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PARECER DOS AUDITORES INDEPENDENTES

Aos Srs.
Acionistas, Conselheiros e Administradores da
COMPANHIA ENERGÉTICA DE BRASÍLIA – CEB

1. Examinamos o balanço patrimonial da COMPANHIA ENERGÉTICA DE


BRASÍLIA – CEB (Controladora) e da COMPANHIA ENERGÉTICA DE
BRASÍLIA – CEB (consolidado) levantado em 31 de dezembro de 2008 e as
respectivas demonstrações do resultado, das mutações do patrimônio líquido, do fluxo
de caixa e do valor adicionado correspondentes ao exercício findo nessa data,
elaborados sob a responsabilidade de sua administração. Nossa responsabilidade é a de
expressar uma opinião sobre essas demonstrações contábeis.

2. Nossos exames foram conduzidos de acordo com as normas de auditoria aplicáveis no


Brasil e compreenderam: a) o planejamento dos trabalhos, considerando a relevância
dos saldos, o volume de transações e o sistema contábil e de controles internos da
Companhia; b) a constatação, com base em testes, das evidências e dos registros que
suportam os valores e as informações contábeis divulgados; e c) a avaliação das
práticas e das estimativas contábeis mais representativas adotadas pela Administração
da Companhia, bem como da apresentação das demonstrações financeiras tomadas em
conjunto.

3. Conforme mencionado na Nota Explicativa nº 1.3, a Companhia mantém investimentos


nas controladas, CEB Participações S.A., CEB Distribuição S/A e CEB Geração S/A
cujas demonstrações contábeis em 31 de dezembro de 2008 foram por nós examinadas,
e nas controladas CEB Lajeado S.A. e Companhia Brasiliense de Gás – CEBGÁS que
tiveram suas demonstrações contábeis examinadas por outros auditores. Foram
emitidos os seguintes pareceres:

3.1 Para a CEB Participações S.A. foi emitido em 23 de janeiro de 2009 parecer
sem ressalvas.

3.2 Para a controlada CEB Distribuição S.A. foi emitido parecer em 20 de março
de 2009 contendo parágrafos de incerteza sobre os seguintes assuntos:

3.2.1 Com base em pareceres de assessores jurídicos e consultores


externos, em novembro de 2005 a então Companhia Energética de
Brasília – CEB emitiu faturas relativas a multas, correção
monetária e juros por atrasos nos recebimentos de órgãos públicos,
ocorridos no período de 1995 a 2005, no montante de R$ 81.557
mil, dos quais até 31 de dezembro de 2008, foram
recebidos/cancelados R$ 4.400 mil (R$2.906 mil, até 2007). Após
a desverticalização consumada em janeiro de 2006, esses créditos
foram registrados nas contas a receber da Companhia. A
Administração acredita no recebimento desses créditos, mas diante
das dificuldades encontradas para a sua realização, impetrou ações
de cobrança contra os diversos órgãos devedores, que estão em fase
de instrução processual, passíveis de sentença. O Departamento
Jurídico da Companhia considerou genericamente as possibilidades
de êxito nessas ações em 70%.

3.2.2 As contas a receber de consumidores e revendedores em 31


de dezembro de 2008 oriundas da atividade de energia elétrica,
com os acréscimos moratórios, multas e atualização monetária,
totalizam R$ 379.862 mil, dos quais R$ 211.857 mil estavam
vencidas, sendo R$ 81.246 mil a receber de órgãos públicos. Tendo
em vista as cobranças e negociações mantidas para a regularização
dos débitos em atraso, a Administração da controlada considera
suficiente para fazer face às possíveis perdas, o montante de
R$54.233 mil contabilizado a título de provisão para créditos de
liquidação duvidosa naquela data.

3.2.3 A Companhia registrou como adiantamento no seu Ativo


Circulante, até o trâmite final da ação, o montante de R$ 7.172 mil
relativos ao pagamento da Participação no Lucro e Resultados –
PLR de empregados do exercício 2007, acrescido de juros e
correção monetária, a que foi condenada em justiça de primeira
instância. Os assessores jurídicos da Companhia recomendaram o
provisionamento no valor da condenação e acreditam que a
Companhia tem chances remotas de reverter a situação.
Presentemente não é possível prever o desfecho desse assunto.

3.2.4 A conta 211.31.4.00.019 Contribuição I.P. a Recolher


registra os valores arrecadados pela Companhia de seus
consumidores para serem repassados ao Governo do Distrito
Federal. Do saldo de R$ 21,7 milhões em 31 de dezembro de 2008,
R$ 13,6 milhões foram repassados em 2009. Até a data da emissão
deste Parecer, o saldo dessa conta montava R$ 21,5 milhões (já
deduzidos os repasses efetuados em 2009 e ainda sem considerar
os valores arrecadados em março/2009). Segundo informações da
Administração, a Companhia está negociando o repasse com o
GDF.

