Você está na página 1de 196

Copyright texto © 2014 Bárbara Falcón

Copyright fotos © 2014 Carol Garcia


Copyright © 2014 Pinaúna Editora

Pesquisa e Texto: Bárbara Falcón


Fotos: Carol Garcia
Assistente de Pesquisa: Jorge Dubman
Capa: Ricardo Fernandes
Projeto Gráfico e Diagramação: Lucas Kalil
Edição de Texto: Gustavo Falcón
Edição de Fotografia: Fernando Vivas
Revisão: Christiana Fausto e Daniela Santana
Tratamento de Imagens: Marcelo Campos
Produção Gráfica: Carolina Dantas
Tradução: Bruna Hercog, Clara Falcón, Giulia Pegna e Sílvia Teles

Direitos desta edição reservados à Pinaúna Ideias Integradas Ltda.


(71) 3624-1048 • www.pinaunaeditora.com.br

CIP-BRASIL. CATALOGAÇÃO NA PUBLICAÇÃO


SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ

F172g
Falcón, Bárbara
Graffiti Salvador / Bárbara Falcón, Carol Garcia. - 1. ed. - Salvador-BA : Pinaúna,
2014.
192 p. : il. ; 22 cm.

Inclui índice
ISBN 978-85-65792-13-4

1. Arte - Brasil - História. 2. Artes brasileiras. I. Garcia, Carol. II. Título.

14-11209 CDD: 709.81


CDU: 7(81)

O site oficial do projeto disponibiliza a versão digital do livro.


www.graffitisalvador.com
Graffiti Salvador é uma publicação que apresenta o trabalho dos grafiteiros mais atuantes na
capital da Bahia, Nordeste do Brasil. Traça um panorama atual sobre esta arte urbana e sua forma
de democratizar a comunicação pública na cidade. Baseado em pesquisa etnográfica e entrevistas
com os próprios artistas, seu conteúdo sugere um passeio por Salvador através de imagens e
textos. Conduz o leitor para uma viagem através do imaginário e das experiências desses artistas,
retomando trajetórias e retratando obras. Apresenta o graffiti soteropolitano, seus escritores urbanos,
suas produções e temas recorrentes.
Graffiti Salvador is a publication that shows the work of the most active graffiti artists in Salvador,
the capital of Bahia, a northeastern state of Brazil. It traces a current view over this type of urban art
and the way it democratizes communication with the population in the city. Based on an ethnographic
research and interviews with the artists themselves, the contents evoke a city tour through the
images and texts. It leads the reader to a journey across the artists’ imagination and experiences,
picking up their professional path and portraying their artwork. It presents the soteropolitan graffiti,
its urban writers, their productions and recurring themes.
Graffiti Salvador es una publicación que presenta el trabajo de los grafiteros más activos de la
capital de Salvador de Bahia, nordeste de Brasil. Ofrece un panorama actual de este arte urbano y
su forma de democratizar la comunicación pública en la ciudad. El material se basa en el análisis
etnográfico y las entrevistas con los propios artistas, su contenido sugiere un recorrido por Salvador
a través de las imágenes y textos. Conduce al lector a una viaje a través del imaginario y de
las experiencias de los artistas, retomando trayectorias y retratando las obras. Muestra el grafitti
“soteropolitano”, los escritores callejeros, sus producciones y sus temas recurrentes.
Graffiti Salvador présente le travail des graffitis plus actifs dans la capitale de Bahia, au nord-est du
Brésil. Elle montre un panorama actuel de cet art qui vise démocratiser l’expression de la rue. Elle
est basée sur la recherche ethnographique et des entrevues avec les propres artistes. Son contenu
proposent un voyage dans la ville de Salvador à travers de l’imaginaire et des expériences deces
artistes, en reprenant des trajectoires et en montrant leurs oeuvres. Cette publication présente le
graffiti “soteropolitano”, les écrivains urbains, leurs productions et leurs thèmes.

Graffiti Salvador 5
Sumário
NOTA DAS AUTORAS 9
APRESENTAÇÃO 12
PINTANDO NA CIDADE 15
GRAFFITI EM SALCITY 17
ESTILO SOTEROPOLITANO 23
SEMPRE TEM UM JEITO! 29
GALERIA SOBRE TRILHOS 34
ARTE NAS RUAS 40
GRAFITEIROS 73
GLOSSÁRIO 186
CRÉDITOS 187
REFERÊNCIAS 189
SOBRE AS AUTORAS 191
Nota das
Autoras
“Da ideia, que surgiu num dos Dubman, companheiro na vida e
engarrafamentos de volta para casa, parceiro essencial para realização de
até o final do trabalho que resultou alguns contatos e saídas em campo
nesse livro, foram duas gestações, para esse projeto. A meu pai, Gustavo
dois filhos. O primeiro, Benjamin, filho Falcón, por ler os originais e sugerir
biológico, acompanhou de dentro as devidas correções. A Ricardo
da minha barriga toda a pesquisa Fernandes, por ter nos emprestado seu
realizada para o projeto que resultou talento, dando um “rosto” a esse filho.
no nascimento do segundo “filho”, que A Carol Dantas e Lucas Kalil, casal de
você, leitor, tem em mãos agora. Claro amigos da Pinaúna. Agradeço também
que até chegar ao grande dia do parto, a todos os artistas entrevistados, pelas
de ambos, muitas coisas foram vividas, trocas e pela resistência, apesar das
experimentadas, muitas dificuldades imensas dificuldades. Espero que essa
foram superadas. Não posso deixar publicação seja mais um instrumento
de expressar aqui a minha gratidão que faça a informação circular.
a quem foi essencial na concepção e Finalmente, como toda mãe de primeira
gestação desse segundo “filho”. viagem, nesse momento, sinto-me
Agradeço imensamente a Carol maravilhada e orgulhosa desses
Garcia, parceira no projeto, pela dois filhos. Dedico esse livro a Ben,
disponibilidade e generosidade. Seus companheiro na viagem que foi explorar
registros possibilitaram “eternizar” o universo do graffiti em Salvador!”
agora essa arte tão efêmera. A Jorge
Bárbara Falcón

Graffiti Salvador 9
“Meu encontro com o graffiti coincide com expressar. A ideia fluiu, tomou forma, até Foi em 2011 que a amiga Bárbara Falcón
outro, dos mais importantes: o encontro que, nesse mesmo ano, fui fotografar, me trouxe a ideia de retomar a pesquisa
com a fotografia. Em 2006, quando pela primeira vez, os artistas de rua de sobre grafiteiros baianos, num novo projeto,
elaborava um projeto de conclusão do Salvador. Com este trabalho, formei- que dessa vez se transformaria não numa
curso de comunicação, após algumas me jornalista, nasci como fotógrafa. O exposição, mas num livro! Fiquei ao mesmo
tentativas e conselhos amigos, entendi projeto sobre o graffiti parecia concluído, tempo surpresa, feliz e inquieta: será que
que poderia usar a fotografia como apresentado em forma de uma exposição. deveria mesmo retomar o trabalho? Como
linguagem, e o graffiti como tema. Eu Mas ficou a sensação de que não o havia os artistas iriam nos receber, depois de
via ali uma escrita de resistência, uma finalizado como ele e os artistas mereciam tanto tempo? Topei. Construímos o projeto,
invasão simbólica do espaço urbano por em resposta a tantos belos encontros e e cá estamos, lançando esse livro tão
uma juventude periférica, ávida por se descobertas que me proporcionaram. esperado como um filho.

10 Graffiti Salvador
Quero muito agradecer a Bárbara, Sarah, minhas tias “Pittia” e Mêre. A Oliveira, Carol Dantas e Lucas Kalil. A
por apostar no meu olhar e por ser Fernando Vivas, pelo auxílio luxuoso tantas (os) amigas (os) que vibraram
parceira na realização de um sonho! na edição de imagens. A Haroldo positivamente.
Agradeço muito a todos os grafiteiros Abrantes, Manu Dias e José Mamede, E aos orixás, por abrirem o caminho!”
e grafiteiras, por nos receberem com carinhosos professores de ontem, hoje
generosidade e amizade, muitos e sempre. Aos amigos que estiveram Carol Garcia
tendo nos acolhido em suas casas, e comigo durante a execução do projeto:
por acreditarem na nossa vontade de Bruna Hercog, “tia” Giulia Pegna,
produzir esse registro de suas escritas, Wendell Wagner, Elói Correia, Rennan
vida e arte. Agradeço a toda a minha Calixto, Mila Souza, Priscila Santana,
família, em especial a minha irmã Jorge Dubman, Clara Falcón, Uelinton

Graffiti Salvador 11
Apresentação
O conteúdo dessa publicação foi gerado os anos de 2012 e 2014, Bárbara Falcón e Aquidabã, Castelo Branco, Pituba, Costa
através de pesquisa de campo realizada Carol Garcia percorreram diversos bairros Azul, Rio Vermelho, Pelourinho, Engenho
por uma antropóloga e uma fotojornalista. de Salvador para entrevistar escritores, Velho de Brotas, Bonocô, Amaralina,
Traz um texto simples e informativo com acompanhar pinturas e eventos de graffiti. Gamboa, Cabula, Campo Grande,
uma quantidade grande de imagens, como Saramandaia, Vila Canária, Bairro da Paz, Centenário, Ribeira, Bonfim, Lapa e até
deve ser um livro de arte. Apesar de ter Patamares, Paralela, Mussurunga, Boca Busca Vida, no Litoral Norte, fizeram parte
seguido um método, não é um trabalho do Rio, Beiru, São Cristóvão, Garcia, Dois do mapeamento.
com pretensões acadêmicas ou de caráter de Julho, Cajazeiras, Itapoan, Mata Escura, O critério para ter destaque na publicação
científico. Também não segue os moldes de Periperi, Santo Antônio, Vasco da Gama, foi o de quantitativo de produção, ou
um livro de Graffiti Art convencional. Entre Baixa dos Sapateiros, Vitória, Comércio, seja, foi levado em conta se o artista

