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ORIENTAÇÕES PARA PRÁTICA PROFISSIONAL

A disciplina Orientações para a Prática Profissional pertence ao curso de Serviço Social, nela você vai
conhecer:

1. A instituição: seus sistemas de poder e o profissional de serviço social;


2. O espaço profissional do Serviço Social e os papéis do assistente social
3. Estratégias de ação profissional
4. Instrumentos e técnicas de intervenção Social
5. Principais técnicas de educação e organização populares
6. Produção de informações
7. Registro e documentação
8. Diretrizes do estágio curricular Supervisionado
9. Orientação sobre a inserção nos campos de estágio

BIBLIOGRAFIA

Fique atento aos livros que servirão de base para o conteúdo das aulas, bem como para sua consulta:

1. BENJAMIN, Alfred. A Entrevista de Ajuda. 12 ed. SP: Martins Fontes, 2008.

2. BURIOLLA, Marta Alice Feiten. Estágio Supervisionado. 4. ed. São Paulo: Cortez, 2008.

3. CONSELHO REGIONAL DE SERVIÇO SOCIAL DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO (7. Região).


Assistente social: ética e direitos: coletânea de leis e resoluções. 4. ed. Rio de Janeiro, 2006.

4. FALEIROS, Vicente de Paula. Metodologia e Ideologia do Trabalho Social. 10 ed. SP: Cortez, 2010.

5. SOUZA, Charles Toniolo de. A Prática do Assistente Social: conhecimento, instrumentalidade e


intervenção profissional. Emancipação, Ponta Grossa, v 8, n 1, p 119-132. Disponível em
http://www.uepg.br/emancipação. Acesso em: 2 jul 2011.

ESTA DISCIPLINA, DO CURSO DE SERVIÇO SOCIAL, PRETENDE OFERECER AO ALUNO A


POSSIBILIDADE DE TER UM CONHECIMENTO APROFUNDADO SOBRE A PRÁTICA DO
SERVIÇO SOCIAL E SEUS INSTRUMENTOS E PROBLEMATIZAR AS CONDIÇÕES
INSTITUCIONAIS DA PRÁTICA PROFISSIONAL DO SERVIÇO SOCIAL.

Ao final desta aula, o aluno será capaz de:

1. Conhecer como se deu o processo de institucionalização do Serviço Social, ou seja, como o Serviço Social
passou a atuar no interior das instituições e por quê.
AULA 1: A INSTITUCIONALIZAÇÃO DO SERVIÇO SOCIAL
*É claro que vocês já ouviram falar de Feudalismo, que, como já estudaram em outras disciplinas, é um modo
de produção, que durou por toda a Idade Média. E a Idade Média durou aproximadamente 1000 anos! Teve
seu início no século V e final no século XV. Vamos relembrar um pouco de História? Os feudos eram espaços
geográficos, políticos e sociais onde as pessoas viviam e onde existiam duas classes sociais bem distintas: os
nobres, ou senhores feudais, e os servos, ou camponeses, que não chegavam a ser escravos, mas que também
não eram livres.

Os feudos eram independentes, cada um possuía suas próprias leis, moeda, modos de vida, não existiam
Estados, porque o poder estava dividido entre os vários senhores feudais. A Igreja era a instituição mais
poderosa da época, uma vez que a riqueza da época estava ligada à terra e ela era a maior proprietária de
terras.

O senhor feudal era aquele que possuía as terras e servo era aquele que trabalhava nela. Nessa época, a
economia era basicamente agrícola e de subsistência, ou seja, servia para a sobrevivência das pessoas que
viviam no feudo. Só os produtos excedentes eram comercializados.

O senhor feudal não trabalhava, vivia à custa do trabalho do servo. A vida do servo era bastante penosa, ele
cultivava a terra e tinha que pagar pesados tributos ao nobre. Era um tipo de troca: o servo tinha um lugar para
ele e a sua família morar, um pedaço de terra para plantar, mas, em compensação, tinha que pagar por isso.
Vocês já concluíram que as condições de vida dos servos não eram nada boas, pelo contrário, eram bastante
penosas. Mas apesar dessa exploração a que os servos eram submetidos, eles podiam contar com certa
proteção, digamos assim, por parte dos senhores feudais, nos casos de doença, morte, catástrofes naturais.
Também existiam laços de solidariedade entre os próprios servos. Assim, as possibilidades de revoltas eram
reduzidas e não chegavam a ameaçar essa ordem social.

Uma série de fatores concorreu para o fim do feudalismo, como as cruzadas, o desenvolvimento das técnicas
agrícolas, o que gerou um renascimento comercial e urbano e o surgimento do capitalismo, em meados do
século XV. E as condições dos servos que já não eram boas, ficaram ainda piores. Eles foram expulsos de suas
terras, ou como a literatura costuma mencionar, expropriados dos seus meios de produção (terra e
instrumentos de trabalho).

Também não podiam mais contar com a proteção dos senhores feudais e tiveram que trabalhar nas fábricas
vendendo o único bem que possuíam que era a sua força de trabalho em troca de um salário que, na maioria
das vezes, mal dava para a sobrevivência do trabalhador e de sua família. E isso para quem conseguia se
empregar, pois não havia emprego para todos e nem eles estavam preparados para realizar outra tarefa que não
fosse aquela que realizavam no campo.

Conclusão: desemprego, mais miséria, altos índices de mortalidade, entre tantos outros problemas que no
conjunto são chamados de Questão Social e que fizeram surgir uma legislação punitiva contra aqueles que não
se enquadravam. E tudo isto num momento que novas ideias estavam surgindo, ideias que valorizavam o
indivíduo, que traziam a noção do direito individual, que negavam a tirania das relações sociais estabelecidas
no modo de produção feudal. Havia um clima de inconformismo no ar e muitos pensadores começaram a
buscar respostas para os problemas da época. É nesse contexto que surge um movimento chamado
Iluminismo. Para os pensadores desse movimento (Voltaire, Montesquieu e Rousseau, só para citar alguns)
somente através da razão o homem podia obter conhecimento e mudar a realidade. E o que eles queriam
mudar? O antigo regime, o sistema feudal e suas ideias de permanência das coisas. Eles atacavam os
privilégios da nobreza e o sistema monárquico e defendiam uma sociedade baseada no direito dos cidadãos, na
liberdade individual.
Para os iluministas, a monarquia se chocava com as descobertas científicas e as ideias progressistas que
estavam se desenvolvendo. Vamos destacar uma dessas ideias? A de que a natureza e o Universo estavam em
constante movimento. Exatamente como diz a música “Como uma onda”, de Lulu Santos e Nelson Motta.
Voltando à época do Feudalismo, “se tudo muda o tempo todo no mundo” estava na hora do antigo regime ser
contestado. Foram essas ideias que influenciaram as Revoluções Liberais, entre elas, a Revolução Francesa,
que foi definitivamente o momento de transição do feudalismo para o capitalismo.

As revoluções não conseguiram equacionar os problemas sociais, que foram se agravando e o século XX
começa em meio a muitos conflitos em todo o ocidente, tanto que alguns pensadores o chamam de “Século
Sangrento”. Nessa época, com a expansão do capitalismo, as condições de vida e trabalho da maior parte da
população eram bastante precárias. Um filme que retrata bem esse panorama é Tempos Modernos, de Charles
Chaplin.

... mas tudo isso vocês já viram em outras disciplinas, principalmente em Serviço Social e a Questão Social.
Lembram? E devem estar se perguntando: e a prática institucionalizada com isso? Tem tudo a ver por que foi a
partir dos conflitos ocasionados pelas péssimas condições de vida e trabalho que o Estado é chamado para
intervir nessa questões. E o Serviço Social nasce como profissão no mundo ocidental.

Para na esquecer: A institucionalização da profissão está diretamente relacionada à


progressiva intervenção do Estado nos problemas resultantes da exploração do
trabalho, ok?
Com o sistema capitalista se firmando e se expandindo e gerando mais problemas
sociais, o Estado e os empresário precisavam de um profissional que atuasse no meio
desse conflitos. Havia muitos interesses em jogo e muita tensão, o que poderia
colocar em cheque a ordem social. Esse profissional era o assistente social.

IDEOLOGIA LIBERAL
É a ideologia que defende a não intervenção do Estado na economia. Em outras palavras, é a ideologia que
justifica e defende o capitalismo. Não é preciso muita imaginação para concluir que, nos países
industrializados, essa intervenção do Estado se deu muito devagar e em meio a conflitos.

E NO BRASIL, COMO SE DEU ESSE PROCESSO?


Nada diferente. A ideologia liberal, que já estava presente no regime monárquico, foi transportada para o
regime republicano e se tornou a principal responsável pela posição do Estado brasileiro em não reconhecer a
questão social e, conseqüentemente, da não intervenção dele nessa questão.
Com a industrialização, a exploração da força de trabalho tornou-se insuportável, e várias foram as
reivindicações dos trabalhadores. Eles lutavam pela redução da jornada de trabalho, regulamentação de
trabalho da mulher, da criança e do adolescente, dos acidentes de trabalho, entre outros. E, como vocês já
sabem, as relações trabalhistas eram da esfera do Código Penal. Conclusão: essas reivindicações eram tratadas
como caso de polícia. Mesmo assim, graças a esses movimentos, as leis de proteção ao trabalhador foram
pouco a pouco sendo conquistadas. Mas eram tratadas como concessões (e não uma questão de direito) a
segmentos organizados que poderiam colocar em risco a ordem social e o processo de acumulação.
A primeira legislação social surge somente em 1919, responsabilizando as empresas pelos acidentes de
trabalho, o que não teve grande impacto nas condições de trabalho. Foi somente na década de 30, no governo
de Getúlio Vargas, que o Estado passa a reconhecer como direito um conjunto de leis de proteção ao
trabalhador. Em outras palavras, passa a reconhecer a questão social como o resultado da relação capital x
trabalho.
Assim, podemos afirmar que antes de 1930 existia um conjunto de medidas que visava apenas garantir a “paz
social”.
Mas, a partir desse reconhecimento, o Estado precisa criar políticas e instituições para a regulamentação da
questão social, e isto em vários setores. Com o fim da Segunda Guerra Mundial, a produção industrial se
expande, o que exige uma maior presença do Estado no mercado de trabalho.]

Para não esquecer: É com o surgimento dessas grandes instituições que acontece tanto a legitimação quanto a
institucionalização do Serviço Social. E o disciplinamento passa a ser um dos objetivos principais de ação
dessas instituições. E os assistentes sociais passam a ocupar o lugar de executores das política sociais. O que
quer dizer que o planejamento dessa política era de responsabilidade de outras categorias profissionais.
Ganha um doce quem acertar quais objetivos e o caráter da atuação do assistente social nas instituições dessa
época. E é assim que o Serviço Social depende de uma instituição para poder atingir seus objetivos. É por isso
que, embora seja reconhecido como profissional liberal, vamos encontrar o assistente social atuando dentro
das instituições. Costumo brincar em minhas aulas dizendo que é por este motivo que o assistente social não
pode “abrir uma portinha” e colocar uma placa chamando a clientela, como fazem os psicólogos, os dentistas,
médicos, entre outros profissionais liberais.

Os objetivos da ação e a própria atuação profissional hoje são bem diferentes dos daquela época. São
diferentes porque o Movimento de Reconceituação rompeu, entre outros aspectos, com essa lógica
reducionista do profissional como executor das políticas, ampliando as possibilidades de atuação profissional
e o assistente social passou a também a “pensar” as políticas sociais, a atuar no seu planejamento.

*A legislação avançou nesse sentido, sendo que a Lei de Regulamentação da Profissão (Lei 8662/93), no
artigo 4, Incisos I e II, preconiza quer:
I – elaborar, implementar, executar e avaliar políticas sociais juntos a órgãos da administração pública, direta
ou indireta, empresas, entidades e organizações populares;

II – elaborar, coordenar, executar a avaliar planos, programas e projetos que sejam do âmbito de atuação do
Serviço Social com participação da sociedade civil.

Para realização dessas atividades preconizadas pela legislação, o assistente social trabalha dentro das
instituições das mais diferentes naturezas, que têm diferentes objetivos.

Como trabalho de casa, proponho que vocês visitem o site do CFESS: http://www.cfess.org.br e destaquem o
que encontrarem de interessante sobre a prática profissional.

Mas fiquem atentos, para se trabalhar dentro das instituições é preciso responder a algumas questões
fundamentais:
O que é uma instituição?
Quais os seus objetivos, missão, natureza, quais as forças/interesses que normalmente concentram?

Nessa aula você:


Conheceu, através de um brevíssimo resgate histórico da profissão, como se deu o processo de
institucionalização do Serviço Social.
AULA 2: O ESPAÇO DE REALIZAÇÃO DA PRÁTICA
PROFISSIONAL
Quando falamos em instituição, normalmente nos vêm à cabeça um espaço físico, definido por uma missão,
objetivos, finalidade, ordenado por procedimentos, rotinas, práticas, e caracterizado por um modus operandi
que costumamos chamar de cultura institucional.
É por isso que nos acostumamos a dizer que um determinado hospital, o Souza Aguiar, por exemplo, é uma
instituição, do mesmo modo como dizemos que o Tribunal de Justiça do Ceará, a Universidade Estácio de Sá,
o Senado Federal, uma determinada Rede de Televisão são instituições.

A Questão se complica quando dizemos o seguinte: a Família, a Linguagem, o Trabalho, a Educação, a Mídia,
a Religião, a Democracia, a Justiça também são instituições
* Será que estamos falando da mesma coisa? Não estaríamos dando o mesmo nome a coisas diferentes?
*E, quando dizemos que o Serviço Social, a Psicologia, a Medicina, o Direito, ou qualquer profissão
constituída também são instituições?
*Como você já viu, esse estranhamento acontece porque costumamos pensar em instituição como algo
concreto. Porque nos acostumamos a associá-lo a um lugar no espaço, a uma organização em particular, com
denominação jurídica, onde diferentes profissionais realizam seu trabalho, regidos por normas, rotinas e
procedimentos, os quais se destinam à realização de determinados objetivos e finalidades.

*Na realidade, essa estruturas, cuja denominação mais precisa é Organização, são os dispositivos concretos
através dos quais se materializam a missão e os objetivos das instituições. Não se preocupe, veja a
representação abaixo para entender melhor.

As Organizações, normalmente, são compostas por estruturas menores, os Estabelecimentos, os quais podem
ser integrados por dispositivos técnicos, os Equipamentos. Assim, podemos dizer que a Universidade Estácio
de Sá, por exemplo, é uma Organização, composta por estabelecimentos e equipamentos. Uma Organização
que, ao fazer parte do Sistema Educacional do Pais, está subordinada à missão e aos princípios formulados no
espaço institucional da Educação.
Tomemos alguns princípios que norteiam o Ensino Superior no Brasil: transmissão da cultura, conservação do
conhecimento tradicional, produção cientifica, desenvolvimento de pesquisas, formação profissional. Todas as
universidades do pais se obrigam a adequar suas estruturas, suas práticas acadêmicas a essa Missão. É,
portanto, no sentido de que as universidades constituem o espaço de materialização dessa missão que
podemos denominá-las de instituição. Elas são Instituições Educacionais ou Instituições de Ensino Superior.
Você percebeu a sutileza do raciocínio?
Quando conceituamos instituição de outra maneira, tendemos a vê-la como algo quase imutável, quase como
se já tivesse nascido pronto, rígido, petrificado, não é mesmo?
Pois então, se observarmos a historia de uma instituição qualquer vamos perceber o quanto ela mudou ao
longo do tempo. O quanto seus aspectos mais rígidos, como regras, rotinas e procedimentos, e também o
pensamento dominante, o discursos, as práticas, forma acompanhando as transformações da sociedade.

VAMOS CONCEITUAR INSTITUIÇÃO


*Primeiro, precisamos nos habituar a associar o termo instituição não mais a um espaço físico, mas às relações
sociais concretas que lhes dão significado, ou seja, às práticas institucionais.
Assim, começamos a ampliar o conceito, a analisar as instituições na sua dimensão sócio-histórica, política, a
vê-las em seu constante processo de transformação, como parte da realidade social que, por sua natureza, é
mutável, flexível.

Veremos mais à frente que isso será decisivo para a compreensão dos limites e possibilidade de atuação do
assistente social e para a formulação das estratégias de intervenção profissional.
Partindo desse ponto de vista, tomamos de empréstimo o pensamento de Marlene Guirado (2000, p. 81)

Instituição ou “Práticas Institucionais” é o conjunto de práticas ou de relações sociais concretas que se


reproduzem e nessa reprodução se legitimam socialmente, ou seja, o que caracteriza uma instituição é o fato
de certas práticas, certas relações, certos comportamentos, se repetirem em seus padrões básicos e ganharem,
com isso, naturalidade, reconhecimento e legitimidade. Assim, Instituição ou “Práticas Institucionais” é um
determinado fazer peculiar que se repete, que adquire regularidade, que é reconhecimento, e que, por isso,
realiza um “Instituto”.
É assim mesmo. Quando dizemos que alguma coisa está instituída ou se institucionalizou é porque, de tanto
que se repetiu, virou uma prática, uma coisa natural, reconhecida e legitimada socialmente. Quem está dentro,
faz de forma habitual, e quem está fora, reconhece, sabe que existe.
Ninguém precisa saber com detalhes, por exemplo, todos os objetivos da Educação ou da Saúde, para
reconhecer que a universidade é um lugar do saber, do aprendizado, da formação, e que um hospital se presta
a curar doentes. Do mesmo modo, o professor e o aluno sabem exatamente o que vão fazer quando entram em
uma sala de aula, assim como o médico, o enfermeiro e o assistente social sabem quais são as suas tarefas
dentro do hospital. Por essa lógica é que se pode considerar as teorias e metodologias desenvolvidas em
qualquer área do conhecimento como práticas institucionais.
No campo do direito, por exemplo, independente das muitas especialidade, das diferentes concepções que ali
circulam, existe uma base comum de conhecimento acumulado, sistematizado, e de práticas padronizadas (as
Leis, os ritos processuais, os códigos de conduta), que faz com que todos se entendam, falem a mesma língua,
se reconheçam, não apenas entre si, mas na relação com outras instituições, enfim, com a sociedade. È assim
com a Medicina, com a Engenharia, com o Serviço Social. Nossa profissão, por exemplo, é relativamente
nova, tem menos de um século, mas ao longo desse tempo produziu conhecimentos e desenvolveu técnica
suficientes que a credenciaram como uma área de saber peculiar, cujas metodologias, técnicas instrumentos,
condutas, estão sistematizadas na Lei de Regulamentação da Profissão, no Código de ética Profissional, no
acumulo de conhecimento produzido ao longo da sua história e até nas polêmicas. Por tudo isso, o Serviço
Social e todas as profissões reconhecidas e legalmente constituídas, são instituições. Nesse sentido instituição
é uma entidade abstrata, que faz movimentar sentidos e interpretações, que organiza nosso pensamento sobre
o mundo a nossa volta e sobre nós mesmos. São as representações, as interpretações e significados que damos
às coisas – a partir dos “instituídos” – que nos servem de guia em nossas relações com os outros, com o
cotidiano, com o mundo (e conosco). E esta possibilidade de saber o que é e o que não é está demarcada nos
diversos tipos de instituições que compõe o tecido social.
Daí, podemos extrair uma outra conclusão: a sociedade é, nesse sentido, um tecido de instituições que se
interpenetram e se articulam entre si com o objetivo de regular, de criar e de manter as condições de convívio
e das relações entre sujeitos. A esse tecido de instituições, podemos chamar de Ordem Social, Ordem
Dominante ou Discurso Dominante. Ou seja, embora se possa dizer que as instituições, em função dos seus
desenvolvimentos particulares, sejam autônomas, esta autonomia é sempre relativa, porque o tempo todo elas
dialogam, confrontam, interrogam, cooperam, disputam, umas com as outras. É essa interdependência, essa
interpenetração discursiva, que revela o caráter dinâmico da Ordem Social. Isso quer dizer que é inútil tentar
analisar um determinado “fazer”, uma determinada “prática institucional”, isoladamente, depurando-as das
condições institucionais que a geraram. O que é o mesmo que dizer: não há prática sem contexto nem contexto
sem prática.

