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AROMATERAPIA CLÍNICA INTEGRAL – AULA 01 – 05/05/2012

HISTÓRIA SECULAR

No período neolítico as tribos primitivas adquiriram conhecimentos sobre ervas de maneira empírica.
Como era função das mulheres nas sociedades primitivas colher erva, esses conhecimentos foram
passados de mãe para filha ao longo de milhares de anos.

O uso de plantas e extratos de ervas para a cura medicinal vem sendo documentado pela maioria
das culturas nativas ao longo da história. Durante séculos, as ervas e os óleos essenciais foram os únicos
alívios para doenças epidêmicas.

A aromaterapia na sua forma primitiva fazia parte dos mais antigos métodos de cura. Há evidências
do uso de óleos aromáticos no embalsamento de uma múmia datando 6000 a.C. encontrada no
Iraque. Junto à múmia havia vasilhas com pólen de flores e plantas medicinais. Os primeiros registros,
entretanto, só aparecem por volta do ano 3000 a.C., quando os sumérios criaram o alfabeto.

Na Babilônia, foram encontradas placas de barro do ano de 3000 a.C. que descreviam sobre
importações de ervas. A farmacopéia babilônica era enorme: tinha descrição de 14.000 plantas.

No ano de 2698 a.C. na China, foi encontrado o cânone deixado pelo imperador Shen Nung
descrevendo a conservação e administração de 252 ervas.

No Egito, foi encontrado um papiro conhecido como papiro de Ébers (egiptólogo alemão Georg Ébers
que comprou o papiro para decifrá-lo). A primeira frase do papiro de Ébers diz: “Aqui começa o livro
relativo à preparação dos remédios para todas as partes do corpo humano.” Esse primeiro tratado
médico egípcio remonta à 6a dinastia e data aproximadamente 2400 a.C.

Neste período, a medicina aromática, remoto antepassado da arte da aromaterapia, desenvolveu-se


no Egito – berço da medicina, perfumaria e farmácia. Os egípcios usavam as ervas em rituais, na
saúde, higiene e eram grandes conhecedores dos efeitos dos aromas na psique. Praticavam a arte da
massagem com óleos aromatizados e eram especialistas em cosmetologia (ungüentos, óleos
perfumados, cremes e vinhos aromáticos). Além disso, utilizavam as substâncias aromáticas nos
processos de embalsamento dos faraós e em seus rituais.

Os rituais executados nos templos egípcios eram sagrados. Os sacerdotes costumavam queimar
incenso para reverenciar seus deuses e entoar cânticos ao misturarem os óleos de cedro, mirra e
olíbano.

Para os egípcios, as plantas tinham poderes mágicos que ajudavam a elevar o estado de consciência
dos presentes nos rituais religiosos.

A rainha Cleópatra (69 a.C. – 30 a.C.) fez uso em larga escala das essências aromáticas. Como a arte
de seduzir. Conta-se que Cleópatra foi encontrar Marco Antônio, que aguardava por ela às margens
do Rio Tigre. Ela encharcou as velas de sua barcaça com jasmim e outras plantas aromáticas
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fortemente sensuais. Em outro encontro cobriu seu próprio corpo com pétalas de rosas afixadas com
gotas de mel. E para dar o toque final neste ritual afrodisíaco, ela mergulhou pombas em água de
rosas e as deixou esvoaçando pelo ar, lançando fragrâncias de paixão.

O uso de substâncias aromáticas disseminou-se para Israel, Grécia, Roma e todo o mundo
mediterrâneo. Porém, a Índia é o único lugar do mundo aonde essa tradição nunca morreu.
ÍNDIA
Na Índia a aromaterapia como parte da medicina ayurvédica remonta aos tempos dos Vedas – uma
coleção de hinos datando aproximadamente 1500 a.C. Os Vedas codificavam o uso dos perfumes e
substâncias aromáticas para fins litúrgicos e terapêuticos.

Nessa época, os médicos indianos desenvolveram técnicas cirúrgicas e criaram diagnósticos


avançados. O tratamento das pessoas, entretanto, era feito com ervas aromáticas e fitoterápicas. Um
dos quatro maiores livros sagrados dos Vedas: o Artharva Veda é o documento mais antigo da
medicina indiana. Inclui mais de 1000 ervas medicinais, muitas das quais continuam ainda hoje em uso
dentro da medicina ayurvédica.

ROMA
Em Roma, por volta do ano 753 a.C. surge um dos maiores e mais devastadores impérios que a
humanidade já conheceu: o Império Romano.