12 Graffiti Salvador
está atuando na cidade de forma captação de imagens, já que a pesquisa atuantes entrevistados. Baseado em
representativa. Como em todo trabalho de campo teve início em pleno período termos mencionados durante os relatos,
de pesquisa, alguns fatores foram de eleição municipal. Nessa época, os foi elaborado um glossário, localizado no
limitantes, sendo o cronograma o pior muros da cidade costumam ficar cobertos final do livro, onde o leitor pode consultar
deles. Por conta disso, a inclusão das de propaganda política, dificultando a o significado de termos comuns aos
poucas mulheres atuantes foi prejudicada. produção de novos painéis pelos artistas. grafiteiros. Além das imagens atuais,
Foram recorrentes as remarcações de Além disso, perdem-se muitos painéis o livro conta com algumas fotografias
entrevistas e dificuldades de contato, produzidos, já que a propaganda chega do arquivo pessoal da fotógrafa Carol
mas estima-se que a maioria dos artistas a cobrir muitos destes. Trabalhar durante Garcia, que inclui registros de pintura de
atuantes foi contemplada de alguma essa fase foi um ponto negativo superado. vagões no subúrbio ferroviário. Através
forma. Mesmo assim, como se trata Após as eleições, foram realizados desse “passeio” por Salvador, o leitor irá
da primeira publicação do gênero no alguns mutirões para tentar preencher a conhecer os artistas que mais produzem
estado, prováveis lacunas deverão ser lacuna gerada pela campanha eleitoral, atualmente, seus painéis coletivos
preenchidas numa segunda edição ou principalmente em bairros mais populares. e individuais, as técnicas, materiais
publicação. É importante mencionar A pesquisa continuou no “rastro da tinta”, adotados e, principalmente, a criatividade
que houve certa dificuldade também na chegando ao número de 28 artistas que dribla a dificuldade.

Graffiti Salvador 13
14 Graffiti Salvador
Pintando na
Cidade
Nascido nos guetos nova-iorquinos, o grandes cidades brasileiras, constituindo-
graffiti cresceu nas ruas e se espalhou se como signo identitário demarcador
pelos grandes centros do mundo; de territorialidade e forma de projeção
parado nos muros ou se movimentando pessoal ou de um grupo. Voltando à
em trens, percorreu diversos países e ligação do graffiti com a música, o rap
chegou ao Brasil. É claro que, se levado passou a ser sua trilha sonora a partir dos
ao pé da letra, a herança do graffiti anos 80, influenciando toda uma geração
nacional data das primeiras pinturas nas de artistas brasileiros que acabaram
cavernas. Mas a tradição moderna, tal se destacando internacionalmente.
qual conhecemos atualmente, remonta Superando as dificuldades e driblando
à pichação e também se iniciou aqui por a falta de recursos, a criatividade, aliada
conta dos movimentos sociais. Com a à atitude do “faça você mesmo”, típica
intensificação desses movimentos, nos do movimento hip hop, possibilitou um
anos sessenta, os “escritores de rua” grande salto ao graffiti brasileiro. Aos
passaram a ser influenciados também poucos, São Paulo se configurou como
pelos movimentos musicais, como a uma das capitais mundiais dessa arte
bossa-nova e a Tropicália. Durante a urbana, abrigando trabalhos de artistas
ditadura militar, os protestos estudantis como OSGEMEOS (que não por acaso
incluíram escritos nos muros como forma também foram b-boys).
de expressão e, até meados da década Na década de 90, a cena nacional se
de setenta, trechos de letras de protesto consolida com a ida desses artistas
eram comumente encontrados nas ruas. para o exterior, passando o graffiti
A pichação estendeu-se por décadas nas brasileiro a ser fonte de inspiração para

Graffiti Salvador 15
o resto do mundo. Em meados dessa
mesma década, já circulam no país
muitas revistas e vídeos especializados,
que acabaram influenciando uma
geração de artistas soteropolitanos.
É sobre esses “escritores de rua”
que trata o texto a seguir; das suas
inspirações, dificuldades, superações
e, principalmente, da considerável
produção artística em torno do graffiti de
Salvador nos últimos anos.

16 Graffiti Salvador
Graffiti em Salcity
O graffiti em Salvador, na forma como um pouco esse quadro. Contratados a situação para ir às ruas pintar, e
ficou conhecido pelo mundo, começou a pela prefeitura, diversos grafiteiros o resultado disso foi um aumento
esboçar-se ainda nos anos 80, através soteropolitanos passaram a pintar significativo no número de produções.
de trabalhos de artistas como Miguel temas pré-determinados em passarelas, O graffiti passou a ter espaço em
Cordeiro, Nildão, Renato da Silveira, muros, viadutos e trens indicados lugares antes inimagináveis, como
Bel Borba e Ray Vianna. A década pela coordenação do projeto. Um dos vitrines de lojas de grife, fachadas e
seguinte, cheia de possibilidades de objetivos do Salvador Graffita era pátios de universidades.
informação, aguçou a curiosidade e justamente o de sensibilizar e cooptar Com o tempo, outros fatores
ampliou o repertório de muitos jovens jovens que atuavam como pichadores contribuíram para uma mudança de
que se tornaram grafiteiros. O consumo no Centro e na periferia, através da mentalidade. A maior emissora de
de revistas e vídeos especializados arte. Assim, alguns desses jovens televisão brasileira, a Rede Globo,
possibilitou um incremento da cena considerados como “transgressores” contribuiu para isso com a inserção de
local. Nesse período, muitos jovens foram integrados à equipe do projeto e personagens em suas telenovelas e
“migraram” da pichação para o graffiti ainda são grafiteiros. matérias em programas de variedades
como uma nova forma de expressão, Um ponto positivo do projeto foi e telejornais. Além disso, em 2011, a
uma maneira de comunicar-se mais justamente o de chamar a atenção presidente Dilma Roussef sancionou
diretamente com as pessoas nas ruas. da população para o graffiti como uma lei que diferencia graffiti de
Apesar de ser considerada atualmente arte. Muitos artistas entrevistados pichação, e determina que a sua
uma cidade boa para produzir – pela declararam que por conta da sua prática não constitui crime, desde que
quantidade de muros e pela facilidade divulgação, boa parte da população realizada com o objetivo de valorizar o
de pintar sem sofrer discriminação passou a valorizar os seus trabalhos, patrimônio público ou privado.
ou violência –, cerca de 15 anos distinguindo-os de uma pichação ou Nos anos de 2000, houve ainda um
atrás não se distinguia o que era de um ato de vandalismo. A repressão incremento da produção soteropolitana.
graffiti e pichação em Salvador. policial de outrora passou a dar Muitas crews, formadas nos anos 90,
Em 2005, uma iniciativa do então lugar à permissividade e até certa evoluíram seus trabalhos e as formas
governo municipal conseguiu mudar cordialidade. Muita gente aproveitou de mobilização e organização. Alguns

Graffiti Salvador 17
bairros, a exemplo de Castelo Branco de dez anos, já realizou concursos como a 071 Crew, fundada em 2004.
e Cajazeiras, tornaram-se guetos de graffiti que deram visibilidade a Em 2005, chegou a circular pela cidade
do graffiti soteropolitano e assim se trabalhos de artistas como Denissena e um zine exclusivamente dedicado
mantiveram até os dias de hoje. No Zezé Olukemi. Na mesma década, uma ao segmento, capitaneado por dois
Cabula, surgiu o Projeto Cidadão, quantidade considerável de grafiteiros experientes artistas: Neuro e Dimak.
fundado pelo pedagogo Antonio Jorge, iniciou seus estudos na Escola de Belas O “Na Lata” teve ainda colaboradores
que, além de promover oficinas há mais Artes da UFBA, onde formaram equipes como Bigod, Fozi e Andréa May. Um

18 Graffiti Salvador
dos grafiteiros precursores na cidade,
Neuro, também foi a primeira pessoa a
comercializar material apropriado, como
sprays importados e bicos.
Os primeiros dez anos de 2000 foram
frutíferos, com muitas exposições
individuais e coletivas. Além das ruas,
o graffiti passou a ocupar museus e
galerias como a da Caixa Cultural, da
Associação Cultural Brasil-Estados
Unidos (ACBEU), Solar Ferrão, Centro
Cultural Brasil-Itália e Centro Cultural
Correios. Os mutirões se multiplicaram
e eventos como o Mutirão Mete Mão,
iniciativa do coletivo MiniStereo Público
(que, além do graffiti, leva um sistema
de som especializado em reggae),
permanecem. Até 2008, aconteceram
também duas edições do evento anual
Meeting of the Acarajé, promovido
pela Bomb Bahia, loja especializada
nesse segmento artístico. Em julho de
2009, aconteceu o encontro nacional
da Rede Grafiteiras BR, tendo as
artistas Mônica, Kátia, Profana e
Tétis como organizadoras. Alguns
eventos importantes como a Bienal
do Recôncavo, Circuito das Artes e
Visio Pontos já incluíram trabalhos
de grafiteiros soteropolitanos. Chama
atenção a participação desses
artistas em eventos realizados pelo

Graffiti Salvador 19
movimento negro soteropolitano, muito graffiti com pichação, o Núcleo comunidade da Gamboa. Ocupando
apesar da maioria ter declarado não conseguiu organizar um seminário uma casa que recebia exposições
ser militante. É nítido o recorte racial que reuniu grafiteiros, pichadores e e que abrigou artistas de todos
que o movimento hip hop assume poder público. O evento realizado na os cantos, o MUSAS promoveu,
na capital baiana, sendo parte de Fundação Gregório de Matos foi um além das intervenções artísticas na
políticas públicas para a juventude marco para o graffiti soteropolitano. localidade, intercâmbio com artistas
local. Entre as ações promovidas, Nos últimos anos, algumas novidades nacionais e internacionais. Boa parte
destaca-se o Núcleo de Graffiti da como o Museu de Street Art de da comunidade do Solar do Unhão
Rede Aiyê, formada por todas as Salvador (MUSAS), iniciativa da (casas, muros, arcos dos viadutos)
posses do movimento na cidade. crew Nova10Ordem, que se instalou foi pintada durante a ocupação do
Numa época em que se confundia (e que foi muito bem recebida) na imóvel até agosto de 2014.