ATENÇÃO - quando falamos em contexto, estamos falando de processos (contexto nunca pode ser pensando
como algo rígido, petrificado) que se desenvolve na relação tempo/espaço. Estamos falando de tempo
histórico, de cultura, de mentalidades, de luta de classe, de confronto de idéias, de relações de poder. Para que
possamos entender melhor esse raciocínio, vamos fazer um exercício de livre associação, nos moldes da
psicanálise.

Quando falamos em família, não na família concreta do Seu José e Dona Amália, mas na Família enquanto
uma entidade abstrata, uma instituição, o que nos vêm à cabeça?

Se esta pergunta estiver sendo feita a um sujeito estudioso e/ou profissional das áreas humanas, morador de
uma metrópole de um país ocidental, no inicio do Século XXI, talvez pudesse surgir as seguintes associações:

Agora, imagine um sujeito que estivesse vivido na primeira metade do Século XX. Provavelmente, não
associaria a violência domestica ao termo Família, pois a tirania no seio da família, que vitimizava a mulher e
os filhos, só emergiu como um problema, ganhando visibilidade e se constituindo num fenômeno contra o
qual inúmera leis protetivas foram promulgadas, quando o poder patriarcal que dava ao Pai plenos poderes,
começou a ser questionado, notadamente após a Segunda Guerra Mundial.
Hoje, só os nostálgicos têm uma representação da família como uma instituição rigidamente hierarquizada,
fechada, na qual o patriarca, o provedor, pode tudo. E esta profunda transformação social, que mexeu nas
mentalidade, comportamentos, leis, discursos e práticas institucionais, resultou de processos combinado,
desencadeados por inúmeros fatores, com destaque para dois:
*O ingresso definitivo da mulher no mercado de trabalho, o que intensificou as lutas por emancipação e
igualdade de direitos.

*A promulgação da Declaração Universal dos Direitos Humanos (1948), que inspirou a construção de um
Direito Internacional fundado no princípio da Dignidade da Pessoa Humana, que dentre outras convenções,
fez nascer a Convenção Internacional dos Direitos das Crianças (1959).

O mesmo se pode dizer da referencia ao divórcio e a outros modelos de família, como por exemplo a
“monoparental” ou a “refeita”, o que demonstra que a família nuclear, nos tempos atuais e em grande parte do
mundo ocidental, deixou de ter exclusividade na conceituação de família.
Daqui a algum tempo, provavelmente, um outro sujeito citará, nesse mesmo exercício de associação, a família
homoafetiva, dado o processo em curso de reconhecimento e legitimação do direito de gays e lésbicas se
constituírem com família. E, vejam, isso independe de qualquer julgamento moral. Tem a ver, simplesmente,
com a percepção, com o reconhecimento dos processos objetivos da realidade que, afinal, têm o poder de
transformar as instituições.

E, se esse meso exercício de associação fosse sugerido a um indiano, ou a um afegão, ou a um chinês, ou um


angolano? Alguém tem duvida de que a representação que cada um deles tem da Família é diferente entre si, e
bastante diferente da nossa?

AQui, entram na análise institucional, além do tempo histórico, as diferentes tradições culturais,
marcadamente as profundas diferenças que persistem, e que persistem, e que a globalização não conseguiu
homogeneizar, entre a cultura ocidental e a oriental.

Recapitulando...
Até o momento, buscamos construir um conceito de instituição que rompesse com a visão idealista,
mistificadora e conservadora que a define como algo pronto e acabado, imune às ações de seus agentes e das
demais forças sociais. Por isso, colocamos no mesmo registro instituição e práticas institucionais, quase como
sinônimos. Até o momento, buscamos construir um conceito de instituição que rompesse com a visão
idealista, mistificadora e conservadora que a define como algo pronto e acabado, imune às ações de seus
agentes e das demais forças sociais. Por isso, colocamos no mesmo registro instituição e práticas
institucionais, quase como sinônimos. Dissemos também que instituição ou “práticas institucionais”
corresponde a um “fazer” que se repete, que se padroniza, realizando um “instituído”. Para fecharmos esta
aula, falta levantar uma última questão, que, aliás, está intimamente ligada aos processos de transformação
social: a questão do Poder, e é sobre isso que falaremos a seguir!

1 - Se falamos de “práticas”, de um “fazer”, de “ações”, estamos, evidentemente, falando de atributos de


pessoas, de sujeitos sociais, certo? Mas, no terreno institucional, costumamos adjetivar esses termos. Não
falamos apenas em práticas, mas em “práticas institucionais”; não nos referimos a um fazer qualquer, mas a
um “fazer” que se repete, que se padroniza em rotinas e procedimentos. E quando atribuímos essas ações a
alguém, é ao “agente institucional”, não a uma pessoa qualquer.

2 - Isso nos leva a imaginar, corretamente, que há um discurso dominante, uma lógica prevalecente. O
problema está em imaginarmos que a reprodução do discurso dominante, que delimita as práticas
institucionais, definindo o perfil e a natureza da instituição, se dá de cima para baixo, por meio de mecanismos
de poder regulamentados, burocráticos.

3 - Não é bem assim. Para ajudar na discussão, mas tendo claro que vamos apenas iniciá-la, tomemos o
pensamento de Foucault. Para ele, o Discurso não é a expressão das relações sociais, mas o terreno onde essas
relações se realizam. Foucault concebe o Discurso como ato, como prática instituinte: confira a seguir.
4 - “O Discurso não é simplesmente aquilo que traduz as lutas ou os sistemas de dominação, mas aquilo pelo
que se luta, o poder do qual queremos nos apoderar...Em toda sociedade a produção do discurso é controlada,
selecionada, organizada...de modo a conjurar seus poderes e perigos, dominar seu acontecimento aleatório,
esquivar sua terrível materialidade”. (Foucault, 1996, p. 10).

5 - Podemos admitir que as práticas sociais se constituem discursivamente, que a linguagem é uma forma de
ação e que as coisas ditas estão na base das dinâmicas de poder e saber de seu tempo.
Essa discussão, sabemos, é bastante abstrata e complexa. Mas, nas próximas aulas, à medida que formos
amadurecendo e incorporando outros conceitos, veremos que o bicho é menos feio do que parece.

Para tornar essa discussão um pouco mais concreta, inteligível, vamos analisar o exemplo a seguir.
Hiltler, antes de ocupar boa parte da Europa com as tropas nazistas e levar quase o mundo todo a uma das
guerras mais terríveis, teve que legitimar o discurso do Nacional-Socialismo, que pregava a supremacia da
dita raça ariana sobre as outras, e daí, sobre todos os povos. Nenhum lunático seria capaz de tamanha façanha,
se essas idéias não encontrassem ressonância junto ao povo alemão da época, a ponto de se constituir em ato,
em discurso dominante ou aquele que disputa esta posição, é sempre um discurso ressonante, que se constitui
como tal, apoiado sobre bases objetivas e subjetivas, sobre suportes institucionais.

Pode não parecer, mas esses conceitos, essa forma de problematizar os processos sociais, aí incluídas as
instituições e suas relações, servem como instrumentos de análise imprescindíveis para a atuação do assistente
social, esteja ele onde estiver.
Mas, não fique ansioso, o manejo desses conceitos, desses recursos analíticos só se aprimora com o tempo, na
constância da relação teoria/prática.

Nessa aula você:


Compreendeu que instituição ou práticas institucionais é o conjunto de práticas ou de relações sociais
concretas que se reproduzem e nessa reprodução se legitimam socialmente, ou seja, o que caracteriza uma
instituição é o fato de certas práticas, certas relações, certos comportamentos, se repetirem em seus padrões
básicos e ganharem, com isso, naturalidade, reconhecimento e legitimidade.
relacionou instituição ou práticas institucionais com a constituição da Ordem Social vigente;
interpretou a sociedade como um tecido de instituições que se interpenetram e se articulam entre si com o
objetivo de regular, de criar e de manter as condições de convívio e das relações entre sujeitos;
compreendeu que as práticas institucionais, e também as práticas sociais, se constituem discursivamente;
que a linguagem é uma forma de ação e que é no terreno discursivo que as relações de poder/saber se
realizam, ditando a dinâmica das transformações sociais.
AULA 3: COMPETÊNCIAS E HABILIDADES DO ASSISTENTE
SOCIAL
Antes de apresentarmos as competências do profissional do Serviço Social, vamos conhecer as condições nas
quais elas foram construídas. Lembra-se de que na primeira aula estudamos que “tudo muda o tempo todo no
mundo”? Pois é, o Serviço Social como profissão também mudou. Na década de 80, década conhecida pelos
intensos movimentos sociais e pela difusão das ideias marxistas que culminaram com a promulgação da
Constituição Federal de 1988, também conhecida como “Constituição Cidadã”, a profissão rompeu com o
conservadorismo que caracterizava sua atuação. Em outras palavras, rompeu sua vinculação com os interesses
da classe dominante, com uma postura acrítica e neutra. Reconheceu que a sua atuação era mediada por
diferentes interesses e que apesar de ter sido criada para servir aos interesses das classes dominantes, havia
espaço para uma atuação que incorporasse os interesses das classes subalternas, ou a classe trabalhadora.
Enfim, rompeu com o reconhecimento do caráter político da profissão, o que, aliás, já havia sido identificado
pela vertente crítica do Movimento de Reconceituação.

Era um momento de contestação, de renovação crítica do Serviço Social, e nesse contexto foi elaborado o
Código de Ética de 1986, que representava um novo projeto ético-político comprometido com as demandas da
classe trabalhadora. Esse compromisso exigiu um novo posicionamento e novas competências dos assistentes
sociais, não só no plano teórico, mas também no técnico e político. Isso significa não somente conhecer a
realidade, possuir conhecimentos a respeito dela, mas é preciso saber intervir, no momento certo, e ter as
ferramentas corrteas. Não foi por acaso que, em 1982, ocorreu o lançamento do livro Relações Sociais e
Serviço Social no Brasil, de autoria de Marilda Villela Iamamoto e Raul de Carvalho, obra que serviu para
reorientar a direção teórica e política do Serviço Social, de leitura obrigatória para os profissionais de Serviço
Social.

VAMOS ENCONTRAR, A PARTIR DA DÉCADA DE 90,


um profissional mais afinado com os interesses da classe trabalhadora, que é a principal usuária dos serviços
sociais e das políticas sociais.
Um profissional mais preparado para enfrentar os inúmeros desafios provocados pelas profundas mudanças no
mundo do trabalho e seus impactos na vida das pessoas, em um momento em que o Estado, no que tange às
suas responsabilidades sociais, inspirado pelo neoliberalismo, passa a sair de cena deixando pouco a pouco a
prestação dos serviços sociais nas mãos da sociedade civil, fazendo surgir no cenário nacional a figura das
organizações não governamentais, ou Terceiro Setor.

*Você se lembra do liberalismo, que defendia a não intervenção do Estado na economia, na sociedade – e que
estudamos na primeira aula? Pois é, ele ressurge em final dos anos 80 e início dos anos 90, depois de mais ou
menos 40 anos, com o nome de neoliberalismo. Embora o prefixo neo signifique novo, as suas ideias
continuam as mesmas.

E O QUE PRETENDE ESSA DOUTRINA? - Pretende que o setor privado retome as rédeas da economia,
ou seja, que o Estado e a sociedade se subordinem às regras do Mercado. No contexto neoliberal, o Mercado
volta a constituir-se o princípio regulador da vida social e isso significou, nos anos 90, privatizações,
desemprego, flexibilização de direitos trabalhistas (disseminação do trabalho terceirizado, Reforma da
Previdência), entre tantos outros problemas sociais.
Acho que muita gente se lembra de uma propaganda governamental, amplamente divulgada principalmente
pela televisão, que comparava o Estado brasileiro a um elefante que abarcava tantas questões que mal podia se
mover.

Ela tinha por objetivo preparar e sensibilizar a sociedade para um projeto de privatizações e de reforma do
Estado, cujo discurso (ideológico) era o de torná-lo “mais leve” para liberar recursos para áreas consideradas
prioritárias, entre elas a saúde e a educação. Será que aconteceu? O que você acha?

Voltando ao profissional dos anos 90, para enfrentar os desafios que mencionamos, ele passa a contar com um
conjunto de legislações sociais, que deveriam assegurar a efetividade dos Direitos Sociais universalizados na
Constituição de 88, mas que, paradoxalmente, tem seu potencial limitado porque é nesse momento que o
Estado reduz a sua função social.

QUAIS SÃO ELAS?


Sistema Único de Saúde – SUS
Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA
Lei Orgânica de Assistência - LOAS (implementada, em 2003, através do Sistema Único de Assistência Social
– SUAS

Mais recentemente, conta com o Estatuto do Idoso e a Lei Maria da Penha, dentre outras. E é bom destacar
que, embora possuam limites e não consigam reverter o quadro de desigualdades sociais do país, são
trabalhadas na ótica do direito e não do favor.

NA DÉCADA DE 90, FOI APROVADO O NOVO CÓDIGO DE ÉTICA PROFISSIONAL:


“[...] instituído em 1993, a partir de um amplo debate no Serviço Social. O documento expressa o
amadurecimento teórico-político conquistado pela categoria e reafirma o compromisso com a democracia, a
liberdade e a justiça social. É um instrumento de trabalho fundamental no cotidiano do assistente social.”
(CRESS-RJ, 2011).

Na verdade, o Código de 1993 representou uma espécie de aperfeiçoamento em relação ao de 1986, a partir do
momento que amplia e avança as conquistas em relação às deste.
Ele reafirma o compromisso do Serviço Social com os interesses das classes trabalhadoras e deixa claro o seu
rompimento com uma trajetória histórica de atuação conservadora, baseada na tradição (nos costumes, nos
valores comunitários, na solidariedade e na família como núcleo básico da sociedade), e na filosofia social
humanista, que apesar de reconhecer as condições de exploração a que os trabalhadores estavam submetidos,
não indicava os meios para enfrentar essa situação.

E nesse mesmo ano, em 1993,


foi promulgada a Lei 8662/93, a Lei de Regulamentação da Profissão
de Assistente Social.

Mas, isso foi um processo.


Como nos ensina IAMAMOTO (2001)
o projeto ético-político vem sendo construído pelos assistentes sociais desde a década de 80.

Um projeto profissional [...] comprometido com a defesa dos direitos sociais, da cidadania, da esfera pública
no horizonte da ampliação progressiva da democratização da política e da economia na sociedade. Projeto
político profissional que se materializou no Código de Ética do Assistente Social, na Lei de Regulamentação
da Profissão de Serviço Social (Lei 8662/93), ambas em 1993, assim como na nova proposta de Diretrizes
para o Curso de Serviço Social da Associação Brasileira de Ensino em Serviço Social - ABESS [hoje
ABEPSS] - de 1996, que redimensiona a formação profissional para fazer frente a esse novo cenário histórico.

Conhecer o Código de Ética Profissional, a


Lei de Regulamentação da Profissão (Lei 8662/93) e as Diretrizes para o Curso de Serviço Social, propostas
pela ABEPSS são fundamentais para o exercício da profissão. Eles são os pilares de sustentação do projeto
profissional.

Mas, afinal, o que compete ao assistente social, o que diz a Lei 8662/93?
Destacamos, na íntegra, as competências extraídas do Artigo 4º dessa lei:

ART. 4º DA LEI 8662/93: CONSTITUEM COMPETÊNCIAS DO ASSISTENTE SOCIAL:


I - elaborar, implementar, executar e avaliar políticas sociais junto a órgãos da administração pública, direta ou
indireta, empresas, entidades e organizações populares;

II - elaborar, coordenar, executar e avaliar planos, programas e projetos que sejam do âmbito de atuação do
Serviço Social com participação da sociedade civil;

III - encaminhar providências, e prestar orientação social a indivíduos, grupos e à população;

IV - (Vetado);

ART. 4º DA LEI 8662/93: CONSTITUEM COMPETÊNCIAS DO ASSISTENTE SOCIAL:

V - orientar indivíduos e grupos de diferentes segmentos sociais no sentido de identificar recursos e de fazer
uso dos mesmos no atendimento e na defesa de seus direitos;

VI - planejar, organizar e administrar benefícios e Serviços Sociais;

VII - planejar, executar e avaliar pesquisas que possam contribuir para a análise da realidade social e para
subsidiar ações profissionais;

VIII - prestar assessoria e consultoria a órgãos da administração pública direta e indireta, empresas privadas e
outras entidades, com relação às matérias relacionadas no inciso II deste artigo;

ART. 4º DA LEI 8662/93: CONSTITUEM COMPETÊNCIAS DO ASSISTENTE SOCIAL:

IX - prestar assessoria e apoio aos movimentos sociais em matéria relacionada às políticas sociais, no
exercício e na defesa dos direitos civis, políticos e sociais da coletividade;

X - planejamento, organização e administração de Serviços Sociais e de Unidade de Serviço Social;

XI - realizar estudos sócio-econômicos com os usuários para fins de benefícios e serviços sociais junto a
órgãos da administração pública direta e indireta, empresas privadas e outras entidades.

Preste atenção como “saltam” das competências o compromisso não só com a defesa dos direitos, mas com os
movimentos sociais, e que também que a formação habilita para atuar em órgãos de natureza pública e
privada.
A partir dessa legislação, se fortalece uma nova cultura entre os profissionais, o que significa dizer que a
competência profissional não pode ficar vinculada às demandas institucionais, mas é preciso identificar novos
espaços de atuação e novas possibilidades de intervenção para atender às novas demandas da classe
trabalhadora.

