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bastante.

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2
Quem sou eu?
Meu nome é Diego William,
William e minha missão esse ano é fazer você
voc passar
em um vestibulinho de Ensino Médio!
M

Sou Engenheiro de Materiais de formação


forma o e professor de coração...
cora

Sou de São José dos Campos/SP,


Campos/SP vim de escola pública, blica, nunca tive
tiv
dinheiro pra pagar um colégio
col gio particular, por isso sempre lutei para passar
em um vestibulinho e mudar minha vida.

E deu certo! Passei em 6 vestibulinhos e em 8 vestibulares!

Desde 2013 trabalho como professor e mentor para alunos que sonham
em passar em um vestibulinho...

Mas em 2018 resolvi fazer diferente: fundei o Guia do Vestibulinho,


Vestibulinho que já
é o maior portal de vestibulinhos do Brasil e ajuda alunos a se
prepararem para as provas de bolsa e vestibulinhos das maiores e
melhores escolas do país.
s.

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SUMÁRIO
GLOBALIZAÇÃO ...................................................................................................................... 6
BLOCOS ECONÔMICOS ........................................................................................................ 10
NOVA ORDEM MUNDIAL ..................................................................................................... 12
MUNDO CONTEMPORÂNEO ................................................................................................ 15
CARTOGRAFIA ...................................................................................................................... 18
COORDENADAS GEOGRÁFICAS ............................................................................................ 20
COORDENADAS GEOGRÁFICAS ............................................................................................ 23
11 DE SETEMBRO ................................................................................................................. 25
INDUSTRIALIZAÇÃO E URBANIZAÇÃO .................................................................................. 27
ÊXODO RURAL ...................................................................................................................... 29
ESTRUTURA FUNDIÁRIA ....................................................................................................... 31
A QUESTÃO DA TERRA ......................................................................................................... 33
GOVERNOS MILITARES......................................................................................................... 37
ESCRAVIDÃO NO BRASIL ...................................................................................................... 42
DIREITOS TRABALHISTAS ..................................................................................................... 44
GRÉCIA CLÁSSICA ................................................................................................................. 48
REPÚBLICA ROMANA ........................................................................................................... 50
FEUDALISMO ........................................................................................................................ 52
IDADE MODERNA ................................................................................................................. 54
IDADE MODERNA ................................................................................................................. 56
BRASIL COLÔNIA .................................................................................................................. 58
BRASIL IMPÉRIO ................................................................................................................... 60
BRASIL REPÚBLICA ............................................................................................................... 62
TEMPO HISTÓRICO X TEMPO CRONOLÓGICO ..................................................................... 66

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GLOBALIZAÇÃO
cai nos vestibulinhos: ETEC, Colégios Militares, Colégio Embraer, Colégios da UNESP, Colégio da USP e
Bolsas de Estudo.

A globalização é um dos termos mais frequentemente empregados para descrever a atual


conjuntura do sistema capitalista e sua consolidação no mundo.

Na prática, ela é vista como a total ou parcial integração entre as diferentes localidades do
planeta e a maior instrumentalização proporcionada pelos sistemas de comunicação e
transporte.

Mas o que é globalização exatamente?

O conceito de globalização é dado por diferentes maneiras conforme os mais diversos


autores em Geografia, Ciências Sociais, Economia, Filosofia e História que se pautaram em
seu estudo. Em uma tentativa de síntese, podemos dizer que a globalização é entendida
como a integração com maior intensidade das relações socio-espaciais em escala mundial,
instrumentalizada pela conexão entre as diferentes partes do globo terrestre.

Vale lembrar, no entanto, que esse conceito não se refere simplesmente a uma ocasião ou
acontecimento, mas a um processo. Isso significa dizer que a principal característica da
globalização é o fato de ela estar em constante evolução e transformação, de modo que a
integração mundial por ela gerada é cada vez maior ao longo do tempo.

Há um século, por exemplo, a velocidade da comunicação entre diferentes partes do


planeta até existia, porém ela era muito menos rápida e eficiente que a dos dias atuais, que,
por sua vez, poderá ser considerada menos eficiente em comparação com as prováveis
evoluções técnicas que ocorrerão nas próximas décadas. Podemos dizer, então, que o
mundo encontra-se cada dia mais globalizado.

O avanço realizado nos sistemas de comunicação e transporte, responsável pelo avanço e


consolidação da globalização atual, propiciou uma integração que aconteceu de tal forma
que tornou comum a expressão “aldeia global”. O termo “aldeia” faz referência a algo
pe6queno, onde todas as coisas estão próximas umas das outras, o que remete à ideia de
que a integração mundial no meio técnico-informacional tornou o planeta metaforicamente
menor.

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A origem da Globalização

Não existe um total consenso sobre qual é a origem do processo de globalização. O termo
em si só veio a ser elaborado a partir da década de 1980, tendo uma maior difusão após a
queda do Muro de Berlim e o fim da Guerra Fria. No entanto, são muitos os autores que
defendem que a globalização tenha se iniciado a partir da expansão marítimo-comercial
europeia, no final do século XV e início do século XVI, momento no qual o sistema
capitalista iniciou sua expansão pelo mundo.

De toda forma, como já dissemos, ela foi gradativamente apresentando evoluções,


recebendo incrementos substanciais com as transformações tecnológicas proporcionadas
pelas três revoluções industriais. Nesse caso, cabe um destaque especial para a última
delas, também chamada de Revolução Técnico-Científica-Informacional, iniciada a partir de
meados do século XX e que ainda se encontra em fase de ocorrência.

Nesse processo, intensificaram-se os avanços técnicos no contexto dos sistemas de


informação, com destaque para a difusão dos aparelhos eletrônicos e da internet, além de
uma maior evolução nos meios de transporte.

Portanto, a título de síntese, podemos considerar que, se a globalização iniciouse há cerca


de cinco séculos aproximadamente, ela consolidou-se de forma mais elaborada e
desenvolvida ao longo dos últimos 50 anos, a partir da segunda metade do século XX em
diante.

Características da globalização / aspectos positivos e negativos

Uma das características da globalização é o fato de ela se manifestar nos mais diversos
campos que sustentam e compõem a sociedade: cultura, espaço geográfico, educação,
política, direitos humanos, saúde e, principalmente, a economia. Dessa forma, quando uma
prática cultural chinesa é vivenciada nos Estados Unidos ou quando uma manifestação
tradicional africana é revivida no Brasil, temos a evidência de como as sociedades integram
suas culturas, influenciando-se mutuamente.

Existem muitos autores que apontam os problemas e os aspectos negativos da globalização,


embora existam muitas polêmicas e discordâncias no cerne desse debate. De toda forma,
considera-se que o principal entre os problemas da globalização é uma eventual
desigualdade social por ela proporcionada, em que o poder e a renda encontram-se em

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maior parte concentrados nas mãos de uma minoria, o que atrela a questão às contradições
do capitalismo.

Além disso, acusa-se a globalização de proporcionar uma desigual forma de comunicação


entre os diferentes territórios, em que culturas, valores morais, princípios educacionais e
outros são reproduzidos obedecendo a uma ideologia dominante. Nesse sentido, forma-se,
segundo essas opiniões, uma hegemonia em que os principais centros de poder exercem
um controle ou uma maior influência sobre as regiões economicamente menos favorecidas,
obliterando, assim, suas matrizes tradicionais.

Entre os aspectos positivos da globalização, é comum citar os avanços proporcionados pela


evolução dos meios tecnológicos, bem como a maior difusão de conhecimento. Assim, por
exemplo, se a cura para uma doença grave é descoberta no Japão, ela é rapidamente
difundida (a depender do contexto social e econômico) para as diferentes partes do
planeta. Outros pontos considerados vantajosos da globalização é a maior difusão comercial
e também de investimentos, entre diversos outros fatores.

É claro que o que pode ser considerado como vantagem ou desvantagem da globalização
depende da abordagem realizada e também, de certa forma, da ideologia empregada em
sua análise. Não é objetivo, portanto, deste texto entrar no mérito da discussão em dizer se
esse processo é benéfico ou prejudicial para a sociedade e para o planeta.

Efeitos da Globalização

Existem vários elementos que podem ser considerados como consequências da globalização
no mundo. Uma das evidências mais emblemáticas é a configuração do espaço geográfico
internacional em redes, sejam elas de transporte, de comunicação, de cidades, de trocas
comerciais ou de capitais especulativos. Elas formam-se por pontos fixos – sendo algumas
mais preponderantes que outras – e pelos fluxos desenvolvidos entre esses diferentes
pontos.

Outro aspecto que merece destaque é a expansão das empresas multinacionais, também
chamadas de transnacionais ou empresas globais. Muitas delas abandonam seus países de
origem ou, simplesmente, expandem suas atividades em direção aos mais diversos locais
em busca de um maior mercado consumidor, de isenção de impostos, de evitar tarifas
alfandegárias e de angariar um menor custo com mão de obra e matérias-primas. O
processo de expansão dessas empresas globais e suas indústrias reverberou no avanço da
industrialização e da urbanização em diversos países subdesenvolvidos e emergentes,
incluindo o Brasil.

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Outra dinâmica propiciada pelo avanço da globalização é a formação dos acordos regionais
ou dos blocos econômicos. Embora essa ocorrência possa ser inicialmente considerada
como um entrave à globalização, pois acordos regionais poderiam impedir uma global
interação econômica, ela é fundamental no sentido de permitir uma maior troca comercial
entre os diferentes países e também propiciar ações conjunturais em grupos.

Por fim, cabe ressaltar que o avanço da globalização culminou também na expansão e
consolidação do sistema capitalista, além de permitir sua rápida transformação. Assim, com
a maior integração mundial, o sistema liberal – ou neoliberal – ampliou-se
consideravelmente na maior parte das políticas econômicas nacionais, difundindo-se a ideia
de que o Estado deve apresentar uma mínima intervenção na economia.

A globalização é, portanto, um tema complexo, com incontáveis aspectos e características.


Sua manifestação não pode ser considerada linear, de forma a ser mais ou menos intensa a
depender da região onde ela se estabelece, ganhando novos contornos e características.
Podemos dizer, assim, que o mundo vive uma ampla e caótica inter-relação entre o local e o
global.

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BLOCOS ECONÔMICOS
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Bolsas de Estudo.

Os blocos econômicos compreendem a formação de mercados regionais entres países a fim


de dinamizar e integrar a economia de seus membros, através da livre circulação de
mercadorias ou da redução dos impostos cobrados em importações. A tendência para a
criação e difusão de blocos econômicos em todo o mundo aconteceu após o término da
Guerra Fria, mas a sua prática começou a ocorrer após o final da Segunda Guerra Mundial
(1939-1945).

Inicialmente, os blocos econômicos eram tratados como um contraponto, uma oposição à


globalização. Imaginava-se que a sua formação iria potencializar as dinâmicas comerciais
em nível regional e enfraquecê-las globalmente. No entanto, hoje se sabe que os blocos
econômicos são, na verdade, um dos principais elementos que propiciaram a
instrumentalização de uma economia em nível global.

Isso porque, além de integrar regionalmente os países, a formação dos acordos econômicos
potencializa o comércio com o mercado externo, através de tarifas comuns e estratégias de
mercado, visando atenuar os efeitos da concorrência e dinamizar as trocas comerciais.

O primeiro acordo internacional entre países a se constituir no mundo foi o Benelux, que
seria a semente para a formação posterior da União Europeia.

O Benelux consistia na união comercial com a redução de tarifas aduaneiras entre Bélgica,
Holanda e Luxemburgo.

Os principais Blocos Econômicos do mundo

A União Europeia é o principal bloco econômico da atualidade. Possui, atualmente, 28


países-membros, apresentando, além de uma dinâmica econômica e comercial acentuada,
um elevado nível de organização, que inclui, até mesmo, a livre circulação de pessoas entre
as nações que fazem parte do bloco.

A CEI – Comunidade dos Estados Independentes – é a formação econômica constituída


pelos países que faziam parte da antiga União Soviética (URSS), com exceção de Estônia,
Letônia e Lituânia (que nunca fizeram parte do bloco), além da Geórgia (que deixou o grupo

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em 2009). A organização desse bloco se deve ao fato de que, quando a URSS surgiu e
industrializou-se, ela interligou o comércio e as indústrias entre as diversas repúblicas que a
compunham, o que as deixou extremamente interdependentes entre si.

O NAFTA – North America Free Trade Agreement ou Tratado Norte-Americano de Livre


Comércio – é integrado apenas por três países: Estados Unidos, Canadá e México. O bloco
foi criado em 1993 para fazer frente à União Europeia. Sua organização se dá através do
livre comércio.

O Mercosul – Mercado Comum do Sul – foi criado em 1993 e envolve alguns países da
América do Sul: Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e Venezuela, enquanto Equador, Chile,
Colômbia, Peru e Bolívia participam como membros associados.

Classificação dos Blocos Econômicos

Os blocos econômicos são classificados em quatro tipos principais: zona de livre comércio,
união aduaneira, mercado comum e união econômica e monetária.

Na Zona de Livre Comércio há a redução ou extinção das tarifas aduaneiras entre países de
um mesmo bloco econômico. Nesse tipo de acordo, não se inclui outros elementos, como a
adoção de uma moeda única ou a livre circulação de pessoas. Exemplo: NAFTA.

Na União Aduaneira há a inclusão da zona de livre comércio incrementada à Tarifa Externa


Comum (TEC), em que os países-membros adotam as mesmas tarifas para suas exportações
e importações. Exemplo: Mercosul.

No Mercado Comum há a mais avançada integração entre países que fazem parte de um
mesmo bloco. Visa, além da eliminação das tarifas aduaneiras, à integração total em
circulação de bens, mercadorias, capital e pessoas.

Exemplo: União Europeia.

Por fim, a União Econômica e Monetária é quando os países do mesmo bloco adotam uma
moeda única de circulação livre entre eles. Exemplo: o Euro, na União Europeia.

