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ECONOMIA DA TECNOLOGIA

Segundo Peter Drucker, a historia da humanidade é composta por ciclos de mudanças. Tais
ciclos teriam segundo o especialista em gestão a duração de algo em torno de 200 anos, ou
seja, ocorreriam mudanças significativas no nosso modo de vida a cada dois séculos.

Se iniciarmos nossas observações ainda no século XIII veremos a formação das guildas
municipais de artesãos, a humanidade aglomerando-se nos burgos e o surgimento de uma
arquitetura eminentemente urbana. Essa mudança na forma de organização social acabou
proporcionando um retorno da valorização do saber clássico. Por enquanto o saber não tinha
aplicação concreta, aplicava-se apenas à satisfação da vaidade. Temos a criação das primeiras
universidades. Como conseqüência destas mudanças veremos um mundo onde o sistema
feudal foi aos poucos enfraquecendo-se, onde os confortos da vida urbana demandava
produtos diferentes daqueles disponíveis localmente; essa demanda impulsionou um comércio
de longa distância com o oriente e, esse movimento criou uma nova classe de poderosos que
viria a substituir os senhores feudais e promover a centralização do poder em muitas nações.

As mudanças vistas anteriormente foram, como sempre ocorre com a humanidade, a mola
propulsora para os eventos que marcaram o século XV. Começando pela importação do saber
oriental, pela invenção da imprensa e passando pela crescente valorização do saber no
ocidente o mundo viu as engenharias ganharem importância renovada na vida urbana e frente
às necessidades da indústria naval. No campo das humanidades tivemos o movimento
renascentista, a reforma de Lutero e contra reforma da igreja católica. O estudo do céu, a
pólvora, o astrolábio e a bússola são exemplos de como o conhecimento foi aplicado para
permitir uma expansão do mundo conhecido. Essa expansão de mundo junto com o
fortalecimento do poder central em muitas nações teve como conseqüência o surgimento do
mercantilismo enquanto pensamento econômico dominante. E, foi justamente o capital
acumulado pelos mercantilistas, apoiados em sua incipiente tecnologia que permitiu o salto
seguinte.

Século XVIII, convulsionante. Não há outro meio de descrever esse século. A revolução
americana criando os Estados Unidos da América, o aperfeiçoamento da máquina a vapor por
Watt e o uso desta como nova força motriz para as fábricas que comporiam a revolução
industrial. Até então o grande problema com as outras fontes de força motriz para as fábricas
era que somente se conheciam o poder das rodas d’água e dos moinhos de vento, ambos os
tipos determinavam a locação da empresa; com a máquina de Watt os empreendimentos
puderam acompanhar onde estava a demanda. Essa transição, do uso das forças naturais para
o uso de um motor artificial, marca o início da forte urbanização. Marca uma nova era onde o
conceito de poder até então atribuído à propriedade do fator produção Terra desloca-se em
direção aqueles que detêm o fator de produção Capital.
A história que se segue foi estudada à exaustão: aquilo que os pensadores socialista
enxergaram como o grande conflito entre Capital e Trabalho, tendo a terra apenas como
coadjuvante nessa fase da história econômica.

Avançando duzentos anos no futuro vamos analisar o período logo após a primeira guerra
mundial. Uma época quando os principais capitães da indústria, os homens mais poderosos
do ponto de vista econômico, chegam ao fim de suas vidas. Rockefeller, Ford, Krup, por
exemplo, viram seus legados enfrentarem o problema da transferência de poder. A solução
encontrada para isso foi a contratação de gerente profissionais. Uma nova classe de
trabalhadores que viria tendo como missão a aplicação do conhecimento sobre a produção. A
função dos gerentes era aplicar seus conhecimentos de gestão, advindos principalmente dos
estudos de Taylor, para racionalizar as atividades dos empreendimentos que comandam e,
desse modo conseguirem maximizar seus ganhos de escala.