Souza (2008), em seu texto A prática do assistente social: conhecimento, instrumentalidade e


intervenção profissional cita que IAMAMOTO, ao analisar os desafios que são colocados ao Serviço Social
nos
tempos atuais, conclui que são 3 os aspectos, ou habilidades, que devem ser de domínio dos profissionais:

COMPETÊNCIA ÉTICO-POLÍTICA
Esta significa que, apesar da prática profissional ocorrer dentro das instituições e em meio ao “fogo cruzado”
de tantos interesses, o profissional deve ter clareza quanto ao seu posicionamento político ao se deparar com a
realidade com a qual trabalha. O que “[...] implica em assumir valores éticos-morais
que sustentam a sua prática [...] expressos no Código de Ética Profissional dos Assistentes Sociais, e que
assumem claramente uma postura profissional de articular sua intervenção aos interesses dos setores
majoritários da sociedade.” (SOUZA, 2008, P. 121)

COMPETÊNCIA TEÓRICO-METODOLÓGICA
Esta diz respeito à capacidade de interpretar a realidade com a qual trabalhamos, e isso implica em entender o
funcionamento e a lógica das instituições, como vimos na aula passada, e não apenas aceitar e obedecer às
exigências burocráticas e administrativas que elas impõem. Isso seria reduzir o entendimento de competência
ao discurso institucional e à observação de regras pré-estabelecidas.
Recorrendo novamente à Iamamoto (1994), temos que ter um discurso competente e próprio, que se
contraponha à ordem institucional estabelecida. E esse discurso é competente “[...] quando é crítico, ou seja,
quando vai à raiz e desvenda a trama submersa dos conhecimentos que explica as
estratégias de ação”.

COMPETÊNCIA TÉCNICO-OPERATIVA
Esta se refere ao “como fazer” e parece ser o “grande nó” da profissão, pela reduzida produção bibliográfica
quando comparada às outras competências (ético-política e teórico-metodológica).
São priorizados os debates que privilegiam o conhecimento da realidade social, a garantia dos direitos, o
posicionamento profissional articulado às classes subalternas, dentre outros. Nós sabemos que nossa atuação
passa pela garantia dos direitos.

MAS, QUAIS OS INSTRUMENTOS QUE


TEMOS À DISPOSIÇÃO PARA FAZER ISSO?
E MAIS: COMO DEVEMOS DOCUMENTAR
A NOSSA ATUAÇÃO?
Não será tarefa fácil, mas, vamos nos aventurar no decorrer do curso, principalmente nas aulas destinadas aos
instrumentos.

* Por ora, frisamos que essas 3 dimensões estão intimamente relacionadas e devem andar juntas, caso
contrário, nossa atuação poderá ficar centrada somente na interpretação da realidade, ou na “ilusão mágica do
compromisso” com a classe trabalhadora, sem sabermos como se faz isso. Nenhuma delas separadamente
vai produzir qualquer resultado na realidade social. E, ainda, correremos o risco de cairmos “[...] nas
armadilhas da fragmentação e da despolitização, tão presentes no passado histórico do Serviço Social.”
(CARVALHO e IAMAMOTO apud SOUZA, 2008).
O ASSISTENTE SOCIAL
Resumindo, um assistente social competente e qualificado deve ser capaz de reconhecer a realidade onde atua,
decifrar a lógica do discurso institucional, ultrapassando o conhecimento prático das rotinas e da burocracia e,
sempre atento ao projeto ético-político da profissão, identificar as possibilidades de ação profissional e
documentá-las corretamente. Assim, estará contribuindo para o aperfeiçoamento do projeto político da
profissão.

Nessa aula você:


Nesta aula, teve a oportunidade de conhecer o que compete ao assistente social no exercício de sua
atuação, e que uma atuação competente não significa ficar atrelado aos objetivos e demandas
institucionais, mas requer posicionamento político, capacidade de interpretar a realidade com a qual
trabalhamos e de utilização dos instrumentos necessários para transformar essa realidade.
Falaremos sobre o estágio curricular supervisionado, seus aspectos legais, sua importância para a
formação profissional, além de destacarmos alguns pontos que certamente irão contribuir nesse processo
de aprendizagem.

AULA 4: DIRETRIZES DO ESTÁGIO CURRICULAR


SUPERVISIONADO
Vamos começar esta aula esclarecendo que o estágio em Serviço Social é uma atividade curricular obrigatória,
prevista pelas Diretrizes Curriculares para o Curso de Serviço Social, desenvolvidas pela Associação
Brasileira de Ensino e Pesquisa em Serviço Social (ABEPSS) e orientado pelo Código de Ética Profissional
(1993), pela Lei de Regulamentação da Profissão (1993), pela Resolução 533/2008 do CFESS e pela Política
Nacional de Estágio da ABEPSS (2010).

Portanto, para concluir sua formação é fundamental que o estudante realize o estágio, que é chamado de
curricular por que faz parte da grade curricular (é uma disciplina), com atribuições e carga horária definidas.

Vocês devem estar pensando: Se existe o curricular,


deve existir o extracurricular, certo? Sim
A Lei nº 11.788, de 25 de setembro de 2008, que trata sobre o estágio de estudantes, sem especificação de
cursos, em seu Artigo 2, prevê dois tipos de estágio: o obrigatório e o não obrigatório, definindo-os assim:

Estágio obrigatório é aquele definido como tal no projeto do curso, cuja carga horária é requisito para
aprovação e obtenção de diploma.

Estágio não obrigatório é aquele desenvolvido como atividade opcional, acrescida à carga horária regular e
obrigatória.
Mas, é preciso que fique bem claro, as horas computadas em estágio não obrigatório não servem como
comprovação de horas para concluir a graduação, mas podem ser computadas como atividades
complementares.

Nesta aula, trataremos do obrigatório, que chamaremos aqui de estágio supervisionado.


Mas o que vem a ser estágio supervisionado?

A ABEPSS, no documento Política Nacional de Estágio, entende que o estágio supervisionado no curso de
Serviço Social
[...] apresenta como uma de suas premissas oportunizar ao estudante o estabelecimento de relações mediatas
entre os conhecimentos teórico-metodológicos e o trabalho profissional, a capacitação técnico-operativa e o
desenvolvimento de competências necessárias ao exercício da profissão, bem como o reconhecimento do
compromisso da ação profissional com as classes trabalhadoras, neste contexto político-econômico-cultural
sob hegemonia do capital.

Em outras palavras, representa a oportunidade de o estudante estabelecer as relações entre os conteúdos


aprendidos na sala de aula e aqueles que são identificados na prática, além de desenvolver habilidades
referentes ao fazer profissional e reafirmar o compromisso com as classes trabalhadoras.

A ABEPSS parte do princípio que o estágio é uma atividade essencial na formação do assistente social e,
portanto, faz uma série de considerações e recomendações em relação a essa importante fase da formação
profissional.

Entre as considerações, vamos destacar alguns princípios que devem nortear a realização do estágio em
Serviço Social.

A indissociabilidade entre as dimensões teórico-metodológica, ético-política e técnico-operativa. Na aula


passada, vimos que elas devem andar juntas, caso contrário, iremos formar profissionais que sabem interpretar
a realidade, mas não sabem como atuar nela, ou não conseguem se posicionar politicamente e vice-versa.

A articulação entre estudantes, professores e assistentes sociais dos campos de estágio, através de uma
constante comunicação, de um diálogo.

A indissociabilidade entre estágio e supervisão acadêmica e de campo, o que quer dizer que a supervisão deve
ser uma ação conjunta entre os profissionais envolvidos e o estudante, visando um melhor acompanhamento
do processo de aprendizagem deste último.

Com relação às condições em que deve ser realizado, destacamos: • Que deve ter uma supervisão sistemática,
ou seja, ser acompanhado pelo profissional de campo, devidamente inscrito em Conselho Regional de Serviço
Social da região onde atua, e pelo professor supervisor;

• que esse acompanhamento deve ser realizado através de reflexão e sistematização da experiência, a partir do
plano de estágio elaborado em conjunto entre supervisor de campo, professor supervisor e aluno, observando a
Lei de Regulamentação da Profissão - Lei 8662/93 – e o Código de Ética Profissional (1993);

• que não seja realizado antes que o aluno tenha cursado disciplinas que o capacitem a analisar a realidade
social, reconhecendo as mais diversas expressões da questão social e tenha adquirido conhecimentos básicos
de aspectos éticos, teóricos e metodológicos da profissão;

• que deve transcorrer no período letivo escolar;

• tenha uma carga horária mínima de 405 horas;

• as atividades no campo não devem ultrapassar 30 horas semanais e as de sala de aula devem contar com 3
aulas semanais.
Merece ser destacada a exigência de que a unidade de ensino tenha um professor acompanhando todo esse
processo em sala de aula. É exatamente esse o objetivo das nossas disciplinas Estágio Supervisionado I, II, III
e IV.
Sabemos que existem instituições que assumem um número excessivo de estagiários e que não contam com
profissionais em número suficiente para realizar a supervisão, o que empobrece a formação. E, o que é mais
grave, existem instituições que contratam estagiários para suprir a falta de profissionais na área, o que quer
dizer que o estagiário acaba virando mão de obra, com seríssimos prejuízos para a formação, podendo atingir
os nossos usuários.
Nesses casos, os Conselhos Regionais, que são os responsáveis pela fiscalização do exercício profissional,
devem ser comunicados.

E, respeitando essas e outras considerações e recomendações, o estágio em Serviço Social da Estácio é


iniciado no 5º período, perfazendo 4 semestres e possui uma carga horária de 600 horas.

Agora que nós já conhecemos aspectos importantes da legislação que orienta o estágio em Serviço Social,
passaremos a aprofundar algumas questões colocadas acima e fazer outras considerações sobre sua
importância para a formação profissional.

E falando em formação profissional, engana-se quem pensa que ela se esgota no final do estágio, ou no
término da graduação. Ao contrário, ela apenas se inicia nesse momento, uma vez que vai se aperfeiçoando no
decorrer da nossa vida profissional.

A formação profissional do aluno de Serviço Social inicia-se no curso e vai sendo construída no decorrer do
exercício de sua prática profissional enquanto assistente social, adquirindo maior solidez, conforme o
profissional vai se identificando como membro efetivo da categoria, apropriando-se do seu compromisso
social e do significado sócio-histórico da profissão.
Em outras palavras, estabelecer a relação teoria-prática, que é um desafio para todo e qualquer profissional de
Serviço Social, não somente para os estagiários. E essa relação só é estabelecida se conseguirmos fazer uma
“[...] análise de conjuntura, centrada na questão social.” (OLIVEIRA, 2004:66). Aliás, análise de conjuntura é
um dos aspectos que será abordado na próxima aula.
A mesma autora chama a nossa atenção para o fato de que o estágio supervionado não pode ser confundido
com uma mera aplicação de conhecimentos adquiridos em sala de aula, mas deve possibilitar ao aluno a
oportunidade de estabelecer as relações entre os conteúdos de sala de aula e a realidade social.

Mencionamos anteriormente que a supervisão em Serviço Social é realizada pelo profissional da instituição
onde o aluno realiza o estágio, denominado de supervisor de campo, e pelo professor, denominado supervisor
acadêmico.
O supervisor de campo é o responsável pelo acompanhamento do estágio na instituição onde o mesmo se
realiza. É o canal entre a prática profissional e a academia, que entra com seu saber a respeito da realidade
social, da instituição, da cultura institucional, suas rotinas etc. Esta ação requer o desempenho de papéis, que
Buriolla, citada por Oliveira (2004:70), destaca: “o de educador, o de transmissor de conhecimentos-
experiências e de informações, o de facilitador, o de autoridade e o de avaliador.”

Vamos fazer aqui algumas considerações sobre esse profissional. Como já foi mencionado anteriormente, para
ser supervisor de campo, o profissional deve estar devidamente inscrito no Conselho Regional de Serviço
Social onde se dá a sua atuação. E, conforme a Lei 8662/93 – Lei de Regulamentação da Profissão – a
supervisão é uma atribuição privativa do assistente social. Será que vocês pesquisaram o significado da
palavra “privativa”? Significa que apenas o assistente social pode executá-la.
O supervisor-acadêmico, por sua vez, é quem faz o acompanhamento metodológico do processo, buscando
facilitar a reflexão entre os conteúdos trabalhados na academia e os que surgem na prática.

Notem bem, essas ações entre os supervisores devem se complementar visando exclusivamente contribuir
para a realização de um estágio que efetivamente prepare o aluno para o exercício profissional. Ou seja, é
importante que não haja uma divisão entre o “fazer” e o “pensar”.
Até por que ambos têm uma dimensão pedagógica.
Prestem atenção na citação abaixo:
E se a supervisão pode ser entendida como uma atividade didático-pedagógica possibilitadora da apreensão e
assimilação do ensino da prática, ela se constitui basicamente numa atividade docente. O que não significa
dizer que seja uma atribuição da única e exclusiva competência do professor, mas partilhada com o
profissional do campo na medida das suas possibilidades e limitações e numa relação de complementariedade.
(SILVA apud OLIVEIRA, 2004; 71).

Mas, afinal, o que cabe ao aluno? Neste momento, vamos relacionar, na íntegra, as atribuições dos
estagiários definidas pela ABEPSS e extraídas da Política Nacional de Estágio:

- Observar e zelar pelo cumprimento dos preceitos ético-legais da profissão e as normas da instituição campo
de estágio;

- informar ao supervisor acadêmico, ao supervisor de campo e/ou ao coordenador de estágios, conforme o


caso, qualquer atitude individual, exigência ou atividade desenvolvida no estágio, que infrinja os princípios e
preceitos da profissão, alicerçados no projeto ético-
-político, no projeto pedagógico do curso e/ ou nas normas institucionais do campo de estágio;

- apresentar sugestões, proposições e pedido de recursos que venham a contribuir para a qualidade de sua
formação profissional ou, especificamente, o melhor desenvolvimento de suas atividades;
- agir com competência técnica e política nas atividades desenvolvidas no processo de realização do estágio
supervisionado, requisitando apoio aos supervisores, de campo e acadêmico, frente a um processo decisório
ou atuação que transcenda suas possibilidades;

- comunicar e justificar com antecedência ao supervisor acadêmico, ao supervisor de campo e/ou ao


coordenador de estágios, conforme o caso, quaisquer alterações, relativas à sua frequência, entrega de
trabalhos ou atividades previstas;

- apresentar ao coordenador de estágio, no início do período, atestado de vacinação, no caso de realizar seu
estágio em estabelecimento de saúde;
- realizar seu processo de estágio supervisionado em consonância com o projeto ético-político profissional;

- reconhecer a disciplina de Estágio Curricular em Serviço Social como processo e elemento constitutivo da
formação profissional, cujas estratégias de intervenção constituam-se na promoção do acesso aos direitos
pelos usuários.

E voltando ao papel do supervisor de campo, Marta Buriolla (1996), num interessante trabalho sobre a
supervisão em Serviço Social, concluiu que dadas as “exigências e as responsabilidades” do assistente social
que se propõe a ser supervisor, não é qualquer profissional que pode exercer tal tarefa.
Para a autora, a atividade de supervisão exige um profissional com conhecimentos especializados e
experiência nas dimensões: ético-
-política, teórico-metodológica e técnico-operativa; deve ter habilidade e facilidade de estabelecer
relacionamento profissional com pessoas diferentes; deve dispor de condições mínimas de trabalho para
supervisionar (espaço, livros, papel etc), só para citar algumas.
E acrescento, tem que gostar, se identificar com a ação supervisora, ou seja, não pode ser uma imposição da
instituição. É claro que nem sempre as condições são as idéias, pois vamos encontrar, na maioria das vezes, o
profissional atarefado, tendo que dar conta de inúmeras tarefas, sendo que o ato de supervisionar exige
dedicação e tempo.

Entre os aspectos objetivos para uma supervisão, destacamos, com base em Vuriolla (1996):
*Deve existir um espaço para supervisor e o estudante possam sentar e refletir sobre o processo de
aprendizagem;
*é importante que seja reservado um tempo para a supervisão e que isto faça parte do plano de estágio;
*tal planejamento evitará a chamada “supervisão de corredor” em que os profissionais acabam respondendo às
dúvidas pontuais dos estagiários em meio a tantas outras atividades, sem que haja possibilidade de uma
reflexão sobre a prática. Supõe ainda a existência de matérias básicos, como canetas, lápis, papel, xerox,
livros, computador (por que não?), que são fundamentais para o registro das atividades desenvolvidas e das
reflexões resultantes da supervisão.
Dentre os aspectos subjetivos, destacamos que a relação entre supervisor estagiário é uma relação
pedagógica, de reflexão, construção e organização de conhecimentos e não de treinamento. Como tal, é
extremamente importante que exista um clima de confiança e incentivo.
É papel do supervisor criar esse clima facilitador de aprendizagem, em que se objetive o estímulo das
potencialidades e a redução das dificuldades, preservando o potencial criativo do estagiário. Uma relação que
pressupõe um dialogo e onde as tarefas são discutidas e proporcionem a construção da identidade profissional
do aluno.

Muitas vezes, o profissional está tão atarefado que dirige o processo sem se dar conta que está anulando qa
iniciativa do aluno estagiário. Em outros casos, sem tempo para planejar uma atuação de estágio compatível
com a formação profissional, distribui tarefas que nem sempre colaboram para a construção dessa identidade.
Não é raro ouvir os alunos comentando que têm muitas tarefas, fazem muitas coisas, mas que nem sempre elas
contribuem para a sua aprendizagem. Uma vez um aluno me contou que era sua atribuição passar todos os
telegramas de convocação de usuários para um determinado tratamento! Então, fiquem atentos.
Tudo bem, o estágio é um momento privilegiado no processo de aprendizagem, sim, mas não pode ser
considerado “o remédio para todos os males”. Existe uma tendência dos alunos de supervalorizar essa fase do
processo. Tenho ouvido comentários como: Até que enfim vou pôr em prática tudo o que aprendi nas aulas.
Como se a atuação e os conhecimentos teóricos não fossem aspectos de um mesmo processo, o que equivale a
negar o seu movimento dialético. Por fim, muitas vezes os alunos me perguntam se é fundamental se
identificar com a área de atuação. Respondo que é sempre bom atuar numa área com a qual nos identificamos,
mais prazeroso, mas não é fundamental. Fundamental é que seja um estágio avaliado pela instituição de
ensino, que possibilite a vocês a oportunidade de ir se aproximando pouco a pouco da profissão, testando seus
limites, possibilidades. E por que não, saboreando-a?

