 3 0 −6
" #
5 −4 9
C= Pode até acontecer, como é o caso do exemplo anterior, que a multiplicação A · B
−3 7 8
determine, quando pos- esteja definida mas a multiplicação B · A não esteja. Nesse mesmo exemplo
sı́vel, os seguintes produ- vemos que a multiplicação não está definida porque
tos:
B · A
a) A.B

b) B.A (2x2) (3x2)


c) C.A 26=3

d) B.C
Observe que, mesmo estando definidas as duas multiplicações A · B e B · A, o
produto pode ser diferente. Vejamos um exemplo simples.

Exemplo 3.7

Dadas as matrizes
" # " #
-2 3 7 -1
A= e B=
1 -5 -6 4

determine os produtos A · B e B · A.

Resolução:

Como ambas as matrizes têm duas linhas e duas colunas, verificamos que as duas
multiplicações estão definidas. Vamos determinar primeiro a matriz produto
A · B, do tipo 2x2, que chamaremos C:
" #
c11 c12
.
c21 c22

Assim, temos:
December 15, 2004 – 19 : 19 DRAFT 187

c11 = (-2).7+3.(-6) = -14+(-18) = -32

d) Impossı́vel
c12 = (-2).(-1)+3.4 = 2+12 = 14

# "
30
−41
c)

c21 = 1.7+(-5).(-6) = 7+30 = 37


i h
15 b)

−42  a)  21
= 1.(-1)+(-5).4 = -1+(-20) = -21 −6

 
c22 12 0

 
0
ou seja, a matriz produto é −6 0 3

" #
-32 14
Soluções de VII:
C=A·B= .
37 -21

Por outro lado, o resultado da multiplicação B · A é também uma matriz do


tipo 2x2, que chamaremos D:
" #
d11 d12
.
d21 d22

Assim, temos: VIII. Dadas as matrizes


" #
2 12
A=
3 18
d11 = 7.(-2)+(-1).1 = -14+(-1) = -15 "
a b
#
B=
6 8
d12 = 7.3+(-1).(-5) = 21+5 = 26 determine os valores de a
e b tais que:

d21 = (-6).(-2)+4.1 = 12+4 = 16


a) A.B=B.A

b) A.BT =BT .A
d22 = (-6).3+4.(-5) = -18+(-20) = -38

ou seja, a matriz produto é


" #
-15 26
D=B·A= .
16 -38

Logo, como " # " #


-32 14 -15 26
6= ,
37 -21 16 -38
verificamos que, embora ambas as multiplicações estejam definidas,
A · B 6= B · A.♣
O facto da multiplicação não ser comutativa faz com que os casos notáveis,
vistos no capı́tulo zero para os números reais, não sejam aplicáveis às matrizes.
188 DRAFT December 15, 2004 – 19 : 19

De um modo geral temos

2
(A + B) 6= A2 + 2A · B + B2 .

2
b) a = 0 e b =
3
Se aplicarmos a definição de potência, temos que
a) a = −24 e b = 24

2
Soluções de VIII: (A + B) = (A + B) · (A + B)

e com a propriedade distributiva obtemos

2
(A + B) = A2 + A · B + B · A + B2

de onde realça o porquê do caso notável não se aplicar: a multiplicação matricial


não é comutativa!

Vejamos um exemplo. Consideremos as matrizes


" # " #
−2 5 1 −5
A= e B= .
−3 −7 3 0

Temos que
Ã" # " #!2
2 −2 5 1 −5
(A + B) = +
−3 −7 3 0
" #2
−1 0
=
0 −7
" #
1 0
=
0 49

Por outro lado,


" # " #
2 −2 5 −2 5
A = ·
−3 −7
−3 −7
" #
4 − 15 −10 − 35
=
6 + 21 −15 + 49
" #
−11 −45
=
27 34
December 15, 2004 – 19 : 19 DRAFT 189

" # " #
−2 5 1 −5
2A · B = 2 ·
−3 −7 3 0
" #
−2 + 15 10 + 0
= 2
−3 − 21 15 + 0
" #
26 20
=
−48 30

e
" # " #
1 −5 1 −5
B2 = ·
3 0 3 0
" #
1 − 15 −5 + 0
=
3+0 −15 + 0
" #
−14 −5
=
3 −15

Somando as três parcelas A2 , 2A · B e B2 , obtemos


" #
2 2 −12 −40
A + 2A · B + B =
6 34

2
de onde vemos que (A + B) 6= A2 + 2A · B + B2 !

Comparando ainda com os números reais, a lei do anulamento do produto não


é válida para as matrizes. Isto é,

A·B=0

não implica necessariamente que

A=0 ou B = 0.

Como exemplo, basta considerar as matrizes


" # " #
0 1 −2 5
A= e B=
0 3 0 0
190 DRAFT December 15, 2004 – 19 : 19

e verificar que
" # " # " #
0 1 −2 5 0 0
A·B = · =
0 3 0 0 0 0

Como já foi dito, a matriz identidade (ver página 173) é uma matriz muito
importante na álgebra de matrizes. Esta matriz tem uma propriedade curiosa:
desde que esteja definida a multiplicação, o produto da matriz identidade por
outra matriz (e o produto de outra matriz pela identidade) é sempre igual a
essa outra matriz, ou seja,
I·A=A

e
A · I = A.

Exemplo 3.8

Dada a matriz " #


0 12 7
A=
-1 14 -5
multiplique à esquerda e à direita pela matriz identidade conveniente
e conclua que o resultado é sempre igual à matriz A.

Resolução:

A matriz A é do tipo 2x3. Por isso, a matriz identidade conveniente para


multiplicar à esquerda da matriz A é a matriz identidade do tipo 2x2. Assim,
temos,

" # " #
1 0 0 12 7
I2 · A = ·
0 1 -1 14 -5
" #
0+0 12 + 0 7+0
=
−1 + 0 14 + 0 −5 + 0
" #
0 12 7
= .
-1 14 -5

Para multiplicar à direita da matriz A, temos que utilizar a matriz identidade


December 15, 2004 – 19 : 19 DRAFT 191

do tipo 3x3. Assim, temos,

 
" # 1 0 0
0 12 7  
A · I3 = · 0 1 0 
-1 14 -5
0 0 1
" #
0+0+0 0 + 12 + 0 0+0+7
=
0 + (−1) + 0 0 + 14 + 0 0 + 0 + (−5)
" #
0 12 7
= . ♣
-1 14 -5

Dizemos que a matriz identidade é o elemento neutro da multiplicação de ma-


trizes.

Matriz Inversa

A algumas matrizes está associada uma outra matriz, designada a matriz in-
versa, ou simplesmente a inversa. Se a matriz A admitir a inversa, a qual
representaremos por A−1 , então verifica-se a seguinte relação

A · A−1 = A−1 · A = I. (3.1)

Caso a matriz inversa da matriz A não exista, dizemos que a matriz A é singular.
Caso contrário, dizemos que a matriz A é não-singular ou invertı́vel.
Se a matriz A é invertı́vel, então a inversa A−1 é única.
Para que uma matriz tenha inversa é NECESSÁRIO que a matriz seja quadrada.
No entanto, esta condição não é SUFICIENTE. Nem toda a matriz quadrada
tem inversa; mas toda a matriz que tem inversa é quadrada.
Da relação 3.1, verificamos que a existir a inversa de uma matriz A, esta terá
obrigatoriamente de ter a mesma dimensão da matriz A (para que a multi-
plicação da inversa A−1 , à esquerda e à direita, da matriz A seja possı́vel).

Exemplo 3.9
" #
4 7
Verifique que a matriz B = é a matriz inversa da matriz
1 2
" #
2 -7
A= .
-1 4
192 DRAFT December 15, 2004 – 19 : 19

Resolução:

Para verificar que a matriz B é a inversa da matriz A basta multiplicar A · B,


ou B · A, e constatar que o resultado é a matriz identidade.

Assim, multiplicando por exemplo A · B, temos

" # " #
2 -7 4 7
A·B = ·
-1 4 1 2
" #
8+(-7) 14+(-14)
=
-4+4 -7+8
IX. Dada a matriz " #
"
19 9
#
1 0
= .
−21 −10 0 1
qual das seguintes é a sua
inversa?
Logo, concluı́mos que a matriz B é a inversa da matriz A. ♣

" #
10 9 Do exemplo anterior, vemos que a matriz B é a inversa da matriz A. Isto é,
A=
21 19
"
−10 −9
#
B = A−1 .
B=
−21 −19
"
10 9
# Mas também poderı́amos dizer que a matriz A é a inversa da matriz B.(Porquê?)
C=
−21 −19 Ou seja, poderı́amos escrever A = B−1 . Logo, podemos dizer que
¡ ¢−1
A = A−1 ,

ou seja, a inversa da matriz inversa de A é igual à própria matriz A.

