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DESENHO TÉCNICO

NEAD
Núcleo de Educação a Distância
Av. Guedner, 1610, Bloco 4
Jd. Aclimação - Cep 87050-900 Maringá - Paraná
www.unicesumar.edu.br | 0800 600 6360

C397 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE MARINGÁ. Núcleo de Educação a Distância;


FURLAN, Ana Paula; OLIVEIRA, Denis Martins de; SANTOS, Vanessa
Barbosa dos.
Desenho Técnico. Patricia Bruder Barbosa Olini; Lucas Kauê Babetto
Mendes; Sandra G. Marques.
Reimpressão
Maringá - PR.:UniCesumar, 2018.
176p.
“Graduação em Design - EaD”.
1. Desenho. 2. Técnico. 3. Design EaD. I. Título.
ISBN 978-85-459-0409-0
CDD - 22ª Ed. 720
Impresso por: CIP - NBR 12899 - AACR/2

DIREÇÃO UNICESUMAR

Reitor Wilson de Matos Silva, Vice-Reitor Wilson de Matos Silva Filho, Pró-Reitor de Administração
Wilson de Matos Silva Filho, Pró-Reitor de EAD Willian Victor Kendrick de Matos Silva, Presidente
da Mantenedora Cláudio Ferdinandi.

NEAD - NÚCLEO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA

Diretoria Operacional de Ensino Kátia Coelho, Diretoria de Planejamento de Ensino Fabrício Lazilha,
Direção de Operações Chrystiano Mincof, Direção de Mercado Hilton Pereira, Direção de Polos
Próprios James Prestes, Direção de Desenvolvimento Dayane Almeida, Direção de Relacionamento
Alessandra Baron, Gerência de Produção de Conteúdo Juliano de Souza, Supervisão do Núcleo de
Produção de Materiais Nádila de Almeida Toledo, Coordenador(a) de Conteúdo Larissa Camargo,
Projeto Gráico José Jhonny Coelho, Editoração Thayla Daiany Guimarães Cripaldi, Designer
Educacional Maria Fernanda Vasconcelos, Ana Claudia Salvadego Revisão Textual Yara Dias, Gabriel
Bruno Martins Ilustração Bruno Pardinho, Marta Kakitani Fotos Shutterstock.

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Wilson Matos da Silva
Reitor da Unicesumar

Em um mundo global e dinâmico, nós trabalhamos IGC 4 em 7 anos consecutivos. Estamos entre os 10
com princípios éticos e proissionalismo, não maiores grupos educacionais do Brasil.
somente para oferecer uma educação de qualidade, A rapidez do mundo moderno exige dos educadores
mas, acima de tudo, para gerar uma conversão soluções inteligentes para as necessidades de todos.
integral das pessoas ao conhecimento. Baseamo- Para continuar relevante, a instituição de educação
nos em 4 pilares: intelectual, proissional, emocional precisa ter pelo menos três virtudes: inovação,
e espiritual. coragem e compromisso com a qualidade. Por
Iniciamos a Unicesumar em 1990, com dois cursos de isso, desenvolvemos, para os cursos de Engenharia,
graduação e 180 alunos. Hoje, temos mais de 100 mil metodologias ativas, as quais visam reunir o melhor
estudantes espalhados em todo o Brasil: nos quatro do ensino presencial e a distância.
campi presenciais (Maringá, Curitiba, Ponta Grossa Tudo isso para honrarmos a nossa missão que é
e Londrina) e em mais de 300 polos EAD no país, promover a educação de qualidade nas diferentes áreas
com dezenas de cursos de graduação e pós-graduação. do conhecimento, formando proissionais cidadãos
Produzimos e revisamos 500 livros e distribuímos mais que contribuam para o desenvolvimento de uma
de 500 mil exemplares por ano. Somos reconhecidos sociedade justa e solidária.
pelo MEC como uma instituição de excelência, com Vamos juntos!
boas-vindas

Willian V. K. de Matos Silva


Pró-Reitor da Unicesumar EaD

Prezado(a) Acadêmico(a), bem-vindo(a) à A apropriação dessa nova forma de conhecer


Comunidade do Conhecimento. transformou-se hoje em um dos principais fatores de
Essa é a característica principal pela qual a Unicesumar agregação de valor, de superação das desigualdades,
tem sido conhecida pelos nossos alunos, professores propagação de trabalho qualiicado e de bem-estar.
e pela nossa sociedade. Porém, é importante Logo, como agente social, convido você a saber cada
destacar aqui que não estamos falando mais daquele vez mais, a conhecer, entender, selecionar e usar a
conhecimento estático, repetitivo, local e elitizado, mas tecnologia que temos e que está disponível.
de um conhecimento dinâmico, renovável em minutos, Da mesma forma que a imprensa de Gutenberg
atemporal, global, democratizado, transformado pelas modiicou toda uma cultura e forma de conhecer,
tecnologias digitais e virtuais. as tecnologias atuais e suas novas ferramentas,
De fato, as tecnologias de informação e comunicação equipamentos e aplicações estão mudando a nossa
têm nos aproximado cada vez mais de pessoas, lugares, cultura e transformando a todos nós. Então, priorizar o
informações, da educação por meio da conectividade conhecimento hoje, por meio da Educação a Distância
via internet, do acesso wireless em diferentes lugares (EAD), signiica possibilitar o contato com ambientes
e da mobilidade dos celulares. cativantes, ricos em informações e interatividade. É
As redes sociais, os sites, blogs e os tablets aceleraram um processo desaiador, que ao mesmo tempo abrirá
a informação e a produção do conhecimento, que não as portas para melhores oportunidades. Como já disse
reconhece mais fuso horário e atravessa oceanos em Sócrates, “a vida sem desaios não vale a pena ser vivida”.
segundos. É isso que a EAD da Unicesumar se propõe a fazer.
boas-vindas

Kátia Solange Coelho


Janes Fidélis Tomelin Diretoria de Graduação
Pró-Reitor de Ensino de EAD
e Pós-graduação

Débora do Nascimento Leite Leonardo Spaine


Diretoria de Design Educacional Diretoria de Permanência

Seja bem-vindo(a), caro(a) acadêmico(a)! Você está de maneira a inseri-lo no mercado de trabalho. Ou seja,
iniciando um processo de transformação, pois quando estes materiais têm como principal objetivo “provocar
investimos em nossa formação, seja ela pessoal ou uma aproximação entre você e o conteúdo”, desta
proissional, nos transformamos e, consequentemente, forma possibilita o desenvolvimento da autonomia
transformamos também a sociedade na qual estamos em busca dos conhecimentos necessários para a sua
inseridos. De que forma o fazemos? Criando formação pessoal e proissional.
oportunidades e/ou estabelecendo mudanças capazes Portanto, nossa distância nesse processo de crescimento
de alcançar um nível de desenvolvimento compatível e construção do conhecimento deve ser apenas
com os desaios que surgem no mundo contemporâneo. geográica. Utilize os diversos recursos pedagógicos
O Centro Universitário Cesumar mediante o Núcleo de que o Centro Universitário Cesumar lhe possibilita.
Educação a Distância, o(a) acompanhará durante todo Ou seja, acesse regularmente o Studeo, que é o seu
este processo, pois conforme Freire (1996): “Os homens Ambiente Virtual de Aprendizagem, interaja nos
se educam juntos, na transformação do mundo”. fóruns e enquetes, assista às aulas ao vivo e participe
Os materiais produzidos oferecem linguagem das discussões. Além disso, lembre-se que existe
dialógica e encontram-se integrados à proposta uma equipe de professores e tutores que se encontra
pedagógica, contribuindo no processo educacional, disponível para sanar suas dúvidas e auxiliá-lo(a) em
complementando sua formação profissional, seu processo de aprendizagem, possibilitando-lhe
desenvolvendo competências e habilidades, e trilhar com tranquilidade e segurança sua trajetória
aplicando conceitos teóricos em situação de realidade, acadêmica.
apresentação do material

DESENHO TÉCNICO
Lucas Kauê Babetto Mendes; Patricia Bruder Barbosa Olini; Sandra G. Marques

Olá, aluno(a) de design de interiores! É com grande prazer que damos início
ao conteúdo de desenho técnico, conteúdo tão importante para a sua futura
prática proissional.

Imagino que, quando você optou pela formação superior em design de inte-
riores, estava em busca do aprimoramento técnico, do diferencial de mercado,
entendendo que um título de graduação traz não apenas a satisfação dessa
realização, mas também uma carga de conhecimentos que o coloca a um pata-
mar acima. O desenho técnico vem ao encontro dessa busca, quando apresenta
para você uma forma proissional de apresentar os seus projetos, não apenas
aos seus futuros clientes, mas a todos os envolvidos no processo de um projeto
de interiores, da elaboração de ideias à execução delas.

Dessa maneira, na primeira unidade, você será introduzido(a) ao desenho téc-


nico, conhecerá os instrumentos utilizados para sua elaboração, as orientações
sobre como utilizá-los adequadamente. Conhecerá também as normas técnicas
referentes ao desenho do ambiente construído, aplicando-as ao desenho de
margens, carimbo e escrita técnica, além de receber recomendações para o
bom planejamento e apresentação da prancha de desenho. Ainda nessa uni-
dade, aprenderá a reconhecer os diferentes tipos de traços e suas respectivas
aplicações no desenho técnico, os conceitos básicos referentes às escalas de
redução e ampliação, bem como a cotagem de projetos.

Já na segunda unidade, apresentaremos a você as projeções ortogonais e pers-


pectiva isométrica, deinindo o que são essas técnicas de representação e sua
importância para o projeto de interiores. Você conhecerá os tipos de planos e
vistas ortogonais, assim como quando aplicá-las em seus projetos.
Na terceira unidade, entraremos nas especiicidades do desenho técnico de
mobiliário, compreendendo os padrões de detalhamento de móveis, a partir
de vistas ortogonais, a técnica de hachuras para representação de materiais de
construção e acabamento e o desenvolvimento de detalhamento tridimensionais,
com perspectivas isométricas explodidas.

Chegaremos, então, à quarta unidade, quando apresentaremos a você a planta


baixa, umas das representações mais importantes quando se trata de desenho
técnico de interiores. Para isso, você irá conhecer e identiicar as diferentes
formas de representação arquitetônica, ler e entender uma planta baixa, sendo
capaz de, interpretando suas convenções, formar uma imagem mental da edi-
icação representada, além de ter uma compreensão clara de escalas e cotas,
que lhe permitam dimensionar corretamente o projeto representado.

E, para inalizar, na última unidade, iremos estudar sobre a representação de


paredes, com as técnicas de cortes, vistas e perspectivas que são diferentes
maneiras de representação de uma parede, aplicadas a cada situação de pro-
jeto, em que você irá especiicar elementos relacionados, incluindo materiais
de acabamento e revestimento dessas paredes.

E, assim, inalizaremos o livro de desenho técnico, produzido especialmente


para o curso superior de tecnologia em design de interiores da Unicesumar,
com a certeza de que, com esses conhecimentos, você estará mais próximo das
etapas seguintes, que logo chegarão, do projeto de interiores em sí, sabendo
como representá-lo de forma proissional e técnica.

Desejamos a você, aluno(a), sucesso proissional, cheio de plantas-baixa, cortes,


elevações, perspectivas, hachuras e cotas!
INTRODUÇÃO

O
lá, caro(a) aluno(a), seja bem-vindo(a)! Esta unidade tem
como objetivo introduzi-lo(a) nas práticas e recomendações
para o desenho técnico manual. A ideia é que você aprenda,
primeiramente, os conceitos e fundamentos básicos da comu-
nicação por meio do desenho para que, nas próximas unidades, possa
aplicá-los nas atividades propostas, voltadas à representação gráica do
ambiente construído.
Independentemente se o desenho é realizado manualmente ou com o
auxílio do computador, é necessário que você aprenda as regras, conven-
ções e normas técnicas referentes a ele para, posteriormente, comunicar
suas ideias de projeto com clareza e de forma que possibilite fácil com-
preensão. Para que isso seja possível, você deve desenhar com frequên-
cia, a exemplo de qualquer ofício que nos propomos a aprender, como
tocar um instrumento musical, que exige muita prática e persistência.
Quanto maior é a prática, maior é o rigor que você, aluno(a), desenvolve
na confecção e avaliação de desenhos técnicos, o que também o levará ao
domínio do traço: o futuro designer deve saber se expressar por meio do
desenho, o que também o auxiliará na concepção de novas ideias.
Antes de mais nada, é necessário conhecer quais são os instrumentos
de desenho técnico manual e como utilizá-los da forma mais adequada.
É importante ressaltar que esta unidade trabalhará com o desenho ex-
clusivamente manual, porém sempre com o auxílio de instrumentos – o
desenho à mão livre será abordado em outra(s) unidade(s). Em seguida,
trataremos de recomendações para que a prancha de desenho tenha uma
boa apresentação, por meio das margens, carimbo e escrita técnica, bem
como do reconhecimento dos diferentes tipos de traços e da distribuição
e planejamento dos desenhos na folha. Como resultado, inalizaremos
esta unidade com a aplicação dos conceitos apresentados, por meio do
desenho de objetos com escalas distintas, com a respectiva indicação de
suas dimensões.
DESENHO TÉCNICO

Material e Instrumentos
de Desenho
Caro(a) aluno(a), para começar, você deve ter acesso derá aproveitar no dia a dia da proissão.
aos instrumentos básicos de desenho manual, para Alguns cuidados são necessários na aquisição,
desenvolver as atividades propostas. Portanto iremos, manutenção e utilização dos instrumentos de dese-
inicialmente, conhecer quais são esses instrumentos e nho, o que inluencia na execução e apresentação do
materiais, a inalidade de cada um, bem como apren- projeto como um todo. Yee (2014, p. 1) alerta que
der a forma mais adequada de utilização deles. Na Era as “ferramentas de desenho devem ser tratadas com
da computação gráica, não há necessidade de inves- grande zelo, objetivando o aumento de sua vida útil”,
tirmos em materiais de alto custo, como, por exem- tendo em vista também o investimento realizado.
plo, canetas de nanquim, gabaritos dos mais diversos, Para Bortolucci e Porto (2005, p. 55), “a forma cor-
entre outros instrumentos. O intuito é proporcionar reta de manuseio dos instrumentos evita a impreci-
a você os conhecimentos básicos, o que será realizado são, a lentidão, as diiculdades na construção do de-
com instrumental mais simples, muitos dos quais po- senho e a baixa qualidade da apresentação gráica”.

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DESIGN

A listagem a seguir apresenta os instrumentos e que a folha, considerando o espaço necessário para
materiais básicos de desenho manual. Os primeiros a régua paralela ou régua T – abordadas a seguir – e
materiais apresentados são obrigatórios, necessários para os instrumentos de desenho. As menores pran-
ao desenvolvimento das atividades a serem propos- chetas disponíveis no mercado, adequadas a esse
tas. Alguns instrumentos, no entanto, são opcionais, tamanho de folha, possuem, em média, 420 x 520
conforme indicação, ou seja, facilitam o desenvolvi- mm. O formato A3 é suiciente para as atividades
mento do desenho, porém, caso você não os tenha, aqui propostas, todavia há quem preira pranchetas
não irá prejudicá-lo de forma alguma. É importante maiores, já que possui maior superfície para os ins-
que veriique nas próximas páginas as recomenda- trumentos de desenho.
ções referentes a cada material ou instrumento antes Há, no mercado, pranchetas portáteis para co-
de adquiri-los. mercialização, que já vêm com a régua paralela ins-
• Lapiseira para desenho técnico – 0.3 mm talada, com valores mais acessíveis se comparados
(com graite do tipo H). ao das mesas de desenho. Alguns modelos permitem
• Lapiseira para desenho técnico – 0.5 mm a regulagem da inclinação do tampo e possuem es-
(com graite do tipo H). paço para guardar papéis e demais materiais de de-
• Lapiseira para desenho técnico – 0.7 mm senho em seu interior. Também há a possibilidade
(com graite do tipo HB).
de confeccionar sua própria prancheta, reaprovei-
• Papel formato A3 (297 x 420 mm), com gra-
tando móveis e materiais disponíveis em casa. Use
matura de 90 g/m².
sua imaginação.
• Borracha macia plástica.
• Escalímetro triangular n° 1 (30 cm).
• Esquadro de 45° sem graduação.
• Esquadro de 30 e 60° sem graduação.
• Compasso.
• Flanela.
• Fita crepe.
• Pasta de plástico formato A3 (maleta com
alça) ou tubo de projetos, caso você necessite
transportar o material.