Quando os romanos invadiram o Egito se encantaram com os banhos aromáticos egípcios e levaram
a idéia para Roma. A prática de tomar banho aromático propagou-se tanto que Roma chegou a ter
mais de 1000 casas de banhos. Porém, jamais herdaram a espiritualidade dos egípcios. Para os
Romanos os banhos eram pura orgia. Por isso ficaram mestres na arte dos banhos e massagens
eróticas.

D.C.

Por volta do ano1000 d.C. um médico e filósofo persa chamado Avicena (980-1037),
inventou a serpentina refrigerada. Começou então ser possível destilar óleos essenciais em alambiques.
O 1º óleo essencial a ser destilado por Avicena foi o óleo essencial da rosa. Avicena deu uma
importante contribuição para a aromaterapia, uma vez que o óleo essencial é a base de todo o
tratamento terapêutico. Escreveu um compêndio de medicina com 18 volumes – Quanu – Fi –I-Tibb
que virou um clássico.

Em 1099, as cruzadas conquistaram Jerusalém e levaram de volta à Europa os perfumes e óleos da


Arábia, além de conhecimentos de como os árabes extraíam os óleos essenciais.

A destilação daquela época era feita em alambiques de fogo, de pequena capacidade (50 a 100
litros). Muitas vezes transportavam os alambiques nas costas de mulas.

Em 1233, Gregório IX estabelece a inquisição papal. Inicia-se um longo período de barbáries e um


declínio geral de todas as formas de conhecimentos. A perda do conhecimento se deu porque as
supostas “bruxas” torturadas e queimadas, eram, muitas vezes, mulheres que detinham o
conhecimento das ervas medicinais. Devido ao medo gerado pelas atrocidades da época, as
receitas de ungüento e tinturas feitas com ervas deixaram de ser registradas.

Nesta época medieval, era muito comum queimar olíbano, enxofre, cedro, pinho e outras plantas de
odor pungente para espantar os maus espíritos.

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Paracelso (1494-1541), um alquimista suíço, introduziu o termo óleo essencial. A busca de
Paracelso se baseava em buscar o componente das plantas que conseguisse produzir cura. A esse
componente ele deu o nome de quinta essência do aroma ou a alma da planta. A palavra óleo vem
originalmente do árabe az-zait (azeite) e essencial da quinta-essência obtida no processo de
destilação.

Com a cultura patriarcal veio a segmentação do processo da cura e à medida que os cientistas
sintetizam mais e mais componentes químicos, começa novamente o declínio nos tratamentos ou
terapias com plantas. Os sintéticos passam a ganhar terreno pela rapidez da manufatura e pelo menor
custo. Contudo, durante a Primeira Guerra Mundial (1914) ocorreu um acidente na França que ajudou
a despertar novamente o interesse pela aromaterapia.

FRANÇA - SURGE O CONCEITO AROMATERAPIA

Na cidade de Grasse, no sul da França, um químico francês, Maurice René de Gattefossé


veio a ficar fascinado pelas possibilidades terapêuticas dos óleos essenciais a partir de uma
experiência pessoal com o óleo de lavanda. Até então Gattefossé utilizava os óleos essenciais em seus
produtos e criações com o objetivo de perfumá-los, mas sem nenhum fundamento terapêutico.

Ocorreu que ao estar fazendo uma destilação em seu laboratório, houve um acidente onde o produto
que era inflamável caiu em seus braços causando uma séria queimadura. Num ato sem pensar ele
mergulhou seus braços numa tina de lavanda, que pensava ser de água e percebeu imediatamente
que a sensação de dor logo passou. Em poucos dias o machucado havia sarado e no lugar da
queimadura não ficou nenhuma cicatriz. Isto o levou a se interessar em pesquisar as possibilidades
terapêuticas dos óleos essenciais. Ele também descobriu que muitos óleos essenciais são mais efetivos
em sua totalidade do que seus ingredientes ativos isolados ou sintetizados. Para divulgar seus estudos
publicou o livro “Aromatherapie”, criando assim o termo Aromaterapia – a terapia que utiliza o uso de
óleos essenciais 100% puros.

Um dos óleos muito usados por Gatefossé foi o niauli (melaleuca viridiflora). Ele usou esse óleo como
anti-séptico para tratar soldados feridos em combate na Primeira Grande Guerra Mundial.

O trabalho de Gatefossé inspirou o médico e ex-cirurgião militar francês Jean Valnet,


durante a 2ª Guerra Mundial, a fazer uso dos óleos essenciais para tratar vítimas da guerra por falta de
antibióticos, salvando assim muitas vidas. Dr. Valnet também utilizou os óleos essenciais como parte de
um programa através do qual tratou com sucesso desordens médicas e psiquiátricas. Estes resultados
foram publicados em 1964 no livro "Aromatherapie – Traitement des maladies par les essences des
plantes".

