Você está na página 1de 67

Marcus De Mario

GESTÃO
HUMANIZADA
DE PESSOAS
Afetividade e Convivência na Empresa

MARCUS DE MARIO

1
Gestão Humanizada de Pessoas

Aviso – Direitos Autorais

Você está com o Ebook Gestão Humanizada de Pessoas, de Marcus De Mario, publicação
eletrônica comercializada pelo Autor. O Ebook é um livro no formato eletrônico, permitindo a
leitura e sua impressão para uso pessoal, e como todo livro, é protegido pela Lei de Direitos
Autorais e Conexos. Assim, qualquer cópia (digital, impressa ou por qualquer outro meio), ou o
envio deste arquivo a outras pessoas, sem autorização do Autor, significa violação dos direitos
autorais.
Nesse sentido apelamos à sua consciência ética:
Não copie nem envie este arquivo.
Divulgue o livro, incentivando sua compra. O autor dedicou parte dos direitos autorais para o
Instituto Brasileiro de Educação Moral (IBEM), organização não governamental sem fins
lucrativos, e o produto da venda deste livro permite a manutenção dos serviços gratuitos de
formação e capacitação de educadores que o Instituto desenvolve.
Respeite a lei. Somente assim teremos um mundo melhor.

2
Marcus De Mario

Gestão
Humanizada
de Pessoas
Afetividade, Convivência e Espiritualidade
na Empresa

3
Gestão Humanizada de Pessoas

Marcus De Mario

Gestão
Humanizada
de Pessoas
Afetividade, Convivência e Espiritualidade
na Empresa

4
Marcus De Mario

Gestão Humanizada de Pessoas


Marcus De Mario
1ª edição: agosto de 2008
Edição eletrônica no formato Ebook

Capa e Diagramação:
O Autor

Marcus De Mario
Rua Panamá, 40 fundos
Rio de Janeiro, RJ, CEP 21020-310
Tel. (21)3381-1429
www.marcusdemario.com.br
marcusdemario@gmail.com

O autor cedeu parte dos direitos autorais para o Instituto Brasileiro de Educação Moral.

Todos os direitos de reprodução, cópia, comunicação ao público e exploração econômica desta


obra estão reservados única e exclusivamente para o Autor. Proibida a reprodução parcial ou
total da mesma, através de qualquer forma, meio ou processo, sem a prévia e expressa
autorização do Autor, nos termos da legislação em vigor sobre direitos de autor e conexos.

5
Gestão Humanizada de Pessoas

Índice
Apresentação........................................................................................................................ 08
01. Espiritualidade na Empresa Significa.............................................................................. 11
02. O Homem Necessita Aprender....................................................................................... 14
03. O Homem........................................................................................................................ 17
04. A Afetividade................................................................................................................... 22
05. A Convivência................................................................................................................. 25
06. A Espiritualidade............................................................................................................. 28
07. O Relacionamento Interpessoal...................................................................................... 31
08. O Líder Espiritualizado.................................................................................................... 34
09. Amorterapia..................................................................................................................... 38
10. Vivenciando a Ética......................................................................................................... 42
11. Resolvendo Conflitos...................................................................................................... 45
12. Autoconhecimento e Crescimento Interior...................................................................... 48
13. Benefícios para a Empresa............................................................................................. 53
14. Estudo de Casos............................................................................................................. 55
15. O PACE........................................................................................................................... 61
16. Resultados dos Testes.................................................................................................... 63
Bibliografia............................................................................................................................ 65
Sobre o Autor........................................................................................................................ 66

6
Marcus De Mario

Minha gratidão a duas pessoas especiais, escolhidas por representarem todas as pessoas
que fazem diferença em minha vida:

À minha esposa
Marilia Alice Barbosa.

Ao meu amigo
Gerson Simões Monteiro.

E lembrança, com carinho, a Alkíndar de Oliveira, que me incentivou a entrar no mundo


empresarial com as idéias que já trabalhava no mundo educacional.

7
Gestão Humanizada de Pessoas

Apresentação

O objetivo da empresa não é o produto ou o serviço que oferta à sociedade, mas sim o
próprio homem, pois é ele quem pensa, quem idealiza, quem trabalha, quem produz, quem
consome.
Relações rígidas de trabalho são incompatíveis com bons resultados. Discriminações de
toda ordem também afetam negativamente o resultado final.
Quando a empresa foca o próprio homem, do porteiro ao diretor, o sinal verde se
estabelece nas relações e canaliza todos os esforços para um resultado satisfatório.
É assim que entendemos ser necessário a toda e qualquer empresa trabalhar
constantemente a afetividade, a convivência e a espiritualidade de todos os homens e
mulheres envolvidos no seu processo interno de trabalho, se deseja realmente cumprir não
apenas um papel produtivo, mas, acima disso, cumprir um papel social de relevância no
desenvolvimento da humanidade.
A crescente infelicidade dos colaboradores em seu ambiente de trabalho, por ausência
de uma “causa” que os valorize e motive, seja por parte da empresa ou por parte dos
colaboradores, revela que há uma procura pelo significado, importância e realização do
trabalho e não pelo simples “melhor salário”. Entendemos que a empresa deve valorizar o
“fazer” de seus colaboradores, e ainda mais: deve valorizar o homem, seja ele colaborador,
fornecedor ou cliente para conseguir fidelidade e comprometimento.
Investir no ser humano como pessoa, eis a chave do sucesso empresarial, o diferencial
ético e de responsabilidade social que deve caracterizar a empresa do terceiro milênio.
Nesse contexto, o amor nas relações de convivência é fundamental. Somente laços de
afeto e amizade construindo ideais comuns elevam o homem do seu dia-a-dia, estimulando o
desabrochar de suas potencialidades criativas e, ainda mais, aguçando sua intuição espiritual,
quando ele passa a ser sensível e a trabalhar com visão profunda de si mesmo, dos outros e
da vida.
A afetividade, a convivência e a espiritualidade são indissociáveis e a Gestão
Humanizada de Pessoas tem por objetivo levar a empresa a adotar um novo paradigma,
fazendo do homem o sujeito de sua atenção e dedicação, olhando a vida na sua
transcendência, com foco no bem coletivo.
Este livro desenvolve aspectos muito importantes da Gestão Humanizada de Pessoas.
E para reflexão de todos nós sobre o papel da empresa na sociedade humana, ofereço as
seguintes palavras de Stephen Kanitz:
“O ser humano tropeça muitas vezes na vida. Já vi o desespero de mulheres abusadas,
já vi pessoas humildes entrarem em pânico porque os filhos contraíram câncer. Essas pessoas

8
Marcus De Mario

não precisam aprender a pescar. Elas precisam de assistência, carinho e compaixão.


Alcoólatras precisam de ajuda, um ouvido amigo, e não de cursos sobre os efeitos do álcool.
Dependentes químicos não precisam de cursos de "geração de renda", eles precisam de
compaixão, colo e um ombro carinhoso para poder adquirir forças para se reerguer sozinhos.
Órfãos, paraplégicos, portadores de hanseníase ou síndrome de Down, além de um curso de
três semanas, precisam de atenção dedicada anos a fio. (...) Hoje as empresas socialmente
responsáveis estão usando critérios capitalistas para escolher projetos sociais, querem
"investir", querem "retorno", querem "alavancar". Por isso, adoram projetos que ensinam a
pescar, porque o "retorno sobre o investimento" é elevado. Com esses critérios tipicamente
neoliberais, nenhuma empresa investe mais no velho, no tetraplégico, no cego, porque "não
compensa". Empresário só "investe" em crianças, danem-se os doentes terminais. É o
neoliberalismo social sobrepujando o humanismo cristão. (...) Se sua empresa é uma dessas
que fazem questão de não dar o peixe e somente ensinam a pescar, repense sua posição.
Muita gente necessitada vai preferir o apoio e a mão amiga de sua equipe a umas brilhantes
aulas”.
Eis o novo paradigma, o novo cenário que estamos construindo, e que Stephen Kanitz
chama de “humanismo cristão”, e que desdobramos como Gestão Humanizada de Pessoas,
onde valorizar o homem no seu potencial é mais importante do que valorizar o lucro, até
porque homens valorizados naquilo que eles são: pessoas, gente, seres humanos,
estabelecem melhor qualidade em todas as operações no mundo do trabalho.
No final do livro apresento, de forma resumida, o PACE – Programa Afetividade,
Convivência e Espiritualidade, criado para implantar a gestão humanizada de pessoas e a
liderança espiritualizada.
Marcus De Mario

Antes de seguir a leitura do texto, responda as seguintes perguntas:

1. Por que sou diretor e/ou gerente de uma empresa?

2. O que é uma empresa, e qual sua missão na sociedade?

3. Muitos dizem que hoje a empresa privada existe apenas para ter lucro. Você
concorda com essa opinião?

4. Qual é sua visão sobre a empresa pública?

5. Fala-se muito em gestão. Você se considera um gestor?

9
Gestão Humanizada de Pessoas

6. Qual critério você utiliza para fazer avaliação de seus colaboradores?

Agora que você respondeu as perguntas, prossiga a leitura do texto.

10
Marcus De Mario

Espiritualidade na
Empresa Significa

“Para saber gerir recursos humanos e financeiros


é preciso entender a alma humana”
Jack Welch

A Espiritualidade na empresa significa:

1. Manifestação da intuição e da criatividade.

2. Autoconhecimento.

3. Desenvolvimento da consciência.

4. Expressão das emoções.

5. Cooperação.

6. Revisão dos valores empresariais, com a premiação da qualidade.

7. Parceria social.

8. Respeito à religiosidade individual.

9. Benefícios coletivos com o trabalho individual.

10. O homem como centro (sujeito) da empresa.

11. Desenvolvimento do ser integral.

11
Gestão Humanizada de Pessoas

12. Estabelecimento de ideais superiores de vida.

13. Trabalho como oportunidade de aprendizado e crescimento interior.

14. Estabelecer relacionamentos.

15. Conexão com os sentimentos.

16. Desenvolver visão de profundidade.

Para implantar a espiritualidade na empresa é necessário ter consciência que não


estamos no mundo apenas para nos auto-satisfazer, e sim para aprendermos a servir as outras
pessoas.
A empresa precisa considerar as pessoas, pois são elas que fazem o ambiente, são
elas que desenvolvem os serviços que dão credibilidade e produtividade à organização.
Trabalhar a espiritualidade também significa entender a empresa como um ser vivo, e
não apenas como uma organização geradora de lucros, como se estatísticas, gráficos,
números – que são frios – pudessem ser mais importantes que a própria pessoa.
Complementando os dezesseis itens apresentados no início do texto, podemos ainda
dizer que espiritualidade é:

a) Capacidade de pensar, sentir e agir com base na crença de que existe algo maior do
que os aspectos materiais.
b) A busca de significado para o papel do ser humano na empresa, na família, na
sociedade, e o conseqüente equilíbrio dessas várias dimensões.
c) Uma postura de vida, sem rituais.
d) Conjunto de valores, como amor, esperança, liberdade, igualdade, etc.

Como Implementar a Espiritualidade

1. Semanalmente, realize sessões de ioga e meditação, que estimulam o


autoconhecimento.
2. Incentive o desenvolvimento espiritual por meio de responsabilidade social, levando
os colaboradores a servirem voluntariamente em creches e outras atividades semelhantes.
3. Reforce a consciência que ele faz parte do todo e que suas ações sempre acabam
voltando para ele mesmo (lei de reciprocidade).

12
Marcus De Mario

4. Trabalhe os objetivos e resultados de cada área com transparência, fortalecendo a


sensação de pertencimento.
5. Faça com que os profissionais tenham autonomia e assumam essa responsabilidade.
Eles fazem mais e melhor quando sentem que contribuíram com seu esforço.
6. Implante o princípio de que o que move o homem é o reconhecimento, celebrando as
conquistas.
7. Leve o colaborador a refletir sobre suas ações, encontrando suas próprias respostas.
8. Respeite a diversidade, pois ela é a base de todo o relacionamento profissional.