Nota:

Como já acontecia com os números reais, existe a prioridade


das operações nas matrizes. Isto é, se tivermos uma expressão que
envolva várias operações matriciais, devemos efectuar as operações
pela seguinte ordem:

1. inversa

2. multiplicação e potenciação

3. soma e subtração
December 15, 2004 – 19 : 19 DRAFT 193

O quadro seguinte ilustra a semelhança entre as matrizes quadradas invertı́veis


e os números reais.

Números Reais Matrizes A inversa é matriz C.

Soluções de IX:
• Elemento neutro da • Elemento neutro da
multiplicação multiplicação

1 I

• Um elemento • Um elemento

a A

Exemplo: Exemplo:
" #
2 -7
a=2 A=
-1 4

• O recı́proco • A inversa

a−1 A−1

Exemplo: Exemplo:
" #
−1 −1 1 −1 4 7
a =2 = 2 A =
1 2

• Uma relação • Uma relação

a.a−1 = a−1 .a = 1 A · A−1 = A−1 · A = I

Exemplo: Exemplo:
" # " #
−1 4 7 2 -7
A·A = ·
2.2 −1
=1 " 1 2 # -1 4
1 0
=
0 1
e e
" # " #
−1 2 -7 4 7
A ·A = ·
2 −1
.2 = 1 " -1 4 # 1 2
1 0
=
0 1
194 DRAFT December 15, 2004 – 19 : 19

Resta-nos ver como é que se determina a matriz inversa. Existem várias maneiras
de a calcular. Vamos ver agora o método que utiliza a condensação descrita no
capı́tulo 2, que é conhecido por Algoritmo de Gauss-Jordan. Veremos mais
adiante outro método utilizando determinantes.
Antes de enunciar o algoritmo de Gauss-Jordan, vamos analisar o problema da
determinação da matriz inversa de uma matriz 2x2. Por exemplo a matriz
" #
4 7
A= .
3 5

Já vimos que se existir a inversa da matriz A, então a inversa também é uma
matriz do tipo 2x2. Portanto, será uma matriz do tipo
" #
−1 a b
A = .
c d

Temos de determinar os valores de a, b, c e d.


Partindo da relação A · A−1 = I, temos que
" # " # " #
4 7 a b 1 0
· = .
3 5 c d 0 1

Multiplicando as matrizes do primeiro membro, obtemos


" # " #
4a+7c 4b+7d 1 0
= .
3a+5c 3b+5d 0 1

Da igualdade de matrizes, concluı́mos que a relação anterior só é válida se


(
4a+7c = 1
3a+5c = 0

e (
4b+7d = 1
.
3b+5d = 0

Logo, determinar a inversa de uma matriz de dimensão 2x2 é equivalente a


resolver dois sistemas de equações lineares do tipo 2x2, isto é, com duas equações
e duas incógnitas.
Vamos resolver o primeiro sistema de equações recorrendo ao método da con-
densação que vimos no capı́tulo anterior. Para isso, partimos da seguinte matriz
December 15, 2004 – 19 : 19 DRAFT 195

ampliada " #
4 7 1
,
3 5 0
onde na primeira coluna aparecem os coeficientes de a, na segunda coluna apare-
cem os coeficientes de c e na terceira coluna aparecem os termos independentes.
Aplicando o método da condensação a esta matriz ampliada, passamos pelos
seguintes passos:

" # " #
4 7 1 4L2 − 3L1 4 7 1 L1 + 7L2
3 5 0 0 -1 -3

" # L1 " #
4 0 -20 4 1 0 -5
.
0 -1 -3 L2 0 1 3
−1

Da última matriz ampliada tiramos os valores a = −5 e c = 3.


Vamos agora resolver o segundo sistema recorrendo também ao método da con-
densação. Para isso, partimos da seguinte matriz ampliada
" #
4 7 0
,
3 5 1

onde na primeira coluna aparecem os coeficientes de b, na segunda coluna apare-


cem os coeficientes de d e na terceira coluna aparecem os termos independentes.
Observe que esta matriz ampliada é muito semelhante à matriz ampliada do
sistema anterior, diferindo apenas nos termos independentes. As duas primeiras
colunas são idênticas e formam a matriz A inicial. Como são estes números que
determinam as operações da condensação, concluı́mos que as operações terão
de ser as mesmas da condensação do sistema anterior. (Convença-se!) Assim,
temos os seguintes passos:

" # " #
4 7 0 4L2 − 3L1 4 7 0 L1 + 7L2
3 5 1 0 -1 4
196 DRAFT December 15, 2004 – 19 : 19

" # L1 " #
4 0 28 4 1 0 7
.
0 -1 4 L2 0 1 -4
−1
Da última matriz ampliada tiramos os valores b = 7 e d = −4.
Portanto, a matriz inversa é

" #
−1 -5 7
A = .
3 -4

Observe agora que o problema para determinar a inversa da matriz A passou a


ser a condensação de duas matrizes ampliadas

" #
1
A 0
" #
1
A 0

O que propomos é, em vez de fazermos várias condensações de sistemas semel-


hantes, juntar tudo numa única condensação. Observe que se assim fizermos, e
depois dos três passos das condensações anteriores, obtemos

" # " #
4 7 1 0 (· · · ) 1 0 -5 7
.
3 5 0 1 0 1 3 -4

E deste modo, obtemos directamente a matriz inversa! É este o princı́pio do


algoritmo de Gauss-Jordan:

Partindo de uma matriz ampliada, onde à esquerda figura a


matriz a inverter e à direita a matriz identidade, podemos obter a
inversa da matriz se condensarmos até obtermos a matriz identidade
à esquerda. Caso isto seja possı́vel, surge imediatamente à direita a
inversa procurada!

Observe que a singularidade de uma matriz traduz-se pela impossibilidade de


condensar a matriz ampliada de modo a obter a matriz identidade à esquerda.
December 15, 2004 – 19 : 19 DRAFT 197

Algoritmo de Gauss-Jordan
Para determinar a inversa de uma matriz A de di-
mensão mxm:

I Formamos a matriz ampliada com a matriz identi-


dade de mesma ordem mxm

h i
A I

II Efectuar as operações necessárias para condensar a


matriz A.

III Se for possı́vel o passo II, então no final da con-


densação e do lado direito da matriz ampliada,
aparece a inversa da matriz A

h i
I A−1

Exemplo 3.10

 
-1 1 4
 
Determine a inversa da matriz A =  1 -1 -5 .
0 1 2

Resolução:

Para determinar a inversa da matriz A, temos que condensar a matriz ampliada


 
-1 1 4 1 0 0
 
 1 -1 -5 0 1 0 .
0 1 2 0 0 1

Condensando conforme vimos no capı́tulo anterior, temos


198 DRAFT December 15, 2004 – 19 : 19

   
-1 1 4 1 0 0 -1 1 4 1 0 0
  L2 + L1   L2,3
 1 -1 -5 0 1 0   0 0 -1 1 1 0 
0 1 2 0 0 1 0 1 2 0 0 1

   
-1 1 4 1 0 0 -1 1 0 5 4 0
  L1 + 4L3   L1 − L2
 0 1 2 0 0 1   0 1 0 2 2 1 
0 0 -1 1 1 0 L2 + 2L3 0 0 -1 1 1 0

   
-1 0 0 3 2 -1 1 0 0 -3 -2 1
  −L1  
 0 1 0 2 2 1   0 1 0 2 2 1 .
0 0 -1 1 1 0 −L3 0 0 1 -1 -1 0

Logo, a inversa da matriz A é


 
-3 -2 1
A−1
 
= 2 2 1 .
-1 -1 0

Para confirmar que a matriz inversa está bem calculada, podemos fazer a veri-
ficação. Para isso, basta multiplicar A · A−1 ou A−1 · A e o resultado tem de
ser a matriz identidade de dimensão 3x3.
Assim, multiplicando por exemplo A · A−1 , obtemos
   