PRANCHETA

Para as atividades a serem desenvolvidas, será ne-


cessária uma prancheta com tamanho mínimo
adequado à folha formato A3, ou seja, com dimen-
sões mínimas de 420 X 297 mm, ou uma superfície
adequada à utilização da régua T. A prancheta ou
superfície de trabalho deve ser um pouco maior do

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DESENHO TÉCNICO

Para que as atividades de desenho sejam reali- Uma boa postura ao sentar também contribui para
zadas de forma confortável, devemos tomar alguns o bom rendimento do trabalho e o seu bem-estar. Yee
cuidados quanto à iluminação e à postura, conside- (2014, p. 15) alerta que “projetar e desenhar requer
rando que, geralmente, são exercícios que exigem longas horas sentado na mesma posição” e, se isso for
horas de prática. A prancheta ou mesa deve ser ins- realizado com uma postura inadequada, “acarretará
talada em um local com boa iluminação, de forma cansaço, redução da capacidade de desenhar e preju-
que a fonte luminosa esteja do lado contrário à mão dicará seu estado físico”.
que será utilizada para desenhar, ou seja, no caso Caso seja necessário, o transporte das folhas
dos destros, a iluminação deve estar do lado esquer- deve ser realizado em pasta apropriada, formato A3,
do. De acordo com Montenegro (2001, p. 4), “se a ou por meio de tubos de projetos, a im de evitar que
luz vem da direita, provoca sombra da mão e dos sejam daniicadas. A vantagem das pastas é que já
esquadros, escurecendo o campo de trabalho e pre- permitem guardar também os instrumentos de de-
judicando a visibilidade”, ou seja, “não deve haver senho, além das folhas.
sombra da mão na ponta” da lapiseira. O mesmo
autor recomenda que a superfície de trabalho seja RÉGUA PARALELA OU RÉGUA T
fosca, já que as superfícies com brilho provocam o
cansaço visual. Além de uma mesa com superfície adequada, deverá
dispor de uma régua paralela ou régua T para auxi-
liar fundamentalmente no traçado de retas paralelas
horizontais, bem como para apoio dos esquadros
ao traçar retas verticais ou oblíquas. É importante
ressaltar que todas as retas horizontais no desenho
devem ser traçadas, obrigatoriamente, com a utiliza-
ção da régua paralela ou régua T e nunca com uma
régua regular, sem apoio.
Tanto a régua paralela quanto a régua T possuem
a mesma inalidade e são encontradas no mercado
em tamanhos diversos. No entanto, apesar da régua
paralela exigir um maior investimento e maior dii-
culdade para sua instalação, essa é a mais indicada
para o desenho técnico manual, já que nos permite
maior facilidade em seu manuseio e propicia mais
conforto e precisão nos traços (BORTOLUCCI;
PORTO, 2005; CHING, 2011). A im de manter a
folha mais limpa, ao deslizar a régua paralela para
A3
mato
ca for cima ou para baixo, procure levantá-la levemente
ast a plásti
a 2 -P
Figur para que não encoste no desenho.

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DESIGN

Deslizar régua
Deslizar régua paralelaparalela
sem encostar no
sem encostar no
desenho, puxando as
desenho
duas extremidades ao
mesmo tempo!
duas ex
mesmo tempo!

Figura 3 - Recomendações para a utilização da régua paralela


Fonte: os autores.

Quando não for possível dispor de uma pran- Para a utilização da régua T, são exigidos alguns
cheta com régua paralela, você poderá utilizar uma cuidados adicionais, já que a régua não é ixada na
régua T, desde que tenha disponível uma superfí- mesa. De acordo com Bortolucci e Porto (2005, p.
cie de trabalho com borda reta e nivelada na qual 57), o papel deve ser ixado na superfície de traba-
o cabeçote da régua possa deslizar. Segundo Ching lho de forma que ique mais próximo ao cabeçote
(2011, p. 14), esse cabeçote “desliza ao longo da da régua, com aproximadamente 5 cm de distância
borda de uma prancheta como um guia, para esta- da borda da mesa, “para aproveitar a área de maior
belecer e desenhar linhas retas paralelas”. A maio- precisão da régua T”. No caso dos destros, a régua
ria dessas réguas, a exemplo das réguas paralelas, deve ser “colocada no lado esquerdo da prancheta”,
contém uma “borda em acrílico transparente”, a im já que o(a) aluno(a) deverá pressionar o cabeçote da
de facilitar “a visão do que está sendo trabalhado” régua contra a prancheta enquanto desenha com a
(YEE, 2014, p. 8). Existem opções com dimensões mão direita, “evitando assim que a régua oscile”. É
variadas no mercado, porém, como iremos traba- importante salientar que a régua T deve ser utiliza-
lhar com folhas de menor dimensão, a régua com da somente para traçar linhas horizontais e nunca
comprimento de 60 cm é suiciente para realizar as verticais, o que deve ser feito somente com o uso
atividades aqui propostas. dos esquadros.

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DESENHO TÉCNICO

É errado empurrar
o traço voltando
para a esquerda.

Certo:
Puxar o traço!

Traça-se as horizontais de
cima para baixo.

Certo! Vem deslizando o


esquadro para a direita.

Certo:
Puxar o traço!

Figura 4 - Recomendações para o traçado das linhas


Fonte: Tamashiro (2010).

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DESIGN

Papel deve estar próximo à


borda (aprox. 5 cm)

Pressionar contra a prancheta!

Evite utilizar esta


extremidade, já
que a régua pode
oscilar!

Figura 5 - Recomendações para a utilização da régua T


Fonte: os autores.

Ao desenhar, você, aluno(a), deverá traçar as linhas produção”. O papel manteiga, por exemplo, é indica-
horizontais sempre utilizando a parte superior da ré- do por Ching (2011, p. 22) para croquis e estudos à
gua paralela ou régua T e nunca a borda inferior, visto mão livre, pois pemite “o uso de sobreposições”, fa-
que a régua pode fazer sombra na ponteira da lapiseira, cilitando o desenvolvimento mais rápido de novos
ou mesmo mover-se no caso da régua T, provocando estudos e a comparação entre eles. O papel canson,
a imprecisão do desenho. Além disso, deve-se cuidar por sua vez, é muito utilizado para o desenho à mão
com o correto direcionamento dos traços horizontais e livre, pois é adequado ao uso de graites mais macios
verticais: o traço deve ser realizado da esquerda para a e de maior espessura. De forma geral, os papéis mais
direita, no caso da utilização da régua paralela ou régua lisos são mais adequados ao “trabalho com nanquim,
T, e de baixo para cima ao desenhar com os esquadros. enquanto papéis mais rugosos são melhores para o
trabalho com graite” (YEE, 2014, p. 16).
PAPEL No caso das atividades a serem desenvolvidas
neste módulo, iremos adotar o papel sulite forma-
De acordo com a NBR 6492 (1994), o desenho manu- to A3 (420 x 297 mm), com gramatura de 90 g/m².
al com o uso de instrumentos pode ser realizado em Você deve tomar o cuidado em adquirir o papel com
papéis transparentes, como é o caso do papel man- gramatura mais adequada, pois, se o papel for muito
teiga e do papel vegetal ou em papéis opacos, como grosso, diicultará a dobragem da folha e, se muito
o sulite grosso e o papel canson, desde que propor- ino, pode rasgar com maior facilidade. Esse papel
cionem “resistência e durabilidade apropriadas”. A também pode ser encontrado com margem, porém,
norma indica que a escolha do papel depende “dos geralmente, não atende às especiicações da norma
objetivos, do tipo do projeto e das facilidades de re- técnica quanto ao tamanho da folha e das margens.

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DESIGN

Dureza dos Relativamente


Macio Médio Duro Duríssimo
graites macio

6B-4B-2B-B HB F-H 2H 3H a 9H

Facilidade para Não utilizados


Mais utilizado Uso mais ade- Linhas não são
traçar e apagar, po- para o desenho
Utilização para desenhos à quado em dese- apagadas com
rém tende a borrar técnico: pode da-
mão livre nhos técnicos facilidade
facilmente niicar o papel

Quadro 1 - Graduação dos graites


Fonte: adaptado de Montenegro (2001, p. 11) e Ching (2011, p. 11).

De posse das lapiseiras com graites mais adequa- Quanto à borracha, esta deve ser macia, de vinil
dos, há algumas recomendações em sua utilização. ou de plástico PVC, pois esses materiais são lexí-
Deve-se sempre incliná-las levemente no sentido veis, não abrasivos, não borram e nem daniicam
do traço, puxando-as da esquerda para a direita, a superfície do papel (YEE, 2014; CHING, 2011).
no caso do traço de linhas horizontais, e de baixo Também há disponível no mercado a borracha do
para cima para as linhas verticais. A lapiseira nun- tipo bastão, que auxilia ao apagar detalhes do de-
ca deve ser inclinada com relação à régua paralela. senho.

1. Inclinar levemente a lapiseira 2. Não inclinar a lapiseira no 3. Não inclinar a lapiseira de


no sentido do traço – sempre sentido da régua paralela. forma que fique afastada da
puxar o traço, nunca empurrá-lo! régua ou mal apoaiada.

Figura 7 - Recomendações para a utilização das lapiseiras


Fonte: Tamashiro (2010).

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DESIGN

ESQUADROS

Em conjunto com a régua paralela ou régua T, o lapiseira. Alguns esquadros possuem esse rebaixo
jogo de esquadros é imprescindível para o traça- para auxílio do desenho em nanquim, a im de evi-
do de retas verticais e em ângulos especíicos. Um tar que o traçado seja borrado com a tinta, porém
dos esquadros possui ângulo de 45°, o outro pos- esse não é caso, já que os desenhos serão confeccio-
sui ângulos de 30° e 60°, além do ângulo reto (90°), nados com lapiseiras.
presente em ambos os instrumentos. É importante Além dos ângulos de 30°, 45°, 60° e 90°, quan-
ressaltar que você deverá tomar o cuidado de adqui- do utilizamos o jogo de esquadros, é possível traçar
rir esquadros transparentes e sem graduação, com retas em ângulos de 15° e 75°. A combinação dos
comprimento de aproximadamente 30 cm, pois esquadros também nos permite traçar retas parale-
possibilitam que o traço seja contínuo e uniforme las e perpendiculares, mesmo em ângulos desconhe-
em desenhos maiores, sem a necessidade de emen- cidos. Isso é possível mantendo um dos esquadros
das. Além disso, outra precaução ao adquirir os es- como apoio, ixando-o com uma das mãos, enquan-
quadros é certiicar-se de que não possuem arestas to o outro é movimentado com a outra mão. Obser-
rebaixadas, para melhor apoio da ponta metálica da ve nos exemplos da página a seguir.

Figura 9 - Todas as linhas verticais ou em ângulos de 30°, 45° e 60° deverão ser traçadas com o esquadro sempre apoiado na régua paralela ou régua T
Fonte: os autores.

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DESENHO TÉCNICO

2. Deslize este
quadro sobre o
outro, no mesmo
ângulo da linha a
ser copiada.

1.Mantenha um dos
esquadros fixo,
segurando-o firme
com uma das mãos.
Figura 10 - Traçado de retas paralelas com o jogo de esquadros
Fonte: os autores.

2. Encaixe o outro
esquadro logo acima
formando um ângulo de
90º.

1. Mantenha um dos
quadros fixo, segurando-o
firme com uma das mãos.

Figura 11 - Traçado de retas perpendiculares com o jogo de esquadros


Fonte: os autores.
90º - VERTICAL
75º

75º
60

º
60
º
45

º
45
º

30 º
º 30

15º 15º

HORIZONTAL 0º

Figura 12 - A combinação dos esquadros nos permite obter ângulos de 15° e 75°
Fonte: adaptado de Bortolucci (2005, p. 61).

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DESIGN

COMPASSO

Os círculos ou arcos com grande circunferência do círculo no papel, primeiramente com a lapisei-
serão realizados com o auxílio de um compasso, ra, para, depois, colocar ali a ponta seca e girá-lo
que deve estar com o graite bem apontado, ali- no sentido horário, inclinando-o levemente no
nhado com a ponta seca. A im de evitar danii- sentido do traço. É importante salientar que a pre-
car o papel, o ajuste da abertura necessária deve cisão do desenho não depende somente do mane-
ser realizado fora do desenho, com a utilização do jo mais adequado, mas também da qualidade do
escalímetro. Em seguida, deve-se marcar o centro compasso (BORTOLUCCI; PORTO, 2005).

Inclinação da mão

Giro do compasso

Sentido do traço

Figura 13 - Recomendações para a utilização do compasso


Fonte: adaptado de Bortolucci e Porto (2005, p. 62).

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DESENHO TÉCNICO

MATERIAIS OPCIONAIS LIMPEZA DOS MATERIAIS E FIXAÇÃO DA


FOLHA
Além dos materiais já citados, necessários ao desen-
volvimento das atividades aqui propostas, existem A partir do próximo tópico, todas as atividades suge-
outros instrumentos de apoio que podem facilitar ridas serão realizadas com a utilização dos materiais
e agilizar o desenho, mas que são opcionais nesse de desenho. Portanto, antes de começar a desenhar,
caso, já que o intuito é aprender e praticar os con- certiique-se de que a prancheta, a régua paralela ou
ceitos básicos do desenho técnico manual para, em régua T, os esquadros e demais instrumentos este-
seguida, aplicá-los ao desenho executado por meio jam limpos, a im de garantir, consequentemente, a
de sistemas computacionais. limpeza da folha. É por isso que, na lista de mate-
Os instrumentos mais comuns são os gaba- riais, constam itens como o álcool em gel e a lanela
ritos: réguas plásticas transparentes com iguras ou pano de algodão. Além da limpeza inicial, tam-
e símbolos vazados, disponíveis em diversas es- bém pode ser utilizada a escova de limpeza, também
calas, utilizadas para guiar o traçado de formas conhecida como “bigode”, que serve para manter a
padronizadas. O gabarito de planta baixa, por prancheta e a folha de desenho livres de poeira, res-
exemplo, possui símbolos padronizados de mobi- quícios de borracha ou mesmo de graite, enquanto
liário e equipamentos hidráulicos, como lavatório o desenho é executado.
ou bacia sanitária. Outro exemplo é o gabarito de Após a limpeza, o próximo passo será ixar a fo-
círculos, também conhecido como “bolômetro”, lha de desenho na mesa ou prancheta, tomando o
que auxilia no desenho de círculos pequenos com cuidado para alinhá-la com a régua paralela ou com
diâmetro conhecido, expresso em milímetros. Yee a borda da mesa, no caso da régua T. No primeiro
(2014) indica que, ao utilizar um gabarito, se deve caso, posicione a folha de forma que ique aproxima-
manter a lapiseira perpendicular à superfície do damente 2 a 3 cm acima da parte superior da régua
papel, o que possibilita a uniformidade do dese- paralela, para que haja espaço para o manuseio dos
nho. instrumentos. No segundo caso, posicione a folha
Existem outros materiais, que já foram muito próximo à borda esquerda da mesa, para que ique
utilizados enquanto o desenho à mão ainda era pre- mais próxima do cabeçote da régua T, cerca de 5 cm.
dominante no exercício da proissão, tais como as Em ambos os casos, o esquadro pode ser utilizado
canetas em nanquim, o normógrafo, a curva fran- para auxiliar no alinhamento da folha.
cesa, entre outros. Entretanto, a maioria desses ins- De acordo com Bortolucci e Porto (2005, p. 57),
trumentos já não é mais utilizado na elaboração de após alinhar a folha, você deve tomar o cuidado para
desenhos inais em arquitetura ou design de interio- ixá-la na prancheta ou mesa, com o uso de itas ade-
res, em função da utilização do computador para sivas “dispostas no sentido das diagonais do papel”.
este im, não sendo necessários para a execução dos A ita crepe é a mais indicada, uma vez que a ita
exercícios aqui propostos. transparente pode daniicar o papel ao ser retirada.

26
DESIGN

28 30 32 35

25 22 20 18 16 15

6 7 8 9 10 12 14
1 2 3 4 5

Figura 14 - Gabarito de círculos


Fonte: adaptado de O Projetista (on-line).