Vou terminar esta aula com uma citação que expressa bem o que acabei de mencionar:
O estágio devidamente supervisionado conduz o aluno a aproximações sucessivas com a prática profissional e
com a rede de interlocuções subjacentes à sua efetivação, auxiliando-o a apropriar-se do significado social da
profissão e da construção de sua identidade profissional, individual e coletivamente, fundamental para a
formação profissional. (PINTO apud OLIVEIRA, 76

Nessa aula você:


Aprendeu que o estágio supervisionado é uma atividade curricular obrigatória, com atribuições definidas,
entre outros aspectos, norteadas por uma legislação; que se constitui em uma atividade pedagógica que
deve ser acompanhada por assistente social, devidamente habilitado, e por um professor na faculdade; que
seu objetivo é contribuir para um processo de formação profissional que possibilite ao aluno as
aproximações gradativas com a realidade social e o estabelecimento das relações entre os conteúdos de
sala de aula e essa mesma realidade.

AULA 5 – ESTRATÉGIAS PARA A PRÁTICA PROFISSIONAL

RELEMBRANDO
Vimos na 2ª aula – na qual tratou-se de questões envolvidas na análise institucional - que a sociedade é um
tecido de instituições que se interpenetram e se articulam entre si, com o objetivo de regular, controlar, criar,
manter e reproduzir as relações sociais e as condições de convívio entre os sujeitos.
É nessa medida que dizemos que a vida em sociedade está submetida a regras, a um ordenamento
frequentemente denominado de Ordem Social, Ordem Dominante ou Ordem Societária.

MAS, AFINAL, QUE “ORDEM” É ESTA QUE ESSE CONJUNTO ARTICULADO DE


INSTITUIÇÕES SE PROPÕE A MANTER E REPRODUZIR?
Para compreendê-la em sua essência, é preciso ultrapassar a aparência das coisas, daquilo que está visível. É
preciso buscar, lá nos fundamentos dessa sociedade, o que está invisível, o que não é dito, o que é mascarado
pelas ideologias, pelo discurso dominante. E só através da análise crítica é possível desnaturalizar aquilo que,
pela simples razão de estar instituído, aparece como natural, como autêntico, imutável.
Só a crítica permite desnaturalizar a desigualdade social, a pobreza, a dramática situação da saúde, da
educação e dos serviços públicos em geral, a conversão dos Direitos Sociais em mercadoria cara, para poucos,
além dos rebatimentos de tudo isso na vida das pessoas, das famílias, enfim, da maioria da população excluída
do sistema de cidadania, e que só tem acesso a ele, e mesmo assim limitado como “clientela” dos Serviços
Sociais.
A esses rebatimentos damos o nome de manifestações da Questão Social.
E é sobre eles que o assistente social é chamado a intervir; é seu objeto
de intervenção.

Os Serviços Sociais, apresentados como benesses, como concessões do Estado Provedor, são o suporte
material da atuação profissional do assistente social.
E as entidades (instituições) são a base organizacional que condiciona e viabiliza esta atuação.

Vamos relembrar o que Marilda Iamamoto comenta sobre isso no livro Renovação e Conservadorismo no
serviço Social – Ensaios Críticos:
“O Assistente Social realiza sua ação a partir das manifestações imediatas das relações sociais no cotidiano da
vida dos indivíduos. É no cotidiano que se dá a reprodução das relações sociais”.
(IAMAMOTO, 1994, p. 102)

“Do ponto de vista da demanda, o Assistente Social é chamado a constituir-se em agente intelectual que
estabelece a relação entre instituição e população, entre solicitação de serviços e prestação dos mesmos.
Portanto, dispõe de poder atribuído institucionalmente de incluir e excluir os que têm ou não direito a
participar dos programas propostos, dada a incapacidade da rede de equipamentos sociais em atender a
demanda”. (IAMAMOTO, 1994, p. 101)

Perceberam o tamanho do problema?


Voltemos a Marilda para que isso fique mais claro:

“O Serviço Social como profissão situa-se no processo de reprodução das relações sociais,
fundamentalmente como atividade subsidiária no exercício do controle social e na difusão da ideologia da
classe dominante, na criação das bases políticas para o exercício do poder de classe”. (IAMAMOTO, 1994,
p. 102)

Ao longo da sua história, o Serviço Social teve que lidar com essa contradição.
Por um lado, a pressão das demandas institucionais no sentido de fazer do assistente social um agente do
controle social e da adesão obediente dos indivíduos à ordem estabelecida.

Por outro, o compromisso com um projeto profissional vinculado ao processo de construção de uma nova
ordem societária, bem como com os demais princípios que fundamentam a profissão. (Código de Ética
Profissional).

A construção da estratégia de ação profissional é um dos momentos privilegiados no enfrentamento dessa


contradição. Porém, somente se for construída a partir do entendimento de que o campo institucional é um
espaço vivo de oposições múltiplas, de polarizações, eminentemente contraditório. Esse entendimento permite
ao profissional explorar um campo de possibilidades e alternativas de ação, em maior ou menor grau,
dependendo da correlação de forças presentes em cada conjuntura.

As considerações de Faleiros: As estratégias são sempre relacionais e situacionais, oriundas do confronto


aberto ou fechado de forças, dos recursos disponíveis, da organização dos enfrentamentos. (FALEIROS, 2008,
p. 30).

Para Faleiros (2008), as estratégias de ação em Serviço Social são construções teórico-metodológicas nascidas
do movimento fecundo que vai da teoria para a prática e da prática para a teoria.

A construção da estratégia de ação, entretanto, é uma atividade ligada à competência técnico-operativa do


assistente social, na medida em que corresponde ao instrumento por meio do qual ele vai operacionalizar a
ação.

Conforme Martinelli e Koumroiyan (1994) citadas por Souza (2008), “Instrumental é o conjunto articulado de
instrumentos e técnicas que permitem a operacionalização da ação profissional. Nessa ideia, o instrumento é
estratégia ou tática por meio da qual se realiza ação; a técnica é a habilidade no uso do instrumento”.

Todos nós sabemos que instrumento é o meio, o método através do qual se chega a algum lugar. Assim,
quando definimos uma estratégia, antes, precisamos saber qual o objetivo a alcançar. Estratégia é, nesse
sentido, uma escolha, uma opção que pressupõe uma tomada de decisão acerca do que se pretende fazer.

Antes, é preciso saber o que fazer; depois, como fazer. Portanto, a competência técnico-operativa, ou seja, a
habilidade que o profissional vai desenvolver na apropriação e no uso do instrumental, depende do
desenvolvimento de outras duas competências:
A COMPETÊNCIA TEÓRICO-METODOLÓGICA
qualifica o profissional para conhecer a realidade social na qual está inserido e com a qual trabalha, para
perceber sua dinâmica, suas contradições e avaliar as possibilidades de novas estratégias profissionais.

A COMPETÊNCIA ÉTICO-POLÍTICA
dita a direção social da sua prática, a partir da compreensão de que não há neutralidade na atuação
profissional, de que ela se realiza nas relações institucionais de poder e saber, o que significa tomar posição,
assumir os valores ético-morais expressos no Código de Ética e uma postura claramente vinculada aos
interesses dos setores majoritários da sociedade.

PARA AJUDAR A CONCRETIZAR ESSA DISCUSSÃO, VOU DAR UM EXEMPLO PRÁTICO

1. Eu recém chegava à Vara da Infância e Juventude do Rio, quando o Juiz Titular decidiu que os
Processos de Habilitação para Adoção passariam a ser atendidos em Grupo e não através do Estudo de
Caso como vinha sendo praticado há anos.

2. Uma das etapas do Processo de Habilitação para Adoção é o Estudo Social e Psicológico, atribuído à
Equipe Técnica do Tribunal de Justiça, através do qual se avalia quais pretendentes à adoção estão
capacitados naquele momento a assumir uma criança como filho, passando a compor o cadastro de
adotantes.

3. Possivelmente, o Juiz tomou esta posição para agilizar os procedimentos de habilitação, já que o
número de pretendentes à adoção havia crescido muito. Como era de se esperar, houve alguma
resistência na equipe, sobretudo porque antes, no Estudo de Caso, cada profissional fazia seu trabalho
de forma independente, muito mais cômoda do que o trabalho em equipe.

4. Além do mais, no atendimento grupal proposto pelo Juiz, o trabalho seria realizado em equipe
interdisciplinar, com assistentes sociais e psicólogos juntos, o que também gerava resistências, pelo
menos naquele momento, no Tribunal de justiça do Rio, segundo minha observação.

5. Outros, entretanto, viram nisso uma oportunidade de construir um trabalho mais eficaz do ponto de
vista de direcionar o trabalho da Vara para o que deveria ser prioritário: restabelecer o direito à
convivência familiar das muitas crianças abrigadas que esperam por uma família. Uma análise do
Cadastro de Adotantes revelava que algo em torno de 90% dos pretendentes preferiam bebês recém-
nascidos, principalmente meninas brancas.

6. Em contrapartida, o perfil do Cadastro de Adotandos revelava o oposto: as crianças reais, que estavam
abrigadas à espera de uma família, eram, em sua maioria, negras, pardas, do sexo masculino, tinham
irmãos também abrigados e idades acima de 5 anos. Ou seja, havia uma incompatibilidade gritante
entre os dois cadastros.

7. O que significava que todo o esforço profissional, as horas de trabalho envolvidas na habilitação para
adoção não estavam servindo ao objetivo fundamental da Vara da Infância e Juventude, que é o de
atender às necessidades das crianças deslocadas do convívio familiar. E mais, que o Serviço Social
tinha grande parcela de responsabilidade nessa distorção.

8. O interessante a se observar é que ninguém da equipe desconhecia o problema. Toda hora alguém
comentava que estávamos trabalhando para os adotantes e não para as crianças abrigadas; que aquela
trabalheira toda não servia para nada... Sabe quando, dia após dia, todo mundo reclama, mas ninguém
toma a iniciativa de propor algo diferente? Os adotantes ligando o tempo todo cobrando o bebê que
nunca chegava; e as crianças abrigadas, a cada dia, perdendo as esperanças de ganhar uma família.

9. Então, culpávamos a cultura do brasileiro, que não se abria para adoção de crianças maiores, que
queria através da adoção reproduzir a gravidez biológica. Reclamávamos do preconceito, dos medos e
fantasias que impregnavam a mentalidade dos adotantes, enfim, agíamos como se as coisas não
pudessem ser mudadas, como se nossa ação não fosse capaz de produzir algo novo, de transformar
realidades.

10. Isso, aliás, é um dos efeitos das práticas retificadas, mergulhadas na rotina e no fluxo incessante de
papéis e procedimentos instituídos: a paralisia e a indolência. Dizendo isso, não estou fazendo
nenhum julgamento moral. Ao contrário, estou dizendo que todos nós, individualmente ou em equipe,
estamos sujeitos a isso. Até porque a rotina institucional favorece essas posturas.

11. A maneira mais eficaz de prevenir esse tipo de alienação é criar mecanismos que, sistematicamente,
submetam as práticas profissionais ao olhar crítico. Nosso próprio olhar, mas crítico, referenciado na
teoria. O tempo todo devemos refletir sobre o que estamos fazendo, sobre como estamos fazendo e
sobre os resultados do nosso fazer profissional.

12. Crise serve para isso, chacoalhar, sacudir a poeira, mexer, criar coisa nova. E foi isso o que a equipe
fez. Assistentes Sociais e Psicólogos se reuniram, pensaram juntos, pesquisaram, estudaram, e, ao
final de um pequeno período, conseguiram construir um projeto de ação específico para a habilitação
que redirecionou todo o trabalho de adoção da Vara, a partir da clarificação dos objetivos e da
reformulação e criação de novas estratégias.

13. Os grupos, conduzidos por um assistente social e um psicólogo, reuniam cerca de 20 pretendentes à
adoção, casais ou indivíduos. Cada grupo participava de 4 reuniões, cada qual voltada para um
objetivo. A primeira, era de esclarecimentos sobre o processo de adoção: o encontro da criança, a
guarda provisória, o estágio de convivência, a possibilidade de contestação por parte da família
biológica etc.

14. A segunda, objetivava desconstruir os mitos e fantasias que cercam a adoção. As idealizações, a
questão da revelação, vínculo afetivo e vínculo biológico na constituição familiar, adoção tardia,
multirracial. Na terceira, convidávamos alguém que já tivesse vivido a experiência da adoção para dar
seu depoimento. Normalmente, convidávamos alguém que tivesse adotado uma criança maior, de três
anos para cima, ou grupo de irmãos, criança de cor diferente da sua própria.

15. A quarta era reservada a falar das crianças reais disponíveis para adoção. Antes de entregarmos a lista
dos abrigos, informávamos que eles poderiam ser chamados a visitar uma criança abrigada, mesmo
fora do perfil desejado, mas que a recusa não implicaria a retirada do cadastro.

16. Agíamos com total transparência, dizendo claramente que o objetivo do nosso trabalho era inserir as
crianças que haviam perdido o vínculo com a família de origem numa família substituta. Não
escondíamos que nossa pretensão ao convidá-los a visitar uma criança abrigada era a de que eles
pudessem se abrir para outras possibilidades.

17. Esse redirecionamento das ações, essa nova estratégia de intervenção, trouxe surpresas animadoras em
termos do objetivo assumido: alguns adotaram crianças abrigadas, fora do perfil inicialmente definido,
e o cadastro de adotantes foi aos poucos se diversificando, embora não no nível desejado.
18. Num outro momento, cerca de dois anos depois desse trabalho, a equipe de Serviço Social deu um
novo passo em direção ao mesmo objetivo: escreveu um documento direcionado ao Juiz Titular,
fundamentado por dados obtidos em nova análise do cadastro de adotantes, e sugeriu que fosse dada
preferência, na convocação para os Grupos de Habilitação, àqueles que desejassem adotar crianças
não recém-nascidas, sem preferência de cor, com problemas de saúde.

19. Nenhum de nós acreditava que tal sugestão pudesse ser aceita. Fizemos porque julgamos que era
nosso dever profissional, mas foi aceita e implementada durante pouco mais de um ano.
Esta e outras experiências importantes aconteceram na Vara da Infância do Rio de 2000 a 2004. Algumas delas
foram adotadas por todas as varas de infância do TJ. Entretanto, com a substituição do Juiz, outras lógicas
passaram a determinar seu funcionamento e sua cultura.
Tudo mudou, outra correlação de forças se estabeleceu. São os fluxos e refluxos da história, um componente
decisivo da definição das estratégias de ação profissional.

DESSE EXEMPLO, PODEMOS CONCLUIR


A estratégia de ação compreendeu o trabalho com grupos, a definição do número de participantes e de
reuniões, a escolha dos temas. Embora o Juiz tenha imposto o trabalho com grupos, toda essa estratégia foi
elaborada pela equipe a partir da clarificação do objetivo que se pretendia atingir.

Se não tivéssemos nos proposto a incidir sobre medos e preconceitos para mudar o perfil do cadastro,
provavelmente escolheríamos, sem qualquer critério, as pessoas para dar depoimentos de suas experiências.
Provavelmente, não faríamos a quarta reunião com aquele conteúdo. Ou, talvez, nem a fizéssemos, já que a
pressão do Juiz ia no sentido de agilizar os processos.

O trabalho interdisciplinar potencializou toda essa elaboração, na medida em que produziu um saber superior,
resultado da troca de conhecimentos.
A equipe de assistentes sociais e psicólogos soube produzir um discurso, que é ao mesmo tempo saber e ato, e
que por isso foi capaz de imprimir mudanças nas práticas institucionais.

A equipe de assistentes sociais e psicólogos teve competência e habilidade para explorar e ampliar o campo de
possibilidades de atuação profissional porque soube avaliar e incidir na correlação de forças em presença.

Sugiro que vocês explorem o exemplo da experiência na Vara da Infância e Juventude do Rio relatado na aula,
levantando dúvidas ou outras questões acerca das definições de objetivo, estratégia e técnica.

A equipe poderia ter tido outro objetivo? Outra estratégia ou técnica? O que eles acharam da experiência?
Tiveram alguma dúvida?

Nessa aula você:


Compreendeu que a elaboração da estratégia de ação está condicionada e é gestada na dinâmica das
práticas institucionais e da correlação de forças;
compreendeu que a construção da estratégia de ação está intimamente ligada à relação teórico-prática,
porque é dessa relação que se consegue compreender as dimensões da realidade sobre a qual o profissional
irá intervir por meio da estratégia;
compreendeu que a estratégia de ação, embora seja inerente à competência técnico-operativa, já que é um
instrumento, só pode ser pensada a partir da articulação com as competências teórico-metodológicas e
ético-políticas.
AULA 6: OBSERVAÇÃO E VISITA
Para falar de instrumentos utilizados pelo Serviço Social, vamos rapidamente fazer uma recapitulação do que
aprendemos na aula sobre competências. Como sabemos, a prática do assistente social deve estar alicerçada
em três dimensões que devem estar sempre em equilíbrio. São elas:
 DIMENSÃO ÉTICO-POLÍTICA
 DIMENSÃO TEÓRICO-METODOLÓGICA
 DIMENSÃO TÉCNICO-OPERATIVA
Os instrumentos fazem parte da dimensão técnico-operativa, bem como as estratégias de ação abordadas na
aula passada.

MAS ANTES DE CONTINUARMOS, VAMOS CONSULTAR O DICIONÁRIO PARA SABER O


SIGNIFICADO DE INSTRUMENTO?
Segundo Ferreira (1980), instrumento pode ser um “recurso empregado para se alcançar um objetivo,
conseguir um resultado.” E é exatamente essa a função dos instrumentos utilizados pelo Serviço Social,
permitir a operacionalização da ação social. Mas não podemos nos esquecer de que eles não podem ser mais
importantes que os objetivos da ação profissional. Ou seja, o que queremos alcançar. Como nos ensina Souza
(2008), o assistente social deve primeiro definir “para quê fazer” para depois definir “como fazer”.
DICIONÁRIO ON-LINE
Segundo Ferreira (1980), instrumento pode ser um “recurso empregado para se alcançar um objetivo,
conseguir um resultado.” E é exatamente essa a função dos instrumentos utilizados pelo Serviço Social,
permitir a operacionalização da ação social. Mas não podemos nos esquecer de que eles não podem ser mais
importantes que os objetivos da ação profissional. Ou seja, o que queremos alcançar. Como nos ensina Souza
(2008), o assistente social deve primeiro definir “para quê fazer” para depois definir “como fazer”.

“PARA QUÊ FAZER”? “COMO FAZER”?

Esses instrumentos e técnicas não são


exclusivos do Serviço Social, mas
fazem parte do arsenal desenvolvido
pelas Ciências Sociais, onde a
profissão está inserida.