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NOVA ORDEM MUNDIAL
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Bolsas de Estudo.

Após o fim da Segunda Guerra Mundial, a economia capitalista vive uma fase de expansão e
enriquecimento. Na década de 70 e início dos anos 80, essa prosperidade é abalada pela
crise do petróleo, que provoca recessão e inflação nos países do Primeiro Mundo. Também
nos anos 70, desenvolvem-se novos métodos e técnicas na produção. O processo de
automação, robotização e terceirização aumentam a produtividade e reduz a necessidade
de mão-de-obra.

A informática, a biotecnologia e a química fina desenvolvem novas matérias-primas


artificiais e novas tecnologias. Mas a contínua incorporação dessa tecnologia de ponta no
processo produtivo exige investimentos pesados. E os equipamentos ficam obsoletos
rapidamente.

O dinheiro dos investimentos começa a circular para além de fronteiras nacionais, buscando
melhores condições financeiras e maiores mercados.

Grandes corporações internacionais passam a liderar uma nova fase de integração dos
mercados mundiais: é a chamada GLOBALIZAÇÃO DA ECONOMIA. A divisão política entre os
blocos soviético e norte-americano modifica-se com o fim da Guerra Fria.

Uma nova ordem econômica estrutura-se em torno de outros centros de poder: os Estados
Unidos, a Europa e o Japão. Em torno destes centros são organizados os principais blocos
econômicos supranacionais, que facilitam a circulação de mercadorias e de capitais.

Em 1990, o intercâmbio comercial entre esses países era de aproximadamente 3 bilhões e


meio de dólares. Em 95, já ultrapassa os dez bilhões. O MERCOSUL vive uma fase inicial de
adequações e ajustes. Mas o comércio entre seus integrantes já demonstra seu potencial.
Os contatos políticos, econômicos e culturais se intensificam. Hoje se negocia a adesão de
outros países da América do Sul.

Visando ampliar suas atividades comerciais, já se iniciam contatos políticos com os países da
União Européia para a formação de um superbloco econômico. A integração econômica
entre Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai já é uma realidade.

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A globalização já não é mais questão de opção; é inevitável para qualquer país que pretenda
o pleno desenvolvimento econômico, e que queira fazer parte da integração mundial que
está acontecendo para não sofrer prejuízo ou discriminação por não acompanhar os
movimentos internacionais.

Sendo assim, com a crescente busca, por novos mercados e todos os demais diferentes
parâmetros adotados mundialmente, diversos efeitos econômicos emergiram.

Globalização econômica de 1980 em diante: crescimento, pobreza e distribuição de renda

Para avaliar como a globalização afetou o crescimento econômico, a pobreza e a


distribuição de renda, reuniram dados de um grupo de mais de cem países.

Eles foram divididos em três grupos: países ricos, países inseridos no processo de
globalização e países não inseridos na globalização. O critério para diferenciar os países
inseridos na globalização do resto dos países em desenvolvimento, de 1980 em diante, foi
fixado em função de duas variáveis: cortes de tarifas e aumento do volume de comércio
exterior.

Os países inseridos na globalização tiveram mudanças significativas no volume de comércio


exterior em relação ao Produto Interno Bruto, passando de 16% para 32% nos últimos vinte
anos. Como elemento de comparação, nos países ricos esse aumento foi de 29% para 50%.

Ao mesmo tempo os países inseridos na globalização reduziram as suas tarifas em 22


pontos percentuais (de 57% para 35%). Os países inseridos na globalização representam
metade da população mundial, ou seja, mais de três bilhões de pessoas. Dentre eles se
encontram China, Índia, Brasil, México e Argentina.

As conclusões do estudo mostram que “enquanto as taxas de crescimento dos países ricos
declinaram nas décadas passadas, as taxas de crescimento dos globalizadores têm seguido
o caminho inverso, acelerando-se dos anos 70 para os 80 e 90. O resto do mundo em
desenvolvimento, por outro lado, seguiu o mesmo caminho que os países ricos:
desaceleração do crescimento dos anos 70 para os 80 e 90.

Nos anos 90 os países inseridos na globalização tiveram um crescimento per capita de 5%


ao ano; os países ricos cresceram a 2,2% per capita e os países não inseridos cresceram
apenas 1,4%. Ou seja, a distância entre países ricos e em desenvolvimento declinou nas
duas últimas décadas em relação aos países inseridos na globalização e aumentou para
aqueles países não inseridos no processo.

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O estudo sugere também que a taxa de inflação dos países com maior abertura para o
exterior declinou nas últimas décadas.

Dos anos 80 para os anos 90, a inflação média desses países passou de 24% ao ano para
12%. A estabilização monetária deverá contribuir para que a renda dos pobres cresça em
torno de 0,4%. Em função desses resultados, os autores do estudo comentam: “podemos
esperar que uma maior abertura deverá melhorar a vida material dos pobres.Também
sabemos que no curto prazo haverá alguns perdedores entre os pobres e que a efetiva
proteção social pode facilitar a transição para uma economia mais aberta, de tal maneira
que todos os pobres se beneficiem com o desenvolvimento”.

A globalização econômica – aumento de comércio exterior e redução de tarifas – favorece o


crescimento e a diminuição da pobreza. O grande desafio da globalização, entretanto,
continua a ser a distribuição de renda entre países e entre pessoas: “países que reduziram a
inflação e expandiram o comércio e viram acelerar suas taxas de crescimento nos últimos
20 anos não tiveram mudanças significativas na distribuição de renda”.

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MUNDO CONTEMPORÂNEO
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Bolsas de Estudo.

A geopolítica mundial tem sofrido grandes modificações nos últimos 30 anos. A partir da
década de 1980, as sucessivas dissoluções dos regimes socialistas na Europa, marcadas pela
queda do Muro de Berlim em 1989 e o enfraquecimento do império soviético,
demonstraram que a configuração das relações políticas internacionais pós-Segunda Guerra
estava prestes a se reestruturar. Em 1991, a União Soviética, país que idealizou um projeto
político-econômico de oposição ao domínio ocidental capitalista, não conseguiu resistir às
pressões internas relacionadas ao multiculturalismo e à fragilidade de sua economia.

Sua decadência decretou o fim da Ordem da Guerra Fria e o início da Nova Ordem Mundial,
liderada pelos Estados Unidos e com uma estrutura baseada no conflito Norte-Sul: a
interdependência entre os países desenvolvidos e os países subdesenvolvidos.

A Nova Ordem está vinculada aos interesses dos Estados Unidos. Detentor da maior
economia mundial, o país desenvolveu durante a Guerra Fria todo um arcabouço técnico
para aumentar a sua influência econômica, cultural e militar ao redor do globo. Por outro
lado, a Europa apostou na formação de um bloco econômico bastante ambicioso, a União
Europeia, que envolve relações econômicas e políticas em torno do ideal de solidariedade e
crescimento em conjunto. Com a adoção do Euro, no ano de 2002, o bloco atingiu o maior
dos seus objetivos de integração regional, criando instituições para gerenciar esse modelo
de organização política.

Na composição do eixo dos países desenvolvidos está o Japão, país que conta com alto grau
de desenvolvimento tecnológico, mas que está atravessando muitas dificuldades
econômicas desde o início da Nova Ordem Mundial, principalmente pelo baixo crescimento
econômico acumulado e o envelhecimento de sua população.

Esse cenário começou a sofrer algumas alterações ao final da década de 1990, quando o
termo ‘países emergentes’ começou a ganhar espaço nas análises da conjuntura econômica
mundial. O crescimento expressivo e contínuo de países como China e Índia, a recuperação
econômica da Rússia, a maior estabilidade econômica do Brasil e o desenvolvimento social
e tecnológico da Coreia do Sul ofereceram uma nova característica para as relações
internacionais: países que apenas detinham uma posição secundária no sistema capitalista

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mundial passaram a influenciar mais ativamente o comércio internacional, conquistando
maior poder nas decisões de blocos e organizações mundiais.

Em 2001, o economista Jim O’Nill do banco de investimentos Goldman Sachs criou o termo
BRICs, formado por Brasil, Rússia, Índia e China e que atualmente conta também com a
presença da África do Sul. Para O’nill, esse grupo de países apresentaria o maior potencial
de crescimento entre as nações emergentes, algo que foi consolidado na década de 2000 e
que foi absorvido pelos países em questão, que promovem reuniões anuais com o
estabelecimento de acordos comerciais e projetos para a transferência de tecnologia.

Todas essas transformações recentes nos direcionam para a seguinte reflexão: após duas
grandes guerras, a Pax Americana estruturada ao final da 2a Guerra Mundial pode estar
passando por um processo de desconstrução?

A crise econômica mundial expõe a fragilidade momentânea da economia norte-americana.


Além do caráter conjuntural, as dificuldades econômicas dos EUA não representam uma
decadência de sua ideologia, que continua fortalecida, muito menos do seu poder e
eficiência militar. Nenhum outro Estado-Nação emerge como redefinidor de valores e nem
sequer existem candidatos para esse posto (desconsiderando as bravatas expressas por
líderes como o presidente venezuelano Hugo Chávez ou o iraniano Mahmoud
Ahmadinejad).

Os EUA devem reformular seus sistemas de vigilância, segurança nacional e planejamento


estratégico, a fim de confirmar o status quo geopolítico que foi determinado após a sua
consolidação como potência hegemônica. Mesmo a China possui limites quanto ao seu
crescimento econômico e dificuldades para construir, em curto prazo, um mercado
consumidor capaz de absorver tamanho crescimento.

No caso da Europa, que foi atingida mais gravemente pela crise econômica mundial, deve
ocorrer uma mudança no planejamento de suas instituições que ainda precisam ser
fortalecidas antes de apostarem na integração de países que possuem economias mais
frágeis e limitadas a setores menos modernos ou até mesmo pouco produtivos.

Mais do que a transformação na Pax Americana, merece destaque a reformulação da ONU.


A atual configuração da organização supranacional parece estar mais condizente com o
momento histórico que a Europa viveu entre o final do século XIX e a 2a Guerra Mundial
(redefinição de fronteiras) e com a bipolaridade imposta pelo período da Guerra Fria.

Os debates acerca das novas funcionalidades da organização devem ser fundamentados na


adaptação a esses novos tempos, em que os atos extremos, individuais ou planejados a
partir de células terroristas, tornam-se difíceis de serem conduzidos por uma estrutura

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geopolítica como a atual, ainda muito preocupada com os interesses particulares nacionais
e regionais. As problemáticas globais tais como meio ambiente, escassez de água,
terrorismo, violência, energias alternativas, entre tantos outros, requerem o abandono
dessas práticas políticas obsoletas e a introdução de uma nova racionalidade pautada em
valores universais.

Até porque uma pitada de utopia nunca é demais.

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CARTOGRAFIA
cai nos vestibulinhos: ETEC, Colégios Militares, Colégio Embraer, Colégios da UNESP, Colégio da USP e
Bolsas de Estudo.

A cartografia é a área do conhecimento que se preocupa em estudar, analisar e produzir


mapas, cartogramas, plantas e demais tipos de representações gráficas do espaço. Trata-se,
portanto, de um conjunto de técnicas científicas e até artísticas que visa à elaboração de
documentos que representem de forma reduzida uma determinada localidade.

Apesar de contar, atualmente, com avançadas técnicas e modernos equipamentos, essa é


uma prática extremamente antiga, pois existe desde que o homem aprendeu que seria
melhor conhecer os lugares desenhando-os em pedaços de rochas. O mais antigo mapa que
se tem notícia tem 4500 anos e provavelmente foi produzido pelos povos babilônicos. Ele
foi produzido em uma placa de argila e representa, provavelmente, a área do vale do Rio
Eufrates.

Com o passar dos tempos, as técnicas cartográficas foram se aprimorando, principalmente


durante o período das grandes navegações, em que os europeus utilizavam mapas para
encontrar novos caminhos marítimos e descobrir novos territórios. Temos aí a constituição
da Cartografia como ciência moderna. A evolução, no entanto, não parou por aí, de forma
que as técnicas cartográficas tornaram-se mais aprimoradas, especialmente durante
períodos de guerra e de grandes revoluções científicas.

No século XX, uma nova era estabeleceu-se na cartografia com o uso de fotografias aéreas
para auxiliar a produção dos mapas, uma técnica denominada por aerofotogrametria.
Pouco tempo depois, a Terceira Revolução Industrial propiciou o desenvolvimento de
procedimentos ainda mais avançados.

Nos dias de hoje, graças aos avanços realizados no âmbito dos meios informacionais, a
produção de mapas conta com complexas técnicas de elaboração e representação,
envolvendo computadores, satélites, softwares e muitos outros equipamentos.

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Os problemas da cartografia

Representar uma dada realidade física em um plano não é uma tarefa muito simples,
sobretudo quando essa representação envolve todo o globo terrestre. O primeiro problema
está no fato de a Terra apresentar uma forma esférica, o que torna impossível a sua
representação em plano. O segundo problema está no fato de que essa esfera não é
perfeita, possuindo contornos e traços não muito bem definidos.

O primeiro problema foi, de certa forma, resolvido por Karl F. Gauss (1777- 1855), um
notável matemático que elaborou o conceito de Geoide, que considera o formato da Terra
sem considerar os continentes, ou seja, apenas imaginando como ela seria se houvesse
apenas os oceanos. Ao longo dos tempos, os cartógrafos foram avançando nessa ideia e
aproximaram-se da forma que atualmente caracteriza os globos terrestres.

Já o segundo problema é impossível de ser resolvido totalmente. No entanto, a melhor


solução foi a elaboração das chamadas Projeções Cartográficas, em que a Terra passa a ser
representada em um plano de diferentes maneiras, ora distorcendo as formas dos
continentes, ora distorcendo suas áreas e, às vezes, distorcendo ambos. Existem inúmeras
projeções da Terra atualmente, cada uma atendendo a um determinado interesse ou
aspectos da superfície terrestre.

