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MANUAL

LEGISLAÇÃO, NORMAS E REGULAMENTOS DE HIGIENE E SEGURANÇA

NO TRABALHO

CURSO: TECNICO DE HIGIENE E SEGURANÇA NO TRABALHO

FORMADORA: ANA CRISTINA LOPES


L E G I S L A Ç Ã O , R E G U L A M E N T O S E N O R M A S D E H I G I E N E , S E G U R A N Ç A E

S A Ú D E N O T R A B A L H O

I - INTRODUÇÃO AO DIREITO

1 - Noção de Direito

Nos nossos dias, o Direito é uma realidade que está presente na maior parte dos actos
que praticamos, a maior parte das vezes sem nos apercebermos disso.
Posto isto, vejamos então o que é o Direito?
Existem várias definições e sentidos da expressão “Direito”, sendo que este termo é
mais comummente utilizado ou num sentido objectivo ou num sentido subjectivo.

A) Sentido Objectivo

No que respeita ao Sentido Objectivo do termo “Direito”, nas palavras do ilustre


Professor Castro Mendes, podemos defini-lo como o “sistema de normas de conduta social,
assistido de protecção coactiva”, isto é, como o conjunto de comandos, regras ou normas.
Neste sentido, dizemos que o Direito civil Português actual se inspirou no Direito civil
alemão.
Porém, para assim podermos definir o Direito temos que conhecer a origem e
necessidade de surgimento do Direito?
Por um lado, se analisar-mos o comportamento dos seres humanos, indubitavelmente,
concluímos que o Homem tem uma natureza eminentemente social, ou seja, é um ser
eminentemente social.
Com efeito, o homem é corpo e alma e, simultaneamente, matéria e espírito.
Logo, tem necessidades materiais e espirituais que não pode satisfazer por si só, mas
apenas na associação com os outros homens.
Tais necessidades traduzem-se em situações de carência ou desequilíbrio, que têm
que ser satisfeitas com bens, isto é, com todo e qualquer meio apto a satisfazer necessidades
humanas.
É através da “vida social”, da vida em sociedade, que o Homem procura a satisfação
adequada das suas necessidades e estabelece vínculos de solidariedade com os outros
homens, nomeadamente:
- solidariedade por semelhança – os homens unem-se para satisfazer necessidades
comuns a todos eles (necessidades de defesa)
- solidariedade orgânica – para melhorar o aproveitamento das aptidões individuais a
divisão do trabalho torna-o dependente dos demais.

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Assim, como vimos já, a sociedade humana implica vida em sociedade.


Por seu lado, a vida em sociedade pressupõe regras que pautem os modos de agir dos
homens.
Na verdade, é impensável viver em sociedade sem um mínimo de princípios que
regulem o agir humano, tanto mais que são inevitáveis os conflitos de interesses, quer
individuais, quer colectivos, emergentes da raridade de certos bens (a sua insuficiência
para satisfazer todas as necessidades que os solicitam).
É, então, necessário que na vida social existam regras que determinem a cada
indivíduo as suas formas de colaboração com os outros, por meio de actos ou
omissões, na prossecução dos fins sociais.
Efectivamente, é inerente à vida em sociedade a existência de normas que possam
definir o comportamento de cada homem com os demais.
Tais normas de condutas têm que estar preestabelecidas para organizarem as
actividades entre os homens
Por outro lado, essas regras de conduta são o meio de se obter a segurança de que
cada membro do grupo necessita na sua relação com os demais, pois só as mesmas permitem
tornar previsível as condutas alheias e a elas adequar condutas próprias – é a previsibilidade
que confere segurança aos indivíduos e possibilita a colaboração interindividual necessária ao
alcance dos fins sociais.

Em suma:
- o Homem não vive isolado, mas em sociedade, em convivência com os outros
homens - “ubi societas, ibi ius” (onde existe uma sociedade, existe direito);
- o Homem tem um instinto para se agrupar - nas palavras de Aristóteles é um “animal
social.”
- é o direito que vai “promover a solidariedade de interesses e resolver os conflitos de
interesses”, surgindo como uma ordem normativa.

Contudo, não basta que existam normas; é também necessário que se garanta a sua
eficácia, isto é, que essas normas existam e sejam respeitadas, independentemente da
vontade daquelas a quem se destinam, ou pelo menos, quando violadas seja assegurada a
reparação dessa violação.
Por exemplo:
- existe uma norma que estatui que quem compra uma coisa ou um direito tem que
pagar o respectivo preço a quem lhe vende esse bem - o art.º 874º do C. Civil define o contrato
de compra e venda como “o contrato pelo qual se transmite a propriedade de uma coisa, ou
outro direito, mediante um preço”.

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Se o pagamento do preço não correspondesse ao padrão normal de conduta ninguém


venderia nada a ninguém.
Todavia, a mera existência da referida norma não corresponde ao seu cumprimento por
todos os seus destinatários; muitos destes não a cumpririam, frustando-se a sua eficácia.
Daí que, existam meios de que o credor pode dispor para ver cumprida a norma em
causa e ver tutelados os seus direitos e interesses, nomeadamente, recorrendo aos tribunais,
forças policiais ou militares.
Se A compra um automóvel a B, pelo preço de 5000,00 € e não paga tal preço a B,
pode este obter a condenação de A a pagar o referido montante e, em sede executiva,
penhorar bens daquele (apreensão de bens).

- existe uma norma que determina que os contratos devem ser pontualmente
cumpridos (art.º 406º do C.C.) – regra “pacta sunt servanda”.
Supondo que A contrata um pianista para dar um concerto, e este no dia, hora e local
acordado não cumpre o contrato, faltando ao concerto, em face da referida norma como obrigá-
lo a cumprir?
Em casos como este não se pode recorrer à execução forçada específica da prestação
em si porque a prestação do pianista é uma prestação de facto infungível.
Há, então, lugar há chamada execução não específica ou execução por sucedâneo
equivalente pecuniário – obtém-se à custa do devedor um resultado equivalente ao que se
obteria se o contrato tivesse sido cumprido, indemnizando-se as perdas e danos decorrentes
do não cumprimento.

2 - ELEMENTOS DO CONCEITO DE DIREITO

Como vimos já, podemos definir o Direito, em sentido objectivo, como o “sistema de
normas de conduta social, assistido de protecção coactiva”.

Desta noção podem retirar-se três características fundamentais:

1) Sistema
2) Norma
3) Protecção Coactiva

1) Sistema Jurídico
O Direito surge como um conjunto de normas que se relacionam e harmonizam entre
si, reguladoras da vida social, que formam um sistema, uma ordem, a chamada ordem jurídica.

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Esse sistema jurídico é caracterizado pela coercibilidade ou possibilidade de protecção


coactiva, ou seja, pela existência de um conjunto de meios que permite assegurar o
cumprimento e o respeito das normas jurídicas, mesmo que contrárias à vontade dos seus
destinatários.

Porém, qual é o âmbito de aplicação do sistema jurídico, o âmbito de aplicação do


direito?

Logicamente o âmbito de aplicação do sistema jurídico não é ilimitado, de modo a


cercear totalmente a liberdade das pessoas.

Efectivamente, o sistema jurídico actua:

a) ao impor condutas, quer positivas (quando preceitua), quer negativas (quando


proíbe).

Quando impõe condutas o direito está limitado pelo âmbito da imposição em causa, em
face do princípio da liberdade, segundo o qual é lícito tudo o que não for proibido;

b) ao permitir - esta permissão traduz-se na mera possibilidade de agir materialmente


ou na permissão de estatuir regras que pelas quais se pautem as condutas - a chamada
autonomia da vontade.

Por exemplo, a lei permite usar as coisas que nos pertencem, mas também permite
que as partes quando contratam umas com as outras estabeleçam as regras que regulem a
sua composição de interesses.

Mas aqui coloca-se a questão de saber se as pessoas podem ilimitadamente querer


sujeitar ou não sujeitar à tutela do direito os acordos e contratos que celebrem entre si.

Como princípio geral tal opção não recai sobre o poder de vontade das pessoas, sendo
que, em regra, os acordos entre pessoas sobre os seus interesses e conduta futura são
tutelados pelo direito.

Ao lado destes acordos ou contratos podem as partes celebrar simples acordos que
não têm tutela jurídica:

- os chamados acordos de cavalheiros - gentlemen’s agreements – A empresta a B


1000 €, tendo este que restituir tal montante a título de compromisso de honra;

- os negócios de pura obsequidade – A convida B para passear, o que este aceita,


contudo se A faltar não tem que indemnizar B, pois esse acordo não é juridicamente vinculante.

Caracterizador do sistema jurídico é também o princípio da plenitude da ordem jurídica.

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Com este princípio não quer significar-se que o legislador vazou em normas jurídicas
todos os casos possíveis e respectivas soluções jurídicas.

Tão só se explicita que dos princípios que enformam o sistema jurídico, dada a sua
generalidade, se podem extrair as soluções para a maioria das questões jurídicas não previstas
positivamente e, bem assim, se podem resolver os casos não previstos directamente na lei,
através da integração de lacunas, nos termos do art.º 10º do C. Civil, dado que o tribunal não
pode ficar-se por um “non liquet”.

Na verdade, consagra o artigo 8º, n.º 1 do C.C. que “o tribunal não pode abster-se de julgar,
invocando a falta ou a obscuridade da lei ou invocando dúvida insanável acerca dos factos em
litígio”.

A Norma Jurídica

Ao considerar-mos o elemento norma jurídica temos que distinguir:

a) Norma jurídica em sentido estrito


b) Norma jurídica em sentido lato

a) Norma Jurídica em sentido Estrito

 Conceito e Estrutura
Quando falamos em norma jurídica somos tentados a identificá-la com o termo
disposição, preceito, ou mesmo lei.

Em sentido restrito e próprio ou stricto sensu, a norma é um elemento da ordem


jurídica, e traduz-se na “ligação de uma estatuição à previsão de um evento ou situação”.

Isto é, as normas jurídicas, enquanto normas de conduta social, prevêem as situações


que visam regular e fixam as condutas que querem que sejam observadas.

Na sua função perfeita, a estrutura da norma jurídica compõe-se de três elementos:

o Previsão

o Estatuição

o Sanção - sanção coactiva - apenas este elemento é privativo da norma jurídica.

Previsão

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A previsão corresponde ao acontecimento ou estado de coisas que se prevê na norma


– é a factispécie ou Tatbestand.
Com efeito, toda e qualquer norma jurídica prescreve padrões de conduta adequados
subsumir às situações futuras, sendo que a previsão consubstancia uma “representação dessa
situação futura”.

Tal situação da vida, geralmente, é caracterizada de forma geral e abstracta, a


subsumir a casos concretos futuros, com vista a contemplar todas as situações futuras.

Não obstante essa previsão ser geral e abstracta, podem existir normas cuja previsão
seja um facto futuro singular e concreto, como por exemplo as seguintes normas:

- “quando morrer o Chefe de Estado do país Y”

- “quando vagar o lugar de escrivão do Tribunal de Leiria ser extinto esse


lugar”.

Exemplo de previsão – Artigo 1323º, n.º 1 C.C.:

“Aquele que encontrar animal ou outra coisa móvel perdida e souber a quem pertence
deve restituir o animal ou a coisa a seu dono ou avisar este do achado”

Estatuição

A estatuição corresponde às consequências jurídicas que se estatuem para o caso de


a previsão se verificar – é o efeito jurídico.

Na verdade, toda a norma faz corresponder à respectiva previsão uma estatuição, ou


seja, a necessidade de uma conduta.

Essa necessidade de conduta designa-se, em relação a cada pessoa a quem se dirige,


dever ou obrigação em sentido amplo.

Em toda a norma jurídica a estatuição é sempre geral e abstracta, sob pena de


se tratar de um mero preceito singular e concreto.

Exemplo de estatuição – Artigo 1323º, n.º 1 C.C.:

“Aquele que encontrar animal ou outra coisa móvel perdida e souber a quem pertence
deve restituir o animal ou a coisa a seu dono ou avisar este do achado”

Sanção

A sanção pode ser entendida como um elemento da norma jurídica, ou no entender do


Professor Castro Mendes, como um elemento do sistema jurídico.

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As normas são jurídicas porque integram o sistema jurídico, sendo que o


sistema é jurídico porque comporta meios de coacção.

3 - AS FONTES DE DIREITO

Podemos apontar várias as fontes de direito, nomeadamente:

- lei – é a “norma jurídica decidida e imposta por uma autoridade com poder para o
fazer na sociedade política”, constituindo, desse modo, uma “norma jurídica de criação
deliberada”;

- costume – traduz-se na norma criada através da “prática repetida e habitual de


uma conduta, quando chega a ser encarada como obrigatória (opinio iuris vel necessitatis) pela
generalidade dos seus membros”

- jurisprudência – “conjunto das orientações que, em matéria de determinação e


aplicação da lei, decorrem da actividade prática de aplicação do direito” pelos órgãos da
sociedade com competência para o efeito. Para alguns autores a jurisprudência é meramente
judicial, ou seja, deriva unicamente dos tribunais, porém o prof. Castro Mendes entende que
também existe jurisprudência dos notários, conservadores e mesmo dos órgãos
administrativos;

- doutrina – é a “actividade de estudo teórico ou dogmático do direito” reveladora de


normas do sistema jurídico;

- equidade;

- princípios gerais de direito

A lei e o costume são primariamente modos de formação, modos de criação de normas


jurídicas – são chamadas iuris essendi, fontes directas ou imediatas - e a jurisprudência e a
doutrina são modos de revelação das normas jurídicas – são designadas fontes iuris
cognoscendi, fontes indirectas ou mediatas.

1 - LEI

Nos termos do art.º 1º, n.º 1 do C.C. a lei é fonte imediata do direito.

Pelo que, o seu valor legal é imediato e directo, valendo por si só e independentemente
de qualquer outro factor, contrariamente às demais fontes do direito cuja força vinculativa
provém da lei, que define os termos e limites da sua obrigatoriedade.

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São leis “todas as disposições genéricas provindas dos órgãos estaduais competentes”
(art.º 1º, n.º 2 do C.C.).

Contudo, a expressão lei pode ser entendida com vários sentidos, nomeadamente:

1) - Em sentido latíssimo

Lei é entendida enquanto direito ou norma, quando por exemplo se refere que a lei proíbe ou
impõe determinada conduta – ter que usar cinto de segurança, não conduzir com taxa de
alcoolémia superior à taxa legalmente permitida;

2)- em sentido lato

Lei é entendida enquanto norma jurídica criada de certa forma, nomeadamente por decisão e
imposição de uma autoridade com poder para o efeito, por oposição ao costume;

3)- em sentido intermédio

Lei enquanto oposta a regulamentos:

Num plano geral ou genericamente são leis as Leis da Assembleia da República e os


Decretos-Leis do Governo.

Num plano local ou localmente são leis os Decretos Legislativos Regionais das
Assembleias Regionais das regiões autónomas dos Açores e Madeira;

Os regulamentos são normais gerais emanadas duma autoridade administrativa sobre


matérias próprias da sua competência, sendo principalmente:

- portarias dos Ministros;

- posturas das autarquias

4) em sentido estrito

Reconduz-se apenas às leis emanadas pela Assembleia da República por oposição


aos decretos-leis emanados pelo Governo.

O poder para emanar normas jurídicas designa-se poder legislativo em sentido lato ou
poder normativo, constituindo, além do poder judicial e do poder executivo, um dos três
poderes a que se reconduz a soberania do Estado.
Conforme se referiu, nos termos do art.º 1º, n.º 1 do C.C., a lei é uma fonte imediata do
direito, ou seja, o seu valor legal é imediato e directo, valendo por si só e independentemente
de qualquer outro valor.

