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A ATUAÇAO DO PEDAGOGO NO TERCEIRO SETOR:

DESAFIOS NA FORMAÇÃO

FILHO, Valderes Souza – BAGOZZI


val.ideal@hotmail.com

CONTRERAS, Humberto Silvano Herrera – BAGOZZI


humberto.herrera@faculdadebagozzi.edu.br

Eixo Temático: Formação de Professores e Profissionalização Docente


Agência Financiadora: não contou com financiamento

Resumo

O trabalho tem como objeto de estudo a atuação do pedagogo no Terceiro Setor,


especificamente do seu trabalho de gestão nas ONGs (Instituições Não Governamentais).
Questiona-se sobre os desafios na formação do pedagogo para sua participação na elaboração,
desenvolvimento e avaliação de programas e projetos educacionais nas ONGs, sobre a
especificidade do seu trabalho e atuação na equipe multiprofissional tendo em vista a
diversidade de situações/contextos e atores sociais aos quais são direcionados os trabalhos das
ONGs. Para isso, primeiramente, discute-se o desenvolvimento do Terceiro Setor no Brasil
por meio das instituições sociais que trabalham com ações educativas, e uma síntese das
principais lutas políticas, perspectivas de trabalho e público a quem as ações se destinam. Na
sequência, descrevem-se as características do trabalho pedagógico nas ONGs frente aos
desafios da profissão nestes contextos educacionais emergentes. A pesquisa constitui-se a
partir do referencial bibliográfico de uma série de autores que discutem a formação e trabalho
pedagógico, principalmente das contribuições de Maria da Glória Gohn sobre a educação não
formal e o educador social. O artigo aponta que as perspectivas do trabalho do pedagogo nas
ONGs centram-se na gestão de programas e projetos sociais, especificamente na definição de
diretrizes, objetivos e metodologias que orientem as práticas educativas de intervenção com
os diferentes atores sociais. E ainda, considera necessário refletir a formação inicial e
continuada do profissional pedagogo na educação não formal a fim de definir com clareza a
construção de instrumentos metodológicos de avaliação e análise das ações que vem sendo
realizadas nas ONGS.

Palavras-chave: Formação do Pedagogo. Terceiro Setor. ONGs. Projetos Sociais.

Introdução

A partir da década de 1990 o Terceiro Setor em crescimento tem exercido papel


relevante diante das novas oportunidades de trabalho. No Brasil tem se estruturado como
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instituições sociais que possuem como foco o desenvolvimento de atividades


socioeconômicas, educativas e culturais, com a intenção de criar novas expectativas para a
criança, o adolescente e o adulto (PEREIRA, 2006). Frente a esta perspectiva, a pesquisa
desenvolveu-se com o intuito de delinear o perfil e a função que o pedagogo exerce dentro das
ONGs que visam o desenvolvimento social dos indivíduos, e de como esta participação frente
às exigências de uma sociedade capitalista configura-se no trabalho social (GOHN, 2006).
Observam-se também transformações no perfil dos profissionais na área da educação,
especificamente nos pedagogos. O curso de Licenciatura em Pedagogia passa por alterações,
englobando em seu currículo a formação e conhecimentos para atuar no Terceiro Setor,
abrindo novas possibilidades de trabalho e desenvolvimento da profissão (CERONI, 2006).
De acordo com as Diretrizes Curriculares Nacionais para o Curso de Pedagogia (2006), art.
4º, o pedagogo trabalha, “em espaços escolares e não-escolares, na promoção da
aprendizagem de sujeitos em diferentes fases do desenvolvimento humano, em diversos níveis
e modalidades do processo educativo” (BRASIL/CNE, 2006).
É visível na sociedade contemporânea a existência de uma série de práticas educativas,
e desde que estejam inseridas em seu processo uma intencionalidade ou finalidade, é possível
classificar seu aspecto como pedagógico, delineando assim diferentes campos para a atuação
do pedagogo (LIBÂNEO, 2008). Nesta perspectiva Franco (2008) conclui que a formação do
pedagogo clama por novas estratégias e compreensão sobre as demandas sociais, para intervir
nas práticas e contribuir na concretização do conhecimento, uma vez que a Pedagogia
concentra-se na “organização e a concretização dos meios e processos educativos da
sociedade” (FRANCO, 2008, p. 114).