Agora, responda estas perguntas:

1. O que me levou a ler este livro?

2. Qual é a minha missão no mundo?

3. O que é espiritualidade?

História para Você Pensar – O Tempo


Dois colaboradores conversavam animadamente sobre o que fariam nas férias. Um
estava discorrendo sobre as reformas em sua casa. O outro dizia que gastaria suas férias em
passeios com a família. E assim discutiam sobre o que era mais importante: aproveitar esse
tempo para fazer na casa tudo o que era necessário, ou dedicá-lo a lazer sem maiores
preocupações. Não entrando em acordo, voltaram-se então para o chefe, que até este
momento observava a conversa, indagando qual dos dois estava com a razão. Ele pensou, e
respondeu: “Vocês dois estão certos, porque cada um sabe das suas necessidades e dos seus
sonhos. A questão não está em o quê se vai fazer, mas como se vai fazer e com que proveito,
porque o tempo não é nosso escravo. Ele vem e vai, e não retorna mais”. Os dois
colaboradores, compreendendo o alcance da lição, pararam de discutir e trataram de dar
continuidade ao serviço.

13
Gestão Humanizada de Pessoas

O Homem Necessita
Aprender

"As empresas que serão bem sucedidas no futuro serão aquelas que, na verdade, estão
tentando suprir a natureza e as necessidades básicas da vida"
Deepak Chopra

O homem necessita aprender:

1. A abdicar de pequenos objetivos egoístas.

2. A ceder parte de sua liberdade para melhor funcionamento do coletivo.

3. A delegar autoridade e poder para que o todo seja um conjunto harmônico.

4. A controlar seu ego (egoísmo) em favor dos objetivos comuns.

5. A superar o egoísmo através da eleição de um ideal de vida superior.

6. Que é mais importante o sucesso coletivo que o sucesso individual.

7. A ter visão abrangente e profunda, com melhor percepção do mundo.

8. A compreender os objetivos da empresa e sua responsabilidade social.

9. A sentir e compreender o outro, sabendo conviver com as diferenças.

10. A ser um realizador de sonhos.

14
Marcus De Mario

11. A resolver conflitos, harmonizando o ambiente de convívio e retirando lições de


aprendizado dos mesmos.

12. A respeitar o outro: o colega de trabalho, o fornecedor, o cliente, através do


relacionamento com amor.

13. A avaliar suas próprias atitudes, que devem favorecer a construção de um bom
ambiente de trabalho.

14. A meditar, a relaxar, a contemplar a si mesmo e a natureza.

15. A pensar e refletir sobre a vida.

16. A sentir sua espiritualidade e exercitá-la em atos de amor e bondade.

Responda:

1. O aprendizado humano, seguindo os dezesseis itens acima, é possível de ser


realizado no ambiente corporativo? Como?

Como o aprendizado depende da percepção de si mesmo, do exercício de


autoconhecimento, ofereço o teste Percebendo Sua Inteligência Intrapessoal para essa
avaliação, lembrando que testes não são definitivos, mas servem para nortear descobertas e
procedimentos.

PERCEBENDO SUA INTELIGÊNCIA INTRAPESSOAL

Para cada item abaixo atribua para você mesmo um valor de zero a quatro, sendo:

Zero – péssimo. Um – ruim. Dois – regular. Três – bom. Quatro – excelente.

1. Confiança Como está seu senso de controle e de domínio sobre a


maneira de encarar suas possibilidades de vencer ou de
fracassar nos projetos que põe em prática?

15
Gestão Humanizada de Pessoas

2. Curiosidade Como você se coloca diante da vontade de descobrir


coisas? Você sente, verdadeiramente, prazer em descobrir
coisas novas?
3. Autocontrole Você é uma pessoa capaz de controlar suas emoções,
dentro de limites? Você, ao ficar louco de raiva, retorna à
posição anterior após uma justificativa sobre o motivo que
o aborreceu? Você guarda raiva, medo, tristeza, frustração
e livra-se dessas emoções ou elas ficam, por muito tempo,
guardadas dentro de você?
4. Intencionalidade Você, quando aborrece alguma pessoa, o faz com
intenção de aborrecer? Quando você agride alguém que
lhe fez algo que não gosta, agride o gesto que o
desagradou ou a pessoa que fez o gesto?
5. Relacionamento Como se encontra sua capacidade de entrosar-se com
outras pessoas? Como você é visto por seus amigos?
Você acredita ser uma pessoa capaz de compreender,
mesmo, uma outra pessoa? Você acha que é
compreendido nos vários ambientes que freqüenta?
6. Comunicação Você é sempre claro nas idéias que passa? Até que ponto
as pessoas que o cercam sabem de seu amor por elas e
até que ponto você é, efetivamente, capaz de medir o
sentimento de amor que desperta em outras pessoas?
7. Cooperatividade Você é prestativo, sem ser puxa-saco? Você sabe
equilibrar suas necessidades com as do grupo?

16
Marcus De Mario

O Homem

“Eu achava que liderança era estilo,


mas agora sei que liderança é essência, isto é, caráter”
James C. Hunter

Objeto das preocupações científicas, religiosas, filosóficas, psicológicas, antropológicas


e de todos os ramos do conhecimento humano, paradoxalmente o ser do homem é o que
menos se conhece.
Quem somos?
De onde viemos?
O que estamos fazendo aqui?
Para onde vamos?
Essas e outras perguntas de mesmo valor estão perdidas entre respostas
desencontradas, isso porque confundimos o ser do homem com o ter do homem.
Quem e o que somos? A resposta a essas duas perguntas é fundamental, e para obtê-
la necessário se faz deixar claro nossa visão sobre o ser do homem.
O homem é o sujeito fundamental, por isso devemos procurar insistentemente uma
visão integrada do homem para compreendê-lo e compreender a própria existência.
São diversas as visões filosóficas sobre o homem, as quais podemos reunir em quatro
grandes grupos:

Perspectiva Essencialista (antropologia metafísica)


Imagem abstrata da natureza humana, idealista, sem dar conta do social.

Perspectiva Naturalista (antropologia cientificista)


O homem é um simples prolongamento da natureza orgânica.

Perspectiva Histórico-Social (antropologia existencialista)


O homem é a sua historicidade; o ser do homem só pode ser apreendido em suas
mediações históricas e sociais concretas da existência.

17
Gestão Humanizada de Pessoas

Perspectiva Holística (antropologia integral)


O homem é um ser bio-psico-social-espiritual.

A adoção de uma das perspectivas sobre o homem é essencial para que possamos
estipular valores, fins e normas.
A primeira perspectiva, idealista, não nos satisfaz porque estuda o homem sem levar
em conta os aspectos de sua vivência.
A segunda perspectiva, materialista, não alcança nosso propósito, pois tudo encerra no
biológico, deixando muitas questões sobre o ser sem respostas satisfatórias.
A terceira perspectiva, histórica, é incompleta, deixando de lado a realidade psíquica do
homem.
A quarta perspectiva, holística, é a que vem ao encontro do nosso pensamento e,
portanto, é a que adotamos ao visualizar o homem como um todo:

Bio - Porque vive num corpo orgânico e esse corpo mantém relações com outras
espécies e com a natureza.

Psico - Porque é dotado de variada gama de elementos psicológicos.

Social - Porque se mantém em estado de convivência com os outros e com a natureza,


desenvolvendo sua inteligência e sua moral.

Espiritual - Porque sua essência transcende o corpo e situa-se na alma, a verdadeira


individualidade, o ser do homem.

Ainda estudando o ser do homem, já tendo estabelecido a visão de homem integral,


podemos considerar, dentro da busca do próprio homem em conhecer a si mesmo, que ele é,
ao mesmo tempo:

Homem Corporal
Possui uma fisiologia orgânica; é um ser em constante evolução e carrega uma carga
genética repassada pela hereditariedade.

Homem Social
É dotado de comportamento individual, mas sofre influência do comportamento coletivo;
realiza seu progresso atestado pela história; possui formas próprias de organização política e
mantém relações econômicas individuais e com a coletividade.

18
Marcus De Mario

Homem Psíquico
Carrega em si uma natureza moral individual; realiza-se através de uma constituição
psicológica própria e sofre influência da educação.

Homem Espécie
É autor e produtor de sua própria cultura.

Homem Espírito
É ser extrafísico, dotado de potencialidades transcendentes; possui imensa carga de
intuição e utiliza a criatividade para externar seu potencial interior.

A individualidade do homem, porque não somos iguais a nenhum outro homem, possui
três características que não devem ser esquecidas no ambiente empresarial:

1. Grau de Desenvolvimento
Cada ser humano está num determinado patamar de desenvolvimento intelectual,
moral, cultural, social, biológico, espiritual. Saber conviver com as diferenças individuais num
mesmo setor de trabalho e no ambiente corporativo como um todo, é fundamental para o bom
desenvolvimento da empresa.

2. Tendência Inata
Você já reparou que cada ser humano é dotado de uma potencialidade à qual damos o
nome de tendência inata, por se tratar daquilo que ele já traz em si mesmo, independente das
influências educacionais e sociais que recebe? Dizemos que já está nele mesmo, e é o que o
impulsiona para se realizar na vida. Quando desconsideramos as tendências inatas do
trabalhador, temos problemas a gerenciar.

3. Missão do Homem
Todos nós temos uma missão a cumprir durante a existência. Facilitar o cumprimento
dessa missão deve fazer parte dos compromissos da empresa com o homem. Isso pode ser
feito através da abertura de espaços para a criatividade, para a convivência, para a afetividade.

É direito legítimo do homem desenvolver e expressar sua individualidade.

• Expressar através da afetividade.


• Expressar através da convivência.
• Expressar através da espiritualidade.

19
Gestão Humanizada de Pessoas

O homem é essencialmente um ser livre, possuindo:

Liberdade de escolha.


Moralidade.


Consciência.


Responsabilidade.

Essa liberdade possui condicionantes:

1. Pelo seu grau de desenvolvimento individual.


2. Pelo seu corpo, mais perfeito ou menos perfeito.
3. Pelo meio social, através das leis e regras estabelecidas.

Quando a empresa não leva em consideração o homem como um ser integral e


descarta sua responsabilidade social, não interagindo com a família e outras instituições
sociais às quais pertence o homem, está perdendo contato com o ser do homem e passa a tê-
lo apenas como objeto e não como sujeito.
Nesse estado, já é uma empresa falida em si mesma, pois o lucro, a produtividade, o
marketing e tudo o mais dependem sempre do homem, não apenas de um só homem, seja
este o dono ou o diretor-presidente, mas de todos os homens envolvidos em seu processo
interno.
O desrespeito ao ser do homem é a causa de tantos malefícios, como o capitalismo
selvagem, o desequilíbrio ecológico, a desestrutura moral, a inversão dos valores da vida.
A humanização e espiritualização do ambiente corporativo e de suas relações
institucionais não são um projeto, é uma realização para o aqui e agora.
O ser da empresa é o ser do homem.

Calma, antes de prosseguir a leitura, leia as perguntas abaixo, reflita, e em


seguida dê suas respostas:

1. Com as informações sobre o homem integral, seu olhar sobre os colaboradores


sofreu transformação?

20
Marcus De Mario

2. Você sabe conviver com as diferenças individuais no seu setor de trabalho?

3. Liberdade individual com responsabilidade coletiva é possível no ambiente


corporativo?

História para Você Pensar – O Sábio


Conta-se que em tempos remotos, no oriente, existia uma academia de sábios
devotados a pensar nas grandes questões da vida. Por exigência de seus labores delicados, o
silêncio era um atributo apreciado e praticado. Certa vez, apresentou-se um candidato para
fazer parte daquele seleto número de sábios. Como era de praxe, o candidato foi submetido a
um teste, onde raros conseguiam aprovação. Um dos sábios dirigiu-se a uma lousa e escreveu
o número mil, colocando em seguida um zero à esquerda do número, fazendo entender que o
candidato nada somava à academia e ao saber. Este, com muita calma, apagou o zero e
transferiu-o para a direita, transformando o número mil em dez mil. Todos admiraram sua
sabedoria. Em seguida o chefe dos sábios encheu uma taça de vidro até a borda, de tal
maneira que mais uma gota faria transbordar o líquido, e, com um gesto, convidou o candidato
a resolver a questão. Ele foi até um jarro com flores, arrancou uma pétala e, delicadamente,
pousou-a sobre o líquido, tornando a taça mais bela. Assim, diante dessas demonstrações de
sabedoria, o candidato foi admitido na academia.