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O n.º 2 do citado normativo dispõe que se consideram leis “todas as disposições


genéricas provindas dos órgãos estaduais competentes”.
Contudo, esta noção não é isenta de críticas porque disposições são regras e as leis
não são regras, mas antes fontes de regras.
Para Cabral de Moncada “a lei é a forma que reveste a norma jurídica quando
estabelecida e decretada, duma maneira oficial e solene, pela autoridade de um órgão
expressamente competente para esse efeito, por ser o órgão legislativo”.
No entanto, esta noção não caracteriza a forma da lei, entendida enquanto modo de
revelação.
Donde que, são pressupostos da lei:
- uma autoridade competente para estabelecer critérios normativos de solução de
casos concretos;
- observância das formas legalmente estabelecidas para esse efeito;
- sentido de alterar a ordem jurídica da comunidade pela introdução de um conceito
genérico.
Contudo, estes pressupostos não se confundem com a definição de lei:
Lei é “um texto ou fórmula significativo de um ou mais regras jurídicas emanado, com
observância das formas eventualmente estabelecidas, duma autoridade competente para
pautar critérios normativos de solução de casos concretos”.

Podemos distinguir as leis em:


a)- Lei em sentido material
É o “texto ou fórmula, imposto através das formas do acto normativo, que contiver
regras jurídicas”;

b)- Lei em sentido formal


É a que se reveste das formas destinadas por excelência ao exercício da função
legislativa do Estado

Dentro das diversas formas de leis referidas existe uma Hierarquia de Leis que tem
como consequência:

- as leis hierarquicamente inferiores não podem contrariar ou contradizer as leis


hierarquicamente superiores, antes têm que se verificar uma relação de conformidade.
- as leis hierarquicamente superiores ou iguais podem contrariar ou contradizer as leis
hierarquicamente iguais ou inferiores.
Neste caso, a lei mais recente revoga a lei anterior (mais antiga).

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Assim, considerando a Hierarquia das Leis temos que:

1) Constituição
No topo da hierarquia das leis encontramos, logicamente, a lei hierarquicamente
superior, a saber, a Constituição.
A Constituição é a lei fundamental do Estado que domina as outras leis, estabelecendo
genericamente os princípios basilares e orientadores da organização política e da ordem
jurídica e, bem assim, os direitos e deveres fundamentais dos cidadãos.
Nenhuma outra lei pode estatuir em contrário ao seu conteúdo, tendo que se conformar
com o mesmo.
Neste sentido determina o art.º 3º, n.º 3 da C.R.P. que “a validade das leis e dos
demais actos do Estado, das regiões autónomas, do poder local e quaisquer outras entidades
públicas depende da sua conformidade com a Constituição”.
Se a lei ordinária não se conformar com a lei constitucional e for contrária à mesma
padece de inconstitucionalidade orgânica (se na formação da lei se desrespeita o processo
fixado na Constituição para a elaboração das leis) ou material (se o conteúdo da lei ordinária
ofende os princípios constitucionais):
“São inconstitucionais as normas que infrinjam o disposto na Constituição ou os
princípios nela consignados” (artºs 204º, 277º e segs. da C.R.P.).
O poder de estabelecer normas constitucionais designa-se poder constituinte, poder
que pode ser atribuído de forma pré-constitucional ou de forma constitucional (é a Constituição
que determina a forma da sua revisão e alteração – é o caso da Constituição de 1976 – artºs
284º e segs.).
Todos os Estados têm uma Constituição escrita ou não escrita, sendo que em Portugal
já existiram três constituições monárquicas (1822, 1826 e 1838) e três constituições
republicanas (1911, 1933 e 1976).

2) Leis
A lei, enquanto diversa do regulamento corresponde ao poder legislativo em sentido
estrito.
Determina o art.º 112º, n.º 1 da C.R.P. que são actos legislativos:
o leis;
o decretos-leis;
o decretos legislativos regionais;
As leis e os decretos-leis têm valor igual (art.º 112º, n.º 2 da C.R.P.).
Têm valor reforçado as leis indicadas no art.º 112º, n.º 3 da C.R.P.).
Os decretos legislativos regionais incidem sobre matérias de interesse específico para
as respectivas regiões e não reservadas à Assembleia da República ou ao Governo, tendo que
conformar-se com as leis gerais da República (art.º 112º, n.º 4).

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As leis gerais da República são as leis e os decretos-leis que se aplicam a todo o


território nacional e assim o decretem (art.º 112º, n.º 5 da C.R.P.)

Existem determinadas matérias sobre as quais apenas pode legislar a Assembleia da


República – é a chamada reserva absoluta de competência legislativa (artºs 164º, 161º, al. c)
da C.R.P.).

Relativamente a outras matérias de competência da Assembleia da República pode


suceder que o Governo tenha competência para legislar, desde que com autorização da
Assembleia da República - é a chamada reserva relativa de competência legislativa (artºs 165º
e 161º, al. d) da C.R.P.).
O Governo legisla por meio de decretos-leis, que têm que ser aprovados em Conselho
de Ministros (artºs 198º, n.º 1 e 200º, al. d) da C.R.P.).
Por seu lado, tal como a Assembleia da República, também existem matérias de
competência legislativa exclusiva do Governo: “é da exclusiva competência legislativa do
Governo a matéria respeitante à sua organização e funcionamento” (art.º 198º, n.º 2 C.R.P.)

3) Regulamentos
Com valor hierarquicamente inferior às leis surgem-nos os regulamentos,
correspondente ao poder regulamentar, que é poder legislativo em sentido amplo, ou seja,
integra-se no âmbito do poder executivo.
São normas jurídicas emanadas duma autoridade administrativa, sobre matéria própria
da sua competência.
Os regulamentos destinam-se a possibilitar a aplicação ou execução da norma, isto é,
regulam a execução das leis gerais.
Devem indicar expressamente as leis que visam regulamentar ou que definem a
competência subjectiva e objectiva para a sua emissão (art.º 112º, n.º 8 da C.R.P.).

O Governo é o principal órgão com poder regulamentar – “compete ao Governo, no


exercício de funções administrativas fazer os regulamentos necessários à boa execução das
leis”-, o qual é exercido mediante a emissão de:
o Decretos Regulamentares – são promulgados pelo Presidente da República (art.º 134º, al.
b) da C.R.P.);
o Resoluções do Conselho de Ministros – não são promulgados pelo Presidente da
República;
o Portarias – não são promulgados pelo Presidente da República;
o Despachos Normativos – devem ter como destinatários tão só os subordinados do ministro
ou ministros signatários e vincular o respectivo ministério;

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Os regulamentos revestem a forma de decreto regulamentar quando tal for


determinado pela lei que regulamentam, e quando se trate de regulamentos independentes
(art.º 112º, n.º 7 da C.R.P.).

Pelo facto de os decretos regulamentares serem promulgados pelo Presidente da


República e as resoluções do Conselho de Ministros e as Portarias não o serem os primeiros
têm valor hierarquicamente superior em relação aos segundos e, dentro deste, a resolução
prevalece sobre a portaria.
Além do decreto regulamentar, existem ainda os Decretos Especiais, ou também
denominados decretos simples, como é o caso do decreto do Presidente da República que
nomeia o Primeiro-Ministro e os membros do Governo (art.º 133º, al. f) e h) da C.R.P.) ou dos
decretos pelos quais o Governo aprova os tratados internacionais (art.º 197º, al. c) da C.R.P.).

4) Normas Locais e Sectoriais


Dentro do poder normativo não aplicável à totalidade do território português podemos
distinguir:
o poder legislativo local – têm este poder as Assembleias Regionais das regiões autónomas
dos Açores e da Madeira, exercido mediante decretos legislativos regionais;
o poder regulamentar local - têm este poder as Assembleias Regionais dos Açores e da
Madeira com vista à regulamentação local das leis gerais (artºs 227º, n.º 1, al. a), 2ª parte e
234º da C.R.P.) e os governos regionais dos Açores e da Madeira para regulamentar
decretos regionais (artºs 227º, n.º 1, al. d), 1ª parte e 234º a contrario sensu da C.R.P.),
através de decretos regionais regulamentares (artºs 285º e 278º, n.º 2 da C.R.P.), os
órgãos das autarquias locais (art.º 239º da C.R.P.);
o poder normativo sectorial por matérias – convenções colectivas de trabalho no domínio do
Direito do Trabalho;

5) Direito Internacional, Geral e Convencional

Além do direito interno, também vigora no ordenamento jurídico português o direito


internacional, nomeadamente:
o convenções ou tratados internacionais (acordos celebrados entre os Estados);
o direito internacional público geralmente reconhecido;
As convenções internacionais pelas quais os Estados se obrigam a introduzir e
respeitar certas normas na sua ordem jurídica interna denominam-se tratados normativos.

No que respeita ao direito internacional, as normas e princípios de direito internacional


geral ou comum integram o direito português, do mesmo modo que as normas constantes das

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convenções internacionais regularmente ratificadas ou aprovadas (aprovação compete à


Assembleia da República ou ao Governo – artºs 161º, al. i) e 197º, al. c) da C.R.P.), depois de
publicadas oficialmente vigoram no ordenamento jurídico português e enquanto vincularem
internacionalmente o Estado português (art.º 8º, nºs 1 e 2 da C.R.P.).
Os tratados normativos têm um valor hierárquico inferior à Constituição e superior às
leis e decretos-leis, pelo que:
o não podem violar a Constituição (art.º 277º, n.º 2 da C.R.P.);
o o seu conteúdo não pode ser contrariado por leis ou decretos-leis e demais fontes
hierarquicamente inferiores (art.º 8º, n.º 2 da C.R.P.);

Concluindo a Hierarquia das Leis é a seguinte:

1º) Constituição;
2º) Direito Internacional Geral e Convencional;
3º) Leis e Decretos-Leis;
4º) Decretos Legislativos Regionais;
5º) Decretos regulamentares;
6º) Decretos regulamentares regionais;
7º) Portarias;
8º) Regulamentos das autarquias locais;

DEFINIÇÕES BÁSICAS DE DIREITO COMUNITÁRIO


DIREITO COMUNITÁRIO (Conceito básico)- Conjunto de regras e normas jurídicas
que emanam dos órgãos da União Europeia e que contribuem para o desenvolvimento do ideal
Europeu desde meados do século XX até a actualidade.
DIREITO INTERNACIONAL – conjunto de textos que vigoram Internacionalmente e
que servem basicamente, para a cooperação, entendimento e construção de uma sociedade
Internacional ou comunidade Internacional.
FONTES DE DIREITO COMUNITÁRIO – conjunto de modos ou formas de criação e
revelação de actos normativos provenientes dos Tratados e dos modos legislativos, com a
distinção lógica entre :
1. Direito Comunitário Originário – formado pelo conjunto de Tratados e textos essenciais da
construção e consolidação do Direito comunitário;
2. Direito comunitário Derivado – conjunto de formas legislativas, com capacidade de alterar, os
tratados e acordos que alicerçam a actual união Europeia, nomeadamente na forma de
Regulamentos, Decisões, Directivas, Pareceres e Acordãos.

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De forma complementar, o conceito de Fontes de Direito poderá ser visto numa outra
perspectiva , distinguindo-se :
1. Fontes Obrigatórias – as quais os Estados membros devem respeitar as mesmas, com
medidas, âmbitos e formas diversas, de acordo com os objectivos a atingir;
2. Fontes não Obrigatórias – actos normativos, nos quais não existe qualquer forma de vinculo
entre os actos e os seus destinatários;
3. Fontes externas de Direito Comunitário – são constituídos pelos instrumentos jurídicos que
vinculam a União Europeia e os Estados membros perante outros Estados ou Organizações
Internacionais, de destacar três tipologias :
A . Acordos concluídos pela comunidade com terceiros Estados
B . Tratados concluídos pelos Estados membros com terceiros Estados
C . Tratados concluídos entre si por Estados que fazem parte da Comunidade

4 - PROCESSO LEGISLATIVO.
O processo legislativo, ou seja, o processo de elaboração de leis comporta diversas
fases:

a) Elaboração;
b) Aprovação;
c) Promulgação;
d) Publicação;
e) Entrada em vigor

a)- Elaboração
O processo legislativo só pode ser iniciado pelo órgão com competência legal para o
efeito, nomeadamente (art.º 167º da C.R.P.):
o deputados;
o grupos parlamentares;
o governo;
o assembleias legislativas regionais no caso das regiões autônomas
o grupos de cidadãos eleitores na condições indicadas na lei

Depois de iniciado o processo de apresentação de projectos de lei (iniciativa dos


Deputados) ou propostas de lei (iniciativa do Governo), o texto da lei é discutido e votado.
A discussão do texto da lei implica uma debate na generalidade e outro na
especialidade, ao passo que a votação envolve uma votação na generalidade, uma votação na
especialidade e uma votação final global (art.º 168º, nºs 1 e 2 da C.R.P.).

b)- Aprovação

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O acto legislativo, ou seja, o texto da lei seguidamente tem que ser aprovado por
maioria da Assembleia da República quando se trate de Lei, ou pelo Conselho de Ministros
quando for decreto lei.
Denomina-se decreto da Assembleia da República o texto aprovado por esta antes de
promulgado.

c)- Promulgação
A promulgação é o acto pelo qual se “atesta solenemente a existência da norma e
intima à sua observância”, isto é, se atesta a existência da Lei e se obriga ao seu cumprimento.
Este acto é competência do Presidente da República (art.º 134º, al. b) da C.R.P.), o
qual no prazo de 20 dias a contar do recebimento de qualquer decreto da Assembleia da
República promulgá-lo, ou em alternativa exercer o seu direito de veto (art.º 136º, n.º 1 da
C.R.P.).
As leis, os decretos-leis e os decretos regulamentares têm que ser promulgados pelo
Presidente da República (art.º 134º, al. b) da C.R.P.), acarretando a sua falta a inexistência
jurídica do acto (art.º 137º da C.R.P.).
Acresce que nas leis da Assembleia da República e nos Decretos do Presidente da
República a promulgação tem que ser acompanhada da assinatura do Primeiro-Ministro – a
chamada referenda (art.º 140º, n.º 1 da C.R.P) acarretando a sua falta a inexistência jurídica do
acto (art.º 140º, n.º 2 da C.R.P.).
Quanto aos decretos especiais do Governo não são promulgados, tendo que ser
assinados pelo Presidente da República (art.º 137º da C.R.P.)
Os decretos legislativos e regulamentares regionais são assinados pelo Ministro da
República (art.º 235º, n.º 1 da C.R.P.), as resoluções do Conselho de Ministros são assinadas
pelo Primeiro-Ministro e as portarias e despachos normativos pelo ministro ou ministros
competentes.

d)- Publicação
A publicação das leis é determinada pela necessidade de as leis serem conhecidas,
pois apenas dessa forma podem as mesmas ser aplicadas.
Com efeito, é a publicação que confere publicidade aos actos legislativos, dado que a
sua ignorância não aproveita a ninguém.
O art.º 119º, n.º 1 da C.R.P. indica um conjunto de actos que estão sujeitos a
publicação no “Diário da República”, determinando a falta de publicação a ineficácia jurídica
desses actos (artºs 119º, n.º 2 da C.R.P. e 3º e segs. da Lei n.º 74/98, de 11 de Novembro).
De entre esses actos estão as leis, decreto-leis, etc.
O Diário da República é composto de 3 séries e publicado pela Imprensa Nacional.
Na I.ª série são publicadas as normas gerais e abstractas e os preceitos de interesse
para todos os cidadãos; na II.ª série publicam-se os actos administrativos e na III.ª série os

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actos a que se pretende dar publicidade oficial (concursos públicos, pactos sociais, etc.) - artºs
3º e segs. da Lei n.º 74/98, de 11 de Novembro).
Por outro lado, prescreve o art.º 5º, n.º 1 do C. Civil que “a lei só se torna obrigatória
depois de publicada no jornal oficial”.
No mesmo sentido, determina o art.º 1º, n.º 1, do D.L. n.º 74/98 que a eficácia jurídica
dos actos depende da publicação.
Em regra, as normas de valor geral são publicadas no Diário da República, sendo as
normas de valor local publicadas nos termos determinados pela lei.

e) Entrada em Vigor
Após a publicação, em princípio o diploma legal em causa entra em vigor.
Porém, “entre a publicação e a vigência da lei decorrerá o tempo que a própria lei fixar
ou, na falta de fixação, o que for determinado em legislação especial” (art.º 5º, n.º 2 do C. Civil).
Assim, o diploma pode entrar em vigor:
- no dia nele fixado, mas nunca no próprio dia da publicação (art.º 2º, n.º 1, do D.L. n.º
74/98)
ou
- na falta de fixação (art.º 2º, nºs 2 e 3, do D.L. n.º 74/98:
- no continente no quinto dia após a publicação
- nos Açores e na Madeira no décimo quinto dia após a publicação
- no estrangeiro no trigésimo dia após a publicação
Nunca se conta o dia da publicação do diploma – “os prazos contam-se a partir do dia
imediato ao da publicação do diploma, ou da sua efectiva distribuição se esta tiver sido
posterior” (art.º 2º, n.º 4, do D.L. n.º 74/98.
O período de tempo que medeia entre a publicação e a entrada em vigor da lei
designa-se vacatio legis.
Se, eventualmente, um diploma legal for publicado com erros, deve o mesmo ser
rectificado.
Contudo, as correcções apenas são admitidas para corrigir erros materiais decorrentes
de divergências entre o texto original e o texto impresso, devendo ser publicadas até 60 dias
após a publicação do texto rectificando, sob pena de nulidade do acto de rectificação (art.º 5º,
nºs 1 a 3, do D.L. n.º 74/98).

