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Química da Águas QFL3201


Poluentes Inorgânicos – Fontes de emissão

Índice

Introdução
1. Mercúrio.................................................................................................................................................3
1.1 Aplicações
1.2 Fontes
1.3 Contaminação
1.4 Toxicidade
1.5 Remediação
2. Cobre......................................................................................................................................................5
2.1 Contaminação
2.2 Toxicidade
3. Arsênio...................................................................................................................................................6
3.1 Fontes
3.2 Papel Biológico
3.3 Toxicidade
3.4 Remediação
4. Cádmio...................................................................................................................................................9
4.1 Aplicações
4.2 Toxicidade
4.3 Remediação
5. Chumbo................................................................................................................................................10
5.1 Fontes
5.2 Toxicidade
5.3 O caso do Chumbo na gasolina
6. Cromo...................................................................................................................................................13
6.1 Papel Biológico
6.2 Aplicações
6.3 Toxicidade
6.4 Remediação
7. Padrões de metais pesados em água potável........................................................................................15
8. Bibliografia..........................................................................................................................................16

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Introdução

Os poluentes podem alcançar as águas superficiais ou subterrâneas através do lançamento


direto, precipitação, escoamento pela superfície do solo ou infiltração.
As águas superficiais e subterrâneas, muitas vezes, se interligam. Em algumas situações, os
mananciais de superfície proporcionam a recarga dos reservatórios subterrâneos, enquanto, em outras,
as águas do subsolo descarregam em recursos hídricos superficiais. Assim, um manancial de superfície,
poluído, pode causar a poluição de um aquífero subterrâneo, e vice-versa.
Temos diferentes tipos de fontes de poluição da água, as mais diversas possíveis desde lixo
doméstico, passando pela indústria chegando a equilíbrios físico-químicos entre os diferentes
geossistemas como ar-água e água-solo.
Os poluentes advindos destas fontes são classificados de acordo com a origem (pontual e
difusa) e a natureza (químicos, físicos e biológicos). Dentre os agentes químicos temos os poluentes
orgânicos biodegradáveis e persistentes (Proteínas, gorduras, hidratos de carbono, Ceras, Detergentes,
óleos, Tintas, pesticidas, solventes, etc); e os poluentes inorgânicos, dividem-se em dois grupos muito
gerais: o grupo dos nutrientes, que, quando em excesso, causam poluição, e o grupo das toxinas ou
compostos tóxicos.
No grupo dos nutrientes que causam poluição encontram-se o azoto e o fósforo. Estes
elementos chegam às águas naturais ou por dissolução direta à superfície das massas de água (caso
azoto) ou em resultado de erosão das rochas que contêm fosfatos seguida de dissolução na água (caso
do fósforo), o que corresponde ao processo natural. Mas cada vez mais, o azoto e o fósforo são
depositados nos rios e lagos através de atividades antropogênicas como escorrimento superficial de
terras agrícolas e explorações pecuárias, ou ainda dos esgotos urbanos.
Muitos dos compostos tóxicos fazem parte da composição de pesticidas e inseticidas,
utilizados na agricultura e na pecuária. Em geral tornam-se letais a partir de uma certa dose. Como não
são degradáveis, é preciso considerar o efeito de bioacumulação, o que corresponde ao aumento
sucessivo da concentração do produto tóxico, sem excluir o topo da cadeia alimentar: muitas vezes o
produto ainda não é tóxico para o peixe de que o homem se alimenta mas pode causar problemas a um
ser humano que se alimente de vários desses peixes. Exemplos de elementos contidos nesses produtos
são os metais pesados como o mercúrio, o alumínio, o cádmio.
Neste trabalho, alguns metais foram selecionados para análise, focando suas fontes de emissão,
toxicidade, limites permitidos e possíveis remediações dos corpos d’água contaminados.

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1. Mercúrio, Hg

O mercúrio, Hg, é um metal prateado líquido a temperatura ambiente, inodoro Não é um bom
condutor de calor comparado com outros metais, entretanto é um bom condutor de eletricidade.
Estabelece ligas metálicas facilmente com muitos outros metais como o ouro ou a prata produzindo
amálgamas. É insolúvel em água mas solúvel em ácido concentrado. Extremamente volátil, é um
produto perigoso quando inalado, ingerido ou em contato, causando irritação na pele, olhos e vias
respiratórias.

1.1 Aplicações

O mercúrio elementar é usado em centenas de aplicações, muitas deles tiram proveito de sua
propriedade incomum de ser um líquido que conduz bem eletricidade. Ele é usado em bulbos de
lâmpadas fluorescentes, em lâmpadas a mercúrio utilizadas para iluminação pública e baterias. Tais
produtos elétricos consumem por ano 50 % do mercúrio consumido mundialmente. Também é usado
na produção eletrolítica de cloro e soda cáustica (25%), manufatura de tintas (12%) e próteses detárias
(3%). Menores quantidades também são usadas na indústria de manufatura de catalisadores (2%),
manufatura de pesticidas (1%), laboratório em geral (1%), e fármacos (0,1%)

1.2 Fontes

A maior fonte natural de mercúrio é a crosta terrestre, que vai de 25.000 a 150.000 toneladas de
Hg/ano. Duzentas mil toneladas de Hg também são depositadas no ambiente cada ano pela atividade
humana, como resultado da combustão descontrolada de carvão e óleo combustível, ambos contendo
quantidades traço do elemento (que atingem várias centenas de ppm em alguns carvões), e da
incineração de lixo municipal, que contêm mercúrio em alguns produtos, como baterias e lâmpadas. De
fato, as plantas de energia que usam carvão como combustível e as incineradoras de lixo são as
principais fontes de emissões de mercúrio para a atmosfera. Estima-se que a emissão anual total de
mercúrio no ambiente, procedente de todas as fontes, exceda 10.000 toneladas.
No ar, a grande maioria de mercúrio encontra-se no estado de vapor (gasoso),, estando apenas
uma pequena fração dele ligado ao material particulado atmosférico. O mercúrio gasoso
aerotransportado atravessa normalmente longas distâncias antes de ser oxidado e dissolvido na água da
chuva e finalmente depositado na terra ou nos cursos d’água.