21
Gestão Humanizada de Pessoas

A Afetividade

“Não ame simplesmente o que você faz, ame o próximo!”


Roberto Shinyashiki

A afetividade de um ser para outro ser significa dedicação, amizade, simpatia e amor
em ação constante.
Dedicar-se é trabalhar junto, promovendo os estímulos que auxiliam o outro em seu
desenvolvimento, para isso abrindo mão, no sentido positivo, do próprio ego.
A simpatia por alguém significa renovar as próprias sensações, sublimando-as,
procurando edificar o coração para o trabalho construtivo e legítimo da fraternidade.
Já a amizade sincera, verdadeira e leal, é, sem dúvida, a mais formosa expressão do
amor fraterno. O verdadeiro amigo é agente da felicidade e da paz. Sabe espalhar por todo e
qualquer ambiente as vibrações dos sentimentos puros.
Quando trabalhamos a afetividade, como acima compreendemos, o ambiente de
trabalho se transforma em ambiente afetivo, onde todos interexistirão em paz.
A afetividade é a negação da indiferença, perigosa cristalização dos sentimentos que
desarmoniza as relações, desestrutura o ambiente e estimula o egoísmo no lugar da
cooperação e da solidariedade. A afetividade tudo compreende e acolhe. A indiferença tudo
desequilibra e enregela.
Outro componente da afetividade podemos chamar de energia serena, pois ela
pressupõe a correção dos erros (nossos e dos outros), mas sem a imposição da cólera, da
explosão nervosa, quando damos asas ao instinto primitivo que destrói. A energia serena da
afetividade, pelo contrário, somente constrói.

A afetividade é luz que ilumina coração a coração, faz crescer os sentimentos e


desenvolve laços eternos de amizade.

Utilizando a afetividade compreendemos que fica muito mais fácil reparar erros e
resolver conflitos, bastando seguir o seguinte esquema:

22
Marcus De Mario

Remorso
(conflito íntimo sobre as próprias atitudes)

Arrependimento
(reconhecimento do erro e desejo de reparação)

Esforço Regenerador
(autoconhecimento e construção do bem)

Renovação dos Valores Morais


(auto-educação, novos ideais de vida, amor ao outro)

Você deve sentir o trabalho que realiza. Ele faz parte de você, mas sente somente
aquele que coloca o coração no que faz.

Aprofundemos o assunto com as seguintes questões:

1. Você é capaz de estabelecer laços de amizade com seus colaboradores?

2. De forma prática, redija um roteiro para construir a energia serena no ambiente de


trabalho.

História para Você Pensar – O Problema Não é Meu


Conversa entre dois colaboradores:
— Sabe, eu faço minha parte no serviço, o resto não é problema meu.
— Mas você faz parte de uma equipe.
— Sim, sei disso, mas não posso fazer pelos outros, não é mesmo?
— Nem mesmo colaborar espontaneamente?
— Que é isso, se eu der uma ajuda aqui, outra ali, não vou mais ter sossego.
— Mas bem que você, vez ou outra, gosta de ser ajudado.
— Pois meus colegas não fazem mais que a obrigação.
— Então, se estou entendendo, embora seja uma equipe, as regras são diferentes, ou
seja, o que vale para você não vale para os outros.
— Não é bem assim, mas para certas coisas deve ser assim.

23
Gestão Humanizada de Pessoas

— Sei, interessante...
— Por exemplo, veja o meu caso. O computador em que trabalhava já estava velho. Dei
um jeito para quebrá-lo, e assim me darem um novo.
— O quê, você quebrou o computador da empresa?
— Disse-o bem: da empresa, não tenho nada a ver com isso, não é problema meu.
— Está certo, mas, antes que eu esqueça, passei no estacionamento e furei o pneu do
seu carro.
— O quê, você furou o pneu do meu carro? Está louco?
-—Isso mesmo, é o que você ouviu.
— Mas o carro não é seu, é meu.
— Bem lembrado, como o carro não é meu, nada tenho a ver com isso, não é problema
meu.

24
Marcus De Mario

A Convivência

"Um superior que trabalha no seu próprio desenvolvimento


constitui um exemplo quase irresistível"
Peter Drucker

Todo e qualquer espaço social é um espaço de convivência, destacando-se entre eles a


família, a escola e também a empresa, pois são espaços aos quais dedicamos grande tempo
de nossa existência.
A convivência significa saber viver com o outro, compartilhar pensamentos, emoções,
ideais.
Ninguém vive sozinho e todos nós construímos relações com aqueles que, de uma
maneira ou outra, participam da nossa vida.
Nossa existência é conhecida por nossa biografia, e toda biografia revela a história da
minha vida com a vida de outras pessoas, ou seja, ao longo do tempo e através de diversos
eventos, vamos construindo uma biografia rica ou pobre de relações com outras pessoas,
como, por exemplo, os colegas de trabalho profissional.
É por isso que o espaço de convivência empresa é importante, pois diariamente
exercitamos a construção de relações que influenciam de modo positivo ou negativo em nossa
biografia existencial.
Agora, antes de prosseguir, responda:
Como construir boas relações?
Anotou sua resposta? Veja se as três ferramentas abaixo podem facilitar a construção
de boas relações.

1. Tempo
Ouvimos muito as pessoas dizerem: “eu não tenho tempo”, mas é necessário colocar
em ordem de prioridade as necessidades e ideais, para racionalizar o uso do tempo que
dispomos. E arrumar tempo para estar com outro é fundamental. Não podemos fazer do
ambiente profissional um espaço apenas de trabalho, de produção, pois ele também precisa
ser um ambiente para as relações de convivência.

25
Gestão Humanizada de Pessoas

Tempo para conviver, relacionar-se saudavelmente, deve ter espaço na agenda de


trabalho da empresa.
Ambiente de coleguismo, de confraternização, enriquece as relações e torna mais
produtivo o serviço.

2. Diálogo
Para bem conviver o homem necessita conversar, exercitando o diálogo. Não é disputa
verbal para ver quem ganha, é troca de idéias e opiniões para se chegar ao melhor consenso.
Conversar de forma natural.
Possibilitar que cada um caminhe do ponto em que se encontra.
Permitir acesso ao próprio coração.
Abrir-se para o coração do outro.
Eu falo, mas também ouço.
Defendo minhas idéias, aprendo a aceitar outras idéias e sei abrir mão do meu ponto de
vista em favor de outras idéias.

3. Serviço
Não se trata do trabalho profissional obrigatório, do exercício das minhas funções, mas
sim do serviço pessoal gratuito, voluntário, em favor de outro ser. É aquela ajuda espontânea e
natural que podemos dar nas tarefas do cotidiano.
Ajudar desinteressadamente, cooperando nas tarefas de um colega de trabalho é
serviço que facilita e amplia os laços de convivência.
Auxiliar, como voluntário, instituições sociais de auxílio ao próximo, desenvolvendo
nosso potencial afetivo.
Colocar em ação, de forma integrada, essas três ferramentas – tempo, diálogo, serviço
– é contribuir de forma decisiva para fazer da empresa um espaço de convivência fecundo,
generoso e prazeroso.

Antes de prosseguir, responda:

1. O que é saber conviver com o outro?

2. Sua biografia de vida revela relacionamentos profundos ou superficiais?

3. Quem é mais difícil na convivência: os outros ou você?

26
Marcus De Mario

História para Você Pensar – Não Faça O Que Eu Faço


Convidado para fazer uma palestra sobre humanização da convivência no ambiente de
trabalho, em grande evento, o consultor chegou no horário combinado e foi surpreendido com a
notícia que o auditório estava ocupado por um grupo que ainda fazia sua apresentação, e que
sua palestra, portanto, iria atrasar. Paciente, o consultor ficou aguardando. Nisso, o
responsável pelo grupo veio conversar, pedindo desculpas pelo atraso e demonstrando muito
nervosismo.
— Não sei como o senhor pode manter essa calma.
— É preciso ter compreensão – respondeu o consultor.
— Eu agradeço pela sua compreensão, mas, sinceramente, se isso acontecesse
comigo, eu já teria exigido providências da organização do evento.
— Mas, meu amigo, este não é um evento sobre humanização na empresa?
— É, sim. - confirmou o responsável.
— Então, se a humanização não começar entre nós, que somos os seus idealizadores,
como as outras pessoas a colocarão em prática?
Surpreso com essa resposta, o responsável nada mais disse, e, esboçando um sorriso
amarelo, afastou-se para providenciar que seu grupo terminasse a apresentação.

27
Gestão Humanizada de Pessoas

A Espiritualidade

"A evolução da espiritualidade se expressa pela criatividade, pela intuição e, o mais


importante, através de mecanismos cognitivos e perceptivos, que resultam em
habilidades extraordinárias, que são uma expressão da não localidade para ver o futuro
e se ter uma experiência telepática, clarividente, lembranças de outras vidas e milagres.
Tudo isso é uma expressão dessa potencialidade que existe em cada ser humano"
Deepak Chopra

Somos seres integrais, e, desse modo, dotados de inúmeras e profundas


potencialidades, todas elas suscetíveis de desenvolvimento.
Somos o “ser” e não o “ter”.
Tudo o que possuímos pode ser expandido, pode elevar-se ao estado de
transcendência pela força de vontade de que somos dotados, independente das circunstâncias
materiais da existência.
O homem é um ser integral – bio-psico-sócio-espiritual – e é assim que deve ser visto e
entendido pela empresa, sem distinção de cultura, raça, cor, religião e outras, pois tudo isso é
passageiro, modificável e não representa o todo que é a alma.
Quantos inúmeros exemplos de pessoas humildes, saídas de ambientes pobres e
hostis, mas que venceram na vida e deram exemplos de nobreza do caráter? De outro lado,
quantos deploráveis exemplos de pessoas que, malgrado a boa cultura, a boa posição social e
as facilidades financeiras, não derrocaram com espalhafato ou viciaram com seu mau caráter a
sociedade?
Afirmamos: o homem não é a sua aparência, mas o seu interior, o seu íntimo é que
revela a sua essência.

Como seres integrais que somos, possuímos atributos espirituais que devem ser
desenvolvidos e aplicados em nós mesmos e em nossa ambiência existencial, onde e
com quem estejamos.

O homem, esse ser integral, revela-se através da intuição e da criatividade.

28
Marcus De Mario

Pela intuição o homem transcende a si mesmo e coloca em ação seu potencial anímico,
deixando que sua consciência seja conduzida pelas inspirações provindas do cosmos. Não é
um êxtase místico, mas poder anímico concentrado pela força de vontade e vitalizado pelas
inspirações emanadas dos seres que nos amam e do universo e, por isso, tudo se torna
solidário.
A criatividade o coloca acima do lugar comum, estimula sua auto-estima e faz brotar
potencialidades que estavam adormecidas. Mas, para que a criatividade coloque-se em ação, o
ambiente de trabalho deve oferecer condições para sua manifestação, e o prêmio pela
qualidade da capacidade criadora deve ser o grande estimulador, o combustível para o
crescimento profissional.
Contudo, tanto a intuição como a criatividade, podem produzir belas obras
impulsionando o homem para seu progresso intelectual e moral constante, como podem
traduzir-se em conceitos e obras degradantes, desviando o homem de ideais superiores de
vida.
Somente a força dos bons exemplos, do estudo do bem e do belo, do estudo das obras
dos grandes gênios da arte e da cultura, e do contato com as inspirações das idéias
espiritualistas, podem levar a intuição e a criatividade para o campo da espiritualidade que
constrói e eleva a alma, e a empresa deve ser facilitadora desse processo para seus
colaboradores.

