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EDUCAÇÃO

E
SAÚDE

ASSISTÊNCIA ESPECIALIZADA

DE ENFERMAGEM
Módulo III Educação e Saúde

EDUCAÇÃO E SAÚDE
Educação para Saúde da Pele
Sumário

1. Saúde da Pele........................................................................... 03

2. Doenças da Pele....................................................................... 19

3. Radiação e Nutrição................................................................. 80

4. Cosmetologia e Noções de Estética....................................... 88

5. Noções de Cirúrgia Plástica.................................................... 99

6. Anamnese e IMC..................................................................... 106

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Educação e Saúde Módulo III

1. SAÚDE DA PELE

A pele é o órgão que reveste a superfície corporal. Consiste em uma


cobertura superficial de tecido epitelial fixada a uma membrana basal, de uma
camada de tecido conjuntivo denso contendo as estruturas especiais da pele, e
de uma camada de tecido adiposo subcutâneo que liga a derme as estruturas
subjacentes.
As funções da pele e de suas estruturas anexas envolvem proteção,
sensação, termorregulação e secreção.
A pele representa 16% do peso do corpo humano e toda sua superfície
mede de 1,5 a 2 metros quadrados. Ela protege os tecidos internos das
influências ambientais como ondas luminosas, térmicas, microorganismos e
agentes químicos, além de inibir a perda excessiva de água e eletrólitos.
Contém os receptores sensitivos para as quatro sensações básicas, dor, tato,
temperatura e pressão.
Quando o corpo necessita dissipar calor, os vasos sanguíneos da pele
dilatam-se permitindo que maior quantidade de sangue chegue à superfície
resultando na perda de calor. O suor secretado pelas glândulas sudoríparas
também provoca a diminuição da temperatura corporal, pois o calor é utilizado
para evaporar a água. As glândulas sebáceas secretam sebo que possuem
propriedades antifúngicas, antibacterianas e de manutenção da textura da pele.

CAMADAS DA PELE
Epiderme
Parte mais superficial da pele, consiste de tecido epitelial, não
vascularizado, com cinco camadas distintas de células que se apóiam sobre
uma membrana basal e fina. Da superfície para a profundidade, as camadas da
epiderme são:

Camada Córnea – Constiruída de células mortas, com forma achatada à


semelhança de escamas, preenchidas por uma proteína chamada
queratina. Descama-se continuamente, demandando substituição. Sua
espessura depende do nível de estímulo da superfície pela erosão e

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suporte de peso, daí as palmas das mãos e solas dos pés serem
espessas.

Camada lúcida – se dispõe imediatamente abaixo da camada córnea,


consiste de uma a cinco camadas de células transparentes, achatadas,
anucleadas, em degeneração ou mortas.

Camada granulosa – formada por duas ou três camadas de células


achatadas, com núcleos densos, contendo grânulos de uma substância
que transforma-se em queratina nas camadas mais superficiais.

Camada espinhosa – compõe-se de várias camadas de células


irregulares com núcleo denso, de formato semelhante a uma estrela.

Camada basal ou germinativa – é a camada mais profunda e mais


importante da epiderme, apóia-se sobre a membrana basal. Suas
células cubóides dividem-se por mitose, originando todas as outras
camadas da epiderme, para compensar a perda continua de células
mortas pela camada superficial.
Contem ainda os melanócitos, células responsáveis pela produção de
melanina, o principal pigmento da pele.
A melanina é transferida para as células epiteliais circujacentes por
prolongamentos dos melanócitos. Uma variação no conteúdo desse pigmento é
o principal fator de diferença de cor entre as raças. A pele muito pigmentada
contém melanócitos mais ativos do que as menos pigmentadas e não
necessariamente mais melanócitos. O principal fator que estimula a atividade
dos melanócitos, aumentando a pigmentação, é o sol.
Derme
É chamada de pele verdadeira, se dispõe imediatamente abaixo da
membrana basal da epiderme. Consiste de tecido conjuntivo com fibras
colágenas e elásticas, contendo vasos sanguíneos e linfáticos, nervos, folículos
pilosos e glândulas sebáceas e sudoríparas. O tecido conjuntivo da derme
possui diversos tipos de células: fibroblastos, que sintetizam o colágeno e
elastina; células de defesa como mastócitos, plasmócitos, histiócitos ou
macrófagos e leucócitos polimorfonucleares, além de células adiposas.

Tecido subcutâneo – também conhecido como fáscia superficial,


constitui-se de uma camada de tecido adiposo que liga a derme às
estruturas subjacentes. As artérias que suprem a pele formam uma rede
no tecido subcutâneo cujos ramos suprem as glândulas sudoríparas, os
folículos pilosos e a gordura. Os vasos linfáticos da pele formam dois
plexos que se comunicam entre si e com os do tecido subcutâneo.

Anexos da pele.

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Unhas – estruturas achatadas, elásticas, de textura córnea, composta de


queratina dura, que crescem cerca de 1mm por semana graças à proliferação
de células do estrato germinativo de sua raiz.
Pelos – ocorrem em quase toda a superfície corporal, nascem nos folículos
pilosos, estruturas longas com base em forma de bulbo localizadas na derme,
emergem formando um ângulo de 60 graus com a pele. A porção visível do
pelo é a haste. Suas células produzem queratina. Existem feixes de fibras
musculares lisas que se ligam ao folículo, cuja contratação provoca o
eriçamento dos pelos, são os músculos eretores dos pelos. O crescimento do
pelo é semelhante ao da epiderme, onde as camadas mais profundas de
células produzem as novas células que migram em direção à superfície, são
preenchidas por queratina e formam a camada córnea da haste.
Glândulas sebáceas – são glândulas arredondadas que se agrupam como
uvas num cacho. Localizam-se na saída do folículo piloso e produzem o sebo,
substância gordurosa que lubrifica a superfície protegendo-a do ressecamento
e da ação de bactérias e fungos. Quando o sebo secretado é excessivo obstrui
a saída do folículo piloso, podendo provocar acne. O controle da secreção
sebácea é realizado pelo sistema endócrino, aumentando na puberdade, na
fase final da gravidez e diminuindo com a idade.
Glândulas sudoríparas – são glândulas tubulares espiraladas de dois tipos:
ecrinas e apocrinas. Os duetos das glândulas ecrinas se abrem diretamente na
pele. Elas secretam o suor em resposta a temperaturas elevadas. São
encontradas em todas as partes do corpo, exceto nos lábios e na glande do
pênis, mas são mais numerosas nas palmas das mãos e plantas dos pés.
As glândulas apocrinas se abrem nos folículos pilosos, são encontradas
nas axilas, região anogenital, cicatriz umbilical e papilas mamárias, secretam
um líquido viscoso e edonfero, respondendo ao estímulo emocional.

INERVAÇÃO DA PELE
A inervação da pele envolve terminações livres e encapsuladas
formando uma rede de receptores especializados em receber estímulos
exteriores, decodifica-los e transferi-los ao sistema nervoso central por meio
dos nervos sensitivos para que sejam interpretados e se traduzam em algum
tipo de sensibilidade.
Os receptores livres ocorrem em toda a pele, emergindo da derme e
ramificando-se entre as células da epiderme, são responsáveis pelo tato e
sensibilidade térmica e dolorosa. Os meniscos tácteis de Merkel que aparecem
enrolados na base dos folículos pilosos são exemplo de receptores livres.
Os receptores encapsulados são extremidades de fibras nervosas muito
ramificadas, envoltas numa cápsula conjuntiva. Os mais importantes são:

Corpúsculos de Meissner – localizam-se na pele espessa das mãos e


pés, são receptores de tato e pressão.

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Corpúsculos de Ruffini – ocorrem na pele espessa de mãos e pés e na


pele pilosa do resto do corpo. São receptores de tato e pressão.

Corpúsculos lamelados de Paccini – são encontrados no tecido


subcutâneo das palmas das mãos e plantas dos pés, membranas
interósseas dos membros e articulações, e periósteo. São responsáveis
pela sensibilidade vibratória.
Outros receptores encapsulados são os fusos neuromuscular e órgãos
tendinosos de golgi que se encontram descritos na parte sobre aparelho
locomotor.

SISTEMA TEGUMENTAR
Quando dois ou mais tecidos permanecem juntos, como na formação
das membranas mucosas e serosas, forma-se um órgão. Outra combinação de
tecidos e que constitui um órgão simples, é a pele.
Embora a pele não seja considerada como um órgão, ela é, na verdade,
um dos maiores órgãos do corpo humano em termos de superfície e peso.
A pele e suas estruturas acessórias œ pêlos, unhas e glândulas -
formam o tegumento comum.
A pele forma o revestimento externo completo do corpo. Ela é contínua
com as mucosas que revestem os sistemas respiratório, digestório, urogenital e
suas aberturas exteriores (boca, nariz, ânus, uretra e vagina), mas difere
estruturalmente delas.
A pele é SISTEMA TEGUMENTAR composta de duas camadas
principais:
1. A camada superficial de células epiteliais intimamente unidas, a
epiderme,
2. A camada mais profunda, de tecido conjuntivo denso irregular, a derme.
A derme está conectada com a fáscia dos músculos subjacentes, por
uma camada de tecido conjuntivo frouxo chamada hipoderme. A hipoderme

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conecta frouxamente a pele à fáscia dos músculos subjacentes, o que permite


aos músculos contrair-se sem repuxar a pele.
Em muitas áreas deposita-se gordura no tecido conjuntivo frouxo,
formando assim o tecido adiposo.
Epiderme
A epiderme é geralmente muito delgada, menos de 0,12 mm na maior
parte do corpo, mas é consideravelmente espessas em áreas sujeitas a
constante pressão ou fricção, tais como as solas dos pés e as palmas das
mãos. A pressão continuada num dado local causa o espessamento da
epiderme em calos.
Camadas da epiderme
Quando a epiderme é espessa é possível identificar quatro camadas ou
estratos. A camada mais interna é a camada germinativa. Está é seguida pela
camada granulosa, pela camada transparente (lúcida) e pela camada córnea (a
mais externa).
A camada germinativa é a camada mais profunda da epiderme. Ela jaz
diretamente sobre a derme. Como o nome indica, é nesta camada que ocorre
mitose, fornecendo células para substituir aquelas que são perdidas na camada
mais superficial da epiderme.
A maioria das mitoses ocorre nesta camada, que é freqüentemente
referida como camada basal. As células da camada germinativa estão unidas
entre si por desmossomos.
As células da camada granulosa são achatadas e estão arranjadas em
cerca de três planos de células, superficialmente ao estrato germinativo.
Esta camada tem seu nome derivado da presença de grânulos de
querato-hialina no citoplasma de suas células medida que os grânulos
aumentam de tamanho, o núcleo se desintegra, daí resultando a morte das
células mais externas da camada granulosa.
A camada transparente ou lúcida é uma clara banda superficial à
camada granulosa. Consiste de várias camadas de células achatadas e
intimamente ligadas umas às outras.
Está é transformada em queratina assim que as células da camada
transparente tornam-se parte da camada córnea, a mais externa. A camada
transparente é mais proeminente em áreas de pele espessa, e falta em outros
locais.
A camada córnea é a mais superficial da epiderme. É formada de vários
planos de células achatadas, intimamente ligados e mortas.
Desde que seu citoplasma tenha sido substituído por uma proteína
fibrosa chamada queratina, estas células mortas são referidas como
corneificadas.

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As células corneificadas formam uma cobertura ao redor de toda a


superfície do corpo e não só protegem o corpo contra invasão por substâncias
do meio externo, como também ajudam a restringir a perda de água do corpo.
As células mais superficiais da camada córnea são constantemente
perdidas como resultado da abrasão - por exemplo, pelo atrito com a roupa.
Sendo, no entanto, substituídas por células provenientes das camadas mais
profundas da epiderme.

NUTRIÇÃO DA PELE
Como é típico em todos os epitélios, não há vasos sanguíneos na
epiderme, embora a derme subjacente seja bem vascularizada.
Como resultado, o único meio pelo qual as células da epiderme podem
obter alimento é através da difusão dos leitos capilares da derme. Este método
é suficiente para as células mais próximas da derme, mas à medida que as
células se dividem e são empurradas para a superfície do corpo, elas morrem.
Seu citoplasma é gradualmente substituído por queratina, formando
assim a estrutura das camadas mais externas da epiderme.

COR DA PELE
A cor da pele é determinada principalmente pela presença e distribuição
de um pigmento escuro chamado melanina. A melanina é produzida por células
chamadas melanócitos, que migram na epiderme e transferem o pigmento às
células da camada germinativa.
Não há grande diferença no número de melanócitos encontrados na pele
de várias raças humanas. As diferenças na cor da pela são devidas
principalmente à quantidade de melanina produzida pelas células e sua
distribuição.
As pessoas de pele escura apresentam grande quantidade de melanina
em todas as camadas da epiderme, diferentemente das pessoas de pele clara.
Estas apresentam pouca melanina distribuída nas camadas, com exceção dos
mamilos.
A presença do pigmento amarelo caroteno nas camadas da epiderme,
em combinação com a melanina, produz o matiz amarelado típico do povo
oriental.

Derme
Abaixo da camada germinativa da epiderme está a camada de tecido
conjuntivo fibroso irregular chamada derme. A derme contém algumas fibras

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elásticas e reticulares, bem como muitas fibras colágenas, é bem suprida por
vasos sanguíneos, vasos linfáticos e nervos.
A derme também contém glândulas especializadas e órgãos dos
sentidos. A espessura da derme varia em diferentes locais, mas em média é de
cerca de 2 mm. É composta de duas camadas indistintamente separadas:
camada papilar e camada reticular.
A parte mais externa da camada papilar está intimamente acoplada ao
estrato basal da camada germinativa. Essa camada tem esse nome por causa
de suas numerosas papilas que se projetam na região epidérmica.
Na palma da mão e na planta dos pés, estas papilas estão dispostas em
sulcos paralelos e encurvadas, o que obriga ao aparecimento na epiderme
suprajacente das características impressões digitais, palmares e plantares.
A profunda camada reticular da derme consiste de feixes densos de
fibras colágenas orientadas em várias direções, assim formando um retículo.
As fibras são contínuas com as da hipoderme.

Hipoderme
A hipoderme (hipo = abaixo de) não é parte da pele, mas é importante
porque fixa a pele nas estruturas subjacentes. Este tecido é também referido
como subcutâneo ou fáscia superficial.
A hipoderme é formada por tecido conjuntivo frouxo, frequentemente
tendo células adiposas depositadas entre as fibras.
Em algumas regiões como nas nádegas e no abdome, o acúmulo de
gordura no tecido subcutâneo pode ser muito amplo. A hipoderme é bem
suprida de vasos sangüíneos e terminações nervosas.

Glândulas da pele
Dois tipos de glândulas têm uma ampla distribuição da pele: as
glândulas sudoríferas e as glândulas sebáceas. Alem disso, há glândulas
especializadas como as glândulas ceruminosas (de cera) do meato acústico
externo, as glândulas ciliares e as tarsais das pálpebras; e as glândulas
mamárias.
Glândulas sudoríparas - As glândulas sudoríparas estão distribuídas na maior
parte da superfície do corpo. Apenas em poucos lugares, como nos lábios,
mamilos e porções da pele dos órgãos genitais, elas estão ausentes.
As glândulas sudoríparas típicas œ écrinas œ são glândulas merócrinas,
cada uma com a forma de um túbulo simples que se torna espiralado dentro da
derme.

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A estimulação de nervos simpáticos que se dirigem a essas glândulas


forçam-nas a secretar uma solução aquosa de cloreto de sódio, com traços de
uréia, sulfatos e fosfatos.
A quantidade de suor secretado depende de vários fatores como a
temperatura e umidade do meio, a quantidade de atividade muscular e várias
condições que causam fadiga.
As glândulas sudoríferas localizadas na axila, ao redor do ânus, no
escroto e nos lábios maiores do genital feminino externos são usualmente
grandes e se estendem até dentro do tecido subcutâneo.
As glândulas nesses locais frequentemente secretam num folículo piloso
e não diretamente na superfície da pele. Essas glândulas são apócrinas, isto é,
parte do citoplasma das células secretoras está incluído na secreção, que é
mais espessa e mais complexa que o suor verdadeiro.
Nas mulheres essas glândulas periodicamente tornam-se aumentadas e
hiperativas, em conjunção com o ciclo menstrual. As glândulas ceruminosas,
que produzem cera (cerume) no meato acústico externo, também são
glândulas apócrinas que são consideradas glândulas sudoríferas modificadas.

Glândulas sebáceas - A maioria das glândulas sebáceas desenvolve- se a


partir dos folículos pilosos, e neles eliminam suas secreções. Sua secreção
(sebo) é uma substância oleosa que é rica em lipídeos. Ela corre ao longo da
haste do pêlo até a superfície da pele.
O sebo não somente lubrifica a pele e os pêlos, prevenindo-os do
ressecamento, mas também contém substâncias que são tóxicas para certas
bactérias.
As glândulas sebáceas, que são reconhecidamente estimuladas pela
presença de hormônios sexuais (especialmente testosterona) são
particularmente ativas durante a adolescência.
Na maioria das regiões do corpo sem pêlos, como a palma da mão e
planta dos pés não tem glândulas sebáceas. Entretanto, em algumas regiões
onde faltam pêlos, como os lábios, a glande do pênis e os lábios menores há
glândulas sebáceas. Nestas regiões, as glândulas liberam secreções
diretamente na superfície da epiderme.
Embora o pêlo seja mais notável na cabeça e nas regiões axilares e
púbicas, ele também está presente œ muito menos evidente œ na maior parte
do corpo.
As únicas áreas da pele sem pêlos são os lábios, as palmas das mãos,
as plantas dos pés, os mamilos e partes dos genitais externos.
O pêlo cresce como resultado da atividade mitótica de células
epidérmicas na base do folículo piloso. Os folículos se estendem desde a
epiderme até o interior da derme.

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A camada mais externa do folículo, a bainha radicular externa é uma


invaginação da epiderme. Desde a base do folículo até o nível das glândulas
sebáceas, os folículos são revestidos pela bainha radicular interna, formada de
várias camadas de células queratinizadas.
Envolvendo o folículo, existe uma camada de tecido conjuntivo, a mais
externa, que se desenvolve a partir da derme. Uma porção da derme projeta-se
do fundo de cada folículo formando a papila do pêlo.
As papilas contêm capilares sangüíneos, que nutrem as células
foliculares situadas em sua volta e permitem que elas continuem a se dividir
por mitose.
Cada pêlo é essencialmente uma coluna de células queratinizadas. As
células mitoticamente ativas que recobrem a papila constituem a matriz do
pêlo.
A parte do pêlo que se situa logo acima da matriz é a sua raiz. A haste
se desenvolve a partir de células da matriz e a ponta livre da haste se estende
para além da superfície da pele.
A medula do pêlo, o núcleo central da haste do pêlo, consiste de células
corneificadas frouxamente dispostas com espaços aéreos entre elas. O córtex
do pêlo que envolve a medula é formado de células queratinizadas fortemente
comprimidas.
Embora haja consideráveis variações na cor dos pêlos, somente três
pigmentos estão presentes: preto (melanina), castanho e amarelo.
Combinações desses três pigmentos produzem as diferentes cores dos pêlos.
Os folículos pilosos estão geralmente em ângulo oblíquo com relação à
superfície da pele, como também os próprios pêlos. Com disposição diagonal
desde o tecido conjuntivo que envolve cada folículo até a camada papilar da
derme, encontra-se o músculo liso: músculo eretor dos pêlos.
A contração desse músculo puxa o folículo e causa o levantamento do
pêlo, isto é, deixa-o perpendicular à superfície da pele.

UNHAS
Nas superfícies dorsais das falanges distais dos dedos das mãos e dos
pés, os folhetos epidérmicos mais externos (a camada córnea e a camada
transparente) são intensamente corneificadas formando as unhas.
O leito da unha em cima do qual a unha se encontra, é formado pela
camada germinativa. A região espessa da camada germinativa é chamada
matriz da unha.
É nessa matriz que ocorrem as mitoses, empurrando para frente as
células previamente formadas que se corneificaram, e assim causa o
crescimento da unha.

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Na extremidade proximal da unha uma estreita prega da epiderme se


estende sobre a superfície lisa, formando o eponíquio (cutícula).
Abaixo da ponta livre da unha a camada córnea é espessa e é chamada
hiponíquio. As unhas geralmente têm uma coloração rosada por causa da rede
capilar que existe abaixo dela.

COURO CABELUDO
O couro cabeludo é, grosso modo, a pele que reveste o crânio do ser
humano e que possui cabelo. É diferente das demais peles por dois motivos: o
primeiro é que abaixo desta pele existe uma estrutura muito vascularizada,
formada por uma ramificação enorme de vasos sanguíneos e que é a
responsável pelos grandes sangramentos ocorridos em ferimentos neste local.
é onde nasce o cabelo.
Este tecido fino, friável e altamente vascularizado é chamado de Gálea.
Os ferimentos neste local devem necessariamente ser suturados para evitar a
formação de hematomas.
Os ferimentos contusos apresentam grandes hematomas, e muitos
recém-nascidos nascem com bossa, ou seja, hematomas abaixo do couro
cabeludo e acima da calota craniana que dão ao recém nascido a aparência de
um projétil, com a cabeça pontuda. A segunda diferença é que apresenta
cabelos mesmo nos calvos, apesar de ser chamado de couro cabeludo.

CABELO
O cabelo é cada um dos pelos que crescem no couro cabeludo (parte
superior da cabeça do corpo humano).
Há em média 3 milhões e meio de fios capilares em uma pessoa adulta
e crescem em média 1 cm por mês. Diferenciam-se dos pelos comuns pela sua
elevadíssima concentração por área de pele e pelo desenvolvimento em
comprimento.
Podem ser lisos, crespos, ondulados e de muitas cores. Os cabelos não
servem só como um aliado estético (dando forma e valorizando o rosto) mas
também funcionam como um isolante térmico, protegendo a cabeça das
radiações solares e da abrasão mecânica. Também podem ser um indicativo
de diversas doenças que se manifestam alterando sua estrutura.
Estrutura interna do cabelo

Pelo (cabelo)

Superfície da pele

Sebo

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Folículo piloso

Glândula sebácea.
Acima de tudo, o fio de cabelo é um pelo. Possui a mesma estrutura de
todos os pelos do corpo humano, porém tem suas particularidades.

Funções do tegumento comum


Proteção
A pele forma uma barreira física que protege o corpo contra a invasão de
microorganismos e a entrada de substâncias estranhas do meio exterior
(incluindo a água).
Também protege contra o excesso de radiação ultravioleta e reduz
grandemente a perda de água pelo corpo. Em função da leve acidez da
película líquida encontrada na superfície da pele, ela atua como uma camada
anti-séptica.
Quando sujeita a traumas repetidos, a pele (particularmente a camadas
córnea) torna-se espessa formando calosidades em certas ocasiões.

REGULAÇÃO DA TEMPERATURA DO CORPO


Quando a temperatura do corpo começa a aumentar, as arteríolas da
derme se dilatam, trazendo maior volume de sangue para a superfície do
corpo, e assim permitindo que a maior parte do calor interno seja perdido.
Ao mesmo tempo, a superfície do corpo torna-se úmida, por causa do
aumento da atividade secretora das glândulas sudoríferas. A evaporação desse
suor facilita ainda mais a perda de calor.
De modo similar, sob condições de frio o calor do corpo pode ser
conservado pela constrição das arteríolas dérmicas. Essa condição reduz a
quantidade de sangue que circula pela superfície do corpo, de tal forma que
menos calor será perdido.

Excreção
Além do seu efeito refrigerante, a secreção do suor funciona, numa
extensão limitada, como um meio de excreção. Pequenas quantidades de
resíduos nitrogenados e de cloreto de sódio deixam o corpo através do suor.
Suor
Você está adaptado para ―funcionar‖ à temperatura de 36,5 º C. Quando
ela aumenta, é preciso dissipar o calor. Então, sua pele produz o suor, através
das glândulas sudoríparas.

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Mas como é que o suor elimina calor? A explicação é simples, e envolve


conceitos de Física: todos os elementos precisam ganhar ou perder energia
para mudar seu estado físico. Ganhar energia para mudar do estado líquido
para o gasoso e perder energia para mudar do estado líquido para o sólido.
É o que acontece com o suor. Ele é uma gotícula de água sobre a pele
que precisa evaporar. Para isso, vai ―roubar‖ energia da superfície da pele,
esfriando-a.
Quando a pele esfria, o sangue dos vasos sanguíneos que a percorrem
também esfria. Bem, este sangue mais frio circula pelo todo o corpo. Assim,
todo o organismo esfria. E pensar que todo este processo começa com as
pequenas glândulas sudoríparas da pele.
Mas não são apenas as glândulas sudoríparas que entram em ação para
diminuir a sua temperatura. Você já deve ter notado que sua pele fica
avermelhada quando você pratica exercícios, tem febre, ou mesmo nos dias
mais quentes. É que a pele está dando mais uma mãozinha para regular sua
temperatura, desta vez através do aumento do calibre dos vasos sanguíneos.
Este aumento chama-se vasodilatação, e permite que a perda de calor seja
mais rápida, já que circula maior quantidade de sangue esfriado pelo corpo. E,
por haver mais sangue em cada vaso, sua pele fica avermelhada.

Sensação
Por causa da presença de terminações nervosas e receptores
especializados, a pele provê o corpo com muitas informações relativas ao meio
externo.
Fatos tais como alteração de temperatura, um toque, pressão e um
trauma doloroso estimulam os receptores tegumentares. Esses alertam o
sistema nervoso central possibilitando uma ação apropriada como resposta.
Arrepio
Essa é a forma que a pele encontra para lhe proteger das baixas
temperaturas. Os pêlos levantados fazem com que uma camada de ar fique
parada sobre a pele, funcionando como isolante térmico e evitando a perda de
calor.
E como acontece o arrepio? A pele possui um músculo eretor para cada
pêlo. Ao se contrair, o músculo coloca o pêlo em pé.
Mais uma vez, os vasos sanguíneos da pele ajudam na regulação da
temperatura. Agora, como o objetivo é evitar a perda de calor, acontece a
vasoconstrição: diminuição do calibre dos vasos que percorrem a pele.
A vasoconstrição provoca a redução do volume de sangue que passa
pelos vasos sanguíneos. Com menor quantidade de sangue esfriado
circulando, há menos perda de calor. E, também devido a menor quantidade de
sangue, a pele fica mais pálida.

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Produção de vitamina D
Na presença de luz solar e de radiação ultravioleta, um dos esteróides
(7- deidrocolesterol) encontrados na pele é alterado de tal maneira que forma a
vitamina D3 (colecalciferol).
Depois de ser metabolicamente transformada, a vitamina D3 participa da
absorção de cálcio e de fosfato de origem alimentar.
A vitamina D3 ainda é importante na manutenção do nível ótimo de
cálcio e de fosfato do corpo, facilitando assim o crescimento normal dos ossos
e seu reparo após uma fratura.

DESIDRATAÇÃO E HIDRATAÇÃO DA PELE


Causas da Desidratação
A pele pode ficar desidratada por vários motivos. Um deles é o clima:
muito vento ou sol provoca a evaporação de maior quantidade de água da pele.
Com menos água, a pele fica ressecada. Mas pode ser que não esteja
ventando e que você não tome sol em excesso e, mesmo assim, sua pele
continue seca. A falta de umidade no ar leva ao ressecamento de sua pele,
pois há maior evaporação de água do corpo.
Fique atento a mudanças bruscas na temperatura, como o surgimento
de vento frio, e no inverno, a pele fica mais ressecada devido à menor
produção de suor e sebo pelo corpo.
Outro motivo de desidratação é o uso frequente de substâncias
químicas, como os detergentes e os solventes orgânicos, utilizadas na limpeza
doméstica. Estas substâncias atacam o manto hidrolipídico da pele. Sem esta
proteção, há evaporação de água e, conseqüentemente, ressecamento.
O envelhecimento também leva à desidratação da pele. Quanto mais
velhos ficamos, menor a quantidade de água no organismo como um todo,
inclusive na pele.
Algumas doenças de pele perturbam sua hidratação. É o caso da
psoríase e das ictioses, que provocam descamação da pele.

Consequências da Desidratação
O aspecto é de pele de cobra: fica toda rachada. Dependendo do grau
de desidratação, pode até esfarelar, principalmente no rosto, braços e pernas.
É comum aparecerem regiões avermelhadas, que podem inchar, formar bolhas
e eliminar uma secreção. Além de problemas com a aparência, pode haver
desconforto físico, devido à coceira.

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A evaporação da água causa um desequilíbrio no manto hidrolipídico,


formado por suor e gordura. O manto é responsável pela proteção da pele.
Com menos água, há menor proteção. Fica mais fácil a irritação por
substâncias químicas, ou mesmo pela poeira que está no ar. A pele reage com
inflamação: surgem as manchas vermelhas, chamadas de eczemas ou
dermatites. Elas podem acontecer em qualquer idade, mas são bastante
comuns nas pessoas mais velhas, que possuem a pele naturalmente mais
desidratada.
Outra consequência da desidratação, devido à alteração no manto
hidrolípidico: a pele ressecada contamina-se mais facilmente. Ou seja, a
possibilidade de desenvolver alguma doença de pele é maior.

Processo de desidratação e hidratação


Todos nós perdemos água através da pele, pela evaporação. É o que
chamamos de perda da água transepidérmica normal. A perda normal de água
acontece quando a barreira de proteção da pele, o manto hidrolipídico, formado
por água e gordura, está inteira, sem nenhuma falha.
Já a desidratação acontece quando há maior perda de água pelo
organismo, acima do normal. Ela é causada pelas falhas no manto
hidrolipídico.
São essas falhas que a água evapora. Você lembra os fatores que
podem prejudicar esta barreira natural da pele? O clima, substâncias químicas,
doenças de pele, envelhecimento...
Para reidratar as peles são necessárias um bom hidratante. Ele atua
recuperando a barreira hidrolipídica as células da epiderme. O hidratante fecha
estas falhas, e evita a evaporação de água além do normal. A pele fica
novamente hidratada.

Como evitar a desidratação


Você sabe que a pele de algumas pessoas é mais seca que a de outras.
Isso é determinado por fatores genéticos, além da idade, meio ambientes,
saúde da pele e hábitos pessoais.
Todos os tipos de pele precisam de cuidados para evitar a desidratação.
Ao contrário do que você deve imaginar, a pele oleosa também pode ficar
desidratada, apesar do aspecto brilhante causado pela maior produção de
sebo. Uma boa hidratação é resultado do equilíbrio entre a quantidade de
gordura e água da pele. Portanto, a maior produção de sebo não impede a
perda de água.
Independentemente do seu tipo de pele, existem cuidados que você
deve ter diariamente para mantê-la livre de ressecamento. São hábitos que
valem a pena, não apenas por estética, mas por saúde e conforto. Lembre-se:
quando a barreira natural da pele é prejudicada, ela não somente fica sem

16
Educação e Saúde Módulo III

brilho e com aspecto esfarelado. Fica também sujeita a manchas e


contaminações com vírus, bactérias e fungos!
Existem costumes que levam ao desgate e ressecamento da pele:

Evitar banhos muito quentes e prolongados. Usar água morna.

Não utilizar produtos esfoliantes muito fortes em áreas mais sensíveis,


onde a pele é mais fina. Os cremes e sabonetes com grânulos mais
abrasivos (que promovem maior desgaste) funcionam como uma lixa e
somente devem ser usados em regiões mais grossas da pele, como as
palmas das mãos e plantas dos pés.

Buchas vegetais e esponjas não devem ser usadas todos os dias. Aliás,
seu uso é geralmente desnecessário.