-1 1 4 -3 -2 1
A · A−1
   
=  1 -1 -5 · 2 2 1 
0 1 2 -1 -1 0
 
3+2+(-4) 2+2+(-4) -1+1+0
 
=  -3+(-2)+5 -2+(-2)+5 1+(-1)+0 
0+2+(-2) 0+2+(-2) 0+1+0

ou seja,
 
1 0 0
A · A−1
 
=  0 1 0 . ♣
0 0 1
December 15, 2004 – 19 : 19 DRAFT 199

No entanto, nem todas as matrizes quadradas admitem inversa. Isto traduz-se


pela impossibilidade de obter uma solução na aplicação do algoritmo de Gauss-
Jordan, ou seja, o processo de condensação terá de nos levar a um sistema
impossı́vel.
X. Determine a inversa
Vejamos um exemplo.
das seguintes matrizes:
" #
1 8
a)
Exemplo 3.11 2 15
 
1 3 2
  
b)  0 1 −5 

-1 1 -4
  0 0 1
Determine a inversa da matriz A =  1 2 5 .  
0 3 1 1 −1 0
 
c)  3 2 1 
Resolução: 0 4 5

Para determinar a inversa da matriz A, temos que condensar a matriz ampliada


 
-1 1 -4 1 0 0
 
 1 2 5 0 1 0 .
0 3 1 0 0 1

Condensando obtemos

   
-1 1 -4 1 0 0 -1 1 -4 1 0 0
  L2 + L1   L3 − L2
 1 2 5 0 1 0   0 3 1 1 1 0 
0 3 1 0 0 1 0 3 1 0 0 1

 
-1 1 -4 1 0 0
 
 0 3 1 1 1 0 
0 0 0 -1 -1 1

Da impossibilidade de continuar (da última linha vemos que o sistema é im-


possı́vel!), podemos concluir que a matriz A é singular, ou seja, não admite
inversa! ♣

Exercı́cios 3.2

1. Determine o valor das letras de modo a que se verifique a igualdade:


" # " # " # " #
7 2 5 a 2 5 2 1 2 1
a) = b) =
6 4 -9 6 b -9 3 x 3 2-x
200 DRAFT December 15, 2004 – 19 : 19

−1   −15
−4

 
5 12 " # " #
h i h i a -1 0 2
c) x+y x-y = 2 0 d) =

 
5 21
1
2 3 -1 3
−1 5 6
c) " #T " # " # " #

5  b)  0
11 x 11 y x+y-z y+2z 0 0

 
1 0 0 e) = f) =
2 0 3 0 3x-5z 2x+y-3z 1 2

 
1
3 −17 1

−1

# "
2
−15
a)
8 2. Determine a transposta das seguintes matrizes:

Solução de X:
" # " # " #
2 -1 1 3 1 0 -1
a) A= b) B= c) C=
3 4 3 4 3 7 6

 
1 h i h i
 
d) D= 7  e) E= 2 5 -1 f) F= 10
-3

3. Efectue as seguintes operações:


" # " # " # " #
2 6 1 6 -3 4 1 -3 -1 6
a) + b) 2 +
4 3 8 2 5 1 4 7 -2 -20
     
2 4 1 4 " # 2 4 " #
    1 -3 2   13 -7
c)  6 1 − 2 -3  d) 2 · 1 0 +
4 5 0 2 6
8 3 6 5 -2 5
 
46 -34
 
 0 78   
-6 14 " #2
-4 8   2 4
e) +  -3 1  f)
2 -1 0
2 -5
 
-10 Ã" # " #!2
h i
  1 -2 -1 1
g) 1 7 -5 ·  2  h) +
2 -4 2 4
0
   
" # 2 0 0 -1
1 0 -1    
i) ·  1 -1  + 3  1 2 
0 1 2
0 1 0 0
December 15, 2004 – 19 : 19 DRAFT 201

4. Determine a inversa das matrizes:

" # " #
3 4 1 -3
a) b)
-2 -3 2 6

   
1 0 2 1 3 7
   
c)  0 3 1  d)  0 1 -6 
2 -1 0 0 0 1

   
2 1 0 1 -3 2
   
e)  1 0 3  f)  -2 4 5 
0 2 1 -1 1 7

" #
1 2
5. Determine o valor de x de modo a que a matriz seja a inversa da
3 7
" #
7 -2
matriz .
x 1
" # " #
8 5 −1 7 5
6. Verifique que a inversa da matriz A = é A = .
-11 -7 11 -8
¡ ¢−1
Determine a inversa da matriz A−1 e conclua que A−1 = A, isto é, a
inversa da matriz inversa de A é a própria matriz A.

7. Invente matrizes A2x3 , B2x1 e C, tais que A.C = B.

8. Invente matrizes A1x3 , B, C2x2 , D e E1x1 , tais que A · B · C · D = E.


" #
a b
9. Verifique que a matriz A = é singular se ad = bc.
c d

10. Determine os valores das incógnitas de modo a que se verifique a seguinte


igualdade: " # " # " #
5 10 a 0 1 d
= · .
2 7 b c 0 1
202 DRAFT December 15, 2004 – 19 : 19

3.3 Matrizes e Aplicações

3.3.1 Matrizes e Sistemas de Equações Lineares

Usando o procedimento da multiplicação e da igualdade de matrizes, pode-


mos escrever um sistema linear de equações na forma de uma equação matricial.
Consideremos, por exemplo, o seguinte sistema de equações,
(
6x+5y = -2
.
3x-2y = 8

Este sistema de equações pode ser representado na forma


" # " # " #
6 5 x -2
· =
3 -2 y 8

que chamaremos representação matricial do sistema.


Para verificarmos que a representação matricial é equivalente ao sistema de
equações lineares, é suficiente multiplicar as matrizes do primeiro membro e
comparar com a do segundo membro. Com efeito, após a multiplicação das
matrizes do primeiro membro, obtemos
" # " #
6x+5y -2
=
3x-2y 8

Da igualdade de matrizes (observe que são do mesmo tipo), o primeiro elemento


da primeira matriz, 6x + 5y, tem de ser igual ao primeiro elemento da segunda
matriz, -2, ou seja, 6x + 5y = −2. Por outro lado, o segundo elemento da
primeira matriz, 3x − 2y, tem de ser igual ao segundo elemento da segunda
matriz, 8, ou seja, 3x − 2y = 8. Tendo em conta que as matrizes só são iguais se
todos os elementos homólogos o forem, então, para que as matrizes sejam iguais
é necessário que as duas equações anteriores sejam satisfeitas simultaneamente,
ou seja, (
6x+5y = -2
.
3x-2y = 8
Temos novamente o sistema de equações lineares.
Se atribuirmos letras às matrizes,
" # " # " #
6 5 x -2
A= , X= e B= ,
3 -2 y 8
December 15, 2004 – 19 : 19 DRAFT 203

então podemos escrever simbolicamente o sistema de equações na forma


Equação matricial do sis-
A · X = B. tema.

Esta é a equação matricial do sistema. Nesta equação, a matriz A chama-se


matriz dos coeficientes (observe que é formada pelos coeficientes das incógnitas
do sistema); a matriz X chama-se matriz incógnita ou matriz das incógnitas
(a primeira perspectiva tem haver com o facto da matriz X ser a incógnita da
equação matricial e a segunda perspectiva tem haver com o facto da matriz
X conter as incógnitas do sistema); e a matriz B chama-se matriz dos termos
independentes (porque é formada pelos termos independentes das equações do
sistema).

Assim, sempre que quisermos passar um sistema de equações para a sua rep-
resentação matricial temos que determinar as matrizes A, X e B. Uma das
maneiras para se escrever a representação matricial de um sistema é efectuar os
seguintes passos, que ilustraremos com o sistema de equações
(
6x+5y = -2
.
3x-2y = 8

1. Desenhar as três matrizes vazias. Observe que o tamanho das matrizes


dependem da dimensão do sistema: a dimensão da matriz dos coeficientes,
A, é igual à dimensão do sistema (conforme capı́tulo anterior); as matrizes
X e B são matrizes coluna, a primeira com tantas linhas quantas forem
as incógnitas e a segunda com tantas linhas quantas forem as equações.

" # " # " # A dimensão das matrizes


depende da dimensão do
· =
2×2 2×1 2×1 sistema!