Educação no Terceiro Setor

O Terceiro Setor no Brasil manifesta-se através de organizações sociais que


desenvolvem ações socioeconômicas, educativas e culturais direcionadas para assessorar
diversos grupos e atores sociais no desenvolvimento humano integral e na prevenção dos
problemas sociais (CERONI, 2006). Gohn (2006) destaca que entre estas instituições uma
quantidade significativa é formada por ONGs1 sem fins lucrativos, que desenvolvem ações

1
ONGs são grupos sociais organizados com fins públicos não voltados para o lucro. Segundo o Código Civil,
Lei 97.970/99, Art. 53, constitui-se associações pela união de pessoas que se organizem para fins não
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visando, principalmente, o respeito aos direitos dos cidadãos na conscientização e cuidado


com o meio ambiente.
Este novo setor na economia surgiu com a intenção de suprir deficiências e amenizar
as lacunas deixadas pelo Estado na demanda social (SILVA, 2007). Diante desta realidade o
governo busca parcerias com empresas privadas, diminuindo o valor dos impostos e taxas,
mediante o investimento em programas e projetos sociais. Isso incentiva grandes e médios
empresários a disponibilizarem recursos para auxiliar nas questões que envolvem o
atendimento a sociedade (PEREIRA, 2006). Assim constitui-se uma nova organização que
assume a responsabilidade de gerenciar e organizar o trabalho voltado às necessidades sociais:
as ONGs, instituições que caracterizam um setor ‘como privado, porém público’ (GOHN,
2008).
Ao término da Segunda Guerra Mundial o termo ‘ONG’, incorporou-se às
Organizações das Nações Unidas (ONU) e se referia a um imenso número de entidades que
não estavam ligadas ao governo (GOHN, 2008). Na década de 70 e 80 na América Latina,
principalmente no Peru, as ONGs lutavam pelo desenvolvimento, no Chile e no Brasil, contra
sistema político de regime militar. Nesta ocasião nascem as ONGs “Cidadãs Militantes”
estimulando a participação da sociedade na luta por direitos, dignidade e respeito (PEREIRA,
2006). As ONGs no Brasil tiveram participação crucial na derrota do regime militar, e
contribuíram para que a transição de governo ocorresse de forma democrática (GOHN, 2008).
No Brasil, após o abandono da oligarquia militante, o Estado abriu espaço para
parcerias com a sociedade civil, possibilitando assim o aumento das ONGs (GOHN, 2008).
Contudo, devido à falta de recursos e modificações nos critérios e diretrizes, surgiu uma série
de incertezas que motivaram a busca por recursos favoráveis, fortalecimento e novas
estratégias que garantissem a ascensão aos recursos públicos (PEREIRA, 2006). Entre estas
inovações podem-se destacar as mudanças no setor associativista e das organizações
populares, onde é possível visualizar o nascimento de uma nova parceria entre colaboradores,
proporcionando também novas articulações entre ONGs, governos e empresários.
Constitui-se uma nova estrutura para as ONGs, e muitas se uniram aos ideais
socialistas atuando na “cultura política, nos valores de uma sociedade e seu campo de

econômicos. Vale ressaltar que Fundações, Associações, Organizações podem ser consideradas ONGs, porém a
verdadeira nomenclatura é OSCIPs (Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público).
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juridização” (GOHN, 2008, p.75). Surge neste momento a necessidade de qualificação do