Não utilizar esfoliantes para o corpo em excesso. O desgaste provocado


pelos grânulos pode retirar a proteção da pele, ou até mesmo a pele!
Verificar com um dermatologista a frequência ideal (pode variar de
acordo com o produto).

Os óleos, muito em moda hoje em dia pelo perfume e maciez imediata


que conferem, na realidade não hidratam a pele. Eles apenas a
impermeabilizam, evitando a perda de água. Ou seja, não substituem o
uso dos hidratantes. Estes últimos contêm substâncias responsáveis por
fornecer a água necessária para a manutenção da integridade da
epiderme. Se você gosta de usar óleo, aplique um hidratante
separadamente, em outro horário. Atenção: não adianta passar
hidratante imediatamente depois do óleo, pois sua pele já estará
impermeabilizada, o que impedirá a ação do hidratante.

Não se usar toalhas ásperas e sim as toalhas felpudas, principalmente


nas áreas de dobras do corpo (dedos, pés, virilhas e axilas). Evitando
qualquer micose oportunista e preserva a umidade da sua pele.

Apliquar um bom hidratante corporal logo depois do banho, diariamente.


Ele é melhor absorvido se aplicado com a pele um pouco úmida.

Como manter a pele hidratada


Para hidratar a pele e mantê-la hidratada é necessário o uso diário de
um bom hidratante.
A hidratação vem ―de dentro‖: o próprio manto hidrolipídico é feito da
água que vem do organismo.

Tipos de hidratante e escolha do produto adequado


Várias substâncias são utilizadas com o objetivo de hidratar a pele,
como uréia, lactato de amônio, etc. Estas substâncias são apresentadas de

17
Módulo III Educação e Saúde

várias maneiras: em forma de creme, loção, gel, spray, mousse... Cada


formulação tem uma indicação específica, de acordo com a necessidade da
pele.
O importante é usar o hidratante adequado a seu tipo de pele. O
dermatologista é o médico indicado para ajudá-lo nessa escolha. Ele vai levar
em consideração, além do tipo de pele, vários outros fatores, como sua idade,
se você está usando algum medicamento, condições climáticas, gravidez,
região do corpo na qual será passado o hidratante... Você pode utilizar os
hidratantes que não precisam de receita médica, vendidos nas farmácias ou
supermercados, mas é importante você saber que talvez eles não apresentem
resultados tão bons. Se você apresentar algum tipo de irritação, é bom
consultar um dermatologista.
Uma vez escolhido o hidratante, saiba que ele não poderá ser usado
para o resto de sua vida. Isso porque sua pele está em constante mudança,
seja pelo passar da idade, pela mudança das estações do ano, hábitos,
situações do cotidiano. E o hidratante deve mudar conforme mudam as
necessidades de sua pele.

18
Educação e Saúde Módulo III

2. DOENÇAS DA PELE

Acantose define-se como o aumento da espessura da


epiderme, geralmente devido ao espessamento do estrato espinhoso (pele).

Acantose nigricans é uma doença rara da pele,


caracterizada por hiperqueratose (excesso de queratina) e hiperpigmentação
(lesões de cor cinza e engrossadas, que dão um aspecto verrugoso ). É
frequentemente associada à obesidade e endocrinopatias, como
hipotireoidismo ou hipertireoidismo, acromegalia, doeça do ovário policístico,
diabetes insulino-resistente, síndrome metabólica, e Síndrome de Cushing.
Embora possa ocorrer em qualquer local da superfície corpórea, a área
mais atingida é a região posterior do pescoço, seguida pelas axilas, face lateral
do pescoço, superfícies flexoras dos membros, região periumbilical,
inframamária, mucosa oral ou mesmo, em casos raros, planta dos pés e palma
das mãos.
As principais causas são as endocrinopatias: a obesidade é o distúrbio
mais comum, frequentemente associado ao hiperinsulinismo, ao diabetes
mellitus e à resistência à insulina.
Conhecem-se quatro tipos de acantose nigricans:
A síndrome de Miescher, que é uma forma benigna e hereditária;
A síndrome de Gougerot Carteaud, que é também uma forma benigna e
possivelmente hereditária, mas que aparece em mulheres jovens;
A pseudo-acantose nigricans que é uma forma juvenil benigna que se
associa a obesidade e alterações endocrinológicas.
A acantose maligna, manifestação paraneoplásica do adulto que se
associa com frequência a um tumores do tubo digestivo e do fígado,
bem como linfomas e melanoma.

19
Módulo III Educação e Saúde

Acne é uma doença da pele. A sua frequência é maior na


adolescência, quando o nível elevado de hormonas sexuais causa o aumento
da secreção de sebo pelas glândulas sebáceas, provocando o aparecimento de
espinhas, bolhas e pontos negros principalmente no rosto, costas, peito e
ombros.
Às vezes, os poros bloqueados se infeccionam aparecendo bolhas
cheias de pus. Muito comumente se coça ou espreme essas bolhas, causando
o agravamento da infecção e deixando cicatrizes ou manchas.
A acne é caracterizada pelo aumento de secreção de sebo pelas
glândulas sebáceas, em conjunto com o acúmulo de células mortas no orifício
do folículo pilossebáceo, obstruindo o poro da pele. Isto impede a saída de
sebo pelo orifício. O acúmulo de sebo libera algumas substâncias que irritam a
pele, causando inflamação, e é um meio propício para as bactérias se
desenvolverem - notadamente, a Propionibacterium acnes.
As lesões da acne surgem, na maioria dos casos, no rosto. Surgem
também, com menor freqüência, nas costas, peito, ombros e braços.
Em seu processo de desenvolvimento a acne adquire diversas formas,
representadas a seguir em grau de desenvolvimento e gravidade:
Um adolescente de 16 anos com acne na bochecha.

Tipos de lesões
Seborréia: é o excesso de secreção sebácea que ocorre no rosto e
tronco. A pele se torna oleosa e brilhante e com aparente dilatação do
orifício de saída do folículo pilossebáceo. Ainda que as pessoas que
desenvolvem a doença produzam maior quantidade de sebo que os não
afetados, a intensidade da acne nem sempre está relacionada com a
intensidade de seborréia. Uma medida para impedir o excesso de
produção sebácea é o uso de retinóides tópicos e isotretinoína; tais
medicamentos interferem no tamanho e produção de sebo das glândulas
sebáceas.
Comedão: é a lesão mais característica da acne. O comedão fechado é
de difícil visualização, sendo uma elevação cutânea de cor
embranquecida ou amarelada. O comedão aberto costuma não ser
elevado. No entanto, pode se apresentar como uma pequena elevação
dura de cor preta, devido à oxidação da superfície do sebo.
Pápula: é a inflamação do comedão, que se torna avermelhado e
aumenta de tamanho de 1 a 4 milímetros. É dolorosa e se desenvolve
principalmente do comedão fechado. O comedão aberto se inflama
quando manipulado sem assepsia.
Pústula: é a evolução da pápula, com elevação da pele em uma bolsa de

20
Educação e Saúde Módulo III

pus de profundidade variável, acompanhada de coceira e dor.


Nódulo: é uma lesão profunda, coberta por pele normal que evolui até a
inflamação e termina com a formação de cicatrizes.
Cicatriz: as cicatrizes podem ser atróficas, hipertróficas ou queloides. Os
quelóides se apresentam como inchaços bem delimitados, porém de
formato irregular de cor rosa a vermelho escuro.
A acne, conforme o tipo das lesões, pode causar cicatrizes em alguns
casos, e é esta a sua única conseqüência visível em longo prazo. Suas
conseqüências mais preocupantes são, na verdade as psicológicas. Ocorre,
conforme o grau, grande redução da auto-estima, vergonha de sair de casa e
depressão. O pior é que a acne geralmente aparece na adolescência, quando
as pessoas tendem a ser mais insegura socialmente.
Alvos, em alguns casos, de discriminação, as pessoas acometidas pela
doença em elevado grau buscam, em vários casos, o isolamento social. A acne
atinge a vida social do indivíduo profundamente, pois é justamente na fase da
adolescência em que se desenvolvem as relações sociais e o amadurecimento
emocional e psicológico. Por esses motivos, é aconselhável, além do
tratamento físico, o acompanhamento psicológico do paciente, para que saiba
lidar com a doença e não se afaste do meio social.

Tratamentos
Existem muitos produtos no mercado para tratar a acne, muitos deles
sem que os efeitos tenham sido comprovados cientificamente. Contudo, uma
combinação de tratamentos pode reduzir muita a gravidade da acne na maioria
dos casos. Os tratamentos que são mais efetivos devem ser acompanhados de
perto por um dermatologista porque possuem uma maior possibilidade de
efeitos colaterais. Deve-se consultar um médico especializado para escolher
qual tratamento utilizar, principalmente quando utilizados em combinação.
Alguns tratamentos que se mostraram efetivos:

Esfoliação da pele
A esfoliação da pele pode ser feita tanto de maneira mecânica quanto
através de substâncias químicas como o peróxido de benzoíla e ácido
salicílico. Elas atuam prevenindo o acúmulo de células mortas e também
ajudam na desobstrução de poros afetados. Dentre os tratamentos tópicos, o
peróxido de benzoíla e o ácido salicílico são as medicações mais eficientes. No
entanto, o uso deles não pode ser exagerado, correndo o risco de trazer mais
oleosidade ainda à pele.

Antibióticos tópicos e orais


A aplicação de antibióticos na região afetada, utilizando-se cremes e
loções a base de eritromicina e ácido fusídico pode ser bastante eficaz. Eles
atuam matando as bactérias - notadamente, P. acnes - que se alojam no orifício
do folículo piloso. Há também antibióticos orais, que são utilizados em casos
mais graves e têm efeito melhor.
O uso de antibióticos tem se tornado menos eficiente na medida em que
bactérias P. acnes resistentes têm se tornado mais comuns. A acne geralmente

21
Módulo III Educação e Saúde

irá reaparecer em alguns dias após o fim do tratamento tópico e algumas


semanas após o oral.

Tratamento hormonal
Nas mulheres, é possível a aplicação de tratamento hormonal, que
consiste na ingestão de contraceptivos orais (hormônios femininos) que
neutralizam os efeitos de excessos de hormônios masculinos. Homem também
tem controlador hormonal. Existe preconceito relativamente a este fato. Tudo o
que sendo dito acima procure um médico especializado. Para cada tipo de pele
existe um determinado tratamento.

Retinóides tópicos
Os retinóides tópicos são mais eficientes que as esfoliações e os
antibióticos sozinhos, os retinóides agem na normalização do ciclo de vida das
células do folículo, dissolvendo e prevenindo a formação de comedões. O ácido
retinóico, principamente quando combinado com a eritromicina costuma ser
bastante eficaz para o tratamento da acne. O adapaleno que tem menores
efeitos colaterias costuma trazer menores resultados. Estão relacionados à
vitamina A (retinóides significa semelhantes ao retinol - que é justamente o
nome químico da vitamina A).

Retinóides orais
Consiste na ingestão diária de retinóides como a isotretinoína durante
um período de 6 a 8 meses. A isotretinoína tem se mostrado muito eficiente; no
entanto, pode causar efeitos colaterais perigosos. Por isto, só deve ser utilizada
no tratamento da acne severa ou muito resistente.
O tratamento requer um acompanhamento médico bem próximo de um
dermatologista devido justamente aos efeitos colaterais (os quais podem ser
graves). Os efeitos colaterais mais comuns são a desidratação da pele e
sangramentos nasais (consequentes da desidratação da mucosa nasal). Há
relatos de que a substância possa prejudicar o fígado dos pacientes. Por esse
motivo, é fundamental que os pacientes façam exames de sangue antes e
durante o tratamento. Existem alguns relatos que comprovam que a droga
pode gerar depressão. A droga também pode causar graves defeitos em fetos
se as mulheres se submeterem ao tratamento antes ou durante a gravidez
como defeitos na face, nas orelhas, no coração e no sistema nervoso do feto.
Por essa razão o tratamento das mulheres é acompanhado por métodos
contraceptivos ou abstinência sexual.

Agentes básicos
Algumas soluções inorgânicas de caráter básico, como o bicarbonato de
sódio (NaHCO3) tem se mostrado eficaz no controle da oleosidade da pele em
aplicações tópicas seguidas. Como o sebo nada mais é que um conjunto de
ácidos gordos, estas substâncias aplicadas agem na neutralização destes
ácidos, formando sais orgânicos que não servem de alimento para as bactérias
e não têm aspecto oleoso.

22
Educação e Saúde Módulo III

Clareamento
A acne costuma deixar a pele com manchas vermelhas, uma boa opção
para acelerar o clareamento dessas manchas seria usando técnicas como luz
intensa pulsátil ou produtos como ácido retinóico e hidroquinona combinados
ou ácido glicólico e ácido kójico combinados, essa combinação tem menores
efeitos colaterais.

Cicatrizes
A acne pode levar o rosto a ter cicatrizes, principalmente quando as
espinhas são espremidas, pode-se tratar essas cicatrizes com várias técnicas
como dermoabrasão (lixamento cirúrgico), preenchimento cutâneo, luz intensa
pulsátil e peeling médio ou profundo com laser ou com ácidos como o retinóico,
tricloroacético e fenol, dependendo do grau da cicatriz.

Alopecia total (ou Alopecia totalis) é a perda total da


pilosidade na cabeça. As suas causas são incertas, embora se saiba ser uma
condição autoimune, podendo ser resultado de excesso de estresse.

Alopecia universalis é uma doença caracterizada pela perda de todos


os pêlos e cabelos, incluindo sobrancelhas e pestanas.

Alopécia ou alopecia - é a redução parcial ou total de pêlos ou cabelos


em uma determinada área de pele. Ela apresenta várias causas, podendo ter
uma evolução progressiva, resolução espontânea ou controlada com
tratamento médico. Quando afeta todo os pêlos do corpo, é chamada de
alopécia universal. As causas dessa doença são:
Congênita: ligada a fatores hereditários, com ausência total ou parcial
desde o nascimento.
Traumática: que tem origem em contusões ou lesões do couro cabeludo
Neurótica: também chamada de tricotilomania, onde o indivíduo
"arranca" mechas de cabelos conscientemente ou não.
Secundária: que aparece após algum distúrbio interno dos órgãos,
doenças, infecções, medicamentos como a quimioterapia.
Seborréica: a dermatite seborrêica do couro cabeludo é um distúrbio
muito comum, onde pode ser observados escamação, coceira e eritema.
Contudo, é uma doença que raramente determina uma redução
significativa dos cabelos.
Eflúvio: também chamada de deflúvio, é a causa mais comum de perda
de cabelos entre as mulheres. Consiste na quebra harmoniosa do ciclo
de vida capilar, tendo várias causas. Normalmente, responde bem aos
tratamentos médicos.

23
Módulo III Educação e Saúde

Androgenético: é a causa mais frequente de alopecia entre homens, mas


também afeta mulheres. Começa a se manifestar entre a puberdade e
vida adulta, tendo vários graus. Como o próprio nome diz, é uma
associação de fatores genéticos com o hormônio sexual masculino, a
testosterona.
Emocional: relacionada especialmente a fatores emocionais, a alopecia
areata é caracterizada pela perda rápida, parcial ou total de pêlos em
uma ou mais áreas do couro cabeludo ou ainda em áreas como barba,
sobrancelhas, púbis, etc. O renascimento dos pêlos pode ocorrer
espontaneamente em alguns meses. Em alguns casos a doença
progride, podendo atingir todo o couro cabeludo (alopecia total) ou todo
o corpo (alopecia universal).
Bioquimica: pessoas alérgicas a glutem do trigo e a lactose ou caseina
do leite de vaca são os mais propensos a terem calvície. Essa condição
de alergia se manifesta em outros sintomas, porém pouco relacionada a
isso.

Epidemiologia
A alopecia de uma forma geral e em especial a alopecia androgênica,
forma mais comum de perda de cabelo, é mais comum em homens que em
mulheres. Chega a afetar entre 50% e 80% dos homens caucasianos. Tem
evolução progressiva com a idade, na quinta decada de vida pode atingir 40%
dos indivíduos e 80% por volta da oitava década.
Tem prevalência diferente entre as várias etnias, sendo menos frequente
em chineses, afro-americanos e índios americanos.
A frequência nas mulheres gira em torno de 20% a 40% e ocorre entre a
terceira e quinta década de vida, quando então estaciona, não aumentando a
frequência.
Entretanto, por seu caráter estigmatizante a procura por tratamentos é
muito mais frequente nas mulheres com queixa de queda de cabelo do que em
homens.
Tratamento
O primeiro passo no tratamento da alopecia é definir qual a sua causa.
Existem diversas modalidades médicas no manejo, a saber: soluções capilares,
mesoterapia, implante capilar, vitaminas e xampus especiais.

Anidrose é uma doença da pele em que há redução ou


ausência da secreção de suor.
Causas
Pode ser causada pode baixa atividade do sistema nervoso simpático.
As glândulas sudoríparas écrinas são inervadas pelos receptores colinérgicos
muscarínicos. Desta maneira, os medicamentos antimuscarínicos podem

24
Educação e Saúde Módulo III

causar anidrose.

Artrite psoriática (também psoríase artropática ou


artropatia psoriática) é um tipo de artrite inflamatória que afeta em torno de 5-
7% das pessoas que sofrem de psoríase crônica na pele. É chamada de Artrite
Psoriática por ser uma espondiáloartropatia soronegativa e acontece mais
comumente em pacientes com tipo de tecido HLA-B27.
O tratamento de artrite psoriática é semelhante ao de artrites reumáticas.
Mais que 80% dos pacientes com artrite psoriática terá lesões psoríticas nas
unhas, caracterizadas pelo seu descaroçamento, ou mais extremamente, perda
da própria unha (onicoliose).
Artrites psoriática pode acontecer em qualquer idade, porém em média
tende a aparecer aproximadamente 10 anos depois dos primeiros sinais de
psoríase. Para a maioria das pessoas isto está entre as idades de 30 e 50, mas
também pode afetar as crianças. Os homens e mulheres são igualmente
afetados por esta condição. Em aproximadamente um em sete casos, os
sintomas de artrite podem acontecer antes de qualquer envolvimento de pele.
Também causa inflamação nas juntas e pode causar tendinite.

Sintomas
Os principais sintomas incluem:
Rigidez matinal nas articulações
Fragilidade/Sensibilidade nas articulações
Edema, Inchaço, Rubor
Anomalias das unhas
O edema pode ser difuso ao longo de todo um dedo causando a aparência
de "dedo em salsicha".
Em casos que afetam a coluna, é mais comum ocorrer uveíte.
Há dois padrões básicos, um que afeta a coluna e outro as articulações
das extremidades. Na coluna, há dor lombar e nas nádegas.
Também há chance dos movimentos respiratórios serem afetados,
quando a doença alcança as articulações das costelas com a coluna torácica.
Produz, ainda, dores na nuca ou na coluna cervical.
Há possibilidade de afetar os tendões e de atingir a planta dos pés,
gerando fascites e bursites.

Tipos de artrite psoriática


Considerando os sintomas consideram-se cinco tipos principais de artrite
psoriática:

25
Módulo III Educação e Saúde

Simétrica - Este tipo corresponde por 50% de casos e afeta juntas e


ambos os lados do corpo. Este tipo é muito semelhante a artrite
reumatóide.

Assimétrica - Este tipo afeta 35% de pacientes e é geralmente


moderada. Este tipo não acontece nas mesmas juntas em ambos os
lados do corpo e normalmente envolve 2 a 4 juntas.

Artrite mutilante - Afeta menos que 5% dos pacientes e é severa,


deformarmadora e destrutiva. Esta condição pode progredir durante
meses ou anos que causam dano em comum severo.

Espondilite - Este tipo é caracterizado por dureza da espinha ou


pescoço, mas também pode afetar as mãos e pés, em uma linha
semelhante à artrite simétrica.

Interfalangeal distal predominante - Este tipo de artrites psoriática é


encontrada em aproximadamente 5% de pacientes e é caracterizado por
inflamação e dureza nas juntas mais próximo dos dedos das mãos pés.
Mudanças nas unhas são freqüentemente marcadas.

Diagnóstico
Durante o exame médico são identificadas e examinadas as lesões na
pele (Psoríase) e articulações. O médico pode achar conveniente o recurso a
Imaginologia, por exemplo: Radiografia das articulações afectadas, Cintilografia
ou Tomografia computodorizada.
Valores laboratoriais que podem auxiliar o diagnóstico:
Fator reumatóide geralmente negativo
Velocidade de Sedimentação pode estar aumentada
Proteína C reactiva pode estar aumentada
Hemograma pode revelar Anemia da Doença Crónica

Tratamento
O processo subjacente na artrite psoriática é inflamação, então são
dirigidos tratamentos para reduzir e controlar inflamação. Antiinflamatórios não-
esteróides como diclofenaco e naproxen normalmente são os primeiros
medicamentos.
Outras opções de tratamento para esta doença incluem a utilização de
corticosteróides, incluindo injeções na articulação - isto só é prático se apenas
algumas articulações forem afetadas.
Alguns autores consideram no entanto os corticoesteróides como
medicamentos a evitar pois podem aumentar a frequência dos episódios de
Psoríase.
Se não é alcançado controle aceitável usando antiinflamatórios não-
esteróides ou injeções na junta então tratamentos com imunossupressores
como metotrexate é acrescentado ao regime do tratamento. Uma vantagem de
tratamento com imunossupressores é que também trata psoríase além da

26
Educação e Saúde Módulo III

artropatia. Contudo, os efeitos secundários destes medicamentos fazem com


que a adesão dos doentes a esta terapêutica seja baixa. Cerca de metade dos
doentes interrompe a terapia em 2-5 anos devido aos efeitos adversos.
Recentemente, uma classe nova de terapêuticas desenvolvida usando
recombinantes tecnologias de DNA chamada Inibidores Tumor necrose fator-
alfa vieram disponíveis, por exemplo, infliximabe, etanercept, e adalimumab.
Estes estão se tornando comumente usados, mas são normalmente
reservados para os casos mais severos.

Assaduras são inflamações cutâneas (também conhecidas


como dermatites) bastante comuns em bebês. Os sintomas são ardência,
sensação de queimadura, irritação, coceira e dor.
As assaduras podem ser causadas por:
Acúmulo de calor e umidade proporcionado pela fralda;
Diarreia;
Desidratação;
Uso de antibióticos;
Alergias a sabonetes, fraldas e lenços umidecidos.
Se não forem tratadas, as assaduras também podem se transformar em
micose, infecções ou candidíase.

Prevenção
Manter a pele o máximo de tempo possível seca e arejada;
Lavar com água e sabonete neutro.
No caso de bebês que utilizem fraldas, fazer trocas frequentes, sempre
higienizando a pele entre uma fralda e outra.

Tratamento
O tratamento exige que os cuidados de prevenção sejam seguidos.
Geralmente, pomadas e cremes de uso tópico à base de óxido de zinco e
nistatina também são utilizados.

Calázio é o nome dado ao cisto da pálpebra causado pela

27
Módulo III Educação e Saúde

inflamação de uma das glândulas que produzem material sebáceo (glândulas


de Meibomius) localizadas nas pálpebras superior e inferior. Às vezes é
confundido com o hordéolo (terçol), que também aparece como uma tumefação
na pálpebra.
O calázio é uma reação inflamatória ante uma obstrução da secreção
sebácea pela glândula. Não é causada pela presença de bactérias, embora a
área afetada possa ser infectada posteriormente.

Sintomas
O calázio tende a desenvolver-se mais comumente nas bordas
palpebrais e tende a "apontar" para o interior da pálpebra. Em alguns casos,
pode causar uma inflamação aguda de toda a área devido a bactérias e se
tornar contagioso.

Tratamento
O tratamento é feito por um dos métodos citados abaixo, ou por uma
combinação destes.
Compressas mornas aplicadas sobre a pálpebra fechada e com um
pano limpo umedecido em água morna durante 5 a 10 minutos, por 3 ou
4 vezes ao dia. Em geral, desaparece em algumas semanas.
Injeção de esteróides podem ser eficazes quando persiste um nódulo
pequeno após a realização das compressas mornas.
Excisão cirúrgica um calázio de grande tamanho o qual não respondeu a
outros tratamentos pode ser removido cirurgicamente uma vez que a
inflamação inicial já tenha diminuído.

Complicações
Um calázio grande pode causar astigmatismo devido à pressão na
córnea. O astigmatismo irá se resolver com a resolução do calázio.

Câncer de pele é um crescimento desordenado de células na pele, que pode


ter várias causas, sendo um dos principais longos períodos de exposição aos
raios ultravioleta intensos do Sol ou de cabines de bronzeamento artificial. É o
tipo mais comum de câncer correspondendo a cerca de 25% de todas as
lesões neoplásicas.
O câncer de pele é um tumor formado por células da pele que sofreram
alterações e multiplicaram-se de maneira desordenada e normal dando origem
a um novo tecido, a neoplasia. Entre as causas que predispõe ao início desta
transformação celular aparece como principal agente a exposição prolongada e
repetida à radiação ultravioleta do Sol. Outras causas possíveis incluem
radiação ionizante, entoxicação por produtos do alcatrão (como por cigarro) e
arsênicos e também por danos causados pela baixa imunidade.

Classificação
CÂNCER DESCRIÇÃO
Carcinoma Possui translucência pérola, com minúsculos vasos sanguíneos na superfície e

28
Educação e Saúde Módulo III

basocelular às vezes ulceração. O mais comum (75% dos casos) e menos agressivo.
Quase sempre aparece no rosto, pescoço ou braços, pois são áreas altamente
expostas à luz solar. Os carcinomas basocelular são originários da epiderme e
dos apêndices cutâneos acima da camada basal, como os pêlos, por exemplo.
Possui altos índices de cura, principalmente devido à facilidade do diagnóstico
precoce.
Comumente se apresenta como uma área vermelha, com crostas ou escamosa
Carcinoma de
ou inchada. Muitas vezes, um tumor de crescimento rápido que pode ser
células
doloroso. Cerca de 25% dos casos. Assim como o basocelular geralmente não
escamosas ou
se espalha para outras áreas do corpo. É de fácil diagnóstico e por isso tem
espinalioma
altos índices de cura.
Doença de Bowen é um carcinoma in situ de células escamosas cutâneas,
pertencente ao grupo dos tumores não-queratinizados. Geralmente ocorre em
Doença de mulheres depois dos 50 anos. Pode causar queimação, prurido e/ou
Bowen sangramento. Caracterizado por placa avermelhada bem delimitada,
espessamento e irregularidade da pele; lesão geralmente vegetante, de
crescimento lento. Pode ser assintomática.
A aparência comum é de uma área assimétrica, com bordas irregulares,
variação de cor e frequentemente maior que 6 mm de diâmetro. Representa
cerca de 5% dos casos de câncer de pele. A incidência tem aumentado cerca
Melanoma
de 4 a 6% anualmente. É mais comum em mulheres entre 30 e 79 anos de
idade e em indivíduos de cor branca. Quanto menor e menos espesso melhor
as chances de cura.
O tipo clássico ocorre com mais frequência em homens mais velhos
caucasianos (brancos) com problemas imunológicos. Pode estar associado a
Sarcoma de
um tipo de vírus da herpes (KSHV) (herpesvirus humano 8 [HHV8]) ou/e ao
Kaposi
vírus do HIV é encontrada em tecidos em quatro formas diferentes (clássico,
iatrogênica, endêmicas [Africano] e associada ao HIV).
Protuberância que segue crescendo descontroladamente deformando e
danificando as regiões próximas. Aproximadamente 0,01% dos tumores
malignos e cerca de 2 a 6 por cento de todos os tecidos moles sarcomas. A
Dermatofibrosarc incidência estimada é de 0,8 a 5 casos por 1 milhão de pessoas por ano,5-9,
oma protuberante que é cerca de 1.000 novos casos por ano nos Estados Unidos. A incidência
entre os negros (6,5 milhões) é quase o dobro que entre os brancos (3,9 por
milhão). Geralmente acomete pacientes entre 20 e 50 anos de idade, embora
tenha sido descrito em crianças e em idosos.
O carcinoma de células de Merkel é uma neoplasia neuroendocrina rara,
agressiva e com mau prognóstico. Aparece geralmente na cabeça, pescoço e
extremidades. Mais comum em idosos, pessoas de pele clara e em portadores
de HIV. É caracterizado por grandes elevações na pele, nódulo dérmico, duro,
Carcinoma de
não ulcerado, com tons que variam do castanho-avermelhado ao arroxeado e
células de Merkel
que pode sangrar facilmente. Seu crescimento é rápido, variando de 0,5 a 5 cm
de diâmetro. É confirmada através de histopatologia e imunohistoquímica. É
tratado com radio e quimioterapia. Segundo a OMS, sua prevalência é de 0,23
para cada 100.000 habitantes. Em 2008 houve cerca de 3000 casos no Brasil.

Os vários tipos de câncer de pele representam juntos cerca de 60% de


todos os tipos de cânceres, em ambos os sexos, mas apenas 3% das mortes.
Cerca de 75% das mortes por câncer de pele são causadas por melanoma.
A estimativa brasileira do Instituto Nacional do Câncer INCA é de que
ocorram mais de 100 mil novos casos por ano no Brasil. Estes valores
correspondem a um risco estimado de 60 casos novos a cada 100 mil homens
e 62 para cada 100 mil mulheres. Um terço dos pacientes tem histórico familiar
de câncer de pele.
Ao contrário dos outros cânceres que ocorrem na maioria dos casos em

29
Módulo III Educação e Saúde

pessoas acima de 70 anos, os carcinomas na pele são comuns também entre


os 20 aos 35 e afeta também crianças e adolescentes. A grande maioria de
suas vítimas são caucasianos (brancos), sendo mais comum em países
tropicais como Brasil, África do Sul e Austrália. Os números de diagnósticos de
melanomas vêm aumentando nos últimos 40 anos.

Causas
Exposição excessiva aos raios ultravioleta (tanto UVA quanto UVB)
podem causar câncer de pele, quer pelo Sol ou por bronzeamento
artificial.
Fumar tabaco e produtos afins pode dobrar o risco de câncer de pele.
As feridas crônicas que não cicatrizam, especialmente queimaduras
conhecidas como Úlceras de Marjolin, podem evoluir para carcinoma de
células escamosas.
A predisposição genética, incluindo para desenvolvimento de
melanócitos.
O papiloma vírus humano (HPV) está freqüentemente associado com
carcinoma de células escamosas na genitália, ânus, boca, faringe, e os
dedos.
A irradiação de ultravioleta como germicida pode causar câncer de pele.
Áreas que já tiveram problemas de pele como irritações regulares, úlcera
angiodérmica, cicatrizes de queimadura e exposição a certos produtos
químicos (como arsênico) tem mais chance de desenvolverem um
câncer. Entoxicação com arsênico está associado a um aumento da
incidência de carcinoma de células escamosas.
Pessoas portadoras de xerodermia pigmentosa, uma deficiência
genética que impede o reparo dos danos causados pelo raio ultravioleta,
são muito mais propensas a desenvolver algum tipo de câncer de pele.