5 -CESSAÇÃO DA VIGÊNCIA DAS LEIS

As leis que não estiverem sujeitas a prazos especiais de vigência permanecem


tendencialmente para sempre, não podendo a antiguidade da lei obstar à sua aplicação.

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O facto que pode impedir a sua aplicação é, não o facto de por exemplo ser de 1800, a
existência de um facto impeditivo da sua vigência que a afaste.
A vigência de uma lei pode ser suspensa, por um prazo limitado ou ilimitado, obtendo-
se, assim, um resultado semelhante ao da revogação da lei (é o que acontece com muitas leis
fiscais).
Contudo, podem ser afectados não só os efeitos da lei, mas também, a própria lei.
Nestes casos, verifica-se a cessação ou termo de vigência da lei.

Ora, a lei só pode deixar de vigorar por (art.º 7º, n.º 1 do C.C.):

I)- Caducidade

II)- Revogação

O professor Oliveira Ascensão defende que a lei pode deixar de vigorar por costume
contrário ou contra legem.

I)- Caducidade
Em termos gerais, traduz-se na extinção da vigência e eficácia dos efeitos de um acto
por superveniência dum facto com força para tal.
A lei caducará quando perder todo o seu campo de aplicação.
Assim, a vigência de uma lei cessa por caducidade, nomeadamente por efeito da
superveniência de um facto e, portanto, independentemente de nova lei.
Daí que se distinga da revogação.
O facto superveniente pode ser:
a)- uma data ou o termo de um prazo – leis temporárias - que produz tal efeito se:
- o facto que conduz à cessação da vigência está previsto na própria lei ou noutra com
valor hierárquico igual ou superior. Esse facto pode ser:
- meramente cronológico – a lei estabelece o seu prazo de duração (lei que fixa o
índice de aumento anula do valor das rendas)
- um facto de outra ordem – lei que estabelece condições especiais resultantes de
epidemia.
b) – o facto é tal que, ex natura, conduza à perda total do âmbito de aplicação da lei.
Ou seja, desaparecem os pressupostos da aplicação da lei - quando por exemplo deixa
de existir a situação que constitui o substrato jurídico da lei.
É o caso da lei que regule certos serviços caducará quando esses serviços acabarem;
da lei que regula a caça de javali quando estes deixarem de existir.
À caducidade refere-se expressamente a 1ª parte do art.º 7º, n.º 1 do C.C.:

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“Quando se não destina a ter vigência temporária...”.

II)- Revogação
Traduz-se ou consiste no afastamento de uma lei por outra lei de valor hierárquico igual
ou superior.
A revogação pode ser de três espécies:
a)- revogação expressa ou por declaração
b)- revogação tácita ou por incompatibilidade
c)- revogação de sistema, global ou por substituição

a)- Revogação Expressa ou por Declaração


Ocorre quando uma lei nova declara revogada expressamente uma lei anterior, isto é,
tem lugar nos casos em que um preceito da nova lei designa uma lei anterior e a declara
revogada, podendo a individualização da lei ser feita:
- de forma concreta – “é revogado o art.º Xº da lei Y”
ou
- referir-se a um conjunto mais ou menos geral (art.º 3º da lei preambular do C.C. – “...
fica revogada toda a legislação civil relativa às matérias que esse diploma abrange ...”.
A ela se refere a 1ª parte do n.º 2 do art.º 7º do C.C.:
“A revogação pode resultar de declaração expressa (...)”.

b)- Revogação Tácita ou por Incompatibilidade


Ocorre quando, sem se fazer revogação expressa, as normas de lei nova são
incompatíveis com as normas da lei anterior, ou seja, tem lugar nos casos em que não há
revogação expressa, mas há incompatibilidade entre a lei revogada e os preceitos da lei nova,
de modo que sendo inconciliáveis a lei anterior dá lugar à lei posterior.
A ela se refere a 2ª parte do n.º 2 do art.º 7º do C.C.:
“A revogação pode resultar (...) da incompatibilidade entre as novas disposições e as
regras precedentes (..)”.
Exemplo: lei que altera a taxa de juro civil de 12% para 7%.

c)- Revogação do Sistema, Global ou por Substituição


Ocorre quando, apesar de não se dar a revogação expressa nem tácita, se conclui que
o legislador de certo diploma teve a intenção de que esse diploma passe a ser o único
regulador de certa matéria ou assunto.
De outro modo dito, tem lugar quando o legislador pretende que um determinado
diploma legal seja o único diploma legal incidente sobre determinada matéria, e verificada tal
intenção legislativa os aspectos da lei antiga sofrem uma revogação do sistema.
A ela respeita a 3ª parte do n.º 2 do art.º 7º do C. Civil:

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“A revogação pode resultar (...) da circunstância da nova lei regular toda a matéria da
lei anterior”.
Exemplo: o regime das letras de câmbio do Código Comercial foi afastado pela Lei
Uniforme das Letras e Livranças

Existem duas figuras distintas da revogação, que alguns autores entendem ser sub-
espécies da revogação, a saber:
a)- Abrogação – consiste numa revogação total: o diploma é substituído no seu
conjunto;
b)- Derrogação – consiste numa revogação parcial: o diploma é parcialmente atingido

Por outro lado, consagra o n.º 3 do art.º 7º do C.c. como regra geral que “a lei geral não
revoga a lei especial, excepto se outra for a intenção inequívoca do legislador”.
Assim, é a lei especial que revoga a lei geral.
A lei é especial (RAU) quando a sua previsão se insere na de outra lei, a lei geral (artºs
1022º e segs. do C.C. sobre a locação), como caso particular, estabelecendo um regime
diverso para este.
“A lei geral nova não revoga necessariamente a lei especial anterior, que para ser
revogada necessita que o legislador:
a) o declare expressamente na lei geral nova;
b) ou revele a sua intenção nesse sentido por ter regulado diversamente as matérias da
lei especial, por ter estabelecido novos princípios jurídico-sociais incompatíveis com os da lei
especial, por a lei geral não admitir qualquer excepção ou apenas as excepções taxativamente
estatuídas.
Acresce que, o legislador estatuiu que “a revogação da lei revogatória não importa o
renascimento da lei que esta revogara” – não repristinação (art.º 7º, n.º 4 do C.C.).
Contudo, pode suceder que uma lei revogada seja reposta em vigor – trata-se, nesse
caso, de uma Lei Repristinatória.
É o caso da declaração de inconstitucionalidade com força obrigatória geral que tem
eficácia retroactiva e determina a repristinação das fontes revogadas (art. 282º, n.º 2 da C.R.P.)

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S A Ú D E N O T R A B A L H O

II - QUADRO NORMATIVO DE RISCOS PROFISSIONAIS

LEI-QUADRO DE HIGIENE, SEGURANÇA E SAUDE NO TRABALHO:

• DL Nº441/91 DE 14 DE NOVEMBRO

• LEI Nº99/2003 DE 27 DE AGOSTO (Código de Trabalho - CT)

• LEI Nº35/2004 DE 29 DE JULHO (regulamentação do Código de trabalho -


RCT)

O DL nº441/91 (que aprovou o enquadramento nacional de segurança e saúde no


trabalho) visa dar cumprimento à Convenção da CE nº155 de 22 de Junho de 1981, bem como
à directiva nº89/391/CEE, relativa à aplicação de medidas destinadas a promover a melhoria da
segurança e saúde dos trabalhadores no trabalho.

No entanto, o DL 441/91 foi tacitamente e parcialmente revogado pelo CT (art. 272º a


280º) no que concerne ao âmbito de aplicação deste código, mantendo-se em vigor nas
matérias que o código não regula, isto porque, o código de trabalho pretende regular tão só as
relação de trabalho dependente, ou seja, sempre que exista um contrato de trabalho em que
alguém presta a sua actividade laboral, sob ordens e direcção de outrem, a entidade patronal,
mediante o recebimento de uma remuneração.
Fora do código de trabalho situam-se as situações do trabalhador independente, e ao
emprego público.

Passando então à análise das Leis supra referidas, conclui-se, logo numa primeira
leitura que o fundamento principal que pauta esta legislação é a protecção e prevenção dos
acidentes de trabalho bem como das doenças profissionais.A Lei-quadro responde às
necessidades estratégicas e de um quadro jurídico global que garanta uma efectiva prevenção
de riscos profissionais, dando comprimento às obrigações decorrentes da ratificação da
convenção nº155 da OIT.

O DL 441/91, bem como a lei nº35/2004 de 29 de Julho estabelece um grande conjunto


de definições fundamentais a ter em conta na segurança e saúde do Trabalho
Seguem-se algumas definições fundamentais na formação, para se evitar
ambiguidades e precisar conceitos:
 Segurança no trabalho:

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S A Ú D E N O T R A B A L H O

Conjunto de métodos que visam controlar os riscos associados ao local de trabalho e


ao processo produtivo, quer ao nível dos equipamentos e matérias-primas, quer ao nível do
ambiente de trabalho, etc. O objectivo principal é a prevenção de acidentes de trabalho.
 Higiene no Trabalho
Conjunto de métodos e de “boas praticas não médicas”, importantes para a prevenção
de doenças profissionais, nomeadamente, o controlo de agentes físicos, químicos e biológicos.

 Saúde no trabalho
A saúde no trabalho controla o bem-estar dos trabalhadores no local de trabalho,
eliminando e minorando as pressões, o stress e outras circunstâncias que possam afectar a
saúde dos trabalhadores, tais como, depressões, esgotamentos, etc.
O médico de trabalho é a pessoa responsável pela saúde no trabalho e deve exercer
uma medicina preventiva.

 Trabalhador
Pessoa singular que, mediante retribuição, se obriga a prestar serviço a um
empregador, incluído a Administração Publica, os institutos Públicos e demais pessoas
colectivas de direito Publico. O tirocinante, o estagiário e o aprendiz e os que estejam na
dependência económica do empregador em razão dos meios do trabalho e do resultado da sua
actividade, embora não titulares de uma relação jurídica de emprego, publica ou privada.

 Empregador
Pessoa singular ou colectiva com um ou mais trabalhadores ao seu serviço e
responsável pela empresa ou pelo estabelecimento

 Trabalhador independente
Pessoa singular que exerce uma actividade por conta própria

 Representante dos trabalhadores


O trabalhador eleito para exercer funções de representação dos trabalhadores nos
domínios da segurança, higiene e saúde no trabalho;

 Componentes materiais do trabalho


O local de trabalho, o ambiente de trabalho, as ferramentas, as máquinas e materiais,
as substâncias e agentes químicos, físicos e biológicos, os processos de trabalho e a
organização do trabalho;

 Prevenção

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S A Ú D E N O T R A B A L H O

Conjunto de actividades ou medidas adoptadas ou previstas no licenciamento e em


todas as fases de actividade da empresa, do estabelecimento ou do serviço, com o fim de
evitar, eliminar ou diminuir os riscos profissionais.

 Acidente de trabalho
Em sentido amplo, acidente de trabalho é aquele que se verifica no local e tempo de
trabalho, produzindo, directa ou indirectamente, lesão corporal, perturbação funcional ou
doença de que resulte redução na capacidade de trabalho ou de ganho ou de morte.

1. Âmbito de aplicação das Leis supra referidas:

As normas de HSST aplicam-se a todos os ramos de actividade, independentemente


do número de trabalhadores, ou seja, todas as entidades estão obrigadas a terem serviços de
Higiene, segurança e saúde organizados.
Por outro lado estas normas aplicam-se a todos os ramos de actividade, nos sectores
público, privado ou cooperativo e social.

Os destinatários de tais regras são:


1. Trabalhadores por conta ou ao serviço de outrem
2. Empregadores
3. Trabalhadores da administração central, regional e local, institutos públicos e
demais pessoas colectivas de direito publico e privado sem fins lucrativos e a
todas estas entidades.
4. Trabalhador independente (aplicando-se o mesmo regime a trabalhadores de
explorações agrícolas familiares, trabalhadores de pesca de campanha e
artesões em instalações proporias.

2. OBRIGAÇÕES DOS EMPREGADORES

O princípio geral que preside ao tema da formação é o de que todos os trabalhadores


têm direito à prestação de trabalho em condições de segurança, higiene e de protecção de
saúde.
Sempre que cabe ao empregador uma obrigação – cabe aos trabalhadores um direito
(e vice versa) em matéria de HSST.

Desde logo, e como obrigação geral, temos que “o empregador é obrigado a assegurar
aos trabalhadores condições e segurança, higiene e saúde em todos os aspectos relacionados
com o trabalho” – Art. 8º nº 1 do DL 441/91, e art. 273º nº1 do CT.

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Ou seja,
O empregador é obrigado tacitamente a estabelecer uma política de prevenção na
empresa devidamente programada e planificada, dotada de meios e permitindo aos
trabalhadores dispor de instruções sobre as situações em que devam cessar a sua actividade
em caso de perigo grave e eminente.
Segundo o art. 272º do CT, a execução de medidas em todas as fases da actividade
da empresa, destinadas a assegurar a segurança e saúde no trabalho, assenta nos seguintes
princípios de prevenção:
a) Planificação e organização da prevenção de riscos profissionais;
b) Eliminação dos factores de risco e de acidente;
c) Avaliação e controlo dos riscos profissionais;
d) Informação, formação, consulta e participação dos trabalhadores
e seus representantes;
e) Promoção e vigilância da saúde dos trabalhadores.