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Marguerite Maury foi uma bioquímica que estudou o trabalho de Valnet e foi pioneira
ao introduzir a visão holística dentro da aromaterapia, criando assim o método de aplicação dos óleos
pela massagem de acordo com as características temperamentais e de personalidade de seus
clientes. Publicou o livro “The Secrets of Life and Youth”.

ATUALIDADE
No início deste século, em particular na França e na Inglaterra, um movimento de médicos e
estudantes adeptos da medicina natural promoveu uma conscientização dos benefícios da medicina
natural e da aromaterapia. Hoje, na França, é comum encontrar médicos praticando aromaterapia,
farmácias vendendo óleos essenciais e seguros de saúde reembolsando tratamentos e prescrições que
usem tais produtos.

Na Inglaterra, desde 1990, vários artigos em revistas científicas mostraram que os ingleses vêm usando
a aromaterapia em hospitais.

Nos EUA, a aromaterapia vem crescendo muito, pois as pessoas estão buscando, cada vez mais, se
tratar com terapias naturais.

Na Ásia, a medicina tradicional vem fazendo uso das substâncias aromáticas há mais de 10.000 anos
continuamente.

No Brasil, o interesse pela aromaterapia e terapias naturais vem crescendo a cada ano. As pessoas
estão despertando e se conscientizando do que a aromaterapia e as terapias complementares
podem fazer por elas.

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AROMATERAPIA DINÂMICA

A Aromaterapia é uma prática terapêutica milenar que utiliza as propriedades específicas dos óleos
essenciais 100% puros, extraídos de várias partes de plantas para tratar, acalmar e equilibrar o corpo, a
mente e o espírito.

É tanto uma arte como uma ciência. A arte da mistura. A combinação de óleos é uma sinergia. Criar
novos compostos requer um profundo conhecimento das propriedades de cada óleo essencial,
experiência e intuição.

A aromaterapia é uma forma de melhorar vários aspectos da vida cotidiana (físico, emocional e
energético). Ela também faz parte do dia-a-dia, muito embora não associemos o nome à vivência.
Todos já tivemos uma resposta emocional a certos aromas, que tanto pode ter sido prazerosa como
desagradável. O objetivo da aromaterapia é; primeiro, encontrar aromas especiais e únicos para
cada indivíduo, que proporcionem sensações e emoções agradáveis e; segundo, apresentá-los à vida
cotidiana, para aumentar nosso bem-estar. O aroma nos mantém ligados à Mãe Natureza e os óleos
essenciais trazem à tona lembranças e emoções.

Atualmente, a aromaterapia é uma forma de tratamento reconhecida em diferentes países e pela


Organização Mundial de Saúde. A aromaterapia é uma maneira natural de se sentir bem, tanto por
dentro como por fora, usando óleos essenciais puros e seguros extraídos de plantas naturalmente
aromáticas. Estas essências botânicas ajudam a ter equilíbrio, manter o bem-estar e contribuem para
harmonia interior.

O QUE SÃO ÓLEOS ESSENCIAIS?


Os óleos essenciais são substâncias naturais voláteis extraídas, através da destilação, de minúsculos
sacos moleculares de cada planta. Eles agem como hormônios, reguladores e catalisadores. Sua
função, na natureza, com seu aroma característico, é ajudar a planta a se adaptar ao meio
ambiente, atrair abelhas e insetos polinizadores e proteger a planta contra insetos predadores e ervas
daninhas. Eles fazem parte do sistema imunológico da planta e são uma substância em separado
criada por ela. O processo de destilação extrai, gentilmente, o óleo volátil das partes da planta. As
essências são naturais e, assim sendo, trabalham em harmonia com o corpo. Os óleos essenciais são o
coração e a alma da planta.

Eles são de 75 a 100 vezes mais concentrados que as ervas secas. Por exemplo, uma só gota de óleo
essencial de lavanda equivale a 20 xícaras de chá de lavanda.

A composição química dos OES é bastante complexa, possuem vitaminas, hormônios, antibióticos e
anti-sépticos, entre outros componentes importantes, que garantem suas propriedades terapêuticas.
Entram na composição dos óleos essenciais os elementos orgânicos básicos como o carbono, o
oxigênio e o hidrogênio, formando moléculas orgânicas de álcoois, aldeídos, ésteres, óxidos, cetonas,
fenóis e terpenos. Todo óleo essencial apresenta uma composição relativamente complexa, porém,

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alguns são bem simples, como o sândalo, que contém 95% de um mesmo componente (um álcool
chamado santalol) e os 5% restantes de composição variada.