1.3 Contaminação

Em extrações de metais tais como ouro e prata, são extraídas pequenas quantidades desses
metais a partir de grande quantidade de escória mediante a adição de mercúrio elementar à mistura, o
qual forma um amálgama, o qual é separado por destilação. Este processo foi utilizado de 1500 até
1900 para extrair prata na América Central e Sul. Cerca de 1 grama de Hg foi vertido ao ambiente para
cada 1 grama de prata extraída.
Hoje em dia, o procedimento de extração é feito em grande escala no Brasil para retirar ouro de
sedimentos, o qual resulta em poluição substancial por mercúrio tanto do ar quanto do Rio Amazonas,
devido a práticas não cuidadosas de manipulação.
Um amálgama bastante utilizado também é o de sódio e mercúrio, no processo que converte
cloreto de sódio aquoso nos produtos comerciais cloro e hidróxido de sódio por eletrólise. Com o
objetivo de formar uma solução pura de NaOH, é usado mercúrio líquido como cátodo da célula

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eletrolítica. O sódio metálico produzido na eletrólise por redução combina-se com o mercúrio, sendo
removido da solução de cloreto de sódio sem reagir com o meio aquoso.
Quando metais como sódio são dissolvidos em amálgamas, suas reatividades são extremamente
diminuídas, se comparadas àquelas do estado livre, de forma que o sódio elementar, que de outra
maneira seria altamente reativo, não reage com a água da solução original quando na forma de
amálgama Na-Hg. Uma vez formado, o amálgama é removido e posteriormente levado a reagir com a
água, mediante a aplicação de uma pequena corrente elétrica, em uma câmara separada, produzindo
assim hidróxido de sódio livre de sal. O mercúrio é então recuperado e reciclado para a célula original.
Contudo, nem todo o mercúrio é reciclado, uma pequena parte á lançada no ar e vertida no rio do qual é
obtida a água de refrigeração da planta e para o qual retorna. Embora o mercúrio líquido não seja
solúvel em água ou em ácido diluído evidentemente ele pode ser oxidado até formas solúveis mediante
a intervenção de bactérias pressentes nas águas naturais. Por esse mecanismo o mercúrio torna-se
acessível aos peixes.
O Hg2+ forma um composto covalente com o ânion metila, CH3-, o dimetilmercúrio Hg(CH3)2,
um líquido molecular volátil. O processo de formação de dimetilmercúrio ocorre em rios e lagos,
especialmente em condições anaeróbicas, onde bactérias e microorganismos convertem Hg2+ em
Hg(CH3)2. O agente ativo das bactérias e dos microorganismos; um derivado da vitamina B12 com um
ânion CH3- ligado a um cobalto, chamado metilcobalamina. Devido à sua volatilidade o
dimetilmercúrio evapora-se da água (desgasifica) com relativa rapidez, a menos que seja transformado,
sob condições ácidas, na forma monometílica.
Os compostos mistos menos voláteis CH3HgCle CH3HgOH, representados com freqüência em
conjunto como CH3HgX ou às vezes erroneamente como CH3Hg+ e chamados metilmercúrio (ou
monometilmercúrio), são formados pela mesma via que o metilmercúrio, mas ainda mais rapidamente.
Em soluções aquosas neutras ou ácidas, a produção de metilmercúrio predomina sobre a de
dimetilmercúrio.
Em lagos, o teor de metilmercúrio nos peixes é geralmente maior quando as águas são ácidas,
devido provavelmente ao fato da metilação do mercúrio ser mais rápida a pH baixo. Por esta razão, a
acidificação de águas naturais aumenta indiretamente a exposição ao metilmercúrio das pessoas que
comem peixe.

1.4 Toxicidade

O mercúrio difunde-se dos pulmões para a corrente sangüínea, e depois atravessa a barreira
sangue-cérebro para penetrar no cérebro, o resultado é um grave dano ao sistema nervoso central, que
se manifesta por dificuldades na coordenação, na visão e no sentido do tato.
O metilmercúrio é uma toxina mais potente que os sais de Hg2+, já que é solúvel no tecido gorduroso
dos animais, onde há a bioacumulação e a biomagnificação. Uma vez ingerido, composto CH3HgX é
convertido em compostos nos quais X é um aminoácido que contêm enxofre; sob algumas dessas
formas, ele é solúvel no tecido biológico, podendo atravessar tanto a barreira sangue-cérebro quanto a
barreira placentária humana, o que representa um risco duplo. O metilmercúrio é, de fato, a forma mais
perigosa do mercúrio, seguida pelo vapor do elemento. O próprio íon mercúrio, Hg2+, não é
prontamente transportado através das membranas biológicas.
O peixe absorve o metilmercúrio que está dissolvido na água à medida que ela passa através de
suas brânquias, e também por meio de sua dieta alimentar. O metilmercúrio pode se ligar a grupos
sulfidrila das proteínas, distribuindo-se assim por todo o peixe.

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1.5 Remediação

As técnicas correntes de remediação de mercúrio utilizam processo físico-químicos,


extremamente dispendiosos, perturbadores do ambiente e ineficazes. Um sistema de fitorremediação,
em que as plantas extraem, sequestram ou desintoxicam o mercúrio dos sedimentos poderá ser uma
solução mais atraente.

2. Cobre, Cu

O cobre é um elemento essencial a vida e uma pessoa adulta tem cerca de 100mg de cobre no
organismo. O cobre é constituinte de cerca de trinta enzimas e proteínas, é necessário na síntese da
hemoglobina e para alguns processos biológicos como o controle da elasticidade das paredes da aorta,
atua nas funções cerebrais e no metabolismo do Fe e influencia a pigmentação da pele. No entanto
quando os níveis de Cu excedem certos limites, o organismo inicia um mecanismo de proteção contra o
excesso de Cu, que passa então a ser considerado tóxico no organismo.