Figura 15 - Escova para limpeza do desenho


Fonte: Ching (2011, p. 19).

27
DESENHO TÉCNICO

Normas Técnicas e a
Apresentação da Prancha
O desenho é uma forma de comunicação, assim Quanto ao desenho técnico, são inúmeras as normas
como a fala ou a escrita. E, para que seja bem com- que tratam sobre esse assunto. A principal delas é a
preendido, deve fazer uso de símbolos e convenções, NBR 6492 (1994), intitulada “Representação de pro-
conhecidos pelos proissionais ligados ao projeto do jetos de arquitetura”, que “ixa as condições exigíveis
ambiente construído como um todo, como arqui- para representação gráica de projetos de arquitetu-
tetos, designers ou engenheiros. Ou seja, para que ra, visando a sua boa compreensão”. No entanto te-
o projeto seja executado de forma adequada, todos mos muitas outras, conforme a lista que segue2:
devem falar a mesma língua. 2
A listagem apresenta as principais normas de desenho técnico, elaboradas
pelo Comitê Brasileiro de Máquinas e Equipamentos Mecânicos e, as-
Nesse sentido, a Associação Brasileira de Nor- sim, mais voltadas ao desenho técnico mecânico. A NBR 6492 (1994) foi
elaborada pelo Comitê Brasileiro de Construção Civil e, portanto, reúne
mas Técnicas – ABNT tem a função de deinir re- uma série de informações referentes ao desenho de ediicações, inclusive
comendações e padronizar uma série de procedi- abordando alguns dos assuntos tratados nas demais normas citadas. Su-
gerimos que o(a) aluno(a) sempre consulte as normas em conjunto com
mentos das mais diversas áreas do conhecimento. a NBR 6492 (1994).

28
DESIGN

REFLITA

Seja um desenho feito à mão ou desenvolvido com o auxílio de um computador, os padrões e as


avaliações que se aplicam à comunicação efetiva das ideias em projetos da arquitetura continuam os
mesmos (Ching).

SAIBA MAIS

O conteúdo das normas técnicas é deinido com a participação e representação de vários setores da
sociedade, como associações, entidades, universidades, empresas, entre outros. O projeto de uma
norma é sempre “submetido à Consulta Nacional pela ABNT, com ampla divulgação, dando assim
oportunidade a todas as partes interessadas para examiná-lo e emitir suas considerações. [...] Nesta
etapa, qualquer pessoa ou entidade pode enviar comentários e sugestões ou então recomendar a
sua desaprovação. As sugestões aceitas são consolidadas no Projeto de Norma, que é homologado e
publicado pela ABNT como Norma Brasileira, recebendo a sigla ABNT NBR e seu respectivo número”.

Fonte: adaptado de Normalização… (on-line).1.

• NBR 10067 (1995): princípios gerais de re- • NBR 10582/1988: apresentação da folha para
presentação em desenho técnico. desenho técnico.
• NBR 10068/1987: folha de desenho: leiaute e • NBR 13142/1999: desenho técnico – dobra-
dimensões – padronização. mento de cópia.
• NBR 8402/1994: execução de caracteres para • NBR 8196/1999: desenho técnico – emprego
escrita em desenhos técnicos – procedimento. de escalas.
• NBR 8403/1984: aplicação de linhas em de- • NBR 12298/1995: representação de área de
senhos – tipos de linhas – largura das linhas corte por meio de hachuras em desenho téc-
– procedimento. nico.
• NBR 10647/1989: desenho técnico – deine • NBR 10126/1987: cotagem em desenho téc-
os termos empregados em desenho técnico. nico.

29
DESENHO TÉCNICO

ESCRITA TÉCNICA

Segundo Vizioli et al. (2009, p. 14), a representação Na escrita técnica manual, deve-se tomar o cui-
de letras e números “faz parte da boa apresentação dado para que os textos sejam legíveis, uniformes e
do projeto”. Ao longo da proissão, o designer de in- regulares. Para que isso seja possível, é necessário
teriores trabalhará com o auxílio de sistemas com- que você faça o uso de linhas auxiliares horizontais,
putacionais, no entanto o bom senso com relação a im de garantir que as letras e números tenham a
ao tipo de letra a ser utilizado e ao tamanho dessa é mesma altura. Essas linhas de apoio devem ser i-
muito importante para o bom entendimento do pro- nas e leves, quase não aparentes, para que não seja
jeto. Além do mais, ao longo da vida proissional, necessário apagá-las posteriormente. É importante
uma letra bem apresentável é sempre bem-vinda e salientar que os textos nunca devem se apoiar nas
vista com bons olhos, especialmente pelo cliente. linhas do desenho, do carimbo ou das margens.
Para Bortolucci e Porto (2005, p. 66), a coloca- Quanto ao tipo dos caracteres, a NBR 6492
ção de textos em uma prancha de desenho exige co- (1994) recomenda que as letras sejam “sempre mai-
nhecimentos básicos da escrita técnica, assim como úsculas e não inclinadas”, do tipo bastão (sem seri-
“alguma habilidade e experiência do desenhista”, in- fas). A norma indica que no desenho à mão as letras
dependentemente se o desenho será realizado à mão tenham 3 mm ou 5 mm, e que o espaço das entreli-
ou no computador. Essa tarefa implica em decidir nhas seja igual ou superior a 2 mm. Já no desenho
o tamanho mais adequado das letras e algarismos e realizado em computador, são recomendadas quatro
a melhor disposição dos textos com relação aos de- alturas distintas, com espessuras de linhas diferen-
senhos na folha, de forma ordenada, legível e que tes3. No caso das atividades aqui sugeridas, adotare-
possibilite uma boa compreensão de todas as infor- mos as alturas do desenho à mão, sendo que os tex-
mações. Para isso, é necessário que os textos sejam tos menores, com 3 mm, serão representados com
organizados de acordo com uma hierarquia visual: linha ina, e os maiores com linha média ou grossa.
títulos com letras maiores, tópicos menos importan- Com a prática, você terá mais controle e preci-
tes com letras medianas, textos em geral com letras são dos traços, de forma que as letras e algarismos
pequenas e assim por diante. Cabe ressaltar, porém, tenham proporções e espaçamentos semelhantes,
que o texto nunca deve competir com o desenho. até o momento em que as linhas auxiliares não serão
Segundo Yee (2014, p. 25), “uma vez que o objetivo mais necessárias. Segundo Yee (2014, p. 28), “uma
principal de um desenho arquitetônico é a represen- boa escrita arquitetônica reside na arte de dominar
tação gráica de um objeto, qualquer escrita deve ser os movimentos básicos: horizontais, verticais, incli-
suicientemente pequena para não competir com a nados e curvilíneos”.
parte gráica”.

3
Para a escrita técnica com o uso de instrumentos, a norma ainda traz como
referência o número das réguas antigamente utilizadas, conhecidas como
normógrafos, com algarismos, letras maiúsculas e minúsculas vazadas,
para direcionar a escrita.

30
DESENHO TÉCNICO

FORMATOS, MARGENS E DOBRAS DO


PAPEL

Os formatos do papel são indicados na NBR 10068 mensões, de preferência com a utilização de for-
(1987), que adota como padrão a série “A”, com di- matos menores, que permitam melhor manuseio,
mensões em milímetros. Essa série tem como base não somente durante a elaboração dos desenhos,
a folha A0, com formato retangular de 1 m² de su- mas também na utilização desses no local de exe-
perfície, com lados medindo 841 mm x 1189 mm. cução do projeto. De acordo com a norma, caso
Os demais formatos são menores: o tamanho da fo- seja necessário utilizar papéis com formatos distin-
lha A1 equivale à metade da folha A0, a folha A2 é tos dos padrões da série A, recomenda-se adotar
correspondente à metade do formato A1, a folha A3 folhas com dimensões correspondentes a múlti-
equivale à metade da folha A2 e assim por diante. plos do padrão. Por exemplo, pode-se adotar uma
Dentro do possível, é recomendado que todas folha com a mesma altura da folha A3, porém com
as pranchas de um projeto tenham as mesmas di- maior comprimento.

A1
594 x 841

A0
841 x 1189 A3
A2
297 x 420

420 x 594
A4
210 x 297

Figura 18 - Formatos de papel – Série A


Fonte: os autores.

32
DESIGN

A NBR 10068 (1987) também deine o tamanho Quando for necessário, as folhas devem ser dobra-
das margens, que diferem de acordo com o formato das considerando as dimensões do formato A4. As
do papel. A margem esquerda sempre é maior, com dobras devem ser realizadas de forma que a mar-
25 mm, para que seja possível sua ixação em pastas gem esquerda ique livre para a ixação da folha em
ou arquivos, e as demais (margem direita, superior e pastas ou arquivos e que as informações básicas do
inferior) devem ter 10 mm ou 7 mm, de acordo com carimbo estejam visíveis. A NBR 6492 (1994) tam-
o Quadro 2. bém recomenda indicar as posições das dobras nas
margens, para facilitar o dobramento.
Dimensões Margem
Formato
(mm) (mm)
Esquerda Demais
A0 841 x 1189 25 10 A3
297 x 420
A1 594 x 841 25 10

dobra

dobra
A2 420 x 594 25 7

297
A3 297 x 420 25 7
A4 210 x 297 25 7

Quadro 2 - Formatos da série “A” e respectivas margens


Fonte: NBR 10068 (1987). LEGENDA

No caso das atividades a serem desenvolvidas neste


130 105 185
módulo, adotaremos a folha formato A3 em função
da facilidade de manuseio e transporte.

420
7

A3
297

277
7

25 385 7

Figura 19 - Folha formato A3 Figura 20 - Dobramento da folha A3


Fonte: os autores. Fonte: os autores.

33
DESENHO TÉCNICO

Linhas de Representação,
Escalas e Cotas
Um aspecto muito importante de ser observado no dos elementos seccionados com relação aos elemen-
desenho técnico é a variação de tipos e espessuras de tos em vista ou representar de forma clara quais
linhas, com o intuito de facilitar a leitura e entendi- elementos estão em projeção. No desenho manual,
mento do projeto, independentemente se o desenho essas variações são possíveis por meio da correta
é realizado à mão ou por meio da computação grá- utilização de lapiseiras com espessuras distintas.
ica. As linhas podem ter espessuras distintas, mas A seguir, serão apresentadas algumas recomen-
também diferentes conigurações – contínuas, tra- dações para aplicação dos diferentes tipos de linhas,
cejadas, entre outros –, de forma que os elementos de acordo com a NBR 6492 (1994), mas também
do projeto sejam representados de acordo com sua com base em publicações mais recentes a respeito
natureza. Por exemplo, deve-se fazer clara distinção do tema4:

T (2010); Y (2014); V et al. (2009).


4

36
DESIGN

Por im, sejam inas ou grossas, contínuas ou não, as li- 1/250; 1/500. Na prática do desenho à mão, o escalí-
nhas devem ser uniformes. No desenho das linhas con- metro6 nos permite utilizar todas essas escalas, além da
tínuas, deve-se tomar o cuidado para que o traço não escala 1/125, sem a necessidade de fazer cálculos7.
tenha “emendas” e, nas linhas tracejadas ou com traço 1:5 1:75 1:10 1:125* 1:2 1:25
e ponto, os traços devem ter tamanhos e espaçamen- 1:50 1:100 1:20 1:250
tos regulares. O encontro das linhas também merece 1:500 1:200
atenção: deve-se evitar “cantos que não se interceptam”,
Quadro 3 - Escalas mais usuais na representação de desenhos arquite-
bem como superposições exageradas, de forma que as tônicos
linhas apenas se toquem nas extremidades. Fonte: adaptado de NBR 6492 (1994).
* A escala 1:125 é a única que não é recomendada pela norma técnica,
porém é utilizada no dia a dia da proissão.
ESCALAS E DIMENSIONAMENTOS
As escalas podem ser numéricas – naturais, de redu-
De acordo com Bortolucci e Porto (2005, p. 68), “a ção ou ampliação – ou gráicas:
necessidade de usar escalas no desenho técnico exis-
te porque, na maioria dos casos, não é possível dese- ESCALA NATURAL
nhar os objetos no seu tamanho natural”. Por exem-
plo, quando vamos desenhar uma casa, precisamos Quando a escala é natural, signiica que as dimen-
representá-la com tamanho reduzido, para que seja sões do desenho são iguais às dimensões reais do
possível fazê-lo em uma folha de papel. Da mesma objeto, ou seja, não há redução ou ampliação. Essa
forma, ao desenharmos os detalhes de um relógio, escala é representada como 1:1 ou 1/1.
devemos representá-lo com dimensões ampliadas,
sempre de forma proporcional. Portanto a escala
nada mais é do que a relação entre as dimensões do
desenho e o tamanho real do objeto.
Como saber, porém, qual é a escala mais adequa-
da? Isso irá depender do tamanho do objeto a ser re- Figura 25 - Escala natural
presentado, das dimensões da folha de papel adotada, Fonte: os autores.

mas também do nível de detalhamento desejado na


Desde que seja utilizado o escalímetro n° 1, do tipo triplo decímetro.
6
apresentação dos desenhos. Quanto maior for a escala Para Montenegro (2001), o uso do escalímetro é “perfeitamente dispensá-
7

de um desenho, mais detalhes e informações ele deve vel”, pois “vicia o desenhista, que acaba por perder o hábito de passar as
medidas ou cotas de uma escala para outra”. Essa ferramenta faz com que
conter. De acordo com a NBR 6492 (1994), as escalas o desenho em diferentes escalas seja facilitado, porém é sempre importan-
te entender a relação de uma escala para outra, o que auxilia até mesmo
mais usuais na representação de ambientes construídos na utilização e coniguração de desenhos desenvolvidos na computação
são: 1/2; 1/5; 1/10; 1/20; 1/25; 1/50; 1/75; 1/100; 1/200; gráica.

41
DESENHO TÉCNICO

ESCALA DE REDUÇÃO ESCALA GRÁFICA

As escalas numéricas de redução são as mais utilizadas Segundo Montenegro (2001, 32), “a escala gráica é a
por proissionais ligados ao projeto do ambiente cons- representação da escala numérica”. Trata-se de uma
truído, como arquitetos, engenheiros ou designers de espécie de régua, em que são indicadas algumas uni-
interiores. Nesse caso, as dimensões do desenho são dades para leitura ou medição do projeto, sempre
menores do que as do objeto real e, portanto, são re- com a mesma escala do desenho. Por exemplo, se um
presentadas da seguinte forma: 1:2, 1:5, 1:10, 1:20, desenho original for reduzido para uma escala não
1:25, 1:50, entre outras. Por exemplo, quando utiliza- conhecida, a escala gráica deve ser reduzida da mes-
mos a escala de redução 1:10, signiica que cada 1 cm ma forma, de modo que possibilite tirar quaisquer
do desenho equivale a 10 cm do objeto real, ou seja, dúvidas de dimensões especíicas não informadas.
o desenho será 10 vezes menor do que o objeto real.
0 1 2 5

ESCALA GRÁFICA
Figura 28 - A escala gráica deve ter a mesma escala do desenho

Figura 26 - Escala de redução Fonte: os autores.


Fonte: os autores.

ESCALA DE AMPLIAÇÃO Ao utilizar o escalímetro, você deverá ter atenção


na correta leitura das medidas, já que cada escala é
A escala numérica de ampliação é muito utilizada representada nesse instrumento com intervalos dis-
para a representação de objetos com pequenos deta- tintos. Por exemplo, na escala 1:75, as menores mar-
lhes, como relógios, jóias, entre outros. Nesse caso, as cações geralmente têm intervalos de 5 unidades, en-
dimensões do desenho são maiores do que as do obje- quanto, na escala 1:25, as menores graduações têm
to real e, portanto, são representadas da seguinte for- intervalos de duas unidades. Os exemplos a seguir
ma: 2:1, 5:1, 10:1, entre outras. Por exemplo, quando foram ampliados com relação ao tamanho real da
utilizamos a escala de ampliação 5:1, signiica que o escala métrica para facilitar a leitura das subdivisões:
desenho é 5 vezes maior do que o objeto real, ou seja,
cada 5 cm do desenho representam 1 cm do objeto.
1m
5 cm

Figura 27: Escala de ampliação Figura 29 - Leitura do escalímetro na escala 1:75


Fonte: os autores. Fonte: os autores.

