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UNIVERSIDADE ESTADUAL DO CEARÁ – UECE

CENTRO DE EDUCAÇÃO – CED


CURSO DE PEDAGOGIA

EDUCAÇÃO INCLUSIVA E DIVERSIDADE


IEDA PRADO

RESENHA
LANIELLY KAROLINY DA COSTA RODRIGUES

Fortaleza – CE
2017
RESENHA:

A primeira cena do filme se passa em uma casa de tratamento para pessoas


com deficiências físicas, como a deficiência motora de Rory O’Shea e a paralisia
cerebral de Michael Connolly. Observamos que Michael se comunica através de uma
tabela, onde os próprios cuidadores não tem paciência de saber o que ele quer dizer
por que demora muito até ele conseguir formar uma palavra. Outro aspecto importante
de analisarmos é a hora do “entretenimento”, na qual todos estão na sala assistindo um
desenho infantil, como se na verdade eles merecessem ser tratados como crianças, já
que não possuem certas habilidades por conta de suas deficiências.

O personagem Rory é tratado como um rebelde inconsequente por querer ter


suas próprias vontades, além das regras estabelecidas, muitos o tratam como um
irreverente, mas na verdade ele pretende através do seu comportamento provocar nas
pessoas uma resposta que seja condizente com a pessoa dele, e não com a deficiência
dele, pois o que ele deseja é ser tratado de forma igual como outras pessoas são. Já
Michael Connolly, órfão de mãe e abandonado pelo pai, se acostumou com a vida
monótona que aquele ambiente lhe oferecia, sem se quer questionar nada antes da
chegada de Rory.

Inicialmente, é transmitido a ideia de que pessoas com especificidades físicas


não são capazes de gerir suas vidas, e sempre depende de alguém, além disso devem
ser segregadas e tratadas diferentemente. Impossibilitando assim a capacidade de
desenvolvimento e interação social.

Quando todos já estavam acostumado a “ordem e a disciplina” Rory chega


expressando as suas vontades e desejos, os quais no início serão reprovadas por
Michael, mas no momento em ele experimenta a realidade diferente apresentada por
Rory, ele percebe algo muito além dessa “ordem” que deve ser seguida sem questionar.
Nos deparamos então a uma outra cena curiosa, onde Rory e Michael estão num bar, e
Rory insulta um desconhecido, porém nada lhe acontece por estar numa cadeira de
roda.

A partir disso fica evidenciado que pessoas diferentes devem ser relevadas até
mesmo por atos errados, simplesmente pelo fato de serem deficientes. É como se eles
merecessem a nossa compaixão e cuidado incondicional, não por termos afeto e sim
porque são deficientes, e sim já basta. Tal perspectiva é preconceituosa, por que assim
dividimos os seres humanos em “os normais” e “os anormais”.
Após conseguirem a autorização para viverem independentemente, Rory e
Michael passam a ter a vida que desejam, apesar de em certos momentos o preconceito
ainda está pertinente na trama do filme, como uma cena em que Rory transgrede uma
lei de trânsito e o policial se recusa a prendê-lo por ser deficiente, ele então implora para
ser preso, não por que ele quer ser um delinquente, mas sim por que deseja ser tratado
como uma pessoa normal e ser visto além de um simples cadeirante.

Por fim, Rory é uma lição de vida para o seu amigo Michael, na qual ele aprendeu
que ele pode ser diferente, mas isso não pode impedi-lo de ter uma vida que ele queira
ter.
REFERÊNCIA

LUSTOSA, Francisca Geny; PIRES, Marcia Gardenia Lustosa. Análise do Filme Os


Melhores Dias de Nossas Vidas: Pressuposto Teórico para o Debate na Formação de
Professores Inclusivos.