O século XX foi uma época de convulsão, nunca a humanidade passou por tantas e tão rápidas
mudanças. O foco e, ao mesmo tempo o motor, dessas mudanças foi o conhecimento. Depois
da segunda guerra mundial entramos no que se convencionou chamar de a “revolução da
produtividade”. E isso foi o auge do conhecimento aplicado à racionalização do trabalho.
Mas, o conjunto homem x máquina tinha suas limitações e, o limite havia sido alcançado.
Não era mais possível aumentar os ganhos de escala pelo simples fato de que havia sido
atingido o ponto crítico da curva de lucro marginal. Para continuar aumentando os lucros
algo diferente havia que ser tentado. Agora, ao invés de incrementar a produção o que restou
fazer foi incrementar o valor adicionado a cada unidade produzida.

E, para aumentar a o valor agregado de cada produto era preciso mais do que nunca a
aplicação intensiva do conhecimento. Novas formas de pensar tinham que ser colocadas em
prática. Mais do que apenas descobrir novas necessidades das pessoas, essas novas
necessidades tinham que ser suscitadas. Para conseguir isso a forma tradicional de trabalhar a
criatividade já não bastava mais. Era preciso uma criatividade que ia além da capacidade
individual. Era o fim do indivíduo como fonte e receptáculo de saber, de conhecimento. O
conhecimento para a nova economia era coletivo, fenômeno que somente foi possível com o
advento das novas tecnologias de comunicação.

Vejamos alguns dos paradigmas dessa nova economia, aquilo que Peter Drucker chama de
“Sociedade Pós Capitalista” e Don Tapscott chama de “Capital Digital”:

Inteligência Coletiva:

Inteligência coletiva é um conceito surgido a partir dos debates promovidos por Pierre Lévy
sobre as tecnologias da inteligência, caracterizado por um novo tipo pensamento sustentado
por conexões sociais que são viáveis através da utilização das redes abertas de computação da
Internet. A disseminação de conteúdos enciclopédicos sobre plataformas Wiki é um exemplo
da manifestação desse tipo de inteligência, na medida em que permite a edição coletiva de
verbetes e sua hipervinculação.

Segundo Pierre Lévy,


É uma inteligência distribuída por toda a parte, incessantemente valorizada,
coordenada em tempo real, que resulta em mobilização efetiva das competências.
Acrescentemos à nossa definição este complemento indispensável: a base e o
objetivo da inteligência coletiva são o reconhecimento e o enriquecimento mútuo
das pessoas, senão o culto de comunidades fetichizadas ou hipostasiadas. Uma
inteligência distribuída por toda parte: tal é o nosso axioma inicial. Ninguém sabe
tudo, todos sabem alguma coisa, todo o saber está na humanidade.

São também características da inteligência coletiva o uso da interatividade, das comunidades


virtuais, dos fóruns, dos weblogs e wikis para construir e disseminar os saberes globais,
baseados no acesso à informação democratizada e sua constante atualização. Assim, as
produções intelectuais não seriam exclusivas de uma pessoa, país ou classe social isolada, mas
dos crescentes coletivos que têm acesso à Internet.

Segundo essa perspectiva, o professor do futuro desempenha o papel de estimular os alunos,


facilitando a troca de informações e a construção do conhecimento a partir do debate e da
crítica, aprendendo e ensinando simultaneamente. Com os recursos da Internet, fica cada vez
mais fácil lançar mão dessas possibilidades para ampliar (no tempo e no espaço) a inteligência
coletiva.

Como resultado de uma mobilização e integração dos conhecimentos globalmente dispersos, a


inteligência coletiva tende a desconcentrar os poderes e valorizar a participação de cada
indivíduo, resultando daí o reconhecimento e o enriquecimento cultural de todos.

A interconexão generalizada entre as pessoas tem chamado a atenção de muitos teóricos.