42
DESIGN

1m Por im, é importante ressaltar que a escolha da esca-


6 cm la a ser utilizada também está atrelada ao tamanho da
folha adotada, especialmente no desenho à mão. Po-
de-se escolher a escala e depois deinir o formato de
papel padrão ou vice e versa, desde que a escala per-
mita o claro entendimento de todos os detalhes repre-
sentados. Segundo Bortolucci e Porto (2005, p. 63), no
Figura 30 - Leitura do escalímetro na escala 1:25
Fonte: os autores. desenho feito por meio da computação gráica, “esta
preocupação inicial é desnecessária, visto que os pro-
gramas de CAD permitem a execução dos desenhos
Além dos exemplos apresentados, as escalas 1:2, 1:5, sem a deinição prévia da escala”, informação exigida
1:10, 1:200 ou 1:500 também podem ser represen- somente no momento em que o trabalho será impres-
tadas com a utilização do mesmo escalímetro, entre so. No entanto isso não dispensa o planejamento sem-
muitas outras possibilidades. Por exemplo, no caso da pre necessário, considerando o tamanho dos desenhos
escala 100, 1 cm pode representar 0,1, 1, 10, 100 ou até na prancha, o espaço entre eles e as margens, o tama-
1.000 metros (YEE, 2014). Veja os exemplos a seguir: nho dos textos e cotas ou a hierarquia de linhas.

COTAGEM
7,5 m (escala 1:100)
0,75 m (escala 1:10)
De acordo com Bortolucci (2005, 149), “as cotas são
informações numéricas colocadas no desenho e cor-
respondem às dimensões reais do objeto represen-
tado”, independentemente da escala utilizada. Essas
Figura 31 - A medida representa 7,50 metros na escala 1:100 e 0,75 me-
tros na escala 1:10 têm a função de informar todas as medidas neces-
Fonte: os autores. sárias para que um objeto seja construído, sem que
haja a necessidade de recorrer ao escalímetro. Seja
no desenho à mão ou no computador, você deve ter
12 m (escala 1:200)
1,20 m (escala 1:20)
conhecimento das regras básicas de cotagem.
A NBR 6492 (1994) traz algumas recomen-
dações para a cotagem de projetos de arquitetura.
Primeiramente, os desenhos devem ser cotados em
Figura 32 - A medida representa 1,20 metros na es cala 1:20, e 12,00
metros na escala 1:200 metros (m) para as dimensões iguais e superiores
Fonte: os autores. a 1 metro e em centímetros (cm) para as medidas
inferiores a 1 metro. Caso seja necessário indicar a
terceira casa decimal – os milímetros (mm) –, deve-
mos apresentá-la como expoente, conforme o exem-
plo da Figura 33.

43
DESENHO TÉCNICO

Figura 33 - Exemplo de cotagem, com medidas em metros, centímetros e milímetros


Fonte: NBR 6492 (1994).

tura, sempre com linha ina, com distancia-


A norma ainda recomenda uma série de cuidados,
mento acerca de 1,5 mm da linha de cota (os
representados na igura a seguir. números nunca devem se apoiar nas linhas de
• Dentro do possível, as linhas de cota devem cota).
estar sempre fora do desenho. Em projetos • De preferência, o valor numérico da cota
mais complexos, nem sempre isso é possível, deve estar centralizado, com exceção da co-
porém deve-se tomar o cuidado para que as tagem de pequenas dimensões, em que pode-
cotas internas não prejudiquem o entendi- mos representar o número ao lado ou acima,
mento do desenho. indicando com uma linha qual medida está
• As linhas de chamada não podem encostar sendo cotada.
no desenho, de forma que haja um espaça- • O(A) aluno(a) deve evitar ao máximo a du-
mento de aproximadamente 2 mm a 3 mm plicação de cotas, representando apenas as
do ponto dimensionado. informações necessárias para o entendimen-
• Os números das cotas devem ter 3 mm de al- to do desenho.

Figura 34 - Recomendações para o desenho das cotas


Fonte: adaptado de NBR 6492 (1994).

44
DESIGN

Observe que, nos exemplos dados, sempre há uma a primeira cota e de 6 ou 7 mm a partir da segun-
marcação dos limites da cota por meio de um pe- da linha de cota, independentemente da escala uti-
queno traço com inclinação de 45°. Outra forma de lizada. É importante ressaltar que as cotas parciais
destacar esse limite é com a utilização de um pe- devem ser sempre representadas mais próximas do
queno círculo preenchido. Tamashiro (2010, p. 185) desenho e, em seguida, as cotas totais, de forma que
ressalta que essas marcações devem ter tamanho su- a linha de chamada ique contínua. O cruzamento
iciente para indicar “claramente os limites de uma das linhas de cota deve ser evitado.
cota”, mas também não podem ser demasiadamente Bortolucci (2005, p. 150) indica que o texto deve
grandes, de forma que não interiram no entendi- ser colocado sempre “sobre a linha de cota, sem tocá-
mento do desenho. O autor alerta que as setas não la”, respeitando o sentido de leitura da folha, ou seja,
são recomendadas para o desenho de projetos do da esquerda para a direita na horizontal e de cima para
ambiente construído, mas sim para o desenho técni- baixo na vertical. Quando for necessário, é possível
co mecânico. Além da marcação, note que as linhas descentralizar os algarismos da cota, para a esquerda
de chamada e as linhas de cota sempre se cruzam, ou direita, a im de permitir melhor visualização de al-
com um prolongamento de cerca de 2 mm. gum elemento do desenho. Para a cotagem de círculos
Quanto ao espaçamento entre a linha de cota e o ou desenhos curvilíneos, utilizamos o símbolo ø para
desenho, esse pode ser em torno de 10 a 15 mm para indicar o diâmetro, ou a letra R para o raio.

0,46
0,56
0,76

0,10
0,20

0,20

0,20 0,26 0,20


ESC: 1:10 0,66
0 0,2 0,5 1,0

Figura 35 - Exemplo de um objeto cotado, mostrando cotas parciais e totais


Fonte: os autores.1
1
Desenho elaborado pela aluna Jaqueline Aparecida de Jesus Saganski (2016), do 1º ano do curso presencial de Arquitetura e Urbanismo do Unicesumar.

45
DESENHO TÉCNICO

Considerações Finais
Caro(a) aluno(a), nesta unidade, vimos alguns dos desenho. Caberá ao futuro proissional designer de
conceitos e regras básicas do desenho técnico volta- interiores aplicar os conceitos e regras básicas aqui
do à representação do ambiente construído. Todas apresentadas, porém imprimindo sua própria iden-
as informações aqui apresentadas serão aplicadas tidade visual, de forma que o conjunto de desenhos
nas próximas unidades, na representação gráica de e a organização da prancha como um todo tenham
plantas, vistas ou cortes, sempre com a utilização relação com os princípios mais importantes para
dos instrumentos e materiais de desenho. o proissional, aqueles aplicados em seus próprios
Vimos que as regras se aplicam ao desenho téc- projetos.
nico arquitetônico como um todo, seja aquele ela- Aluno(a), com a prática, você irá identiicará os
borado à mão ou executado no computador. Inde- próprios erros e desenvolver maior senso crítico na
pendentemente do método utilizado, a hierarquia de avaliação de seus próprios desenhos. O desenho, as-
linhas é de extrema importância para o melhor en- sim como qualquer outra atividade que se proponha
tendimento do projeto, de forma que os elementos a fazer, deve ser praticado periodicamente, o que irá
seccionados ou mais próximos da visão do obser- lhe render melhores resultados com o tempo. Vale
vador se destaquem com relação ao conjunto repre- lembrar que não se trata somente de praticar a téc-
sentado. Os diferentes tipos de linhas também têm nica, mas esse exercício também lhe permite evoluir
grande importância, e, nas próximas unidades, você habilidades relacionadas à percepção visual, ao ra-
verá como aplicar cada uma delas: linhas grossas, i- ciocínio de dimensões e relações espaciais.
nas, contínuas, tracejadas, entre outras. O próximo passo será entender a planiicação
Entender a relação entre as diferentes escalas de objetos tridimensionais em uma folha de papel,
também auxilia no planejamento das pranchas de a im de treinar a visão espacial. Vamos em frente!

46
atividades de estudo

1. Copie o texto a seguir utilizando a caligraia técnica. Todas as letras devem ser maiúsculas,
não inclinadas, com alturas de 5,0 mm (título) e 3,0 mm (texto). Trace linhas auxiliares e
procure fazer com que todos os caracteres tenham proporções semelhantes.
SÍMBOLOS GRÁFICOS
OS SÍMBOLOS GRÁFICOS BASEIAM-SE EM CONVENÇÕES PARA TRANSMITIR
INFORMAÇÕES. PARA SEREM FACILMENTE RECONHECÍVEIS E LEGÍVEIS, MAN-
TENHA-OS SIMPLES E CLAROS – SEM DETALHES IRRELEVANTES E FLOREIOS ES-
TILÍSTICOS. AO RESSALTAR A CLAREZA E A LEGIBILIDADE DE UMA APRESEN-
TAÇÃO, ESTAS FERRAMENTAS TAMBÉM SE TORNAM ELEMENTOS IMPORTANTES
NA COMPOSIÇÃO GERAL DO DESENHO OU DA APRESENTAÇÃO (CHING, 2011, P.
210).
2. Em uma folha formato A3, desenhe as margens conforme as indicações da norma técnica, ou
seja, com 25 mm no lado esquerdo e 7 mm na margem direita, superior e inferior.
Para ins de aprendizagem, adotaremos um carimbo simpliicado, com dimensões totais de
178 mm x 40 mm, que deve ser preenchido com letras e algarismos técnicos. O primeiro
carimbo será utilizado para a terceira atividade de estudo (tópico 3), referente à prática dos
tipos e espessuras de linhas. Observe que o carimbo deve icar encostado nas margens infe-
rior e lateral direita.
Lembre-se de limpar a prancheta, a régua paralela e os instrumentos de desenho antes de
começar. Siga as dimensões e indicações apresentadas na igura a seguir:

178 margem 7
borda da folha!
NOME:
NOME COMPLETO DO ALUNO
10 10 10

MÓDULO: FOLHA
DESENHO TÉCNICO
40

CONTEÚDO:
TIPOS E ESPESSURAS DE LINHAS
DATA: ESCALA:
21/03/2016 1:100
7 10

borda da folha!
74 74 30
Fonte: os autores.

48
atividades de estudo

3. Neste exercício, vamos treinar a utilização dos esquadros e do compasso, os tipos e espessu-
ras distintas das linhas, bem como o planejamento da prancha de desenho. Primeiramente,
desenhe as margens e o carimbo, conforme instruções do tópico 2 – você poderá utilizar a
folha da atividade anterior, em que as margens e o carimbo já estão prontos.
Desenhe as iguras a seguir com o auxílio dos instrumentos de desenho – não faça nenhuma
linha à mão livre. Primeiramente, desenhe o contorno das duas iguras, tomando o cuidado
para centralizá-las na folha, de forma que iquem alinhadas. A princípio, construa todo o
desenho com a ajuda de linhas auxiliares, com a lapiseira 0.3 mm, pois os erros poderão ser
corrigidos sem marcar a folha. Por último, trace as linhas médias e grossas sobre as linhas
auxiliares. Lembre-se que, quanto maior o contraste entre as linhas, melhor será o entendi-
mento do desenho.
a. Desenhe a igura a seguir utilizando o esquadro de 30° e 60°. Utilize a lapiseira 0.3 mm para
os traços inos; a lapiseira 0.5 mm para os traços medianos; e a lapiseira 0.7 mm para traçar
as linhas grossas. Para desenhar as linhas perpendiculares (90°), utilize o ângulo de 60° ou o
jogo de esquadros.

LINHA FINA

LINHA GROSSA
90º
5
5
7,00

LINHA MÉDIA

LINHA FINA

1,50 1,50 1,50 1,50 1,50 1,50 1,50


10,50

Tipos e espessuras de linhas


Fonte: os autores.

49
atividades de estudo

b. Desenhe a igura a seguir utilizando o esquadro de 45°. Observe as espessuras das linhas.

1,00
2,00 LINHA FINA

LINHA GROSSA
7,00
2,00

LINHA MÉDIA
2,00

LINHA FINA

2,00 2,00 2,00 2,00 2,00 2,00


10,50
Tipos e espessuras de linhas
Fonte: os autores.

4. Desenhe uma linha para cada medida indicada, com o auxílio da régua paralela e do escalí-
metro, com as seguintes escalas:
a. Represente 3,32 metros na escala 1:25.
b. Represente 4,58 metros na escala 1:50.
5. Como parte de um projeto de interiores para uma residência, um proissional precisou deta-
lhar um móvel que seria produzido sob medida para seu cliente. O desenho foi realizado na
escala 1:20 e, portanto, foi representado com 20,75 cm de comprimento no total. Consideran-
do a escala informada, qual é a dimensão real desse móvel?
a. 1,04 metros.
b. 4,15 metros.
c. 2,75 metros.
d. 10,37 metros.
6. Esta atividade tem como objetivo resumirmos todo o conteúdo dado ao longo desta unidade,
incluindo a prática da cotagem de projetos. Sendo assim, desenhe os dois objetos que seguem
nas escalas indicadas e indique as cotas parciais e totais de todos eles. Logo abaixo de cada
desenho, indique a escala utilizada, bem como a escala gráica. Lembre-se de planejar os de-
senhos na prancha, tomando o cuidado para alinhá-los e centralizá-los na folha. O carimbo
e as margens são sempre necessários, especialmente para o arquivamento e identiicação das
atividades propostas.

50
atividades de estudo

a. Desenhe o objeto a seguir na escala 1:50:

5,70
1,90 1,90 1,90

1,75
1,75
5,25
1,75

Escalas e cotas
Fonte: os autores.

b. Desenhe o objeto a seguir na escala 1:200:

2,45
2,45

5,00
R=5

12,45
,00
10,00

5,00
5,00

2,45 10,00 2,45 10,00 2,45


27,35
Escalas e cotas
Fonte: os autores.

51
referências

ABNT NBR 10068. Folha de desenho: leiaute e dimensões. Rio de Janeiro, 1987.
ABNT NBR 6492. Representação de projetos de arquitetura. Rio de Janeiro, 1994.
BORTOLUCCI, M. A. P. C. S. et al. Desenho: Teoria & Prática. São Carlos: SAP/EESC-USP,
2005.
BORTOLUCCI, M. A. P. C. S.; PORTO, M. V. Material e Instrumentos. In: BORTOLUCCI, M.
A. P. C. S. et al. Desenho: Teoria & Prática. São Carlos: SAP/EESC-USP, 2005.
CHING, F. D. K. Representação gráica em arquitetura. Porto Alegre: Bookman, 2011.
MONTENEGRO, G. A. Desenho Arquitetônico. São Paulo: Blucher, 2001.
PORTO, M. V. Relexões sobre o desenhar. In: BORTOLUCCI, M. A. P. C. S. et al. Desenho:
Teoria & Prática. São Carlos: SAP/EESC-USP, 2005.
TAMASHIRO, H. A. Entendimento técnico-construtivo e desenho arquitetônico: uma
possibilidade de inovação didática. Tese Doutorado em Arquitetura e Urbanismo. Uni-
versidade de São Paulo – São Carlos, 2010.
VIZIOLI, S. H. T.; MARCELO, V. C. C. et al. Desenho Arquitetônico Básico. São Paulo: Pini,
2009.
YEE, R. Desenho Arquitetônico: um compêndio visual de tipos e métodos. Rio de Janei-
ro: LTC, 2014.

Referências On-Line
1
Em: <http://www.abnt.org.br/normalizacao/o-que-e/o-que-e>. Acesso em: 11 abr.
2016.
2
Em: <http://www.oprojetista.com.br/produto/201_gabarito-circulos-D-1.html>. Aces-
so en: 18 jul. 2016.