3.2.5 Em 31 de dezembro de 2008 a Companhia possuía créditos


tributários ativos, no montante de R$ 6.078 mil, relativos a imposto
de renda e contribuição social sobre diferenças intertemporais,
registrados no Ativo circulante, com fundamento em expectativas
de resultados fiscais positivos no futuro.
3.3 Para a controlada CEB Geração S.A. foi emitido em 23 de janeiro de 2009,
parecer com ressalva, sobre a inexistência da análise sobre a recuperação dos
valores registrados no ativo imobilizado e os ajustes contábeis que seriam
requeridos para atendimento ao artigo 183, parágrafo 3º da Lei 6.404/76 com
redação dada pela Lei 11.638/07. Presentemente, não é possível mensurar o
efeito desse ajuste.

3.4 As demonstrações contábeis das controladas CEB Lajeado S.A. e Companhia


Brasiliense de Gás – CEBGÁS, e as coligadas Corumbá Concessões S.A. e
BSB Energética S.A., foram examinadas por outros auditores independentes,
que em 30 de janeiro, 16 de janeiro, 13 de fevereiro e 17 de março de 2009
respectivamente, emitiram parecer sem ressalvas. Nossa opinião, no que se
relaciona às demonstrações financeiras dessas empresas, é baseada no parecer
desses auditores independentes.

4. Em nossa opinião, sujeito aos efeitos não mensuráveis do assunto mencionado no


parágrafo 3 subitem 3.3, as demonstrações contábeis referidas no primeiro parágrafo
representam adequadamente, em todos os aspectos relevantes, a posição patrimonial e
financeira da COMPANHIA ENERGÉTICA DE BRASÍLIA – CEB (Controladora
e consolidado) em 31 de dezembro de 2008 e os resultados de suas operações, as
mutações de seu patrimônio líquido, os seus fluxos de caixa e os valores adicionados
nas operações referentes ao exercício findo nessa data, de acordo com as práticas
contábeis adotadas no Brasil.

5. Anteriormente, auditamos as demonstrações contábeis da COMPANHIA


ENERGÉTICA DE BRASÍLIA – CEB (Controladora e consolidado) referentes ao
exercício findo em 31 de dezembro de 2007, compreendendo o balanço patrimonial, as
demonstrações do resultado, das mutações do patrimônio líquido e das origens e
aplicações de recursos, além das informações suplementares compreendendo as
demonstrações dos fluxos de caixa e do valor adicionado, sobre as quais emitimos
parecer sem ressalva, datado de 26 de fevereiro de 2008. Conforme mencionado na
nota explicativa nº 2, as práticas contábeis adotadas no Brasil foram alteradas a partir
de 1º de janeiro de 2008. As demonstrações contábeis referentes ao exercício findo em
31 de dezembro de 2007, exceto a demonstração das origens e aplicações de recursos,
apresentadas de forma conjunta com as demonstrações contábeis de 2008, foram
elaboradas de acordo com as práticas contábeis adotadas no Brasil vigentes até 31 de
dezembro de 2007 e, como permitido pelo pronunciamento técnico CPC 13 – Adoção
Inicial da Lei 11.638/07 e da Medida Provisória nº 449/08, não estão sendo
reapresentadas com os ajustes mencionados no parágrafo terceiro, para fins de
comparação entre os exercícios.

6. Conforme mencionado no parágrafo 3, a coligada Corumbá Concessões S.A. foi


auditada por outros auditores independentes, que em seu parecer, emitido em 13 de
fevereiro de 2009, incluíram parágrafos de incertezas sobre os seguintes assuntos:
6.1 Conforme descrito na Nota 10 às demonstrações financeiras, a Companhia
mantém relações e transações em montantes significativos com sua
controladora e companhias associadas. Consequentemente, os resultados das
operações podem ser diferentes daqueles que seriam obtidos de transações
efetuadas apenas com partes não relacionadas;

6.2 As demonstrações financeiras do exercício findo em 31 de dezembro de 2008


foram elaboradas de acordo com as práticas contábeis adotadas no Brasil
aplicáveis a empresas em regime normal de operações. A Companhia
apresenta em 31 de dezembro de 2008 situação financeira desfavorável,
representada por excesso de passivo circulante (R$ 55.800 mil) sobre ativo
circulante (R$ 20.050 mil). Os planos da administração relacionados a este
assunto estão descritos na Nota 1. As demonstrações financeiras não incluem
quaisquer ajustes decorrentes de incertezas quanto à continuidade operacional
da Companhia;

6.3 Conforme mencionado na Nota 15 às demonstrações financeiras, a Companhia


está avaliando o mérito da solicitação de recomposição de valores associados a
obras, efetuado pelo fornecedor e acionista Serveng Civilsan S.A., no
montante de R$31.416 mil. Tendo em vista o estágio de apreciação dessa
solicitação, a administração não registrou provisão sobre esse assunto nas
demonstrações financeiras de 31 de dezembro de 2008