O exemplo tem o poder de transformar, muito mais que as palavras num discurso. A
espiritualidade do ser só é verdadeira se acompanhada do exemplo.

O homem mecânico, atrelado a um trabalho repetitivo e medido pela quantidade de


produção, não é, e não pode ser, um homem criativo e, ainda menos, um homem intuitivo.
A empresa deve ser extensão natural da vida do homem, fornecendo a ele condições
humanizadoras e favoráveis ao seu crescimento interior, quando sua capacidade criadora será
um bem para a própria empresa, e sua sintonia com o eu profundo representará um ganho
inestimável para a empresa, a sociedade e a própria vida.

Mais perguntas para aprofundar o tema consigo mesmo:

1. Você acredita que as mudanças interiores nos indivíduos afetam o todo?

2. Você sabe abdicar de pequenos objetivos egoístas para que a equipe possa
funcionar melhor?

29
Gestão Humanizada de Pessoas

3. Como está seu domínio sobre a luta pelo poder, a demanda por “status”, as fofocas?
Você é daqueles que despendem grande energia pela competição por destaque pessoal, em
detrimento dos objetivos da equipe e da empresa?

4. Como você compreende a espiritualidade enquanto visão de que a vida é muito mais
do que obter tudo para si?

História para Você Pensar – Eu Aceitei


Contou-me um amigo, motorista de caminhão numa empresa transportadora, singela
conversa travada com seu patrão. A empresa estava renovando a frota de caminhões,
entregando novos modelos aos motoristas, e ele, que era um dos mais conceituados,
continuava dirigindo um velho caminhão. Certo dia, aguardando serviço, serviu de motorista ao
patrão, quando tiveram o seguinte diálogo:
— Não entendo você – disse o patrão – até agora não recebeu um caminhão novo e
nem reclama.
— Eu sei que chegará minha vez – respondeu.
— Seus colegas não ficariam assim tão pacientes e confiantes.
— Confio na empresa, que nunca me faltou.
O patrão foi mais incisivo:
— E se a empresa não lhe der um caminhão novo, você vai ficar assim, conformado?
O motorista meu amigo pensou por uns instantes e respondeu:
— Sabe, senhor, quando cheguei na empresa, foi-me dito quais eram as condições de
trabalho e o salário, e eu aceitei. Foi-me entregue o caminhão, e eu aceitei. Não tenho queixas.
Quando sentir que a empresa não satisfaz mais as condições que eu aceitei, eu o procurarei e
farei minhas reivindicações. Se elas forem aceitas, muito bem, do contrário avisarei que vou
procurar novas condições no mercado de trabalho.
E arrematou:
— Como posso me queixar da empresa que até agora cumpre as condições que eu
mesmo aceitei?
Admirando a sabedoria do seu motorista, o patrão seguiu viagem em silêncio.

30
Marcus De Mario

O Líder Espiritualizado

“Hoje as companhias precisam contar com o coração, a mente e o espírito dos


seus colaboradores. E só se consegue isso quando o líder deixa de lado o desejo de
poder e serve, em vez de ser servido”
James C. Hunter

Relações humanizadas no ambiente de trabalho requerem um novo tipo de líder: o líder


espiritualizado, também conhecido como líder servidor. Ele possui algumas características bem
marcantes:

1. É ético.
2. Sabe ajudar os colegas.
3. Serve aos outros em vez de ser servido.
4. Reconhece que depende da equipe para crescer.
5. É motivado pela necessidade de servir ao mundo, e não somente a empresa.
6. Desenvolve visão global.
7. Possui perspectiva social sobre sua missão e a da empresa.
8. Se preocupa com a situação mundial.
9. Possui visão de futuro, construindo o cenário de amanhã a partir das ações do
presente.
10. Pratica a meditação e reflete muito antes de tomar uma decisão.
11. É admirado pela sua sabedoria e seu bom senso.
12. Tem comprometimento com a responsabilidade social e a ética.
13. Sabe ouvir seus colaboradores antes de tomar uma decisão.

O líder espiritualizado não tem medo, ou vergonha, de trabalhar a palavra “amor” no


ambiente de trabalho.
Um bom começo para sua transformação como diretor ou gerente é perguntar-se:

A quem sirvo e com que objetivo?

31
Gestão Humanizada de Pessoas

A resposta deve deflagrar um processo profundo de mudança de comportamento, que


exige disciplina de investir tempo para refletir sobre seu papel e sua missão na vida. É uma
proposta para vivenciar um processo de autoconhecimento contínuo.

Calma. Não siga afoitamente pelo texto. Antes, responda:

1. Os colaboradores estão conscientes dos valores da empresa?


2. Trabalham por esses valores ou apenas obedecem regras?
3. São estimulados pelos seus valores, o que é qualitativo, ou são impulsionados por
metas quantitativas a serem atingidas?

Se você já tem respostas claras a essas indagações, continue a leitura.


O líder espiritualizado deve pensar sobre essas questões e verificar o que deve ser feito
pare que os conceitos de afetividade, convivência e espiritualidade sejam significativos e
vivenciados por todos.
Agora, cuidado, não pense grande demais, não sofistique demais o processo, pois os
conceitos de afetividade, convivência e espiritualidade são para serem vividos no dia-a-dia, nas
situações que envolvem os colaboradores nas tarefas que lhe dizem respeito, dentro da equipe
e no contexto maior da empresa.

Pense e responda as questões abaixo:

1. Deve o colaborador obedecer as regras da empresa ou os valores da empresa?

2. Quais suas sugestões práticas para que a espiritualidade possa ser desenvolvida na
empresa?

E agora um teste para aferir seu nível de liderança.

32
Marcus De Mario

TESTANDO SUA LIDERANÇA

Para os itens abaixo, dê nota de 1 a 5 para cada um deles.

1. Tenho habilidade para lidar com situações de crise


2. Prezo relações harmoniosas de trabalho
3. Utilizo da lógica e da ciência no meu trabalho
4. Sou exemplo de renovação contínua e transformação
5. Trabalho para criar uma visão organizacional que traga significado para a vida
das pessoas
6. Sou motivado em fazer a diferença e estar a serviço daqueles a quem lidero
7. Sou motivado pela necessidade de estar a serviço do mundo

A tabela de resultado você encontra no último capítulo.

33
Gestão Humanizada de Pessoas

O Relacionamento
Interpessoal

"Ganhar a vida já não é suficiente,


o trabalho tem que nos permitir vivê-la também"
Peter Drucker

Promover o bom relacionamento interpessoal com base na solidariedade e cooperação,


é estimular a paz no ambiente de trabalho e o melhor desempenho, com a conseqüente
melhora da produtividade.
Sem o esforço de colocar em prática o que discursamos como sendo muito importante,
não há como desenvolver relações mais estáveis em laços de amizade.
O bom relacionamento interpessoal acontece quando nossa interação com o outro está
envolvida pelo sentimento do amor, pois somente o amor estabelece convivência solidária,
fraterna, cooperativa.
Para se alcançar um bom nível de relacionamento interpessoal precisamos praticar
quatro ferramentas:

1. Diálogo
Quando uma conversação acontece em via de mão dupla, ou seja, eu e o outro temos o
mesmo direito de expressar pensamentos, opiniões e sentimentos. Sempre construindo, nunca
para se mostrar, impor ou despejar cultura, normalmente inútil. O diálogo construtivo
estabelece melhor convivência no grupo, equilibrando paulatinamente as diferenças e
estabelecendo a ponderação, a não imposição e a tomada de decisão em consenso. Ao
dialogarmos precisamos estar atentos às críticas pessoais, sabendo recebê-las e ao mesmo
tempo utilizando o algodão do sentimento ao dirigi-las a alguém ou ao grupo. Saber mudar de
idéia, saber ouvir, saber falar, saber alterar atitudes para que as atividades desenvolvidas
alcancem mais plenamente suas finalidades.

34
Marcus De Mario

Quem não sabe dialogar, respeitando o pensamento alheio e construindo ao invés de


destruir, dificilmente terá bons relacionamentos e acarretará problemas no ambiente de
trabalho.

2. Tolerância
É ferramenta básica para o exercício diário da convivência. Somos indivíduos com
diferenças muitas vezes acentuadas de personalidade, de caráter, de cultura, etc., e se não
tivermos tolerância com o outro, como querer que ele seja tolerante conosco? Necessitamos
aprender a aproveitar o que de melhor cada componente do grupo possa dar de si mesmo.
Cuidado com a crítica, é melhor olhar para si mesmo antes de apontar o outro como pedra no
caminho, pois todos temos defeitos, vícios e questões íntimas a resolver, que naturalmente os
outros estão observando, e que podem ser a razão dos problemas de convivência no grupo. A
tolerância não significa deixar tudo acontecer, acomodar todas as situações, pois ela possui
limites bem traçados, já que o trabalho do grupo não pode correr risco por excesso dessa
mesma tolerância.

3. Compreensão
Significa esforço de compreender o outro em seus pensamentos e atitudes. Queremos
paz no ambiente de trabalho, equilíbrio na distribuição de tarefas e serviços, mas isso só é
possível se a compreensão estiver sendo utilizada. Cada ser humano possui capacidades e
limites próprios. Se não compreendemos isso o relacionamento interpessoal ficará
comprometido. A compreensão aciona a boa vontade, a colaboração espontânea com o outro,
pois no ambiente corporativo formamos um grupo, não somos individualidades em competição,
ou pelo menos não devemos ser. O bem comum e o progresso geral da empresa devem
nortear os procedimentos da ferramenta compreensão.

4. Auxílio
Muitos cruzam os braços e dizem: “a tarefa não é minha, nada tenho com isso”,
esquecidos que o trabalho é desenvolvido por um grupo do qual fazem parte, portanto auxiliar
no desenvolvimento das tarefas é dever de consciência. Entretanto, o que mais assistimos são
os julgamentos sobre as falhas dos outros, esquecidos que nós mesmos, muitas vezes,
também falhamos. O auxílio deve ser espontâneo, não esperando recompensa ou troca de
favores. Também não deve fazer cobranças. “Sempre pronto a auxiliar” deve ser nosso lema
para o estabelecimento de uma convivência equilibrada e bons relacionamentos interpessoais.

Para averiguar como está seu relacionamento com as outras pessoas, aplique o teste
Percebendo Sua Inteligência Interpessoal.

35
Gestão Humanizada de Pessoas

PERCEBENDO SUA INTELIGÊNCIA INTERPESSOAL

Para cada item abaixo atribua para você mesmo um valor de zero a quatro, sendo:

Zero – péssimo. Um – ruim. Dois – regular. Três – bom. Quatro – excelente.

1. Empatia Como está sua capacidade de sentir-se como o outro? Por


exemplo, se algum amigo do peito está arrasado por um
problema e confia a natureza desse problema, você demonstra
interesse por solidariedade ao seu amigo?
2. Capacidade em Como você está em relação a reconhecer a emoção do outro?
reconhecer a Você ouve com interesse e consideração, e depois auxilia
emoção do outro dentro de suas possibilidades?
3. Legitimar o Se alguém lhe diz que está com raiva, sua tendência é dizer
sentimento do para “que não fique com raiva” ou negar que o sentimento é
outro raiva? Você sabe legitimar o sentimento do outro e mostrar
capacidade de sentir toda sua extensão?
4. Capacidade de Ao se sentir aborrecido com alguém e julgar que ele merece
crítica uma reprovação ou uma crítica, você sabe criticar o gesto que
desaprova, jamais confundindo a crítica com a pessoa que
praticou o gesto? Você consegue separar o gesto da pessoa?
5. Capacidade de Ao perceber um sentimento, você se preocupa em abrir o
nomear as coração do outro, diagnosticando com propriedade o sentimento
emoções do outro que causa seu sofrimento? Como está essa sua capacidade?