53
gabarito

1.
• Fixe a folha na prancheta seguindo as orientações dadas no tópico 1.
• Trace a primeira linha auxiliar com a ajuda da régua paralela.
• Marque a altura das letras com o auxílio do escalímetro e trace a linha auxiliar superior
(utilize a escala 1:100).
• Tome cuidado para que as letras não iquem inclinadas. Caso precise de ajuda, utilize o
esquadro para traçar as retas verticais.
2.
a. Após realizar a limpeza da superfície de trabalho e dos instrumentos e ixar a folha na pran-
cheta, marque o tamanho das margens com o auxílio do escalímetro, utilizando a escala
1:100.
b. Com a lapiseira mais ina (0.3 mm), trace as margens inferior e superior com o auxílio da
régua paralela e as margens esquerda e direita utilizando o esquadro, apoiado na régua
paralela.
c. Marque as dimensões do carimbo com o auxílio do escalímetro e trace todas as linhas do
carimbo, a princípio com a lapiseira mais ina.
d. Ainda com a lapiseira mais ina, trace linhas auxiliares para guiá-lo na escrita técnica (lem-
bre-se que o texto nunca poderá encostar nas margens ou linhas do carimbo).
e. Escreva os textos menores – com altura de 3 mm – utilizando a lapiseira mais ina e os tex-
tos maiores com a lapiseira 0.5 mm, procurando fazer com que todas as letras e números
tenham o mesmo tamanho e proporções (observe no carimbo apresentado como exemplo
que os textos estão todos alinhados!).
f. É preferível que as linhas médias e grossas, referentes ao contorno do carimbo e margens
respectivamente, sejam passadas somente após a elaboração da atividade de estudo 3, a im
de manter a folha mais limpa.
3. Primeiramente, desenhe somente o contorno dos dois desenhos na folha com uma lapiseira
ina, com linhas auxiliares, procurando centralizá-los.

a b

Legenda

54
gabarito

a. No primeiro exercício, comece traçando com o esquadro de 30°. A princípio, trace todas
as linhas com lapiseira ina (0.3 mm), tomando o cuidado para que a linha tracejada tenha
traços com tamanho e espessura uniforme. Lembre-se: o esquadro deve estar apoiado na
régua paralela.

Ponto de partida,
com esquadro
de 30º!

Após terminar o primeiro passo, desenhe as linhas perpendiculares com o jogo de esquadros,
conforme orientações no tópico 1. Para inalizar, trace as linhas médias e grossas.

Utilize o jogo de 90º


esquadros para
traçar as retas
perpendiculares!

55
gabarito

No segundo exercício, comece pelas linhas verticais, sempre com a lapiseira ina (0.3 mm).

Em seguida, trace as linhas inclinadas com o esquadro de 45°, tomando o cuidado com os
encontros das linhas. Trace as linhas grossas somente ao inalizar o desenho.

56
gabarito

4.
a. 3,32 metros na escala 1:25.

b. 4,58 metros na escala 1:50.

5. b) A dimensão real desse móvel é de 4,15 metros. Na escala 1:20, cada centímetro do desenho equivale
a 20 cm do objeto real. Logo, se o desenho possui 20,75 cm, o objeto terá 415 cm ou 4,15 metros (o
objeto será 20 vezes maior do que o desenho).
6. Assim como no exercício 3, comece com o planejamento dos desenhos na folha, procurando centrali-
zá-los. Lembre-se de prever espaço para as cotas, escala gráica e título do desenho!
Sugerimos que você desenhe os objetos primeiramente em um rascunho, a im de identiicar suas
dimensões inais na escala correta. Desenhe, então, na folha deinitiva com a lapiseira ina (0.3 mm),
tomando cuidado com a leitura do escalímetro.

57
INTRODUÇÃO

Olá, caro(a) aluno(a)! Seja bem-vindo(a) a mais uma unidade do nosso


livro de Desenho Técnico.
A inalidade do Desenho Técnico é facilitar a comunicação entre o pro-
jetista e o executor. Descreve os sistemas formais para representar objetos e
espaços tridimencionais, que constituem a linguagem do desenho no pro-
jeto.
Nesta unidade, vamos compreender os métodos mais utilizados na re-
presentação de objetos tridimensionais em planos bidimensionais. Vamos
conhecer os diferentes tipos de projeções e de perspectivas, enfocando es-
pecialmente a Projeção Ortogonal e a Perspectiva Isométrica, métodos con-
sagrados e mais utilizados.
Começaremos com um breve histórico da representação Gráica. Ve-
remos como a Revolução Industrial trouxe o conceito da padronização dos
processos produtivos e dos produtos, tornando necessária a deinição de
uma linguagem projetual igualmente padronizada. Lacuna que foi ocupada
pelo matemático francês Gaspard Monge, criador da geometria descritiva.
Dentro do estudo da Projeção Ortogonal, veremos sua deinição e seus
elementos. Conheceremos o método, que se baseia na projeção das diversas
faces de um objeto sobre planos perpendiculares. Veremos também os tipos
de planos de projeção e de vistas ortogonais.
Deiniremos ainda a Perspectiva Isométrica e seus métodos de constru-
ção. A perspectiva isométrica é um dos métodos de perspectiva mais utili-
zado devido ao seu traçado simples e por seu resultado ser o mais parecido
com a percepção do olho humano.
Hoje, em tempos de sotwares que representam objetos, ambientes e
até cidades em 3D, não damos tanta importância às representações gráicas
feitas à mão, já que elas já vêm embutidas, calculadas e representadas au-
tomaticamente. No entanto, para a criação desses programas, que facilitam
tanto nossa vida, foi preciso um início de muito estudo e experimentação.
Vamos ao trabalho? Desejo que o estudo desta unidade seja instigante
e muito proveitoso.
DESENHO TÉCNICO

Ilustração: Marcio Francisco Lopes - 2016

Breve Histórico da
Geometria Descritiva
No início do século XVII, com o advento da Revolu- O responsável por suprir essa demanda foi o
ção Industrial, a produção deixou de ser artesanal e matemático francês Gaspard Monge (1746 a 1818).
passou a ser padronizada em grandes quantidades. O Monge partiu das técnicas de representação gráica
trabalho manual deu lugar às máquinas. Essa trans- usadas pelos egípcios, que representavam apenas a
formação dos meios de produção trouxe a necessida- planta, a elevação e o peril. O método de Monge
de de uma representação gráica deinida e precisa, utiliza dois Planos de projeção perpendiculares en-
que proporcionasse a padronização dos produtos, tre si (plano horizontal e plano vertical) e ilimitados
além de uma forma universal de interpretação dos nos quais são feitas as projeções das iguras que se
projetos (MARQUES; CHISTÉ, 2015, on-line). quer representar em duas dimensões.

62
DESENHO TÉCNICO

Deinição e Tipos
de Projeção
Projetar signiica representar um objeto graicamen-
te em um plano. A projeção é formada pelos pontos TIPOS DE PROJEÇÃO
de interseção dos raios projetantes, que tangenciam
o objeto a se representar, com uma superfície plana, De acordo com a posição do centro projetivo em
chamada plano projetivo (RABELLO, 2005, on-line). relação ao plano de projeção, as projeções se classi-
icam em:
ELEMENTOS DA PROJEÇÃO • Cônicas - quando o centro projetivo está a
uma distância inita do plano de projeção e os
raios projetantes são divergentes (Figura 2).

+
(P) • Cilíndricas - quando o centro projetivo está
a uma distância ininita do plano de projeção
e os raios projetantes são paralelos (Figura 3).

(A) (C)
(B)

A C

(α) B

P: Centro de projeção.
Retas PA, PB e PC: raios projetantes. Figura 3 - Exemplo de projeção cônica

Triângulo (A), (B), (C): objeto. Fonte: os autores1.

Triângulo A, B, C: projeção do objeto.


: plano de projeção.
Figura 2 - Elementos da projeção
Fonte: Miceli e Ferreira (2010, p. 21). Cedido por Marcio Francisco Lopes (2016).
1

64
DESIGN

Figura 4 - Exemplo de projeção cilíndrica


Fonte: os autores1.

Nas projeções cilíndricas, os raios projetantes são


paralelos entre si e, por isso, são também chamadas
de projeções paralelas. As projeções cilíndricas, ou
paralelas, se dividem em Oblíquas e Ortogonais.
(A) (C)

(B)
(A) (C)
(B)

o A
A C
C
(α) B
(α) B

Figura 5 - Exemplo de projeção cilíndrica oblíqua Figura 6 - Exemplo de projeção cilíndrica ortogonal
Fonte: Miceli e Ferreira (2010, p. 22). Fonte: Miceli e Ferreira (2010, p. 22).

1
Cedido por Marcio Francisco Lopes (2016).

65
DESENHO TÉCNICO

Projeção
Ortogonal
Segundo deinição do vocabulário de termos relativos mensional projetando linhas perpendiculares ao
aos métodos de projeção da Associação Brasileira de plano do desenho. Para construirmos uma Projeção
Normas Técnicas (ABNT - NBR ISO 10209-2, 2005), Ortogonal, desenhamos linhas de projeções para-
Projeção Ortogonal é a projeção paralela na qual todas lelas a partir de vários pontos do objeto de modo
a projetantes interceptam o plano de projeção em ângu- que elas incidem perpendicularmente ao plano do
lo reto (ABNT, on-line). É a representação de um obje- desenho. A seguir, conectamos os pontos projetados
to em vistas distintas, mantidas as dimensões, de forma na ordem adequada, para obter vista do objeto ou
que o conjunto da vistas descreve o objeto no todo. da ediicação no plano do desenho referimo-nos à
Segundo Ching (2011, p. 38), a Projeção Orto- imagem resultante no plano do desenho como Vista
gonal representa uma forma ou construção tridi- Ortogonal (CHING; JUROSZEK, 2012, p.136)

66
DESIGN

2º DIEDRO 1º DIEDRO
(π’’)
A’ (A)

(π’)
(π’)

A
L (π)

(π)
3º DIEDRO 4º DIEDRO
Figura 7 - Ilustração para Projeção Ortogonal
Fonte: Miceli e Ferreira (2010, p. 35).

π = plano horizontal.
π’= plano vertical.
Com uma vista ortogonal apenas não é possível des- LT= Linha de Terra.
crever o objeto de forma tridimensional, por isso, (A)= ponto no espaço a ser projetado.
faz-se necessário o emprego de um sistema de dois A= projeção horizontal do ponto (A).
A’= projeção vertical do ponto (A).
planos de projeção perpendiculares entre si, um na
Figura 8 - Ilustração de diedros
posição horizontal e outro na vertical. Método cria-
Fonte: Miceli e Ferreira (2010, p. 23).
do por Gaspard Monge, como vimos no início desta
unidade.
A intersecção entre o plano horizontal e o plano No desenho técnico, utiliza-se apenas o 1º e o 3º
vertical formam uma reta chamada Linha de Terra. diedros. O 1º diedro é também chamado de siste-
Os planos ortogonais formam no espaço 4 porções ma europeu. O 3º diedro é conhecido como sistema
iguais, denominadas Diedros. americano. No Brasil, adota-se o 1º diedro.

67
DESENHO TÉCNICO

ÉPURA PLANO DE PERFIL

Para que os dois planos de projeção sejam represen- Para deinir mais precisamente a localização de um
tados em uma superfície plana, faz-se o rebatimento ponto no espaço emprega-se um terceiro plano per-
de um plano sobre o outro, girando-o 90º sobre a Li- pendicular aos outros dois, o plano de peril. Assim,
nha de Terra. A esse processo de rebatimento dá-se o ponto será deinido por três coordenadas (x, y, z)
o nome de Épura. que correspondem a: abscissa, afastamento e cota.
• Abscissa (x) = é a distância entre o ponto no
espaço e sua projeção no plano de peril.
• Afastamento (y) = é a distância entre o ponto
no espaço e sua projeção no plano vertical.
• Cota (z) = é a distância entre o ponto no es-
paço e sua projeção no plano horizontal.

π'
A' (A) A'
T T
π
A
L
L REBATIMENTO
A
DIEDROS DE DO PLANO
PROJEÇÃO DE PROJEÇÃO

A' A'

L T

PLANOS A A
REBATIDOS ÉPURA
Figura 9 - Exemplos de Épura
Fonte: Miceli e Ferreira (2010, p. 24).

68
DESIGN

Vistas Ortogonais
No desenho técnico, as representações gráicas ob- VISTAS COMPLEMENTARES
tidas por meio da projeção ortogonal do objeto nos
planos de projeção corresponderão as três vistas or- O número de vistas ortogonais necessárias para des-
tográicas principais (MICELI; FERREIRA, 2010, p. crever a forma tridimensional de um objeto vai de-
39): pender de sua complexidade. Um recurso que pode
• Vista Frontal: a projeção do objeto no plano ser aplicado na representação de um objeto muito
vertical. complexo é aumentar para seis o número de vistas.
• Vista Superior: a projeção do objeto no plano Assim, são considerados dois planos em cada posi-
horizontal. ção (MICELI; FERREIRA, 2010, p. 41):
• Vista Lateral Esquerda: a projeção do objeto • Horizontal - abaixo e acima do sólido.
no plano de peril.
• Vertical - atrás e à frente do sólido.
Na Arquitetura, segundo Ching e Juroszek (2012), • De peril - à direita e à esquerda do sólido.
as vistas ortogonais principais recebem os nomes de
planta, elevação e corte. ESCOLHA DAS VISTAS
• Planta: corresponde à vista superior do obje-
to, ou seja, sua projeção no plano horizontal. A deinição de quantas e quais vistas usar na repre-
• Elevação: corresponde à vista frontal do ob- sentação de um objeto deve seguir alguns critérios:
jeto, ou seja, sua projeção no plano vertical. • A vista frontal deve conter a face mais impor-
• Corte: corresponde à vista lateral do objeto, tante do objeto, a que tenha mais detalhes,
ou seja, sua projeção no plano de peril. preferencialmente, a do comprimento.
• Limitar quanto possível o número de vistas.
• Evitar vistas com repetição de detalhes (MI-
CELI; FERREIRA, 2010, p. 41).

INFERIOR SUPERIOR

LATERAL LATERAL LATERAL LATERAL


FRONTAL ESQUERDA POSTERIOR POSTERIOR
ESQUERDA FRONTAL DIREITA
DIREITA

SUPERIOR INFERIOR

Seis vistas no 1º diedro Seis vistas no 3º diedro


Figura 11 - Exemplo de vistas complementares
Fonte: Miceli e Ferreira (2010, p. 41).

69
DESENHO TÉCNICO

Deinição e Tipos
de Perspectiva

70
DESIGN

A palavra perspectiva vem do latim perspicere e sig- PERSPECTIVA AXONOMÉTRICA


niica “ver através de”. A perspectiva representa os OU AXONOMETRIA
objetos como eles aparecem a nossa vista, com três
dimensões. É a representação gráica de um objeto A axonometria é um tipo de projeção cilíndrica
de modo que suas três faces principais sejam visíveis que usa como referência um sistema ortogonal de
em um único plano. três eixos que formam um triedro. O termo axo-
A perspectiva é resultado de uma projeção, sen- nometria vem do grego axon (eixo) e metron (me-
do assim, o centro de projeção é o olho do observa- dida).
dor; as projetantes correspondem aos raios visuais
e a projeção no plano é a perspectiva do desenho A perspectiva axonométrica pode ser:
(MICELI; FERREIRA, 2010, p. 60). • Isométrica.
De acordo com forma com que se projetam so- • Dimétrica.
bre o plano, as perspectivas se dividem em: • Trimétrica.
• Perspectiva cônica ou exata – resulta da pro-
jeção cônica. Observação:
• Perspectiva Cavaleira ou Militar – resulta da As perspectivas mais utilizadas na represen-
projeção cilíndrica oblíqua. tação de desenho técnico são a isométrica e a ca-
• Perspectiva Axonométrica – resulta da proje- valeira.
ção cilíndrica ortogonal.

71
DESENHO TÉCNICO

Perspectiva
Isométrica
Na perspectiva isométrica, o objeto é representado de A posição no papel do eixo OZ é vertical (eixo
tal maneira que permite demonstrar três de suas faces, das alturas) e os eixos OX (eixo dos comprimen-
geralmente a frontal, a lateral esquerda e a superior. tos) e OY (eixo das larguras) formam ângulo de
As faces são montadas sobre três eixos, perpendicula- 30° com a reta horizontal (MICELI; FERREIRA,
res entre si, que servem de suporte para as três dimen- 2010, p. 62).
sões (altura, largura e comprimento) e são colocados A perspectiva isométrica é a mais utilizada
obliquamente em relação ao plano de projeção. por ser simples e de fácil compreensão. Outra
Os três eixos, chamados eixos isométricos, têm vantagem é que ela deforma menos o objeto, por
origem no mesmo ponto e são igualmente inclinados representá-lo em proporções iguais as suas re-
em relação ao plano de projeção, formando entre si ais dimensões. Por isso, vem o termo isométrica
ângulos de 120°. (mesma medida).