Mas existem outras obrigações gerais do empregador nesta matéria:


− Assegurar aos trabalhadores condições de higiene e saúde em todos os
aspectos relacionados com o trabalho;
− Planificar a prevenção na empresa;
− Avaliar os riscos, adoptando convenientes medidas de prevenção;
− Eliminar os riscos na concepção das instalações;
− Avaliar os riscos que não podem ser eliminados e tentar minora-los;
− Combater os riscos na origem;
− Substituir o que é perigoso pelo que é isento de perigo ou menos perigoso;
− Assegurar que as exposições aos agentes químicos, físicos e biológicos, nos
locais de trabalho não constituam um risco para a saúde dos trabalhadores;
− Adaptar o trabalho ao homem;
− Ter em conta, na organização dos meios, não só os trabalhadores como
também terceiros susceptíveis de serem abrangidos pelos riscos, e
principalmente quando realizam algum trabalho nas instalações ou no exterior;

− Dar prioridade à prevenção colectiva face às medidas de protecção individual;


− Eliminar os efeitos nocivos do trabalho monótono e do trabalho e do trabalho
cadenciado sobre a saúde dos trabalhadores;
− Assegurar a vigilância adequada da saúde dos trabalhadores em função do
risco a que se encontram expostos;

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− Adoptar medidas em matéria de primeiros socorros, de combate a incêndios e


de evacuação dos trabalhadores e controlar ou mandar controlar estas
medidas;
− Permitir o acesso a zonas de risco grave unicamente a trabalhadores com
aptidão e formação adequadas, e apenas quando e durante o tempo
necessário;

− Adoptar medidas e dar instruções que permitam aos trabalhadores, em caso de


perigo grave e iminente que não possa ser evitado, cessar a sua actividade ou
afastar-se imediatamente do local de trabalho, sem que possam retomar a
actividade enquanto persistir esse perigo, salvo em casos excepcionais e
desde que assegurada a protecção adequada;
− Promover a formação e informação dos trabalhadores;
− Dar instruções adequadas aos trabalhadores;

− Quando várias empresas, estabelecimentos ou serviços desenvolvam,


simultaneamente, actividades com os respectivos trabalhadores no mesmo
local de trabalho, devem os empregadores, tendo em conta a natureza das
actividades que cada um desenvolve, cooperar no sentido da protecção da
segurança e da saúde, sendo as obrigações asseguradas pelas entidades;

− O empregador deve, na empresa, estabelecimento ou serviço, observar as


prescrições legais e as estabelecidas em instrumentos de regulamentação
colectiva de trabalho, assim como as directrizes das entidades competentes
respeitantes à segurança, higiene e saúde no trabalho;
− O empregador deve comunicar à IGT os acidentes mortais ou que evidenciam
uma situação particularmente grave, nas vinte e quatro horas seguintes à
ocorrência;

3. OBRIGAÇÕES E DIREITOS DOS TRABALHADORES

Todos os colaboradores numa organização devem estar sensibilizados e informados


sobre os deveres em SHST. Ninguém dentro de uma organização é excluído de cumprir as
regras de segurança, higiene e saúde. Todos estão obrigados a por em pratica a cultura de
segurança que faz parte da empresa, os gestores, administradores, chefias, assim como o
pessoal de produção.

A Lei nº 99/2003 (CT) impõe aos trabalhadores algumas obrigações gerais nesta
meteria que devem ser criteriosamente respeitadas.
Assim, e de acordo com o art. 274º do CT são obrigações do trabalhador:

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− Tomar conhecimento da informação prestada pelo empregador sobre


HSST;
− Comparecer às consultas e exames médicos determinados pelo
médico de trabalho;
− Cumprir as normas de segurança, higiene e saúde no trabalho
implementado pelo empregador;
− Cumprir as prescrições de segurança, higiene e saúde estabelecidas
na lei e instrumentos de regulamentação colectiva;

− Zelar pela sua segurança e saúde, bem como pela segurança e saúde
das outras pessoas que possam ser afectadas pelas suas acções e
omissões no trabalho;
− Utilizar correctamente os equipamentos de protecção colectiva e
individual, bem como cumprir os procedimentos de trabalho
estabelecidos;
− Cooperar na empresa, estabelecimento ou serviço, para a melhoria do
sistema de segurança, higiene e saúde no trabalho;
− Colocar no local adequado os equipamentos de protecção individual;
− Comunicar aos superiores hierárquico ou trabalhador designado as
avarias e deficiências detectadas que sejam susceptíveis de originar
perigo grave e iminente, ou qualquer defeito nos sistemas de
protecção;
− Em caso de perigo grave e eminente, adoptar as medidas e instruções
estabelecidas para tal situação;
− Os trabalhadores com funções de direcção e os quadros técnicos
devem cooperar, do modo especial, em relação aos serviços sob o seu
enquadramento hierárquico e técnico, com os serviços de SHST, na
execução das medidas de prevenção e vigilância da saúde.

3.1 RESPONSABILIDADE PELO NÃO CUMPRIMENTO DAS OBRIGAÇÕES

As medidas e actividades relativas a segurança, higiene e saúde no trabalho não


implicam encargos financeiros para os trabalhadores, contudo, poderão incorrer em
responsabilidade disciplinar e civil emergente do incumprimento culposo das suas obrigações.
É de salientar que, as obrigações dos trabalhadores neste domínio, no local de trabalho, não
excluem a responsabilidade do empregador pela segurança e a saúde daqueles, em todos
aspectos relacionados com o trabalho.

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3.2 DIREITOS DOS TRABALHADORES


Todos os trabalhadores têm direito à prestação de trabalho em condições de
segurança, higiene e de protecção da saúde.
Têm ainda direito a dispor de informação permanente e actualizada sobre:
o Riscos para a segurança e saúde
o Medidas de protecção e prevenção e a forma como se aplicam
o Medidas de primeiro socorros, de combate incêndios e de evacuação
de trabalhadores.
o Os trabalhadores têm direito de participar em todo o sistema de
segurança e higiene do trabalho, apresentando propostas, caso detectem riscos
profissionais.
o Tem direito de aceder a todas as informações técnicas, sendo
esclarecidos quando surjam duvidas.
o Tem direito de estar envolvidos em todo o processo
o Têm direito a receber formação adequada
o Os trabalhadores e seus representantes têm direito de ser previamente
consultados em todos os aspectos relacionados com a higiene e segurança.
o Os trabalhadores têm direito a eleger representantes.

4. FORMAÇÃO, INFORMAÇÃO E CONSULTA DOS TRABALHADORES

A Eficácia do Sistema de SHST depende da forma como o sistema seja implementado.


Assim, este deve ser implementado de forma a ter plena eficiência. Um dos objectivos deve
convergir na tentativa de desenvolver todos os colaboradores nas actividades, dando a
conhecer as metas que se pretendem atingir. Isto é, ao formar, informar e consultar todos os
trabalhadores numa organização, consegue-se implementar uma cultura de segurança.

Os valores intrínsecos à segurança são incutidos nos trabalhadores e estes, passam a


ser parte do sistema de segurança, higiene e saúde na organização. Os cursos de formação
contribuem para o aumento dos conhecimentos de todos os colaboradores dentro da
organização, uma vez que, facultam as ferramentas essenciais que potenciam um melhor e
mais eficaz procedimento. A formação deve ser dirigida a todos os colaboradores da empresa,
sendo que, o envolvimento da Direcção é fundamental para que todos se tornem aptos para
trabalharem em segurança, com eles próprios e com os outros.
Não menos relevante é a informação. Quando os trabalhadores são devidamente
informados, por exemplo, sobre o funcionamento de um equipamento, ou os dispositivos de

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segurança de uma maquina, passam a ser sensibilizados para estes factos, ou seja, estão
orientados para a gestão do risco. Deste modo, evitam-se acidentes e doenças profissionais.
O empregador, se não acolher o parecer dos representantes dos trabalhadores para a
segurança, higiene e saúde no trabalho ou, na sua falta, dos próprios trabalhadores,
consultados, deve informa-los dos fundamentos:
o Do recurso a técnicos qualificados para assegurar o desenvolvimento
de todas ou parte das actividades de SHST.
o Da designação dos trabalhadores responsáveis pelas actividades de
primeiros socorros, combate a incêndio e evacuação dos
trabalhadores.
o Da designação do representante do empregador que acompanha a
actividade do serviço interempresas ou do serviço externo
o Da designação dos trabalhadores que prestam actividades de SHST
o Do recurso a serviços interempresas ou a serviços externos.

Por ultimo, não devemos esquecer que a consulta a todos os trabalhadores, fará com
que eles se sintam parte integrante duma equipa de trabalho. Todos devem viver as mesmas
realidades, lutando pelos memos objectivos. Os trabalhadores não devem ter a desculpa de
que não viram, não ouviram, não é nada com eles.

4.1 FORMAÇÃO
A execução de medidas em todas as fases da actividade da empresa, destinadas a
assegurar a segurança e saúde no trabalho, assenta em alguns princípios de prevenção, entre
os quais a formação.
Esta deve ser adequada, ou seja, deve ser formação à medida, de acordo com as
necessidades de cada trabalhador, tendo em conta a sua função e o correspondente posto de
trabalho, não esquecendo as actividades de risco elevado. O empregador deve formar em
número suficiente os trabalhadores responsáveis pela aplicação de medidas de primeiros
socorros, de combate a incêndios e de evacuação, em função da dimensão da empresa, bem
como do material adequado. A formação de SHST deve também ser direccionada para a
gestão de topo.
Quanto aos trabalhadores e representantes dos trabalhadores, designados para
ocuparem todas ou algumas das actividades de segurança, higiene e saúde no trabalho, deve
ser assegurada, pelo empregador, a formação permanente para o exercício das respectivas
funções. Todavia, a formação dos trabalhadores da empresa nesta área, deve ser assegurada
sem que resulte prejuízo para os mesmos.

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O direito à formação a cargo do empregador tem como objecto a formação continua de


todos os seus trabalhadores, identificando a lei determinados grupos alvo especifico em função
da sua especial vulnerabilidade.

4.2 INFORMAÇÃO
Os trabalhadores, assim como os seus representantes na empresa, devem dispor de
informação actualizada sobre os riscos para a segurança e saúde, de:
o Descrição dos riscos inerentes ao tipo de trabalho e à empresa ou
serviço.
o Medidas de protecção e prevenção, e forma como se aplicam
o Medidas e instruções a adoptar em caso de perigo grave e eminente;
o
o Medidas de primeiros socorros de combate a incêndios e de
evacuação dos trabalhadores

Esta informação deve ser proporcionada nos casos de:


− Admissão na empresa;
− Mudança de posto de trabalho ou de funções
− Introdução de novos equipamentos, ou alteração das
existentes
− Adopção de uma nova tecnologia;
− Actividades que envolvam trabalhadores de varias empresas.

O empregador deverá ainda fornecer os elementos técnicos sobre os equipamentos e


a composição dos produtos utilizados ao responsável ou responsáveis pelos serviços de HSST,
assim como ao médico de trabalho. E Quando surjam alterações dos componentes materiais
de trabalho estas entidades deverão também ser informadas.
Devem ainda ser fornecidos aos trabalhadores, e por estes criteriosamente lidos os
manuais de instruções dos equipamentos, antes de serem por aqueles manipulados.

4.3 CONSULTA PREVIA AOS TRABALHADORES


Os trabalhadores devem ser consultados sobre as medidas de segurança a pôr em
pratica na empresa. É importante envolver os trabalhadores no sistema a implementar,
alertando-os para os riscos que existem no seu posto de trabalho, despertando assim os
trabalhadores para os riscos que os envolvem. A consulta prévia contribui ainda para que todos
os colaboradores se sintam parte integrante do sistema ou das medidas a implementar.
O empregador deve consultar, pelo menos duas vezes por ano, o representante dos
trabalhadores, ou, na sua falta, os trabalhadores sobre:

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o Avaliação dos riscos, questionando ainda quais os trabalhadores que


estejam sujeitos a riscos especiais;
o As medidas de SHST, antes de serem postas em pratica ou se estas
forem de aplicação urgente, logo que possível;
o O programa e organização da formação no domínio da SHST;
o A designação e a exoneração dos trabalhadores que desempenhem
funções especificas nessa área;
o A designação dos trabalhadores responsáveis pela aplicação das
medidas de primeiros socorros, combate a incêndios e de evacuação
de trabalhadores, a respectiva formação e o material disponível;
o O material de protecção individual e colectiva;
o Etc.

Quando solicitado pelo empregador, o parecer do representante dos trabalhadores, ou dos


trabalhadores, na sua falta, deve ser emitido no prazo de 15 dias ou em prazo fixado pelo
empregador. Decorrido tal prazo, sem que tenha sido entregue ao empregador qualquer
parecer, considera-se satisfeita a exigência da consulta.

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5. ORGANIZAÇÃO DOS SERVIÇOS DE HIGIENE SEGURANÇA E SAÚDE NO


TRABALHO

O REGIME JURIDICO
O regime da organização e funcionamento das actividades de HSST, previsto nos art.
13º e 23º do DL 441/91, constava do DL 26/94 de 1 de Fevereiro.
No entanto, os art. 211º a 263º da Lei nº35/2004 de 29 de Julho (RCT) revogam total e
tacitamente o DL 26/94 de 1 de Fevereiro.

ORGANIZAÇÃO DOS SERVIÇOS DE PREVENÇÃO:


Todas as entidades devem ter os serviços de HSST organizados.
Visa a prevenção dos riscos profissionais e a promoção da saúde dos trabalhadores.
A existência destes serviços nos locais de trabalho, deve ser vista como um factor de
produtividade e de competitividade para as empresas.

RESPONSABILIDADE PELA ORGANIZAÇÃO DOS SERVIÇOS DE HSST


O art. 276º do CT “obriga” o empregador a organizar as actividades de HSST, num
contexto de prevenção de riscos profissionais e acidentes de trabalho e de promoção e
vigilância da saúde dos trabalhadores.
Como o Dl 26/94, também a RCT atribui ao empregador alguma flexibilidade na
escolha e gestão de serviços de HSST, salvo quando a lei impõe a adopção de um
determinado modelo.
Na organização de tais serviços deve a entidade patronal atender aos direitos de
consulta e informação a que os trabalhadores, legalmente, tem direito. – Art. 275º nº3 do CT

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5.1 MODALIDADES DOS SERVIÇOS DE HSST:

− Serviços internos:
São criados pelo empregador e abrangem os trabalhadores que prestam serviço na empresa.
Estes serviços fazem parte da estrutura da empresa e dependem do empregador.
São serviços existentes dentro da organização, podendo ser criado um departamento próprio
composto por técnicos e técnicos superiores de HSST e médico de trabalho, integrado na
estrutura hierárquica da empresa.

− Serviços externos:
São prestados por entidades exteriores à organização, por exemplo, por empresas de
prestação de serviços de HSST.
Pode ainda ser organizado por técnicos qualificados em número suficiente para o
desenvolvimento de todas ou parte das actividades. (têm de deter CAP)

− Serviços interempresas:
São serviços criados por varias empresas ou estabelecimentos para a utilização comum dos
trabalhadores.

Independentemente da modalidade dos serviços que a empresa adoptar, esta deve ter uma
estrutura interna que assegure as actividades de primeiros socorros, de combate a incêndios e
de evacuação de trabalhadores em situação de perigo grave e eminente, designando os
trabalhadores responsáveis por essas actividades. – Art. 220º da RCT

ESQUEMA GLOBAL DA ORGANIZAÇÃO DE HSST

Segurança e
Higiene

TRABALHADOR
DESIGNADO SERVIÇOS
SERVIÇOS INTERNOS SERVIÇOS EXTERNOS SERVIÇOS DE
OU EMPREGADOR INTEREMPRESAS
PREVENÇÃO

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S A Ú D E N O T R A B A L H O

SAÚDE

SERVIÇOS SERVIÇO
SERVIÇO SERVIÇOS
MÉDICO DE INTERNOS DE INTEREMPRESA
NACIONAL DE EXTERNOS DE
TRABALHO SEGURANÇA S DE
SAÚDE SEGURANÇA
DA SAUDE SEGURANÇA
NA SAÚDE
NA SAÚDE

5.2 SERVIÇOS INTERNOS


ART. 224º E SEGUINTES DA LEI 35/2004 DE 29 DE JULHO

5.2.1 Que empresas devem organizar serviços internos:


− A empresa ou estabelecimento que desenvolva actividades de risco elevado, a
que estejam expostos pelo menos 30 trabalhadores, deve ter serviços internos.

