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Conhecimento sobre as abordagens pedagógicas


da Educação Física: escola estadual x escola particular
El conocimiento sobre los enfoques pedagógicos en la Educación Física: escuela pública frente a escuela privada

Angélica Teixeira Silva | Camila Carvalho Fernandes


Centro Universitário de Belo Horizonte, MG
(Brasil) Jurema Barreiros Prado Debien | Aroldo Luis Ibiapino Cantanhede
judebien@hormail.com

Resumo
Desde o último século os objetivos e as propostas educacionais da Educação Física foram se modificando, e ainda hoje estas influenciam a formação do profissional e as práticas pedagógicas dos
professores de Educação Física. Porém a prática pedagógica na Educação Física ainda apresenta-se muito resistente a mudanças, pois os professores ainda utilizam da teoria da aptidão física para a
esportivização. A partir disso, o objetivo desse estudo foi verificar se os professores de Educação Física Escolar têm conhecimento sobre as Abordagens Pedagógicas discutidas no âmbito acadêmico. A amostra
foi composta por oito professores de Educação Física do Ensino Fundamental e Médio, sendo quatro atuantes em uma escola estadual tradicional, uma das maiores da capital e quatro atuantes em uma escola
particular também tradicional e confessional, ambas de Belo Horizonte – MG. Os dados foram coletados utilizando uma entrevista elaborada pelos próprios pesquisadores e observação das aulas. Os resultados
mostraram que os professores da escola particular têm maior conhecimento sobre as abordagens comparado com os professores da escola estadual. Concluímos que os professores conhecem algumas das
Abordagens mencionadas, porém os professores da escola estadual não utilizam desse conhecimento em suas aulas de Educação Física.
Unitermos: Conhecimento. Professores de Educação Física. Abordagens Pedagógicas.

Resumen
Desde el siglo pasado los objetivos educativos y las propuestas de la Educación Física han ido cambiando y hoy influyen en la formación de las prácticas profesionales y pedagógicas de los profesores de
Educación Física. Sin embargo, la práctica pedagógica en la Educación Física sigue siendo muy resistente al cambio, porque los profesores siguen utilizando la teoría de la aptitud física para la deportivización. A
partir de ésto, el objetivo de este estudio fue determinar si los profesores de Educación Física son conscientes de los enfoques pedagógicos debatidos en el ámbito académico. La muestra estuvo compuesta por
ocho profesores de Educación Física de la escuela primaria y secundaria, cuatro trabajaban en una escuela pública tradicional y los otros cuatro estaban trabajando en una escuela privada y confesional
tradicionales en Belo Horizonte, MG. Los datos fueron recolectados a través de una entrevista desarrollada por los investigadores y también mediante la observación de las clases. Los resultados mostraron que
los maestros en las escuelas privadas tienen más conocimientos sobre los enfoques en comparación con los maestros de las escuelas estatales. Llegamos a la conclusión de que los profesores conocen algunos de
los enfoques mencionados, pero los profesores de la escuela estatal no utilizan este conocimiento en sus clases de Educación Física.
Palabras clave: Conocimiento. Profesores de Educación Física. Enfoques pedagógicos.

EFDeportes.com, Revista Digital. Buenos Aires, Año 15, Nº 151, Diciembre de 2010. http://www.efdeportes.com/

1/1

Introdução
Desde o último século os objetivos e as propostas educacionais da Educação Física foram se modificando, e ainda hoje estas influenciam a formação do
profissional e as práticas pedagógicas dos professores de Educação Física.

A inclusão da Educação Física no Brasil se deu oficialmente na escola no século XIX, datado de 1851. Inicialmente a Educação Física era baseada na perspectiva
higienista, onde se preocupavam com os hábitos de higiene e de saúde. No inicio do século XX surgem os métodos ginásticos, os quais tinham como base as
necessidades políticas e sociais do período. Este e o modelo militarista influenciaram o sistema educacional e abrangeu exclusivamente a prática, isso para não
diferenciá-la da instrução militar se desfazendo da teoria1,2.