20 Graffiti Salvador
Graffiti Salvador 21
22 Graffiti Salvador
Estilo Soteropolitano
Com o passar dos anos, os grafiteiros marcantes. Porém, a horizontalidade
soteropolitanos foram criando uma é a principal delas, já que a falta de
linguagem visual própria. Dando estrutura limitou durante décadas
conta de assuntos que vão do global a verticalização das pinturas em
ao local, percorrem temas variados Salvador. Aos poucos, essa dificuldade
que denotam estilos individuais com vem sendo driblada.
características bastante marcantes e É importante frisar que Salvador é
pessoais. Muitos destes optaram por uma cidade com alguns aspectos
pintar personagens ou letrados, que impactantes para um artista visual
com o tempo ficaram tão conhecidos que nasce e cresce nela, seja na
que por si só tornam as pinturas arquitetura dos antigos casarões ou
identificáveis. Alguns deles, inclusive, no design de alguns aparatos, como
chegaram a um nível de popularidade o carro de cafezinho e barracas/
tão grande que nem assinam a obra. mobiliário de festas de largo. Nesse
Um rápido passeio pelas produções universo, inconscientemente inspirado
desses artistas revela alguns pontos por cores e traços locais, há também
em comum. Nos últimos anos, as quem se inspire na “letra bonita” da
produções tornaram-se mais originais caligrafia, como Ailson Rolemberg
e livres, mas a forma de compor, numa e Raphael Ribeiro. Apelidadas de
combinação de letra e personagem, tipocali ou caligraffiti, as fontes
foi referência para muitos até pouco desenhadas à mão são, por si só,
tempo. Alguns são adeptos de uma verdadeiros poemas visuais.
vertente mais artística, apelidado Quando o graffiti envolve temáticas
de “graffiti arte”. O traço forte, regionais, a cultura popular pode ser
na cor preta e bem delimitado, considerada como um dos destaques
é uma das características mais em número de produções. Muitos

Graffiti Salvador 23
personagens do imaginário coletivo poderia deixar de existir um artista nagé. Resultado: a produção, apelidada
compõem murais espalhados pela que se dedicasse aos orixás: Lee27! de macumba, foi destaque. E nesse
cidade: oferendas, carrancas, orixás, Entrando no tom dos temas trabalhados, universo cabe até uma boa e divertida
boi da cara preta, figuras tipicamente a irreverência e o bom humor são marcas receita de mariscada, como a que foi
nordestinas, como o cangaceiro e do soterograffiti. Segundo relatos de Bigod pintada em um dos arcos da Gamboa.
músicos de pífano, xilogravuras, e Prisk, artistas entrevistados, em uma Em meio a tudo isso, escritores talentosos
imagens em preto e branco que ficaram das edições do Meeting of Favela (MOF), também representam bem o graffiti baiano
tão conhecidas nos cordéis. Claro que no Rio de Janeiro, os baianos reuniram- sem necessariamente fazerem uso de
em uma cidade como Salvador não se para produzir um painel dentro de um elementos tão típicos.

24 Graffiti Salvador
Graffiti Salvador 25
26 Graffiti Salvador
Graffiti Salvador 27
28 Graffiti Salvador
Sempre tem
um jeito!
No começo, foram muitas as rolo ou rolinho ainda é considerado o
adversidades: pintar com aerógrafo, “braço direito” do grafiteiro. Além do rolo,
sprays e bicos inadequados ou apenas geralmente usa-se pincéis e canetas para
tinta látex. Os relatos dos artistas revelam um melhor resultado do trabalho. Poucos
dificuldades, principalmente de acesso são os artistas que usam 100% de spray.
a materiais. Os sprays automotivos, O uso de compressores pesados, tão
usados num passado recente, não eram comum nos anos 90, dificultava a missão
apropriados para as produções de graffiti, de pintar fora do próprio bairro. E mesmo
já que faziam a tinta escorrer. A chegada dentro dos seus limites, pintar com o uso
de lojas que forneciam sprays e outros de compressores, que exigia o uso de
materiais, como bicos, facilitou a vida de energia elétrica, sempre dependia da boa
muita gente. Ainda assim, mesmo que vontade do “outro”. A chegada das latas
hoje a maioria tenha fácil acesso às latas de spray na cidade foi um passo para a
de spray de boa qualidade, uma produção liberdade, uma saída para além do bairro
individual custa cerca de 50% do valor de de origem.
um salário mínimo, quantia considerada Alguns artifícios são adotados para
bastante significativa por todos driblar a falta de recurso, até mesmo de
os entrevistados. uma escada ou andaime. O uso de um
Em função disso, pintar com tinta acrílica cabo de madeira soluciona, em parte,
e rolo nunca deixou de ser uma opção. o problema da altura, já que, com ele,
Na verdade, uma solução. Não apenas o alcance da pintura torna-se um pouco
em Salvador, mas em todo o Brasil, o maior. Na ponta do cabo, coloca-se a

Graffiti Salvador 29
latinha de spray (com um dispositivo que
aciona o uso) ou rolo. Para ficar mais
alto, vale usar banco, caixote ou o que
estiver por perto.
Uma questão que não pode deixar
de ser citada é a da conquista do
reconhecimento ao trabalho do grafiteiro.
Durante as entrevistas, foram narradas

30 Graffiti Salvador
inúmeras histórias de repressão e violência sofrida por esses artistas. A
vulnerabilidade de estar nas ruas, “de costas para o mundo”, principalmente
há quinze anos, trouxe muitas vezes surpresas desagradáveis que incluíam
humilhação, agressão, passeios em camburões e até mesmo prisões. Uma
frase dita por Baga, um dos entrevistados, resume bem a situação: “A
diferença é que hoje temos reconhecimento, e, há dez anos, a gente era
espancado”. Mesmo nos dias de hoje, ainda há quem arremesse pedra,
jogue água e até dispare tiros para tentar coibir esse tipo de arte! Importante

Graffiti Salvador 31
32 Graffiti Salvador
lembrar do grafiteiro Sinal (na imagem
inferior), nome de destaque na cena de
bomb, morto a tiros no bairro da Boca
da Mata. Como ele, infelizmente, muitos
foram assassinados em Salvador, no
Brasil e no mundo. E se para os homens
não foi nada fácil conquistar espaço nas
ruas, para as mulheres então pode ter
sido pior. Essencial lembrar também das
mulheres que fizeram ou ainda fazem a
cena do graffiti na cidade, a exemplo de
Rebeca, Mônica, RBK, Sista Kátia, Tétis,
Shirley e da paraense Chermie.
Mas pra quem sempre encontra um
jeito, continuar fazendo arte tem
sido um antídoto contra a violência
e a discriminação. Nas últimas duas
décadas, a mudança de mentalidade
proporcionou a valorização do Denissena e Lee27. É claro que nem
trabalho do grafiteiro dentro do sempre o contato rápido realizado
contexto de arte urbana. Tanto que nessas oficinas chega a despertar o
muitos artistas têm, no graffiti e nas interesse de um jovem a ponto dele
atividades que ele propicia, o seu querer tornar-se grafiteiro. Pode
sustento. A maioria dos entrevistados acontecer e aconteceu com alguns
para essa publicação atua ou já atuou dos entrevistados. Mas, muitas vezes,
como arte-educador em projetos o que acontece, por uma questão de
sociais, escolas da rede pública limitação financeira, é do educando
e escolas particulares. Segundo só segurar uma lata de spray ao final
depoimentos dos artistas, muitos do curso. Mesmo com toda limitação,
deles também frequentaram oficinas as oficinas cumprem um importante
como educandos, tendo a grande papel: amplia repertórios
maioria sido aluna dos decanos e horizontes.

Graffiti Salvador 33
Galeria sobre Trilhos

34 Graffiti Salvador
“Fotografar os trens do Subúrbio
Ferroviário é registrar uma Salvador
desconhecida para muitos. Em 2006,
grafiteiros integrantes do projeto
Salvador Graffita puderam deixar
suas marcas no veículo mais antigo
da cidade. Estive por lá durante dois
dias do mês de setembro daquele ano
acompanhada por alguns deles, como
Denissena, Thito Lama, Sank e Eder
Muniz. Outros artistas urbanos também
deixaram seus escritos nos vagões,
dando-lhes cores, formas e vida que
embelezam a paisagem suburbana.
Além dos vagões ainda em funcionamento,
alguns equipamentos em desuso foram
‘bombardeados’, no melhor estilo vandal,
lembrando as pinturas furtivas feitas por
artistas estrangeiros, em países onde o
graffiti é uma arte proibida. E foi assim
que a Estação da Calçada se apresentou
para mim como uma galeria a céu aberto;
os vagões em movimento, como uma
exposição sobre trilhos. Pude ali captar um
pouco daquela experiência que merecia
ser repetida”.

Carol Garcia

Imagens produzidas com uma câmera


fotográfica analógica Nikon modelo N80 e um
kit com três lentes (24, 60 e 105 mm).