Prevenção
O filtro solar deve proteger contra UVA e UVB e ser repassado de hora
em hora.
A melhor maneira de evitar sua manifestação é:
Evitar a exposição ao sol no período das 10h às 16h.
Mesmo durante o horário adequado é necessário utilizar a proteção
adequada (chapéu, guarda-sol, óculos escuros).
Filtro solar que proteja contra raio ultravioleta A e B com fator de
proteção 15 ou mais.
Repassar o filtro solar de acordo com o escrito no produto.
Usar manga comprida, calça, viseira e outras roupas que protejam a
pele do Sol.
Não fumar. Fumantes têm duas vezes mais chance de ter câncer.
Usar sempre camisinha! Doença de Bowen, Sarcoma de Kaposi e
Carcinoma de Merkel são mais comum em pacientes imunodeprimidos
por HIV e contaminados com HPV.
Pessoas que trabalham embaixo de Sol regularmente (como vendedores
de rua, pedreiros, marinheiros, agricultores e policiais) devem usar chapéu,
guarda-sol, óculos escuros). Empresas que demandam que os funcionários

30
Educação e Saúde Módulo III

fiquem várias horas ao Sol devem fornecer esse equipamento de proteção aos
funcionários.
Janelas normais não protegem contra os efeitos danosos do Sol, então
motoristas e passageiros também devem usar filtro solar regularmente.
A auto-inspeção da pele por alterações pode ajudar a identificar
manchas novas suspeitas. Caso identifique uma mancha que esteja
aumentando, mude de cor e/ou maior que 4mm de surgimento rápido, deve-se
procurar um dermatologista imediatamente.

Tratamento
A cirurgia é o tratamento mais usado para a remoção de tumores. E a
maioria dos pacientes se cura completamente.
Melanoma em formato nodular (15-30% dos melanomas), são os de pior
prognóstico, pois tem crescimento em profundidade mais rápido que o
melanoma mais plano.
O tratamento depende do tipo de câncer, a localização do câncer, idade
do paciente, e se o câncer é primário ou um retorno. Deve-se olhar para o tipo
específico de câncer de pele (carcinoma basocelular, carcinoma espinocelular
ou melanoma) de interesse, a fim de determinar o tratamento adequado
exigido. Por exemplo, no caso de um homem idoso frágil, com problemas
médicos múltiplos complicador, com carcinoma basocelular de difícil acesso do
nariz podem justificar a terapia de radiação (taxa de cura ligeiramente inferior)
ou mesmo não intervir na área.
Quimioterapia tópica pode ser indicada para o carcinoma de grandes
células basais superficiais para um bom resultado estético, ao passo que
podem ser inadequados para o carcinoma invasivo nodulares basais ou
carcinoma de células escamosas invasivo. Em geral, o melanoma é pouco
sensível à radiação ou quimioterapia.
Para tumor de baixo risco, a radioterapia externa ou braquiterapia,
quimioterapia tópica (com imiquimod e 5-fluorouracil) e crioterapia
(congelamento do cancro desligado) pode proporcionar um controle adequado
da doença; ambos, no entanto, pode ter cura em geral inferior taxas de certo
tipo de cirurgia. Outras modalidades de tratamento como a terapia
fotodinâmica, quimioterapia tópica, eletrodissecção e curetagem podem ser
encontrado nas discussões do carcinoma basocelular e carcinoma
espinocelular.
Cirurgia micrográfica de Mohs é uma técnica utilizada para remover o
câncer com a menor quantidade de tecido adiposo e as bordas são checados
imediatamente para ver se o tumor for encontrado. Isso proporciona a
oportunidade de remover a menor quantidade de tecido e proporcionar os
melhores resultados cosmeticamente favorável. Isto é especialmente
importante para áreas onde o excesso de pele é limitado, como o rosto. As
taxas de cura são equivalentes à excisão larga. O treinamento especial é
exigido para executar esta técnica. Um método alternativo é CCPDMA e pode
ser realizada por um patologista que não estão familiarizados com a cirurgia de

31
Módulo III Educação e Saúde

Mohs. No caso de metástase outros procedimentos cirúrgicos ou quimioterapia


podem ser necessárias.

Tratamento da Doença de Bowen


O tratamento é geralmente cirúrgico, por ressecção, realizado por
excisão local com amplas margens. Também pode ser realizada vaporização
por laser, crioterapia, fototerapia ou quimioterapia. Também pode ser utilizada a
quimioterapia posterior à biopsia incisional, com o uso da irradiação local e
braquiterapia. Quando não tratada, a doença de Bowen pode evoluir para um
carcinoma espinocelular invasivo, penetrando outras camadas da pele e
tecidos vizinhos até espalhar para outros órgãos. A recorrência varia de 16 a
31% no procedimento de ressecção ampla com sobrevivência de 83,3% dos
pacientes nos 5 anos após a cirurgia.

Novos tratamentos
Cientistas recentemente a realização de experiências sobre o que
chamou de immune-priming. Esta terapia ainda está em sua fase inicial, mas
tem se mostrado eficaz a ataques de ameaças externas como vírus e também
conter o desenvolvimento de cancros da pele. Mais recentemente,
pesquisadores têm focado seus esforços no fortalecimento do próprio corpo
produzido naturalmente "células T helper", para identificar e conter células
cancerosas, ajudando a guiar as células que protegem o organismo.
Pesquisadores infundiram pacientes com cerca de 5 bilhões de células T helper
sem drogas ou quimioterapia. Este tipo de tratamento se mostrou ser eficaz
não ter efeitos colaterais graves e pode mudar a forma como pacientes com
câncer são tratados.
Vacina contra o câncer de células escamosas está sendo desenvolvida
na Austrália e já teve sucesso em testes com animais. Também estão
desenvolvendo uma vacina contra o melanoma. As células dendríticas
autólogas gerada a partir de sangue periférico é um método seguro e promissor
no tratamento do melanoma metastático. Porém mais estudos ainda são
necessários para demonstrar a eficácia clínica e impacta na sobrevida dos
pacientes com melanoma com esse tratamento.

Celulite é usado para descrever infecção do tecido celular


sub-cutâneo da pele. Esta infecção pode ser causada pela flora da pele ou
bactérias exógenas, e ocorre geralmente onde a pele tenha previamente sido
lesada (porta de entrada): cortes, queimaduras, picadas de insecto, feridas
cirúrgicas, entre outras.
As zonas da pele mais comummente afectadas são a face e a perna,
embora possa ocorrer em qualquer parte do corpo.
É caracterizada por dor localizada, edema (inchaço), eritema

32
Educação e Saúde Módulo III

(vermelhidão) e calor.

Ceratose actínica também chamada de ceratose solar, por


ser uma doença de origem solar, é uma doença dermatológica (da pele) e que
se carateriza por uma discreta área escamativa e irritativa presente nas áreas
expostas ao sol, particularmente face e braços.
É uma condição extremamente comum em indivíduos de pele clara, e
comumentemente é encontrado em vários pontos da pele. É considerado uma
doença pré-cancerosa e deve ser tratada.

Cisto Sebáceo, mais adequadamente chamado de cisto


epidérmico é um caroço fechado abaixo da superfície da pele preenchido com
material branco, semi-sólido, e de odor forte, sendo chamado de sebum. O
cisto epidérmico é macio ao toque, de tamanho variado e geralmente de
formato redondo. Trauma na pele, ou dos folículos cutâneos podem causar o
cisto.
Algumas fontes afirmam que um cisto sebáceo deveria ser definido não
pelo conteudo do cisto (sebum), mas pela sua origem (glândulas sebáceas).
Como um cisto epidérmico origina-se na epiderme, enquanto outros tipos de
cisto se orginiam nos folículos pilosos, nenhum dos dois deveriam ser
chamados de cisto sebáceo. Porém, na prática, estes dois tipos de cistos
também são denominados cistos sebáceos, devido ao seu conteúdo (sebum).
O cisto sebáceo strictu sensu, relacionado com a glândula sebácea, é uma
condição rara.
Pode acometer qualquer segmento da pele e semimucosas. Cisto
sebáceo não é canceroso (maligno). Geralmente requer tratamento médico
quando apresenta crescimento ou quando se torna infectado. A excisão do
cisto (cirurgia) é um procedimento relativamente simples e é curativo.
Se o cisto sebáceo é menor do que 1 cm, existe um tratamento não-
cirúrgico que é efetivo: consiste em colocar diretamente sobre o cisto uma
bolsa de água quente (na temperatura da água de banho) por 15 a 30 minutos
duas vezes por dia durante 10 dias. O cisto diminuirá gradualmente até
desaparecer (embora ele pode retornar em alguns casos). Este método
funciona porque o calor derrete o material "gorduroso" (sebum) dentro do cisto,
trasformando-o aos poucos em pequenas quantidades de um fluido oleoso, o
que facilita sua reabsorção e processamento pelo organismo.
Não se deve nunca espremer um cisto sebáceo, pois isto pode romper a

33
Módulo III Educação e Saúde

bolsa em que ele se encontra, podendo provocar uma infecção e abrindo mais
espaço para o cisto crescer.
Apresenta vários diagnósticos diferenciais como outros cistos, tumores
benignos e malignos - sendo assim, é fundamental uma consulta médica para
avaliar adequadamente a doença e tratamento.

Congelamento é um mal de saúde em que um dano


localizado é causado à pele e outros tecidos devido a condições de frio
extremo. A incidência de congelamento é maior em partes do corpo humano
distantes do coração, e também àquelas mais expostas ao tempo.

Dermatite atópica, também chamada de Eczema


endógeno, neurodermite constitucional ou neurodermite disseminada é
uma doença atópica, hereditária e não-contagiosa, caracterizada por
inflamação crônica da pele.

Manifestações clínicas
Não há um tipo de lesão cutânea que caracterize os eczemas. Além do
rubor, os eczemas podem apresentar vesículas, pápulas, pústulas e
descamação da pele. O ressecamento da pele é significativo.
As lesões podem encontrar-se em diferentes estágios e com distribuição
irregular. Os eczemas podem ser úmidos ou secretantes. As lesões são mais
frequentemente encontradas na face e couro cabeludo, no pescoço, face
interna dos cotovelos, atrás dos joelhos e nas nádegas.
Prurido ou coceira, é importante e ocorre com frequência.
A evolução da dermatite atópica, ou eczema endógeno, não é previsível,
podendo ser rápida e curta ou crônica, com frequência inconstante de
episódios de acutização.
A dermatite atópica é um fenômeno auto-imune. Nele, sem causa
aparente, o próprio sistema imunológico "ataca" a pele. Dermatite atópica difere
de outros tipos de dermatite por não tratar-se de uma alergia, ou seja, não há a
necessidade de contato prévio com alguma substância ou material.
Do ponto de vista bioquímico, há dois tipos de dermatite atópica. O
primeiro associado à expressão de Imunoglobulina tipo E (IgE) e outro não
vinculado à expressão de IgE.Têm prognósticos diferentes no tocante ao
desenvolvimento de quadros respiratórios.

34
Educação e Saúde Módulo III

Atualmente considera-se o fator genético como preponderante na


Dermatite Atópica. Foi demonstrado que um gene, chamado em inglês de
"Filaggrin" (Proteína agregadora de filamentos) é grandemente responsável
pela dermatite atópica."Filaggrin" agrega e liga o esqueleto de ceratina da
epiderme. Mais da metade das crianças com dermatite atópica de intensidade
moderada a grave possuem tal gene.
Alterações da estrutura da pele e a deficência associada de peptídeos
antimicrobiais favorece a colonização por bactérias como Staphylococcus
aureus e leveduras, como Malassezia sp. A sensibilidade a leveduras é
característica marcante dos pacientes portadores de dermatite atópica.
Enterotoxinas produzidas por S. aureus estimulam ativação de células T
e macrófagos. As alterações cutâneas da DA são provenientes da expressão
de citocinas próinflamatórias e ativação de resposta inflamatória.
Embora a dermatite atópica não seja uma alergia, sua incidência é maior
em pessoas alérgicas ou provenientes de famílias com história de febre do feno
ou asma. Provavelmente devido à disfunção do sistema imunológico pré-
existente causando um fenômeno de sensibilização cutânea.
Há, também, evidências de que alergias alimentares podem
desencadear episódios de dermatite atópica.
Dermatite atópica surge mais comumente na infância e varia de
gravidade até a idade adulta, quando costuma apresentar maior estabilidade.
Há indicações de que os estados emocionais alterados, como tristeza,
ansiedade ou angústia, pioram a doença.

Tratamento
O tratamento pode ser através de medicamentos tópicos ou
administrados por via oral ou parenteral.
Usa-se o tratamento tópico para criar proteção contra a desidratação da
pele. Cremes e pomadas emolientes podem ser usados com frequência, sendo
as últimas mais indicadas nos casos mais graves.Além do importante fator
hidratante, pode-se aplicar medicamentos por via tópica, o que geralmente se
faz nos casos mais leves, principalmente com uso de corticosteróides.
O uso de sabonetes e detergentes deve ser evitado ao máximo pelo
paciente, uma vez que saponáceos, mesmo neutros, removem a
camada lipídica da pele,contribuindo para maior desidratação das áreas
acometidas pela dermatite.
O controle do prurido se faz com antihistamínicos.
Há algumas poucas evidências de que o controle ambiental possa
melhorar o quadro de dermatite atópica. Entre estes, a umidificação do
ambiente é o que demonstra ser mais eficaz.
Em casos de intensidade moderada a grave, serão utilizados
medicamentos administrados por via oral, notadamente corticosteróides, e mais
recentemente, imunomoduladores, como "Tacrolimus" e "Pimecrolimus" têm
sido prescritos.
Em casos muito graves, o uso de imunossupressores, como

35
Módulo III Educação e Saúde

ciclosporina, azatioprina ou metotrexate pode ser exigido.


O seguimento psicoterápico e técnicas auxiliares de controle da
ansiedade podem ajudar.
Em caso de suspeita de uma doença auto-imune é interessante procurar
um Reumatologista para indicar o melhor tratamento para o problema.

Dermatite de contato também conhecida como dermatite


venenata, é uma condição inflamatória, que com frequência apresenta
eczemas e é causada por uma reação cutânea a diversos tipos de alergênicos.
Vale ressaltar que quase todas as substâncias podem produzir dermatite de
contato.
É uma resposta de reação de hipersensibilidade retardada do tipo IV. A
sensibilidade cutânea desenvolve-se após períodos breves ou prolongados de
exposição e as manifestações clínicas podem surgir horas ou semanas depois
que a pele sensibilizada foi exposta.
São 4 os tipos básicos de dermatite de contato:
1. Alérgica: Causada pelo contato da pele com substância alergênica.
Clinicamente apresenta vasodilatação e infiltrados perivasculares na
derme além de edema.
2. Irritante: Causada pelo contato da pele com substância que lesiona a
pele química ou fisicamente. Clinicamente apresenta ressecamento que
pode durar dias a meses, vesiculações, fissuras e arranhaduras.
3. Fototóxico: Causada pelo sol em combinação com uma substância
química que lesiona a epiderme. Clinicamente similar à dermatite
irritante
4. Fotoalérgico: Causada pela combinação de luz e substância alergênica.
Clinicamente similar à dermatite alérgica.

Manifestações clínicas
Os sintomas englobam prurido, queimação, eritema, edema e formação
de vesículas no ponto de contato. Progride para a transudação, formação de
crosta, ressecamento, fissuração culminando no desprendimento da pele.
Liquenificação (espessamento da pele) e alterações pigmentares podem
ocorrer em reações repetidas.
Dependendo da gravidade da reação alérgica esteróides tópicos ou orais
podem ser utilizados, no caso dos orais estes, geralmente, são utilizados em
doses decrescentes para fornecer o efeito antiinflamatório máximo sem
supressão da supra-renal.
Antipruriginosos (anti-histamínicos tópicos ou sistêmicos e/ou
preparações tópicas de calamina) podem ser necessários.

36
Educação e Saúde Módulo III

Dermatite Herpetiforme , ou doença de Duhring-Brocq,


é uma doença cutânea crônica e benigna que se caracteriza por uma sensação
de queimadura intensa e coceira.
Pode ser considerada uma variante da Doença Celíaca, onde o paciente
apresenta lesões de pele pruriginosas apresentando também intolerância
permanente ao glúten.

Causas
Os fatores genéticos, o sistema imunológico e a sensibilidade ao glúten
exercem um papel importante nesta doença. Porém a verdadeira causa ainda é
desconhecida.
A Dermatite Herpetiforme atinge tanto mulheres quantos homens, na
proporção de uma pessoa em cada 100.000. Ela é mais comum em brancos do
que em negros e rara na população japonesa. Ela inicia seu aparecimento com
maior frequência no fim das segundas e quartas décadas de vida.
A Biópsia do Intestino Delgado de um indivíduo portador da Dermatite
Herpetiforme pode revelar alterações ou danos intestinais similares aos
indivíduos atingidos pela Doença Celíaca (Enteropatia ao Glúten). Porém,
estes danos e sintomas são geralmente menores nos portadores da Dermatite
Herpetiforme que nos indivíduos portadores da Doença Celíaca. Os portadores
de Dermatite Herpetiforme normalmente não apresentam distúrbios intestinais.
Uma porcentagem, porém, sofre de diarréias, "barriga d’agua", evacuação
intensa ou câimbras intestinais. Caso os intestinos são fortemente atingidos, os
indivíduos portadores da Dermatite Herpetiforme podem apresentar sinais de
subnutrição.
Encontra-se uma incidência cada vez maior de: Anemias perniciosas
(deficiência em vitamina B12), doenças ligadas à tireóide, e Linfomas
intestinais.

Medicamentos
Sulfonas. A resposta é espantosa. Em menos de 24 a 48 horas, a
sensação de queimadura diminui e as coceiras começam a desaparecer. O
objetivo é de administrar a menor dose possível suscetível de controlar as
coceiras e sensações de queimadura. Este medicamento não faz nenhum
efeito sobre as anomalias intestinais.

Diagnóstico
O diagnóstico é feito por biópsia de pele retirada próxima de uma lesão.

Sintomas
Cada nova lesão é avermelhada, saliente, mede habitualmente menos

37
Módulo III Educação e Saúde

de um centímetro de diâmetro e contém uma vesícula ou bolha. Porém, se a


lesão for coçada, uma crosta aparecerá na sua superfície. Além disso, a
sensação de queimadura ou picada é diferente de uma coceira comum e pode
ser sentida de 8 a 12 horas antes do aparecimento da lesão.
Regiões Afetadas : As regiões mais afetadas do corpo são os cotovelos,
os joelhos, a nuca, o couro cabeludo, a parte superior das costas e as
nádegas. O rosto e a borda dos cabelos podem também ser atingido. O interior
da boca é raramente afetado. As coceiras têm uma distribuição uniforme.

Tratamento
Trata-se a doença com uso de medicamentos e de um regime alimentar.
Dieta isenta de glúten. A eliminação da ingestão do trigo, centeio, cevada, aveia
e seus derivados, resultam em:
Desaparecimento do ataque intestinal.
Melhora da condição cutânea.
Redução ou mesmo eliminação da necessidade de Sulfonas para
controle das erupções cutâneas.
Diminuição do risco de câncer.

Dermatite seborreica, também conhecida simplesmente


como Seborreia, é uma doença da pele que ataca o couro cabeludo, a face e
algumas outras partes do corpo, especialmente as abundantes em glândulas
sebáceas. Provocando eritema, descamação oleosa e prurido.
Quando ataca o couro cabeludo, é mais popularmente conhecida como
Caspa. Acredita-se que o fungo Malassezia furfur (cujo nome anterior era
Pityrosporum ovale) contribua para essa situação. O fungo habita normalmente
os folículos pilosos, e pode haver uma reacção imune que contribua para a
dermatite.

Tratamento
O tratamento recomendado é o uso do cetoconazol e corticosteroides,
na forma de loções, cremes ou xampus anticaspa. Xampus com piritionato de
zinco, sulfeto de selênio ou alcatrão de hulha podem ajudar no tratamento, bem
como loções contendo ácidos alfa-hidróxidos (AHA). Embora casos simples
possam ser tratados com produtos comuns de higiene pessoal e cosméticos,
em casos mais graves o tratamento deve ser conduzido sob orientação de um
médico.

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Educação e Saúde Módulo III

Dermatomicose, s. f. (fr. dermatomycose; ing.


dermatomycosis), é o nome dado a qualquer infecção cutânea provocada por
fungos parasitas denominados dermatófitos.
As dermatomicoses dos animais domésticos constituem zoonoses
importantes, urna vez que estes mantêm estreito contato com a espécie
humana, dada a alta infectividade observada nesses processos. Relata-se a
ocorrência de sete surtos de dermatomicoses, um por M. gypseum envolvendo
um gato e um indivíduo do sexo feminino e os outros por M. canis envolvendo
20 indivíduos da espécie humana (adultos, jovens e crianças de ambos os
sexos), 5 cães, 16 gatos e um macaco gibão (Hylobates lar).
As dermatomicoses dos cães e gatos constituem zoonoses de
importância, uma vez que estes são, dentre os animais domésticos, os que
mantêm mais estreito contato com a espécie humanas, particularmente com as
crianças, altamente susceptíveis a esses processos.
Por representarem alta percentagem das dermatopatias, os animais
assumem papel relevante na clínica veterinária. As lesões clinicamente
evidentes preocupam o proprietário, levando-o a procurar ajuda do profissional
para diagnóstico, tratamento e orientação.
Numerosos surtos por espécies do gênero Microsporum são referidos na
literatura internacional. Assim, verificam-se relatos de M. canis determinando
dermatomicose no homem e, concomitantemente, nos animais em diferentes
continentes como, Américas, Europa, Ásia, África e Oceania. Não há,
entretanto, descrições de surtos interespecíficos por M. gypseum.
A transmissão direta de microsporum canis de cães e gatos de fato
ocorre. até 30% dos casos de "tinha" humana em áreas urbanas foram
associados a contato direto com animais.
A infecção resulta do contato de pele ou cabelo íntegro com escamas da
pele ou fragmentos de pêlo infectados. As hifas crescem, então, em direção ao
estrato córneo. Casos esporádicos de tinha são contraídos a partir de cães ou
gatos (M. canis). Logo a transmissão da dermatomicose dá-se pelo contato
direto com o animal infectado.

Sintomas
As dermatomicoses comumente provocam o aparecimento de lesões
circinadas, evoluindo conforme as seguintes formas:
Forma vesiculosa - As lesões primárias contém vesículas, que podem se
fundir, romper e formar superfícies ulceradas com evolução para crostas.
Esta forma é bastante inflamatória e, quase sempre evolui para a cura
espontânea.
Forma anular - Inicia-se por lesão eritemato-papulosa que cresce
centrifugamente, com cura central à medida que há progressão pela
periferia. Essas manifestações são, na maioria das vezes

39
Módulo III Educação e Saúde

acompanhadas por prurido.


Forma em placas - As placas são essencialmente descamativas e
eritematosas e aumentam tanto o tamanho que podem chegar a
comprometer extensas áreas do tegumento, podendo simular quadros
de dermatite seborréica ou psoríase.

Prevenção
Os proprietários dos animais devem ser aconselhados a lavar bem as
suas mãos, após a manipulação de cão ou gato infectado, e a não permitir que
seus filhos brinquem com os animais, até que o tratamento tenha resolvido a
moléstia.

Urticária dermográfica (também conhecida como


dermografismo, dermatografismo ou "skin writing") é um distúrbio na pele
verificada em 1.5 a 23.5 por cento da população, no qual a pele torna-se
inchada e inflamada quando picada ou arranhada por um objecto rombo.
O dermografismo é causado por células mastócito na superfície da pele,
que liberam histaminas sem a presença de antígenos, devido à presença de
uma fina membrana à volta das células mastócito. As histaminas libertadas
causam o inchaço na pele nas áreas afectadas.
Esta fina membrana facilmente e rapidamente se rompe sob pressão
física causando uma reacção alérgica, normalmente um edema vermelho que
aparece na pele. É também comum ser confundido com uma reacção alérgica
ao objecto causando comichão, quando de facto é o acto de coçar que causa o
edema. Estes edemas são o início de um conjunto que se forma em minutos,
acompanhados por uma sensação de calor, e/ou comichão. O primeiro
aparecimento deste conjunto de edemas pode levar a outros em partes do
corpo que não foram directamente estimuladas, coçadas ou raspadas. A
coloração vermelha e o inchaço permanecem por aproximadamente 10
minutos. Muitas vezes isto leva a dificuldades em adormecer, irritabilidade, e
desconforto geral.
Pode ser tratado com anti-histamínicos ou cromoglicato, que previnem
que a histamina provoque uma reacção. A causa primária do dermografismo é
desconhecida, e podem durar muitos anos sem alívio. 95% dos casos crónicos
nunca são resolvidos. Às vezes a condição desaparece, outras vezes fica para
sempre. A doença não põe a vida da pessoa em risco.

Cuidados com a pele no dermografismo


Diminua o atrito em sua pele: evite roupas justas ao corpo. Prefiram
tecidos de algodão e evite os tecidos sintéticos como a lycra. Tome um banho
por dia, evitando banhos demorados e quentes. O calor tende a piorar a
coceira e a ressecar a sua pele. Não use buchas ou esponjas e prefira
sabonetes suaves, para pele seca. Enxugue-se com toalha felpuda e macia,

40
Educação e Saúde Módulo III

sem esfregá-la com força em seu corpo. Acostume-se a usar hidratante logo
após o banho, ainda com a pele umedecida. Alimente-se saudavelmente,
procurando ingerir bastante água e outros líquidos no decorrer do dia. Combata
o stress: organize seus compromissos a fim de que sobre tempo para o lazer.
Caminhe, relaxe e procure manter a calma nos momentos de tensão.
Dermografismo é uma doença da pele que afeta cerca de 5% da
população e que se caracteriza pelo aparecimento de coceira intensa em locais
de pressão. Após o ato de coçar surgem ―lanhos‖ vermelhos na pele. É uma
forma de urticária, sendo também chamado de urticária factícia ou urticária
falsa.A urticária clássica se caracteriza pelo surgimento de placas
avermelhadas que se acompanham de coceira na pele, podendo ter causas
variadas, como medicamentos, alimentos, certas doenças, entre outras causas.
No caso do dermografismo, após pressão sobre um determinado local no
corpo, a coceira surge em primeiro lugar e só depois de se coçar é que surgem
as placas. Por isso, é comum que se inicie em locais onde as roupas aperta,
elásticos, alça do soutien.
O dermografismo faz parte de um grupo de urticárias denominado de
Urticárias Físicas, ou seja, desencadeadas por estímulos físicos, como por
exemplo: calor, frio, pressão, colinérgica, etc. e constitui a manifestação mais
comum deste grupo. É mais comum em mulheres e o fator emocional é uma
das principais causas. Entretanto, recomenda-se que outros processos e
doenças orgânicas devem ser investigados, da mesma maneira que na
urticária. A palavra dermografismo deriva do grego e significa ―escrever na
pele‖, já que é possível com uma ponta romba que se vejam as letras escritas
na pele em função da reação eritematopapulosa que se forma.
Em grande parte das vezes o dermografismo costuma ser brando,
passando despercebido. Entretanto, em alguns casos pode assumir formas
mais intensas e bastante incômodas.
Para confirmar, basta fazer um pequeno teste: risque a pele utilizando
um clips de papel. Nos casos positivos, um vergão surge em minutos no local.
Procure um médico alergista para confirmar o diagnóstico e orientar seu
tratamento.
O tratamento é feito com medicamentos antihistamínicos (antialérgicos)
para controle da coceira, impedindo o aparecimento dos vergões na pele.
Causas
Dermografismo sintomático normalmente é idiopático. Pode ter uma base
imunológica em alguns pacientes. Transferência passiva da resposta
dermográfica com imunoglobina E - ou imunoglobina M - contendo soro foi
observada, mas não foi identificado nenhum alergênio.
O Dermografismo sintomático pode ser ativado por drogas (por exemplo,
penicilina), uma mordida de inseto, infecção de Helicobacter pylori ou
uma infestação (p.e. sarna, fascíola).
Dermografismo sintomático congênito foi descrito como o primeiro sinal
de mastocitose sistêmica.
Aproximadamente 75% dos pacientes de Síndrome hipereosinofílica,
que tem envolvimento de vários sistemas e mortalidade alta, têm

41
Módulo III Educação e Saúde

dermografismo.
Um estudo informou que fatores psíquicos e uma história de eventos de
vida estressantes parecem fazer um papel de activação em 30% dos
pacientes (Taskapan, 2006).

Doença de Fox-Fordyce, ou miliária apócrina, é um


entupimento crônico dos ductos das glândulas sebáceas com uma resposta
inflamatória secundária, não bacterial, às secreções e fragmentos celulares nos
cistos. A hidrosadenite é uma doença muito semelhante mas tende a
apresentar uma infecção bacterial secundária. É uma enfermidade de pele
devastadora que ainda não possui tratamento para todos os casos.

Tratamento
O tratamento básico é a remoção cirúrgica do tecido de pele que contém
as glândulas sebáceas afetadas. A Terapia de Irradiação também pode ser
usada e antibióticos são usados contra as inflamações.
Nenhum tratamento é exigido para os grânulos de Fordyce, exceto a
remoção de lesões labiais por razões estéticas. As glândulas inflamadas
podem ser tratadas topicamente com clindamicina. Quando extraídas
cirurgicamente não há reincidência. Transformação neoplástica é muito rara,
mas tem sido relatada.

Doença de Behcet é uma vasculite sistémica (inflamação dos


vasos sanguíneos de pequeno e grande calibre) de causa desconhecida. É
uma afecção crónica causada por perturbações no sistema imunitário, ou
imunológico.
O sistema imunitário, que por norma protege o organismo humano de
agentes estranhos e infecções, produzindo inflamações controladas, torna-se
hiperactivo e passa a produzir inflamações imprevisíveis, exageradas e
descontroladas. No caso da doença de behçet estas inflamações podem
afectar qualquer estrutura do organismo humano.
Caracteriza-se por úlceras orais e/ou genitais recorrentes, inflamação
dos olhos (uveite) e lesões cutâneas. Também pode afectar as articulações,
todo o tipo de vasos, pulmões, Sistema Nervoso Central e tracto digestivo.
A doença ocorre com mais frequência no médio oriente, é mais comum
em populações residentes ao longo da histórica Rota da Seda, que se estende
da Ásia Oriental à bacia do Mediterrâneo, dai o porquê de muitos a chamarem
de Doença da Rota da Seda, mas também ocorre nos Estados Unidos da
América, América do sul e no norte da Europa.

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Educação e Saúde Módulo III

As diferenças regionais são um facto bem conhecido na Doença de


Behcet, por exemplo a frequência de lesões gastrointestinais é elevada nos
casos reportados no Japão mas são raras nas populações da Europa e do
Mediterrâneo. Similarmente, as lesões pulmonares são raras no Japão, mais
frequentes na Europa.
A Doença de Behcet não é infecciosa nem cancerosa nem está
relacionada com o HIV. Não é transmissível de pessoa para pessoa.
A Doença de Behcet afecta as pessoas de forma diferente. Alguns
pacientes têm apenas sintomas menores, tais como dores ou úlceras orais e/ou
genitais. Outros têm manifestações mais severas. Os sintomas podem durar
por muito tempo ou podem ir e vir em poucas semanas, às fases ou episódios
em que os sintomas se manifestam activos designam-se por crises. Os
sintomas podem variar de crise para crise.

Sintomas
Os sintomas mais comuns na Doença de Behçet são:

Úlceras Orais - Quase todos os doentes com Behçet sofrem de úlceras


(aftas) orais, idênticas às que ocorrem em muitas pessoas que não são
afectadas pela doença. Estas úlceras são normalmente dolorosas,
isoladas ou múltiplas, tornando a alimentação difícil; podem reaparecer
ocasionalmente ou frequentemente. Estas lesões podem afetar a língua
ou qualquer parte da mucosa da boca e garganta. São frequentemente o
primeiro sintoma que se nota e podem ocorrer muito tempo antes de
qualquer outro sintoma se manifestar. As úlceras têm normalmente um
bordo vermelho e podem aparecer várias ao mesmo tempo. Chamam-se
"minor" se forem menores do que 1 cm e "major" se forem maiores do
que 1 cm. Aquelas saram em 1 a 2 semanas e estas, maiores, podem
demorar mais tempo a sarar deixando, por vezes, cicatriz. A úlceras
múltiplas e de dimensões milimétricas chamamos herpetiformes.