2. Preencher a matriz incógnita com as incógnitas do sistema de equações.


A ordem é indiferente, mas em geral escolhe-se a ordem alfabética.
" # " # " #
x
· =
y
Incógnitas que não apa-
reçam em uma equação
3. Preencher a matriz dos coeficientes com os coeficientes das incógnitas, na contribuem com um zero
escolhida no passo anterior: na primeira coluna os coeficientes da primeira na matriz dos coefici-
incógnita da matriz X, na segunda coluna os coeficientes da segunda incóg- entes!
204 DRAFT December 15, 2004 – 19 : 19

nita e assim sucessivamente até esgotarmos todas as incógnitas. Observe


que, se numa das equações não aparecer uma das incógnitas é porque o
seu coeficiente é igual a zero!
" # " # " #
6 5 x
· =
3 -2 y

4. Finalmente resta-nos preencher a matriz dos termos independentes. Para


isso, basta ter em conta que a cada linha da matriz A corresponde o
primeiro membro de uma das equações do sistema e, consequentemente,
na mesma linha da matriz B aparecerá o termo independente dessa mesma
equação. " # " # " #
6 5 x -2
· = .
3 -2 y 8

Notas:

i) A ordem pela qual preenchemos a matriz das incógnitas é indiferente. É


natural que mude alguma coisa, mas continuará a representar o mesmo
sistema. Por exemplo, se no sistema anterior trocarmos a ordem entre o
y e o x, o resultado será
Não existe uma única
" # " # " #
representação matricial 5 6 y -2
· = .
possı́vel! -2 3 x 8

Observe que, como resultado da troca entre o x e o y, trocámos também as


suas colunas correspondentes, mas a matriz B mantém-se. Isto deve-se ao
facto de cada linha representar uma equação. Na equação 6x + 5y = −2,
podemos trocar a ordem dos dois termos do primeiro membro (propriedade
comutativa dos números reais) sem alterar o segundo membro, ficando a
equação na forma 5y + 6x = −2.

ii) Se eliminarmos a matriz X da equação matricial e “fundirmos” as matrizes


A e B, obtemos a conhecida matriz ampliada do sistema
" #
6 5 -2
,
3 -2 8

onde na primeira coluna temos os coeficientes do x, na segunda coluna


temos os coeficientes do y e na terceira coluna temos os termos indepen-
dentes. Sabemos também que a primeira linha corresponde à primeira
December 15, 2004 – 19 : 19 DRAFT 205

equação e a segunda linha à segunda equação.

Exemplo 3.12

Escreva a equação matricial correspondente ao sistema de equações


lineares 


 2x-3y = 8

 -x-z = -1


 4y-3z = 2

 x+y = 14

Resolução:

A dimensão do sistema é 4x3 (quatro equações e três incógnitas). Por isso,


“desenhamos” inicialmente as seguintes matrizes:

     
=
  ·   
     
   
   
  3×1  
4×3 4×1

Escolhendo uma ordem alfabética para as incógnitas, obtemos a seguinte equação XI. Escreva uma equação
matricial, matricial para cada um
     dos seguintes sistemas:
2 -3 0 x = 8
 ·  
 -1 0 -1  y   -1  (
x+y = 3
 2 . ♣
    (a)
 0 4 -3  z 2x − 3y = −5
   
1 1 0 14 (
x−z = 1
(b)
y−x = −3
(
y = 4
Se a matriz dos coeficientes A for invertı́vel, podemos utilizar a sua matriz (c)
x = 0
inversa para resolver o sistema de equações ao qual ela está associada. Vejamos
como.
Partindo da equação matricial que representa o sistema de equações,

A·X=B

e multiplicando à esquerda pela inversa da matriz A (como a multiplicação de


matrizes é não-comutativa, multiplicar do lado esquerdo, de um modo geral, é
206 DRAFT December 15, 2004 – 19 : 19

diferente de multiplicar do lado direito.)∗ ,

# # " #" "


0 y 0 1
A−1 · A · X = A−1 · B
=
4 x 1 0
(c)

−3

# "
1 Pela definição de matriz inversa, A−1 · A = I, onde I é a matriz identidade.

 y  =
 
z
−1
Logo, a expressão anterior é igual a

# "
0 1

 
−1 0 1
I · X = A−1 · B.
x
(b)

−5 −3

# # " #" "


y 2
=
3 x 1 1
Mas já vimos que a matriz identidade é o elemento neutro da multiplicação,
(a)
isto é, multiplicar a matriz identidade por uma matriz qualquer é sempre igual
Solução de XI: a essa matriz qualquer. Assim, obtemos

X = A−1 · B.
! Importante! Ou seja, se a matriz dos coeficientes A for quadrada e tiver inversa, podemos
A multiplicação matri-
utilizar a expressão anterior para resolver o sistema de equações a que está
cial não é comutativa.
associada a matriz A, qualquer que seja a matriz B.
Por isso, a ordem das
Vejamos alguns exemplos.
matrizes é importante!

Exemplo 3.13

" # " #
4 1 −1 2 -1
Sabendo que a inversa da matriz A = é A = ,
7 2 -7 4
(
4x+y = -3
resolva o sistema de equações .
7x+2y = 8

Resolução:

Para resolver o sistema de equações utilizando a inversa da matriz A, primeiro


é necessário escrever a representação matricial onde a matriz dos coeficientes
seja a matriz A. É fácil verificar que a representação matricial é
" # " # " #
4 1 x -3
· = .
7 2 y 8

∗ Relembrar que quando temos uma equação, qualquer operação que efectuamos em um

dos membros teremos de fazer a mesma operação no segundo membro para continuar a ser
válida a igualdade.
December 15, 2004 – 19 : 19 DRAFT 207

Assim, a solução do sistema é

X = A−1 · B
" # " # " #
x 2 -1 -3
= ·
y -7 4 8
" #
2.(-3)+(-1).8
=
(-7).(-3)+4.8
" #
-14
= ♣
53

Exemplo 3.14

 
1 2 -3
Sabendo que a inversa da matriz A =  6 13 -13  é A−1 =
 

4 11 4
  
195 -41 13  6x-13y+13z = 1

 
 -76 16 -5 , resolva o sistema de equações x-3y+2z = 0 .


14 -3 1 4x+4y+11z = 0

Resolução:

Observe que, se escrevermos a representação matricial do sistema, a matriz dos


coeficientes não coincide com a matriz A:
     
6 -13 13 x 0
     
 1 -3 2 · y = 0 
4 4 11 z 1

Assim, não podemos utilizar a inversa para determinar a solução do sistema.


Mas se escrevermos a representação matricial de tal modo que a matriz dos
coeficientes da equação matricial seja a matriz A, já é possı́vel utilizar a inversa
da matriz A. Portanto, temos
     
1 2 -3 ? ?
     
 6 13 -13  ·  ?  =  ?  .
4 11 4 ? ?

A pergunta que se põe é: como é que completamos a equação matricial ante-
208 DRAFT December 15, 2004 – 19 : 19

rior? Para completar a matriz das incógnitas, temos que observar a matriz dos
coeficientes. Na primeira coluna aparecem os números 1, 6 e 4. Estes números
são coeficientes de que incógnita? Se analisarmos o sistema de equações, vemos
imediatamente que estes números são os coeficientes da incógnita x. Assim, esta
deve ser a primeira incógnita a figurar na matriz das incógnitas. Na segunda
coluna aparecem os coeficientes da incógnita z, por isto, esta deve ser a segunda
incógnita. Finalmente, e por exclusão de partes, na terceira coluna aparecem os
coeficientes de y. Assim, temos
     
1 2 -3 x ?
     
 6 13 -13  ·  z  =  ?  .
4 11 4 y ?

XII. Sabendo que a in-


versa da matriz
 
2 −1 3
  Falta apenas completar a matriz dos termos independentes. Para isso, temos que
A= 1 1 −1 
6 2 1 “inspeccionar” as linhas da matriz A, que representam os primeiros membros
das equações do sistema e identificar os segundos membros. Por exemplo, a

  primeira linha da matriz A corresponde a x + 2z − 3y. O segundo membro cor-
3 7 −2
A−1

=  −7 −16

5 
respondente é 0. Do mesmo modo, a segunda linha corresponde a 6x+13z −13y,
−4 −10 3 cujo segundo membro correspondente é 1. Finalmente, à terceira linha corres-
resolva os seguintes sis- ponde o outro 0. Ou seja, a representação matricial que nos interessa é
temas:      
1 2 -3 x 0
     
(a)  6 13 -13  ·  z  =  1  .