2.1 Contaminação

As atividades mineradoras podem provocar a contaminação de rios e águas subterrâneas com


cobre e outros metais tanto durante a exploração como uma vez abandonada. O derramamento
mostrado na foto é proveniente de uma mina abandonada em Idaho. A coloração turquesa da água e
rochas se deve a presença de precipitados de cobre.
No Brasil, as principais minas de cobre se encontram em: Eldorado dos Carajás, sudoeste do
Pará onde se calcula que entre 2010 e 2011 estaremos auto-suficientes na produção de cobre - em
Camaquã, Caçapava do Sul – RS, uma das primeiras minas de cobre que foram exploradas
economicamente no Brasil e na Região da Chapada Diamantina.
Minério de cobre no mundo: As reservas comprovadas, segundo dados da agência americana de
prospecções geológicas (US Geological Survey) é de 940 milhões de toneladas, 40% delas no Chile, o
principal minerador de cobre com cerca de 5 milhões de toneladas anuais (aproximadamente 36% da
produção mundial).
A contaminação por cobre pode ser proveniente também do consumo de alimentos preparados
em recipientes de cobre. Em estudo coordenado pela Universidade Federal de Lavras, 45 amostras de
cachaça, provenientes de diferentes municípios de Minas Gerais, foram analisadas quanto ao teor de
cobre no Laboratório de Análise Físico-Química de Aguardente do Departamento de Química da
Universidade Federal de Lavras (DQI/UFLA). A determinação ou quantificação do cobre presente nas
aguardentes foi realizada por meio de medidas espectrofotométricas na região do visível do espectro,
em comprimento de onde de 546 nm. Foram constatadas contaminações excessivas de cobre em 6,7%
das amostras, que se encontravam acima do limite permitido pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e
do Abastecimento (MAPA). Verificou-se que alguns alambiques apresentavam má higienização em
alguns setores, o que pode ter contribuído para a elevação nos teores de cobre, como também de outros
produtos tóxicos ao homem.
No rio Iguaçu, em Curitiba, onde são lançados resíduos de óleos lubrificantes de veículos,
pneus, pastilhas de freio, pavimentação asfáltica, tintas de parede e telhado,

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entre outros produtos que contêm metais pesados, foram encontrados em uma área de drenagem de 30
km2, um acúmulo anual de aproximadamente 1.500 kg de chumbo, 900 kg de cobre e 25 kg de cádmio.

2.2 Toxicidade

A água com conteúdo superior a 1mg/L pode contaminar com cobre as roupas e objetos lavados
com ela, e conteúdos acima de 5mg/L tornam a água colorida com sabor desagradável. A Organização
Mundial da Saúde (OMS) no Guia para a qualidade da água potável recomenda um nível máximo de
2mg/L, mesmo valor adotado na União Européia. Nos Estados Unidos a Agência de Proteção
Ambiental tem estabelecido um limite de 1,3mg/L.
Abaixo temos a curva dose-resposta comparando os elementos cobre e ferro. Ambos são
elementos essenciais, mas têm curvas dose-
resposta muito diferentes: a toxicidade para o
cobre ocorre em concentração muito mais baixa
do que para o ferro. É razoável associar a sua
toxicidade com a maior afinidade dos íons cobre
pelos ligantes sulfurados e nitrogenados, o que
torna o cobre mais provável de interferir em sítios
importantes das proteínas.
No rio Iguaçu, em Curitiba, onde são
lançados resíduos de óleos lubrificantes de
veículos, pneus, pastilhas de freio, pavimentação
asfáltica, tintas de parede e telhado, entre outros
produtos que contêm metais pesados, foram
encontrados em uma área de drenagem de 30 km2,
um acúmulo anual de aproximadamente 1.500 kg
de chumbo, 900 kg de cobre e 25 kg de cádmio.

3. Arsênio, As

O arsênio apresenta três estados alotrópicos, cinza ou metálico, amarelo e negro. O arsênio
cinza metálico (forma α) é a forma mais estável e é um bom condutor de calor. O arsênio amarelo (forma
γ) é obtido quando o vapor de arsênio é esfriado rapidamente. É extremamente volátil e mais reativo que
o arsênio. Uma terceira forma alotrópica, o arsênio negro (forma β) de estrutura hexagonal e tem
propriedades intermediárias entre as formas alotrópicas descritas, e se obtém da decomposição térmica da
arsina ou esfriando lentamente o vapor de arsênio. Todas as formas alotrópicas, exceto a cinza, não
apresentam brilho metálico e apresentam uma condutibilidade elétrica muito baixa, comportando-se
como metal ou não metal em função, basicamente, do seu estado de agregação. É insolúvel em água,
porém muitos de seus compostos são solúveis. É um elemento químico essencial para a vida, ainda que
tanto o arsênio como seus compostos sejam extremamente venenosos.

3.1 Fontes

O Arsênio é liberado por fontes antropogênicas e naturais, na proporção de 40:60 e retorna para
superfície através de deposição seca ou úmida. As duas principais fontes são a volatilização que libera
aproximadamente 26.000 t As/ano na atmosfera e a atividade vulcânica em torno de 17.000 t As/ano. O

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elemento é encontrado em centenas de minerais, dos quais 60 % são arsenatos, 20 % são arsenosulfetos
com metais como Fe, Pb, Cu, Ag e Tl e o restante se compõe de arsenitos, óxidos, arsenetos e arsênio
elementar. O mineral mais comum é o arsenopirita (FeAsS). A crosta terrestre, rochas e sedimentos
possuem níveis
diferenciados de arsênio em sua composição, porém a maior parte do arsênio está associada com pirita. A
produção mundial de As é estimada da ordem de 0,75 a 1,0 x 103 toneladas por ano, sendo utilizado em
diversos setores. Os processos de refino de rochas, incluindo a fusão de cobre e chumbo são as maiores
fontes de liberação de arsênio (www.clu-in.org). Arsênio elementar é usado na produção de vidro e como
aditivo na fabricação de ligas não ferrosas. O gás arsina (AsH3), espécie de maior toxicidade entre todas,
é usado na indústria de microeletrônicos e semicondutores.