6. Encorajar a Você procura sugerir uma solução, sem querer ter uma resposta
busca para a certa pronta? Você procura encorajar o outro numa busca para
solução do a solução do problema, sem se preocupar em transportar leis
problema morais e aplicá-las ao caso? Você dialoga com afirmações do
tipo “você está errado”, “isso não é justo” e assim por diante, ou
procura auxiliar o outro na busca de uma solução sem utilizar
rótulos?

O resultado do teste está no último capítulo.

36
Marcus De Mario

História para Você Pensar – O Executivo


Distribuir tarefas era com ele. E cobrar duramente os resultados, também.
Solicitar relatórios era com ele. E questionar tudo, também.
Fazer reuniões de planejamento era com ele. E tomar decisões intempestivas, também.
Negociar bons contratos era com ele. E não cumprir acordos com os empregados,
também.
Colocar todos para pensar era com ele. E julgar sumariamente as opiniões dos outros,
também.
Exigir regras claras era com ele. E burlá-las a benefício próprio, também.
Discursar sobre automotivação era com ele. E reclamar de tudo e de todos, também.
Considerar ser um ótimo executivo era com ele. E não aceitar críticas, também.
Até hoje não sabe porque os negócios não deram certo.
Até hoje os ex-colaboradores não sabem como o agüentaram por tanto tempo.

37
Gestão Humanizada de Pessoas

Amorterapia

"Cresce a taxa de infelicidade entre os empregados das empresas. Essa taxa tem sido
crescente, e um dos fatores que têm causado essa taxa crescente é a ausência de uma
"causa", seja por parte das empresas, quanto por parte dos funcionários, ou seja, o
funcionário quer enxergar uma "causa" que valorize o que ele faz na empresa"
Notícia na Mídia

É notória a dificuldade que temos em amar com profundidade, com sentimento pleno,
com renúncia, provocando, desse modo, obstáculos nas relações interpessoais.
Para trabalhar o amor sugerimos a adoção do Amorterapia, uma técnica para
desenvolvimento em grupo.
Mas antes de descrever o Amorterapia, falemos um pouco do amor, na tentativa de
descobrir esse sentimento, como aplicá-lo e suas conseqüências.

O Amor
A vida humana já detectou as mais variadas formas de amor, melhor dizendo, os mais
variados graus de intensidade do amor, manifestando-se desde a paixão instintiva até a
sublimidade da renúncia a favor do outro.
Quando falamos do amor aos animais, do amor à pátria, do amor conjugal, do amor filial
e tantas outras expressões do amor, estamos entendendo que o amor reveste variadas formas,
das mais vulgares às mais sublimes.
Na verdade o amor é o princípio da vida, portanto, o amor é o mais sublime dos
sentimentos.
Todos somos dotados desse princípio afetivo destinado a desenvolver-se e expandir-se
através da vida, no erro e acerto dos nossos aprendizados, até que saibamos, sem nenhum
outro interesse, dedicarmo-nos e sacrificarmo-nos pelos outros.
Dedicação e sacrifício espontâneos revelam uma alma nobre e sensível, repleta de
amor.
O amor renova-se sem cessar.
O amor é a luz do homem.

38
Marcus De Mario

A maior expressão do amor é a afeição que temos por outra pessoa, motivo pelo qual
não podemos banalizar a expressão “eu te amo”.

Os laços de afeto no ambiente de trabalho não se confundem com a paixão ou a


sensualidade, pois significam amizade sincera e sentido de cooperação desinteressada,
estabelecendo cordialidade e harmonia.

Quando nos identificamos com outra pessoa devemos deixar que o amor nos conduza
ao altruísmo, à piedade e à bondade, não importando em quais circunstâncias, em qual meio,
pois o verdadeiro amor não escolhe lugar nem olha a quem: simplesmente ama e auxilia.
Todos nós desenvolvemos as potencialidades espirituais, de grau em grau, através da
influência do amor e sua irradiação de nós mesmos para os outros.
É assim que vamos depurando, pouco a pouco, a paixão, transformando-a num
sentimento mais profundo e desinteressado.
E como expandir a afeição que sentimos por uma pessoa para afeição a todos?
Isso ocorrerá quando compreendermos nosso potencial espiritual e a importância de
sua aplicação nas relações sociais, pois a espiritualidade do ser está na plenitude do amor, na
compreensão da vida além do “ter”.
Você já percebeu que o amor sempre constitui uma atmosfera de paz, sempre
estabelece calma, sossego de espírito e serenidade?
Para que possamos compreender e sentir o amor é que idealizamos a técnica
Amorterapia.

Amorterapia
Trata-se de reunirmo-nos em grupo para conversar sobre o amor e sua aplicação em
nós e na vida.
Para nortear essa conversa, o grupo pode dialogar tendo por roteiro as seguintes
perguntas:

1. Quais são as dificuldades que sentimos?

2. Quais são as experiências que nos gratificam no amor?

3. Como fazer para amar sem distinção?

4. Como desenvolver o sentimento do amor?

5. Como expandir a afetividade no grupo de trabalho, com equilíbrio?

39
Gestão Humanizada de Pessoas

6. Quais as diferenças e limites entre paixão, amizade e afeto?

Também, na técnica Amorterapia, podemos dialogar sobre:

1. Quais os benefícios do amor para a qualidade do trabalho desenvolvido no ambiente


empresarial?

2. Como o amor pode estabelecer a melhoria das parcerias sociais?

Como o nome indica, é uma verdadeira terapia de grupo, onde as dificuldades e


experiências quanto ao amor serão conversadas, levando em consideração a espiritualidade
do ser e o compromisso social da empresa com a vida humana.
Deverá o grupo compreender que seus esforços no trabalho devem dirigir-se ao alvo a
ser atingido, ou seja, o desenvolvimento individual e coletivo das potencialidades do ser
integral que todos somos. A vontade deve ser desenvolvida e dirigida constantemente para o
alvo.
Também deverá o grupo estudar constantemente o amor, pois o conhecimento é muito
importante para a plenitude da espiritualidade do ser.
E, finalmente, compreendemos que o amor ilumina a vontade e o conhecimento, e que
esse maior dos sentimentos deve estar sempre em ação.
A reunião do grupo de trabalho por setores, departamentos ou áreas deve ocorrer de
forma periódica, seja semanal, quinzenal ou mensal, pois somente o Amorterapia pode frutificar
resultados operacionais de qualidade.

Quando o “eu” é substituído pelo “nós”, o ambiente de trabalho passa a retratar uma
equipe e não um bando de competidores egoístas.

História para Você Pensar – Os Amigos


Eles se conheceram na faculdade, ainda jovens. Foram anos de muitos aprendizados e
vivências. Terminaram os estudos e ingressaram no mercado de trabalho. No início, seguiram
caminhos diferenciados, para alguns anos depois juntarem seus esforços em grande
corporação industrial, alcançando cargos diretivos. Nesse meio tempo, casaram, e um serviu
ao outro de testemunha. Os laços de amizade estendiam-se às respectivas famílias. Tudo ia
bem, até que um grande projeto, envolvendo altos custos financeiros, mas com excelente
perspectiva de lucros, estremeceu a aparente sólida amizade. É que discordaram quanto ao
percentual que caberia a cada um na divisão dos lucros. E iniciaram formação de grupos afins
tanto na diretoria quanto no conselho da empresa. Em menos de um ano estavam de tal modo

40
Marcus De Mario

divergentes quanto ao empreendimento, que não era mais possível a convivência salutar.
Romperam a amizade e se separaram, depois de longo litígio na justiça. Esta parece ser uma
história comum, entretanto não é, pois os dois haviam construído a amizade ao longo de
exatos quarenta anos de convivência. Eles acreditavam se conhecer, mas descobriram que o
“ter”, e cada vez “ter” mais, quando não equilibrado com o “ser”, esvazia o relacionamento,
pois, na verdade, a convivência não passa de um tênue fio divisor dos interesses pessoais e
egoístas. Você conhece história semelhante? Por ventura, não será você um dos
protagonistas?

41
Gestão Humanizada de Pessoas

10

Vivenciando a Ética

“Hoje as companhias precisam contar com o coração, a mente


e o espírito dos seus colaboradores”
James C. Hunter

Antes de iniciar a leitura deste capítulo, leia as perguntas abaixo, pense com
profundidade, e depois dê suas respostas.

1. Como devemos nos conduzir perante os outros?

2. Quais são os valores que regem minha vida?

3. O que é uma vida boa para o homem?

4. Como devemos nos comportar?

Agora que você leu, pensou e respondeu, prossiga a leitura.

Essas e outras perguntas correlatas fazem parte da Ética, que é a ciência da moral ou,
melhor dizendo, é o ramo da Filosofia que trata dos valores e deveres do homem, procurando
justificar ou condenar a conduta pessoal.

Quem muito critica os colegas de trabalho deve olhar primeiro para si mesmo e
perguntar se eles também não têm críticas a seu respeito.

No ambiente empresarial, como igualmente nos demais ambientes sociais, devemos


questionar com profundidade determinadas condutas que se tornaram comuns, aparentemente
justificadas, mas que na verdade fogem ao padrão de conduta ética que desejamos do ser
humano, colidindo com seu potencial de ser integral.
Entre essas condutas temos as seguintes:

42
Marcus De Mario

1. Conduta da Vantagem Pessoal


Esquecidos que trabalhamos em grupo, num contexto coletivo, e que nossas ações
interagem socialmente, vivemos egoisticamente olhando somente para o que podemos ganhar,
sem medir conseqüências. A justificativa de que é preciso amealhar vantagens antes que outro
faça na nossa frente, ou antes que a morte nos alcance sem termos tudo aproveitado da vida,
é falsa. Somos seres potencialmente espirituais, com responsabilidade social, e toda ação no
bem comum é vantajosa para todos. O pensamento e a ação que levam em conta o outro que
convive conosco não exclui, pelo contrário, une forças para objetivos que são comuns.
Indivíduos egoístas fazem uma sociedade egoísta, quando indivíduos solidários fazem uma
sociedade cooperativa.

2. Conduta da Barganha
É a famosa política do ‘toma lá, dá cá”, ou da troca de favores para se conseguir
determinadas vantagens pessoais ou de grupo, mesmo que em detrimento da sociedade. É,
mais uma vez, conduta egoísta, imediatista, utilitarista e com um agravante: fomenta a
corrupção. Desviam-se verbas públicas, derrubam-se setores inteiros da empresa, prejudica-se
o meio ambiente, etc., tudo em nome do enriquecimento ilícito ou das promoções
injustificáveis. Onde a conduta individual acarreta prejuízos sensíveis ao coletivo, é necessária
a aplicação da ética para corrigir e equilibrar os procedimentos.

3. Conduta do Jeitinho
Neste caso burlam-se as regras, os procedimentos, as leis e fazemos recair a culpa em
outra pessoa, prejudicando-a. Não confundamos a criatividade na resolução de problemas e
conflitos com a falta de conduta ética para com o colega de trabalho. Assumir culpabilidades é
honestidade de caráter.

Nem sempre os fins justificam os meios, mesmo porque sempre temos outros meios a
serem acionados, que menos prejudiquem os envolvidos; meios que sejam mais éticos e
possam promover o bem à maioria.
Num ambiente onde a ética prevalece o bem comum é prioridade, a cooperação é a
ferramenta mais utilizada, a promoção da honestidade é o prêmio maior, e a convivência torna-
se mais salutar e produtiva.
Como desenvolver a espiritualidade fora da ética? Não, isso não é possível, mas, pelo
contrário, com a presença da ética regendo nossas condutas, desenvolver a espiritualidade
individual e coletiva torna-se possível e acontece de forma espontânea, gerando paz, trabalho
objetivo e amizades mais profundas.
A ética produz respeito e solidariedade, confiança e estímulo, harmonia e paz.