Os instrumentos e as técnicas são


empregados numa relação entre
pessoas, que se relacionam, que se
comunicam. E as pessoas se
comunicam através da linguagem, que
é um dos recursos mais complexos que o se humano dispõe para expressar suas idéias e sentimentos.
Magalhães, citada por Souza (2008:125),
resume o que acabamos de dizer na
interessante reflexão a seguir:

O homem se comunica através de signos, e


estes são organizados através de códigos e
linguagens. Pelo processo socializador, ele
desenvolve e amplia suas aptidões de
comunicação, utilizando os modos e usos de
fala que estão configurados no contexto
sociocultural dos diferentes grupos sociais dos
quais faz parte.

Se a linguagem é um recurso básico de trabalho do assistente social espera-se que ele se expresse
corretamente, tanto através da linguagem oral quanto da linguagem escrita. Para Souza (2008), os
instrumentos de trabalhos podem ser classificados de acordo com esse tipos de linguagem. Os instrumentos
diretos, também chamados de ‘’face to face’’ e os instrumentos indiretos, ou ‘’por escrito’’.

Para o autor, os instrumentos diretos ou ‘’face to face’’ mais utilizados pelos assistentes sociais são:
observação participante, entrevista, dinâmica de grupo, reunião, mobilização de comunidades, visita
domiciliar e visita institucional. Entre os indiretos ou ‘’por escrito’’ se destacam: atas de reunião, livros de
registro,. Diário de campo, relatório social e parecer social.

Nesta disciplina abordaremos: observação e visita (que desenvolveremos a seguir), entrevista, dinâmica de
grupo e algumas formas e registro das informações obtidas através da aplicação dos instrumentos ‘’face to
face’’.

Começaremos com a observação, que nada mais é do que o uso dos sentidos (visão, audição, tato, olfato e
paladar) para obter conhecimentos sobre uma dada realidade, uma situação.

O observador estabelece uma relação direta com o que é observado, no casos do assistente social, o contexto
social. Mas como ele também faz parte desse contexto é ao mesmo tempo observador e observado.

SABE POR QUE ACONTECE DO OBSERVADOR SER OBSERVADO?


Porque a relação do observador das Ciências Sociais com o objeto observado (um grupo social, uma situação)
é completamente diferente daquela que é estabelecida pelo observador das Ciências Naturais.

POR EXEMPLO
Por exemplo, um astrônomo observa os astros através de um telescópio de maneira totalmente isenta de
ideologia, ele não se identifica com seu objeto de observação por que não é um astro, mas um homem.
Também o astro não tem qualquer expectativa quanto à observação realizada, nem com o que será feito com o
produto daquela observação. Em outras palavras, não existe uma interação entre eles.

Agora, um assistente social é um homem ou uma mulher e, portanto, sempre vai se identificar com o que está
sendo observado: contexto em que sempre estarão envolvidos outros homens e mulheres ou produtos de suas
relações. Além disso, eles terão expectativas, sim, quanto ao que está sendo observado e poderão influenciar
todo o processo, mesmo que sejam de culturas diferentes, classes diferentes do observador. Por isso dizemos
que no caso das Ciências Sociais, a ideologia é intrínseca, quer dizer, faz parte do processo, enquanto o
mesmo não acontece nas Ciências Naturais. Por este motivo, que ao observar um fenômeno social o assistente
social também se observa.
Os nossos sentidos captam informações o tempo todo, mas de forma assistemática, de modo geral, sem uma
ordem e sem uma finalidade. Entretanto, ao adotarmos a observação no nosso trabalho, temos a finalidade de
coletar informações a respeito de uma dada realidade, de uma situação a ser compreendida.

Mas quem observa, observa alguma coisa, certo? O que quer dizer que temos que ter parâmetros a serem
observados e os resultados devem ser registrados, caso contrário, ao final do processo não nos lembraremos de
todos os detalhes observados.

O registro do produto das observações deve ser feito num caderno de notas, que numa situação de pesquisa é
chamado de diário de campo. Mas vamos deixar este ponto para tratar nas disciplinas de pesquisa, ok? Por
enquanto, um caderno de notas é suficiente. Sugiro que as observações sejam feitas de forma discreta para não
intimidar o (s) observado (s), uma vez que este instrumento coloca observador e observado (s) frente a frente.

Antes de continuarmos, é importante ressaltar que a observação é um instrumento bastante versátil. Pode ser
aplicada sozinha, num contexto de entrevista, numa dinâmica de grupo, numa reunião etc.
Vimos que a observação é um importante instrumento de conhecimento da realidade e por isto devemos ter
muito cuidado ao adotá-la. Não esqueçam, o assistente social atua com pessoas em seus diversos contextos e o
produto do seu trabalho, na forma de relatórios, pareceres sociais etc., pode interferir positiva ou
negativamente na vida dessas pessoas.

Vamos ver como isso pode acontecer. A coluna de Ancelmo Gois, do Jornal O Globo, de 17/07/2011, no Rio
de Janeiro, divulgou uma nota bem ilustrativa nesse sentido. A seguir, a nota, com o título de “Cena carioca”,
na íntegra:

“Veja como são as coisas. Quarta, uma mulher de uns 50 anos, amiga de uma parceira da coluna, tomou um
tombo na Praça da Bandeira, quebrou um dente e cortou o rosto. Um vizinho a levou a UPA (Unidade de
Pronto Atendimento – grifo nosso) da Tijuca.
Lá, com a boca ferida, sem poder falar, ouviu da assistente social: ‘Foi seu marido, não foi? É aquele que está
lá fora?! Vamos dar apoio para você denunciar.’

Segue... Na volta para casa, no carro, o vizinho comentou:

Não entendi nada. Uma funcionária da UPA me deu uma olhada de cima abaixo e disse: ‘Tô de olho em você,
hein!’ Há testemunhas.”

No caso relatado cujo título foi “Cena carioca,” nem sabemos se foi mesmo uma assistente social, nem vamos
entrar nesse mérito, o fato é que uma profissional concluiu apenas baseada no que seus sentidos tinham
acabado de captar, que a mulher havia sido vítima de violência doméstica, sem ter o cuidado de checar suas
impressões. Esse julgamento poderia ter sérias implicações. Vai saber o que poderia acontecer!

Enquanto atuei como assistente social (atualmente estou aposentada) a observação sempre foi uma importante
aliada. Vou dar um exemplo. Uma das minhas experiências profissionais foi na Justiça, na área da infância e
da juventude. Assim, atuei em muitos processos em que devia avaliar se um abrigo, por exemplo, dispensava
às crianças sob sua responsabilidade um atendimento de acordo com o que preconiza o Estatuto da Criança e
do Adolescente. Para tanto, tinha que fazer uma visita, denominada de visita institucional. O objetivo era
verificar a qualidade do serviço oferecido. Para isso, tinha um roteiro para me orientar nessas visitas que
continha aspectos objetivos e subjetivos. Os objetivos ainda eram divididos entre aqueles que diziam respeito
ao que eu observava nas crianças (se estavam bem cuidadas, vestidas, penteadas etc, como se comportavam
entre elas e com os adultos do abrigo, entre outros aspectos) e as observações referentes ao imóvel (estado de
conservação, adequação dos compartimentos à faixa etária, capacidade de atendimento, condições de higiene,
entre outros). Os aspectos subjetivos estavam mais relacionados com o desenvolvimento do projeto
pedagógico do abrigo. Mas só ao entrar no local meus sentidos já captavam certas informações: a organização,
os cheiros, os sons. Procurava fazer esse tipo de visita em horários de almoço, de lanche, de banho para
observar mesmo a rotina e não apenas perguntar por ela. Sempre me impressionavam bem abrigos em que
havia uma comida cheirosa, uma “bagunça saudável”, crianças se comportando de forma espontânea. Mas, é
claro, estas informações deveriam ser relacionadas com outras para que eu chegasse à conclusão sobre a
qualidade do atendimento; se o atendimento estava cumprindo às recomendações do ECA.

Vocês sabiam que existem estudos que constataram que a comunicação humana ocorre basicamente através da
comunicação não verbal

Em muitos momentos esse tipo de comunicação é mais importante do que as informações que coletava através
das entrevistas ou dinâmicas de grupo, pois os gestos, a expressão facial, a postura, a entonação da voz, os
suspiros, entre outros sinais emitidos pelas pessoas, podem “dizer” muito mais do que as palavras.

Viram como a observação é versátil? Sem sentir já começamos a falar de como elas podem ser utilizadas nas
visitas. E falando em visitas, existem dois tipos básicos delas: a domiciliar, a famosa VD, e a institucional.

Para Souza (2008:128), a visita domiciliar é um instrumento que “[...] tem como principal objetivo conhecer
as condições e modos de vida da população usuária em sua realidade cotidiana, ou seja, no local onde ela
estabelece suas relações do dia a dia: em seu domicílio.”

Para Souza (2008:128), a visita domiciliar é um instrumento que “[...] tem como principal objetivo conhecer
as condições e modos de vida da população usuária em sua realidade cotidiana, ou seja, no local onde ela
estabelece suas relações do dia a dia: em seu domicílio.”
Na visita domiciliar, embora a entrevista seja o instrumento mais utilizado, a observação tem um papel
fundamental, pois é ela que pode, em algumas situações, fazer o confronto entre o que as pessoas informam e
o que efetivamente acontece. Não me esqueço de uma visita que fiz a um abrigo em que estava havendo uma
festa para as crianças. Pessoas da comunidade participavam ativamente, inclusive trazendo doces,
refrigerantes, brinquedos etc. e quando perguntada se a entidade recebia alguma contribuição a responsável
respondeu: “Ah, minha filha, aqui sou só eu e Deus.”

Em outra ocasião, duas alunas minhas estavam visitando uma creche e enquanto conversavam com uma
educadora, que dizia maravilhas sobre o projeto pedagógico da entidade, uma criança entrou na sala
interrompendo a conversa, sendo literalmente enxotada do local.
Apesar de a visita domiciliar ser realizada sempre que precisamos conhecer como as pessoas vivem em seu
espaço privado, os objetivos podem variar, dependendo da situação a ser trabalhada, da área de atuação do
assistente social.

Um profissional que atue na área da saúde, num determinado momento, pode estar mais preocupado com
aspectos relacionados às condições da habitação (tipo de construção, número de cômodos, saneamento básico,
luz etc) do que as relações entre seus moradores, por exemplo. Já um profissional que atue num Conselho
Tutelar e esteja trabalhando uma situação de violência doméstica contra uma criança certamente vai estar mais
preocupado em coletar informações a respeito das relações entre as pessoas. Não que outros aspectos não
sejam importantes, mas é uma questão de foco.

O importante é que tenhamos clareza que ao realizar uma visita domiciliar estamos penetrando num espaço
privado e que é fundamental que as pessoas concordem em nos receber e que o relacionamento estabelecido
seja respeitoso.
As visitas institucionais são realizadas geralmente quando necessitamos conhecer um trabalho desenvolvido
por uma instituição, avaliar a qualidade de um serviço, como o exemplo das visitas aos abrigos dado acima. É
comum que essas visitas sejam previamente marcadas com seus dirigentes, contudo, existem ocasiões em que
essa postura favorece com que a realidade institucional seja maquiada. O exemplo que daremos a seguir é,
felizmente, cada vez menos comum tendo em vista as fiscalizações do poder público e do controle social
exercido pela comunidade nos abrigos voltados ao público infanto-juvenil.

Imagine um abrigo voltado ao atendimento de crianças bem pequenas que é denunciado pelos vizinhos pelo
mau tratamento dispensado às crianças, por suas dependências estarem sujas, mal cheirosas etc. Se os
dirigentes tomarem conhecimento da intenção de uma organização de visitar o abrigo, podem desencadear
uma verdadeira “operação limpeza”, e tomar outras providências. Por outro lado, nosso senso de observação
aguçado pode denunciar a manobra. Neste exemplo, percebe-se a observação ativa presente.

HÁ VÁRIOS TIPOS DE ENTREVISTAS


SONDAGEM DE OPINIÃO
A partir de questionários questões fechadas, o pesquisador colhe a opinião do entrevistado sobre questões
previamente estabelecidas

SEMIESTRUTURADA
Trata-se do tipo de pesquisa que combina questões fechadas e abertas, em que o pesquisador tem liberdade de
abordar outros temas e assuntos que achar pertinentes

ABERTA OU EM PROFUNDIADE
Não há perguntas previamente estabelecidas; o entrevistado tem liberdade para falar de determinado tema ou
questão colocada pelo pesquisador.

LOCALIZADA
Quando o tema é restrito e discute apenas um problema

PROJETIVA
Tipo de entrevista que procura verificar a opinião e a compreensão das pessoas a partir de recursos visuais,
como fotos, filmes, música, textos entre outros;

HISTORIA DE VIDA
Pesquisa baseada em narrativas de vida. Apresenta as experiências vividas por uma pessoa, um grupo ou uma
organização. Denzin é um dos principais autores que discutem sobre a técnica de história de via para a
pesquisa social.

Nessa aula você:


Aprendeu que a observação e a visita são importantes instrumentos de coleta de dados utilizados pelos
assistentes sociais; que como os demais instrumentos, devem estar sempre vinculadas aos objetivos da ação
profissional, ou seja, não existem por elas mesmas e não são mais importantes que os objetivos;
compreendeu que a observação é um instrumento extremamente versátil e que normalmente é conjugada
com outros instrumentos, em especial a entrevista; que a visita (domiciliar ou a institucional) é empregada
quando se necessita obter informações sobre o fenômeno que está sendo estudado nos locais onde ele
acontece;
aprendeu que o registro das informações obtidas contribui para a sistematização da prática profissional.
AULA 7
INSTRUMENTOS: ENTREVISTA
Olá, seja bem-vindo à sétima aula desta disciplina: “Instrumento: Entrevista”. Vamos começar a aula repetindo
aquilo que já se tornou um chavão entre nós, mas que, apesar disso, é mais difícil de compreendê-lo do que se
imagina: Não há ação profissional que seja neutra.

Em todas as ações há sempre uma intencionalidade, um para que. E este para que, consciente ou não, estará
condicionado pelas posições políticas assumidas diante dos fatos, das situações que se apresentam ao
profissional.

Apesar das razões sofrerem influências, os instrumentos e as técnicas em si são neutros, vocês poderiam
argumentar. E eu contra-argumentaria. Não, nem mesmo os instrumentos e técnicas são neutros. Isto porque
não há qualquer sentido em analisá-los, isolando-os das condições e razões que justificaram sua utilização.

O desenvolvimento da competência profissional do assistente social está indissoluvelmente ligado à sua


capacidade de articular as dimensões, teórico-metodológica, ético-política e técnico-operativa na formação de
seu saber.

O Saber, aqui, é entendido como unidade pensamento-ação, teoria-prática, discurso-ato.

Myriam Veras Baptista sintetiza a capacidade do assistente social em articular as dimensões muito bem: “o
assistente social não só analisa os acontecimentos, mas tece-os criticamente, toma uma posição e decide por
um determinado tipo de intervenção”. (1995, p. 92)

O Serviço Social é uma profissão eminentemente prática, de caráter interventivo, de cunho socioeducativo ou
socializador, imbricada no cotidiano, e que visa introduzir mudanças imediatas no contexto social. Vimos,
anteriormente, que sua função institucional é contribuir para a reprodução das relações sociais e que estas se
reproduzem no cotidiano.

O assistente social realiza sua prática vinculado a órgãos da administração pública direta ou indireta,
empresas, entidades e organizações civis. Atua, principalmente, nas áreas da Assistência, Saúde, Educação,
Justiça, dedicando-se à assessoria e consultoria em matéria de Serviço Social, mas, sobretudo, ao
planejamento, operacionalização e viabilização dos serviços sociais à população.

Na maioria dos casos, portanto, lida com as demandas dos seguimentos mais pobres da população. Com
aqueles sujeitos que, desprovidos das condições materiais para comprar bens, serviços e, porque não dizer,
direitos, compõe a “clientela” das instituições que fornecem tais serviços.

É este sujeito - dos seguimentos mais pobres da população - que irá sentar na sua frente para ser entrevistado,
em geral, para fornecer informações que lhe permitam tomar uma decisão. É um sujeito que, na condição de
solicitante de algum serviço, e já tendo perdido de vista que tem direito àquilo, que não está pedindo favor (ou
de nunca ter compreendido desse modo), chega até você, muitas vezes, de cabeça baixa, constrangido,
tentando imaginar o que precisa dizer, que história contar, para ter sua demanda atendida. Ele traz as marcas
do lugar subalterno que a estrutura social lhe impôs.

Ele desconhece as determinações objetivas que o colocaram naquele lugar; ele desconhece que os serviços
sociais de que precisa requerer para dar conta do seu cotidiano provêm de recursos públicos, e que mesmo as
empresas privadas, fundações ou organizações civis, que prestam tais serviços o fazem com dinheiro público,
já que o debitam, sempre com vantagens, dos impostos que deveriam pagar ao Estado. É o sujeito que
desconhece que aquele profissional que irá lhe atender é seu funcionário, na medida em que é um “servidor
público”, porque pago com dinheiro público. Ele desconhece que mesmo ele, talvez desempregado, ou isento
do imposto de renda por ter renda insuficiente, também paga impostos, embutidos no pão de cada dia, na
passagem do ônibus, em todo o pouco que consome.

O tipo da entrevista, a forma de coleta


das informações etc., são escolhas que o
assistente social terá que fazer antes de
realizar aquela que é a mais frequente
das suas atividades: a entrevista.

Alfred Benjamin, no livro “A Entrevista


de Ajuda”, diz que há basicamente dois
tipos de entrevista: aquela na qual o
entrevistador procura a ajuda do
entrevistado, e aquela em que o
entrevistador tenta ajudar o
entrevistado. Na primeira, o autor situa
a entrevista jornalística, a de pesquisa e a de seleção de pessoal. Nestas, o entrevistador precisa da história, das
informações e do melhor ocupante para o cargo. Em todas as outras, nas realizadas por médicos,
fisioterapeutas, professores, conselheiros, psicólogos, assistentes sociais, diz o autor, a entrevista é de “ajuda”.
E assume esse caráter porque seu objetivo principal é ajudar o entrevistado. Ele está no centro, ele é o
focalizado, ele é o mais importante. (1991, p. 13)
Para o autor:
“AJUDAR” é um ato de capacitação. O entrevistador capacita o entrevistado a reconhecer, sentir, saber,
decidir, escolher se deve mudar. Este ato de capacitação exige doação de parte do entrevistador. Precisa dar
uma parte de seu tempo, de sua capacidade de ouvir e entender, de sua habilidade, conhecimento e interesse –
parte de si mesmo. Se essa doação puder ser sentida pelo entrevistado, o ato de capacitação encontrará
receptividade. O entrevistado receberá ajuda de maneira adequada e significativa para ele. A entrevista de
ajuda é a ampla interação verbal entre entrevistador e entrevistado, na qual se dá o ato de capacitação. Dá-se,
mas não é sempre que os objetivos são alcançados, muitas vezes não sabemos se foram ou não”. (1991, p.14)

Vocês perceberam? A forma de Alfred Benjamin ver a entrevista, em seu livro “A Entrevista de Ajuda”, muda
tudo. Isso porque muda a perspectiva da relação que o assistente social irá estabelecer com o usuário. Seja em
que área for, tenha o usuário vindo espontaneamente ou obrigado, para além do objetivo específico que
motivou aquela entrevista - obter ou fornecer informações para algum fim -, há um objetivo que prepondera e
que coloca a seguinte questão: Qual será o melhor modo de ajudar essa pessoa, como fazer da entrevista de
ajuda um relacionamento de ajuda?