Graffiti Salvador 35
36 Graffiti Salvador
Graffiti Salvador 37
38 Graffiti Salvador
Graffiti Salvador 39
Arte nas Ruas

40 Graffiti Salvador
Graffiti Salvador 41
42 Graffiti Salvador
Graffiti Salvador 43
44 Graffiti Salvador
Graffiti Salvador 45
46 Graffiti Salvador
Graffiti Salvador 47
48 Graffiti Salvador
Graffiti Salvador 49
50 Graffiti Salvador
Graffiti Salvador 51
52 Graffiti Salvador
Graffiti Salvador 53
54 Graffiti Salvador
Graffiti Salvador 55
56 Graffiti Salvador
Graffiti Salvador 57
58 Graffiti Salvador
Graffiti Salvador 59
60 Graffiti Salvador
Graffiti Salvador 61
62 Graffiti Salvador
Graffiti Salvador 63
64 Graffiti Salvador
Graffiti Salvador 65
66 Graffiti Salvador
Graffiti Salvador 67
68 Graffiti Salvador
Graffiti Salvador 69
70 Graffiti Salvador
Graffiti Salvador 71
72 Graffiti Salvador
Grafiteiros

Graffiti Salvador 73
Declaradamente inspirado pela vida, Uma residência artística realizada
Anderson AC pinta para celebrá-la. em Portugal foi divisora de águas na
Influenciado pela escola francesa, sua trajetória. Tanto que depois disso
especificamente pela vertente gráfica incorporou ao seu trabalho padronagens
do graffiti, procura desenvolver o seu de azulejaria.
trabalho priorizando formas ao invés de
letras ou personagens. Tem preferência
por lugares abandonados, onde busca e
leva vida através da sua arte. Para ele,
esse tipo de intervenção interessa pela
relação de ocupação do espaço e pelo
resultado estético alcançado. A base do
trabalho de AC, geralmente, é feita em
stencil. Atualmente, desenvolve pesquisa
de materiais e de imagens iniciada
durante o curso de Artes Plásticas na
Universidade Federal da Bahia. Apesar
de não ter concluído a graduação na
Universidade, declara que foi importante
para sua formação e bagagem cultural.
Em 2011, fez uma viagem em busca
da sua ancestralidade, tema que tem
atraído sua atenção nos últimos anos.

74 Graffiti Salvador
Graffiti Salvador 75
“O graffiti me proporcionou
ver o mundo com outros olhos.
Eu acho que é uma escola de
vida, no sentido de ser feito
por pessoas com visões e
anseios de mundo diferentes,
por pessoas que tentam
quebrar paradigmas”.

76 Graffiti Salvador
Graffiti Salvador 77
78 Graffiti Salvador
Baga é inspirado pelas cores e pelo pintar com amigos. Tanto que fundou
possível bem-estar da relação artista a Traços de Rua Crew (TRC), faz
e espectador. Gosta de pintar na parte também da Humanóides na
periferia, em lugares abandonados Reviravolta aos Impostores (HRI), da
e, principalmente, em paredes de Operários Multimídia Crew (OMC),
bloco. Para ele, o detalhe faz toda Academia Brasileira de Personagens
a diferença na busca pela perfeição (ABP), Várias Queixas Crew (VQC) e
e para isso utiliza apenas o spray, o da Viciados em Tinta Spray (VTS), de
cap e o dedo. Aprendeu a desenhar Fortaleza. Além de grafiteiro, é MC
só pra fazer graffiti, há cerca de 12 e tem forte atuação no evento São
anos. Em 2003, foi aluno de Lee Caetano Resistência, onde, junto com
em uma oficina, a qual declara ter o graffiti, são desenvolvidos trabalhos
sido bastante proveitosa. Se Baga em diferentes liguagens, como a
gosta de pintar, gosta ainda mais de poesia e o teatro.

“Eu pinto pra tentar mudar a realidade das pessoas, do convívio com
o cinza e pra que se tenha sempre um novo dia. Os meus melhores
trabalhos Salvador não viu, só a minha comunidade”.

Graffiti Salvador 79
80 Graffiti Salvador
Graffiti Salvador 81
82 Graffiti Salvador
Bigod nasceu e cresceu na Cidade Baixa, mais ainda pela Ribeira e pelo
Baixa, um dos lugares que mais pinta. Bonfim. Ficou conhecido na cidade
Diz-se influenciado por tudo em volta, por pintar carrancas, baiacus e sapos
como bom observador que é. Tanto enormes, coloridos e estilizados.
que incorpora em sua arte até objetos Grafiteiro convicto, por vocação e
que vê passando. Sua inspiração por necessidade, acorda todos os
vem dos games, da ilustração e do dias pensando no que vai desenhar
desenho animado, daí a facilidade de ou mesmo numa proposta de evento.
esboçar na cabeça o desenho que À frente da crew Nova10Ordem,
faz na parede. Dos gringos, Bigod que fundou com o amigo Julio,
admira principalmente a quantidade está sempre criando algum projeto.
de produções, tanto que se tornou O MUSAS foi um deles. Uma
um dos artistas que mais produz curiosidade sobre Bigod que vale
em Salvador, nos quatro cantos da a pena ser contada: seu nome foi
cidade. Tem preferência pela Cidade herdado do mundo da capoeira.

“Pra mim, a amizade, os encontros que o graffiti me proporcionou


são até mais importantes do que pintar. Quando a gente se encontra,
o que menos importa pra mim é pintar”.

Graffiti Salvador 83
84 Graffiti Salvador
Graffiti Salvador 85
Charles Brak, do bairro do Beiru, sendo a vemelha ou azul. Mas também
começou a “fazer arte” com apenas utiliza giz, pincel atômico e moldes para
sete anos. Começou como todo garoto, representar santos populares, cactos
desenhando no papel, mas, com o e animais. Por influência da sua outra
tempo, descobriu que podia desenhar área de atuação, a música, Brak, como
com giz e carvão. Talvez daí tenha um bom DJ, gosta de pintar pick-us,
vindo o gosto pelas pinturas em preto e discos e fones. Consciente do que é ser
branco. O próprio nome, Brak, faz uma um artista social, o bairro onde nasceu
menção ao black, cor que dita seu traço e cresceu é o seu foco, tendo como
quando está pintando. Seu trabalho missão torná-lo um lugar melhor. Lá,
tem forte influência da xilogravura dos faz parte do projeto Mais Educação,
cordéis, é adepto do estilo apelidado ministrando oficinas de graffiti para
“xilografite”, tanto que tornou-se uma educandos na faixa etária de 9 a
marca. Para pintar, usa mais spray 16 anos. Brak procura passar para
e rolinho, sempre nas cores preta crianças e jovens noções de educação
e branca, e, geralmente, mais uma, ambiental e doméstica.

86 Graffiti Salvador
Graffiti Salvador 87
88 Graffiti Salvador
“Sempre busquei incorporar elementos regionais ao meu trabalho e o
cordel é uma das minhas principais referências”.

Graffiti Salvador 89
90 Graffiti Salvador
Marlon Maciel, no mundo das artes muito setas vetorizadas e seu nome.
Corexplosion, é movido pela satisfação Core, teve toda a sua educação pautada
de ocupar espaços com o seu trabalho. no graffiti e a ele diz que deve tudo.
Para ele, a rua é como uma folha Em 2001, depois de frequentar uma
de papel em branco que precisa ser oficina de Denissena no ensino médio,
preenchida. Nela, utiliza paredes, portas passou a pesquisar incessantemente
e tubos como suportes para expressar técnicas e trabalhos na internet. A
a sua arte, que também pode ser vista partir da necessidade de expandir o
em telas, toys, papelão, plástico e seu talento e tornar seu trabalho como
madeira. Influenciado pela Toy Art, ficou grafiteiro conhecido, aprendeu a editar
conhecido por pintar personagens como vídeos, fotos, sites, fazer animações
a raposa e o pinguim. Seu processo e muito mais. O mergulho no universo
criativo envolve a digitalização de do graffiti através da rede mundial de
desenhos, que são vetorizados em computadores, aliada à experiência das
programas de computador, impressos e ruas, fez de Core um dos artistas mais
reproduzidos nas ruas. Atualmente, pinta talentosos e produtivos da sua geração.

“Devo ao graffiti toda a minha educação”.

Graffiti Salvador 91
92 Graffiti Salvador
Graffiti Salvador 93
94 Graffiti Salvador
Denissena tem Salvador e as pessoas vem no lugar do seu nome. Além de
que nela habitam como fonte de grafiteiro, tornou-se arte-educador em
inspiração para o seu trabalho. Uma 2000, apostando na transformação social
das marcas de suas produções é a através da arte. Foi um dos fundadores
abordagem da sua ancestralidade do Projeto Cidadão, um dos primeiros
multiétnica, caracterizada por traços projetos a remunerar grafiteiros pelo seu
geométricos que lembram as culturas trabalho. Tem preferência por pintar em
indígena e afro. Adepto do candomblé, seu bairro, o Cabula, mas gosta muito de
tem na religião uma forte referência para pintar na Cidade Baixa e Rio Vermelho.
seguir com fé na profissão e também Além de paredes, as produções de
em suas criações. A espinha de peixe Denis compõem suportes diversos, como
tornou-se uma assinatura, tanto que acessórios e cenários de espetáculos.

Graffiti Salvador 95
96 Graffiti Salvador
“Ainda existe o analfabetismo
visual no nosso país.”

“Graffiti pra mim não é moda,


é manifesto.”

Graffiti Salvador 97
98 Graffiti Salvador
Dimak começou a arriscar-se nos cenas francesa, espanhola, russa e
desenhos por conta dos quadrinhos e polonesa, por terem mantido a essência
dos desenhos animados. Com o tempo, do graffiti, da transgressão do ato de
começou a perceber riscos nos muros pintar sem autorização. Para ele, o
da cidade e logo se sentiu atraído pela graffiti tornou-se uma necessidade,
intervenção urbana conhecida como uma forma de expressar a sua visão
pichação. Foi depois que descobriu de mundo. Prefere pintar em lugares
o graffiti. Desenhando, grafitando, feios, abandonados e de difícil acesso,
tatuando e rimando ele faz a diferença. como embaixo de pontes, viadutos
Formado em Artes Plásticas, pela e passarelas. Seu trabalho ficou
Escola de Belas Artes da Universidade conhecido pelos personagens quase
Federal da Bahia, Dimak, além de sempre carrancudos, traçados de forma
grafiteiro, atua como tatuador e MC bastante peculiar. Tanto que mesmo
em Salvador. Diz-se influenciado pela sem assinatura são identificados
cena europeia, em especial pelas como seus.