A qualidade da substância irá depender da procedência da planta, do método de extração e de


como ela é armazenada. Até o clima, a altitude, o tipo de solo e a forma de colheita também podem
influenciar nas características do óleo.

Todos os países devem fornecer óleos essenciais como uma verdadeira terapia global. O óleo
essencial mais puro deriva de um cultivo orgânico controlado e de plantas selvagens encontradas em
varias regiões climáticas e geográficas ao redor do mundo. Plantações orgânicas controladas são a
garantia da não utilização de herbicidas, fertilizantes ou pesticidas artificiais.

Apenas para citar alguns nomes... A melhor lavanda do mundo vem da França, o tea tree da
Austrália, o sândalo de Mysore (Índia), a menta, da Inglaterra e dos EUA, a laranja doce e o eucalipto
do Brasil, o ylang ylang das Ilhas Comoro e Madagascar, a canela do Sri Lanka, a melhor rosa vem da
Bulgária, Marrocos e da Turquia, o jasmim do Egito e da Índia, o olíbano e a mirra da Somália e o
Marrocos é conhecido pela excelente camomila azul.

Todo óleo essencial possui ingredientes ativos que agem no corpo por meio da inalação ou da
absorção pelos poros da pele. Ao cair na corrente sangüínea, os benefícios dos óleos se espalham por
todo o corpo. Além disso, a reação olfativa evoca sensações registradas na memória. Daí a ligação
da aromaterapia com estados emocionais.

Na aromaterapia, os OES atuam no bem-estar do corpo, da mente e da alma, sendo a maior energia
concentrada do reino vegetal.

O óleo essencial tem que ser armazenado em vidro âmbar ou azul cobalto, pois em contato com a luz
oxida-se com facilidade, perdendo então suas propriedades terapêuticas.

Os OES puros, assim como uma jóia preciosa ou um bom vinho, são gemas da natureza – a quinta-
essência da força vital da natureza. É a alma da planta, cada gota de OE é uma jóia preciosa a ser
inalada, aproveitada e protegida.

NATURAL X SINTÉTICO
As substâncias são “inorgânicas”, não contêm nenhuma “força vital” e não são dinâmicas. Podemos
sintetizar substâncias químicas, mas não podemos torná-las orgânicas. Nenhum processo sintético
pode reconstruir por completo um produto natural. É importante compreender as diferenças entre os
óleos sintéticos (possíveis em razão dos recentes avanços da química) e os óleos puramente essenciais.
As substâncias sintéticas e as fragrâncias artificiais podem replicar o aroma das substâncias botânicas,
mas são os complexos componentes as propriedades terapêuticas e as qualidades aromáticas reais.
Perfumes e cosméticos sintéticos podem causar alergias.

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PORTAS DE ENTRADA DOS ÓLEOS ESSENCIAIS

OLFATO
Os óleos essenciais são sustâncias voláteis; ou seja, suas moléculas quando liberadas no ar, formam um
vapor gasoso. Na terapia via inalação, esse vapor é inalado e as moléculas vaporizadas são
absorvidas pela corrente sanguínea através dos pulmões, bem como absorvidos pelos nervos olfativos
através do nariz. Os vapores afetam o sistema límbico, que compreende várias estruturas no cérebro
anterior que lidam com a integração e expressão dos sentimentos, aprendizado, memória, emoções e
impulsos físicos.
Ao inalar o aroma através do nariz, os sentimentos e a memória são afetados. As moléculas
vaporizadas são expelidas via secreções das glândulas endócrinas.
Ao inalar pela boca, os óleos essenciais são absorvidos pelos vasos sanguíneos nos pulmões, o que
afeta todo o sistema respiratório.
O olfato é o mais aguçado dos sentidos, pois os nervos olfativos são extensões diretas do cérebro. O
sistema olfativo do cérebro humano possui um mecanismo chave que nos permite lembrar dos
aromas, criando assim uma percepção individual, uma preferência por determinado cheiro e uma
reação específica a ele. O aroma funciona como uma chave que abre a porta da mente à
verdadeira memória olfativa, estimulando a parte do cérebro que afeta a emoção (sistema límbico).
O OE libera moléculas voláteis e hidrossolúveis que penetram na cavidade nasal onde são captadas
pelos cílios olfativos, enviando impulsos nervosos para o sistema límbico (área do cérebro onde se
processam as informações do olfato e também responsável pelas emoções - uma espécie de arquivo
de cheiros e sensações). Com a chegada dos impulsos nervosos, o sistema límbico reconhece as
moléculas aromáticas e as identifica. É por isso que certos aromas são capazes de afetar nosso humor,
trazer lembranças e provocar sentimentos.