 2x − y + 3z
 = 0 4 11 4 y 0
6x + 2y + z = −5


x+y−z = 7 Assim sendo, a solução do sistema será:
(b)


 x−y+z = −8 X = A−1 · B
     
−x + 3y + 2z = 2 x 195 -41 13 0


2x + y + 6z = 11      
 z  =  -76 16 -5  ·  1 
(c) y 14 -3 1 0

 3x − y + 2z
 = 1  
−x + y + z = 9 (195).(0)+(-41).(1)+(13).(0)
  

x + 2y + 6z = 7 =  (-76).(0)+(16).(1)+(-5).(0) 
(14).(0)+(-3).(1)+(1).(0)
   
x -41
   
 z  =  16  ,
y -3

ou seja, x = −41, y = −3 e z = 16. ♣


December 15, 2004 – 19 : 19 DRAFT 209

3.3.2 Método dos Mı́nimos Quadrados


x = −73, y = −116, z = 52
O método dos mı́nimos quadrados é uma técnica frequentemente utilizada
quando pretendemos determinar a equação polinomial, de um determinado grau, (c)

que melhor se aproxima de um conjunto de dados experimentais. x = 169, y = 105, z = −72


Por exemplo, se através de uma pesquisa recolhêssemos os seguintes dados (b)

x = 59, y = −137, z = −85


x y
1 2
(a)

2 3 Solução de XII:
3 5
4 6

onde x e y representam duas grandezas quaisquer (por exemplo, preço e procura,


respectivamente), e os representarmos graficamente

6 b
b

4
b

2 b

2 4 x

vemos facilmente que embora os dados estejam próximos de pertencer a uma única
recta, efectivamente não existe nenhuma recta que passe por estes quatro pontos
simultaneamente (basta ver que o declive da recta que passa pelos dois primeiros
pontos é igual a 1 e o declive da recta que passa pelo segundo e terceiro ponto
é igual a 2. Se houvesse uma única recta, então o declive teria NECESSARIA-
MENTE de ser o mesmo).†
Embora não exista uma recta que passe pelos quatro pontos simultaneamente,
podemos estar interessados em saber qual é a recta que “melhor se aproxima”
aos nossos dados. Isto é, queremos determinar a equação da recta

y = mx + k,
† Observe que não é SUFICIENTE o declive ser igual. Por exemplo, em relação aos pontos

anteriores, o declive da recta que passa pelos dois últimos pontos também é igual a 1. Isto
significa que, se a recta não for a mesma, então é paralela!
210 DRAFT December 15, 2004 – 19 : 19

que seja a melhor aproximação possı́vel.


Observem que o queremos fazer é aproximar uma realidade através de uma
expressão matemática. Chamamos a isto, criar um modelo matemático para
traduzir uma determinada realidade. Em relação ao exemplo anterior, o facto
de não existir nenhuma recta que passe por todos os pontos, pode dever-se a
uma das seguintes razões:

i) na recolha de dados foi introduzido algum erro;

ii) o modelo escolhido pode ser apenas uma aproximação da realidade, não
traduzindo na totalidade a mesma realidade.

Em primeiro lugar, temos que definir o que entendemos por “melhor aprox-
imação”. Dizemos que a equação de recta, y = mx + k, é a equação da recta
que melhor se aproxima de um conjunto de dados se a SOMA dos QUADRA-
DOS das diferenças entre os valores dos y ′ s calculados experimentalmente e
aqueles que podemos calcular através da equação, para os mesmos valores de x,
é mı́nima. Daqui o nome de Método dos Mı́nimos Quadrados.
Quando a equação que utilizamos para aproximar os dados é linear, isto é, do
primeiro grau, o método é designado por Regressão Linear.

Falta saber como encontramos os valores de m e k.


Voltando ao exemplo anterior, vamos apresentar a solução sem a demonstrar!
Pretendemos determinar os valores de m e k tais que a equação y = mx + k
seja a que melhor se aproxime aos dados de que dispomos. Para isso, vamos
substituir os valores de x e y, da tabela anterior, na equação reduzida da recta.
Obtemos assim o seguinte sistema de equações lineares



 m+k = 2

 2m+k = 3
.


 3m+k = 5

 4m+k = 6

NÃO adianta querer resolver este sistema. Se fosse um sistema possı́vel e de-
terminado, isto é, com uma única solução para m e k, então existiria uma recta
a passar por todos os pontos! Mas, como já vimos, não existe. O sistema é
impossı́vel. Com efeito, e para o aluno menos crédulo, aqui fica a condensação:
     
1 1 2 L2 − 2.L1 1 1 2 1 1 2
  L − 3.L    
 2 1 3  3 1  0 -1 -1  L3 − 2.L2  0 -1 -1 
     
 3 1 5     
  L − 4.L  0
4 1
-2 -1  L4 − 3.L2  0 0 1 
4 1 6 0 -3 -2 0 0 1
December 15, 2004 – 19 : 19 DRAFT 211

As duas últimas linhas indicam que o sistema é impossı́vel.


Voltando ao sistema de equações e passando à representação matricial, temos
  " #  
1 1 m = 2
 ·  
 2 1  k  3 
 5 .
   
 3 1 
   
4 1 6

A solução para o método dos mı́nimos quadrados obtém-se resolvendo a equação


que resulta de multiplicarmos à esquerda, ambos os membros da equação ma-
tricial anterior, a transposta da matriz dos coeficientes. Isto é, o problema
resume-se a resolver a equação matricial
Neste caso, a matriz
AT A é sempre invertı́vel.
AT · A · X = AT · B. Assim, multiplicando à
¡ ¢−1
esquerda por AT A ,
poderı́amos escrever
³ ´ −1
Assim, temos de resolver a seguinte equação matricial: X = AT A · AT B
" #   " # " #  
1 2 3 4 1 1 m = 1 2 3 4 2 ou ainda,
· · · 
1 1 1 1  2 1  k 1 1 1 1  3  X = A+ B
 5 ,
   
 3 
1 
   onde
4 1 6 ³ ´ −1
A+ = AT A · AT .
ou ainda, efectuando as multiplicações matriciais em ambos os membros, A matriz A+ é chamada
pseudo-inversa da matriz
A e coincide com A−1
quando A é invertı́vel!
" # " # " #
1.1+2.2+3.3+4.4 1.1+2.1+3.1+4.1 m 1.2+2.3+3.5+4.6
· =
1.1+1.2+1.3+1.4 1.1+1.1+1.1+1.1 k 1.2+1.3+1.5+1.6
" # " # " #
1+4+9+16 1+2+3+4 m 2+6+15+24
· =
1+2+3+4 1+1+1+1 k 2+3+5+6
" # " # " #
30 10 m 47
· = .
10 4 k 16

Ou seja, para determinar os valores de m e k temos que resolver o sistema 2x2


anterior. Recorrendo ao método da condensação, obtemos:
" # " #
30 10 47 3L2 − L1 30 10 47 L1 − 5L2
10 4 16 0 2 1
212 DRAFT December 15, 2004 – 19 : 19

" # L1  7 
1 0
30 0 42 30  5 
 
0 2 1 1
L2 0 1
2
2
7
Concluı́mos que o declive da recta pretendida é dado por m = e a ordenada
5
1
na origem é dada por k = .
2
Portanto, a equação da recta que melhor se aproxima dos nossos dados é

7 1
y= x+ .
5 2

6 b
b

4
b

2 b

2 4 x
Ponto calculado b

diferença das
 ordenadas
b
Ponto experimental

A tabela seguinte compara os valores dados (experimentais) com os calculados


através da equação da recta que determinámos.

x y experimental y calculado diferença(y cal. − y exp.)

19
1 2 = 1.9 -0.1
10
33
2 3 = 3.3 +0.3
10
47
3 5 = 4.7 -0.3
10
61
4 6 = 6.1 +0.1
10
December 15, 2004 – 19 : 19 DRAFT 213

Observe que se somarmos as diferenças o resultado é igual a zero! Para ter-


mos uma estimativa do erro cometido ao adoptar um determinado modelo
matemático, vamos somar não as diferenças mas antes o quadrado das diferenças.
Este valor será sempre positivo ou zero. Quanto menor for este valor melhor
deverá ser o modelo. No caso de ser igual a zero, é porque todos os valores
calculados coincidem com os experimentais.

Exemplo 3.15

Dada a tabela
x y
1 1
2 2
3 7
4 9
5 15
escolha o modelo, linear ou quadrático, o que melhor se ajusta para
encontrar a equação que melhor se aproxima dos dados.

Resolução:

A primeira perguntar a fazer será: que modelo devemos escolher? Não seria
sensato escolher entre um dos modelos só depois de fazermos as contas e verificar
que um deles é melhor do que o outro. Geralmente a nossa sensibilidade visual
não nos engana, ou seja, se disposermos os dados num gráfico veremos com mais
facilidade qual dos modelos devemos optar.

O gráfico seguinte corresponde aos dados da tabela.


214 DRAFT December 15, 2004 – 19 : 19

y
15 b

13

11

9 b

7 b

3
b

1 b

1 2 3 4 5 x

Observando o gráfico verificamos que o modelo quadrático deve ser o mais indi-
cado, visto os dados estarem mais próximos de “formar” uma parábola do que
uma recta.
Assim, estamos à procura da equação

y = ax2 + bx + c

onde pretendemos determinar os coeficientes a, b e c.