“Meu processo criativo é muito instintivo. As pessoas identificam o


meu trabalho pelo jeito que faço”.

Graffiti Salvador 99
100 Graffiti Salvador
Graffiti Salvador 101
102 Graffiti Salvador
Adriano Nascimento dos Santos, personagens, que geralmente vêm
apelidado Drico, sempre foi questionador. sorrindo, mesmo que ironicamente. Cria
Desde criança, antes mesmo de começar suas produções sendo influenciado
a ler, já desenhava. Foi circulando pela pelo cotidiano, pelo que o cerca e, para
cidade que conheceu o graffiti de Peace isso, sente-se livre para usar o que for
e Lee e ficou imaginando como seria possível: giz, pincel, rolo e spray. Drico
fazer arte desse jeito. Em 1999, começou tem preferência por pintar em grupo e
pintando com aerógrafo em Pirajá, na periferia, pelo resposta imediata dos
bairro onde reside até os dias de hoje. moradores. Atua na sua comunidade
Elegeu o graffiti como forma preferencial também como arte-educador do Mais
de expressão e desde então tem como Educação, programa do Governo
missão transmitir alguma mensagem Federal. Faz parte de duas crews locais,
através das suas letras. Tenta também a OCLAN e a Traços de Rua, e da
passar sempre alegria através de seus Academia Brasileira de Personagens.

Graffiti Salvador 103


104 Graffiti Salvador
“Gosto da liberdade que o graffiti
me proporciona e da nossa
doação, do que oferecemos de
bom para as pessoas”.

Graffiti Salvador 105


Faz tempo que Eder Muniz assina ele, não importa que seja longe, que as
seus painéis como Calangos. No plural pessoas não vejam. Importa, sim, que
porque segundo ele tem que ser mais todo artista deve reconhecer de onde
de um para pintar na rua, acordar cedo, veio e contribuir com o local de alguma
fazer e carregar a mochila, tirar a foto forma. Ligado em outras linguagens,
do trabalho (“porque você volta e ele diz-se influenciado pela música, cinema
pode não estar mais lá”) e se você ainda e teatro. Quando sai para a rua, leva
for “queixão” leva uma escada num música pra escutar e seu caderno de
“busu” cheio. Começou a grafitar em desenhos, geralmente com séries de 10
2000, motivado pela oportunidade de trabalhos. Em Salvador, os muros são os
mudar a realidade através da sua arte. seus suportes prediletos, mas também
Atualmente, Eder é um dos artistas que pinta bancas de revistas, viadutos e até
mais produz na cidade, tendo trabalhos pedras. Por ter residido em Nova Iorque
em diversos bairros. E um dos locais e continuar viajando sempre para outros
prediletos para suas produções é a países, Eder tem representado o graffiti
Vila Canária, lugar onde reside. Para soteropolitano mundo afora.

“O graffiti é uma forma de atitude ativa e constante. Então, é isso


que me motiva mais”.

106 Graffiti Salvador


Graffiti Salvador 107
108 Graffiti Salvador
Graffiti Salvador 109
110 Graffiti Salvador
Rafael Vinicius Santana de Jesus, personagem que criou para expressar
conhecido como Fael 1º, nasceu na sua indignação frente ao “abate” de
Federação e cresceu no Nordeste de jovens da periferia. Procura imprimir
Amaralina. Quando criança, queria em seu trabalho uma marca de
ser cartunista, mas aos 16 anos foi baianidade imprevisível, com a inserção
“mordido pelo bicho” do graffiti. Nessa de cores primárias. Atualmente, pinta
época, em passeios pela cidade, animais sacrificados que, segundo ele,
admirava os mosaicos de Bel Borba representam “despachos”, oferendas.
e as pinturas de Peace. Conhecer o Tem preferência pelo Centro da cidade
trabalho da OCLAN, crew de Castelo e pelos bairros do Nordeste e Rio
Branco, também foi essencial para Vermelho. Fael, além de grafiteiro, é
sua formação. Adiante, conheceu arte-educador e músico atuante. Tanto
outros artistas igualmente influentes, na música como nas artes visuais, busca
Dimak, depois MFR e Izolag, que comunicar sua indignação perante as
juntos formaram a 071 Crew. Com injustiças sociais que o cercam. Como
esses três artistas e com AC, que membro do coletivo MiniStereo Público,
também fez parte do grupo, Fael participa do projeto Mutirão Mete Mão,
pintou muitos lugares em Salvador. que leva música e graffiti para diversas
Ganhou notoriedade por pintar a vaca, comunidades na cidade.

Graffiti Salvador 111


112 Graffiti Salvador
“Eu acho que falta muito
trabalho. O imaginário da
cidade ainda não foi tocado
pelo graffiti, o graffiti ainda não
dominou Salvador”.

Graffiti Salvador 113


Philip dos Anjos Carvalho, conhecido oficina, que declara ter sido importante
como Fumax, teve contato com o spray para sua formação como artista.
muito cedo, por conta do irmão que Experimentando sua arte, para Fumax o
era pichador. No bairro onde cresceu, mais importante é ser livre no processo
em Cajazeiras, vivenciou muitos de criação, por isso não se prende a
grafiteiros pintarem com compressor. um determinado tipo de técnica, sendo
E foi em alguns desses artistas que adepto do pincel, stencil e rolo. Sempre
ele se inspirou pra começar a pintar. que pinta, uma trilha sonora surge
No caminho da aprendizagem, teve no seu imaginário, por isso costuma
Lee27 como seu instrutor em uma produzir ouvindo música.

114 Graffiti Salvador


Graffiti Salvador 115
116 Graffiti Salvador
“O graffiti me fez mais
politizado, me deu
uma consciência da
importância do meio
ambiente. Eu me aproximei
do verde de Cajazeiras por
conta do graffiti”.

Graffiti Salvador 117


118 Graffiti Salvador
Julio
Julio Costa tem no graffiti uma válvula
de escape, uma espécie de divã. Isso
porque, enquanto pinta, reflete sobre
alguns aspectos da sua vida e também
conversa com amigos. Foi com grandes
amigos que Julio fundou a crew
Nova10Ordem e o Museu de Street
Art de Salvador (MUSAS), tão bem
recebido pela comunidade do Solar do
Unhão. Tanto que, juntamente com a
Ribeira, tornou-se um dos seus locais
preferidos para pintar. Geralmente,
pinta em lugares próximos de áreas
verdes, buscando criar uma interação
entre natureza e arte. Para fazer suas
produções, utiliza tinta látex, rolinho,
spray e até folhas de plantas que
estiverem por perto ele usa como molde
para finalizar alguns detalhes.

“Tudo que eu já fiz e conquistei


veio através do graffiti”.

Graffiti Salvador 119


120 Graffiti Salvador
Graffiti Salvador 121
122 Graffiti Salvador
Lee27 começou a desenhar ainda graffiti baiano passando a pintar temas
criança, por influência do pai que era pré-determinados, com frases de efeito.
marceneiro. Na adolescência, quando Em 1999, foi iniciado como arte-educador
saía do seu bairro de origem para ir e nunca mais parou. Chegou a ter 120
à escola, via trabalhos de Sisma, um alunos em uma oficina no bairro de São
dos artistas que o inspirou a começar Caetano. Mesmo pintando com outros
a grafitar. Pouco tempo depois de ter grafiteiros, Lee sempre procurou ensinar.
sido iniciado nesse universo, Lee inovou Tanto que a maioria dos entrevistados
ao pintar personagens em movimento. declarou ter aprendido algo de importante
No final de 1996, teve contato com o com ele. Em 2001, fundou a crew O
movimento hip hop, quando passou a Criador Liberta Atitude Nossa – OCLAN
pesquisar a questão racial. A partir daí, –, que abrigou os mesmos artistas que
segundo ele, seu trabalho passa a ter eram da TPG, mais Theip e Neuro. Em
uma visão mais politizada. Nessa fase, 2004, Lee se tornou adepto do candomblé
uma das produções que definiram a e todo o seu trabalho artístico passou
identidade do seu trabalho foi o Cristo a ter influência de religiões de matrizes
com traços negroides, tendo como pano africanas. Por conta disso, o artista busca
de fundo uma favela. Em 1998, fundou criar uma relação entre sua arte e religião
com amigos do bairro de Castelo Branco até no material que usa, a exemplo da
a The Planet of Graffiti (TPG), crew que esteira, que utiliza como stencil e tela.
na época se reunia não somente para Em 2013, foi convidado a participar da
pintar, mas também para estudar o graffiti. Bienal do Recôncavo, com um trabalho
Além dele, a TPG era formada por Destro, em homenagem às orixás femininas,
Furo, Zumbi e Kenow, que inovaram o utilizando esteiras como suportes.

Graffiti Salvador 123


“Eu costumo falar
que meus trabalhos
são os meus ebós, os
meus presentes para
a cidade”.

124 Graffiti Salvador


Graffiti Salvador 125
126 Graffiti Salvador
Fábio da Rocha, ilustrador e grafiteiro das personagens que pinta denunciam
soteropolitano conhecido como questões sociais, que, pelas mãos do
Limpo, reside atualmente na Suécia, artista, transformam-se em coloridas
mas continua bastante atuante na poesias. Juntamente com Peace,
cena do graffiti em Salvador. Tem a Sisma e o produtor cultural Claudio
horizontalidade como característica Madureira formou a Turbilhão Urbano,
marcante de suas produções, que ou TU, sigla que agregou ao final do
chegam a medir sete metros. Sempre seu tag ou assinatura. Mundo afora, a
tocado pela realidade dos moradores arte baiana é representada por Limpo
de rua, em especial, das crianças, em castelos, altares de igrejas, livros
Limpo busca representá-los de forma e escolas, onde ministra oficinas para
única. O corpo franzino e o olhar triste crianças e jovens.