A indagação “Qual será o melhor modo de ajudar essa pessoa, como fazer da entrevista de ajuda um
relacionamento de ajuda?” desloca a questão da habilidade para outro lugar. Ao invés da preocupação com
treinamento em diferentes técnicas de entrevista: diretiva, não diretiva, formal, informal, estruturada, não
estruturada etc. A questão da habilidade em entrevista de ajuda está ligada muito mais à consciência de si
mesmo, do seu papel profissional, de seus compromissos, de suas atitudes e formas de comunicação. O
conhecimento dessas técnicas pode até produzir alguns insights, mas nunca vão ser suficientes ou
determinantes para que a entrevista de ajuda se realize satisfatoriamente para ambas as partes.

Quando se consegue estabelecer o “relacionamento de ajuda”, quando a entrevista alcança esse patamar,
entrevistador e entrevistado, assistente social e usuário, saem dela gratificados, mesmo quando os objetivos
imediatos não tenham sido alcançados; e mesmo que você, na hora, tenha se esquecido da maioria daquelas
técnicas.

Um assistente social que tenha que dizer a um usuário que ele não poderá receber esse ou aquele benefício
porque sua situação não se enquadra nos pré-requisitos determinados pela instituição. Será que, ainda assim,
ele poderá realizar uma entrevista satisfatória?

Se o profissional for capaz de ouvir, de valorizar a queixa e a história do entrevistado; se souber demonstrar
respeito, interesse e solidariedade, reconhecendo que ele pode dotar-se de autonomia, que é responsável por si
próprio, por suas ações, pensamentos e sentimentos; se fornecer informações úteis e um leque de alternativas
para ele decida que uso fazer delas; se agir no sentido de ajudá-lo a tornar-se cada vez mais consciente de si
mesmo, de suas potências, de suas próprias referências, é bastante possível que esse profissional possa
capacitá-lo a ver o problema sob outra ótica, a reconhecer que, talvez, mudanças de atitude poderiam dar outro
rumo à questão.

É bem possível que o entrevistado possa sair de uma entrevista mais fortalecido e mais empoderado para
enfrentar o problema. Nesse contexto, com certeza, também o entrevistador.

Mas, o balanço seria outro se, em vez disso, o assistente social se restringisse a dizer: Senhor, infelizmente,
sou obrigada a informar que não poderemos atender seu pedido, uma vez que a renda per capta de sua família
é superior ao limite estipulado pelo programa. Seria pior ainda, se em resposta às reclamações e manifestações
de revolta do entrevistado, o assistente social dissesse: Senhor, essas são as regras, lamento muito, mas eu não
posso fazer mais nada. Os recursos que o governo disponibiliza para o programa são insuficientes para atender
a todos, e há outros em situação bem pior do que a sua. Por favor, eu pediria que o senhor se retirasse, porque
preciso atender outras pessoas.

O profissional que se deixa engolir pela rotina, pelos procedimentos burocráticos, pelas estatísticas, pelas
metas de atendimento; aquele que, pressionado pelo tempo e pela fila, mal consegue olhar (que dirá ouvir)
quem está sentado a sua frente, este, será incapaz de fazer da entrevista de ajuda um relacionamento de ajuda.
No final do dia de trabalho, ele estará morto de cansaço, insatisfeito, estressado.

Vemos aqui uma primeira dificuldade: como é possível dar prioridade ao entrevistado, colocá-lo no centro do
meu interesse profissional, nessas condições de trabalho, premido por exigências burocráticas que convertem
pessoas em números? Afinal, os assistentes sociais realizam sua prática em condições de relativa autonomia,
na medida em que, sendo contratados por alguma instituição, estão submetidos a enquadramentos normativos,
funcionais, procedimentais, e a uma lógica funcionalista adequada aos interesses dominantes.

O primeiro passo está dado: transformar a situação num problema. Se não a vemos
como um problema, apesar da insatisfação, nos conformamos. É bem aquele ditado:
aquilo que não tem remédio, remediado está. Só quando uma coisa é formulada
como problema, é possível pensar em solucioná-lo. Nesse caso, a postura assumida
é de recusa. É esta a postura que se deve adotar frente a toda imposição que contrarie os princípios que regem
a boa conduta profissional.

Ah, mas isso é discurso acadêmico! Na prática, são outros quinhentos!

Pode ser, mas a história está cheia de exemplos que confirmam a teoria segundo a qual, em se tratando de
relações, sejam elas sociais, institucionais, interprofissionais ou interpessoais, é o conflito, a polarização de
ideias, o confronto de interesses e posições, as lutas e jogos de poder, que ditam a dinâmica das mudanças. Na
década de 80, quando os primeiros assistentes sociais foram contratados para as Varas de Família do Tribunal
de Justiça do Rio, não havia salas para atendimento, muitos faziam suas entrevistas em salas coletivas, sem
divisórias, e até nos corredores. E, tenham certeza, essa realidade não teria mudado, se a postura daqueles
profissionais fosse a de que “aquilo que não tem remédio, remediado está”. Eles fizeram reuniões, elegeram
representante, escreveram documento, solicitaram a interveniência do Cress, e aos poucos a situação foi
mudando. O interessante é que, a partir desse processo, a categoria começou a ser respeitada, adquiriu um
novo status institucional, conseguindo, inclusive, o reconhecimento de uma coordenação técnica.

Até aqui, estamos falando de postura profissional, de uma escolha em termos teórico-metológicos e ético-
políticos. Agora, vamos falar das condições, dos meios para assegurar que essa opção possa ser
operacionalizada satisfatoriamente.

A entrevista é um diálogo entre duas pessoas, um diálogo sério que tem um propósito. Nos termos aqui
colocados, esse propósito pode incluir obter e/ou fornecer informações, mas o enfoque incide sobre o processo
de crescimento do entrevistado. Desse modo, o objetivo da entrevista é desenvolver um relacionamento
caracterizado pela confiança mútua e mudança criativa (1991).

Durante uma entrevista, independentemente de qual seja seu cunho, existem fatores internos e externos que
podem influenciar. Avance e descubra quais são.
FATORES EXTERNOS
A SALA DE ATENDIMENTO
Difícil definir condições que, muitas vezes , estão fora de nosso controle. Mas alguns requisitos devem ser
assegurados: o primeiro deles é que a sala permita u mínimo de privacidade aos interlocutores. Outro, é que
sua decoração, a disposição dos móveis e objetos, não seja ameaçadora, barulhenta ou provoque distrações.
Deve-se evitar que sobre a mesa estejam papéis ou fichas sobre outros usuários, bem como lanches ou objetos
pessoais do entrevistador.

Normalmente, há uma mesa entre a cadeira do entrevistador e do entrevistado. Atentem para o fato de que
essa disposição sinaliza certa hierarquia de papeis. O rumo que a entrevista tomar é que poderá quebrar essa
distancia. É que poderá demonstrar que mesmo em posições diferentes a relação ali é de natureza horizontal e
não vertical. Em certas circunstanciais, talvez o melhor seja que ambos se sentem em cadeiras dispostas em
ângulo de 90°, com uma pequena mesa em frente. Assim, o entrevistado poderá desviar o olhar quando sentir
necessidade. Em entrevistas com crianças ou adolescentes, essa é a melhor disposição. O objetivo é propiciar
uma atmosfera adequada à comunicação espontânea.

INTERRUPÇÕES
Deve-se evitar severamente que a entrevista sofra interrupções que quebram a dinâmica do relacionamento:
telefonemas e entradas de colegas para resolver um probleminha sempre urgente são inadmissíveis.

FATORES INTERNOS
A POSTURA DO ENTREVISTADOR
O entrevistador que esteja focado no entrevistado, ouvindo sua história, atento a linguagens e expressões não
verbais, não ficará atendendo o celular, remexendo em papéis, olhando o relógio, dispersando-se com seus
próprios problemas. Lembrem-se, essa coisas não passam despercebidas pelo entrevistador, e são percebidas
com desrespeito.

O entrevistador deve-se colocar como pessoa, não como um robô ou um técnico. Deve expor sua humanidade,
sua falibilidade, desvencilhando-se de qualquer máscara ou fachada que se interponha como barreira no
relacionamento que ali se estabelece. Caso não saiba alguma informação solicitada pelo entrevistado, não
enrole, diga claramente que desconhece e que ao final da entrevista buscará essa informação com um colega
ou supervisor, e realmente o faça. Se dessa informação depender a continuidade da entrevista, interrompa, dê
um telefonema. O entrevistado se sentirá respeitado, valorizando com a atenção dispensada.
Não há problemas em, eventualmente, fazer algum comentário sobre seus sentimentos ou sua vida pessoal,
desde que a confiança mútua já esteja estabelecida. O que não pode se feito em hipótese alguma é usar esse
recurso para criar confiança e, prior para sugerir que ele siga seu exemplo. Fale menos, ouça mais.

Nunca diga o que o entrevistado deve fazer, que caminho tomar, o que escolher, municie-o com o máximo de
informações, inclusive, levantando prós e contra, mas sempre tomando cuidado para não ser tendencioso, para
não substituí-lo na tomada de decisão. Lembre-se de que o importante num relacionamento de ajuda não é
qual a decisão a ser tomada, mas que o entrevistado possa saber-se capaz de tomá-la.

“A mudança que desejamos ajudar a promover é basicamente aquela que o entrevistado será capaz de
construir, que seja significativa para ele e lhe perita agir no futuro com mais êxito enquanto pessoa. A
mudança em que estamos interessados implica aprendizagem’’. (1991, p.56).

COMO REGISTRAR A ENTREVISTA


Toda entrevista deve ser registrada. Faz parte do processo da entrevista e, ademais, de todo o processo de
trabalho do assistente social. Os registros são importantes para reavivar a memória do entrevistador na hora
em que tiver que fazer um relatório ou como guia nos próximos encontros que, por ventura, tiver com o
mesmo entrevistado. Além disso, os registros são a memória da ação profissional, sempre se poderá recorrer a
eles e para avaliar seu desenvolvimento, sua evolução.

Numa entrevista, o registro, entretanto, tem que estar cercado de alguns cuidados. O primeiro deles, é que as
anotações deverão estar subordinadas ao processo de entrevista. Não permita que o registro atrapalhe o ritmo
da entrevista. Coisas do tipo: “fale mais devagar para que eu possa fazer minhas anotações’’, são
inapropriadas.
Não transforme as anotações num interrogatório, num fluxo seqüenciado de perguntas respostas. Isso pode
parecer ameaçador.
Não anote coisas que o entrevistado não possa ter conhecimento. Se tiver que fazer alguma anotação de
caráter avaliativo, tipo, mostrou-se agressivo, rígido, faça depois. O entrevistador sempre poderá perguntar: o
que o senhor escreveu aí sobre mim? E criar uma situação, no mínimo, embaraçosa.
Por último, vale ressaltar que as anotações feitas durante a entrevista devem ser pontuais, com o fito de
permitir que, depois, a memória seja acionada. O profissional não deve fazer ali o relatório do atendimento,
um texto. Isso deverá ser feito depois da entrevista.
Tomamos esse cuidados, existe uma margem bastante larga para que cada profissional adote seu estilo de fazer
os registros necessários, e , obvio de criar seu próprio estilo de conduzir a entrevista.

SOBRE A PERGUNTA
Essa questão é chave, a forma como se usas a pergunta determina não apenas a dinâmica da entrevista, mas
seu caráter. Dependendo de como se usa a pergunta, toda a estratégia de transformar a entrevista de ajuda nu
relacionamento de ajuda ficará comprometida.
O modelo pergnta/resposta pode ser prestar a um interrogatório, a um inquérito, mas à entrevista de ajuda é
contraproducente.
“Se iniciamos a entrevista de ajuda fazendo perguntas e obtendo respostas, fazendo mais perguntas e obtendo
mais respostas, estamos estabelecendo um modelo do qual nem nós, nem certamente o entrevistado, seremos
capazes de nos desembaraçar. Sem oferecer-lhe alternativas, estaremos ensinando que, nessa situação, nossa
função é fazer perguntas, e a dele, respondê-las (...) Assim, ele se verá como um objeto que responde quando
interrogado e, quando não, mantém a boca fechada. Ao introduzirmos o modelo pergunta/resposta, estamos
dizendo ao entrevistado, de modo tão claro como se estivéssemos usando palavras, que nós somos a
autoridade, o chefe, e que só nós somos importante e relevante para ele”

As perguntas que podem ser feitas, e em alguns momentos é cabível fazê-las, são as perguntas que convidam o
entrevistado a falar de si, de seus sentimentos, a expressar livremente suas opiniões e concepções.

A pergunta aberta permite isso, a fechada pode tomar o diálogo monossilábico. Percebam a diferença: “Como
você se sente em relação a sua mãe?” ou, “Você gosta da sua mãe, não é?
Evite perguntas que já contenham, a resposta, tipo: “você não teve realmente a intenção de fazer isso, teve?”
Evite perguntas duplas, tipo: “você quer vir amanhã ou depois de amanhã?” Evite o bombardeio de perguntas,
aquele em que o entrevistado mal tem tempo de elaborar a resposta ou de concluí-la que já recebe outra.
Evite antecipar a resposta do entrevistado. Mal ele começa a falar e o entrevistador o interrompe concluindo a
resposta. Ou então, quando o entrevistado faz uma pausa (para buscar a melhor palavra, porque está
emocionado etc), e o entrevistador o “ajuda” a conclui o raciocínio.
Prefira as perguntas indiretas, tipo: “Você está no programa há um bom tempo, deve ter muito a dizer”. Ou,
“Gostaria que você me falasse sobre seu sentimento em relação ao que aconteceu”.

Há muitas outras questões interessantes a se discutir e pensar sobre a entrevista de ajuda. Nesta aula procurei
ressaltar , mesmo assim superficialmente, os aspectos mais relevantes para quem vai iniciar essa experiência.
A primeira entrevista e as subsequentes, durante um longo tempo, vão trazer insegurança, medo e muita
ansiedade; não tem como se diferente.
O que posso dizer para reduzir um pouco o peso desse sentimentos é que vocês vão errar muito. Sabe aquele
ditado que diz que se aprende com os Eros? Para muita coisa, ele pode não ser verdadeiro, mas para a
entrevista ele é incontornável. Sabem por que? Porque a entrevista é uma equação de dois termos.
Aparentemente, só um deles é a incógnita, o entrevistado. Entretanto, há muito de incógnita em nós mesmos.
A principio, não sabemos comi vamos reagir esse contato, que questões nossas vão aparecer naquele
momento, se essa questões vão interferir negativamente no processo. E, na medida em que estamos propondo
um tipo de entrevista que é, na realidade, um relacionamento, um diálogo, precisamos conhecer a nós
mesmos. Autoconsciência, honestidade e paciência. Permitam-se aprender com o entrevistado, com o
processo.

Outra coisa muito importante: sendo um relacionamento, é via de mão dupla. E mesmo que caiba ao
profissional a responsabilidade por conduzir a entrevista, o entrevistado joga papel ativo, não passivo, no
processo. Ou seja, algumas vezes a entrevista pode ser bastante desgastante. Mas vocês vão experimentar essa
sensação, quando o relacionamento de ajuda acontece, o prazer é extremamente compensador.

Nessa aula você:


Compreendeu que a entrevista, como integrante do arsenal instrumental do Serviço Social, tem caráter de
entrevista de ajuda;
compreendeu que não há neutralidade no uso da entrevista, bem como no de qualquer instrumento e
técnicas na prática de Serviço Social;
identificou que postura, formas de abordagem e técnicas permitem que a entrevista de ajuda se converta
num relacionamento de ajuda;
percebeu o papel da mediação na relação entre as práticas profissionais e as determinações institucionais.
AULA 8
O SERVIÇO SOCIAL E O TRABALHO COM GRUPOS
O trabalho com grupos exige, em primeiro lugar, a superação de uma postura objetivista na análise da
realidade humana. Essa postura, assumida, a meu ver, a partir de uma leitura mecânica e simplista do
marxismo (materialismo histórico), leva a que muitos assistentes sociais negligenciem o peso da subjetividade
como fator da produção e reprodução da vida social. Muitos discursos reduzem as identidades sociais à classe
e às condições materiais de existência dos sujeitos.

Como se as possibilidades de permanência e ruptura das relações de dominação, principalmente no terreno


dos micropoderes, das relações cotidianas, não tivessem ligação direta com as representações sociais, com as
visões de mundo e de si, que atuam como reguladores das práticas sociais, como mecanismos de controle e de
recalque das potências de liberdade e autonomia dos sujeitos.

O processo de amadurecimento da profissão vem dando conta dessa


limitação, na medida em que se tem buscado uma postura pluralista,
não fragmentária, na apreensão dos saberes dos diferentes campos
disciplinares que compõe a formação do assistente social, como a
Economia, a Sociologia, a Psicologia, a antropologia, a Filosofia e o
Direito.

Concordo com aqueles que não veem contradição no uso coerente de conceitos da
teoria marxista, da fenomenologia, da visão sistêmica ou do pensamento
foucaultiano.
Pois considero que essa referencias teóricas não são incompatíveis entre si, quando
se pretende uma compreensão dos processos sociais a partir da dialética
individuo/coletividade. A partir da compreensão dos indivíduos em sua totalidade
humana, como sujeitos de emoções, sentimentos, valorações, intuições, desejos.
Porque, afinal, seção esses sujeitos concretos, e não apenas o sujeito genérico,
identificado como operário, desempregado, carente, vítima ou autor de violência, que são os agentes da práxis
transformadora.

Não há mais lugar para o assistente social que acha que é de sua competência apenas a análise descritiva das
condições matérias, da estrutura familiar, e a avaliação socioeconômica dos sujeitos. E que acha que tudo o
que tem a ver com a subjetividade é de
competência do psicólogo.