Após a Segunda Guerra Mundial a Educação Física continua a receber influências estrangeiras com o surgimento do Método Natural Austríaco e o Método da
Educação Física Desportiva Generalizada sobressaindo o esporte. Com isso as aulas de educação física passam a valorizar os códigos da instituição esportiva:
competição, regras rígidas entre outros. Nessa fase o esporte se destaca como objetivo e conteúdo da educação física escolar, sendo assim, o esporte não é visto
como parte da educação física e sim a educação física como componente do esporte1.

Na década de 1980 o modelo esportivista começou a ser muito criticado pelos meios acadêmicos e a educação física passou por um período de valorização dos
conhecimentos produzidos pela ciência. Nesse momento rompeu-se, ao menos ao nível de discurso, a valorização excessiva do desempenho como objetivo único da
escola2.

No entanto, na tentativa de romper com o modelo mecanicista, surgiram as Abordagens Pedagógicas da Educação Física Escolar. Essas Abordagens podem ser
definidas como movimentos que buscam renovação teórico-prático com o objetivo de estruturar o campo de conhecimento específicos da Educação Física3.

Num primeiro momento aparecem as abordagens desenvolvimentista, construtivista-interassionista, crítico-superadora e abordagem sistêmica. As abordagens da
psicomotricidade, crítico-emancipatória, abordagem cultural, dos jogos cooperativos, da saúde renovada e dos Parâmetros Curriculares Nacionais vêem, em segundo
momento, complementar as abordagens anteriores2.

As Abordagens Pedagógicas para Educação Física têm por objetivo deixar que as aulas de Educação Física deixem de ter um enfoque apenas ligado ao aprender a
fazer, mas incluem uma intervenção planejada do professor quanto ao conhecimento que explique o que está por trás do fazer, além dos valores e atitudes
envolvidos na prática da cultura corporal do movimento.

Porém a prática pedagógica na Educação Física ainda apresenta-se muito resistente a mudanças, pois os professores ainda utilizam da teoria da aptidão física
para a esportivização4.

Acredita-se que nos dias atuais o professor baseia seus conteúdos pré-selecionados retirados de livros didáticos e esportes, tornando-se um transmissor de
conteúdos sem valorizar a participação efetiva dos alunos nas aulas. Essa realidade pode estar ocorrendo porque a formação profissional dos professores de
Educação Física por muito tempo evitou os conhecimentos científicos e foi extremamente tecnicista, tornando esses professores aplicadores de práticas pedagógica
herdadas do seu passado5.

A partir disso, o objetivo desse estudo foi verificar se os professores de Educação Física Escolar têm conhecimento sobre as Abordagens Pedagógicas discutidas
no âmbito acadêmico.

Abordagem Desenvolvimentista

O modelo desenvolvimentista defende a idéia de que o movimento é o principal meio e fim da Educação Física. Esta deve privilegiar a aprendizagem do
movimento e proporcionar ao aluno condições para que seu comportamento motor seja desenvolvido mediante uma prática de interação entre a diversificação e a
complexidade dos movimentos. Assim, o principal objetivo da Educação Física é oferecer experiências de movimentos que acompanhem o nível de crescimento e

desenvolvimento do aluno, afim de que a aprendizagem das habilidades motoras seja alcançada 2,3,6.

A partir dessa perspectiva os conteúdos a serem desenvolvidos devem seguir uma ordem de habilidades, respeitando seqüência pedagógica, indo do mais
simples, que são as habilidades básicas, para as mais complexas, as habilidades específicas2, 6.

Abordagem Construtivista-Interacionista

Esta proposta é apresentada como uma nova opção metodológica em oposição às linhas anteriores da Educação Física na escola e prepara um caminho para a
Educação Física como um meio para atingir o desenvolvimento cognitivo. Nesse sentido o movimento se destaca como um instrumento para facilitar a aprendizagem
de conteúdos que estão diretamente ligados ao aspecto cognitivo, ou seja, a aprendizagem de leitura, escrita, raciocínio lógico-matemático etc.

