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escrita
de sinais
sem mistérios
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Madson Barreto Raquel Barreto

escrita
de sinais
sem mistérios
2 ª Edição
Revista,Atualizada
e Ampliada

VOLUME 1
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© 2015 Madson Barreto | Raquel Barreto

Diagramação, capa e edição de imagens Medson Barreto


Revisão do Português Brasileiro Dr. Juscelino Silva
Fotografia Medson Barreto
Raquel Barreto

B273e Barreto, Madson

Escrita de Sinais sem mistérios / Madson Barreto, Raquel Barreto. 2. ed. rev.
atual. e ampl. – Salvador, v. 1: Libras Escrita, 2015.

[ ]v. ; 416 p. ; il. ; 22 cm x 15 cm x 2 cm.

Obedece ao novo acordo ortográfico, decreto nº 6.583/2008.

ISBN: 978-85-69197-00-3

1. Escrita de Sinais. 2. SignWriting. 3. Língua Brasileira de Sinais (Libras).


4. Uso da Escrita de Sinais. 5. Benefícios da Escrita de Sinais.

CDD: 419.071
CDU: 81’221.24

Igor Rezende Quintal – Bibliotecário CRB6-2881

librasescrita.com.br
/librasescrita
contato@librasescrita.com.br

Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta obra pode ser reproduzida
ou transmitida por qualquer forma e/ou quaisquer meios (eletrônico ou
mecânico, incluindo fotocópia e gravação) ou arquivada em qualquer sistema
ou banco de dados sem permissão escrita dos autores.

Impresso no Brasil
2015
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Às comunidades surdas brasileiras, aos tradutores


intérpretes de Libras, educadores, pesquisadores
da Libras e familiares de surdos por sonharem e
lutarem pela educação bilíngue para surdos.
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Agradecimentos xi

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Agradecimentos

A Deus por sua presença constante e abundante em nossas vidas, por nos
chamar para sua obra, nos fortificar e direcionar na produção deste livro e
nas ações resultantes. Muito obrigado pela forma como nos tem ensinado. As
peças do quebra-cabeça da vida estão se encaixando cada vez mais. Todos os
postes, fiações, subestações elétricas e até mesmo hidrelétricas que construímos
já estão começando a levar energia e vida para alguns. Novas lâmpadas serão
construídas e iluminarão a muitos até que seja dia perfeito.
Aos nossos pais, irmãos (ãs) e cunhados (as) pelo apoio e orações. Em
especial ao Medson Barreto por trabalhar com carinho, muita paciência,
criatividade e zelo na produção desta obra por ‘infinitas’ horas... Sua amizade
e companheirismo fazem total diferença em nossas vidas. Aprendemos muito
com você nos últimos anos. Continue sonhando, você vai longe!
Aos amigos Esp. Bruno Villas Boas, Esp. César Costa, Cristiano Justo,
Esp. Edmilson Lucena, Esp. Fred Silveira, Greisy Paini, Esp. Inessa Franco,
Izabel Lima, Marco Fritisch, Mariléia Wagner, Michael Belmonte, Esp. Oto
Alvarenga, Esp. Paulo Sarneel, Renata Oliveira, Robson César, Esp. Rogério
Rossi, Esp. Sandra Guimarães, Esp. Terezinha Gnoatto e Yanavalim Cristina.
Nossa eterna gratidão a Deus por suas vidas e pela forma como têm inspirado
e orientado nossa caminhada nos levando a, com maestria, buscar ser cada vez
mais relevantes para as pessoas;
Aos amigos do Letras/ Libras, em especial ao Esp. Anderson Rodrigues,
Cristiana Klimsa, Pedro Zampier, Esp. Rodrigo Malta, Sônia Leal, Esp.
Tatiana Quites e Esp. Walquíria Angélica pelo incentivo constante;
Ao Grupo de Estudos da Escrita de Sinais do CEFET-MG pelo
aprendizado mútuo, em especial aos amigos Esp. Yuri e Mayra Kazzaz pelo
apoio e incentivo;
À profa. Dra. Vera Lúcia Souza e Lima por nos motivar à pesquisa; ao
prof. tutor Me. Antônio Marcondes e ao prof. (tutor) Me. Renato Calixto pelo
apoio e incentivo;
Às profas. Maria José e Sônia Madureira, aos missionários Gilmar
e Esp. Marília Manhães e ao pastor e prof. Me. Henrique de Araújo pelo
encorajamento, dicas e orientações;
À Valerie Sutton por vencer os obstáculos de sua vida e criar este maravi-
lhoso e funcional sistema de escrita para as Línguas de Sinais; ao casal Steve e

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Agradecimentos xxi

Dianne Parkhurst e aos demais membros da lista de discussão do SignWriting


por compartilhar seu conhecimento e experiências esclarecendo nossas dúvidas;
Ao Dr. Antônio Carlos da Rocha Costa, por suas inúmeras contribuições
ao avanço da Escrita de Sinais no Brasil e no mundo, e também pela prontidão
nos esclarecimentos prestados a nós.
À profa. Dra. Ronice Quadros pelo apoio; à profa. Dra. Marianne Stumpf
pelo seu empenho por melhores dias para as comunidades surdas ao contribuir
com o desbravamento dos caminhos da Escrita de Sinais, pavimentando e
ajudando tantos outros a pavimentarem estas estradas.
Aos incontáveis pesquisadores brasileiros da Escrita de Sinais, com seu
espírito audacioso e inovador, e ao Grupo “SignWriting Brasil” no Facebook por
abrirem novos caminhos para a educação de surdos;
À Igreja Batista da Graça (Salvador/ BA) pela visão de alcançar as comu-
nidades surdas integralmente com o Evangelho;
Ao Me. Roberto e Esp. Sheila Costa pela tão preciosa amizade, conversas
e constante incentivo;
Aos amigos surdos que, mesmo sem saber, nos motivaram e deram muitas
ideias para esta obra;
Aos nossos leitores e alunos pelas perguntas e sugestões que tanto
contribuíram para nossas vidas. Vocês são o meio pelo qual a ELS tem chegado
a milhares de pessoas por todo o Brasil;
A todos os professores que compartilharam conosco o saber em diferentes
etapas de nossa vida nos ensinando a amar as pessoas e nos desafiando a deixar
um legado. Pastores e profs. Dr. Juscelino Silva e Me. Josué Campanhã, o
ensino de vocês por palavras e ações faz parte disto e muito nos motivou.
Nosso muito obrigado ao Dr. Juscelino, grande amigo, também por aceitar o
convite de revisar esta obra;
Enfim, nosso muito obrigado a todos que direta ou indiretamente nos
auxiliaram, nos motivaram ou oraram pela pesquisa e produção desta obra,
mas aqui não foram citados.
“Sobre os ombros de gigantes” ...

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Sumário

Agradecimentos.................................................................................................... ix
LISTA DE QUADROS.................................................................................................... 31
LISTA DE FIGURAS...................................................................................................... 32
PREFÁCIO À 2ª EDIÇÃO............................................................................................. 33
Prefácio à 1ª edição............................................................................................. 37
APRESENTAÇÃO........................................................................................................... 39
Como Aprofundar-se em 06 níveis na Libras através do estudo deste livro.. 39
Como chegamos até aqui.................................................................................... 41
Um pouco do que acontece no cérebro............................................................. 47
Como o livro está organizado............................................................................. 48
Sobre a 2ª edição e suas novidades..................................................................... 50
Capítulo 1..................................................................................................................... 53
A HUMANIDADE E A ESCRITA..................................................................... 54
As Línguas de Sinais X a Escrita....................................................................... 55
Os surdos e a Escrita............................................................................................ 60
Sistemas de Escrita ou de Notação das Línguas de Sinais............................. 62
Capítulo 2..................................................................................................................... 69
O SISTEMA DE ESCRITA SIGNWRITING.................................................... 70
Características da Escrita de Sinais................................................................... 76
Capítulo 3..................................................................................................................... 85
AQUISIÇÃO DA LEITURA E ESCRITA EM SIGNWRITING................. 86
Capítulo 4..................................................................................................................... 95
A ESCRITA DE SINAIS NO BRASIL............................................................... 96
Programas Computacionais e Informática....................................................... 97
A Escrita de Sinais na Lexicografia e nos Estudos Linguísticos.................101
A Escrita de Sinais na literatura em Libras....................................................103
A Escrita de Sinais na Educação de Surdos...................................................104
A Escrita de Sinais na alfabetização e no processo de aquisição da L2......109
A Escrita de Sinais como fator de acessibilidade...........................................110
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24 Escrita de Sinais sem mistérios

Capítulo 5...................................................................................................................117
DUAS PERSPECTIVAS.......................................................................................121
Perspectiva Receptiva.........................................................................................121
Perspectiva Expressiva.......................................................................................121
ORIENTAÇÕES DE MÃO..................................................................................122
A palma da mão..................................................................................................122
O dorso da mão..................................................................................................123
O lado da mão.....................................................................................................123
Rotação da mão..................................................................................................124
TIPO DE CONTATO............................................................................................124
Tocar.....................................................................................................................124
CONFIGURAÇÕES DE MÃO..........................................................................125
LOCAÇÃO................................................................................................................126
A cabeça...............................................................................................................126
Capítulo 6...................................................................................................................127
ORIENTAÇÕES DA PALMA............................................................................128
Visão de Frente...................................................................................................128
Visão de Cima....................................................................................................128
ESCRITA DE SINAIS À MÃO..........................................................................130
SETAS BÁSICAS DE MOVIMENTO.............................................................132
Plano Parede.......................................................................................................132
TIPO DE CONTATO............................................................................................133
Escovar.................................................................................................................133
CONFIGURAÇÕES DE MÃO..........................................................................134
REGRAS ORTOGRÁFICAS..............................................................................136
Posição do contato..............................................................................................136
Capítulo 7...................................................................................................................139
CONFIGURAÇÕES DE MÃO..........................................................................140
SETAS BÁSICAS DE MOVIMENTO.............................................................142
Plano Chão..........................................................................................................142
Escrevendo percursos sobrepostos...................................................................145
LOCAÇÕES..............................................................................................................146

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Sumário 25

Os ombros e o peito...........................................................................................146
A face...................................................................................................................147
REGRAS ORTOGRÁFICAS..............................................................................148
Uso ou Omissão do grafema Tocar..................................................................148
Capítulo 8...................................................................................................................151
CONFIGURAÇÕES DE MÃO..........................................................................152
OUTRAS SETAS DE MOVIMENTO.............................................................154
MUDANÇA DE CONFIGURAÇÃO de mão E DE ORIENTAÇÃO
DA PALMA..........................................................................................................155
LOCAÇÕES..............................................................................................................155
As sobrancelhas..................................................................................................155
Os olhos...............................................................................................................156
O nariz.................................................................................................................156
A boca..................................................................................................................156
ESCREVENDO EM COLUNAS (I).................................................................157
PONTUAÇÃO..........................................................................................................157
Traço Final..........................................................................................................158
PRATICANDO A LEITURA..............................................................................159
GLOSSÁRIO............................................................................................................161
Capítulo 9...................................................................................................................163
CONFIGURAÇÕES DE MÃO..........................................................................164
Quando a direção dos Dedos é importante....................................................166
MOVIMENTOS DOS DEDOS..........................................................................167
Articulação Média fecha...................................................................................167
Articulação Média abre.....................................................................................167
MOVIMENTOS CIRCULARES.......................................................................168
TEMPOS DO MOVIMENTO............................................................................170
Movimento Simultâneo.....................................................................................170
Movimento Alternado.......................................................................................171
TIPOS DE CONTATO.........................................................................................172
Esfregar em Círculo...........................................................................................172
Esfregar Linear...................................................................................................172

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26 Escrita de Sinais sem mistérios

ESCREVENDO EM COLUNAS (II)...............................................................173


PRATICANDO A LEITURA..............................................................................175
GLOSSÁRIO............................................................................................................177
Capítulo 10.................................................................................................................179
CONFIGURAÇÕES DE MÃO..........................................................................180
MOVIMENTOS CURVOS..................................................................................182
MOVIMENTOS DOs DEDOS..........................................................................183
Flexão do dedo na Articulação Proximal........................................................183
Extensão do dedo na Articulação Proximal....................................................184
Flexão e extensão dos dedos na Articulação Proximal..................................184
TEMPO DE MOVIMENTO...............................................................................184
Movimento Consecutivo...................................................................................184
PONTUAÇÃO..........................................................................................................185
Enunciação e Pausa Curta.................................................................................185
PRATICANDO A LEITURA..............................................................................186
GLOSSÁRIO............................................................................................................189
Capítulo 11.................................................................................................................189
Configurações de Mão..........................................................................190
MOVIMENTOS DOS DEDOS..........................................................................192
Flexão e extensão dos dedos alternadamente na Articulação Proximal......192
Flexão dos dedos alternadamente na Articulação Proximal.........................193
Extensão dos dedos alternadamente na Articulação Proximal....................193
TIPOS DE CONTATO.........................................................................................194
Pegar.....................................................................................................................194
Tocar Entre.........................................................................................................194
LOCAÇÕES..............................................................................................................195
O cabelo e a orelha.............................................................................................195
MOVIMENTOS CURVOS..................................................................................195
MOVIMENTOS DOS DEDOS..........................................................................197
Abrir e fechar Entre duas Superfícies..............................................................197
PRATICANDO A LEITURA..............................................................................199
GLOSSÁRIO............................................................................................................203

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Sumário 27

Capítulo 12.................................................................................................................205
Configurações de Mão..........................................................................206
TIPOS DE CONTATO.........................................................................................208
Bater.....................................................................................................................208
LOCAÇÕES..............................................................................................................209
O pescoço............................................................................................................209
Atrás da cabeça...................................................................................................209
Os ombros e a cintura........................................................................................209
EXPRESSÕES NÃO MANUAIS.......................................................................210
Movimento dos ombros para cima ou para baixo..........................................210
OUTROS TIPOS DE MOVIMENTO.............................................................211
PRATICANDO A LEITURA..............................................................................213
GLOSSÁRIO............................................................................................................216
Capítulo 13.................................................................................................................217
configurações de mão..........................................................................218
O ALFABETO MANUAL....................................................................................219
MOVIMENTOS DO ANTEBRAÇO...............................................................223
Rotação paralela à Parede..................................................................................223
Rotação paralela ao Chão: braço estendido....................................................225
Rotação paralela ao Chão: braço paralelo à frente do tórax.........................226
Movimento de agito do antebraço...................................................................226
TIPOS DE CONTATO.........................................................................................227
Outros contatos Entre.......................................................................................227
EXPRESSÕES NÃO MANUAIS.......................................................................228
As sobrancelhas..................................................................................................228
PRATICANDO A LEITURA..............................................................................229
GLOSSÁRIO............................................................................................................233
Capítulo 14.................................................................................................................235
configurações de mão..........................................................................236
MOVIMENTOS DE GIRO DO ANTEBRAÇO..........................................238
DINÂMICA DE MOVIMENTO.......................................................................238
Tensão..................................................................................................................238

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28 Escrita de Sinais sem mistérios

O conceito de Pressão........................................................................................240
ESCREVENDO UM CLASSIFICADOR.......................................................241
EXPRESSÕES NÃO MANUAIS.......................................................................242
A boca..................................................................................................................242
PONTUAÇÃO..........................................................................................................245
Interrogação........................................................................................................245
PRATICANDO A LEITURA..............................................................................247
GLOSSÁRIO............................................................................................................251
Capítulo 15.................................................................................................................253
configurações de mão..........................................................................254
EXPRESSÕES NÃO MANUAIS.......................................................................255
Os olhos...............................................................................................................255
Direção do olhar.................................................................................................256
DINÂMICAS DE MOVIMENTO....................................................................258
Rápido..................................................................................................................258
Lento....................................................................................................................258
Relaxado...............................................................................................................259
PRATICANDO A LEITURA..............................................................................260
GLOSSÁRIO............................................................................................................264
Capítulo 16.................................................................................................................265
configurações de mão .........................................................................266
MOVIMENTOS ORIGINADOS NO PULSO..............................................267
Movimentos Circulares.....................................................................................267
Movimentos Retos.............................................................................................268
EXPRESSÕES NÃO MANUAIS.......................................................................270
Bochechas e respiração......................................................................................270
Dentes e lábios....................................................................................................271
PRATICANDO A LEITURA..............................................................................273
GLOSSÁRIO............................................................................................................276
Capítulo 17.................................................................................................................277
configurações de mão..........................................................................278
MOVIMENTOS NO PLANO DIAGONAL............................................ 279

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Sumário 29

Diagonal para frente ou para trás............................................................. 279


EXPRESSÕES NÃO MANUAIS.......................................................................281
Movimentos do tronco......................................................................................281
Giro do tronco....................................................................................................282
Inclinação do tronco..........................................................................................282
Visão do corpo por cima....................................................................................283
A língua...............................................................................................................283
PONTUAÇÃO..........................................................................................................284
Os Parênteses......................................................................................................284
PRATICANDO A LEITURA..............................................................................286
GLOSSÁRIO............................................................................................................288
Capítulo 18.................................................................................................................289
OS SINAIS NOME E OS TOPÔNImOS.......................................................290
CONFIGURAÇÕES DE MÃO..........................................................................291
TIPOS DE CONTATO.........................................................................................292
Grafemas de Superfície.....................................................................................292
PRATICANDO A LEITURA..............................................................................295
GLOSSÁRIO............................................................................................................298
CONSIDERAÇÕES FINAIS......................................................................................299
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS......................................................................303
APÊNDICE A: Configurações de Mão da Libras.....................................................321
apêndice b: Glossário Editorial em Libras...........................................................331
ANEXO A: Relação de todos os trabalhos brasileiros sobre a Escrita de Sinais
(SignWriting) como citados por Campos (2012).....................................................333
ANEXO B: Envelope e carta de aniversário de Madson Barreto para Raquel
Barreto em 2011........................................................................................341
ANEXO C: Professores de surdos do centro de apoio pedagógico de Ipiaú e a
alfabetização em SignWriting .......................................................... 343
ANEXO d: A perspectiva dos surdos sobre o SignWriting na cidade de
Ipiaú/ BA......................................................................................... 347
ANEXO e: O SignWriting na educação brasileira de surdos: de 1996 até hoje.... 351
ANEXO f: Ensinando e aprendendo o SignWriting em um curso on-line: as
experiências do professor e dos alunos.............................................. 355
ANEXO G: A mágica por trás das câmeras: ensinando o SignWriting em um
curso on-line..................................................................................... 359
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30 Escrita de Sinais sem mistérios

ANEXO H: A relevância do SignWriting como recurso para a transcrição


fonológica das línguas de sinais........................................................ 363
ANEXO I: “Escrita de Sinais sem mistérios”: O primeiro livro brasileiro para
o ensino do SignWriting................................................................... 367
ANEXO J: A produção linguístico terminológica da Língua Brasileira de Sinais
(Libras) e o SignWriting.................................................................... 371
ANEXO K: Tradução para o SignWriting de resumos de teses de doutorado
e artigos: um novo paradigma........................................................... 375
ÍNDICE REMISSIVO DE PALAVRAS OU EXPRESSÕES CHAVE..........379
Índice Remissivo dos Grafemas da Escrita de Sinais........389
Orientações da Palma........................................................................................389
Configurações de Mão.......................................................................................390
Movimentos........................................................................................................394
Dinâmica e Tempo.............................................................................................398
Outras Partes do Corpo....................................................................................399
Pontuação............................................................................................................402
Índice Remissivo dos Sinais Escritos no Livro........................403

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LISTA DE QUADROS

Quad. 01: Sinal de “casa” (1) e de “carro” (2) em Libras........................ 40


Quad. 02: Alguns grafemas utilizados na Mimographie........................ 63
Quad. 03: Configurações de Mão na Notação de Stokoe..................... 64
Quad. 04: Língua de Sinais na Notação de Stokoe................................. 64
Quad. 05: Algumas Configurações de Mão no HamNoSys.................. 65
Quad. 06: Sinal de Ball (Bola) na LS Alemã escrita em HamNoSys............................ 65
Quad. 07: Texto escrito em D’Sign................................................................................... 65
Quad. 08: Notação de François Neve............................................................................... 66
Quad. 09: Texto em ELiS e sua respectiva tradução livre para o Português............... 67
Quad. 10: SignWriting Detalhado (1974-1976). Sentença em LS Dinamarquesa
“De ter far” (“É pai” ou “Que é pai” em português)......................................................... 71
Quad. 11: Escrita de Sinais Moderna. Sentença em LS Dinamarquesa
“De ter far” (“É pai” ou “Que é pai” em português)........................................................ 73
Quad. 12: Escrita Impressa X Escrita Cursiva................................................................ 75
Quad. 13: Grafemas para algumas das Locações na cabeça.......................................... 77
Quad. 14: Sinais indígenas. Aldeia Coroa Vermelha (Santa Cruz Cabrália/ BA)..... 81
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LISTA DE FIGURAS

Fig. 01: Captura de tela com a quantidade de materiais estudados...... 43


Fig. 02: Toalha de mão bordada com o sinal da Raquel e seu
nome em ELS.............................................................................................. 45
Fig. 03: Cartão de felicitação pelo aniversário de casamento
em 2011........................................................................................................ 46
Fig. 04: DanceWriting (SUTTON, 1973)................................................ 70
Fig. 05: Tela da função “Editor de sinais/ SignMaker” no SignPuddle 2.0................... 74
Fig. 06: Diferença entre desenhos e sistemas de escrita................................................. 78
Fig. 07: Envelope da carta de aniversário para Raquel Barreto..................................341
Fig. 08: Carta de aniversário para Raquel Barreto em 2011.......................................342
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PREFÁCIO À 2ª EDIÇÃO

Valerie Sutton1

Sinto-me muito honrada em testemunhar a publicação desta


segunda edição do clássico “Escrita de Sinais sem mistérios”.
Por 19 anos eu tive o privilégio de trabalhar à distância, via
internet, com pesquisadores brasileiros, programadores, educadores e
membros da comunidade surda brasileira. Todos têm sido pessoas amáveis,
graciosas, otimistas. Eu aprendi muito com os meus contatos brasileiros.
E me sinto grata àqueles no Brasil que estão tomando a iniciativa de
escrever a sua língua de sinais, a Libras.
A Libras agora é uma língua escrita, e isto é possível por causa dos bravos
brasileiros que aproveitaram a oportunidade, sendo pioneiros de uma nova
ideia.
E Madson e Raquel Barreto, os autores deste livro, são dois desses
pioneiros.
Obrigada, Madson e Raquel, por seu trabalho duro e dedicação ao
princípio de que quem fala em Libras merece uma forma de ler e escrever sua
própria língua.
Alfabetização em todas as línguas, orais ou sinalizadas, abre as portas da
comunicação e do conhecimento para todos. Todas as línguas são aprimoradas
quando podem ser escritas, traduzidas e publicadas, e as línguas de sinais não
são exceção.
O SignWriting começou no Brasil em 1996 quando o Dr. Antônio
Carlos da Rocha Costa, um professor da Pontifícia Universidade Católica do
Rio Grande do Sul em Porto Alegre, entrou em contato comigo e veio me
visitar na minha casa em La Jolla, Califórnia. Daquele momento em diante, o
SignWriting começou a se espalhar pelo Brasil.
Em 18 de agosto de 2011, o jovem entusiasmo do Madson Barreto
pelo SignWriting me saltou aos olhos subitamente na Lista de Discussão
do SignWriting. Fiquei impressionada com as mensagens de Madson sobre

1
  Center for Sutton Movement Writing. Criadora do SignWriting (Escrita de Sinais) e das outras
quatro seções do Sutton Movement Writing, um sistema para ler e escrever movimentos do
corpo.
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34 Escrita de Sinais sem mistérios

como escrever as Configurações de Mãos brasileiras. Eu podia sentir que algo


importante estava acontecendo. Aqui estava um jovem brilhante ansioso para
documentar e ensinar a leitura e escrita da Libras com novos materiais de
instrução.
No dia 5 de julho de 2012, minha campainha tocou e um pacote do Brasil
estava em minha porta! Ao abri-lo, encontrei um belo novo livro intitulado
“Escrita de Sinais sem mistérios, Volume 1”. Junto ao livro estava um adorável
pacote de papel que era uma obra de arte, com pequenos sinais escritos nele
todo. Eu sempre vou guardar a memória de abrir este livro pela primeira vez e
ver a Libras escrita em colunas verticais escrita de forma tão clara e bela.
De 21 a 24 de julho de 2014, nós celebramos o aniversário de 40 anos do
SignWriting com o Simpósio Online, transmitido ao vivo via Google Hangouts
e Youtube. Foram 40 apresentações de 12 países. Dezesseis dos 42 palestrantes
eram do Brasil. E muito do sucesso do Simpósio, com tantos apresentadores do
Brasil, pode ser atribuído a Madson Barreto. Madson apresentou e coordenou
9 das 40 apresentações. Ele e sua adorável esposa Raquel devem ser aplaudidos
por contribuir tanto com o sucesso do SignWriting Symposium 2014.
Este importante novo livro é uma contribuição valiosa para a educação
em Libras, e para todos aqueles que usam o SignWriting no Brasil em todo o
mundo.

Valerie Sutton
La Jolla, Califórnia
10 de fevereiro de 2014

www.SignWriting.org
sutton@signwriting.org

34
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Prefácio à 2ª Edição 35

PREFACE (Original)

Valerie Sutton2

I feel very honored to witness the publication of this second edition of the
classic book, “Escrita de Sinais sem mistérios”.
For 19 years I have had the privilege of working from afar, over the
internet, with Brazilian researchers, software developers, educators and
members of the Brazilian Deaf Community. All have been kind, gracious,
optimistic people. I have learned much from my Brazilian acquaintances.
And I am grateful to those in Brazil who are taking the initiative to write
their sign language, LIBRAS.
LIBRAS is now a written language, and this is possible because of brave
Brazilians who took the chance, pioneering a new idea.
And Madson and Raquel Barreto, the authors of this book, are two of
these pioneers.
Thank you, Madson and Raquel, for your hard work and dedication to
the principle that those who use LIBRAS deserve a way to read and write
their own language.
Literacy in all languages, spoken or signed, opens the doors of commu-
nication and knowledge for everyone. All languages are enhanced when they
can be written, translated and published, and sign languages are no exception.
SignWriting began in Brazil in 1996 when Dr. Antônio Carlos da Rocha
Costa, a professor at the Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do
Sul in Porto Alegre, contacted me and came to visit me in my home in La
Jolla, California. From that time on, SignWriting began to spread in Brazil.
On August 18th, 2011, Madson Barreto’s youthful enthusiasm for
SignWriting leaped out at me by surprise on the SignWriting List. I was
impressed with Madson’s messages about writing Brazilian handshapes. I
could feel something important was happening. Here was a brilliant young
man eager to document and teach the reading and writing of LIBRAS with
new instruction materials.

2
  Center for Sutton Movement Writing. Inventor of SignWriting and all the other four sec-
tions of Sutton Movement Writing, a system for reading and writing body movement.

35
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36 Escrita de Sinais sem mistérios

On July 5th, 2012, my doorbell rang and a package from Brazil was on
my doorstep! I opened it to find a beautiful new book entitled “Escrita de
Sinais sem mistérios, Volume 1”. Included with the book was a lovely paper
bag that was a piece of art, with small written signs all over the bag. I will
always treasure the memory of opening the book for the first time and seeing
written LIBRAS in vertical columns so clearly and beautifully written.
On July 21-24, 2014, we celebrated SignWriting’s 40th birthday with
the SignWriting Symposium Online, broadcast live on Google Hangouts and
YouTube. There were 40 presentations from 12 countries. Sixteen of the 42
presenters were from Brazil. And much of the success of the Symposium,
with so many presenters from Brazil, can be attributed to Madson Barreto.
Madson presented and coordinated 9 of the 40 presentations. He and his
lovely wife Raquel should be commended for contributing so much to the
success of the SignWriting Symposium 2014.
This important new book is a valuable contribution to LIBRAS educa-
tion, and for all those who use SignWriting in Brazil, and around the world.

Valerie Sutton
La Jolla, California
February 10, 2014

www.SignWriting.org
sutton@signwriting.org

36
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Prefácio à 1ª edição

Marianne Rossi Stumpf, Dra.3

Em um artigo que escrevi em 2002 conto como iniciamos em 1996, em


Porto Alegre, as pesquisas sobre o SignWriting aqui no Brasil. Como
fiquei surpresa ao reconhecer naquela escrita os sinais de uma língua
de sinais e feliz ao compreender que ela podia ser escrita. Após três
anos de pesquisa, a tradução parcial e adaptação do Inglês/ ASL (Língua de
Sinais Americana) para Português/ Libras do livro “Lessons in SignWriting”, de
Valerie Sutton, publicado originalmente pelo DAC – Deaf Action Committee
for SignWriting, resultaram na construção do “Lições sobre o SignWriting” e do
primeiro software SW-Edit para escrita da Língua de Sinais Brasileira pelo
sistema SignWriting que foi colocado no site. A partir daí, a escrita dos sinais da
Libras pelo sistema SignWriting começou a poder ser desenvolvida no Brasil.
Em 2006, com o início do 1º Curso Letras/ Libras a distância, foi dado um
grande impulso a nossa escrita, ele levou aos surdos brasileiros, de 18 estados,
esses conhecimentos como parte do seu currículo.
A publicação do livro: Escrita de Sinais sem mistérios utiliza grande parte
da metodologia e é construído a partir dos materiais da disciplina de escrita
dos sinais que compõe o Curso Letras/ Libras. Parabenizo aos organizadores
Madson e Raquel Barreto pela dedicação e iniciativa de realizar esse trabalho
e ao CEFET-MG, com seu Grupo de Estudos da Escrita de Sinais, pelos
avanços acrescentados ao estudo da Escrita de Sinais pelo sistema SignWriting.
A Educação Bilíngue brasileira e, em particular o estado de Minas Gerais,
um estado possuidor de uma forte cultura que muitas vezes impulsionou os
avanços conquistados pelos surdos brasileiros, ficam enriquecidos com essa
publicação.
“A cultura não trabalha, move, muda ou transforma, mas é trabalhada,
movida, mudada, ou transformada. São as pessoas que fazem coisas...” Lynd, 1939.

3
  Doutora em Informática na Educação (UFRGS). Pós-doutora pela Universidade Católica
Portuguesa. Professora adjunta da UFSC. Membro da comissão de educação bilíngue do MEC.
Membro da comissão técnica do Pro-Libras (MEC). Primeira surda no Brasil a pesquisar a Escrita
de Sinais como membro da equipe do prof. Dr. Antônio Carlos da Rocha Costa no projeto
SignNet iniciado em 1996.
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APRESENTAÇÃO

Como Aprofundar-se em 06 níveis na Libras Através do


Estudo Deste Livro

O que você tem em mãos não é apenas mais um livro. Mas uma porta que te
guiará ao caminho para elevar sua experiência pessoal e sua atuação profissional
com a Língua Brasileira de Sinais (Libras). Independentemente do nível que
você se encontra atualmente, nós acreditamos que você pode ir além.
Se você é surdo (a), já imaginou fazer anotações de aulas, palestras diretamente
em Libras, sem depender do Português?
Já imaginou poder deixar um recado importante escrito diretamente em
Libras, sem passar pelo Português? Já imaginou poder escrever um livro ou história
completa em Libras?
Se você está aprendendo a Libras, já imaginou poder memorizar sinais com
facilidade? Já pensou em fazer suas anotações sem ter que usar o Português? Já
imaginou poder escrever qualquer sinal da Libras com praticidade? Já se imaginou
conseguindo conversar em Libras fluentemente com um surdo?
Se você é intérprete, professor ou pesquisador da Libras, já pensou em
encontrar uma forma de aprofundar-se na Libras com facilidade? Já pensou em
poder preparar suas traduções sem ter que fazer anotações em glosas? Já pensou em
poder preparar um plano de aula todo em Libras escrevendo com facilidade no papel
ou no computador? Já imaginou a liberdade de fazer anotações e transcrições de
sinais ou sinalizações diretamente em Libras escrita, sem passar pelo Português?
Se você conseguiu se imaginar em qualquer uma destas situações, temos
uma ótima notícia para você: isto é completamente possível com a Escrita de
Sinais (SignWriting4). Este é um sistema completo e extremamente poderoso
que lhe permitirá aprofundar em 6 níveis seus conhecimentos da Libras,
sinalizar de forma ainda mais clara, memorizar sinais com muito mais facili-
dade, fazer anotações diretamente em Libras e assim adquirir novos conheci-
mentos com maestria. Isto está ao seu alcance neste livro de forma simples,
organizada e prática.

4
 Em todo o livro, usaremos os termos “Escrita de Sinais”, “Escrita das Línguas de Sinais” ou
“ELS” como nome em Português para o sistema SignWriting, salvo indicação em contrário.
Algumas vezes utilizaremos “a Escrita de Sinais pelo SignWriting” enfatizando ao que nos
referimos.
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40 Escrita de Sinais sem mistérios

Imagine que um surdo veja o sinal de ‘casa’ (1) como escrito abaixo. Ele
acharia que é o sinal de ‘carro’ (2)? Não, pois este sinal é escrito de forma
diferente. A escrita de ambos representa diretamente como o sinal é feito.
Mesmo sem ter estudado a Escrita de Sinais, é possível perceber o significado
de várias partes da escrita.

(1)

(2)

Quad. 01: Sinal de “casa” (1) e de “carro” (2) em Libras

Contudo, quando o surdo se confronta com essas duas palavras no portu-


guês, pode não estar tão claro. Isto acontece porque as escritas das Línguas
Orais não conseguem registrar com precisão as Línguas de Sinais (LS), pois
seus fonemas são visuais, não sonoras. Quando um surdo lê uma palavra
escrita em Português, isto não lhe ajuda a lembrar como é feito o sinal. Porém
a Escrita de Sinais consegue fazer o registro da Libras com precisão, como
você mesmo viu acima.
Por onde passamos, temos visto grandes transformações acontecerem na
vida daqueles que estudam o SignWriting passo a passo. É o caso das professoras
Ma. Jorgina Souza, Maria Luiza Nascimento e Tatiana Coelho que mostram
os relatos de seus alunos surdos que têm se aprofundado cada vez mais na
Libras. Eles se sentem livres e têm prazer em escrever diretamente em Libras
suas ideias, opiniões, emoções, enfim, o que quiserem. As professoras percebem
também que esta escrita contribui para o desenvolvimento intelectual dos
surdos5.
Eva Barbosa e Silvana Pereira, ouvintes, relatam que tiveram sua visão da
Libras ampliada e aprofundaram seus estudos nesta língua pelo SignWriting. A
ELS facilitou-lhes a memorização de sinais e a compreensão dos parâmetros
fonético-fonológicos, isto é, das partes que constituem cada sinal6.
Você encontrará neste livro os resultados de inúmeras pesquisas
realizadas por surdos e ouvintes em nosso país: Dr. Antônio Carlos da
Rocha, Dr. Fernando Capovilla, Dr. Vilmar da Silva, Dra. Márcia Campos,

5
  Saiba mais nos Anexo C (p. 343) e D (p. 347).
6
  Saiba mais no Anexo F (p. 355).
40
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Apresentação 41

Dra. Marianne Stumpf, Dra. Ronice Quadros, Ma. Débora Wanderley, Me.
Edivaldo Costa, Ma. Érika Silva, Me. Fábio Silva, Ma. Lisiane Mallmann,
Ma. Maria Salomé Dallan, Me. Rundesth Nobre e Ma. Walkiria Raphael,
dentre muitos outros.
Ao estudar este livro você será capaz de escrever a Libras sem depender
do Português. Nele você vai descobrir como ter uma visão ampla (de sinais,
frases e textos em Libras) e ao mesmo tempo específica (analisando as partes
dos sinais) de forma simples e rápida com base na linguística da Libras. Verá
também como escrever novos sinais aprendidos e fazer suas próprias anotações
em Libras.

Como chegamos até aqui

Eu, Madson Barreto (pode me chamar de Madson), sou pesquisador, tradutor


intérprete da Libras há mais de 14 anos, palestrante, empreendedor, escritor e pastor.
Estas ações se combinam em minha vida. Sou apaixonado por fotografia e sempre
gosto de inventar algo novo.

Eu, Raquel Barreto (pode me chamar só de Raquel) sou instrutora de Libras,


pesquisadora da Escrita de Sinais, notadora de LS, escritora e atuo como bolsista do
CEFET-MG7 nos projetos de Glossário da Libras nas áreas de eletrônica e química.
Sou apaixonada por dança.
Nos últimos anos criamos e ministramos diversas oficinas presenciais e cursos
tanto presenciais quanto à distância. Demos inúmeras palestras presencialmente e
também via Internet. Publicamos a primeira edição deste livro e duas edições do
Libras em Jogo8, fizemos tradução de inúmeros materiais para a Escrita de Sinais.
Atualmente administramos um site, além das áreas de membros de nossos cursos à
distância e de nossa fanpage9 no Facebook que já ultrapassou 30.306 seguidores.

Este é um resumo de nossa vida hoje. Mas nem sempre foi assim. Abaixo,
vamos compartilhar um pouco de nossas histórias.

7
  Centro Federal de Educação Tecnológica do Estado de Minas Gerais.
8
  Jogo de cartas bilíngue com 111 Configurações de Mão da Libras. Saiba mais em: <http://
www.librasescrita.com.br>.
9
  Faça parte desta comunidade. Acesse: <http://www.facebook.com/LibrasEscrita>.
41
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42 Escrita de Sinais sem mistérios

Eu, Madson, comecei a aprender a Libras por volta dos meus 13 anos de idade.
Depois fiz um outro curso mais longo. Fazia anotações e mais anotações dos sinais
igual meus colegas do curso (daquele tipo descritivo: mão para cima, mão para baixo.
Dá duas voltas ao redor da outra mão, toque no peito, e por aí vai), mas nós não
conseguíamos memorizá-los direito. Às vezes nem eu entendia minhas próprias
anotações.
Até que, anos mais tarde, comecei a coordenar, numa empresa, 55 funcionários
surdos, homens e mulheres, que tinham de 18 a 73 anos de idade! Nunca esqueci de
minha frustração em não entender os surdos direito. Via eles fazendo aquela cara de
quem não está entendendo nada. Era muito angustiante. Tive, literalmente, muita
dor de cabeça. Mas o pior foi quando eu estava numa reunião com todos eles e tinha
uns dois surdos explicando para os demais o que eu estava falando em Libras. Eu
me senti impotente.
Eu espero que você não precise passar por uma situação assim para resolver se
aprofundar na Libras. Decidi assumir um compromisso comigo mesmo: nunca mais
vivenciaria esse tipo de problema.
Investi mais de 2 anos observando como os surdos se comunicavam. Estudei
muito sobre técnicas de aprendizado e aquisição de idiomas. Fui desconstruindo todo
meu aprendizado para então reaprender no caminho certo. Deu muito trabalho. O
cansaço mental foi inevitável.
Num final de tarde, quando saí do trabalho com um amigo, nos encontramos
com amiga dele. Ela lhe deu um belo presente: o chamado Dicionário Capovilla10
(CAPOVILLA, RAPHAEL & LUZ, 2001). Nesse dia tive meu primeiro contato
com a Escrita de Sinais pelo sistema SignWriting.
Na hora eu entendi que se eu aprendesse esta escrita não precisaria mais nem
olhar para aqueles desenhos das apostilas de Libras que na maioria das vezes eu não
compreendia direito. Minhas anotações de novos sinais seriam infinitamente mais
rápidas também, afinal escreveria diretamente em Libras, não em Português.
Porém, só comecei a estudar a Escrita de Sinais na faculdade de Letras com
habilitação em Libras pela UFSC11. A partir disso, fundei e coordenei um grupo de
estudos sobre a ELS no CEFET-MG12, onde era nosso polo.

10
 Denominado oficialmente por Dicionário Enciclopédico Ilustrado Trilíngue da Libras
(DEIT-Libras).
11
  Universidade Federal de Santa Catarina.
12
  Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais.

42
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Apresentação 43

Pesquisei muito por conta própria, aprofundei-me ainda mais e isto acelerou o
processo de reaprendizagem da Libras que eu estava.
Apliquei essas técnicas que aprendi comigo mesmo e com minha mãe.
Conseguimos alcançar o objetivo de sermos fluentes na Libras. Finalmente passei
a entender quais eram os segredos para se aprender um novo idioma e como se
aprofundar. De tanto estudarmos (eu e Raquel), acabamos desenvolvendo um método
para estudar e se aprofundar na Libras através da Escrita de Sinais (SignWriting)
com base em pesquisas das neurociências cognitivas.
Aplicamos este método em cursos, oficinas, e palestras, com centenas de alunos.
Foram muitas e muitas horas investidas em pesquisas nos últimos anos. Fiquei
assustado ao descobrir recentemente que, para esta 2ª edição, estudamos mais de
2260 arquivos, totalizando 17,1 GB13, sem contar em todos os demais livros e
materiais impressos. Veja:

Fig. 01: Captura de tela com a quantidade de materiais estudados

O método apresentado neste livro fará você se aprofundar na Libras em 6


níveis, como demonstraremos mais à frente.
Esta é minha história. Agora chegou a vez da Raquel falar.

Oi! Eu, Raquel, fiquei surda aos 10 meses, devido à medicação para a meningite, que
é tóxica aos ouvidos. Comecei a ter contato com a Libras apenas quando entrei para
a escola aos meus 08 anos. Adquiri naturalmente interagindo com outros surdos.
13
  Incluindo documentos de texto, arquivos PDF (Portable Document Format - Formato Portá-
til de Documento), tabelas, vídeos, páginas de sites, imagens, fotos, etc.
43
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44 Escrita de Sinais sem mistérios

Como mudávamos muito de casa, passei por várias escolas. Em muitas delas os
professores eram bimodalistas14. Somente a partir do 6º ano do Ensino Fundamental
(antiga 5ª série) é que tive intérprete em sala.
Algumas vezes tirei nota Zero em atividades ou provas. Tudo era em
Português (minha Segunda Língua). Não conseguia conectar aquelas palavras ao
meu pensamento, ao que havia aprendido em minha Primeira Língua (L1). Isso
machucava lá dentro de mim. Mas na época eu não entendia porque isto acontecia.
O tempo passou...
Em 2007, Madson e eu começamos a namorar. Ele gostava de me dar
cartõezinhos com mensagens e pequenos poemas. Mas tudo era em português e eu
entendia pouco do que estava ali. Quando percebia meu sorriso amarelo, pegava
o cartãozinho e então ia traduzindo tudo para a Libras. Riamos juntos. Mas lá
no fundo era frustrante para nós dois ter que traduzir tudo. Com o tempo, ele foi
parando de escrever seus cartões.
Quando o Madson começou a aprender a Escrita de Sinais, logo me mostrou.
Para mim não tinha significado. Ele deixou muitos materiais para eu estudar. Mas
acho que nunca abri. Mesmo assim ele continuou estudando e sempre me apresentava
algo.
Com o passar do tempo, ele voltou a me entregar mensagens. Mas agora
estavam escritas em Libras! O engraçado é lembrar que eu não sabia a ELS, mas
mesmo assim eu conseguia entender muito do que estava ali. Depois, passei a
compreender mais e não dependia tanto das explicações dele.
Uma alegria começou a brotar em meu coração, porque agora eu mesma via a
possibilidade de ler e escrever minha própria língua. Meu sorriso agora era sincero...
Nosso aprofundamento na ELS se deu só depois de nos casarmos, pois agora
estávamos juntos. Dedicamos muito tempo estudando a Escrita de Sinais. Nosso
nível linguístico na Libras mudou exponencialmente.
Em 2011, meus amigos prepararam uma festa de aniversário surpresa.
Depois de eu soprar as velinhas, o Madson me entregou um envelope estilizado
muito bonito.