3.2 Papel biológico

Ainda que o arsênio se associe com a morte, é um elemento químico essencial para a vida e sua
deficiência pode gerar diversas complicações. A ingestão diária de 12 a 15 μg pode obter-se sem
problemas com a dieta diária de carnes, pescados, vegetais e cereais, sendo os peixes e crustáceos os
alimentos mais ricos em arsênio, apresentando-o geralmente na forma de arsenobetaína, menos tóxica
que o arsênio inorgânico.

3.3 Toxicidade

Em moluscos, até 100 mg/Kg, sendo que a ingestão de 130 mg é fatal. Apresenta efeito
cumulativo, sendo carcinogênico. O padrão de potabilidade é 0,01 mg/L, estabelecido pela Portaria 1.469
do Ministério da Saúde. É importante diferenciar as duas classes de compostos de arsênio, pois os
inorgânicos são mais tóxicos que os orgânicos. A maioria dos compostos inorgânicos ou orgânicos
de arsênio é um pó branco; também, não possuem odor ou sabor especial. Desta forma, não é possível saber
se existe arsênio na comida, na água ou no ar (ATSDR, 2005). Já que o arsênio é encontrado
naturalmente no meio ambiente, o envenenamento ocorre através da ocupação industrial, na ingestão
de comida ou bebida contaminada, pela respiração, pelo contato da pele com água ou solo contendo
arsênio ou devido a atos intencionais (Marcus, 2006) (ATSDR, 2005). Arsenito é tido como a
espécie mais solúvel, móvel e mais tóxica que os compostos de arsenato. A toxicidade está
diretamente relacionada com a mobilidade na água e em fluidos biológicos. O grau de toxicidade
corresponde a seguinte ordem decrescente: arsina > arsenitos inorgânicos > compostos trivalentes
orgânicos > arsenatos orgânicos > compostos pentavalentes orgânicos > compostos arsênicos > As
elementar. As espécies arsenobetaína e arsenocolina são consideradas atóxicas (Cornelis, 2005).
Os efeitos causados pela exposição ao arsênio dependem da espécie, da dose, da duração e
da via de exposição. Outros fatores a serem considerados são idade, sexo, hábit os familiares e estado
de saúde da pessoa que foi exposta (ATSDR, 2005). O arsênio nos alimentos ocorre como uma
mistura de espécies inorgânicas e orgânicas, incluindo a arsenobetaína. Geralmente os compostos
orgânicos representam 60 a 99 % do arsênio total na alimentação. Estudos indicam que em
espécies aquáticas, os níveis de arsênio inorgânico são, geralmente, inferiores a 1 %, mas em outros
alimentos, tais como carne, aves e cereais, o teor de arsênio inorgânico é maior. Nos alimentos,
um limite considerado tolerável para o consumo de arsênio é da ordem de 1 µg g -1 como trióxido de
arsênio (Cornelis, 2005). Para seres humanos, o envenenamento por arsênio inorgânico pode ser letal, se
estes forem submetidos a grandes doses orais (acima de 60 mg de As por kg de massa corporal), através da
comida ou bebida. Ao serem expostos a doses orais entre 3 e 30 mg de As por kg de massa corporal, os
sintomas mais aparentes são irritação estomacal ou do intestino, causando dor, náusea, vômito e diarréia.

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Além disto, a contaminação por arsênio inorgânico pode provocar a diminuição da produção das
células brancas e vermelhas do sangue causando fadiga, alteração dos batimentos cardíacos ou das
funções nervosas (ATSDR, 2005).
Ao se tratar de exposições orais por períodos prolongados, o envenenamento por arsênio
inorgânico pode provocar alterações na pele, como o seu escurecimento e o aparecimento de
pequenos calos ou verrugas na palma da mão, planta do pé ou dorso, que estão freqüentemente,
associados a alterações nos vasos sanguíneos da pele. Como alguns destes calos podem resultar em
câncer de pele, o arsênio inorgânico é considerado cancerígeno para os seres humanos por diversas
instituições de saúde pública (ATSDR, 2005). Em relação aos compostos orgânicos de arsênio,
praticamente não se conhece os efeitos provocados nos seres humanos por exposição a estes
compostos. No entanto, através de estudos com animais, verificou-se que a exposição a altas
concentrações pode levar ao aparecimento de alguns sintomas, como por exemplo, irritação
estomacal e problemas nervosos (ATSDR, 2005).
O estudo da biotransformação de arsênio deriva de investigações em metabólitos urinários,
pois esta é a principal via de excreção do arsênio em animais. Em microorganismos, o arsenato
inorgânico sofre sucessivas reduções e metilações oxidativas, mas em homens e outros mamíferos
apenas duas etapas acontecem, levando aos arsênicos mono e dimetilados, identificados como ácido
monometilarsônico (MMAV) e ácido dimetilarsínico (DMAV). Estas espécies são os metabólitos presentes
em maior proporção, mas têm sido vistos, em alguns casos extremos, associados com a presença de
MMA(III) e DMA(III) (Cornelis, 2005).
As espécies orgânicas de arsênio são facilmente absorvidas através do consumo de
cogumelos ou frutos do mar. No entanto, elas são rapidamente excretadas pela urina, algumas,
como a arsenobetaína ou arsenocolina sem transformação, mas outras podem sofrer biotransformação,
levando à excreção de DMAV (Cornelis 2005).

3.4 Remediação

Alguns tratamentos de água para retirada de arsênio podem envolver, por exemplo, a utilização
de materiais ricos em hidróxidos de ferro, devido a sua alta capacidade de absorção de metais, porém é
possível encontrar muitos estudos em relação à remediação de As em água.
O potencial de três macrófitas aquáticas: Azolla caroliniana, Salvinia minima e Lemna gibba foi
avaliado em um estudo da Universidade Federal de Visçosa, visando a seleção de plantas para serem
utilizadas na remediação de ambientes contaminados por arsênio (As). As três espécies apresentaram um
maior acúmulo de As, à medida que houve aumento da concentração do metalóide em solução.
Outro trabalho desenvolvido por uma aluna de pós graduação da UFPR, verifica a possibilidade
de remediação de águas subterrâneas através da eletrocinética. A eletrocinética pode ser eficiente na
extração de contaminantes de granulometria fina, de solos de elevada permeabilidade. Um número de
fatores determina a direção e a extensão da migração dos contaminantes. Tais fatores incluem o tipo
e a correção do contaminantes, o tipo e a estrutura do solo, e a química interfacial do sistema. A água e
algumas outras soluções apropriadas podem ser adicionadas ao sistema para acentuar a mobilidade dos
contaminantes e aumentar a eficiência da tecnologia (por ex. soluções tampão podem mudar ou
estabilizar o pH do fluido intersticial).
Os contaminantes que atingem os eletrodos podem ser removidos por algum dos diversos
métodos, incluindo eletroincrustração ao eletrodo, precipitação ou co-precipitação ao eletrodo,
bombeamento da água próxima ao eletrodo, ou complexação com resinas de troca iônica. A
eletroquímica associada com este processo envolve uma frente ácida que é gerada no ânodo se a
água for o primeiro fluido intersticial presente.