Outro aspecto relaciona-se com a procura da valorização das experiências dos alunos e a sua cultura deixando que o aluno construa o conhecimento a partir da
interação com o meio, resolvendo problemas7.

Abordagem Crítico-Superadora

Destaca-se como uma das principais tendências em oposição ao modelo mecanicista. Esta abordagem levanta questões de poder, interesse, esforço e
contestação, utilizando da justiça social como ponto de apoio. Tal abordagem vai além de questões de como ensinar. Aborda como adquirimos os conhecimentos,
valorizando a questão da contextualização dos fatos e do resgate histórico. É também compreendida como sendo um projeto político-pedagógico, ou seja, dirige
propostas de intervenção em uma direção e possibilita uma reflexão sobre a ação2, 6.

Complementando, Neto e Betti8 mencionam que esta abordagem vem proporcionar uma reflexão sobre a Cultura Corporal do Movimento, optando pela
contextualização histórica e política vinculadas a problemática da sociedade e não do conhecimento científico sem ligação com a realidade vivida, tendo a educação
física o papel de formar cidadãos críticos.

Nesse sentido o papel da educação física ultrapassa o ensinar esporte, ginástica, dança jogos, atividades rítmicas e expressivas, enfim o conhecimento sobre o
próprio corpo, para todos, em seus fundamentos e técnicas, mas inclui também os seus valores subjacentes, ou seja, quais atitudes os alunos devem ter nas e para
as atividades corporais. E finalmente, busca garantir o direito do aluno de saber o porquê ele está realizando este ou aquele movimento, isto é, quais conceitos
estão ligados àqueles procedimentos9.

Abordagem Sistêmica

A Abordagem Sistêmica apóia-se no entendimento de que é um sistema aberto que influencia e é influenciado pela sociedade. Busca engranzar o aluno dentro da
cultura do movimento a partir dos conteúdos oferecidos na escola proporcionando novas experiências3.

Esta proposta vem com intuito de esclarecer valores e finalidades da Educação Física e propor princípios que devam nortear o trabalho do professor de Educação
Física, trabalhando com a diversidade de conteúdos e a não exclusão3.
Abordagem da Psicomotricidade

O envolvimento da Educação Física baseado na Abordagem da Psicomotricidade é com o desenvolvimento da criança, com o ato de aprender, com os processos
cognitivos, afetivos e psicomotores, buscando garantir uma formação integral da criança10.

O discurso sobre esta Abordagem dirigiu-se sobre a necessidade do professor de Educação Física sentir-se um professor com responsabilidades escolares e
pedagógicas. Este busca desatrelar sua atenção a aspectos desportivos, valorizando o processo de aprendizagem e não mais a execução de um gesto técnico
isolado2, 6.

Abordagem Crítico-Emancipatória

Na tentativa de romper com o modelo esportivista e aptidão física praticado nas aulas de Educação Física, são elaboradas teorias com base num referencial
crítico2.

Estas abordagens, denominadas críticas ou progressistas, propõem um modelo de superação das contradições e injustiças sociais, de transformações sociais,
econômicas e políticas2.

Baseado em uma concepção crítica, o ensino escolar necessita refletir, de tal modo, a buscar possibilidades de ensinar os esportes pela sua transformação
didático-pedagógica, contribuindo para uma reflexão crítica e emancipatória das crianças e jovens11.

Abordagem Cultural

Tal abordagem vem confrontar a perspectiva biológica. Tem como ponto de vista que o corpo é constituído por músculos, ossos e órgãos, sendo então todos os
corpos iguais, podendo ser aplicado as mesmas atividades a todos12.

Leva em consideração o repertório de técnicas corporais trazidas pelos alunos à escola, “uma vez que toda técnica corporal é uma técnica cultural”2.

Abordagem dos Jogos Cooperativos

Esta nova perspectiva para a Educação Física está pautada sobre a valorização da cooperação em detrimento da competição2, onde a cooperação e a competição
como idéias centrais apóia-se na estrutura social como fator determinante se os membros de determinadas sociedades irão competir ou cooperar entre si.
Complementando, entende-se que há um condicionamento, um treinamento na escola, família, mídia, para fazer acreditar que as pessoas não têm escolhas e têm
que aceitar a competição como opção natural13.