quadro de profissionais que estavam à frente dos projetos, pois eram os mesmos que
garantiam o sucesso das ações e asseguravam a captação e o recebimento de novos recursos
para a prosperidade da entidade. Vale ressaltar que a partir dos anos de 1990 o Banco
Mundial, acedeu financiamentos e parcerias com as ONGs afirmando que o melhor caminho
para ser percorrido é o da parceria, pois ambos visam resultados similares (PEREIRA, 2006).
Sobre isso, Gohn (2008) ressalta que em 1994, 50% dos financiamentos realizados no Brasil
já envolviam ONGs com objetivos diversificados, e que o Terceiro Setor assumiu a
característica de “um novo setor da economia, o da economia social” (GOHN, 2008, p. 80).
A década de 1990 não foi marcada somente por crescimento e prosperidade, uma vez
que a nova estrutura desencadeou entre os movimentos sociais urbanos um período de crise
econômica, “entre velhos e novos atores sociais na busca por um espaço na arena
sociopolítica existente” (GOHN, 2008, p. 90). Os líderes dos movimentos sentiram-se
pressionados, pois o governo assumia a política neoliberal, que repercutiu no aumento do
desemprego, da pobreza e da violência. Essas determinações provocaram uma intensa crise
econômica nos movimentos populares e nas ONGs cidadãs, frente à desestabilidade que
impossibilitava a continuação de suas ações. Em busca de superação as ONGs alteraram seu
discurso e passaram a atuar como mediadoras focalizando suas ações em programas e projetos
participativos e não somente reivindicativos, não só em áreas sociais, mas em projetos
pontuais incluindo a mulher, a criança e o adulto, principalmente (GOHN, 2005).
Segundo Borell (2008) as ONGs na tentativa de superar a crise econômica, mascaram
a política neoliberal, que defende a separação do Estado em relação à economia, pois ao
estabelecer novas relações com o Primeiro e Segundo Setor assumem responsabilidades
políticas estatais, reafirmando ao setor privado o papel de solucionador das questões sociais,
fortalecendo os princípios neoliberais. Reconstrói-se a antiga idéia de organizações
voluntárias filantrópicas, para um novo sistema que combina ação voluntária com mão de
obra remunerada, o indivíduo atua de maneira informal, ajustando o tempo disponível e
organizando a transmissão de conhecimentos já adquiridos no decorrer de sua vivencia. Nesse
sentido, Gohn (2008, p.17) afirma que “as ONGs, via Terceiro Setor, entram para a agenda
das políticas sociais”, e que grande parte dos recursos provém de entidades privadas, públicas
ou ainda, por companhias nacionais e internacionais.
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A ABONG (Associação Brasileira de Organizações Não Governamentais) fundada em


1991 engloba um conjunto de associações com distintos objetivos e planos de ação. Com o
intuito de caracterizar o perfil e buscar uma sucessão de informações sobre cada uma das
variadas fundações que compõem o grupo, realizou uma pesquisa por meio de questionário
online em março de 2010, que obteve como amostra 189 associações, cerca de 70% das
instituições do quadro atual. Os resultados obtidos pela pesquisa2 mostraram que entre as
principais lutas políticas das ONGs encontram-se: educação (48,9%), organização e
participação popular (33,8%), relações de gênero (27%), justiça e promoção de direitos
(23,3%), meio ambiente (21,8%) e saúde (20,3%). Sobre as perspectivas de trabalho
destacam-se: desenvolver a consciência crítica (82%), transformar ações em políticas públicas
(57%), fortalecer entidades (53,1%) e solucionar problemas imediatos (9,4). Em relação ao
público a quem as ações destinam-se estão: organizações populares (54,8%), mulheres
(36,3%), crianças e adolescentes (32,9%), jovens (28,8%) e trabalhadores rurais (21,9%)
(GOUVEIA e DANILIAUSKAS, 2010).
Segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), com dados
correspondentes a 2002, as associações e fundações privadas sem fins lucrativos somavam o
total de 276 mil e empregavam em torno de 1,5 milhões de indivíduos, com o total de R$ 17,5
em remunerações. Em 2004 as organizações obtiveram entre 81% a 100% de financiamentos
internacionais, porém a pesquisa contemporânea mostrou uma queda de 66%. Os recursos
públicos federais que sustentavam em 2003 uma média de 16,7% das associadas aumentaram
para 37,4% em 2007, e na última pesquisa atingiram 71% (GOUVEIA e DANILIAUSKAS,
2010). Se em 2003, o Estado subsidiava 2,4% das organizações, em 2007 os investimentos
chegaram a 14,5% em relação ao número de associações beneficiadas, uma alta de quase
12%. As empresas privadas, institutos e fundações empresariais começaram a apoiar projetos
e disponibilizar recursos, em 2003 apenas 8,3% das instituições recebiam investimentos, em
2007 aumentou para 21,3% (GOUVEIA e DANILIAUSKAS, 2010).
Esse mapeamento sobre as ONGs, suas lutas políticas, perspectivas de trabalho,
público-alvos e financiamento, denotam, ainda que indiretamente, um campo profissional
mediado por programas e projetos sócio-educacionais, que prescindem de planejamento,
execução e avaliação, funções estas ligadas à gestão pedagógica.