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A remediação eletrocinética envolve a aplicação de uma corrente direta de baixa densidade


entre eletrodos dispostosno solo para mobilizar contaminantes na forma de espécies carregadas. A
tentativa de lixiviar metais do solo por eletro-osmose iniciou em 1930. No passado, as pesquisas
enfocavam a remoção de sais indesejáveis nos solos agrícolas. A eletrocinética tem sido usada para a
despoluição dos solos e lamas desde o primeiro uso registrado em 1939. A extração eletrocinética
tem sido usada na antiga União Soviética desde meados de 1970 para concentrar metais e explorar
minerais em solos profundos. Em meados de 1980, numerosas pesquisas mostraram, independentemente,
que a separação eletrocinética de metais dos solos foi uma solução potencial para a descontaminação.

4. Cádmio, Cd

O cádmio é um metal encontrado em depósitos naturais, como minérios, entre outros


elementos. É utilizado em diversos processos industriais, como se descreverá abaixo. A identificação
do cádmio como elemento químico data de 1817. Sua toxicidade foi logo reconhecida e os sintomas
foram descritos primeiramente por Marmé em 1867. Apesar disso, sais de cádmio foram usados como
anti-helmínticos, anti-sépticos, acaricidas e nematicidas, tendo sido citados em várias farmacopéias do
início do século XX.

4.1 Aplicações

A produção industrial é relativamente pequena, em torno de 2000ton ano-1 , mas vem


aumentando em função das novas aplicações industriais . Cerca de 34% do consumo total de cádmio é
aplicado em revestimentos metálicos, sendo seus principais usuários as indústrias automobilística,
espacial e de telecomunicação. A segunda maior aplicação, cerca de 23% do consumo total de cádmio
destina-se à produção de pigmentos para tintas, vernizes e plásticos com base de sulfeto e sulfoselenito
de cádmio. Outra aplicação importante do cádmio é na indústria de PVC e plásticos afins, onde 15% do
consumo total de cádmio é empregado como estabilizador, inibindo a degradação do PVC. Em menores
proporções o cádmio aparece como componente de acumuladores alcalinos, constituintes de soldas e
ligas de baixa fusão, produção de cabos de alta condutividade, como endurecedor para o cobre, na cura
da borracha, na indústria do vidro, na fotografia, na litografia e, em processos de gravura. O cádmio
também é utilizado como constituinte de amálgama e como anti-helmíntico para aves e suínos.

4.2 Toxicidade

O cádmio é um elemento altamente tóxico e vem sendo descrito como um dos elementos traços
mais perigosos de todos os metais contaminantes presentes nos alimentos e no ambiente do homem,
não apenas pelos altos níveis de toxicidade, mas também devido a sua ampla distribuição e aplicações
industriais.
A agência de proteção ambiental norte americana, estipula o limite de 5 PPB de cádmio em
águas potáveis como seguro para consumo, uma vez que não se acredite ser possível dentro deste
limite que o cádmio possa causar qualquer mal à saúde. Acima deste limite começam a aparecer os
seguintes efeitos:

 Efeitos de curto prazo: Exposição acima dos limites indicados para águas potáveis pode causar
náuseas, vomito, diarréia, paralisia muscular, salivação excessiva, distúrbios sensoriais,convulsões,
choque e falhas no sistema renal.
 Efeitos de longo prazo: Exposições prolongadas ao cádmio, podem causar danos ao fígado, ossos

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e sangue.
O cádmio entra na corrente sanguínea por absorção no estomago ou nos intestinos logo após a
ingestão do alimento ou da água, ou por absorção nos pulmões após a inalação. Muito pouco cádmio
entra no corpo através da pele. Usualmente só é absorvido pelo sangue aproximadamente 1 a 5% do
cádmio ingerido por via oral, entretanto é absorvido de 30 a 50% quando inalado.
Uma vez absorvido, o cádmio é transportado pela corrente sanguínea até o fígado, onde se une a
uma proteína de baixo peso molecular. Pequenas quantidades desse complexo proteina-cádmio passam
continuamente do fígado para a corrente sanguínea, para ser transportado até os rins e filtrado através
dos gromérulos, para posteriormente ser reabsorvido e armazenado nas células tubulares dos rins. Este
último órgão excreta de 1 a 2% do cádmio obtido diretamente das fontes ambientais. A concentração
do metal nos rins é aproximadamente 10 mil vezes mais alta que a da corrente sanguínea. A excreção
fecal do metal representa uma mínima quantidade do cádmio não absorvido no sistema gastrointestinal.
Por outro lado, se estima que a vida biológica do cádmio nos humanos varia de 13 a 40 anos.
Não se sabe que o cádmio tenha algum efeito benéfico, porém pode causar alguns efeitos
adversos para a saúde. Embora as exposições prolongadas sejam extremamente raras atualmente, a
ingestão de altas doses é causa de severas irritações no estômago provocando vômitos e diarréias, e sua
inalação causa graves irritações nos pulmões.
Causam maior preocupação os efeitos a baixas exposições durante muito tempo. Alguns efeitos
de vários níveis e durações de exposição são os seguintes:

 Em pessoas que têm sido expostas a um excesso de cádmio através da dieta ou pelo ar se têm
observado danos nos rins. Esta enfermidade renal normalmente não é mortal, porém pode
ocasionar a formação de cálculos e seus efeitos no sistema ósseo se manifestam através de dor e
debilidade.
 Em trabalhadores de fábricas, onde o nível de concentração de cádmio no ar é alta, têm sido
observados severos danos aos pulmões, tais como enfisema pulmonar.
 Em animais expostos durante muito tempo ao cádmio por inalação, se tem observado o
aparecimento de câncer de pulmão. Estudos em seres humanos também sugerem que uma
inalação prolongada de cádmio pode resultar num aumento do risco de contrair câncer
pulmonar, como no caso dos fumantes. Não há evidências de que a ingestão de cádmio por via
oral possa causar câncer.
 Também tem sido observada uma alta pressão arterial em animais expostos ao cádmio, embora
se desconheça a importância da exposição a este metal na hipertensão humana.
 Outros tecidos também são danificados por exposição ao cádmio em animais ou humanos,
incluindo o fígado, os testículos, o sistema imunológico, o sistema nervoso e o sangue. Efeitos
na reprodução e no desenvolvimento têm sido observados em animais expostos ao cádmio,
porém não foram verificados ainda nos seres humanos.

É importante tomar medidas preventivas para regular as descargas de cádmio ao ambiente.


Assim mesmo, devem-se proteger as pessoas que por outros motivos estejam expostas a este metal.
Também deve-se considerar aumentar a informação acerca do cádmio para a população em geral.
Apesar de serem claras as evidências da toxicidade do cádmio, não foram realizados estudos formais
acerca das consequências reais que tem a ação deste metal sobre os organismos vivos, especialmente no
humano. É possível que alguns dos nossos males, tais como câncer, enfermidades renais, hepáticas,
pulmonares e outras, estejam ligados com a exposição prolongada ao cádmio. A pesquisa ajudaria a
profundar o conhecimento sobre os mecanismos básicos que determinam os danos causados por este
metal, permitindo um maior conhecimento da sua toxicidade e o possível tratamento.

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4.3 Remediação

Há vários estudos sobre a remoção do cádmio de efluentes por biossorção, a maioria baseado
em biossorção por Saccharomyces cerevisiae. Os estudos variam, desde estudos do pH ótimo para
biossorção até a melhor temperatura para que o processo ocorra.
Em um dos trabalhos consultados [2], realizou-se um estudo acerca da capacidade máxima de
adsorção por resíduos da insústria alcooleira.
Biomassa inativa Saccharomyces cerevisiae foi utilizada para adsorver íon cádmio de efluentes
sintéticos, preparados a partir de dissolução de um preparado Merck (titrisol) em diversas
concentrações (de 30 e 175 mg L-1) , mantidas condições como pH (em torno de 6), temperatura
(30°C), condição da biomassa (inativa após 24 horas em estufa à 70°C, seca em estufa por 24 horas à
105°C e com concentração fixa de 0,01g L-1) em que se observou bons níveis de adsorção em relação a
outros tipos de biomassa tais como o do Sargassum sp.(com 120 mg g-1), chegando-se a níveis de
adsorção de 97,87 mg g-1 observados para a amostra de maior concentração de cádmio (175 mg L-1)
sob agitação de 70 RPM. As análises foram realizadas por polarografia, após as amostras serem
centrifugadas por 2 minutos a 1000 RPM.
Ainda que não se tenha utilizado os próprios resíduos da indústria alcooleira, mas biomassa de
microrganismo Saccharomyces cerevisiae proveniente do fermento comercial da Fleischmann Royal,
com semelhanças à biomassa da indústria, pode-se prever um método com potencial para melhor
acondicionamento de dois tipos de resíduo, embora sempre seja melhor evitar a produção de resíduos
por mudanças de processo ou mesmo por extinção de processos.

5. Chumbo, Pb

O chumbo é um elemento químico de número 82, sendo o seu mineral mais comum, um sulfeto,
denominado galena. Ele possui quatro isótopos estáveis, que são o produto de uma complexa série de
decaimento que se inicia no U-238, U-235 e Th-232.
Seu uso remete a antiguidade. A civilização romana fez grande uso desse material, o
empregando em dutos de água e recipientes para cozinhar. O uso de chumbo pelos romanos foi tão
intenso que “análises de amostras de núcleos de gelo da Groelândia indicaram que a concentração
atmosférica de chumbo atingiu um valor máximo na época dos romanos, que não foi alcançado outra
vez até o Renascimento.”
Atualmente o chumbo ainda possui diversas aplicações, entre elas: a fabricação de baterias; de
forros para cabos; pigmentos; soldas além de anteparos, roupas e recipientes para proteção radiológica.
O uso do chumbo e seus óxidos é muito difundida. O “zarcão” largamento empregado pra proteger
portões e grades da corrosão nada mais é que um óxido misto de chumbo com fórmula geral Pb3O4. A
produção anual de chumbo e seus dereivados é da ordem de milhões de toneladas. Dessa maneira a
completa substituição do chumbo por materias menos tóxico não é viável no momento, contudo ela
pode ocorrer em alguns usos.

5.1 Fontes

O chumbo metálico não apresenta toxicidade elevada, sendo ela relacionada as formas
iônicas(Pb2+ e Pb4+) e ao chumbo orgânico tetravalente, o qual realiza ligações de caráter covalente,
similar às formas correspondentes dos outros elementos de seu grupo da tabela periódica (C, Si, Ge,
Sn). Trata-se de um elemento não essencial, bioacumulativo, já que a sua eliminção por vias naturais

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do organismo é muito lenta, mas não biomagnificativo já que a principal fonte de contaminação não é a
alimentação.
Na natureza, águas altamente ácidas em contato com minerais de chumbo podem apresentar
concentrações perigosas do seu íon. Contudo as principais fontes de contaminação por chumbo estão
associadas a ação antrópica. De fato o chumbo é um dos elementos tóxicos mais disseminados por
conta dos seu amplo uso. Este uso acarreta na maior parte dos casos de intoxicação, sendo a população
humana a mais afetada.
São comuns as intoxicações relacionadas com o uso de sais e óxidos de chumbo como
pigmentos para tintas e em revestimento cerâmicos. Assim como as provenientes de águas potáveis que
se cotaminam nas soldas e encanamentos de chumbo. Essas contaminações se dão através da ingestão
de ións chumbo que se desprendem do revestimento cerâmico, que estão presentes em flocos de tintas
ingeridos por crianças pequenas e
Existem muitos casos de contaminação de profissonais que trabalham na indútria do chumbo,
principalmente devido a inalação.
A remediação eletrocinética é um possível tratamento para áreas contaminadas por chumbo.