14
 O Bimodalismo consiste no uso simultâneo da Libras e do Português. A comunicação não é
fluente, pois essa prática rompe a estrutura de ambas as línguas restando apenas fragmentos que
na maioria das vezes são desconexos. É como “chupar cana e assoviar ao mesmo tempo”: não
dá certo. Infelizmente ainda hoje é possível ver profissionais (e familiares de surdos) que fazem
uso do bimodalismo tanto em ambientes formais quanto nos informais, tornando a mensagem
incompreensível aos surdos.
44
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Apresentação 45

Abri. Pedi que uma amiga segurasse a carta. Estava em Escrita de Sinais15.
Todos olharam assustados! Li toda a carta diretamente em Libras. Meus amigos
ficaram impressionados.
Quando chegamos em casa, o Madson me disse que enquanto eu lia a carta em
Libras era nítido o brilho no meu olhar.
Como minha vida teria sido diferente se eu tivesse aprendido a escrever a Libras
em minha infância! Quantas oportunidades teriam sido melhor aproveitadas. Eu
teria aprendido muito, muito mais na escola, nos cursos, no trabalho. Quem me dera
que os outros surdos tivessem esta oportunidade que só agora eu passei a ter!
Percebemos que seríamos egoístas se ficássemos com todo este conhecimento para
nós. Refletimos muito sobre como extrair desta experiência um método passo a passo
que pudesse ajudar outras pessoas.
Foi então que surgiu a ideia do livro ‘Escrita de Sinais sem mistérios’ e de todas
as ações já realizadas por nós desde então.
Até minha sogra, a Maria, aprendeu a Escrita de Sinais. Como ela se
aprofundou na Libras nos últimos anos! A ELS potencializou o aprendizado dela.
Sempre que encontra surdos – mesmo os outro estado, sem medo algum ela conversa
alegremente com eles.
Duas coisas que me emocionaram muito foram uma toalhinha onde ela bordou
meu sinal e meu nome, e um cartão nos parabenizando pelo nosso aniversário de
casamento. Veja:

Fig. 02: Toalha de mão bordada com o sinal da Raquel e seu nome em ELS

15
  Veja no Anexo B (p. 341).
45
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46 Escrita de Sinais sem mistérios

Fig. 03: Cartão de felicitação pelo aniversário de casamento em 2011

Já tive oportunidade de ensinar a ELS para crianças, adolescentes, jovens e


adultos. É impossível dizer a sensação que tenho ao ver outros surdos aprendendo
a escrever sua própria língua. Agora entendo o brilho no olhar que o Madson tanto
falava que eu tinha. Vejo este brilho quando os surdos leem sua língua. Vejo este
brilho quando escrevem os sinais. É fantástico como aprendem rápido!
Isto é prova daquilo que Capovilla et al. (2006, p. 1492) identificou. O
problema na escrita do surdo não tem nada a ver com a cognição, mas com o sistema
de escrita que é obrigado a escrever: a Língua Portuguesa. Como escrever a L2 sem
a base necessária?
Desde quando comecei a estudar a Escrita de Sinais de verdade, passei a
compreender o Português com mais facilidade também. Aprendi muitas palavras
novas e passei a ter mais facilidade em estruturar frases também, mesmo sem ter
parado para estudar esta língua. A Escrita de Sinais é a base cognitiva que meu
cérebro tanto precisava para adquirir a escrita da minha Segunda Língua.
Hoje, quando Madson e eu precisamos deixar algum bilhete um para o outro,
o fazemos em Escrita de Sinais. Levo também meu caderno por onde vou. Agora sei
escrever minhas ideias e tenho certeza que estou escrevendo exatamente aquilo que
está em minha mente.
Mas até chegarmos neste ponto, sofremos muito, gastamos muito tempo e
dinheiro. Aqui está a essência deste conhecimento. Através deste livro você também
será capaz de ler e escrever a Libras e aprofundar seus conhecimentos em 6 níveis na
Libras. Agora é com você.
46
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Apresentação 47

É por tudo isto e muito mais que nós acreditamos que ao ensinar técnicas
inovadoras e altamente eficazes de estudo e escrita da Libras, estamos colabo-
rando para a transformação de pessoas e da sociedade propiciando uma nova
forma de acesso ao mundo.
Antes de falarmos sobre o livro, vamos responder uma pergunta que deve
estar aí em sua mente: “como assim me aprofundar na Libras em 6 níveis”?

Um pouco do que acontece no cérebro

A Escrita de Sinais contribui para a memorização, aprendizagem e organização


do pensamento em Libras de maneira mais rápida. Isto acontece porque
ela registra os sinais de forma visual direta, parte por parte, com grafemas16
altamente icônicos. Isto envolve diversas áreas do cérebro, criando inúmeras
conexões ao mesmo tempo.
Para se aprofundar mais na Libras, é necessário entender o todo, mas é
necessário também conhecer as partes. Quem faz isto consegue alcançar uma
alta performance muito mais rápido que as outras pessoas.
Incrivelmente, a Escrita de Sinais pelo sistema SignWriting nos permite
este tipo de análise da estrutura da Libras de forma muito natural. Você
começa a observar detalhes da língua que não observaria de outra forma. Por
isto, a Escrita de Sinais pode te levar a se aprofundar na Libras em pelo menos
6 níveis linguísticos.
Ao aprender, utilizar ou ensinar a Escrita de Sinais, seu cérebro faz uma
aprofundada análise (1) fonético (2) fonológica17 da Libras. Isto acontece à
medida em que, consciente ou inconscientemente, você vai observando a estru-
tura das Configurações de Mão, das Orientações da Palma, dos padrões das
Locações – isto é, onde os sinais são feitos – dos Movimentos e das Expressões
Não Manuais, que são as expressões faciais e expressões corporais.
Ao mesmo tempo, seu cérebro assimila (3) a morfologia da Libras. Ou
seja, a estrutura interna dos sinais, quais são as menores partes com significado.
Você começa a perceber também porque o sinal tem uma determinada Confi-
guração de Mão, uma Locação específica, e assim por diante.

16
 Símbolos.
17
  Nas Línguas de Sinais, a Fonética e a Fonologia estudam as unidades mínimas que consti-
tuem os sinais e que isoladamente não apresentam nenhum significado (QUADROS & KAR-
NOPP, 2004).
47
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48 Escrita de Sinais sem mistérios

Ela abre sua percepção para uma visão ampla da Libras permitindo que
assimile com facilidade como esta língua está organizada. Você se apropria
também de sua (4) sintaxe18, (5) semântica19 e (6) pragmática20 e ainda adquire
mais vocabulário da Libras muito mais rápido que os métodos tradicionais.
Assim, de forma muito natural, o cérebro vai associando conhecimentos
novos com os antigos. Novas conexões são estabelecidas. E o estudo e aprofun-
damento da Libras fica muito mais fácil.
Contudo, ainda existem muitos mitos em torno da Escrita de Sinais.
Muitas pessoas, por não conhecê-la, afirmam que ela não é capaz de registrar
as Línguas de Sinais com todas as suas características. Para muitos, o primeiro
contato ou o estudo desta escrita foi superficial e envolto de mistérios.
Neste livro, você aprenderá a Escrita de Sinais sem Mistérios e descobrirá
como é simples escrever as Línguas de Sinais. Para isto, estudaremos a Escrita
de Sinais passo a passo, trazendo como exemplos léxicos21 e textos em Libras.
Reconhecemos a diversidade cultural dos surdos brasileiros e os regiona-
lismos da Libras, assim, buscamos utilizar como exemplos sinais comuns
às diversas regiões do país. Contudo, quando não foi possível identificar ou
utilizar estes sinais, foi adotada a variante de Belo Horizonte/ MG. Em outros
momentos apresentamos sinais utilizados em cidades ou regiões específicas do
país, fazendo esta indicação entre parênteses.

Como o livro está organizado

Os quatro primeiros capítulos apresentam resultados de pesquisas sobre a


Escrita de Sinais no Brasil e no mundo associados a pesquisas na área da
linguística. No capítulo 01, você descobrirá a importância crucial da escrita,
a relação entre as LS e os surdos com a escrita. Verá também um panorama
histórico sobre diversos sistemas de notação e escrita das Línguas de Sinais.
No capítulo 02, você aprofundará na história do sistema SignWriting,
conhecerá suas principais características e como ele faz o registro preciso das
Línguas de Sinais. Descobrirá ainda muitos usos e benefícios que esta escrita
traz a seus usuários surdos e ouvintes.
18
 A Sintaxe é um conjunto de regras que determinam a ordem e as relações das palavras sinais
na frase.
19
 A Semântica é o estudo do significado das palavras numa língua.
20
 A Pragmática estuda como os enunciados comunicam significados diferentes num contexto.
21
 Sinais.
48
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Apresentação 49

Já no capítulo 03, você entenderá mais sobre o processo de aquisição da


leitura e escrita em SignWriting tanto por surdos (crianças, jovens e adultos)
quanto por ouvintes.
No capítulo 04, você vai absorver as principais pesquisas e criações empre-
endidas no Brasil sobre o SignWriting desde 1996. São mais de 152 trabalhos
desenvolvidos nas áreas de informática, lexicografia, estudos linguísticos, lite-
ratura em Libras, educação de surdos, alfabetização, aquisição da L2, acessibi-
lidade, etc. São incontáveis contribuições brasileiras com resultados fantásticos.
Do capítulo 05 ao 18, você estudará a Escrita de Sinais passo a passo.
Aprenderá seus grafemas e Regras Ortográficas com base em Parkhurst &
Parkhurst (2001, 2008); Roald (2006) e Sutton (S/D; 1998c; 1999a; 1999b;
2000; 2003; 2009; 2011; 2012a; 2012b; 2012c; 2014), Sutton & Frost (2011),
Thiessen (2011) e Barreto (2013a), dentre outros.
Na Escrita de Sinais, os grafemas estão organizados em sete categorias:
Mãos, Movimentos, Dinâmica e Tempo, Cabeça e Face, Corpo, Locação
Detalhada e Pontuação (SUTTON, 2011). A Locação Detalhada é utilizada
por pesquisadores e linguistas para o desenvolvimento de glossários, dicionários
de LS ou softwares diversos.
Nosso estudo está organizado de acordo com os parâmetros fonológicos
da Libras, grafemas relacionados a eles e grafemas de Pontuação.
Cada um desses grafemas será introduzido aos poucos. Primeiro você
aprenderá as Configurações de Mão mais usadas na Libras, bem como os
grafemas utilizados com mais frequência na escrita, juntamente com exemplos
da Língua Brasileira de Sinais e Regras Ortográficas aplicadas à sua gramática.
As principais regras estão marcadas com este símbolo:

No capítulo 08, inicia-se uma história em Escrita de Sinais que terá


continuidade nos capítulos seguintes. Esta história foi composta diretamente
em Escrita de Sinais. Não foi feita uma tradução ou versão dela em Língua
Portuguesa, nem mesmo uma versão digital em Libras.
Na história serão utilizados preferencialmente grafemas já estudados até
o capítulo em que a mesma está inserida. Contudo, vários grafemas, princi-
palmente as Expressões Não Manuais e os de Dinâmica, mesmo que ainda
não tenham sido ensinados, foram utilizados quando se fizeram necessários.
Nosso objetivo é que você treine também a leitura em Libras e possa
escrever suas próprias histórias nesta língua.

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50 Escrita de Sinais sem mistérios

Desta forma, recomendamos que, ao terminar o estudo de todo o livro,


você retome a leitura da história capítulo por capítulo para que fixe melhor o
conhecimento apreendido.

Sobre a 2ª edição e suas novidades

O livro Escrita de Sinais sem mistérios em sua 2ª edição foi revisto, atualizado
e ampliado. Buscamos facilitar ainda mais o uso e manuseio desta obra que se
constitui livro de cabeceira, e consequentemente, alavancar ainda mais o seu
aprendizado.
As melhorias aqui providas são resultado de nosso relacionamento com
nossos leitores, alunos e amigos. São fruto também de um maior aprofunda-
mento em nossas pesquisas sobre a Escrita de Sinais e de técnicas de ensino e
aprendizado das neurociências cognitivas (DRYDEN & VOS, 1999; ALVES,
2005; KELLEY, 2008; KELLEY & WHATSON, 2013).
Quem comparar a 1ª edição com esta, perceberá várias mudanças. Os
capítulos estão ainda mais aprofundados. Se você tem a 1ª edição do livro
Escrita de Sinais sem mistérios, leia a presente edição comparando com ela.
Desta forma você atualizará seus conhecimentos com mais facilidade.
Retiramos algumas pequenas partes do livro, alteramos, simplificamos ou
complementamos algumas Regras Ortográficas. Acrescentamos outros grafe-
mas e conceitos da ELS que percebemos ser extremamente relevantes. Observe,
por exemplo, as regras sobre o uso do Movimento Simultâneo, Datilologia e
os grafemas de Superfície.
No final do livro, você encontrará também 02 apêndices e vários anexos.
O Apêndice A traz as 111 Configurações de Mão da Libras numeradas e
organizadas em grupos. Assim, em todos os capítulos elas estão identificadas
por este mesmo número a fim de facilitar sua consulta. No Apêndice B, está um
Glossário Editorial em Libras. Em seguida vem uma seção com vários anexos.
O Anexo A traz a relação dos 111 trabalhos brasileiros sobre a Escrita
de Sinais (SignWriting) como elencados na pesquisa de Campos (2012). O
Anexo B, traz o envelope e a carta de aniversário que o Madson escreveu para
a Raquel, como ela relatou anteriormente.
Do Anexo C ao K estão os resumos dos trabalhos que apresentamos e
publicados junto com outros pesquisadores brasileiros no SignWriting Sympo-
sium 2014 transmitido online.

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Apresentação 51

Para facilitar a busca no livro e seu uso em pesquisas, aulas, cursos, etc.,
incluímos 03 Índices Remissivos: Índice Remissivo por Palavras e Expressões
Chave, Índice Remissivo dos Sinais Escritos no Livro e Índice Remissivo dos
Grafemas da ELS.

Supere seus recordes!

Madson e Raquel Barreto

P.S: No capítulo 05, você encontrará mais algumas orientações que potencia-
lização ainda mais seu aprendizado da Escrita de Sinais e seu aprofundamento
em 06 níveis na Libras.

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Capítulo 1
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54 Escrita de Sinais sem mistérios

A HUMANIDADE E A ESCRITA

A história pode ser dividida em antes e depois da escrita. Segundo Higounet


(2003), até hoje, sua origem é um mistério. Diferentes civilizações utilizaram
diversas formas e artifícios para escrever suas mensagens. Seu desenvolvimento
se deu ao longo de muitos séculos até chegar à imprensa. E desde então tem se
desenvolvido cada vez mais.
Através da fala (oral ou sinalizada), nos comunicamos no momento
imediato, mas pela escrita podemos nos comunicar em tempos e lugares dife-
rentes. É fato que hoje dispomos de tecnologias que nos permitem facilmente
nos comunicar através de áudio e vídeo. Mas para isto é necessário utilizar
equipamentos tais como telefones fixos ou móveis, computadores, conexão
com a Internet, etc. que, por vezes, pode não ser prático ou até mesmo inaces-
sível em determinadas situações (ROGERS, 2005).
A escrita desvela a vida dos povos e gerações passadas. É o meio mais
usado na comunicação, pois possibilita tanto o registro quanto a recuperação
do conhecimento e da própria história. A escrita é também um suporte para
nossa memória. É através dela que organizamos nossa vida, registramos nossos
sonhos, projetos, descobertas e ainda expomos sentimentos e ideias nos mais
diversos gêneros, possibilitando a consulta individual posterior e deixando
também nosso legado para as gerações futuras.
Colocar o que pensamos e entendemos em um material perene e estático
proporciona a chance de refletirmos sobre a própria linguagem e sobre os
nossos pensamentos, permite que revisitemos formas antigas de expressão
e possibilita reflexão sobre a forma como nos expressamos e sobre a
adequação da nossa linguagem em expressar os nossos sentimentos
(PEREIRA & FRONZA, 2006, p. 01).

Se não fosse a praticidade da escrita e seu poder de registro e perpetuação


do conhecimento, a cada um ou dois séculos precisaríamos de novos(as) Curies,
Einsteins, Drummonds, Dumonts, Meireles, Newtons, e de tantos outros homens
e mulheres que nos deixaram contribuições inefáveis nas mais diversas áreas
do conhecimento.
Se a humanidade caminhou em passos tão largos nos últimos séculos e
agora parece correr, é porque, tal qual reconheceu Isaac Newton, estamos “de
pé sobre os ombros de gigantes” e, em grande medida, isto se deve à escrita. É
imensurável o desenvolvimento social, neurológico e linguístico, dentre tantos
outros aspectos, que a escrita traz ao ser humano.
54
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Capítulo 1 55

As Línguas de Sinais X a Escrita

Por muitos séculos, as Línguas de Sinais foram consideradas gestos, mímica,


comunicação arcaica, ineficaz, diabólica, representação das Línguas Orais e
tantos outros termos errôneos. É fato que o II Congresso Internacional de
Milão22, ocorrido em 1880, rompeu com o desenvolvimento de pesquisas nas
áreas de surdez, Línguas de Sinais, e afins. A história que conhecemos hoje
poderia ser muito diferente.

As comunidades surdas tiveram seu processo de busca e criação de uma


escrita interrompida pelos mais de cem anos da exclusão de suas línguas
que, de tão desqualificadas, nem eram cogitadas para objeto de pesquisas
sérias (STUMPF, 2005, p. 46).

A partir dos trabalhos de Stokoe (1960), as Línguas de Sinais receberam


seu justo reconhecimento enquanto língua. Desde então, muitas pesquisas
têm sido realizadas em todo o mundo. Com isso, houve grandes descobertas e
conquistas. No Brasil, a Língua Brasileira de Sinais (Libras) foi reconhecida
por lei somente em 200223, com regulamentação em 200524. Contudo, o que
está no papel não se tornou realidade no dia a dia das comunidades surdas.
Processos judiciais ainda circulam em todo o país para efetivar o que já é lei.
Pinker (1994) considera as Línguas de Sinais um mundo fantástico e
afirma:

Contrário às preconcepções populares, as línguas de sinais não são


pantomimas e gestos, invenções de educadores, ou cifras das línguas orais
da comunidade circundante. Elas são encontradas onde quer que haja uma
comunidade de pessoas surdas, e cada uma delas é uma língua distinta

22
  Com o objetivo de debater tópicos relacionados à educação de surdos, este segundo congresso
foi realizado em 1880 em Milão, Itália. Contudo, o foco do debate foram as questões do oralismo,
filosofia educacional que enfatiza o uso da fala em detrimento da Língua de Sinais. Arbitra-
riamente apenas um surdo estava presente (KUCHENBECKER, 2006). Na votação final, o
uso da Língua de Sinais foi oficialmente proibido e estigmatizado alegando-se “destruía a capa-
cidade da fala dos surdos, argumentando que os surdos são “preguiçosos” para falar, preferindo
usar a língua de sinais” (VELOSO; MAIA Filho; 2009, p. 39). A partir de então, as Línguas de
Sinais foram perseguidas nas instituições que trabalhavam com surdos. Contudo, tais línguas
não morreram, pois às escondidas as crianças continuavam a usá-las. Tais fatos trouxeram grandes
implicações até os dias atuais na educação e no dia a dia dos sujeitos surdos em todo o mundo.
23
  Lei 10.436/2002.
24
  Decreto Lei 5.626/2005.
55
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56 Escrita de Sinais sem mistérios

e completa, que utiliza os mesmos tipos da maquinaria gramatical encon-


trada em todas línguas orais do mundo. Por exemplo, a Língua de Sinais
Americana, usada pela comunidade surda dos Estados Unidos, não se
assemelha ao inglês, ou à Língua Britânica de Sinais, mas se baseia em
sistemas de concordância e de gênero de uma forma que é reminiscente
do Navajo e do Bantu (PINKER, 1994, p. 36, trad. nossa).

Historicamente, não houve o desenvolvimento natural de qualquer tipo de


escrita para as Línguas de Sinais, pelo menos não noticiado. Por uma ou outra
razão, as comunidades surdas estiveram satisfeitas apenas com sua comunica-
ção face a face. A cultura surda, por consequência, permaneceu essencialmente
apenas em sua via expressiva, isto é, sinalizada, o que seria equivalente às demais
línguas em sua modalidade oral.
Por esta razão, não temos registro escrito em Língua de Sinais do teste-
munho de pessoas surdas, seus diários, relatórios, literatura (contos, poesia,
piadas, etc.) ou qualquer outra forma de esforço em documentar, via escrita,
a experiência de vida surda do ponto de vista de um surdo em sua própria
língua. Com o avanço das tecnologias, esta comunicação face a face migrou-se
também para a Internet e telefonia móvel através das mais variadas formas.
A escrita que os surdos usam em seu dia a dia não é de sua própria língua,
mas da língua majoritária usada em seu país. Porém, em geral não é proficiente.
Isto se deve a inúmeros fatores linguísticos, sociais e educacionais, dentre
outros, cujo principal, apontado por Capovilla et al. (2006), é a descontinuidade
entre o pensamento em Língua de Sinais, a expressão sinalizada nesta língua
e, arbitrariamente, a escrita na Língua Oral, sobre a qual falaremos com mais
detalhes adiante.
A educação bilíngue tão apregoada pelos movimentos sociais das comu-
nidades surdas só será efetivamente plena quando incluir o ensino da Libras
sinalizada e escrita e do Português Brasileiro escrito, possibilitando ao aluno
desenvolvimento integral. O novo documento de Educação Bilíngue dos
Surdos do Ministério de Educação e Cultura (MEC) diz que as crianças
surdas devem adquirir a escrita de sinais no Brasil (THOMA et al., 2014).
Muitas pessoas argumentam que é difícil adquirir a Língua de Sinais e
que mais difícil ainda seria o aprendizado da sua escrita. Contudo, o quadro é
maior que apenas a particularidade de alguns frente ao desconhecido. Os alunos
surdos em idade escolar têm dificuldade na retenção de muitos conhecimentos,
pois, arbitrariamente, sempre têm de fazer o registro de seu aprendizado na Língua
Portuguesa, sua Segunda Língua. Se recebem o conhecimento em Libras (via

56
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Capítulo 1 57

professor bilíngue ou intérprete de Libras), seria mais do que sensato propiciar-


-lhe o registro de suas anotações, ideias, comentários e rascunhos escrevendo
diretamente em Libras.
Ainda nesta linha, muitos surdos e ouvintes que estão no processo de
aquisição da Libras permanecem fadados aos mesmos métodos de ensino. Tais
métodos geralmente associam-na tão diretamente ao Português, que culminam
no empobrecimento da viva estrutura semântico sintática dessa língua, o no
chamado Português Sinalizado.
Alcançar a fluência em uma língua implica em desenvolver a capacidade
de pensar nesta língua, o que dispensaria traduções mentais de uma língua
para outra. Mas a dependência do Português nos cursos e disciplinas de Libras
leva os alunos a terem dificuldade em desenvolver esta aptidão.
Muitos aprendizes ouvintes estudam de três a cinco anos (ou mais!) em um
curso aqui, outro acolá, e grande parte desiste ou simplesmente não chega à
fluência na Libras. Isto é frustrante para o aluno, para o professor e, principal-
mente, para as comunidades surdas que deixam de ter mais um amigo ou profis-
sional habilitado em Libras e, pior ainda, perdem a confiança nestas pessoas.
A dificuldade que algumas pessoas têm em aprender o SignWriting (a
Escrita da Língua de Sinais assunto deste livro) em grande medida se deve à
metodologia de ensino adotada, não à estrutura do sistema em si. Tudo deve
ser passo a passo, conforme veremos nesta obra.
Em todo o mundo, ao fazerem o registro escrito das Línguas de Sinais
muitos pesquisadores usam transcrições em glosas. Nesta modalidade, escreve-
-se em MAIÚSCULAS o termo da Língua Oral cujo significado equivale
ao sinal. Usa-se, por exemplo, CASA para representar o sinal cujo significado
é casa, moradia, local de habitação e, em alguns casos, o local de repouso. Muitas
outras convenções são adotadas.
Determinadas modalidades transcritivas são extremamente complexas
na tentativa de abarcar o máximo de detalhes de um sinal ou discurso em LS.
Este é um uso inadequado para as glosas, como evidenciam Pizzuto, Rossini
& Russo (2006):

O termo “glosa” é uma nomeação errônea para a operação de etiquetagem


que ocorre nas pesquisas das LS. De fato, glosas são apropriadamente
usadas para auxiliar a anotação de dados de línguas orais/ escritas, não para
substituir, mas para acompanhar, numa referência a uma língua conhecida

57
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58 Escrita de Sinais sem mistérios

para o autor e para o leitor de um dado estudo, uma representação inde-


pendente dos dados da língua investigada. O exemplo em (1) abaixo, extraído
da Pulleyblank (1987: 988) ao descrever o Yoruba (uma língua nigeriana)
ilustra este ponto.

(1) ó gbé e wá
ele/ela transportar isto veio
‘Ele/ela trouxe’

(PIZZUTO, ROSSINI & RUSSO, 2006, p. 4, trad. nossa)

Neste exemplo, vemos que a primeira linha tem uma representação


escrita para o Yoruba. A segunda, uma correspondência um a um em glosas do
Português. Este é o uso adequado para glosas. Mas o que vemos nas pesquisas
das LS é completamente diferente.
As glosas são usadas como registro primário numa tentativa de representar
os sinais numa forma escrita. Como em: INDEXa INDEXb aENTREGARb.
Onde INDEX sinaliza a direção e a locação no espaço. Mas ENTREGAR não
está mostrando o deslocamento no espaço nem como este sinal é feito, afinal,
existem diversos léxicos na Libras que expressam este sentido evidenciando,
inclusive, o que e como está sendo entregue. Assim, McCleary & Viotti (2006)
e Rodrigues (2012) apontam que este é um caminho limitado tanto no registro
quanto na recuperação da informação em Língua de Sinais.
Atualmente, diversos autores entendem a Escrita de Sinais (SignWriting)
como um sistema de escrita para o dia a dia capaz também de transcrever
qualquer Língua de Sinais. Estudaremos isto na p. 80.
O exemplo a seguir apresenta uma frase escrita em Libras, em glosas e
com o original em Português25. Observe que somente através das glosas não
seria possível sabermos exatamente a sinalização em Libras.

25
 Transcrever em glosas nesta seção demonstrou-se um trabalho extremamente árduo, e por
fim, optamos por uma frase cuja versão em Libras fosse mais fácil de usar as glosas. Quadros &
Karnopp (2004, p. 38), ao explanar sobre o uso de glosas em sua obra, embora sejam tradutoras
intérpretes de Libras, encontraram “dificuldade em expressar através da transcrição e da tradu-
ção exatamente o que estava exposto nas fotos” de sinais e sentenças em Libras. Logo, glosas
são limitadas para a transcrição sobretudo das línguas sinalizadas.
58
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Capítulo 1 59

Frase em Escrita de Sinais:

Transcrição em glosas: (HOMEM <JUSCELINO-SILVA>sinal-nome


J-U-S-C-E-L-I-N-O S-I-L-V-A): ESCURO++ PROBLEMA++.
CORAGEM-DETERMINAÇÃO <LEVANTAR>com firmeza,
<CLAREAR>lentamente.

Original em Português: “A luz só nasce quando a gente pisa na escuridão”


( Juscelino Silva)

Nas últimas décadas, surgiram vários sistemas de notação para as Línguas


de Sinais, conforme veremos posteriormente. Contudo, muitos estudantes de
Libras e até mesmo surdos (crianças e adultos) pensam que as glosas são a
escrita da Libras. Outros, que escrever nesta língua é simplesmente usar fontes
de datilologia, o que também não é verdade.
Também mostram-se impotentes as Anotações Descritivas muito utili-
zadas por estudantes e professores de Libras. Por exemplo: CASA: em frente
ao corpo, duas mãos uma do lado da outra, perpendiculares na diagonal, palmas
concêntricas, dois contatos na ponta dos dedos.
Por vezes, nem mesmo quem fez esse tipo de anotação consegue lembrar
depois como o sinal era feito. Sem contar no tempo que isso demora e nas

59
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60 Escrita de Sinais sem mistérios

informações que são perdidas num ambiente de curso de Libras, por exemplo.
O professor geralmente apresenta uma sequência de sinais e, por iniciativa
própria, os alunos vão fazendo anotações descritivas que os afastam da essência
da Libras, que é visoespacial, fadando-os ao esquecimento dos sinais por se
apoiarem pura e simplesmente na escrita da Língua Portuguesa.
Escrever diretamente em Libras através do SignWriting permite a
associação rápida e direta entre o sinal escrito e o sinal expresso, isto é, falado
em LS, e, consequentemente, um aprendizado mais rápido. As Línguas de
Sinais são visoespaciais e não seguem a linearidade das Línguas Orais, mas são
línguas multidimensionais e seus fonemas são articulados simultaneamente
(QUADROS & KARNOPP, 2004).
As escritas das Línguas Orais registram-nas, permitindo aos seus usuários
fazer a correspondência entre os grafemas26 e os fonemas que são emitidos
oralmente um a um de forma linear e sequencial.
Se as Línguas de Sinais têm atributos multidimensionais e simultâneos,
como registrá-las linearmente de forma eficaz? Escritas alfabéticas deste tipo,
mesmo as criadas com essa intenção, não conseguem registrar as Línguas de
Sinais de forma ideal. É preciso um sistema de escrita visual e direta, um
sistema de escrita que seja de Traços Não Arbitrários, como veremos mais à
frente, e que permita leitura e escrita proficientes e visuais independente de
qualquer Língua Oral, como o SignWriting o faz.

Os surdos e a Escrita

Tomaremos como ponto de partida a relação da criança com a escrita, pois,


dentre tantos outros fatores, parte-se do princípio de que uma escrita é
funcional se puder ser adquirida também por crianças em fase de alfabetização
escolar.
Os processos cognitivos envolvidos na aquisição da leitura e escrita por
uma criança até sua proficiência, em grande parte, são também os que um
jovem ou adulto percorrerá ao adquirir um sistema de escrita. Mais à frente

26
  Segundo Crystal (2006, p. 105, trad. nossa), o termo grafema é análogo ao fonema: “Grafema
é a menor unidade em um sistema de escrita capaz de causar um contraste no entendimento”.
No português um contraste assim acontece, por exemplo, entre o <g> e o <p> em gato e pato,
assim, <g> e <p> representam diferentes grafemas. Outros grafemas das Línguas Orais incluem
as marcas de pontuação: <.>, <;>, etc., e outros símbolos especiais como <@>, <&>, e <$>. Po-
dem ser também designados por símbolos.
60
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Capítulo 1 61

falaremos da aquisição de Escrita das Línguas de Sinais por adolescentes,


jovens e adultos surdos também.
Como vimos, a escrita alfabética das Línguas Orais permite aos ouvintes
representar de forma bem intuitiva as propriedades fonológicas destas línguas.
Pesquisas demonstram que a alfabetização aumenta a consciência dos sons da
fala (MORAIS, 1996 apud CAPOVILLA et al., 2006).
Neste processo, é ensinado à criança ouvinte fazer codificação e deco-
dificação fonológica, isto é, associar os grafemas com os fonemas de sua Língua
Oral, e vice versa. Durante esta etapa, é muito comum a criança escrever
como ela fala. Este aprendizado permite à criança ouvinte desenvolver seu
pensamento estruturado em palavras. Dessa forma, existe uma continuidade
entre o que a criança ouvinte pensa, fala e escreve, tudo em sua própria língua.
Este é um processamento intuitivo que faz uso das propriedades fonológicas
de sua fala interna em auxílio à leitura e à escrita (CAPOVILLA et al., 2006).
No entanto, com a criança surda tem sido diferente. Ela pensa e fala em
Língua de Sinais, cuja modalidade é gestual e visual, mas ao escrever espera-se que
utilize palavras de uma Língua Oral, cuja modalidade é auditiva e fonoarticulatória.
Ainda segundo este autor, a escrita é estruturada com base no processa-
mento interno, desta forma, é natural que a criança surda procure utilizar sua
sinalização interna como auxílio para a leitura e escrita. Esta descontinuidade
faz com que ela tenha pouco proveito da escrita alfabética [das Línguas Orais],
apresentando erros que não são de cunho fonológico, mas visual.
Quadros (2000) corrobora com esta afirmação ao declarar que a escrita
das Línguas Orais não capta as relações de significado das Línguas de Sinais
e, portanto, não consegue expressar a língua em que a criança surda processa
seu pensamento. A autora afirma ainda que se o processo de aquisição de
escrita for em sua Primeira Língua, a criança se desenvolverá muito mais e
terá a oportunidade também de adquirir a escrita de sua Segunda Língua com
mais facilidade.
Ao ler um texto escrito numa Língua Oral, Stumpf (2005, p. 44) ressalta
que mesmo se a criança surda for capaz de “[...] converter as letras na soletração
digital correspondente, ela não vai obter o sinal lexical que ela está acostumada
a usar no dia a dia em sua Língua de Sinais, e essa é uma crucial diferença em
relação à criança ouvinte”. Para que ela compreenda “a função social da leitura e da
escrita, precisa sentir a necessidade e o prazer de ler e escrever, fato que raramente
se observa entre crianças, jovens e adultos surdos” (SILVA, 2009a, p. 54).

61
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62 Escrita de Sinais sem mistérios

Segundo Capovilla et al. (2006), a continuidade pode ser restabelecida


buscando outro sistema de escrita que seja mais apropriado ao surdo do que o
alfabético das Línguas Orais, pois a escrita deve ser capaz de mapear as pro-
priedades da língua que ela se propõe a representar.
Do mesmo modo que a criança ouvinte pode beneficiar-se do uso de uma
escrita alfabética para mapear os fonemas de sua língua falada, a Surda
poderia beneficiar-se sobremaneira de uma escrita visual capaz de mapear
os quiremas27 de sua Língua de Sinais (Capovilla et al., 2006, p. 1494).

Isto propiciaria à criança surda um maior desenvolvimento linguístico


e cognitivo e, consequentemente, o fortalecimento da identidade e cultura
surda, dentre incontáveis outros aspectos, conforme apontado por Barreto et
al. (2014a, 2014b)28, Capovilla et al. (2006), Silva (2009a) e Stumpf (2005).

Sistemas de Escrita ou de Notação das Línguas de Sinais

Num sentido mais amplo, um sistema de notação é constituído por uma série de
símbolos que denotam pensamentos de determinado campo de conhecimento,
incluindo a matemática, a música, etc.
Um sistema de escrita é uma notação para representar a estrutura da
língua (MARTIN, 2001). É utilizado por uma comunidade linguística com o
propósito de comunicar e relembrar o entendimento que se tem acerca de
algum evento linguístico (uma conversação, um poema, uma aula, uma lista
de compras, etc.).
Notações, ao contrário dos registros escritos, intencionalmente abstraem
da linguística original eventos de maneira não ditada pelas limitações do
processo de registro escrito ou “licença artística”, mas por (mais ou menos)
decisões sistemáticas para fazer anotações ou simbolizam apenas alguns
(discretos) elementos do sinal original, em quase todos os casos, eles são
parte de uma vertente analítica de algum tipo, mas eles diferem uns dos
outros, o que eles representam, como eles fazem isso, e seus objetivos
(HULST & CHANNON, 2010, p. 151, trad. nossa).

Nesse sentido, os sistemas de notação são utilizados por uma pequena


27
 Alguns autores utilizam este termo para designar os fonemas das Línguas de Sinais. Fo-
nemas são as unidades mínimas que constituem os morfemas de uma língua. Nas línguas de
sinais são: Configuração de Mão, Orientação da Palma, Locação (ou Ponto de Articulação),
Movimento e Expressões Não Manuais (QUADROS & KARNOPP, 2004).
28
  Disponível nos Anexos C (p. 341) e D (p. 347).
62
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Capítulo 1 63

comunidade, geralmente só por pesquisadores e cientistas, com o objetivo de lem-


brar e analisar melhor, sob determinados aspectos, a forma de alguma expressão.
É importante saber também que existem vários tipos de escritas, e, nestes
capítulos iniciais, trataremos disso quando necessário. Antes de nos aprofun-
darmos no SignWriting, veremos a seguir os principais sistemas de escrita e de
notação criados para registrar as Línguas de Sinais.
a) Notação Mimographie: foi publicada em 1822 por Roch Ambroise Auguste
Bébian (1789-1839), educador francês. Conforme Oviedo (2007), esta é a mais
importante obra de Bébian e trata de seu método para transcrição fonética das
Línguas de Sinais.
Bébian já havia identificado a necessidade de um sistema assim três anos
antes em outra publicação, afirmando que o registro da Língua de Sinais era
essencial para que se pudesse usá-la como veículo para o ensino. “A ideia de
Bébian era revolucionária: os sinais podiam se decompor em cinco elementos
básicos: a forma da mão, sua posição no espaço, o lugar onde se executava o
sinal, a ação29 executada e a expressão facial usada” (OVIEDO, 2007, p. 3, trad.
nossa), os quais eram registrados através da Mimographie juntamente com
outros grafemas. Observe que Bébian, antes mesmo de Stokoe (1960), já havia
identificado alguns dos fonemas das Línguas de Sinais: Configuração de Mão,
Locação, Movimento e Expressão Facial30.

Quad. 02: Alguns grafemas utilizados na Mimographie (BÉBIAN, 1825, p. 16, adapt.)

  Isto é, o Movimento.
29

 Embora o parâmetro fonológico seja “Expressões Não Manuais”, o que vai além das expres-
30

sões faciais, pois engloba qualquer ação do corpo que tenha significado para o sinal ou frase,
mas não foi produzida pela(s) mão(s). É interessante notar que este parâmetro não foi contem-
plado na lista de Stokoe (1960), conforme veremos a seguir.
63
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64 Escrita de Sinais sem mistérios

b) Notação de Stokoe: William C. Stokoe (1919-2000), linguista e pesquisador


norte-americano, foi o primeiro a reconhecer as Línguas de Sinais enquanto
línguas naturais. Seu sistema de notação fonética para estas línguas foi
desenvolvido com dois objetivos principais (STOKOE, 1960): trazer a Língua
de Sinais usada por centenas de milhares de americanos para a atenção dos
linguistas que a ignoravam ou desconheciam, e servir como instrumento de
análise ao transcrever os sinais desta língua.
Este sistema descreve os três parâmetros formadores dos sinais segundo o
autor: Configuração de Mão, Localização e Movimento. É interessante notar
que esta é praticamente a mesma linha básica proposta por Bébian, a qual é
mencionada por Stokoe em sua obra.

Quad. 03: Configurações de Mão na Notação de Stokoe (STUMPF, 2005, p. 48, adapt.)

Quad. 04: Língua de Sinais na Notação de


Stokoe (DALLAN, S/D, slide 6)

c) Hamburg Notation System (HamNoSys): baseado na notação de Stokoe, o


HamNoSys é um sistema de notação fonética para uso de linguistas, não um
sistema de escrita para o uso cotidiano. Sua primeira versão foi definida em
1984 na Universidade de Hamburgo – Alemanha. O HamNoSys distingue
principalmente as Configurações de Mãos,as Orientações de Mãos,as Locações,
as Ações (trajeto das mãos e movimentos dos dedos) e os Componentes Não
Manuais. Esse sistema dispõe de um software computacional através do qual
os sinais podem ser escritos (HANKE, 2004).
64
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Capítulo 1 65

Quad. 05: Algumas Configurações de Mão no HamNoSys (HANKE, 2004, p. 1)

Quad. 06: Sinal de Ball (Bola) na LS Alemã escrita em HamNoSys (HANKE, 2009, slide 59)

d) Sistema D’Sign: Paul Jouison (1948-1991) criou o D’sign em meados de


1990. A ideia dele era ampliar a proposta de Stokoe (1960), aplicar o método
à Língua de Sinais Francesa, porém, faleceu antes de apresentar seu trabalho.
Posteriormente, a Dra. Brigitte Garcia recuperou suas anotações e
escreveu uma tese doutoral sobre a pesquisa. Garcia (2000 apud STUMPF,
2005) afirma que o método de Jouison não apresenta a escrita como uma
simples notação, mas como um sistema muito elaborado e capaz de transcrever
em D’Sign frases inteiras da Língua de Sinais Francesa.

Quad. 07: Texto escrito em D’Sign (STUMPF, 2005, p. 51, adapt.)

e) Notação de François Neve: como pesquisador na Universidade de Liége na


Bélgica, Neve também desenvolveu um sistema de notação em 1996, a partir
do sistema de Stokoe (1960). Sua escrita, que também foi informatizada,

65
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66 Escrita de Sinais sem mistérios

é feita em colunas verticais de cima para baixo, sendo em uma só coluna


quando a mão dominante sinaliza e em duas, quando as duas mãos sinalizam
(STUMPF, 2005).

Quad. 08: Notação de François Neve (STUMPF, 2005, p. 49, adapt.)

f ) Sistema de Escrita das Línguas de Sinais (ELiS): foi criado em 1997 pela
Dra. Mariângela Estelita Barros e aprimorado em 2008. A ELiS é um sistema
de escrita linear da esquerda para a direita. Possui uma série de grafemas para
representar quatro parâmetros da Língua de Sinais identificados pela autora.
São eles: Configuração de Dedos, Orientação da Palma, Ponto de Articulação
e Movimento. Veja a seguir o trecho de um texto escrito em ELiS:

Em um jardim, um gato estava brincando e pulando quando viu


uma borboleta. Foi para pegá-la, mas não conseguiu. A borboleta
saiu voando, fugiu.
O gato falou:
- Puxa!
FIM.

Quad. 09: Texto em ELiS e sua respectiva tradução livre para o Português (BARROS, 2008, p. 119)

66
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Capítulo 1 67

O sistema ELiS adotou os parâmetros identificados por Stokoe (1960)


e, além dos três, foi acrescentado mais um: a Orientação da Palma, e um
diacrítico31, que é a Orientação das Pontas dos Dedos (BARROS, 2008).