7. Conforme mencionado no parágrafo 3, a controlada Companhia Brasiliense de Gás –


CEBGÁS foi auditada por outros auditores independentes, que em seu parecer emitido
em 16 de janeiro de 2009, incluíram parágrafo de incerteza sobre o seguinte assunto:

7.1 Conforme descrito na nota explicativa n°1 às demonstrações financeiras, a


Companhia entrou em operação parcial em 08 de novembro de 2007, através
do suprimento de gás natural liquefeito, proveniente da cidade de Paulínia, no
Estado de São Paulo, para o Distrito Federal, e a sua distribuição a partir da
celebração de contratos de compra e venda com seus distribuidores no Brasil.
Para que sua operação esteja plena, faz-se necessária a viabilização da
construção do gasoduto de transporte de gás natural ligando o gasoduto Brasil-
Bolívia.

8. Conforme mencionado no parágrafo 3, a coligada Energética Corumbá III foi auditada


por outros auditores independentes, que em seu parecer emitido em 31 de janeiro de
2009, incluíram parágrafo de incerteza sobre o seguinte assunto:

8.1 Conforme descrito na nota 6-a, os critérios a serem utilizados para alocação de
R$1.624.066,85, relativos a encargos financeiros registrados em investimentos
(rubrica gastos diferidos alocados a conta de investimentos em coligada),
dependem de deliberação dos acionistas da Companhia.
9. Não é possível prever o desfecho dos assuntos mencionados no parágrafo 3 (subitens
3.2.1, 3.2.2 e 3.2.4), relacionados a dificuldades de geração de caixa e quitação de
dívidas pela controlada CEB Distribuição S.A., e a outras incertezas mencionadas por
outros auditores de controladas e coligadas da Companhia conforme mencionado nos
parágrafos 6, 7 e 8, e os possíveis reflexos sobre as demonstrações contábeis da
Companhia, que não incluem quaisquer ajustes decorrentes de incertezas quanto a
dificuldades de geração de caixa da controlada CEB Distribuição S.A., a continuidade
operacional da Corumbá Concessões S.A. (parágrafo 6 sub-item 6.2) e as demais
incertezas descritas pelos outros auditores.

10. Conforme descrito com maiores detalhes na Nota 1.2, a Companhia firmou com a sua
controlada CEB Distribuição S.A., o instrumento particular “Compromisso de
Subscrição de Ações”, que prevê o aporte de capital naquela controlada a ser efetuado
até 2012 no montante inicial histórico de R$ 142,7 milhões, atualizado para 31 de
dezembro de 2008 de R$ 169,3 milhões. A Resolução Autorizativa nº 318, de 14 de
setembro de 2005 da ANEEL, previa o aporte inicial em dezembro de 2006; entretanto,
a Resolução Autorizativa nº 958 de 12 de junho de 2007 da ANEEL, alterou esse
cronograma passando o aporte inicial para dezembro de 2008, no montante histórico de
R$ 22,7 milhões e atualizado de R$ 20,0 milhões (já deduzidos os aportes realizados
até 31/12/2008 no montante de R$8,0 milhões), dos quais a Companhia aportou R$
500 mil em 15 de janeiro de 2009 e R$ 3,0 milhões em 16 de março de 2009,
totalizando aportes de R$ 11,5 milhões. Com base em entendimento de que o aporte de
capital estabelecido para o mês de dezembro/08 conforme determina a Resolução
Autorizativa nº 958 pode ser realizado após o encerramento das demonstrações
contábeis de sua controlada, a Companhia protocolou solicitação de apreciação do
assunto junto à ANEEL em 17 de fevereiro de 2009, que até a data da emissão deste
Parecer não havia se pronunciado. Pode haver reflexos não mensuráveis sobre as suas
demonstrações contábeis pelo não cumprimento dessa obrigação no momento
oportuno. Presentemente, não é possível prever o desfecho dessa situação.

11. Conforme mencionado na Nota 9, existem dois processos em tramitação na Secretaria


da Receita Federal, na esfera administrativa, que atingem o montante aproximado de
R$ 29.847 mil, relativos a procedimentos assumidos pela Companhia na apuração de
Imposto de Renda e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido em exercícios
anteriores, que não foram aceitos pelas autoridades fiscais. A Administração da
Companhia decidiu não constituir provisão para contingências para fazer face aos
referidos processos, com base em orientação de seus consultores externos, que
classificaram como remota a possibilidade de perdas. No momento, não é possível
prever o desfecho dos referidos processos.

Brasília, 18 de março de 2009


PELEGRINI & RODRIGUES José Geraldo Pelegrini Melo
Auditores Independentes Contador
CRC. DF – 360 CRC MG 34.466 “T” DF