− A empresa com, pelo menos, 400 trabalhadoras no mesmo estabelecimento ou


no conjunto dos estabelecimentos distanciados até 50 km do de maior dimensão,
qualquer que seja a actividade desenvolvida, deve ter serviços internos.
5.2.2 Actividades de risco elevado – Art. 213º do RCT
o Trabalhos em obras de construção, escavação, movimentação de terras,
túneis, com riscos de quedas de altura ou de soterramento, demolições e
intervenção em ferrovias e rodovias sem interrupção de tráfego;
o Actividades de indústrias extractivas;
o Trabalho hiperbárico;
o Actividades que envolvam a utilização ou armazenagem de quantidades
significativas de produtos químicos perigosos susceptíveis de provocar
acidentes graves;
o Fabrico, transporte e utilização de explosivos e pirotecnia;
o Actividades de indústria siderúrgica e construção naval;
o Actividades que envolvam contacto com correntes eléctricas de média e alta
tensão;
o Produção e transporte de gases comprimidos, liquefeitos ou dissolvidos, ou a
utilização significativa dos mesmos;
o Actividades que impliquem a exposição a radiações ionizantes;
o Actividades que impliquem a exposição a agentes cancerígenos, mutagénicos
ou tóxicos para a reprodução;
o Actividades que impliquem a exposição a agentes biológicos do grupo 3 ou 4;

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o Trabalhos que envolvam risco de silicose

5.2.3 Dispensa de serviços internos

Podem utilizar serviços externos ou interempresas, mediante autorização do ISHST, as


empresas com pelo menos, 400 trabalhadores no mesmo estabelecimento ou no conjunto dos
estabelecimentos, distanciados até 50 Km, a partir do de maior dimensão, desde que não
exerçam actividades de risco elevado.

REQUISITOS:
o Apresente taxas de incidência e de gravidade de acidentes de trabalho, nos dois
últimos anos, não superiores à média do respectivo sector;
o O empregador não tenha sido punido por Infracções muito graves respeitantes à
violação de legislação de segurança, higiene e saúde no trabalho, praticadas no
mesmo estabelecimento, nos dois últimos anos;
o Se verifique, através de vistoria, que respeita os valores limite de exposição a
substâncias ou factores de risco.

Existem casos em que a actividades de segurança e higiene no trabalho podem ser exercidas
pelo empregador ou por trabalhador designado:

5.3 ACTIVIDADES DE SEGURANÇA E HIGIENE EXERCIDAS PELO EMPREGADOR OU


TRABALHADOR DESIGNADO

o Na empresa, estabelecimento ou conjunto de estabelecimentos distanciados até 50 km


do de maior dimensão, que empregue no máximo 10 trabalhadores e cuja actividade
não seja de risco elevado, as actividades de segurança e higiene no trabalho podem
ser exercidas directamente pelo próprio empregador, se tiver formação adequada e
permanecer habitualmente nos estabelecimentos.

Nesta situação, o empregador pode designar um ou mais trabalhadores para se ocuparem de


todas ou algumas das actividades de segurança e higiene no trabalho que tenham formação
adequada e disponham do tempo e dos meios necessários.

No entanto, é necessário o respeito por determinados requisitos, desde logo, autorização para
exercer tais funções:

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o Autorização a conceder pelo ISHST

o Tal autorização será revogada se a empresa, por mais de uma vez, no período de 5
anos, apresentar taxas de incidência e de gravidade de acidentes de trabalho
superiores à media para o respectivo sector.

Neste caso, o empregador terá que adoptar outra modalidade de organização de serviços de
SHST no prazo máximo de 3 meses.

RESUMINDO:
SERVIÇOS INTERNOS

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Lei 35/2004 de 29.7 (RCT)

Serviços assegurados por:


Serviços internos
- Empregador, ou
Art.224º da RCT
- Trabalhador designado

- Empresa ou estabelecimento que desenvolva - Empresa ou estabelecimento ou conjunto de


actividades de risco elevado, a que estejam estabelecimentos que não distanciam mais de 50
expostos pelo menos 30 trabalhadores Km do de maior dimensão, que empregue no
máximo 10 trabalhadores
- Empresa com pelo menos 400 trabalhadores
- Não desenvolva uma actividade de risco elevado
no mesmo estabelecimento, ou no conjunto de - Tenham formação adequada
estabelecimentos distanciados até 50Km do de -Permaneçam habitualmente na empresa ou
maior dimensão, qualquer que seja a actividade estabelecimento

Dispensa de serviços
internos:
Art. 226º RCT

5.4 SERVIÇOS INTEREMPRESAS


Como já foi referido, estes são serviços criados por varias empresas ou estabelecimentos para
utilização comum de trabalhadores. – Art 228º do RCT
Resta saber se essas empresas ou estabelecimentos pertencem ao mesmo empregador, pois
a lei não é clara nesse aspecto. No entanto, parece-nos que não terá de existir exclusividade,

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pois a própria expressão interempresa induz que se tratam de empresas distintas e detidas por
várias entidades.
Quanto ao estabelecimento, já nos parece que se trate de vários estabelecimentos do mesmo
empregador, para que estes possam estabelecer parcerias e adoptar os mesmos serviços.

A instituição deste tipo de serviço obriga a um acordo escrito, e carece de aprovação do


ISHST.
Quanto aos recursos humanos, a actividade dos serviços de segurança e higiene deve ser
assegurada no próprio estabelecimento, durante o tempo necessário.
Quanto aos serviços de saúde, o medico de trabalho deve prestar actividade durante o numero
de horas necessário à realização dos actos médicos, de rotina ou de emergência, bem como
outros trabalhos que deva coordenar.
Mantém-se ainda a obrigatoriedade do empregador designar um trabalhador com preparação
adequada que o represente, para o ajudar e acompanhar a adequada execução das
actividades de prevenção.

ORGANIZAÇÃO DOS SERVIÇOS INTERNOS E INTEREMPRESAS:


Deve atender aos requisitos definidos nas al. b) a e) do nº 3 do art. 230 da RCT, bem como,
quanto aos recursos humanos, ao disposto nos art. 242º e 250 da RCT.

o Recursos humanos:

Até 50 trabalhadores 1 Técnico


Estabelecimento
industrial 1 Técnico e 1 técnico superior
Mais de 50 trabalhadores (por cada 1500 trabalhadores
abrangidos)

Até 50 trabalhadores 1 Técnico


Restantes
estabelecimentos 1 Técnico e 1 técnico superior
Mais de 50 trabalhadores (por cada 3000 trabalhadores
abrangidos)

o Instalações devidamente equipadas, com condições adequadas ao exercício da


actividade
o Equipamentos e utensílios de avaliação das condições de SHST nas empresas e
equipamentos de protecção individual a utilizarem pelo pessoal técnico;
o Recurso a subcontratação de serviços apenas em relação a tarefas de elevada
complexidade e pouco frequentes.

5.4 SERVIÇOS EXTERNOS

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Art. 229º a 237º da RCT

Lei 35/2004 de
29/7

RCT

Serviços
Convencionados
(serviços prestados
pela adm. Publica
Técnico de SHST Serviços prestados Serviços prestados
Empresas de central, regional ou
e/ou Técnicos por associações por cooperativas
prestação de serviços local, instituto publico
superiores de SHST
ou instituição
Art 229 nº2 al) a da Art. 229 nº2 al) b da
Art 229 º da RCT integrada no SNS)
Art 229º nº2 RCT RCT
Art. 229 nº2 al) d da
RCT

5.4.1 Autorização para o exercício dos serviços externos


Consideram-se serviços externos os contratados pelo empregador a outras entidades. As
empresas ou estabelecimento poderão recorrer aos serviços externos sempre que não estejam
abrangidas pelas exigências dos serviços já referidos. Os serviços externos, com excepção dos
prestados por instituição integrada no SNS, carecem de autorização para o exercício da
actividade de SHST.
A autorização poderá ser concedida para actividades de Segurança, Higiene e/ou saúde, para
todos ou alguns sectores de actividade, assim como, para determinadas actividades de risco
elevado.

5.4.2 Modalidades de serviços externos


1) PRIVADOS
o Prestados por empresas de SHST
o Prestados por técnicos de SHT e/ou técnicos superiores de SHT

2) Associativos
o Prestados por associações com personalidade jurídica sem fins lucrativos

3) COOPERATIVOS

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o Prestados por cooperativas cujo objecto estatutário seja exclusivamente a actividade


de SHST.

4) CONVENCIONADOS
o Prestados pela administração publica central, regional ou local, instituto público ou
instituição integrada no SNS.

O empregador pode optar por um modo de organização dos serviços externos destas
modalidades, desde que seja previamente autorizado
As actividades de saúde podem ser organizadas em separado das de segurança e higiene.

5.4.3 REQUISITOS
A) O contrato entre o empregador e a empresa de serviços externos

O contrato entre a entidade empregadora e a entidade que assegura a prestação de serviços,


deve constar de documento escrito. Posteriormente a entidade empregadora deve comunicar
ao ISHST e a DGS, no prazo de 30 dias a contar do início de actividade da entidade
prestadora de serviço, os seguintes elementos:
 Identificação da entidade prestadora do serviço
 Local ou locais da prestação do serviço
 Data de início da actividade
 Data do termo da actividade, quando previsto
 Identificação do técnico responsável pelo serviço
 Numero de trabalhadores abrangidos.
 Numero de horas mensais de afectação de pessoal à empresa
 Actos excluídos do âmbito do contrato.

B) A empresa de serviços externos – Pedido de autorização administrativa de serviço


externo
Nos termos do art 231º nº1 da RCT, o requerimento de autorização de serviços externos deve
ser apresentado ao ISHST indicando-se:
o A modalidade de serviços externos
o As áreas de prestação
o Os sectores de actividade
o E as actividades de risco elevado, caso seja esse o caso.

Posteriormente o pedido de autorização é instruído, nos termos do nº 3 do art 230º, decidindo


posteriormente o ISHST em conjunto com a Direcção geral de saúde.

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Este autorização pode ser concedida para:


o Actividades de segurança, higiene e saúde
o Actividades de segurança e higiene
o Actividades de saúde

O requerente deve apresentar uma série de requisitos, estipulados no nº 3 do art. 230º da RCT:
1. Suficiência de recursos humanos:
A assistência técnica tem que estar garantida por técnico superior de SHT e por técnico de
SHT para as actividades de Segurança e Higiene, e médico de trabalho e enfermeiro para a
actividade de saúde.
Deve ainda ser indicada a natureza dos respectivos vínculos e os períodos normais de trabalho
ou tempos mensais de afectação (o tempo de afectação do medico de trabalho encontra-se
previsto no art. 250º da RCT).
Relativamente aos técnicos, a lei não indica o tempo de afectação apenas indicando o número
de técnicos necessários.

Nº médicos de nº técnicos nº Trabalhadores nº trabalhadores no


nº de técnicos
trabalho superiores da industria comercio e serviços

1 2 0 1500 3000

2 2 2 3000 6000

3 3 3 4500 9000

2. Instalações devidamente equipadas e em condições adequadas ao exercício da


actividade
As instalações podem constituir instalações fixas ou móveis, que deveram naturalmente
cumprir o regulamento geral de HSST nos estabelecimentos comerciais.

3. Equipamentos e utensílios de avaliação das condições de SHST nas empresas


Nomeadamente para efeito de realização de exames de electrocardiograma, audiometria, teste
de visão…

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5) Equipamentos de protecção individual, a utilizar pelo pessoal técnico.

6) Recurso a subcontratação de serviços apenas em relação a tarefas de elevada


complexidade e pouco frequentes:
Segundo o art. 230º, o recurso à subcontratação não pode afectar o núcleo essencial dos
serviços de SHT, e a sua legitimidade dependerá da complexidade da avaliação a realizar, e da
sua inabitualidade. O mesmo se dirá relativamente ao médico de trabalho, relativamente a
exames especializados.

Os documentos que devem acompanhar o requerimento de autorização:


o Copia autenticada da escritura publica e das alterações e indicação no Diário da
Republica, no caso de pessoa colectiva
o Enumeração do pessoal técnico, medico e enfermeiro, consoante as actividades que
pretende a autorização, com indicação da natureza dos respectivos vínculos e
dos períodos normais de trabalho ou tempos mensais de afectação;
o Enumeração de outros recursos humanos, com a indicação das qualificações, das
funções, da natureza dos respectivos vínculos e dos períodos normais de trabalho ou
tempos mensais de afectação;
o Organograma funcional;
o Área geográfica em que se propõe exercer a actividade;
o Indicação do número de trabalhadores que pretende abranger com os serviços em
estabelecimentos industriais e em estabelecimentos comerciais;
o Indicação das actividades ou funções para as quais se prevê o recurso a
subcontratação;
o Memória descritiva e plantas das instalações;
o Inventário dos equipamentos de trabalho a utilizar na sede e nos seus
estabelecimentos;
o Inventário dos utensílios e equipamentos a utilizar na avaliação das condições de
segurança, higiene e saúde, de segurança e saúde ou de saúde no trabalho, com
indicação das respectivas características técnicas, marcas e modelos;
o Inventário dos equipamentos de protecção individual a utilizar em certas tarefas ou
actividades que comportem risco específico para a segurança e saúde, com indicação
das respectivas marcas e modelos e, quando se justifique, dos códigos de marcação;
o Manual de procedimentos no âmbito da gestão do serviço, nomeadamente sobre a
política de qualidade, o planeamento das actividades e a política de subcontratação,
bem como no âmbito dos procedimentos técnicos nas áreas de actividade para que se
requer autorização, com referência aos diplomas aplicáveis, a guias de procedimentos

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de organismos internacionais reconhecidos, a códigos de boas práticas e a listas de


verificação.

O nº 1 do art 235º da RCT, consagra o direito a audiência do interessado, havendo uma


eventual decisão desfavorável, e aí o requerente será informado da possibilidade de redução
do pedido, quer na actividade de segurança, quer no sector de actividade abrangido.

Existe ainda um direito ao indeferimento tácito, considerando-se favorável o parecer da


entidade consultada que não seja emitido no prazo de 15 dias a contar do pedido efectuado
pelo ISHT às entidades intervenientes.

O processo de acreditação encontra-se sujeito ao pagamento de taxas previstas na Portaria


nº1009/2002 de 09/08.

Funcionamento dos serviços

Objectivos
A acção dos serviços de segurança, higiene e saúde no trabalho tem os seguintes objectivos:
o Estabelecimento e manutenção de condições de trabalho que assegurem a integridade
física e mental dos trabalhadores;
o Desenvolvimento de condições técnicas que assegurem a aplicação das medidas de
prevenção previstas no artigo 273.o do Código do Trabalho;
o Informação e formação dos trabalhadores no domínio da segurança, higiene e saúde
no trabalho;
o Informação e consulta dos representantes dos trabalhadores ou, na sua falta, dos
próprios trabalhadores.

Actividades principais
o Os serviços de segurança, higiene e saúde no trabalho devem tomar as medidas
necessárias para prevenir os riscos profissionais e promover a segurança e a saúde
dos trabalhadores.
Os serviços de segurança, higiene e saúde no trabalho devem realizar, nomeadamente, as
seguintes actividades:
o Informação técnica, na fase de projecto e de execução, sobre as medidas de
prevenção relativas às instalações, locais, equipamentos e processos de trabalho;
o Identificação e avaliação dos riscos para a segurança e saúde no local de trabalho e
controlo periódico da exposição a agentes químicos, físicos e biológicos;

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S A Ú D E N O T R A B A L H O

o Planeamento da prevenção, integrando, a todos os níveis e para o conjunto das


actividades da empresa, a avaliação dos riscos e as respectivas medidas de
prevenção;
o Elaboração de um programa de prevenção de riscos profissionais;
o Promoção e vigilância da saúde, bem como a organização e manutenção dos registos
clínicos e outros elementos informativos relativos a cada trabalhador;
o Informação e formação sobre os riscos para a segurança e saúde, bem como sobre as
medidas de prevenção e protecção;
o Organização dos meios destinados à prevenção e protecção, colectiva e individual, e
coordenação das medidas a adoptar em caso de perigo grave e iminente;
o Afixação de sinalização de segurança nos locais de trabalho;
o Análise dos acidentes de trabalho e das doenças profissionais;
o Recolha e organização dos elementos estatísticos relativos à segurança e saúde na
empresa;
o Coordenação de inspecções internas de segurança sobre o grau de controlo e sobre a
observância das normas e medidas de prevenção nos locais de trabalho.