Prosseguindo o caminho, o sistema límbico passa a informação sobre o aroma para o hipotálamo que,
por sua vez, repassa para a hipófise. A informação vai, então, para outras glândulas, influenciando a
atividade imunológica, o batimento cardíaco, a produção de enzimas e hormônios.

Os aromas estimulam o cérebro a liberar substâncias neuroquímicas. A encefalina reduz dor e cria uma
sensação de bem-estar, a endorfina acaba com a dor e induz ao apetite sexual, a seratonina ajuda
relaxar e acalma.
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As moléculas aromáticas que entram pelo nariz também seguem pelas vias respiratórias até o pulmão.
Nos alvéolos ocorrem as trocas gasosas. De lá, as moléculas vão para o sangue junto com o oxigênio.

PELE
Para utilizar oes, diretamente sobre a pele, precisamos de carreadores (óleo vegetal, base de
sabonete, gel e creme neutros). Quando os óleos essenciais são aplicados externamente, as moléculas
são absorvidas pela pele via pequenos vasos sanguíneos. Os óleos são levados ao tecido muscular e
articulações, via corrente sanguínea, as moléculas são levadas para todos os tecidos e órgãos. A
excreção se dá através dos rins, vesícula biliar e pele e é exalada através dos pulmões.

Quando absorvidos pela pele os oes limpam, nutrem, rejuvenescem, equilibram e trazem benefícios
anti-sépticos e relaxantes.

Cada óleo essencial se divide em grupos químicos com diferentes propriedades. Assim, cada tipo
exerce uma função.

PLANOS DE ATUAÇÃO DOS ÓLEOS ESSENCIAIS

Plano Físico
Os óleos essenciais atuam no corpo físico, devido a sua complexa composição química, que lhes
confere as propriedades estimulante, relaxante, anti-séptico, afrodisíaco, digestivo, cicatrizante,
analgésico, diurético, imunoestimulante, entre muitas outras. Quando penetram na pele, vão para a
corrente sanguínea, fortalecendo as defesas naturais do corpo físico, agindo como um estímulo para o
equilíbrio das funções do corpo, restabelecendo as energias e provocando um bom funcionamento
em todos os sistemas orgânicos. As massagens, banhos e compressas localizadas são algumas das
formas de conseguir os efeitos desejados.

Plano Emocional (Psicoaromaterapia)

A psicoaromaterapia utiliza os óleos essenciais para harmonizar o nível emocional, atuando na mente,
nas emoções, chegando às camadas mais profundas do inconsciente.

Os médicos italianos Gatti e Cajola demonstraram o efeito dos aromas dos óleos essenciais e
concluíram: o aroma dos óleos essenciais tem uma ação reflexa e uma grande influência na função
do sistema nervoso. O cérebro reage aos estímulos olfativos e quem coordena é o nosso sistema
límbico, que corresponde aos nossos sentimentos, emoções, memórias e reações aprendidas e
arquivadas.
Em 1950, a cosmetóloga e estudiosa em Aromatologia, Marguerite Mauri foi a primeira a observar a
eficácia dos óleos essenciais no sistema nervoso central quando se inspirou na Medicina Tibetana,
utilizando os óleos essenciais mesclados ao óleo carreador.

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Com isso, ella pode então concluir os efeitos dos óleos de acordo com o aspecto emocional de cada
paciente. Em 1981, William Arnold Taylor volta a comprovar a influência dos óleos essenciais nos
comportamentos e personalidades.
Os aromaterapeutas que se utilizam das pesquisas de Marguerite Maury, Phillippe Maihebiau, Valerie
Ann Wordwood e Julia Lawless sentem-se seguros utilizando-se dos estudos da psicoaromaterapia,
certificando que determinados óleos essenciais com suas moléculas aromáticas são indicados
realmente de acordo com as características de perfil das personalidades. Assim podemos entender
porque as pessoas respondem de forma única e individual ao tratamento da psicoaromaterapia, uma
abordagem ao nível do inconsciente que estabelece um processo para o consciente.
As experiências mais fortes e profundas costumam vir acompanhadas de sensações olfativas. Um
aroma é capaz de despertar as sensações e emoções mais profundas. Quer estejamos andando na
rua, cuidando do jardim, passeando na mata ou tomando um cafezinho, de repente somos tomados
por uma emanação misteriosa que invade nossas narinas e abre as portas do inconsciente.
Plano Vibracional - As plantas da natureza possuem um campo energético (aura) e os óleos essenciais
carregam em suas moléculas as vibrações energéticas de sua planta de origem. Através da
freqüência energética dos óleos essenciais ocorre uma organização do campo energético humano.