2
Os resultados da pesquisa foram publicados no site: <http://www.abong.org.br>.
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O trabalho do pedagogo nas ONGs

A articulação entre saberes profissionais nas ONGs é necessária para que o processo
educativo aconteça de forma favorável e significativa, tendo em vista seus objetivos e
finalidades diferentes de acordo com as necessidades do público alvo (GOHN, 2010). Esta
tarefa caminha exatamente no campo da Pedagogia, ao estabelecer diretrizes à prática
educativa de forma produtiva, intencional, sistemática de acordo com as determinações da
sociedade (LIBÂNEO, 2008).
Saviani (2004, p. 58) enfatiza que “a Pedagogia é uma teoria construída a partir e em
função das exigências da realidade educacional” e, ainda que “a função política da educação
se cumpre na medida em que ela se realiza enquanto prática especificamente pedagógica”
(2008, p. 72). A Pedagogia, ‘teoria geral da educação’, interpenetra continuamente teoria e
prática: “a teoria vinculada aos problemas reais postos pela experiência prática e a ação
prática orientada teoricamente” (LIBÂNEO, 2008, p. 28). A Pedagogia é ‘práxis educativa’,
isto é, prática social intencionada (FRANCO, 2008; LIBÂNEO, 2008b) que se ocupa “dos
processos educativos [...], um campo de conhecimentos sobre a problemática educativa na sua
totalidade e historicidade e, ao mesmo tempo, uma diretriz orientadora da ação educativa”
(LIBÂNEO, 2008b, p. 29).
Sendo assim, o curso de Pedagogia possui como principal finalidade a formação do
educador, mas não somente um tipo de educador, e sim profissionais com habilitação
polivalente capaz de confrontar-se com os desafios impostos pela realidade educacional
contemporânea. Assim os profissionais da educação poderão estar inseridos na área da
educação formal e não formal, viabilizando o desenvolvimento de ações voltadas a
diminuição das desigualdades sociais (SAVIANI, 2004). Nessa perspectiva, Gohn (2010) e
Martins (2010) destacam que o ‘educador’, no sentido amplo, é aquele que educa, realiza e
desenvolve a ação educativa e luta por uma educação justa e igualitária para todos
independente de sua classe social ou status. O educador social precisa ajudar “a construir com
seu trabalho espaços de cidadania” (GOHN, 2010, p. 52). Na modalidade não formal os
profissionais que desenvolvem atividades pedagógicas em ONGs podem ser denominados
“formadores, animadores”, “trabalhadores sociais”, “facilitadores da aprendizagem” (GOHN,
2010), “educadores sociais” (ROMANS, 2003), “agentes educativos, multiplicadores”
(ALMEIDA, 2006).
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No início deste século surgiram vários debates que envolvem a educação brasileira,
entre eles o da formação de profissionais que atuam na promoção da aprendizagem, exigindo
dos envolvidos um olhar crítico e reflexivo (ALMEIDA, 2006). De acordo com Perrenoud
(2002) citado por Almeida (2006), os profissionais que atuam na educação formal e não
formal devem se posicionar frente à sociedade como educadores transformadores da
realidade, pois desta forma sustentam um caráter reflexivo junto ao compromisso assumido
com a educação. Paulo Freire (1987) destaca que o educador social traz em sua prática
pedagógica e política a não neutralidade, a decisão e a responsabilidade em desvelar o que
está oculto nas relações de poder que determinam a realidade.
O pedagogo precisa frente ao processo educativo – nas suas situações-contextos e
tensões sociais - assegurar as finalidades sociais e políticas e os meios apropriados para a
formação humana. Para Libâneo (2008) o caráter pedagógico está na determinação do rumo
do processo educativo global, conjugando fatores internos e externos ao processo de ensino-
aprendizagem. O autor comenta que considerando a diversidade do campo de atuação que
agrega o profissional com formação em Pedagogia, é necessário analisar as dificuldades e os
desafios que cada área demanda. Os exercícios profissionais desta categoria não podem ser
iguais, mesmo que todos estejam comprometidos com o desenvolvimento de práticas
pedagógicas. Os objetivos e realidades precisam ser integrados no sentido de promover a
aprendizagem, porém são diferentes as estratégias de trabalho que estes profissionais deverão
promover em cada ambiente, com a intenção de suprir a necessidade dos indivíduos
envolvidos. Com isto justifica-se a formação dos profissionais da educação não diretamente
docentes, ou seja, níveis diferenciados de prática pedagógica solicitam uma multiplicidade de
conhecimentos administrativos e pedagógicos e saberes específicos sobre o trabalho
desenvolvido. Enfim, “reconhecer que há processos de formação que extrapolam o campo da
educação escolar, formal propriamente dita, e clama-se pela formação de um outro
profissional” (GOHN, 2010, p. 31). Sobre isso, Franco (2008, p. 58) afirma que “quanto mais
adequado for o nosso conhecimento da realidade, tanto mais adequados serão os meios que
dispomos para agir sobre ela”.
O curso de Licenciatura em Pedagogia na atualidade assume novo aspecto, sucederam
modificações acrescentando em suas diretrizes de formação um perfil diferenciado para o
Pedagogo, que passa a agregar em sua graduação conhecimento para atuar tanto na área da
educação formal quanto não formal.
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Frente a essa realidade, Collares (2009, p. 5) afirma que