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COORDENADAS GEOGRÁFICAS
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Bolsas de Estudo.

As Coordenadas Geográficas formam um sistema de localização que se estrutura através de


linhas imaginárias, traçadas paralelamente entre si nos sentidos norte-sul e leste-oeste,
medidas em graus. Com a combinação dessas linhas, criam-se “endereços” específicos para
cada ponto do mundo, permitindo a sua identificação precisa.

Essas linhas imaginárias são chamadas de paralelos e meridianos, e suas medidas em graus
são, respectivamente, as latitudes e as longitudes. Os paralelos cortam a Terra
horizontalmente, no sentido leste-oeste, enquanto os meridianos cortam a Terra
verticalmente. A junção dessas linhas é o fator responsável pela existência das coordenadas
geográficas.

O principal paralelo é a Linha do Equador, pois representa a faixa da Terra que se encontra a
uma igual distância dos polos norte e sul. Já o principal meridiano é o de Greenwich e foi
escolhido a partir de uma convenção, realizada na cidade de Washington D.C., nos Estados
Unidos, no ano de 1884.

Essas duas linhas representam o marco inicial da contagem das latitudes e das longitudes.

Por esse motivo, tudo o que se encontra exatamente sobre a Linha do Equador possui uma
latitude 0º, aumentando à medida que se desloca para o norte e diminuindo à medida que
se desloca para o sul. Assim, as latitudes são a distância em graus de qualquer ponto da
Terra em relação à Linha do Equador. Suas medidas vão de -90º até 90º.

Da mesma forma acontece com o Meridiano de Greenwich em relação às longitudes. Tudo


que estiver sobre essa linha possui 0º de longitude, aumentando à medida que nos
deslocamos para leste e diminuindo à medida que nos deslocamos para oeste. Por isso, as
longitudes são a distância em graus de qualquer ponto da Terra em relação ao Meridiano de
Greenwich. Suas medidas vão de -180º até 180º.

Observação: É a partir das longitudes que são traçados os fusos horários.

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Diante desse conceito, podemos concluir que as latitudes negativas estão sempre se
referindo a lugares localizados no Hemisfério Sul, também chamado de Austral ou
Meridional. As latitudes positivas, obviamente, referem-se a lugares posicionados no
Hemisfério Norte, também chamado de Boreal ou Setentrional.

Já as longitudes negativas fazem referência a pontos posicionados no Hemisfério Oeste ou


Ocidental, enquanto as longitudes positivas são relativas a pontos localizados no Hemisfério
Leste ou Oriental.

O mapa a seguir fornece as coordenadas geográficas globais estabelecidas a partir da


combinação das latitudes e das longitudes.

Ponto A:

Latitude: -20º ou 20ºS

Longitude: -60º ou 60ºW

Ponto B:

Latitude: -40º ou 40ºS

Longitude: 0º

21
Ponto C:

Latitude: -20º ou 20ºS

Longitude: 90º ou 90ºE

Ponto D:

Latitude: 0º

Longitude: 0º

Ponto E:

Latitude: 40º ou 40ºN

Longitude: 120º ou 120ºE

Observe que todos os pontos da superfície localizam-se em pelo menos dois hemisférios. O
território brasileiro, nesse caso, encontra-se em três hemisférios: uma pequena parte no
norte, uma grande parte no sul e todo ele no oeste.

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COORDENADAS GEOGRÁFICAS
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Bolsas de Estudo.

Os fusos horários, também denominados zonas horárias, foram estabelecidos através de


uma reunião composta por representantes de 25 países em Washington, capital
estadunidense, em 1884. Nessa ocasião foi realizada uma divisão do mundo em 24 fusos
horários distintos.

A metodologia utilizada para essa divisão partiu do princípio de que são gastos,
aproximadamente, 24 horas (23 horas, 56 minutos e 4 segundos) para que a Terra realize o
movimento de rotação, ou seja, que gire em torno de seu próprio eixo, realizando um
movimento de 360°. Portanto, em uma hora a Terra se desloca 15°. Esse dado é obtido
através da divisão da circunferência terrestre (360°) pelo tempo gasto para que seja
realizado o movimento de rotação (24 h).

23
O fuso referencial para a determinação das horas é o Greenwich, cujo centro é 0°. Esse
meridiano, também denominado inicial, atravessa a Grã-Bretanha, além de cortar o
extremo oeste da Europa e da África. A hora determinada pelo fuso de Greenwich recebe o
nome de GMT. A partir disso, são estabelecidos os outros limites de fusos horários.

A Terra realiza seu movimento de rotação girando de oeste para leste em torno do seu
próprio eixo, por esse motivo os fusos a leste de Greenwich (marco inicial) têm as horas
adiantadas (+); já os fusos situados a oeste do meridiano inicial têm as horas atrasadas (-).

Alguns países de grande extensão territorial no sentido leste-oeste apresentam mais de um


fuso horário. A Rússia, por exemplo, possui 11 fusos horários distintos, consequência de sua
grande área. O Brasil também apresenta mais de um fuso horário, pois o país apresenta
extensão territorial 4.319,4 quilômetros no sentido leste-oeste, fato que proporciona a
existência de quatro fusos horários distintos, no entanto, graças ao Decreto n° 11.662,
publicado no Diário Oficial de 25 de abril de 2008, o país passou a adotar somente três.

A compreensão dos fusos horários é de extrema importância, principalmente para as


pessoas que realizam viagens e têm contato com pessoas e relações comerciais com locais
de fusos distintos dos seus, proporcionado, portanto, o conhecimento de horários em
diferentes partes do globo.

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11 DE SETEMBRO
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Bolsas de Estudo.

Pode-se dizer, sumariamente, que uma ação terrorista tem por objetivo atingir diretamente
a população, um órgão ou uma instalação governamental, criando algum tipo de
instabilidade social, de modo que se pressione um governo a respeito daquilo que se quer.

No Brasil, a Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CREDEN) classifica como


ato terrorista: “Ato com motivação política ou religiosa que emprega a força ou a violência
física ou psicológica, para infundir terror, intimidade ou coagindo as instituições nacionais, a
população ou um segmento da sociedade”.

Os atentados terroristas de 11 de setembro de 2001, executados pelo grupo


fundamentalista islâmico denominado Al-Qaeda, representaram o início de uma nova fase
da História mundial. A maneira como foram organizados e executados mostrou como é
possível atingir, tão profundamente, “o coração” da maior potência do mundo de uma
maneira simples e eficiente. Como uma organização não-governamental, clandestina, que
tinha como base o interior do Afeganistão, conseguiu tanto êxito?

Sem dúvida, depois dos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001, o contexto


político-diplomático internacional se modificou. Após a ação da Al- Qaeda, os EUA
desenvolveram uma nova doutrina de ação de defesa baseada na guerra preventiva,
podendo agir de maneira unilateral em qualquer lugar onde, ao seu ver, houver indícios de
ações contra a segurança interna do país.

Os atentados de 11 de setembro acabaram por dar respaldo ao domínio da tendência


política conservadora republicana nas ações do governo Bush, criando assim uma postura
diplomática inflexível e conservadora dentro do projeto governamental de “guerra contra o
terror”. Outro ponto importante foi que, depois dos atentados de 11 de setembro de 2001,
o mundo assistiu ao enfraquecimento da ONU, frente às ações unilaterais do governo
norte-americano.

Com isso, os EUA passaram por cima da Organização das Nações Unidas (ONU), tornando-a,
de fato, uma instituição inoperante frente aos acontecimentos mundiais. Após os atentados
de 11 de setembro, foram duas guerras preventivas executadas pelo EUA sem aprovação da
ONU: Afeganistão (2002) e Iraque (2003).

25
Por outro lado, a estrutura organizacional da Al-Qaeda atua em células organizacionais
independentes, distribuídas pelo mundo. A Al-Qaeda disseminou sua ideologia e sua
metodologia operacional usando os meios globalizados de comunicação, de forma a tornar-
se uma estrutura descentralizada com células operacionais em várias partes do mundo.

Os ataques realizados em Madrid (11 de março de 2004) e em Londres (7 de julho de 2005)


mostraram essa flexibilidade e revelaram a impossibilidade de se antever um ataque
terrorista planejado pela Al-Qaeda.

Em maio de 2011, após quase dez anos de ocupação militar e aproximadamente US$ 400
bilhões gastos, o principal objetivo da guerra foi atingido, o líder da Al Qaeda e organizador
dos atentados de 11 de setembro, Osama Bin Laden, foi localizado e morto em um ataque
militar na cidade de Abbottabad no Paquistão.

O sucesso da operação provocou uma onda diversificada de reações pelo mundo, desde
protestos populares realizados no próprio Paquistão até congratulações por parte de chefes
de estado de vários pontos do mundo ao presidente Barack Obama. Certamente a Al-Qaeda
não deixará de atuar e o risco de um atentado deverá ser tratado como iminente

Após uma década dos atentados de 11 de setembro, o mundo ainda procura uma solução
definitiva para os problemas ligados ao terrorismo que envolvem aspectos políticos, sociais
e econômicos. Sendo assim, o terrorismo acabou tornando-se o principal fenômeno global
do início do século XXI, marcando permanentemente o início de uma nova era na história
mundial.

26
INDUSTRIALIZAÇÃO E
URBANIZAÇÃO
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No processo de constituição e transformação do espaço geográfico ao longo da história, um


dos fatores que exerceram uma maior influência foi a industrialização, que se manifestou
em diferentes ritmos e períodos entre os diversos países. Nesse sentido, podemos dizer que
um desses efeitos foram as transformações relacionadas com o processo de urbanização
das sociedades.

A relação entre industrialização e urbanização encontra-se no fato de que é o processo


industrial que dinamiza as sociedades e atua no sentido de modernizá-las, embora esse não
seja o único fator responsável por isso. Assim, ampliam-se os chamados fatores atrativos
das cidades, ou seja, o conjunto de características do meio urbano que atrai os migrantes
advindos do campo.

Além disso, entre os efeitos da industrialização na urbanização, temos a transformação do


meio rural e, por extensão, dos fatores repulsivos do campo, ou seja, os elementos do meio
rural responsáveis por enviar de maneira relativamente forçada a população rural para as
cidades. Nesse caso, podemos citar a mecanização das atividades agrícolas, que geram a
substituição de uma grande quantidade de trabalhadores por maquinários e do tipo de
agrossistema adotado.

Essa mecanização é intensificada pelas inovações técnicas produzidas pela industrialização.


Portanto, a industrialização intensifica a urbanização das sociedades no sentido de propiciar
a formação do êxodo rural, que é a migração em massa da população do campo para as
cidades, além de atrair essa migração justamente para as áreas mais industrializadas, onde
há mais empregos direta e indiretamente produzidos pelas indústrias.

Vale lembrar que não é só a atividade industrial em si que gera uma maior atratividade
demográfica para as cidades, mas a dinâmica econômica por ela produzida, que provoca o
surgimento de maiores oportunidades em outros ramos da economia, principalmente no
setor terciário (comércio e serviços).

27
Não por coincidência, os países que mais avançaram no processo de industrialização e
modernização das sociedades são aqueles que mais apresentam um setor terciário como
composição predominante na produção de riquezas em suas respectivas economias.

No caso da industrialização e urbanização do Brasil, podemos perceber que as áreas que


historicamente mais se industrializaram são aquelas que mais concentram um grande
contingente populacional e, assim, encontram-se mais urbanizadas. As regiões Sudeste e
Sul, principalmente as regiões metropolitanas de São Paulo e Rio de Janeiro, formam as
maiores aglomerações urbanas do país, uma vez que essas áreas detêm a maior porção do
parque industrial, mesmo com a tendência atual de dispersão de boa parte da produção
fabril para o interior do território brasileiro.

Além de atrair um maior volume demográfico e intensificar a urbanização, os efeitos da


industrialização nas cidades também podem ser sentidos na composição hierárquica da
divisão territorial do espaço geográfico. Em sociedades predominantemente agrárias, o
campo exerce uma relação preponderante sobre as cidades, uma vez que elas dependem
do meio rural para a geração de alimentos, matérias-primas e movimentação de capital.

Com a industrialização, as cidades modernizam-se e passam a subordinar o campo, que se


torna dependente do meio urbano para o recebimento de máquinas, aparatos tecnológicos,
mão de obra qualificada, conhecimentos científicos aplicados à produção, entre outros
elementos.

Portanto, em resumo, podemos dizer que os efeitos da industrialização na urbanização são


a intensificação do crescimento das cidades; concentração populacional; crescimento do
setor terciário e a inversão da relação de subordinação entre campo e cidade. Esses
aspectos são indicativos gerais e precisam ser devidamente adaptados para o entendimento
de cada ocorrência ao longo do espaço geográfico mundial.

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ÊXODO RURAL
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O êxodo rural é um movimento migratório em que a população residente no espaço rural –


no campo – desloca-se definitivamente para as cidades – áreas urbanas. Embora tenha
ocorrido em todos os continentes, nos países desenvolvidos, esse processo aconteceu de
maneira mais gradativa, levando, em média, de 100 a 200 anos para efetivar-se. Nos países
subdesenvolvidos, como no caso do Brasil e seus vizinhos latino-americanos, a migração
campo-cidade – como também é conhecido o êxodo rural – ocorreu de forma bem mais
acelerada e em grande volume populacional.

Êxodo Rural no Brasil

No Brasil, o êxodo rural ocorreu de forma mais intensa em um espaço de três décadas:
entre 1960 e 1990. O rápido deslocamento da população ocorreu em razão da
industrialização do país, que se concretizou a partir da década de 1950, especialmente nos
estados da Região Sudeste do Brasil. A expectativa de emprego atraiu grande volume de
trabalhadores rurais de diversas partes do país em busca de melhores condições de vida.