Úlceras Genitais - As úlceras genitais afectam mais de metade das


pessoas com Doença de Behcet, nos homens estas são mais comuns
no escroto e nas mulheres, na vulva. Em ambos os sexos podem
aparecer lesões em redor do ânus e na mucosa circundante. As feridas
parecem semelhantes às úlceras orais e podem ser extremamente
dolorosas. Podem causar cicatriz.

Lesões da pele - Estas são um sintoma comum da doença. As lesões


cutâneas são frequentemente vermelhas ou semelhantes a altos cheios
de pus ou como hematomas. Estas lesões são vermelhas e altas, e
aparecem tipicamente nas pernas. Em algumas pessoas, estas lesões
ou machucados podem aparecer quando a pele é arranhada ou picada.
Quando os médicos suspeitam que uma pessoa possa ter Behcet
podem realizar um teste chamado teste de Pathergy, no qual a pele é

43
Módulo III Educação e Saúde

perfurada com uma agulha estéril; um ou dois dias depois do teste, as


pessoas com Doença de Behcet podem desenvolver um hematoma/alto
vermelho onde a pele foi perfurada. Mas parece que só metade dos
pacientes do Oriente tem essa reacção. Ela ocorre com muito pouca
frequência no Reino Unido e nos Estados Unidos da América, mas se
esta reacção ocorrer é provável a presença de Behcet.

Inflamação Ocular (Uveite) - O envolvimento ocular consiste na


inflamação da parte média ou posterior do olho (uvea) incluindo a íris, e
ocorre em mais de metade dos pacientes com Doença de Behçet. A
inflamação ocular pode provocar o enevoar/desfocar da visão,
flutuadores/moscas volantes (pontos que parecem flutuar através do
campo de visão), raramente, pode causar dor e vermelhidão. Porque
pode ocorrer perda de visão se a inflamação persistir, estes sintomas
devem ser reportados imediatamente aos seus médicos, por forma a
iniciar o tratamento o mais rápido possível. Somando a estes sintomas a
Doença de Behcet pode também causar articulações dolorosas,
coágulos sanguíneos, e inflamação no Sistema Nervoso Central e
órgãos digestivos.

A Papulose Atrofiante Maligna, mais conhecida como


Doença de Degos, é uma rara afecção multissistêmica que causa lesões
cutâneas e alguns casos órgãos internos do trato gastrointestinal, tornando a
doença letal e sem cura. Ocorre mais em jovens do sexo masculino.
O primeiro caso da doença foi diagnosticado em 1941 e diagnosticado
como uma variante da tromboangeíte obliterante porém Degos a reconheceu
como uma doença independente, tendo como paciente uma mulher caucasiana
de 42 anos onde não houve tratamento adequado e morreu em seguida, devido
as condições de tecnologia da época. A paciente apresentava todos os
sintomas descritos abaixo.

Sintomas
Inicia-se com mancha claras no abdômen, que se espalham pelo corpo.
Depois ocorrem normalmente: paresia progressiva em membros inferiores,
desequilíbrio, hipoestesia em hemicorpo esquerdo, desvio nasal do olhar à
esquerda e perda esfincteriana. Manchas características por todo o corpo,
paralisia bilateral de 3º, 4º e 6º nervos cranianos, Babinski bilateral, hipoestesia
à esquerda, tetraparesia, disartria e dismetria em membro superior esquerdo.
Alterações isquêmicas subagudas múltiplas no Encéfalo. Gastrite severa e
duodenite.
Para realizar o diagnóstico e necessário fazer uma biopsia da pele.

44
Educação e Saúde Módulo III

Tratamento
Pouco se sabe sobre o tratamento da doença de Degos, porém tem
pouca/nenhuma resposta e sobrevida média de um diagnosticado pode variar
de 1 semana a 3 anos.

Eczema, também chamada de dermatite, se refere a qualquer


tipo de infecção da pele. Os eczemas, em geral, iniciam-se pela aparecimento,
à superfície da pele, de vermelhidão (eritema) e inchaço (edema) da superfície
cutânea.
Como consequência, pode ocorrer um acúmulo de líquidos em
pequenas vesículas, com prurido. Das vesículas, um líquido seroso é
secretado, o que favorece a formação de crosta. Com a progressão do quadro
a pele torna-se espessa (liquenificada).
A dermatite mais comum é a atópica. Em bebês aparece geralmente na
face, joelhos ou mãos.
É bastante comum na infância e adolescência é frequente em
profissionais de saúdes, pessoas responsáveis pela limpeza e lactantes.

Sintomas
Um episódio isolado geralmente ocorre por alergia, enquanto casos
crônicos podem ocorrer por fungos, bactérias, vírus ou problemas
imunológicos.
Os principais sintomas são:
Manchas avermelhadas (eritema)
Inchaço (edema)
Secreção na pele
Pele ressacada
Formação de crosta
Prejuízo na qualidade do sono
Os outros sintomas vão depender da origem do eczema. Manchas
também causam prejuízo significativo na socialização, um problema sério para
crianças com dermatites frequentes que são estigmatizadas e excluídas do
convívio social.

Diagnóstico
O diagnóstico é essencialmente clínico e consiste na localização das
lesões e dos sintomas levando em conta a idade do doente, o carácter crônico
ou agudo da doença e o histórico pessoal ou familiar de alergias. A biópsia
cutânea pode ser útil no diagnóstico diferencial, mas raramente é necessária.

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Módulo III Educação e Saúde

Classificações
Dermatite herpetiforme não é causada pelo vírus da Herpes, apenas é
semelhante a ela, na verdade é causada pela má absorção do glúten.
Dermatite seborréica pode ser causada por excesso de vitamina A ou falta
de B2 ou B6 ou por fungos. Mais frequente em pessoas com imunidade baixa,
e é seriamente agravada por fatores psicológicos.

Causa
A principal causa é a hipersensibilidade, nesse caso sendo chamada de
dermatite atópica, que possui fatores hereditários mas só são ativados por um
estímulo que desencadeie a alergia (como leite, camarão ou pólen). Podendo
ser originada por fatores de ordem interna ou externa, variando de acordo com
a resposta imune de cada organismo, ao ambiente em questão.
Pessoas vulneráveis a dermatites frequentemente possuem um defeito
na filagrina, uma proteína estrutural da pele, fundamental para a manutenção
de uma função barreira normal.
Fatores psicológicos como estresse excessivo ou situações traumáticas
podem desencadear uma dermatite por somatização. Outras possíveis causas
incluem fatores hormonais (como a menstruação), a troca do leite materno pelo
industrial (uma das principais causas em bebês), pode ser desencadeado por
certas vacinas (geralmente na infância e sem graves consequências) e pode
ocorrer por atrito com certos materiais (fibras sintéticas). Pacientes acamados
há muito tempo geralmente desenvolvem eczema por não mudarem muito de
posição, mantendo as mesmas partes do corpo em contato constante com o
tecido.

Prevenção
Tomar banho e usar sabão (especialmente os bactericidas) todo dia, ao
invés de prevenir, na verdade danifica a pele e nos deixam mais vulneráveis a
doenças.
Vários cuidados podem ser tomados para evitar certos tipos de dermatites:
Evitar banhos muito quentes;
Cremes hidrantes;
Uso de luvas durante a limpeza e por profissionais de saúde;
Tomar banho apenas uma vez por dia e usar hidratantes para recuperar
a pele;
Usar sabonetes neutros;
Usar álcool gel e sabonete bactericida com moderação, pois eles
danificam a pele;
Se manter alerta para alergias a alimentos;
Limpar o ambiente com pano molhado para não levantar poeira;
E não coçar áreas feridas.
Um alergista pode fazer testes com diversas substâncias para descobrir as
causas de crises alérgicas frequentes.

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Educação e Saúde Módulo III

Tratamento
Exemplos de manchas na pele causadas por psicossomatização.
Uso de cremes com corticóide, como hidrocortisona, é recomendado
para o tratamento de episódios agudos e hidratação da pele mas não para
episódios crônicos pelo risco de repercussões graves quando o tratamento é
interrompido subitamente. Uma alternativa são os inibidores da calcineurina
como pimecrolimus e tacrolimus.
Deve-se, também, evitar coçar a pele para prevenir agravamento da
infecção. A melhor opção é procurar um bom dermatologista que indique que
quais remédios você deve usar.
As infecções bacterianas, geralmente por Staphylococcus aureus,
devem ser tratadas com antibioterapia sistêmica, como cefalosporinas de 1.a
geração ou as penicilinas. A limpeza deve ser feita gentilmente, o banho deve
ser rápido e morno e em seguida aplicar um emoliente (creme hidratante) com
alta oleosidade.
Anti-histamínicos sedativos podem ser usados para controlar o prurido e
coceira, e assim permitir um sono mais revigorante.
Quando as causas envolverem fatores psicológicos como ansiedade,
compulsões, transtornos de humor, transtornos somatoformes ou traumas
psicológicos é necessário acompanhamento psicológico de longo prazo.
Não há evidência que óleo de peixe, óleo de borragem ou outros, bem
como suplementos vitamínicos ou minerais tenham qualquer eficácia
terapêutica na dermatite alérgica. Alguns dermatologistas também podem
recomendar fototerapia e ciclosporina ou outros imunossupressores
dependendo do caso.

Erisipela (ou linfangite estreptocócica) é uma infecção


cutânea causada geralmente por bactérias de tipo streptococcus do grupo A e
aureus encontradas em suínos. Cursa usualmente com eritema, edema e dor.
Na maioria dos casos também com febre e leucocitose (significando
atingimento sistémico). Ao exame objectivo é claramente perceptível uma linha
de demarcação entre a área não atingida e a área atingida. Pode ser
acompanhada de linfangite e linfadenite. Se evoluir, pode tornar-se uma
trombose.

Eritema ab igne também conhecida como eritema calórico é


um eritema(mancha vermelha) causado por exposição repetida e prolongada à
radiação infravermelha, calor em temperatura de até 45°C. Trata-se de uma

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Módulo III Educação e Saúde

lesão geralmente assintomática mas que pode ser acompanhada de ardência e


prurido. Sua principal característica são hiperpigmentação reticuladas,
descamação fina, atrofia epidérmica e telangiectasias.

Causas
As causas mais comuns são fontes de calor intenso como bolsas de
água quente, braseiros, fornos a gás ou a carvão e radiadores a vapor.
Profissionais que lidam com fontes de calor constantes são os mais afetados.
Existem relatos de tratamentos fisioterápicos para dor crônica que resultaram
nesse tipo de queimadura. Essa terapia usa o ultra-som e a diatermia de ondas
curtas para promover, através de ondas mecânicas de alta frequência, uma
vibração extremamente rápida nos tecidos de forma a gerar calor e
consequente dilatação dos vasos locais e alívio da dor.
Os locais afetados mais comuns são barriga, braços, mãos, pernas e
costas.

Características
As alterações histopatológicas compreendem fragmentação do
colágeno, deposição de melanina e hemossiderina, formação de
telangiectasias, infiltrados de leucócitos polimorfonucleares, linfócitos e
histiócitos. Os danos por exposições a calor são cumulativos.
Existem relatos de carcinoma epidermóide e ceratite que se
desenvolveram como consequência de um eritema ad igne.

Tratamento
Passar creme de fluorouracil também conhecida como 5-FU (nomes
comerciais: Efudex, Carac or Fluoroplex) podem ser úteis para a inibição do
metabolismo dos queratinócitos displásicos. Devem-se evitar fontes de calor
para que se permita um desaparecimento progressivo da lesão deixando sua
coloração fique menos aparente. A lesão pode tornar-se permanente se a
exposição ao calor não for evitada.

Eritema das fraldas é uma dermatite que parece na zona em


contacto com a fralda de um bebé. Surge com a irritação provocada pela
presença de urina e fezes. Torna-se necessária uma higiene rigorosa, quer
como tratamento, quer como prevenção.
Tem aspecto típico, localizando-se na área diretamente em contato com
o meio, poupando as dobras de pele. Pode geralmente ser por isso
diferenciada da dermatite por cândida, embora as duas possam, com certa
frequência, estar associadas.
Medidas de higiene adequadas, trocas frequentes de fraldas, evitando

48
Educação e Saúde Módulo III

manter a pele úmida, geralmente é suficiente para a regressão da lesão. Tal


processo é muito facilitado pela utilização de produtos contendo óxido de zinco
(pasta d'água, hipogloss). Associações de corticóides, antibióticos e etc devem
ser evitadas sem a supervisão médica, já que além da dermatite pode haver
uma infecção sobrejacente.

Eritema nodoso é uma inflamação dos adipócitos sub-cutâneos


(paniculite), que se apresenta em forma de nódulos nas partes inferiores dos
membros e pode ser de caráter isolado, relativo a outro processo ou então
alérgico a algum fármaco.
Geralmente os inchaços são muito dolorosos e é frequente o
aparecimento de dores nas articulações e febre.
Recomenda-se descanso para aliviar a dor nodular e, em alguns casos,
a Aspirina demonstra grande eficácia no tratamento da doença. Os nódulos
podem ser tratados de forma individual com aplicações de corticosteróide ou de
forma geral através de comprimidos de corticosteróide.

O eritema tóxico ou eritema neonatorum é uma erupção


papular rósea com vesículas espalhadas pelo tórax, costas, nádegas e
abdómen. Aparece nas primeiras 24-48 horas de vida de um bebé e
desaparece passados alguns dias.
Lesão sem causa conhecida, caracteristicamente fisiológica neste
período de vida (recém-nato). Deve haver atenta diferenciação entre lesões
patológicas, como o impetigo.

A palavra escara é um termo antigo, sendo usado atualmente


para descrever a necrose escura que recobre a úlcera de pressão, assim
conhecida atualmente. É provocada por pressão local permanente, geralmente
nas proeminências ósseas resultando em danos nos tecidos subcutâneo,
músculos, articulações e ossos, causando a morte dos tecidos (necrose)
É um problema frequente em pessoas com lesão medular pois a falta de
sensibilidade e controle de parte do corpo favorece a manutenção da mesma
posição por muitas horas e a própria cadeira de rodas faz pressão sobre o
corpo. Também comum na diabetes especialmente nos que forem obesos, nas

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Módulo III Educação e Saúde

idades avançadas e nos sedentários.

Fatores de risco
Os danos internos são maiores que os visíveis externamente.
Fatores de risco para o aparecimento de úlceras de pressão:
Idade avançada
Temperatura corporal elevada
Incontinência urinária ou fecal
Hipotensão
Procedimentos cirúrgicos de longa duração
Doenças vasculares
Imobilidade por longos períodos
Anemia
Desidratação
Diabetes
Obesidade
Problemas de circulação
Anasarca
Infecções
Gangrena
Infecções por fungos
Picada de aranha
Queimaduras
Ácidos
Alcalinos
Antrax
Outros problemas imediatos e fáceis de serem resolvidos também
podem contribuir como:
Falta de higiene
Aumento da pressão do corpo sobre o leito (como Colchão duro)
Fricção
Umidade
Aplicação incorreta de gesso
Contenção no leito

Locais mais frequentes


Saliências osseas
Região da bacia
Cintura
Ombros
Cotovelos e joelhos
Orelhas
Calcanhar

Sinais e Sintomas
Vermelhidão

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Educação e Saúde Módulo III

Calor
Enrijecimento da pele
Dor
Problemas vasculares
Necrosamento progressivo dos tecidos.

Estágios das úlceras de pressão


Estágio I Aparecimento de vermelhidão (eritema) que, mesmo após o
alívio da pressão não desaparece.
Estágio II Formação de bolha, com conteúdo aquoso.
Estágio III Aparecimento de necrose do tecido subcutâneo.
Estágio IV Acometimento de estruturas profundas; necrose de músculos
e tendões, aparecimento de estrutura óssea.

Prevenção
Apesar de uma enorme gama de agentes "ditos" como profiláticos, a
melhor prevenção ainda é a mudança de decúbito. Esta mudança deve ser
realizada no máximo de quatro em quatro horas e em alguns casos de hora em
hora.
O uso de um espelho para verificar sinais de danos na pele é importante
para prevenir o agravamento dos sintomas. Uma massagem pode ajudar a
aliviar a circulação sanguínea no local. Almofadas podem servir para aliviar o
peso do corpo e diminuir a pressão. Roupas mais macias e confortáveis
também podem ajudar.
Pode ser usado como coadjuvante o óleo de girassol (comestível), após
o banho, que irá ajudar na hidratação da pele. Manter o paciente sempre
"seco", com correta ingestão de proteínas e gorduras e no leito o mínimo
possível (o tempo em cadeiras, também não deve exceder a duas horas).

Esclerodermia é uma doença crônica rara, caracterizada


pelo depósito excessivo de colágeno na pele ou outros órgãos. O tipo
localizado da doença não costuma ser fatal.

A furunculose se caracteriza pelo aparecimento recorrente de


furúnculos.

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Módulo III Educação e Saúde

O furúnculo é um processo inflamatório, causado por infecção


por Staphylococcus. É facilmente reconhecido por envolver áreas grandes e
elevadas além de ser extremamente doloroso. Eles aparecem mais
frequentemente, nas mamas, nas nádegas, face ou pescoço. Geralmente os
furúnculos apresentam pus no centro e eliminam um líquido esbranquiçado e
que pode ter vestígios de sangue. Pode provocar febre elevada.
Um furúnculo é uma doença de pele causada pela inflamação dos
folículos pilosos, resultando numa acumulação localizada de pus e tecido
morto. Furúnculos individuais podem juntar-se e formar uma "rede"
interconectada chamada carbúnculo. Em casos severos, os furúnculos podem-
se desenvolver para abcessos.

Causas
O furúnculo pode ocorrer em qualquer parte da superfície corporal,
exceto a planta do pé. Entretanto, tem preferência por regiões ricas em pêlos e
submetidas à fricção e alta transpiração, como a região do pescoço, face,
axilas, nádegas e virilha. Acontece mais nos homens que nas mulheres,
principalmente após a puberdade. O aparecimento pode ser favorecido pelo
uso de substâncias gordurosas na pele, pelo fumo do cigarro que após
acumulação fecham o folículo e propiciam a infecção, e também pelo uso de
roupas justas, que levam à fricção.
A bactéria penetra no folículo e causa inicialmente uma infecção
superficial na pele. Posteriormente, ela se dissemina e acaba formando a lesão
característica, com uma região amarelada no centro e um contorno
avermelhado e endurecida. Há um aumento importante do volume, e a lesão é
bastante dolorosa e sensível à compressão. O tamanho do furúnculo vai
depender da profundidade da infecção ou do folículo infectado: quanto mais
profunda maior é o furúnculo. Com o tempo, ocorre a destruição da pele que
recobre a região central, que rompe espontaneamente e leva à eliminação do
material amarelado do centro (tecido necrótico) juntamente com pus. Após o
rompimento, a dor desaparece e a ferida tende a cicatrizar e deixar uma marca
escura no local.

Riscos
Geralmente, a evolução é favorável, sem maiores problemas. As
complicações ocorrem quando há uma ruptura da barreira de proteção
(formada pelo sistema imunitário) e, consequentemente, uma disseminação
das bactérias. A causa mais importante disso é o hábito comum entre as
pessoas de espremer os furúnculos. Isso pode fazer com que as bactérias
caiam na corrente sanguínea e vão infectar outros locais no corpo. Exemplos
são as infecções dos ossos (ou osteomielite) e da parede interna do coração
(endocardite).
Outra complicação importante tem a ver com a chamada "zona
perigosa". Essa região é importante no caso de qualquer infecção de pele,

52
Educação e Saúde Módulo III

inclusive a acne ("espinhas"). Essa região é localizada na face, entre o lábio


superior e o nariz. Nesse local, os vasos sanguíneos comunicam-se com os
vasos do cérebro. Assim, caso as bactérias atinjam a corrente sanguínea,
podem causar trombose dos vasos cerebrais e infecções graves, como a
meningite. Por isso, nas infecções de face deve-se evitar a drenagem, inclusive
o acto de espremer espinhas.
Outra complicação é a furunculose. Esse nome refere-se à ocorrência de
vários furúnculos, ou de sua recorrência. O que acontece, geralmente, é que ao
coçar a lesão o indivíduo fere o furúnculo fazendo com que seja eliminado pus
que vai infectar outros folículos próximos. As roupas também podem ser
veículos de transmissão. Algumas vezes ocorre uma disseminação da infecção,
sob a pele, de forma que o furúnculo adquire enorme tamanho. Nesse caso,
passa a ser chamado de carbúnculo. O carbúnculo ocorre mais comumente na
região da nuca. Os casos de furunculose e carbúnculo ocorrem em pessoas
mais predispostas à infecção, como: desnutridos, diabéticos, portadores do HIV
e outras doenças.

Tratamento
Limpe a região em volta do furúnculo com uma solução desinfectante,
por duas a três vezes ao dia.
Aplique no local compressas quentes e úmidas de água com sal.
Nunca esprema, nem fure o furúnculo, principalmente se ele for ao rosto
ou próximo ao ouvido, pois a infecção pode se propagar pela corrente
sanguínea podendo causar graves consequências.
Evite mexer no pus eliminado pelo furúnculo. Se por acaso isso
acontecer, lave imediatamente as mãos com água e sabão.
Caso não perceba melhora no quadro, procure um médico para que
possa ser feito tratamento com antibióticos. Nos casos mais complexos,
pode ser feita uma drenagem.
Atenção:
Quando os furúnculos forem muitos ou bastante doloridos ou estiverem
inflamados, procure orientação de um dermatologista.
Quando não tratados, os furúnculos podem levar a complicações graves.
Há o risco das bactérias atingirem os ossos ou a circulação sanguínea,
podendo ser fatal.

Prevenção
A prevenção só é indicada para aquelas pessoas que apresentam
furúnculos recorrentes. As medidas indicadas são as seguintes:
Uso de antibiótico para tratar todos os episódios que ocorram;
Limpeza da pele com substâncias anti-sépticas;
Lavagem frequente das mãos;
Uso de toalhas limpas;
Trocas frequentes de fronhas e roupas íntimas;
Erradicação do estado de portador assintomático da bactéria
Staphylococcus aureus, na flora nasal (algumas pessoas abrigam essa
bactéria, na flora nasal, sem apresentar qualquer problema).

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Módulo III Educação e Saúde

O herpes é uma doença viral recorrente, geralmente benigna,


causada pelos vírus Herpes simplex 1 e 2, que afeta principalmente a mucosa
da boca ou região genital, mas pode causar graves complicações neurológicas.
Traz muitos incômodos, não tem cura, mas alguns remédios podem ser
utilizados para diminuir os sintomas.

Vírus Herpes Simples (HSV) 1 e 2


Grupo: Grupo I (DNA)
Família: Herpesviridae
Subfamília: Alphaherpesvirinae
Gênero: Simplexvirus
Espécie: Herpes simplex vírus 1 (HSV-1)
Espécie: Herpes simplex vírus 2 (HSV-2)
HSV são dois vírus da família dos Herpesvírus, com genoma de DNA
bicatenar (dupla hélice) que se multiplicam no núcleo da célula-hóspede,
produzindo cerca de 90 proteínas víricas em grandes quantidades. Têm
nucleocapsídeo de simetria icosaédrica e envelope bilipídico. Têm a
propriedade de infectar alguns tipos de células de forma lítica (destrutiva) e
outras de forma latente (hibernante). Os HSV1 e 2 são líticos nas células
epiteliais e nos fibroblastos, e latentes nos neurônios, donde são reativados em
alturas de fragilidade do indivíduo, como estresse, febre, irradiação solar
excessiva, trauma ou terapia com glucocorticóides (corticosteróides). A
produção de proteínas víricas pelas células tomadas pelo vírus têm três fases:
na primeira, produzem-se as proteínas envolvidas na replicação do seu
genoma e essa replicação ocorre; na segunda, há produção de proteínas
reguladoras víricas que regulam o metabolismo da célula para maximizar o
número de vírions produzíveis; e na terceira, há produção das proteínas do
nucleocapsídeo e construção das novas unidades virais, após o qual a célula é
destruída pela grande quantidade de vírus que é fabricada.
Os HSV1 e HSV2 são muito semelhantes, mas apresentam algumas
diferenças significativas. O HSV1 tem características que o levam a ser
particularmente infeccioso e virulento para as células da mucosa oral. O HSV2
tem características de maior virulência e infecciosidade para a mucosa genital.
No entanto, o HSV1 também pode causar herpes genital e o HSV2, herpes
bucal.

O herpes oral, particularmente se causado por HSV1, é uma doença


primariamente da infância, transmitida pelo contato direto e pela saliva. O
herpes genital é transmitido pela via sexual.
Dentistas e outros profissionais de saúde que lidam com fluidos bucais
estão em risco de contrair infecção dolorosa dos dedos devido ao seu contacto
com os doentes.

54
Educação e Saúde Módulo III

O vírus tem sido implicado na doença de Alzheimer e mal de Alzheimer


vários genes de susceptibilidade à doença, incluindo as principais APOE,
Clusterin, complementam um receptor e PICALM estão envolvidos no ciclo de
vida do herpes simples como curadora em este banco de dados

Progressão e sintomas
Após infecção da mucosa, o vírus multiplica-se produzindo os
característicos exantemas (manchas vermelhas inflamatórias) e vesículas
(bolhas) dolorosas (causadas talvez mais pela resposta destrutiva necessária
do sistema imunitário à invasão). As vesículas contêm líquido muito rico em
vírus e a sua ruptura junto à mucosa de outro indivíduo é uma forma de
transmissão (contudo também existe vírus nas secreções vaginais e do pênis
ou na saliva). Elas desaparecem e reaparecem sem deixar quaisquer marcas
ou cicatrizes. É possível que ambos os vírus e ambas as formas coexistam
num só indivíduo.
Os episódios agudos secundários são sempre de menor intensidade que
o inicial (devido aos linfócitos memória), contudo a doença permanece para
toda a vida, ainda que os episódios se tornem menos freqüentes. Muitas
infecções e recorrências são assintomáticas.

Herpes Oral ou Labial


Herpes labial
A infecção por herpes simples 1 normalmente é oral, mas pode ocorrer
da pessoa ter o vírus e apenas eclodir dias, meses ou ate anos depois e
produz gengivoestomatite (inflamação das gengivas) e outros sintomas como
febre, fadiga e dores de cabeça. O vírus invade os terminais dos neurónios dos
nervos sensitivos, infectando latentemente os seus corpos celulares no gânglio
nervoso trigeminal (junto ao cérebro). Quando o sistema imunitário elimina o
vírus das mucosas, não consegue detectar o vírus quiscente dos neurônios,
que volta a ativar-se em períodos de debilidade, como estresse, trauma,
imunossupressão ou outras infecções, migrando pelo caminho inverso para a
mucosa, e dando origem a novo episódio de herpes oral com exantemas e
vesículas dolorosas.
Complicações raras são a queratoconjuntivite do olho que pode levar à
cegueira e à encefalite. Esta cursa com multiplicação do vírus no cérebro,
especialmente nos lobos temporais com convulsões, anormalidades
neurológicas e psiquiátricas. É altamente letal, e 70% dos casos resultam em
morte, apenas 20% dos sobreviventes não apresentam sequelas neurológicas.
Raramente é causada pelo HSV2.
Medicamentos alopáticos para o herpes labial incluem cremes e
pomadas à base de aciclovir. Outros antivirais que podem ser usados são o
valaciclovir, o penciclovir e famciclovir. É sempre importante consultar um
médico antes do uso de qualquer medicamento, seja ele fitoterápico ou não.

Herpes Genital
A infecção com o herpes simples 2 é semelhante (10% dos casos são
por HSV1, o que se atribui ao aumento da prática do sexo oral). Há infecção da
mucosa genital, no homem na glande do pênis, na mulher na vulva ou vagina,

55
Módulo III Educação e Saúde

com exantemas e sensibilidade dolorosa. Também pode ocorrer no ânus.


Outros sintomas são febre, mal-estar, dores musculares e de cabeça, dores ao
urinar e corrimento vaginal ou da uretra no pênis. A maioria das infecções no
entanto é assintomática.
Simultaneamente ocorre a invasão dos neurônios sensitivos com
migração no interior dos axônios para os corpos celulares nos gânglios
nervosos lambosacrais. Aí ficam em estado de latência sem se reproduzir,
indetectáveis enquanto os virions ativos da mucosa são destruídos pela
resposta citotóxica imunitária. Após período de debilidade voltam a migrar pelos
axônios para a mucosa e estabelecem novo episódio doloroso típico. As
recorrências podem ser de todos os meses a raras.
Os episódios de recorrência são menos intensos e frequentemente antes
da erupção das vesículas há irritação (comichão) da mucosa. O vírus é
transmitido mesmo na ausência de sintomas.
As complicações são mais raras e mais moderadas quando ocorrem
somente na forma labial. Um tipo de complicação específico do HSV2 é a
meningite, que é pouco perigosa, sendo a encefalite muito rara. Contudo, se a
mãe infecta o recém-nascido via ascensão pelo útero na gravidez ou no
nascimento, a infecção é especialmente virulenta, devido ao sistema imunitário
ainda pouco eficaz do bebê. A mortalidade e probabilidade de deficiências
mentais são significativas, apesar de ocorrer numa minoria dos casos.
O herpes pode ser mortal

Outras Manifestações
A faringite herpética causa em jovens adultos dores de garganta.
A infecção dos dedos em profissionais de saúde é dolorosa e adquirida
pelo manuseio sem luvas das áreas infectadas de doentes.
A Herpes do Gladiador é uma infecção disseminada na pele (adquirida
por vezes na luta corpo a corpo daí o nome).
E é uma doença que traz muitos incômodos e não tem cura. Apenas
remédios para diminuir os sintomas.

Diagnóstico e tratamento
Na maior parte dos casos o simples exame clínico permite ao médico
diagnosticar o herpes. Em casos mais complexos ou menos evidentes o
vírus é recolhido de pústulas e cultivado em meios com células vivas de
animais. A observação pelo microscópio destas culturas revela inclusões
virais típicas nas células. Na encefalite viral pode ser necessário obter
amostras por biópsia.
Não há tratamento definitivo, embora alguns fármacos possam reduzir
os sintomas e o risco de complicações.
É possível reduzir o risco à contaminação evitando-se o contacto direto
com indivíduos infectados e com objetos utilizados por estes.

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Educação e Saúde Módulo III

O Herpes-zóster (ou Zolster, Zoster) ou zona, também


popularmente chamado de cobrão ou cobreiro, é uma virose provocada por
uma variante do herpesvírus que também causa a varicela (ou catapora), de
incidência rara e que provoca afecções na pele, de maior ou menor gravidade,
em geral atingindo pessoas com baixa defesa imunológica, como idosos,
pessoas que passaram por uma fase de estresse ou pacientes com SIDA.

Etiologia
O vírus da varicela-zóster via de regra permanece dormente, apesar de
debelado do organismo, no interior de alguns gânglios do sistema nervoso
(especialmente o semi-lunar, da base do crânio, ou nos próximos à medula
espinal (cadeia para-vertebral) podendo, entretanto, ocorrer noutros gânglios).
O sistema imunológico mantém o vírus sob controle, mas quando estas
defesas naturais encontram-se debilitadas ocorre a deflagração da doença.
Estima-se que cerca de 20% das pessoas possam desenvolver esta
modalidade da doença.