A atribuição do papel do pedagogo está relacionada a oportunizar aos adolescentes e


adultos, novas experiências, a fim de que eles possam fortalecer o vínculo familiar e
comunitário, descobrir novas potencialidades, bem como fortalecer o
autoconhecimento e a autoestima. Dessa maneira, o indivíduo percebe que, enquanto
sujeito de direitos, pode alcançar cidadania plena mediante da participação social e
comunitária ativa.

As ONGs buscam parcerias por meio de projetos sociais, desenvolvem ações onde o
governo atende a população de forma superficial, não suprindo desta forma as reais
necessidades da comunidade, buscam oportunidades para apresentar novas ideologias na
tentativa de conquistar mais investimentos (GOHN, 2010).
Sobre isso, Gohn (2010, p. 41) afirma:

É necessário deixar de ser dependentes de práticas políticas do passado. A


autonomia deve capacitá-los a inserir-se no contexto social e a compreender as
circunstâncias da vivencia social, econômica, cultural e ética na globalização. Estes
desafios remetem à figura dos sujeitos coletivos da sociedade civil organizada.

A autora destaca que esta reflexão remete uma visão ampliada sobre o papel das
instituições não-governamentais frente à sociedade contemporânea que não se trata em
hipótese alguma em competir com o Estado, sua finalidade esta relacionada à promoção de
parcerias, adquirindo desta forma recursos para desempenhar com autonomia o real papel das
entidades, proporcionando a recuperação de valores e mudanças comportamentais capazes de
desenvolver no indivíduo habilidades para enfrentar dificuldades, mas com aptidões para
recriar as condições concretas de sobrevivência diária a partir de outros embasamentos,
trazendo alternativas e perspectivas inovadoras. Conforme Silva (2007), este novo campo
abre espaço para atuação do pedagogo, onde principalmente desenvolve e elabora projetos
educacionais, planeja ações da instituição e presta suporte pedagógico, podendo também,
desempenhar o papel de educador social.
Os projetos sociais englobam em seu território de atuação uma diversidade de
profissionais, entre eles, o pedagogo. Alguns desses profissionais atuam em associações
regidas por normas, regras e recebem salário fixo como em qualquer outra empresa, enquanto
que outros profissionais atuam como voluntários. Estes em muitos casos exercem um trabalho
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paralelo e não disponibilizam de muito tempo para estarem participando das reuniões
pedagógicas, onde o profissional com formação específica em Pedagogia desenvolve projetos,
organiza os temas que serão trabalhados, seleciona o material didático e orienta os educadores
sobre as metodologias que favorecem a aprendizagem. As ONGs apresentam-se como
espaços favoráveis para o pedagogo promover a educação não formal, pois, possui maior
flexibilidade em relação há tempos, espaços, métodos e conteúdos (COLLARES, 2009;
LIBÂNEO, 2008).
É relevante ressaltar a ausência de formação específica dos educadores sociais que