43
Gestão Humanizada de Pessoas

Não é possível continuarmos a inverter valores e tentarmos justificar condutas que não
resultam no bem coletivo.
Num ambiente onde os componentes da ética estão presentes, todos nos sentimos
melhores e trabalhamos com muito mais prazer, e para implantar isso é preciso compreender
que a competição sem medidas deve ser substituída pela cooperação construtiva, pois assim
tudo fica bem melhor.
Para saber como está o ambiente em sua empresa, aplique este teste:

AMBIENTE CORPORATIVO

SIM ÀS VEZES NÃO


1. O ambiente na empresa está “pesado”, há sensação de
tristeza?
2. “Isso não vai dar certo” é expressão comum?
3. Existe no ar uma idéia de fracasso nas ações da
empresa?
4. A cada dia parece que o tempo não passa?
5. Respeitar prazos está difícil?
6. Todos os erros são justificados?
7. Trabalha-se muito, mas os fins não são atingidos?
8. Os colaboradores estão desmotivados?
9. Há dificuldade de concentração e as decisões
demoram?

O resultado encontra-se no último capítulo.

44
Marcus De Mario

11

Resolvendo Conflitos

"Sempre houve o suficiente no mundo para todas as necessidades


humanas; nunca haverá o suficiente para a cobiça humana"
Gandhi

Conflitos acontecem, sejam no campo das idéias ou das ações, porque não somos
iguais. Somos diferentes e temos liberdade de agir, mas precisamos saber conviver com as
diferenças e respeitar as regras do convívio.
Se reclamo para mim este ou aquele direito, devo lembrar que meu colega de trabalho
também possui este ou aquele direito.
Se exijo por parte do outro o cumprimento deste ou daquele dever, devo lembrar que
ele também pode exigir de mim o cumprimento deste ou daquele dever.
Se luto por minha liberdade de ir e vir, de fazer ou não fazer, igualmente devo lembrar
que o outro também realiza a mesma luta, assim devo, antes, cumprir com minhas
responsabilidades.
Portanto, temos:

• Para cada direito corresponde um dever.


• Para cada liberdade corresponde uma responsabilidade.

Paciência e Serenidade
Para a melhor resolução de conflitos devemos saber suportar, com paciência e
serenidade, todas as coisas que nos aborrecem. Pode não ser fácil, mas é um exercício que
exige constância, fazendo crescer em nós essas duas qualidades morais tão importantes:
paciência, pois o tempo é grande aliado, e serenidade, pois a calma constrói ao invés de
destruir.

Quem diz que perde a paciência com facilidade está enganado. A paciência é uma
virtude da alma, não pode ser perdida, mas deve ser constantemente desenvolvida.

45
Gestão Humanizada de Pessoas

Animosidade e Ressentimento
Por que guardar rancor? Por que deixar mágoas se transformarem em ódio? Quem
carrega ressentimentos está repleto de lixo emocional necessitando urgentemente de
reciclagem. Seja qual for a conduta dos outros para conosco, precisamos utilizar o algodão da
bondade e o esparadrapo da compreensão, evitando guardar qualquer animosidade ou
ressentimento, ervas daninhas do caráter e que esfacelam qualquer ambiente de trabalho.

Auto-educação Moral
O que precisamos fazer, quando um conflito está para se estabelecer ou está
estabelecido, é reverter a situação em benefício de nossa própria educação no sentido moral,
meditando sobre todas as causas de aborrecimento e aflição para verificar até que ponto não
somos também causa das mesmas, até que ponto nossa conduta não está prejudicando o
relacionamento. Nosso papel é a do bombeiro que procura apagar o incêndio e salvar a todos,
ou é a do incendiário que pouco está se importando com a vida alheia?
Você deve estar pensando: falar é fácil, quero ver trabalhar com quem trabalho, tendo o
chefe que eu tenho. Claro, não é tão fácil, mas também não é tão difícil. Você já parou para
pensar que, neste exato momento, seu colega ou seu chefe pode estar pensando isso de
você? Ou seja, ao mesmo tempo em que você reclama do outro, o outro pode estar
reclamando de você. Olhar para nós mesmos, educando-nos, é a chave para o início da
resolução de conflitos.
E para consolidar o processo, retorne ao capítulo seis e reveja as ferramentas que
apresentamos para a melhor convivência: tempo, diálogo e serviço. Está na hora de utilizá-las.
A resolução de conflitos passa pelo trabalho de espiritualização individual, quando
lutamos para reprimir e transformar más tendências, dominar paixões, abrir mão de vantagens
pessoais imediatas em benefício do futuro, um futuro promissor de paz e felicidade, de
realização pessoal e profissional, de vida equilibrada e participação social, de consciência
tranqüila e amizades profundas.
A maior causa dos conflitos está na luta que fazemos para ter, para gastar, para gozar,
quando a verdadeira luta está em ser, em realizar-se afetivamente e espiritualmente.
Pense nisso e reavalie seus valores de vida, suas condutas para com o outro e para
consigo mesmo, e verifique se a causa do conflito também não está em você mesmo, pois
você é também instrumento para terminar o conflito e estabelecer a paz.

Responda:

1. Você é capaz de dizer a mesma coisa para alguém, cinco vezes consecutivas, sem
alterar o tom de voz?

46
Marcus De Mario

2. Quando um colaborador contraria sua idéia, você pára e pensa, ou logo lança um
contra-argumento?

3. Você fica esperando que o outro venha lhe pedir desculpas, ou toma a iniciativa para
refazer o relacionamento, reconhecendo onde errou?

História para Você Pensar – O Que Devo Fazer?


Certo homem procurou um velho monge e lhe perguntou:
— O que devo fazer para ser feliz?
O monge, na sua sabedoria e experiência, respondeu:
— Trabalhar.
E nova pergunta fez o homem:
— O que devo fazer para viver bem em família?
O monge, com serenidade, disse-lhe:
— Trabalhar.
O homem, um pouco insatisfeito, indagou:
— E o que devo fazer para ter bons relacionamentos?
O monge, sem se perturbar, indicou:
— Trabalhar.
Indignado com respostas para ele tão simples, o homem questionou:
— Caro monge, trabalhar é o que mais tenho feito na vida.
O velho monge, demonstrando profunda sabedoria, comentou:
— Sim, isso é verdade, mas não é desse trabalho que você precisa para alcançar a
felicidade.
Não entendendo, o homem quis saber:
— E de que trabalho o senhor está falando?
Imperturbável, o monge informou:
— O trabalho interior do autoconhecimento.
O homem nada mais perguntou, pois esse era o trabalho que menos havia feito durante
sua existência.

47
Gestão Humanizada de Pessoas

12

Autoconhecimento e
Crescimento Interior

"As pessoas que encontraram seu lugar no mundo não dizem que fazem um trabalho
excitante, desafiador e estimulante. Seu discurso invoca outra trinca:
significado, importância e realização"
Pó Bronson

O autoconhecimento faz parte do processo de relacionamento intrapessoal e está


intimamente ligado à nossa força de vontade
O homem possui inteligência e vontade livres, independente de sua situação sócio-
econômica ou mesmo cultural. Ele necessita aprender a utilizar o poder da vontade para tornar-
se consciente de si mesmo, dos seus objetivos de vida, de seus recursos potenciais. Na
medida em que utiliza sua vontade sentirá crescer suas forças, pois a soma de esforços rumo
ao alvo faz crescer todo o seu potencial.

Autoconhecimento
Conhecer a si mesmo é fundamental para alavancar o crescimento interior, e esse
conhecimento percorre três etapas indissociáveis:

1 – Exame Íntimo, ou seja, examinar-se quanto aos pensamentos, palavras e ações do


dia-a-dia, descobrindo vícios morais, virtudes em desenvolvimento, com o objetivo de trabalhar
para corrigir umas e melhorar outras.

2 – Introspecção, significando mergulhar em si mesmo, através da meditação e do


relaxamento, para “ouvir” a própria consciência e trabalhar críticas e elogios recebidos, sempre
na eterna procura de melhorar-se.

3 – Desapego, livrando-se paulatinamente da luta pelas coisas supérfluas, sabendo


doar-se, abrindo mão de privilégios e priorizando as conquistas de ordem afetiva e espiritual.

48
Marcus De Mario

O autoconhecimento proporciona o despertar da consciência, que é o centro da


personalidade. Quanto mais conscientes formos mais aguçada será nossa faculdade de
perceber, como também o sentimento de viver, agir, pensar e querer.
Não basta desenvolver o que chamamos de Consciência Intelectual, que é essa
percepção de nós mesmos, dos outros e da vida. É necessário igualmente desenvolver a
Consciência Moral, quando distinguimos o bem do mal, elegemos os valores humanos, em
especial os morais e espirituais, para nos conduzir, e agimos respaldados pela ética.
O processo do autoconhecimento é contínuo, pois somos eternos educandos e a
complexidade da vida exige esse esforço, e ele acontece sempre que colocamos em ação o
poder da vontade aliado ao conhecimento.

Liberdade
A liberdade é condição necessária para o homem, pois construímos nosso destino
através da liberdade.
A liberdade é também condição para o autoconhecimento.
Como já lembramos, a liberdade tem o preço da responsabilidade. Para cada ato,
palavra e pensamento que expressamos livremente temos a contrapartida de
responsabilidades a serem assumidas, pois todas essas ações geram conseqüências para nós
e para os outros.
Assumir as próprias responsabilidades dignifica o homem e constrói sua moralidade, e
no ambiente de trabalho profissional não é diferente, afinal estamos num ambiente coletivo e
partilhamos objetivos, experiências, ações solidárias.

Pensamento
No processo de autoconhecimento o pensamento é o grande criador. Com ele
sonhamos, idealizamos. Projetamos, construímos, mas para isso precisamos prestar atenção
sobre o quê pensamos.
Necessário se faz elevar o pensamento para as coisas grandes e profundas. Estamos
demasiadamente preocupados com as coisas pequenas e de pouco significado e isso bloqueia
as inspirações que podemos receber.
O pensamento precisa ter disciplina, e podemos isso conseguir, para que as imagens
do bem e do belo povoem as nossas horas e facilitem a concentração do poder da vontade
para a conquista do que é justo e grandioso.
O pensamento gera nossas palavras e nossas ações e, com ele, construímos, todos os
dias, nossa vida presente e futura, construção essa majestosa e bela ou pequena e egoísta.
Todas as vezes que emitimos um pensamento estamos gerando formas-pensamento,
energia magnética que, pouco a pouco, irá impregnar nosso ser de formas levianas ou sérias,
graciosas ou horríveis, grosseiras ou sublimes, atingindo aqueles que estão conosco no

49
Gestão Humanizada de Pessoas

mesmo ambiente. É por esse motivo que logo detectamos se o outro é uma pessoa agradável
ou não, simpática ou não.
Se o pensamento é criador e ao mesmo tempo é ele que aciona o poder da vontade,
podemos perceber sua importância no processo de autoconhecimento e a necessidade de
discipliná-lo e sublimá-lo, pois, segundo o ideal de vida que tecemos, nossa chama interior de
espiritualidade aviva-se ou obscurece-se.

Controlar os próprios pensamentos é muito importante para gerar um ambiente de


trabalho saudável.

Felicidade e Progresso
O progresso individual depende da observação atenta que fazemos de nós mesmos.
É necessário vigiar os atos impulsivos para saber em que sentido devemos dirigir
nossos esforços para aperfeiçoarmo-nos intelectualmente e moralmente.
Para isso vamos a um passo-a-passo, espécie de guia, facilitando assim o trabalho:

1 – Regular a Vida Física, para reduzir as exigências orgânicas e estéticas apenas ao


necessário, garantindo a saúde do corpo, pois o mesmo é nosso instrumento precioso de
trabalho e vida.

2 - Disciplinar as Emoções, exercitando-nos em dominá-las e utilizá-las como agentes


do nosso autoconhecimento.

3 – Desprendimento, ou seja, esquecer um pouco de nós mesmos, desprendendo-nos


do egoísmo, do individualismo degradante. É o sacrifício do “eu” para conquistas mais vastas e
profundas.

