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CONTESTAÇÃO - DECLARATÓRIA DE NULIDADE DE TÍTULO JUDICIAL - TÍTULO

PROTESTADO - NOVO CPC

EXMO. SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA ____________ DA COMARCA DE


__________________ - ___

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____________ Ltda. Já devidamente qualificado nos autos da DECLARATÓRIA DE


NULIDADE DE TÍTULO, ação supra que lhe move ____________, por seu procurador
infra-assinado, vem, respeitosamente perante V. Exª, apresentar sua
CONTESTAÇÃO, com fulcro no artigo 335 do CPC/2015
e o faz pelos fundamentos a seguir expostos:
O requerido ajuizou ação de cobrança de aluguéis contra o requerente, perante o Juizado
Especial Cível desta Capital, vindo este último a ser condenado, em sentença já transitada em
julgado (conforme cópia e certidão anexas), ao pagamento da quantia líquida de R$ ______
(_________ reais).
Preenchendo os requisitos legais, o requerido apresentou o título judicial a protesto. E
chegando o ato ao conhecimento do requerente, este cuidou de ajuizar ação de sustação de
protesto, com o intuito de obstar a sua anotação.
Assim, dando regular prosseguimento à ação, o autor intentou a presente ação principal
declaratória de nulidade de título. O autor, dissimuladamente, alega a inexistência de
qualquer relação jurídica entre as partes que pudesse ensejar a criação do título. Fundamenta
seu pedido dizendo que, sendo a sentença um título executivo judicial, caberia ao credor
propor ação de execução, sobremaneira por ser ela ilíquida e carecedora de acertamento do
quantum debeatur, além de suscitar a impossibilidade legal do protesto do decisório.
Todavia, o pedido inicial apresenta-se ausente de qualquer fundamentação jurídica idônea a
ensejar o seu julgamento de procedência, conforme será demonstrado.

PRELIMINAR DE INVIABILIDADE DA PRESENTE AÇÃO DECLARATÓRIA

A presente ação visa a declaração de nulidade do título executivo judicial, qual seja, a
sentença proferida na ação de cobrança de aluguéis ajuizada pelo réu perante o Juizado
Especial Cível desta Capital. Entretanto, olvida-se o autor de que se trata de sentença
condenatória que já foi alcançada pelo manto da coisa julgada, operando seus efeitos
positivos e negativos, quais sejam, o de impedir nova discussão sobre a lide solucionada e o
de dever ser respeitado, em outras demandas, o assentado na decisão.
Assim, não é a relação jurídica constante da sentença passível de ser declarada nula pela ação
proposta. Legalmente, só seria possível a desconstituição do título judicial por meio de ação
rescisória proposta perante Tribunal.
Esse é o entendimento dominante da doutrina pátria, senão veja-se:
"E, 'quando a sentença é nula, por uma das razões qualificadas em lei, concede-se ao
interessado ação para pleitear a declaração de nulidade'.
Trata-se da ação rescisória, que não se confunde com o recurso justamente por atacar uma
decisão já sob o efeito da res judicata. [...] A ação rescisória é tecnicamente ação, portanto.
Visa a rescindir, a romper, a cindir a sentença como ato jurídico viciado. Conceituam-na
Bueno Vidigal e Amaral Santos como 'a ação pela qual se pede a declaração de nulidade da
sentença'". (THEODORO JÚNIOR, Humberto. Curso de direito processual civil. 28. ed. Rio
de Janeiro: Forense, v. I, 1999. p. 651-652).
Assim, resta clara a inviabilidade da presente ação proposta pelo autor, a fim de desconstituir
sentença já transitada em julgado. Inexistindo, pois, um processo principal viável, não se
pode julgar procedente a ação, sob pena de ferir-se a ordem jurídica, devendo, portanto, ser
julgado improcedente o pedido inicial.