Os serviços de segurança, higiene e saúde no trabalho devem, ainda, manter


actualizados, para efeitos de consulta, os seguintes elementos:
o Resultados das avaliações dos riscos relativas aos grupos de trabalhadores a eles
expostos;
o Lista de acidentes de trabalho que tenham ocasionado ausência por incapacidade para
o trabalho;
o Relatórios sobre acidentes de trabalho que tenham ocasionado ausência por
incapacidade para o trabalho superior a três dias;
o Lista das situações de baixa por doença e do número de dias de ausência ao trabalho,
a ser remetidos pelo serviço de pessoal e, no caso de doenças profissionais, a
respectiva identificação;
o Lista das medidas, propostas ou recomendações formuladas pelos serviços de
segurança e saúde no trabalho.

5.5 A SAUDE NO TRABALHO

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A Medicina no trabalho visa a prevenção dos riscos profissionais, bem como a promoção e a
vigilância da saúde dos trabalhadores. – art 245º da RCT

Função de prevenção de riscos profissionais, através da analise das condições de trabalho e


dos estados de saúde dos trabalhadores com o objectivo de detectar os problemas de saúde
relacionados com o trabalho e controlar os riscos derivados da execução do mesmo, factores
que podem causar um dano para a saúde dos trabalhadores, com o fim de assegurar,
posteriormente, uma planificação e adequada intervenção para fazer face a esses problemas e
riscos.

A medicina no trabalho tem, entre as suas varias atribuições, a verificação da aptidão


física e psíquica do trabalhador para o exercício da profissão; a organização e manutenção dos
registos clínicos e a promoção de melhores e mais ergonómicas práticas de trabalho.

A promoção e vigilância da saúde podem ser asseguradas pelo medico de trabalho (no
caso das grandes empresas o medico de trabalho deverá ser coadjuvado por um enfermeiro
com experiência adequada) e através das instituições e serviços integrados no serviço nacional
de saúde, nos seguintes casos:
o Trabalhador independente
o Trabalhador agrícola
o Trabalhador do serviço domestico
o Na empresa, estabelecimento ou conjunto de estabelecimentos distanciados até 50 km
do de maior dimensão, que empregue no máximo 10 trabalhadores.

O médico de trabalho, é o licenciado em medicina com especialidade de medicina no


trabalho reconhecida pela ordem dos médicos.

5.5.1 Funções do médico de trabalho:

O médico de trabalho deve prestar actividade durante o número de horas necessário à


realização de actos médicos, de rotina ou de emergência, ou outros trabalho que deva
coordenar. – Deve exercer uma medicina preventiva e não curativa.
Deve ainda ter conhecimentos de todos os componentes materiais de trabalho com
influência sobre a saúde dos trabalhadores, desenvolvendo para esse efeito actividade no
estabelecimento (art. 250 do RCT):
o Industrial – uma hora por mês por cada grupo de 10 trabalhadores

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o Restantes estabelecimentos – 1 hora por mês por cada grupo de cada 20


trabalhadores

Ao médico de trabalho é proibido assegurar a vigilância da saúde de um número de


trabalhadores a que corresponda mais de cento e cinquenta horas de actividade por mês.

EXAMES DE SAUDE:
Devem ser realizados para verificar a aptidão física e psíquica do trabalhador para o
exercício da sua profissão, bem como a repercussão do trabalho e das suas condições na
saúde do trabalhador.
Quem deve promover a realização destes exames é o empregador.
Devem ser efectuados exames de:
o Admissão
o Periódicos
o Ocasionais
O médico de trabalho pode, tendo em conta o estado de saúde do trabalhador e as
suas condições de trabalho, alargar ou reduzir a periodicidade da realização de tais exames.
Pode ainda solicitar exames complementares bem como pareceres médicos especializados.

As observações clínicas relativas aos exames de saúde são anotadas na ficha clínica
do trabalhador.
Há, no entanto que distinguir ficha clínica de ficha de aptidão:
o Ficha clínica: permite a anotação de todas as observações clínicas relativas ao exame
e encontra-se sujeita ao regime do segredo profissional, só podendo ser facultada às
autoridades de saúde e aos médicos da IGT.
o Ficha de aptidão: Resulta da realização dos exames médicos de admissão, periódicos
e ocasionais, sendo também preenchida pelo médico de trabalho, que envia uma copia
ao responsável pelos recursos humanos da empresa, não podendo envolver elementos
que envolvam o segredo profissional (art. 248º RCT). Desta constará:
 Nome e função do trabalhador
 A avaliação da aptidão em relação ao desempenho pretendido pelo
empregador
 Resultado da avaliação, que poderá ser:
o Apto – sem restrições ou com as restrições que são discriminadas
o Não apto – que poderá ser definitivamente ou apenas
temporariamente para a função indicada
o Apto condicionalmente – Não totalmente apto para o exercício de
quaisquer funções

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o Inapto temporariamente
o Inapto Definitivamente

No caso de inaptidão devem ser indicadas outras funções que o trabalhador possa
desempenhar na empresa.
Sempre que o trabalho seja nocivo para a saúde do trabalhador, o médico de trabalho deve
comunicar tal facto aos serviços de SHST e, caso o estado de saúde do trabalhador o
justifique, solicitar o acompanhamento do seu medico assistente.

Quanto à periodicidade dos exames médicos:

Exames de saúde

Art. 245º da RCT

Exames ocasionais:
Alteração substancial nos CMT
Exames de admissão: que possam ter repercussões
Antes do inicio da prestação do Exames periódicos
nocivas
trabalho Anuais – Menores e trab. Com +
No caso de ausências ao trabalho
Em caso de urgência de admissão, de 50 anos
superiores a 30 dias por motivo de
nos 15 dias seguintes De dois em dois anos – Restantes
doença ou acidente, aquando do
trabalhadores
regresso do trabalhador

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6. OS ACIDENTES DE TRABALHO E AS DOENÇAS PROFISSIONAIS


 Lei 99/2003 de 27/8
 Lei 100/97 de 13.09
 DL 143/99 de 30 de Abril
 DL 248/99 de 2 de Julho

Apesar da inserção no código de trabalho de disposições que regulam os acidentes de


trabalho, o certo é que se aguarda a revogação da Lei 100/97 (LAT) e o respectivo
regulamento, que consta do DL 143/99 de 30 de Abril, bem como o DL 248/99 de 2 de Julho
(RDP), segundo o previsto no art. 21º nº2 al. G), l) e o), da lei preambular do Código de
Trabalho.
O código de trabalho na linha da LAT pretende actuar a montante do que a jusante,
assumindo uma natureza essencialmente preventiva e de reinserção, e não meramente
reparatória.
Para além disso, o regime contido no código de trabalho não apresenta grandes
novidades face à lei ainda em vigor: continua por integrar a protecção dos acidentes de
trabalho no regime da segurança social; continua a responsabilidade pelo acidente de trabalho
a caber exclusivamente ao empregador, que a deve transferir para uma entidade seguradora –
art. 37º da LAT e 303º do CT.
A responsabilidade por acidentes de trabalho é uma responsabilidade objectiva pelo
risco, com limites indemnizatórios determinados pela tipificação de danos de acordo com a
tabela nacional de incapacidades.
Continua, no entanto, a esquecer os danos morais sofridos pelo trabalhador vítima de
acidente de trabalho.

6.1 SUJEITOS ABRANGIDOS


A LAT concede direito à reparação aos trabalhadores por conta de outrem,
independentemente da actividade exercida, havendo ou não exploração com fins lucrativos,
sendo ainda considerado como trabalhador por conta de outrem os administradores, directores,
gerentes ou equiparados, quando remunerados.
O código de trabalho estabelece uma outra forma de sistematização deste regime.
Assim, nos termos do art. 281º do CT, só o trabalhador vinculado por um contrato de trabalho é
protegido, tendo no entanto um regime mais alargado no art. 18 da Lei preambular do CT.
Assim também se aplica o regime da reparação dos acidentes de trabalho, nos seguintes
casos:

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 Trabalhadores por conta de outrem, vinculados por um contrato de trabalho,


bem como os seus familiares.
 Trabalhadores que prestem a sua actividade mediante contrato equiparado ao
contrato de trabalho.
Como exemplo, temos o contrato no domicílio, e o trabalho autónomo (o
trabalhador compra a matéria prima e fornece, por um certo preço, o produto
acabado ao beneficiário da prestação).
 Aos praticantes, aprendizes, estagiários e demais situações que devam
considerar-se de formação profissional.
 Aos administradores, directores, gerentes ou equiparados que, sem
contrato de trabalho, sejam remunerados por essa actividade.
 Aos prestadores de trabalho que, sem subordinação jurídica desenvolvam
a sua actividade na dependência económica da pessoa servida.

Quanto aos trabalhadores independentes, que exerçam uma actividade por conta
própria, devem efectuar um seguro que garanta o pagamento das prestações devidas, nos
termos conferidos aos trabalhadores contemplados no nº1 do art. 18º da lei preambular do CT.

6.2 O ACIDENTE DE TRABALHO


O art. 284º do CT e o art. 6º da LAT define acidente de trabalho como “o sinistro,
entendido como acontecimento súbito e imprevisto, sofrido pelo trabalhador que se verifique no
local e no tempo de trabalho”
Elementos importantes:
 Sinistro (acontecimento súbito e imprevisto) sofrido pelo trabalhador.
 Verificado no tempo e local de trabalho
 Que provoque, directa ou indirectamente um determinado dano (lesão corporal,
perturbação funcional, doença que determine redução na capacidade de
trabalho ou de ganho, ou mesmo a morte, nos termos do art. 286º nº1 de CT).
 Existindo entre o evento e o resultado um nexo causal:
No entanto, entende-se que existem casos em que tal nexo não existe, atendendo a que o
legislador foi um pouco mais além e acolheu a teoria do risco económico ou risco de
autoridade. Apoiando-se nesta teoria entende-se que esta autoridade se exerce:
 Nas dependências da exploração propriamente ditas;
 Nos locais acessórios, como lavabos, vestiários, refeitórios, etc.
 Nos locais de repouso, em virtude dos das interrupções diárias;
 Nos acessos directos à exploração; Etc.

Local de trabalho:

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Abrange as deslocações em virtude do trabalho, dentro da sujeição à autoridade do


empregador (art. 284º nº2 al. a) do CT e 6º nº3 da LAT).

Tempo de Trabalho:

Segundo o art. 284º, nº2 al)b do CT e art. 6º nº 4 da LAT, o tempo de trabalho tem
subjacente:
 A prestação de trabalho durante o período normal de laboração/funcionamento
do estabelecimento;
 O tempo que precede o inicio da referida prestação, em actos de preparação
ou relacionados com a prestação de trabalho (ex: preparação dos materiais
usados no processo de fabrico, etc)
 O período seguinte ao tempo de trabalho propriamente dito, em actos
relacionados com a prestação de trabalho (ex: mudança de roupa; na
arrumação dos utensílios de trabalho.)
 As interrupções normais ou forçosas do trabalho (ex: interrupção do
fornecimento de electricidade, programação de equipamentos)

6.3 Extensão do conceito de ACIDENTE DE TRABALHO

Nos termos do art. 285º do CT e art 6º nº2 da LAT, considera-se também acidente de
trabalho:

6.3.1 Acidente in itinere, que ocorre no percurso (em veiculo próprio, alheio ou a
pé) normalmente utilizado pelo trabalhador:
- Quer seja da sua residência (habitual ou ocasional, sendo neste ultimo caso, por força
do desempenho laboral) para o local de trabalho;
- Quer seja do local de trabalho para a sua residência,
- Incluindo ainda o percurso habitual para tomada de refeições, recebimento de salários
(caso não seja no local de trabalho), tendo ainda como requisito, ter do acidente resultado a
morte ou lesões corporais para o sinistrado.

Ambos os artigos remetem para legislação especial a concretização deste tipo de acidentes de
trabalho. Assim, e como, a lei regulamentar do CT, nada nos diz a respeito dos acidentes de
trabalho, temos que continuar a recorrer à regulamentação da LAT, ou seja, ao DL 143/99.

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Logo, e para concretizar o âmbito de tais acidentes, temos que, são de considerar os acidentes
In Intinere, os acidentes que se verifiquem no trajecto normalmente utilizado e durante o
período de tempo ininterrupto habitualmente gasto pelo trabalhador:
 Entre a sua residência habitual, ou ocasional, desde a porta de acesso para as áreas
comuns do edifício ou para a via publica, até às instalações que constituem o seu local
de trabalho.
 Entre o local de trabalho e o local de refeição;
 Entre o local onde, por determinação da entidade patronal, presta qualquer serviço
relacionado com o seu trabalho e as instalações do seu local de trabalho habitual.
 Entre a residência habitual ou ocasional e o local de pagamento da retribuição.
 Entre a residência e o local onde ao trabalhador deverá ser prestada alguma
assistência ou tratamento por virtude de anterior acidente e enquanto ai permanecer
para esses fins.

No nº 3 do art. 6º do DL 143/99 é ainda determinado que “Não deixa de se considerar


acidente de trabalho o que ocorrer quando o trajecto normal tenha sofrido interrupções
ou desvios determinados pela satisfação de necessidades atendíveis do trabalhador,
bem como por motivo de força maior ou por caso fortuito.”

6.3.2 Os acidentes ocorridos na execução de serviços espontaneamente


prestados pelo trabalhador e de que possa resultar proveito económico para o
empregador.
Aqui, o proveito económico não tem de ser efectivo, poderá ser meramente eventual. O
que é relevante é a actuação do trabalhador tendente a alcançar tal objectivo. Nesse caso,
prescinde-se dos requisitos de tempo e local de trabalho.

6.3.3 O acidente ocorrido no local de trabalho, quando no exercício do direito de


reunião ou da actividade de representante dos trabalhadores.
Nesta matéria, as normas aplicáveis são as do art. 468º do CT e do 258º da RCT.

6.3.4 O acidente no local de trabalho, quando em frequência de curso de


formação profissional, ou, fora do local de trabalho, quando exista autorização expressa
do empregador para tal frequência.

6.3.5 O acidente em actividade de procura de emprego durante o credito de horas


para tal concedido por lei aos trabalhadores com processo de cessação do contrato de trabalho
em curso ( ex: Despedimento colectivo, Despedimento por extinção do posto de trabalho)

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6.3.6 O acidente fora do local ou tempo de trabalho quando verificado na


execução de serviços determinados pelo empregador, ou por este autorizados.

6.4 EXCLUSÃO DA RESPONSABILIDADE

No Art. 290º do CT e art 7º da LAT determina-se que o empregador não tem de


indemnizar os danos decorrentes do acidente que:

a) For dolosamente provocado pelo sinistrado ou provier de seu acto ou omissão, que
importe violação, sem causa justificativa, das condições de segurança estabelecidas pelo
empregador ou previstas na lei;

O comportamento activo ou omissivo é desejado nas respectivas consequências


danosas. Nestes casos entende-se que não há responsabilidade do empregador, sempre que a
vitima pratica, não só, o acto determinante do acidente, mas também, nos casos em que deseja
ou se conforma com todas as suas consequências.
Nestes casos é imposto um dever ao trabalhador de cooperar e assim evitar o
agravamento do dano, colaborando na recuperação da incapacidade, sob pena de redução ou
exclusão do direito à indemnização nos termos do n.º 1 do artigo 570.º do Código Civil.

b) Provier exclusivamente de negligência grosseira do sinistrado;

c) Resultar da privação permanente ou acidental do uso da razão do sinistrado, nos


termos do Código Civil, salvo se tal privação derivar da própria prestação do trabalho, for
independente da vontade do sinistrado ou se o empregador ou o seu representante,
conhecendo o estado do sinistrado, consentir na prestação.

Ainda se exclui a responsabilidade do empregador, nos casos de acidente por motivo


de força maior (art. 291 do CT).
Pese embora, a exclusão de responsabilidade do empregador nos termos dos art. 290º
a 292º do CT, este é obrigado a prestar ao sinistrado os primeiros socorros e o transporte para
o local onde possa ser clinicamente socorrido, sob pena de ser sancionado por uma contra-
ordenacionalmente.

