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4.

Direito na Idade Contemporânea:


legalismo, codificação e declaração de
direitos
Revolução
Francesa
I
Corpos
intermediários
“É possível contar cerca de sessenta costumes gerais no
reino, isto é, que são observados em uma província
inteira; e mais ou menos trezentos costumes locais que
são observados somente em uma cidade, burgo ou vila.”

“Dizem que Luís XI tinha o desejo de reduzir todos os


costumes do reino em um só (…). Este louvável desígnio
manteve-se até o presente sem execução.”

“Não é estranho ver em um mesmo reino tantos


costumes diferentes (…)?”
Dictionnaire Philosophique (Voltaire, 1764)
Verbete “coutume”: “Existem, dizem, quarenta e quatro costumes na
França que possuem força de lei, tais leis são quase todas diferentes. Um
homem que viaja neste país muda de lei quase tantas vezes quanto troca
de cavalo”

Verbete “lois”: “Vós quereis ter boas leis? Queimem as vossas e façam
novas”. “Vosso costume de Paris é interpretado de maneira diferente por
vinte e quatro comentaristas; logo está provado vinte e quatro vezes que
ele foi mal concebido. Ele contradiz outros cento e quarenta costumes,
todos eles com força de lei. Existe, então, em um só lugar da Europa entre
os Alpes e os Pireneus, quarenta pequenos povos que se consideram
compatriotas, e que, na verdade, são estrangeiros uns para os outros”.
Century
Century
“A lei, na sua
majestosa igualdade,
proíbe que ricos e
pobres de durmam sob
as pontes, mendiguem
pelas ruas e furtem um
pedaço de pão”

Anatole France
(1844-1924)
Loi Le Chapelier (junho de 1791)
Art. 1: “Sendo a aniquilação de toda espécie de corporação de
cidadãos do mesmo estado [status] ou profissão uma das
bases fundamentais da constituição francesa, é proibido
restabelecê-las de fato, sob qualquer pretexto ou forma.”

Art. 2: “Os cidadãos de um mesmo estado [status] ou


profissão […] não poderão, enquanto se encontrarem
reunidos, nomear para si presidentes, secretários ou síndicos,
possuir registros, emitir ordens ou deliberações, nem formar
regulamentos sobre os seus pretensos interesses comuns.”
Estado
I
corpos intermediários
I
indivíduo
“A França, assim como outros grandes Estados da Europa, ampliou-se pela
conquista e pela reunião livre de diferentes povos.

Os povos conquistados e os que permaneceram livres sempre estipularam, em


suas capitulações e em seus tratados, a manutenção de sua legislação civil. A
experiência mostra que os homens mudam mais facilmente de dominação do que
de leis.

Daí esta prodigiosa diversidade de costumes que encontrávamos no mesmo


império: dir-se-ia que a França era uma sociedade de sociedades. […]

Mas como dar as mesmas leis a homens que, embora submetidos ao mesmo
governo, não viviam sob o mesmo clima, e tinham hábitos tão diferentes? Como
extirpar costumes aos quais as pessoas estavam apegadas como a privilégios, e
que eram vistos como barreiras contra as vontades móveis de um poder
arbitrário? […] De repente uma revolução se opera. […] Então voltamos às ideias
de uniformidade na legislação, porque entrevemos a possibilidade de realizá-las.”
Century
Century
Century
“Art. 7. A partir do dia da entrada
em execução dessas leis [código civil
de 1804], as leis romanas, as
ordenações, os costumes gerais ou
locais, os estatutos, os regulamentos
deixam de ter força de lei geral ou
particular nas matérias que são
objeto das ditas leis que compõem o
presente Código.”
Ideia moderna de codificação
x
Experiências similares
anteriores
(“código” de Hamurabi, Corpus iuris
civilis, Ordonnances)