Temas como "inteligência emergente" (Steven Johnson), "coletivos inteligentes" (Howard
Rheingold), "cérebro global" (Francis Heylighen), "sociedade da mente" (Marvin Minsky),
"inteligência conectiva" (Derrick de Kerckhove), "redes inteligentes" (Albert Barabasi),
"inteligência coletiva" (Pierre Lévy), "capital social" (James Coleman e Robert Putnam) são
cada vez mais recorrentes nas análises e debates que apontam para uma mesma situação:
estamos em rede, interconectados com um número cada vez maior de pontos e com uma
freqüência que só faz crescer.

Coopetição:
Coopetição é um conceito de criação recente, formado pela junção das palavras competição
e cooperação, e que significa trabalhar em conjunto com os concorrentes de forma a
beneficiar das suas capacidades e características distintivas nos domínios da investigação &
desenvolvimento, produção, distribuição, entre outras. Este tema vem assumindo crescente
importância, motivado em especial pelos efeitos cada vez mais fortes do processo de
globalização das economias, obrigando as empresas a atuar num mercado cada vez mais
amplo e competitivo. Muitas empresas, reconhecendo a necessidade de cooperar e competir
em simultâneo, começam a encarar os concorrentes que produzem e vendem produtos e
serviços semelhantes ou complementares como potenciais parceiros de negócio.

As vantagens da coopetição são imensas e derivam essencialmente do aproveitamento de


diverso tipo de sinergias em algumas partes do processo, destacando-se as seguintes:

. Aumento da capacidade de produção;


. Redução do esforço de investimento;
. Maior flexibilidade;
. Maior velocidade na inovações tecnológicas;
. Acesso mais fácil a novos mercados.

Existem contudo também alguns riscos, entre os quais:

. Dificuldades da definição clara dos direitos e obrigações;


. Falta de espírito de cooperação;
. Risco de exposição de know-how.

Segundo o empresário do setor de tecnologia da informação Reilly Rangel:

Os empresários estão acostumados com as palavras concorrência, liderança de mercado, ROI (Retorno
sobre Investimentos), entre outras. Entretanto, no contexto atual e mundial, em que é valorizada uma
postura inovadora e com prioridades sociais, “coopetição” é uma nova palavra que faz parte do
vocabulário e do dia-a-dia dos empreendedores.

O termo “coopetição” é oriundo da junção dos conceitos cooperação com competição, e na prática
significa as parcerias da atualidade, que priorizam a soma dos benefícios de duas ou mais organizações
para se fortalecerem mutuamente.

Nessa nova lógica, há uma supremacia da coletivização humana. As empresas estão aprendendo a sair de
suas muralhas para buscar a formação de redes. A diversidade, unicamente encontrada na coopetição,
proporciona resolver as fragilidades existentes entre os participantes e a maximização da geração de
idéias.

No âmbito empresarial, a coopetição é uma das principais vertentes para a inovação. A conexão permite a
troca de experiências, a expansão dos horizontes e conseqüentemente descobrir onde está a inovação e o
que significa inovar.

Dentre tantas vantagens, o mundo corporativo reconhece a importância da inclusão, da soma e da


parceria. E o conceito de concorrente inimigo se enfraquece a cada dia, enquanto ganha força os termos
coopetição e teias de inovação. Nessa nova tendência, sai na frente quem abre espaço para o diálogo.

Como diz Basarab Nicolescu, um dos mais atuantes e respeitados físicos teóricos no cenário científico, é
preciso “resgatar à cultura e à sociedade um ser humano mais completo, capaz de enfrentar os desafios da
complexidade” – a intrincada teia de relações que caracteriza o mundo contemporâneo.
Neste contexto, é hora de se perguntar: “Quem nós somos?” e “Com quem estamos competindo?”.

Nós, empresários, somos mais que a infra-estrutura, somos mais do que produtos e serviços, somos mais
que tecnologia. Nós somos pessoas, somos sociedade, somos uma geração. E por isso, temos um
compromisso de inovarmos para deixar um legado de avanços, de melhoria na qualidade de vida, de paz e
de vida.

E se há um competidor, ele é aquele que nos impede de relacionarmos uns para com os outros e nos poda
em nosso objetivo de avançarmos para um mundo melhor.