Z
12
0 °
12

30° 30°

120° X Y
Figura 12 - Eixos isométricos Figura 13 - Eixos isométricos em relação ao plano
Fonte: Miceli e Ferreira (2010, p. 61). Fonte: Miceli e Ferreira (2010, p. 62).

72
DESIGN

LINHAS ISOMÉTRICAS LINHAS NÃO ISOMÉTRICAS

As linhas paralelas às semirretas que compõem o As linhas não paralelas aos eixos isométricos são li-
eixo isométrico são chamadas de linhas isométricas. nhas não isométricas.
As retas r e s são paralelas ao eixo y, enquanto as A reta v é um exemplo de reta não isométrica
linhas t e u são paralelas aos eixos z e x, respectiva- por não ser paralela a nenhum dos eixos isomé-
mente, logo são linhas isométricas. tricos.

r v
X y
X y
t
u
0 0
s

Z Z

Figura 14 - Exemplo de linhas isométricas Figura 15 - Exemplo de linha não isométrica


Fonte: Souza e Machado (on-line). Fonte: Souza e Machado (on-line).

73
DESENHO TÉCNICO

TRAÇADO DE LINHAS NÃO CONSTRUÇÃO DA PERSPECTIVA


ISOMÉTRICAS
A construção da perspectiva isométrica de um obje-
Para traçar linhas não isométricas deve-se conside- to é feita a partir de um sólido envolvente, cujas di-
rar o sólido envolvente (um retângulo ou quadrado mensões totais (altura, comprimento e largura) são
em que o objeto a ser representado esteja circuns- medidas sobre os três eixos. Sobre esse sólido, são
crito) como elemento auxiliar. Marca-se nas linhas marcados os detalhes do objeto, traçando-se retas
isométricas os pontos extremos das linhas não iso- paralelas aos três eixos.
métricas, unindo-os posteriormente. A representação em perspectiva isométrica pro-
Segundo Miceli e Ferreira, os ângulos, assim voca uma pequena deformação visual. Nas medidas
como as arestas não isométricas não são represen- dos objetos, é aplicado um coeiciente de redução
tados em verdadeira grandeza em perspectiva; para que corresponde a 0,816 do comprimento real. Para
seu traçado utilizamos o mesmo recurso das arestas facilitar a execução do desenho, abandona-se o co-
não isométricas, ou seja, considerar o sólido envol- eiciente de redução, aplicando-se as medidas em
vente como elemento auxiliar. verdadeira grandeza sobre os três eixos. Esse pro-
cedimento tem o nome de desenho isométrico e é
aproximadamente 20% maior do que a perspectiva
isométrica. (MICELI; FERREIRA, 2010, p. 62).

CIRCUNFERÊNCIA EM PERSPECTIVA
ISOMÉTRICA

1 A perspectiva isométrica de uma circunferência é


3
uma elipse. Para traçar a circunferência em pers-
2 pectiva isométrica, deve-se construir um quadrado
isométrico cujos lados tenham a mesma medida do
diâmetro da circunferência a ser perspectivada. Em
seguida, marca-se os pontos médios dos lados do
quadrado. Eles serão os pontos de tangência da elipse.
Os vértices do quadrado isométrico que formam
sua diagonal menor serão os centros dos arcos a se-
rem traçados entre os pontos médios opostos. Esses
serão os arcos maiores da elipse.
Traçando-se retas entre os centros 1 e 2, determi-
nados no passo anterior, e os pontos médios opostos,
Figura 16 - Traçado de linha não isométrica obtêm-se, nas interseções dessas retas, os centros 3 e
Fonte: Miceli e Ferreira (2010, p. 63). 4 dos arcos menores que completam a elipse.

74
DESIGN

A construção de arcos de circunferência segue o


mesmo processo.

Figura 17 - Circunferência em perspectiva isométrica 1º passo


Figura 19 - Circunferência em perspectiva isométrica 3º passo
Fonte: Granato, Santana e Claudino (on-line).
Fonte: Granato, Santana e Claudino (on-line).

SAIBA MAIS

Nas perspectivas não se consegue uma


1 visualização exata porque a representação
parte de um ponto de vista e é lançado
sobre uma superfície plana, enquanto a
2 imagem real é binocular e obtida na super-
fície curva do olho.

Fonte: adaptado de Góes (on-line).2

Figura 18 - Circunferência em perspectiva isométrica 2º passo


Fonte: Granato, Santana e Claudino (on-line).

75
DESENHO TÉCNICO

PAPEL ISOMÉTRICO
REFLITA
Para facilitar o traçado da perspectiva isométrica à
mão livre, podemos utilizar o papel isométrico ou
Se você se colocar atrás de uma janela envi-
grade isométrica. Ele é composto por três conjun- draçada e, sem se mover do lugar, riscar no
tos de linhas paralelas que representam as três di- vidro, o que está “vendo através da janela”
mensões (largura, altura e comprimento), formando terá feito uma perspectiva (Barison).

uma grade de triângulos equiláteros.

Figura 20 - Papel isométrico


Fonte: Souza e Machado (on-line).

76
DESIGN

Considerações Finais
Prezado(a) aluno(a), como vimos nesta unidade de- todo tem a vantagem de representar em verdadeira
dicada ao estudo da Projeção Ortogonal e da Pers- grandeza todas as faces do objeto projetado.
pectiva Isométrica, a Geometria Descritiva surgiu Estudamos, também, a perspectiva isométrica,
para atender a uma demanda da indústria em trans- seus elementos e seus métodos de construção. Vi-
formação no início do século XVII. A Revolução In- mos que, em virtude da simplicidade do seu traçado
dustrial impôs a padronização dos produtos e dos e por ser a forma de perspectiva em que a represen-
métodos de fabricação, fazendo necessária a ado- tação do objeto mais se assemelha à percepção da
ção de uma linguagem gráica padronizada. Pai da vista humana, a perspectiva isométrica é a mais usa-
Geometria descritiva, o matemático francês Edgard da das formas de perspectiva.
Monge desenvolveu um sistema de planos perpen- Conhecemos os eixos isométricos, que são a
diculares, no qual se projetam, ortogonalmente, as base do desenho de objetos em perspectiva isomé-
vistas do objeto a ser representado, a chamada Pro- trica. Vimos que os três eixos, em que se represen-
jeção Ortogonal. tam as três dimensões dos sólidos a serem represen-
Conhecemos, ainda, as deinições e os diferentes tados – a altura, a largura e o comprimento – partem
tipos de projeção e de perspectiva, enfocando em es- de um ponto central em comum e que forma entre
pecial a projeção ortogonal e a perspectiva isométrica. si ângulos de 120º.
Vimos que a projeção ortogonal é a base das Apresentado o conteúdo, ica o incentivo para
representações ortográicas e que o desenho orto- que você, aluno(a), desenvolva os conhecimentos
gráico é deinido por linhas de projeção paralelas aqui abordados, experimentando as muitas possibi-
e perpendiculares aos planos de projeção. Esse mé- lidades da representação gráica.

77
atividades de estudo

1. De acordo com a posição do centro projetivo em relação ao plano, as projeções se classiicam


em:
a. Cilíndrica ou Paralela.
b. Cônica ou Cilíndrica.
c. Ortogonal ou Obliqua.
d. Cavaleira ou Exata.
e. Oblíqua ou Exata.

2. Preencha as lacunas (A, B, C, D e E) com os elementos da projeção.

Fonte: os autores1.

3. Qual a diferença entre desenho isométrico e perspectiva isométrica?

79
atividades de estudo

4. Assinale a alternativa que representa o objeto em perspectiva isométrica.

A B C
Fonte: Souza e Machado (on-line).

a. Somente o dado A está em perspectiva isométrica.


b. Somente o dado B está em perspectiva isométrica.
c. Somente o dado C está em perspectiva isométrica.
d. Os dados A e B estão em perspectiva isométrica.
e. Nenhum dos dados estão em perspectiva isométrica.

5. Conforme as airmativas a seguir, assinale a alternativa correta:


I. A perspectiva isométrica de uma circunferência é uma elipse.
II. A vista frontal corresponde à projeção do objeto no plano vertical.
III. A construção da perspectiva isométrica de um objeto é feita a partir de um sólido envolvente.
IV. A perspectiva cavaleira ou militar resulta da projeção cilíndrica ortogonal.
V. As linhas paralelas aos eixos isométricos são chamadas de linhas isométricas.
Podemos airmar que:
a. Somente as alternativas I e II estão corretas.
b. Somente as alternativas I, II e III estão correta.
c. Somente as alternativas I, II, IV e V estão corretas.
d. Somente as alternativas I, II, III e V estão corretas.
e. Todas as alternativas estão corretas.

80
referências

ABNT. Documentação Técnica de Produto – Vocabulário. Parte 2: Termos Relativos aos Métodos de Pro-
jeção. ABNT NBR ISO 10209-2:2005. Disponível em: <http://www.dca.ufrn.br/~acari/Desenho%20Mecanico/
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BARISON, M. B. Geometria Descritiva. Departamento de Matemática da Universidade Estadual de Londrina.
Disponível em: <http://www.uel.br/cce/mat/geometrica/php/gd_t/gd_3t.php>. Acesso em: 19 jul. 2016.
BARISON, M. B. Perspectivas. Departamento de Matemática da Universidade Estadual de Londrina. Dispo-
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de Expressão Gráica. Disponível em: <http://www.degraf.ufpr.br/docentes/anderson/pdf/GeometriaNoEn-
sino/Perspectivas.pdf>. Acesso em: 19 jul. 2016.
GRANATO, M.; SANTANA, R.; CLAUDINO, R. Perspectiva Isométrica. PUC Goiás. Disponível em: <http://www2.
ucg.br/design/da2/perspectiva.pdf>. Acesso em: 5 jun. 2016.
MARQUES, J. C.; CHISTÉ, P. S. A Aula de Projeção Ortogonal na Disciplina de Desenho Técnico: um exemplo
de atividade realizada nas turmas do curso técnico em Eletrotécnica no IFES. Instituto Federal do Espírito
Santo. Disponível em: <http://ocs.ifes.edu.br/index.php/ECEM/X_ECEM/paper/viewFile/1956/592>. Acesso
em: 5 jun. 2016.
MICELI, M. T.; FERREIRA, P. Desenho Técnico Básico. 4. ed. Rio de Janeiro: Imperial Novo Milênio, 2010.
MONTENEGRO, G. A. Desenho Arquitetônico. 4. ed. São Paulo: Blucher, 2001.
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CRITIVA-B%C3%81SICA-Paulo-S%C3%A9rgio-Brunner-Rabello.pdf>. Acesso em: 15 maio 2016.
SOUZA, P. C.; MACHADO, A. V. Perspectiva Isométrica. Universidade Federal Fluminense. Disponível em:
<http://desenhobasicouf.weebly.com/uploads/7/1/0/5/7105339/slidesaula.pdf>. Acesso em: 19 jul. 2016.

Referências On-Line
1 Em: <http://www.uel.br/cce/mat/geometrica/php/pdf/gd_perspectivas.pdf>. Acesso em: 19 jul. 2016.
2 Em: <http://www.degraf.ufpr.br/docentes/anderson/pdf/GeometriaNoEnsino/Perspectivas.pdf>. Acesso
em: 19 jul. 2016.

82
gabarito

1. B.
A. Centro de Projeção.
B. Objeto.
C. Raio Projetante.
D. Projeção do Objeto.
E. Plano de Projeção.
2. Por não empregar o coeiciente de redução, o desenho isométrico é cerca de 20%
maior do que a perspectiva isométrica.
3. A.
4. D.

83
INTRODUÇÃO

Olá, aluno(a)! Nesta unidade, falaremos sobre a representação do mobili-


ário que ambientará nossos projetos compreenderemos a importância de
um detalhamento adequado para a produção e execução de móveis.
Como designer de interiores, você poderá atuar na criação e con-
cepção de móveis, produtos e utensílios em geral para a adequação em
ambientes internos. Hoje em dia, a personalização de móveis é prati-
camente inevitável, por conta da redução dos espaços físicos, tanto em
projetos residenciais como comerciais, as ediicações recentes tendem
a ser cada dia menores, obrigando-nos a um aproveitamento de espa-
ço muito bem estudado, com a inserção de móveis multifuncionais, ou
seja, que atendam várias funções, como, por exemplo, os armários mul-
tiuso para áreas de serviço que, além de armazenarem produtos e uten-
sílios de limpeza, contêm ainda cesto de roupas e tábua de passar. Para
que tais produtos possam ser executados, necessitamos de representa-
ções gráicas que reproduzam ielmente cada detalhe de construção e
funcionamento dessas criações.
Ainda nesta unidade, você aprenderá as diferentes formas de deta-
lhamento de mobiliário, contemplando a produção de vistas ortogonais
que, como vimos na unidade anterior, expõe todas as faces de um ele-
mento especiicando aberturas e volumes, que contribuirão na inserção
do mobiliário em plantas para elaboração de layouts, estudos de circu-
lação e luxo nos ambientes, irá, além dessas representações bidimen-
sionais, conceber perspectivas isométricas explodidas, representando
tridimensionalmente cada elemento que compõe a elaboração desses
moveis, como gavetas, portas, puxadores e trilhos. Todos esses desenhos
juntos compõem o detalhamento necessário para compreensão dos pro-
issionais que executarão esses projetos, pois, geralmente, o processo de
fabricação é obtido por meio da mão de obra de terceiros, como mar-
ceneiros, vidraceiros, tapeceiros, entre outros proissionais que atuam
juntamente com designers de interiores na ambientação de espaços.
DESENHO TÉCNICO

SAIBA MAIS Para desenhar as vistas ortogonais de um mobiliário,


você utilizará os mesmos princípios vistos na unida-
de anterior, o primeiro passo após ter desenhado as
Móveis sob medida
margens e o carimbo é descobrir o centro da folha
Personalização: quem não encontrou o para a reprodução do conteúdo de forma organiza-
móvel com a cara que queria nas lojas de
mobiliário pronto pode ter na marcenaria
da, para isso, você poderá medir com o escalimetro
uma grande aliada. Junto com a empresa, o em escala natural e encontrar o centro da folha, ou
interessado pode desenhar qualquer mobi- ligando os vértices da margem opostos em diagonal
liário imaginado.
como na Figura 2.
Ajuste ao ambiente: os móveis de marce- Assim, o ponto no qual se intersecionam as li-
naria são indicados também para tornar o
nhas diagonais é o centro da folha. Tendo encontra-
mobiliário bem ajustado às dimensões da
residência. Isso porque são feitos nas medi- do o centro da folha, a primeira vista a ser desenha-
das dos ambientes que irão ocupar. Com os da deve ser a frontal, pois é a de maior relevância
móveis prontos, esse ajuste perfeito nem
e que referenciará as outras cinco, ela deve ser in-
sempre é possível.
serida na prancha centralizada referente às margens
Uniformidade: para quem procura unifor-
horizontais e um a dois centímetros à esquerda do
midade de traços, estilos e cores no mobi-
liário de todo o ambiente ou residência, a centro da folha referente às margens verticais, como
solução é projetá-lo com um marceneiro. mostra a Figura 3.
Com móveis prontos, essa combinação
Após a inserção da vista frontal, respeitamos
exige muitas procura e tempo.
três centímetros para direita e reproduzimos a vis-
Fontes: Loyola, Negri e Poririo (2009, on-line).1
ta lateral esquerda, o mesmo acontece para a vista
lateral direita que será reproduzida três centímetros
à esquerda da vista frontal, as principais linhas hori-
zontais dessas vistas devem ser extraídas das alturas
referenciadas na vista frontal, com auxílio da régua
paralela como exposto a seguir.

90
DESIGN

Figura 2 - Exemplo de centralização em prancha


Fonte: os autores.

Figura 3 - Primeiro passo: desenho de vistas ortogonais


Fonte: os autores.

91
DESIGN

Figura 4 - Segundo passo: desenho de vistas ortogonais


Fonte: os autores.

Figura 5 - Terceiro passo: desenho de vistas ortogonais


Fonte: os autores.