A maioria destes sistemas exige muito treino e não são adequados para o
uso diário por não serem intuitivos em sua codificação. Muitos são utilizados
somente por pesquisadores ou, até mesmo, somente por aqueles que os criaram.
Alguns foram objeto de estudo ou referência por pesquisadores de alguns países,
como a Notação de Bébian e a de Stokoe.
Percebe-se, como apontado por Thiessen (2011), que a maioria absoluta
destes sistemas imitam as convenções das escritas das Línguas Orais ao fazer
o registro de sinais usando sequências lineares de símbolos. O problema é
que estes arranjos lineares exigem que o leitor remonte mentalmente o sinal
tridimensional que representa. Sua linearidade pode parecer amigável do
ponto de vista computacional, mas é dispendiosa para o falante da língua.
Diferentemente dos demais sistemas de escrita propostos, o SignWriting
faz uso de relações espaciais de seus grafemas em uma “caixa” bidimensional
para representar cada sinal. São registrados com precisão todos os articuladores
dos sinais, inclusive as Expressões Não Manuais, quando necessárias ao
entendimento.
Então, os sinais são escritos em colunas verticais de cima para baixo
representando a sinalização. Assim, os grafemas são organizados de acordo
com a estrutura do corpo humano (SUTTON, 1998c; ROALD, 2006;
THIESSEN, 2011). A Coerência e Coesão Visual das LS ficam muito mais
nítidas também.
Estes conceitos referem-se ao uso que o sinalizador faz dos sinais e como
são articulados entre si na produção de sentido. À medida em que a sinalização
vai sendo construída, referentes dêiticos vão sendo estabelecidos nesse espaço
e podem ser retomados depois. A Escrita de Sinais feita em colunas verticais
de cima para baixo facilita muito este processo32.
O que sistemas computacionais precisam é de uma representação de uma
dimensão, isto é, de sua encodificação interna. Desta forma, computadores
podem facilmente armazenar e usá-la para recriar a bidimensionalidade do
31
  Diacrítico é um sinal que se coloca sobre a escrita para alterar o fonema. No Português, por
exemplo, os acentos gráficos <´>, <`>, <^> e <~> são diacríticos, pois modificam a maneira como
pronunciamos as palavras escritas.
32
  Nos aprofundaremos mais neste tópico no cap. 09.
67
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68 Escrita de Sinais sem mistérios

SignWriting tanto na tela quanto no papel, podendo ser usada também para
outros processamentos autômatos como correção ortográfica, ordenação,
análise e tradução automática.
Como estudaremos a partir deste ponto, percebe-se que o sistema Sign-
Writing, no Brasil e no mundo, é o que mais tem sido utilizado para o uso diário
das comunidades surdas, seus familiares e dos profissionais que trabalham
com surdos, além de ser utilizado em pesquisas e também como objeto de
estudos acadêmicos33.
Assim, suas características o permitem escrever de forma concisa desde
um sinal isolado até um livro inteiro diretamente em Língua de Sinais, sem
passar por uma Língua Oral. Pode ser escrito tanto no papel, quanto no
computador, como veremos a seguir.

33
 A partir do próximo capítulo, e mais profundamente no cap. 04, apresentaremos o trabalho
de inúmeros pesquisadores brasileiros. Dentre os quais: Barth (2008); Brito (2012); Campos
(2012); Capovilla et al. (2006); Costa & Dimuro (2002); Costa (2001); Costa (2013); Costa
(2014); Dallan (2012); Fernandes (2011); Hautrive & Souza (2010); Lima (2014); Loureiro
(2004); Macedo (1999); Mallmann (2009); Nobre (2011); Oliveira & Stumpf (2013); Oliveira
e Mourão (2012); Pereira & Fronza (2006); Rocha (2003); Silva (2009a); Silva (2009b); Souza
& Pinto (2003); Strobel (1997); Stumpf (2005); Torchelsen (2002) e Wanderley (2012).
68
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Capítulo 2
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70 Escrita de Sinais sem mistérios

O SISTEMA DE ESCRITA SIGNWRITING34

Hábil notadora de movimentos, Valerie Sutton havia criado em 1972 um


fantástico sistema para notação da dança chamado DanceWriting. Algum
tempo depois, ela foi à Dinamarca ensiná-lo em uma escola de balé.

Fig. 04: DanceWriting (SUTTON, 1973)


Um jornal local publicou um artigo sobre esta escrita e isto chegou ao
conhecimento dos pesquisadores da Língua de Sinais Dinamarquesa da
Universidade de Copenhagen, os quais estavam em busca de uma forma de
escrever essa língua. Assim, solicitaram a Sutton que escrevesse as sinalizações

34
 A partir deste capítulo, usaremos os termos “Escrita de Sinais”, “Escrita das Línguas de
Sinais” ou “ELS” como nome em português para o sistema SignWriting.
70
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Capítulo 2 71

– disponíveis em vídeo – de alguns surdos. Foi então que, adaptando seu


sistema de escrita com o objetivo de escrever uma Língua de Sinais, nasceu
em 1974 o SignWriting, um sistema específico para escrever as Línguas de
Sinais (SUTTON, 1999a).
Numa entrevista (SUTTON, 2013b), Valerie Sutton enfatiza que o Sign-
Writing é uma escrita internacional, não norte-americana, até mesmo porque
não foi criada nos Estados Unidos. O desenvolvimento desta escrita não foi
influenciado por este país mais que por outros, visto que, após a sua criação, o
sistema tem sido implementado por diversos países. Sutton se considera cosmo-
polita, isto é, cidadã do mundo.
Humildemente, a notadora enfatiza que não é dona do SignWriting, apenas
sua inventora. Esta escrita é de todos os surdos e ouvintes que a utilizam ao
redor do planeta.
Na figura a seguir, vemos o SignWriting Detalhado, usado de 1974-1976,
quando Sutton ainda não trabalhava diretamente com pessoas surdas. Como o
próprio nome diz, seu objetivo era escrever todo detalhe possível. Desta forma,
iniciaram-se transcrições dos primeiros corpora vídeo com fins de investigação.
Era uma simples adaptação do DanceWriting e via-se ali características dele,
tais como as pautas, o “boneco”, a escrita horizontal da esquerda para a direita
usando a Perspectiva Receptiva35, etc.
Naquela época, Sutton não conhecia as diferentes perspectivas de escrita
que só vieram a ser descobertas mais tarde (SUTTON, 2014). Como vemos
no Quad. 10, cada sinal era separado por uma linha vertical. Uma linha grossa
marcava o início e o fim de uma sentença. Pequenos números indicavam qual
dedo era projetado. Na imagem abaixo, o número 2 representa o dedo indicador
(SUTTON, 1998b). Mais à frente, ainda neste capítulo, você verá esta frase na
Escrita de Sinais Moderna (Quad. 11).

Quad. 10: SignWriting Detalhado (1974-1976). Sentença em LS Dinamarquesa


“De ter far” (“É pai” ou “Que é pai” em português) (SUTTON, 1998a, trad. nossa)

35
 A Perspectiva Receptiva refere-se a como você vê outra pessoa sinalizando. Hoje esta pers-
pectiva é raramente utilizada. Como estudaremos no cap. 05, para a escrita diária é adotada
atualmente somente a Perspectiva Expressiva (Ponto de Vista do Sinalizador), isto é, você lê e
escreve os sinais como se você mesmo estivesse os executando. A mão direita escrita no papel,
é sua mão direita, e assim por diante.
71
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72 Escrita de Sinais sem mistérios

Observe que o trunfo de Sutton era escrever movimentos. “Quando


aplicou isto para registrar Línguas de Sinais, foi que percebeu que registrar o
movimento é também registrar a língua” (MARTIN, 2001, p. 8, trad. nossa).
Chama-nos atenção o fato de que, naquela época, Sutton não sabia nada
de Língua de Sinais, nem perguntava aos pesquisadores o que significavam
aqueles sinais, apenas tentava escrever como eram executados quadro a quadro.
Atualmente, a notadora sabe ASL, mas lá no início não tinha conhecimento
de nenhuma Língua de Sinais (SUTTON, 1999b). Isto não a impediu de
escrever estas línguas, Sutton estava escrevendo os movimentos do corpo ao
realizar os sinais.
Ao retornar da Dinamarca para os Estados Unidos, Valerie Sutton fez
contato com sujeitos surdos, professores e pesquisadores da Língua de Sinais
Americana, que a ajudaram a desenvolver o sistema para que se adequasse por
completo às LS. Por 12 anos, o sistema restringia-se ao manuscrito em papel.
À medida em que foi se expandindo pelo mundo, passou a ser escrito
não só no papel, mas também no quadro negro, em escolas. A partir de 1981,
ganhou sua primeira versão para escrita via computador.
Nos anos seguintes à sua criação, o sistema SignWriting foi evoluindo e
sendo simplificado, até chegar ao padrão estável que temos hoje. Em 1996,
ficou disponível na Internet pela primeira vez e, desde então, foi crescendo sua
popularidade e uso em muitos países. Foi desta forma que se tornou conhecido
no Brasil também.
Este é o sistema de escrita das Línguas de Sinais mais usado em nosso
país e em todo o mundo. Muitos pesquisadores e falantes de 40 Línguas de
Sinais36 (BUTLER, 2012) viram neste sistema as características necessárias
para escrever suas Línguas de Sinais.
Em todo o mundo, são incontáveis as publicações técnico-científicas, os
glossários, os dicionários, os livros literários, os programas computacionais, os
site, os blogs, os artigos científicos, os trabalhos de conclusão de curso, as disser-
tações de mestrado e as teses de doutorado, etc. em ELS ou sobre este sistema.
36
  Lista completa das Línguas de Sinais (LS) que atualmente utilizam o SignWriting em sua
escrita: L. Gestual Portuguesa; LS Alemã; LS Americana; LS Arábica; LS Australiana;
LS Boliviana; LS Brasileira; LS Britânica; LS Catalã; LS Checa; LS Colombiana; LS Sul
Africana; LS Neozelandesa; LS de Taiwan; LS Dinamarquesa; LS Nepalesa; LS Nicaraguense;
LS Espanhola; LS Etíope; LS Filipina; LS Finlandesa; LS Flamenca e LS Franco-belga
(Bélgica); LS Francesa; LS Grega; LS Holandesa; LS Irlandesa; LS Italiana; LS Japonesa; LS
Malasiana; LS Malawi; LS Maltesa; LS Mexicana; LS Norueguesa; LS Peruana; LS Polonesa;
LS do Quebec; LS Sueca; LS Suíça; LS Tunisiana. Disponível em: <http://www.signwriting.
org/about/who/> Acesso em: 08 fev. 2012.
72
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Capítulo 2 73

Dentre estes, destacamos o Projeto Wikipedia ASL37. Estão disponíveis


50 artigos em ASL escrita em SignWriting traduzidos da versão em inglês
da Wikipedia38. É uma coletânea fantástica de conhecimento disponível em
Língua de Sinais escrita. O projeto utiliza os plugins39 desenvolvidos pelo DAC
para facilitar o uso do SignWriting em plataformas web.
Em algumas LS, são necessários mais grafemas que em outras. É possível
notar também regras ortográficas diferentes entre uma língua e outra (MARTIN,
2007). Desta forma, o sistema se adapta à necessidade de cada Língua de Sinais,
respeitando suas especificidades (ROALD, 2006; MARTIN, 2007).
Sutton ressalta que não importa que os surdos de um país usem o Sign-
Writing de forma um pouco diferente que os de outro país, o importante é que
possam escrever suas Línguas de Sinais (TRUMPOLD, 2013).
A escrita de corpo inteiro que vimos no Quad. 10 já não é utilizada.
Sutton afirma que, desde que se conheça a Língua de Sinais, pode-se
simplificar ainda mais. Neste exemplo, assevera que poderíamos retirar os dois
semicírculos da face, mas que são necessários para ler principalmente Línguas
de Sinais estrangeiras (SUTTON, 2014).

Como qualquer outro sistema de escrita, o SignWriting não tem por objetivo
capturar todas as nuances de um sinal (embora existam símbolos para
proporcionar uma transcrição razoavelmente precisa), mas capturar apenas
os elementos necessários para que a sinalização possa ser reproduzida de
forma compreensível.À medida em que a escrita foi se padronizando,as regras
ortográficas foram sendo convencionadas e menos detalhadas porque
os leitores podem suprir as informações necessárias a partir de seu
conhecimento da língua (THIESSEN, 2011, p. 14, trad. nossa).

Veja abaixo a mesma sentença escrita anteriormente agora com a Escrita de


Sinais Moderna.

Quad. 11: Escrita de Sinais Moderna. Sentença em LS Dinamarquesa


“De ter far” (“É pai” ou “Que é pai” em português) (SUTTON, 2014, trad. nossa)

37
  Disponível em: <http://ase.wikipedia.wmflabs.org/wiki/Main_Page>. Acesso em 27 dez. 2014.
38
  Disponível em: <http://en.wikipedia.org/>. Acesso em 27 dez. 2014.
39
  Disponíveis em: <www.signpuddle.com> Acesso em: 20 ago. 2014.
73
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74 Escrita de Sinais sem mistérios

O SignWriting é difundido pelo DAC (Deaf Action Committee for Sign-


Writing) que faz parte do Center for Sutton Movement Writing, Inc., uma
organização educacional sem fins lucrativos dirigida por Sutton e sediada em
La Jolla, Califórnia, nos Estados Unidos. Sutton desenvolveu ainda sistemas
de escrita para vários tipos de esportes, mímica, pantomima e ginástica,
movimentos de animais, dentre outros40.
O DAC publicou também sistemas computacionais para a escrita do
SignWriting, dentre os quais destacam-se o SignWriter (lançado em 1986,
empregava o teclado para realizar a escrita) e o SignPuddle (publicado em
2004, utiliza uma interface do tipo arrastar e soltar).

Fig. 05: Tela da função “Editor de sinais/ SignMaker” no SignPuddle 2.0


(Disponível em: <http://www.signpuddle.org> Acesso em: 16 dez. 2014)

  Disponível em <http://www.signwriting.org/forums/sponsors/help001.html> Acesso em: 08 fev. 2012.


40

74
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Capítulo 2 75

Atualmente, somente o SignPuddle (SLEVINSKI, 2012b) é utilizado.


Em sua plataforma gratuita on-line41, é possível – em inúmeras Línguas de
Sinais – construir dicionários bilíngues, escrever textos, realizar buscas de
sinais (via Língua Oral, via Língua de Sinais escrita, ou por grafema), escrever
sinais, textos e ainda enviar e-mails diretamente em SignWriting. Entendendo
a estrutura básica do SignWriting e como o ISWA 201042 está organizado,
torna-se fácil aprender e utilizar esta plataforma.
O uso do SignWriting via computador contribuiu para que se espalhasse
pelo mundo. Muitas pessoas conhecem apenas a forma de escrita realizada via
computador e sua versão manuscrita ou cursiva. Talvez por este motivo, pensem
que é a única forma possível tornando esta escrita impraticável no dia a dia.
Contudo, é importante salientar que, por mais de uma década, a ELS foi
escrita somente à mão. E que a maioria dos sistemas de escrita, como o alfabeto
latino, tem sua versão impressa/ digital e também a forma cursiva, que é mais
fácil de escrever. Veja abaixo alguns exemplos da Escrita de Sinais cursiva:

Quad. 12: Escrita Impressa X Escrita Cursiva (FROST, 2014, slide 45)

Em 2006, o SignWriting foi reconhecido pelo comitê do International


Organization for Standardizations (mais conhecido como ISO)43 como escrita
das Línguas de Sinais. Desde então foi incluído no Registro das Escritas do
Mundo44, o que contribuiu também para o status linguístico destas línguas.

41
  Disponível em <http://www.signpuddle.org>. Na versão 2.0, utilize o navegador Mozilla Firefox.
Versões posteriores estarão disponíveis em outros navegadores. BÔNUS: preparamos um tutorial
(em Libras e em Português) especialmente para você, ensinando como utilizar as principais funções
do SignPuddle. Acesse a Área de Membros Exclusiva para você, leitor:<http://www.LibrasEscrita.
com.br/EscritaDeSinaisSemMisterios>.
42
 O ISWA (Internacional SignWriting Alphabet) é o conjunto de grafemas e demais símbolos que
compõe esta escrita.
43
 Organização Internacional para Padronização.
44
  ISO 15924 Registry of World Scripts. Disponível em <http://www.unicode.org/iso15924/
iso15924-codes.html> Acesso em 03 dez. 2012.
75
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76 Escrita de Sinais sem mistérios

Foram submetidos centenas e centenas de textos em SignWriting tanto


manuscritos quanto computadorizados dos países usuários deste sistema
provando como ele vem sendo utilizado de maneira funcional para o registro
de inúmeras LS. Está prevista para meados de 2015 sua inclusão no padrão
Unicode, o que facilitará ainda mais sua utilização nas mais diversas plataformas.
O SignWriting possui também uma Lista de Discussão45 via e-mail na
qual usuários e pesquisadores desta escrita de todo o mundo podem interagir,
esclarecer dúvidas e dar contribuições uns aos outros. Até fevereiro de 2015, o
número de membros ultrapassava 200 representando 20 países.

Características da Escrita de Sinais

O SignWriting é uma escrita visual direta e uma solução completa para escrever
as Línguas de Sinais. Cada grafema desta escrita representa diretamente um
fonema das Línguas de Sinais e nos mostra como ele é realizado46.
Grande parte destes grafemas são visualmente icônicos, possibilitando
uma rápida associação com os respectivos fonemas. As principais categorias de
grafemas representam de maneira visual a cabeça, a face, o tronco, os membros,
as mãos e os movimentos, outros grafemas representam as dinâmicas e o
tempo. Seus tamanhos são proporcionais entre si.
Assim, o SignWriting é uma escrita de Traços Não Arbitrários (featural
alphabets) (MARTIN, 2007; HULST & CHANNON, 2010; CAPOVILLA,
SUTTON & WÖHRMANN, 2012). A maioria dos sistemas de escritas são
arbitrários, isto é, são acordados socialmente. Por exemplo, o grafema <a> não
nos faz lembrar os movimentos da boca, da língua, das pregas vocais, etc.
na produção do fonema representado por ele. Mas, foi convencionado para
representar o fonema /a/ do Português.
Observe que este mesmo grafema <a> representa fonemas diferentes no
Inglês. Isto não ocorre no SignWriting. Seus grafemas representam de forma
direta como os fonemas das Línguas de Sinais são realizados. Ao ler um sinal

45
  Disponível em <http://www.signwriting.org/forums/swlist/> Acesso em 06 jun. 2011.
46
  Bissingularidade (Bi-single): conceito base das escritas que preza pela equivalência um-para-um
entre grafemas e fonemas, mas que na prática, devido a inúmeros fatores sociolinguísticos, morfo
lógicos, etc. não se vê em todos os grafemas. No Português Brasileiro, por exemplo, o grafema
<x> representa inúmeros sons: /ks/ (ex.: táxi), /s/ (ex.: texto), /z/ (ex.: exato), /ʃ/ (ex.: abacaxi) ou
simplesmente tem valor etimológico e não sonoro (ex.: exceção).
76
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Capítulo 2 77

ou texto de qualquer LS do mundo, o leitor proficiente em ELS é capaz de


reproduzir com precisão como o sinal é realizado, mesmo sem entender o que
significa, pois para isto seria necessário saber essa Língua de Sinais.
O termo featural alphabets foi introduzido por Geoffrey Sampson em 1985
descrevendo o Hangul, escrita coreana, e também a Pitman Shorthand, usada
para taquigrafia. Ambas foram criadas para apresentar diagramas esquemáticos
das partes do corpo que emitem os sons. Contudo, o autor salienta que não
existe uma escrita realmente pura. Muitos outros autores discordam da análise
do Hangul feita por Sampson (ROGERS, 2005). Assim, o mundo ainda não
conhecia bons exemplos de uma escrita realmente de Traços Não Arbitrários, tal
qual o SignWriting o é (MARTIN, 2007).
Na ELS, os sinais são registrados em duas dimensões onde os grafemas
são organizados para formar um ou mais morfemas47. Desta forma, mostram
o posicionamento de como o sinal é feito. Cada sinal escrito é denominado
cluster (SLEVINSKI, 2012a) e é organizado seguindo a mesma lógica
estrutural do corpo humano, ou seja, o posicionamento dos grafemas também
não é arbitrário e contribui para o melhor e mais rápido entendimento dos
morfemas e consequentemente, dos sinais das LS.
Assim, os parâmetros fonológicos destas línguas são lidos simultanea-
mente. Muitos destes clusters têm características visualmente icônicas também.
Por exemplo, um círculo representa a cabeça do sinalizador. Subsímbolos são
arranjados segundo esta lógica. Desta forma, os semicírculos que representam
os olhos são colocados dentro do círculo da cabeça em sua posição análoga, tal
qual o são os grafemas das sobrancelhas, nariz, boca, orelhas e do cabelo (veja
no quadro abaixo, respectivamente), conforme estudaremos passo a passo nos
capítulos seguintes.

Quad. 13: Grafemas para algumas das Locações na cabeça

Os grafemas de pontuação são usados quando escreve-se sentenças ou


textos. Visualmente, distinguem dos utilizados na Língua Portuguesa, por
exemplo, mas têm significados semelhantes48.

47
  Menor unidade de significado em uma língua.
48
  Veja às páginas 157, 185, 245, etc.

77
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78 Escrita de Sinais sem mistérios

Embora exista esta relação não arbitrária e visualmente icônica entre os


grafemas do SignWriting e os órgãos49 emissores das Línguas de Sinais, esta
escrita não é ideográfica50. Pois não representa semantemas, isto é, unidades
fixas de significado, mas sim a visoespacialidade das Línguas de Sinais através
de seus fonemas (CAPOVILLA et al. 2006; SILVA, 2009a). Nesse aspecto,
entende-se que a Escrita de Sinais registra cada uma das partes do sinal que
são relevantes linguisticamente. Nenhum sinal escrito é estático. Novos sinais
podem ser escritos a qualquer momento.
Por não estarem acostumadas a escritas de Traços Não Arbitrários, muitas
pessoas se confundem chamando a Escrita de Sinais (SignWriting) de desenho.
Desenhos são traços realizados para representar a realidade ou a imaginação.
Se fôssemos chamar os grafemas da Escrita de Sinais ou os sinais escritos
de desenhos, teríamos também que dizer que as palavras grafadas <água>,
<cachorro>, etc. e as letras <a>, <b>, <c> e todos os demais grafemas das Línguas
Orais também são desenhos. Mas não os classificamos assim. O registro gráfico
de uma língua é denominado de escrita. Veja:

Desenho, ilustração Escrita das Línguas


de Sinais (SignWriting)

Escrita (Português/ Inglês)


Desenho da Datilologia (Fonte gráfica)

Fig. 06: Diferença entre desenhos e sistemas de escrita


(Capovilla, Raphael & Maurício, 2012, p. 321, adapt.)

49
  Dedos, mãos, antebraços, braços, cabeça (e seus órgãos constituintes), pescoço, ombros e tronco.
50
  Uma Escrita Ideográfica é aquela que se utiliza de signos pictóricos para representar objetos,
ideias e ainda os sons com que tais objetos ou ideias são nomeados em determinado idioma. A
escrita ideográfica não representa entidades linguísticas, mas ideias. Ex.: Kanji (usado no Japão),
Dongba (usado em parte da China) e o Mandarim (também usado na China) que é tido por
muitos autores uma escrita ideográfica.
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Capítulo 2 79

Embora outros sistemas de escrita ou de notação das Línguas de Sinais


apresentem alguns grafemas icônicos, seu registro é linear e arbitrário, numa
ordem preestabelecida de fonemas (geralmente: Configuração de Mão,
Locação e Movimento, seguindo a ordenação da Notação de Stokoe) em apenas
uma dimensão.
As escritas alfabéticas das Línguas Orais são coerentes em sua linearidade,
pois registram línguas que emitem sequências de sons da voz que também têm
essa característica. Contudo, a ordenação linear no registro das Línguas de
Sinais, como alguns sistemas de escrita fazem, é simplesmente um artefato
desses sistemas e não uma representação da ordenação natural dos fonemas
das Línguas de Sinais em um dado sinal.
Martin (2001) faz uma extensa e acurada comparação entre dois sistemas
de escritas para as Línguas de Sinais: o SignWriting e a Notação de Stokoe. Para
o autor, a linearidade desta é simplesmente uma continuidade da histórica
linearidade das escritas de grande parte das Línguas Orais e uma tentativa de criar
um alfabeto para as Línguas de Sinais. O autor demonstra com muitos exemplos
e aprofundada pesquisa teórica que estas línguas não seguem a lógica daquelas.
Porém, são línguas visuais, realizadas num espaço tridimensional e seus fonemas
são articulados simultaneamente (QUADROS & KARNOPP, 2004).
Se a Libras e as demais LS são línguas visoespaciais, é coerente que sua
escrita registre clara e intuitivamente este fenômeno. Isto promove com noto-
riedade ainda maior a tão importante continuidade entre o pensamento, fala e
escrita apontada por Capovilla, et al. (2006).
Na Escrita de Sinais, as Configurações de Mão de mais de 40 Línguas de
Sinais são organizadas em 10 grupos baseados nos números de 1-10 na Língua
de Sinais Americana51. Mas, diferentemente de outros sistemas de escrita ou
transcrição de sinais, a ELS é capaz de registrar não só as Configurações de
Mãos (e Orientações da Palma), os Movimentos e Locações, mas também as
Expressões Não Manuais (ENM) produzidas pela cabeça, face e tronco com
precisão, o inventário de grafemas para este fim é bem detalhado. As ENM
devem ser escritas quando forem necessárias para o entendimento de um sinal
ou frase.
As ENM, conforme Quadros & Karnopp (2004), têm valor semântico
e sintático nas Línguas de Sinais. Xavier (2006) acrescenta que têm valor

51
 As 111 Configurações de Mão que encontramos na Libras estão disponíveis no Apêndice A
(p. 321) classificadas desta forma.
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80 Escrita de Sinais sem mistérios

morfológico e Costa (2013), que também possuem valor fonológico. Portanto,


é fundamental que um sistema que se propõe a escrever as Línguas de Sinais
registre este importantíssimo parâmetro fonológico, porém a maioria deles
não o fazem, conforme enfatizado também por Thiessen (2011) e Dallan
(2012).
O SignWriting, devido às características supracitadas, pode ser utilizado
também como sistema de transcrição fonética das Línguas de Sinais assim como
o Alfabeto Fonético Internacional (IPA)52 é capaz de transcrever os fonemas das
Línguas Orais (BUTLER & CHANNON, 2010; CAPOVILLA, SUTTON &
WÖHRMANN, 2012; COSTA & BARRETO, 201453; FRISHBERG, 1983;
GALEA, 2006; MARTIN, 2001; PIZZUTO, ROSSINI, & RUSSO, 2006).
O SignWriting pode ser usado em diferentes níveis de detalhamento fonético
através dos quais podemos transcrever com precisão qualquer Língua de Sinais
do mundo. Pizzuto, Rossini & Russo (2006) afirmam que notações baseadas no
sistema de Stokoe conseguem fazer o registro de um sinal isolado e descontex-
tualizado como os que aparecem em algumas pesquisas e em dicionários. Porém,
esse tipo de notação encontra dificuldades ao transcrever sequências de sinais que
ocorrem em uma sinalização fluente e todas as modificações morfo-lógicas que
acontecem em um discurso. A maioria destes sistemas que foram descritos no
capítulo anterior não consegue fazer o registro das expressões manuais e não
manuais que as Línguas de Sinais têm.
Contudo, diferentemente do IPA, onde se faz necessário saber a língua a ser
transcrita, cujos símbolos são arbitrários, precisam ser memorizados e requerem
muito estudo e treino para memorização e utilização correta, como vimos, grande
parte dos grafemas do SignWriting e demais símbolos associados são icônicos
e por serem também de Traços Não Arbitrários, tem seu aprendizado e uso
facilitado.
Seja qual for a necessidade do usuário, basta-lhe assimilar (e praticar) a
estrutura interna desta escrita e então estará apto a transcrever foneticamente
qualquer Língua de Sinais, tal qual Raquel Barreto ao fazer o registro escrito
de sinais utilizados na Aldeia Coroa Vermelha, da etnia Pataxó (Santa Cruz
Cabrália/ BA)54. Veja alguns exemplos:

52
  International Phonetic Alphabet.
53
  Disponível no Anexo H (p. 363).
54
  Pesquisa em desenvolvimento por Letícia Damasceno, como requisito para conclusão do pro-
grama de mestrado em Língua e Cultura da UFBA, Salvador/ BA.
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Capítulo 2 81

Camarão Frio Milho Sal

Quad. 13: Sinais indígenas. Aldeia Coroa Vermelha (Santa Cruz Cabrália/ BA)

As características supramencionadas do SignWriting permitem-lhe ser


usado para a transcrição fonética sem a necessidade de conhecer a língua fonte.
É necessário apenas dominar o SignWriting e sua relação grafema-fonema.
Percebe-se isto desde o nascimento desta escrita na década de 1970 quando,
sem saber nada de Língua de Sinais, Valerie Sutton começou a transcrever a
Língua de Sinais Dinamarquesa, conforme vimos anteriormente.
Para a escrita, no entanto, faz-se necessário conhecer a língua e sua
estrutura linguística, bem como as regras ortográficas adotadas por aquela
comunidade linguística. A escrita espontânea pressupõe o domínio linguístico.
É como ao escrever inglês, alemão, francês ou qualquer outra língua. Pois,
enquanto escrita, o SignWriting procura representar aquilo que é funcional-
mente significativo, estabelecendo um sistema de regras próprias.
Como não falantes de ASL55, podemos transcrever seus corpora vídeo
com precisão, mas não somos capazes de escrever uma frase de forma direta
por não ter conhecimento o suficiente desta língua.
Mediante observações e reflexões sobre o uso da Escrita de Sinais, análise
do conteúdo disponível no site oficial do SignWriting e ainda de sites e blogs
afins, e também de CAPOVILLA (2001, 2006), KASTERLINDEN (S/D),
NOBRE (2011), SILVA (2009), STUMPF (2005), SUTTON (1999a, 2003),
podemos elencar outras aplicações e benefícios da Escrita de Sinais além das
já citadas. A Escrita das Línguas de Sinais:
99 Permite ao surdo expressar-se livremente, mostrando sua fluência na
Língua de Sinais, ao contrário da escrita da Língua Oral;
99 Aumenta o status social da Língua de Sinais quando mostra que o surdo
tem uma escrita própria;
55
  American Sign Language (Língua Americana de Sinais).
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82 Escrita de Sinais sem mistérios

99 Ajuda a melhorar a comunicação;


99 Contribui com o desenvolvimento cognitivo dos surdos, estimulando sua
criatividade, organizando seus pensamentos e facilitando sua aprendizagem;
99 Mostra as variações regionais da Libras, enriquecendo-a;
99 Permite aprender outras Línguas de Sinais;
99 Auxilia a pesquisa das Línguas de Sinais;
99 Pode ser usada na construção de dicionários e glossários diretamente em
Língua de Sinais;
99 É mais prática do que a gravação de uma sinalização em vídeo, pois
permite escrever e ler textos em Língua de Sinais em qualquer lugar, basta
papel e lápis;
99 Pode ser usada em qualquer disciplina escolar ou universitária: geografia,
matemática, ciências, etc.;
99 Preserva a Língua de Sinais, registrando a história, cultura e literatura,
através de roteiros de teatros, poesias, histórias, contos, humor, etc.;
99 Pode ser usada por professores para ensinar a Língua de Sinais e sua
gramática para iniciantes e também pelos próprios aprendizes de Língua de
Sinais para relembrar o que foi estudado em sala de aula, com muito mais
eficácia e praticidade do que desenhos ou anotações em Português;
99 Auxilia os tradutores intérpretes de Libras na preparação para a inter-
pretação e também no registro de novos sinais aprendidos;
99 Permite também que o aluno surdo faça anotações enquanto assiste a
uma aula, palestra, etc. e não fique apenas como expectador;
99 Torna mais fiel a transcrição56 de sinalizações em corpora vídeo por
pesquisadores, do que o uso de glosas da Língua Oral como em [EU IR CASA
P-E-D-R-O], além do que, torna sigilosa a identidade do sinalizador – o que não
acontece na utilização de vídeos, onde o sinalizador muitas vezes já é conhecido,
fator que pode influenciar as análises.
Estas são só algumas das inúmeras possibilidades. Nos Estados Unidos,
por exemplo, Adam Frost, surdo, publicou um blog57 bilíngue que utiliza a

56 
“Transformação dos aportes orais (falados ou sinalizados) sob uma forma gráfica para estudo”
(STUMPF, 2005, p. 169).
57
  Disponível em: <http://www.frostvillage.com/> Acesso em: 30 jun. 2011

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Capítulo 2 83

ASL58 escrita e o inglês de forma alternada, à escolha do usuário.


Sutton (2013a) afirma que os benefícios que o SignWriting oferece para
seus usuários surdos e ouvintes são os mesmos propiciados pelas escritas de
outras línguas como o Português, Inglês, Espanhol, etc. a seus respectivos
usuários.
Nós corroboramos com este pensamento, juntamente com todos os que
são proficientes nesta escrita e a utilizam no dia a dia. Nossos alunos surdos
e ouvintes das oficinas, cursos presenciais ou à distância, e também nossos
leitores são prova viva dos avanços que tiveram em seus estudos da Libras, na
organização do pensamento, em suas anotações e até mesmo na sinalização
do dia a dia59.
O SignWriting possibilita ler, escrever ou transcrever as Línguas de Sinais
de forma visual direta sem passar por outra língua (oral ou sinalizada) nem
mesmo por uma transcrição em glosas. Como o alfabeto latino, que é usado
para escrever o Português, o Inglês, o Francês e tantas outras Línguas Orais, o
alfabeto de Traços Não Arbitrários do SignWriting é internacional e pode ser
usado para escrever qualquer Língua de Sinais do mundo (SUTTON, 2003;
BARRETO & BARRETO, 2012; BARRETO, 2013).
“Enquanto escrita, SignWriting é um sistema secundário de representação
de informação, baseado no sistema primário que é a Língua de Sinais”
(CAPOVILLA et al., 2006, p. 1495). As características tridimensionais das
Línguas de Sinais são preservadas neste sistema, pois registra precisamente
seus parâmetros fonológicos (Configuração de Mão, Orientação da Palma,
Locação, Movimento e Expressões Não Manuais) e sintáticos, tais como o
uso do espaço de sinalização, referentes dêiticos e anafóricos (QUADROS,
S/D; QUADROS & KARNOPP, 2004; SUTTON, 2003). Enfim, não
importa o tipo de projeto ou nível do texto, a Escrita de Sinais nos possibilita
ler e escrever aquilo que quisermos.

  American Sign Language (Língua Americana de Sinais).


58

  Veja o relato de duas alunas do curso EAD no trabalho de Barreto, Pereira & Barbosa (2014)
59

disponível no Anexo F (p. 355).


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Capítulo 3
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86 Escrita de Sinais sem mistérios

AQUISIÇÃO DA LEITURA E ESCRITA EM SIGNWRITING

Parece ser receio de algumas pessoas que a Escrita de Sinais substitua a moda-
lidade sinalizada das Línguas de Sinais. Outros questionam que aprender a
Libras, por exemplo, já é difícil o bastante para ter que aprender sua escrita,
conforme discutimos anteriormente. Contudo, o SignWriting, como qualquer
outro sistema de escrita, não é a língua em si, mas, como disse Leonard Bloom-
field (trad. nossa), “é meramente uma forma de registrar o entendimento de
uma língua através de marcas visíveis”.
A escrita não substitui o discurso oral ou sinalizado e vice versa, pois
cada um preenche necessidades específicas. Um não é melhor que o outro. “As
diferenças de estrutura e uso entre língua falada e escrita são inevitáveis, porque
elas são o produto de tipos radicalmente diferentes de situações comunicativas”
(CRYSTAL, 2006, p. 149, trad. nossa).
Seja em qualquer língua, o discurso é fluido, a escrita estática e permanente.
Contudo, fala e escrita possuem funções complementares. Geralmente, quando
temos a oportunidade de falar (de forma oral ou sinalizada), não usamos a escrita
(exceto em dinâmicas em salas de aula, por exemplo). Mas numa comunicação
à distância usamos a escrita (exceto em casos especiais utilizando equipamentos
tecnológicos) (CRYSTAL, 2006).
Ler e escrever são habilidades com as quais não nascemos. Na verdade,
nem mesmo viemos ao mundo sabendo falar, andar, gesticular. Não tínhamos o
domínio de uma gama enorme de outras coisas. Para adquirir um conhecimento,
é necessário sair de seu status quo. É preciso agir! E isto pode ser desafiador para
muitos.
Ao olhar para o passado, por vezes ficamos nos perguntando como a huma-
nidade sobreviveu tantos séculos sem computador, Internet e o celular, mesmo
aquele que era usado só para fazer ou receber ligações. A questão é: se ler e escrever
as Línguas de Sinais realmente é tão necessário, por que aprendê-la só agora?
No geral,quem sabe ler e escrever o Português,ou é fluente no Inglês,ou sabe
cozinhar muito bem não consegue se imaginar de outra forma. É como se per-
guntássemos a nós mesmos como conseguimos viver tanto tempo sem determi-
nada habilidade ou conhecimento.
É difícil para si mesmo descrever o quase infinito mundo de possibilidades
que se abrem ao adquirir uma nova aptidão. A escrita é a base das mais impor-
tantes descobertas e invenções da humanidade há séculos. E, como vimos, em
grande medida, só temos acesso a isto através dela.
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Capítulo 3 87

Este é o tempo em que surdos e ouvintes falantes das Línguas de Sinais


têm o privilégio de aprender a fazer o registro escrito dessas línguas por um sis-
tema altamente funcional. Novas oportunidades se descortinarão àqueles que
atravessarem esta porta. Inclusive, a aquisição da Escrita de Sinais pode ocorrer
simultaneamente à aquisição da Língua de Sinais. Uma complementa a outra.
Silva (2009a) equipara o SignWriting às demais escritas, mas afirma que
por desconhecimento, muitos surdos ainda não têm como registrar no papel
seus pensamentos em sua própria língua:

O uso do sistema de escrita SignWriting, assim como outras escritas, se


constitui como estratégia de construção de significados e método de estudo,
pois facilita a lembrança e a recuperação da informação guardada na memó-
ria. Atualmente a maioria dos surdos tem acesso aos conteúdos escolares
através da tradução por um intérprete de Libras; porém, os conteúdos são
escritos em Língua Portuguesa, o que não contribui para memorização,
lembrança e associação com outros conhecimentos. Não há uma forma de
registro acessível que se possa consultar (SILVA, 2009a, p. 53).

Na alfabetização, é ensinado ao estudante associar os grafemas da escrita


com os fonemas de sua língua. Assim, o aluno começa a refletir sobre sua própria
língua consciente ou inconscientemente. Porém, isto ainda não tem sido reali-
dade para a maioria dos surdos, devido à chamada descontinuidade identificada
por Capovilla et al. (2006) sobre a qual falamos anteriormente.
Como pode o surdo compreender os grafemas da Língua Portuguesa (sua
Segunda Língua) com os fonemas de sua Língua de Sinais (sua Primeira Língua)
sendo seus pensamentos estruturados nesta língua? O processo de aquisição da
escrita poderia ser natural se a criança surda estivesse assimilando os grafemas
da Escrita de Sinais com os fonemas de sua Língua de Sinais para, só depois
disto, partir para a aquisição de sua Segunda Língua.
Neste sentido, Silva (2009a) e Stumpf (2005) identificam que, por muitas
vezes, a escrita da Língua Portuguesa tem sido usada como a forma escrita da
Língua de Sinais, causando um confronto linguístico no pensamento da criança.
Stumpf (2005) afirma também que, ao ensinar a Escrita de Sinais para
crianças surdas,muitas dizem que pensavam que o Português escrito era a registro
gráfico de sua língua. Tal barreira pode ser rompida facilmente através do Sign-
Writing, como defendem e evidenciam os autores.
Para Silva (2009a, p. 53), as “vantagens que a leitura e escrita oferecem só
terão efeito se o código linguístico utilizado for naturalmente acessível”. Isto nos

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88 Escrita de Sinais sem mistérios

chama atenção no SignWriting. A simultaneidade e iconicidade deste sistema


somadas às demais características supraditas e as que estudaremos passo a passo
nos capítulos seguintes, contribuem para sua rápida compreensão e aprendizado
por surdos e ouvintes falantes das Línguas de Sinais.
Ao utilizarmos o SignWriting em ambientes sociais, educacionais, acadê-
micos e religiosos, dentre outros, observamos fenômenos incríveis! Surdos de
diferentes faixas etárias – mesmo não fluentes na Libras ou com baixo nível de
escolarização e até os que não mantêm contato direto com outros surdos no
dia a dia – conseguem com impressionante facilidade: identificar incontáveis
grafemas da ELS; entender o que está escrito; desinibir-se; por iniciativa própria,
de pé na frente de todos do grupo, ler sinais – cujos significados são conhecidos
ou não – e textos em Escrita de Sinais, mesmo sem estudo prévio desse sistema.
Pivetta, Saito & Ulbricht (2014) também observam que os surdos conse-
guem rapidamente fazer a conexão da ELS com a Libras, mesmo sem conheci-
mento prévio da escrita. Galea (2006) ressalta que, ao ministrar oficinas de SW
para surdos fluentes na LS Maltense, seus alunos aprenderam muito desta
escrita em um curto período de tempo.
Da mesma forma, é memorável que, a partir do início do acesso ao Sign-
Writing, o nível de proficiência linguística destes sujeitos é ampliado. Eles
sentem prazer ao utilizá-lo.
Observe que, não estamos falando aqui do ensino formal do SignWriting,
mas simplesmente do uso e aplicação desta escrita em um determinado con-
texto para pessoas que, em sua grande maioria, sequer conheciam este sistema
anteriormente.
Quando ensinado formalmente,em ambiente presencial ou virtual,no geral
também testemunhamos rápida assimilação desta escrita, como veremos mais
profundamente à frente. Barreto et al. (2014a e 2014b)60 têm identificado estas
características também nos surdos atendidos no Centro de Apoio Pedagógico
de Ipiaú (CAPI) na Bahia.
As pesquisas de Stumpf (2005) têm demonstrado que a Escrita de Sinais
ajuda a desenvolver a percepção do surdo quanto à Língua de Sinais de seu país.
As experiências da autora no ensino da ELS no Brasil e na França evidenciam
que as crianças se apropriam com muita facilidade do sistema e que, desde as
primeiras aulas, escrevem sinais em sua língua materna sem passar pela escrita
da Língua Oral.

  Disponíveis nos Anexos C (p. 343) e D (p. 347).