Substituindo os dados da tabela nesta equação, formamos o seguinte sistema de
equações 

 a+b+c = 1


 4a + 2b + c = 2


9a + 3b + c = 7


 16a + 4b + c

 = 9


25a + 5b + c = 15
cuja equação matricial é
     
1 1 1 a 1
     
 4 2 1  · b =  2
   
 9 3 1  c  7
   
   
 16 4 1   9 
25 5 1 15
December 15, 2004 – 19 : 19 DRAFT 215

Multiplicando à esquerda pela transposta da matriz dos coeficientes,


         
1 4 9 16 25 1 1 1 a 1 4 9 16 25 1
         
 1 2 3 4 5 · 4 2 1 ·  b  =  1 2 3 4 5 · 2
   
1 1 1 1 1 
 9 3 1 
 c 1 1 1 1 1 


7
   
 16 4 1   9 
25 5 1 15

obtemos      
979 225 55 a 591
     
 225 55 15  ·  b  =  137 
55 15 5 c 34

Vamos condensar a matriz ampliada, apresentando aqui as contas para que o


aluno “menos corajoso” não fique a pensar que são contas “monstruosas e com
números muito grandes”!

   
979 225 55 591 55 15 5 34
  L1,3   11L2 − 45L1
 225 55 15 137   225 55 15 137 
55 15 5 34 979 225 55 591 5L3 − 89L1

   
55 15 5 34 55 15 5 34
  L3 − 3L2   −L2
 0 −70 −60 −23   0 −70 −60 −23 
0 −210 −170 −71 0 0 10 −2 L3
2

55 15 5 34
 
55 15 0 35
 L1 L2
,
  L1 − L3   5 35
 0 70 60 23   0 70 0 35 
0 0 5 −1 L2 − 12L3 0 0 5 −1 L3
5
   
11 3 0 7 22 0 0 11 L1

 0
 2L1 − 3L2   22
2 0 1   0 2 0 1 
   
1 1 L2
0 0 1 − 0 0 1 −
5 5 2
216 DRAFT December 15, 2004 – 19 : 19

 
1
1 0 0

 2 

 1 
 0 1 0 
 2 
 1 
0 0 1 −
5

Portanto, a equação quadrática que melhor se aproxima dos dados da tabela é

x2 x 1
y= + − .
2 2 5

A tabela seguinte compara os valores dados (experimentais) com os calculados


através da equação da parábola que determinámos.

x y experimental y calculado diferença(y cal. − y exp.)

4 1
1 1 −
5 5
14 4
2 2
5 5
29 6
3 7 −
5 5
49 4
4 9
5 5
74 1
5 15 −
5 5

Podemos ver novamente que a soma das diferenças é igual a zero. No entanto,
o “erro” cometido pelo modelo é de
µ ¶2 µ ¶2 µ ¶2 µ ¶2 µ ¶2
1 4 6 4 1 70 14
− + + − + + − = =
5 5 5 5 5 25 5

Se tivéssemos escolhido o modelo linear terı́amos obtido a seguinte equação


(convença-se fazendo as contas, é um bom exercı́cio!)

7 37
y= x−
2 10

Estamos à espera de obter um “erro” maior do que aquele obtido recorrendo


ao modelo quadrático. Vamos apresentar a tabela seguinte apenas a tı́tulo de
December 15, 2004 – 19 : 19 DRAFT 217

curiosidade para compararmos os resultados.

x y experimental y calculado diferença(y cal. − y exp.)

1 6
1 1 − −
5 5
33 13
2 2
10 10
34 1
3 7 −
5 5
103 13
4 9
10 10
69 6
5 15 −
5 5

Vemos que o erro cometido neste caso é de


XIII. Dada a tabela
µ ¶2 µ ¶2 µ ¶2 µ ¶2 µ ¶2
6 13 1 13 6 630 63 x y
− + + − + + − = =
5 10 5 10 5 100 10 0 −4
3 −2
ou seja, maior do que o cometido pelo modelo quadrático! 5 1
No gráfico seguinte apresentamos os dois modelos para comparação. 7 4
11 7

determine a equação da
recta e da parábola que
melhor se aproximam
y
dos dados. Compare o
15 b
“erro” e diga qual é o
modelo mais adequado.
13

11

9 b

7 b

3
b

1 b

1 2 3 4 5 x ♣
218 DRAFT December 15, 2004 – 19 : 19

3.3.3 Redes Sociais


Uma rede social é uma descrição das conexões que permitem interacções e
near! influências entre as partes de um sistema social complexo.
O melhor modelo é o li- Analistas de redes sociais utilizam duas ferramentas matemáticas para repre-
88
x −
88

4
y=
sentar a informação acerca dos padrões das conexões entre as partes de um
57 2
sistema social: grafos e matrizes.
117 3

86 86 Uma rede consiste num conjunto de nós (agentes) e num conjunto de arcos
x− y=
159 207 (laços) que conectam os nós. Os agentes podem representar pessoas, cidades,
Solução de XIII: computadores ou qualquer classe social e os laços podem representar uma qual-
quer relação existente entre os vários agentes.
Os laços podem ser direccionados ou não. Por exemplo, se pensarmos nas
cidades do Porto e Lisboa como os agentes de uma rede e a auto-estrada A1
como um laço, este laço não é direcionado porque tanto liga o Porto a Lisboa
como o contrário.

Porto Lisboa

Consideremos agora um exemplo onde os laços são direccionados. Imaginemos


duas pessoas numa festa, o João e a Paula por exemplo, como sendo os agentes
de uma rede social em que os laços são os laços afectivos. Podemos ter três laços
diferentes a ligá-los: o João gosta da Paula mas a Paula não gosta do João; o
João não gosta da Paula mas a Paula gosta do João; e o João e a Paula gostam
um do outro. Naturalmente, poder-se-ia dar o caso de nenhum gostar do outro,
mas neste caso deixaria de haver laço! Estes exemplos podem ser representados,
respectivamente, pelos três “gráficos” seguintes:

João Paula

João Paula
December 15, 2004 – 19 : 19 DRAFT 219

João Paula

Um grafo é um conjunto de agentes que representaremos por cı́rculos ligados


entre si por diversos laços. Na sociologia, os grafos são geralmente chamados
sociogramas.

Um aluno mais intrigado poderia agora perguntar: e o que é que as matrizes


têm haver com isto?
Para responder a esta questão vamos considerar o sociograma seguinte.

B C

O essencial desta rede pode ser resumido numa matriz que chamaremos matriz
de adjacência. A matriz de adjacência tem uma linha e uma coluna para cada
agente. Portanto, trata-se de uma matriz quadrada.

Para

A B C D
 
A
 
B  
De 



C  
D

Os elementos desta matriz serão nulos se não houver um laço entre os agentes.
Por exemplo, o elemento da linha 3, coluna 1 é nulo porque não existe um laço
a ligar o agente C ao agente A.
220 DRAFT December 15, 2004 – 19 : 19

Se houver um laço entre dois agentes, então o elemento correspondente na matriz


terá um valor. Este valor dependerá da rede que estivermos a analisar. Neste
exemplo, vamos atribuir o valor 1 se houver um laço a ligar dois agentes. Assim,
e tendo em conta que na matriz os agentes se ligam das linhas para as colunas,
a matriz de adjacência do nosso sociograma é
 
0 1 0 0
 
 1 0 1 0 
P=
 0 1

 0 1 

0 1 0 0

Observe, por exemplo, que existe um laço a ligar C a D mas não no sentido
contrário. Por isso, o elemento da linha 3, coluna 4 é igual a um e o da linha 4,
coluna 3 é nulo.
As vantagens são:

ˆ no caso de redes com muitos agentes os sociogramas começam a tornar-se


muito confusos e de difı́cil leitura;

ˆ as matrizes e os grafos têm convenções que se aplicam à analise dos dados


de uma rede;

ˆ a possibilidade de armazenar os dados das redes num computador, mani-


pulando-os de uma maneira rápida e mais fiável do que quando feito à
mão.