Desta forma, podemos dizer que o óleo essencial, no tratamento de aromaterapia, cuida do Ser como
um todo, no seu plano físico, emocional e energético, proporcionando o equilíbrio integral.

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A ARTE DA DESTILAÇÃO – MÉTODOS DE EXTRAÇÃO DE ÓLEOS ESSENCIAIS
Para extrair os óleos essenciais da maneira mais efetiva e terapêutica, são usados vários métodos. São
eles:
Destilação a Vapor - Considerando o método mais comum de extração, é a destilação que produz o
óleo essencial. O processo utiliza água quente e vapor, que combinados com ervas aromáticas, raízes,
folhas, flores, madeiras, espinhos, resinas, produzem o puro óleo essencial e a água de flores que
chamamos de Hidrolato. Na destilação, podem ser várias partes da planta.
A destilação direta é feita fervendo as partes da planta na água. Na destilação a vapor, coloca-se o
material sobre uma grade e o vapor passa por ele. Pode ser a vácuo ou sob pressão, o que faz com
que as paredes celulares das plantas se quebrem e liberam a essência em forma de vapor. As
essências vaporizadas, juntamente com o vapor e outras substâncias, passam para os tanques de
resfriamento através de um tubo. Os vapores, a água floral e os óleos essenciais voltam à forma líquida.
Na maioria dos casos, o óleo fica na superfície e é extraído com um sifão, deixando também no
hidrolato várias de suas propriedades terapêuticas.

Prensagem a Frio (Escarificação) - Este método é usado para obter óleo essencial de frutos cítricos
como bergamota, laranja e limão. Neste processo, as frutas são prensadas e delas extraído tanto o
óleo essencial quanto o suco. Após a prensagem é feita a centrifugação da mistura, através da qual
se separa o óleo essencial puro.

Este método também é usado para extração de óleos vegetais, tais como: óleo extra-virgem de
amêndoas, castanhas, nozes, germe de trigo, oliva, gergelim, semente de girassol, caroço de
abacate, semente de uva e outros.

Enfleurage - Com o método “enfleurage” absoluta, as partes das plantas são extraídas com a gordura
animal ou vegetal, até que seja alcançado o máximo de absorção, então se junta álcool para separar
o óleo essencial da gordura.

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Solvente Químico - Com o método do solvente químico, as partes das plantas são imersas num
derivado petroquímico, um solvente orgânico mineral como o hexano (em vez da gordura animal
usada na “enfleurage”), para que se produza uma espécie de pomada que então é tratada com
álcool, para separar a cera da planta do óleo essencial (obs.: tantos os extraídos com este método
quanto com o anterior, não são óleos essenciais autênticos).

Dióxido de Carbono Hipercrítico - O melhor método de extração é com o dióxido de carbono


hipercrítico, onde os oes são extraídos colocando-se a matéria-prima sob alta pressão por alguns
minutos, mantendo assim a integridade de seus compostos ativos o que permite se obter os óleos
essenciais de melhor qualidade possível e de maior potência terapêutica, sendo este considerado o
melhor método de extração para a aromaterapia.

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Práticas Terapêuticas na Aromaterapia
Área de Saúde
- Medicina
- Enfermagem
- Fisioterapia
- Psicologia
- Medicina Ayurvédica
- Acupuntura (aplicação dos OEs nos pontos de acupuntura)
Massoterapia
- Massoterapia com Aromaterapia
- Massagem Ayurvédica
- Shantala
- Shiatsu
- Do In
Estética
- Massagem Estética
- Drenagem Linfática
- Estética Facial e Corporal
Terapias Complementares
- Healing
- Reiki
- Cura Prânica
- Cristaloterapia
- Cromoterapia
- Aura-Soma

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Os Óleos Essenciais, por serem substâncias extremamente concentradas, só podem ser usados na pele,
diluídos em carreadores (óleo vegetal, álcool de cereais, gel neutro, cremes neutros e base de
sabonete). Os únicos oes que podem ser utilizados diretamente sobre a pele são os de lavanda e tea
tree.
CARREADORES NA AROMATERAPIA
Os carreadores são usados na aromaterapia como condutores dos óleos essenciais para o nosso
corpo. Sua função é carrear os óleos essenciais, nutrir e proteger a pele. Podem ser aplicados
diretamente sobre a pele.
1) ÓLEOS VEGETAIS – os óleos vegetais são puros e extraídos por prensagem a frio. Podem ser usados no
corpo como hidratante e, na aromaterapia, como base para adicionar óleos essenciais.
Entre os óleos carreadores, cada qual possui uma particularidade própria que os distingue uns dos
outros. Entre os carreadores, alguns são mais indicados para determinados tipos de pele conforme sua
densidade própria, abaixo segue uma pequena lista ilustrativa de indicações por tipo de pele. Os
óleos indicados para pele oleosa podem ser empregados em peles secas, porém não se deve fazer o
contrário. Evite o uso de óleos carreadores em peles com problema de acne.