93
DESENHO TÉCNICO

Figura 6 - Quarto passo: desenho de vistas ortogonais


Fonte: os autores.

Figura 7 - Conclusão do passo a passo de vistas ortogonais


Fonte: os autores.

94
DESIGN

Caro(a) aluno(a), ainda falando de ferramentas que sucessões de linhas e pontos que formam um padrão
possibilitem maior compreensão dos projetos e re- propiciando assim a leitura visual como unidade. Para
presentações gráicas, temos a necessidade de repro- alguns materiais, existe um senso comum para repro-
duzir de forma simples e bidimensional os materiais dução desses padrões, observe na Figura 8 uma repre-
que compõem cada peça e elemento de um projeto. sentação gráica adequada para cada tipo de material.
Para isso, utilizamos as hachuras. Para os materiais que não possuem padrões es-
Hachura é conjunto de traços que cobre o papel tabelecidos, desenvolve-se um novo padrão e refe-
destinado a certos trabalhos de artes gráicas (HO- rencia-se por meio de legendas na apresentação do
LANDA, 1996). projeto, possibilitando, assim, ininitas representa-
Dessa forma, as hachuras são formas de represen- ções e maior clareza para a exposição do desenho,
tação gráica de texturas e materiais, compostas por como exempliicado na Figura 9.

MÁRMORE
CARRARA

OSB
NAVAL

LACA
VISTA FRONTAL BANCADA BRANCA
ESCALA: 1:20

Figura 9 - Exemplo de aplicação e desenvolvimento de hachuras


Fonte: os autores.

97
DESENHO TÉCNICO

Perspectiva
Isométrica Explodida
Até o presente momento trabalhamos representações técnicos, pois não possuem volume ou relevos. Para
gráicas técnicas para o detalhamento do mobiliário auxiliar na compreensão dos projetos por esses indiví-
bidimensionais, ou seja, que possuem apenas dois duos, que podem ser clientes ou até mesmo proissio-
eixos de dimensionamento: a altura e largura. Essas nais que executam tais criações, utilizamos represen-
representações tendem a diicultar a compreensão de tações tridimensionais, as quais possuem, então, três
indivíduos que nunca tiveram contato com desenhos eixos de dimensão, altura, largura e profundidade.

98
DESENHO TÉCNICO

Considerações Finais
Prezado(a) aluno(a), nesta unidade, aprendemos to- leigos a leitura e interpretação de desenhos técni-
dos os processos que compõem o detalhamento de cos, por possuírem a tridimensionalidade, ou seja,
mobiliário, desenvolvemos passo a passo represen- largura altura e profundidade. Realizamos, assim, a
tações gráicas bidimensionais como as projeções or- perspectiva isométrica explodida que enfatiza todos
togonais, que servem para expor cada uma das faces os componentes e partes de um móvel, permitindo
de um móvel, permitindo, além da leitura e desen- a contemplação de elementos de fundamental im-
volvimento da peça por outros proissionais, como portância para execução e montagem de um mó-
marceneiros e metalúrgicos, também a inserção des- vel, como trilhos de gavetas parafusos, dobradiças
ses mobiliários em plantas baixas cortes e elevações. e puxadores que, muitas vezes, não são referencia-
Estabelecemos padrões para representação de dos em outras vistas ou perspectivas. Descobrimos
materiais por meio das hachuras, auxiliando a inter- a possibilidade da inserção do detalhe, artifício para
pretação dos desenhos e propiciando uma prospec- destacar e expor maiores detalhes de um móvel em
ção do resultado inal do produto executado, pois a escalas maiores as utilizadas no restante do conteú-
representação de materiais nos desenhos técnicos os do do projeto.
tornam mais próximos da realidade física e palpá- Concluímos, dessa forma, todas as possibilida-
vel. Ainda nesse contexto de aproximação do pro- des de detalhamento pertinentes para o desenvolvi-
duto real, desenvolvemos representações técnicas mento e execução de projetos de móveis e produtos
tridimensionais, que facilitam na execução ou até em geral, compreendendo a necessidade para que
mesmo na exposição dos projetos para indivíduos projetos e ideias saiam do papel de forma exequível.

102
referências

CHING, F. D. K. Representação gráica em arquitetura. Porto Alegre: Bookman, 2011.


HOLANDA, A. B. de. Novo dicionário Aurélio de Língua Portuguesa. Rio de Janeiro: Nova Frontei-
ra, 1996.
MONTENEGRO, G. A. Desenho arquitetônico. São Paulo: Blucher, 2001.

Referências On-Line
1
Em: <http://www.gazetadopovo.com.br/imoveis/mobiliario-sob-medida-bidpdnlgn18mp50b-
q6a6a9ei>. Acesso em: 28 maio 2016.
2
Em: <http://www.meumovelplanejado.com.br/dicas/porque-optar-por-moveis-planejados/>.
Acesso em: 19 jul. 2016.

109
INTRODUÇÃO

Olá, caro(a) aluno(a)! Nesta unidade, vamos nos dedicar ao estudo das
plantas baixas, uma forma de projeção ortogonal em que os elementos
de construção de uma ediicação, vistos de cima, são projetados em um
plano horizontal.
Inicialmente, daremos um breve passeio nas origens da representa-
ção gráica e mais especiicamente do desenho arquitetônico. Depois,
abordaremos mais detalhadamente o desenho arquitetônico e as várias
formas de representação. Veremos que, além do plano horizontal de pro-
jeção, em que se representam as plantas, temos o plano vertical, que per-
mitem o desenho dos cortes e das elevações.
Abordaremos a necessidade de padronização da linguagem gráica e
como essa padronização foi estabelecida com o advento de instituições
como a Associação Brasileira de Normas Técnicas - ABNT, no Brasil, e
da International Organization for Standardization - ISO, em âmbito in-
ternacional.
Conheceremos as especiicações adotadas na padronização do de-
senho arquitetônico, tratando de conceitos, como a escala, as linhas e as
cotas.
Veremos as formas de representação, em planta baixa, das portas e
janela, elementos construtivos que devem ter medidas e localização bem
explicitadas nas plantas, com especial cuidado na diferenciação clara en-
tre espaços preenchidos e vazios.
Por im, abordaremos um tipo de planta que deriva das plantas baixas
e que se tornou importante ferramenta de construtoras e incorporadoras
para apresentar e conquistar compradores para seus empreendimentos.
Trata-se das plantas humanizadas. Veremos que, com a adição de cores,
texturas, sombras, mobiliário e elementos decorativos, esse tipo de re-
presentação dá ao observador a possibilidade de conceber mentalmente
o imóvel pronto para morar. Bons estudos!
DESIGN

PLANTA BAIXA

Uma planta baixa representa um corte de uma ediicação feito no plano horizontal, removendo-se a por-
ção superior. A planta baixa é uma projeção ortográica da porção que permanece (CHING, 2011, p. 53).
Por convenção, o corte horizontal é feito a 1,5 metros de altura acima do piso, mas essa medida
pode variar de acordo com as necessidades de representação especíicas de cada projeto.
A planta baixa orienta todo o projeto. Ela mostra as dimensões do imóvel, a distribuição dos cômodos,
as conigurações de paredes e pilastras e o padrão de aberturas (portas e janelas). É, também, a partir dela
que se elabora as demais plantas, como projeto elétrico, o telhado, projeto hidráulico, entre outros.

Figura 7 - Ilustração de corte horizontal


Fonte: Montenegro (1978, p. 47).

Figura 8 - Exemplo de planta baixa


Fonte: Montenegro (1978, p. 69).

123
DESIGN

NORMAS TÉCNICAS ESPESSURA MEDIDA TIPO EMPREGO


____ 0,5 a Principais/ Linhas que estão
1,0 mm secundárias sendo cortadas
Caro(a) aluno(a), acompanhe a seguir as principais
normas brasileiras aplicadas ao desenho arquitetô- _______ 0,25 a
0,45
Secundárias Linhas em vista
ou em elevação
nico (NORMAS TÉCNICAS PARA O DESENHO mm
ARQUITETÔNICO, 2010, on-line): __________ 0,05 a Terciárias Linhas de cota
• NBR 6492/94 – apresenta a regulamentação 0,2 mm Linhas auxiliares
geral para a representação de projetos de ar- Quadro 1 - Tipos de linhas
quitetura. Fonte: adaptado de Xavier (2011, on-line).
• NBR 8196/99 – deine o emprego de escalas.
• NBR 8403/84 – regula a aplicação de linhas TIPOS DE LINHAS:
– tipos e larguras.
• Linhas de contorno – contínuas: a espessura
• NBR 10068/87 – trata da folha de desenho – varia com a escala e a natureza do desenho.
leiaute e dimensões.
• Linhas internas – contínuas: irmes e menor
• NBR 13142/99 – apresenta regras para o do- valor que as linhas de contorno.
bramento e cópia.
• Linhas situadas além do plano do desenho –
tracejadas: mesmo valor que as linhas de eixo.
LINHAS
• Linhas de projeção - traço e dois pontos: in-
dicadas para representar projeções de pavi-
As linhas são os principais elementos gráicos do de-
mentos superiores, marquises, balanços.
senho arquitetônico. Além de deinirem o formato,
• Linhas de eixo ou coordenadas - traço e pon-
dimensões e posicionamento das paredes, portas, ja- to: irmes, deinidas, com espessura inferior
nelas, pilares, vigas, escadas etc., também informam às linhas internas e com traços longos.
as características e dimensões de cada elemento pro- • Linhas de cotas – contínuas: irmes, deini-
jetado (XAVIER, 2011, on-line). das, com espessura igual ou inferior à linha
As espessuras das linhas utilizadas no desenho de eixo ou coordenadas.
arquitetônico podem ser classiicadas em grossas, • Linhas auxiliares – contínuas: para constru-
médias e inas. As espessuras variam conforme o ção de desenhos, guia de letras e números,
com traço; o mais leve possível.
uso, de acordo com a tabela a seguir:

127
DESENHO TÉCNICO

Figura 10 - Exemplo de planta baixa layout e de mobiliários

128
DESENHO TÉCNICO

Cotas e
Especiicações
a. As cotas devem ser preferencialmente exter-
As medidas no desenho técnico, seja arquitetônico
nas.
ou em qualquer outra área da engenharia, são apre-
b. As linhas de cota no mesmo alinhamento de-
sentadas por meio da cotagem. A cotagem dever ser vem ser completas.
clara, simples, sem omissões e devem obedecer a re- c. A quantidade de linhas deve ser distribuída
gras e padronizações. no entorno da construção, sendo que a pri-
Os padrões para a cotagem são estabelecidos meira linha deve icar afastada 1,5 cm do
pela NBR 10126 (cotagem em desenho técnico) e último elemento a ser cotado e as seguintes
NBR 6492 (representação de projetos de arquitetu- devem afastar-se umas das outras 1,0 cm.
ra). A cotagem deve seguir as seguintes indicações d. Todas as peças e espessuras de paredes devem
ser cotadas.
gerais (SCHULER; MUKAI, on-line):

130
DESIGN

e. Todas as dimensões totais devem ser identi- são daquilo que está sendo cotado e na qual é
icadas. posicionado o valor numérico da cota.
f. As aberturas de vãos e esquadrias devem ser • Linha de extensão (ou auxiliar ou de chama-
cotadas e amarradas aos elementos constru- da): é a linha que liga a cota ao elemento que
tivos. está sendo cotado. Na representação de ar-
g. As linhas mais subdivididas devem ser as quitetura são utilizadas linhas de extensão de
mais próximas do desenho. comprimento ixo, ao contrário das linhas de
h. As linhas de cota nunca devem se cruzar. comprimento variável utilizadas em projetos
de outras áreas.
i. Identiicar pelo menos três linhas de cota:
subdivisão de paredes e esquadrias, cotas das • Finalização das linhas de cota: é o encontro
peças e paredes e cotas totais externas. da linha de conta com a linha de extensão.
Usualmente, na representação dos projetos
A cotagem é composta pelos seguintes elementos de arquitetura, as linhas de cota e de ex-
(XAVIER, 2011, on-line): tensão se cruzam e são adotados pequenos
• Cota: valor numérico correspondente à me- traços inclinados a 45º ou pontos (com uma
dida representada. espessura mais grossa que as linhas de cotas
• Linha de cota: a linha que contém a dimen- e chamadas) nesse cruzamento.

Linha de cota Cota Finalização


4,00
Linha de extensão

Figura 11 - Elementos de cotagem


Fonte: os autores1.

1
Cedido por Marcio Lopes (2016).

131
DESIGN

Elementos de Construção:
Portas e Janelas
Uma planta não revela completamente a aparência correr ou mesmo se ela é sanfonada (CHING; JU-
das aberturas. Para esse tipo de informação, precisa- ROSZEK, 2012).
mos das elevações. O que uma planta baixa mostra, A representação mais comum de uma porta é o
na verdade, é a posição e a largura das aberturas e, desenho da vista de cima da sua lâmina, paralela à
em grau limitado, as esquadrias e ombreiras e o tipo parede, com um quarto de círculo indicado o senti-
de operação – se uma porta, por exemplo, é de abrir, do em que ela se abre.

Figura 13 - Representações de portas


Fonte: os autores1.

1
Cedido por Marcio Lopes (2016).

133
DESENHO TÉCNICO

As janelas também só têm representadas na planta corte, indicando em corte a vidraça e a esquadria da
baixa a posição e a largura das aberturas e, até cer- janela (CHING; JUROSZEK, 2012).
to ponto, as ombreiras e os caixilhos. No entanto a Conforme a escala adotada no desenho, as jane-
planta deve incluir o parapeito abaixo do plano de las podem ser assim representadas, observe:

Figura 14 - Representações de janelas


Fonte: os autores1.

1
Cedido por Marcio Lopes (2016).

134
DESIGN

Layout
Humanizado

135
DESENHO TÉCNICO

A base da planta humanizada é um desenho idêntico mas bidimensionais, como o Corel Draw e o Adobe
à planta baixa em que se suprimem referências téc- Photoshop, são muito usados na representação das
nicas e a cotagem e se acrescentam elementos, como plantas humanizadas.
cores, luzes e sombras, texturização, móveis e deta-
lhes decorativos. O objetivo é permitir uma visuali- ELEMENTOS DE HUMANIZAÇÃO
zação dos ambientes acabados e prontos para morar.
São pensadas de forma estratégica para que possam Elementos como iguras humanas e veículos são
demonstrar de uma forma organizada a melhor ocu- utilizados na representação das fachadas ou plan-
pação do espaço. tas humanizadas como elementos de proporção no
Os empreendimentos imobiliários e construto- desenho. Conhecendo intuitivamente o tamanho de
ras se utilizam da planta humanizada e com muito pessoas e veículos, e os relacionando visualmente
capricho para mostrar seus empreendimentos para com a ediicação, o leitor do desenho tem uma no-
facilitar a compreensão de espaço e despertar o de- ção das dimensões proporcionais dos elementos de
sejo pela compra, constituindo-se em importante uma fachada. (XAVIER, 2011, on-line).
papel na negociação de imóveis. Nas plantas huma- A vegetação é outro elemento importante que
nizadas, é importante mostrar quais paredes podem auxilia na composição estética da ediicação.
ser removíveis para trazer facilidade para o compra-
dor do imóvel imaginar como será o lugar onde se
deseja morar. Nos projetos de fachada, também são SAIBA MAIS
utilizadas as plantas humanizadas.
As plantas humanizadas podem ser feitas à mão, Para os layouts técnicos ou humanizados, é
mas existem muitos sotwares indicados para a ta- possivel a utilização das hachuras, conforme
refa. Os programas que operam em 3D, como Au- as representações encontradas na unidade
III do livro.
toCAD, Sketchup, Max, Lumion e Revit permitem
gerar a planta humanizada, salvando uma cena com Os autores.

uma vista superior do projeto. Além disso, progra-

136
DESIGN

Figura 17 - Planta Humanizada


Fonte: Shutterstock.