Características clínicas
A recorrência inicia-se com dor na área do epitélio inervado pelo nervo
sensitivo afetado (dermátomo). Caracteristicamente, um dermátomo é
acometido, porém pode ocorrer o envolvimento de dois ao mais. Esta dor
prodômica, a qual pode ser acompanhada de febre, mal-estar e cefaléia, é a
observada normalmente um a quatro dias antes do desenvolvimento das
lesões cutâneas e orais. Durante tal período, antes do exantema, a dor pode
mascarar uma dor de dente, otite média, cefaléia migratória, infarto do
miocárdio ou apendicite, dependendo de qual dermátomo esteja afetado.
O envolvimento cutâneo mostra um grupamento de vesículas em uma
base eritematosa. No período de três a quatro dias, as vesículas tornam-se
pustulares e ulceram, com o desenvolvimento de crostas após sete a 10 dias.
Não é infrequente a formação de cicatrizes. As lesões tendem a seguir a área
do nervo afetado e terminam na linha média. O exantema regride,
caracteristicamente, no período de duas a três semanas, em indivíduos sadios.
Algumas vezes, pode ocorrer a resistência na ausência de vesículas na
pele ou mucosa. Este padrão é denominado zoster sine herpete, e os
pacientes acometidos apresentam dor acentuada de início abrupto e
hiperestesia sobre o dermátomo específico. Febre, cefaléia, mialgia, e
linfadenopatia podem ou não acompanhar a recorrência.
A dor dura de um mês após o episódio do zoster é denominada de
neuralgia pós-herpética e ocorre em mais de 14% dos pacientes,
especialmente naqueles acima dos 60 anos de idade. A maioria das neuralgias
regride após um ano, com metade apresentando regressão após dois meses.
Casos raros podem durar mais de 20 anos, e sabe-se de pacientes que
cometeram o suicídio como resultado da dor aguda.
A paralisia facial tem sido observada em associação com o herpes

57
Módulo III Educação e Saúde

zoster da face ou do canal auditivo externo. A síndrome de Ramsay Hunt é a


combinação de lesões cutâneas do canal auditivo externo com o
desenvolvimento ipsilateral da face e nervos auditivos. A síndrome causa
paralisia facial, deficiência auditiva, vertigem e diversos outros sintomas
auditivos e vestibulares.
O envolvimento ocular não é incomum e pode ser a fonte de significativa
morbidade, incluindo cegueira permanente. As manifestações são altamente
variáveis e podem surgir do dano epitelial direto mediado pelo vírus,
neuropatia, injúria imunomediada ou secundária a vasculopatia. Se a ponta
nasal é envolvida, este constitui um sinal de que o ramo nasociliar do quinto
nervo craniano foi acometido, sugerindo o potencial para a infecção ocular.
Nestes casos, o encaminhamento para um oftalmologista é obrigatório.
As lesões orais ocorrem com o desenvolvimento dop nervo trigêmeo e
podem estar presentes na mucosa móvel ou aderida. As lesões, muitas vezes,
estendem-se à linha média e estão presentes, frequentemente, em conjunto
com o acometimento da pele que recobre o quadrante afetado. Como a
varicela, as lesões individuais apresentam-se como vesículas branco-opacas
com 1 a 4 mm, as quais se rompem para formar ulcerações rasas. O
envolvimento da maxila pode estar associado com a desvitalização dos dentes
da região afetada. Além disso, vários relatos documentaram necrose óssea
significativa com perda de dentes nas áreas envolvidas com o herpes zoster.

Sintomas
Ao contrário da catapora, caracterizada pelo surgimento de vesículas
(bolhas) em todo o corpo, no Herpes-zóster estas lesões aparecem, em geral,
somente no segmento de pele inervado pelo ramo nervoso acometido pelo
vírus e em apenas um dos lados do corpo "cobreando-se", ou seja,
ziguezagueando, daí a origem do nome popular "cobreiro" para este mal.
O primeiro sintoma é a sensação de dor no local, depois ocorre a
eclosão das bolhas, deixando a pele avermelhada, além de indisposição. O
paciente pode sentir desde uma dor muito forte no local e até mesmo
ponderada e coceira. A dor pode durar meses ou até anos em pacientes que
venham a ter mais idade, mas é mais habitual durar entre 3 a 5 semanas.
Geralmente este tipo de herpes ocorre em pacientes com mais de 50 anos e
em pessoas mais debilitadas.

Transmissão
A transmissão, como no caso da varicela e do herpes simples, dá-se
pelo contato com as secreções contidas nas vesículas, quando estas eclodem.

Tratamento
O mesmo da varicela: antivirais, sobretudo o Aciclovir (Zovirax) ou pró-
fármacos como o famciclovir (Famvir), or valacyclovir (Valtrex). Como não há
uma cura conhecida para o cobreiro, o tratamento se concentra na diminuição
da dor. Um analgésico pode aliviar a sensação de queimação. O aciclovir e
outros antivirais semelhantes administrados oralmente provaram diminuir o
progresso e a gravidade da doença em muitos casos, além de reduzir a
probabilidade de neuralgia pós-herpética.

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Educação e Saúde Módulo III

Alguns médicos receitam medicamentos esteróides para diminuir a


inflamação do nervo. Para serem eficazes, os esteróides devem ser tomados
logo após o início do cobreiro. O tratamento à base de esteróides geralmente
não é recomendado para as pessoas com doença subjacente, pois os
esteróides podem interferir na resistência à infecção.
A prevenção da infecção também é importante. Banhos em água morna (não
quente) ajudam a aliviar e limpar a pele. Se a coceira for grave, os pacientes
devem cortar as unhas e usar luvas enquanto estiverem dormindo para que
não cocem inconscientemente.
Procurar atendimento médico imediato pode diminuir a possibilidae de
neuralgia pós-herpética.

Hidrosadenite Supurativa é uma doença mal estudada da


pele que afecta as áreas das glândulas do suor (apocrinas) e os foliculos do
cabelo; como as axilas, nádegas, virilhas e sob os peitos nas mulheres.
A doença manifesta-se com conjuntos de abcessos ou de fervuras
crônicas, às vezes tão grandes quanto bolas de basebols, que são
extremamente dolorosos ao toque e podem persistir por anos com períodos de
inflamação, culminando na drenagem, deixando frequentemente as feridas
abertas que não fecham. A drenagem fornece algum alivio da dor, dor da
pressão, dor do dia a dia.
Os abcessos podem ser provocados pelo estresse, por mudanças
hormonaisl (tais como ciclos menstruais nas mulheres), pelo calor úmido e pela
fricção da roupa. As lesões persistentes podem conduzir à formação de
intervalos dos túneis que conectam os abcessos sob a pele. Neste estágio a
cicatrização completa não é geralmente possível, e a progressão da doença na
área é inevitável. As ocorrências de infecções bacterianas e de celulite
(inflamação profunda do tecido) são prováveis nestes locais. A dor de HS pode
ser difícil de controlar. Embora HS seja considerada uma doença rara, sua taxa
de incidência é estimada tão altamente quanto 1 em 300 povos.
HS apresenta-se em três estágios:
1. Alguns pequenos locais com inflamação rara; pode ser confundido pelo
acne.
2. As inflamações frequentes restringem o movimento e requerem uma
pequena cirurgia.
3. Inflamação dos locais do tamanho de esferas de golf, ou às vezes
baseballs; tornam-se cicatrizes, incluindo intervalos subcutâneos da
infecção.Obviamente, os pacientes neste estágio podem ser incapazes
de funcionar.

Causas
Porque esta doença é mal estudada, as causas são controversas e os
peritos discordam. Entretanto, os indicadores potenciais incluem:

59
Módulo III Educação e Saúde

Após a puberdade
As mulheres são mais prováveis do que os homens
Predisposição genética
Obstruída glândula apócrina (suor) ou folículo do cabelo
Suar em excessivo
Infecção bacteriana
Ligado a algumas condições de deficiência auto-imune
Disfunção do Androgênio hormonas
Doenças genéticas que alteram a estrutura da célula
A Hidrosadenite Supurativa não é contagiosa!

Complicações graves
A não descoberta, não diagnosticada, ou não tratada, as fístulas do
estágio-3 severo HS, pode conduzir ao desenvolvimento do cancro escamoso
das células no ânus ou noutras áreas afectadas.
HS abscessos pode desenvolver Cellulitis, Sepsis ou Septicemia. Qual
em casos graves pode causar morte.

Tratamentos
Os tratamentos podem variar, dependendo da apresentação e da
severidade da doença. Devido ao pobre estudo desta doença, da eficácia das
drogas e das terapias ―apresentadas em baixo‖, ainda não está clarificado, e os
pacientes devem discutir todas as opções com seu médico ou dermatologista.
Segue-se uma lista dos tratamentos que são eficazes para alguns pacientes.
Mudanças na dieta
Aqueça compressas, banhos (para induzir a drenagem)
Injeções nas lesões de corticosteroides (para reduzir a inflamação)
antibióticos orais (para tratar a inflamação e a infecção bacteriana). A
maioria de culturas feitas em lesões de hs volta negativo para bactérias,
assim que os antibióticos devem ser usados somente quando uma
infecção bacteriana foi confirmada por um médico.
Isotretinoina, uma prescrição oral para o tratamento da acne (os
benefícios para HS são muito controversos)
Extensa excisão local (com ou sem pele para enxerto), ou cirurgia laser
radioterapia
Terapia do antiandrogeno
injeção subcutânea ou infusão intravenosa de drogas anti-inflamatórias
(anti-tnf-alfa). Este uso destas drogas não pôde atualmente ser aprovado
em todos os países e é controverso.

Hipomelanose é uma alteração dermatológica caraterizada pela


redução da cor normal da pele.
Também pode ser definida como uma forma de hipocromia. Difere do

60
Educação e Saúde Módulo III

vitiligo onde há uma acromia (ausência da pigmentação). Existem diversas


causas de hipomelanose; contudo, a principal causa é a hipomelanose solar,
i.e., causada pela exposição crônica ao sol. Caracteriza-se por pequenas
manchas esbranquiçadas de tamanho que varia de 1mm a 2 cm,
principalmente localizados nos braços e pernas.

Ictiose é uma doença dermatológica congênita causada por


uma anomalia no processo de regeneração da pele, pêlos e unhas.
A ictiose é um distúrbio cutâneo hereditário comum, caracterizado por
pele ressecada e escamosa. Ictiose comum; doença da escama de peixe;
ictiose vulgar.

Causas, incidência e fatores de risco:


A ictiose é um dos distúrbios cutâneos hereditários raros. Pode se
manifestar em crianças pequenas, antes dos 4 anos de idade. Na maior parte
dos casos, um dos pais e metade do número das crianças serão afetados. É
normal a ictiose desaparecer na fase adulta, mas pode voltar a se manifestar
na velhice.
A ictiose se apresenta na forma de pele seca e escamosa. Normalmente
a manifestação ocorre de forma mais grave nas pernas, mas também pode
atacar os braços, as mãos e o tronco, em alguns casos. O aparecimento de
linhas finas na palma da mão está associado a ictiose.
O distúrbio é mais notado no inverno. Pode ser acompanhado de
dermatite atópica, ceratose pilosa (pequenas protuberâncias na parte posterior
dos braços) ou outros distúrbios cutâneos.

O impetigo é uma infecção cutânea superficial, mais comum


em crianças, causada principalmente pelo microorganismo Staphylococcus
aureus e Streptococcus.
A infecção pode afetar qualquer segmento da pele. A face e as mãos são
os locais mais comuns. Pode decorrer da contaminação de lesões ou
ferimentos preexistentes na pele, isto é, uma infecção secundária. Um
ferimento mal higienizado favorece o desenvolvimento de infecções
bacterianas em geral, incluindo o impetigo. Clinicamente existe a forma bolhosa
e a não bolhosa. Na primeira se formam pequenas bolhas, que após
romperem-se formam crostras. Na forma não bolhosa do impetigo geralmente
se manifesta com crostas melicéricas (que lembram a cor do mel).
Os principais agentes causadores do impetigo são as bactérias
estreptococos e em segundo, os estafilococos. O Streptococcus pyogenes está

61
Módulo III Educação e Saúde

cada vez mais freqüente nas lesões de impetigo. A diferença entre as duas está
no modo de manifestação da doença.
A infecção por estreptococos apresenta inicialmente uma lesão
inflamatória, com a região avermelhada e posteriormente secreção purulenta,
evoluindo para crostas; a infecção provocada por estafilococos produz mais
secreção purulenta e apresentam bolhas, o que a caracteriza como impetigo
bolhoso. Contudo, esta regra nem sempre é verídica.
O tratamento que deve ser iniciado tão logo apareçam os primeiros
sintomas, mas antes disso, lembra, o melhor remédio é a prevenção. Lavar
bem a ferida corte ou lesão, usar anti-sépticos, e antimicrobianos locais.
Para aqueles casos já disseminados, os médicos podem recomendar o
uso de antibióticos. Esse procedimento, no entanto, deve ser acompanhado por
um médico que irá identificar o agente causador determinando qual a melhor
forma de tratamento.
O diagnóstico é clínico. Para casos atípicos ou resistentes é indicado
que se faça uma cultura (em laboratório especializado) para que seja
identificado o microorganismo e juntamente já se faz a seleção do(s)
antibiótico(s) apropriados ao tratamento.

A larva migrans cutânea (LMC), dermatite serpiginosa ou


dermatite pruriginosa, conhecida popularmente como bicho geográfico, é
uma série de manifestações patológicas causada geralmente por parasitas
específicos do intestino delgado de cães e gatos que eventualmente atingem o
homem.
As larvas infectantes deixam marcas parecidas com um mapa na pele do
homem devido à sua migração e conseguem avançar de 1 a 2 cm por dia na
pele.
A larva possui distribuição cosmopolita, no entanto apresenta maior
incidência em regiões subtropicais e tropicais. Trata-se de manifestações
patológicas onde as espécies envolvidas só sobrevivem um período no
hospedeiro anormal, sem completar a totalidade do ciclo evolutivo.
A LMC é causada por estágios larvais das espécies de Ancylostoma
braziliense e Ancylostoma caninum.
Menos frequentemente, a LMC pode ser causada por larva de Uncinaria
stenocephala, Ancylostoma tubaeforrne, Gnathostorna spinigerurn (também
parasitas de cães e gatos), cepas de Strongyloides stercoralis ajustadas a cães
e gatos, Bunostornurn phlebotomum (parasitas de bovinos), Strongyloides
myopotami (de roedores) e Strongyloides procyones (de canídeos silvestres).
Larvas de moscas do gênero Gasterophilus e Hipoderma e formigas da
espécie Solenopis geminata também podem provocar o mesmo conjunto de
manifestações patológicas.

62
Educação e Saúde Módulo III

A infecção é dada pelo contato da pele com as larvas L3 infectantes.


Apesar de estas serem comuns nas areias das praias, os ovos progridem em
qualquer terreno que lhes garanta calor e umidade suficientes para virarem
larvas. Por isso, também são freqüentemente encontrados em outros locais
onde cães e gatos defecam, como montes de areia de construção.
Quando as pessoas pisam ou sentam em locais infestados, as larvas
tratam de perfurar a pele superficialmente e começam a caminhada que abrirá
verdadeiros túneis na pele da vítima. Infectam notadamente as crianças, que
têm a pele fina.

Manifestações clínicas
No momento em que entram no organismo às vezes não causam
nenhuma alteração perceptível, mas podem provocar eritema e prurido. No
local em que as larvas penetram, inicialmente surge uma lesão
eritemopapulosa, que se transforma em lesão vesicular.
Por estar em pele humana, a larva não consegue se aprofundar para
atingir o intestino (o que ocorreria no cão e no gato), e caminha sob a pele
formando um túnel tortuoso e avermelhado. Mais comum em crianças, as
lesões são geralmente acompanhadas de muita coceira.
Os locais mais comumente atingidos são os pés, pernas, braços, mãos,
antebraços e nádegas, e mais raramente a região da boca. Pode ocorrer como
lesão única ou múltiplas lesões. Devido ao ato de coçar é freqüente a infecção
secundária das lesões.

Tratamento
Estrutura química do tiabendazol. Em casos benignos de LMC,
geralmente não é necessária a utilização de medicamentos. Todavia, em casos
em que a infecção dure mais tempo esta é a droga de escolha para aplicação
tópica.
Dependendo da extensão da doença, o tratamento pode ser feito por via
oral para os casos mais extensos, ou pelo uso de medicação tópica (pomadas
dermatológicas) nos casos mais brandos. Quando a infestação é pequena o
tratamento pode ser feito apenas com pomadas específicas, mas geralmente
não é necessário utilizar qualquer medicamento. No caso de infestações
maciças ou em que o medicamento local não funcione, faz-se o tratamento por
via oral.
O medicamento de escolha aplicado por via tópica contém como
princípio ativo o tiabendazol. Em infecções múltiplas e mais persistentes, ele é
associado ao tiabendazol por via oral. Têm sido utilizados também albendazol e
ivermectina via oral para tratamento de LMC. Esse tratamento pode provocar
efeitos colaterais como náuseas, diarreia, anorexia, dor de cabeça, tontura e
alergia, e sua segurança durante a gravidez não foi estabelecida.
Caso o paciente tenha alergia a essas medicações, utilizam-se
alternativamente neve carbônica ou cloretila, que matam a larva pela baixa
temperatura.

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Módulo III Educação e Saúde

Leishmaniose cutânea é a forma mais comum de leishmaniose.


Trata-se de uma infecção da pele causada por um parasita unicelular e
transmitida por uma picada de Mosquito-palha. Há cerca de vinte espécies de
Leishmania que podem causar leishmaniose cutânea.
A distribuição de leishmaniose cutânea é muito fortemente ligado à
geografia. Algumas espécies Leishmania estão intimamente ligados aos seres
humanos e, portanto, enquanto alguns são mais tradicionalmente associados
com espécies animais e são, portanto, consideradas zoonoses (por exemplo,
grandes L.). Algumas espécies que são tradicionalmente considerados
zoonótica (por exemplo, L. panamensis) mas podem se tornar principalente
doenças humanas.

Leishmaniose mucocutânea
A leishmaniose mucocutânea é a mais temida forma de leishmaniose
cutânea, uma vez que produz lesões destrutivas e desfigurantes do rosto. É, na
maior parte das vezes, causada por Leishmania braziliensis, mas casos
causados por L. aethiopica também foram descritos, embora raros.
O tratamento para a leishmaniose mucocutânea é com a combinação de
pentoxifilina e um antimonial pentavalente em alta dose por trinta dias: este
atinge taxas de cura de 90%. O tratamento com antimonial pentavalente uma
falha em sua própria para curar até 42% dos doentes , mesmo nos doentes
aparentem-se curados, 19% sofrem uma recaída.

Diagnóstico
O diagnóstico é baseado na aparência característica de lesões,
escalando as lesões que podem tornar-se úlceras e secundariamente
infectados com organismos, tais como Staphylococcus aureus.

Líquen plano (Lichen planus) é uma doença que afeta


mucosa e pele e apresenta natureza inflamatória crônica, incidindo em cerca
de 2% da população e acometendo de maneira mais usual mulheres acima dos
40 anos de idade.
As lesões orais são mais frequentes que as cutâneas e mais resistentes
ao tratamento e, em geral, associam-se ao estresse. O aspecto bucal é
variado, podendo as lesões estar disposta de modo linear, anulares ou
reticulares, fazendo com que se assumam diferentes formas clínicas: forma
erosiva, forma reticular, forma atrófica, forma bolhosa, forma de placa e forma
papular.

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Educação e Saúde Módulo III

Tratamento
O tratamento consiste apenas no controle da sintomatologia dolorosa
através do uso de corticosteróides de uso local à base de pomadas ou
soluções na forma de colutório. Deve-se proservar o paciente e se tiver
qualquer alteração clínica na lesão, deve-se proceder à biópsia para analisar
possível transformação malígna.

Lupus vulgaris é a forma mais comum de tuberculose


cutânea e afeta normalmente pessoas que tiveram contanto prévio com o
Mycobacterium tuberculosis. Constitui-se de lesões dolorosas na pele com
aparência nodular, mais frequentemente na face em torno do nariz, pálpebra,
lábios, bochechas e ouvidos. As lesões podem se desenvolver na forma de
uma úlcera cutânea se não tratadas.

Melasma é uma distúrbio pigmentar da pele caracterizada por


manchas escuras na pele. Ocorre principalmente no rosto, mas pode ocorrer
em outros segmentos do corpo. Ocorre mais frequentemente em mulheres.
Acontece em cerca de dez por cento nos homens. Quando as manchas
aparecem na gravidez, dá-se o nome de cloasma. Melasma é uma
consequência de aumento de melanina na pele.
Clinicamente o melasma se carateriza por manchas acastanhadas na
pele sem sintomas, podendo acontecer simetricamente (nos dois lados da
face). Deve ser considerado um distúrbio crônico, com tratamento e prevenção
contínuos. Porém, existem casos onde o melasma desaparece após tratamento
e controle adequados.

Causas
O melasma é causado por vários fatores, com destaque para
características genéticas, alterações hormonais, tais como gravidez, uso de
anti-concepcionais, entre outros. Contudo é fundamental a presença da
radiação ultravioleta e, em menor intensidade, o infravermelho. Esta radiação é
fornecida pelo sol e fontes de calor. A câmara de bronzeamento também é uma
fonte.
O aumento na pigmentação decorre da hiperproliferação e/ou
hiperfunção do melanócito, célula responsável pela produção do pigmento
cutâneo (melanina). Ele não causa nenhum problema interno, mas assim como
estrias, é queixa estética frequente na Dermatologia.
Existem três tipos de melasma: superficial, profundo e misto; sendo os

65
Módulo III Educação e Saúde

dois últimos os mais difíceis de tratar.

Prevenção
Evitar se expor muito ao Sol, e usar filtros solares são duas formas de
proteção, principalmente para gestantes. O uso de maquiagens deve ser feito
com cuidado, verificando se o produto não causa maior absorção de luz solar e
aumento na pigmentação da pele nas áreas de aplicação da substância,
principalmente em pessoas alérgicas e durante a gravidez.
O cloasma pode não ser permanente, desaparecendo gradualmente
com o fim da gravidez sem nenhuma ação da gestante. Os tratamentos para
acabar com as manchas podem resolver o problema de forma lenta e
progressiva. O paciente pode optar também por um bronzeamento artificial.
Existem inúmeras formas de tratar o melasma, mas o sucesso depende do
acompanhamento dermatológico regular e da conscientização do paciente nos
fatores de prevenção. Durante a gravidez, o tratamento é mais suave, a fim de
não prejudicar o feto.

Tratamento
Existem diversas opções no manejo do melasma. Seu médico
dermatologista irá saber indicar a melhor opção. Contudo, habitualmente é um
tratamento prolongado. A pedra fundamental no sucesso é evitar a radiação
solar e o uso frequente de um filtro solar de qualidade.

Micose é o nome genérico dado a várias infecções causadas


por fungos. Existem cerca de 230 mil tipos de fungos, mas apenas 100 tipos
aproximadamente que causam infecção. Visto que os fungos estão em toda a
parte, é inevitável a exposição a eles. Em condições favoráveis (como
ambientes com muita umidade e calor excessivo), os fungos se reproduzem e
podem dar origem a um processo infeccioso que, dependendo do fungo ou da
região afectada, pode ser superficial ou profundo.
Micoses superficiais - Nesse tipo de micose, os fungos se localizam na parte
externa da pele, ao redor dos pêlos ou nas unhas, alimentando-se de uma
proteína chamada queratina. A micose superficial mais comum é a frieira(tinea
pedis) ou ―pé-de-atleta‖, que atinge a pele entre os dedos, geralmente dos pés.
Ela pode vir acompanhada de uma infecção bacteriana. Em alguns casos a
cura pode demorar vários meses. A onicomicose (infecção fúngica da unha)
também é extremamente frequente na população adulta, particularmente nas
unhas dos pés. A Pitiríase versicolor, conhecida vulgarmente como pano
branco, é uma micose superficial causada pela levedura Pityrosporum ovale.
Micoses profundas - Incluem-se neste grupo infecções fúngicas que afetam a
profundidade da pele ou subcutâneas (por exemplo, Esporotricose e
Cromomicose) e aquelas que se instalam em órgãos internos (por exemplo,
Blastomicose, Criptococose). Na micose subcutânea normalmente a infecção
fica restrita à pele. Enquanto na micose profunda propriamente dita, os fungos

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Educação e Saúde Módulo III

se espalham através da circulação sanguínea e linfática. Podem infectar a pele


e órgãos internos como pulmões, intestinos, ossos e até mesmo o sistema
nervoso.
Contágio
Algumas formas comuns de se contrair uma micose:

Contato com animais de estimação

Em chuveiros públicos

Lava-pés de piscinas e saunas

Ao andar descalço em pisos úmidos ou públicos

Uso de toalhas compartilhadas ou mal-lavadas

Equipamentos de uso comum (botas, luvas)

Uso de roupas e calçados de outras pessoas

Uso de alicates De cutículas, tesouras e lixas não-esterilizadas

Contato com material contaminado em geral.

Usando roupas umidas por tempo prolongado.

Uso de sapatos fechados

Prevenção

Alguns procedimentos diminuem o risco de se contrair uma micose,


dentre eles:

Sempre use sandálias;

Evite andar descalço em pisos úmidos;

Nunca use toalhas compartilhadas, especialmente se estiverem úmidas


ou mal lavadas;

Após o banho enxugue-se bem, principalmente nas áreas de dobras,


como o espaço entre os dedos dos pés e virilha

Use sempre roupas íntimas de fibras naturais como o algodão, pois as


fibras sintéticas prejudicam a transpiração

Verifique se os objetos de manicure, como alicates, tesouras e lixas são


esterilizados. Melhor ainda se tiver um de uso exclusivo seu

Em contato prolongado com detergentes, use luvas e enxague as mãos


toda vez que usar esponja

Evite utilizar pentes ou escovas de cabelo de outras pessoas

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Módulo III Educação e Saúde

Evitar uso de roupas molhadas

Tratamento
Existem medicamentos rápidos, eficazes e seguros para o tratamento de
micose. Mas, apesar de ser um tratamento simples, exige persistência, porque
é comum pensar que o fungo está eliminado, quando na verdade não está.
Portanto, o paciente não deve interromper o tratamento quando se sentir
melhor. Deve seguir corretamente o tratamento indicado pelo médico ou
farmacêutico.

Mixedema é uma desordem de pele e tecidos causada


geralmente por um hipotireoidismo severo prolongado. Nesta desordem ocorre
a destruição do parênquima tireoidiano. Ocorre com freqüência cinco vezes
maior nas mulheres que nos homens.
As características de mixedema são:
Edemas (inchaço) na face, nas pálpebras formando "bolsas" sob os
olhos. Por razões ainda não explicadas, quantidades muito aumentadas de
ácido hialurônico e condroitinossulfato ligados as proteínas forma um gel
tecidual nos espaços intersticiais. Estes sintomas são reversiveis quando a
pessoa é submetida a tratamento com reposição hormonal.

A onicomicose é uma infecção fúngica que atinge as


unhas, tanto das mãos quanto dos pés.
É possível adquirir a infecção ao caminhar por solos contaminados, em
lugares públicos, e também ao usar objetos contaminados e sujos (alicate de
unhas, etc...).
O tratamento é longo. Os medicamentos usados, na maioria das vezes
são pela via per os, pois a camada queratinizada da unha é de difícil
penetração.

Paracoccidioidomicose cutânea é uma infecção causada pelo


Paracoccidiodes brasiliensis.
Exclusiva da América Latina, produz uma micose com úlceras na
mucosa da boca e do nariz em cerca de 30 % dos pacientes com
paracoccidioidomicose.

68
Educação e Saúde Módulo III

Tipos de lesão
Nos pacientes com a forma aguda da doença, as lesões tendem a ser
múltiplas, espalhando-se pela face, couro cabeludo, tórax e membros
superiores. Começam como pequenas pápulas eritematosas, transformando-se
em nódulos ou placas eritematovioláceas, até atingir a forma de lesões
ulcerocrostosas, com vários centímetros de diâmetro.
Em geral, essas úlceras são circulares, têm bordas pouco elevadas e
fundo granuloso recoberto com exsudato fibrinopurulento. Quando múltiplas
lesões em vários estágios estão presentes simultaneamente.
Na forma crônica da micose, as lesões localizam-se mais na face,
especialmente na região dos lábios e nariz, em alguns casos atingindo
pálpebrs e orelhas. Nessa forma as lesões formam placas elevadas, com
verrugas ou úlceras.
A lesão sarcoídica, possivelmente causada por hipersensibilidade a
antígenos do fungo, tem aspecto de placas pouco elevadas, bem delimitadas e
tonalidade eritematoviolácea.

Pelagra é uma doença causada pela falta de niacina (ácido


nicotínico ou vitamina B ou vitamina PP) e/ou de aminoácidos essenciais, como
o triptofano. É conhecida por seus três sintomas que começam com a letra D.
São eles: o aparecimento de uma cor escura na pele (Dermatite), que fica seca
e áspera e mais tarde provoca o aparecimento de crostas.

Piedra preta é um tipo de micose causada por fungos que


resultam formações nodulares irregulares nos pêlos do couro cabeludo, barba,
bigode, pêlos axilares e pêlos pubianos. Os nódulos são duros, de cor
castanha-escura, firmemente aderidos aos pêlos. É causada pelo fungo
demácio ascomiceto Piedra hortae. As estruturas que formam o nódulo são
denominadas de ascocarpo e são feitas de diversas estruturas de reprodução
sexuada.

Isolamento, cultura e identificação.


O isolamento é feito utilizando-se ágar Sabouraud-dextrose-
cloranfenicol. Em 25 °C, a cultura apresenta crescimentos lentos, variando de
dez a quinze dias. Além disso, é aderente ao meio de cultura, marrom-escuro a
preto, com forma cônica. A região central da colônia é elevada e cerebriforme e
as regiões distantes do centro são planas. Pigmentações ferrugem podem ser
também observadas. Ao olhar ao microscópio, notam-se hifas septadas

69
Módulo III Educação e Saúde

escuras, parede grossa, clamidoconídeos intercalares e células irregulares


tumefeitas.

A pitiríase alba é uma doença muito comum de causa desconhecida.


Seus sintomas, manchas brancas que descamam, surgem após grande
exposição ao sol.

A Pitiríase rósea tem causa desconhecida. A maioria dos casos


costuma ocorrer durante o outono e inverno e sua cura ocorre
espontaneamente em um período de 2 a 4 semanas. A doença não é
considerada contagiosa.

Características clínicas
A doença se inicia pelo "medalhão", lesão primária, isolada, com cerca
de 2 a 5 cm de tamanho, precedendo em alguns dias o surgimento de uma
erupção cutânea formada por manchas circulares ou ovais, avermelhadas
(róseas) e com descamação em suas bordas (a descamação pode ser
observada esticando-se a pele). Atinge principalmente o tronco e a raiz dos
membros, sendo rara nas extremidades e na face. Em alguns casos infecções
de vias aéreas superiores precedem o aparecimento da doença. Ela é curada
pelo próprio organismo após o período de aproximadamente 2 a 4 semanas
podendo ir até ás 10 semanas(dependendo do caso e da cicatrização de seu
atual hospedeiro).
A intensidade e o número de lesões varia muito, e uma característica
importante é a distribuição das lesões no tronco, que seguem a direção das
costelas, adquirindo, com a coluna vertebral um aspecto que lembra um
"pinheiro". Geralmente não há sintomas, e inicia-se com manchas maiores em
determinadas zonas (virilhas) passando a outras a zonas superiores do corpo
excluíndo a cabeça, pode haver comichão em alguns casos. É importante
descartar a possibilidade de sífilis secundária, através de exames.