Graffiti Salvador 127


128 Graffiti Salvador
“O graffiti proporcionou uma guinada na minha vida, me deu acesso
a lugares e pessoas”.

Graffiti Salvador 129


130 Graffiti Salvador
Marcio Fernando Ramos, nas possibilidade de se fazer graffiti na
artes MFR, começou a pintar por própria cidade. Em 2003, na Escola
influência do skate. Como muitos de Belas Artes da UFBA, conheceu
grafiteiros, foi iniciado nas ruas pela Rodrigo Izolag e juntos fundaram a
pichação. Nos anos 2000, desistiu da 071 Crew e de lá pra cá não parou
faculdade de comunicação pra fazer mais. Tem preferência por pintar
o que realmente tinha vocação: artes casas abandonadas pelo resultado
plásticas. Apesar de ter consumido que obtém: vê sua arte integrada ao
vídeos e revistas com trabalhos de espaço de uma forma natural. Em tela,
artistas de fora, declara ter sido a avó utiliza diferentes materiais e técnicas,
paterna, sua principal influência. Nas como, por exemplo, a de compor
ruas de Salvador, passou a perceber imagens com caligrafia. Além da
trabalhos de Peace, que acabou sendo pintura, MFR revela sua arte através
indiretamente outra influência só pela da fotografia.

“O graffiti me proporcionou muitos amigos e estar sempre


querendo mais”.

Graffiti Salvador 131


132 Graffiti Salvador
Graffiti Salvador 133
Nascido em São Félix, no Recôncavo procura expressar também a sua
baiano, Marcos Costa é radicado em ancestralidade através do seu
Salvador, onde cresceu e mora há “afrograffiti”. Grafismos, máscaras,
muitos anos. A cidade, os cidadãos figuras com características escultórias
e os acontecimentos sociais inspiram também fazem parte do universo
a arte desse artista plástico, que que Marcos recria nas ruas de
Salvador. Trabalha muito com as
cores da unificação africana, por
uma questão de identidade. Apesar
da forte influência ancestral, o
artista desenvolve temas diversos,
sendo conhecido por pintar o vira-
lata batizado de “Boca Preta” e pela
expressão “spray cabuloso”, que faz
referência ao seu bairro de origem
em Salvador, o Cabula. Segundo ele,
desde muito cedo, elegeu o graffiti
como linguagem preferencial pela
liberdade de criação que proporcionou.
Na universidade, pôde aprender
técnicas gráficas e desenvolver
conceitos de percepção visual.

134 Graffiti Salvador


Graffiti Salvador 135
136 Graffiti Salvador
Formado em Belas Artes, além de
grafiteiro, Marcos é consultor da ONU
e atua como cenógrafo e produtor “Como eu desenvolvo um trabalho de arte-educação, acabo
cultural, função que lhe permite
pintando muitas escolas públicas. Acho importante porque são
viabilizar boa parte das oficinas de
espaços de construção de conhecimento e o graffiti tem que estar
graffiti que ministra Bahia afora.
Pretende ainda experimentar o graffiti ligado à educação”.
ligado a novas tecnologias como stop
motion e light painting.

Graffiti Salvador 137


Mônica Santos Reis, no universo do
graffiti conhecida como Mônica, é
uma das mulheres mais atuantes na
cena de Salvador. Sua inspiração
para pintar vem da vontade de passar
para as pessoas um pouco do que
acontece em sua vida. O trabalho
de artistas brasileiras que retratam o
universo feminino, como Miss Van e
Fafi são também referência para suas
produções que costumam retratar
mulheres. Mônica tem preferência por
pintar bairros periféricos, objetivando
levar um pouco do seu trabalho às
pessoas sem acesso algum à arte.
Apesar dos desafios, a artista já
viajou para alguns estados do Brasil
e para a Itália representando o graffiti
baiano. Também já atuou como arte-
educadora do projeto Mais Educação
nos anos de 2011 e 2012.

138 Graffiti Salvador


“A arte me trouxe
muito benefício
porque através
dela cheguei onde
nunca imaginei que
iria chegar”.

Graffiti Salvador 139


140 Graffiti Salvador
Graffiti Salvador 141
142 Graffiti Salvador
André Cunha da Silva, Neuro, apesar importadas, quando conheceu melhor
de jovem, é um dos grafiteiros mais o trabalho de artistas nova-iorquinos
experientes de Salvador. Faz parte e de outros lugares do mundo. Talvez
da geração de 90, conhecida como daí venha o seu gosto pelo bomb,
old school, que reúne nomes como tipo de letrado que ele costuma fazer
Dimak, Limpo, Peace e Lee27. Desde quando sai de “rolê” com os amigos.
que começou a pintar, inspira-se em Apesar de já ter pintado personagens,
artistas que fazem letras e acabou se como a Mancha, é um aficcionado por
especializando nesse tipo de graffiti. tipografia. Quando sai pra pintar ou
Aos 17 anos, quando tudo começou, mesmo fazer bomb, tem preferência
era admirador de Binho, tanto que pelo Centro da cidade e mais ainda
resolveu buscar informações sobre ele por túneis e viadutos. Além de artista,
em revistas e vídeos. A partir de 2005, Neuro é militante do movimento hip
começou a consumir também revistas hop, ligado ao grupo Blackitude.

“O graffiti conseguiu trazer pra perto de mim pessoas da cidade,


personalidades, que até hoje eu admiro”.

Graffiti Salvador 143


144 Graffiti Salvador
Graffiti Salvador 145
Nikol chegou a ser pichador, mas produções é Cajazeiras, porque
em 2006, fase bastante produtiva do por lá sente-se em casa e tem seu
graffiti em Salvador, foi iniciado nesse trabalho valorizado pela comunidade.
universo. Suas primeiras referências Quando pinta, utiliza o cap do jeito
vieram das revistas e dos trabalhos de que ele vem na lata, gosta muito de
artistas locais como Neuro e Lee27. Se usar degradê em seus letrados, mas
fosse resumir em uma palavra o que considera seu traço simples. Faz parte
caracteriza o graffiti soteropolitano, da Graffiti Responsa Crew (GRC) e da
essa palavra seria resistência, pela Sempre Na Evolução (SNE), além da
dificuldade driblada a cada pintura nacional Quatro Cantos, como único
produzida. Seu lugar predileto para representante baiano.

“O graffiti me fez resistir ao que a rua tinha de ruim pra me dar e


por conta dele eu preferi um caminho melhor”.

146 Graffiti Salvador


Graffiti Salvador 147
148 Graffiti Salvador
Graffiti Salvador 149
150 Graffiti Salvador
Rodrigo Lisboa, mais conhecido pelo de morar atualmente na Noruega,
nome que assina em suas obras há onde aprimora seus estudos em artes,
mais de duas décadas, PEACETU, é o horizonte na praia de Amaralina
um dos artistas que mais influenciou foi sua fonte de inspiração. Peace
outros artistas no universo do graffiti considera rica a atual cena do graffiti
soteropolitano. Pioneiro em adotar em Salvador: “Acho louvável as ações
materiais e suportes diversificados, dos mutirões nos bairros e a criação
Peace – como costuma ser chamado do MUSAS pelo pessoal da Nova10
– pinta paredes, containers, esculturas Ordem”. Assim como Limpo, Peace
em madeira, papelão, concreto e aço, assina o TU ao final do seu nome em
quase sempre seres que se aparentam referência a crew que fez parte no
com galos. Diz-se influenciado pela Brasil, a Turbilhão Urbano. É possível
satisfação de observar trabalhos de encontrar trabalhos desse artista em
outros artistas, tanto no Brasil como bairros como Comércio, Rio Vermelho,
em outros lugares do mundo. Apesar Itaigara e Pituba.

“A cena não está só em pintar, mas também em produzir projetos


que dialoguem e compartilhem seus conhecimentos com as
comunidades”.

Graffiti Salvador 151


152 Graffiti Salvador
Graffiti Salvador 153
154 Graffiti Salvador
Marcos Souza do Carmo, nascido nas amigo Julio, companheiro na crew
palafitas do bairro da Massaranduba, Nova10Ordem. Antes de pintar nas ruas,
ficou conhecido como Prisk entre os fez uma oficina de graffiti promovida
grafiteiros. Aos 14 anos, residindo na pelo Grupo Cultural Bagunçaço, dos
Liberdade, começou a arriscar seus Alagados; mas foi pintando junto com
primeiros traços na rua. Nessa época, Lee que aprendeu coisas importantes
pintava personagens influenciado por como tirar ar do spray, desentupir cap
artistas locais como Lee27, Neuro e e recortar as cores no desenho com a
Drico. Atualmente, com uma experiência própria lata. Depois de aprender, Prisk
de 15 anos grafitando, prefere fazer fez questão de ensinar, atuando como
letrados e em locais periféricos. Já oficineiro em projetos como o Mais
chegou a pintar até palafitas com o Educação, no Bagunçaço e no MUSAS.

“O graffiti me deu muitas oportunidades, principalmente a de


vivenciar outras culturas, pessoas e de buscar conhecimento”.