Os Jogos Cooperativos se apresentam como uma sugestão transformadora, sendo eles divertidos para todos e todos têm um sentimento de vitória, criando um
alto nível de aceitação entre todos. Ao contrário os jogos competitivos têm poder de exclusão, pois exclui os menos habilidosos e são divertidos apenas para
alguns13.

Portanto, em suma, tal proposta tem por objetivo buscar valores mais humanitários2.
Abordagem da Saúde Renovada

A partir da década de 70 iniciaram-se inúmeras pesquisas na área biológica, porém todas não tinham intenções explícitas de produzir conhecimento na área
escolar. Observa-se, portanto um afastamento dos pesquisadores da área biológica das questões escolares. Desde então, muitos pesquisadores dirigiram seus
estudos na busca de alternativas para melhorar o desempenho e em decorrência, com o aumento do número das academias de ginástica e a procura pela prática da
atividade física, uma atenção especial também foi direcionada aos aspectos relacionados à saúde e à qualidade de vida2.

Nesta nova perspectiva de Abordagem Pedagógica para Educação Física, considera-se de fundamental importância a promoção da prática da atividade física que
conduza ao aperfeiçoamento das áreas funcionais, sendo elas, cardiovascular, flexibilidade, resistência muscular e a composição corporal como fatores coadjuvantes
na busca de uma melhor qualidade de vida por meio da saúde2.

Abordagem dos Parâmetros Curriculares Nacionais

O Ministério da Educação e do Desporto, inspirado no modelo espanhol, mobilizou a partir de 1994 um grupo de pesquisadores e professores no sentido de
elaborar os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), balizados pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional n.º 9.394/1996. Os Parâmetros Curriculares
Nacionais trazem uma proposta de democratização, humanização e diversidade à prática pedagógica da área, buscando ampliar uma visão que não seja apenas
biológica, mas que incorpore as dimensões afetivas, cognitivas e sócio-culturais dos aluno. Estes documentos também têm como função primordial subsidiar a
elaboração ou a versão curricular dos estados e municípios, dialogando com s propostas e experiências já existentes, incentivando a discussão pedagógica interna às
escolas e a elaboração de projetos educativos, assim como servir de material de reflexão para a prática dos professores14.

De acordo com os PCNs, a Educação Física na escola é responsável pela formação de alunos que sejam capazes de participar de atividades corporais, adotando
atitudes de respeito mútuo, dignidade e solidariedade; conhecer, valorizar, respeitar e desfrutar da pluralidade de manifestações da cultura corporal; reconhecer-se
como elemento integrante do ambiente, adotando hábitos saudáveis e relacionando-os com os efeitos sobre a própria saúde e de melhoria da saúde coletiva;
conhecer a diversidade de padrões de saúde, beleza e desempenho que existem nos diferentes grupos sociais, compreendendo sua inserção dentro da cultura em
que são produzidos, analisando criticamente os padrões divulgados pela mídia; reivindicar, organizar e interferir no espaço de forma autônoma, bem como
reivindicar locais adequados para promover atividades corporais de lazer14.

Métodos

O presente estudo caracterizou-se por uma pesquisa descritiva de cunho qualitativo.

A amostra foi composta por oito professores de Educação Física do Ensino Fundamental e Médio, sendo quatro atuantes em uma escola estadual tradicional, uma
das maiores da capital e quatro atuantes em uma escola particular também tradicional e confessional, ambas de Belo Horizonte – MG.