Por isso, sugiro que vocês voltem a alguns


temas tratados, principalmente, nas aulas de
Psicologia Social e Antropologia:

Esses conhecimentos são importantíssimos para a formação e capacitação do assistente social, mas, para o
trabalho com grupos, são imprescindíveis.
Os seres humanos se constituem como sujeitos sociais através de teias de relações nas quais os grupos de
pertencimento e os papéis que desempenham neles incidem no desenvolvimento da personalidade, na
construção das identidades sociais, na visão de mundo e de si.
O cotidiano das pessoas é demarcado e organizado pela inserção em diferentes grupos ao longo da vida. A
construção das identidades sociais, a cultura, as escalas de valores, as mentalidades, assim como as condições
objetivas e materiais de existência, são condicionados, mediados, explicitadas nas relações sociais, e os grupos
constituem a forma dessas relações onde se dão as relações interpessoais.
A família, os amigos, a turma da escola, o grupo de trabalho, o partido, o sindicato, os torcedores de um time,
a igreja, a classe, são grupos sociais através dos quais cada um de nós se reconhece e é reconhecido como
participantes de uma sociedade.
Portanto, Grupo é um conjunto de pessoas unidas entre si porque se colocam objetivos e/ou ideais em comum
e se reconhecem interligadas por esses objetivos e/ou ideais.

Assim, uma das características dos grupos é sua ligação com uma instituição, com valores, com práticas
sociais. Cada qual a sua maneira, se organiza a partir de normas, leis, práticas, costumes, que definem sua
singularidade, seu reconhecimento e seu pertencimento social.

Os modos de convivência da família, por exemplo, se diferenciam dos modos de convivência do grupo de
amigos, que, por sua vez, se diferenciam do grupo de trabalho, do grupo político, do grupo de terapia, do
grupo de autoajuda.

Convivência - Os moradores de uma vila, por exemplo, só se constituem como grupo quando se
organizam para resolver um problema comum, para fazer uma festa, quando participam de uma pesquisa
sobre a convivência da vila, enfim, quando se ligam e se reconhecem como grupo a partir de uma
motivação comum.
Do mesmo modo, os pacientes que aguardam o atendimento do médico numa sala de espera também não
constituem um grupo simplesmente por estarem na mesma sala. Mas se um assistente social ou um
psicólogo propuser que eles discutam um tema de interesse comum enquanto esperam o atendimento, e
eles aceitarem, esses pacientes passam a se constituir como grupo.

Podemos observar uma diferença importante no processo de constituição dos grupos, que nos interessa
particularmente como profissionais. Em geral, os grupos se constituem por duas vias:

POR DEMANDA INTERNA


Quando participamos do grupo familiar, ou do grupo de trabalho, ou da turma da faculdade, podemos
dizer que a demanda é interna, é uma condição ou uma escolha inerente ao fato de termos nascido
naquela família, de estarmos trabalhando naquele setor da empresa, de estarmos fazendo aquele curso
universitário.

POR DEMANDA EXTERNA


Mas, quando participamos de um grupo instituído a partir da condição de usuário de uma instituição,
de demandante de um serviço social, por exemplo, podemos dizer que a demanda é externa. Porque sua
constituição foi motivada ou está inserida numa estratégia profissional exterior a nós.

Ao entrar com um pedido de habilitação para adoção numa Vara da Inafancia e Juventude, por exemplo, a
pessoa não está voluntariamente se dispondo a participara de um grupo, de suas varias reuniões, de se expor
diante de pessoas que não conhece. Mas, se a estratégia de ação escolhida pela equipe técnica inclui o trabalho
com grupos, o requerente à habilitação não terá outra alternativa se não aceitar.
Entretanto, sua disponibilidade emocional para a atividade, seu envolvimento na dinâmica grupal, sua forma
de participação dependerão em grande medida de capacidade de sensibilização por parte da equipe e de sua
competência e habilidade apara conduzir o processo e a dinâmica grupal.
Em Juizados Especiais Criminais e em Varas de Família tem-se optado por incorporar a mediação de conflitos
no curso processual, antes das audiências com o juiz. Em alguns desse órgãos, assistentes sociais e psicólogos
inseriram o trabalho com grupos antes das seções de mediação, como forma de sensibilizá-los para a
possibilidade de acordos e para a adoção de uma visão menos beligerante do conflito. Nesse casos, a aceitação
da mediação é voluntaria.
E o trabalho de sensibilização, determinante, inclusive, nos resultados da mediação, pois, um dos objetivos da
sensibilização nesse grupos é exatamente a resignificação do conflito e a conseqüência redução das
existenciais e posicionamento rígidos.

Em muitas maternidades, já é tradicional o trabalho com grupos de gestantes, coordenados por assistentes
sociais, enfermeiras, psicólogas. Nesses casos, a participação também é voluntária, dependente, portanto, do
trabalho de sensibilização para a participação consciente na atividade.

O que importa reter dessa discussão é que, independente de a participação no grupo ser voluntária ou não, em
todos os casos a demanda é externa, vem de fora, normalmente por iniciativa institucional. Esta situação, que
particulariza a origem desses grupos, lhes imprime características diferentes daqueles que existem por
demanda interna.

MAS JÁ PENSARAM SOBRE O QUE SIGNIFICA DIZER QUE AS AÇÕES DO SERVIÇO SOCIAL
TÊM CARÁTER EDUCATIVO?

VOCÊS JÁ OUVIRAM DIZER QUE A INTERVENÇÃO PROFISSIONAL DO ASSISTENTE


SOCIAL É UMA PRÁTICA EDUCATIVA, NÃO É MESMO?

DE QUE TIPO DE EDUCAÇÃO ESTÁ SE FALANDO; PARA QUE FINALIDADES?

As respostas podem ser várias, partir de diferentes enfoques, as, certamente, não daqueles que vêem no outro
o depositário de suas verdade. Aqui, proponho que pensemos a dimensão educativa como um campo de
praticas que incidem nas representações socais (conhecimentos, valorações, sentimentos, visão de mundo e de
si) com o objeto de produzir transformações nos modos de pensar, de sentir e de agir.

Ou seja, como uma prática que se realiza em dois planos dialeticamente articulados: no plano das
representações e no plano do agir. Mudar o representado para transformar o vivenciado, com o objetivo de
desenvolver e ampliar as possibilidades de escolha e as capacidades de liberdade e autonomia dos sujeitos
sociais

VOCÊS CONCORDAM QUE ESSE MODO DE PENSAR É COERENTE COM O PROJETO ÉTICO-
POLÍTICO DO SERVIÇO SOCIAL?

Eu concordo. E penso que para o trabalho com grupos essa visão é iluminadora da prática, porque já indica o
caminho do processo de aprendizado, sinaliza para os conhecimentos e habilidades quem devemos buscar para
aprender a manejá-lo.
Nessa configuração, e considerando o campo disciplinar do Serviço Social, podemos dizer que o assistente
social é profissional competente para atuar em diferentes tipos de grupos que tenham caráter socioeducativo.
Em trabalho interdisciplinar, o assistente social também é competente para co-dirigir, junto com o psicólogo,
grupos de caráter sociopsicológicos. A diferença entre ambos está na ênfase que, no primeiro, é dada aos
aspectos sociais, e, no segundo, aos aspectos emocionais.
Normalmente, o trabalho com grupos está inserido num programa que articula outras ações, como
atendimento individual, visita domiciliar, estudo social. Mas por ser um instrumento de enorme eficácia,
quando se trata de produzir mudanças de ideias, atitudes e práticas, pode se constituir em ação isolada ou em
eixo da estratégia.

GRUPO FOCAL
O Grupo Focal trabalha sobre temáticas específicas, ligadas à questão que mobilizou sua formação. Em geral,
o grupo focal funciona com poucas seções, podendo chegar a cerca de 20 participantes. Mais do que isso,
pode se descaracterizar como grupo, tornando-se uma assembleia, uma reunião deliberativa, uma palestra

Esse tipo de grupo pode ser aberto ou fechado em termos da frequência dos participantes. O ideal é que não
haja rotatividade, porém, por inúmeras razões, isso nem sempre é possível, como em grupos de sala de espera,
por exemplo. No caso do grupo de habilitação para adoção, ele é focal, mas a frequência dos participantes é
fechada, em razão dos objetivos a que se destina. Ele tematiza sobre questões implicadas na adoção de
crianças ou adolescentes, mas, embora seu enfoque seja educativo, a função do grupo é a de fornecer aos
técnicos elementos que subsidiem a avaliação sobre a habilitação ou não do requerente.
Nos grupos focais, o papel do coordenador tem destaque no desenvolvimento das seções. É ele – ou eles, no
caso de trabalho em equipe - quem previamente decide a metodologia a ser aplicada, as dinâmicas a serem
empregadas, os materiais a serem utilizados, o que implica que a autonomia dos participantes de grupo focal é
relativa, limitada.

GRUPO OPERATIVO
O Grupo Operativo, por outro lado, objetiva não apenas a reflexão sobre algum tema, mas pretende produzir
mudanças que ultrapassem o nível simplesmente cognitivo, da aquisição de novas informações e
aprendizados. Visa provocar mudanças nas práticas sociais, no pensar e no agir dos participantes, a partir da
introdução de atividades operativas. Por isso, preferencialmente, deve ser fechado. Seu tempo de duração é
maior, é o tempo necessário para o alcance dos objetivos.

O grau de autonomia dos participantes de um grupo operativo também é maior que num grupo focal. Os
participantes, em geral, escolhem o tema a ser trabalhado, decidem democraticamente questões relativas ao
seu funcionamento, como horário, periodicidade, e sobre as regras de convivência.
Esse grupo, embora tenha foco, dá a ele um tratamento mais abrangente, relacionando-o a diferentes níveis de
implicação, associando-o às experiências concretas dos participantes, tanto em termos subjetivos como
objetivos, para que sejam elaboradas, resignificadas, e resultem em mudanças criativas nas práticas e na
relação com seu cotidiano. Por essas características e pelos objetivos a que se destina, o grupo operativo
requer maior envolvimento e participação dos seus membros, maior comunicação, mobilização de afetos e
criatividade. O número de participantes deve variar de 7 a 12 membros.

Nesse tipo de grupo, o papel do coordenador é o de facilitador da comunicação, de dinamizador da reflexão.


Não que ele não possa levar informações, esclarecer dúvidas, mas o fará a partir da compreensão de que ele
não detém a direção do processo de mudança pretendida pelos participantes.

*Grupos de gestantes que durem todo o pré-natal podem se constituir como grupo operativo. Além das
situações envolvidas no desenvolvimento da gravidez e informações sobre cuidados ao bebê, pode-se abrir
para outras questões como a qualidade da relação familiar, responsabilidade parental, expectativas e
idealizações em relação ao filho, à maternagem, a si própria, ao casamento.

*Grupos de mulheres vítimas de violência doméstica ou de agressores também reclamam uma estrutura de
grupo operativo. O modelo de Escolas de Família criado na Vara da Infância e Juventude do Rio e implantado
atualmente em vários municípios, tem duração de um ano e é estruturado segundo a concepção de grupo
operativo.

Do ponto de vista da função, os grupos, sejam focais, operativos ou estruturados de outros modos, com
enfoque socioeducativo ou psicoeducativo, podem assumir diferentes perfis: de autoajuda, de sensibilização,
de reflexão, terapia comunitária etc.

O importante aqui não é aprofundar a discussão sobre estrutura, função, enfoque, mas demonstrar que a
escolha do modelo de grupo não é aleatória, mas está determinada por inúmeros fatores, especialmente os que
se relacionam à demanda (ou seja, à natureza da situação ou do problema a ser trabalhado e aos interesses e
necessidades dos usuários), aos objetivos da ação profissional e às condições institucionais.
As competências e habilidades que precisam ser desenvolvidas para o trabalho com grupos, ou para qualquer
modalidade da ação profissional do assistente social, volto a dizer, estão alicerçadas na teoria, na ética e na
prática, apreendidas e incorporadas como um todo articulado.

Mas a especificidade do trabalho com grupos exige ainda a admissão de alguns pressupostos que, bem
compreendidos, vão nortear a atuação do profissional que vai conduzi-los:

Grupo é um campo de forças, cuja dinâmica depende da interação de seus membros dentro de um contexto,
incluindo aí a figura do coordenador.

Grupo é um processo relacional em constante movimento, onde atuam forças de coesão e dispersão, de
cooperação e conflito.

O grupo se desenvolve numa espiral dialética, avançando e retrocedendo em torno dos problemas.

O grupo se assemelha a um palco, onde seus membros atuam manejando um duplo investimento: serem
reconhecidos como iguais (identificados ao grupo), e, ao mesmo tempo, serem reconhecidos como pessoas
únicas. É, portanto, permeado por relações de poder.
Diante dessas características, que preocupações devem orientar a postura do profissional que irá conduzir o
grupo?

Garantir um funcionamento democrático e dialógico que possa absorver as diferenças e disputas num patamar
de equilíbrio de forças.

Estabelecer e manter um padrão de comunicação e participação que favoreça um clima de aceitação mútua e
respeitosa.

Valorizar a escuta como condição da troca e do compartilhamento das experiências pessoais.

Desencorajar a polarização, evitando que dois ou três participantes monopolizem os debates.

Desencorajar a cristalização de papéis e os estereótipos: o bonzinho, o gaiato, o explosivo, o sabe-tudo.

Desmontar os jogos que coloquem alguém como bode-expiatório.

Estimular que os participantes reflitam sobre suas relações no grupo.

Adotar uma postura pró-ativa e cooperativa.


Falar com simplicidade, sem sarcasmos e ironias, evitando o tom professoral.

Não expressar, de forma verbal ou não verbal, julgamentos de qualquer natureza.

Evidentemente, essas colocações não dão conta de tudo o que é necessário para se conduzir satisfatoriamente
um grupo. A leitura de livros que descrevam experiências de trabalhos com grupos ajudam muito, assim como
a participação em oficinas de dinâmica de grupo. Mas, o que, de fato, lhes dará segurança é a prática, a
experiência concreta, desde que criticada permanentemente à luz da teoria.

E, já que nesta aula falamos sobre subjetividade, lembrem-se que o trabalho com grupos (e também a
entrevista individual) nos confronta com nós mesmos. A busca do autoconhecimento é atitude imprescindível
em qualquer atuação profissional pautada nas relações interpessoais.

Nessa aula você:


Relembrou que a natureza da intervenção profissional do assistente está inserida na dimensão educativa;
percebeu que o desenvolvimento das competências e habilidades para o trabalho com grupos exige a
apreensão de conceitos buscados em outros campos disciplinares, como noções de representação,
identidades sociais, produção de subjetividades;
identificou diferentes tipos de grupo que podem ser trabalhados na construção da estratégia profissional do
assistente social;
identificou aspectos da dinâmica grupal que ajudam a nortear a postura do assistente social na condução
do grupo;
compreendeu a necessidade de superar a visão objetivista da realidade, valorizando a subjetividade como
componente das relações e dos processos sociais.

AULA 9
O REGISTRO E PRODUÇÃO DAS INFORMAÇÕES

“Navegar é preciso, viver não é preciso” Fernando Pessoa

Vivemos num mundo globalizado e veloz, conectados em tempo real e onde a ideia de documentar o que
fazemos pode parecer perda de tempo. Com exceção, é claro, das fotos que tiramos com o celular em punho e
postamos nos Orkuts, Facebooks para compartilhar com os amigos.

Mas a correspondência virtual tem sido motivo de preocupação e polêmica entre estudiosos. Alguns dizem
que ela está vulgarizando e banalizando a comunicação entre as pessoas, até a própria Língua Portuguesa,
outros saem em sua defesa alegando que o “internetês” não oferece nenhum perigo desde que seja utilizado na
comunicação virtual. Polêmicas à parte, “documentar é preciso”.

No decorrer da história, o registro tem sido


cada vez mais importante.

Veja um trecho da análise de Eric Hobsbawm sobre o século XX. Um dos mais renomados historiadores da
atualidade.

A destruição do passado – ou melhor, dos mecanismos sociais que vinculam nossa experiência pessoal à das
gerações passadas – é um dos fenômenos mais característicos e lúgubres do final do século XX. Quase todos
os jovens de hoje crescem numa espécie de presente contínuo, sem qualquer relação orgânica com o passado
público da época em que vivem. Por isso, os historiadores, cujo ofício é lembrar o que os outros esquecem,
tornam-se mais importantes que nunca no fim do segundo milênio. (2003, p. 13)

Se não existissem registros documentando a evolução da humanidade, como seria possível olhar para trás,
recriar o passado e planejar o presente?

Não é diferente da história da nossa profissão.

Como vimos na aula passada, os instrumentos de trabalho em Serviço Social fazem parte da dimensão
técnico-operativa e podem ser classificados de acordo com as linguagens oral e escrita, em instrumentos
diretos ou denominados “face a face” (observação, visita, entrevista, dinâmica de grupo, entre outros) e
instrumentos indiretos, que conheceremos daqui a pouco. Estes são utilizados após os instrumentos diretos
terem sido desenvolvidos, ou seja, após a realização de uma entrevista, por exemplo, é preciso documentá-la.

A documentação em Serviço Social é fundamental, pois é a partir de registros criteriosos que podemos
conhecer melhor a realidade social com a qual trabalhamos, as reais necessidades da população usuária de
nossos serviços. Além disso, permite o planejamento da ação profissional e, consequentemente,
contribui para qualificar essa ação.

Mas apesar de todas essas evidências, os poucos trabalhos que analisam o tema concluíram que a
documentação em Serviço Social é formada quase que exclusivamente da descrição da intervenção, sem
análises mais consistentes sobre o “para quê” foi realizado.
Ou seja, com qual objetivo foi realizado, bem como os resultados da ação. Devemos então perguntar: Os
objetivos foram atingidos? E se não foram. Por quê?

Estudo feito por Lima, Mioto e Dal Prá (2007, p. 97) constatou que, em geral, “[...] a descrição da intervenção
não registra os procedimentos realizados, as redes de proteção acionadas e os encaminhamentos poucas vezes
são considerados.”

Estudos realizados por Lima, Mioto e Dal Prá (2007:97), apontam que os registros mais detalhados são
aqueles que envolvem atendimentos individuais, indicando que o atendimento ao usuário parece mais
importante do que outras atividades.
Entretanto, todas as atividades devem receber o mesmo tratamento criterioso na hora de serem documentadas.

O mesmo estudo indicou que os profissionais alegam falta de tempo para documentar de forma mais
substantiva a atuação, devido à sobrecarga de trabalho, principalmente ao número de atendimentos dos quais
têm que dar conta. Por esse motivo, o registro das atividades acaba, muitas vezes, sendo realizado em casa,
fora do horário de expediente e, consequentemente, considerado um trabalho a mais.

Antes de conhecermos alguns dos principais instrumentos de trabalho indiretos ou “por escrito”, é importante
deixar claro que eles não são exclusivos do Serviço Social e que cada instituição, cada serviço, tem a sua
forma de documentar a ação profissional.

Como nos ensina Souza (2008), são considerados instrumentos indiretos: atas de reunião, livros de registro,
relatório social e parecer social e diário de campo, sobre os quais vamos dar informações bem gerais.
PARECER SOCIAL
É considerado um estudo rigoroso em que o profissional necessita opinar, se posicionar sobre uma
determinada questão com base nos fundamentos teóricos, técnicos e éticos da profissão.