Graffiti Salvador 155


156 Graffiti Salvador
Graffiti Salvador 157
158 Graffiti Salvador
Samuel Silva dos Santos, em artes a ser pintado e, nesse processo,
Samuca Santos, nasceu e cresceu na a escolha se dá através de um
Boca do Rio. Tem como inspiração encantamento. Pintar com amigos,
para pintar a possibilidade de mostrar com quem se identifica artisticamente,
a sua arte e sua visão de mundo, para ele, é um momento de
para as outras pessoas. Para ele, a celebração. Conhecido por pintar
rua tornou-se a melhor das galerias, cabeças, geralmente compõe painéis
a que mais dá acesso e visibilidade. com Tarcio V, Eder Muniz e Afro. A
Sendo atualmente o único grafiteiro exemplo de alguns artistas de sua
do seu bairro, gostaria de ter geração, foi aluno de Denissena em
realizado mais produções por lá, uma de suas oficinas. Não demorou
tanto quanto tem realizado em outros muito, de aluno Samuca passou a
lugares, como Cabula e Castelo ser oficineiro, atuante no Projeto
Branco. Independentemente do Cidadão, Aldeias SOS e escolas da
bairro, tem preferência pelo espaço rede pública.

Graffiti Salvador 159


160 Graffiti Salvador
“O graffiti me possibilitou conhecer pessoas e ter o meu trabalho
reconhecido e respeitado”.

Graffiti Salvador 161


Nascido na Suiça, Olivier Siebel suas produções. Apesar de gostar
adotou a Bahia como sua residência de pintar de forma proibida em solos
desde 2005. No graffiti, o que o baianos, sem a preocupação de agir
fascinou foi justamente a adrenalina ilegalmente, seu trabalho tornou-se
proporcionada pela emoção de ter que mais elaborado. Sins tem preferência
pintar rápido e escondido. Seu nome por pintar letras em locais que
artístico, Pecados, traduzido do inglês, costuma encontrar enquanto caminha
faz menção ao pecado de deixar os ou anda de ônibus. Foi fundador da
muros cinzas por conta da proibição. Bomb Bahia, loja pioneira na venda de
Em Salvador, Sins encontrou, material especializado e que contribuiu
segundo ele, um paraíso para fazer para fortalecer a cena local.

“O graffiti me trouxe muitos amigos, e amigos bons!”

162 Graffiti Salvador


Graffiti Salvador 163
164 Graffiti Salvador
Graffiti Salvador 165
Fábio da Silva Mota, morador do Deve ao graffiti a sua entrada na
Bairro da Paz, ficou conhecido como Universidade Federal da Bahia, onde
Afro, mas hoje assina seus trabalhos busca aprimorar seus conhecimentos
como Super Afro. Seu interesse cursando Artes Plásticas. Uma
pelo universo do graffiti surgiu ainda das suas marcas é o corte, tipo de
no ensino fundamental, em 2001, acabamento que dá ao bomb, letrado
durante a participação em uma oficina que traça em muros. Como o amigo de
ministrada pelo artista Denissena. bairro, Core, assina OMC – Operários
Pintando nas ruas desde 2004, é Multimídia Crew – em alguns trabalhos
movido pela necessidade de ver o seu que executa. Costuma também utilizar
trabalho modificar a paisagem urbana. stickers como suporte.

166 Graffiti Salvador


Graffiti Salvador 167
168 Graffiti Salvador
“Devo ao graffiti o meu ingresso na universidade”.

Graffiti Salvador 169


170 Graffiti Salvador
Tárcio Renan Vasconcelos Moreira, se atraído. Em uma das escolas que
nas artes Tarcio V, nasceu e cresceu estudou, situada em um mosteiro, teve
no bairro de Castelo Branco. Por ter a possibilidade de conhecer também a
uma ligação muito forte com o desenho, arte barroca. Sua busca pessoal pela
cada dia se reconhece mais como um espiritualidade inclui ainda religiões de
desenhista. Para ele, desenhar é ter matrizes indígena e africana. Todo esse
a habilidade de escrever através de processo faz parte do diálogo que busca
imagens e contar histórias. Através da ter em seu trabalho nas ruas. Segundo
sua arte, Tarcio realiza um trabalho ele próprio, suas produções representam
documental onde procura contar a narrativas. Pinta muito no bairro onde
sua biografia. Nascido em uma família cresceu, mas gosta da visibilidade que
católica, chegou a ser coroinha e aos o Centro da cidade proporciona e de
14 anos sonhava em ser padre, mas foi locais abandonados. Ficou conhecido
levado por outros caminhos. Através da por pintar figuras antropomórficas com
religião, descobriu a arte sacra e sentiu- cabeça de peixe.

Graffiti Salvador 171


172 Graffiti Salvador
“Os meus maiores amigos
são grafiteiros e o meu lazer
preferido é pintar com eles.
O graffiti me deu a ciência
de trabalhar com respeito
em coletivo”.

Graffiti Salvador 173


174 Graffiti Salvador
Thito Lama tem a cultura negra que também já pesquisou. Prioriza
como fonte de inspiração para o o figuratismo realista, apesar de
seu trabalho. Na adolescência, fazer letrados também. Geralmente,
já desenhava, começou a pichar pinta grandes líderes, como o próprio
e depois partiu para o graffiti. Na Dalai Lama, Nelson Mandela etc.
comunidade da Saramandaia, onde Considera a rodoviária da cidade um
morou por muitos anos, havia muitas marco, uma vitrine para a sua arte,
enchentes, e, sempre que acontecia por isso está sempre produzindo
uma, seus desenhos molhavam e algo por lá. Em 2008, fundou a crew
ficavam todos manchados de lama. Manos de Responsa Social (MRS)
Disso surgiu a ideia para o seu tag, na Saramandaia, juntamente com os
“Lama”. Quando passou a assinar amigos Dhid, Kbeça, Siks, Xabath e
assim, buscou outras referências Dilan (morto aos 19 anos). Lá também,
com a palavra lama, como, por desde 2006, desenvolve várias ações
exemplo, a do guru Dalai Lama, educativas com a comunidade.

Graffiti Salvador 175


176 Graffiti Salvador
“Acredito que o graffiti
por si só já é forte, mas
pode crescer muito mais
com apoio da iniciativa
privada e do poder público.
Se tivermos esse apoio,
ganharemos força e vamos
ver o graffiti baiano em
arranha-céus”.

Graffiti Salvador 177


“Através do graffiti, tento
protestar e denunciar o que
vejo de ruim e que me incomoda
na sociedade. A exploração do
trabalho infantil e moradores de
rua, por exemplo, são questões
que eu abordo na minha arte”.

178 Graffiti Salvador


Flávio Moraes Carvalho é conhecido pelo graffiti de Peace. Quando pinta, como uma forma de protesto. No
entre os grafiteiros simplesmente procura becos e vielas para tentar bairro onde cresceu e ainda reside,
como Tial, apelido de infância dado revitalizar locais pouco visitados. atua como voluntário em escolas,
pela família. Nascido no bairro de Ligado em questões sociais que onde dá noções da sua arte a
Pernambués, começou a pintar o tocam como a violência e a crianças de faixas etárias diversas.
motivado pelas produções que via exploração do trabalho infantil, Tial Também atua como monitor em
nas ruas de Salvador, principalmente busca abordá-las em suas produções projetos sociais.

Graffiti Salvador 179


180 Graffiti Salvador
Graffiti Salvador 181
Zezé Olukemi, antes de começar a entre 2004 e 2006, o Cabula foi
grafitar já era pintor letrista. Aos 10 um dos bairros mais pintados em
anos de idade, teve seu primeiro Salvador, muito por causa de grupos
contato com a pichação através dos articulados em espaços institucionais,
riscos de Zapata e, posteriormente, como o da Universidade do Estado
com o graffiti, através de trabalhos de (UNEB). Em relação ao seu trabalho
Peace e Sisma. Começou a grafitar artístico, ele chama atenção para as
aos 13 anos, quando estudava no cores que utiliza, em tons de cinza,
Colégio Polivalente do Cabula. De preto e branco, com recortes retos.
lá pra cá, são 20 anos de atuação e Geralmente, retrata faces de grandes
militância. E um caminho que levou líderes negros ou desenvolve letrados
a outros, já que através da arte Zezé em wild style. Por conta do graffiti,
passou a ser educador e militante Zezé é arte-educador, militante do
do Movimento Negro. Quando sai movimento hip hop e faz parte da crew
para pintar, tem preferência pelo Legião de Grafiteiros de Salvador
seu bairro, o Cabula. Segundo Zezé, (LGS), formada no Cabula em 1995.

“O graffiti foi o elemento primordial para todos os meus acessos,


absolutamente todos”.

182 Graffiti Salvador


Graffiti Salvador 183
184 Graffiti Salvador
Graffiti Salvador 185
Glossário
AERÓGRAFO: Aparelho por meio do GRAPIXO: Estilo de letrado híbrido que PRODUÇÃO: Nome dado pelos
qual se projetam tintas sob pressão de combina graffiti e pichação. grafiteiros a um mural largo e detalhado.
ar comprimido.
HALL OF FAME: Graffiti bem elaborados SOPA DE LETRINHAS: Muro coberto
ATROPELAR: Diz-se quando alguém pinta (com fundos, letras, personagens) de letrados, um do lado do outro sem
por cima do trabalho de algum artista. produzidos por vários artistas de destaque sobreposições.
em muros autorizados.
B-BOY/ B-GIRL: Abreviação para Break STENCIL: Técnica usada com molde
Boy ou Break Girl, pessoa que dedica-se MC: Sigla para Mestre de Cerimônia, em materiais diversos (cartolina,
ao Break. que pode ser designada tanto para radiografias etc).
um artista que atua como músico
BOMB: Letrado feito de forma rápida, ou para um apresentador de evento STICKER: Modalidade de arte urbana
geralmente ilegal. não necessariamente ligado a uma que utiliza etiquetas adesivas.
manifestação musical.
CAP: Bico utilizado no topo da lata de TAG: Diz-se da assinatura de um artista
spray que pode possibilitar diferentes MUTIRÃO: Evento onde artistas se de graffiti, feita de forma rápida e intuitiva.
resultados na pintura. encontram para pintar, geralmente
TOY ART: Manifestação contemporânea
organizado por algum deles em seu
CREW: Grupo de grafiteiros que criam que se apropria de brinquedos para
bairro de origem.
juntos e que usam as iniciais da crew mesclar design, moda e urbanidade.
como sua assinatura. OLD SCHOOL: Expressão que pode ser
THROW-UP: Letras simples pintadas de
traduzida como “velha guarda”.
DJ: Do inglês, disc jockey, sigla que forma rápida, feitas apenas com contorno
designa o profissional responsável por PAINEL: Mural largo e detalhado que a ou preenchimento em uma única cor.
selecionar, tocar e misturar músicas. maioria dos grafiteiros prefere chamar de
WILDSTYLE: Construção muito
“produção”.
EMBALO: Como os grafiteiros complexa de letras distorcidas, que
costumam chamar alguém que pinta PICHAÇÃO: Estilo de grafite endêmico lembram setas, vetores.
exatamente do seu lado quando acaba no Brasil, comumente chamado de
de fazer uma produção. “pixação” nas ruas.