Os dados foram coletados utilizando uma entrevista elaborada pelos próprios pesquisadores e observação das aulas, que tinha por objetivo verificar o
conhecimento dos professores de Educação Física quanto as Abordagens Pedagógicas, como também buscar uma resposta da presença e ausência deste
conhecimento por parte dos professores. O roteiro de entrevista foi composto por nove questões abertas procurando saber a formação, o tempo de atuação na área
escolar e o nível de conhecimento sobre as abordagens de ensino da Educação Física Escolar.
Inicialmente foi realizado um contato com a direção da escola e com os professores de Educação Física apresentando os objetivos da pesquisa e solicitando uma
autorização por escrito para realização da coleta de dados. A partir da autorização da direção da escola e dos professores, foi encaminhado o Termo de
Consentimento Livre e Esclarecido e em seguida agendadas as entrevistas individuais.

Após a coleta dos dados, foi realizada a transcrição de cada entrevista para sua posterior análise de conteúdo.

Resultados

Por que escolheu a Educação Física como profissão?


A maioria dos professores escolheu a Educação Física por terem afinidade e identificação com a profissão. Outros porque tiveram oportunidade em atuar na área.

Quanto tempo de formado, de atuação na área e sua formação acadêmica?


As tabelas 1 e 2 apresentam os perfis dos professores da escola estadual e particular, respectivamente. Notamos que todos os professores são graduados em
Educação Física e fizeram algum tipo de especialização, exceto um professor que por coincidência está formado há apenas um ano, porém está em período de
especialização.

Podemos observar também que, comparando o tempo de formação e atuação na área, os professores da rede particular têm maior vivência na área escolar
apresentando juntamente uma formação mais específica (TABELA 1 e 2).

Tabela 1. Perfil dos professores da Escola Estadual

Tempo Tempo de
Professor de atuação na Formação acadêmica
formado área

Graduação em Educação Física, Pós-graduado em Psicopedagogia


1 10 anos 15 anos
Escolar, Treinamento Esportivo e Atividades para grupos especiais

2 8 anos 8 anos Graduação em Educação Física e Pós-graduado em Lazer

Graduação em Educação Física e Pós-graduado em Treinamento


3 8 anos 8 anos
Esportivo

Graduação em Educação Física e especializando em Educação


4 1 ano 5 meses
Física e Esporte Escolar
Tabela 2. Perfil dos professores da Escola Particular

Tempo Tempo de
Professor de atuação na Formação acadêmica
formado área

Licenciatura Plena em Educação Física, especialização em


1 20 anos 25 anos
Pedagogia do Movimento e Psicomotricidade e Psicopedagogia

2 21 anos 21 anos Graduação em Educação Física e Mestre em Educação

Graduação em Educação Física, Pós-graduado em Educação


3 15 anos 17 anos
Ambiental e especialização em Lazer

Graduação em Educação Física e Pós-graduado em Administração


4 5 anos 8 anos
Escolar

Você conhece as Abordagens Pedagógicas?


A tabela 3 apresenta quais as abordagens conhecidas pelos professores dentre as citadas no trabalho. É importante ressaltar que nenhuma abordagem diferente
foi referida pelos professores.

Tabela 3. Conhecimento dos Professores sobre as Abordagens Pedagógicas da EF

Abordagens Sujeitos Total

Escola Estadual Escola Particular

Desenvolvimentista 3 4 7

Construtivista-Interacionista 3 3 6

Crítico-Superadora 2 4 6

Sistêmica 1 1

Psicomotricidade 3 1 4
Crítico-Emancipatória 1 1

Cultural 2 2

Jogos Cooperativos 1 1

Saúde Renovada 3 3

PCN's 1 1

Um fato interessante visualizado na tabela 3 é o grande conhecimento que os professores da escola particular têm sobre as abordagens comparado com os
professores da escola estadual.

Observou-se nas aulas de Educação Física Escolar que essa diferença de conhecimento influencia na qualidade e aplicação das aulas.

Os professores da escola particular aplicam em suas aulas uma “mescla” das abordagens e ainda consideram o papel social da escola. Todos os professores
relataram que a escola utiliza das abordagens Desenvolvimentista, Construtivista e Crítico-Superadora.

Nas aulas observadas na escola estadual não foi identificado nenhuma abordagem, ainda que os professores tenham algum conhecimento sobre as mesmas e
relatado que utilizam de algumas em suas aulas.