Tratamento
A Pitiríase rósea cura-se espontaneamente, mas algumas terapias
podem ser instituídas para abreviar a duração da doença, principalmente nos
casos mais intensos ou acompanhados de coceira. O diagnóstico e escolha do
tratamento devem ser determinados pelo médico dermatologista.
É recomendado, durante o período da doença, o uso de sabonetes
infantis, roupas preferencialmente de algodão e produtos hidratantes que não
agridam a pele. Os hidratantes devem ser aqueles recomendados pelo médico
dermatologista. É também recomendado que os pacientes evitem exposição ao

70
Educação e Saúde Módulo III

sol, evitem banhos quentes e o uso excessivo de sabonete que pode agravar o
quadro.

Propionibacterium acnes é uma espécie de bactéria que se alimenta da


secreção produzida pelas glândulas sebáceas e que quando em contacto com
os póros epiteliais promove a inflamação dos folículos pilosos, causando lesões
vulgarmente conhecidas como "espinhas" ou acne. O genoma da bactéria foi
sequenciado e um estudo mostrou diversos genes que podem gerar enzimas
degradantes para a pele e as proteínas que podem ser imunogênico (ativar o
sistema imunológico).
Esta bactéria é largamente comensailista na parte da flora da pele
presente na pele da maioria das pessoas, e vive em ácidos graxos nas
glândulas sebáceas em sebo secretado por poros. Também pode ser
encontrado em todo o trato gastrintestinais em humanos e muitos outro animal.
Sua denominação advém da capacidade que possui de gerar ácido propiônico.

Queimadura química é a condição que resulta da exposição


de um tecido vivo a uma substância corrosiva, com destaque para os produtos
com elevada causticidade.

Rinofima é o termo que descreve uma afecção do nariz que se


caracteriza por um aspecto inchado, bulboso e grosseiro, causado por uma
infiltração granulomatosa originada pela progressão da acne rosácea.
Atribui-se equivocadamente ao alcoolismo a sua causa, embora não
haja dúvida de que contribua com seu agravamento. Seu nome é calcado a
partir dos termos gregos rhis ('nariz') e phyma ('crescimento'). O diagnóstico do
rinofima dispensa exames laboratoriais, mas frequentemente recorre-se a
biópsias.
O rinofima progride de forma lenta devido à hipertrofia das glândulas
sebáceas da extremidade do nariz que costuma ocorrer nos casos de acne
rosácea não-tratados; não é porém uma neoplasia. Apresenta-se como uma
massa rosada lobulada sobre o nariz, com dilatação vascular superficial, e
ocorre mais frequentemente em homens após a meia-idade. Os pacientes
costumam procurar conselho médico devido à aparência repulsiva, ou à
obstrução das vias respiratórias ou da visão. O tratamento consiste na excisão
do tecido com bisturi ou com laser de dióxido de carbono para recuperação do
epitélio. Em casos mais graves o tecido é completamente removido e a região

71
Módulo III Educação e Saúde

é submetida a um implante de pele.

Sarna ou escabiose é uma infecção parasitária da pele


causada pelo ácaro Sarcoptes scabiei.
É transmitida pelo contacto directo entre pessoas, pelo
compartilhamento de roupas (apenas 2 casos, em humanos), contacto íntimo
(não necessariamente sexual). É uma doença comum em seres humanos e
não deve estar associado com falta de higiene, apesar de ser mais comum em
ambientes lotados (academias, hospitais) e pouco higiénico.
Não pode ser considerada uma DST, pois a transmissão pode ocorrer
em qualquer situação ou ambiente que propicie o contacto com o ácaro. A
transmissão através de outros contactos físicos não-sexuais (como um aperto
de mão ou um abraço) é bem mais rara, embora seja possível. A doença pode
também ser transmitida entre mãe e filho através da amamentação.
Normalmente o contágio se dá a partir de um outro ser humano.
O ácaro é capaz de perfurar e penetrar a pele em questão de minutos.
Isso leva a uma coceira intensa, associada a lesões de pele causadas pela
penetração do ácaro e pelas coçaduras. Às lesões, seguem-se infecções
secundárias que podem ser bem mais graves, especialmente em pacientes
portadores de HIV ou outras doenças imunológicas.
As áreas preferenciais de infecção são os punhos, as axilas, o ventre, as
nádegas, os seios e os órgãos genitais masculinos.
A sarna é uma afecção dermatológica e algumas delas são zoonoses
(ou seja, podem ser transmitidas dos animais de estimação como cão e gato
para os seres humanos). As mais conhecidas, no mundo veterinário, são a
sarna demodécica ( "sarna negra", causada pelo ácaro Demodex canis) e a
sarna sarcóptica , ou também conhecida como "escabiose" (causada pelo
ácaro Sarcoptes scabiei). Em menor escala, existe ainda a sarna terceróide
(causada pelo platelminto Tricoloris arrudai) que ocorre apenas em uma região
específica do nordeste brasileiro.
As lesões podem ser locais ou generalizadas. A forma generalizada
normalmente ocorre em cães idosos com doenças sistêmicas ou após
tratamento com drogas imunossupressoras.

Características clínicas

Humanos
Áreas alopécicas na região da face, membros ou dorso.Eritema
(vermelhidão), pústulas ("bolhas", vesículas), hiperpigmentação, escamas,
colaretes epidérmicos. Prurido intenso devido a açao a perfuraçao da epiderme
pelo acaro juntamente com produtos do metabolismo do parasito e a ação de
sua saliva; crostas salientes quando em grande quantidade.

72
Educação e Saúde Módulo III

Diagnóstico
Raspado de pele em áreas alopécicas corado com potassa revela o
ácaro Demodex canis. Otoscopia revela: eritema e secreção ceruminosa
abundante seguido de parasitológico de cerúmen. Exame histopatológico :
utilizado para fechar o diagnóstico em cães da raça Shar pei, que apresentam
muita mucina, o que dificulta a visualização do ácaro.Este é o exame de
eleição para shar pei.Em casos de pododermatite também, devido à
hiperqueratose.
Dermatofitose e Piodermites, que são pruriginosas.

Tratamento
Banhos semanais com peróxido de benzoíla 2,5 %. Amitraz (Triatox®)
diluir 4 mL em 1 L de água. Cuidado com efeitos hipoglicemiantes e outros
adversos. Em caso de piodermite tratar antes de inciar o amitraz. OU
ivermectina (Ivomec®) – 0,6 mg/Kg SID 3 meses. Contra indicado para: Collie,
Border Collie, Pastor de Shetland, Old english sheepdog. OU Milbemicina
(Interceptor®) – alternativa para as raças que não podem usar a ivermectina.
0,5 mg/Kg SID.

Alta do paciente
Só após 3 raspados negativos consecutivos. A primeira reavaliação é
feita em 8 semanas.
A sarna sacóptica, ou escabiose é uma zoonose além de poder ser
transmitida entre os humanos infectados.
É altamente pruriginosa, ou seja, a coceira é intensa. As lesões incluem:
eritema, crostas hemorrágicas e escoriações. Há alopecia. O diagnóstico é
igual ao da demodécica, porém em casos de suspeita de escabiose em
animais, realiza-se o teste do reflexo otopedal, se positivo confirma-se
escabiose.(atritar a orelha do animal levemente e o mesmo irá mexer a pata
traseira na tentaiva de coçar a orelha.)
Todos os contactantes, animais e seres humanos, mesmo que
assintomáticos devem ser tratados. Dar banhos por 3 dias consecutivos e mais
4 banhos semanais com shampoos acaricidas (tetraetiltiruram por exemplo) e
aplicar ivermectina por exemplo. Outras drogas podem ser utilizadas, assim
como na demodécica.

Prevenção
Ter uma boa higiene diária e lavar sempre a roupa quando se teve em
contacto com alguém infestado.

O saturnismo, ou plumbismo é o nome dado à intoxicação pelo


chumbo. Ela afeta milhões de pessoas em todo o mundo como resultado da
poluição ambiental, além de outras espécies, como as aves . Em humanos, as

73
Módulo III Educação e Saúde

principais fontes de intoxicação são as tintas que contém chumbo, baterias de


automóveis, pilhas, soldas, e emissões industriais.
Em humanos, a intoxicação pode levar a quadro clínico evidente ou a
alterações bioquímicas mais sutis. Os sintomas mais comuns são dores
abdominais severas, úlceras orais, constipação, parestesias de mãos e pés e a
sensação de gosto metálico. O exame físico pode demonstrar a presença de
uma linha de depósito de chumbo na gengiva e neuropatia periférica. Outras
alterações incluem anemia (por porfiria secundária e inibição da medula
óssea), disfunção renal, hepatite e encefalopatia (com alterações de
comportamento, redução no QI).

A Síndrome de Sturge-Weber, às vezes chamada


angiomatose encefalotrigeminal, é uma doença extremamente rara, congênita,
neurológica e também é uma desordem de pele. É uma facomatose, e é
freqüentemente associada com glaucomas, manchas de coloração vinhosa,
ataques apopléticos, retardamento mental e angioma leptomeningeal ipsilateral.
É causada por uma má-formação artério-venosa que acontece num dos
hemisférios do cérebro, do mesmo lado dos sinais físicos descritos acima.
Normalmente, só um lado da cabeça é afetado.
É um anomalia embrionária desenvolvente que resulta de erros
mesodérmicos e do desenvolvimento ectodérmico. Diferente de outas
desordens neurocutâneas (facomatoses), Sturge-Weber não tem nenhuma
tendência hereditária, mas acontece esporadicamente.

Sintomas
A Síndrome de Sturge-Weber é indicada no nascimento por ataques
apopléticos acompanhados por uma marca de nascença em forma de mancha
na testa e pálpebra superior de um lado da face. A cor da mancha pode variar
do cor-de-rosa à púrpura, e é causada por uma superabundância de vasos
capilares ao redor da filial oftálmica do nervo trigeminal, sob a superfície da
face.
Também há má formação de vasos sanguíneos na pia-máter do cérebro,
do mesmo lado da cabeça que a marca de nascença. Isto causa calcificação
do tecido e perda de células do nervo no córtex cerebral.
Sintomas neurológicos incluem ataques apopléticos que começam na
infância e podem piorar com a idade. Convulsões normalmente acontecem no
lado do corpo oposto à marca de nascença, variando em severidade.
Pode haver fraqueza no músculo do mesmo lado. Algumas crianças
terão demoras no desenvolvimento e retardamento mental; a maioria terá
glaucoma (aumento da pressão dentro do olho) que pode estar presente no
nascimento ou pode se desenvolver depois. Pressão aumentada dentro do olho
pode causar o aumento e inchaço do globo ocular. A síndrome de Sturge-

74
Educação e Saúde Módulo III

Weber raramente afeta outros órgãos do corpo.

Tratamento
O tratamento para síndrome de Sturge-Weber é sintomático. Tratamento
de laser pode ser usado para remover a marca de nascença. Podem ser
usados medicamentos anticonvulsantes para controlar ataques apopléticos. Os
médicos recomendam monitorar anualmente a presença de glaucoma, e
cirurgias pode ser executadas em casos mais sérios. Terapia física deve ser
considerada para as crianças com fraqueza muscular.

Prognóstico
Embora seja possível a marca de nascença e a atrofia no córtex cerebral
estarem presentes sem mais sintomas, a maioria das crianças desenvolverá
ataques apopléticos convulsivos durante o primeiro ano de vida. Há uma maior
probabilidade de prejuízo intelectual quando ataques apopléticos começarem
antes do segundo ano de vida, sendo estes pacientes mais resistentes a
tratamento.

A tinea nigra é uma micose superficial rara, de ocorrência


nas áreas tropicais e subtropicais.
A doença tem maior incidência em pessoas do sexo feminino. A doença
geralmente apresenta-se assintomática, com manifestações clínicas
apresentadas como lesões em forma de mácula, aparecendo como uma
mancha escura mais freqüentemente observadas na planta do pé ou na palma
da mão, podendo aparecer em outras partes do corpo.

Agente etiológico
Exophiala werneckii
Exophiala werneckii é um fungo que produz melanina, dando ao
microorganismo uma cor preta.

Diagnóstico e Tratamento
A tinea nigra é uma micose de fácil diagnóstico.O procedimento
diagnóstico é feito com exame microscópico por meio de cultura de material
obtido pelo raspado da pele lesionada, na qual cresce o fungo.

Diagnóstico Clínico
Deve ser colaborado, melanoma, pigmentação exógena (nitrato de prata,
corante). A confirmação da infecção fúngica faz-se por meio do exame
micológico direto que revela hifas demáceas. O tratamento consiste
basicamente na remoção do microorganismo, feita por meio do uso
ceratolíticos, os quais são substâncias que provocam a lise da queratina. No
tratamento tópico utiliza-se HgCl2(1:2000), ácido salicílico, ácido benzóico,
enxofre a 3%, formalina a 2%. Tratamento: iodo e agentes ceratinofílicos

75
Módulo III Educação e Saúde

O tumor de Merkel é um tipo de câncer de pele raro e mortal


que atinge na maior parte das vezes pessoas idosas e aquelas cujo sistema
imunológico está enfraquecido pelo vírus HIV, ou ainda por tratamentos para
evitar a rejeição de um transplante de órgão.

Unha encravada - O nome científico da "unha encravada" é


onicocriptose, ocorre quando a borda lateral da unha fere a pele adjacente. As
causas mais prováveis são o corte de maneira incorreta das unhas e sapatos
apertados. Ocorre mais comumente nas unhas dos pés mas também
raramente afeta as mãos. O dedo mais atingido é o hálux, o dedão do pé.

Prevenção
A maneira correta de cortar as unhas é aparar apenas a borda anterior
da placa ungueal (unha) e jamais cortar suas bordas laterais. Se as bordas
laterais forem deformadas, as irregularidades criadas pelo corte incorreto
associadas à pressão do sapato, ao peso corpo e ao sentido do crescimento da
unha farão com que haja lesão da pele circunvizinha. Deve-se evitar também
cortar as unhas muito curtas, deixá-las retas em sua borda anterior, não tentar
"arredondar" o corte em direção às bordas laterais.

Sinais e sintomas
Se não tratada, pode formar um granuloma piogênico, onde existe um
acúmulo de pus, e a pele ao redor fica inflamada (dor, rubor, calor e edema).

Vitiligo é uma doença não-contagiosa em que ocorre a perda da


pigmentação natural da pele.
Sua etiologia ainda não é bem compreendida, embora o fator autoimune
pareça ser importante. Contudo, estresse físico, emocional, e ansiedade são
fatores comuns no desencadeamento ou agravamento da doença.
Patologicamente, o vitiligo caracteriza-se pela redução no número ou função
dos melanócitos, células localizadas na epiderme responsáveis pela produção
do pigmento cutâneo — a melanina. A doença pode surgir em qualquer idade,
sendo mais comum em duas faixas etárias: 10 a 15 anos e 20 a 40 anos.
Essa despigmentação ocorre geralmente em forma de manchas brancas
(hipocromia) de diversos tamanhos e com destruição focal ou difusa. Pode
ocorrer em qualquer segmento da pele, inclusive na retina (olhos). Os locais

76
Educação e Saúde Módulo III

mais comuns são a face, mãos e genitais. Os pêlos localizados nas manchas
de vitiligo se tornam esbranquiçados. O local atingido fica bastante sensível ao
sol, podendo ocorrer sérias queimaduras caso exposto ao sol sem protetor,
conferindo um risco para o desenvolvimento de câncer de pele.

Prognóstico
A princípio, o vitiligo é um distúrbio crônico. Existem vários tipos clínicos
de vitiligo, cada qual com prognóstico próprio. Porém, dependendo do seu tipo
clínico, pode haver regressão espontânea ou a partir de tratamento médico. O
vitiligo pode permanecer focal indefinidamente ou se generalizar.

Tratamento
Existem inúmeras opções terapêuticas para o vitiligo, a saber:
corticosteróides, trioxsaleno, imunomoduladores, helioterapia, PUVA e enxertos
cirúrgicos. Esteróides têm sido usados para remover as manchas brancas,
porém não são muito eficientes. Outro tratamento mais radical é tratar
quimicamente para remover todo o pigmento da pessoa para que a pele fique
mais uniforme.
As terapias psicológicas também têm mostrado bons resultados, uma
vez que há uma ligação intrínseca entre estresse e a saúde da pele.

A xantelasma (também chamada de xanteloma) é uma


doença da pele que se apresenta como um conjunto de pequenas bolsas
amareladas ligeiramente salientes, situadas nas pálpebras e constituídas por
depósitos de colesterol. É um indicador importante de insuficiência hepática,
por desregulação do metabolismo lipídico.

Tratamento
O tratamento visa a destruição ou remoção das lesões. Pode ser através
da aplicação de substâncias cáusticas para a cauterização química,
eletrocoagulação, laser ou retirada cirúrgica com fechamento por sutura
(pontos). A escolha do tipo de tratamento vai depender da extensão das lesões
e de cada caso, devendo ser indicado pelo dermatologista.

RELAÇÃO ENTRE PELE E DOENÇAS SEXUALMENTE TRANSMISSÍVEIS


Nosso corpo funciona como uma grande equipe: quando algum membro
tem um problema, todo o organismo sofre. E costuma dar sinais de que existe
algo errado. Esses sinais podem aparecer em várias áreas, inclusive na pele.
Muita gente não sabe, mas é bem comum que indicativos das famosas
doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) se manifestem na pele - nos
órgãos genitais ou até mesmo em regiões próximas a eles.

77
Módulo III Educação e Saúde

Devido ao aparecimento de sintomas como esses várias DSTs podem


ser detectadas em consultório, com um simples "exame de olho". Porém,
―outras vezes, a lesão sugere a doença, que é confirmada por exames de
laboratório‖.
Apesar de existirem sinais que denunciam certas doenças com maior
clareza, os mais comuns são coceira e dor na área genital. E nem sempre uma
simples coceira significa contaminação. Ela pode ser provocada por suor em
excesso e fricção nas assaduras.
No entanto, o ideal é procurar ajuda quando aparecem úlceras (feridas)
genitais, tumores na virilha, pequenas vesículas (bolhas com conteúdo líquido),
verrugas na região genital, corrimentos vaginais ou uretrais.
Algumas doenças sexualmente transmissíveis e os respectivos sintomas:
Herpes simples - produz vermelhidão, vesículas e úlceras na pele que,
inicialmente, apenas coçam e depois se tornam doloridas nas áreas genitais. A
doença é transmitida de uma pessoa para outra pelo contato das áreas
genitais.
Verrugas genitais (Vírus do Papiloma Humano - HPV) - o HPV causa lesões
na forma de verrugas, lembrando uma pequena couve-flor, que crescem em
tamanho e número e são transmitidas pelo contato de uma pessoa a outra.
Certos tipos de HPV podem produzir lesões enegrecidas ou da cor da pele e
podem estar associadas ao câncer de colo de útero. As verrugas são tratadas
por métodos cirúrgicos ou químicos e podem reaparecer após o tratamento, o
que requer várias visitas ao dermatologista ou ginecologista.
Molusco contagioso - produz pequenas pápulas amareladas brilhantes, que
se espalham pela pele. O molusco pode aparecer isoladamente em indivíduos
adultos saudáveis, tornando-se persistentes e até mesmo se espalhar. Existem
muitos tratamentos efetivos, incluindo, curetagem, criocirurgia e medicações
tópicas.
Chato ou piolho pubiano - são pequenos parasitas que infectam os pelos
pubianos e causam prurido ao botar pequenos ovos no folículo piloso. A
infestação continua até ser tratada com medicação que mata os parasitas.
Higiene adequada é necessária para eliminar o problema e prevenir o retorno
da infecção.
Escabiose - causada por um parasita microscópico que se esconde sob a pele
e causa vermelhidão, pontos avermelhados e coceira severa. Ele se espalha
por contato físico, não necessariamente sexual, devendo ser tratado com
medicações que matam esses animais.
Clamídia - é uma infecção que pode causar a saída de uma secreção da
vagina ou pênis, mas que também pode não apresentar sintomas, tornando-a
indetectável. Sem sintomas, a infecção pode rumar para uma doença
inflamatória pélvica em mulheres, dificultando a gravidez. Se uma mulher com
clamídia engravidar, o recém-nascido pode ser infectado.

78
Educação e Saúde Módulo III

Gonorreia - pode ser assintomática, mas também pode produzir uma descarga
de secreção amarelada da vagina ou pênis, provocando uma sensação de
queimação durante a micção e podendo causar doença inflamatória pélvica e
esterilidade em mulheres.
Sífilis - causa úlceras não dolorosas, mais frequentemente nos genitais e na
boca. São lesões avermelhadas que podem evoluir se não forem tratadas.
Sífilis pode afetar o coração, vasos sanguíneos, cérebro e sistema nervoso.
Uma criança pode se tornar infectada durante a gravidez.

Prevenção

Utilizar sempre a camisinha (preservativo);

Procurar o médico sempre que surgir alguma lesão nos órgãos sexuais.
Mulheres devem ir anualmente ao ginecologista para fazer exame
médico e papanicolau;

Evitar compartilhar roupas íntimas e ter higiene sexual;

Não compartilhar agulhas e seringas, uma vez que DSTs também


podem ser transmitidas pelo sangue.

79
Módulo III Educação e Saúde

3. RADIAÇÃO E NUTRIÇÃO

A radiação UV faz parte da luz solar que atinge a Terra. Ao atingir nossa
pele, os raios UV penetram profundamente e desencadeiam reações imediatas
como as queimaduras solares, as fotoalergias (alergias desencadeadas pela
luz solar) e o bronzeamento. Provocam também reações tardias, devido ao
efeito acumulativo da radiação durante a vida, causando o envelhecimento
cutâneo e as alterações celulares que, através de mutações genéticas,
predispõem ao câncer da pele.
A radiação UV que atinge a Terra se divide em radiação UVA e UVB (os
raios UVC não atingem a Terra):

Radiação UVA
Maior parte do espectro ultra violeta, a radiação UVA possui intensidade
constante durante todo o ano, atingindo a pele praticamente da mesma forma
durante o inverno ou o verão. Sua intensidade também não varia muito ao
longo do dia, sendo pouco maior entre 10 e 16 horas que nos outros horários.
Penetra profundamente na pele, sendo a principal responsável pelo
fotoenvelhecimento. Tem importante participação nas fotoalergias e também
predispõe a pele ao surgimento do câncer. O UVA também está presente nas
câmaras de bronzeamento artificial, em doses mais altas do que na radiação
proveniente do sol.

80
Educação e Saúde Módulo III

Radiação UVB
Sua incidência aumenta muito durante o verão, especialmente nos
horários entre 10 e 16 horas quando a intensidade dos raios atinge seu
máximo. Os raios UVB penetram superficialmente e causam as queimaduras
solares. É a principal responsável pelas alterações celulares que predispõem
ao câncer da pele.

Considerações importantes
1. Apenas os raios UVB causam as queimaduras solares portanto, o fato
de você não ter ficado vermelho, não significa que sua pele não sofreu a
ação danosa da radiação UV, porque o UVA não causa queimaduras
mas danifica a pele. Aquele sol de inverno que pareceu não causar
problemas porque você não se queimou nada, na verdade também está
prejudicando sua pele favorecendo, principalmente, o seu
envelhecimento, da mesma forma que as câmaras de bronzeamento
artificial.
2. A quantidade de UVA emitida por uma câmara de bronzeamento pode
chegar a ser 10 vezes maior que a da luz solar. Pode-se imaginar o
dano causado à pele por este tipo de tratamento. Dano este que só vai
aparecer com o passar dos anos. O uso destas câmaras para
bronzeamento deve ser evitado apesar das alegações de que não fazem
mal à pele. Elas provocam o envelhecimento precoce e predispõem ao
surgimento do câncer da pele.
3. O FPS representa apenas a proteção contra o UVB. Alguns filtros
solares já trazem também o fator de proteção contra o UVA.
4. EVITAR OS HORÁRIOS ENTRE 10 E 15 HORAS. Este é o pior horário
para se expor ao sol devido à grande intensidade da radiação UVB,
principal causadora do câncer da pele. Se você tem que se expor ao sol
neste horário, proteja-se intensamente com protetores solares de FPS
alto, use chapéus, roupas e barracas. Quem tem a ganhar é você.

Efeitos da R-UV sobre a pele


As reações da pele humana à exposição à R-UV podem ser
classificadas como agudas (imediatas) ou crônicas (a longo prazo). As reações
agudas, como queimaduras, bronzeamento e produção de vitamina D, se
desenvolvem e desaparecem rapidamente; enquanto as crônicas, como
fotoenvelhecimento e câncer de pele, têm aparecimento gradual e de longa
duração. A diferença entre ambas reações se deve, principalmente, ao histórico
de exposição da pessoa e a diferentes comprimentos de onda da R-UV, uma
vez que a R-UVB é cerca de 1000 vezes mais ―agressiva‖ do que a R-UVA.

81
Módulo III Educação e Saúde

Essa diferença faz com que a R-UVA tenha uma contribuição de somente 15 a
20% na quantidade de energia responsável pela queimadura.

Queimaduras
A queimadura, ou eritema é a principal reação da pele à exposição
excessiva aos raios solares. O avermelhamento da pele é resultado do
aumento do fluxo de sangue, devido à dilatação dos vasos sanguíneos mais
superficiais. Para exemplificar as características do ciclo de uma queimadura
solar, tomemos o exemplo de uma pessoa branca durante um ―banho de sol‖
de 20 a 30 minutos próximos ao meio-dia, num dia de céu limpo. Neste caso,
os primeiros sinais de vasodilatação ocorreriam logo após os primeiros minutos
de exposição. Porém, esses primeiros sinais só poderiam ser observados com
instrumentos mais sensíveis que o olho humano. De maneira geral, nesta
situação, os efeitos visíveis surgem após cerca de quatro horas da exposição,
atingindo seu máximo após 8 a 12h e desaparecendo após 1 ou 2 dias.
Períodos maiores de exposição ao Sol, principalmente durante os meses de
verão, podem antecipar o aparecimento do eritema, aumentar sua intensidade
e prolongar seu período de permanência na pele. Altas doses de R-UV também
podem provocar edemas, bolhas e descascamento da pele após alguns dias.
Além do tempo de exposição, o fenótipo é outro fator que influencia o
aparecimento de queimaduras solares. Indivíduos com a pele mais clara têm
maior facilidade para desenvolver um processo eritematoso do que indivíduos
morenos ou negros. A cor dos olhos, cor dos cabelos e a presença de sardas
também são fatores importantes na determinação da susceptibilidade de um
indivíduo às queimaduras solares.
TIPO REAÇÕES DA PELE À RADIAÇÃO SOLAR EXEMPLOS

Sempre se queima, facilmente e de maneira severa Pele muito clara, olhos azuis,
I (queimadura dolorosa); nunca se bronzeia; a pele sardas, cabelos loiros ou ruivos;
sempre se descasca. a pele não-exposta é branca.

Pele clara, olhos claros ou


Geralmente se queima facilmente e de maneira severa
castanhos, sardas, cabelos loiros
II (queimadura dolorosa); bronzeamento inexistente ou
ou ruivos; a pele não-exposta é
muito fraco; também descasca.
branca.

Queima moderadamente e apresenta bronzeamento Média dos caucasianos; a pele


III
médio. não-exposta é branca.

Pessoas com a pele branca ou


morena, cabelos e olhos
Mínima queimadura, bronzeia-se facilmente e acima da castanhos escuros
IV média em cada exposição; geralmente exibe reações de (mediterrâneos, mongolóides,
IPD (immediate pigment darkening) orientais, hispânicos, etc..); a
pele não-exposta é branca ou
morena.

V
Raramente se queima, bronzeia-se facilmente e Mulatos e mestiços (ameríndios,

82
Educação e Saúde Módulo III

substancialmente; sempre exibe IPD índios, hispânicos, etc.)

Nunca queima e se bronzeia abundantemente; sempre Negros; a pele não exposta é


VI
exibe IPD negra

A sensibilidade eritêmica também varia de acordo com a parte do corpo


humano. O rosto, pescoço e o tronco são de duas a quatro vezes mais
sensíveis do que os membros. Essas diferenças anatômicas se referem a
quantidade média de energia UV recebida pelo corpo, na vertical, quando em
exposição à radiação solar. Outros fatores como a idade, alimentação,
condições de saúde, condições atmosféricas (umidade, calor e vento) também
exercem influência sobre o desenvolvimento do eritema.

Bronzeamento
A produção de melanina pode ser facultativa ou constitutiva. A produção
facultativa ocorre nas situações de excesso de exposição ao Sol e o caso
constitutivo se refere à pigmentação natural, determinada por fatores genéticos
ou raciais, e determinante para a caracterização das diferentes colorações de
pele nos seres humanos. No caso da exposição excessiva ao Sol, podem
ocorrer dois tipos distintos de bronzeamento. O primeiro deles é o
bronzeamento imediato, um escurecimento transitório da pele induzido pelas
radiações UVA e visível. O escurecimento da pele se torna evidente após 5 a
10 min de exposição e desaparece após uma ou duas horas. Esse tipo de
bronzeado não é muito comum e alguns estudos sugerem que os mecanismos
predominantes para o surgimento são alterações nos processos fotoquímicos
de produção da melanina. A forma mais familiar de bronzeamento é aquele que
se inicia após um ou dois dias da exposição, aumenta nos dias seguintes e
perdura por semanas ou meses. Após a exposição ao sol, há um aumento da
atividade da enzima tirosinase e do número de melanócitos em funcionamento.
Estes fatores colaboram para a formação de novas quantidades de melanina e,
consequentemente, do aumento do número de grânulos de melanina por toda
epiderme. Embora essa cobertura de pigmentos ofereça um grau moderado de
proteção, não se pode dizer que a mesma constitui um mecanismo efetivo para
proteger a pele humana, principalmente entre indivíduos de pele branca.

Foto-envelhecimento
Os sinais do envelhecimento precoce causado pela exposição ao sol
são: o ressecamento da pele, rugas e marcas profundas, perda da elasticidade
e a pigmentação excessiva de cores e formas variadas.
Estas características são sintomas que refletem mudanças relevantes na
estrutura da derme. A maioria dos dermatologistas aponta que cerca de 80%
das razões do foto-envelhecimento de uma pessoa, com exceção daquelas que
exercem atividades diárias sob o sol, é fruto da exposição excessiva aos raios
UV até os 20 anos de idade. Embora a R-UVB seja extremamente nociva ao

83
Módulo III Educação e Saúde

ser humano, a R-UVA, por penetrar até camadas mais profundas da pele, é a
principal responsável pelo foto-envelhecimento.

Produção de vitamina D3 (colecalciferol)


Uma das funções benéficas da R-UV sobre a pele humana é a
capacidade de sintetizar a vitamina D3. O processo de formação dessa
vitamina se inicia na conversão, pela R-UVB, do 7-dehidrocolesterol, presente
na epiderme, em pré-vitamina D3. A pré-vitamina se isomeriza em vitamina D3
num processo controlado pela temperatura da pele e que se finaliza em até três
dias. Pequenos períodos de exposição ao sol já são suficientes para
desencadear o processo de formação dessa vitamina. Em países tropicais,
como o Brasil, cerca de 15 minutos de exposição das mãos, braços e face
entre as 9 e as 16h, já são suficientes para a regular a produção. A vitamina D3
age sobre os ossos, glândulas paratireóides, rins e intestino; regulando o
metabolismo da função osteoblástica (produção óssea) e da secreção de PTH
(hormônio paratireóide). É essencial para evitar o raquitismo em bebês e
crianças.

Sardas
Também conhecidas como efélides, são manchas cuja distribuição dos
pigmentos melânicos costuma ser homogênea, embora possa ter a borda
irregular. A presença das sardas se acentua em períodos de grande exposição
ao Sol. Apesar de não representarem risco de transformação para o
melanoma, a existência de uma grande quantidade de sardas pode indicar o
hábito de exposição ao Sol em excesso, principalmente se tratar de pessoas de
pele clara. Muito semelhantes às sardas, as manchas senis costumam surgir
em pessoas idosas, principalmente no rosto, antebraço e costas das mãos.
Esse tipo de mancha também não apresenta maiores riscos à saúde.