DA POSSIBILIDADE LEGAL DO PROTESTO DE TÍTULO JUDICIAL

O primeiro artigo da lei que dispõe sobre protestos de títulos, Lei nº 9.492, de 10.09.1997,
além de emitir o conceito legal do instituto jurídico, admite a possibilidade de levar-se a
protesto qualquer documento de dívida. Veja-se:
"Art. 1º Protesto é o ato formal e solene pelo qual se prova a inadimplência e o
descumprimento de obrigação originada em títulos e outros documentos de dívida."
A doutrina é acorde quanto à qualidade dos títulos que podem ser protestados: qualquer
documento de dívida não paga. Comporta aqui mencionar-se a lição de JOÃO ROBERTO
PARIZATO, que, em sua obra "Nova Lei de Protesto de Títulos", Editora de Direito,
assevera:
"O protesto de títulos se faz como medida probatória de falta de cumprimento de determinada
obrigação firmada em título de crédito ou outros documentos de dívida, pressupondo-se que
esse tenha vencido e não tenha sido pago pelo devedor".
Destarte, sendo a sentença apresentada a protesto é um documento que contém obrigação
líquida, exigível e não paga pelo devedor, não há falar-se na impossibilidade do
aperfeiçoamento de seu protesto.
Para ilustrar, reproduz-se jurisprudência pertinente à matéria:
APELAÇÃO CÍVEL - AÇÃO CAUTELAR DE PROTESTO - PROTESTO DE TÍTULO
JUDICIAL - POSSIBILIDADE - INTERPRETAÇÃO DO ARTIGO 1º DA LEI Nº
9.492/1997 - ILIQUIDEZ DO TÍTULO - INOCORRÊNCIA. É perfeitamente viável a
realização do protesto de título executivo judicial por força do disposto no artigo 1º da Lei nº
9.492/1997. Inexiste qualquer óbice no ordenamento jurídico no sentido de efetuar o protesto
de título executivo judicial. A apuração dos valores objeto da condenação exige simples
cálculos aritméticos e a possível ocorrência de eventual excesso na cobrança promovida pelo
exequente não retira a liquidez do título que fundamenta a sua pretensão. (Apelação Cível nº
0238485-92.2006.8.13.0372, 14ª Câmara Cível do TJMG, Rel. Rogério Medeiros. J.
14.07.2011, unânime, Publ. 09.08.2011).

De salientar-se que o título executivo judicial levado a protesto, em estreita atenção às


disposições legais, enuncia obrigação líquida, o pagamento da quantia já mencionada, pois a
Lei nº 9.099, de 26.09.1995, que dispõe sobre os Juizados Especiais Cíveis e Criminais, em
seu art. 52, I, prevê que "as sentenças serão necessariamente líquidas". Quanto à sua
exigibilidade, está ela comprovada pela sua certidão de trânsito em julgado.
Aliás, improcedente o argumento do autor de que não pode o título judicial ser protestado, em
razão do procedimento correto ser a execução.
Ora, o processo de execução é instrumento colocado à disposição do credor para ver
implementado no mundo real o seu direito constante de um título. Contudo, toca também ao
credor a faculdade de protestar esse mesmo título, uma vez que o protesto servirá de prova da
inadimplência do devedor. Dentro da ordem jurídica vigente, o protesto e o processo de
execução podem perfeitamente coexistir. São institutos distintos e sem qualquer
incompatibilidade legal.
Assim, resta clara a possibilidade legal do protesto de sentença cível condenatória, o que
implica no necessário julgamento de improcedência do pedido inicial.

DO PEDIDO

Pelo que se expôs, requer o réu que seja imediatamente revogada a liminar concedida e, ao
final, julgado improcedente o pedido da vestibular, com a condenação do autor nas verbas
sucumbenciais de estilo.
A prova juntada ao processo cautelar, que ora se reproduz, já é mais do que suficiente para o
julgamento antecipado da lide. Se, entretanto, este não for o entendimento do douto juízo,
protesta pela produção de provas por todos os meios admitidos em direito.
Outrossim, requer a juntada do instrumento de mandato anexo e que o nome dos advogados
passem a integrar as intimações. O endereço dos advogados do réu, para intimação, é o
constante do timbre desta petição.

Nestes termos,

Pede deferimento.

[Local] [data]

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[Nome Advogado] - [OAB] [UF].