desenvolvem ações junto à educação não formal. O ideal que a formação destes profissionais
caminhasse ao encontro do papel que eles desempenham, ou que estivesse à frente do
processo um profissional com formação específica em organização e direcionamento
pedagógico para estar orientando questões relacionadas ao domínio das metodologias,
apropriação das finalidades, mapeamento da educação não formal e conhecimento sobre a
realidade social do público-alvo, etc. (GOHN, 1998; 2010; LIBÂNEO, 2008). Vale destacar
que no Brasil cerca de dois milhões de educadores sociais estão exercendo trabalhos sócio-
educativos com a comunidade sem ter recebido formação adequada para desenvolver tais
práticas (SILVA; NETO; MOURA, 2009).
Sobre isso, Gohn (1998, p. 521) afirma que,

Ao estudarmos a educação não-formal desenvolvida junto a grupos sociais


organizados, ou movimentos sociais, devemos atentar para as questões das
metodologias e modos de funcionamento, por serem aquelas um dos aspectos mais
relevantes do processo de aprendizagem.

Questões relacionadas às metodologias merecem ênfase, pois geram debates na


educação não formal. Mas, independente da direção metodológica construída ou reconstruída,
é de extrema seriedade considerar o papel dos ‘facilitadores da aprendizagem’, estes
profissionais que na atualidade podem ser considerados como “educadores, mediadores,
assessores, facilitadores, monitores, referências, apoios ou qualquer outra denominação que se
dê para indivíduos que trabalham com grupos organizados ou não” (GOHN, 2010, p. 47).
Para isso, é importante compreender alguns aspectos da Pedagogia Social que precisam ser
direcionados, e dedicar atenção especial aos fazeres pedagógicos dos sujeitos que promovem
a educação não formal em espaços sócio-educativos.
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Neste sentido Gohn (2010, p. 47) complementa:

Estes são fundamentais na marcação de referenciais no ato de aprendizagem, eles


carregam visões de mundo, projetos societários, ideologias, propostas e
conhecimentos acumulados etc. Eles se confrontarão com outros participantes do
processo educativo, estabelecerão diálogos, conflitos, ações solidárias etc.

Conforme Ceroni (2006) é neste momento de articulação com novos atores sociais e
saberes distintos que o educador social percebe que a transformação não se restringe somente
em ensinar o aluno fora do âmbito escolar, mas incluir-se neste círculo que promove troca de
conhecimentos, vivenciando novas práticas, descobrindo habilidades desconhecidas e
competências fora do espaço escolar. É nítida a importância de se repensar em uma formação
que abranja novos educadores, que articule a dimensão técnica com a ética, a estética, a
política e a prática escolar, e que propicie informações sobre o significado do educar, seja em
espaços formais ou não formais, propiciando ao educador uma visão sobre as características
de cada uma das modalidades a partir das necessidades concretas dos atores sociais.