Pintas
No jargão médico as pintas são denominadas nevos (do latim: defeito,
marca) melanocíticos. Os nevos podem existir desde o nascimento
(congênitos) ou aparecerem no decorrer da vida (adquiridos), apresentando
diferentes tamanhos, como os pequenos (até 1,5 cm), médios (entre 1,5 e 20,0
cm) e gigantes (superiores a 20,0 cm). Alguns nevos atípicos, cujas dimensões
são maiores, podem indicar um fator de predisposição para o aparecimento de
melanomas.

Cânceres de pele
Carcinoma espinocelular: Forma de câncer não-maligno, comumente
denominado câncer não-melanoma, originário dos queratinócitos ou dos
anexos da epiderme. Pode ter vários aspectos como pápulas ou lesões

84
Educação e Saúde Módulo III

verrucosas. O tratamento geralmente é cirúrgico com verificações de possíveis


metástases e formações de gânglios.
Carcinoma basocelular: Outro tipo de câncer não-melanoma. É formado por
blocos de células neoplásicas (tumorais) semelhantes às da camada basal da
epiderme ou de seus anexos. Este tipo de doença apresenta aspectos
morfológicos distintos do espinocelular, possuindo crescimento lento,
demorando meses ou até anos para ser diagnosticado. Pode se apresentar
como alterações de pigmentação ou ulcerações, e que podem ser eliminadas
através de procedimento cirúrgico.
Melanoma cutâneo: É uma neoplasia maligna cutânea que se origina nos
melanócitos ou células névicas, possui crescimento rápido, grande potencial de
metástase e que pode ser fatal. Apresenta-se como uma mancha de contornos
irregulares, em diferentes tons de castanho e negro. O tratamento deste tipo de
enfermidade é essencialmente cirúrgico, precedido por exames
histopatológicos para que se determine a profundidade da invasão e as
eventuais possibilidades de metástase.
A principal forma de prevenção deste, e de qualquer outro tipo de câncer de
pele, é o cuidado na exposição ao sol, principalmente durante a infância e
adolescência. Algumas lesões de pele são eventuais precursoras dos
melanomas como os nevos melanocíticos congênitos gigantes e os adquiridos
durante a infância e a adolescência; nevos displáticos (com desenvolvimento
anormal) com bordas e cores irregulares, adquiridos até a idade adulta; e o
lentigo maligno que aparece nos idosos.

Auto Exame
Examinar sua própria pele em uma área bem iluminada e com auxílios
de um espelho grande e outro espelho de mão. Procure observar o corpo
atentamente, não se esquecendo nem das plantas de seus pés e dando
atenção especial para o COURO CABELUDO, ORELHAS, NARIZ, OLHOS E
LÁBIOS (a parte interna e a externa). Usar o espelho de mão para inspecionar
suas nádegas e outras áreas que você não pode ver. Informar qualquer
alteração ao dermatologista. Este tipo de exame é um dos métodos mais
eficazes para se descobrir muitos tipos diferentes de problemas de pele e deve
ser repetido a cada três meses.
Com respeito ao melanoma, é particularmente importante lembrar-se da
regra do ABCD.
“A” é para “Assimetria” - dividir a pinta em 4 partes e observar se há ou não
simetria entre elas. Lesões irregulares são suspeitas e lesões arredondadas ou
circulares são comumente benignas.
“B” é para “Borda” - bordas irregulares ao invés de lisas sugerem alterações
anormais. Atenção para saliências ou irregularidades nas bordas. Estas devem
ser imediatamente analisadas por um dermatologista.

85
Módulo III Educação e Saúde

“C” é para “Cor” – cores marrom, dourado, negro, cinza ou vermelho na


mesma mancha são suspeitas. Diferentes tonalidades da mesma cor também
chamam a atenção.
“D” é para “Diâmetro” - você precisa estar atento a qualquer pinta, sarda, ou
mancha de pele maior que 6mm. Pintas que estão aumentando de diâmetro
devem ser vistas pelo seu dermatologista.
Sinais mais óbvios de problemas de pele são manchas que coçam,
queimam ou sangram. Algumas verrugas ou manchas de tamanho
considerável (6 milímetros ou maior), precisamos prestar uma cuidadosa
atenção para a saúde de pele, consultar um dermatologista pelo menos uma
vez ao ano. Como quase todo câncer, quanto mais cedo é detectado, maiores
são as chances de cura.

NUTRIÇÃO E PELE

A saúde da pele está associada a uma boa alimentação, que fornece


nutrientes responsáveis para dar elasticidade, integridade e brilho natural à
pele, dessa forma, uma alimentação desequilibrada é capaz de deixar a pele
com aspecto sem vida.
Um dos problemas mais comuns relacionados à pele é a acne que tem
inúmeras causas, entre elas as alterações hormonais. Uma alimentação
equilibrada associada a um estilo de vida saudável podem ser aliados para
amenizar estes problemas, portanto abaixo seguem algumas orientações que
podem auxiliar na redução da oleosidade da pele:

Ingerir uma quantidade adequada de proteínas, pois estas atuam na


recuperação de tecidos do organismo, equilibrando e favorecendo o
crescimento celular;
Beber cerca de dois litros de água por dia, pois o consumo deste líquido
controla os níveis nutricionais sanguíneos e favorece a absorção dos
nutrientes necessários ao equilíbrio celular;
Ingerir diariamente frutas e folhas devido a quantidade de fibras que
estes alimentos contem. As fibras auxiliam o funcionamento do intestino
ajudando a eliminar as toxinas do organismo.
Evitar o excesso de gorduras, pois o consumo destas aumenta
claramente a oleosidade da pele, favorecendo o surgimento da acne.
Consumir nozes e óleos vegetais, pois estes possuem vitamina E, que
agem diretamente na integridade da pele.

86
Educação e Saúde Módulo III

Ingerir grãos integrais, feijão, legumes e carnes magras. Estes alimentos


são fontes de vitaminas do complexo B, que atuam na regulação da
produção de sebo das glândulas sebáceas, deixando a pele mais
sequinha.
Consumir vegetais alaranjados e de cor verde escura, pois estes
alimentos são fontes de beta caroteno. Este nutriente se converte em
vitamina A no organismo e atua na constituição da pele.
É importante também o consumo diário de alimentos que contém
vitamina C, pois esta é responsável pela constituição e manutenção do
epitélio.

87
Módulo III Educação e Saúde

4. COSMETOLOGIA E NOÇÕES DE ESTÉTICA

Cosmetologia é a área da ciência farmacêutica que pesquisa,


desenvolve, elabora, produz, comercializa e aplica produtos cosméticos.
Estuda os recursos de tratamento e embelezamento natural baseado no uso de
produtos, substâncias e embalagens, denominados genericamente de
cosméticos de aplicação externa e superficial.

Características
Os produtos cosméticos são utilizados para o tratamento da pele, cabelo
e unhas e também o tratamento de pés, mãos, aplicação de unhas artificiais,
penteados, lavagem de cabelo, aplicações cosméticas, remoção de pêlos,
relaxamento capilar ou alisamentos, assim como permanentes apliques e
perucas e design de sobrancelhas. O licenciado em cosmetologia denomina-se
cosmetologista.
Um cosmetologista, por vezes chamado de especialista em beleza ou
―esteticista‖, é um profissional que se especializa em dar tratamentos de
embelezamento. Os clientes desses tratamentos são em geral mulheres, mas
há um número cada vez maior de homens que fazem uso desses serviços. Um
cosmetologista geral é perito em todas as formas de cuidados de beleza,
podendo fazer tratamentos capilares, faciais, de pele e unhas e até
massagens.

Funções
A cosmetologia tem três funções principais:

Função decorativa - Também denominada estética visa promover um


aperfeiçoamento na aparência do local onde o produto é aplicado.

Função conservadora - É aquela relacionada com a proteção da pele e


seus anexos diante dos efeitos de radiação, umidade, calor, frio intenso
e outros de caráter físico.

Função corretiva - É aquela relacionada com o produto cosmético com


finalidade de corrigir pequenas imperfeições relacionadas à estrutura

88
Educação e Saúde Módulo III

orgânica da pele e seus anexos. Além disto também pode ser usada
para o equilíbrio de pequenas alterações funcionais ou fisiológicas.

COSMÉTICOS E SUAS AÇÕES SOBRE A PELE


A cosmetologia atualmente vem ganhando notoriedade, pois o simples
enfoque estético começa a ganhar a ótica médica, o cosmético, tem como
finalidade tratar a pele de maneira a prevenir a sua deterioração e
reestabelecer o seu equilíbrio fisiológico quando este for passível de uma
alteração. O cosmético deve limpar, corrigir, proteger e embelezar a pele e
anexos.
A pele é o maior órgão do corpo humano e um dos mais complexos,
exercendo uma função principal de proteção e revestimento. A pele protege o
corpo contra agressões do meio ambiente e funções sensoriais (calor, frio,
pressão, dor, tato), além de ter um importante papel na regulação térmica,
defesa orgânica e controle do fluxo sanguíneo. Os pêlos, unhas e cabelos
constituem os seus anexos.
É importante lembrar que o termo cosmético deve se limitar aos
produtos com ação superficial, sem caráter terapêutico, não penetrando na
estrutura celular ou fazendo sinergia com o sistema circulatório. Qualquer ação
em profundidade sobre a pele e anexos, com produtos que alteram a estrutura
celular, passa ao domínio médico e deve ser visto como medicamento.
A camada córnea da pele contém aproximadamente de 10 a 20% de
água e o seu grau de hidratação decorre do equilíbrio entre a água fornecida
(endógena ou exógena) e as perdas por evaporação. A película hidrolipídica da
superfície da pele, emulsão formada pelo sebo cutâneo, suor e seus
componentes têm papel importante na retenção da água. Certos produtos,
devido aos seus componentes ou formulação, permitem diminuir os problemas
relacionados com a desidratação da pele. Quando saudável e hidratada, a pele
apresenta um aspecto brilhante e de plasticidade. Uma pele desidratada perde
suas propriedades biomecânicas, biológicas e, sobretudo estéticas, pois o seu
aspecto torna-se opaco, áspero, sem elasticidade e com tendência a
descamação.
A desidratação da pele pode ser evitada diminuindo-se ou evitando-se
as agressões externas ou utilizando produtos que corrigem e restabelecem o
equilíbrio biológico.
A busca de novas matérias-primas para o desenvolvimento de
formulações cosméticas, cada vez mais compatíveis e inócuas aos diferentes
tipos de pele, bem como o avanço e a perspectiva de novos ativos com
finalidades dermocosméticas, têm sido uma constante por parte dos
farmacêuticos, químicos, dermatologistas e da indústria de cosméticos.
Segundo a farmacêutica industrial, os produtos de beleza e tratamento
cosmético dividiam-se tradicionalmente em dois grupos: os extraídos de fontes
naturais e aqueles obtidos por síntese. Hoje se sabe que a maior parte das
substâncias utilizadas na formulação de cosméticos pertence ao grupo dos

89
Módulo III Educação e Saúde

"produtos naturais modificados" que embora obtidos na natureza, foram


modificados estruturalmente para apresentar propriedades mais atenuantes ou
menos tóxicas.
Inúmeras são as substâncias empregadas nas formulações cosméticas
para atenuar ou proteger a pele contra as agressões e envelhecimento mas a
cosmetologia não passaria de um álibi, uma mera ilusão, se os fatores
intrínsecos e extrínsecos como exposição ao sol, tabagismo, alimentação,
sedentarismo físico e intelectual não forem controlados e evitados. Além do
envelhecimento cutâneo intrínseco, geneticamente determinado, os fatores
extrínsecos são determinantes, especialmente a radiação solar responsável
pelo fotoenvelhecimento.
A pele envelhecida intrinsicamente apresenta-se delgada, pouco elástica
e finamente enrugada, com acentuação das linhas de expressão do rosto. Já a
pele fotoenvelhecida se caracteriza histologicamente, pela displasia
epidérmica, com vários graus de atipia citológica, infiltrados inflamatórios,
redução do colágeno e elastose (degradação do material elástico). Portanto, o
envelhecimento intrínseco da pele resulta em atrofia, enquanto o
fotoenvelhecimento em hipertrofia. Esta distinção nem sempre é clinicamente
evidente, mas nos casos ideais nota-se um envelhecimento intrínseco da pele
com rugas finas, enquanto a pele fotoenvelhecida apresenta um enrugamento
grosso e sulcado.
Os especialistas enfatizam que o reconhecimento de que a proteção
solar pode reduzir ou até reverter os efeitos do fotoenvelhecimento da pele
levou à inclusão de filtros solares nas preparações de bronzeadores, bases
faciais, hidratantes, shampoos e batons. O desempenho de um protetor solar
depende da concentração do filtro solar e de sua capacidade de permanecer
na pele.
Geralmente os filtros solares disponíveis não bloqueiam a energia
luminosa entre 320 e 400 nm, conhecidos como região de raios ultravioleta-A
(UVA). Os filtros solares entretanto absorvem 95% da radiação UV dentro dos
comprimentos de onda 290 a 320 nm (espectro dos raios ultravioleta-B / UVB),
também conhecido como região de queimadura solar, pois estes comprimentos
de onda da energia luminosa produzem eritema e enrugamento cutâneo.
Os retinóides, como por exemplo a tretinoína, também podem reverter
as modificações cutâneas fotoinduzidas. A tretinoína é um dos vários derivados
da Vitamina A e demonstrou transformar a epiderme atrófica trazendo uma
melhora do aspecto cutâneo rugoso. Entretanto não melhora o enrugamento
associado às linhas de expressão facial. A pele do rosto tratada com tretinoína
também apresenta novas sínteses de colágeno das papilas dérmicas, novas
formações de vasos sanguíneos e esfoliação do estrato córneo acumulado.
Ainda se desconhecem os efeitos da tretinoína sobre o envelhecimento
intrínseco. Vários graus de eritema e dermatites são comuns em pacientes
tratados com tretinoína, nas primeiras duas a seis semanas. Este efeito irritante
(ardor, prurido e descamação) costuma desaparecer com o passar do tempo e
com a descontinuidade da aplicação. A tretinoína é fotoinativada e aumenta a
fotossensibilidade cutânea, de forma que a sua aplicação é recomendada à
noite. Os pacientes também devem usar protetores solares. Os resultados

90
Educação e Saúde Módulo III

podem ser percebidos a partir de 4 meses em pacientes que usam tretinoína


tópica diariamente.
O rejuvenescimento facial é hoje uma realidade, alcançada através dos
peelings químicos e aplicação de Laser (Light accumulated by stimuleted
eletron radiation) que diferentemente da cirurgia plástica, que objetiva
aumentar ou reduzir tecidos cutâneos, promovem um aspecto jovem e mais
natural para a pele.
O peeling pode ser definido como um processo no qual se utilizam
diversos agentes capazes de promover uma descamação das camadas
superficiais da pele, ativando mecanismos biológicos que estimulam a
renovação e o crescimento celular desde as camadas mais profundas da pele.
Resultado disso é uma pele mais saudável, lisa, uniforme e rejuvenescida.
O peeling químico, utilizando ácido glicólico ou retinóico tem mostrado
resultados muito satisfatórios na melhoria da textura e aparência da pele
danificada pelo sol. Outros produtos como ácido salicílico ou ácido
tricloroacético também são utilizados em peelings superficiais e de média
profundidade, respectivamente.
Os alfa-hidroxiácidos são também chamados de ácidos frutais devido à
sua obtenção a partir de fontes naturais como a maçã, uva, cana-de-açúcar e
frutas cítricas. Embora utilizados há centenas de anos como agentes
hidratantes e refrescantes da pele, os alfa-hidroxiácidos foram recentemente
empregados no tratamento da acne, pele fotoenvelhecida, pigmentação e em
rugas finas.
Este grupo de ácidos orgânicos, em especial o ácido glicólico, quando
usado regularmente, age como esfoliante, promovendo uma remoção de
corneócitos (células mortas) da camada superior da epiderme e permitindo que
células mais jovens que emergem a superfície, facilitando a penetração de
outros princípios ativos associados a ele.
Existem diversos produtos no mercado contendo alfa-hidroxiácidos em
baixas concentrações e que são seguros para uso domiciliar. Soluções muito
concentradas de ácido glicólico, no entanto só devem ser aplicadas pelo
Dermatologista, com rigoroso controle sobre o tempo de exposição à pele. Por
se tratar de um leve esfoliante, vários tratamentos podem ser requeridos até
que se atinja os resultados esperados.
O peeling com ácido glicólico é bastante seguro, não requer afastamento
do indivíduo de suas atividades regulares e ao contrário do ácido retinóico,
raramente causa sensibilidade à luz solar, vermelhidão ou irritação na pele.
Existem algumas contra-indicações ao uso do peeling com ácido glicólico para
os pacientes portadores de herpes, eritemas persistentes, cicatrizes
hipertróficas, gestantes e em pele negra.
Os efeitos secundários relacionados ao emprego de cosméticos e
produtos para cuidados pessoais são raros se considerarmos o grande número
de pessoas que entram em contato com as mais variadas substâncias
utilizadas nestes produtos. A dermatite de contato irritativa é o efeito colateral

91
Módulo III Educação e Saúde

mais comum induzido por cosméticos. Manifesta-se por eritemas que causam
ardor e coceira à pele, podendo apresentar microvesículas e escamação.
Trata-se de um dano ao nível do estrato córneo, sem fenômenos imunológicos.
A irritação pode ser consequência do pH das formulações ou veículos
que dissolvem o sebo protetor da pele. Além disso, a fricção ou partículas
abrasivas dos cosméticos também pode causar irritação. Uma vez danificada a
camada córnea, esta deixa de exercer a função protetora e qualquer cosmético
aplicado sobre a pele poderá causar uma irritação.
A dermatite de contato alérgica é um fenômeno imunológico, que
necessita da presença de um antígeno e de células produtoras de antígenos,
sem considerar a condição do estrato córneo protetor. Portanto, um estrato
córneo íntegro não evita o desencadeamento de uma dermatite de contato
alérgica nos indivíduos sensibilizados.
As causas mais comuns de dermatite alérgica induzida por cosméticos
são as essências, seguidas pelos conservantes. Uma outra manifestação ao
uso de cosméticos pode ser a urticária de contato, caracterizada por pápulas e
rubor após aplicação tópica de um produto químico, ou podendo ser
generalizada com reação anafilática.

NOÇÕES DE ESTÉTICA

Não existe consenso à volta do conceito de beleza. Se há quem veja a


beleza física como essencial, para outros a beleza espiritual vem em primeiro
lugar. O que para uns tem uma beleza extraordinária, para outros é
completamente indiferente. Como nos diz o povo, ―Quem feio ama, bonito lhe
parece‖.
Uma das mais concretas descrições de beleza foi feita por S. Tomás de
Aquino, que a descrevia como ―aquilo que provoca um conhecimento gozoso‖,
ou seja, a emoção que nos é provocada pelo estético.
Os padrões de beleza têm vindo a ser alterados ao longo dos tempos.
Na Grécia Antiga, o mote de corpo são em mente sã não era garantia apenas
de saúde, mas também de beleza e proporcionalidade. Se na Idade Média, as
senhoras de formas generosas eram as mais apreciadas pela sociedade, no
Renascimento a beleza baseava-se na representação do Homem de Vitrúvio,

92
Educação e Saúde Módulo III

de Leonardo da Vinci, devido à sua proporcionalidade. Nos dias de hoje, a


moda e as pressões sociais ditam regras e restrições, que podem por vezes
ser prejudicial à saúde.
Para se atingirem estes parâmetros, há quem recorra a cirurgias
estéticas ou outros métodos artificiais que vão proporcionar a beleza
pretendida e, por consequência, dar também uma sensação de conforto e de
autoconfiança que em muito pode melhorar a qualidade de vida. Mas se
existem os casos em que se recorre à cirurgia e a outros métodos para ganhar
esse conforto, outros há em que em que esse bem-estar pode ser conseguido
apenas com um corte de cabelo, um verniz das unhas ou uma massagem.

Peeling Químico

Um dos recursos para melhorar a qualidade da pele são os peelings


químicos, utilizando várias substâncias ativas, como ácido glicólico, retinóico,
tricloroacético e o fenol, entre outros, que proporcionam a esfoliação cutânea e
posterior renovação celular. Dependendo da concentração e do valor de pH em
que são empregados nas formulações, desencadeiam o peeling superficial,
médio e profundo.

Drenagem Linfática Manual- Corporal e Facial

A Drenagem Linfática Manual é uma técnica desenvolvida e


aperfeiçoada por pesquisadores, sendo descrita por movimentos efetuados
com suavidade, baixa intensidade de pressão e ritmo constante, com o objetivo
de tratar patologias diferentes reabsorvendo edema. Dentre as principais
indicações temos:

Tratamento pré e pós-operatório de cirurgia plástica (corporal e facial)

Pós-traumatismos

Insuficiência venosa

Linfedemas

Edemas no período gestacional e pré-menstrual

Tratamento para celulite

Tratamento coadjuvante da cicatriz hipertrófica ou queloideana

A técnica deve ser realizada por fisioterapeuta capacitada (o), com


conhecimento da anatomia e fisiologia do sistema linfático, visto que, existem
contra-indicações como em casos de processos infecciosos, flebites e

93
Módulo III Educação e Saúde

tromboses, insuficiência cardíaca congestiva descompensada, asma brônquica


entre outras.

Dentre seus benefícios estão:

Redução de edemas

Aumento do grau de hidratação e nutrição da célula

Aumento da velocidade de cicatrização de ferimento pelo aumento da


ascularização arterial e venosa

Aumento da capacidade de absorção de hematomas e equimoses

Melhora do retorno de sensibilidade em cirurgias plásticas

Diminuição da retenção de líquido nos tecidos, prevenindo a formação


de celulite

Produz relaxamento

Hidratação

O objetivo principal das máscaras é nutrir e balancear a pele, hidratar,


dar brilho e maciez e melhorar a elasticidade e o tônus tal como alguns cremes
faciais. A diferença é que sua aplicação é mais intensa, o que ajuda a pele a se
proteger ainda mais. O que acontece é que enquanto os ingredientes estão
agindo na pele, as células têm tempo de recompor suas umidades naturais,
afetadas pela poluição, sol, maquiagem e outros fatores externos.
Normalmente, as bases das máscaras são cremosas ou na forma de géis,
servindo como transporte para as substâncias ativas, que vão agir de modo
natural e profundo, permitindo a oxigenação da pele ao mesmo tempo em que
aceleram os processos de absorção. O tipo de ativo a ser empregado está
relacionado às deficiências de cada pele. É possível optar por adstringentes,
descongestionantes, suavizantes e emolientes que restabelecem e mantêm o
equilíbrio normal e saudável da pele.

Limpeza de pele manual

Produtos manipulados pela dermatologista para cada tipo de pele.

Etapas de tratamento

1. Anamnese - diagnóstico do tipo de pele a ser tratada.

2. Higienização - Vapor por ozônio com máscara emoliente

94
Educação e Saúde Módulo III

3. Extração de cravos e acne manualmente (luvas cirúrgicas)

4. Máscaras anti-sépticas, descongestionantes e calmantes.

5. Aplicação do filtro solar FPS, para evitar a fotossensibilização de pele.

6. Duração: 1 hora

Peeling de Diamante

É um tratamento de renovação celular que devolve a elasticidade,


clareia as manchas, diminui a oleosidade e a acne e ainda é menos agressivo
que alguns peelings químicos.O método consiste em uma microdermoabrasão
superficial, onde é usada uma ponteira diamantada que desliza sobre a pele
promovendo uma esfoliação. O principal objetivo desse peeling é refazer a
superfície da pele, reduzindo as rugas finas e diminuindo os poros que estão
dilatados.

A abrasão e esfoliação são controladas e estimula a formação de


colágeno – proteína natural da pele – que vem a ser a chave da elasticidade e
do tônus facial. É um peeling leve e retira somente uma parte da epiderme,
podendo ser usado para preparo da pele para peelings químicos ou usado
isoladamente com bons resultados.

Gravidez

Durante a gestação, o organismo da mulher sofre algumas alterações


importantes, visando o bem estar do bebê que está por vir.

Nesta fase, a mulher, além de estar sensível e suscetível a alterações


psicológicas, experimenta muitas mudanças estruturais em seu corpo.

Devido ao elevado nível de cobrança pela beleza estética e o concorrido


mercado de trabalho, as grávidas passaram a se cuidar mais e a se preocupar
com cuidados estéticos desde os primeiros momentos da gravidez até após o
parto.

Durante a gravidez, os cuidados resumem-se à: sessões de drenagem


linfática, hidratação corporal, limpeza de pele e hidratação facial.

No pós-parto, após o período da amamentação os tratamentos


convencionais estão liberados.

O primeiro trimestre da gravidez é o mais delicado de todos. Nesta fase


ocorre a formação do feto, é a fase em que ocorre a formação de todos os

95
Módulo III Educação e Saúde

órgãos. O cuidado com o uso de produtos e medicamentos é fundamental para


que não ocorram má-formações no feto. Neste período, as mudanças
estruturais ainda são discretas. Inicia-se um processo de acúmulo de líquidos e
uma leve distensão abdominal. Pode-se dar início às sessões de drenagem
linfática, mas não é recomendado drenar a região abdominal durante a
gestação, embora a circulação linfática esteja localizada num plano bem acima
do útero.

Sessões mensais de limpeza de pele e hidratação da pele também estão


recomendadas desde o início. A escolha dos produtos deve ser bem cuidadosa
e a preferência deve ser por cosméticos naturais.

O uso do filtro solar é obrigatório. As alterações hormonais da gestação


propiciam o aparecimento de manchas chamadas melasmas. São manchas
escuras em forma de asa de borboleta, localizadas principalmente na face.
Uma vez instaladas, sua remoção é bastante complicada e trabalhosa,
portanto, prevenir é o melhor remédio.

O uso de medicamentos e cosméticos deve ser discutido com o obstetra.


Uma questão muito interessante é a química nos cabelos. É um consenso geral
que ela deve ser evitada até o terceiro mês de gestação, porém muitos
obstetras liberam o seu uso a partir daí: conversar com seu médico é
fundamental, pois de repente não vai ser necessário manter incômodas
divisões de cores nos cabelos.

No segundo trimestre da gestação o bebê já está praticamente todo


formado e as mudanças corporais na futura mamãe já são maiores e mais
evidentes: ocorre o aumento do volume do abdomen, o aumento da retenção
de líquidos (inchaço de pernas e pés) e o aparecimento de varizes.

Para as varizes recomenda-se o uso de meias elásticas a partir desta


fase, pois a gestante tem uma incidência maior de apresentar trombose nas
pernas.

O eixo de equilíbrio do corpo também muda e passa a ser localizado


anteriormente, com isso, o caminhar da gestante passa a ser pendular (parece
o caminhar de um patinho) e a coluna é projetada para frente aumentando a
lordose da coluna. Por isso, além de continuar com todos os cuidados tomados
no primeiro trimestre, deve-se fazer o fortalecimento da musculatura e sessões
de RPG para melhorar a posição da coluna.

A partir desta fase deve ser feitas a estimulação da pele do abdomen e,


também a estimulação dos mamilos: a estimulação da pele do abdomen se dá
através de manobras de massagem localizada com movimentos de
pinçamentos, esta técnica visa estimular a circulação local e com isso reduzir o
aparecimento das estrias. O uso de óleo de amêndoas também deve ser feito

96
Educação e Saúde Módulo III

diariamente; creme a base de uréia, vitamina E, óleo de semente de uvas


também podem ser ótimas opções de hidratação.

Os mamilos devem ser massageados para a formação do bico e, assim


facilitar a amamentação. Cuidado: o uso de creme hidratante nos mamilos não
é recomendado, pois o creme irá tratar do mamilo, deixando-o com a pele
suave e macia. O ideal é que o mamilo fique com a pele mais grossa e
resistente, para evitar que a mamãe sofra com o aparecimento de fissuras
durante o período de amamentação. O uso de bucha de banho nos mamilos e
o banho de sol nesta área também estão recomendados.

A partir desta fase a drenagem linfática nas costas deve ser feita
lateralmente, ou seja, com a gestante deitada de lado. Além disso, para dormir,
a gestante deve permanecer deitada de barriga para cima ou de lado voltada
para a esquerda. Isso é muito importante, pois o ato de deitar do lado direito
leva a uma compressão da artéria uterina e isso acarreta uma diminuição do
batimento cardíaco do bebê.

O terceiro trimestre é o mais cansativo dos três.

O aumento do peso corporal e desequilíbrio da postura levam a um


desgaste físico grande. Nesta fase, a gestante encontra dificuldades para fazer
atividades corriqueiras como andar, dirigir, dormir e até respirar, devido à
compressão do pulmão feita pelo aumento do útero.

A preocupação com o ganho de peso é fundamental para a melhor


recuperação no pós-parto. A partir desta fase, a gestante passa a se programar
para o parto. Os cuidados estéticos do terceiro trimestre incluem sessões de
drenagem linfática com uma frequência maior, chegando até 3 vezes por
semana. Proteção solar, limpeza de pele mensal e hidratação profunda do
corpo para evitar as estrias (nesta fase ocorre à instalação delas) são
essenciais.

Os cabelos devem receber cuidados especiais como hidratação. Durante


a gestação é comum à queda de cabelo, portanto, evitar o excesso de química
está mais do que recomendado. Conversar muito com o obstetra é
fundamental.
Após o parto e após o período de amamentação os tratamentos estéticos
estão liberados, mas é preciso lembrar que a gestação é um período de
mudanças corporais, por isso é preciso entender essa fase maravilhosa e não
ser muito exigente com o corpo.

Técnicas de depilação funcionam melhor em diferentes tipos de pêlo


Depilação em dia é essencial para curtir o biquíni e as roupar curtas que
reinam no verão; técnica de remoção dos pêlos deve ser bem feita e com muita

97
Módulo III Educação e Saúde

cautela. Os médicos são unânimes em dizer que não existe uma técnica de
depilação ideal, já que tudo varia de acordo com a pele, o pêlo e a
sensibilidade de cada pessoa. Cada método tem um lado bom e um ruim, o
importante é achar aquele com o qual seu corpo se adapta melhor.
Lâmina
Deve ser descartável e utilizada com muito cuidado no sentido do
crescimento do pêlo. Ela evita que eles encravem. Não utilize no rosto, seios
ou para fazer virilha bem cavada, provoca coceira. Evite passar produtos a
base de álcool após aplicação.

Cremes Depilatórios
Dissolvem os pêlos sem dor, mas deixam a raiz. Existem cremes
específicos para rosto e corpo. O importante é fazer um teste antes da
aplicação, pode causar alergias.
Ceras
Quente ou fria arrancam os pêlos pela raiz. A pele deve estar limpa e
você deve ter certeza de que o produto é descartável. Pode ser aplicada no
corpo todo, mas algumas ceras são menos agressivas, ideais para regiões
sensíveis.
Aparelhos elétricos
Arrancam os fios pela raiz, mas doem um bocado. Coloque uma toalha úmida
quentes antes da depilação para facilitar a saída dos pêlos e seque bem a
área.
Cuidados antes e depois

Não use cremes antes de se depilar, fica escorregadio e dificulta a


remoção.

Esfoliar a pele antes de utilizar ceras deixa a pele sensível e você sente
mais dor

Utilizar desodorante depois de fazer as axilas pode manchar a pele

Após a depilação não passe álcool, nem cremes por 24 horas.