Óleos para pele seca Óleos para pele normal Óleo para pele oleosa

Óleo de amêndoas Óleo de gergelim Óleo de semente de uva


Óleo de rosa mosqueta Óleo de jojoba Óleo de girassol
Óleo de gergelim Óleo de calêndula Óleo de coco

Óleo de Amêndoa Doce Prunus amygadalus – Extraído por prensagem a frio é rico em vitamina E e
Cálcio. Previne rachaduras e ressecamento. Indicado para peles secas e para prevenir estrias e
rachaduras.
Dica - usar durante a gravidez para prevenir estrias.
Obs.: O óleo de amêndoas de melhor qualidade é o extraído por prensa a frio sem o uso de solventes.
Normalmente é difícil se conseguir o óleo prensado a frio, pois a maioria dos óleos atualmente
disponíveis são extraídos por processos químicos. O óleo de amêndoas prensado a frio é reconhecido
por ser levemente espesso e de aroma muito forte.
Óleo de Copaíba Copaifera officinalis – Extraído direto do tronco da árvore.
A árvore da Copaíba é encontrada principalmente no sul da floresta tropical, particularmente no Brasil
(Região Amazônica), Colômbia, Peru e Venezuela, e atinge de 18 a 30 metros de altura. O bálsamo
extraído é retirado de dentro do tronco da árvore com o auxílio de um instrumento chamado “trado”
que perfura sem danificá-lo. Depois de retirado o óleo, fecha-se o orifício usando um pedaço de
madeira. Este processo não agride a copaibeira, permitindo que ela continue produzindo essa
importante resina, um líquido claro, com tom amarelado.
O óleo de copaíba é bastante utilizado em todos os tipos de preparações medicinais, tanto internas
como também externas. Suas propriedades terapêuticas sobre as vias urinárias e pele são desde há
muito conhecidas, sendo por isso empregado no tratamento de cistites crônicas, bronquites e diarréias,
tratamento de hemorróidas e manchas escuras de pele. Na área Nordeste da Amazônia, a resina é
usada pelas tribos indígenas como cicatrizante para ferimentos na pele, psoríase e também no
tratamento da gonorréia. É um agente anti-inflamatório notável, sendo usado em problemas como a
caspa, úlcera estomacal, acne e para trazer brilho ao cabelo.