5.2 Toxicidade

Independente da rota de entrada(ingestão ou inalação) os efeitos biológicos do chumbo são os


mesmos. “A toxicidade do chumbo resulta principalmente, de sua interferência no funcionamento das
membranas celulares e enzimas, formando complexos estáveis com ligantes contendo enxofre, fosfóro,
notrogênio ou oxigênio(grupamentos –SH, -H2PO3, -NH2, -OH), que funcionam como doadores de
eletróns(1,4). As interaçãoes bioquímicas do chumbo com grupamentos –SH são consideradas de
grande significado toxicológico, visto que, se tal interação ocorrer em uma enzima, sua atividade pode
ser alterada e resulatar em efeitos tóxicos. O chumbo também tem alta afinidade com as aminas e os
amino-ácidos simples. A estabilidade dos complexos de chumbo aumenta com o número crescente de
sítios ligantes e com espaçamentos ótimos como no caso dos grupamentos sulfidrilas vicinais. A
habilidade do chumbo de mimetizar o cálcio na ativação da calmodulina envolve ligação com grupos
carboxilas enquanto que os grupos sulfidrilas estão relacionados com a ativação da proteína quinase C
portanto, os mecanismos de mimetismo do cálcio e de ligação com proteínas algumas vezes se
sobrepõe. Em geral essas ligaçãoes dos íon Pb com o material bioquímico são fortes, porém
inespecificas com respeito aos efeitos do chumbo, e até agora não tem sido aplicadas no monioramento
biológico(1,4-6).”
Os efeitos do chumbo são estudados a mais de um século e ainda não se conhecem todos os
mecanismos através dos quais ele lesa o organismo. Apesar disso por conta do tipo de interferência
tóxica que o chumbo realiza acredita-se que ele possa ter efeitos neurológicos, hematológicos,
endocrinológicos, sobre o crescimento, renais, sobre a reprodução e o desenvolvimento,
carcinogênicos, cardiovasculares, gastrintestinais e hepáticos. No entanto nem todos esses efeitos são
comprovados como diretamente associados ao chumbo, nem existe uma relação dose resposta para
todos eles.
Os órgãos do sistema nervoso são os mais sensíveis ao envenenamento por chumbo, sendo a
encefalopatia um dos mais sérios desvios tóxicos induzidos pelo chumbo em adultos e crianças. As
crianças são especialmente suscetíveis aos efeitos do chumbo por razões neurológicas, metabólicas e
comportamentais. A toxicidade do chumbo na infância pode ter efeitos permanentes tais como menor
QI e deficiência cognitiva. Não existe um limite preciso de dose de chumbo para crianças, elas podem
ser afetadas por valores de Pb-S inferiores a 10 ug/L. Nos adultos concentrações relativamente baixas

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de Pb-S, em torno de 40ug/dL, podem afetar o sistema nervoso central(SNC). Por conta dessa maior
sensibilidade do SNC mais a dose máxima estará associada a efeitos sobre ele.
A contaminação por chumbo associa-se também um quadro anêmico sendo, geralmente de leve
a moderado. As ações tóxicas do chumbo nas células vermelhas e eritropoéticas na medula óssea levam
a essa anemia, que não está necessariamente associada à falta de ferro.
A mimese do cálcio se deve em parte ao tamanho semelhante dos íons Ca2+ e Pb2+. Ela leva o
chumbo a se acumular nos ossos, substituindo aquele elemento.

5.4 O caso do chumbo na gasolina

O uso extensivo de tetra etil chumbo, um dos tetra alquil compostos utilizado para esse fim,
como antedetonante na gasolina acarretava uma série de impactos ao ambiente e a saúde das
populações humanas . Esse uso foi proibido em muitos páises, no Brasil essa proibição data de 1978.
Essa proibição é vista como “um dos (poucos) sucessos ambientais históricos” por Barry Commooner,
já que acarretou em uma diminuição signifiativa na ingestão média de chumbo pelos habitantes dos
centros urbanos.
O uso dos tetra alquil chumbo na gasolina contaminava o ambiente através da volatilidade do próprio
produto, que apesar de pouco solúvel era imediatamente absorvido pela via cutânea. Além disso, os
átomos de chumbo provenientes da combustão dos tetra alquil compostos deviam ser removidos para
que não formassem depositos metálicos e danos ao motor do veículo. Para isso adicionavam-se
pequenas quantidades de dibrometo de etileno e dicloreto de etileno. Como resultado, o chumbo era
removido do motor e aportava na atmmosfera pelo tubo de escape no estado gasoso, como di-haleto
misto PbBrCl e como PbBr2 e PbCl2. Subsequentemente, sob influência da luz solar, esses compostos
formam PbO. O óxido de chumbo permanece na atmosfera durante horas ou dias, sob a forma de
partícuals aerossol, e, por conseguinte, nem todo ele é depositado nas imediaçãoes das ruas; ele pode
entrar na cadeia alimentar em locais distantes, depositando-se sobre vegetais ou em campos usados
como pasto para animais. Além disso, uma pequena parte dos di-haletos de etileno é convertida em
dioxinas e furanos, sendo intorduzidas no ambiente sob essa forma. (1)
Dessa forma um só composto, por exemplo tetra-etil chumbo, contaminava o ambiente com chumbo
iônico e covalente, além de favorecer a geração de produtos orgânicos tóxicos por conta dos aditivos
necessários a sua utilização.