Na medida em que trabalhamos esse guia prático conquistamos cada vez mais a
felicidade, e nosso progresso individual irá confundir-se com o progresso coletivo. Não é perda
de identidade, mas soma das personalidades nos objetivos comuns, seja de um setor de
trabalho, de um departamento, de uma área e assim por diante.
Autoconhecimento e crescimento interior são fundamentais para o equilíbrio integral do
homem, e a empresa, se quer realmente crescer e ser reconhecida socialmente deve investir
continuamente nesse processo.

Como o ditado popular diz que falar é fácil, vamos a mais um teste, este um verdadeiro
momento da verdade.

50
Marcus De Mario

TESTE PARA SEU AUTOCONHECIMENTO

Marque com um “x” a sua opção para cada item.

SIM ÀS VEZES NÃO


01. Você, a pretexto de falar a verdade, usa de exagerada
franqueza?
02. Cumpre suas obrigações somente quando alguém lhe
dá ordens?
03. Guarda ressentimentos?
04. Queixa-se sistematicamente a propósito de tudo e de
todos?
05. É indiferente à dor alheia?
06. Irrita-se por coisas sem muita importância?
07. Conta vantagens, visto que precisa demonstrar que é
superior aos demais?
08. Gasta mais do que dispõe?
09. O sofrimento lhe é insuportável?
10. Deseja um mundo melhor sem trabalhar para isso?
11. Carrega injúrias ou críticas, sem suportá-las?
12. Você explode nos menores contratempos?
13. Foge de estudar para se aperfeiçoar?
14. Desrespeita as pessoas com perguntas
desnecessárias?
15. Conta piadas suscetíveis de machucar os sentimentos
de quem ouve?
16. Resiste em perdoar?
17. Critica os problemas pessoais, seja de quem for?
18. Esbanja conhecimentos em local e hora nada propícios,
pelo prazer de exibir cultura e experiência?
19. Falta aos compromissos e horários?
20. Sente-se realizado ao ver a derrota de um desafeto?
21. Agita-se tanto frente às atividades que acaba por
comprometer o serviço do outro, e a dificultar a execução
dos próprios deveres?
22. Deixa para amanhã a obrigação que pode ser cumprida
hoje?

51
Gestão Humanizada de Pessoas

23. Dramatiza doenças e dissabores?


24. Discute sobre assuntos sem antes refletir?
25. Exige dos outros aquilo que nem mesmo você é capaz
de fazer?
26. Pede apoio sempre que precisa, mas não sabe
cooperar com o outro?
27. Condena os que não pensam do mesmo jeito que
você?
28. Assume compromissos, mas acaba passando a
responsabilidade para terceiros?
29. Tem medo do futuro?
30. “Perde” a paciência com facilidade?
(Elaborado pelo economista Gerson Monteiro).

O resultado, você sabe, está no final deste livro.

52
Marcus De Mario

13

Benefícios para a Empresa

"Encontrar significado no trabalho e na vida,


o mais profundo desejo do profissional do terceiro milênio"
Alkíndar de Oliveira

A Gestão Humanizada de Pessoas traz inúmeros benefícios quando aplicada e


realimentada, como, por exemplo:

1. Maior solidariedade entre colaboradores.

2. Despertamento do potencial interior de cada membro da corporação.

3. Substituição paulatina da competição degradante pela cooperação construtiva.

4. Humanização do ambiente de trabalho.

5. Engajamento consciente de todos no processo de interação da empresa com a


sociedade.
6. Ganhos de produtividade.

7. Diminuição significativa de conflitos.

8. Aumento da capacidade criadora dos indivíduos.

9. Crescimento do equilíbrio emocional individual e coletivo.

10. Estabelecimento da ética nas relações.

11. Geração de parâmetros conscientes entre direitos e deveres, liberdades e


responsabilidades.

53
Gestão Humanizada de Pessoas

E poderíamos continuar quase que indefinidamente a lista de benefícios para a


empresa, pois a Gestão Humanizada de Pessoas gera mudanças de paradigma nos campos
da afetividade, da convivência, da espiritualidade, da responsabilidade social.
Já não será apenas o homem competindo contra o homem, mas o homem contribuindo
com o outro para estabelecimento de um novo mundo, um mundo mais moralizado e
espiritualizado, onde o bem sobrepujará o mal.
É uma utopia, dirão alguns.
É um sonho fora da realidade, dirão outros.
Entretanto, se palavras e ditos fossem oficiais, provavelmente a humanidade não teria
realizado metade do progresso que já conhecemos.
Relações empresariais, internas e externas, tendo por base o amor e a solidariedade,
são possíveis, sim, e acreditamos tão firmemente nisso quanto acreditamos que todos nós
estamos neste mundo para cumprir com uma missão muito especial: colaborar para o
progresso individual e comum, pois essa é a lei que rege todo o universo.
E para facilitar a compreensão, de forma prática, ofereço a você, que até agora
percorreu as páginas deste livro, quatro questões para fazer pensar. Elas estão no próximo
capítulo na forma de histórias estudadas, ou, se preferir, como estudo de casos.
Nenhum dos estudos é ficção. É a mais pura realidade trazida para reflexão.

54
Marcus De Mario

14

Estudo de Casos
1. É possível o lucro numa relação humanizada?

Tarde quente na cidade maravilhosa do Rio de Janeiro. Tempo abafado, queimando a


pele. Eu e minha esposa entramos numa farmácia de grande rede de varejo para comprar um
remédio. Não existe ar condicionado, a loja é totalmente aberta para a rua e os ventiladores só
fazem espalhar ar quente. Fazemos a compra e vamos até o caixa realizar o pagamento.
Fiquei condoído pela situação da funcionária. O caixa ficava junto da porta e ela recebia todo
aquele vapor proveniente do asfalto em brasa, suando de empapar a blusa.
O computador, por uma questão de racionalização do espaço, estava instalado em cima
da caixa registradora, obrigando a funcionária a estender os braços para cima, única maneira
de chegar ao teclado, somando-se a isso o uso do monitor como suporte para produtos e
colocação das cestinhas dos clientes.
Por baixo do balcão, tudo ocupado com estoque de bolsas e bobinas de impressão,
impedindo que a moça esticasse as pernas.
Sua expressão era de cansaço e desalento, consciente de ser explorada ao máximo
com um mínimo de benefício. Com o tempo ficará com a famosa LER - Lesão por Esforço
Repetitivo e será substituída em nome da manutenção da produtividade e do lucro da empresa.
Naturalmente que a empresa alegará a subida do custo se colocar portas de vidro e ar
condicionado na loja, além da troca do balcão, havendo conseqüente diminuição do lucro ou
aumento dos preços dos remédios e serviços prestados, como compensação. Também,
provavelmente, alegará que quanto mais "mordomias" disponibilizar, menos os funcionários
produzirão, e que esse negócio de humanização e espiritualização das relações e do ambiente
de trabalho, é conversa para boi dormir.
Já soube de patrões que negaram aumento salarial alegando dificuldades nos negócios
e três dias depois chegaram na empresa com carros novos, zero quilômetro, ou seja, não
podem beneficiar os empregados, mas a si mesmos tudo é válido.
É um grande engano. Pesquisas mostram que empregados satisfeitos rendem mais,
são mais felizes, mais estáveis e acarretam menos prejuízos para a empresa. Já o empregado
insatisfeito, de mau humor, trabalha sem satisfação, gera problemas e aumenta os custos da
empresa.

55
Gestão Humanizada de Pessoas

Como diz o economista chileno Manfred Max Neef, "As atitudes só mudam se a pessoa
estiver realmente engajada em alterar sua forma de liderar. Ninguém pode obrigar outra
pessoa a ser diferente. Naturalmente que o local de trabalho pode ajudar nessa tomada de
consciência. Numa estrutura hierárquica onde impera o autoritarismo é natural que as pessoas
sintam-se intimidadas. Enquanto numa estrutura aberta, onde as pessoas são chamadas a
participar do processo decisório, há estímulo para o profissional ter uma postura mais
servidora".
Humanizar a empresa é uma questão de boa visão nos negócios. E se a questão é o
tão falado e sonhado lucro, tudo bem, pois ambiente humanizado é ambiente de maior
produtividade e, portanto, de maior lucro. Não é bom ficar feliz fazendo os outros mais felizes?
Pense nisso.

2. Cooperação, Competição e Ética

Capacidade técnica é sinônimo de competência e habilidade na gestão de pessoas? A


prática revela que essa equação não é correta. Todo mundo, no ambiente corporativo, tem
alguma história para contar sobre fulano ou fulana que, apesar de sua ampla formação
acadêmica, ou seu progresso na carreira dentro da mesma empresa, na hora em que assumiu
a chefia ... fracassou. Por quê? Decerto que capacidade e conhecimento não faltavam,
entretanto lidar com gente vai muito além disso: requer tato, empatia, habilidade, ingredientes
fundamentais para conseguir a adesão e cooperação da equipe.
Ninguém lida com engenheiros, médicos, advogados e outros profissionais. Lida com
gente, com pessoas que têm nome, personalidade, história, sonhos, capacidades. Quem
assume cargo de chefia e esquece disso está fadado ao insucesso.
Chefes que só enxergam metas, produção, regulamentos costumam desumanizar o
ambiente de trabalho, tornando-o frio, formal e acarretando problemas nos relacionamentos
entre os membros da equipe e entre a equipe e sua liderança. É comum, quando isso ocorre,
os membros da equipe transferirem seu mal humor, seu estresse para a empresa,
extrapolando o setor em que atuam.
Muitos líderes alegam que é impossível trabalhar sem competição, afinal todo mundo
quer subir na carreira, aparecer, ser notado, e isso, reconhecemos, é natural, mas competir
sem degradar, sem atropelar, e ser escolhido para um cargo de chefia exige comportamento
ético e espírito de cooperação, o que nem sempre a capacidade técnica referenda. As pessoas
que gostam de acumular graduações, pós-graduações, MBAs e especializações em seu
currículo talvez não sejam as mais aptas para gerenciar pessoas, para liderar uma equipe de
trabalho.

56
Marcus De Mario

Conheci um líder que adorava “canetar” as secretárias, ou seja, toda redação, qualquer
documento, ele rasurava com uma caneta hidrocor vermelha. Detalhe: na época o computador
pessoal ainda estava em implantação, e as secretárias usavam a máquina de escrever elétrica,
tendo, portanto, de reescrever tudo, mesmo quando se tratasse de uma simples vírgula. Era
comum assistir crises de choro, ou seja, secretárias à beira de um ataque de nervos. Ele exigia
perfeição, mas não cumpria direito com as próprias obrigações, deixando muitas vezes as
gerências num verdadeiro "mato sem cachorro".
Crescer na empresa deve representar o conjunto de qualidades e habilidades no
desempenho das funções, e, igualmente, o conjunto das virtudes que constituem o caráter,
pois cooperação e ética são requisitos imprescindíveis para caracterizar a empresa como
formadora responsável do terceiro milênio. Os tempos de competição sem freios, que deram
origem ao capitalismo selvagem, devem ficar no baú da história.
Cooperação e ética só trazem bons resultados, dão bons frutos, e fazem da competição
uma disputa saudável. Dá para viver com essa tríade? Dá sim, inúmeros exemplos estão
surgindo. Só temos que abrir mão do egoísmo e do orgulho, colocando de lado o "eu é que sou
bom, eu é que mereço", substituindo, sem pieguice, pela frase "somos uma equipe, todos
merecem". Nesse ambiente o verdadeiro líder, o verdadeiro gestor de pessoas vai aparecer
naturalmente.