Mais tarde, outro fator importante – nesse caso, de expulsão – deslocou ainda mais pessoas
do campo para a cidade: a mecanização do campo. A substituição da mão de obra humana
por máquinas, como plantadeiras, colheitadeiras, roçadeiras e outros implementos
agrícolas, causou desemprego e intensificou o êxodo rural.

A explosão de pessoas vindas do campo causou em muitos centros urbanos um forte


desequilíbrio em vários aspectos das estruturas sociais. Vejamos a seguir alguns efeitos do
êxodo rural nos países subdesenvolvidos como o Brasil:

Segregação urbana – A população que migra do campo para a cidade, por causa dos altos
custos, não consegue habitar os locais mais próximos do centro das cidades. Em razão disso,
é obrigada a ocupar áreas cada vez mais periféricas e sem a devida estrutura urbana.

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Favelização – Desde o início do êxodo rural, as populações tiveram, muitas vezes como
única alternativa, que construir e ocupar habitações em áreas irregulares e de risco, o que
contribuiu para o crescimento das favelas em muitas metrópoles brasileiras.

Desemprego – A expectativa em relação ao trabalho nem sempre se concretizava. A


ausência de qualificação profissional e de escolaridade fez com que o ex-trabalhador rural
tivesse dificuldade de encontrar trabalho na cidade.

Subemprego – Como a oferta de trabalhadores é maior que a de postos de trabalho, as


pessoas que migraram do campo para sobreviver na cidade realizam trabalhos de baixa
qualidade e entram para o mercado informal. É a solução para muitas famílias,
especialmente nas grandes cidades.

Mobilidade urbana e Transporte público prejudicados – A ausência de planejamento


estatal e adequação à transformação demográfica fez com que, em muitas cidades,
houvesse um verdadeiro caos na mobilidade urbana e nos transporte públicos. O
investimento em infraestrutura viária e em veículos e equipamentos para o transporte de
passageiros não acompanhou o ritmo de crescimento da população e a necessidade de
deslocamento das pessoas.

Aumento da desigualdade social – os efeitos acima listados já são retratos significativos da


desigualdade social intensificada pelo processo acelerado de êxodo rural. No entanto,
existem outros efeitos resultantes da ineficiência do Estado em lidar com a chegada da
população do campo nas cidades, a saber: ausência de profissionais e unidades de saúde
que atendam toda a população urbana, creches e escolas em número insuficiente e falta de
iluminação pública em bairros periféricos, segurança pública, equipamentos de lazer, entre
outros.

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ESTRUTURA FUNDIÁRIA
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Estrutura Fundiária é o modo como as propriedades agrárias estão distribuídas e


organizadas em um determinado país ou espaço. Para se conhecer a estrutura fundiária de
um país, leva-se em consideração a quantidade, o tamanho e a distribuição social das
propriedades rurais na área analisada.

A estrutura fundiária de um país ou região também é muito influenciada pelo nível de


concentração fundiária do país, uma vez que, quanto maior for a concentração de terras,
menor será a quantidade de propriedades de terras e maior será o tamanho das
propriedades existentes. Além disso, a distribuição social da terra nos países em que há
uma grande concentração rural tende a ser mais desigual, pois a parcela mais rica da
população tem um acesso facilitado a terra, enquanto a população mais pobre, na maioria
das vezes, não possui acesso à terra e/ou aos meios de produção.

Na maioria dos países desenvolvidos, as atividades agropecuárias são desenvolvidas em


propriedades rurais menores, de base familiar, altamente produtivas e mecanizadas,
voltadas para a produção de alimentos e matéria-prima para abastecer o mercado interno
do país. Já em países subdesenvolvidos, principalmente da América Latina e da África, em
virtude de sua herança colonial em que predominavam as plantations (grandes
propriedades rurais que produziam monoculturas voltadas para abastecer o mercado
internacional), há grandes propriedades rurais, concentradas nas mãos de poucos
proprietários, que produzem monoculturas para exportação.

De acordo com o Estatuto da Terra, de 1964, as propriedades rurais brasileiras podem ser
divididas em cinco categorias:

Imóvel rural: Qualquer imóvel rural utilizado para a produção agropecuária ou


agroindustrial.

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Propriedade Familiar (ou Módulo Rural): É o imóvel rural explorado por uma determinada
família que absorve toda a mão de obra familiar e consegue garantir o sustento de toda a
família.

Minifúndio: São pequenas propriedades rurais, com extensão maior do que as


propriedades familiares, geralmente utilizadas na produção alimentar familiar ou coletiva.

Latifúndios: Grandes propriedades rurais voltadas para a produção moderna de


monoculturas ou para a especulação imobiliária.

Empresa Rural: São médias e grandes propriedades rurais, de ordem física ou jurídica,
voltadas para exploração econômica racional do espaço agrário para desenvolver produtos
agropecuários.

A estrutura fundiária brasileira é uma das mais concentradas do mundo. Enquanto os


minifúndios representam 70% do total das propriedades rurais e ocupam uma área de cerca
de 11% do espaço agrário brasileiro, os latifúndios ocupam cerca de 55% da zona rural do
Brasil.

Essa concentração fundiária contribui para o agravamento dos problemas no campo, visto
que a maior parte das terras, muitas vezes improdutivas, encontrase concentrada na mão
de poucos proprietários, o que aumenta a quantidade de pessoas sem acesso à terra,
intensificando, assim, os conflitos causados pela disputa por terras. Além disso, a grande
concentração de terras prejudica também a produção de alimentos, visto que a maior parte
deles é produzida em minifúndios.

Como a área ocupada pelos latifúndios é maior, a produção nacional e grande parte das
políticas públicas relacionadas com o campo estão voltadas para a produção de
monoculturas para a exportação, dificultando ainda mais a vida do pequeno produtor, que
é o grande responsável pela produção de alimentos no país.

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A QUESTÃO DA TERRA
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A desigualdade na distribuição de terras

Talvez uma das mais gritantes incoerências de nossa sociedade possa ser percebida no tripé
trabalho - terra - alimentação. Isso porque, ao mesmo tempo em que ainda existe, em
nosso país, uma área considerável de terras devolutas e não utilizadas para fins
agropastoris, é grande o número de trabalhadores desejosos de contarem com seu próprio
pedaço de chão.

Paralelamente a isso, existem milhões de subalimentados por todo o território nacional.

Existe uma desigual distribuição da terra em nosso país, ou seja, há um enorme número de
pequenos proprietários de um lado e, de outro, um número reduzido de donos de grandes
propriedades rurais.

A concentração fundiária em nosso país vem aumentando, com um agravante: a Amazônia


e os cerrados tornaram-se, desde 1970, as novas regiões de fronteira agrícola.

Afirmar que essas novas fronteiras agrícolas do país significa dizer que nas outras regiões,
isto é, Nordeste, no Sudeste e no Sul, praticamente não existem mais terras disponíveis
para a prática agropecuária. Além disso, o valor dos imóveis rurais nessas áreas tornou-se
muito elevado, obrigando os agricultores menos capitalizados a deixarem seus estados de
origem em busca de terras mais baratas. Com isso, têm-se algumas questões importantes,
como:

• aumento dos impactos ambientais causados pela derrubada da vegetação original


em enormes áreas, para dar lugar a pastagens e cultivos agrícolas;
• invasão de terras indígenas e a necessidade de sua delimitação;
• crescimento dos conflitos entre posseiros e grileiros, ocasionando não só o aumento
da violência no campo como a expulsão de famílias de posseiros, que se vêem
obrigadas a ocupar terras em pontos cada vez mais afastados no interior do território
nacional.
• Portanto, a questão da terra no Brasil, opõe diversos grupos, como boiás-frias,
índios, minifundiários, colonos, posseiros, grileiros, grandes proprietários e até
garimpeiros, entre outros.

33
• É uma questão muito antiga, porém ainda muito atual, pois agora além da questão
da terra, os efeitos negativos no meio ambiente são visíveis, já que a fronteira
agrícola no país avança cada vez mais dentro da Floresta Amazônica.

O MST no Brasil

O Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) é um dos mais conhecidos movimentos
sociais do Brasil, tendo como foco as questões do trabalhador do campo, principalmente no
tocante à luta pela reforma agrária brasileira. Como se sabe, no Brasil prevaleceu
historicamente uma desigualdade do acesso a terra, consequência direta de uma
organização social patrimonialista e patriarcalista ao longo de séculos, predominando o
grande latifúndio como sinônimo de poder. Desta forma, dada a concentração fundiária, as
camadas menos favorecidas como escravos, ex-escravos ou homens livres de classes menos
abastadas teriam maiores dificuldades à posse da terra.

Assim, do Brasil colonial da monocultura a este do agronegócio em pleno século XXI, o que
prevalece é a concentração fundiária, o que traz à tona a necessidade da discussão e da luta
política como a encabeçada pelo MST.

Conforme Bernardo M. Fernandes em seu livro A formação do MST no Brasil (2000), o MST
nasceu da ocupação da terra e tem nesta ação seu instrumento de luta contra a
concentração fundiária e o próprio Estado. Segundo este autor, pelo fato da não realização
da reforma agrária, por meio das ocupações, os sem–terra intensificam a luta, impondo ao
governo a realização de uma política de assentamentos rurais.

A organização do MST enquanto movimento social começou nos anos 80 do século passado
e hoje já se faz presente em 24 estados da federação, fato que ilustra sua
representatividade em termos nacionais. A fundação deste movimento se deu em um
contexto político no qual o regime militar que se iniciava na década de 60 do século
passado chegava ao fim, permitindo à sociedade civil brasileira uma abertura política para
reivindicações e debates.

Neste contexto de redemocratização do país, em 1985 surgiu a proposta para a elaboração


do primeiro PNRA (Plano Nacional da Reforma Agrária). Sua segunda versão (II PNRA) foi
proposta apenas em 2003, no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Os objetivos do MST, para além da reforma agrária, estão no bojo das discussões sobre as
transformações sociais importantes ao Brasil, principalmente àquelas no tocante à inclusão
social. Se por um lado existiram avanços e conquistas nesta luta, ainda há muito por se fazer

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em relação à reforma agrária no Brasil, seja em termos de desapropriação e assentamento,
seja em relação à qualidade da infraestrutura disponível às famílias já assentadas.

Segundo dados do INCRA (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), o número


de famílias assentadas nestes últimos anos foi de 614.093, sendo criados neste mesmo
período 551 assentamentos. Ainda conforme o INCRA, no total, o Brasil conta com 85,8
milhões de hectares incorporados à reforma agrária e um total de 8.763 assentamentos
atendidos, onde vivem 924.263 famílias.

Os números apresentados são positivos. Porém, se levarmos em consideração as


afirmações do próprio MST e de especialistas no assunto, até 2010 havia ainda cerca de 90
mil famílias acampadas pelo país, o que representa uma demanda por terra considerável
por se atender, a despeito dos avanços sugeridos anteriormente. Em relação à
infraestrutura disponível a estas famílias, alguns dados apresentados pela Pesquisa de
Avaliação da Qualidade dos Assentamentos da Reforma Agrária promovida pelo INCRA em
2010 são muito significativos. A pesquisa mostra que 31,04% dos assentamentos possuem
disponibilidade de energia, mas com quedas constantes ou com “pouca força” e 22,39% não
possui energia elétrica, o que significa que mais da metade dos domicílios não contam
plenamente com este benefício. No tocante ao saneamento básico, os dados também
mostram que ainda é necessário avançar, pois apenas 1,14% dos assentamentos contam
com rede de esgotos, contra 64,13% (somados fossa simples e fossa “negra”) que possuem
fossas.

A dimensão negativa destes dados repete-se na avaliação geral de outros fatores como a
condição das estradas de acesso e de satisfação geral dos assentados, tornando-se mais
significativa quando quase a metade dos assentados não obteve algum financiamento ou
empréstimo para alavancar sua produção. Isso mostra que muito ainda deve ser feito em
relação aos assentamentos, pois apenas com o acesso a terra não se garante a qualidade de
vida e as condições de produção do trabalhador do campo.

Se por um lado a luta pela terra além de ser louvável é legítima, por outro, os meios
praticados pelo movimento para promover suas invasões em alguns determinados casos
geram muita polêmica na opinião pública.

Em determinados episódios que repercutiram nacionalmente, o movimento foi acusado de


ter pautado pela violência, além de ter permeando suas ações pela esfera da ilegalidade,
tanto ao invadir propriedades que eram produtivas, como ao ter alguns de seus militantes
envolvidos em depredações, incêndios, roubos e violência contra colonos dessas fazendas.

35
Contudo, vale ressaltar que em muitos casos a violência e a ação truculenta do Estado ao
lidar como uma questão social tão importante como esta também se fazem presentes.
Basta lembrarmos o episódio do massacre de Eldorado de Carajás, no Pará, em 1996,
quando militantes foram mortos em confronto com a polícia. A data em que ocorreu este
fato histórico, 17 de Abril, tornou-se a data do Dia Nacional de Luta pela Reforma Agrária.

Se a polêmica da violência (seja por parte do movimento, seja do Estado) não bastasse,
outras vêm à tona, como a da regularização fundiária pelo país, a qual pode atender a
interesses de latifundiários e famílias ligadas ao agronegócio.

O debate sobre o MST tem diversos lados, há quem concorde com o grupo, e há quem
discorde. Há ainda quem concorda com sua causa, mas discorda de sua atuação. Apesar
disso, o MST é um dos principais grupos de combate à concentração fundiária no país.

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GOVERNOS MILITARES
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Bolsas de Estudo.

O Regime militar foi o período da política brasileira em que militares conduziram o país.
Essa época ficou marcada na história do Brasil através da prática de vários Atos
Institucionais que colocavam em prática a censura, a perseguição política, a supressão de
direitos constitucionais, a falta total de democracia e a repressão àqueles que eram
contrários ao regime militar.