6.5 DIREITOS DE INDEMNIZAÇÃO

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Esta indemnização é realizada em dinheiro ou em espécie, segundo o art. 296º do CT,


remetendo o numero 2 do art. Para legislação especial, pelo que temos de nos socorrer do DL
143/99, para a determinação concreta desta reparação dos danos do sinistrado.

Assim, o acidente de trabalho tem como consequência a verificação de determinado


DANO. A lei considera como dano, a lesão corporal, perturbação funcional ou doença que
determine redução na capacidade de trabalho ou de ganho ou a morte do trabalhador
resultante directa ou indirectamente de acidente de trabalho (art. 286º do CT)

Nos termos do art. 9º da Lei 143/99 as incapacidades podem ser:

 Temporárias (IT) ou permanentes (IP) para o trabalho

 As incapacidades temporárias podem ser:


o Parciais (ITP)
o Absolutas (ITA)
• As incapacidades permanentes podem ser:
o Parciais para o trabalho habitual (IPP)
o Absolutas para o trabalho habitual (IPA)
• As incapacidades permanentes podem ser:
o Absolutas para todo e qualquer trabalho (IPA)

Durante o período de incapacidade temporária parcial, o empregador é obrigado a


ocupar o trabalhador sinistrado em funções compatíveis com o estado desse trabalhador – art.
306º do CT

Nos termos do art. 296º nº1 do CT e o art. 10º da LAT, o direito à indemnização
compreende as:
1) Prestações em dinheiro
Esta indemnização considera a ITA e a ITP. A indemnização em capital ou pensão
vitalícia corresponde à redução na capacidade de trabalho ou de ganho, em caso de
incapacidade permanente, ou mesmo em caso de morte, sendo esta indemnização entregue ao
conjugue ou unido de facto.
São ainda indemnizáveis em capital as readaptações necessárias na habitação,
despesas de funeral.

2) Prestações em espécie
Acolhendo as prestações de natureza medica, cirúrgica e farmacêutica, hospitalar e
quaisquer outras, seja qual for a sua forma, desde que necessárias e adequadas ao

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restabelecimento do estado de saúde e da capacidade de trabalho ou de ganho do sinistrado e


à sua recuperação para a vida activa.
O empregador é obrigado, para os efeitos indicados, a constituir seguro de acidente de
trabalho.

6.6 Direitos e deveres do trabalhador durante o período de incapacidade


temporária parcial.

1. DEVER DE OCUPAÇÃO – para o empregador


O art. 306 do CT e o art. 30º nº1 da LAT, impõem ao empregador que durante o
período de incapacidade temporária parcial do trabalhador, este seja ocupado em funções
compatíveis, constituindo a violação deste dever um ilícito contra-ordenacional grave.
Cessa a obrigação prevista no número anterior quando o sinistrado não se apresentar
à entidade empregadora dentro de 10 dias após a fixação da incapacidade, no caso de a
ausência não ser devidamente justificada.
A retribuição devida ao trabalhador nesta situação tem por base a do dia do acidente.
O despedimento sem justa causa deste trabalhador, confere-lhe o direito, em
alternativa à reintegração, a uma indemnização igual ao dobro da atribuída em virtde do
despedimento ilícito. (nº4 do art. 306º do CT e nº2 do art. 30º da LAT).

2. DEVER DE REABILITAÇÃO
O Trabalhador afectado com redução de capacidade de trabalho ou ganho, deverá
poder ocupar funções compatíveis com a respectiva incapacidade – art. 307º nº1 do CT e art.
40º da LAT. A entidade patronal que não respeitar este dever incorre em ilícito de contra-
ordenação grave.
A legislação de trabalho remete para a legislação especial, a regulamentação deste
direito do trabalhador. Acontece que, na falta de inserção da lei regulamentar do código de
trabalho de capitulo referente a acidentes de trabalho, e na falte de qualquer outra lei
regulamentar posterior ao Código de Trabalho, teremos que nos apoiar no DL 143/99, no seu
art. 54º, que serve tanto para este dever, como para o tratado anteriormente.
No entanto, continuamos a não ter uma verdadeira politica de prioridade no mercado
de trabalho, para os trabalhadores com capacidade de trabalho diminuída, nomeadamente
vítimas de acidentes de trabalho, ou doenças profissionais.

3. DEVER DE RECUPERAÇÃO – para o trabalhador

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Dever previsto no art. 298º do CT e 14º da LAT, obrigando assim o trabalhador a


submeter-se ao tratamento e observância das prescrições clínicas e cirúrgicas adequadas.

6.7 PRESCRIÇÃO DO DIREITO À INDEMNIZAÇÃO


O art. 32º nº 1 da LAT estabelece para o direito de acção o prazo prescricional geral de
uma ano, a contar da data da alta clínica, ou, existindo morte, da data desta.

7. AS DOENÇAS PROFISSIONAIS
As doenças profissionais encontram-se previstas no decreto regulamentar nº 6/2001 de
5/5 que dispõe que “São consideradas doenças profissionais as constantes da lista organizada
e publicada em anexo a este diploma”
Segundo indicadores do Centro Nacional de Protecção contra os Riscos profissionais, as
três principais doenças são:
o Doenças musculo-esqueléticas
o Surdez
o Doenças Cutâneas

7.1 AS DOENÇAS CRONICAS


Foi aprovado pela portaria nº349/96 de 08/08, uma lista de doenças crónicas que, por
critério medico, obrigam a consultas, exames e tratamentos frequentes e são a potencial causa
de invalidez precoce, ou seja, motivo de incapacidade total e absoluta para o trabalho, ou
mesmo causa de significativa redução de esperança de vida.

7.2 AS DOENÇAS DE DECLARAÇÃO OBRIGATORIA


Enquadram a categoria de doenças de comunicação obrigatória as doenças
infecciosas que podem constituir um perigo para a comunidade em geral, tendo este regime em
vista o accionamento do plano de controlo epidemiológico, de modo a diminuir ou afastar os
riscos de contágio na comunidade.

Quais as Doenças de Declaração Obrigatória:


• Botulismo • Doença de Creutzfeld-Jacob
• Brucelose • Doença de Hansen (Lepra)
• Carbúnculo • Doença de Lyme
• Cólera • Doença dos legionários
• Difteria • Equinococose

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• Febre amarela • Infecção por Haemophilus influenza


• Febre escaronodular (exclui meningite)

• Febre Q • Parotidite epidémica

• Febre tifóide e paratifóide • Peste

• Outras salmoneloses • Poliomielite aguda

• Hepatite aguda A • Raiva

• Hepatite aguda B • Rubéola (exclui R. congénita)

• Hepatite aguda C • Rubéola congénita

• Hepatite viral não especificada • Sarampo

• Outras hepatites virais agudas • Shigelose


especificadas • Sífilis congénita
• Infecções gonocócicas • Sífilis precoce
• Infecção por VIH • Tétano (exclui t. neonatal)
• Leishmaníase visceral • Tétano neonatal
• Leptospirose • Tosse convulsa
• Malária • Triquiníase
• Meningite meningocócica • Tuberculose do sistema nervoso
• Infecção meningicócica (exclui • Tuberculose miliar
meningite) • Tuberculose respiratória
• Meningite por Haemophilus influenza

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8 - SINALIZAÇÃO DE SEGURANÇA

A sinalização de segurança estimula e desenvolve a atenção do trabalhador para os riscos a


que está exposto, permitindo-lhe ainda recordar as instruções e os procedimentos adequados
em situações concretas.

O que é a sinalização de segurança ?


É a sinalização que está relacionada com um objecto, uma actividade ou uma situação
determinada, que fornece a indicação ou uma prescrição relativa à segurança ou á saúde do
trabalhador, ou a ambas, por intermédio de uma placa, uma cor, um sinal luminoso ou acústico,
uma comunicação verbal ou um sinal gestual.

A quem compete sinalizar ?

Compete ao empregador garantir a existência de sinalização de segurança e saúde no


trabalho, de acordo com a legislação em vigor, sempre que os riscos não puderem ser evitados
ou suficientemente diminuídos com meios técnicos de protecção colectiva ou com medidas,
métodos ou processos de organização do trabalho. Na verdade, de nada serve a sinalização
se não dotarmos, por exemplo, as peças perigosas de protecções, se deixarmos as saídas de
emergência obstruídas, ou não informarmos os trabalhadores do significado da sinalização.

8.1 LEGISLAÇÃO APLICÁVEL


Sem prejuízo de outros de outros diplomas complementares, a sinalização de segurança e de
saúde encontra-se legislada e regulamentada pelo DL n.º 141/95 de 14 de Junho, e pela
Portaria n.º 1456-A/95 de 11 de Dezembro.

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Definição dos sinais de segurança

 Sinal de proibição : o sinal que proíbe um comportamento

 Sinal de aviso: o sinal que adverte de um perigo ou de um risco

 Sinal de obrigação: O sinal que impõe certo comportamento

 Sinal de salvamento ou de socorro: o sinal que dá indicações sobre saídas de


emergência ou meios de socorro ou salvamento

 Sinal de indicação: o sinal que fornece indicações não abrangidas por sinais de
proibição, aviso, obrigação e de socorro ou salvamento

 Sinal acústico: o sinal sonoro codificado, emitido e difundido por um dispositivo


específico, sem recurso à voz humana

 Sinal gestual: o movimento, ou uma posição, dos braços ou das mãos, ou qualquer
combinação entre eles, que através de uma forma codificada oriente a realização de
manobras que representem risco ou perigo para os trabalhadores.

Erros a evitar
 Não basta ao empregador colocar a sinalização, é necessário que controle a eficiência
da mesma, o seu estado de conservação e funcionamento, e para tal deverá evitar:

 A afixação de um número excessivo de placas na proximidade umas das outras

 Utilizar simultaneamente dois sinais luminosos que possam ser confundidos

 Utilizar um sinal luminoso na proximidade de outra fonte luminosa

 Utilizar dois sinais sonoros ao mesmo tempo

 Utilizar um sinal sonoro quando o ruído ambiente for demasiado forte

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Características da sinalização

Para que o trabalhador possa compreender o sinal de segurança rapidamente ou com um


simples olhar e sem confusão possível, os sinais têm pictogramas e cores diferentes consoante
o seu significado.

COR SIGNIFICADO INDICAÇÕES


Sinal de proibição Atitudes perigosas
Perigo – alarme Stop, pausa, dispositivos de
vermelho corte de emergência
Material e equipamento de Identificação e localização
combate a incêndios
Amarelo ou amarelo Atenção, precaução,
alaranjado Sinal de aviso verificação
Comportamento ou acção
azul Sinal de obrigação específica
Obrigação de utilizar EPI
verde Situação de segurança Regresso á normalidade

Sinais de proibição:
 Forma redonda
 Pictograma negro sobre fundo branco, margem e faixa vermelhas

Sinais de aviso
 Forma triangular
 Pictograma negro sobre fundo amarelo, margem negra

Sinais de obrigação
 Forma redonda
 Pictograma branco sobre fundo azul

Sinais de salvamento ou de emergência

 Forma rectangular ou quadrada


 Pictograma branco sobre fundo verde

Sinais relativos ao material de combate a incêndios

 Forma rectangular ou quadrada


 Pictograma branco sobre fundo vermelho

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Sinalização de obstáculos e locais perigosos

A sinalização dos obstáculos e dos locais perigosos faz-se com a ajuda de faixas com a
mesma largura e de cor amarela em alternância com a cor negra, ou de cor vermelha em
alternância com a cor branca.
Devem ser colocadas onde exista o risco de choque contra obstáculos, de queda de objectos
ou de queda de pessoas ( degraus, mudanças de nível, área de deslocação de portas
automáticas )

Marcação das vias de circulação


Para assegurar a protecção dos trabalhadores pode ser necessário que as vias de circulação
sejam identificadas com faixas contínuas, indissociáveis do pavimento, as quais, para
assegurar o contraste bem visível com a cor do pavimento, devem ser brancas ou amarelas.

9 – DISPOSITIVOS DE PROTECÇÃO INDIVIDUAL

9.1 – Controlo de riscos

Os riscos são fontes potenciais de acidentes. O seu controlo dentro de limites aceitáveis é o
objectivo a atingir já que a sua eliminação só muito raramente é possível.

Há fundamentalmente quatro processos a fazer:

R H limitar / irradicar o risco

R H envolver o risco

R H afastar o homem

R H proteger o homem

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S A Ú D E N O T R A B A L H O

O primeiro e o segundo caso envolvem medidas que se designam por construtivas ou de


engenharia, as quais actuam sobre os meios de trabalho (máquinas).

Exemplos:
 Supressão de fuga de um gás com vista à redução do nível de ruído produzido.
 Encapsulamento de uma máquina com o mesmo objectivo.

No terceiro caso temos as medidas organizacionais que actuam no sistema:

homem – máquina – ambiente

Ainda na perspectiva de controlo de ruído seria, por exemplo, proceder à rotação periódica de
trabalhadores expostos ao risco de trauma auditivo.
Por último surgem as medidas individuais ou de protecção individual, que actuam no homem.
Neste caso e por analogia com as anteriores teríamos a utilização de protectores auditivos.

Deve salientar-se que a adopção de medidas construtivas constitui o método mais desejável e
eficaz de protecção.
Estas devem ser encaradas na fase de concepção ou de um projecto, pois indicam maior
racionalização e menores custos (segurança integrada). Em oposição, a segurança aditiva é
mais cara e em geral menos eficaz do que a primeira.

9.2 – Selecção e ensaio de dispositivos de protecção individual


9.2.1 - Selecção

Os equipamentos individuais de protecção exigem do trabalhador um sobre-esforço no


empenhamento das suas funções, quer pelo peso, quer pela dificuldade respiratória, quer ainda
pelo desconforto geral que pode provocar.
Devem portanto ser usados apenas na impossibilidade de adopção de medidas de ordem
geral.
A selecção dos dispositivos de protecção individual (d.p.i.) deverá ter em conta:
- os riscos a que está exposto o trabalhador;
- as condições em que trabalha;
- a parte do corpo a proteger;
- os caracteres do próprio trabalhador.

A caracterização destes pontos será baseada por um lado, na análise das condições de
trabalho e por outro, no tratamento de dados estatísticos (tipos e locais predominantes de
lesões).

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Os d.p.i. devem obedecer aos seguintes requisitos: serem cómodos, robustos, leves e
adaptáveis. Nesta problemática, proteger significa: tão pouco quanto possível, mas tanto
quanto necessário.
Finalmente há a considerar um aspecto muito importante na selecção dos d.p.i., e que é a
homologação dos mesmos. A homologação é a constatação por parte de um organismo
competente de que um dado material está conforme as características definidas numa norma,
num regulamento ou em qualquer outra directiva legal.

9.2.2 – Ensaio de dispositivos de protecção individual na empresa

Para testar um novo d.p.i. devem, tanto quanto possível escolher-se trabalhadores com um
critério objectivo de apreciação.
É indispensável a sua elucidação quanto aos riscos a controlar, bem como o ensaio de mais de
um tipo de protecção.
O registo de elementos como: durabilidade, efeito de protecção, comodidade, possibilidade de
limpeza, entre outros, é extremamente importante para uma solução definitiva.
A decisão final sobre a utilização do d.p.i. deve ser tomada com base numa análise cuidada do
posto de trabalho, análise essa em que devem participar chefias e trabalhadores.
A co-decisão conduz a uma maior motivação para o seu uso.

9.3 – Principais tipos de protecção individual

Os principais tipos de protecção individual são os seguintes:


 Protecção da cabeça;
 Protecção dos olhos e rosto;
 Protecção das vias respiratórias;
 Protecção dos ouvidos;
 Protecção do tronco;
 Protecção dos pés e membros inferiores;
 Protecção das mãos e dos membros superiores;
 Protecção contra quedas.

9.3.1 – Protecção da cabeça

A cabeça deverá ser adequadamente protegida perante o risco de queda de objectos pesados,
pancadas violentas ou projecção de partículas.