60

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Capítulo 3 89

Elas têm muitas ideias e variações em sua escrita, pois se sentem à vontade
para expressar seus pensamentos, “sem a insegurança de tentar encontrar a
palavra da Língua Oral, que procura, e não encontra, quando encontra não sabe
bem se era aquela a palavra certa” (STUMPF, 2005, p. 44). As crianças têm
vontade de continuar as aulas de Escrita de Sinais, demonstrando expectativa
pelos próximos conteúdos e anseio em escrever e ler textos em ELS.
No início da aprendizagem, as crianças fazem os sinais antes de escrevê-
los e também ao ler textos em Escrita de Sinais, o que estimula a consciência
fonético-fonológica da língua. Cometem alguns erros na escrita, mas natural-
mente vão corrigindo à medida que se apropriam deste sistema ou com orien-
tação direta do professor, tal qual as crianças ouvintes aprendendo a escrita das
Línguas Orais.
A autora supracitada afirma ainda que os períodos de evolução da escrita
infantil identificados por Ferreiro (1982, 1985 e 1999 apud STUMPF, 2005)
são iguais em crianças ouvintes e surdas quando estas são expostas à Escrita
de Sinais.
Quando a criança escreve, ela expressa suas idéias [sic] graficamente, por
meio de um sistema cujo uso supõe a compreensão da sua forma de constru-
ção. Construir a escrita significa conseguir criar os elementos adequados à
expressão das idéias [sic] e estabelecer entre eles a relação apropriada que
reflita no texto a gramaticidade da língua. Para o usuário natural de uma
língua, no caso as crianças surdas usuárias das línguas de sinais, essa compre-
ensão da estrutura da língua acontece naturalmente ao ser posta em contato
com a LS, como acontece com a criança ouvinte quando adquire a língua
oral de seu país (STUMPF, 2005, p. 214).

Defendendo que a Escrita de Sinais permite aos surdos (e acrescentamos:


aos demais usuários deste sistema) uma consciência semantossêmica dos sinais,
Capovilla, Sutton & Wöhrmann (2012, p. 168) afirmam que o “SignWriting
promove o desenvolvimento do léxico dos sinais (permitindo enriquecer o léxico
semântico e o léxico SemantosÊmicos [sic])e especialmente a representação, a
análise e a reflexão sistemática sobre a estrutura morfológica e a composição
linguística” . Ainda segundo os autores, isto contribuirá com a alfabetização
desses sujeitos, pois lhes permitirá, também, compreender com mais facilidade
a estrutura da Língua Oral que estiverem estudando.
Os pesquisadores franceses, depois da experiência de ensino da Escrita de
Sinais a crianças e adolescentes surdos de seu país por Stumpf (2005), enten-
deram que os alunos aprenderão melhor a Língua Francesa se compreenderem
como é a estrutura de sua Língua de Sinais e souberem como escrevê-la.

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90 Escrita de Sinais sem mistérios

Em depoimento, os próprios alunos disseram que a Escrita de Sinais auxilia


o desenvolvimento e apropriação da LS e uso do espaço de sinalização, pois a
escrita implica na reflexão sobre a língua. Muitos disseram ainda que não sabiam
que a Língua de Sinais Francesa possuía regras estruturais, isto é, sintáticas.
A pesquisa de Wanderley (2012) corrobora com o pensamento desses
pesquisadores. A autora percebeu que universitários ouvintes utilizaram a base
cognitiva que têm da escrita de sua Primeira Língua (o Português), para apren-
derem a Escrita das Línguas Sinais (sua Segunda Língua).
Por isto, a mesma afirma que este é um processo natural e que os surdos que
adquirirem primeiramente a escrita de sua Primeira Língua (a Libras) também
a utilizarão como base para a aquisição de sua Segunda Língua (o Português).
Finau (2004) também entende que seria mais fácil ao surdo compreender a escrita
da Língua Oral a partir da escrita de sua Língua de Sinais.
Stumpf (2005) identificou dois componentes fundamentais ao processo
de aquisição da escrita frente à Escrita de Sinais que habitualmente não se
evidenciam quando a alfabetização em Língua Oral é desenvolvida com as
crianças surdas:

1 – O aspecto afetivo - A criança surda quando se depara com a aprendiza-


gem do SignWriting sente-se gratificada, sente-se feliz. O reconhecimento
de que sua Língua de Sinais também é importante, também pode ser
escrita, a relação que se estabelece entre os colegas para cooperar e trocar
conhecimentos, as produções animadas, o poder contar em casa que são
possuidores de um conhecimento reconhecido pela escola, são fatores entre
outros, de apropriação de um sentimento de auto-estima [sic], do qual elas
muitas vezes carecem e de empenho [sic] em aprender.
2 – O aspecto de evolução na aprendizagem - A rapidez com que elas
conseguem adquirir o sistema, começam a ampliar seu sinalário61 e a
construir mensagens faz com que se sintam estimuladas a avançar. As difi-
culdades que encontram são dificuldades possíveis de serem superadas, ao
contrário das encontradas na escrita da língua oral, que ensinada aos surdos,
com os mesmos métodos que aos ouvintes, não respeita o raciocínio nem a
lógica da criança surda (STUMPF, 2005, p. 220).

A experiência realizada por Stumpf (2005, p. 221) com os familiares de


surdos da Escola de Ensino Fundamental Frei Pacífico (RS) propiciando a eles
o aprendizado básico da Escrita de Sinais fez com que passassem “a valorizar
mais a Libras e a reforçar as aprendizagens da língua e a comunicação em sinais

  Conjunto de expressões que compõe o léxico de uma determinada Língua de Sinais.


61

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Capítulo 3 91

com seus filhos”. Para eles, ficou nítido como seus filhos estavam se desenvol-
vendo e eles queriam participar disso também.
Silva (2009a) investigou a compreensão da leitura de textos em Escrita
de Sinais por sujeitos surdos fluentes em Libras e conhecedores desse sistema.
Todos os sujeitos pesquisados fizeram uma leitura direta em Língua de Sinais,
sem a necessidade de tradução e/ou mediação da Língua Portuguesa escrita.
Eles conseguiram ler e expor sua compreensão acerca do que tinha sido lido.
A variação da coerência e coesão62 apresentada “está diretamente ligada aos
conhecimentos de vida de cada um, das informações percebidas ao seu redor”
(SILVA, 2009a, pp. 97, 98). A variação de coesão está ligada ao nível de fluência
na Língua de Sinais, o que se deve à escassez de professores devidamente forma-
dos com conhecimentos linguísticos e científicos sobre a Língua de Sinais.

Os resultados das análises mostram que ao ler em SignWriting, o leitor é


capaz de associar informações já adquiridas às novas informações. Acres-
centar, interpretar, resumir, tudo é possível nesta troca de informações
entre o texto e o leitor na Língua de Sinais (SILVA, 2009a, pp. 99-100).

O autor afirma igualmente que tanto o tempo de leitura como o de


exposição, isto é, o comentário do leitor sobre o texto, “não definem se o leitor
é não fluente ou vacilante. ‘Um leitor lento não é necessariamente impreciso’”
(McGUINNESS, 2006 apud SILVA, 2009a, p. 100). A compreensão do
texto depende de vários fatores complexos e inter-relacionados. O sistema
SignWriting “faz com que se reflita sobre determinado assunto, manifeste
pensamentos adormecidos, e se exercite o pensamento diferentemente de
apenas sinalizar” (SILVA, 2009a, p. 100).
Crystal (2006) aponta que ao ler, em Língua Oral escrita, um material
difícil, o leitor faz movimentos com os lábios. É como se a fonologia fosse a ajuda
necessária para o entendimento. Desde nosso primeiro contato com a ELS e,
posteriormente, ao ensinarmos este sistema em palestras, oficinas e cursos,
também observamos que aprendizes e usuários da Escrita de Sinais ao ter contato
pela primeira vez com o SignWriting, ou ao ler um sinal desconhecido ou texto
difícil também sinalizam em Libras.
Em entrevista (NASCIMENTO & COELHO, 2013), as professoras
Maria Luiza Campos do Nascimento e Tatiana Coelho também observam estes

62
  Para Silva (2009a, p. 7), coerência diz respeito à “estruturação do sentido entre os conheci-
mentos ativados pelas expressões do texto”. Coesão é a “utilização de recursos gramaticais e
léxicos da Língua de Sinais”.
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92 Escrita de Sinais sem mistérios

fenômenos em alunos surdos fluentes ou não na Libras ao se apropriarem da


Escrita de Sinais. Crystal (2006) chama este fenômeno apontado por ele de
“suporte para os ouvidos” por se tratar de Línguas Orais. Nas Línguas de Sinais,
poderíamos chamá-lo de “um suporte para os olhos”.
Crystal (2006) afirma também que em qualquer sistema de escrita, as
pessoas escrevem e leem mais devagar quando estão em fase de aprendizado.
Isto é absolutamente normal. Mesmo usuários já proficientes, ao escrever uma
palavra pela primeira vez, movem os lábios ou até mesmo pronunciam-na para
então escrever.
O autor identifica fato semelhante no processo de leitura. Segundo
Crystal (2006), estudos demonstram que, ao ler um texto e encontrar palavras
usadas raramente, ou palavras grandes ou cujo significado é desconhecido,
o leitor geralmente parte a palavra em fonemas ou sílabas, como ao ler
oftalmotorrinolaringologista.
Crystal (2006) assinala ainda outro mecanismo cerebral que temos
observado no dia a dia também com os usuários da ELS: depois de múltiplas
exposições a uma palavra escrita, neste caso os sinais escritos, o cérebro produz
uma espécie de atalho mental para leitura, escrita e compreensão do mesmo,
tornando a leitura e escrita significativamente mais rápida.
É importante notar que as tarefas de ler e escrever requerem habilidades
distintas. “Ler é reconhecer e interpretar a língua que foi escrita; escrever é
planejar e produzir língua de modo que possa ser lido” (CRYSTAL, 2006, p.
128, trad. nossa). O autor afirma também que um bom leitor nem sempre é
um bom escritor. O mesmo se aplica a crianças em idade escolar.
A escrita é mais consciente e deliberada e requer conhecimento da estru-
tura linguística. Na leitura, esquecer ou pular uma letra pode não trazer prejuízo
ao entendimento, mas na escrita sim. Isto também ocorre com a Escrita de
Sinais. Por vezes, as pessoas treinam somente a leitura de sinais e desenvolvem
grande habilidade nela, mas não na escrita, e vice versa.
Crystal (2006) afirma que não se pode argumentar somente dizendo que
a escrita é mais difícil. Isto não basta, pois as crianças geralmente conseguem
escrever melhor do que ler. O que precisamos observar é que estas duas habili-
dades requerem estratégias diferentes de aprendizagem.
Enquanto a leitura exige uma associação mais direta entre a expressão
gráfica e o entendimento, a escrita parece envolver um componente fonológico
desde o começo. Isto pode ser percebido quando uma criança escreve uma palavra
como B-O-I e “pronuncia o nome de cada letra dos sons que escreveu, ou um
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Capítulo 3 93

escritor adulto pronuncia palavras (principalmente grandes palavras) enquanto


escreve-as no papel” (CRYSTAL, 2006, p. 29, trad. nossa).
Qualquer nível de escrita exige planejamento, como aponta Crystal (2006),
precisamos pensar no que nosso leitor lerá. É também por isto que se afirma que a
escrita é rígida. É preciso reflexão, e isto ajuda a ordenar o pensamento e, direta
ou indiretamente, refletimos também sobre a língua e assim a escrita nos leva ao
aprofundamento linguístico em diversos níveis: fonético, fonológico, morfo-
lógico, sintático, semântico e pragmático, dentre outros.
A reescrita faz parte da escrita, pois ela traz reflexão também. Crystal
(2006) aponta que as pausas feitas durante a escrita de um texto refletem o
planejamento mental e também a difícil tarefa de escrever. O autor afirma ainda
que o que a pessoa vê ao escrever pode afetar sua maneira de pensar. Logo,
escrever não é uma “tarefa meramente mecânica, uma simples questão de colocar
o discurso no papel. É uma exploração no uso do potencial gráfico de uma língua
– um processo criativo, um ato de descoberta” (p. 128, trad. nossa).
Para escrever bem, é necessário ter boa consciência fonológica e boa
consciência visual. Na Escrita de Sinais, isto é ainda mais real. A associação
grafema-fonema é feita de forma mais direta, pois, como vimos, a Escrita de
Sinais é um alfabeto de Traços Não Arbitrários e isto permite ao usuário fazer
associações entre a visualidade da escrita e da sinalização em LS tanto ao ler
quanto ao escrever.
Leitores proficientes conseguem ler longos textos apenas com os olhos,
sem precisarem pronunciar, isto é, expressar sinal por sinal. Neste sentido, é
importante notar que, assim como nas Línguas Orais, a velocidade de leitura
depende de inúmeros fatores, dentre os quais está o nível de pré-conhecimento
do assunto.
Mesmo com tantas regras ortográficas para as equivalências entre grafema
e morfema, na Língua Portuguesa e na inglesa (como em qualquer outra) encon-
tramos escritas alternativas para uma mesma palavra. É o caso de itapuã, itapuá,
itapuan, itapoan e itapoã (MIGUEZ, 2013) ou do inglês yogurt, yoghourt e
yoghurt (CRYSTAL, 2006) todas essas formas estão corretas. Por vezes, este
fenômeno acontece na Escrita de Sinais também e, como nas Línguas Orais, é
perfeitamente aceitável e não compromete o entendimento nem da leitura nem
da escrita.
Assim, concluímos que o processo de aquisição da leitura e escrita das
Línguas de Sinais através do SignWriting,tanto para surdos quanto para ouvintes,
mediante suas características estudadas nesta obra, pode se dar pelo meio
informal (contato direto) e pelo formal (através de cursos e livros texto).
93
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94 Escrita de Sinais sem mistérios

Quanto mais exemplos de sua Língua de Sinais o aprendiz tiver e quanto


mais praticar as habilidades de leitura e escrita, tanto mais rápido assimilará o
sistema alcançando a proficiência.
Destacamos que, para uma aquisição mais rápida, o ensino da Escrita de
Sinais deve ser feito passo a passo. Primeiramente, devem ser estudados os gra-
femas mais utilizados na Libras, iniciando-se pelos grafemas base e partindo-se
para os mais elaborados.
Estudar as categorias de grafemas, mesmo com exemplos, tem demonstra-
do ineficácia para o aprendizado dos alunos. Eles aprendem grafemas isolados,
mas por não terem adquirido os demais grafemas que precisam para escrever
um sinal ou frase, sentem-se desmotivados, bloqueando sua aprendizagem.
A iconicidade de seus grafemas, por ser uma escrita de Traços Não Arbi-
trários, permite que o aprendiz não precise decorar centenas de grafemas, mas
apenas apreender sua estrutura fundamental. Escrever uma Língua de Sinais
exige conhecimento desta língua, o que ocorre também com as Línguas Orais.
Depois de aprender, você também pode (e deve!) ensinar a Escrita de Sinais
em faculdades, cursos, oficinas ou até mesmo informalmente. Recomendamos
que utilize a mesma metodologia adotada neste livro. Comece ensinando do
capítulo 05 até o último, em sequência. Adapte os exemplos que considerar
necessário para sua região. Veja outras orientações que podem lhe auxiliar
neste processo e facilitar seu trabalho na apresentação desta obra e no início
do cap. 05.

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Capítulo 4
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96 Escrita de Sinais sem mistérios

A ESCRITA DE SINAIS NO BRASIL

Neste capítulo, vamos conhecer os primórdios da Escrita de Sinais63 em nosso


país e seus desdobramentos. A pesquisa e escrita deste capítulo constitui-se
numa árdua tarefa, pois muito do conhecimento e pesquisas brasileiras sobre
esta temática está nas esquinas dos labirintos da Internet e por isto é necessário
tempo, técnicas de pesquisa e olhar criterioso para garimpar o conteúdo que é
realmente relevante para nossos propósitos aqui.
Nosso objetivo não é esgotar o assunto, embora estejamos apresentando
aqui praticamente tudo que encontramos de pesquisas e produções brasileiras
sobre a Escrita de Sinais ou que fizeram uso dela, além das inúmeras citações de
pesquisadores brasileiros já feitas nos capítulos anteriores.
Dentre as mais diversas abordagens, optamos por expor os fundamentos
da Escrita de Sinais plantados em nosso país em 1996, partindo então para
os segmentos que tiveram maior desdobramento à medida em que ocorreram.
Assim, queremos demonstrar como a fundação lançada delineou os aconteci-
mentos dos anos seguintes e como estão inter-relacionados.
Campos (2012) fez um levantamento e analisou as produções científicas
brasileiras relacionadas ao sistema SignWriting entre os anos 2001 e 2011,
totalizando 111 trabalhos64. A autora conclui que estes abordam o tema com
profundidade, tornando evidente a necessidade que a comunidade científica
tem percebido de entender e discutir essa escrita e seu papel na educação de
surdos. Defende que dessa forma o Brasil se aproxima do efetivo bilinguismo
onde se tem acesso às duas formas de expressão da LS: a sinalização no espaço e
a sua representação gráfica.
Dallan (2012) faz uma análise discursiva sobre a Escrita de Sinais nos
livros da série Estudos Surdos (ed. Arara Azul). Identifica que muitos autores
remetem-se, utilizam, recomendam ou reconhecem o sistema SignWriting
enquanto possibilidade escrita para a Libras: Avelar (2008, p. 381); Campelo
(2007, 129); Leite & McCleary (2008, pp. 255, 268); Marques (2007, p. 139);
Marques & Oliveira (2008; pp. 420-421); Nicoloso & Silva (2008, p. 97); Perlin
(2007, p. 11); Quadros, Cerny & Pereira (2008, pp. 49, 50); Silveira (2007, pp.
158, 159, 170); Silveira e Rezende (2008, p. 78); Sousa (2008, p. 210); Stumpf
(2008a, p. 18; 2008b, pp. 427-451) e Vieira-Machado (2008, p. 223).
63
  Como falamos anteriormente, utilizamos este termo como equivalente em Português para o
SignWriting.
64
  Veja a lista completa no anexo A (p. 333).
96
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Capítulo 4 97

Estes são alguns dos desdobramentos do que começou a ser plantado na


década de 1990. No Brasil, as pesquisas da Escrita de Sinais pelo SignWriting
iniciaram-se em 1996 na PUC-RS65, em Porto Alegre, através do Dr. Antônio
Carlos da Rocha Costa que formou um grupo de trabalho do qual participaram
a profa. Márcia de Borba e a profa. Marianne Stumpf, surda, ambas doutoras
hoje. Este grupo deu início ao projeto SignNet realizado de 1996 a 2006 e finan-
ciado pelo CNPQ/ProTeM66, FINEP – Inovação e Pesquisa, FAPERGS67 e
pela UCPel68.
O SignNet foi um projeto com vários subprojetos. Seu objetivo principal era
criar ferramentas para o processamento de Línguas de Sinais na Internet. Foi
desenvolvido em quatro instituições: Escola de Informática da UCPel, Museu
de Ciência e Tecnologia da PUC-RS, Faculdade de Informática da PUC-RS e
Colégio ULBRA69 Especial Concórdia, especializado na educação de surdos.
Um de seus subprojetos foi o SignNet/PLN70 dedicado às pesquisas acerca
do Processamento de Línguas de Sinais com base na Escrita de Sinais. Foram
investigados como determinar a igualdade ou similaridade entre dois sinais
escritos, possibilitando de modo adequado o processo mais elementar de busca
de sinais em textos e em dicionários.
A realização destes projetos contou com a participação de inúmeros surdos
como colaboradores ou bolsistas, além de graduandos, mestres e doutores
surdos e ouvintes.

Programas Computacionais e Informática

O projeto SignNet trouxe incontáveis contribuições para a Escrita de Sinais no


Brasil nas mais diversas áreas, como resultado de seu empenho em desenvolver
linguagens e programas capazes de fazer o processamento das LS no computador
(COSTA, 2001).
Tantos outros sistemas foram criados a partir destes. Os autores de todos os
estes programas e suas equipes de trabalho relatam que suas obras foram testadas
65
  Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul.
66
  Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico/ Programa Temático Multi-
institucional em Ciência da Computação.
67
  Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul.
68
  Universidade Católica de Pelotas.
69
  Universidade Luterana do Brasil.
70
  Processamento de Línguas Naturais.
97
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98 Escrita de Sinais sem mistérios

por surdos e ouvintes falantes da Libras. A seguir, identificamos com “SignNet”


seus subprojetos, programas e também outros trabalhos que tiveram sua
influência direta:
SWML: (SignNet) linguagem padrão eXtensible Markup Language (XML) a
fim de prover um formato de dados flexível e independente de software que pode
ser facilmente analisado sintaticamente. Objetiva tornar possível a realização de
operações de troca, armazenamento e processamento de textos escritos em
Língua de Sinais por diversos sistemas. Descreve basicamente os grafemas que
compõe um sinal, seu posicionamento no espaço e as transformações a que os
grafemas devem ser submetidos desta forma, armazena códigos ao invés de
imagens (COSTA & DIMURO, 2002). Este padrão trouxe grande desenvol-
vimento ao SignWriting a nível internacional. Muitos artigos foram publicados a
seu respeito e influenciou inclusive a criação do SignPuddle dois anos mais tarde.
SW-Webmail: (SignNet) sistema para envio e recebimento de e-mail escritos em
LS baseado em VML71 e HTML72 Dinâmico (COSTA, 2001).
SW-OCX: (SignNet) componente ActiveX habilitando a renderização de
sinais em sites com páginas HTML (COSTA, 2001).
SignTalk: (SignNet) sistema de sala de bate papo virtual em ambas as Línguas
Oral e de Sinais, permitindo conversa em tempo real entre surdos e entre surdos
e ouvintes (MACHADO & GONZALEZ, 2003).
SignSim: (SignNet) um tradutor semiautomático de sinais para glosas. Possui
ainda um editor/ visualizador dos sinais em 3D com opções de zoom e mudança
do ângulo de visualização (CAMPOS, GIRAFFA & SANTAROSA, 2000).
SignEd: (SignNet) um editor para a Escrita de Sinais usado principalmente nos
sistemas Signtalk e SignSim (CAMPOS, 2001).
SignDic: (SignNet) dicionário on-line com a possibilidade de traduções entre
Línguas de Sinais e Línguas Orais usando um sistema de recuperação de dados
em banco de dados. Organiza os sinais de duas maneiras: de acordo com as carac-
terísticas gestuais dos sinais e alfabeticamente de acordo com seus respectivos
significados em uma Língua Oral (MACEDO, 1999).
SignHQ: (SignNet) sistema de autoria para criação e leitura de Histórias em
Quadrinhos com suporte à Língua de Sinais. Permite a inserção de cenários,
personagens, textos, balões de diálogos, etc. (CAMPOS, MAIOCCHI &
BORTOLIN, 2004).

 Vector Markup Language. Formato de arquivo baseado em XML para vetores gráficos bidimensionais.
71

  Hypertext Markup Language. Linguagem de marcação usada para produzir páginas web.
72

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Capítulo 4 99

SignHTML: (SignNet) permite edição e publicação de páginas na Internet com


um editor de Escrita de Sinais incorporado (MAZUTTI, FARIA & PIRES,
2001).
Interface de Software: (SignNet) proposta de interface orientada à Língua de
Sinais fazendo o uso de sua escrita (PONTES & ORTH, 1999).
SignSMS: (SignNet) protótipo de sistema para a escrita, envio e recebimento de
mensagens em Língua de Sinais através do SignWriting em celulares com sistema
Android (KRAUSE & CUNHA, 2012).
SignWebEdit: (SignNet) ferramenta on-line para construção coletiva de textos,
que suporta a Escrita de Sinais, com níveis de usuários diferentes (CAMPOS,
OLIVEIRA & SANTOS, 2006).
SWService: (SignNet) biblioteca on-line no padrão SWML que permite a
programas computacionais baseados na Web possam utilizar a Libras em forma
escrita pelo SignWriting sem a necessidade de desenvolvimento ou instalação
local (SOUZA, 2005).
Reconhecimento de Padrão Manuscrito: (SignNet) proposta de padrão
manuscrito para reconhecimento automático dos grafemas da ELS (ROCHA,
2003).
AGA-Sign: (SignNet) animador de Gestos aplicado à Língua de Sinais em
ambiente web. Tem por objetivo auxiliar na prática da Escrita de Sinais e na
familiarização com a língua. O protótipo gera automaticamente animações
da sinalização a partir de sinais escritos em ELS (arquivos usando o formato
SWML) (DENARDI, 2006).
SW-Edit: (SignNet) programa computacional para a Escrita de Sinais73 que utiliza
a interface gráfica do Windows com base no uso do mouse (TORCHELSEN,
2002). Este programa foi um divisor de águas, pois até então a Escrita de Sinais
no computador contava apenas com o SignWriter, que operava no modo DOS,
com interface de texto com base no teclado. O SW-Edit foi o primeiro programa
no mundo a instrumentalizar a Escrita de Sinais utilizando interface gráfica
e mouse. Desta forma, este programa e o padrão SWML foram amplamente
difundidos por todo o mundo e influenciaram a criação do SignPuddle em 2004.

  Devido ao tempo, a evoluções e simplificações da Escrita de Sinais, o SW-Edit está desa-


73

tualizado, a escrita de vários grafemas está errada ou antiquada. Faltam-lhe também algumas
importantes funcionalidades já contempladas no SignPuddle on-line. Por isto, recomendamos o
uso deste, conforme orientação no rodapé da p. 75 (veja lá também o BÔNUS que preparamos
para você).

99
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100 Escrita de Sinais sem mistérios

SWDB: (SignNet) sistema de dicionários para as Línguas de Sinais usando o


SignWriting (FREITAS & COSTA, 2004).
SignWriting Journal: (SignNet) uma revista eletrônica criada e hospedada no
site da UCPEL com um conselho editorial composto por vários membros repre-
sentativos da comunidade internacional do SignWriting (COSTA, 2001).
Informativo “SW informa”: (SignNet) boletim informativo on-line escrito em
ELS veiculado de 2005 a 2006 (COSTA, 2001).
Sign Webmessage: protótipo de um ambiente para envio e recebimento de e-mails
no sistema SignWriting (SOUZA & PINTO, 2003).
Campos (2001) investigou as características que um ambiente computa-
cional deve ter para suporte à construção da leitura e escrita da Primeira
Língua (L1) e Segunda Língua (L2) para surdos. Assim, desenvolveu um
pacote de ferramentas computacionais que utilizam a Escrita de Sinais. Este
pacote, desenvolvido especialmente para a tese, é composto pelos programas
supracitados: SignEd, o SignSim e o SignTalk. Tais ferramentas dispõe de um
dicionário bilíngue, um mecanismo de predição de sinais para a resolução de
ambiguidade entre os sinais, e um visualizador com boneco tridimensional para
a representação espacial dos sinais Libras.
Guimarães et al. (2014) propõe um sistema para reconhecimento auto-
mático da Escrita de Sinais à mão feita em tablets. O trabalho está em desenvol-
vimento e demonstra ser muito promissor, pois valoriza o uso da escrita à mão,
ao mesmo tempo que traz praticidade na escrita digital. O sistema captará os
padrões de escrita do usuário adotando-os como referencial no reconhecimento
dos grafemas.
Guimarães, Guardezi & Fernandes (2014) desenvolveram um software
educacional para auxiliar a alfabetização em Escrita de Sinais usando tablets.
O aplicativo utiliza imagens, vídeos em Libras (com legenda em Português) e a
ELS. Depois de visualizar estes itens em sequência, o sistema mostra ao usuário
a CM utilizada no sinal e sua escrita correspondente.
Em outra tela, ele deve praticar a escrita das CMs utilizadas e, em seguida,
o sinal completo que acabou de ver. Nos testes realizados com crianças surdas e
seus professores, ambos não conhecedores da ELS, os participantes da pesquisa
adjetivaram o aplicativo como lindo e divertido. Demonstraram motivação para
continuar “jogando” e ficavam perguntando por mais sinais e frases, ainda não
disponíveis nesta primeira versão.
Iatskiu (2014) desenvolveu um protótipo de serviço web para a interpre-
tação das descrições de sinais através do Modelo de Descrição Computacional
100
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Capítulo 4 101

da Fonologia da Libras para os grafemas da Escrita de Sinais, constituindo o


primeiro passo para a geração automática desta escrita. Faltam várias funcio-
nalidades a serem implementadas, mas este programa nos parece promissor.

A Escrita de Sinais na Lexicografia e nos Estudos Linguísticos

A Escrita de Sinais tem sido utilizada também na lexicografia74 da Libras


em diversas obras e projetos. O Dicionário Enciclopédico Ilustrado Trilíngue
da Língua de Sinais Brasileira (DEIT-Libras) de Capovilla, Raphael & Luz
(2001) foi o pioneiro ao fazer uso desta escrita para documentar os sinais da
Libras e propiciar explicações formais sobre seu uso desde sua primeira edição.
Contribuiu para que muitas pessoas tomassem conhecimento da Escrita de
Sinais. Atualmente, o DEIT-Libras é referência no Brasil e no mundo.
O Glossário de Sinais Acadêmicos e também o Ambiente Virtual de
Ensino Aprendizagem da UFSC também utiliza esta escrita das mais diversas
formas e todos os sinais do glossário estão disponíveis em Escrita de Sinais
(OLIVEIRA & STUMPF, 2013). É mais rápido ler o sinal e sua acepção escrita
do que assistir um vídeo.
Faria-do-Nascimento (2009) fez uma proposta lexicográfica para a
representação lexical da Libras. A autora identifica dois caminhos: represen-
tação digital ou impressa. Defende que para a representação terminográfica
impressa em glossários, dicionários, etc. (independente da faixa etária ou nível
educacional) o SignWriting é o ideal porque é um sistema que vem atendendo
satisfatoriamente como registro gráfico das LS no mundo todo. Recomenda que
publicações deste tipo tragam também um manual de instruções básico sobre
esta escrita ou até acompanhado de um curso digital em Libras sobre a Escrita
de Sinais. Sua tese traz ainda dois anexos contendo materiais instrutivos sobre
esta escrita.
Os glossários de Desenho Arquitetônico (LIMA, 2014), Eletrônica e
Química do CEFET-MG75 também fazem uso da Escrita de Sinais e serão
incorporados no Glossário da UFSC supracitado. Atualmente, a equipe do
glossário do CEFET-MG dispõe de uma bolsista surda, Raquel Barreto,
responsável por fazer a escrita de todos os sinais a partir dos vídeos com as
sinalizações em Libras.

74
  Lexicografia é estudo científico e analítico das técnicas de produção dos dicionários.
75
  Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais.
101
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102 Escrita de Sinais sem mistérios

Lima (2014), ao desenvolver uma proposta terminológica da Libras para a


área de Desenho Arquitetônico, faz uso da Escrita de Sinais permitindo acesso
direto e fluente aos sinais em sua tese, sem a necessidade de qualquer outro
veículo (vídeo, foto, desenho, etc.) e destaca seu poder e precisão no registro
escrito dessa língua, constituindo-se em um importante meio para o registro e
transmissão de ideias.
Costa (2014) pesquisou o ensino de química mediado pela Libras.
Registrou em ELS todos os sinais de sua pesquisa e os novos sinais produzidos
para a área de Química. Estes servirão como suporte à construção de conceitos
científicos por e para surdos.
Enfatiza que os desenhos e imagens geralmente utilizadas em apostilas,
glossários e dicionários de Libras não permitem uma compreensão exata do
sinal, por vezes tornando a leitura confusa. Mas a Escrita de Sinais permite
tanto o registro quanto a recuperação da informação com facilidade.
Em sua tese de doutorado, Quadros (1999) fez uso extensivo da Escrita
de Sinais para não ser dependente do uso de glosas, embora as utilize em seu
trabalho junto com a ELS. Argumenta ainda que a direção do olhar, posição
do corpo e demais Expressões Não Manuais são muito difíceis de se escrever
através de glosas. Desta forma, permitiu ao leitor fazer a leitura dos sinais em
Libras diretamente nesta língua.
Outro autor, Costa (2013), desenvolveu uma proposta de instrumento
para a avaliação fonológica da Libras denominada FONOLIBRAS. Realizou a
transcrição dos dados coletados para a pesquisa, isto é, os sinais realizados por
crianças surdas e os padrões de sinalização de surdos adultos da região metro-
politana de Salvador/ BA.
A análise comparativa dos dados, revelou como foi vital a transcrição da
Libras através da Escrita de Sinais. Pois facilitou a coleta e registro dos dados
preservando a imagem dos sinalizadores e, devido à sua iconicidade, permitiu que
até mesmo pessoas que não conhecem esta escrita percebam com facilidade as
diferenças e/ ou semelhanças entre os dados coletados. Em seu trabalho, o autor
incluiu ainda um apêndice, traduzido e adaptado de Galea (2006), como uma
breve introdução aos grafemas básicos da ELS e seu uso.
Conforme citado e exemplificado anteriormente76, Damasceno (pesquisa
em andamento) também optou por transcrever foneticamente, usando a Escrita
de Sinais, os dados coletados em sua pesquisa dos sinais empregados na Aldeia

  Veja na p. 81.
76

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Capítulo 4 103

Coroa Vermelha, da etnia Pataxó, com benefícios semelhantes aos identifi-


cados acima, dentre outros.

A Escrita de Sinais na literatura em Libras

No Brasil foram publicadas várias histórias infantis e outros materiais em Escrita


de Sinais como: Uma menina chamada Kauana (STROBEL, 1997); Livrinho
do Betinho (2002); As Cigarras surdas e as formigas (OLIVEIRA & BOLDO,
2004); Cachos Dourados (STUMPF, 2003); Rapunzel Surda (HESSEL,
ROSA & KARNOPP, 2003); A árvore surda (LIBRAS, 2005a); Adão e Eva
(LIBRAS, 2005b); Ivo (LIBRAS, 2005c); Viva as diferenças (LIBRAS, 2005d);
Davi (RIBEIRO, 2006a); O menino, o pastor e o lobo (RIBEIRO, 2006b); Noé
(RIBEIRO, 2007); Cinderela Surda (HESSEL, ROSA & KARNOPP, 2007);
O Feijãozinho Surdo (KUCHENBECKER, 2009); Manoelito o palhaço tristonho
(FIGUEIRÓ, 2009); Sol e as ovelhas (FIGUEIRÓ, 2010); Negrinho e Solimões
(MONTEIRO, 2014), dentre outros.
Ribas (2008) considera que os elementos mais representativos da cultura
surda são a Língua de Sinais e sua escrita. Pois esta permite estudos aplicados às
LS e o acesso à cultura escrita da população surda.
Segala (2010) reconhece que a ELS, a gravação de vídeos e até mesmo a
Língua Portuguesa têm contribuído com o desenvolvimento da cultura surda,
pois anteriormente os surdos comunicavam-se apenas presencialmente e de
forma síncrona. Ao falar do campo da tradução, o autor menciona o SW
enquanto forma de escrita da Libras.
Santana (2010), em sua análise sobre a literatura, as experiências e
performances dos tradutores e intérpretes, aponta a importância do SignWriting
na produção literária em Libras além do uso de vídeos.
Morais (2010) demonstra a importância da Escrita de Sinais na produção
literária em LS no Brasil. Enfatiza que são inúmeros ganhos, dentre os quais a
perpetuação do conhecimento e vivências, e reflexão sobre a vida e a própria língua.
É interessante notar que mesmo a autora considerando seus conheci-
mentos da ELS como básicos, desenvolveu um trabalho muito bom. Defende
que “a mesma comunidade surda que, por anos, reivindicou o reconhecimento
da língua de sinais, deve promover ações para o reconhecimento da escrita de
sinais” (MORAIS, 2010, p. 139).

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104 Escrita de Sinais sem mistérios

A Escrita de Sinais na Educação de Surdos

Stumpf (2005)77 foi pioneira ao demonstrar que as crianças surdas conseguem


com facilidade, interesse e incrível motivação adquirir a Escrita de Sinais tanto
manuscrita quanto no computador.
Destacamos que o programa computacional utilizado pela autora em sua
pesquisa foi o SignWriter DOS citado anteriormente78. Mesmo com os inúme-
ros graus de dificuldade de uso e limitação que este programa apresenta, elas
conseguiram se desenvolver muito bem. Stumpf identificou ainda incontáveis
aplicabilidades para a Escrita de Sinais nas mais diversas áreas.
Capovilla et al. (2006)79, como vimos, aponta que a Escrita de Sinais é
fundamental na educação de surdos ao possibilitar que leiam e escrevam sua
Primeira Língua, promovendo continuidade entre pensamento, fala e escrita.
Inúmeras outras publicações suas como o DEIT-Libras (CAPOVILLA,
RAPHAEL & LUZ, 2001) levaram a Escrita de Sinais a um alto patamar
mostrando sua eficácia no registro da Libras.
Pontin & Silva (2010) demonstram como a Escrita de Sinais está em
diversos âmbitos da educação de surdos e como oportuniza a escrita da Primeira
Língua destes sujeitos.
Oliveira e Mourão (2012) defendem o uso da Escrita de Sinais como
parte da pedagogia visual adequada para a educação surdos. Nobre (2011, p.
28) afirma que “a escrita de sinais em sala de aula aparece como característica
da Cultura Surda, assim como o estabelecimento da Literatura Surda80”.
Nas atividades escolares a leitura e a escrita de Língua de Sinais permitirão,
segundo Stumpf (2005, pp. 46, 100), “um trabalho muito mais consistente com
a Língua de Sinais que precisa ser completa e bem construída, para possibilitar ao
surdo o acesso a todo conhecimento, [...] o que pode levar ao bilinguismo pleno”.
Neste sentido, Quadros (2003 apud STUMPF, 2005) afirma que:

A escrita da Língua de Sinais capta as relações que a criança estabelece com


a Língua de Sinais. Se as crianças (surdas) tivessem acesso a essa forma de
escrita para construir suas hipóteses a respeito da escrita, a alfabetização

77
  Nos capítulos anteriores citamos os trabalhos de Stumpf (2005) diversas vezes. Este parágrafo
apresenta um breve resumo.
78
  Confira na p. 74.
79
  Veja mais sobre os trabalhos e considerações deste autor nos capítulos anteriores.
80
  Literatura Surda “refere-se a obras que discorrem e discutem sobre Cultura e Identidade Surda,
considerando as produções voltadas a Comunidade Surda” (NOBRE, 2011, p. 28, nota de rodapé).
104
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Capítulo 4 105

seria uma consequência do processo. A partir disso, poder-se-ia garantir


o letramento do aluno ao longo do processo educacional (Quadros,
2003 apud STUMPF, 2005, p. 106).

A literatura em Língua de Sinais oportuniza aos alunos surdos refletirem e


valorizarem sua própria língua, dentre incontáveis outros aspectos. As escolas
que trabalham com a Escrita de Sinais fazem uso constante de várias das obras
literárias em ELS supracitadas.
A professora de surdos Maria Luiza Campos do Nascimento, em entre-
vista (NASCIMENTO, 2014), agradece com ênfase aos autores destas obras
literárias e pede encarecidamente que mais e mais livros sejam publicados em
ELS, pois este é um ganho inefável à educação de surdos.
O curso de Letras com habilitação em Libras de três instituições de ensino
vem oportunizando aos seus alunos surdos e ouvintes a aquisição da Escrita
de Sinais: UFSC81 modalidades Ensino à Distância – EaD (turmas 2006 –
licenciatura - e 2008 – licenciatura e bacharelado) e posteriormente na presen-
cial; UFPB82 modalidade EaD (2009 – licenciatura) e a Faculdade Eficaz
(Maringá/ PR) no curso presencial (2011 – licenciatura).
Fernandes (2011), por meio de um estudo de caso, buscou descrever,
analisar e discutir a aprendizagem da Escrita de Sinais da Libras nas produções e
depoimentos de universitários ouvintes sinalizantes no curso de Bacharelado em
Letras/ Libras nas modalidades de ensino à distância e presencial da UFSC.
Os participantes da pesquisa demonstraram muito interesse no apren-
dizado da ELS e desejam continuar os estudos. A autora recomenda que esta
escrita seja ensinada e utilizada durante todo o curso, e não somente em alguns
períodos ou disciplinas, a fim de fortalecer seu aprendizado e uso.
Gomes (2009) investigou o uso de fóruns para o estudo da Escrita de Sinais
no curso de Licenciatura em Letras/ Libras modalidade EaD ofertado pela
UFSC no polo UFC83. Afirma que os fatores motivadores ou desmotivadores
no processo de aprendizagem são os mais diversos e que metodologia e
tecnologia devem unir-se para oportunizar um melhor aprendizado.
Versões mais recentes do SignPuddle e plugins a ele associados84 permitem
este tipo de integração, desenvolvimento de ferramentas, plataformas e sites
bilíngues com muito mais facilidade.
81
  Universidade Federal de Santa Catarina.
82
  Universidade Federal da Paraíba.
83
  Universidade Federal do Ceará.
84
  Disponíveis em: <http://www.signpuddle.com> Acesso em: 20 ago. 2014.
105
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106 Escrita de Sinais sem mistérios

Ao ensinar e fazer uso da Escrita de Sinais, o curso de Letras/ Libras da


UFSC trouxe inúmeras implicações para a educação de surdos no Brasil. Além
das graduações supramencionadas, hoje a ELS faz parte também da grade
curricular de algumas pós graduações (várias destas possuem polos em diferentes
regiões do país) em Araguaína/ TO85, Belo Horizonte/ MG86, Curitiba/ PR87,
Fortaleza/ CE88, Salvador/ BA89 e em Terezina/ PI90. Em sua maioria, os profes-
sores desta disciplina formaram-se na UFSC.
Muitos pesquisadores da Escrita de Sinais foram alunos daquele curso.
Atuam também como tradutores intérpretes de Libras ou como professores de
Libras ou ainda como professores para surdos, dentre outros, nos mais diversos
ambientes, transformando para melhor a educação de surdos no Brasil e propi-
ciando mais acessibilidade.
Desde a década de 1990, a Escrita de Sinais tem sido ensinada a crianças
e adolescentes surdos brasileiros em projetos associados a escolas, alcançando
excelentes resultados, como temos visto. Nobre (2011) defende que a Escrita
de Sinais é muito importante para as comunidades surdas.
Barth (2008) observou os processos e estratégias utilizadas por crianças
surdas para construção da escrita/ leitura na Língua de Sinais. Desenvolveu
um teclado virtual para a Escrita de Sinais com recursos que tornam a escrita
mais rápida. O aplicativo desenvolvido conta ainda com uma tela onde os sinais
podem ser manuscritos através da ferramenta pincel do próprio programa.
A pesquisadora constatou que a cada período de participação as crianças
descobriam algo significativo para elas, podendo ser de forma intuitiva e primária
ou com consciência desse significado. Ao final da pesquisa, cada uma delas
conseguiu compreender melhor a forma de registro condizente com sua forma
de pensar em Libras.
Silva (2009b) considera a ELS um poderoso instrumento de reflexão das

85
 Especialização em Libras: Faculdade ESEA.
86
  Faculdade Pitágoras.
87
  “Especialização em Libras e Educação para Surdos”: Centro Universitário Uninter; “Especia-
lização em Libras e educação para surdos”: Faculdade Atualize.
88
  “Especialização em Libras: ensino e tradução”: Faculdade 7 de setembro; “Especialização em
Libras”: FATECI - Faculdade de Tecnologia Intensiva.
89
  “Especialização em Libras com Ênfase em Educação de Surdos” e “Especialização em Libras
com Ênfase em Tradução e Interpretação”: Faculdade Montessoriano; “Especialização em Libras”:
Faculdade Dom Pedro II.
90
  “Especialização em Libras”: UniNassau.
106
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Capítulo 4 107

Comunidades Surdas, pois possibilita o registro de sua cultura, língua e


história. O autor traz o relato de vários intelectuais91 surdos sobre esta escrita.
Todos são unânimes ao afirmar que ela traz liberdade aos surdos ao pode-
rem registrar seus pensamentos em sua própria língua. Refletem ainda sobre seu
uso em sala de aula com alunos surdos, sobre seu uso em cursos de Libras para
ouvintes e na preparação do plano de aula diretamente em ELS.
Um destes intelectuais ressalta com alegria o relato de quando descobriu
que a ELS faz o registro dos regionalismos da Libras possibilitando aquisição
de mais vocabulário. Isto demonstra que não é uma escrita ideográfica.
A pesquisa de Mallmann (2009) evidencia que o uso da Escrita de Sinais
e de Mapas Conceituais alavancou o aprendizado dos alunos surdos sobre a
educação sexual. Ao final, eles responderam de forma muito bem estruturada
perguntas sobre a temática. Afirmaram também que a escrita da Libras por este
sistema facilitou a aquisição de novos conceitos, a recuperação das ideias e a
construção do saber. Novos sinais foram criados e registrados em Escrita de
Sinais pelos próprios alunos.
Como vimos, Silva (2009a)92 verificou a compreensão da leitura de
textos em ELS por surdos fluentes em Libras e conhecedores deste sistema.
O pesquisador conclui que através da Escrita de Sinais, o leitor é capaz de
associar conhecimentos novos e antigos, adquirir novas habilidades, refletir
sobre sua língua e sobre a leitura, discutir, explicar e inferir o sentido do texto,
tudo sem passar pela Língua Portuguesa.
Nobre (2011) investigou o processo de grafia da Libras por meio da análise
fonomorfológica da escrita em SignWriting. Identificou padrões e vantagens na
escrita de sujeitos surdos fluentes na Libras e na ELS. Propôs a padronização da
escrita de alguns sinais a partir do estudo bibliográfico de publicações brasi-
leiras, da prática e das pesquisas realizadas com esses sujeitos.
Wanderley (2012) procurou detectar os elementos que constituem a
compreensão e a produção dos textos em Escrita de Sinais. Dentre vários
aspectos, comparou o processo de aprendizado da ELS por crianças surdas
com adultos universitários surdos. Também comparou universitários surdos e
ouvintes adquirindo esta escrita.
A pesquisa da autora evidencia que existem muitas semelhanças na escrita
destes três públicos, que o aprendizado da ELS contribui para a consciência
fonológica da LS e que o lúdico facilita o aprendizado da Escrita de Sinais.
91
  Denominação usada pelo autor.
92
  Veja mais nos capítulos anteriores.
107
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108 Escrita de Sinais sem mistérios

Silva (2013b) reconhece a ELS como marca cultural surda. A autora


analisou as narrativas de nove professores de surdos sobre a Escrita de Sinais.
A maioria afirma que esta escrita deveria ser ensinada prioritariamente na
educação infantil e nos anos iniciais do ensino fundamental, pois promove a
autonomia da criança surda. Ela consegue executar as tarefas de casa sozinha,
sem a interferência do adulto responsável.
Destaca ainda que algumas famílias veem a importância da ELS na educa-
ção de seus filhos e demonstram interesse em aprender a Escrita de Sinais para
acompanhá-los em suas atividades.
Os professores entrevistados enfatizaram que esta escrita possibilita aos
alunos uma aprendizagem rápida, tornam-se mais participativos e conseguem
expressar suas ideias nesta escrita. Querem e sentem prazer em utilizá-la. Os
alunos não esquecem os conteúdos trabalhados em sala. Identificaram também
que a escrita do Português não traz este resultado, pois não está relacionada à
língua visoespacial utilizada pela criança, mas sim à Língua Oral e isto retrai
a aprendizagem dos educandos.
Já a ELS potencializa sua aprendizagem, trazendo-lhe o empoderamento
linguístico. Esses educadores defendem que a Escrita das Línguas de Sinais “não
pode ser pensada ou limitada ao ensino da Libras, ela precisa ser pensada como
parte dentro e fora da Libras, que é a língua natural dos surdos [...]. É impor-
tante pensar na ELS como parte integrante do currículo e não como estratégia”
(SILVA, 2013b, pp. 105-106).
A autora conclui que a ELS favorece a aprendizagem da Língua Portuguesa
enquanto Segunda Língua, afinal este aprendizado se dá pela língua de uso.
Conclui que esta escrita é muito importante no processo da aprendizagem dos
alunos surdos e que deve ser inserida no currículo escolar.
Silva (2013a) aplicou o ensino da Escrita de Sinais para alunos surdos
no Atendimento Educacional Especializado (AEE) de uma escola inclusiva.
Surpreende-se com os resultados alcançados e com a facilidade de aprendizagem
dos alunos surdos desde o primeiro sinal escrito pela pesquisadora no quadro.
O desenvolvimento deles foi além desta disciplina, e começaram a usar a
ELS em outros momentos do dia a dia escolar, inclusive em aulas de Língua
Portuguesa, de forma intuitiva e natural. A autora conclui que a ELS contribui
muito para o desenvolvimento linguístico e educacional dos surdos.