Evite tomar sol 48 horas antes e 78 horas depois para não manchar

98
Educação e Saúde Módulo III

5. NOÇÕES DE CIRURGIA PLÁSTICA

Cirurgia plástica tem por objetivo a reconstituição de uma parte do corpo


humano por razões médicas ou estéticas.
A cirurgia plástica se desenvolve sob duas facetas: a cirurgia plástica
reparadora e a cirurgia plástica estética.

Cirurgia plástica reparadora tem como objetivo corrigir lesões


deformantes, defeitos congênitos ou adquiridos. É considerada tão
necessária quanto qualquer outra intervenção cirúrgica.

Cirurgia plástica estética é aquela realizada pelo paciente com o objetivo


de realizar melhoras à sua aparência.
A pessoa quando se submete a tal intervenção cirúrgica não a faz com
intenção ou propósito de obter alguma melhora em seu estado de saúde, mas
sim para melhorar algum aspecto físico que não lhe agrada, ou seja, corrigir
uma deformidade que ela adquiriu ao nascimento, por exemplo, como uma
orelha proeminente ou em abano, outro caso como uma mama flácida que
pode lhe dificultar um relacionamento afetivo. Situações que nao lhe causam
prejuizo da ordem funcional, mas sim de ordem psicológica. Atualmente, as
duas cirurgias plásticas esteticas mais realizadas no Brasil são a lipoaspiração
e o implante de protese de silicone nos seios.
Em qualquer cirurgia plástica, pretende-se que a zona afetada mantenha
o seu funcionamento e, na medida do possível, um aspecto natural.
A história da cirurgia plástica se remonta à antiguidade. Os médicos da
Índia antiga, incluindo o grande cirurgião índio Susrutha , utilizavam
transplantes de pele como trabalho reconstrutivo do século VIII AC e
realizavam reconstruções de narizes, utilizando uma parte da frente, durante
períodos nos quais a amputação do nariz era um castigo para certos crimes.
Os Romanos foram capazes de realizar simples técnicas tais como a reparação
de orelhas danificadas no século I a.C.
No quarto século, o médico bizantino, Oribasius, escreveu extensamente
a respeito de diferentes procedimentos de cirurgia plástica em sua enciclopédia
médica llamada Synagogue Medicae. Em seus escritos, Oribasius demonstrou
sua compreensão de técnicas importantes tais como a utilização de retalhos
para evitar a distorção das características faciais e o processo de criar fios de
sutura sem tensão. O trabalho do Oribasius foi uma grande influencia para as

99
Módulo III Educação e Saúde

técnicas médicas e cosméticas atuais. Suas contribuições são ressaltadas


especialmente nos campos de controle de feridas e reconstrução facial.
Desde o tempo do Oribasius, a prática da cirurgia plástica decresceu.
Entretanto, um ressurgimento da cirurgia plástica reconstrutiva foi
documentado. Na Europa de metades do século XV, Heinrich von Pfolspeundt
descreveu um processo para ―fazer um novo nariz para aqueles aos que os
falta por completo‖ ao tirar pele da parte traseira do braço e suturando-a em
seu lugar. A cirurgia plástica foi ganhando popularidade especialmente durante
o século XVIII, à medida que os europeus foram se interessando
particularmente na cirurgia plástica reconstrutiva de nariz para melhorar a
aparência dos narizes que tinham sido impactadas por uma enfermidade ou
durante o combate.
A aparição da anestesia cirúrgica efetiva a fins de 1800 permitiu à
cirurgia plástica ganhar mais popularidade já que os procedimentos se
tornaram menos dolorosos e complicados.
Entretanto, devido aos perigos associados com a cirurgia de qualquer
tipo, especialmente aquela que envolvia a cabeça ou o rosto, não foi até os
séculos XIX e XX que ditas cirurgias se tornaram algo mais comum. O primeiro
cirurgião plástico dos Estados Unidos foi o Dr. John Peter Mettauer. Realizou a
primeira operação de paladar no ano 1827 com instrumentos que ele mesmo
tinha desenhado.
Apesar de que esta evidência sugere que a cirurgia plástica esteve
presente por milhares de anos, não foi até a Primeira guerra mundial que estes
procedimentos reconstrutivos se tornaram mais comuns, devido à necessidade.
A cirurgia plástica como especialidade médica nasceu dos horrores da Primeira
guerra mundial e da tremenda quantidade de vítimas. Além dos milhares de
soldados que morreram, milhões foram mutilados ou deformados
horrivelmente, requerendo um tratamento cirúrgico especializado.
Durante a guerra, formaram-se colaborações entre cirurgiões de
diversas nacionalidades e disciplinas para ajudar a todos estes soldados e civis
afetados. Os cirurgiões americanos, ingleses, franceses, alemães, russos e
austro-húngaros que se converteram em profissionais da rinologia, cirurgiões
bocais, cirurgiões gerais, cirurgiões dentais, oftalmologistas e neurocirurgiões
são agora considerados como os pais da cirurgia plástica moderna, devido a
que os procedimentos especializados adquiriram importância. Os fundadores
incluem Sir Harold Gillies (especialista em orelha e garganta) da Nova
Zelândia, e os americanos Vilray Blair (cirurgião ortopédico), Robert Ivy
(cirurgião geral), Lê Cohen (especialista em orelha e garganta) Varaztad
Kazanjian (dentista).
Nos fins da guerra, realizou-se 11.572 operações principais de rosto no
Queen’s Hospital, Kent, Inglaterra. A cirurgia plástica começou a crescer logo
depois da Primeira guerra mundial, e se argumentava que ―se os soldados
cujos rostos tinham sido despedaçados por um bombardeio no campo de
batalha podiam voltar a ter uma vida normal com novos rostos criados pelo
engenho da nova ciência da cirurgia plástica, por que aquelas mulheres cujos
rostos tinham sido devastados por nada mais explosivo que o passo dos anos
não tinham o direito de encontrar novamente o formoso contorno da
juventude?‖.

100
Educação e Saúde Módulo III

No ano 1921, formou-se a Associação Norte-americana de Cirurgiões


Plásticos (AAPS) e no ano 1931, fundou-se a Associação Norte-americana de
Cirurgiões Plásticos e Reconstrutivos (ASPRS). Isto permitiu que a cirurgia
plástica com fins estéticos fosse mais reconhecida como uma especialidade
profissional, apesar da tensão entre os cirurgiões que debatiam sua falta de
credibilidade e sua ―verdadeira‖ aplicação. Os cirurgiões plásticos justificavam
sua posição advogando os benefícios indiretos desta melhora estética – O Dr.
John Staige Davis declarou em 1926… se um novo nariz permitiu que um
veterano de guerra possa ter um trabalho e casar-se, por que não poderia
melhorar as oportunidades trabalhistas de um civil ou melhorar as perspectivas
matrimoniais e financeiras de uma mulher?…. Não era antidemocrático negar a
uma pessoa o direito a melhorar-se?‖
À medida que o tempo passou e que os procedimentos de cirurgia
plástica continuaram, a cirurgia plástica se converteu em uma área
completamente integrada à comunidade médica. Durante a década de 60, o
conceito de cirurgia plástica cresceu na consciência do público americano à
medida que mais médicos realizavam procedimentos de cirurgia plástica. Para
a década de 70, os cirurgiões plásticos se converteram em uma das profissões
médicas principais.
Durante os 80, a cirurgia plástica se expandia rapidamente ao redor de
todo mundo e continua fazendo até o dia de hoje. O campo da cirurgia plástica
agora tem muitas especializações, oferecendo uma variedade de
procedimentos de cirurgia plástica aos pacientes interessados. A cirurgia
plástica continua evoluindo e melhorando, e esta evolução contínua permitiu a
milhões de pessoas se beneficiar dos procedimentos, tão externa como
internamente.
Os benefícios que podem ser obtidos com a Cirurgia Plástica são muitos
e não se limitam às melhoras do aspecto estético e funcional do corpo, mas
também do bem-estar pessoal, da aceitação e satisfação individual e da
melhora na auto-estima. Não obstante os inúmeros recursos, possibilidades de
melhora e a visível satisfação dos pacientes submetidos à cirúrgia plástica, é
importante que saibamos que ela não apresenta soluções para toda e qualquer
imperfeição física ou descontentamento individual.
Ao invés de considerar a Cirurgia Plástica simplesmente como um
recurso de vaidade, reflita ... Ela é uma ciência da saúde, uma especialidade
médica como as outras, que procura devolver ao paciente o equilíbrio e
harmonia entre corpo e mente. Desta forma suas expectativas maduras muito
provavelmente serão alcançadas, os inúmeros benefícios que a Cirurgia
Plástica pode oferecer.
A cirurgia plástica é exercida com plenitude quando se aliam
conhecimentos técnico-científicos da medicina a princípios artísticos de
equilíbrio, harmonia e beleza. Norteados por princípios éticos e conduta
responsável, estamos constantemente em busca da maior eficiência,
objetivando sempre a satisfação e segurança.
Não faz muito tempo a masculinidade era sinônima de aparência
descuidada e qualquer uma que se preocupasse com ela era ridicularizado
como afeminado. Mas as coisas mudaram muito desde então. As mulheres já

101
Módulo III Educação e Saúde

não são as únicas que podem se cuidar.


A grande quantidade de produtos para homens na indústria cosmética
testemunha a crescente conscientização masculina da importância de ter um
bom aspecto físico. Em nossa sociedade, cada vez mais preocupada com a
aparência, tem se convertido em um fator de sucesso profissional tanto para
homens como para mulheres. A cirurgia estética masculina já não é exclusiva
dos atores ou dos homens relacionados com a indústria do espetáculo. Se da
entre homens de todas as profissões e camadas. Os homens do século XXI já
não têm medo de mudar sua aparência, por isso aumentou bastante as
intervenções de cirurgia estética as quais se submetem.
Frequentemente se diz que a vida de um homem começa aos quarenta,
mas é precisamente nesse momento onde começa sua decadência física. A
maioria dos homens dessa idade estão complexados pela perda de cabelo, por
sua barriga protuberante, pelos inchaços debaixo de seus olhos, por sua testa
franzida ou pela pele flácida do pescoço. Os homens de 40 e 50 anos estão em
seu ponto culminante de produtividade e é importante que tenham uma
aparência afinada.

Tendências
As pesquisas mostram que a cirurgia estética é um meio utilizado pelos
homens de sucesso para obter a imagem que querem transmitir para obter
seus objetivos. Com a cirurgia estética podem modificar sua imagem ou manter
a mesma imagem apesar do passar do tempo. A mudança nestas visões se
reflete nas estatísticas: em um só ano se produziu um aumento de 32% nos
homens que se submetem a cirurgia estética nos Estados Unidos.
As tendências atuais revelam que os tratamentos de injeções anti-rugas
do Botox são mais populares no segmento masculino da correção estética,
com 8.7 milhões de casos registrados até o ano passado. De acordo com uma
estimativa realizada pela Sociedade Americana de Cirurgiões Plásticos, depois
de 2002 os procedimentos cirúrgicos estéticos em homens cresceram 5 por
cento. Os procedimentos estéticos minimamente invasivos tiveram, entretanto,
41 por cento para o mesmo período. Os homens, portanto, utilizam cada vez
mais os procedimentos de estética, chegando já a números nada desprezíveis.
Nos Estados Unidos 20% da depilação a laser, 14% das injeções de Botox, e
15% de toda a liposucção e as cirurgias de pálpebras, e 24% das rinoplastias
se realizam em homens.

Procedimentos Cirúrgicos Femininos e Masculinos


1. Próteses Mamárias (Mamoplastias de aumento via sulco submamário,
periareolar e axilar)
2. Lipoesculturas: Lipoaspirações e Lipoenxertias (Melhora do contorno
corporal com o tratamento de lipodistrofias e gordura localizada)
3. Mamoplastias Redutoras e Mastopexias (Reduções e levantamento dos
seios)

102
Educação e Saúde Módulo III

4. Abdominoplastias e Mini-Abdominoplastias (Cirurgias do abdomen)


5. Rinoplastias e Rinosseptoplastias (Plástica nasal)
6. Otoplastias (Correção de orelhas proeminentes)
7. Mini-Liftings e Liftings de Face e Pescoço (Cirurgias de
rejuvenescimento cérvico-facial)
8. Blefaroplastias e Suspensão Endoscópica dos Supercílios (Cirurgia de
rejuvenescimento das pálpebras e região periocular)
9. Braquioplastias e Dermolipectomias de Coxas (Melhora da flacidez de
braços e coxas)
10. Cirurgias Pós-Obesidade (Cirurgias para melhora da flacidez e
restauração do contorno corporal)

Tipos de Cirurgia Estética Masculina


Para poder manter seus corpos jovens com o passar do tempo, os
homens atuais se inclinam cada vez mais para vários tipos de cirurgia estética.
O lifting, a cirurgia de pálpebras e de nariz, o aumento de glúteos e o
transplante de cabelo são os tipos de cirurgia mais procurados. Além disso, a
cirurgia é vista crescentemente como uma maneira de conseguir maior volume
nos músculos de zonas específicas, o que se consegue mediante implante de
gêmeos e peitorais.
As técnicas para ―esculpir‖ com implantes estéticos são usadas por
muitos cirurgiões plásticos famosos para melhorar o contorno muscular. Outros
tipos de cirurgia masculina incluem a liposucção ou a ginecomastia. A
ginecomastia é a redução de malha do peito, normalmente através de
liposucção. Também se usa a liposucção para retirar as graxas do abdômen ou
de outras partes do corpo. A gravura abdominal é a técnica mais novidadeira
para modelar a área abdominal, criando uma aparência musculosa e plaina.
Os homens recorrem também a tratamentos de depilação para eliminar
ou reduzir o pêlo do peito ou costas através de laser. A faloplastia, outro tipo de
cirurgia comum, consiste em realizar um alongamento do pênis.

EXAMES NECESSÁRIOS
Exames laboratoriais pré-operatórios são rotineiramente pedidos e
servem para avaliação da aptidão clínica. Estes exames são pedidos cerca de
30 (trinta) dias antes da cirurgia, pois na eventualidade de alguma alteração,
haverá tempo suficiente para diagnóstico e tratamento. A cirurgia poderá ser
realizada após a constatação da normalidade destes exames, que são: exames
de sangue (hemograma completo, coagulograma, glicemia, dosagem de uréia
e creatinina) e de urina (exame de urina rotina).

103
Módulo III Educação e Saúde

Outros exames poderão ser necessários, conforme a história clínica de


cada paciente. Os candidatos à cirurgia de grande porte deverão ser
submetidos a eletrocardiograma e Avaliação de Risco Cirúrgico, que são
realizados por um médico cardiologista ou clínico geral. As candidatas à
mamoplastia com mais de 40 anos de idade e/ou história familiar de câncer de
mama e/ou história atual ou pregressa de doença mamária deverão realizar
mamografia e/ou ultra-som mamário. Os candidatos às cirurgias de grande
porte poderão ser avaliados pela psicóloga, para o devido preparo e orientação
psicológica.

DOCUMENTAÇÃO DE IMAGENS
A documentação de imagens é indispensável, pois é através dela que
são estudos a área a ser operada, definindo a melhor técnica para o caso.
Além disso, é importante para comparações entre pré e pós-operatório, onde
constataremos os benefícios advindos da cirurgia, sendo também útil para
avaliações futuras no caso do paciente desejar nova cirurgia.

O PROCEDIMENTO ANESTÉSICO
A anestesia, quase sempre, é um assunto polêmico que traz dúvidas e
receios aos pacientes, geralmente devido a informações leigas que nem
sempre traduzem a verdade. Hoje em dia, com a evolução das técnicas,
materiais e medicamentos, a anestesia é um fator de grande segurança e
conforto tanto para o paciente como para a equipe cirúrgica. Há sempre um
anestesiologista escalado exclusivamente para assistência.
Vários tipos de técnicas anestésicas podem ser utilizados, isolada ou
conjuntamente. A seleção do tipo de anestesia a ser empregada é de
competência do anestesiologista. De modo geral, poderíamos citar como
técnicas: anestesia local (pura ou associada à outra técnica), anestesia geral
(inalatória, venosa - sedação - ou balanceada) e anestesia por bloqueio
(raquidural, peridural, intercostal, etc.). O anestesiologista seleciona o tipo de
técnica a ser empregada baseado em uma série de fatores, tais como : idade e
condições clínicas do paciente, história prévia de outras anestesias a que o
paciente foi submetido, região a ser operada, tempo previsto para a cirurgia,
etc. Independente do tipo de anestesia selecionada, não haverá dor ou
desconforto durante a cirurgia.
A Sociedade Brasileira de Anestesiologia determina normas para
utilização de anestesia local, assim como para o tipo de monitorização e
assistência necessários para cada porte de cirurgia.

CUIDADOS DE PRÉ E PÓS-OPERATÓRIO

De uma forma geral, alguns cuidados são necessários nos períodos pré
e pós-operatório, como, por exemplo, não usar medicamentos à base de ácido

104
Educação e Saúde Módulo III

acetilsalicílico (AAS®, Aspirina®, etc.) uma semana antes ou depois da


cirurgia. Abstar-se do cigarro em torno de quinze dias antes e quinze dias
depois da cirurgia, lavar a região a ser operado algum dia antes da cirurgia com
sabonete anti-séptico (Soapex® ou Clorohex®), evitar exposição solar da
região operada, restringir determinadas atividades, etc.

SUTURAS E RETIRADA DE PONTOS


Fios cirúrgicos são materiais utilizados para a sutura - os famosos
―pontos‖. São utilizados fios sintéticos (nylon monofilamentar, polipropileno
monofilamentar e poliglactina) e para determinadas situações a cola de
cianoacrilato (Histoacyl blue®).
A ―cola‖ não necessita ser retirada, pois é removida espontaneamente.
Suturas realizadas com fios absorvíveis não necessitam ser retiradas, pois o
próprio organismo absorve o fio. As suturas realizadas com fios inabsorvíveis
necessitam de remoção.
Nas suturas simples os ―pontos‖ são retirados o mais precocemente
possível e nas suturas intradérmicas (nas quais o fio fica sob a pele e somente
as extremidades são visíveis), a retirada de pontos pode ser mais tardia (a
partir de 2 semanas). É importante lembrar que a retirada de pontos é, na
maioria das vezes, indolor.

O CURATIVO INICIAL
Toda incisão e/ou área operada é protegida por um curativo, diferente
para cada região. De início, este curativo tem por finalidade proteger
mecanicamente as incisões de eventuais traumas ou contaminações e, em
algumas situações, modelar a área operada. Posteriormente, os curativos
visam proporcionar uma boa cicatrização. Para cada tipo de cirurgia existe um
período inicial em que o curativo deverá permanecer intacto e seco.
Em todos os curativos é utilizado um tipo especial de esparadrapo, feito
de papel hipoalergênico, chamado micropore®.
Além do curativo da região operada, frequentemente são utilizados
outros materiais para proteção e/ou modelagem da região, tais como: soutiens,
cintas, faixas, splints, talas compressivas, etc.

CICATRIZES DA CIRURGIA
Toda cirurgia implica em realização de incisões, que são a via de acesso
para que o cirurgião execute a técnica proposta. Como estas incisões resultará
em cicatrizes, o cirurgião plástica sempre objetiva: o menor tamanho, a melhor
localização, que preferencialmente sejam colocadas em sulcos naturais e que
possibilitem o disfarce através de vestes, cabelos ou pêlos. Alcançados estes
objetivos, as cicatrizes poderão ser pouco estigmatizantes. Obviamente, o

105
Módulo III Educação e Saúde

resultado final de uma cicatriz dependerá de outros fatores, como por exemplo,
dos cuidados locais empregados no período pós-operatório e da normalidade
do mecanismo de cicatrização do paciente. No que compete ao organismo do
paciente para fazer uma boa cicatrização não é (infelizmente) possível à
interferência nem do médico nem do próprio paciente no sentido de ter a
cicatriz quer; é por esse fato que nos é impossível prometermos um
determinado aspecto para a cicatriz. Ela só será conhecida alguns meses após
a cirurgia.

106
Educação e Saúde Módulo III

6. ANAMNESE E IMC

Um bom profissional, antes de começar qualquer tratamento no paciente, faz


uma detalhada anamnese, pois é imprescindível saber seus hábitos, antecedentes
cirúrgicos, possíveis doenças, uma vez que cada tratamento dependerá do histórico.
Na ficha de anamnese poderemos obter todo e qualquer dado importante do
paciente.
A Ficha de Anamnese divide-se em partes :
1. IDENTIFICAÇÃO

NOME:___________________________________________

_________________________________________________
SEXO:___________________________________________ IDADE:__________

COR: branca/parda/preta

ESTADO CIVIL:__________________________________
PROFISSÃO:______________________________________ NATURAL
DE:____________________________________
PROCEDENTE____________________________________

2. QUEIXA PRINCIPAL E DURAÇÃO

_________________________________________________________________

3.HISTÓRIA DA DOENÇA ATUAL (HDA)

(duração total, início, curso, características, sintomas associados, efeitos de


tratamentos, progressão, repercussões sobre a vida do paciente, ordem cronológica,
sintomas associados)

_________________________________________________________________

4. INTERROGATÓRIO SINTOMATOLÓGICO

Sintomas gerais: alterações do peso (em quanto tempo), febre, calafrios, astenia,
sudorese noturna, anorexia.

_________________________________________________________________

107
Módulo III Educação e Saúde

Pele e fâneros: prurido, lesões cutâneas (localização), alopecia, alterações da


pigmentação, anormalidades nos pêlos e na aparência ungueal.

_________________________________________________________________

Cabeça e pescoço: cefaléia, cervicalgia, limitação da movimentação do pescoço,


tumorações cervicais.

_________________________________________________________________

Olhos: dor ocular, acuidade visual, diplopia, fotofobia, lacrimejamento, secreção


conjuntival, escotomas visuais, visão turva, correção com óculos ou lentes de contato.

_________________________________________________________________

Ouvidos, nariz e seios da face: otalgia, algias faciais, congestão periorbitária, epistaxe,
otorréia, rinorréia, obstrução nasal, espirros freqüentes, gota pós-nasal, zumbidos,
acuidade auditiva, vertigem.

_________________________________________________________________

Cavidade Oral: odontalgia, gengivorragias, ulcerações da mucosa, queimação ou


ardência da língua, odinofagia, sialose, dor em ATM.

_________________________________________________________________

Mamas: mastalgia, descarga mamilar, nódulos palpáveis. Ginecomastia no homem.

_________________________________________________________________

Respiratório: tosse, expectoração (aspecto e quantidade), rouquidão, hemoptise, dor


torácica, dispnéia, chiado no tórax.

_________________________________________________________________

Cardiovascular: precordialgia, palpitações, dispnéia de esforço, noturna e de decúbito,


síncope, edema, cianose, claudicação intermitente, veias varicosas, úlceras de perna.

_________________________________________________________________

Gastrintestinal: disfagia, pirose, intolerância alimentar, eructações, empachamento,


regurgitação, epigastralgia, cólicas, icterícia, náuseas e vômitos, hematêmese, hábito
intestinal (n° de evacuações diárias, aspecto das fezes - cor e consistência, presença
elementos anormais - sangue, muco e/ou pus), tenesmo evacuatório, dor e prurido
retal, enterorragia, melena, meteorismo, cólicas, flatulência, obstipação intestinal

_________________________________________________________________

Urinário: dor (lombar, no flanco, vesical), disúria, alterações miccionais, estrangúria,


polaciúria, alterações da cor e odor da urina, nictúria, enurese, oligúria, poliúria,
incontinência urinária de esforço (mulher), gotejamento terminal e força do jato urinário
(homem), eliminação de cálculos durante a micção.

_________________________________________________________________

108
Educação e Saúde Módulo III

Genital: homem (corrimento uretral, lesões genitais, disfunções sexuais); mulher


(leucorréia, prurido vulvovaginal, sangramento intermenstrual, dor pélvica, dispareunia)

_________________________________________________________________

Osteoarticular: artralgias, rigidez matinal, edema articular, limitação de movimentos,


deformidades, lombalgia

_________________________________________________________________

Hematopoiético: palidez, tendências hemorrágicas, linfadenomegalias,


esplenomegalia, hepatomegalia

_________________________________________________________________

Endócrino: intolerância ao frio ou ao calor, poliúria, polifagia e polidipsia, hirsutismo

_________________________________________________________________

Nervoso: paresias (paralisia moderada), paralisias, parestesias, atrofias musculares,


tremores, convulsões, ausências, perturbações da memória (amnésia transitória ou
permanente)

_________________________________________________________________

Psiquismo: insônia, nervosismo, choro freqüente, irritabilidade, tristeza, sentimento de


culpa, perda de interesse e prazer no trabalho e no lazer

_________________________________________________________________

5.ANTECEDENTES PESSOAIS FISIOLÓGICOS

Condições de gestação e nascimento:

_________________________________________________________________

Desenvolvimento neuropsicomotor:

_________________________________________________________________

Imunizações (BCG, DTP, anti-polio, hepatite viral, anti-tetanica, gripe )

_________________________________________________________________

Adolescência: (puberdade, surgimentos dos caracteres secundários)

_________________________________________________________________

Atividade sexual e vida reprodutiva (primeiro contato, parceiros, frequência de


relações, camisinha, menstruação(fluxo, ciclo), gestações, partos)

_________________________________________________________________

Climatério: (idade da menopausa, ondas de calor, ressecamento vaginal)

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Módulo III Educação e Saúde

_________________________________________________________________

Senectude: (como o paciente se sente no ambiente familiar, solidão, viuvez, pensão,


aposentadoria, atividades diárias)

_________________________________________________________________

6. ANTECEDENTES PESSOAIS PATOLÓGICOS

Doenças da infância (sarampo, catapora, rubéola, caxumba):

_________________________________________________________________

Doenças apresentadas na vida adulta ( tuberculose, DST, hepatite, diabetes,


hieprtensão arterial, cardiopatias, epilepsias, febre reumática, asma, aborto
espontâneo ou não, disfunção sexual)

_________________________________________________________________

Antecedentes de alergia:

_________________________________________________________________

Cirurgias:

_________________________________________________________________

Hospitalizações:

_________________________________________________________________

Traumatismos:

_________________________________________________________________

Hemotransfusões:

_________________________________________________________________

Uso de drogas injetáveis:

_________________________________________________________________

Medicações de uso prolongado:

_________________________________________________________________

7. ANTECEDENTES FAMILIARES

_________________________________________________________________

8. ANTECEDENTES SOCIAIS

Condições de habitação e higiene:

_________________________________________________________________

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Educação e Saúde Módulo III

Condições de alimentação:

_________________________________________________________________

Nível de instrução:

_________________________________________________________________

História Ocupacional:

______________________________________________________________

Religião:_______________________________________________________

Renda familiar mensal:____________________________________________

Relações interpessoais: (se existe problema de relacionamento na família – se o


paciente tem amigos – sente solidão - tem ressentimento).

_______________________________________________________________

Problemas psicossociais: (maior preocupação do paciente -o que lhe estressava antes


da internação - sofreu alguma perda importante no passado - sente-se realizado – se
houve expectativas frustradas)

_________________________________________________________________

Hábitos e costumes: tabagismo (duração, tipo de cigarro, nº de cigarros consumidos


por dia), consumo de álcool (duração, tipo de bebida, quantidade consumida), banhos
de rios açudes e lagoas (localidade e época), contato com o triatomíneo, contato com
animais domésticos, prática regular de exercícios físicos (tipo e freqüência), sono,
lazer, viagens, uso de drogas ilícitas.

__________________________________________________________________

ÍNDICE DE MASSA CORPORAL

O índice de Massa Corporal (IMC) é uma fórmula que indica se um


adulto está acima do peso, se está obeso ou abaixo do peso ideal considerado
saudável.
Ele foi desenvolvido pelo polímata Lambert Quételet no fim do século
XIX. Trata-se de um método fácil e rápido para a avaliação do nível de gordura
de cada pessoa, ou seja, é um preditor internacional de obesidade adotado
pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

111
Módulo III Educação e Saúde

Cálculo

O IMC é determinado pela divisão da massa do indivíduo pelo quadrado


de sua altura, onde a massa está em quilogramas e a altura está em metros.

IMC = Massa

(Altura . Altura)

Exemplo:
Para uma pessoa com 72 quilogramas de massa e 1,70 metros de altura,
teremos:
IMC = 72 Kg
1,70m . 1,70m
IMC = 24,91 Kg/m2

Classificação
O resultado é comparado com uma tabela que indica o grau de
obesidade do indivíduo:

IMC CLASSIFICAÇÃO

< 18,5 Magreza

18,6 – 24,9 Saudável

25,0 – 29,9 Peso em excesso

30,0 – 34,9 Obesidade Grau I

35,0 – 39,9 Obesidade Grau II (severa)

≥ 40,0 Obesidade Grau III (mórbida)

112
Educação e Saúde Módulo III

IMC em Crianças e Adolescentes


As crianças naturalmente começam a vida com um alto índice de
gordura corpórea, mas vão ficando mais magras conforme envelhecem. Além
disso, também há diferenças entre a composição corporal de meninos e
meninas. E foi para poder levar todas essas diferenças em consideração que
os cientistas criaram um IMC especialmente para as crianças, chamado de IMC
por idade.
Os médicos e demais profissionais nutricionistas usam um conjunto de
gráficos de crescimento para seguir o desenvolvimento de crianças e jovens
adultos dos dois aos 20 anos de idade. O IMC por idade utiliza a altura, peso e
idade de uma criança para determinar quanta gordura corporal ele ou ela tem e
compara os resultados com os de outras crianças da mesma idade e gênero.
Ele pode ajudar a prever se as crianças terão risco de ficar acima do peso
quando estiverem mais velhas.
Cada gráfico contém um conjunto de curvas que indica o percentil da
criança. Por exemplo, se um garoto de 15 anos de idade está no percentil 75,
isso significa que 75% dos garotos da mesma idade têm um IMC mais baixo.
Ele tem o peso normal e, embora seu IMC mude durante seu crescimento, ele
pode se manter nas proximidades do mesmo percentil e permanecer com um
peso normal.
A faixa de IMC normal pode ficar mais alta para as meninas conforme
elas vão amadurecendo, já que as adolescentes normalmente têm mais
gordura corporal do que os adolescentes. Um garoto e uma garota da mesma
idade podem ter o mesmo IMC, mas a garota pode estar no peso normal
enquanto o garoto pode estar correndo risco de ficar acima do peso. Os
médicos dizem ser mais importante acompanhar o IMC das crianças ao longo
do tempo do que olhar um número individual, pois elas podem passar por
estirões de crescimento.

Limitações do IMC
Há alguns problemas em usar o IMC para determinar se uma pessoa
está acima do peso. Por exemplo, pessoas musculosas podem ter um Índice
de Massa Corporal alto e não serem gordas. O IMC também não é aplicável
para crianças, sendo que precisa de gráficos específicos. Além disso, não é
aplicável para idosos, para os quais se aplica classificação diferenciada. O IMC
é o valor de massa corporea, que as diferenças raciais e étnicas têm sobre o
Índice de Massa Corporal.
Por exemplo, um grupo de assessoramento à Organização Mundial de
Saúde concluiu que pessoas de origem asiática poderiam ser consideradas
acima do peso com um IMC de apenas 23.

Método mais preciso

113
Módulo III Educação e Saúde

O Índice de Massa Corporal, apesar de conter alguns pontos fracos, é


um método fácil no qual qualquer um pode obter uma indicação, com um bom
grau de acuidade, se está abaixo do peso normal, acima do peso ideal, ou
obeso. Porém, o método mais preciso para determinar se a pessoa está gorda
é a medição do percentual de gordura do corpo.

É vedada a reprodução total ou parcial desta obra, ou tradução,


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autorização por escrito dos detentores dos direitos autorais.

A reprodução total ou parcial constitui crime.

(Art. 184 do Cód. Penal e lei n 8635/93)

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