Um resultado interessante é obtido quando multiplicamos a matriz de adjacência


por ela própria. Senão vejamos,
     
0 1 0 0 0 1 0 0 1 0 1 0
     
2
 1 0 1 0   1 0 1 0 
= 0
 2 0 1 
P =

·
 
.
 0 1 0 1   0 1 
0 1  
 1 1 1 0 

0 1 0 0 0 1 0 0 1 0 1 0

Os elementos da matriz P2 representam o número de caminhos que ligam dois


agentes, correspondentes à linha e à coluna, passando exactamente por dois
laços. Por exemplo, o número 2 na segunda linha e segunda coluna significa que
existem dois caminhos a ligar o agente B a ele próprio que passam exactamente
por dois laços: (B-A-B) e (B-C-B).
Se calcularmos P3 obtermos uma matriz cujos elementos representam o número
de caminhos que ligam dois agentes, correspondentes à linha e à coluna, pas-
sando exactamente por três laços, e assim por diante.
December 15, 2004 – 19 : 19 DRAFT 221

Existem muitas outras operações que manipulam os dados da matriz de ad-


jacência e que permitem tirar conclusões acerca das redes sociais. Mas como a
ideia é apenas apresentar uma aplicação das matrizes no estudo das redes so-
ciais, não avançaremos mais neste ponto deixando uma maior abordagem para
uma possı́vel disciplina de mestrado.

Exemplo 3.16

Construa a matriz de adjacência do sociograma seguinte:

2 3

4 5 6

Determine:

1. o número de caminhos a ligar o agente 5 ao agente 3 passando


exactamente por dois laços.

2. o número de caminhos a ligar o agente 4 ao agente 5 passando


no máximo por dois laços.

3. A distância entre um agente e outro é o número mı́nimo de laços


necessários para ligar o primeiro agente ao segundo. Determine
a distância do agente 1 ao agente 6 e verifique que não é neces-
sariamente a mesma distância do agente 6 ao agente 1.
222 DRAFT December 15, 2004 – 19 : 19

Resolução:

1. A matriz de adjacência é
 
0 1 0 0 0 0
 
 0 0 0 0 1 0 
 
 1 0 0 1 1 0 
 
 .
 0 0 1 0 1 0 
 
 0 0 0 1 0 1 
 
0 0 1 0 1 0

A resolução deste tipo de problemas pode ser muito enfadonha se não


tivermos “olho”!
O que nos é pedido é para determinar o valor do elemento da posição
(5,3) da matriz P2 , onde P é a matriz de adjacência. Naturalmente, não é
preciso calcular toda a matriz P2 . Se nos lembrarmos do modo como são
obtidos os elementos do produto de duas matrizes, vemos imediatamente
que para resolver o nosso problema basta multiplicar a linha 5 da primeira
matriz pela coluna 3 da segunda.

linha3

P P =
linha 5

Elemento pretendido

Portanto, o número de caminhos que liga o agente 5 ao agente 3, passando


exactamente por dois laços, é,
 
0
 
 0 
 
h i  0 
 
0 0 0 1 0 1 ·   = [0 + 0 + 0 + 1 + 0 + 1] = [2]
 1 
 
 0 
 
1
December 15, 2004 – 19 : 19 DRAFT 223

2. Observe que o que nos é pedido é o número de caminhos que passem no


máximo por dois laços, ou seja, o caminho pode passar por dois laços ou
apenas por um. Portanto, queremos o elemento da linha 4, coluna 5 da
matriz soma P + P2 . Para isto, temos de calcular o elemento da linha 4,
coluna 5 da matriz P2 da mesma maneira que fizemos na alı́nea anterior.
 
0
 

 1 

h i  1 
 
0 0 1 0 1 0 ·  = [0 + 0 + 1 + 0 + 0 + 0] = [1]

 1 

 0 
 
1

Logo, somando os elementos em causa das duas matrizes


     
0 1 0 0 0 0
     

 0 0 0 0 1 0  
 
 
 


 1 0 0 1 1 0     
     
 + = 
 0 0 1 0 1 0   1   2 
     
 0 0 0 1 0 1  
   
    
0 0 1 0 1 0

concluı́mos que existem dois caminhos a ligar o agente 4 ao 5, passando


no máximo por dois laços.

3. Temos de calcular o número mı́nimo de laços a ligar os dois agentes. Para


isso, vamos calcular as potências da matriz P até que o elemento pre-
tendido seja não-nulo, começando pela própria matriz P.
O elemento da linha 1, coluna 6 da matriz P é igual a zero, logo a distância
do agente 1 ao 6 não é um. Temos de avançar para a matriz P2 . Usando
o raciocı́nio anterior, vamos multiplicar a primeira linha pela sexta coluna
 
0
 
 0 
 
h i  0 
 
0 1 0 0 0 0 ·  = [0 + 0 + 0 + 0 + 0 + 0] = [0] .
 0 
 
 1 
 
0

A distância também não é dois. Avancemos para a matriz P3 . Mas


atenção! Precisamos agora de mais elementos da matriz P2 . Vejamos
porquê.
224 DRAFT December 15, 2004 – 19 : 19

Observe também que po-


derı́amos recorrer à ex- P3 = P2 · P
pressão

P 3 = P · P2 .
Isto significa que para obtermos o elemento da linha 1, coluna 6 da matriz
P3 temos de multiplicar a primeira linha da matriz P2 pela coluna 6 da
matriz P. Mas da matriz P2 apenas calculámos o último elemento da
primeira linha. Deste modo, temos de calcular os restantes elementos.
XIV. Construa a ma-
triz de adjacência do so-
    
0 1 0 0 0 0 0 1 0 0 0 0 0 0 0 0 1 0
ciograma seguinte:     



 0 0 0 0 1 0  
 


A   1 0 0 1 1 0  
 
   
 · = 



 0 0 1 0 1 0  
 


B  
  0 0 0 1 0 1  




0 0 1 0 1 0
C

Multiplicando esta linha pela sexta coluna da matriz P obtemos para P3


D

    
E 0 0 0 0 1 0 0 1
    
Determine:



 0  
 


  
0   
   
 · = 
(a) o número de cami-   0   
    
nhos a ligar o agente E ao  
 

1  



B, passando no máximo
por três laços. 0
(b) a distância do agente
B ao agente E. Como o elemento é diferente de zero, concluı́mos que a distância do agente
1 ao agente 6 é igual a três.

Procedendo de modo semelhante poderı́amos ver que a distância do


agente 6 ao agente 1 é igual a dois. Convença-se identificando os caminhos
no sociograma!

Para sociogramas de grandes dimensões, este processo para calcular a


distância pode ser muito “caro” para ser feito à mão. Mas é por isso que
existem os computadores! ♣

3.3.4 Demografia
Como último exemplo de aplicação de matrizes, vamos pensar no seguinte
problema:
December 15, 2004 – 19 : 19 DRAFT 225

Consideremos uma população onde a distribuição populacional é


feita por seis escalões etários cada um com quinze anos de amplitude. (b) 3
Suponhamos que a distribuição etária é, por ordem crescente, de 8,
9.5, 7, 8, 7 e 4, em milhões de pessoas. Esta distribuição não é (a) 1
muito usual porque há menos pessoas na classe etária dos 30-45
 0 0 1 1 1 
 
 1 0 0 1 0 
0 0 1 0 0

 
anos do que na de 45-60. Mas poderá ter havido uma guerra. Se

 
 0 1 1 0 0 
 
a probabilidade de transição entre as classes etárias for, em ordem

 
crescente, 0.95, 0.98, 0.90, 0.85 e 0.60 (ou seja, 95% transitam entre
0 1 0 0 0
a primeira e a segunda classe etária, 98% transitam entre a segunda
e a terceira, e assim sucessivamente) e houver cerca de 10 milhões de A matriz de adjacência é:

novos indivı́duos de 15 em 15 anos, qual é a distribuição populacional Solução de XIV:


ao fim de 15 anos? E ao fim de 30 anos? No equilı́brio, qual será
a distribuição populacional partindo do princı́pio que se mantém
constante a taxa de nascimento?

A resposta a este tipo de problemas pode ser dada muito facilmente recorren-
do-se aos conhecimentos sobre matrizes e à teoria de redes sociais.

Vamos então responder a estas três questões.

Podemos aplicar a teoria de redes sociais apresentada na secção anterior se pen-


sarmos que cada classe etária é um agente e os laços correspondendo à transição
entre uma classe e a seguinte. Assim, chegamos ao seguinte sociograma:

2
s1 s2

1 3
1 − s2
1 − s1

1 − s3
D s3

1
1 − s4
1 − s5
6 4

s5 s4
5
226 DRAFT December 15, 2004 – 19 : 19

A matriz de adjacência correspondente é


 
0 s1 0 0 0 0 1 − s1
 
 0 0 s2 0 0 0 1 − s2 
 

 0 0 0 s3 0 0 1 − s3 

 
 0 0 0 0 s4 0 1 − s4 
 

 0 0 0 0 0 s5 1 − s5 

 
 0 0 0 0 0 0 1 
0 0 0 0 0 0 0

Neste exemplo os elementos já não são obrigatoriamente 1 se houver um laço,


mas antes a probabilidade de transição entre os vários agentes!