6. Cromo, Cr

O cromo é um elemento traço essencial (mas também tóxico) para o ser humano. Este elemento
químico se encontra naturalmente no solo, em rochas, na poeira e gases de vulcões. No meio ambiente
são quatro os números de oxidação do metal: cromo(0), cromo(II), cromo(III) e cromo(VI). Cromo(III)
tem ocorrência natural no meio ambiente, enquanto cromo(VI), cromo(II) e cromo(0) são geralmente
produzidos por processos industriais.

6.1 Papel biológico

Cromo(III) faz parte do centro de biomoléculas que se encontram em pequeníssimas


quantidades em nosso organismo. Ele tem papel ativador nas enzimas na estabilização das proteínas e
de ácidos nucléicos. Mas a sua principal função está relacionada ao metabolismo da glicose,
potencializando o papel da insulina não unicamente no metabolismo dos açucares, mas também das
proteínas, do colesterol e de ácidos graxos. Nosso cérebro se nutre de glicose, e sem este alimento,

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nossa mente sofre sérios distúrbios. Se nosso corpo não pode metabolizar glicose, nosso fígado não
pode produzir glicogênio, que é a energia de nossos músculos.
Os alimentos podem ser uma fonte de cromo na quantidade necessária ao nosso organismo. Na
gestação, o organismo das mães necessita de cromo em maior quantidade, principalmente, para ser
transferido à criança. Uma criança sadia terá a quantidade necessária de cromo até os dez anos de
idade. Após este período o organismo necessita ingerir cromo. Boas fontes do mineral são a levedura
de cerveja, ostra, fígado, noz, batata, trigo e farinha integral, pimenta preta e queijos.

6.2 Aplicações

O elemento químico cromo é empregado principalmente para fazer aços inoxidáveis e outras
ligas metálicas. Na forma do mineral cromita, é empregado na indústria de refratários para fazer tijolos
de fornos metalúrgicos. Compostos de cromo produzidos pela indústria química são usados na indústria
de tratamentos superficiais (por exemplo, a eletrodeposição de cromo, conhecida na indústria de
galvanoplastia e o processo por cromado), manufatura de pigmentos, curtume de couro, tratamento de
madeira e tratamento de água (podendo ser usado como inibidor da corrosão na água usada em torres
de resfriamento).
A atividade principal responsável pela contaminação por cromo é a do cortume. Indústria cuja
tipologia consiste no beneficiamento de peles e de couros.
Dentre as diversas maneiras de curtir a pele crua do boi, utilizar como base o cromo é a forma
mais barata e eficiente para operações em escala industrial, essa substância participa do curtimento e do
acabamento, conferindo ao produto resistência e permitindo sua estocagem por longos períodos sem
risco de apodrecimento.
Os agentes comumente utilizados são dicromatos e sulfatos de cromo. Nos processos pós
curtimento, são produzidas quantidades consideráveis de substancias orgânicas responsáveis pela
demanda de oxigênio e de cromo. As emissões podem alcançar 1600mg/L. Cerca de 80% das fábricas
no mundo nesse seguimento utilizam o cromo no processo de curtimento.

6.3 Toxicidade

Cromo(VI) é o estado de oxidação mais perigoso, já que ele é solúvel em pH fisiológico,


diferente dos outros estados de oxidação, possui uma fácil penetração nos tecidos, quando estão no
organismo, são reduzidos a cromo(III), causando aumento na concentrção do mesmo, tornando-o
tóxico, causando danos às estruturas celulares. O cromo se acumula no organismo devido ao contato
direto ou ao consumo de água e de alimentos contaminados, podendo ao longo dos anos causar falência
de órgãos, como os rins, e até levar à morte. É um carcinógeno humano reconhecido e muitos
trabalhadores são expostos a este composto químico. A fumaça contendo este elemento químico causa
uma variedade de doenças respiratórias, incluindo câncer pulmonar. O contato da pele com compostos
de cromo causa dermatite alérgica e, mais raramente, pode provocar ulcerações na pele formando
cicatrizes e até perfurações do septo nasal. Há suspeitas de que este composto químico possa afetar o
sistema imunológico de seres humanos.
Cuidados especiais são necessários tanto na manipulação durante o processo industrial como no
tratamento dos resíduos. Os resíduos possuem alto poder de contaminação, quando não são
convenientemente tratados e simplesmente abandonados em corpos d’água, aterros industriais ou
mesmo lixeiras clandestinas. Com facilidade, o cromo atinge o lençol freático ou mesmo reservatórios
ou rios que são as fontes de abastecimento de água das cidades. Se o resíduo é degradado no solo, o

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cromo permanece e pode ser absorvido por plantas que posteriormente servirão de alimento
diretamente ao homem ou a animais, podendo por este caminho também atingir o ser humano.

6.4 Remediação

Há diversos processos para realizar tratamentos de efluentes com metais pesados como o
cromo, entre eles existe a técnica de remoção de cromo(III) por flotação de precipitados a partir de
cloreto de cromo hexahidratado (CrCl3 . 6 H2O), utilizando dodecilsulfato de sódio (DSS) como coletor
aniônico.Para este tratamento, deve-se realizar medidas de potencial zeta, bem como ensaios de
flotação do cromo (III) para determinar os parâmetros adequados de operação: vazão de ar,
concentração de coletor e concentração de espumante. Medições de potencial zeta das partículas de
hidróxido de cromo na presença de eletrólito indiferente KCl, indica ponto isoelétrico (PI) em pH em
torno de 8,5. A presença do coletor aniônico (DSS) no sistema hidróxido de cromo água indicará uma
redução do potencial zeta, mas dependerá dos níveis de concentrações investigados. Havendo um
deslocamento do PI na direção de valores de pH mais inferiores, atribuindo tal comportamento à
adsorção do coletor sobre o Cr(OH)3 através de interação eletrostática. O resultado desse método
obtem-se remoções de aproximadamente 96,2% de remoção de cromo do efluente.

7. Padrões para metais pesados em água potável

Metal EPA EUA(ppb) OMS(ppb) Brasil(ppb)


Hg 2 1 1
Cu 1,3 2 2
As 50 10 10
Cd 5 3 5
Pb 15 10 10
Cr 100 50 50
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