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Óleo de Gergelim ou Sésamo Sesamum indicum – Extraído por prensagem a frio é rico em vitamina A, B
e E. A presença de cálcio no óleo é altamente efetiva para acalmar os nervos, conter a ansiedade e
sintomas mentais de stress. Contém sesamol que é um filtro solar natural. É um óleo muito usado pela
medicina ayurvédica para aumento da energia vital, tratamento de fadiga, reumatismo, artrite, e
problemas circulatórios. Trata a pele seca, irritada e danificada, aumentando sua tonicidade e
firmeza. É energético e condutor de energia e calor. É considerado um excelente remédio para
problemas do cérebro, como má memória e esquecimento, pois age aumentando e fortalecendo os
glóbulos vermelhos do sangue o que melhora a oxigenação do cérebro. Além disso, possui um alto
teor de vitamina E (vitamina da juventude), considerada um agente rejuvenecedor. Também contém
aminoácidos que melhoram a transmissão dos impulsos nervosos, que estão diretamente relacionados
à memória. É utilizado no cabelo, pelos indianos, para reforçar a absorção do prana (energia vital).
Indicado para peles secas e sem vida.
Dica: massagear os pés antes de dormir para uma boa noite de sono.
Óleo de Girassol Helianthus annus – Extraído por prensagem a frio das sementes. As sementes de
girassol contêm vitaminas A, D e E e são também ricas em minerais como cálcio, zinco, potássio, ferro e
fósforo. Dica: Bom óleo para usar em massagens.
Óleo de Jojoba Simmondsia chinensis – Extraído por prensagem a frio das sementes é rico em vitamina
E. Devolve a oleosidade natural da pele. Peles secas e normais. Dica – passar jojoba nos fios do cabelo
dá brilho e trata pontas duplas.
Obs.: Não fica rançoso com o tempo, por isso é um bom veículo para óleos essenciais e usado na
fabricação de perfumes, além de não deixar que os óleos carreadores em geral fiquem rançosos com
grande rapidez se adicionado a eles.
Óleo de Neem Azadirachta indica
Neem é uma planta de múltiplos usos que têm sido utilizada terapêuticamente por mais de 4.000 anos.
É uma frondosa árvore tropical conhecida na Índia como "farmácia da aldeia" , devido às suas
propriedades antivirais, antibacterianas, antifúngicas e anti-parasíticas. O seu óleo é obtido pela
prensagem a frio das sementes.
É muito utilizado como inseticida natural, sendo não tóxico para humanos, animais, além de não afetar
insetos benéficos.
As propriedades antibióticas do óleo de neem são úteis em problemas como acne, unha encravada,
machucados e condições sérias da pele. Dentro da cosmética, o óleo de neem atua restaurando a
maciez e elasticidade natural da pele, enquanto age como um desinfetante da mesma. Neem
também pode ser adicionado ao shampoo, óleo pós-banho e cremes hidratantes. Excelentes
propriedades antifúngicas são relatadas especialmente contra pé-de-atleta, bicho-de-pé, cândida e
outros fungos que atuam causando alergias, queda de cabelo e descamação da pele. Destrói
Staphylococcus aureus e Salmonella typhosa.
Óleo de Rosa Mosqueta Rosa rubiginosa – Extraído por prensagem a frio dos frutos da rosa mosqueta.
Possui grande quantidade de Vitamina C, que é essencial para o metabolismo celular. Apresenta
também em sua composição os Flavonóides, responsáveis pela estimulação da circulação sanguínea,
intensificando a nutrição celular.
Tem efeito calmante, hidratante e regenerador celular. Este óleo também pode ser usado na região
do olhos e ao redor dos lábios para prevenir envelhecimento do tecido e reduzir linhas de expressão.
Indicado para todos os tipos de pele exceto as oleosas. Dica – aplicar em cicatrizes para diminuir
marcas e quelóides (massagem pós-cirúrgico com OE de lavanda), manchas na pele, prevenção e
tratamento de estrias, rugas e linhas de expressão muito acentuadas.
Óleo de Semente de Uva Vitis vinifera – Extraído por prensagem a frio das sementes. Possui grande
quantidade de vitamina E – regenerador, hidratante e nutritivo. Auxilia na elasticidade dos tecidos,
restaurando o colágeno e melhorando a circulação periférica. Excelente para o uso em massagens,
pois é leve, não contém odor e é facilmente absorvido pela pele. Indicado para todos os tipos de
pele. Dica – excelente carreador para aromaterapia e pode ser usado ao redor dos olhos e pescoço.
É indicado no tratamento de obesidade, celulite e estrias, pois auxilia na elasticidade dos tecidos,
reduz o inchaço e o edema, restaura o colágeno e melhora a circulação periférica. Atua como
excelente antioxidante.

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2) ÓLEOS MACERADOS – na confecção dos óleos macerados são usadas ervas ou plantas frescas que
são adicionadas a um óleo vegetal para a maceração. O processo de maceração dura de 4 a 8
semanas, depois a erva é coada e o óleo macerado é armazenado em vidro âmbar.
Óleo de Calêndula Calendula officinalis – ação antiinflamatória, emoliente, anti-séptica, calmante e
cicatrizante. Indicado para peles irritadas, ásperas, rachadas e envelhecidas. Atenua cicatrizes antigas
e rugas causadas pelo sol. Dica - usar em queimaduras, assaduras e rachaduras. Ótimo para bebês e
melhor idade. Passar nas pernas para prevenir varizes.

3) CREME NEUTRO
Corpo - Para cada 50 gramas de creme neutro acrescentar de 50 gotas da sinergia de óleos
essenciais.
Face – Para cada 5 gramas (1 colher de sobremesa) acrescentar 2 gotas de óleo essencial
4) GEL NEUTRO
Face e couro cabeludo – Para cada 10 gramas (1 colher de sopa) acrescentar 2 gotas de óleo
essencial.
5) BASE DE SABONETE LÍQUIDO
Para cada 100ml de base neutra sabonete líquido acrescentar 100 gotas da sinergia de óleos
essenciais.
6) ÁLCOOL DE CEREAIS
Utilizado para fazer perfumes, sprays, água essencial e tintura

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