RELATÓRIO SOCIAL
Constitui-se do registro pormenorizado de uma atividade realizada pelo assistente social, contendo as
informações coletadas e também as intervenções e análises realizadas e possíveis sugestões.

LIVROS DE REGISTRO
É um livro-ata (daqueles grandes, pautados e de capa dura e preta), que muitas vezes chamamos de “livrão”
onde são registradas as atividades desenvolvidas pelos profissionais: visitas, entrevistas, participação em
reuniões, entre outras. É uma forma bastante comum de documentar a atuação

ATAS DA REUNIÃO
É o registro do que foi discutido em uma reunião, as decisões tomadas e a forma pela qual os participantes
chegaram a essas decisões.

Notaram como o relatório social e o parecer social são parecidos?

Saibam que isto é motivo de muita confusão entre os profissionais e acontece por que ambos têm a função de
descrever e avaliar uma determinada situação.

QUANDO FAZER UM RELATÓRIO?


QUANDO FAZER UM PARECER?

Não há uma resposta simples. Então, sugiro que vocês se perguntem:


Eu vou precisar me posicionar/opinar a respeito da situação que estou trabalhando?
Vou precisar reunir conhecimentos sobre o que envolve essa situação?

Se as respostas forem afirmativas, isto significa que muito possivelmente estejam diante da necessidade de
elaborar um parecer social.

Por exemplo, quando trabalhei na área sociojurídica, elaborava relatórios sociais de muitas atividades que
realizava, entre eles, aqueles que descreviam e analisavam a realidade de abrigos voltados ao atendimento da
população infanto-juvenil, inclusive com sugestões visando à melhoria do atendimento.

Mas se houvesse a suspeita de que as crianças estivessem sendo vítimas de maus tratos, isto exigiria um
estudo aprofundado sobre aspectos relacionados à rotina institucional, à saúde, à escolaridade e ao
comportamento das crianças, além das relações estabelecidas entre elas e os adultos na instituição, contatos
fora da instituição, com professores, profissionais de saúde (por exemplo, médicos, dentistas, psicólogos),
entre outros que tivessem contato com as crianças.

Tais informações, que seriam obtidas através de entrevistas e observação, exigiriam ainda a correlação com o
conhecimento já sistematizado sobre maus tratos (definição, tipos, consequências etc.). Só então poderia
chegar à conclusão da existência de indicadores, ou não, desse tipo de violência contra as crianças na
instituição e, neste caso, emitir uma opinião profissional.

Normalmente, o parecer social é exigido quando o assistente social atua no sistema judiciário.
O DIÁRIO DE CAMPO
Nada mais é do que anotações do assistente social sobre o desenvolvimento de suas atividades, identificando
seus objetivos, os instrumentos adotados, as dificuldades encontradas, se os objetivos foram ou não atingidos.

É um documento privado do assistente social, ou seja, ele não é divulgado, como os outros documentos que
podem ser elaborados com a finalidade de serem encaminhados para outros profissionais ou instituições, como
o caso do relatório social e do parecer social. Ele também não fica exposto como os conteúdos das atas e dos
livros de registro.

Também não é uma exigência das instituições, mas uma iniciativa do profissional que deseja sistematizar sua
prática para aperfeiçoá-la. Entretanto, é fundamental na vida do estudante de Serviço Social durante o
processo de aprendizagem, ou seja, do estágio, além de uma exigência das disciplinas de Estágio
Supervisionado da Universidade Estácio de Sá.
Quando vocês chegarem aos campos de estágios, irão perceber que cada instituição tem a sua forma de
documentar. Isto vai depender da finalidade do serviço, da sua organização, entre outros fatores. Algumas
instituições possuem fichas e documentos apropriados para cada procedimento; outras, adotam um livro único,
que costumamos chamar de livro-ata ou livro de registro (aquele que vimos acima). Não se preocupem, que os
supervisores irão apresentá-los a esses documentos e mostrarão a maneira correta de utilizá-los.

Porém, atenção! Seja qual for o tipo de registro da prática adotado pela instituição onde vocês forem estagiar,
o diário de campo é IMPRESCINDÍVEL. Às vezes, poderá ser trabalhoso fazer dois registros, um no “livrão”,
se for o caso, e outro no diário de campo, mas este é um instrumento fundamental para que os professores das
disciplinas de Estágio Supervisionado possam acompanhá-los e avaliá-los no processo de aprendizagem.

Logo vocês irão perceber que, salvo raras exceções, o registro no diário de campo é mais completo, exige
mais detalhes do que algumas formas de documentar adotadas pelas instituições. Alguns alunos se queixam
de que as instituições não cobram anotações em diário de campo de seus profissionais, mas que os cursos de
graduação cobram de seus alunos.
É bom deixar claro que isto é importante porque vocês estão aprendendo a profissão. Entretanto, dada à
importância desse tipo de documentação, a expectativa é que vocês a incorporem na vida profissional. O
hábito de registrar a prática em diário de campo não deve se esgotar com o fim da graduação.

Além disso, desenvolver o hábito de fazer anotações no diário de campo será de grande valia no momento em
que vocês realizarem o trabalho de conclusão de curso, o famoso “TCC”, que exigirá uma grande dose de
leitura e a capacidade de registras fatos observados. O diário de campo é uma ferramenta importante na
prática da investigação, mas este ponto iremos abordar nas disciplinas sobre pesquisa.

Nunca é demais reforçar que o diário de campo consiste na anotação de atividades realizadas por vocês, além
dos procedimentos utilizados na realização dessas atividades. ACIMA DE TUDO deve conter suas
observações, reflexões e
dúvidas. Não deve ser apenas uma descrição das atividades e de como elas foram desenvolvidas, ok?

Falkembac citada por Lima, Mioto e Dal Prá (2007, p. 99) recomenda que o diário de campo seja organizado
em três partes:
(1) Descrição.
(2) Interpretação do observado, momento em que é importante explicitar, conceituar, observar e
estabelecer relações entre os fatos e as consequências.
(3) Registro das conclusões preliminares, das dúvidas, imprevistos, desafios tanto para um profissional
específico e/ou para a equipe, quanto para a instituição e os sujeitos envolvidos no processo.
A autora salienta que as observações sobre as discussões coletivas entre profissionais, ou entre estes e os
usuários dos serviços, ou entre os profissionais e a instituição, ou ainda entre usuários e instituição também
podem ser registradas no diário de campo, uma vez que trazem outros pontos de vista para o cotidiano do
profissional relator.

Não basta descrever a atuação, é preciso problematizá-la.


O que significa cercá-la de questões, transformando-a num problema.
Vamos dar um exemplo. Lembram da mulher com ferimentos no rosto atendida numa unidade de saúde no
Rio de Janeiro?

Suponhamos que ela tivesse sido vítima de violência doméstica praticada pelo companheiro; que a assistente
social houvesse suspeitado desde o início e, habilmente, a convidado para uma conversa (entrevista), logo
após ela ter sido atendida pela equipe médica, com objetivo de orientá-la sobre seus direitos.

Até aqui temos uma brevíssima descrição do atendimento, ou seja, o instrumento utilizado (a entrevista) e o
objetivo do atendimento (orientação sobre direitos). Mas só. Então, vamos criar um cenário e tentar
problematizar.
Vamos imaginar que essa mulher não aceita a ideia de denunciar o companheiro, que segundo ela é bastante
violento. Vamos imaginar ainda que existam anotações no diário de campo de que outras mulheres na mesma
situação têm sido atendidas nessa mesma unidade de saúde e também não conseguem tomar a decisão de fazer
a denúncia. Elas alegam que têm filhos pequenos, que não possuem qualificação profissional e que, portanto,
dependem financeiramente dos companheiros, não podendo contar com o apoio de familiares.
Estes são pontos importantes a serem considerados, pois a partir deles podemos começar a perguntar: quem
são essas mulheres? O que uma mulher nessa situação precisaria para tomar a iniciativa de procurar a
delegacia e fazer a denúncia? Como será o atendimento na delegacia?
Existem na cidade, ou nas cidades vizinhas, delegacias especializadas e centros de apoio a mulheres que
sofrem esse tipo de violência?
Se existem, como funcionam? Será que as informações a respeito desse tipo de atendimento chegam aos
moradores, especialmente às mulheres? Por que não discutir o assunto na próxima reunião de equipe? Será
que os assistentes sociais da equipe ou mesmo outros profissionais já perceberam tal fato? As respostas a tais
perguntas podem levar à conclusão de que existem problemas no atendimento especializado à mulher na
cidade, ou, na pior das hipóteses, a falta desse tipo de atendimento.

E, neste caso, um relatório social bem feito, encaminhado às autoridades competentes, poderá interferir
positivamente nessa realidade e transformá-la.

Para que sirva de instrumento, qualificando a ação profissional, o diário de campo deve ser usado diariamente,
não apenas nas atividades que vocês considerarem mais importantes ou mais desafiadoras, e as anotações
devem ser datadas.

Sintetizando, a produção de informações envolve muito mais que a simples descrição da atuação profissional.

Nessa aula você:


Conheceu os instrumentos de trabalho indiretos mais utilizados pelos assistentes sociais, aprendeu que,
entre eles, o diário de campo é o instrumento exigido pelos cursos de graduação no período de estágio,
aprendeu ainda que o diário de campo não serve apenas para descrever as tarefas realizadas no dia a dia,
que nele devem ser anotadas as atividades realizadas pelo estagiário, mas, principalmente, as perguntas
que tais atividades suscitam, as dúvidas, as reflexões que fazemos a respeito delas, as propostas, o que
significa problematizar a atuação profissional.
AULA 10
ORIENTAÇÃO SOBRE A INSERÇÃO NOS CAMPOS
DE ESTÁGIO
Visando a uma aproximação gradativa com a realidade social, o estágio em Serviço Social na Universidade
Estácio de Sá é realizado em quatro períodos, a partir do 5º período, perfazendo um total de 450 horas,
conforme a distribuição abaixo, sendo que cada período corresponde a uma disciplina de estágio.

- Estágio Supervisionado de Serviço Social I – 5º período 100 horas;

- Estágio Supervisionado de Serviço Social II – 6º período 125 horas;

- Estágio Supervisionado de Serviço Social III – 7º período 125 horas;

- Estágio Supervisionado de Serviço Social IV – 8º período 100 horas.

Vocês serão contatados pela Coordenação de Estágio do Curso, seja através dos polos, por e-mail, ou pelo
SIA, sobre as instituições conveniadas para oferecimento de estágio em Serviço Social.

Paralelamente, vocês podem e devem informar à coordenação sobre campos de estágio que tenham contato
para que seja feita a visita para abertura do campo, caso preencham os critérios já mencionados nas
normativas.

Os coordenadores dos polos também são responsáveis pelo contato com a Coordenação Geral de Estágio do
Curso de Serviço Social.

Hora´rio/área/distancia

Na escolha da instituição, é importante que sejam avaliadas as condições de viabilidade de se assumir o


estágio como, por exemplo, horário, distância, preferência por determinada área, entre outros aspectos que
julgarem importantes, sempre analisando a conjuntura, limites e possibilidades.

Algumas instituições realizam o processo seletivo. Nesse caso, vocês devem estar preparados para passar por
uma entrevista ou uma dinâmica de grupo. Ter um currículo atualizado sempre ajuda.

Uma vez definida a instituição, cabe a vocês se matricularem na disciplina Estágio Supervisionado I e
informar ao professor (supervisor acadêmico) o nome da instituição para que ele providencie o
encaminhamento à mesma, através de uma “Carta de Apresentação”.

CURSO DE SERVIÇO SOCIAL CAMPUS __________________ CARTA DE APRESENTAÇÃO Local,


_____ de __________ de _____. Para: Serviço Social do _________________ Apresentamos o (a) aluno (a)
____________________________________, matrícula _______________, turno _____________, do ______
período do Curso de Serviço Social para candidatar-se a uma vaga de estágio nessa instituição, com a seguinte
carga horária de campo: Estágio I – 100 horas. Na oportunidade, agradecemos a atenção e interesse em
contribuir na formação profissional de nossos discentes. Atenciosamente,
__________________________________________________
A instituição do campo de estágio deve confirmar a aceitação do aluno através da assinatura do supervisor de
campo e o respectivo carimbo do CRESS no documento “Carta de Aceitação”.
Uma vez no campo, vocês deverão elaborar, juntamente com os supervisores (de campo e acadêmico), o plano
de estágio que deve ser assinado e carimbado pelo supervisor de campo e assinado pelo aluno. Para sua
elaboração, sigam as orientações contidas no documento “Proposta de Roteiro para Elaboração de Plano de
Estágio”.

CURSO DE SERVIÇO SOCIAL

CAMPUS ___________________

PROPOSTA DE ROTEIRO PARA ELABORAÇÃO DE PLANO DE ESTÁGIO


NOME DA INSTITUIÇÃO:
ENDEREÇO:
ASSISTENTE SOCIAL RESPONSÁVEL PELA SUPERVISÃO:
ESTAGIÁRIO(S):
1) CONTEXTO INSTITUCIONAL:
- ÁREA DE ATUAÇÃO:
- TEMPO DE EXISTÊNCIA DA INSTITUIÇÃO:
- PRINCIPAIS PROGRAMAS/PROJETOS EM DESENVOLVIMENTO:
- FONTE DE FINANCIAMENTO DA INSTITUIÇÃO:
- ESTIMATIVA DE POPULAÇÃO/DEMANDA ATENDIDA:
____ POR ( ) DIA;
____ POR ( ) SEMANA;
_____ POR ( ) MÊS
- NÚMERO DE PROFISSIONAIS DE SERVIÇO SOCIAL:
2) JUSTIFICATIVA PARA INSTALAÇÃO DO ESTÁGIO EM SERVIÇO
SOCIAL NA INSTITUIÇÃO:
3) OBJETIVOS DO ESTÁGIO:
4) ATIVIDADES SUGERIDAS AO ESTAGIÁRIO:
5) RECURSOS (MATERIAIS E HUMANOS):
6) CRONOGRAMA DAS ATIVIDADES PARA O SEMESTRE:
7) HORÁRIO E DINÂMICA DA SUPERVISÃO:

ASSINATURA DO SUPERVISOR E CARIMBO DO CRESS______________________


ASSINATURA DO ALUNO: _________________________________

Todos os tópicos relacionados na referida proposta (Proposta de Roteiro para Elaboração de Plano de Estágio)
devem ser contemplados/informados, entretanto vocês deverão procurar mais detalhes sobre:
 Justificativas para instalação do estágio em Serviço Social na instituição
 Objetivo do estágio
 Atividades sugeridas ao estagiário

Estes são importantes indicadores da qualidade do estágio.

E falando em qualidade do estágio, como foi abordado na aula 4, um bom estágio é aquele que possibilita a
vocês a oportunidade de irem se aproximando gradativamente da profissão e ao mesmo tempo construindo
uma identidade profissional.
Não se esqueçam que a Associação Brasileira de Ensino e Pesquisa de Serviço Social (Abepss) estabelece
princípios e condições que devem nortear a realização do estágio.

É preciso deixar claro que, apesar de todos os esforços, as entidades de ensino muitas vezes não conseguem
encaminhar todos os alunos para os campos de estágio. Para tanto, contamos com a colaboração de vocês que,
melhor do que ninguém, conhecem a realidade dos municípios onde moram.

E para conveniar instituições que realmente favoreçam um efetivo processo de aprendizagem, essa nossa
parceria será fundamental. Assim, comuniquem aos polos quando tiverem conhecimento de instituições que
demonstrem interesse em assumir estagiários e que se enquadrem nas determinações na Abepss.

As atividades realizadas pelo aluno-estagiário devem ser rigorosamente registradas no ‘DIARIO DE CAMPO’

Relembrando uma das orientações da aula 9 que tratou do registro e produção das informações, o diário de
campo deve ser usado com o objetivo de garantir, com exatidão, o registro das situações com as quais vocês
irão se deparar.

Como nos ensinam Lima, Mioto e Dal Prá (2007), baseadas em Falkembac, o diário de campo pode ser
organizado em três partes:
 Descrição
 Interpretação
 Registro das conclusões

Não basta apenas informar que foi realizada uma determinada atividade (entrevista, visita, dinâmica de grupo
etc.) e descrevê-la, mas analisá-la, procurando relacioná-la com os conteúdos trabalhados em sala de aula.

ASSINATURA DO ALUNO: ________________________________________________


CURSO DE SERVIÇO SOCIAL
DIÁRIO DE CAMPO
Aluno (a):
Supervisor (a):
Professor (a) de Estágio Supervisionado em Serviço Social:
DATA:
ATIVIDADES DESENVOLVIDAS:
OBJETIVO (S):
ANÁLISE:

O documento intitulado “DIÁRIO DE CAMPO” acrescenta que deve se mencionado o objetivo para o qual a
atividade foi desenvolvida.

A “Ficha de Acompanhamento Mensal das Atividades do Estágio” é o documento que tem por objetivo
relacionar as atividades desenvolvidas em campo e contabilizar as horas dedicadas ao estágio que não devem
ultrapassar 30 horas semanais.

Não se esqueçam: 30 horas semanais! O referido documento deve ser devidamente assinado pelo supervisor
de campo e conter o carimbo com o número do CRESS desse profissional.

Ao final do estágio, o estagiário deve ser avaliado pelo supervisor de campo, através do documento
“Avaliação Final do Supervisor”.
Além de o supervisor atribuir uma nota de zero a dez, é desejável que essa nota seja justificada, por meio de
um pequeno texto.

O documento “Avaliação Final do Supervisor” deve ser devidamente assinado e carimbado pelo supervisor de
campo.

É recomendável que essa avaliação seja realizada pelo supervisor de campo junto ao estagiário.

No documento “Autoavaliação de Perfil”, o aluno deve relacionar quais competências e habilidades foram ou
não contempladas até um dado momento do curso, não apenas na experiência de campo.

AUTOAVALIAÇÃO DE PERFIL
http://estacio.webaula.com.br/Cursos/gon272/flash/aula10_t20.pdf

Por fim, exceto a Carta de Apresentação, todos os demais documentos deverão ser entregues ao professor
(supervisor acadêmico) da disciplina Estágio Supervisionado, nos prazos por ele estipulados.

O professor é o responsável pela organização dessa documentação através da “Ficha de Conclusão da


Disciplina”, bem como pela entrega da mesma à coordenação do curso.

A apresentação da disciplina Estágio Supervisionado de Serviço Social I (ementa, objetivos, conteúdo


programático, procedimentos de ensino, de avaliação e bibliografia) ficará a cargo do professor da disciplina

Nessa aula você:

 Conheceu os procedimentos para nossa inserção nos campos de estágio, que são as instituições conveniadas pela Universidade Estácio de
Sá, bem como os documentos necessários para tal.

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