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Educação Literária

Grupo I (104 pontos)

A (48 pontos)

GRUPO I

Apresente as suas respostas de forma bem estruturada.

PARTE A
Leia o poema.

POBRE VELHA MÚSICA!


Não sei por que agrado,
Enche-se de lágrimas
Meu olhar parado.

5 Recordo outro ouvir-te.


Não sei se te ouvi
Nessa minha infância
Que me lembra em ti.

10 Com que ânsia tão raiva


Quero aquele outrora!
E eu era feliz? Não sei:
Fui-o outrora agora.

Fernando Pessoa, Poesia do Eu – Obra Essencial de Fernando Pessoa


(ed. Richard Zenith), 3.ª ed., Lisboa, Assírio & Alvim, 2014, p. 169.

1. Demonstre a coexistência de tempos distintos no poema, destacando as marcas linguísticas


que a comprovam.

2. Explicite o papel da música no estado de alma do sujeito poético.

3. Refira dois efeitos de sentido produzidos pela pontuação na última quadra.

4. Explique o paradoxo presente no último verso.

1
B (40 pontos)
Leia as seis estrofes iniciais do poema “O Sentimento dum Ocidental”, de Cesário Verde.

Nas nossas ruas, ao anoitecer, Semelham-se a gaiolas, com viveiros,


Há tal soturnidade, há tal melancolia, As edificações somente emadeiradas:
Que as sombras, o bulício, o Tejo, a maresia Como morcegos, ao cair das badaladas,
Despertam-me um desejo absurdo de sofrer. Saltam de viga em viga os mestres carpinteiros.

O céu parece baixo e de neblina, Voltam os calafates, aos magotes,


O gás extravasado enjoa-me, perturba; De jaquetão ao ombro, enfarruscados, secos;
E os edifícios, com as chaminés, e a turba Embrenho-me, a cismar, por boqueirões, por becos,
Toldam-se duma cor monótona e londrina. Ou erro pelos cais a que se atracam botes.

Batem carros de aluguer, ao fundo, E evoco, então, as crónicas navais:


Levando à via-férrea os que se vão. Felizes! Mouros, baixéis1, heróis, tudo ressuscitado!
Ocorrem-me em revista, exposições, países: Luta Camões no Sul, salvando um livro a nado!
Madrid, Paris, Berlim, S. Petersburgo, o mundo! Singram soberbas naus que eu não verei jamais!

Cesário Verde, Cânticos do Realismo.

1. Caracteriza o estado de espírito do sujeito poético e relaciona-o com os efeitos que a cidade
nele provoca.
2. Identifica duas características temáticas da poesia de Cesário Verde, fundamentando a tua
resposta com elementos textuais pertinentes.
3. Completa as afirmações abaixo apresentadas, selecionando da tabela a opção adequada a cada
espaço.
Nestes versos são utilizados alguns recursos expressivos frequentes na poesia de Cesário Verde: na
expressão “as sombras, o bulício, o Tejo, a maresia” (v. 3) está presente uma ____ a) ____; a comparação
ocorre, por exemplo, em ____ b) ____.

a) b)
1. comparação 1. “E os edifícios, com as chaminés, e a turba / Toldam-se
duma cor monótona e londrina” (vv. 7-8).
2. metáfora
2. “” (v.)
3. enumeração 3. “Singram soberbas naus” (v. 24).
4. “Como morcegos, ao cair das badaladas, / Saltam de viga
4. personificação
em viga os mestres carpinteiros” (vv. 15-16).

1
pequena embarcação.
2
C (16 pontos)
“Fernando Pessoa buscou avidamente a felicidade, como quem nasceu para ser feliz. Buscou sem
encontrar, porque cedo o torturou a fome inextinguível de conhecer.”
Fernando Pessoa, Páginas de Estética, Teoria e Crítica Literárias (Prefácio)

Partindo do juízo expresso na afirmação acima transcrita, apresenta, num texto de oitenta a cento e
trinta palavras, o aspeto da poesia de Fernando Pessoa ortónimo destacado. O teu comentário deverá
atestar, através de exemplos, a tua experiência de leitura.

Grupo II (56 pontos)