Os governos militares no Brasil teve seu início com a tomada de poder em 31 de março de
1964, resultando no afastamento do Presidente da República, João Goulart, e tomando o
poder o Marechal Castello Branco. Esta tomada de poder, caracterizada por personagens
afinados como uma revolução instituiu no país um governo militar, que durou até a eleição
de Tancredo Neves em 1985.

O principal objetivo da deposição de João Goulart era impedir que o comunismo de


instaurasse no país.

1964

A tomada de poder de 1964 marca uma série de eventos ocorridos em 31 de março de 1964
no Brasil, e que culminaram na deposição do presidente no dia 1 de abril de 1964. Esse
golpe pôs fim ao governo do presidente João Goulart, também conhecido como Jango, que
havia sido de forma democrática, eleito vice-presidente pelo Partido Trabalhista Brasileiro
(PTB).

Imediatamente após a tomada de poder pelos militares, foi estabelecido o AI- 1. Com 11
artigos, o mesmo dava ao governo militar o poder de modificar a constituição, anular
mandatos legislativos, interromper direitos políticos por 10 anos e demitir, colocar em
disponibilidade ou aposentar compulsoriamente qualquer pessoa que fosse contra a
segurança do país, o regime democrático e a probidade da administração pública, além de
determinar eleições indiretas para a presidência da República.

Durante o regime militar, ocorreu um fortalecimento do poder central, sobretudo do poder


Executivo, caracterizando um regime de exceção, pois o Executivo se atribuiu a função de
legislar, em detrimento dos outros poderes estabelecidos pela Constituição de 1946.

37
O Alto Comando das Forças Armadas passou a controlar a sucessão presidencial, indicando
um candidato militar que era referendado pelo Congresso Nacional.

A liberdade de expressão e de organização era quase inexistente. Partidos políticos,


sindicatos, agremiações estudantis e outras organizações representativas da sociedade
foram suprimidas ou sofreram interferência do governo. Os meios de comunicação e as
manifestações artísticas foram censurados.

A década de 1960 iniciou também, um período de grandes transformações na economia do


Brasil, de modernização da indústria e dos serviços, de concentração de renda, de abertura
ao capital estrangeiro e do endividamento externo.

GOVERNO CASTELLO BRANCO (1964-1967)

Castello Branco, general militar, foi eleito pelo Congresso Nacional presidente da República
em 15 de abril de 1964. Em seu pronunciamento, declarou defender a democracia, porém
ao começar seu governo, assume uma posição autoritária.

Estabeleceu eleições indiretas para presidente, além de dissolver os partidos políticos.


Vários parlamentares federais e estaduais tiveram seus mandatos cassados, cidadãos
tiveram seus direitos políticos e constitucionais cancelados e os sindicatos receberam
intervenção do governo militar.

Em seu governo, foi instituído o bipartidarismo. Só estavam autorizados o funcionamento


de dois partidos: Movimento Democrático Brasileiro (MDB) e a Aliança Renovadora
Nacional (ARENA). Enquanto o primeiro era de oposição, de certa forma controlada, o
segundo representava os militares.

O governo militar impõe, em janeiro de 1967, uma nova Constituição para o país. Aprovada
neste mesmo ano, a Constituição de 1967 confirma e institucionaliza o regime militar e suas
formas de atuação.

GOVERNO COSTA E SILVA (1967-1969)

Em 1967, assume a presidência o general Arthur da Costa e Silva, após ser eleito
indiretamente pelo Congresso Nacional. Seu governo é marcado por protestos e
manifestações sociais. A oposição ao regime militar cresce no país.

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A UNE ( União Nacional dos Estudantes ) organiza, no Rio de Janeiro, a Passeata dos Cem
Mil.

Em Contagem (MG) e Osasco (SP), greves de operários paralisam fábricas em protesto ao


regime militar.

As guerrilhas urbanas começam a se organizar. Formadas por jovens idealistas de esquerda,


assaltavam bancos e seqüestravam embaixadores para obterem fundos para o movimento
de oposição armada.

No dia 13 de dezembro de 1968, o governo decreta o Ato Institucional Número 5 (AI-5).


Este foi o mais duro do governo militar, pois aposentou juízes, cassou mandatos, acabou
com as garantias do habeas-corpus e aumentou a repressão militar e policial.

GOVERNO DA JUNTA MILITAR (31/8/1969-30/10/1969)

Doente, Costa e Silva foi substituído por uma junta militar formada pelos ministros Aurélio
de Lira Tavares (Exército), Augusto Rademaker (Marinha) e Márcio de Sousa e Melo
(Aeronáutica).

Dois grupos de esquerda, O MR-8 e a ALN seqüestram o embaixador dos EUA Charles
Elbrick. Os guerrilheiros exigem a libertação de 15 presos políticos, exigência conseguida
com sucesso. Porém, em 18 de setembro, o governo decreta a Lei de Segurança Nacional.
Esta lei decretava o exílio e a pena de morte em casos de "guerra psicológica adversa, ou
revolucionária, ou subversiva".

No final de 1969, o líder da ALN, Carlos Mariguella, foi morto pelas forças de repressão em
São Paulo.

GOVERNO MÉDICI (1969-1974)

Em 1969, a Junta Militar escolhe o novo presidente: o general Emílio Garrastazu Medici. Seu
governo é considerado o mais duro e repressivo do período, conhecido como "anos de
chumbo". A repressão à luta armada cresce e uma severa política de censura é colocada em
execução. Jornais, revistas, livros, peças de teatro, filmes, músicas e outras formas de
expressão artística são censurados.

Muitos professores, políticos, músicos, artistas e escritores são investigados, presos,


torturados ou exilados do país. O DOI-Codi ( Destacamento de Operações e Informações e

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ao Centro de Operações de Defesa Interna ) atua como centro de investigação e repressão
do governo militar.

Ganha força no campo a guerrilha rural, principalmente no Araguaiaque é fortemente


reprimida pelas forças militares.

O Milagre Econômico

Na área econômica o país crescia rapidamente. Este período que vai de 1969 a 1973 ficou
conhecido com a época do Milagre Econômico. O PIB brasileiro crescia a uma taxa de quase
12% ao ano, enquanto a inflação beirava os 18%.

Com investimentos internos e empréstimos do exterior, o país avançou e estruturou uma


base de infra-estrutura. Todos estes investimentos geraram milhões de empregos pelo país.
Algumas obras, consideradas faraônicas, foram executadas, como a Rodovia
Transamazônica e a Ponte Rio-Niteroi.

Porém, todo esse crescimento teve um custo altíssimo e a conta deveria ser paga no futuro.
Os empréstimos estrangeiros geraram uma dívida externa elevada para os padrões
econômicos do Brasil.

GOVERNO GEISEL (1974-1979)

Em 1974 assume a presidência o general Ernesto Geisel que começa um lento processo de
transição rumo à democracia. Seu governo coincide com o fim do milagre econômico e com
a insatisfação popular em altas taxas. A crise do petróleo e a recessão mundial interferem
na economia brasileira, no momento em que os créditos e empréstimos internacionais
diminuem.

Geisel anuncia a abertura política lenta, gradual e segura. A oposição política começa a
ganhar espaço. Nas eleições de 1974, o MDB conquista 59% dos votos para o Senado, 48%
da Câmara dos Deputados e ganha a prefeitura da maioria das grandes cidades.

Os militares de linha dura, não contentes com os caminhos do governo Geisel, começam a
promover ataques clandestinos aos membros da esquerda. Em 1975, o jornalista Vladimir
Herzog á assassinado nas dependências do DOI-Codi em São Paulo. Em janeiro de 1976, o
operário Manuel Fiel Filho aparece morto em situação semelhante.

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Em 1978, Geisel acaba com o AI-5, restaura o habeas-corpus e abre caminho para a volta da
democracia no Brasil.

GOVERNO FIGUEIREDO (1979-1985)

A vitória do MDB nas eleições em 1978 começa a acelerar o processo de redemocratização.


O general João Baptista Figueiredo decreta a Lei da Anistia, concedendo o direito de retorno
ao Brasil para os políticos, artistas e demais brasileiros exilados e condenados por crimes
políticos. Os militares de linha dura continuam com a repressão clandestina. Cartas-bomba
são colocadas em órgãos da imprensa e da OAB (Ordem dos advogados do Brasil).

No dia 30 de Abril de 1981, uma bomba explode durante um show no centro de convenções
do Rio Centro. O atentado fora provavelmente promovido por militares de linha dura,
embora até hoje nada tenha sido provado.

Em 1979, o governo aprova lei que restabelece o pluripartidarismo no país. Os partidos


voltam a funcionar dentro da normalidade. A ARENA muda o nome e passa a ser PDS,
enquanto o MDB passa a ser PMDB. Outros partidos são criados, como: Partido dos
Trabalhadores (PT) e o Partido Democrático Trabalhista (PDT).

A Redemocratização e a Campanha pelas Diretas Já

Nos últimos anos do governo militar, o Brasil apresenta vários problemas. A inflação é alta e
a recessão também. Enquanto isso a oposição ganha terreno com o surgimento de novos
partidos e com o fortalecimento dos sindicatos.

Em 1984, políticos de oposição, artistas, jogadores de futebol e milhões de brasileiros


participam do movimento das Diretas Já. O movimento era favorável à aprovação da
Emenda Dante de Oliveira que garantiria eleições diretas para presidente naquele ano. Para
a decepção do povo, a emenda não foi aprovada pela Câmara dos Deputados.

No dia 15 de janeiro de 1985, o Colégio Eleitoral escolheria o deputado Tancredo Neves,


que concorreu com Paulo Maluf, como novo presidente da República. Ele fazia parte da
Aliança Democrática – o grupo de oposição formado pelo PMDB e pela Frente Liberal.

Era o fim do regime militar. Porém Tancredo Neves fica doente antes de assumir e acaba
falecendo. Assume o vice-presidente José Sarney. Em 1988 é aprovada uma nova
constituição democrática para o Brasil.

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ESCRAVIDÃO NO BRASIL
cai nos vestibulinhos: ETEC, Colégios Militares, Colégio Embraer, Colégios da UNESP, Colégio da USP e
Bolsas de Estudo.

A escravidão no Brasil se consolidou como uma experiência de longa duração que marcou
diversos aspectos da cultura e da sociedade brasileira. Mais que uma simples relação de
trabalho, a existência da mão de obra escrava africana fixou um conjunto de valores da
sociedade brasileira em relação ao trabalho, aos homens e às instituições. Nessa trajetória
podemos ver a ocorrência do problema do preconceito racial e social no decorrer de nossa
história.

Durante o estabelecimento da empresa colonial portuguesa, a opção pelo trabalho escravo


envolveu diversas questões que iam desde o interesse econômico ao papel desempenhado
pela Igreja na colônia. Sob o aspecto econômico, o tráfico de escravos foi um grande
negócio para a Coroa Portuguesa. Em relação à posição da Igreja, o povo português foi
impelido a escravizar os indígenas, pois estes integrariam o projeto de expansão do
catolicismo pelas Américas.

No mundo do trabalho, a escravidão fez com que o trabalho se tornasse uma atividade
inferior dentro da sociedade da época. O trabalho braçal era visto como algo destinado ao
negro. Mesmo grande parte da mão de obra sendo empregada em atividades que exigiam
grande esforço físico, outras tarefas também eram desempenhadas pelos escravos. Os
escravos domésticos trabalhavam nas casas enquanto os escravos de ganho administravam
pequenos comércios, praticavam artesanato ou prestavam pequenos serviços para seus
senhores.

Mesmo a escravidão tornando-se uma prática usual, não podemos nos esquecer das várias
formas de resistência contra a escravidão que aconteceram.

O conflito direto, as fugas e a formação de quilombos eram as mais significativas formas de


resistência. Além disso, a preservação de manifestações religiosas, certos traços da culinária
africana, a capoeira, o suicídio e o aborto eram outras vias de luta contra a escravidão.

Após a independência do Brasil, observamos que a escravidão se manteve intocada. O


preconceito racial e os interesses dos grandes proprietários permitiam a preservação do
sistema escravista.

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Somente no Segundo Reinado podemos contemplar a formação de um movimento em prol
da abolição. Em meio à ascensão do abolicionismo, os interesses britânicos pela ampliação
de seu mercado consumidor em solo brasileiro e a imigração de trabalhadores europeus
davam brecha para o fim desse sistema.

Durante o governo de Dom Pedro II, várias leis de caráter abolicionista foram sendo
aplicadas. A gradação da política abolicionista traduzia o temor que certos setores da elite
tinham em um processo de abolição brusco capaz de promover uma revolta social. A lei
Eusébio de Queiroz, de 1850, foi a primeira a proibir o tráfico de escravos para o Brasil.
Somente quase quarenta anos depois, em 1888, a Lei Áurea deu fim ao regime escravista
brasileiro.

Apesar do fim da escravidão, a abolição não foi acompanhada por nenhuma ação no
sentido de integrar o negro à sociedade brasileira. A discriminação racial e a exclusão
econômica persistiram ao longo do século XX. E apesar de várias ações governamentais que
atualmente querem atenuar o peso dessa “dívida histórica”, ainda falta muito para que o
negro supere os resquícios de uma cultura ainda aberta ao signo da exclusão.

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DIREITOS TRABALHISTAS
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Bolsas de Estudo.

O trabalho na Antiguidade

Quantos de nós já não escutamos esta máxima: o trabalho dignifica o homem.

Às vezes, o ditado vem na forma de outros discursos, como “seu avô já trabalhava aos 8
anos de idade”. Em nossa sociedade, o trabalho é motivo de orgulho, quase uma carta
emancipatória. Quem trabalha adquire diversos direitos morais que só se admitem a quem
tem uma função econômica dentro da sociedade. Mas nem sempre foi assim.