Considerações finais

A partir da nova realidade que o Terceiro Setor propiciou para o trabalho pedagógico
em diferentes áreas, contextos e públicos, buscou-se por meio da pesquisa compreender qual a
atuação do pedagogo nas ONGs, e quais as perspectivas e desafios da profissão na atualidade.
O profissional pedagogo junto às ONGs desenvolve e elabora projetos educativos, planeja
ações da instituição, presta suporte pedagógico, busca parcerias, entre outras ações. O
trabalho do pedagogo está direcionado a oportunizar novas experiências educativas a crianças,
adolescentes, jovens e adultos, auxiliar no fortalecimento do vínculo familiar e comunitário,
viabilizar a descoberta de novas potencialidades e fortalecer a autoestima dos sujeitos.
Percebe-se também mudanças na organização do trabalho pedagógico na educação não
formal, para um cenário de aprendizagem, onde o educador e o educando, participam juntos, e
tornam-se parceiros e coparticipantes no processo. Assim, ensinar não é transferir saberes,
mas arquitetar possibilidades para a sua produção e construção dentro e fora do espaço
escolar.
Este estudo sinaliza que compromissos devem ser assumidos com a formação do
profissional pedagogo, permitindo aos envolvidos na pesquisa e na formação destes
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profissionais a visão dos diversos aspectos que englobam o perfil que este profissional assume
na atualidade. Acredita-se ser fundamental formar este profissional para a atuação em
diferentes contextos sociais, possibilitando visão ético-profissional relacionada à
responsabilidade social e política na construção de uma sociedade solidária e justa. Nesse
sentido é preciso incentivar a investigação de situações educativas que ocorrem em ambientes
não escolares, capacitar para elaboração, desenvolvimento e avaliação de programas e
projetos educativos, que considerem a diversidade sócio-cultural e as necessidades sociais dos
diferentes espaços da vida em sociedade.
Outro aspecto interessante é o perfil e as competências deste profissional para atuação
no Terceiro Setor, como: conhecimento e experiências relativos à gestão participativa e
educação comunitária; compreensão do processo histórico-social, administrativo e
operacional em que está inserido; competência técnica para planejar, organizar, liderar e
avaliar programas e projetos sociais e; habilidade para enfrentar desafios, administrar
conflitos, buscar parcerias e captar recursos.
Este estudo proporcionou uma reflexão sobre a formação inicial e continuada do
pedagogo, frente às demandas da profissão nas situações/contextos não escolares, uma vez
que as novas propostas das Diretrizes Curriculares para o curso de Pedagogia (2006)
ressaltam a atuação do pedagogo na educação não formal. Porém, esta condição precisa sair
das entrelinhas desta resolução, a fim de repensar a formação profissional do pedagogo, uma
vez que, contextos diferenciados requerem saberes específicos. A necessidade de redefinir
com clareza a construção de instrumentos metodológicos de avaliação e análise das ações que
vem sendo realizadas aponta a urgência de uma especialização que prepare para estes novos
contextos sociais.
Cabe destacar que existem poucas produções em relação à formação e o trabalho dos
profissionais nas ONGs, até mesmo pelas discussões em torno do reconhecimento da
profissão de educadores/pedagogos sociais, e ainda que, existam muitos trabalhos nas ONGs
em torno às práticas que nelas acontecem por meio de programas e projetos sociais, poucas
reconhecem a formação e a especificidade do trabalho do profissional pedagogo no Terceiro
Setor frente às demandas postas pela Pedagogia social.
Sendo assim, a pesquisa abre possibilidades para a produção de novas pesquisas na
área a partir dos relatos de experiência dos próprios pedagogos que já trabalham nas ONGs,
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das suas percepções sobre a formação, atuação profissional e ações desenvolvidas no Terceiro
Setor.

REFERÊNCIAS

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