3. Inteligência Prática

Você já ouviu falar de Marcos Quintela? É provável que não, pois ele não está na mídia
e nem se destaca pela galeria de seus títulos acadêmicos, mas é considerado "o executivo
ideal que toda empresa quer". Dele "é difícil dizer a competência que não tem". Essas e outras
opiniões sobre Marcos Quintela estão numa reportagem publicada pela revista Você S/A,
edição 101. Bem, qual o motivo de estarmos escrevendo sobre Marcos Quintela? Antes de
responder essa pergunta, vamos conhecê-lo.
Ele começou sua carreira como cantor no Grupo Dominó, na década de 80. Interessado
na logística por trás dos shows, começou a agenciar shows do grupo e, em seguida, associou-
se à cantora e apresentadora Eliana, organizando a empresa de licenciamento de produtos que
leva a marca da artista. Cresceu junto com a empresa até ser chamado pelo empresário
Roberto Justos dono do Grupo Newcomm. Hoje, Marcos Quintela é executivo da agência Y&R,
que pertence ao grupo, com remuneração e participação nos lucros e sócio de duas outras
empresas do grupo. Detalhe: Marcos Quintela não possui formação universitária, nem qualquer
formação técnica, mas não para de estudar por conta própria. Segundo Roberto Justos "ele
tem um talento excepcional no trato com as pessoas, consegue contornar problemas com
maestria, tem raciocínio rápido e sabe atrair talentos como ninguém".

57
Gestão Humanizada de Pessoas

Temos dois destaques a fazer: primeiro, que ele não possui formação acadêmica, não é
graduado, nem pós-graduado e nem possui MBA; segundo, que ele possui determinação e
muito interesse em aprender.
Chegamos ao motivo desta abordagem: no mundo corporativo, nem sempre a
capacidade técnica atestada por cursos e diplomas é o melhor para a empresa. Pessoas como
Marcos Quintela são classificadas dentro do conceito de Inteligência Prática, ou seja,
interessam-se por determinados ramos do conhecimento, estudam por conta própria,
mergulham no trabalho, mostram capacidades inequívocas, dominam o que fazem e sabem
ampliar horizontes, resolver problemas e gerar resultados.
Segundo especialistas, Marcos Quintela possui alguns atributos que o tornam especial:
1. Ele gosta de trabalhar.
2. Tem conhecimento muito grande de si mesmo.
3. Sabe se relacionar bem com as pessoas.
4. É hábil.
5. Enxerga o todo.
6. Consegue se antecipar às mudanças.
Tudo isso não é exclusividade do nosso personagem, pois todos nós podemos ter
essas habilidades e competências, desde que lancemos mão da seguinte receita: força de
vontade + gosto de aprender + mão na massa. Contudo, tem algo que não dá para aprender ou
simplesmente copiar: é o talento inato, aquilo que pertence à pessoa, fruto das suas conquistas
pessoais, dos seus interesses, da força do seu ser. Isso, nenhum curso pode nos dar, o que
explica o fracasso de pessoas tecnicamente bem qualificadas, mas pessoalmente sem essa
personalidade marcante, aberta e comprometida com o que faz e com as pessoas que fazem
com ele.
Antes de iniciar em sua empresa um processo qualquer de redução de custos, ou de
caça a novos talentos, lembre-se que o diploma não garante a verdadeira qualidade da pessoa,
e que nem sempre a troca de uma pessoa sem diploma por outra com formação acadêmica dá
bons resultados.
Sem "inteligência prática", dificilmente um executivo vai alcançar bons níveis de
humanização e espiritualidade no ambiente de trabalho.

4. E eu com isso? Ou "a ratoeira".

Apesar dos esforços que muitas empresas têm feito para uma melhor comunicação
interpessoal de seus colaboradores, procurando implantar a colaboração espontânea e o
trabalho em equipe, ou seja, tentando equilibrar a competição com a colaboração, ainda

58
Marcus De Mario

encontramos, e em muito maior escala do que normalmente se imagina, o individualista


egoísta, tanto nos níveis diretivo, gerencial e funcional.
O individualista egoísta possui características bem marcantes:
1. Preocupa-se apenas consigo mesmo.
2. Só colabora com os outros por obrigação.
3. Visa sempre vantagens pessoais.
4. Estabelece fronteiras bem nítidas com outros setores da empresa.
5. Procura sempre destacar a sua importância.
6. Coloca em evidência o seu trabalho.
O individualista egoísta é capaz de derrubar seus companheiros de trabalho,
evidenciando a sua importância para a empresa, mesmo que isso não seja verdade.
Tive dois exemplos clássicos de individualismo egoísta em minha vida. O primeiro
aconteceu com um amigo pessoal do gerente, e que se aproveitava disso para passar o dia
contando piadas e histórias, perturbando a vida dos outros, e, claro, repassando obrigações.
Até que veio a notícia de um possível remanejamento de pessoal por conta de corte de custos
operacionais. Foi a pior semana que tivemos, não tanto por conta da notícia, mas porque ele,
nosso individualista egoísta, literalmente transformou o ambiente de trabalho num verdadeiro
inferno, pois, segundo seus argumentos, tinha três filhos para criar e sua experiência era
imprescindível para a empresa. Tanto fez, tanto falou, que acabou apadrinhado pelo
superintendente, por conta da influência do seu amigo gerente. Resultado: ele ficou, enquanto
três importantes funcionários foram demitidos.
Outro exemplo significativo é o de um diretor incapaz de reconhecer méritos em seus
gerentes. E quando, de fato, o mérito era do gerente, ele assumia o trabalho, desviando
funções, não permitindo que a gerência continuasse à frente das ações. Acumulava, assim,
méritos que não eram seus.
É por causa do individualista egoísta que, vez e outra, ouvimos a famosa sentença: "E
eu com isso?".
Isso lembra a história do rato, assustado com a colocação de uma ratoeira na casa.
Comunicou o fato à galinha, ao porco e à vaca, mas todos eles disseram que nada podiam
fazer, que a ratoeira não os prejudicava, que isso não os colocava em perigo, ou seja, o
problema era apenas do rato. Entretanto, a dona da casa foi picada por uma serpente que
ficara presa na ratoeira, voltou do hospital e precisou de uma canja, sendo sacrificada a
galinha. Como recebeu muitos vizinhos e amigos em visita, o marido matou o porco para
alimentá-los. Com a piora da saúde e o falecimento da mulher, o funeral foi concorrido. O
fazendeiro, então, sacrificou a vaca para alimentar todo aquele povo.
Moral da história: na próxima vez que você ouvir dizer que alguém está diante de um
problema, e acreditar que o problema não lhe diz respeito, lembre-se de que, quando há uma
ratoeira na casa, toda a fazenda corre risco.

59
Gestão Humanizada de Pessoas

Entendeu? Então aplique a lição, imediatamente, no seu ambiente de trabalho, para que
o grupo, o time ao qual você pertence, seja mesmo uma equipe, senão...

60
Marcus De Mario

15

Programa Afetividade,
Convivência e Espiritualidade
Apresento, como subsídio, este programa, especialmente desenvolvido para aplicar nas
empresas a gestão humanizada de pessoas.

Justificativa
A dimensão espiritual do homem, na sua transcendência como ser integral deve
caracterizar as relações interpessoais e intergrupais na sociedade do terceiro milênio, quando
a ética, a justiça, a cidadania e o bem-estar formarão novo paradigma social.

Finalidade
Redimensionar as relações trabalhistas e de produção, humanizando-as, tornando a
empresa parceira do homem.

Objetivos
1. Capacitar as gerências a se relacionar com os colaboradores de forma afetiva,
respeitando a individualidade e construindo um ambiente coletivo prazeroso e mais produtivo.
2. Trabalhar dinâmicas e práticas educativas e motivacionais de estímulo à auto-estima
e ao relacionamento interpessoal ético.
3. Equilibrar o processo produtivo com o processo de humanização das relações
sociais.
4. Trabalhar a espiritualidade do homem para que ele pratique consigo mesmo, com o
próximo e com a sociedade seu potencial criativo e afetivo na resolução de conflitos e
construção de novos ideais de convivência.

Visão
A empresa do futuro, ética e socialmente responsável, é a empresa que estimula e
respeita o homem integral.

Lema
Humanizar para espiritualizar.

61
Gestão Humanizada de Pessoas

Público Alvo (Clientela)


Todas as pessoas envolvidas no trabalho de uma empresa, do porteiro ao diretor-
presidente.

Metodologia
Palestras
Seminários/Treinamentos
Cursos
Roteiros Práticos
Workshops de Avaliação

Contato
marcusdemario@gmail.com

62
Marcus De Mario

16

Resultado dos Testes

PERCEBENDO SUA INTELIGÊNCIA INTRAPESSOAL

De 0 a 6 – baixíssima inteligência intrapessoal, precisando desenvolvê-la.


De 7 a 12 – está fraco para regular e, portanto, ainda tem muito que fazer e aprender.
De 13 a 20 – apresenta uma acentuada inteligência intrapessoal.
Acima de 20 – está com uma inteligência intrapessoal bem desenvolvida, sem problemas.

TESTANDO SUA LIDERANÇA

De 7 a 14 – você não é um bom líder.


De 15 a 21 – você é um líder razoável, pode melhorar.
De 22 a 28 – você é um bom líder.
De 29 a 35 – você é um líder servidor, parabéns.

PERCEBENDO SUA INTELIGÊNCIA INTERPESSOAL

De 0 a 5 – baixíssima inteligência interpessoal.


De 6 a 10 – baixa inteligência interpessoal.
De 11 a 15 – nível regular de inteligência interpessoal.
De 16 a 21 – bom nível de inteligência interpessoal.
Acima de 21 – excelente nível de inteligência interpessoal.

AMBIENTE CORPORATIVO

Quanto mais “sim”, problemas a serem resolvidos.


Quanto mais “às vezes”, necessidade de mais diálogo.
Quanto mais “não”, ambiente aproxima-se da excelência.

63
Gestão Humanizada de Pessoas

TESTE SEU AUTOCONHECIMENTO

Com o resultado, medite sobre os itens assinalados “sim” e “às vezes”, reveja posturas e refaça
seu projeto diário de vida, com o objetivo de conseguir, paulatinamente, o maior número
possível de “não”.

64
Marcus De Mario

Bibliografia
Poderia indicar farta bibliografia referente aos assuntos desenvolvidos neste livro, mas
não é essa minha intenção, até porque parte do conteúdo é fruto de experiências pessoais ou
de terceiros e, também, de muita pesquisa e reflexão.
Deixo a você, leitor, a proposta de crer para ver, e não o contrário.
Aqueles já predispostos a uma mudança de filosofia de vida captarão rapidamente a
essência da mensagem.

65
Gestão Humanizada de Pessoas

Sobre o Autor

Marcus De Mario nasceu em São Paulo, capital, fixando residência, ainda na juventude,
na cidade do Rio de Janeiro.
É escritor, educador e consultor, tendo fundado em 1999 o IBEM – Instituto Brasileiro de
Educação Moral, organização não governamental sem fins lucrativos, do qual é Diretor Geral,
onde, através do Projeto Educação Moral para Formação do Homem, desenvolve a Pedagogia
da Sensibilidade, a Escola do Sentimento e o Programa Vivendo Sempre em Paz, realizando
palestras, seminários, oficinas de vivências e cursos (presenciais e a distância), sendo
igualmente editor da Revista ReConstruir, sobre educação.
Ainda através do IBEM desenvolve o Programa Afetividade e Convivência na Empresa
(PACE), onde trabalha a gestão humanizada de pessoas e a liderança espiritualizada junto a
empresas. Coordena, através da Internet, as atividades do Portal Orientação Espírita. É sócio-
diretor da Interior da Alma Editora.
Para conhecer o trabalho de Marcus De Mario, acesse os seguintes sites:

Instituto Brasileiro de Educação Moral


www.educacaomoral.org.br

Portal Orientação Espírita


www.orientacaoespirita.org

Blog
http://analiseecritica.blogspot.com

66
Marcus De Mario

Adquira os lançamentos de

Marcus De Mario

Livros eletrônicos (Ebook) e impressos nas áreas de:

Educação
Auto-Ajuda
Gestão de Pessoas
Romance
Espiritualismo
Espiritismo

Conheça nosso catálogo em


www.marcusdemario.com.br

Faça seu pedido:


Telefone: (21)3381-1429
Email: marcusdemario@gmail.com

67