Trabalho já foi sinônimo de escravidão, servidão e de falta de capacidade intelectual. Nos


tempos antigos (Grécia e Roma, para sermos mais exatos), o trabalho era destinado aos que
não tinham habilidades técnicas para exercer outras funções, como as políticas ou artísticas.
Uma frase de Platão explica o que era o trabalho para um grego no século III a.C, por
exemplo: “É próprio de um homem bem-nascido desprezar o trabalho.”

Naquela época, trabalhar não era uma boa ideia. Era fruto inclusive de debates filosóficos,
como o de Aristóteles, que discutia se havia pessoas predestinadas para o trabalho e outras
para a liberdade. Trabalhar era coisa de escravo, e ser escravo nunca é bom negócio.

O trabalho enfim dignifica o homem

A ideia de que cumprir um papel no mundo trabalhista traz dignidade às pessoas só foi
aparecer já em nossos tempos modernos, fruto das revoluções industriais que nos
trouxeram um novo tipo de convivência social. Uma sociedade onde a divisão de classes
não era mais uma escolha divina, como na Alta Idade Média e Idade Média Central – época
em que a estratificação social era vista como vontade divina -, ou no início do Renascimento
Comercial, quando as corporações de ofício decidiam as regras sobre as próprias atividades.

A partir do aumento da industrialização, era necessário buscar outro motivo além do


sustento ou da vontade de Deus para o trabalho. A atividade laboral passa então a
empregar valores morais e sociais aos que a exerciam, e consequentemente privar os que
não trabalhavam desses mesmos valores.

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Passamos também a viver uma nova relação entre as pessoas, com uma grande divisão: os
que tinham meios econômicos de manter um empreendimento e os que tinham apenas sua
força de trabalho como meio de garantir sua existência.

Surgem assim as figuras do patrão e do empregado.

As condições de vida de um operário no século XIX, seja na Inglaterra, berço da revolução


industrial, ou em outros países europeus que seguiram o caminho da industrialização, eram
degradantes. Estavam expostos à fome e aos mais diversos tipos de doenças (como a cólera
e o tifo, personagens de grandes epidemias do século XIX) que encontravam terreno fértil
em cidades recém (e mal) formadas, graças ao grande fluxo de trabalhadores vindos do
campo em busca de uma nova forma de prover sua subsistência.

Essas cidades eram desprovidas de saneamento básico: esgotos corriam a céu aberto e
homens, mulheres e crianças dividiam espaço com infestação de ratos, diversos insetos e
outras pragas. Não raro, duas ou mais famílias dividiam um quarto nas vilas operárias, que
serviam tanto para abrigar os trabalhadores quanto para garantir a dependência destes em
relação ao patronato, visto que as vilas eram de propriedade dos grandes proprietários.

O operário encontrava tudo isso após uma jornada exaustiva de trabalho (por vezes, de 16
horas), em condições insalubres, que levavam a graves problemas físicos. Muitos
trabalhadores com menos de 30 anos se tornavam inaptos para o trabalho graças a
sequelas deixadas por anos de aspiração de pó de carvão, por exemplo.

Na grande maioria das vezes, essa atividade sequer lhes garantia o mínimo para suprir suas
necessidades básicas. Mulheres e crianças trabalhavam em regimes parecidos e ganhavam
menos, o que deixava a produção mais barata e aumentava os lucros. Em contrapartida,
isso gerava desemprego entre homens adultos. Essa situação contrastava com a gigantesca
riqueza gerada na época.

O visível desequilíbrio entre as partes da produção não demorou a causar conflitos,


principalmente num momento da revolução industrial em que parte da mão de obra estava
sendo substituída pela automação da produção, que traria as máquinas à cena. A classe
operária e os menos favorecidos em geral não gozavam de nenhum amparo jurídico,
embora movimentos na Inglaterra como o luddismo e o cartismo procurassem solucionar
esses problemas.

Visando equilibrar essa relação e acalmar os ânimos cada vez mais acirrados de sindicatos e
outros movimentos trabalhistas que se uniam às classes pobres contra a classe burguesa
liberal, os governos se organizaram para interromper o que poderia ser o crescimento de
novos ideais revolucionários (o socialismo, por exemplo).

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Reivindicações foram sendo incorporadas de maneira paliativa para que tudo se mantivesse
em funcionamento. Um exemplo são as pedidas do próprio movimento cartista, na
Inglaterra, que propunha medidas socialistas. Leis como a da jornada de trabalho de 10
horas e a participação dos operários no parlamento, que eram pautas do movimento, foram
sendo incorporadas pouco a pouco, fazendo com que o cartismo perdesse força política e
não ganhasse crédito por essas conquistas. Entre os anos de 1860 e 1869, as reivindicações
cartistas foram quase totalmente inseridas na constituição inglesa.

O que México e Alemanha têm com a história dos direitos trabalhistas?

O primeiro exemplo histórico de direito do trabalho não tinha propriamente esse nome.
Esses direitos trabalhistas eram chamados de “sociais” e se consolidaram em 1917, no
México, no contexto da revolução mexicana, que levou à promulgação de uma nova
constituição no país naquele ano. Nela, constavam artigos que legislavam acerca do período
de trabalho (8 horas diárias), além de estabelecer um salário mínimo como um montante
capaz de sustentar o trabalhador e sua família com dignidade.

Logo após a experiência mexicana, a Constituição de Weimar (Constituição do Império


Alemão) de 1919 foi promulgada. Ela também garantia “direitos sociais”, numa ruptura com
o Estado liberal e uma tentativa de ascensão do Estado social. Esses direitos trabalhistas
seguiam as convenções da recém criada OIT (Organização Internacional do Trabalho), que
fazia parte do tratado de Versalhes e buscava uma relação tripartite entre governos,
organização de empregadores e trabalhadores.

A grande maioria das leis do trabalho brasileiras são pautadas nessa relação entre o grande
capital e os trabalhadores. Podemos dizer que direitos trabalhistas emanam da ideia de
garantir uma vida digna e equilibrar essa relação, que é exatamente o papel que a OIT toma
para si até os dias atuais.

E o Brasil?

As conquistas sociais em relação ao trabalho no Brasil são tardias, porque nosso


desligamento com a escravidão e nossa indústria também foram tardios. Porém, já no final
do século XIX, havia movimentos no sentido de garantir avanços legais, como a Fundação da
Liga Operária no Rio de Janeiro e a lei que proibia o trabalho para menores de 12 anos. No
começo do século XX, assistimos ao estabelecimento de normas que previam férias (15 dias
por ano) e alguns tipos de direito em relação aos acidentes de trabalho. A criação destas leis

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foram impulsionadas pela abolição da escravidão, que trouxe um novo viés trabalhista e
econômico para o país.

O governo brasileiro passou a buscar o equilíbrio entre os elos que formam a corrente do
capital industrial a partir do governo Vargas, com a Constituição de 1934. Nela estavam
previstos direitos trabalhistas como salário mínimo, jornada de trabalho de 8 horas,
repouso semanal, férias remuneradas e assistência médica e sanitária. Fica exposto
nessas ações que as leis do trabalho não eram apenas do trabalho, eram também sociais.

Em 1943, no dia 1º de maio, foi promulgada a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). O
contexto de sua criação é particular: o governo buscava legitimidade para a figura de
Getúlio Vargas. Mais do que apenas ser legítimo, Vargas, que acabara de instituir o Estado
Novo, buscava personificar a figura de “pai dos pobres”. O país passava por uma fase de
desenvolvimento: o número de trabalhadores aumentava e suas reivindicações também.
Por isso, era necessário unificar as leis do trabalho. A CLT garantiu parte das demandas dos
trabalhadores. Leis posteriores garantiriam também 13º salário, repouso semanal
remunerado e outras conquistas que abordaremos em outros momentos desta trilha.

Outras medidas foram tomadas na história recente, todas elas quase sempre impulsionadas
por momentos de tensão entre trabalhadores, governos e grandes corporações. Os direitos
trabalhistas, como pudemos perceber nesta breve exposição da história dos direitos
trabalhistas, giram em torno dessas tensões e servem muitas vezes como um anestésico
funcional para as grandes massas.

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GRÉCIA CLÁSSICA
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Bolsas de Estudo.

O Período Clássico Grego, que se desenvolveu entre os séculos V e IV a.C., é visivelmente


marcado por uma série de invasões e conflitos que transformaram a Hélade em um cenário
de guerra acalorado. Entretanto, mesmo com tais confrontos, muitos compreendem esse
como sendo o apogeu da própria civilização grega. A transformação política em Atenas e a
disseminação de seu modelo político-administrativo para outras cidades-Estado gregas
marcaram o auge da Antiguidade Grega.

O primeiro grande embate dessa época foram as Guerras Médicas (490 – 479 a.C.), conflito
onde os persas tentaram invadir a Grécia a partir de seu domínio sobre as colônias da Ásia
Menor. Apesar da incontestável superioridade militar dos persas, os gregos conseguiram
abater o inimigo por meio de várias táticas de guerra em que utilizavam o conhecimento
sobre o acidentado território balcânico ao seu favor. Apesar de politicamente
independentes, esse conflito motivou a aliança de várias pólis gregas.

A mais importante aliança militar desenvolvida nesse período foi a Liga de Delos, que
garantiu a vitória dos gregos e consolidou o papel de liderança exercido pelos atenienses.
Passados os conflitos contra os persas, a liga se manteve como peça fundamental para a
proteção militar das cidades-Estado.

Contudo, os líderes políticos atenienses aproveitavam dos recursos disponibilizados pela


Liga de Delos para oprimir e impor seus interesses políticos e econômicos sobre as demais
cidades-Estado.

Nessa época é que se destaca o governo de Péricles, responsável pelo aprimoramento da


democracia ateniense e a execução de várias obras públicas que embelezaram Atenas como
um todo. A ação imperialista dos atenienses sobre as demais pólis gregas logo motivaram a
articulação de uma ofensiva.

Liderados por Esparta, várias cidades da Grécia Antiga fundaram a Liga do Peloponeso. Tal
associação visava combater a hegemonia de Atenas e da Liga de Delos.

Entre 431 e 417 a.C., as várias cidades-Estado gregas se envolveram num penoso conflito
que ficou conhecido como a Guerra do Peloponeso. Após a vitória na Batalha de Egos
Pótamos, os espartanos empregaram uma política de ação imperialista sobre as demais

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cidades-Estado da Grécia. Com isso, novos conflitos se desenvolveram e esgotaram o
poderio militar dos gregos, que se tornaram presa fácil para as invasões promovidas pelo rei
Felipe II da Macedônia.

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REPÚBLICA ROMANA
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Bolsas de Estudo.

No ano de 509 a. C., a monarquia etrusca que controlava Roma foi derrubada com a
deposição do rei Tarquínio. Em seu lugar, vemos a instituição da República, um tipo de
governo marcado pela criação de vários cargos políticos e controlado pela elite proprietária
de terras romana. Para além dessa simples definição, notamos que o período republicano
foi de suma importância no desenvolvimento de conflitos sociais, conquistas de territórios e
o surgimento de outras personagens políticas.

Em sua organização, percebemos que a República Romana tinha uma estruturação peculiar
por ter características de ordem democrática, aristocrática e monárquica em sua
distribuição de poderes. O aspecto democrático pode ser visto com a organização das
assembleias em que se escolhiam os ocupantes de cargos públicos e se votavam as leis. A
natureza aristocrática, por sua vez, se revelava nos amplos poderes da elite patrícia que
controlava o Senado. Já a monarquia se via relativamente preservada com relevante papel
dos magistrados.

A presença da elite patrícia nos mais importantes cargos e decisões políticas romanas
acabou promovendo uma situação de disputa entre eles e a classe plebeia. Encarregados de
exercer atividades econômicas e militares, os plebeus organizaram várias revoltas em prol
de sua inserção política. Por meio desse levantes, conseguiram a formulação de novas leis e
a implantação progressiva de um novo sistema de poder. Desse modo, o cenário político
romano ganhou contornos ainda mais complexos.

Na medida em que essas transformações ocorriam, o governo romano ampliava as suas


fronteiras por meio de uma política de natureza militarista. A formação de uma hierarquia
bem organizada e o emprego de armas eficientes transformaram o exército romano em
uma máquina de conquistas daquele tempo. Com o passar do tempo, Roma se enriqueceu
com a conquista de novas terras, a expansão de suas atividades comerciais e o extensivo
emprego da força de trabalho dos escravos.

O crescimento econômico e territorial de Roma esteve fortemente amparado pelos


generais que organizavam as tropas e, muitas vezes, tinham uma autoridade maior do que
os representantes oficiais do governo. Nesse contexto, temos a observância de uma
transição política em que tais generais ascendem à esfera política e, com o tempo, se

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envolvem em disputas que marcam o fim do regime republicano e a instalação do governo
imperial romano.

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FEUDALISMO
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O feudalismo foi um conjunto de práticas envolvendo questões de ordem econômica, social


e política. Entre os séculos V e X, a Europa Ocidental sofreu uma série de transformações
que possibilitou o surgimento dessas novas maneiras de se pensar, agir e relacionar. De
modo geral, a configuração do mundo feudal vinculou-se a duas experiências históricas
concomitantes: a crise do Império Romano e as Invasões Bárbaras.

Ruralização da economia

A economia sofreu uma retração das atividades comerciais, as moedas perderam seu
espaço de circulação e a produção agrícola ganhou caráter subsistente. Nesse período, a
crise do Império Romano favoreceu um processo de ruralização das populações, que não
mais podiam empreender atividades comerciais. Isso ocorreu em razão das constantes
guerras promovidas pelas invasões bárbaras e a crise dos centros urbanos constituídos
durante o auge da civilização clássica.