137
DESENHO TÉCNICO

Considerações Finais
Muito bem, caro(a) aluno(a), encerramos aqui o apenas uma faceta da ediicação, como as plantas
conteúdo desta unidade, na qual estudamos a planta de cobertura.
baixa. Vimos que planta baixa é uma forma de re- No estudo da planta baixa, detalhamos alguns
presentação de ediicações ou terrenos, baseado no aspectos da elaboração das plantas, como as esca-
conceito da projeção ortogonal, que estudamos na las, e outros aspectos necessários à padronização
unidade II. Projetados em planos horizontais, no dos projetos, como as cotas e os diferentes tipos de
caso das plantas, ou em planos verticais, como no linhas.
caso dos cortes e das elevações, os elementos cons- Abordamos, também, as formas de representa-
trutivos de cada projeto podem ser apresentados de ção de dois dos mais importantes elementos cons-
forma clara e precisa. trutivos de uma ediicação, as portas e as janela, em
Iniciamos a unidade com um pequeno histó- seus diferentes tipos.
rico da representação gráica, desde as pinturas Encerrando a unidade, falamos sobre as plan-
rupestres até a padronização internacional das tas humanizadas. Vimos como o uso de elementos,
normas. Antes de entrarmos no estudo especíi- como cores, texturas, sombras, mobiliário e objetos
cos da planta baixa, conhecemos outros tipos de decorativos, transforma uma planta baixa. Com o
plantas, seus empregos e suas peculiaridades. Vi- uso de programas de computador especíicos, ela
mos que existem plantas que abrangem um con- deixa de mostrar apenas aspectos técnicos, para ser
texto mais amplo, mostrando a localização dos uma representação inspiradora do imóvel acabado e
terrenos onde se situam as ediicações projetadas, pronto para morar.
outras que mostram a localização da ediicação Espero que as informações trazidas lhe sejam
dentro do terreno; outras representam a ediica- úteis e motivadoras, abrindo horizontes para novos
ção como um todo, e outras, ainda, que mostram conhecimentos. Sucesso!

138
atividades de estudo

2. Com base no desenho a seguir, assinale a alternativa correta:

Fonte: Montenegro (1978, p. 73).

a. Trata-se de uma planta de situação.


b. Trata-se de uma planta de situação e de cobertura.
c. Trata-se de uma planta baixa.
d. Trata-se de uma planta de localização e de cobertura.
e. Trata-se de uma planta de cobertura.

141
atividades de estudo

3. Um terreno de 12 metros está representado em uma planta por 24 centímetros. Qual é a es-
cala usada?
4. Assinale verdadeiro ou falso:
( ) Nos planos verticais, representam-se as elevações e os cortes.
( ) As elevações pode ser transversais ou longitudinais.
( ) As plantas de situação são como mapas que mostram como chegar a um terreno.
( ) Plantas de cobertura mostram a topograia dos terrenos.
( ) As cotas são imprescindíveis nas plantas humanizadas.
5. Preencha as lacunas com os elementos de cotagem:

Fonte: os autores1.

1
Cedido por Marcio Lopes (2016).

142
referências

BIBLIOTECA Digital Mundial. Disponível em: <https://www.wdl.org/pt/item/10597/#q=Giuliano>.


Acesso em: 30 jun. 2016.
CARMO, J. Representação de Projeto. Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio
Grande do Norte. Disponível em: <http://docente.ifrn.edu.br/joaocarmo/disciplinas/aulas/dese-
nho-arquitetonico/representacao-de-projetos/at_download/ile>. Acesso em: 29 jun. 2016.
CHING, F. D. K. Técnicas de Construção Ilustradas. 4. ed. Porto Alegre: Bookman. 2010.
_______________. Representação Gráica em Arquitetura. 5. ed. Porto Alegre: Bookman. 2011.
CHING, F. D. K.; JUROSZEK, S. P. Desenho para Arquitetos. 2. ed. Porto Alegre: Bookman. 2012.
HADID, Z. Acredito que as coisas podem ser feitas de outra. Disponível em: <http://peganarquite-
tura.tumblr.com/post/28063950896/acredito-que-as-coisas-podem-ser-feitas-de-outra>. Acesso
em: 20 jul. 2016.
HOELSCHER, R. P.; SPRINGER, C. H.; DOBROVOLNY, J. S. Expressão Gráica e Desenho Técnico. Rio
de Janeiro: Livros Técnicos e Cientíicos. 1978.
MICELI, M. T.; FERREIRA, P. Desenho Técnico Básico. 4. ed. Rio de Janeiro: Imperial Novo Milênio.
2010.
MONTENEGRO, G. A. Desenho Arquitetônico. São Paulo: Ed. Edgard Blücher. 1978.
NORMAS Técnicas para o Desenho Arquitetônico. Pontifícia Universidade Católica de Goiás. Dis-
ponível em: <http://professor.pucgoias.edu.br/SiteDocente/admin/arquivosUpload/16109/ma-
terial/Apresenta%C3%A7%C3%A3o%20Normas%20ABNT%20Desenho%20T%C3%A9cnico.pdf>.
Acesso em: Acesso em: 29 jun. 2016.
OBERG, L. Desenho Arquitetônico. 22. ed. Rio de Janeiro: Ao Livro Técnico. 1979.
RIBEIRO, C. A.; PERES, M. P.; IZIDORO, N. Curso de Desenho Técnico e Autocad. 1. ed. São Paulo:
Pearson. 2013.
SCHULER, D.; MUKAI, H. O Desenho Arquitetônico. Disponível em: <http://www.ceap.br/material/
MAT04102012160619.pdf>. Acesso em: 30 jun. 2016.
XAVIER, S. Desenho Arquitetônico. Universidade Federal do Rio Grande. Disponível em: <http://
www.pelotas.com.br/sinval/Apostila_DA_V2-2012.pdf>. Acesso em: 29 jun. 2016.

Referência On-Line
1
Em: <https://www.wdl.org/pt/item/10597/#q=Giuliano>. Acesso em: 19 jul. 2016.

144
gabarito

1. C.
2. D.
3. 1/50
4. V, F, V, F, F.
5. 1- Linha de cota.
2- Cota.
3- Finalização.
4- Linha de extensão.

145
INTRODUÇÃO

Olá, aluno(a). Seja bem-vindo(a) à última unidade do nosso livro que


compõe o material de desenho técnico. Até o momento, temos trabalhado
representações técnicas de ambientes que se limitaram a vistas superiores,
ou seja, plantas baixas, não permitindo a contemplação das alturas dos
ambientes e elementos que os compõem. Nesta unidade de estudo, você
aprenderá os padrões referentes a projetos de planos verticais, isto é, planos
bidimensionais que baseiam-se em perpendiculares de altura e largura,
desenvolverá, então, cortes e vistas, representações gráicas que se referem
às paredes, possibilitando a contemplação do eixo da altura dos elemen-
tos arquitetônicos e os de composição, como revestimentos e mobiliário.
Você contemplará também a forma correta para detalhar e especiicar ma-
teriais de acabamento e revestimento, aprendendo os padrões estabelecidos
para reprodução de paginações de parede, representações gráicas funda-
mentais para execução de projetos de interiores, pois explicitam o posicio-
namento previamente planejado para a instalação dos materiais de revesti-
mento, com o intuito de promover, além de qualidade estética, até mesmo
a responsabilidade ambiental, visto que a compra e a utilização consciente
dos materiais de acabamento evitam o descarte e desperdício de materiais.
Hoje, possuímos, por meio da tecnologia digital, sotwares que desen-
volvem imagens com extrema realidade e proximidade com o resultado
inal da criação de projetos, ou ainda possibilitam a simulação de visi-
tas virtuais a ambientes por meio da realidade virtual, tudo em busca de
permitir ao espectador a prospecção idealizada por um criador. Ao inal
desta unidade, você aprenderá a desenhar ambientes inteiros de forma
tridimensional, criando perspectivas isométricas que expõem desde ele-
mentos arquitetônicos e materiais de acabamento a móveis e a objetos de
decoração. Essas perspectivas são pertinentes para apresentação de nos-
sos projetos a clientes, que contemplarão representações mais próximas
da realidade a ser executada, por possibilitarem a aplicação de cores e
texturas e ainda assim poderão auxiliar na conferência de medidas por se
tratarem de desenhos técnicos em escala. Ótimo estudo!
DESIGN

Paginação
de Paredes

157
DESENHO TÉCNICO

que o tamanho da parede seja múltiplo do ta-


A paginação de parede não difere em nada quan-
manho do revestimento. Exemplo: para uma
to à função da paginação de piso contemplada na parede de 3 m de largura com pé direito de
unidade anterior. Sendo, então, parte essencial do 2,5 m, um revestimento de 50 cm por 50 cm
detalhamento de um projeto, possibilitando, desde possibilitaria um fechamento com aplicação
orçamentos e compra dos materiais de revestimen- de 30 peças inteiras, 6 peças colocadas na lar-
to à aplicação e instalação desses no ambiente, a gura para 5 peças na altura.
paginação norteará os proissionais envolvidos no • Rodapé, rodameio e rodatéto: se houver
processo, permitindo uma forma de comunicação qualquer um desses elementos compondo
junto com o revestimento aplicado, a altura
pertinente à leitura, interpretação e execução de um
desses deve ser descontada do total do pé di-
projeto. reito e as peças devem se adequar a essas di-
Já que é uma representação gráica que tem fun- visões na aplicação, sempre priorizando um
ção de, apenas, deinir e posicionar os revestimen- melhor aproveitamento e menor perda possí-
tos nas paredes, é interessante que se desenvolva vel com recortes.
individualmente cada ambiente, como no caso das • Recortes: quando não houver adequação do
vistas. Elementos arquitetônicos externos à vista da revestimento com o dimensionamento da
parede desenhada não inluenciam na sua compre- parede, os recortes devem ser deixados em
pontos estratégicos, o mais longe possível do
ensão, dessa forma, desenha-se a vista da parede e
olhar de quem adentra o ambiente; isso pode
os elementos arquitetônicos que aparecem em vista variar muito dependendo de cada layout, haja
frontal, como janelas e portas. vista que um recorte pode ser camulado por
Para escolhermos o posicionamento da primeira um mobiliário ixo planejado em uma das
peça do revestimento; a ser lançado, devemos levar extremidades da parede, propiciando que a
em consideração alguns critérios: aresta oposta tenha a peça inteira. Mas há um
• Tamanho das peças: existem, no mercado, consenso para muitos casos, como sempre
inúmeros padrões e tamanhos disponíveis de priorizar o lançamento de baixo para cima,
revestimentos, para que façamos uma boa es- pois o olhar do observador é mais frequente
peciicação desse material, devemos levar em abaixo de sua linha do horizonte do que para
consideração o dimensionamento da parede cima, e, quanto à largura da parede, prioriza-
a ser aplicada, devemos dar preferência aos se o vão de acesso ao ambiente para o lan-
revestimentos que possibilitem maior apro- çamento das peças. Seguem alguns exemplos
veitamento sem perdas com recortes, ou seja, que ilustram essas situações supracitadas.

158
DESIGN

Figura 9 - Primeiro passo: desenvolvimento de paginação de paredes


Fonte: os autores.

Figura 10 - Exemplos de paginações corretas e erradas


Fonte: os autores.

159
DESIGN

Perspectiva Isométrica
de Ambientes
Como comentado anteriormente nas unidades No caso de perspectivas de ambientes, os eixos para
e tópicos que apresentaram as perspectivas iso- construção das larguras e profundidades permanecem
métricas como forma de representação gráica e os mesmos de 30º e as alturas também continuam a 90º.
técnica do detalhamento de projetos, quando nos Para facilitar a compreensão do ambiente, removemos
referimos a projetos de interiores, é essencial al- as paredes da vista frontal e da lateral direita, mantendo
guma alternativa que aproxime o projeto técnico apenas duas paredes, a posterior e a lateral esquerda,
aos ambientes posteriormente executados para como ilustrado na Figura 12, mantemos a espessura
facilitar a compreensão deles por terceiros supra- como nos cortes para paredes 15 cm e para contrapiso
mencionados, como clientes e proissionais, que 10 cm. Após o levantamento dos elementos arquitetô-
executam partes especíicas desses projetos, como nicos, paredes janelas e portas, desenvolvemos todo o
pintores e azulejistas. mobiliário conforme o planejamento do layout.

161
DESIGN

Considerações Finais
Prezado(a) aluno(a), nesta unidade, desenvolvemos Quanto às paginações de parede, você pode as-
representações técnicas referentes às paredes. Essas similar todos os pontos relevantes e critérios que
possibilitam a interpretação do eixo da altura, eixo embasam, desde a especiicação do material a sua
que não havíamos trabalhado nas unidades anterio- aplicação no ambiente, tornando consciente as esco-
res referentes a ambientes. Compreendemos o que lhas, permitindo melhor aproveitamento e qualida-
são os cortes e, assim, também elaboramos, passo a de estética, evitando desperdícios, o que possibilita
passo, o processo de execução, desde a indicação em a minimização na geração de resíduos e outros in-
plantas, o posicionamento correto das pranchas na convenientes.
prancheta, a im de otimizar o desenvolvimento, até o Por im, desenvolvemos um ambiente tridimen-
detalhamento com cotas e legendas para o resultado sional, em perspectiva isométrica, considerando e
inal. Entendemos a diferença entre planos verticais e estabelecendo padrões para esse tipo de represen-
horizontais e também quanto a secções e cortes. tação gráica, que mesmo sendo um artifício faci-
Percebemos a semelhança entre vistas e cortes, litador para a leitura e compreensão de leigos, por
mas entendemos as diferenças quanto ao foco e obje- possuir volumetria tridimensional e propiciar a
tivo de exposição das duas, a forma de representação inserção de texturas, cores luz e sombra, é também
dos elementos arquitetônicos, de inserir mobiliários ferramenta útil para conferência de medidas e con-
e materiais de acabamento, bem como observamos templação de um resultado mais próximo do real a
as possibilidades de identiicação por meio de sím- ser executado.
bolos em plantas baixas.

165
DESIGN

O link a seguir expõe o vídeo de uma matéria feita pelo telejornal Tem Notícias, da Rede Glo-
bo, em Sorocaba- SP, que fala da importância do planejamento e orientação de proissionais
para execução de obras, para evitar o desperdício e impactos ambientais.

Disponível em: <http://g1.globo.com/sao-paulo/sorocaba-jundiai/tem-noticias-1edicao/


videos/v/desperdicio-de-materiais-na-construcao-civil-tem-dados-alarmantes-em-soroca-
ba/2986884>.

171
referências

CHING, F. D. K. Representação gráica em arquitetura. Porto Alegre: Bookman, 2011.


MONTENEGRO, G. A. Desenho arquitetônico. São Paulo: Blucher, 2001.

Referências On-Line
1
Em: <http://www.forumdaconstrucao.com.br/conteudo.php?a=43&Cod=1289>. Acesso em: 3
jun. 2016.

172
Conclusão Geral
Enim, chegamos ao inal do livro de desenho técnico, preparado especialmente
para você, aluno(a) do curso de Design de Interiores da Unicesumar. Desejamos
que os conhecimentos adquiridos com este material, produzido especialmente
para você, seja muito aplicável a sua futura vida proissional.
Importante entender que o desenho é algo que deve ser sempre praticado e,
assim como quase todas as áreas de conhecimento de um designer de interiores,
atualizado. Lembre-se sempre que não é o diploma que o torna um proissional
melhor colocado no mercado, mas sim os conhecimentos técnicos apreendidos
durante o curso, e certamente o desenho tecnico é um conteúdo de extrema im-
portância nessa colocação no mercado como proissional qualiicado e compe-
tente.
Talvez, mais importante do que saber efetivamente desenvolver desenhos téc-
nicos, é imprescindível para um designer de interiores saber fazer a leitura desses
desenhos, quando os recebe de arquitetos, engenheiros, construtoras ou direta-
mente do cliente. Não tendo esse conhecimento, é praticamente impossível a atu-
ação proissional, pelo menos de forma eicaz, ainal de contas, projetar interiores
utilizando-se da “ciência” do design é muito mais do que soluções estéticas. É por
meio das representações dos desenhos tecnicos que o seu projeto ganha formas
proissionais e pode ser encaminhado para a execução.
Seja bem-vindo(a), então, ao mundo das plantas-baixas, cortes, layouts, esca-
las, cotas, vistas, perspectivas etc. Você, agora, está pronto não apenas para pen-
sar em seu projeto no aspecto conceitual, para o tornar algo executável, por meio
de seus desenhos e representações técnicos. Parabéns por sua escolha por uma
formação de qualidade, sólida e completa, em alguns meses, você estará pronto e
apto para atuar como um designer de interiores!

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