À matriz enquadrada na figura anterior chamaremos Q. Para resolver o nosso


problema, basta considerar a matriz de sobrevivência, que designaremos por S
e que é a transposta da matriz Q.
 
0 0 0 0 0 0
 

 s1 0 0 0 0 0 

 0 s2 0 0 0 0 
T  
S≡Q = 

 0 0 s3 0 0 0 

 0 0 0 s4 0 0 
 
0 0 0 0 s5 0

É conveniente representarmos a distribuição populacional numa matriz coluna,


que designaremos por n  
8
 

 9.5


 7
 
n= .

 8 

 7 
 
4
Qual é o resultado de multiplicarmos a matriz S pela matriz n? Observe que
esta multiplicação está bem definida e o resultado é
     
0 0 0 0 0 0 8 0
     
 0.95 0 0 0 0 0   9.5   7.6 
     
 0 0.98 0 0 0 0  
 7  
 9.31 
   
 · = .
 0 0 0.90 0 0 0  
 8  
 6.3 
   
 0 0 0 0.85 0 0   7   6.8 
     
0 0 0 0 0.60 0 4 4.2
December 15, 2004 – 19 : 19 DRAFT 227

Observe ainda que esta nova matriz coluna dá-nos a distribuição populacional
depois de uma transição. Ou seja, dos 8 milhões que estavam na primeira classe
etária ao fim de quinze anos estará na segunda classe etária, mas tendo em conta
que só passam 95% passaremos a ter na segunda classe etária 7.6 milhões de
indivı́duos. E assim sucessivamente. Portanto, para termos a nova distribuição
populacional ao fim de quinze anos, de acordo com o problema inicial, falta-nos
apenas somar mais 10 milhões de indivı́duos à primeira classe etária. Ou seja,
     
0 10 10
     
 7.6   0   7.6 
     
 9.31   
0   9.31 
n′ = 
    
+ = .
 6.3   0  
 6.3 
    
 6.8   0   6.8 
     
4.2 0 4.2

T
À matriz [10 0 0 0 0 0] associaremos a letra b.

Assim, para saber a distribuição populacional ao fim de mais quinze anos basta
repetir o processo: multiplicar por S a última distribuição e somar b, ou seja,

n′′ = S · n′ + b
= S·S·n+b
= S2 · n + b

       
0 0 0 0 0 0 10 10 10
       
 0.95 0 0 0 0 0 
  7.6   0  9.5
    
   
 0 0.98 0 0 0  
0   9.31   
0   7.448 
′′     
n = · + = .
 0 0 0.90 0 0 0 
  6.3   0  8.379 
   
   
 0 0 0 0.85 0  
0   6.8   
0   5.355 
    
0 0 0 0 0.60 0 4.2 0 4.08

Falta apenas determinar qual será a distribuição populacional no equilı́brio. Isto


é, quando a distribuição não variar ao fim de um perı́odo de quinze anos, o que
matematicamente transcreve-se na equação seguinte

n = S · n + b.

Ou seja, o n inicial é o mesmo que o final!

Resolvendo esta equação em ordem a n, temos


228 DRAFT December 15, 2004 – 19 : 19

XV. Considere o socio-


grama seguinte:

p1 p2
s1 n = S·n+b
1 2
I·n−S·n = b

D s2 (I − S) · n = b

s3
p3 n = (I − S)−1 · b
4 3
s4

p4 L

Aplicando o método da condensação, é fácil verificar que a inversa da matriz


Cada agente numerado (I − S) é
representa um ano lec-
tivo de um curso de 4
 
1 0 0 0 0 0
anos. Os p’s e os s’s são  
respectivamente as pro-

 s1 1 0 0 0 0 

babilidades de repetição
 s1 · s2 s2 1 0 0 0 
−1  
(I − S) = 
e de sucesso em cada ano  s1 · s2 · s3 s2 · s3 s3 1 0 0 
lectivo. Os agentes D e
 
 s1 · s2 · s3 · s4 s2 · s3 · s4 s3 · s4 s4 1 0 
L representam respecti-  
vamente as desistências e s1 · s2 · s3 · s4 · s5 s2 · s3 · s4 · s5 s3 · s4 · s5 s4 · s5 s5 1
as formaturas.

Considere a distribui-
ção estudantil inicial de
[63 0 0 0]T e os seguin-
Portanto, a distribuição populacional no equilı́brio do nosso problema inicial
tes valores para as pro- será:
10
babilidades: p1 = ,
100 −1
8 5 n = (I − S) · b
p2 = , p3 =p4 = ,    
100 100
80 85 1 0 0 0 0 0 10
s1 = , s2 = e s3 =    
100 100  0.95 1 0 0 0 0   0 
90    
. Tenha em conta  0.931   
100  0.98 1 0 0   0 
que todos os anos ingres- =  · 
sam 60 novos estudantes.  0.8379 0.882 0.9 1 0 0   0 
   
 0.712215 0.7497 0.765 0.85 1 0  
 0 
Processando de modo   
análogo ao exemplo dado 0.427329 0.44982 0.459 0.51 0.6 1 0
 
e usando a matriz de “so-
10
brevivência” 4 × 4 conve-  
 9.5 
niente, determine:  
 9.31 
 
(a) a distribuição estu- =  
 8.379 
dantil ao fim de 3 anos;  
 7.12215 
(b) a distribuição estu-
 
dantil no equilı́brio. 4.27329
December 15, 2004 – 19 : 19 DRAFT 229

 408000 
Exercı́cios 3.3

 1311 
8303

 
 
 6800 
(b)  
 
1. Escreva os seguintes sistemas de equações na forma matricial:
 
 4000 
 

 
69
 4x-3y = 7
 
( 
x+y = -1

 
a) b) 2x+y = 1 3
2x-3y = 5 

x-y = 0 200

 
 
250
 

 
 x+y+z = 0  x = 1
 
  9639

 
 (a) 
c) d)
2500
2x-3y = -7 y = 2
 
 
 

 
 1266633

 
x+7z = 11 z = 3

 
3125

 
180843

 
 1000
 ax+by+c = 0
 (
2m+k = 1 66663
e) 2a+3b+c = 0 f)

 -m+k = 0
a-b+c = 0
Solução de XV:

( (
x-z+2y = -6 2r+s = 9
g) h)
5x+8y+z = 0 t-r = 14

2. Complete o esquema abaixo de modo a que a equação matricial corresponda


ao sistema de equações

      
 7a
 -6c = 4 0 1 a -3
     
-a +4b = 1  7 -2 · = 4 


b +c = 4 5 c

" # " #
3 -7 −1 5 -7
3. Sabendo que a inversa da matriz A = é A = ,
2 -5 2 -3
resolva os seguintes sistemas:


( 
 3x-7y 3
3x-7y = 1 =
a) b) 2
2x-5y = 0  1
 2x-5y = -
2
( (
-7x+3y = -5 2x-5y = 4
c) d)
-5x+2y = 5 3x-7y = -3
( (
-5x+2y = 1 3r-7s = 0
e) f)
-7x+3y = 0 2r-5s = 0
230 DRAFT December 15, 2004 – 19 : 19

4. Determine a recta que melhor aproxima os seguinte conjunto de valores:

x -2 -1 0 1 2
y 2 4 5 8 9

5. A tabela seguinte apresenta a oferta (em milhares de unidades) de um pro-


duto para vários preços (em euros),

Preço Oferta
x y
3 10
5 13
6 15
7 16

a) Determine a recta que melhor aproxima os dados, usando a regressão


linear.

b) Usando a equação obtida na alı́nea anterior, estime a oferta do produto


para o preço de 8 euros.

6. A tabela seguinte apresenta os valores da concentração (em percentagem) de


uma certa droga, no corpo humano, em relação ao número de horas após a sua
administração,
no de horas Concentração
x y
0 100
2 75
4 60
6 50

a) Determine a recta que melhor aproxima os dados, usando a regressão


linear.

b) Usando a equação obtida na alı́nea anterior, estime a concentração da


droga 8 horas após a sua administração.

7. Um grupo de executivos respondeu a um inquérito sobre quem tem influência


directa sobre as suas decisões. A matriz seguinte resume a informação obtida
December 15, 2004 – 19 : 19 DRAFT 231

A B C D E F
A 0 1 0 1 0 0
B 1 0 0 0 1 0