Leitura | Gramática

GRUPO II

A música também tem fins terapêuticos

Ter a música presente do princípio ao fim da vida só pode fazer bem. Se houver
necessidades especiais, mais ainda. E não se está a falar em criar músicos virtuosos,
como explica a musicoterapeuta Marisa Raposo: “Não há objetivos de aprendizagem
musical nem de performance musical para um ouvinte, mas sim terapêuticos.” E
5 descreve: “Nas sessões de musicoterapia, o utente participa ativamente com os
instrumentos musicais para desenvolver diversas competências neuropsicológicas.”
Convidada pelo Festival de Música de Setúbal, que organiza o encontro no
Instituto Politécnico da cidade, a especialista açoriana esteve no domingo, na Casa da
Avenida, na companhia do musicoterapeuta britânico Simon Procter, a dar conta do
10 que será discutido nesta segunda-feira por académicos britânicos e portugueses. “O
simpósio ‘Música, Saúde e Bem-Estar’ reúne profissionais de três áreas que utilizam a
música para fins diferentes, mas que se aproximam (educadores musicais que fazem
ensino adaptado para pessoas com necessidades especiais, músicos que
fazem performances em contextos de saúde para promoção de bem-estar e
15 musicoterapeutas, que utilizam a música como mediação terapêutica).”
Em Portugal, há cerca de 80 musicoterapeutas a exercer a profissão, que tem de ser
reconhecida pela Confederação Europeia de Musicoterapia. E já é, nomeadamente o
mestrado na Universidade Lusíada, como nos conta Marisa Raposo: “É a
confederação que nos incentiva a continuar na luta; o reconhecimento não é feito pelas
20 entidades competentes em Portugal (para termos um código profissional na
Classificação Portuguesa das Profissões) e podermos ter empregos com contratações,
inclusive públicas, tal como acontece noutros países.”
Quisemos saber, na prática, o que faz um musicoterapeuta. Resposta: “No
contexto da saúde, o musicoterapeuta é o profissional que utiliza a música como
25 veículo para ajudar o utente a manter, melhorar e/ou restabelecer funções cognitivas,
comunicativas, emocionais e sociais, utilizando as experiências musicais como uma
forma de mediação e não como a finalidade da intervenção.”
Não há um momento certo e único para se iniciar uma terapia desta natureza,
já que “a musicoterapia é uma terapia complementar que integra o ser humano na sua
30 amplitude, ou seja, nas dimensões biopsicossocial”. Assim sendo, “pode intervir em
todo o ciclo de vida”. A doutoranda em Ciências da Cognição e da Linguagem pela
Universidade Católica Portuguesa dá alguns exemplos relevantes e comprovados por
3
estudos científicos já desenvolvidos.
https://www.publico.pt/2018/05/27/sociedade/noticia/a-musica-tambem-tem-fins-terapeuticos-1832316
(texto adaptado, acedido em setembro de 2018).

1. A musicoterapia é uma atividade


(A) integrada na área do lazer e do entretenimento, mas sem expressão em Portugal.
(B) que, embora eficaz, é muito dispendiosa, o que a inviabiliza.
(C) que implica o domínio de vários instrumentos musicais por parte do utente.
(D) desenvolvida por especialistas e que visa auxiliar doentes no seu processo de cura.

2. A atividade do musicoterapeuta,
(A) apesar de reconhecida e integrada a nível europeu, carece de regulação em Portugal.
(B) embora desempenhada em condições bastante favoráveis, não oferece estatuto social.
(C) não obstante o seu reconhecimento terapêutico, só pode ser desempenhada numa escola de
música.
4
(D) embora possa ter uma componente terapêutica, é desenvolvida em contexto de saúde e bem-
estar.

3. A musicoterapia pretende auxiliar


(A) crianças que revelem dificuldades no seu processo de aquisição da linguagem.
(B) idosos com problemas de integração social, originados por doenças neurológicas.
(C) todo o ser humano que revele carências a nível psicológico ou social, entre outros.
(D) todo o ser humano que revele dificuldades de integração a nível social.

4. Ao longo do texto, as aspas são utilizadas para destacar frases


(A) em discurso indireto.
(B) em discurso indireto livre.
(C) que correspondem a citações.
(D) consideradas fundamentais.

5. A oração “Se houver necessidades especiais” (ll. 1-2) classifica-se como subordinada adverbial
(A) concessiva.
(B) condicional.
(C) consecutiva.
(D) comparativa.

6. O termo “neuropsicológicas” (l. 6) é uma palavra


(A) derivada por prefixação.
(B) composta por radical + palavra (composição morfológica).
(C) composta por palavra + palavra (composição morfossintática).
(D) derivada por parassíntese.

7. A função sintática desempenhada pelo pronome relativo na frase “que tem de ser reconhecida pela
Confederação Europeia de Musicoterapia.” (ll. 16-17) é de
(A) sujeito.
(B) complemento direto.
(C) complemento indireto.
(D) complemento do nome.

8. Classifique a oração “que organiza o encontro no Instituto Politécnico da cidade” (ll. 7-8).

9. Transcreva o referente do pronome da frase “que utilizam a música para fins diferentes” (l. 11).

10. Indique a função sintática do constituinte sublinhado em “como nos conta Marisa Raposo” (l. 18).

Grupo III (40 pontos)

Escrita

5
Segundo o senso comum, a razão é contrária à emoção. Ao longo da nossa vida, ouvimos
muitas vezes expressões como “tem juízo” ou “pensa com a razão e menos com o coração”.
Redige um texto de opinião bem estruturado, com um mínimo de 200 e um máximo de 350
palavras, em que defendas o teu ponto de vista sobre a ideia exposta.

Para fundamentar o teu ponto de vista, recorre a dois argumentos, ilustrando cada um deles
com um exemplo significativo.

Bom trabalho!