108
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Capítulo 4 109

A Escrita de Sinais na alfabetização e no processo de aquisição da L2

Loureiro (2004) investigou como se dá o processo de apropriação da ELS e da


escrita da LP em atividades mediadas por ambientes digitais de aprendizagem.
Os alunos escreveram sinais e textos em ELS,em outra fase,escreveram palavras e
textos em LP. Vários programas computacionais foram utilizados num processo
complexo para muitos, por não conhecê-los ou não dominá-los.
Hoje seria muito mais fácil aplicar este tipo de ensino (mediado por
tecnologias digitais) através do SignPuddle, por exemplo. Contudo, o resultado
final da análise aponta que, mesmo com fatores limitadores ou desafiadores, os
estudantes surdos aprenderam a Escrita de Sinais e tiveram aumento significa-
tivo de vocabulário na compreensão da LP, sua segunda língua.
As pesquisas de Stumpf (2005) no Brasil e na França, como já mencio-
namos, também apontam que crianças e adolescentes surdos terão mais
facilidade na aquisição da escrita da Língua Oral de seu país se adquirirem
primeiramente a Escrita de Sinais. Quadros (2003 apud STUMPF, 2005)
corrobora com este apontamento afirmando que nestas condições os surdos
terão mais facilidade na apreensão da estrutura da escrita da Língua Oral que
estiverem aprendendo.
Também, como já citado nos capítulos anteriores, Capovilla et al. (2006)
enfatiza que a ELS traz incontáveis ganhos na estruturação do pensamento, fala
e sua expressão escrita em Língua de Sinais, servindo de base para a aquisição da
escrita da Segunda Língua.
Pereira & Fronza (2006) veem a Escrita de Sinais como uma possibilidade
na alfabetização de pessoas surdas. As autoras identificam inúmeras barreiras
que têm atrapalhado os surdos de adquirirem a escrita da Língua Portuguesa.
Destacam que o principal fator, sem dúvida, é o fato de não aprenderem escrever
primeiramente sua Primeira Língua, a Libras.
Estas autoras enfatizam que ler e escrever esta língua proporcionará às
Comunidades Surdas um novo status social, linguístico, etc. Defendem que a
escrita da Segunda Língua é muito importante, mas o atual sistema de ensino
para surdos deve mudar: “devemos reconhecer o valor das línguas de sinais por
si mesmas, sem a necessidade de justificarmos a sua existência apenas como
ferramenta para a aprendizagem da língua oral” (PEREIRA & FRONZA,
2006, p. 2).
Hautrive & Souza (2010) percebem a ELS como meio natural para a alfa-
betização de crianças surdas. As autoras investigaram o processo de aquisição
109
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110 Escrita de Sinais sem mistérios

desta escrita por crianças surdas no ambiente escolar. Concluem que a criança
adquire a escrita em fases semelhantes às identificadas por Ferreiro e Teberosky
(1989 apud Hautrive & Souza, 2010). Porém, realizam a transposição do nível
pré-silábico (o primeiro período) diretamente para o nível alfabético. Segundo
as autoras, os níveis silábico e silábico-alfabético não foram observados.

A Escrita de Sinais como fator de acessibilidade

A acessibilidade aos surdos implica no uso da Língua de Sinais nos mais diversos
espaços. O intérprete de Libras é, na maioria das vezes, o profissional que faz
a ponte comunicacional entre as Línguas Oral e de Sinais.
Traduzir para a Libras o que antes estava disponível apenas em Português
é romper paradigmas, escrever nova história, trazer vida a um texto aparente
morto. Não que a vida lhe tivesse escapado, mas os olhos dos surdos muitas vezes
não conseguem lhes capturar o sentido devido aos fatores supramencionados.
Seu olhar, seu pensamento, suas mãos se constroem sobre outro paradigma.
Traduzir é abrir portas para um novo mundo.
Nobre (2011, p. 28) afirma que a aquisição da Escrita de Sinais possibilita
a “tradução para a Língua de Sinais de um volume quase infinito de informa
ções. Ao mesmo tempo a escrita é importante para a comunicação em qualquer
nível”, desde um bilhete, anotação, agendamento de atividades, e-mail, carta
ou convite, “podendo ser registrado de um pensamento a um livro”.
Brito (2012) desenvolveu um plugin para o Moviemasher93 que possibilita
criar legendas em Escrita de Sinais para vídeos, promovendo acessibilidade
aos surdos.
Compreendendo a Escrita de Sinais como meio de acessibilidade e
manifestação da cultura surda, vários pesquisadores surdos e ouvintes têm
traduzido o resumo de seus artigos, monografias, dissertações ou teses para a
Libras em sua forma escrita. Veja abaixo a lista destes trabalhos:
REIS, Flaviane. Pedagogia dos Surdos. Professor Surdo: A política e a poética
da transgressão pedagógica, Dissertação de mestrado em Educação. Florianó-
polis: UFSC, 2006.
GOMES, Gerarda N. C. Uso de fóruns para o estudo da escrita da língua de sinais.

93
 O Moviemasher é uma coleção de projetos de código aberto que adiciona recursos de edição de
vídeos para o seu site.
110
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Capítulo 4 111

Dissertação de mestrado em Tecnologia da Informação e Comunicação na


Formação de EAD. Londrina: UNOPAR, UFC, 2009.
FERREIRA, Priscilla Leonnor A. Negros Surdos: o desafio do acesso ao ensino
superior. Trabalho de conclusão de curso licenciatura em Pedagogia. Faculdade
Evangélica de Salvador. Salvador, 2010.
NOBRE, Rundesth S. Processo de grafia da língua de sinais: uma análise fono-
morfológica da escrita em SignWriting. Dissertação de Mestrado em Linguís-
tica Aplicada. Florianópolis: UFSC, 2011.
RIBEIRO, Maria Clara M. A. O discurso acadêmico-científico produzido por
surdos: entre o fazer acadêmico e o fazer militante.Tese de doutorado em Estudos
Linguísticos. Belo Horizonte: UFMG, 2012.
SANTOS,Verane T. “Vejo vozes”: a relação do professor fluente em Libras com os
estudantes surdos no contexto da escola bilíngue. Monografia de conclusão do
curso de Pedagogia. Salvador: UNEB, 2013.
SILVA, Érika Vanessa de L. Narrativas de professores de surdos sobre a Escrita de
Sinais. Dissertação de mestrado em educação. Porto Alegre: UFRGS, 2013b.
AZEVEDO, Omar B. Significado e comunicação: compreendendo as mediações
linguísticas entre professoras e alunos surdos pela vias da tradução e da etno-
narrativa implicada. Tese de doutorado em Educação. Salvador: UFBA, 2013.

Barreto, Oliveira & Barreto (2014)94 realizaram a tradução dos resumos


dos trabalhos de Santos (2013) e Azevedo (2013) enquanto Barreto & Barreto,
traduziram o resumo de Ribeiro (2012), já relacionados acima. Ao analisar as
traduções e descrever a metodologia adotada, compreendem este fenômeno
como um novo paradigma na acessibilidade aos surdos.
Bochernitsan & Vianna (2014) propõe que os softwares educativos sejam
acessíveis aos surdos. Os menus e a interface devem estar em Língua de Sinais
em vídeo ou na escrita e utilizarem ícones que permitam fácil entendimento
da função.
As pesquisas de Pivetta, Saito & Ulbricht (2014) e Gomes (2009) apontam
que usuários surdos de um Ambiente Virtual de Ensino Aprendizagem sentem
a necessidade do uso da Escrita de Sinais em diferentes contextos trazendo mais
acessibilidade e valorizando a Língua de Sinais. É interessante notar que o

  Disponível no Anexo L (p. 375).


94

111
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112 Escrita de Sinais sem mistérios

trabalho de Pontes & Orth (1999), citado anteriormente, propõe uma interface
gráfica acessível através da ELS.
Silva (2011) também identifica e defende a Escrita de Sinais como um
importante instrumento de acessibilidade aos surdos. Cita ainda sites e aplica-
tivos cujo menu é bilíngue (Língua Portuguesa e Língua de Sinais escrita).
Afirma que o uso da LS, rótulos em ELS e vocabulário voltado para a comu-
nidade surda são critérios para a construção de um repositório educacional que
atenda às necessidades dos surdos acadêmicos.
O site da editora Libras Escrita95 tem conteúdos em Português e em Libras
direcionados a ouvintes e surdos, respectivamente, além de fazer uso da em
Escrita de Sinais.
Como fenômeno da Era da Informação, as redes sociais também têm
contribuído com a difusão da ELS. Zappe (2010) investigou o uso e discussões
sobre a Escrita de Sinais na extinta rede social Orkut em quatro comunidades
que totalizavam 376 membros naquela época. Em sua pesquisa, identifica esta
escrita como um marcador cultural na educação de surdos.
Desde 2012 existe um espaço semelhante na rede social Facebook, o grupo
SignWriting Brasil 96, onde mais de 1.055 membros de todo o Brasil comparti-
lham informações, materiais e tiram dúvidas sobre o sistema.
A ELS é instrumento de acessibilidade também na expressão escrita
de surdos e ouvintes. Stumpf & Quadros (CADERNOS, 2010/2) percebem
esta potencialidade ao escrever um artigo científico todo em ELS intitulado
“Tradução e interpretação da Língua Brasileira de Sinais: formação e pesquisa”,
o artigo apresenta uma síntese da evolução da formação dos tradutores e
intérpretes da Libras como um processo de conquistas e qualificação desses
profissionais no Brasil.
Domingos (2013) investigou os elos coesivos na tradução para o Português
Brasileiro deste artigo acadêmico. Identificou inúmeras variações regionais,
características da ELS, aplicações em contextos diferentes, uso e escrita de
Expressões Não Manuais, questões de pontuação, redundância e omissão,
marcas de formalidade e informalidade, dentre outros.
Pensando na acessibilidade, numa educação de surdos efetivamente
bilíngue, no aprofundamento linguístico na Libras por surdos e ouvintes,
dentre tantos outros aspectos, em 2011 fundamos a editora Libras Escrita.

95
 Acesse: <http://www.LibrasEscrita.com.br/>.
96
  Participe! Acesse: <http://www.facebook.com/groups/SignWritingBrasil/>.
112
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Capítulo 4 113

Na época já estávamos pesquisando a ELS há alguns anos, porém sentindo


falta de publicações com maior nível de profundidade, nos embrenhamos
pelos labirintos da pesquisa em busca de um conhecimento que satisfizesse
nossas necessidades.
Ao encontrar, organizar e estudar milhares de arquivos97, percebemos
como estávamos nos aprofundando na linguística da Libras. Vimos um mundo
de possibilidades diante de nós. Não poderíamos ser egoístas. Precisávamos
compartilhar.
Nós acreditamos que ao ensinar técnicas inovadoras e altamente eficazes
de estudo e escrita da Libras, estamos colaborando para a transformação de
pessoas e da sociedade propiciando uma nova forma de acesso ao mundo.
Assim surgiu o Libras em Jogo98 (BARRETO & BARRETO, 2011) e
no ano seguinte o livro “Escrita de Sinais sem mistérios” (BARRETO &
BARRETO, 2012), primeira publicação brasileira específica do tema.
Através de uma metodologia inovadora de ensino passo a passo focada
na Libras, esta obra levou a milhares de pessoas pelo Brasil o conhecimento da
ELS atualizado com as pesquisas mais recentes a nível internacional.
Seu lançamento foi realizado em 04 cidades: Belo Horizonte/ MG
(Biblioteca Pública Estadual Luiz de Bessa), São Paulo/ SP (FENEIS-SP99),
Salvador/ BA (VI Encontro Nacional de Estudantes de Letras/ Libras - ENELL)
e em Uberaba/ MG (I Seminário Nacional de Educação de Surdos).
O canal principal de divulgação e comercialização tem sido a Internet
por tornar o conhecimento acessível a grandes e pequenas cidades. Nossos
leitores, que adquiriram essa 1ª edição do livro via Internet, estão em mais de
222 cidades de 25 dos 27 estados brasileiros (incluindo o Distrito Federal).
Publicamos também a 2ª edição do Libras em Jogo100 (BARRETO &
BARRETO, 2012), agora com 111 CMs da Libras (BARRETO &
BARRETO, 2012), com novo layout e completamente bilíngue. Da emba-
lagem ao manual de instruções tudo é acessível aos surdos.
Este manual possui informações sobre o jogo, seu objetivo, aplicações e
informações sobre as CMs da Libras. Além disso, possui 04 dicas de jogos e

97
  Saiba mais na Apresentação (p. 43).
98
  1ª edição. Jogo de cartas com 99 Configurações de Mão da Libras, mais uma carta com
sugestões de jogos.
99
  Federação Nacional de Educação e Integração de Surdos, regional São Paulo/ SP.
100
  Na 2ª edição, atualizamos e corrigimos todo o conteúdo, totalizando 111 Configurações de
Mão da Libras conforme Barreto & Barreto (2012).
113
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114 Escrita de Sinais sem mistérios

também um exemplo de uso de cada CM. Todas as informações estão dispo-


níveis em Português e em Libras na forma escrita.
Em janeiro de 2013, lançamos a 2ª edição de site da Libras Escrita, o
primeiro completamente acessível em Libras no país utilizando a Escrita de
Sinais e tradução em vídeo, como mencionamos.
Ainda neste ano, criamos o “Escrita de Sinais 2.0”101 (BARRETO, 2013),
um curso on-line em vídeos com 70h/ aula que ensina passo a passo como
escrever a Libras. O curso direciona suas aplicações para as mais diversas áreas e
profissões. Tem inúmeros bônus que alavancam ainda mais o aprendizado dos
alunos, além de uma Comunidade VIP no Facebook exclusiva para os alunos.
Publicamos também o curso on-line em vídeo “7 passos para a Fluência na
Libras” (BARRETO, 2014) que, dentre inúmeros aspectos, trabalha técnicas
práticas de memorização e aprendizagem baseadas nas neurociências cognitivas,
com foco na Libras e introduz a Escrita de Sinais por meio de vídeo aulas e
também através de Cartões de Memorização Ilustrados Bilíngues (Português/
Libras), ambos bônus deste curso. Conta ainda com uma Comunidade no
Facebook exclusiva para os alunos do curso interagirem.
Foram realizados ainda diversos trabalhos de tradução do Português para
a Libras em sua forma escrita, como citado anteriormente. Traduzimos também
o livro “Negrinho e Solimões” (MONTEIRO, 2014) para a Escrita de Sinais.
Ministramos oficinas, cursos e palestras presenciais em Belo Horizonte/
MG (2012), João Monlevade/ MG (2012), Manhuaçu/ MG (2013), Salvador/
BA (2012, 2014), Vitória da Conquista/ BA (2013) e Ipiaú/ BA (2014).
Promovemos também inúmeras palestras gratuitas ou pagas via Internet reali-
zadas pela Libras Escrita ou por parceiros totalizando mais de 7.080 pessoas.
Participamos de congressos, seminários, simpósios, encontros, feiras e
outros eventos nacionais e internacionais difundindo a ELS em estande próprio,
tais como nos X e XI Congresso Internacional/ XVI e XVII Seminário
Nacional do INES102 (Rio de Janeiro/ RJ, 2011 e 2012) e na XII Feira Interna-
cional de Tecnologias em Reabilitação, Inclusão e Acessibilidade – REATECH
(São Paulo/ SP, 2013).
Com o objetivo de propagar ainda mais a Escrita de Sinais, criamos uma
página na rede social do Facebook103 – que está com mais de 26.013 seguidores –

101
  Saiba mais nos Anexos F (p. 355) e G (p. 359).
102
  Instituto Nacional de Educação de Surdos.
103
  Disponível em: <http://www.facebook.com/LibrasEscrita> Acesso em 01 mar. 2015.
114
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Capítulo 4 115

e um blog104 (lançado em 2013). Ambos trazem inúmeras dicas e informações


seriadas em Libras105 ou em Português sobre a aquisição da Libras, educação de
surdos, aquisição e uso da Escrita de Sinais no âmbito geral (para surdos e
ouvintes) e para tradutores intérpretes de Libras.
A Escrita de Sinais tem se espalhado pelo Brasil. A partir de 2014
(THOMA et al.), o novo documento de Educação Bilíngue dos Surdos do
Ministério de Educação e Cultura (MEC) diz que as crianças surdas devem
adquirir aprendizagem pela Escrita de Sinais em nosso país.
Corroboramos com o pensamento de Thiessen (2011). Enquanto a decisão
final por usar ou não esta escrita é de cada comunidade falante das Línguas
de Sinais, o fato é que agora têm a possibilidade de escrever sua língua, o que
antes sequer existia. Desde a criação do SignWriting e mediante tudo que já
vimos até agora e o que será abordado nos capítulos seguintes, ninguém mais
pode afirmar com honestidade e integridade: “As Línguas de Sinais são ágrafas”.
Isto é página virada.
Todo o trabalho que já tem sido feito no Brasil por professores, tradu-
tores intérpretes de Libras, pesquisadores, faculdades, universidades e escolas
espalhadas por todo o território nacional somado ao trabalho da Libras Escrita
através de cada uma de suas publicações, cursos, palestras e plataformas web, tem
contribuído para que a Escrita de Sinais avance mais e mais em nosso país.
Isto oportuniza aos surdos escreverem sua Primeira Língua, a Libras;
colabora com uma efetiva educação bilíngue para surdos e com melhores
condições de acessibilidade e comunicação através de profissionais e famílias
mais bem equipadas.
Promove também a produção de diversas publicações bilíngues, contribui
com o avanço das pesquisas de Língua de Sinais e multiplica o aprofundamento
linguístico da Libras tanto em surdos quanto em ouvintes, dentre muitos
outros benefícios.
O futuro que esta geração está construindo com muito ardor será celebrado
por séculos. São incontáveis e benéficas as transformações sociais, linguís-
ticas, psicológicas, educacionais (em todos os seus âmbitos), etc. que a ELS traz
a um sujeito, surdo ou ouvinte. Elas irradiam para os que estão ao seu redor,
como uma pedra lançada na água. Porta para um novo mundo de possibilidades.

  Disponível em: <http://www.LibrasEscrita.com.br>.


104

 A frase bilíngue disponível no cap. 01 (p. 59) faz parte da série “Frases em Libras” publicadas
105

primeiramente em nossa fanpage na rede social do Facebook em 2012.


115
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116 Escrita de Sinais sem mistérios

É indescritível ver o brilho nos olhos daqueles que estão descobrindo de


maneira intuitiva ou formal como escrever a Libras pela Escrita de Sinais. Você
também pode. Estude este livro. Treine. Use a Escrita de Sinais e seja por ela
impactado. Multiplique este conhecimento para cinco amigos.
Faça parte dessa grande comunidade que está nascendo no Brasil. Você
pode fazer história conosco e ter seu nome lembrado por pessoas que certamente
levarão em seus corações e mentes sua gratidão. Inscreva-se e participe como
membro de nossa Comunidade VIP “Escrita de Sinais sem mistérios” no
Facebook106.

106
 O link de acesso está dentro do portal de nossa Área de Membros Exclusiva para você,
leitor: <http://www.LibrasEscrita.com.br/EscritaDeSinaisSemMisterios>.
116
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Capítulo 5
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118 Escrita de Sinais sem mistérios

Pare! Não leia este livro...

[Veja a versão em Libras desta seção na Área de Membros Exclusiva


para você, leitor: <http://www.LibrasEscrita.com.br/EscritaDeSinaisSemMisterios>].

...não leia este livro sem primeiro ler estas orientações:


Parabéns por sua decisão de aprender a Escrita de Sinais e se aprofundar
ainda mais na Libras. Seja bem-vindo(a) à esta comunidade que está crescendo
cada vez mais no Brasil. Novos tempos estão por vir e você também pode contri-
buir. Participe como membro de nosso grupo no Facebook107. Tire suas dúvidas e
interaja conosco e com outros leitores surdos e ouvintes também.

Se você ainda não leu os capítulos de 1 a 4, reserve um tempo para


isto. Pois eles sintonizarão você com todos os resultados mais recentes das
pesquisas no Brasil e no mundo sobre a Escrita de Sinais. O ajudarão também
a desmistificar vários conceitos sobre as línguas de sinais e também sua escrita.

Importante: mesmo que você já saiba a Escrita de Sinais, já tenha lido a


1ª edição deste livro, seja nosso aluno ou até mesmo seja professor ou pesqui-
sador desta escrita, leia todo este livro com atenção. Por vezes, detalhes passam
despercebidos por nós quando consideramos já saber algo. Mas com você será
diferente, certo?
Esta 2ª edição revista, atualizada e ampliada é resultado de 05 anos
de intensa pesquisa e estudo sobre a Escrita de Sinais a nível internacional.
Pesquisamos também técnicas de ensino e aprendizagem. Durante este
período, aplicamos a ELS nos mais diversos meios e formas. Vimos no dia
a dia as dúvidas de surdos e ouvintes de diferentes faixas etárias. No que
diz respeito a técnicas de ensino aprendizagem, percebemos também o que
funciona ou não.
Descobrimos e aperfeiçoamos metodologias para o ensino da Escrita de
Sinais com foco na Libras. Nós acreditamos que ao ensinar técnicas inovadoras
e altamente eficazes de estudo e escrita da Libras, estamos colaborando para
a transformação de pessoas e da sociedade propiciando uma nova forma de
acesso ao mundo.

107
 O link de acesso está dentro do portal de nossa Área de Membros Exclusiva para você,
leitor.
118
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Capítulo 5 119

Tudo foi feito pensando em você, querido leitor. Lembre-se que você só
alcançará o resultado desejado se seguir algumas orientações básicas:
•   Independentemente de seu nível de conhecimento da Libras, através
deste livro você vai conseguir aprender a escrever a Libras;
•   Leia todo o livro como se fosse a primeira vez que estivesse estudando a
Escrita de Sinais;
•   Se você tem a 1ª edição do “Escrita de Sinais sem mistérios”, leia a presente
edição comparando página a página com ela. Desta forma você atualizará
com mais facilidade seus conhecimentos. E, independente disto, siga todas as
orientações aqui presentes;
•   Sim, este livro parece com outros materiais que talvez você já tenha visto
ou lido sobre a Escrita de Sinais. Devido ao tempo e como temos mergulhado
nesta escrita, temos quase certeza que já estudamos esse(s) material(is) que
você conhece. Analisamos até mesmo materiais em norueguês, alemão e árabe.
Porém podemos afirmar que, a metodologia utilizada nesse livro é muito
diferente.
Nosso objetivo não é ensinar classes ou grupos de grafemas, mas promover
o ensino passo a passo com foco na Libras. Seja receptivo para tirar o máximo de
proveito possível;
•   Lembre-se: tudo é passo a passo. Não pule páginas ou capítulos. Inicie
seus estudos neste capítulo. Para subir uma escadaria é necessário ir degrau
por degrau. O primeiro degrau lhe dará força e impulso necessários para ir
para o segundo e assim por diante. O mesmo acontece na metodologia passo
a passo adotada aqui;
•   Este não é um livro apenas para ser lido, mas para ser copiado. Lembre-
-se: só se aprende ler, lendo; só se aprende escrever, escrevendo, como vimos nos
capítulos iniciais.
Pegue um caderno sem pautas ou encaderne folhas tamanho A4 brancas.
Use canetas coloridas, elas multiplicam exponencialmente seu aprendizado.
À medida em que for lendo o livro, copie com muita atenção todos os
sinais escritos, mesmo que um ou outro não sejam usados em sua região. Com
certeza tem sinais bem parecidos e seu cérebro assimilará isto naturalmente.
Copie também as histórias em ELS.
Em nossas pesquisas, descobrimos que as pessoas que fazem isto apren-
dem a escrever sinais muito, muito mais rápido.

119
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120 Escrita de Sinais sem mistérios

Não diga: “Ah, mas eu não sei desenhar...”. A Escrita de Sinais não é
desenho, como já vimos. Releia o capítulo 02 (com ênfase na p. 78). Cada
pessoa tem sua própria caligrafia, como ao escrever o Português. No decorrer
do livro, daremos algumas dicas para facilitar sua escrita no papel.
•   Antes de prosseguir o estudo do livro, releia a apresentação. Lá tem muitas
orientações complementares que farão toda a diferença em seu aprendizado.
Se você já executou todos os passos acima e está com seu caderno pronto
para copiar o livro, vá para a próxima página.

120
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Capítulo 5 121

DUAS PERSPECTIVAS

Ao escrever uma Língua de Sinais, a primeira coisa que precisamos nos atentar
é o ponto de vista, isto é, a perspectiva que iremos utilizar. Existem duas:

Perspectiva Receptiva

Quando a pessoa que sinaliza está à sua


frente, você está vendo os sinais como um
observador108.

Perspectiva Expressiva

Quando é você quem está sinalizan-


do, você vê os sinais de sua própria
perspectiva. Este ponto de vista é
chamado também de Perspectiva do
Sinalizador. É nela que a Escrita de
Sinais para uso no dia a dia se baseia.
Por definição, sinais escritos sem nenhuma identificação do tronco
(regras especiais para o centro do peito), braços, cabeça ou pescoço
ocorrem no espaço neutro, isto é, à frente do tronco. Cada uma destas
partes serão escritas somente quando necessárias ao entendimento do
sinal.
Um importante conceito nas Línguas de Sinais é a lateralidade. Esta
propriedade indica o uso de uma mão mais do que a outra. Existem muitos sinais
feitos somente com uma mão. Outros são feitos com as duas. Grande parte
destes sinais possuem uma mão dominante. Em ambos os casos, esta é a mão
mais utilizada pelo sujeito no dia a dia. A mão direita pelos destros e a mão
esquerda pelos canhotos.

 Optou-se nesta obra por não atribuir a numeração e nomeação de figuras para as imagens que
108

se referem à explicação da Escrita de Sinais porque entendemos que neste contexto tornaram-se
desnecessárias, haja vista que o próprio texto ou título da seção as descreve ou nomeia.
121
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122 Escrita de Sinais sem mistérios

Na sinalização cotidiana é possível notar que falantes fluentes da Libras


muitas vezes utilizam as mãos de forma intercambiável. Às vezes isto acontece
de forma espontânea, outras, de forma consciente. Em ambos, é possível notar
traços marcantes de mão dominante. Nada disso compromete o entendimento
da sinalização, desde que os padrões linguísticos sejam seguidos.
Praticamente toda a literatura disponível em ELS no Brasil e no mundo,
principalmente a de cunho formal como livros e dicionários, está escrita do
ponto vista do destro. Parece haver um consenso natural que a nível formal
deveria ser este o ponto de vista adotado na escrita.
Também optamos por esta perspectiva. Assim, todos os sinais deste livro
estão escritos da perspectiva do destro, sempre utilizando a mão direita como
dominante.
Pessoas canhotas também podem escrever como sinalizam. Também
já observados o que foi identificado por Thiessen (2011): independente da
lateralidade em que os sinais estão escritos, os leitores tipicamente leem
conforme sua própria lateralidade, isto é, como destros ou canhotos. É o
mesmo fenômeno que também ocorre em uma conversação em tempo real.
Você interage no dia a dia com destros e canhotos e compreende naturalmente
a fala de ambos.
Quando é você quem está sinalizando, você vê os sinais de sua própria
perspectiva. Este ponto de vista é chamado também de perspectiva do
sinalizador. É nela que a Escrita de Sinais se baseia.

ORIENTAÇÕES DE MÃO

Ao ler e escrever os sinais é como se estivesse vendo suas próprias mãos.

A palma da mão

Se ao sinalizador você pode ver a palma de sua


40109 mão, o grafema que a representa será branco.109

 O número abaixo da CM é o mesmo utilizado para identificá-la no Apêndice A “Configu-


109

rações de Mão da Libras” (p. 321).


122
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Capítulo 5 123

O dorso da mão

Quando você vê o dorso de sua mão, o grafema


que a representa será preto.

O lado da mão

Ao sinalizar e ver o lado de sua mão, o grafema


será metade branco, metade preto.
A parte branca mostra para que lado a
palma está virada. A parte preta, o dorso da
mão.

Veja:

Mão esquerda Mão direita

123
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124 Escrita de Sinais sem mistérios

Rotação da mão

Você pode girar um grafema em qualquer direção.

TIPO DE CONTATO

A Escrita de Sinais possui grafemas que representam o contato produzindo


em alguns sinais. Vejamos um deles:

Tocar

Refere-se ao contato suave de uma mão com a outra ou com outra parte do
corpo. Este contato é representado por um asterisco, dois asteriscos represen-
tam dois toques. No geral, quando ocorre contato deste tipo, não precisamos
escrever as setas de movimento.
Veja:

Tempo (futebol) Casa Orar, rezar

Este e os demais grafemas de contato devem ser colocados próximo de


onde as mãos se tocam, mas não devem ficar entre duas configurações de
mãos nem entre a mão e uma parte do corpo a não ser em casos específicos.

124
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Capítulo 5 125

CONFIGURAÇÕES DE MÃO

Identificamos 111 Configurações de Mão na Libras110. Vamos estudá-las pouco


a pouco, começando com CMs mais utilizadas no dia a dia.
Ao aprender cada CM, observe sua iconicidade na Escrita de Sinais. A
mesma regra vale para todas: se ao sinalizar você vê a palma de sua mão, o gra-
fema que a representa será branco.

Solidão, sozinho (a)


Carro

111 01

Quando o que você vê ao sinalizar é o lado de sua mão, o grafema para a


mão será metade branco, metade preto.111

Dar sinal (Onibus)111 Silêncio

Se o que você vê é o dorso de sua mão, o grafema que a representa será preto.

Fechar (loja)
Não

110
  Veja no Apêndice A (p. 321).
111
 Estudaremos este grafema de Dinâmica no cap. 14.
125
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126 Escrita de Sinais sem mistérios

LOCAÇÃO

A cabeça

Utiliza-se um círculo com fundo branco para representar a cabeça vista por
trás. Escrevemos esta locação quando o sinal for realizado na cabeça ou
próximo a ela. Quando a mão direita está perto do lado direito de sua cabeça,
os grafemas da mão e do contato são colocados à direita:112

Surdo (a) Avô, avó112 Entender

 A linha representa a posição que o antebraço está em relação à mão.


112

126
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Capítulo 6
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128 Escrita de Sinais sem mistérios

ORIENTAÇÕES DA PALMA

Visão de Frente
Mão paralela à parede de frente

No capítulo anterior vimos que quando a mão


está na vertical escrevemos desta forma.

Visão de Cima
Mão paralela ao chão

Quando a mão está na horizontal é representada como


se você estivesse olhando suas próprias mãos por cima.
Para isto utilizamos um pequeno espaço na altura dos
dedos.
Não importa se você realmente pode ou não vê-la
de cima.

ou escreve-se:

Da mesma forma, este grafema pode ser girado em qualquer direção.

128
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Capítulo 6 129

Também (variante usada Porque, por que Também


em Salvador/ BA)

Combinar Ele (a)


(apontação discreta) Criança

129
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130 Escrita de Sinais sem mistérios

113 114

Abrir (gaveta)113 Cabo


Dar descarga (sanitário)
114

ESCRITA DE SINAIS À MÃO

Simplifique sua escrita à mão. Quando escrevemos no computador, todos


os grafemas são bem retos, perfeitamente proporcionais, o dorso da mão é
complemente preto, etc. Mas ao escrevermos no papel o que queremos é agili-
dade, certo? Então simplifique.
A escrita deve ser legível. Esteja atento ao seguinte: se estiver fazendo
anotações pessoais tem que ficar legível para você (mesmo daqui a 10 anos...),
mas se estiver escrevendo algo que será lido por outros, certifique-se que sua
escrita será bem entendida com facilidade.
Estas são algumas das convenções que usuários da Escrita de Sinais em
todo o mundo têm adotado para facilitar a escrita no dia a dia:

Escrita no computador Escrita à mão

  Estudaremos esta seta de Movimento no próximo capítulo.


113

  Estudaremos este grafema de Dinâmica no cap. 14.


114

130
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Capítulo 6 131

Escrita no computador Escrita à mão

Escreva proporcionalmente. Tenha como referência as dimensões do


corpo humano. Por exemplo: a cabeça deve ser maior que as mãos, mas a linha
do ombro115 é maior que a cabeça, etc.
Preste atenção ao copiar. Escreva exatamente como está no livro usando a
escrita simplificada, como explicamos acima. Observe o tamanho, a proporção
dos grafemas, o posicionamento deles, etc.
Escrita no Escrita à mão
computador

Saber

Casa

115
 Estudaremos este grafema no cap. 7.
131
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132 Escrita de Sinais sem mistérios

Revise as anotações que já fez até agora. Corrija o necessário.

SETAS BÁSICAS DE MOVIMENTO

Plano Parede

Na Escrita de Sinais usamos setas para indicar os caminhos percorridos pelo


movimento. Quando o movimento é paralelo à parede imaginária que está à
frente do sinalizador, é representado por uma seta dupla:

Para cima

Diagonal para cima Diagonal para cima


e para esquerda e para direita

Para esquerda Para direita

Diagonal para baixo Diagonal para baixo


e para esquerda e para direita

Para baixo

Movimento da mão esquerda Movimento da mão direita

O movimento da mão esquerda é O movimento da mão direita, por


representado por setas com ponta setas com ponta preta:
branca:

132
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Capítulo 6 133

Move-se somente a mão esquerda. Move-se somente a mão direita.

Veja:

Crescer Sul Cego/ não ver

Existem tamanhos diferentes de setas correspondendo a movimentos


curtos, médios, longos e muito longos (setas de movimentos circulares no
geral possuem apenas dois tamanhos: padrão e grande). Ao escrever, escolha o
que se aplica melhor ao sinal desejado.

Distanciar-se um pouco Distanciar-se de uma Distanciar-se muito


de uma pessoa (CL) pessoa (CL) de uma pessoa (CL)

Quando há mais de uma seta por mão, sempre se começa a ler do centro
para fora e de cima para baixo.

Psicólogo (a) Depender


Carro (condicional)

TIPO DE CONTATO

Escovar

É o contato em que a mão se arrasta brevemente numa superfície e depois


se separa. É representado por um círculo com um ponto preto no centro.
Exemplos:116

Gastar Entrar116 Partir ao meio/ metade


116
 Estudaremos este grafema de Superfície no cap. 18.
133
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134 Escrita de Sinais sem mistérios

CONFIGURAÇÕES DE MÃO
Configuração Escreve-se Exemplo

Provisório

10

Quinta-feira

11

Nome

12

Cadeira

13

Novela

14

134
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Capítulo 6 135

Configuração Escreve-se Exemplo

Restaurante

15

Sexta-feira
50

Não saber nada


51

Culpa
52

Julgar, justiça

84

135
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136 Escrita de Sinais sem mistérios

Outros exemplos:

Segunda-feira Futebol de salão Ajoelhar-se


Norte

Oeste
Tentar/ experimentar
Relógio
Real
(moeda brasileira)

REGRAS ORTOGRÁFICAS

Posição do contato

A maioria das regras ortográficas da ELS são tão diretas, devido à sua
iconicidade, que nem mesmo é necessário falar delas. Basta usar a escrita
e então nosso cérebro as assimila. Regras ortográficas, na escrita de qualquer
língua, nascem de forma natural mediante o uso de sua escrita. Com a ELS
ocorre da mesma forma.
Ao escrever um sinal em que ocorre qualquer tipo de contato, é necessário
estar atento a algumas regras que facilitam tanto a escrita quanto a leitura.
Princípio geral: SEMPRE escreva a posição de contato. Desta forma, os
olhos conseguirão localizar com facilidade onde o contato está ocorrendo. E
então, os grafemas de contato e as setas de movimento mostrarão como é este
contato. Os grafemas de contato devem ser posicionados próximos ao local
onde ocorre o contato. NUNCA devem ficar entre a mão e a parte tocada.
Certo Errado

Casa

Gastar
136
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Capítulo 6 137

Certo Errado

Entender

Provisório

Quando ocorrem três ou mais toques em locações próximas. Pode ser


necessário escrever o Tocar entre a CM e região tocada. Isto acontece porque
são movimentos repetitivos. Estes casos são raras exceções. Por exemplo:

Tópicos, lista Regras


Burocracia

Na grande maioria das vezes, os contatos do tipo Tocar dispensam o uso


de setas de movimento. Escrevê-las tornaria o sinal redundante, pois para que
ocorra o toque está implícito que um movimento existe.

Certo Errado

Também

Tocar campainha

137
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Capítulo 7
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140 Escrita de Sinais sem mistérios

CONFIGURAÇÕES DE MÃO
Configuração Escreve-se Exemplo

Meia

06

Mentira
07

Letras
(curso superior)
92

Revólver

94

As duas Configurações de Mão a seguir (93a e 93b) são pares alofônicos117


na Libras. Ambas as formas são válidas tanto na sinalização quanto na escrita,
sem alterar o significado.

117
 Alofone: “[...] Os alofones são as realizações fonéticas de um mesmo fonema, variação essa
que é condicionada por fatores contextuais (inerentes à vizinhaça fonética ou coarticulação),
dialetas (em função da variedade geográfica que é falada) ou que semplesmente decorre de
opções estilísticas individuais”. Alofone. In infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-
2012. Disponível em: <http://www.infopedia.pt/$alofone> Acesso em: 13 mar. 2012.
140
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Capítulo 7 141

Configuração Escreve-se Exemplo

Genro

93a 93b

Barbear
98

Oi, olá / tchau,


despedir-se
35

Rico

36

Coçar-se, coceira
37

141
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142 Escrita de Sinais sem mistérios

Mais exemplos:

Duro Antiquado
Peixe/ Sexta-feira

Gêmeo (a) Lupa Item 5 (tópico)

SETAS BÁSICAS DE MOVIMENTO

Plano Chão

Este movimento, que é paralelo ao chão, é representado com uma seta simples:

Para frente
Diagonal para frente Diagonal para frente
e para esquerda e para direita

Para a esquerda Para a direita

Diagonal para trás e Diagonal para trás e


para esquerda Para trás para direita

142
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Capítulo 7 143

Exemplos:

Superfície
Responder
Planejar, preparar Encontrar

Estes dois grupos de setas representam os movimentos em dois planos


distintos:

Movimento paralelo à parede Movimento paralelo ao chão

Veja as diferenças entre estes pares de sinais:118

Para cima Você

Levantar (ordem) Colocar o bolo no


forno (CL118)

118 
Classificador, também em todo o livro.
143
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144 Escrita de Sinais sem mistérios

Quando os dois planos se cruzam, vemos que algumas setas representam


os movimentos para os lados.