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A protecção da cabeça obtém-se mediante o uso de capacetes de protecção os quais devem


apresentar elevada resistência ao impacto e à penetração.
O capacete é composto por duas partes, a carapaça ou capacete propriamente dito e a
armação interior de apoio. Esta última deve adaptar-se à forma da cabeça.
Para os capacetes de protecção industriais são aconselháveis os seguintes materiais:

- Plásticos termoendurecíveis (ex.: resina de fenol – formaleído com algodão): resistem ao


calor, ao frio, aos produtos químicos e ao envelhecimento. São aplicáveis em diversas
actividades, designadamente soldadura e arco voltaico e trabalho ao calor.

- Liga de alumínio: permite uma irradiação de calor, não é suportável durante longo tempo
em locais quentes, devido à transmissão de calor, permite a penetração de partículas
incandescentes, apresenta uma resistência limitada à fractura e às baixas temperaturas e
fraca resistência a produtos químicos. É utilizável sobretudo em pedreiras. Também pode
ser utilizada no combate a incêndios, devido ao seu baixo peso.

- Termoplásticos: (ex.: polietileno, polipropileno): apresentam fraca resistência a elevadas


temperaturas e às radiações ultravioletas. São contudo muito resistentes a baixas
temperaturas. São aplicáveis em oficinas, trabalhos de montagem e construção civil,
câmaras frigoríficas, etc.
Outros materiais ainda utilizados para capacetes de protecção, embora com menor frequência,
são o aço e o poliester reforçado com fibra de vidro.
A protecção da cabeça contra a projecção de partículas ou líquidos corrosivos pode fazer-se
através de capuzes, que em certos casos asseguram também a protecção ocular e das vias
respiratórias (respectivamente por meio de uma viseira e de uma máscara acopladas).
Um caso especial de protecção é o do capacete integral utilizado em decapagens com jacto de
areia.

A protecção da cabeça pode ainda fazer-se através do uso de um barrete de tecido, quando
está em causa a sujidade provocada por poeiras ou o risco de projecção de líquidos.

9.3.2 – Protecção dos olhos e do rosto

Os olhos constituem uma das partes mais sensíveis do corpo onde os acidentes podem atingir
a maior gravidade.
As lesões nos olhos ocasionadas por acidentes de trabalho podem ser devidas a diferentes
causas:

- Acções mecânicas, através de poeiras, partículas ou aparas.

- Acções ópticas, através de luz visível (natural ou artificial) ou invisível (radiações


ultravioleta ou infravermelha) ou ainda raios laser.

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- Acções químicas, através de produtos corrosivos (sobretudo ácidos e bases) no estado


sólido, líquido ou gasoso.

- Acções térmicas, devidas a temperaturas extremas.

Os olhos e também o rosto protegem-se com viseiras apropriadas, cujos vidros deverão resistir
ao choque, à corrosão e às radiações, conforme os casos.
Os óculos de protecção devem ajustar-se correctamente e não devem limitar excessivamente o
campo de visão (no máximo 20%).
Os vidros dos óculos e viseiras de protecção são fundamentalmente de dois tipos:

- Vidros de segurança, transparentes, contra acções mecânicas ou químicas. Utiliza-se vidro


temperado ou plástico (termoplástico ou termoendurecível).
Exemplo de aplicação: trabalhos de rebarbagem e esmerilagem.

- Vidros coloridos, de efeito filtrante, contra acções ópticas. Podem utilizar-se os materiais
anteriormente referidos ou ainda vidro normal (sempre que não é previsível qualquer acção
mecânica).
Exemplo de aplicação: trabalhos de soldadura.

9.3.3 – Protecção das vias respiratórias

A atmosfera dos locais de trabalho encontra-se muitas vezes contaminada em virtude da


existência de agentes químicos agressivos, tais como: gases, vapores, neblinas, fenos,
poeiras.
A protecção das vias respiratórias é feita através dos chamados dispositivos de protecção
respiratória, cuja classificação se apresenta no seguinte esquema.

D I S P O S I T I V O S D E P R O T E C Ç Ã O

D e p e n d e n t e s d a a t mI n od s e f p e e r an da em s bt e i es n d t ea a t m

D i s p o s i t i v o s D f i sl t pr a o n s t i e t i s v o s c D o i ms p mo s o i t v i vi m o se na t u

F i l t r o F s i l t r o F s i l t r o Cs o m S e m C o m R l i e g g a e ç D n ã e eo r ga da ro r r a e f s a
q u í m m i c e o c s âc no im c o b v s i en n a t d i v l o a e s d n o t u i r l ma d a o ( r d e ed e o ( ax d i r eg c é a o n r m i o p ) r i m
o u o x i g é n i o

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Os dispositivos filtrantes (máscaras) só devem ser utilizados quando a concentração de


oxigénio na atmosfera é de pelo menos 16% em volume.

No caso da protecção contra gases e vapores através de filtros químicos, deverá ainda a
concentração dos mesmos não exceder 0.1% (2% para filtros grandes, tipo roscado ou caixa
filtro).
Os filtros mecânicos impõem-se na protecção contra partículas sólidas (poeiras ou fumos) ou
líquidas (aerossóis).
Também neste caso a concentração dos poluentes não poderá exceder um determinado valor,
que é função do seu grau de toxicidade.
Este vai igualmente condicionar a escolha do tipo de filtro.
Por último, existem os filtros combinados ou mistos (combinação de filtros químicos e
mecânicos), que se destinam à protecção simultânea de gases e partículas sólidas (ou
líquidos).
Se há deficiência de oxigénio na atmosfera e/ou elevada concentração de contaminantes na
atmosfera dos locais de trabalho devem ser utilizados dispositivos de movimentação de ar e
dispositivos autónomos.
Os primeiros utilizam um tubo ou mangueira de aspiração, estando o seu uso condicionado à
possibilidade de fornecimento de ar fresco na vizinhança do local de trabalho. Dado que neste
equipamento a resistência respiratória aumenta com o comprimento da mangueira deve limitar-
se este a 20 metros. Para maiores distâncias deve instalar-se um ventilador ou ligar-se a
mangueira a uma rede de ar comprimido.
Finalmente existem os dispositivos autónomos, que são normalmente utilizados por equipas de
auxílio e salvamento pois garantem uma autonomia total em relação ao ambiente permitindo a
maior mobilidade possível dos utilizadores.

Podem ser de garrafa (geralmente de ar comprimido) ou regeneradores.


Os primeiros são munidos de um manorredutor e de uma válvula de segurança. Possuem além
disso um dispositivo de alarme acústico, que é accionado quando a pressão da garrafa é de
cerca de 1/5 da pressão inicial.
Nos aparelhos regeneradores o ar move-se em circuito fechado, sendo o dióxido de carbono
expirado reconvertido em oxigénio através de um cartucho químico absorvente.
Em certos aparelhos existe uma provisão adicional de oxigénio.

9.3.4 – Protecção de ouvidos

Há fundamentalmente dois tipos de protectores de ouvidos: os auriculares e os auscultadores


(ou protectores do tipo casco).

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Os auriculares são introduzidos no canal auditivo externo e visam diminuir a intensidade das
variações de pressão que alcançam o tímpano. Os materiais empregados são: o algodão
(simples, impregnado com cera ou plastificado), a borracha e os plásticos.
Os auscultadores são feitos em material rígido, revestido internamente por material flexível.
Devem adaptar-se ao pavilhão auditivo, cobrindo-o totalmente.

O seguinte quadro sintetiza as principais vantagens e desvantagens destes dois tipos de


protectores.

AURICULARES AUSCULTADORES

Vantagens Desvantagens Vantagens Desvantagens


 Podem ser aliviados
pela conversação  Melhor actuação das
 Pequeno tamanho ou mastigação altas frequências
Quentes
 Leveza Adaptação mais difícil Facilidade de uso e
Adaptação rígida à
Facilmente usados O seu tamanho tem adaptação
cabeça
com capacete, óculos que ser Facilidade em colocá-
Dificuldade no uso com
ou qualquer outro individualizado los e removê-los
capacete, óculos ou
equipamento de Dificuldade no  Mais visíveis e por
qualquer outro
protecção controlo do seu uso consequência
equipamento de
 Mais frescos Necessitam de mais facilmente
protecção
 Mais confortáveis cuidados no seu uso e controláveis
Desconfortáveis
 Melhor atenuação de limpeza Tendência para um
quando usados durante
baixas  Não podem ser melhor ajustamento
períodos longos de
frequências usados quando o em períodos de tempo
tempo
canal auditivo longos
externo está
inflamado

A protecção individual deverá ser implantada em zonas onde o nível sonoro (equivalente)
exceder 85 decíbel (A), de acordo com a legislação em vigor.
Trata-se de um valor que não exclui totalmente o risco mas que é actualmente adoptado pela
generalidade dos regulamentos internacionais, inclusivamente pela norma portuguesa.

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9.3.5 – Protecção do tronco

O tronco é protegido através do vestuário que pode ser confeccionado em diferentes tecidos.
O vestuário deve ser cingido ao corpo para se evitar a prisão pelos órgãos em movimento. A
gravata ou cachecol constituem geralmente um risco devendo por isso ser evitados.
Em certos casos podem ser utilizados aventais contra a projecção de líquidos (corrosivos ou
não) ou contra radiações.
Há uma grande variedade de tecidos cuja utilização é condicionada pelo tipo de agente
agressor.

São utilizáveis fibras naturais (algodão, lã) ou sintéticas (poliester, poliamidas) no vestuário
normal de trabalho. A lã resiste melhor do que o algodão a altas temperaturas podendo ambos
ser impregnados com substâncias combustíveis. A sua resistência a produtos químicos é
limitada sendo preferencialmente substituídos por fibras sintéticas. Estas apresentam contudo e
geralmente maior inflamabilidade.
Certas fibras poliamidicas constituem excepção a esta regra sendo utilizadas em trabalhos sob
calor intenso e no combate aos incêndios.
Para protecção contra óleos e outros produtos químicos serão de preferir materiais plásticos
como o pvc.
Na defesa contra as radiações é aconselhável o couro. Cita-se como exemplo o caso das
soldadores, que ficarão igualmente protegidos contra os riscos das queimaduras.

9.3.6- Protecção dos pés e membros inferiores

A protecção dos pés deve ser considerada quando há possibilidade de lesões a partir de
efeitos mecânicos, térmicos, químicos, ou eléctricos.
Quando há possibilidade de queda de materiais, deverão ser usados sapatos ou botas (de
couro, borracha ou matéria plástica) revestidos interiormente com biqueiras de aço,
eventualmente com reforço no artelho e no peito do pé. É o caso de determinados trabalhos de
manutenção e conservação.
Em certos casos verifica-se o risco de perfuração da planta dos pés (ex.: trabalhos de
construção civil), devendo então ser incorporada uma palmilha de aço no respectivo calçado.

Os trabalhos em meios húmidos ou encharcados obrigam à utilização de botins de borracha de


cano alto, de preferência com solas anti-derrapantes (em pvc ou neopreno) para melhor
aderência ao solo.
Para resistir ao calor deve ser utilizado o couro ou, em casos mais graves, fibras sintéticas com
revestimento reflector (aluminizado).

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O couro é muito utilizado nas polainas dos soldadores, com vista à protecção dos membros
inferiores.
Também os joelhos podem ser protegidos utilizando joelheiras apropriadas.

9.3.7 – Protecção das mãos e dos membros superiores

Os ferimentos nas mãos constituem o tipo de lesão mais frequente que ocorre na indústria. Daí
a necessidade da sua protecção.
O braço e antebraço estão geralmente menos expostos do que as mãos não sendo contudo de
subestimar a sua protecção.
Como dispositivos de protecção individual usar-se-ão luvas, dedeiras, mangas ou braçadeiras.

As luvas são dispositivos mais frequentes e podem dispor 2, 3 ou 5 dedos.

Tal como já foi referido os materiais utilizados dependem do agente agressor e são
fundamentalmente os seguintes:

- Couro: tem boa resistência mecânica e razoável resistência térmica. Pode ser utilizado em
trabalhos com exposição a calor radiante desde que impregnados com uma película
reflectora. Permite a respiração cutânea em virtude da sua porosidade.

- Tecidos: são utilizados em trabalhos secos, que não exijam grande resistência térmica ou
mecânica. Dada a sua porosidade e flexibilidade, são geralmente agradáveis para o
utilizador, permitindo a realização de trabalhos finos. Com determinados acabamentos é
possível obter uma razoável resistência térmica e mecânica.

- Borracha natural (látex): é utilizável em trabalhos húmidos e em presença de ácidos ou


bases. É contra indicada para óleos, gordura ou solventes. Não é porosa e no caso de
utilização demorada pode provocar irritação da pele. As luvas de protecção contra a
corrente eléctrica (alta tensão) são em borracha natural, tendo gravados o nome da
entidade testadora e a voltagem de ensaio.

- Plásticos: são de vários tipos (pvc, neopreno, perburano, polietileno) e utilizados, em geral,
para substâncias agressoras (óleos, solventes, gorduras). Resistem aos líquidos, gases e,
em certos casos, a substâncias radioactivas. Não podem ser utilizados em certos trabalhos
ao calor. Determinados tipos de luvas destes materiais são também bastante flexíveis e
resistentes ao corte.

- Malha metálica (em aço): é utilizada contra o risco de corte ou ferimentos graves nas mãos,
em trabalhos com lâminas afiadas (em talhos e matadouros). A luva de malha metálica
pode ser combinada com uma luva de couro ou de tecido para maior comodidade de
utilização.

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Como meio de protecção da pele das mãos contra acção agressiva de certos produtos
químicos (ácidos, bases, detergentes, solventes) podem ainda utilizar-se cremes protectores.

Estes são aplicáveis depois de lavar as mãos e formam uma película muito fina que não altera
a sensibilidade táctil e resiste durante algumas horas.
A sua protecção não é obviamente tão eficiente como a que se obtém pelo uso das luvas.

9.3.8 – Protecção contra quedas. Cinto de segurança

Em todos os trabalhos que apresentem risco de queda livre (ex.: construção civil, montagens)
deve utilizar-se o cinto de segurança. Este deve ser ligado a um cabo de boa resistência, que
pela outra extremidade se fixará num ponto conveniente. O comprimento deve ser regulado
segundo as circunstâncias, não devendo exceder 1,4 metros de comprimento.
O cinto de segurança poderá ser reforçado com suspensórios fortes e em certos casos
associado a dispositivos mecânicos amortecedores de quedas.
INDICE:
I - INTRODUÇÃO AO DIREITO______________________________________________2

II - QUADRO NORMATIVO DE RISCOS PROFISSIONAIS________________________21


1. Âmbito de aplicação das Leis ____________________________________________23
2. Obrigações dos empregadores_____________________________________23
3. Obrigações e deveres dos Trabalhadores ___________________________25
3.1 Responsabilidade pelo não cumprimento das obrigações_______26
3.2 Direitos dos trabalhadores ________________________________26
4.1 Formação, informação e consulta dos trabalhadores _________________27
4.3 A consulta previa aos trabalhadores_______________________________29
III - Organização dos serviços de higiene segurança e saúde no trabalho__________31
1. Modalidades dos serviços_________________________________________31
2. Serviços internos________________________________________________32
3. Serviços Interempresas___________________________________________35
4. Serviços Externos_______________________________________________37
5. Saúde no Trabalho________________________________________________42
IV - OS ACIDENTES DE TRABALHO E AS DOENÇAS PROFISSIONAIS____________46
1. Os Sujeitos______________________________________________________46
2. O Conceito de Acidente de Trabalho_________________________________47
3. Extensão do Conceito de Acidente de Trabalho________________________48
4. Exclusão da responsabilidade______________________________________50
5. Direitos de indemnização__________________________________________50
6. Direitos e deveres do trabalhador durante o período de incapacidade temporária
parcial_________________________________________________________________51

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7. As Doenças Profissionais__________________________________________53
V – Sinalização de Segurança______________________________________________54
VI – Dispositivos de protecção individua_____________________________________57

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