Novos tipos sociais: o senhor feudal e o servo

A ruralização da economia também atingiu diretamente as classes sociais instituídas no


interior de Roma. A antes abrangente classe de escravos e plebeus veio a compor, com os
povos germânicos, uma classe campesina consolidada como a principal força de trabalho
dos feudos.Trabalhando em regime de servidão, um camponês estaria atrelado à vida rural
em virtude das ameaças dos conflitos da Alta Idade Média e da relação pessoal instituída
com a classe proprietária, ali representada pelo senhor feudal.

O senhor feudal representava a classe nobiliárquica detentora de terras. Divididos por


diferentes títulos, os nobres poderiam ser responsáveis desde a administração de um feudo
até a cobrança de taxas ou a proteção militar de uma determinada propriedade.

A autoridade exercida pelo senhor feudal, na prática, era superior à dos reis, que não
tinham poder de interferência direta sobre as regras e imposições de um senhor feudal no

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interior de suas propriedades. Portanto, assinalamos o feudalismo como um modelo
promotor de um poder político descentralizado.

O papel da Igreja

Ao mesmo tempo em que a economia e as relações sociopolíticas transformavam-se nesse


período, não podemos nos esquecer da importância do papel da Igreja nesse contexto. O
clero entrou em acordo com os reis e a nobreza com o intuito de expandir o ideário cristão.

A conversão da classe nobiliárquica deu margens para que os clérigos interferissem nas
questões políticas. Muitas vezes um rei ou um senhor feudal doava terras para a Igreja em
sinal de sua devoção religiosa. Dessa forma, a Igreja também se tornou uma grande
“senhora feudal”.

Renascimento comercial e urbano e a derrocada do feudalismo

No século X, o feudalismo atingiu o seu auge, tornando-se uma forma de organização


vigente em boa parte do continente europeu. A partir do século seguinte, o aprimoramento
das técnicas de produção agrícola e o crescimento populacional proporcionaram melhores
condições para o reavivamento das atividades comerciais.

Os centros urbanos voltaram a florescer, em grande parte devido ao comércio promovido


pelos burgueses e as populações saíram da estrutura hermética que marcou boa parte da
Idade Média.

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IDADE MODERNA
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Bolsas de Estudo.

Com finalidade didática, alguns historiadores convencionaram denominar de Idade


Moderna o período histórico que começou com a Queda do Império Bizantino, em 1453,
derrubado pelos turcos-otomanos, e terminou com a Revolução Francesa, em 1789. O fato
é que nesse espaço de tempo houve uma enorme transformação, não apenas do continente
europeu, mas de todo o globo terrestre.

A expansão marítima europeia, proporcionada pela formação dos Estados Modernos


Europeus, como Espanha, Portugal, Inglaterra, França e Holanda, provocou a descoberta e
integração com o chamado “Novo Mundo”, o continente americano. Esse acontecimento é
um dos mais importantes da história da humanidade e está no centro dos conteúdos
relativos à Idade Moderna.

Ainda em se tratando do processo de expansão marítima das nações europeias, temos a


montagem do sistema colonial e do mercantilismo como modelo econômico hegemônico.
Fatores como metalismo, balança comercial favorável e monopólio exclusivo da metrópole
sobre suas colônias integravam esse sistema.

Não obstante, a organização das culturas e civilizações nativas do continente americano e a


formação da sociedade colonial, seja na América Espanhola, Portuguesa ou Anglo-Saxônica
(e Francesa), também compõem os conteúdos de Idade Moderna, apesar de integrarem
seções especiais didaticamente separadas, como Associados a esses conteúdos, temos
outros, como a formação do Absolutismo na Europa, isto é, o modelo político que se
estruturou como resposta às guerras civis religiosas que se desencadearam após a Reforma
Protestante, iniciada em 1517 com as 95 teses de Martinho Lutero; o Humanismo
Renascentista, que edificou, entre os séculos XV e XVI, boa parte das ideias modernas,
como o antropocentrismo; e o Renascimento Científico, que, associado ao humanismo,
também está na base da modernidade.

A ciência moderna, ao contrário do saber científico da Antiguidade e da Idade Média,


passou a ser eminentemente técnica, isto é: o desenvolvimento da ciência passou a
depender de um aparato tecnológico que a sustentasse. Os reflexos disso, como as noções
de progresso e de aceleração do tempo, podem ser vistos de forma patente hoje em dia.

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Esta seção de Idade Moderna ainda oferece outros conteúdos, como as revoluções políticas
burguesas, isto é, as transformações políticas que a burguesia levou a cabo
progressivamente, a começar pela onda de revoluções que se sucedeu na Inglaterra, no
século XVII, que é chamada comumente de Revolução Inglesa; e também aquilo que seria a
base estrutural do capitalismo moderno, a Revolução Industrial.

Além disso, no campo das ideias, além da Reforma Protestante, mais à frente, no século
XVIII, houve o fenômeno do Iluminismo, um movimento intelectual complexo que teve
vários seguimentos, tanto na Europa quanto nos Estados Unidos da América, mas que se
tornou emblemático em sua versão francesa por infundir várias perspectivas políticas nos
revolucionários que derrubariam o poder absolutista em 1789.

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IDADE MODERNA
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Bolsas de Estudo.

Idade Contemporânea é uma divisão cronológica da História, compreendendo o período


entre o início da Revolução Francesa, com a queda da Bastilha em 14 julho de 1789, até os
dias atuais. A Idade Contemporânea representa principalmente o período de consolidação
do capitalismo como o modo de produção e sua expansão por todo o globo terrestre entre
os séculos XVIII e XXI.

Essa é mais uma das divisões cronológicas da História baseadas nos acontecimentos
ocorridos em solo europeu. Nesse sentido, podemos até perguntar: Por que a Revolução
Francesa é mais importante que a Independência dos EUA, já que muitos traços eram
comuns a ambos os acontecimentos?

O principal motivo é mesmo o fato de terem sido os historiadores europeus a realizarem a


divisão cronológica do que eles consideravam a História da Humanidade. Porém, a
Revolução Francesa representou transformações profundas na sociedade europeia da
época e teve consequências em outros continentes, como a influência nos processos de
independência das colônias da América espanhola, portuguesa e francesa.

Com os ideais de Liberdade, Igualdade e Fraternidade, a burguesia francesa e outros


setores populares da sociedade conseguiram derrubar o poder político da aristocracia
proprietária de terras, que havia consolidado seu poder durante a Idade Média. A conquista
do poder político era a coroação de um fortalecimento econômico da burguesia que havia
sido iniciado a partir de finais da Idade Média, com novas formas de produção nas cidades e
no campo, além da abertura comercial no Mediterrâneo e das novas rotas marítimas no
Atlântico e Pacífico.

O regime político burguês, baseado na separação dos poderes entre o Executivo, o


Legislativo e o Judiciário, expandiu-se a partir da França durante a Idade Contemporânea,
alcançando quase todos os locais do planeta. A ação de Napoleão Bonaparte foi importante
para essa expansão, como foi também para mostrar a força de reação que detinha ainda a
aristocracia, que conseguiu deter seu poderio.

Mas o desenvolvimento do capitalismo não foi detido pela aristocracia. Os séculos XIX e XX
foram o período áureo do capitalismo com os imensos avanços tecnológicos. Imensas

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cidades foram construídas, a população cresceu exponencialmente, distâncias foram
encurtadas, a ponto de o ser humano poder chegar ao espaço sideral e a pisar na lua.

Por outro lado, apesar de todas as riquezas e avanços, a Idade Contemporânea foi marcada
pela manutenção da miséria de grande parte da população, mesmo com a criação de
imensas riquezas. Essa contradição gerou ainda uma série de movimentos de contestação
do capitalismo liberal. As principais consequências foram as lutas sociais das classes sociais
exploradas, notadamente os trabalhadores assalariados, contra a exploração capitalista.

Exemplo marcante de tentativa de superação da exploração foram as revoluções, sendo a


mais conhecida a Revolução Russa de 1917. Entretanto, os desenvolvimentos subsequentes
da revolução representaram a reprodução da exploração, mesmo que sob o manto
ideológico do socialismo. Essa forma de organização social, de propriedade estatal e
domínio político e social nas mãos de um Partido Comunista, foi implantada em metade do
território mundial.

O século XX foi então marcado por essa divisão entre um capitalismo de base privada e uma
organização social controlada pelo Estado. Houve ainda outros regimes que marcaram a
Idade Contemporânea, principalmente os chamados totalitários, representados pelo
fascismo e pelo nazismo.

Outra característica nefasta da Idade Contemporânea foram as guerras. Inúmeras delas


ocorreram. As maiores e mais mortíferas foram as chamadas guerras mundiais, a Primeira
Guerra Mundial, que ocorreu entre 1914 e 1918, e a Segunda Guerra Mundial, entre 1939
e 1945, resultando na morte de mais de uma centena de milhões de pessoas. A ciência
utilizada para fins militares resultou ainda na criação da mais letal das armas já criadas, a
bomba nuclear.

Porém, a ciência possibilitou melhorias nas condições de higiene e na saúde da população,


proporcionando o aumento da expectativa de vida na maior parte dos locais do planeta. A
apresentação sucinta das principais características da Idade Contemporânea mostra os
inúmeros aspectos contraditórios de nossa sociedade.

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BRASIL COLÔNIA
cai nos vestibulinhos: ETEC, Colégios Militares, Colégio Embraer, Colégios da UNESP, Colégio da USP e
Bolsas de Estudo.

A seção de Brasil Colônia comporta textos referentes aos conteúdos do período da história
do Brasil que se estendeu desde o descobrimento, em 1500, até a vinda da família real
portuguesa em 1808. Apesar da montagem do sistema colonial no Brasil começar
efetivamente em 1530, nesta seção (em razão de uma opção didática) estão inclusos textos
referentes aos trinta anos anteriores, já que é impossível compreender a necessidade da
colonização efetiva sem entender os seus antecedentes.

De 1500 a 1530, os temas mais importantes são: o contato com o meio ambiente e os
diferentes povos nativos, ou indígenas – fato que causou grande impacto na mentalidade
europeia da época, gerando um imaginário que ia da demonização a imagens paradisíacas;
as tentativas iniciais de exploração de matérias-primas, com destaque para o pau-brasil,
largamente monopolizado por comerciantes portugueses como Fernando de Noronha.

Com a ameaça da ocupação do território brasileiro por outros povos, como os franceses, a
coroa portuguesa decidiu, no início da década de 1530, estabelecer o controle de fato da
colônia, instituindo o Governo Geral. O primeiro dos governadores gerais do Brasil foi Tomé
de Souza.

A partir da fase dos governos gerais, começou-se o estabelecimento de uma estrutura


econômica um pouco mais sofisticada. A montagem dos engenhos de açúcar e do sistema
de plantation (latifúndios monocultores), bem como o emprego da mão de obra escrava,
inicialmente indígena e, posteriormente, negra (africana), fez parte das decisões do
Governo Geral.

Ao mesmo tempo, da então Capitania de São Paulo saíram os empreendimentos conhecidos


como bandeiras e entradas, que se caracterizaram pelo desbravamento do interior do país,
pelo apresamento de índios e pela ampliação de territórios. A formação da sociedade
colonial passou a articular-se a partir desses elementos: economia açucareira, sistema
escravista e adentramento no interior do país.

Posteriormente, o ciclo econômico do ouro, no século XVIII, que se concentrou na região


Sudeste, sobretudo em Minas Gerais, deu novos contrastes à formação da sociedade
brasileira e espaço para novas ideias políticas. Essa formação social culminou também nas

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famosas Rebeliões Nativistas e Rebeliões Separatistas, das quais se destacaram, por
exemplo, a Revolta de Beckman e a Inconfidência Mineira.

A Insurreição Pernambucana, por outro lado, ocorrida em Pernambuco, resultou de uma


situação posterior a um período de grandíssima importância para a região Nordeste do
Brasil: o período da administração holandesa. Com a União Ibérica, partes do Nordeste
brasileiro, sobretudo Pernambuco, foram ocupadas pelos povos flamengos, que lá
estabeleceram um desenvolvimento econômico e social nunca visto na colônia brasileira
até então. Esse período foi também denominado de Brasil Holandês.

A crise do sistema colonial começou a agravar-se na segunda metade do século XVIII, ao


mesmo tempo em que a situação da Europa tornava-se convulsiva com o advento da
Revolução Francesa. Em 1808, a corte portuguesa deixou Portugal em direção ao Brasil,
dando início a um novo estágio de sua história, tirando-o da condição de colônia e
elevando-o à categoria de Reino Unido, junto com Portugal e Algarves.

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BRASIL IMPÉRIO
cai nos vestibulinhos: ETEC, Colégios Militares, Colégio Embraer, Colégios da UNESP, Colégio da USP e
Bolsas de Estudo.

A fase do Brasil Império exige uma gama de textos que abordem os conteúdos específicos
desse momento da história do país, contemplando, assim, o período que vai do ano de 1822
(quando o Brasil tornou-se independente) ao ano de 1889 (quando foi proclamada a
República). Para tanto, esse arco temporal é convencionalmente dividido em três partes:
Primeiro Reinado, Período Regencial e Segundo Reinado, que serão esmiuçados a seguir.

Primeiro Reinado: Momento em que o Brasil deixou a condição de colônia, quando a


família real portuguesa saiu de Portugal após o avanço das tropas napoleônicas sobre a
Península Ibérica, entre os anos de 1807 e 1808. Nesse contexto, o Brasil foi alçado à
condição de Reino Unido de Portugal e Algarves. A partir de 1808, portanto, teve início no
Brasil uma intensa efervescência política que foi pautada, sobretudo, pelas divergências
entre portugueses (vindos com a Corte) e brasileiros, bem como entre liberais e
conservadores (disputa interna entre os próprios brasileiros).