Estes movimentos podem ser escritos usando setas simples ou duplas.


Ambas representam o mesmo movimento. Ou seja, estas setas são alógrafos.
Veja:

Setas simples são iguais às setas duplas

Cano
ou Cano

Quando a mão aponta para os lados, o grafema que a representa pode


ser escrito de dois pontos de vista. Isto significa que nestes casos há duas
maneiras de escrever a mesma configuração. Estes grafemas e outras CMs em
semelhantes são sinógrafos.

144
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Capítulo 7 145

Escrevendo percursos sobrepostos

Como vimos, as setas indicam os caminhos percorridos pelo movimento.


Quando o percurso (seta) da mão direita se sobrepõe ao da esquerda, as duas
setas se misturam formando uma só cuja ponta é incompleta, isto é, não
fechada. Ela é denominada ponta de seta geral.

Muitas vezes, as mãos estão em contato quando se deslocam por


caminhos sobrepostos, mas esta seta não é usada somente nestes casos.
Por exemplo, quando as mãos estão frente a frente, sem contato, e se movem
para o mesmo lado sobrepondo as setas de movimento, usamos uma seta geral
(SUTTON, 2009; 2012b) – veja o sinal de METRÔ abaixo.
Exemplos:

Semana Ajudar
Mostrar

Campeonato

Metrô

Enfatizamos que este tipo de seta deve ser usado somente ao escrever
percursos sobrepostos. É como se uma seta estivesse sobre a outra. Se
as mãos percorrem caminhos diferentes, são necessárias uma seta para cada
mão. Veja:

Certo Errado

Dois carros lado a lado (CL)

145
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146 Escrita de Sinais sem mistérios

Certo Errado

Um carro seguindo o outro (CL)

Crescer junto com alguêm

Elevador de obras subindo (CL)

LOCAÇÕES

Os ombros e o peito

Quando uma mão toca o centro do peito, o grafema de contato é escrito


abaixo do grafema que representa a mão.119 120

Meu, minha Gostar120


Ter

Feio (a)119

Quando a(s) mão(s) toca(m) um lado do peito ou dos ombros, ou se


move(m) ao lado do corpo, usa-se uma linha grossa para representar os
ombros. O lado esquerdo da linha representa o seu ombro esquerdo e o direito,
seu ombro direito.

119
 Estudaremos esta ENM no cap. 13.
120
 Estudaremos este grafema de Contato no cap. 9.
146
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Capítulo 7 147

Número Amigo
Polícia

Bom amigo,
amicíssimo

Quando o contato ocorre nas duas laterais do peito, o grafema dos


ombros deve ser omitido permitindo escrita e leitura mais limpas. Veja:121

Saúde121
Orgulho Aniversário/ festa

A face

Às vezes é difícil ver a Configuração de Mão quando ela toca o rosto, como
no exemplo abaixo:

Neste caso, escreve-se um pequeno semicírculo na parte da face


onde a mão toca. A Configuração de Mão e o grafema de contato
ficam perto do semicírculo.

Quinta-feira

Exemplos:

Todo dia
Alemanha Verde (RS, SC, algumas
regiões de SP)

121
 Estudaremos esta CM (82) no cap. 11.
147
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148 Escrita de Sinais sem mistérios

REGRAS ORTOGRÁFICAS

Uso ou Omissão do grafema Tocar

Temos visto que muitas pessoas utilizam o grafema Tocar de forma errada
e isto dificulta tanto a escrita quanto a leitura. Assim, esta breve seção
tem por objetivo apresentar o que tem sido discutido a nível internacional há
alguns anos e as convenções que temos adotado no uso deste importantíssimo
grafema.
Regra geral: Todo sinal que tiver contato do tipo Tocar deve usar o < >.
Se você escrever desta forma, sempre estará correto. Contudo, se for possível
escrever as mãos perfeitamente juntas, sem causar ambiguidades, o Tocar pode
ser omitido. Isto é muito válido do ponto de vista da economia na escrita.
Veja:

Aldeia Morar
Pirâmide

Dois contatos nunca podem ser omitidos.

Orar Casa
Entender

Sinais realizados com contato na frente ou atrás: da cabeça, em frente


alguma parte do corpo (exceto mãos em contato uma com a outra, sem contato
com o tronco) devem usar o Grafema Tocar < >. Nestes casos ele não pode
ser omitido.

Meu, minha
Silêncio
Bom amigo, amicíssimo

Nos exemplos abaixo, se não for usado o grafema Tocar quer dizer que
não houve contato, mas que a mão está apenas próxima ao corpo (rosto,
pescoço, tronco, etc.). Em alguns casos, isto não traz mudança de significado.
Em outros, sim.

148
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Capítulo 7 149

Madson Barreto122 (Mão na frente do (Visão lateral)


(autor) rosto - sem contato)

(Mão na frente da lateral


Dono (a)/ senhor (a), diretor (a) (Visão lateral)
da testa - sem contato)
122

(Mão na frente do (Visão lateral)


Mão toca no pescoço
pescoço - sem contato)

(Mão na frente do
Mão toca no rosto (Visão lateral)
rosto - sem contato)

Mão toca na (Mão na frente da lateral do


lateral do peito peito - sem contato) (Visão lateral)

Sinais realizados com as duas mãos em frente ao rosto não precisam ser
escritos com Tocar por dois motivos: economia na escrita e porque nesse tipo
de sinal quer aconteça o contato ou não, o significado é o mesmo.
Neste caso, os semicírculos do rosto também podem ser ocultados e a
mão pode ser escrita em frente ao rosto, caso necessário e se for possível. Veja:

Obedecer

Na frente de todos

122
 Estudaremos este grafema de Locação no próximo capítulo.
149
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Capítulo 8
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152 Escrita de Sinais sem mistérios

CONFIGURAÇÕES DE MÃO

C123
onfiguração Escreve-se Exemplo

Fio

64

Exemplo

69

Telefone

67

Eu te amo123

68

Instituto Nacional Educação


de Surdos (INES)

71

 Este grafema de Dinâmica será estudado no cap. 14.


123

152
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Capítulo 8 153

Configuração Escreve-se Exemplo

Perto

107

Estas duas Configurações de Mão (108a e 108b) são pares alofônicos


usados na Libras para a datilologia do [A]. Na escrita pode ser utilizado
qualquer um destes grafemas, sem mudar o sentido. O leitor sinalizará
utilizando a forma com que está acostumado.

Junto

108a 108b

Isqueiro

109

Economizar

110

Mais exemplos:

Cheque

Triste Desculpar-se

153
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154 Escrita de Sinais sem mistérios

124

Detonador124 Sovina (pão duro)

Mulher

OUTRAS SETAS DE MOVIMENTO

Existem movimentos mais complexos que também podemos escrever. A seta


dupla é usada para representar os movimentos do Plano Parede. Estes são
apenas alguns exemplos:

Z (letra)125
125

Ler

Cancelar

Sistema

Lousa, quadro

 Estudaremos este grafema de Dinâmica no cap. 14.


124

 Este sinal pode ser escrito também com a CM 09 que estudaremos no cap. 12.
125

154
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Capítulo 8 155

MUDANÇA DE CONFIGURAÇÃO de mão


E DE ORIENTAÇÃO DA PALMA

Quando um sinal começa com uma Configuração de Mão e termina com


outra, se não for perceptível quais são as configurações, escrevemos tanto a
primeira quanto a segunda.126

Pavão
Acidente de carro126

Esperteza/
ampla acuidade visual

Quando um sinal começa com uma Orientação da Palma termina com


outra, se isto não estiver claro. Escrevemos a orientação de mão inicial e a
final.

Um dia Mesa

Acreditar

LOCAÇÕES

As sobrancelhas127

Quando um sinal é feito nas sobrancelhas, escrevemos dois pares de linhas


retas para representa-las. O grafema contato deve ser colocado do lado da face.

Sobrancelha127

 Estudaremos esta CM (41) no cap. 12.


126

 Este grafema de Contato será abordado no próximo capítulo.


127

155
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156 Escrita de Sinais sem mistérios

Os olhos

Quando um sinal é feito perto dos olhos, escrevemos dois pequenos


semicírculos para representá-los. O grafema de contato é colocado
do lado em que o sinal é realizado, quando necessário.
Exemplos:

Olhos Ver

O nariz

Quando um sinal tiver em contato com o nariz ou for feito próximo


a ele, escrevemos uma linha vertical para representa-lo. Se houver
contato, o grafema de contato é colocado sobre essa linha ou o mais
perto possível do rosto para facilitar a leitura. Veja:

Biscoito Rinoceronte

A boca

Quando a mão toca ou se aproxima da boca, utilizamos este grafema


para representar a locação. Quando necessário podemos colocar o
grafema Tocar sobre o traço da boca.

Silêncio Restaurante

156
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Capítulo 8 157

ESCREVENDO EM COLUNAS (I)

Como vimos, as Línguas de Sinais não se organizam da mesma forma que as


Orais. Assim também, a Escrita de Sinais é diferente, pois atende às especi-
ficidades daquelas línguas.
Rogers (2005) destaca que cada escrita tem sua própria estrutura.
Escrevemos o Português da esquerda para a direita, em linhas horizontais de
cima para baixo. Isto é tão natural para nós que podemos até pensar que em
todo o mundo se faz assim também.
Contudo, o Hebraico e o Árabe, por exemplo, são escritos horizontalmente
da direita para a esquerda. O Chinês, tradicionalmente em colunas começando
no canto superior direito, e o Mongoliano em colunas iniciadas no canto
superior esquerdo.
Existem muitos textos em Escrita de Sinais feitos na horizontal da
esquerda para a direita. Foi assim que tudo começou. Atualmente apenas um
país em todo o mundo permanece usando a ELS apenas na horizontal: a
Alemanha. Isto se deve à sua perspectiva educacional para surdos que privilegia
o estudo do Alemão. Todos os demais países têm escrito a maioria absoluta
de seus textos somente na vertical.
Esta mudança ocorreu por volta do ano 2000. Estudos realizados na
década de 1990 com muitos usuários surdos apontam que escrever em colunas
de cima para baixo, começando da esquerda, permite uma leitura muito mais
rápida. Desta forma os grafemas são organizados de acordo com a estrutura do
corpo humano (SUTTON, 1998c; ROALD, 2006; THIESEN, 2011). A
coesão visual das LS fica muito mais nítida também, conforme estudaremos
mais à frente.

PONTUAÇÃO

Do ponto de vista prático, cada um dos grafemas de pontuação exige específicas


alterações nos elementos não manuais. Isto inclui: mudanças na postura do
corpo, na direção do olhar, numa expressão facial diferente, numa pequena
pausa ou longa pausa ao terminar uma frase, etc. Este processo é semelhante
ao que ocorre nas Línguas Orais. A pontuação registra pausas e entonações
de nossa fala.
Na Escrita de Sinais há vários tipos de pontuação. Vamos estudá-los
pouco a pouco. Em seguida, você terá a oportunidade de praticar a leitura.
Observe sempre o uso da pontuação.
157
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158 Escrita de Sinais sem mistérios

Traço Final

Quando escrevemos uma frase completa, para indicar que ela terminou, coloca-
mos este grafema no final. Equivalente ao ponto no Português. Na sinalização
ocorre uma pausa. Observe que esta linha é um pouco maior que a linha do ombro
(p. 147), que vimos anteriormente.

158
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Capítulo 8 159

PRATICANDO A LEITURA
Leia o texto a seguir sinalizando. Se precisar, utilize o glossário128 da p. 161.

128
  Veja mais orientações na Apresentação do livro (p. 48).
159
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160 Escrita de Sinais sem mistérios

160
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Capítulo 8 161

GLOSSÁRIO
129 130 131 132

Reservar
À tarde Goiás130

Cão pastor
alemão
Ano (s)/ ano
(duração) Idade
Saudade131

Comprar

Aqui Inteligente

Segurar um
cachorro pela
corrente (CL)132

Dar, entregar

Cancelar

Mãe

Errado
(sinalização
infantil)
Cão latindo (CL)129 Passado

129
 Estudaremos o grafema de Movimento dos Dedos no próximo capítulo e a seta de Movimento
no cap. 10.
130
 Este Movimento será estudado no cap. 13.
131
 Este grafema de Contato será abordado no próximo capítulo.
132
 Este grafema de Dinâmica será estudado no cap. 14.
161
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Capítulo 9
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164 Escrita de Sinais sem mistérios

CONFIGURAÇÕES DE MÃO

Configuração Escreve-se Exemplo

A seguinte Configuração de Mão (59) pode ser escrita na forma quadrada ou


circular, sem alterar o significado. Estas escritas são sinógrafos.

Terceiro

59a 59b

Centro de
Educação para Surdos
Rio Branco (SP)
60

Marrom

61

Minuto

62

164
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Capítulo 9 165

Quarta-feira

30

Brasil

32

As configurações 34a e 34b também são pares alofônicos na Libras. As


duas formas são válidas tanto na sinalização quanto na escrita, sem mudar o
significado.133

Europa133
34a 34b

78

133
  Movimento a ser estudado neste capítulo (p. 168).
165
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166 Escrita de Sinais sem mistérios

Mais exemplos:

Terça-feira Metolologia
Mestrado, mestre Conhecer

Esquerda
Soldado Especial

Quando a direção dos Dedos é importante

Existem duas formas de se escrever este tipo de posição. A Visão de Cima do


dorso da mão pode ser escrita de forma inclinada. Muitos escritores sentem-se
mais confortáveis assim por acreditarem que esta escrita se parece mais com a
vida real, pois os dedos estão apontando para baixo. Isto vale para todas as Confi-
gurações de Mãos cujos dedos estejam apontando para baixo e cuja escrita não
demonstre isto de forma tão direta (SUTTON & FROST, 2011).
Veja os exemplos abaixo:134

14134

28

62

38

 O número abaixo destes grafemas indica o número da Configuração de Mão (confira no


134

Apêndice A – p. 321). A CM 14 foi estudada no cap. 06, a CM 28 será no cap. 12 e a CM 38


no cap. 15.
166
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Capítulo 9 167

MOVIMENTOS DOS DEDOS

Articulação Média fecha

Quando a articulação média do dedo flexiona, representa-se


este movimento com um ponto preto.
O ponto é colocado perto do dedo que faz o movimento.
Dois pontos representam dois movimentos de flexão.

Exemplos:

Aspas/ tema, título Difícil


Aprender
Lesma

Articulação Média abre

Quando a articulação média do dedo se estende,


representa-se este movimento com um ponto branco.
Assim como no primeiro caso, o ponto é colocado
perto do dedo que faz o movimento de extensão.

Se uma configuração é mais importante que a outra, escrevemos a mais


importante.
Nestes exemplos, a configuração mais importante é a inicial:

Novo
Ensinar
Pouco Medo
Bom

167
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168 Escrita de Sinais sem mistérios

Nestes, a final é a mais importante:135

Ouvinte
Sábado/ laranja
Absurdo

Buscar,
pegar algo (direcional)
Freada brusca de
bicicleta (CL)135

MOVIMENTOS CIRCULARES

Na Libras existem vários tipos de movimentos circulares. A Escrita de


Sinais utiliza grafemas diferentes para cada um deles. No primeiro tipo, a mão
e o antebraço se movem juntos, num movimento que começa no cotovelo. A
ponta da seta indica o lugar de início e a direção do movimento.
Neste tipo de movimento circular, vamos distinguir três planos:136

Plano 1
Movimento circular136

Quando a mão se move em círculo semelhantemente ao movimento feito


para limpar uma janela, o movimento é representado por esta seta (Plano 1).

 Estudaremos o grafema de Movimento do Tronco no cap. 17 e o de Dinâmica no cap. 12.


135

  De acordo com Sutton (2012b) os círculos pontilhados não são mais utilizados. O mesmo
136

se aplica às setas do Plano 2 e 3 da página seguinte.


168
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Capítulo 9 169

Este movimento é feito todo o tempo na mesma distância do corpo.

Solteiro
Usar Domingo
Ásia

Plano 2
Movimento circular

Quando a mão se move em círculo com um movimento semelhante ao


que é feito para limpar uma mesa com um pano, este movimento é representado
com esta seta (Plano 2). Sua haste é mais grossa quando a mão se aproxima do
corpo e mais fina quando se afasta.

Mudar, transformar Solidão, sozinho (a) Azeite Região/ Área/ bairro

Plano 3
Movimento circular

169
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170 Escrita de Sinais sem mistérios

Ao mover a mão em círculo com um movimento semelhante ao que é


feito quando se rema num barco, representa-se o movimento com esta seta
(Plano 3). A haste é mais grossa quando a mão se aproxima do corpo e mais
fina quando se afasta.

Todo dia Internet

Sorvete
Trem

TEMPOS DO MOVIMENTO

Movimento Simultâneo

Este grafema, que indica união, é usado quando as duas mãos se movem simul-
taneamente. Contudo, seu uso tem diminuído muito nos últimos anos tanto a
nível internacional quanto no Brasil. Há algum tempo temos identificado este
fenômeno no SignPuddle de vários países e também em publicações interna-
cionais recentes, como a Wikipedia em ASL. Nossos alunos e leitores quase
não fazem uso deste grafema como anteriormente. Wanderley (2012) também
identificou sua pouca ocorrência tanto em crianças quanto jovens brasileiros
adquirindo a Escrita de Sinais.
Isto ocorre devido a fatores como: (1) de forma muito intuitiva, a escrita
tende a ser o mais econômica possível. Este princípio vale para todas as línguas,
tanto é que na Língua Portuguesa caiu o uso da trema < ¨ >; (2) a maioria dos
sinais feitos por duas mãos são simultâneos, mesmo aqueles cujas setas estão
em sentido contrário umas às outras. Quando não o são, existe outro grafema
para indicar isto.
Quando utilizá-lo então? O mínimo possível. Somente quando for extre-
mamente necessário para não causar ambiguidades, para permitir uma leitura
mais rápida ao seu leitor137 quando o sinal utilizar muitos grafemas. Veja a
seguir:

137
  Mesmo que esteja fazendo uma anotação pessoal, pois, com o tempo, o sinal escrito pode
estar ambíguo para você mesmo.
170
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Capítulo 9 171

Passeata, movimento
Disfarçar
Estar bem

Quando as duas mãos se movem simultaneamente, usamos este grafema


de união.

Movimento Alternado

Quando as mãos se movem alternadamente, usamos este grafema. As mãos e


os grafemas de movimento devem ser levemente deslocados uns dos outros,
isto é, um fica um pouco mais acima que o outro.
Este grafema de tempo também tem sido muito menos usado que antes,
pois percebeu-se que seu uso não é necessário ao se escrever movimentos circu-
lares. As próprias setas podem ser escritas em sentido contrário uma à outra
indicando que são alternadas. Veja abaixo como este grafema era usado antes:

Escrita antiga Escrita de Sinais Moderna

Brincar

Almoçar

No entanto, seu uso é vital em sinais cujo movimento é reto. Nestes casos,
a ênfase do movimento pode ser em uma determinada direção (ex.: ênfase
para fora, como em Olhar em várias direções) e este grafema preserva este sentido.

171
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172 Escrita de Sinais sem mistérios

Podem ocorrer casos de movimentos originados no pulso138 onde se faz neces-


sário o uso deste grafema também.

Acessibilidade
Pegar várias coisas

Olhar em várias direções

TIPOS DE CONTATO

Esfregar em Círculo

Representado por um espiral, esfregar refere-se ao movimento circular em


que se mantém o contato em todo o momento, permanecendo na superfície.
Neste caso, não é preciso acrescentar setas de movimento circular, pois este
movimento faz parte deste tipo de contato: esfregar em círculo.

Gostar Remédio
Conversar
Vinho

Esfregar Linear

Este contato é representado pelo grafema espiral junto com uma ou várias
setas. Este movimento é em linha reta e mantém o contato com o corpo, isto é,
aqui também a mão permanece na superfície. A(s) seta(s) indica(m) o sentido
do movimento.

Faca
Branco Tomar banho

Bravo (a)

138
 Estudaremos estes Movimentos no cap. 16.
172
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Capítulo 9 173

ESCREVENDO EM COLUNAS (II)

Como vimos antes, as Línguas Orais e de Sinais diferem-se princi-


palmente devido à modalidade.Nestas línguas,os fonemas são articulados simul-
taneamente, naquelas linearmente (QUADROS & KARNOPP, 2004). Assim,
a produção e organização discursiva está ligada ao uso da língua por meio de
sua modalidade.
Todas as línguas dispõem de recursos para estabelecer e retomar referentes.
Nas Línguas Orais isto ocorre linearmente através de diversos pronomes e outros
recursos linguísticos. Mas nas Línguas de Sinais acontece de forma visual.
A simultaneidade das LS perpassa também os níveis morfológicos e sintá-
ticos. Devido a estas características, por vezes, os sinais podem ser realizados ao
mesmo tempo quando produzimos uma sentença em Libras.
A sinalização é realizada no espaço disponível próximo ao corpo do sinali-
zador, onde suas mãos podem alcançar. Assim, o discurso é tecido e sua produção
deve ter, como denominamos, Coerência e Coesão Visual.
A Coerência e Coesão Visual dizem respeito ao uso que o sinalizador fará
dos sinais e como estarão articulados entre si na produção de sentido. À medida
em que a sinalização vai sendo construída, referentes dêiticos vão sendo estabe-
lecidos nesse espaço.
Os referentes dêiticos indicam “os participantes (dêixis de pessoa), o lugar
(dêixis de lugar) e o tempo de uma comunicação (dêixis de tempo)” (FIORIN,
2002b apud MOREIRA, 2007, p. 32).
Depois de estabelecidos os referentes, a qualquer momento podem ser
retomados (pela anáfora139) no discurso através do uso de sinais, apontações
manuais, classificadores, direções e comportamentos do olhar, giro ou inclinação
do tronco, dinâmica – isto é, a forma – de sinalizar, etc. Ao escrevermos as LS,
é preciso atenção ao fazer o registro desses processos.
Dentre inúmeros benefícios, escrever verticalmente de cima para baixo
contribui também com estes processos: (1) o corpo humano está naturalmente
na vertical. Podemos usar a simetria da linha central da ELS (trilha 0)
posicionando sinais de forma mais natural. Os olhos lerão os sinais com mais
facilidade, como na vida real; (2) é mais fácil registrar e retomar as alterações
de posição do corpo e também os referentes estabelecidos.
139
 Anáfora é a apontação “ou para um signo anterior (anáfora propriamente dita) ou para um
signo posterior (catáfora), dentro de um mesmo discurso” (MOREIRA, 2007, p. 94).
173
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174 Escrita de Sinais sem mistérios

Sua característica escrita de Traços não arbitrários também traz uma


contribuição inefável no registro do processo de indexação e anáfora.
2 1 0 1 2 Na ELS, cada coluna é dividida por três linhas
imaginárias. A “linha 0” marca o centro do corpo. As mãos,
a cabeça e o tronco estão localizados nela, assim as mudanças
na posição do corpo são facilmente percebidas. As faixas 1 e
2 são os espaços para as mãos e corpo, à esquerda e à direita
da linha central. Quando o sinal é feito no centro do corpo,
é escrito no centro da coluna.
A faixa 1 é usada quando a cabeça 2 1 0 1 2
e o corpo permanecem no centro, mas as
mãos se movem para a esquerda ou para a
direita. Quando o tronco se desloca para
fora do centro e a cabeça fica na faixa 1, as mãos se movem
para a faixa 2 (SUTTON, 1998c).
Isto facilita a percepção do uso do espaço de sinalização
tanto na leitura quanto na escrita de referentes dêiticos, uso
da anáfora e consequentemente de comparações espaciais
nas Línguas de Sinais. Por estas razões, enfatizamos que a
Escrita de Sinais deve ser feita sempre na vertical trazendo
altíssimos ganhos tanto para a leitura quanto para a escrita.
Existem ainda muitos outros recursos na Escrita de Sinais no que se
refere à Coerência e Coesão Visual. Estudaremos vários deles nos capítulos
seguintes.
Veja:

174
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Capítulo 9 175

PRATICANDO A LEITURA

175
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176 Escrita de Sinais sem mistérios

176
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Capítulo 9 177

GLOSSÁRIO

Esperar
Banheiro
Novíssimo

Levantar-se
Beber
O dia todo

Melhor
Beber muito
Perigoso

Carro se amassou
muito (CL) Nada, nenhum,
ninguém

Nós três
Chover muito

177
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Capítulo 10
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180 Escrita de Sinais sem mistérios

CONFIGURAÇÕES DE MÃO

Grupo

38

Bola grande
45

Copo

46

Verba
53

Verba pequena
54

180
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Capítulo 10 181

Em breve

55

Tópicos, lista
57

Misturar
58

Disciplina Cabeça
Comunicação

Secretário (a)

Aconselhar140 Lanchar

140

140
 Este grafema de Dinâmica será estudado no cap. 14, e o de Contato, no cap. 13.
181
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182 Escrita de Sinais sem mistérios

MOVIMENTOS CURVOS

São os movimentos que não fazem um círculo completo. Para


isso utilizamos três grupos de setas que correspondem a três
planos diferentes.
Veja:

Plano 1
Movimento curvo

Este grupo de setas representa as partes do mesmo movimento circular que


vimos antes, o de limpar a janela. Nele a mão curva para um lado mantendo
a mesma distância do corpo. Se ocorrer algum contato na realização do sinal,
sempre escrever a posição do contato e então coloque as setas mostrando o
caminho já percorrido ou a ser percorrido pelas mãos.

Características
Paris (França) Música/ reger Arco-íris

Plano 2
Movimento curvo

182
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Capítulo 10 183

Estas setas representam as partes do mesmo movimento circular que já


estudamos, o de limpar a mesa. Neste movimento curvo as mãos podem ficar
mais perto ou mais afastadas do corpo.
A haste de seta é mais grossa quando a mão se aproxima do corpo e mais
fina quando se afasta.

Vocês Abrir (janela)


Caridoso (a)

Geladeira

MOVIMENTOS DOs DEDOS

Flexão do dedo na Articulação Proximal

Quando o dedo se flexiona na articulação proximal,


isto é, na junta dos dedos com a palma, este movi-
mento é representado com uma pequena ponta de
seta que aponta para baixo.

Este grafema é colocado perto do(s) dedo(s) que faz(em) o movimento.


Duas pontas de seta indicam duas flexões.

Travesseiro Pedir
Saber

Muito tempo atrás

183
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184 Escrita de Sinais sem mistérios

Extensão do dedo na Articulação Proximal

Quando o dedo se estende na articulação proximal,


este movimento é representado com uma pequena
ponta de seta que aponta para cima.

Expulsar Inaugurar Acima

Não adiantar

Flexão e extensão dos dedos na Articulação Proximal

Os dedos se movem juntos na mesma direção como se


fossem uma unidade. As articulações proximais dos
dedos flexionam-se e se estendem juntas. Este movi-
mento é representado por uma linha formada por
várias pequenas pontas de seta unidas que apontam
para cima, para baixo e novamente para cima.

Coelho Tranquilo
Comer

Falar oralmente

TEMPO DE MOVIMENTO

Movimento Consecutivo

Uma mão se move depois da outra, isto é, enquanto a mão direita se move, a
esquerda permanece parada. Então a esquerda se move e a direita não. Uma mão
deve ser escrita um pouco mais acima que a outra.
184
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Capítulo 10 185

Sair (muita gente)141 Construir SignPuddle


Patinar142

PONTUAÇÃO

Enunciação e Pausa Curta141142

A estas duas linhas grossas denominamos enunciação. São


semelhantes aos dois pontos < : > no Português e são usadas
antes de uma lista de itens que serão discutidos ou citados.
Este par de linhas finas indica uma pausa curta. São
usadas entre os itens de uma lista ou entre ideias relacionadas
assim como uma vírgula < , >. Usar este grafema nos ajuda
a separar visualmente uma ideia da outra.

141
 Estudaremos esta Configuração de Mão no cap. 16.
142
 Alguns grafemas utilizados neste sinal serão estudados nos caps. 15 e 17.
185
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186 Escrita de Sinais sem mistérios

186
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Capítulo 10 187

187
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188 Escrita de Sinais sem mistérios

Batata Tomar conta, cuidar


Crescer junto
com alguém Muitos anos

Cupuaçu

Bem-vindo (a),
boas vindas

Não conhecer
Distanciar-se de
uma pessoa

Cardápio
Perguntar
Escrever

Começar Querer

Jogo de xadrez

Convidar Refrigerante/
guaraná/ Amazonas
(estado)
Mudar-se (de um
lugar para outro)
(direcional)
188
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Capítulo 11
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190 Escrita de Sinais sem mistérios

Configurações de Mão

Adoecer

79

Acabar por completo/


80 ser destruído

Oficial/ original/
verdadeiro

81

Fácil

82

Camisa de botão
85
190
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Capítulo 11 191

143

86

Algemas143

Líder
87

Faculdade

88

Texto

89

Salário

90
143
 Estudaremos este grafema de Contato na p.227.
191
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192 Escrita de Sinais sem mistérios

Amante

66
144145

Saúde
Currículo Lattes144 Seguro

Família Costurar à mão


Trabalho escolar
ou acadêmico145

MOVIMENTOS DOS DEDOS

Flexão e extensão dos dedos alternadamente


na Articulação Proximal

Alguns dedos se movem para cima e outros para baixo. Este movimento é repre-
sentado por duas linhas de pontas de setas viradas para cima e para baixo.

Irmão (ã) Aranha


Piano

 Estudaremos este grafema de Superfície no cap. 18.


144

 Estudaremos esta seta de Movimento no cap. 13.


145

192
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Capítulo 11 193

Mergulhar Neve
Cor

Flexão dos dedos alternadamente na Articulação Proximal

Os dedos se flexionam alternadamente uma vez, um


depois do outro,começando pelo dedo mínimo e termi-
1
nando no indicador. Representamos este movimento
com duas pequenas pontas de seta, uma dentro da
outra, apontando para baixo.
2

Roubar
Mundo Todos/ todo mundo

Perfeito (a) Bonito (a)

Extensão dos dedos alternadamente na Articulação Proximal


3
Os dedos se estendem alternadamente uma vez,
2 um após o outro, começando pelo dedo indica-
dor e terminando no dedo mínimo.
Este movimento é representado por duas
pontas de seta uma dentro da outra viradas
1 para cima.

193
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194 Escrita de Sinais sem mistérios

Alguns Muitas vezes

Na Libras às vezes este tipo de movimento começa no dedo mínimo,


não no indicador. Para demonstrar isto, coloque este grafema perto do dedo
mínimo.

Fórmula (Glossário de
Química CEFET-MG) Madrugada

TIPOS DE CONTATO

Pegar

Este contato é representado por um grafema de adição e indica que a mão


pega e segura uma parte do corpo ou da roupa.

Roupa
Pessoalmente
Queixo

Tocar Entre

Representado por um asterisco entre duas linhas verticais, este contato indica
que um toque acontece entre duas partes do corpo, geralmente os dedos.

Dentro
Cavalgar Votar

Confusão

194
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Capítulo 11 195

LOCAÇÕES

O cabelo e a orelha

Este grafema é usado quando a mão toca ou se aproxima do cabelo.

Cabelo
Lavar o cabelo Cabelo cacheado
Cabelereiro (a)

Este outro é usado quando a mão toca ou se aproxima da orelha.

Brinco
Fone de ouvido Barulho

Estetoscópio

MOVIMENTOS CURVOS

Este grupo de setas representa as partes do mesmo movimento em


círculo que já estudamos, o de remar num barco.
Plano 3
Movimento curvo

195
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196 Escrita de Sinais sem mistérios

Estas setas representam o mesmo movimento, mas em direção contrária:

O par de setas abaixo representam os movimentos curvos em arco por


cima:
•   a seta 1 indica um movimento que se aproxima do sinalizador;
•   a seta 2, um movimento que se afasta.
1 2
Usa-se a seta simples porque o movimento principal vai da frente para
trás ou de trás para frente. A haste é mais grossa quando a mão se aproxima do
corpo e mais fina quando se afasta.

Depois Chamar
Futuro Bombeiro

Estas duas outras setas representam os movimentos curvos em arco por


baixo:
•   a seta 1 indica um movimento que se aproxima do sinalizador;
•   a seta 2, um movimento que se afasta.
1 2

Aqui também se usa a seta simples porque o movimento principal vai da


frente para trás ou de trás para frente. A haste é mais grossa quando a mão se
aproxima do corpo, e mais fina quando se afasta.146

Nascer Entrar Sucesso146

Incentivar-me
(direcional)

 Este grafema de Dinâmica será estudado no cap. 14.


146

196
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Capítulo 11 197

Este par de setas representam o movimento para cima ou para


baixo que se curva em direção ao corpo. Usa-se a seta de haste
dupla porque o movimento principal é de cima para baixo ou de
baixo para cima.
O ponto preto entre as hastes indica que a mão se aproxima do corpo
durante o movimento e depois se afasta.147

Susto Apelar/ revoltar-se


Descansar/ calma/ devagar147

Já estas setas representam o movimento para cima ou para


baixo que se curva para frente. Usa-se a seta de haste dupla porque
o movimento principal é de cima para baixo ou de baixo para cima.
A linha que cruza as hastes das setas representa o horizonte e indica que
a mão se afasta do corpo durante seu movimento e depois se aproxima.148

Grávida
Espanha

Barrigudo (a)/ grávida148

MOVIMENTOS DOS DEDOS

Abrir e fechar Entre duas Superfícies

Já estudamos os principais grafemas usados para a escrita dos movi-


mentos feitos pelos dedos. Contudo, um detalhe adicional tem se
demonstrado muito útil no dia a dia. Trata-se do movimento que
ocorre entre os dedos. Para escrevê-lo, utilizamos o grafema de
flexão, extensão ou flexão e extensão dos dedos na articulação proximal
entre duas barras que representam os dois dedos.

 Estudaremos este grafema de Dinâmica no cap. 15.


147

 Estudaremos esta Expressão Não Manual no cap. 16.


148

197
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198 Escrita de Sinais sem mistérios

Cupuaçu Parecer
Cortar com tesoura

Vários, diversos Diferente


Desenhar/ figura
Igual, idêntico

198
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Capítulo 11 199

199
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200 Escrita de Sinais sem mistérios

200
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Capítulo 11 201

201
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202 Escrita de Sinais sem mistérios

202
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Capítulo 11 203

149 150 151

Amanhã, Digitar mensagem Ouvir


no dia seguinte no celular

Pressionar um
Enviar mensagem pote de cola e aplicá-la
Ao amanhecer
de celular em círculos (CL)

Febre
Sair, ir embora151

Aranha movendo
as patas com dificuldade
(relaxadamente) (CL)149

Hospital
Tirar

Avisar/
falar a alguém

Vestir uma roupa

Melhorar/ restabelecer-se
Descansar150

149
 Este grafema de Dinâmica será abordado no cap. 15.
150
 Estudaremos esta seta de Movimento no cap. 17.
151
  Veremos esta Configuração de Mão no cap. 16.
203
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Capítulo 12
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206 Escrita de Sinais sem mistérios

Configurações de Mão

Domingo
02

Roteador (informática)

05

Vender

25

As duas Configurações de Mão a seguir (08 e 09) apresentam graus diferentes


de flexão da CM 01 que estudamos no cap. 5. Na maioria das vezes, esta CM
pode ser usada para escrever estes mesmos sinais sem alterar seu significado. No
entanto, vários sinais são feitos com estas configurações e, por isto, utilizá-las
também na escrita torna o sinal mais claro e fácil de ser lido. Veja os exemplos:

Combinar

08

206
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Capítulo 12 207

Mil
09

Procurar

28

Pagar à vista
44

Droga (AL, SC)

74

Em muitos casos o significado do sinal


permanece o mesmo se o dedo estiver
estendido ou não. Por isso, representamos
essas duas CMs com este mesmo grafema,
pois são alofônicos.

Casa

207
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208 Escrita de Sinais sem mistérios

No entanto, noutros sinais é importante


indicar a extensão do dedo, por isso
usamos outro grafema para representar esta
configuração de mão.
Veja:
41

Sapato

Direita Eu Z (letra)

Ética (Curitiba/ PR)


Homossexual (chulo)
São Paulo (SP)

TIPOS DE CONTATO

Bater

Representado por uma cerquinha, refere-se ao contato em que uma mão bate
na outra ou numa parte do corpo. Este contato é parecido com o tocar, porém
é mais forte. Veja:

Duro Duríssimo

Susto Susto muito grande

Acidente de carro Mais

208
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Capítulo 12 209

LOCAÇÕES

O pescoço

Este grafema é usado quando a mão toca ou se aproxima do pescoço.

Morrer
Minas Gerais
Sede
Vontade

Atrás da cabeça

Quando a mão se coloca atrás da cabeça, estas linhas


curvas são escritas à direita e à esquerda do círculo que
a representa para indicar que a mão está atrás da cabeça.
Nestes dois exemplos, a Orientação de Mão é a
mesma: no sinal (1), o dorso da mão toca o rosto; no 1 2
sinal (2), a palma toca a parte de trás da cabeça.

Falar mal
pelas costas Implante coclear Meningite
Costas

Os ombros e a cintura

Para representar a cintura, usamos duas linhas grossas paralelas


na horizontal, uma representa o ombro e a outra a cintura.
Usamos este grafema quando as mãos se movem perto da
cintura, tocam nela ou próximo a ela.

Empregado (a) Corpo


doméstico (a)
Fome Sofrer

Abade l’Épée

209
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210 Escrita de Sinais sem mistérios

EXPRESSÕES NÃO MANUAIS

As Expressões Não Manuais (movimento da face, dos olhos,


da cabeça e do tronco) são um dos parâmetros fonológicos
das Línguas de Sinais, conforme vimos no cap. 2. Segundo
Quadros & Karnopp (2004) elas exercem dois papéis nestas
línguas: marcação de construções sintáticas e diferenciação
de itens lexicais. Na Escrita de Sinais elas devem ser usadas
somente nestes casos, não sendo necessário escrever a prosódia, isto é, o jeito
de uma pessoa sinalizar, a não ser se estiver transcrevendo um vídeo para fins
de pesquisa. Deste capítulo em diante veremos as principais Expressões Não
Manuais, divididas em segmentos.

Movimento dos ombros para cima ou para baixo

Estes grafemas indicam que os ombros se levan-


taram ou se abaixaram.152153

Minha nossa152

Levantar peso
Muito cansado (a)153 (atividade física)
Desconhecido/
não saber

Quando somente um ombro se levantar ou se


abaixar, escrevemos desta forma:

Colocar a bolsa
Muita Carregar
no ombro Desprezar,
responsabilidade no ombro
preconceito

 Estudaremos esta CM (56) no cap. 14.


152

 Estudaremos este grafema de Dinâmica no cap. 14.


153

210
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Capítulo 12 211

OUTROS TIPOS DE MOVIMENTO

Estas setas descrevem movimentos parecidos com os que já


estudamos. Muitas delas são usadas em classificadores.
Movimentos paralelos à parede de frente:

Movimentos paralelos ao chão:

Movimentos paralelos à parede lateral:

Caminho Descendência

Crianças
Montanha russa
Limpar uma vidraça (parque de diversões)
de cima para baixo (CL)

Sempre observe o formato das setas básicas e que tipo de movimento


representam. Fazendo isto, quando precisar escrever movimentos mais comple-
xos, você estará apto a fazer combinações de setas para representar movimentos
mais complexos. Veja estas setas:

211
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212 Escrita de Sinais sem mistérios

Importante
Cabelo cacheado

Existem muitas outras combinações. Tantas quantas forem necessárias


para escrever uma Língua de Sinais. Várias combinações estão disponíveis no
SignPuddle. Outras o próprio usuário pode montar com facilidade, como no
caso das setas abaixo, usadas para escrever classificadores. Observe que a escrita e
leitura do sinal são extremamente rápidas. Isto acontece devido ao alto grau de
iconicidade da Escrita de Sinais e o arranjo de seus grafemas bidimensionalmente.

Carro passando
por várias ruas (CL)

Percurso de um helicóptero
ao decolar (CL)

212
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Capítulo 12 213

213
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214 Escrita de Sinais sem mistérios

214
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Capítulo 12 215

215
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216 Escrita de Sinais sem mistérios

154 155 156

Acontecer
Obrigado (a),
agradecer
Feliz, felicidade

Ajudar-me
(direcional)
Ideia
Preocupação,
preocupado (a)

Ir

Ambiente sem
ninguém,
nada, vazio154 Quarto, cômodo/
área

Levar alguém, guiar

Cama
Seu, sua156

Manhã

Estar deitado

Trabalhar, trabalho

Muito quente155

154
 Esta Expressão Facial será estudada no cap. 16.
155
 Estudaremos este grafema de Dinâmica no cap. 15.
156
 Esta seta de Movimento será abordada no cap. 13.
216
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Capítulo 13
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218 Escrita de Sinais sem mistérios

configurações de mão

Remédio
99
157

Inglês

100

Pessoa
101157

Brasília/ DF

102

Régua

103

  Compare com a CM 46 que estudamos no cap. 10.


157

218
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Capítulo 13 219

Pouquíssimo
104

Sétima série

105

O que
106

Óculos Triângulo
Sol

Sete
Fazer a sobrancelha Vacina
Escolher

O ALFABETO MANUAL

Já aprendemos todas as Configurações de Mão usadas na datilologia.


Observe que todo o alfabeto datilológico também está escrito no
ponto de vista do sinalizador e que estamos vendo o dorso da mão.
Muitas pessoas afirmam que determinadas letras do alfabeto manual

219
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220 Escrita de Sinais sem mistérios

são realizadas de lado (C, D, F, O, P e T). Geralmente aparece assim nas


conhecidas folhas de alfabeto manual. Contudo, ao utilizarmos a datilologia
para soletrarmos algo, todas as letras são feitas com o dorso da mão para
dentro. A Escrita de Sinais reflete isto.
É comum dizerem (como técnica de memorização) que para realizar as
letras Q e N basta virar as Configurações de Mão G e U, respectivamente, com
a palma para baixo. Porém na utilização da datilologia, acontece transformação
na realização destas letras.
Abaixo você tem disposto todo o alfabeto manual escrito. Sobre a escrita
das CMs M, N, P e Q, reveja as orientações da p. 166.
Você pode baixar a fonte Libras Escrita para seu computador158 também.

A a J j S s
B b K
k T
t
C c L
l U
u
D
d M m V
v
E e N n W
w
F
f O o X

G
g P p Y y
H
h Q q Z
z
I i R
r
158
 Acesse a Área de Membros Exclusiva para você, leitor: <http://www.LibrasEscrita.com.br/
EscritaDeSinaisSemMisterios>.
220
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Capítulo 13 221

Ao escrevermos a datilologia, não é necessário colocarmos a acentuação,


pois ela geralmente é omitida no dia a dia do uso da Libras. Caso considere
necessário ou a acentuação faça parte do sinal, como nos monossílabos tônicos,
você deve escrevê-la deslocada para a direita.