Discussão

Considerando que algumas Abordagens têm o objetivo de tornar os alunos autônomos em relação à atividade física e saúde, podemos perceber que as escolas,
principalmente a particular, leva em consideração a formação do cidadão independente, consciente e crítico a atuar na sociedade. Isso entra em comum acordo com
o estudo feito por Fernandes15, o qual relata que uma das principais funções da Educação Física é promover uma prática que contribua para a formação de
indivíduos autônomos.

Contribuindo com esta visão, Bracht4 relata que a cultura corporal se tornou tão significativa a ponto da escola não apenas reproduzi-la, mas sim fazer com que o
aluno se aproprie dela criticamente, para, enfim, exercer sua cidadania. Ainda, para Betti e Zuliani16 a Educação Física deve assumir uma tarefa de introduzir o aluno
numa prática da cultura corporal, tornando-o um cidadão a produzi-la, reproduzi-la e transformá-la, utilizando dos jogos, esportes, das danças, das ginásticas em
benefício da qualidade de vida.

O conhecimento de tais Abordagens favorece a aplicação de uma prática contextualizada o que foi visto nas aulas assistidas na escola particular. No entanto a
mesma situação não pôde ser vista na escola estadual. Isso pode ser justificado pela falta de especialização na área da Educação Física Escolar por parte dos
professores da rede estadual, ou pela dicotomia entre formação específica e formação pedagógica apresentadas pelo curso de Educação Física, como cita
Figueiredo17. Ou ainda pelo fato da não cobrança de uma Educação Física de qualidade do Estado, o que entra em confronto com a cobrança feita na escola
particular. Complementando, Rangel-Betti18 indica que novas propostas surgiram como tentativas de auxiliarem os professores no processo de ensinar o aluno,
porém o autor acredita que esse conhecimento pouco ultrapassou o muro das universidades.

Os resultados encontrados neste estudo entram em contradição com um estudo feito por Maldonado, Hypolitto e Limongelli19, o qual mostrou que os professores
entrevistados não conheciam nenhuma Abordagem, independente do tempo de formação e atuação na área.

Mesmo não aplicando as Abordagens na prática, vimos que todos os professores, exceto um, conheciam pelo menos três Abordagens Pedagógicas. As mais
conhecidas pelos professores, tanto da escola estadual quanto da escola particular, são as Abordagens Desenvolvimentista, Construtivista-Interacionista e Crítico-
Superadora. Sendo estas as utilizadas nas aulas da escola particular.

Um ponto importante a ser ressaltado é que os entrevistados em nenhum momento mencionaram os PCN’s mesmo este estando inserido na Lei de Diretrizes e
Bases da Educação Nacional n.º 9.394/1996 e considerado uma proposta marcante na área da Educação Física, pois este apresenta aspectos relevantes para a
formação integral do aluno20.

O conhecimento de tais abordagens nos remete a analisar a aplicação destas durante as aulas. Quando Rangel-Betti18 aponta que o ensino do esporte na escola
ainda impera uma realidade diferente e difícil de se contestar, e que ainda podemos encontrar professores que ensinam o esporte de uma forma tradicional, o que
foi observado na realidade desenvolvida nas aulas da escola da rede estadual, onde o professor utiliza apenas do “fazer esporte”.

Conclusão

Todavia, apesar dos pesares, vê-se que os professores conhecem sim algumas das Abordagens mencionadas, porém os professores da escola estadual não
utilizam desse conhecimento em suas aulas de Educação Física. Esse comodismo por parte dos professores advém de uma baixa remuneração, a indisponibilidade
de materiais didáticos e a falta de reconhecimento por parte da escola e da comunidade.

No entanto, as universidades podem contribuir para melhora do conhecimento sobre o tema, adotando um modelo de formação reflexiva em seu currículo21. Mas
os professores devem ter consciência da importância da formação continuada, e por parte da escola, a cobrança dessa continuação e oferecimento de cursos de
reciclagem.

Referências bibliográficas

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