A situação política do Brasil só foi resolvida com a articulação e a instituição do Império. No


início de 1820, quando começaram essas articulações, a América Latina e a Europa estavam
passando por grandes reviravoltas. O modelo republicano era paulatinamente adotado
pelos países vizinhos do Brasil. Ao longo do ano de 1821, os chamados “arquitetos” do
império, como José Bonifácio de Andrada e Silva, passaram a tramar a adoção do modelo
imperial no Brasil.

Em 1822, D. Pedro, filho de D. João VI, optou por permanecer no Brasil e declarou o país
independente de Portugal, tornando-se o primeiro imperador, sob o título de D. Pedro I.

As instituições do Império, entretanto, só foram efetivamente estabelecidas e regularizadas


com a Carta Constitucional de 1824, ou, em outros termos, a Constituição de 1824. Uma das
principais características do Império Brasileiro foi tecida nessa Constituição, isto é, o Poder
Moderador, que consistia em um quarto poder que dava ao imperador a autoridade de
apreciar a decisão dos outros poderes.

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Período Regencial: D. Pedro I abdicou do trono, na década de 1830, em favor de seu filho,
então com cinco anos de idade. Como a menoridade impedia o então herdeiro do trono de
assumir o cargo de imperador, o governo do Brasil ficou sob a responsabilidade de
regentes.

As regências tiveram de articular uma nova configuração política para o Império, além de
terem que enfrentar várias revoltas que eclodiram após a abdicação de D. Pedro I. Uma das
manobras políticas mais ousadas da História do Brasil também foi efetuada no período da
regência: o Golpe da Maioridade, em 1839, que tornou D. Pedro II imperador com apenas
14 anos de idade.

Segundo Reinado: foi o período mais longo da História Imperial, indo de 1839 a 1889. Nesse
período, o Brasil passou por transformações de grande porte em todos os setores, desde o
econômico até o cultural. Revoltas também ocorreram e exigiram uma habilidade de
integração nacional muito forte por parte do imperador.

Além disso, os ânimos políticos também tomaram uma configuração intensa, sobretudo
entre conservadores e liberais. Os movimentos republicano e abolicionista, associados às
posições do exército, que também passaram a ser refratárias às do império, acabaram por
gerar pressões múltiplas que culminaram no exílio de D. Pedro II e na consequente
Proclamação da República.

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BRASIL REPÚBLICA
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Bolsas de Estudo.

A História da República Brasileira iniciou-se em 1889 com a Proclamação da República e


acompanhou todo o período posterior, até o século XXI. A difusão dos ideais republicanos
remonta ao período colonial, como durante a Inconfidência Mineira e a Conjuração Baiana,
no final do século XVIII. Apesar dos ideais e das revoltas buscarem a superação da
monarquia, apenas no final do século XIX, com o fim do escravismo, as elites agrárias do
país aceitaram organizar o Estado brasileiro nos moldes republicanos.

O fato de a República nascer como uma aceitação das elites e ter sido realizada através da
espada do exército brasileiro conformou um caráter autoritário e excludente do Estado
brasileiro, garantindo os privilégios das classes dominantes e a negação de direitos às
classes exploradas durante muito tempo. A participação do exército na vida política
nacional foi também uma constante da história republicana do país, que pode ser dividida
em algumas fases.

República Velha

A República Velha, ou Primeira República, é o primeiro período dessa história,


compreendida entre a Proclamação da República em 1889 e a Revolução de 1930.
Inicialmente ela foi caracterizada pela presidência de dois marechais do exército, o que lhe
garantiu o nome de República da Espada.

Após esses dois mandatos, a elite rural paulista e mineira passaram a deter o poder do
governo federal, garantindo o poder da oligarquia agrária, o que deu fundamento aos
historiadores para chamarem esse período de República Oligárquica.

Foi nesse período que o país conheceu uma série de revoltas urbanas e rurais decorrente
das mudanças sociais e políticas pelas quais passaram o país. É de se destacar a Guerra de
Canudos, de 1896-1897, e a Revolta da Vacina, de 1904.

Foi nesse período que o Brasil iniciou sua industrialização, alterando a paisagem urbana de
algumas cidades e criando as condições para a formação da classe operária em território
nacional.

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Essas mudanças resultaram em novas pressões políticas e sociais, que as oligarquias
paulistas e mineiras não poderiam mais controlar. A Revolução de 1930 foi o ápice desse
processo, o que resultou no período conhecido como Era Vargas.

Era Vargas

A Revolução de 1930 elevou Getúlio Vargas ao poder, permanecendo como presidente até
1945. Durante seu Governo Provisório (1930-1934), o novo presidente conseguiu contornar
os conflitos entre as elites nacionais, principalmente com a vitória sobre a oligarquia e
burguesia industrial paulista durante a Revolução Constitucionalista de 1932.

A promulgação da Constituição em 1934 e a abertura de um processo democrático selaram


o acordo entre as várias frações da classe dominante nacional. Porém, não puderam conter
a insatisfação dos setores populares. É nesse sentido que se pode entender o surgimento
do Partido Comunista Brasileiro e a tentativa de derrubar o governo de Vargas, através do
que ficou conhecido como Intentona Comunista de 1935.

A tentativa do PCB serviu de pretexto para Vargas dar um golpe de Estado em 1937, pondo
fim ao período constitucional e inaugurando o Estado Novo. Mesmo contendo as forças do
integralismo, o Estado Novo marcou mais um período de extremo autoritarismo do Estado
Brasileiro.

Uma nova Constituição foi adotada e o Congresso foi fechado. Como forma de conter a
insatisfação popular e conseguir aumentar o poder de consumo do mercado interno, Vargas
promulgou uma série de leis que garantia alguns direitos à classe trabalhadora urbana, além
de proporcionar um nível de renda que impulsionasse o esforço de industrialização.

A industrialização somada a medidas de racionalização da administração pública


caracterizou o esforço de modernizar o Estado brasileiro, garantindo as condições de
fortalecimento tanto da burguesia industrial quando da tecnocracia das empresas estatais e
da administração pública.

Regime Liberal Populista

Ao fim da Segunda Guerra Mundial, em 1945, Vargas estava enfraquecido. Um golpe


comandado pelo general Eurico Gaspar Dutra o retirou do poder. Uma nova Constituição foi
adotada em 1946, garantindo a realização de eleições diretas para presidente da República

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e para os governos dos estados. O Congresso Nacional voltou a funcionar e houve
alternância no poder.

Entretanto, foi um período de forte instabilidade política. As mudanças sociais decorrentes


da urbanização e da industrialização projetavam novas forças políticas que pretendiam
aprofundar o processo de modernização da sociedade e do Estado brasileiro, o que
desagrava as elites conservadoras. O período foi marcado por várias tentativas de golpe de
Estado, levando inclusive ao suicídio de Getúlio Vargas, em 1954.

O governo de JK conseguiu imprimir um acelerado desenvolvimento industrial em algumas


áreas, mas não pôde resolver o problema da exclusão social na cidade e no campo. Essas
medidas de mudança social iriam compor a base das propostas do Governo de João
Goulart. O estado brasileiro estava caminhando para resolver demandas há muito
reprimidas, como a reforma agrária. Frente ao perigo que representava aos seus interesses
econômicos e políticos, as classes dominantes mais uma vez orquestraram uma tomada de
poder, com a deposição pelo exército de João Goulart, em 1964.

Governo Militar

Iniciada em 01 de abril de 1964, o Governo Militar foi um dos períodos mais repressivos da
História da República. Inúmeros grupos políticos foram cassados, e seus membros
torturados e mortos. O que diferenciou o período foi a sistematização da repressão estatal
aliada ao incentivo ao desenvolvimento econômico.

A estrutura estatal repressiva, de impedimento do exercício da oposição política através de


instituições policiais, garantiu a estabilidade social necessária aos investimentos
estrangeiros. Foi o período do milagre econômico brasileiro e da tentativa de transformação
do país em uma potência mundial.

A ditadura existiu até 1985 quando as pressões populares por abertura política tomaram as
ruas do país, principalmente na campanha das Diretas Já. Mesmo com milhares de pessoas
nas ruas, a reforma do Estado foi feita de forma “lenta e gradual”, como queriam os
militares.

No lado da classe trabalhadora, surgiu um vigoroso movimento sindical na década de 1970,


principalmente depois das greves no ABC paulista, entre 1978 e 1980. Esse movimento
sindical tornar-se-ia uma das características do período posterior.

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A Nova República

A Nova República iniciou-se com o governo de José Sarney e permanece até os dias atuais,
com o primeiro mandato do Presidente Michel Temer. Sarney foi eleito através do voto
indireto e durante seu governo foi elaborada uma nova Constituição, promulgada em 1988,
que garantia eleições diretas e livres a todos os cargos eletivos. A divisão dos poderes foi
mantida e uma nova perspectiva democrática liberal se abriu no país.

O primeiro presidente eleito diretamente desde 1960 foi Fernando Collor de Melo, em
1989. Porém, os escândalos de corrupção o fizeram renunciar em 1992. A partir dessa
renúncia, marcaram a história política da República os mandatos de dois governantes. O
primeiro foi Fernando Henrique Cardoso que com o Plano Real pôde garantir a estabilidade
econômica necessária aos investimentos estrangeiros.

Esses investimentos foram possíveis em decorrência das privatizações realizadas em setores


específicos da econômica, como telecomunicações, mineração e siderurgia. Por outro lado,
tais medidas representaram o enxugamento das funções do Estado brasileiro, marcando o
período do neoliberalismo no Brasil.

FHC governou até 2002, quando foi substituído por Luiz Inácio Lula da Silva. O primeiro
presidente de origem operária da República buscou caracterizar seu governo pela
distribuição de renda, possibilitada pela estabilidade econômica do período anterior. A
distribuição de renda ocorreu através de políticas como Bolsa Família, que além de uma
renda mínima, garantiu a obrigatoriedade de um nível educacional mínimo à quase toda a
população em idade escolar, uma uniformização federal de procedimentos administrativos
e o estímulo econômico a regiões extremamente pobres do território nacional.

Apesar da estabilidade política dos dois governos acima mencionados, os casos de


corrupção também se fizeram presentes, como as acusações de compra de votos para a
reeleição durante o governo FHC, em 1998, e o escândalo do mensalão, no governo Lula,
em 2005.

A alternância do poder garantiu ainda a eleição da primeira mulher para a presidência da


República, em 2010. Que recebeu um impeachment por crime fiscal em 2016. Esse é um
dos mais marcantes fatos da recente história republicana brasileira.

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TEMPO HISTÓRICO X TEMPO
CRONOLÓGICO
cai nos vestibulinhos: ETEC, Colégios Militares, Colégio Embraer, Colégios da UNESP, Colégio da USP e
Bolsas de Estudo.

Observação dos fenômenos naturais e contagem do tempo

O tempo é uma questão fundamental para a nossa existência. Inicialmente, os primeiros


homens a habitar a terra determinaram a contagem desse item por meio da constante
observação dos fenômenos naturais. Dessa forma, as primeiras referências de contagem do
tempo estipulavam que o dia e a noite, as fases da lua, a posição de outros astros, a
variação das marés ou o crescimento das colheitas pudessem metrificar “o quanto de
tempo” se passou. Na verdade, os critérios para essa operação são diversos.

Consciência da finitude

Não sendo apenas baseada em uma percepção da realidade material, a forma com a qual o
homem conta o tempo também pode ser visivelmente influenciada pela maneira com que a
vida é compreendida. Em algumas civilizações, a ideia de que houve um início em que o
mundo e o tempo se conceberam juntamente vem seguida pela terrível expectativa de que,
algum dia, esses dois itens alcancem seu fim. Já outros povos entendem que o início e o fim
dos tempos se repetem por meio de uma compreensão cíclica da existência.

Definição de tempo histórico

Apesar de ser um referencial de suma importância para que o homem se situe, a contagem
do tempo não é o principal foco de interesse da História. Em outras palavras, isso quer dizer
que os historiadores não têm interesse pelo tempo cronológico, contado nos calendários,
pois sua passagem não determina as mudanças e acontecimentos (os tais fatos históricos)
que tanto chamam a atenção desse tipo de estudioso. Dessa maneira, se esse não é o tipo
de tempo trabalhado pela História, que tempo tal ciência utiliza?

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O tempo empregado pelos historiadores é o chamado “tempo histórico”, que possui uma
importante diferença do tempo cronológico. Enquanto os calendários trabalham com
constantes e medidas exatas e proporcionais de tempo, a organização feita pela ciência
histórica leva em consideração os eventos de curta e longa duração. Dessa forma, o
historiador se utiliza das formas de se organizar a sociedade para dizer que um determinado
tempo se diferencia do outro.

Seguindo essa lógica de pensamento, o tempo histórico pode considerar que a Idade Média
dure praticamente um milênio, enquanto a Idade Moderna se estenda por apenas quatro
séculos. O referencial empregado pelo historiador trabalha com as modificações que as
sociedades promovem na sua organização, no desenvolvimento das relações políticas, no
comportamento das práticas econômicas e em outras ações e gestos que marcam a história
de um povo.

Além disso, o historiador pode ainda admitir que a passagem de certo período histórico
para outro ainda seja marcado por permanências que apontam certos hábitos do passado,
no presente de uma sociedade. Com isso, podemos ver que a História não admite uma
compreensão rígida do tempo, em que a Idade Moderna, por exemplo, seja radicalmente
diferente da Idade Média. Nessa ciência, as mudanças nunca conseguem varrer
definitivamente as marcas oferecidas pelo passado.

Importância das duas formas de tempo

Mesmo parecendo que tempo histórico e tempo cronológico sejam cercados por várias
diferenças, o historiador utiliza a cronologia do tempo para organizar as narrativas que
constrói. Ao mesmo tempo, se o tempo cronológico pode ser organizado por referenciais
variados, o tempo histórico também pode variar de acordo com a sociedade e os critérios
que sejam relevantes para o estudioso do passado. Sendo assim, ambos têm grande
importância para que o homem organize sua existência.

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