´ (acento agudo):
´

` (acento grave):
`
À

~ (til):
~

Não

^ (circunflexo):
^

Tênue

É comum que ao realizar a soletração manual de palavras terminadas em


–ÃO o til seja feito, o “O” omitido e a CM usada na acentuação sofra altera-
ção fonético-morfológica para , incorporando a CM do “O”. Se você estiver
transcrevendo um vídeo para análise linguística, escreva estes detalhes. Porém,
para a escrita formal ou a do dia a dia, não recomendamos isto, pois poderia
confundir o leitor. Veja na página seguinte:

221
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222 Escrita de Sinais sem mistérios

Forma recomendada Formas não recomendadas

Casarão

Não

Como você tem visto, assim como em inúmeros outros países, adotamos a
escrita da datilologia também na vertical. Desta forma economiza-se o espaço
horizontal das colunas além de seguir o mesmo padrão de um texto escrito.
Isto não indica que a mão vai descer ao fazer a datilologia. Testamos isto com
vários surdos aprendizes iniciantes da ELS. Ao assimilarem rapidamente que
a forma escrita se tratava de soletração manual, fizeram a sinalização com a
mão no mesmo lugar, sem deslocamento no espaço.
Palavras compostas ou nomes completos devem ser escritos também na
vertical em colunas paralelas. Assim:

Couve-flor

Madson Barreto Raquel Barreto

Existe ainda a soletração rítmica (sinais soletrados), uma soletração


rápida, curta e abreviada que incorpora na Libras sinais que surgiram da
soletração. Nestes casos, escreva exatamente como o sinal é realizado. Quando
não houver movimento para frente ou para trás e o sinal for feito no espaço neutro
222
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Capítulo 13 223

à frente do corpo, escreva a datilologia na horizontal e coloque uma seta para


a direita (Plano Chão) abaixo dela. Veja:

Sim Suco
Uva

É claro que, se na sua região houver outros sinais (não soletrados) para
estes termos, você deve escrever como utiliza em seu dia a dia.

MOVIMENTOS DO ANTEBRAÇO

Rotação paralela à Parede

Quando o antebraço está na vertical e ele gira, o movimento é representado


pela seta abaixo. As duas linhas verticais mostram que o antebraço
está paralelo à parede assim como as setas de haste dupla significam que o
movimento é feito paralelo à parede no eixo para cima/ para baixo. Portanto,
ao escrever um sinal que utiliza o braço, não o substitua por estas setas. Nestes
casos, é necessário escrever os dois grafemas (braço e seta com eixo). Já as setas
simples (semicirculares) indicam que a rotação da mão é feita paralela ao chão.

Estas são as formas básicas deste tipo de seta:

223
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224 Escrita de Sinais sem mistérios

As setas a seguir devem ser escritas abaixo da Configuração de Mão, pois


o movimento está sendo realizado pelo antebraço.
Aqui a mão está de lado. O polegar “guia” o movimento e passa
em frente ao corpo.

Academia
Estranho Entender

A mão está de lado aqui também. Mas agora o movimento é


“guiado” pelo dedo mínimo. Em ambos os exemplos abaixo foi escrito
a posição final da mão, permitindo uma leitura mais rápida.

Portas se fecharam
Olhar-me (direcional)

Quando vemos o dorso ou a palma da mão, podemos escrever de duas


formas, pois são equivalentes. Isto fica à escolha do escritor.

Trair Trair

(Ênfase no movimento do polegar) (Ênfase no movimento do dedo mínimo)

Estas outras setas devem ser escritas acima ou abaixo da


Configuração de Mão, conforme o caso. Elas indicam que ao se
deslocarem, os antebraços giram.

Frente e verso Congresso/


Social, sociedade Prato/ pizza
comunidade

224
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Capítulo 13 225

Rotação paralela ao Chão: braço estendido

Quando o antebraço está na horizontal


e gira, o movimento é representado por
esta seta. A linha simples mostra que o ante-
braço está paralelo ao chão assim como as
setas simples significam que o movimento é
feito neste plano. Ao escrever um sinal que
utiliza o braço, não o substitua por estas
setas. Já as setas duplas indicam que a mão se
move paralela à parede.

Estas são as formas básicas deste tipo de seta:

As setas a seguir devem ser escritas abaixo da Configu-


ração de Mão, pois o movimento é realizado pelo antebraço.

Quebrar
Livro Outra vez, repetir, mais
Interpretar,
intérprete

Neste outro caso, escreva a seta acima ou abaixo da


Configuração de Mão. Geralmente esta seta é usada em
classificadores de forma.159

Pão com forma arredondada159


159
 Esta Expressão Facial será estudada no cap. 16.
225
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226 Escrita de Sinais sem mistérios

Rotação paralela ao Chão: braço paralelo à frente do tórax

Quando o antebraço está na horizontal em frente ao corpo e ele gira, o Movi-


mento é representado por esta seta:

Estas são as quatro formas básicas deste tipo de seta. Elas devem ser posi-
cionadas próximo ao braço que realiza o Movimento.

Chave de fenda Trancar à chave


Beber

Adesivo

Movimento de agito do antebraço

Quando você gira/ agita seu antebraço repetidas vezes como se estivesse
sacudindo a água das mãos, usamos estes grafemas conforme a orientação do
antebraço. Na maioria dos casos, eles devem ser escritos na posição em que o
antebraço está em relação à mão.

Movimentos de giro/ vibração com o Movimentos de giro/ vibração com


antebraço paralelo à parede frontal o antebraço paralelo ao chão
226
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Capítulo 13 227

Porto Alegre (RS)


Aplaudir Dólar

Mais ou menos Chave


Árvore

Não ter160

Às vezes faz-se necessário indicar para que lado o movimento de agito


começa. Nestes casos colocamos uma ponta de seta no primeiro semicírculo
deste grafema de Movimento. Veja:160

Sócio/ carteira de
identidade/ Paraná
impressão digital Letras/ Libras
Lucinda Ferreira Brito (curso superior)
(autora)

TIPOS DE CONTATO

Outros contatos Entre

Os demais tipos de contato além do Tocar também podem ocorrer entre duas
superfícies. Nestes casos, utilizamos as mesmas barras nas laterais do grafema
principal.

Escovar Entre Bater Entre Esfregar Entre Pegar Entre

Acidente de carro

Aconselhar
Carlos Skliar, Dr. (autor)
Processar
160
 Estudaremos a Expressão Não Manual movimento da cabeça no próximo capítulo.
227
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228 Escrita de Sinais sem mistérios

Apontador Consertar

Levar/ guiar
Ajuntar duas coisas

EXPRESSÕES NÃO MANUAIS

As sobrancelhas

Cada sobrancelha é representada por um par de linhas curtas,


viradas para baixo ou para cima conforme a expressão facial
desejada. Estes são os principais grafemas de sobrancelha usadas
na Escrita de Sinais.

Posição neutra Sobrancelhas Sobrancelhas Sobrancelhas


erguidas arqueadas para baixo
(esperançoso)

Observe o uso destes e de outros grafemas de sobrancelhas na história


a seguir.

228
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Capítulo 13 229

229
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230 Escrita de Sinais sem mistérios

230
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Capítulo 13 231

231
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232 Escrita de Sinais sem mistérios

232
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Capítulo 13 233

Ajudar-me Receber salário/


(direcional) Fila diminuindo (CL) sacar dinheiro/
perceber

Mês
Banco
Telefonar

Coisas, objetos/
diversos

Olhar o tamanho
de uma fila (CL)

Colocar os óculos (CL)

Paciência

Compensar

Presente

Conseguir

Próxima semana

Demorar

233
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Capítulo 14
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236 Escrita de Sinais sem mistérios

configurações de mão

Dinamarca

16

Lagartixa161

23
161

América Latina

24

Clipes
26

Pato
27

 Este Movimento será estudado neste capítulo (p. 238).


161

236
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Capítulo 14 237

Rádio comunicador162
47
162163

Abacate

48

49 Coração partido (CL)

Barco

56

Broche
Item 3 (tópico) Suicídio
Caranguejo163

Patos de Minas/ MG Telha Tocantins


Noite Pêssego
162
  Veja este Grafema de Dinâmica na p. 238.
163
 Estudaremos este grafema de Movimento dos dedos no cap. 18.
237
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238 Escrita de Sinais sem mistérios

MOVIMENTOS DE GIRO DO ANTEBRAÇO

Estas setas representam um movimento em linha reta com o giro


simultâneo do antebraço.
Neste primeiro grupo elas mostram um movimento único na direção
apontada pela seta principal.
Movimento no Plano Parede Movimento no Plano Chão

Estas outras setas representam um movimento em que as mãos se agitam


rapidamente e se movem na direção apontada pela seta.
Movimento no Plano Parede Movimento no Plano Chão

Vício/ hábito Ouro

Enorme

Churrasco

Promoção Brilhar
Seguir

DINÂMICA DE MOVIMENTO

Tensão

Este grafema é importantíssimo. Tem várias aplicações diferentes na Escrita


de Sinais. Seu uso demonstra como é muito mais fácil escrever as Línguas de
Sinais através do SignWriting, uma escrita de Traços Não Arbitrários de duas
dimensões.
238
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Capítulo 14 239

Quando um sinal é feito com os músculos mais tensos que o normal,


utilizamos este grafema. Duplicá-lo indica um movimento mais tenso ainda.

Acidente de carro
Muita experiência
Raio muito forte

Grande explosão

Para evitar ambiguidade, o grafema de Tensão é usado para indicar qual


é a mão passiva em um sinal. Nos exemplos abaixo, a mão esquerda não se
move. Para tornar isto bem claro, o grafema de Tensão deve ser posicionado
próximo a ela. Veja:

Base, básico Descobrir Próton (Glossário de


Química do CEFET/ MG)

Prato muito cheio (CL)

É usado também para indicar uma parada brusca no final do sinal. Veja
a diferença entre os sinais abaixo:164

Tarde Fique aqui! Atacar uma mosca

A mão desce de Desce e para de Desce rapidamente164


forma contínua. uma vez. e para também
de uma vez.

164
 Este grafema de Dinâmica será estudado no próximo capítulo.

239
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240 Escrita de Sinais sem mistérios

Veja estes outros exemplos:

Colocar um quadro
na parede (CL)
Levantar-se Salvador/ BA
abruptamente
Abandonar

Pode ser usado ainda para indicar que a (s) mão (s) está (ão) parada (s).

Convite

Rádio comunicador
Tudo bem Bola grande

O conceito de Pressão

Existem inúmeras situações em que se faz necessário indicar a pressão que


a mão exerce ao fazer um contato e também que a(s) mão(s) permanece(m)
em contato como se estivesse(m) colada(s) em uma superfície. Nestes casos,
usamos o grafema Tocar junto com o de dinâmica Tensão. Veja:

Recife (PE) Porta (Glossário de


Desenho Arquitetônico
Abraço muito
do CEFET- MG)
forte (despedida)

Querido (a), amado (a), Muita vontade


estimado (a) Ajuntar duas
coisas

240
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Capítulo 14 241

ESCREVENDO UM CLASSIFICADOR

Os classificadores são um recurso linguístico presente em algumas


línguas165. Permite classificar, isto é, indexar, um substantivo ou
verbo quanto à sua forma, uso, ação, etc. Nas Línguas de Sinais isto
ocorre de maneira visual. Portanto, escrevê-los implica em utilizar diversos
grafemas para cada um dos parâmetros fonológicos.
Nas LS, “o conceito de classificador diz respeito aos
diferentes modos como um sinal é produzido, dependendo das
propriedades físicas específicas do referente que ele representa.
[...] como seu tamanho e forma, ou seu comportamento ou
movimento, o que confere grande flexibilidade denotativa
e conotativa nos sinais” (CAPOVILLA, RAPHAEL &
MAURÍCIO, 2012, p. 58).
Ao realizarmos classificadores é muito comum que uma
mão fique parada, isto é, tensionada, enquanto a outra realiza
uma ação. Neste caso, utilizamos um grafema de Tensão
junto à CM, indicando que uma mão se mantém firme
para representar algo enquanto a outra faz os sinais. Este
recurso, associado à Escrita de Sinais na vertical, contribui de
maneira inefável para a escrita de textos Coerentes e Coesos
Visualmente, conceitos que abordamos no cap. 9.
Veja os exemplos a seguir166. Observe o uso de vários
grafemas que já estudamos167:

A família real mudou-se do Brasil para Portugal.

165
  Quanto às Línguas Orais existem: Línguas de Classificador numeral: Thai; de Classificador
concordante: Bantu, Semi-bantu e australianas; de Classificador Predicativo: Navajo, Hoijer
(1945), e Verbos Classificadores em outras línguas Athapaskan; de Classificador Intra-locativo:
Toba, uma língua sul-americana, Eskimo e Dyirbal, uma língua do noroeste da Austrália (FE-
LIPE, 2002).
166
  Depois, releia o trecho da história que começa na p. 229 analisando o uso de classificadores.
167
 As Expressões Não Manuais, esse grafema de Dinâmica e o de Pontuação utilizados nestes
exemplos serão estudados no cap. 15.
241
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242 Escrita de Sinais sem mistérios

“Na caverna que você tem medo de entrar está o tesouro que você procura” ( Joseph Campbell)

EXPRESSÕES NÃO MANUAIS

A boca

Quando for importante mostrar o que a boca está fazendo,


escrevemos a expressão dentro do círculo que representa o rosto
Existem muitos outros grafemas para este tipo de expressão
Abordaremos aqui os mais utilizados.

Sorriso Grande sorriso Boca fechada (ou “triste”) Boca aberta (ou “lamento”)

242
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Capítulo 14 243

Boca aberta Boca beijo Boca tensa


168

Gostoso Triste
Rir

O que? Limão
Desesperado168
Admirador

Movimentos da cabeça
Quando a cabeça se move para cima ou para baixo, utilizamos pequenas setas
duplas sobre o círculo que a representa indicando o movimento correspondente.
Existem inúmeras combinações estudaremos abaixo as principais.169

A cabeça se move para A cabeça se levanta A cabeça se abaixa


cima e para baixo

Muito alto Cabisbaixo


Sim 169 (muito triste)

168
 Estudaremos esta seta de Movimento no cap. 16.
169
 Esta seta de Movimento também será estudada no cap. 16.
243
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244 Escrita de Sinais sem mistérios

Quando a cabeça vira para a esquerda ou para a direita, também utiliza-


mos pequenas setas duplas em cima do círculo que a representa.

A cabeça vira para a direita


e para a esquerda

Não Nada, nenhum

Quando a cabeça se move para frente e para trás ou para um lado e para
o outro, o movimento é escrito com pequenas setas simples em cima do círculo
que a representa.

A cabeça se move
para frente e para trás

Pica-pau bicando
Pássaro andando (CL) uma árvore (CL)

A cabeça se move para


o lado direito Olhar pela janela
do carro (CL)
Abrir o portão um
pouco para espiar (CL)

Quando a cabeça se inclina para a lateral de modo que o nariz fica na


diagonal, estes grafemas são escritos sobre a cabeça. Veja:

A cabeça inclinada para A cabeça inclinada


o lado esquerdo para o lado direito Não saber,
desconhecido

244
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Capítulo 14 245

Observe a diferença entre estes três tipos de movimentos:

PONTUAÇÃO

Interrogação

O grafema de interrogação na Escrita de Sinais é representado


por uma linha fina e uma grossa.
Porém, somente usar este grafema não é o suficiente. Para se escrever
frases interrogativas são utilizadas as Expressões Faciais correspondentes a
cada tipo no início da frase, e então no final é usado este grafema.
Na Libras existem basicamente dois tipos de frases interrogativas
(QUADROS & KARNOPP, 2004):
a) Interrogativas QU: normalmente são associadas às palavras interrogativas
O QUE, COMO, ONDE, POR QUE, QUEM e QUAL. Elas utilizam a
expressão QU:170

Qual o seu nome?

Onde você vai?170

170
 Estudaremos no cap. 16 a seta de Movimento usada no 2º sinal desta frase.
245
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246 Escrita de Sinais sem mistérios

b) Interrogativa S/N: são aquelas que esperam como resposta sim ou não. Elas
utilizam a expressão S/N:

Você mora em Você gosta de


São Paulo? melancia?

246
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Capítulo 14 247

247
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248 Escrita de Sinais sem mistérios

248
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Capítulo 14 249

249
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250 Escrita de Sinais sem mistérios

250
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Capítulo 14 251

Duas pessoas se
assentam (CL)

Janela

Logotipo/ marca

Sentir

Irmão (ã)

251
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Capítulo 15
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254 Escrita de Sinais sem mistérios

configurações de mão

Injeção

17

Botão direito do mouse


(informática)

18

Castor roendo um
21 tronco (CL)

Veneno

22

Arado

31
254
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Capítulo 15 255

Hipopôtamo

72
171

Satélite

73

Bactéria

Abrir a espingarda para


recarregá-la (CL)171

Vírus Brega Lhama/ Bolívia

EXPRESSÕES NÃO MANUAIS

Os olhos

Já estudamos os grafemas usados para escrever sinais quando as


mãos tocam ou se aproximam dos olhos. Agora vamos aprender
os grafemas que representam o que os olhos fazem.
171
 Estudaremos esta seta de Movimento no próximo capítulo.
255
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256 Escrita de Sinais sem mistérios

Olhos abertos Olhos fechados Olhos apertados Olhos arregalados

Olhos semiabertos Olhos semifechados Cílios

Pouquíssimo
Abrir os olhos

Defunto
Coruja

Sono Rímel
Clarear

Direção do olhar

Na Libras, a direção do olhar do sinalizador faz referência a entidades pré-


estabelecidas do discurso, sendo direcionado a pontos específicos no espaço de
sinalização. Além disso, invoca atenção para uma informação importante do
texto (CARNEIRO & OLIVEIRA, 2011).
Na Escrita de Sinais a direção do olhar também é representada por setas
duplas ou simples. Elas são escritas no mesmo lugar que os grafemas dos olhos.
256
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Capítulo 15 257

As setas simples indicam que a direção do olhar é para frente, para a direita,
para a esquerda ou nas diagonais pra frente. É utilizada a ponta de seta geral
porque as mãos não estão envolvidas.

Já as setas duplas indicam que a direção do olhar é para cima/ para baixo,
na diagonal para cima/ para baixo ou para os lados.

Escrever as Línguas de Sinais implica em registrar aquilo que traz signifi-


cado a um sinal ou frase. Alguns sistemas de escrita ou notação das LS não
fazem o registro das ENM, um importantíssimo parâmetro fonológico destas
línguas. Observe a diferença de significado nos exemplos abaixo simplesmente
pela omissão ou uso da ENM direção do olhar.
257
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258 Escrita de Sinais sem mistérios

Matar mosca Perseguir a mosca com o


sem olhar olhar e então matá-la

DINÂMICAS DE MOVIMENTO

Rápido

Este grafema é usado para indicar que um sinal é feito mais rapidamente ou
com mais ênfase do que o normal. Geralmente está associado ao tempo de exe-
cução do sinal. Dois grafemas deste representam um movimento feito mais
rápido ainda.

Bater
Olhar rapidamente
para a direita Correr rápido

Bater com mais força


Bater com mais força
e mais rapidamente

Lento

Já este outro grafema indica que um sinal é feito de forma mais lenta que o
normal. É muito utilizado na escrita de classificadores quando se quer enfatizar
uma ação. Ele deve abranger todo o sinal ou somente a parte que for feita de
forma lenta.

258
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Capítulo 15 259

Ninar um neném Muito quente


suavemente
Andar de
Lesma se salto alto (CL)
locomovendo (CL)

Relaxado

Este grafema representa um movimento feito de modo relaxado, frouxo,


uma suavização das características do movimento e também um pequeno
relaxamento da mão. Dois grafemas deste representam um movimento mais
relaxado ainda.172

Preguiça

Então
Conversa informal172
Bicho preguiça

172
 Estudaremos esta seta de Movimento e a usada no sinal de “preguiça” no próximo capítulo.
259
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260 Escrita de Sinais sem mistérios

260
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Capítulo 15 261

261
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262 Escrita de Sinais sem mistérios

262
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Capítulo 15 263

263
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264 Escrita de Sinais sem mistérios


Caixa

Lugar/ onde/
Chegar bairro

Esquecer

Hoje, atual, o
momento presente

Ir (muitas pessoas
vão a algum lugar)

264
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Capítulo 16
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266 Escrita de Sinais sem mistérios

configurações de mão173

Sair
97

Vencer
20

Mexer
39

42 Fugir

Maconha

43
  Compare a CM 97 com a CM 92 (cap. 7), a CM 20 com a CM 16 (cap. 14) e a CM 42
173

com a CM 41 (cap. 12).


266
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Capítulo 16 267

Intervalo entre aulas

33

Particular, individual Pirâmide


Enfermeiro (a) Lobo

MOVIMENTOS ORIGINADOS NO PULSO

Movimentos circulares

Alguns movimentos circulares são originados no pulso. Neles o antebraço


permanece imóvel e a mão gira em um círculo. Estas setas devem ser colocadas
próximo ao pulso ou à Configuração de Mão.
Nestes três tipos, a direção da seta mostra onde o movimento começa.
O círculo que constitui o grafema abaixo é completamente redondo, pois a
mão não se aproxima nem se afasta do sinalizador.
Plano 1
Rotação paralela à parede de frente ao sinalizador

Uma hora (duração) Cobra Movimentos da cabeça

267
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268 Escrita de Sinais sem mistérios

Já este círculo é achatado, pois indica que o movimento é feito no Plano


Chão. A parte grossa do círculo está mais próxima do sinalizador.
Plano 2
Rotação paralela ao chão

Cozinhar Muitas horas


Rio Grande do Sul

A parte achatada do círculo está virada para a lateral do Plano Parede,


sua parte grossa está mais próxima do sinalizador, mas pode ser tanto à direita
quanto à esquerda.
Plano 3
Rotação paralela à parede lateral

Sinal
Advogado (a)
Dar sinal a algo ou
alguém/ denominar

Movimentos Retos

Os movimentos retos em que o antebraço permanece parado e a mão se move


para trás e para frente ou para cima e para baixo, são escritos com uma barra.
Esta pequena linha representa que o pulso permanece imóvel e que as setas

268
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Capítulo 16 269

de movimento aplicam-se apenas à mão, não ao braço ou antebraço. As setas


devem ser colocadas próximas ao pulso.
Movimento para os lados

Moto Sino Vídeo conferência

Movimento para baixo ou para cima

Fisgar um peixe
Atrasar Tampa do vaso sanitário

Estes movimentos são pouco utilizados na Libras. Muitas vezes aparecem


como reducionismos dos movimentos feitos por todo o antebraço. São mais
usados em classificadores, assim como os grafemas de Dinâmica174.
Veja no exemplo ao lado, extraído de uma situação
real que presenciamos, o uso destas duas classes de
grafemas em conjunto. Observe também como é fácil ler
o sinal devido ao posicionamento de seus grafemas em
duas dimensões.
Relógio com defeito (o ponteiro sobe
normalmente, mas desce de uma vez) (CL)
174
 Estudados no capítulo anterior.
269
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270 Escrita de Sinais sem mistérios

EXPRESSÕES NÃO MANUAIS

Bochechas e respiração

Estes são os grafemas que representam as bochechas e a respira-


ção durante a execução do sinal:

Bochechas infladas Bochechas sugadas Bochechas com


tensão muscular

Inspirar Expirar Respirar


Aspirando o ar Soprando o ar

Amargo

Magro (a)

Gordo (a)

Soprar uma vela/


aniversário Beber com canudinho
Ofegante
Ar

270
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Capítulo 16 271

Dentes e lábios

Dentes Dentes superiores Dentes superiores


tocando a língua tocam lábio inferior

Dentes inferiores Lábios sugados Boca aberta


tocam lábio superior franzido ao redor (‘uh’)

Lembre-se que os dois grafemas a seguir estão escritos na Perspectiva


do Sinalizador.

Dentes mordem lado Canto esquerdo do


esquerdo dos lábios lábio para cima

271
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272 Escrita de Sinais sem mistérios

Banguelo (a)
Índio (a)
Ser pego de
surpresa
Ficar nervoso (a)

272
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Capítulo 16 273

273
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274 Escrita de Sinais sem mistérios

274
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Capítulo 16 275

275
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276 Escrita de Sinais sem mistérios

Bahia Estado
Treinar

Casar
Florianópolis (SC)
Vôlei

Continuar Fortaleza (CE)

Conversar em Libras Férias

Pará

Conversar
informalmente

Recife (PE)

Esperto, esperteza Rio de Janeiro


(estado)

276
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Capítulo 17
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278 Escrita de Sinais sem mistérios

configurações de mão

Dinossauro175

04

Chutar (CL luta)

19176

Saci/ deficiente
83

175 176

Espingarda
96

  Movimento feito apenas pelo dedo indicador, por isto a seta é pequena e pontilhada.
175

  Compare com a CM 16 estudada no cap. 14.


176

278
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Capítulo 17 279

Noivo (a)
(usado em algumas
regiões de SP)
75
177

Noivo (a)

76177

Ecumenismo

77

MOVIMENTOS NO PLANO DIAGONAL

Diagonal para frente ou para trás

Já estudamos setas que representam movimentos em três planos


distintos. Vimos também que a linha que cruza as duas setas ao lado
representa o horizonte. Quando um movimento é feito para cima ou
para baixo e se curva para o horizonte, esta linha nos lembra que o
movimento se afasta do corpo na horizontal e se aproxima outra vez.

 A Escrita desta CM foi convencionada pelos usuários da ELS, não apresentando uma iconi-
177

cidade tão grande como as outras.


279
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280 Escrita de Sinais sem mistérios

Esta mesma linha é usada para indicar o movimento diagonal para


frente/ para cima a partir do peito, ou para trás/ para baixo a partir do peito.
Quando a seta é reta, o movimento também é reto.

Diagonal para cima em


direção ao horizonte

Diagonal para baixo em


direção ao horizonte

Matar Sonhar
Escada rolante (com faca)

Mandar, ordenar

Vimos que o ponto preto entre estas setas indicam que a mão se
aproxima do corpo. Este ponto é usado para representar movimentos
na diagonal que se aproximam do corpo ao mesmo tempo em que
sobem ou abaixam. Quando a seta é reta, o movimento também é reto.

Diagonal para baixo em


direção ao corpo

Diagonal para cima em


direção ao corpo

280
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Capítulo 17 281

Auditório

Levar o canudinho à boca


(segurando o copo) (CL)

Claraboia (Glossário de Desenho


Arquitetônico do CEFET/ MG)

EXPRESSÕES NÃO MANUAIS

Movimentos do tronco

Quando escrevemos um texto, às vezes precisamos mostrar o


movimento do tronco. Se estiver virado, indicamos sua posição
com a linha grossa, que representa o ombro inclinada para o lado
correspondente. Esta é uma marcação comum nas LS para indicar a alteração
de interlocutores em um discurso.

Virado para a esquerda Normal Virado para a direita

281
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282 Escrita de Sinais sem mistérios

Giro do tronco

Quando o movimento de giro do tronco faz parte do sinal, é


escrito uma linha grossa inclinada para o lado correspondente
com uma seta indicando a direção do movimento.

Dar um soco muito forte (CL)

Inclinação do tronco

Quando o tronco se inclina para o lado, para frente ou para trás, utilizamos
um pequeno grafema formado por um ponto em cima de uma linha, ao lado
da linha grossa que representa os ombros ou sobre a cabeça. Este grafema
pode ser inclinado conforme a direção do movimento do tronco. Observe que
existem duas formas de utilizá-lo.

Inclinando o corpo para a direita

Pinguim
Moto acelerando Patinar
(o corpo vai para trás) (CL)

282
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Capítulo 17 283

Visão do corpo por cima

Em alguns sinais é importante indicar a distância entre as


mãos e o corpo, os movimentos em direção ao corpo e ainda
os sinais feitos na parte superior da cabeça ou em frente
ao rosto. Isto pode ser representado com um grafema que mostra a cabeça
e os ombros, vistos por cima. Esta visão poderá ser utilizada em qualquer
momento em que o sinal fique mais claro sendo escrito desta forma. Este
grafema também pode indicar que os ombros giraram para algum lado.

Influenza A Uma onda gigante


(H1N1 - gripe suína) Porta batendo está vindo (CL)
ao longe (CL)

A língua

Estas Expressões Faciais representam a língua. Os grafemas que indicam


lateralidade, isto é, que se referem à direita ou esquerda, foram escritos na
Perspectiva do Sinalizador.

Língua para fora e Se vê a língua dentro da Não se vê a língua, mas ela


para baixo boca, ao lado esquerdo toca a bochecha esquerda

Este último grafema para a língua pressionando a bochecha tem duas


formas:

Forma padrão Forma enfática

283
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284 Escrita de Sinais sem mistérios

O grafema que representa a boca pode ser girado em outras direções para
representar a posição da língua. Veja estes exemplos:

Os dois grafemas abaixo representam movimentos feitos pela língua:

A língua é vista dentro da boca A língua é vista dentro da boca


e se move para cima e para baixo e se move de um lado para o outro
repetidas vezes repetidas vezes

Outra Expressão Não Manual bem curiosa é a língua escovando a boche-


cha. Veja:

Bala
Babar
Sorvete

Ladrão (a)

Acidente de automóvel
muito grave

PONTUAÇÃO

Os Parênteses

Este grafema é usado para indicar ao leitor que os sinais desta


seção são feitos com a postura que é utilizada quando o sinali-
zador interrompe o que estava dizendo para explicar ou dizer
outra coisa e depois volta ao tema principal. O uso dos parênteses
evita que tenhamos que escrever todas as alterações na postura.
284
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Capítulo 17 285

No exemplo abaixo, você verá uma frase escrita usando alterações de


postura. Esta é a forma INCORRETA de se escrever.

O uso dos parênteses evita que tenhamos que escrever todas as alterações
de postura. Esta é a forma Correta.

285
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286 Escrita de Sinais sem mistérios

286
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Capítulo 17 287

287
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288 Escrita de Sinais sem mistérios

Caminhão

Ensinar-me
(direcional)

Explicar

Ficar, permanecer

Piada, engraçado

Ótimo

288
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Capítulo 18
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290 Escrita de Sinais sem mistérios

OS SINAIS NOME E OS TOPÔNImOS

Culturalmente as comunidades surdas atribuem sinais


aos surdos e seus familiares, aos aprendizes de Libras,
aos tradutores intérpretes e demais profissionais que
atuam diretamente com surdos e também a personali-
dades nacionais ou internacionais tais como políticos,
artistas, personagens de filmes e da literatura, dentre
outros. Estes sinais são conhecidos também por sinais
nome.
Diversas características pessoais podem originar
metonimicamente estes sinais. Conforme Wilcox,
Wilcox e Jarque (2005 apud ALBRES, 2012), a meto-
nímia é o uso de uma entidade específica para se referir
a outra. Nos sinais nome isto ocorre identificando
algum destaque pessoal.
Podem ser de vários tipos de características, dentre as quais: físicas
(estatura; porte físico; cor dos olhos, da pele ou do cabelo; pintas, manchas
ou cicatrizes; tipo de cabelo ou penteado etc.), hábitos, cacoetes, número de
chamada na escola, letras ou parte do nome, um feito histórico ou grande
realização em sua vida, objetos de uso contínuo, trocadilhos com palavras em
Língua Portuguesa, etc.
Aguiar (2012) identifica que na Libras os topônimos, isto é, sinais para
lugares, também podem se originar de diversas formas. Dentre elas, destacamos
a iconicidade física. Alguma característica do local é tomada, também metoni-
micamente, para representar a entidade em si. Por vezes, esta motivação é tão
direta que facilmente identificamos seu significado. Noutras, nem tanto. É
possível notar também que os sinais podem se modificar com o passar do
tempo. O que foi icônico há alguns anos ou décadas pode não ser mais hoje
e a motivação do sinal ficou perdida na história, por geralmente não ter sido
registrada.
Devido a estas características, as Configurações de Mão utilizadas em
muitos destes sinais também assumem iconicidade. Surgem novas CMs até
mesmo da composição de outras. Isto acontece também com vários sinais
atribuídos também a instituições públicas ou privadas, dentre outros.
As configurações que estudaremos a seguir são utilizadas em algum destes
casos. É possível que existam outros sinais que utilizem estas CM fazendo
com que não se enquadrem apenas nesta categoria.
290
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Capítulo 18 291

CONFIGURAÇÕES DE MÃO

Presidenta Dilma Roussef

03

Chaves

29

Ex-presidente Luis Inácio


Lula da Silva

63

Oi (Empresa de Telefonia)

65

Itaquaquecetuba/ SP
70

291
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292 Escrita de Sinais sem mistérios

Pico Dedo de Deus


(Teresópolis/ RJ)
95

Messias Ramos
(surdo de Brasília/ DF)
91 (FARIA-DO-NASCIMENTO, 2009)

TIPOS DE CONTATO

Grafemas de Superfície

Alguns sinais são difíceis de ler devido ao posicionamento de seus articuladores.


Os grafemas de superfície têm por objetivo clarear essa relação quando as demais
regras da Escrita de Sinais os tiverem deixado ambíguos.
Se for possível escrever a posição dos articuladores de um sinal como
feito na vida real, faça-o sem utilizar os grafemas de superfície. Sempre analise
o sinal tentando escrevê-lo sem usar estes símbolos. Os grafemas de superfície
devem ser usados somente quando estritamente necessários. Isto é, quando
não houver outra forma de tornar a escrita entendível. Por isto, estes são
grafemas usados raramente.
Estes grafemas indicam como as mãos estão posicionadas entre si ou
com outra parte do corpo. Conforme Sutton (2012c) e Thiessen (2011) estes
grafemas também estão organizados em dois planos.
Em ambos, a pequena “bolha” indica a posição que está sendo destacada.

292
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Capítulo 18 293

•   Plano Chão
Nestes grafemas a linha simples representa que as mãos estão no Plano
Chão.

Encima

Entre o topo e a parte de baixo, através, ou


uma encima outra embaixo – sem contato

À esquerda À direita

Entre a direita e a esquerda, através, ou uma


de um lado outra de outro – sem contato
Embaixo

•   Plano Parede
A linha dupla representa que estão no Plano Parede.

Na frente (mais longe do corpo)

Entre a frente e a parte de trás, através, ou


uma na frente outra atrás – sem contato

À esquerda À direita

Entre a esquerda e a direita, através, ou uma


de um lado outra de outro – sem contato
Atrás (mais perto do corpo)

Enviar mensagem Hábito, Tartaruga


de celular vício

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294 Escrita de Sinais sem mistérios

Hipopótamo

Cara a cara

Garagem

Banheira de hidromassagem
(Glossário de Desenho Arquitetônico
do CEFET- MG)

Identidade
Metáfora
Currículo Lattes

Telhado

Espingarda

Opor-se, adversário (a)

294
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Capítulo 18 295

295
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296 Escrita de Sinais sem mistérios

296
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Capítulo 18 297

297
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298 Escrita de Sinais sem mistérios

Famoso (a)
Nutrição, nutricionista

Fundar, criar
Operador de caixa
Chef

Convite
Resolver, decidir

Garçom, garçonete

E-mail

Luxuoso, chique

Enviar carta

Muita saudade

Enviar e-mail

298
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CONSIDERAÇÕES FINAIS

A nível internacional, as comunidades surdas obtiveram muitas conquistas


desde 1960, quando as Línguas de Sinais tiveram seu status linguístico reco-
nhecido através dos trabalhos de Stokoe (1960). Tais vitórias ocorreram nos
mais diversos âmbitos, a começar pelo educacional, passando pelo eixo familiar
e culminando nas relações sociais e profissionais. Contudo, ainda existem
muitos desafios a serem superados.
Em 1974, com a criação da Escrita de Sinais por Valerie Sutton, mais
um status é modificado: de línguas ágrafas, agora as LS podem ser grafadas
preservando cada uma de suas características, sem passar por qualquer outra
língua ou escrita.
As implicações que escrever as LS trazem, ultrapassam nossa compreensão
atual. Assim como há pouco mais de um século voar – dentre incontáveis
outros desafios – era impossível ao homem e hoje se tornou algo tão factível
e, para muitos, corriqueiro. Escrever as Línguas de Sinais traz contribuições
inefáveis aos falantes e pesquisadores destas línguas.
Desde 1996, no Brasil, foram desenvolvidas inúmeras pesquisas e
aplicações da ELS nos mais diversos âmbitos, dentre os quais citamos:
educação, computação, lexicografia, estudos linguísticos, estudos surdos178,
literatura em Língua de Sinais, alfabetização, aquisição de Segunda Língua
e acessibilidade179.
Assim, o SignWriting é o sistema de escrita para as Línguas de Sinais
mais usado diariamente pelos sujeitos e comunidades surdas, seus familiares,
profissionais e pesquisadores da área. Atualmente, em todo o mundo, são mais
de 40 LS escritas por este sistema (BUTLER, 2012).
A ELS corrobora para a efetiva educação bilíngue para surdos e com
melhores condições de acessibilidade e comunicação através de profissionais e

178
  “O campo acadêmico dos Estudos Surdos é composto de abordagem, interdisciplinares para
a exploração de indivíduos surdos, comunidades e culturas e como eles evoluíram dentro de um
contexto maior de poder e ideologia” (BAUMAN & MURRAY, 2014, p. 67).
179
 Barth (2008); Brito (2012); Campos (2012); Capovilla et al. (2006); Costa & Dimuro
(2002); Costa (2001); Costa (2013); Costa (2014); Dallan (2012); Fernandes (2011); Hautrive
& Souza (2010); Lima (2014); Loureiro (2004); Macedo (1999); Mallmann (2009); Nobre
(2011); Oliveira & Stumpf (2013); Oliveira e Mourão (2012); Pereira & Fronza (2006); Rocha
(2003); Silva (2009a); Silva (2009b); Souza & Pinto (2003); Strobel (1997); Stumpf (2005);
Torchelsen (2002 e Wanderley (2012, dentre inúmeros outros, conforme estudamos no cap. 04.
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300 Escrita de Sinais sem mistérios

famílias mais bem equipadas. Promove ainda publicações em LS ou bilíngues,


potencializa o avanço das pesquisas das Línguas de Sinais e multiplica o
aprofundamento linguístico da Libras, tanto em surdos quanto em ouvintes,
dentre incontáveis outros benefícios.
Ao estudarmos a Escrita de Sinais passo a passo como fizemos nesta obra,
é fácil perceber porque esta escrita tem despertado interesse em inúmeros
pesquisadores no Brasil e no mundo e porque é crescente o número de usuários.
Através do SignWriting, as Línguas de Sinais podem ser lidas, escritas
ou transcritas de forma visual direta sem passar por outra língua (oral ou
sinalizada) nem mesmo por sistemas de transcrição em glosas. Seu alfabeto de
Traços Não Arbitrários é internacional e pode ser usado para escrever qualquer
Língua de Sinais desde um sinal isolado até um livro completo (SUTTON,
2003; BARRETO & BARRETO, 2012; BARRETO, 2013a).
A tridimensionalidade e cada um dos parâmetros fonológicos dessas
línguas (as Configurações de Mão, a Orientação da Palma, a Locação, o Movi-
mento e as Expressões Não Manuais) são registrados e preservados sem
máscaras ou tentativas de empréstimos de outros sistemas de escrita ou notação.
Como vimos, este último parâmetro é escrito apenas quando necessário ao
entendimento do sinal ou frase, o que, em incontáveis casos é vital.
O posicionamento dos grafemas da ELS numa “caixa” bidimensional
permite o uso de relações espaciais entre os mesmos. Os sinais são escritos
em colunas verticais de cima para baixo representando a sinalização. Desta
maneira, os grafemas são organizados de acordo com a estrutura do corpo
humano (SUTTON, 1998c; ROALD, 2006; THIESSEN, 2011).
A Coerência e Coesão Visual das LS tornam-se evidentes utilizando-se
a Escrita de Sinais. Este sistema registra o uso de referentes dêiticos e sua
retomada (anáfora) de forma visual direta por meio do posicionamento de
seus grafemas e da escrita em colunas.
A encodificação computacional por detrás da Escrita de Sinais no Sign-
Puddle permite que sinais e textos completos sejam facilmente armazenados e
recuperados tanto na tela do computador quanto no papel. Outros processos,
tais como: ordenação, correção ortográfica, análise e tradução automática
também podem ser realizados.
Seus benefícios, para surdos e ouvintes, são os mesmos propiciados
pelas escritas de outras línguas como o Português, Inglês, Espanhol, etc. a
seus respectivos usuários (SUTTON, 2013). Contudo, percebemos também

300
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Considerações Finais 301

inúmeros ganhos neurolinguísticos e sociais, dentre outros: aprofundamento


nos estudos da Libras, facilidade na organização do pensamento em LS,
praticidade nas anotações diretamente em Libras e até mesmo sinalização
mais fluente no dia a dia, como relatado por Barreto et al. (2014a, 2014b) e por
Barreto, Pereira e Barbosa (2014). Tais ganhos irradiam para todos que estão
ao seu redor, como uma pedra lançada na água. Porta para um novo mundo
de possibilidades.
Vimos que o processo de aquisição da leitura e escrita das Línguas de
Sinais pelo SignWriting por surdos e ouvintes, independente da faixa etária,
possui incontáveis semelhanças com o mesmo processo para aquisição da
leitura e escrita das Línguas Orais, identificados por Crystal (2006).
Ressaltamos que para a aquisição mais rápida, o ensino da ELS deve ser
feito passo a passo. Primeiro devem ser estudados os grafemas mais utilizados
na Libras, começando dos grafemas base e partindo para os mais elaborados,
como sistematizado neste livro.
Como falamos anteriormente, estudar categorias de grafemas, mesmo
com exemplos, tem demonstrado não colaborar muito com o aprendizado
dos alunos. Eles aprendem grafemas isolados, mas por não terem adquirido
os demais grafemas que precisam para escrever um sinal ou frase, sentem-se
desmotivados, bloqueando sua aprendizagem.
É notável que, por ser uma escrita de Traços Não Arbitrários com grafemas
icônicos, o aprendiz não precisa decorar centenas de grafemas. Basta-lhe
assimilar sua estrutura fundamental. Contudo, escrever uma Língua de Sinais
exige conhecimento desta língua, o que ocorre também com as Línguas Orais.
Todo o trabalho e pesquisas sobre a Escrita de Sinais que têm sido reali-
zadas em nosso país tem, oportunizado aos surdos escreverem sua Primeira
Língua, a Libras. Estudantes desta língua, profissionais e pesquisadores,
surdos e ouvintes, agora podem fazer o registro preciso e direto da Libras, sem
depender de qualquer outra língua ou de engenhosos sistemas de descrição e
glosas. Não importa o tipo de projeto ou nível do texto, a Escrita de Sinais nos
possibilita ler e escrever aquilo que quisermos.
É indescritível ver o brilho nos olhos daqueles que estão descobrindo de
maneira intuitiva ou formal como escrever a Libras pela Escrita de Sinais. Use
a Escrita de Sinais e seja por ela impactado. Multiplique este conhecimento.
Você também pode ensinar a Escrita de Sinais em faculdades, cursos,
oficinas ou até mesmo informalmente para seus amigos. Recomendamos que

301
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302 Escrita de Sinais sem mistérios

utilize a mesma metodologia adotada neste livro. Comece ensinando do


capítulo 05 e vá até o último, em sequência. Adapte os exemplos que considerar
necessário para sua região. Veja outras orientações que podem lhe auxiliar
neste processo e facilitar seu trabalho na apresentação desta obra e no início
do cap. 05.
Você é nosso convidado especial a fazer parte dessa grande comunidade
que está crescendo no Brasil. Você pode fazer história conosco e ter seu nome
lembrado por pessoas que certamente levarão em seus corações e mentes sua
gratidão. Acesse a Área de Membros Exclusiva para você, leitor, e participe
como membro também do nosso Grupo VIP no Facebook “Escrita de Sinais
sem mistérios”180.
Supere seus recordes!