186 Graffiti Salvador


Créditos
A = Acima AB = Abaixo C = Centro E = Esquerda D = Direita

CRÉDITOS DAS PINTURAS D Drico, p. 27 A, p. 50 AC, p. 88, pp. 102-


AC pp. 74-77 Ailson Ribeiro p. 19 ABE 105 Dufs p. 46 Ed (PA) p. 51 AB Eder
Ailson Rollemberg p. 18, p. 19 ABC, p. Muniz (Calangos) p. 3, p. 10 D, p. 11 E,
27 ABD Alopen p. 44 Arem p. 71 AE p. 32 A, p. 36 A, p. 43 AC e AD, p. 50
Arps p. 48 ABD Asc p. 48 ABD Atitude AB, p. 55, p. 56 AE, p. 71 AE, p. 96 ABE,
p. 12 ABE, p. 13 DC Baga p. 24 ABE e p. 106-109, p. 144 ABD, p. 160 ABD,
ABC, p. 25 ABD, p. 26 ABE, p. 26 D, p. p. 161 AD e ABD, p. 170 E e D, p. 171
46, p. 59 D, pp. 64-67, p. 69 ABD, pp. 78- ABD, pp. 172 AD-173AE Fael 1º p. 25
81 Been p. 40, Bigod p. 8 E, p. 16 ABC, AE, p. 27 ABE, p. 43 ABE e ABD, p. 67,
p. 19 AE, p. 19 ABC, p. 21 ABE e D, p. pp. 110-113 Filó p. 4, p. 16 ABE Finho p.
22, p. 24 A, p. 25 ABC e ABE, p. 26 D, p. 19 AC Flos p. 48 E, p. 60 AE, p. 62 ABE
27 A, p. 31 D, p. 46, p. 50 AE, p. 51 A, p. Frank (CE) p. 33 AB Fozi pp. 44-45 ABC
51 AB, p. 54 AC, p. 58, pp. 68-69 E, pp. Fumax p. 40, pp. 114-117 Furone p. 16
82-85, p. 120, p. 121 E, p. 156 AD Blok AE, p. 45 AC, p. 47, p. 50 AD, p. 54 AD, p.
p. 46 Bond p. 46 Boob p. 35 Brak p. 13 70 E, p. 149 AE Gabi (PE) p. 51 AB Grafi
EC, p. 26 AE, p. 72, pp. 86-89 Chermie (PA) p. 51 AB Gringo p. 16 ABD Iel p. 69
(PA) p. 21 AD, p. 32 ABE, p. 51 AB Core AD Índio (PA) p. 51 AB Islutx p. 27 A p.
p. 19 AD, p. 42 ABD, p. 47 D, p. 56 AC, p. 44 ABE, p. 51 AB, p. 54 AC Izolag pp. 64-
63 AD, p. 71 AE e AB, pp. 90-93 Cortes 65, p. 66 Jony (Risca Vandalism) p. 49
p. 63 AE Denissena p. 12 A, p. 13 E, pp. C, p. 57 EC Julio p. 21 D, p. 24 A e ABC,
60-61, p. 80, pp. 94-97 Dhead p. 37 AC p. 26 D, p. 31 AD, p. 58, pp. 118-121, p.
Dhid p. 48 ABC Dimak p. 42 ABE, p. 43 157 ABC Kajaman (RJ) p. 54 AE Kbça
AE, p. 48 AD, p. 54 ABC, p. 56 AD, pp. pp. 46 Kelvin p. 40 Kuza p. 62 ABD e 63
98-101 Dom p. 13 D Dose p. 52 A, p. 53 AB Lee27 p. 51 A, p. 69 AC, pp. 124-125

Graffiti Salvador 187


Limpo p. 27 ABD, p. 43 ABC, p. 63 ABC, Três p. 44, pp. 46-47 Trigo p. 49 ABE
pp. 127-129 Maö p. 41 Marcos Costa p. Vespa (SP) p. 8 D, p. 9 Vidal p. 27 A, p.
34, pp. 134-137 Mas p. 56 ABC Mask p. 41, p. 47, p. 49 D, p. 163 AD War p. 48
41 Matek p. 27 A, pp. 120-122 Medo ABD Wil p. 27 A Yago p. 137 ABC Zekst
p. 44 Melvin p. 40 Mich p. 71 A MFR p. p. 40 Zezé Olukemi pp. 184-185.
54 ABE e ABD, pp. 130-133 Mônica p.
21 AE, pp. 138-141 Mosh p. 44 Naara CRÉDITOS DAS FOTOS
Nako p. 43 AD Nast p. 60 AB Nelk p. Todas as imagens foram feitas por
40 Neuro p. 144-145 Nikol p. 16 AD, p. Carol Garcia, exceto as fotos: p. 77 AB
45 AE e AD, p. 46, p. 51 A, pp. 146-149 (Anderson AC), p. 132 E e AD (MFR) e p.
Panda p. 41 Pandy Bird (Taiwan) p. 180 133 A (MFR).
ABD Peace pp. 150-153 Pinel p. 37 AD,
p. 39 A, p. 41 A, p. 46, orelha contracapa
Prisk p. 21 D, 24 A, p. 26 D, p. 27 A p. 58,
p. 70 D, pp. 154-157 Questão p. 25 ABC
AB, p. 42 A Raphael Ribeiro p. 19 ABD,
p. 25 AD, p. 45 ABD Rebeca p. 57 D, p.
62 AE Rebel p. 46 RBK p. 117 AD San p.
44 Sank p. 46, p. 51 A Samuca p. 10 E,
p. 11 D, p. 109 ABD, pp. 158-161, p. 168
E, p. 170 AC, pp. 172-173 AC Scank p.
57 CE Sedr85 (Polônia) p. 42 ABC Seik
pp. 46 Shirley p. 32 ABC Sins p. 27 A,
p. 36 ABD, p. 149 E, pp. 162-165 Slam
p. 180 AE Solis p. 27 A, p. 46 Soon p.
52 AB, p. 53 E, p. 133 AC Spar p. 45 AD
SuperAfro p. 49 ABC, p. 71 AB, p. 160
ABE, pp. 166-169, p. 172 AE Talu p. 44
TarcioV p. 161 ABC, pp. 170-173 Teles
p. 26 D Thito Lama pp. 174-177 Tial p.
25 AD, pp. 178-181 Tib p. 41, p. 45 AD,
pp. 47 Toc p. 56 ABC Toz (RJ) p. 27 ABC

188 Graffiti Salvador


Referências
CAMEROTA, Remo. Graffiti Japan. New York: Mark Batty Publisher, 2008.
CAMPOS, Cristian. Graffiti and Urban Art. Barcelona: FKG, 2011.
GANZ, Nicholas. Graffiti World. London: Thames e Hudson, 2004.
GITAHY, Celso. O que é Graffiti? São Paulo, Editora Brasiliense, 1999.
LASSALA, Gustavo. Pichação não é pixação – uma introdução à análise de
expressões gráficas urbanas. São Paulo, Altamira Editorial, 2010.
MANCO, Tristan; ART, Lost & NEELON, Caleb. Graffiti Brasil. New York: Thames e
Hudson, 2005.
POATO, Sérgio (org.) O Graffiti na cidade de São Paulo e sua vertente no Brasil: estéticas
e estilos. São Paulo: Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo, 2006.
RISÉRIO, Antonio. A Cidade no Brasil. São Paulo: Editora 34, 2012.
ROMERO, César. Grafite: Sinais Urbanos. Salvador: Catálogo para Exposição
Coletiva, 2011.
RUIZ, Maximiliano. Graffiti Argentina. London: Thames e Hudson, 2008.

Graffiti Salvador 189


190 Graffiti Salvador
Sobre as Autoras

Fotos: Fernando Vivas


Bárbara Falcón Carol Garcia

Antropóloga baiana, mestra em Estudo Étnicos e Fotógrafa e jornalista baiana, formada pela Universidade
Africanos (CEAO/UFBA) e especialista em Produção Federal da Bahia e especialista em Artes Visuais pelo
Cultural e Mídias (UNIJORGE). Como pesquisadora, atua Senac. Desde 2008, trabalha como repórter fotográfica
nas áreas de Etnomusicologia e Antropologia Urbana. em organizações governamentais. Além disso, atua
Como produtora cultural, atua em diferentes segmentos como educadora de fotografia em projetos sociais, tendo
(teatro, dança, literatura e música), tendo acumulado como base sua experiência, por seis anos, na ONG Cipó
em seu currículo participações em eventos nacionais e Comunicação Interativa. Sua identificação com a linguagem
internacionais, como organizadora e produtora executiva. documental na fotografia levou-a a aproximar-se do
Em 2012, lançou o livro O Reggae de Cachoeira, resultado registro da cultura e das expressões populares como
de sua pesquisa de mestrado. Atualmente, pesquisa a temas prioritários.
influência jamaicana na nova música brasileira.

Graffiti Salvador 191


Este livro é composto nos tipos Thirsty
Rough e Helvetica Narrow em corpo 11/16,
papel Couchê Fosco de 115g,
com impressão em outubro de 2014