180
 Acesse a Área de Membros Exclusiva para os leitores do livro (nela tem o link de acesso ao
Grupo VIP do Facebook): <http://www.LibrasEscrita.com.br/EscritaDeSinaisSemMisterios>.
302
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APÊNDICE A

Configurações de Mão da Libras

Na Escrita de Sinais as Configurações de Mão estão


organizadas em dez grupos de acordo com os principais dedos
utilizados tendo como base os números de 1 a 10 em ASL.
Por exemplo, todas as Configurações de Mão que têm o dedo
indicador estendido estão no Grupo 01. Veja:
Grupo Símbolo do grupo

1.  Indicador

2.  Indicador e médio

3.  Indicador, médio e polegar

4.  Quatro dedos

5.  Cinco dedos

6.  Dedo mínimo

7.  Dedo anelar

8.  Dedo médio

9.  Indicador e polegar

10.  Polegar
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Apêndice A 305

Identificamos 111 Configurações de Mão da Língua Brasileira de


Sinais181 organizadas de acordo com o ISWA 2010 (SUTTON, 2011). As
CMs 04, 67, 70, 72, 94 e 95 não constam na classificação de Sutton. Assim,
foram escritas conforme as regras estabelecidas para novas configurações de
mão (SUTTON, 2000) e alocadas próximas a CMs parecidas.
As CMs 34, 59, 93 e 108 apresentam alofonia na Libras podendo ser
sinalizadas e escritas de duas formas. Assim foram denominadas 34a/ 34b,
59a/ 59b etc.
Sete Configurações de Mão (03, 29, 63, 65, 70, 91182 e 95) são utilizadas
na Libras para realização de sinais nome de pessoas públicas, membros das
comunidades surdas (ouvintes e surdos) e profissionais a ela relacionados, ou
ainda em sinais de empresas, lugares, cidades ou empréstimos da Língua Por-
tuguesa conforme estudamos no cap. 18.
Nos quadros a seguir as Configurações de Mão estão distribuídas em
grupos. À esquerda do quadro temos o número do grupo, entre parênteses seu
símbolo internacional e à direita a quantidade de CMs do grupo encontradas
na Libras.

Número do grupo
Quantidade de CMs da
Libras no grupo

Símbolo internacional
do grupo

181
 Exclui-se desta contagem as variações alofônicas das CMs 34, 59, 93 e 108.
182
  Conforme Faria-do-Nascimento (2009).
305
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306 Escrita de Sinais sem mistérios

01 02 03 04

05 06 07 08

09

10 11 12 13

306
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Apêndice A 307

14 15

16 17 18 19

20 21 22 23

24 25 26 27

307
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308 Escrita de Sinais sem mistérios

28 29

30 31 32 33

34a 34b

35 36 37 38

308
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Apêndice A 309

39 40 41 42

43 44 45 46

47 48 49 50

51 52 53 54

309
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310 Escrita de Sinais sem mistérios

55 56 57 58

59a 59b 60 61

62 63 64 65

66 67 68 69
310
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Apêndice A 311

70 71 72 73

74 75 76 77

78 79 80 81

82 83

311
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312 Escrita de Sinais sem mistérios

84 85 86 87

88 89 90 91

92 93a 93b 94

95 96 97 98
312
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Apêndice A 313

99 100 101 102

103 104 105 106

107 108a 108b 109

110 111

313
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BARRETO, Madson; BARRETO, Raquel. Libras em Jogo. [ Jogo de cartas
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Disponível em: <sw-l@listserv.valenciacollege.edu> Mensagem recebida em:
09 set. 2014.
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WANDERLEY, Débora C. Aspectos da leitura e escrita de sinais: estudos
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XAVIER, André N. Descrição fonético-fonológica dos sinais da Língua de Sinais


Brasileira (Libras). Dissertação de mestrado em Linguística. São Paulo: USP,
2006.
ZAPPE, Carla Tatiana. Escrita da Língua de Sinais em comunidades do Orkut:
marcador cultural na educação de surdos. Dissertação de mestrado em
Educação. Santa Maria: UFSM, 2010.

330
Transaction: HP00215278672315 e-mail: kersiadourado@gmail.com

apêndice b

Glossário Editorial em Libras

Glossário
Anexos Coleção

Considerações finais,
conclusão/ resumo Gráfica

1ª edição

Apêndice

1º volume Dedicatória Índice remissivo

2ª edição
Introdução
Apresentação
Editora

2º volume

Autor (a) Egíprafe


Agradecimentos

Lista de Figuras

Anexo Capítulo Ficha técnica


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332 Escrita de Sinais sem mistérios

Referências
bibliográficas

Lista de Quadros

Sumário
Página

Trilogia

Prefácio

Qual volume?

Quantos livros
na coleção?
332
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ANEXO A

Relação de todos os trabalhos brasileiros sobre a Escrita


de Sinais (SignWriting) como citados183 por Campos (2012)

1.  ANDRADE, W. T. L. et. al. O uso de marcadores discursivos na Escrita


pelos Surdos como uma possibilidade de Otimização da sua coesão textual.
2.  ANTUNES, D. R. Um modelo de descrição computacional da fonologia da
língua de sinais brasileira.
3.  AVELAR, T. F. A Questão da Padronização Linguística de Sinais nos
Atores-Tradutores Surdos do Curso de Letras - Libras da UFSC: estudo.
4.  BARTH, C. Construção da Leitura/Escrita em Língua de Sinais de Crianças
Surdas em Ambientes Digitais.
5.  BARTH, C. et. al. Ferramentas Digitais: Suporte para Aprendizagem da
Escrita da Língua de Sinais e a Apropriação da Escrita da Língua Portuguesa.
6.  BASSO, I. M. S. Mídia e educação de surdos: transformações reais ou uma
nova utopia?.
7.  BATISTA, A. S. et. al. Abordagens comunicativas e os impasses na construção
da escrita do português por crianças surdas.
8.  BATISTA, L. L. S. et. al. Notação Coreográfica: Aplicação do Sistema
DanceWrite - Shorthand de Valerie Sutton na Notação da Dança do Ventre.
9.  BERTÓ, S. F. F. et. al. Problematizando a Escrita de Sujeitos Surdos na L2
- Língua Portuguesa.
10.  BISOL, C. A. et. al. Blogs de adolescentes surdos: escrita e construção de
sentido.
11.  BISOL, C. A. et. al. Contribuições da Psicologia Brasileira para o Estudo
da Surdez.
12.  BREGA, J. R. F. et. al. Um Sistema Interpretador para Datilologia com
Saída Tridimensional.
13.  CAMARGO, L. S. A. et. al. Uma Estratégia de Avaliação em Repositórios
Digitais.
14.  CAMPOS, M. B. et. al. Ambiente telemático de interação e comunicação
para suporte à educação bilíngue de surdos.
183
 A autora identifica apenas o sobrenome dos autores dos trabalhos, juntamente com os títu-
los dos mesmos, não explicitando os demais dados bibliográficos.
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334 Escrita de Sinais sem mistérios

15.  CAMPOS, M. B. et. al. SignWebEDIT: uma oportunidade para a


criação coletiva de textos escritos em Língua de Sinais.
16.  CAMPOS, M. B. et. al. Tecnologia em Apoio à Educação Bilíngue de
Surdos: Comunicação e Aprendizagem.
17.  CAMPOS, M. B. SIGNHQ: sistema de autoria para criação e leitura de
Histórias em Quadrinhos com suporte à Língua de Sinais.
18.  CAPOVILLA, F. C. et. al. Educação da Criança Surda: O Bilinguismo e
o Desafio da Descontinuidade entre a Língua de Sinais e a Escrita Alfabética.
19.  CAPOVILLA, F. C. Principais achados e implicações do maior programa
do mundo em avaliação do desenvolvimento de competências linguísticas de surdos.
20.  CONEGLIAN, A. L. O. et. al. Análise do Comportamento Informacional
de Pós-graduandos Surdos.
21.  CORDOVA, B. C. Concepções de Intérpretes de Língua de Sinais acerca de
sua atuação em contextos educacionais.
22.  CORRADI, J. A. M. Ambientes informacionais digitais e usuários surdos:
questões de acessibilidade.
23.  CORRADI, J. A. M. et. al. Ambientes Informacionais Digitais Acessíveis
a Minorias Linguísticas Surdas: cidadania e/ou responsabilidade social.
24.  CORREIA, A. T. et. al. Datilologia, tradução ou “oralização sinalizada”?.
25.  COSTA, A. C. R. et. al. Um Convite ao Processamento de Línguas de
Sinais.
26.  DALLAN, M. S. S. et. al. A escrita de libras (SignWriting): um olhar para
o desenvolvimento linguístico do aluno surdo e para a formação do professor
de línguas.
27.  DALLAN, M. S. S. SignWriting: Escrita Visual para Língua de Sinais
- O Processo de Sinalização Escrita.
28.  DANTAS, M. M. Práticas cotidianas de ensino da língua escrita em classe
especial para surdos.
29.  DELPRETTO, B. M. L. et. al. A aplicabilidade social do Signwriting.
30.  DEMOLY, K. et. al. Escrituras de Professores na Convergência de Mídia.
31.  DEMOLY, K. et. al. O escrever no encontro com tecnologias informáticas.
32.  DENARDI, R. M. AGA-Sign: animador de gestos aplicado à língua de
sinais.
33.  FAQUETI, C. G. et. al. InfoLIBRAS–O Uso da Web para o Aprendizado
da Língua de Sinais com Termos da Informática.

334
Transaction: HP00215278672315 e-mail: kersiadourado@gmail.com
Anexo A 335

34.  FARIA, S. P. Metáfora na LSB: debaixo dos panos ou a um palmo


debaixo dos nossos narizes.
35.  FINAU, R. A Aquisição de Escrita por Pessoas Surdas em uma Proposta de
Bilinguismo Diglóssico.
36.  FREITAS, J B. et. al. Um Léxico para as Línguas de Sinais dos Surdos
usando a Notação SignWriting.
37.  FREITAS, J. B. et. al. SWDB: Um Sistema de Dicionários para as
Línguas de Sinais Usadas pelos Surdos.
38.  FREITAS, O. C. R. Efeitos de pistas contextuais em língua de sinais sobre
recordação livre e compreensão de texto narrativo.
39.  GARCIA, D. F. et. al. Um Software de Apoio à Melhoria da Interação de
Crianças com Características Autistas.
40.  GIACOMET, A. Análise de paragrafias do surdo na nomeação de sinais
por escrita livre: teste de nomeação de sinais por escrita de palavras.
41.  GOEBEL, M. et. al. Ferramenta para a Tradução da Sintaxe da Língua
Portuguesa para a Língua Brasileira de Sinais.
42.  GOMES, G. N. C. Uso de fóruns para o estudo da escrita da língua de
sinais.
43.  HAUTRIVE, G. M. F. et. al. A escrita da língua de sinais como meio
natural para a alfabetização de crianças surdas.
44.  JUNIOR, E. B. S. Convergência Digital para Apoio ao Ensino de Libras,
com Ênfase na Web e no Sistema Brasileiro de TV Digital.
45.  JUNIOR, H. A. et. al. Matemática para Pessoas Surdas: Proposições para
o Ensino Médio.
46.  KARNOPP, L. B. Literatura Surda.
47.  LEAL, C. L. Estratégias de Referenciação na Produção Escrita de Alunos
Surdos.
48.  LIMA, T. F. S. A tribo dos surdos no ciberespaço.
49.  LODI, A. C. B. et. al. Gêneros discursivos da esfera acadêmica e práticas de
tradução-interpretação Libras-português: reflexões.
50.  LOUREIRO, C. de B. C. et. al. O Processo de Apropriação da Escrita da
Língua de Sinais e da Escrita da Língua Portuguesa no enfoque da Informática na
Educação de Surdos.
51.  MACHADO, M. B. et. al. Inserção do deficiente auditivo ou surdo no
Ensino Superior da Universidade do Oeste de Santa Catarina- campus de São
Miguel do Oeste.
335
Transaction: HP00215278672315 e-mail: kersiadourado@gmail.com
336 Escrita de Sinais sem mistérios

52.  MACHADO, P. C. Diferença Cultural e Educação Bilíngue: as narrativas


dos professores surdos sobre questões curriculares.
53.  MALLMANN, L. et. al. (Re)pensando o uso de mapas conceituais: um
estudo de caso com libras e signwriting na educação sexual.
54.  MATOS, H. A. V. Algumas considerações sobre o desenvolvimento da
atividade de leitura e a constituição do leitor surdo.
55.  McCLEARY, L. et. al. Descrição das Línguas Sinalizadas: A questão da
Transcrição dos Dados.
56.  MORAES, C. D. Tecido na Língua de Sinais: B-R-A-N-C-A D-E
N-E-V-E E O-S S-E-T-E A-N-Õ-E-S.
57.  MOREIRA, J. R. et. al. Rumo a um sistema de tradução Português-
LIBRAS.
58.  MOURÃO, C. H. N. Literatura surda: produções culturais de surdos
em língua de sinais.
59.  OLIVEIRA, D. L. et. al. Educação a Distância para Pessoas com Deficiência
Auditiva.
60.  OLIVEIRA, T. C. B. C. A escrita do aluno surdo: interface entre a libras e
a língua portuguesa.
61.  PEREIRA, M. C. P. et. al. SignWriting como uma Possibilidade na
Alfabetização de Pessoas Surdas.
62.  PEREIRA, M. C. P. Interpretação Interlíngue: As Especificidades da
Interpretação de Língua de Sinais.
63.  PEREIRA, M. C. P. Reflexões a partir da observação de uma aula de
Língua de Sinais Brasileira como primeira língua.
64.  PEREIRA, M. C. P. Testes de Proficiência Linguística em Língua de
Sinais: as possibilidades para os interpretes de libras.
65.  PERES, S. M. et. al. Concepção de Ambiente Computacional Assistivo para
Apoio ao Ensino: Administrando Necessidades e Restrições.
66.  PIRES, V. O. D. A Fala-Em-Interação em sala de aula de Língua de
Sinais como Segunda Língua.
67.  PIVETTA, E. M. et. al. Tradutores Automáticos da Linguagem Português
Oral e Escrita para uma Linguagem Visual-Espacial da Língua Brasileira de
Sinais.
68.  PIZZIO, A. L. et. al. Língua Brasileira de Sinais VI.

336
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Anexo A 337

69.  PONTES, A. M. et. al. Uma Proposta de Linguagem de Interação voltada


a Usuários Surdos.
70.  PONTIN, B. R. et. al. Língua Escrita: Português/Sinais (SW).
71.  RAMOS, C. R. LIBRAS: A Língua de Sinais dos Surdos Brasileiros.
72.  RANGEL, G. M. M. História do povo surdo em Porto Alegre: imagens e
sinais de uma trajetória cultural.
73.  REILY, L. O papel da Igreja nos primórdios da educação dos surdos.
74.  ROCHA, F. Z. F. Proposta de um Padrão Manuscrito para Reconhecimento
Automático dos Símbolos do Sistema SignWriting (SW).
75.  ROCHA, F. Z. F. Reconhecimento dos Símbolos Manuscritos do Sistema
SignWriting.
76.  ROSA, A. S. et. al. Internet: fator de inclusão da pessoa surda.
77.  ROSSI, D. Sign WebForum: um fórum de discussão que possibilita troca
de mensagens em Libras.
78.  RUSSO, A. Intérprete de língua brasileira de sinais: uma posição
discursiva em construção.
79.  SABANAI, N. L. A criança surda escrevendo na língua portuguesa:
questões de interlíngua.
80.  SANTANA, J. E. R. S. et. al. Dicionário Virtual Bilíngue: Uma Proposta
para o Ensino e Aprendizagem de Lógica de Programação para Surdos.
81.  SANTOS, R. E. S. et. al. PROGLIB: Uma Linguagem de Programação
Baseada na Escrita de LIBRAS.
82.  SCHALLENBERGER, A. Ciberhumor nas comunidades surdas.
83.  SCHNEIDER, A. R. de A. et. al. Sistema de Animação de Humanos
Virtuais Voltada para o Ensino de Libras.
84.  SECCO, R. L. et. al. Proposta de um Ambiente Interativo para
Aprendizagem em LIBRAS Gestual e Escrita.
85.  SILVA, A. M. et. al. Um Estudo sobre o Processo de Tradução de um Texto
em Língua de Sinais Escrita para a Língua Portuguesa: Desafios e Estratégias.
86.  SILVA, F. I. Analisando o processo de leitura de uma possível escrita da
língua brasileira de sinais: Signwriting.
87.  SILVA, G. M. Lendo e Sinalizando Textos: uma análise etnográfica das
práticas de leitura em Português de uma turma de alunos surdos.
88.  SILVA, J. F. C. et. al. O Ensino de Física para Surdos no Brasil: Barreiras,
Perspectivas e Desafios.
337
Transaction: HP00215278672315 e-mail: kersiadourado@gmail.com
338 Escrita de Sinais sem mistérios

89.  SILVA, T. S. A. A Aquisição da Escrita pela Criança Surda desde a Educação


Infantil.
90.  SILVEIRA, C. H. O Currículo de Língua de Sinais na Educação de Surdos.
91.  SILVEIRA, C. H. O ensino de libras em escolas gaúchas para surdos: um
estudo de currículos.
92.  SIOLA, F. B. Desenvolvimento de um Software para Reconhecimento de
Sinais em Libras através de Vídeo.
93.  SOUZA, J. L. F. Inclusão Digital - Estado da arte das ferramentas de
informática para o portador de necessidades educacionais especiais, o surdo.
94.  SOUZA, R. M. Intuições “linguísticas” sobre a língua de sinais, nos séculos
XVIII e XIX, a partir da compreensão de dois escritores surdos da época.
95.  SOUZA, V. C. et. al. Customizando Ambientes na Web para Língua
Brasileira de Sinais Usando WebServices.
96.  SOUZA, V. C. SWService: uma biblioteca para a escrita da Língua
Brasileira de Sinais baseada em Web Services.
97.  SOUZA, V. C. et. al. O Aprimoramento do SignWebMessage como Base
para o Desenvolvimento da SWService: uma Biblioteca para a Escrita da Libras
na Internet Baseada em Web Services.
98.  SOUZA, V. C. et. al. Sign WebMessage: uma ferramenta para
comunicação via web através da Língua Brasileira de Sinais – Libras.
99.  STUMPF, M. R. Aprendizagem de escrita de língua de sinais pelo sistema
SignWriting: línguas de sinais no papel e no computador.
100.  STUMPF, M. R. Construindo espaço para uma escrita de língua de sinais
dentro da educação bilíngue dos surdos.
101.  STUMPF, M. R. Práticas de bilinguismo: relato de experiência.
102.  TAMBASCIA, C. A. et. al. Solução para comunicação e interação com
deficientes auditivos em sala de aula.
103.  TAVARES, J. E. da R. et. al. SensorLibras: Tradução Automática
Libras-Português Através da Computação Ubíqua.
104.  TAVARES, J. E. R.B. et. al. Uma aplicação para o ensino da língua
portuguesa para surdos utilizando o SensorLibras.
105.  THOMA, A. S. et. al. As novas tecnologias como mediadoras nos processos
de in/exclusão dos surdos na escola e na sociedade.
106.  TORCHELSEN, R. P. et. al. Editor para Textos em Língua de Sinais
Escritos em SignWriting: Editor para Textos em Língua de Sinais Escritos em
SignWriting.
338
Transaction: HP00215278672315 e-mail: kersiadourado@gmail.com
Anexo A 339

107.  TORCHELSEN, R. P. et. al. Editor para Textos em Língua de Sinais


Escritos em SignWriting.
108.  TRASEL, A. T. et. al. Inclusão Social e Digital dos Surdos: Iniciativas e
Tecnologias.
109.  ZAPPE, C. T. Escrita da Língua de Sinais em Comunidades do Orkut:
Marcador Cultural na Educação de Surdos.
110.  ZAPPE, C. T. No Contexto Educacional a Educação de Surdos: Uma
Discussão Necessária.
111.  ZAPPE, C. T. SignWriting: Possibilidades de Marcar a Diferença na
Educação de Surdos.

339
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ANEXO B

Envelope e carta de aniversário de Madson Barreto para


Raquel Barreto em 2011184

Fig. 07: Envelope da carta de aniversário para Raquel Barreto

 Observe que na época ainda não tínhamos completo domínio de todos os grafemas da Es-
184

crita de Sinais, mesmo assim, é possível compreender muito bem a mensagem.


Transaction: HP00215278672315 e-mail: kersiadourado@gmail.com
342 Escrita de Sinais sem mistérios

Fig. 08: Carta de aniversário para Raquel Barreto em 2011

342
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ANEXO C

Professores de surdos do centro de apoio pedagógico de


Ipiaú e a alfabetização em SignWriting185

Madson Barros Barreto


madson@librasescrita.com.br
www.librasescrita.com.br
Co-fundador e Professor na Libras Escrita
Jorgina de Cássia Tannus Souza
jc_tannus@hotmail.com
Coordenadora da área de surdez no Centro de Apoio
Pedagógico de Ipiaú (CAPI)
Maria Luiza Campos Borges Nascimento
mluizacbn@hotmail.com
Professora no Centro de Apoio Pedagógico de Ipiaú (CAPI)
Tatiana Almeida Gavião Coelho
tatigaviao@bol.com.br
Professora no Centro de Apoio Pedagógico de Ipiaú (CAPI)

Dentre tantos outros sistemas criados para a notação ou escrita das línguas
de sinais, o que mais tem ganhado notoriedade em todo o mundo é o sistema
SignWriting criado por Valerie Sutton, norte-americana, em 1974. Segundo
Buttler (2012) atualmente é utilizado em mais de 40 países em todo o
mundo. Chegou ao Brasil em 1996 com o trabalho de Costa, Stumpf e Borba
(BARRETO & BARRETO, 2012), e desde então tem se expandido cada vez
mais. O SignWriting é um sistema de escrita visual direta de sinais capaz de
fazer o registro escrito e possibilitar a leitura precisa desde um sinal isolado ou
anotação diária até um livro completo (CAPOVILLA, et al., 2006; SUTTON,
2009; BARRETO & BARRETO, 2012). Assim, desde o ano 2010, no Centro
de Apoio Pedagógico de Ipiaú (CAPI), localizado no estado da Bahia (Brasil),

185
 Apresentado e publicado (em Inglês e Português Brasileiro) originalmente no SignWri-
ting Symposium. [Evento on-line]. La Jolla: Deaf Action Committee for SignWriting, 2014.
Disponível em: <http://www.SignWriting.org/symposium/presentation0017.html> Acesso
em 01 ago. 2014.
Transaction: HP00215278672315 e-mail: kersiadourado@gmail.com
344 Escrita de Sinais sem mistérios

as professoras da área de surdez tem pesquisado e estudado a leitura e escrita de


sinais através deste sistema utilizando como referência os trabalhos de Sutton
(S/D), Capovilla et al. (2001) e Torchelsen & Costa (2002), dentre outros. A
partir de 2012, com a publicação do livro “Escrita de Sinais sem mistérios”
(Barreto & Barreto), esta obra foi adotada como referência. Ao todo, mais de
40 alunos com idades entre 07 e 35 anos tiveram acesso direto ao SignWriting
e 20 o estudaram formalmente com as professoras Nascimento & Coelho.
O objetivo do CAPI ao alfabetizar os alunos surdos pelo SignWriting é de
investigar a aceitação e funcionalidade desse sistema de escrita por pessoas
surdas, refletir e fortalecer a identidade, comunidade e cultura, como também
desenvolver a competência comunicativa nas diversas situações em que essa
pessoa estiver envolvida, seja utilizando a Libras sinalizada ou a escrita e leitura
de sinais. No ano seguinte, três professoras do CAPI mais a coordenadora
da área da surdez ingressaram no curso Escrita de Sinais 2.0 (BARRETO,
2013), da editora Libras Escrita, um curso de modalidade Ensino à Distância
totalmente via Internet mediado por tecnologias da informação. Desde então,
tem sido aperfeiçoado o trabalho desenvolvido pelo CAPI na alfabetização
dos alunos surdos pelo SignWriting. O trabalho em sala de aula com os alunos
consiste em aulas expositivas utilizando como recursos visuais, slides, quadro
branco, livros com textos em Escrita de Sinais, Dicionários, Libras em Jogo
(BARRETO & BARRETO, 2013) – jogo de cartas com 111 Configurações
de Mãos da Libras –, jogos com exemplos em SW. As atividades práticas
são treino da escrita, associação grafema-fonema, escrita espontânea de sinais,
ditado de sinais, completar sinais com o tópico estudado no momento. Isto
permite que os alunos construam o aprendizado de forma lúdica e interativa.
Os resultados alcançados com este projeto indicam que os alunos surdos,
mesmo os que estão em idade adulta que estão no nível básico de proficiência
linguística, se identificam com a escrita de sinais pelo sistema SignWriting,
têm prazer ao realizar atividades de leitura e escrita associando corretamente
grafema-fonema e comparando com sinais que já conhecem. Isto está de
acordo com Stumpf (2005), Capovilla et al.(2006), Silva (2009), Nobre (2011)
e Barreto & Barreto (2012, p. 49) que diz: “A Escrita das Línguas de sinais
[...] contribui com o desenvolvimento cognitivo dos surdos, estimulando sua
criatividade, organizando seu pensamento e facilitando sua aprendizagem”.

Palavras chave: educação de surdos; SignWriting; ensino-aprendizado.

344
Transaction: HP00215278672315 e-mail: kersiadourado@gmail.com
Anexo C 345

Referências

BARRETO, Madson. Curso Escrita de Sinais 2.0. Belo Horizonte: Libras


Escrita, 2013.
BARRETO, Madson; BARRETO, Raquel. Escrita de Sinais sem mistérios.
Belo Horizonte: edição do autor, 2012.
BARRETO, Madson; BARRETO, Raquel. Libras em Jogo. Jogo de cartas. 2ª
ed. Belo Horizonte: Libras Escrita, 2013.
BUTLER, Charles. Re: Who we are?/ How many? Disponível em: <sw-l@
listserv.valenciacollege.edu> Mensagem recebida em: 08 fev. 2012.
CAPOVILLA, Fernando C.; et al. A escrita visual direta de sinais SignWriting
e seu lugar na educação da criança Surda, 2006. In: CAPOVILLA, F. C.;
RAPHAEL, W. D. Dicionário enciclopédico ilustrado trilíngue da língua de
sinais brasileira. Vol. II: Sinais de M a Z. 3ed. São Paulo: Edusp, 2006, pp.
1491-1496.
CAPOVILLA, Fernando C.; RAPHAEL, Walkiria. D; LUZ, R. D. Dicionário
enciclopédico ilustrado trilíngüe da Língua de Sinais Brasileira. São Paulo: Edusp,
2001.
NOBRE, Rundesth S. Processo de grafia da língua de sinais: uma análise fono-
morfológica da escrita em SignWriting. Dissertação de Mestrado em Linguística
Aplicada. Florianópolis: UFSC, 2011.
SILVA, Fábio Irineu da. Analisando o processo de leitura de uma possível escrita da
língua brasileira de sinais: SignWriting. Dissertação de Mestrado em Educação.
Florianópolis: UFSC, 2009.
STUMPF, Marianne R. Aprendizagem de Escrita de Língua de Sinais pelo
sistema SignWriting: línguas de sinais no papel e no computador. Tese de
Doutorado em Informática na Educação. Porto Alegre: UFRGS, 2005.
SUTTON, Valerie. Lições sobre o SignWriting: um sistema de escrita para
língua de sinais. Tradução e adaptação: STUMPF, Marianne R.; COSTA,
Antônio C. da Rocha. S/D. Disponível em <http://rocha.c3.furg.br/arquivos/
download/licoes-sw.pdf>. Acesso em: 30 jan. 2009.
SUTTON, Valerie. SignWriting - sign languages are written languages! Part 1:
SignWriting basics. La Jolla, CA: Center for Sutton Movement Writing, Inc.
2009.
TORCHELSEN, Rafael P.; COSTA, Antônio Carlos da R. SW Edit. Projeto
SignNet. Pelotas: Universidade Católica de Pelotas, 2002.
345
Transaction: HP00215278672315 e-mail: kersiadourado@gmail.com
Transaction: HP00215278672315 e-mail: kersiadourado@gmail.com

ANEXO d

A perspectiva dos surdos sobre o SignWriting na cidade de


Ipiaú/ BA186

Madson Barros Barreto


madson@librasescrita.com.br
www.librasescrita.com.br
Co-fundador e Professor na Libras Escrita
Jorgina de Cássia Tannus Souza
jc_tannus@hotmail.com
Coordenadora da área de surdez no Centro de Apoio
Pedagógico de Ipiaú (CAPI)
Maria Luiza Campos Borges Nascimento
mluizacbn@hotmail.com
Professora no Centro de Apoio Pedagógico de Ipiaú (CAPI)
Tatiana Almeida Gavião Coelho
tatigaviao@bol.com.br
Professora no Centro de Apoio Pedagógico de Ipiaú (CAPI)

Um dos maiores desafios na educação de surdos é possibilitar aos alunos


maior autonomia em seus estudos. Identificando este desafio e propondo
uma efetiva educação bilíngue, desde 2012 o Centro de Apoio Pedagógico de
Ipiaú (CAPI) localizado no estado da Bahia (Brasil) trabalha a alfabetização
dos alunos surdos através do sistema SignWriting. Este é um sistema de
escrita específico para as línguas de sinais, capaz de escrever sinais, frases e
textos completos em qualquer língua de sinais do mundo (BARRETO &
BARRETO, 2012). Criado em 1974, este sistema chegou ao Brasil em 1996
e muitas pesquisas e trabalhos foram desenvolvidos tais como Stumpf (2005),
Capovilla et al. (2006), Silva (2009), Nobre (2011) e Barreto & Barreto (2012).
O trabalho do CAPI consiste no apoio pedagógico para alunos com surdez

186
 Apresentado e publicado (em Inglês e Português Brasileiro) originalmente no SignWriting
Symposium. [Evento on-line]. La Jolla: Deaf Action Committee for SignWriting, 2014. Dispo-
-nível em: <http://www.SignWriting.org/symposium/presentation0018.html> Acesso em 01
ago. 2014.
Transaction: HP00215278672315 e-mail: kersiadourado@gmail.com
348 Escrita de Sinais sem mistérios

ou outras deficiências inclusos na rede regular de ensino. Na área da surdez,


a especificidade é a Língua Brasileira de Sinais (Libras) reconhecida pela Lei
nº 10.436/2002 que determina que o ensino deve ser feito diretamente nesta
língua ou por intermédio de um Tradutor Intérprete, conforme o Decreto
Lei 5.626/2005. No CAPI, o ensino é promovido por professores bilíngues
(Português/ Libras). O objetivo desta instituição ao implantar a alfabetização
pelo sistema SignWriting é investigar a aceitação e funcionalidade desse
sistema de escrita por pessoas surdas, refletindo e fortalecendo a identidade,
comunidade e cultura, assim como desenvolver a competência comunicativa
nas diversas situações em que essa pessoa estiver envolvida, seja utilizando a
Libras sinalizada ou a escrita e leitura de sinais. Assim, desde o início deste
projeto, já foram atendidos mais de 40 alunos surdos com idades entre 07 e 35
anos. O trabalho tem como referência Barreto & Barreto (2012) e Capovilla,
Raphael & Luz (2001), dentre outros. Os resultados alcançados pelo projeto
até o momento indicam que o aluno surdo identifica-se com a escrita de sinais
pelo sistema SignWriting. Ao se deparar com textos ou sinais escritos sempre
faz tentativas de leitura e compreensão, mesmo os alunos em idade adulta
que estão no nível básico de proficiência linguística demonstram facilidade
em compreender o sistema SignWriting associando corretamente grafema-
fonema. Todos demonstram prazer ao realizar as atividades e apresentam
interesse em identificar o sinal escrito comparando com os sinais que já
conhecem. Isto contribui com a educação dos alunos surdos porque reforça o
valor da identidade surda, amplia a capacidade cognitiva e a organização do
pensamento. Para fins deste artigo foram entrevistados 10 alunos surdos do
CAPI estudantes do SignWriting. Na visão deles, esta é uma oportunidade
ímpar em suas vidas, pois a língua de sinais não pode ser só sinalizada,
precisa ser escrita para que os surdos também possam registrar suas opiniões,
ideias, emoções e intenções interativas usando a própria língua e fazer uma
leitura mais fácil de ser compreendida pelas comunidades surdas e demais
pessoas interessadas. Aprender a escrita de sinais pelo sistema SignWriting
é relevante para o desenvolvimento intelectual do surdo. O relato dos alunos
indica que o surdo aceita facilmente a escrita de sua Primeira Língua por um
sistema que registra fielmente a tridimensionalidade da Libras e por facilitar
a compreensão dos sinais escritos e, por ser assim, o aprendizado acontece de
forma tão natural quanto a aquisição da língua.

Palavras chave: educação de surdos; SignWriting; ensino-aprendizado.


348
Transaction: HP00215278672315 e-mail: kersiadourado@gmail.com
Anexo D 349

Referências

BARRETO, Madson; BARRETO, Raquel. Escrita de Sinais sem mistérios.


Belo Horizonte: edição do autor, 2012.
BRASIL. Decreto nº 10.436, de 24 de abril de 2002.
BRASIL. Decreto nº 5.626, de 22 de dezembro de 2005.
CAPOVILLA, Fernando C.; et al. A escrita visual direta de sinais SignWriting
e seu lugar na educação da criança Surda, 2006. In: CAPOVILLA, F. C.;
RAPHAEL, W. D. Dicionário enciclopédico ilustrado trilíngue da língua de
sinais brasileira. Vol. II: Sinais de M a Z. 3ed. São Paulo: Edusp, 2006, pp.
1491-1496.
CAPOVILLA, Fernando C.; RAPHAEL, Walkiria D.; LUZ, R. D. Dicio-
nário enciclopédico ilustrado trilíngüe da Língua de Sinais Brasileira. São Paulo:
Edusp, 2001.
NOBRE, Rundesth S. Processo de grafia da língua de sinais: uma análise fono-
morfológica da escrita em SignWriting. Dissertação de Mestrado em Linguística
Aplicada. Florianópolis: UFSC, 2011.
SILVA, Fábio Irineu da. Analisando o processo de leitura de uma possível escrita da
língua brasileira de sinais: SignWriting. Dissertação de Mestrado em Educação.
Florianópolis: UFSC, 2009.
STUMPF, Marianne R. Aprendizagem de Escrita de Língua de Sinais pelo
sistema SignWriting: línguas de sinais no papel e no computador. Tese de
Doutorado em Informática na Educação. Porto Alegre: UFRGS, 2005.

349
Transaction: HP00215278672315 e-mail: kersiadourado@gmail.com
Transaction: HP00215278672315 e-mail: kersiadourado@gmail.com

ANEXO e

O SignWriting na educação brasileira de surdos: de 1996


até hoje187

Marianne Rossi Stumpf, Dra.


stumpfmarianne@gmail.com
Professora adjunta na UFSC
Madson Barros Barreto
madson@librasescrita.com.br
www.librasescrita.com.br
Co-fundador e Professor na Libras Escrita

Nas últimas décadas o SignWriting, sistema de escrita para as línguas de


sinais criado em 1974, se expandiu por todo o mundo através de inúmeras
pesquisas, publicações e softwares. Seu uso tem crescido cada vez mais no
mundo e também no Brasil. Neste país, tudo começou em 1996 com o trabalho
de Costa, Stumpf e Borba através do Projeto SignNet que contou com finan-
ciamentos do CNPq/ ProTeM, importante centro de fomento à pesquisa no
Brasil. Foram desenvolvidas parcerias diversas instituições tais como univer-
sidades e escolas para surdos (QUADROS, 2004; BARRETO & BARRETO,
2012). O projeto resultou também na criação de um programa computacional,
o SW-Edit (TORCHELSEN; COSTA, 2002), para edição de sinais e textos
em língua de sinais com base no SignWriting. Este foi o primeiro software do
mundo, nesta categoria, a usar uma interface e possibilitar ao usuário
construir os sinais e textos por meio do mouse, não pelo teclado. Em 2001
(CAPOVILLA, RAPHAEL & LUZ), foi publicada a primeira edição do
Dicionário Enciclopédico Ilustrado Trilíngue (Português, Libras e Inglês)
também fazendo uso desta escrita e ensinando alguns tópicos. Stumpf (2005)
desenvolveu pesquisas no Brasil e na França em escolas de surdos aplicando o
ensino do SignWriting. Os resultados demonstram que os sujeitos surdos têm
muita facilidade em seu aprendizado e uso, e que isto lhes permite ampliar a

187
 Apresentado e publicado (em Inglês e Português Brasileiro) originalmente no SignWriting
Symposium. [Evento on-line]. La Jolla: Deaf Action Committee for SignWriting, 2014. Dis-
ponível em: <http://www.SignWriting.org/symposium/presentation0024.html> Acesso em 01
ago. 2014.
Transaction: HP00215278672315 e-mail: kersiadourado@gmail.com
352 Escrita de Sinais sem mistérios

percepção da língua de sinais de seus países. Assim, desde 2006, a disciplina


de SignWriting (chamado no Brasil de “Escrita de Sinais”) compõe com 180h
a grade curricular do curso de “Letras/ Libras” da UFSC. As duas primeiras
edições deste curso (2006 e 2010) foram de Educação à Distância, propiciou a
mais de 1200 alunos surdos e ouvintes – de 17 do total de 26 estados Brasileiros
mais o Distrito Federal – o conhecimento básico desta escrita. Alguns progra-
mas brasileiros de pós graduação nas áreas de informática, linguística, educação
e estudos de tradução adotaram as pesquisas sobre SignWriting a partir de
1996 e até este momento continua aumentando o número de pessoas que se
interessam em investigar esta área. Foram publicadas também obras literárias
em SignWriting (STROBEL, 1997; STUMPF, 2003; HESSEL, ROSA &
KARNOPP, 2003; RIBEIRO, 2006; MONTEIRO, 2012; etc.). Em 2011
surgiu a editora Libras Escrita, que dentre outras publicações, editou o livro
“Escrita de Sinais sem mistérios” (BARRETO & BARRETO, 2012), primeira
publicação brasileira específica sobre o SignWriting. Nesta obra, o ensino é
feito passo a passo com muitos exemplos de sinais e textos escritos em Libras.
No ano seguinte, lançou ainda o Escrita de Sinais 2.0, um curso de Educação à
Distância com 70h/aula para o ensino passo a passo do SignWriting a ouvintes
nesta primeira fase (o curso para surdos está em fase de estruturação). Todo o
trabalho que já tem sido feito no Brasil por professores, tradutores intérpretes
de Libras, pesquisadores, universidades e escolas espalhadas por todo o país
somado ao trabalho da Libras Escrita através de seu site, blog, fanpage no
Facebook, publicações e cursos tem contribuído para que esta escrita avance
ainda mais no Brasil. A partir de 2014 (THOMA et al.), o novo documento
de Educação Bilíngue dos Surdos do Ministério de Educação e Cultura diz
que as crianças surdas devem adquirir aprendizagem pela escrita de sinais
no Brasil. Estas progressões trazem inúmeras implicações e avanços para a
educação de surdos conforme apontado por Stumpf (2005), Capovilla et al.
(2006), Silva (2009), Nobre (2011), Barreto & Barreto (2012) e permite que
os sujeitos surdos, estudantes ou não, tenham a possibilidade de escrever sua
Primeira Língua: a Libras.

Palavras chave: educação de surdos, Brasil, Língua Brasileira de Sinais,


SignWriting.

352
Transaction: HP00215278672315 e-mail: kersiadourado@gmail.com
Anexo E 353

Referências

BARRETO, Madson. Curso Escrita de Sinais 2.0. Belo Horizonte: Libras


Escrita, 2013.
BARRETO, Madson; BARRETO, Raquel. Escrita de Sinais sem mistérios.
Belo Horizonte: edição do autor, 2012.
CAPOVILLA, Fernando C.; RAPHAEL, Walkiria. D; LUZ, R. D. Dicionário
enciclopédico ilustrado trilíngüe da Língua de Sinais Brasileira. São Paulo: Edusp,
2001.
HESSEL; Carolina; ROSA, Fabiano; KARNOPP, Lodenir. Cinderela Surda.
Canoas: Ed. ULBRA, 2003.
MONTEIRO, Tatyana S. Negrinho e Solimões. Tradução escrita para a Libras:
Madson Barreto & Raquel Barreto. Manaus: IFAM, 2012.
NOBRE, Rundesth S. Processo de grafia da língua de sinais: uma análise
fono-morfológica da escrita em SignWriting. Dissertação de Mestrado em
Linguística Aplicada. Florianópolis: UFSC, 2011.
QUADROS, Ronice M. Um capítulo na história do SignWriting. 2004.
Disponível em: <http://www.SignWriting.org/library/history/> Acesso em:
30 jun. 2011.
RIBEIRO, Sérgio. O menino, o pastor e o lobo. Taboão da Serra: Casa da
Cultura Surda, 2006.
SILVA, Fábio Irineu da. Analisando o processo de leitura de uma possível escrita da
língua brasileira de sinais: SignWriting. Dissertação de Mestrado em Educação.
Florianópolis: UFSC, 2009.
STROBEL, Karin L. Uma menina chamada Kauana. Tradução para a Libras:
STUMPF, Marianne R.; COSTA, Antônio C. da Rocha. Rio de Janeiro:
FENEIS, 1997.
STUMPF, Marianne R. Aprendizagem de Escrita de Língua de Sinais pelo
sistema SignWriting: línguas de sinais no papel e no computador. Tese de
doutorado. Porto Alegre: UFRGS, 2005.
STUMPF, Marianne Rossi. Cachos Dourados. Manuscrito. Porto Alegre:
Especial Concórdia, 2003.
THOMA, Adriana da Silva; et al. Relatório sobre a Política Linguística de
Educação Bilíngue – Língua Brasileira de Sinais e Língua Portuguesa. Grupo de
Trabalho designado pelas Portarias nº 1.060/2013 e nº 91/2013 do MEC/

353
Transaction: HP00215278672315 e-mail: kersiadourado@gmail.com
354 Escrita de Sinais sem mistérios

SECADI. Brasília: MEC/SECADI, 2014. Disponível em: <http://www.


bibliotecadigital.unicamp.br/document/?code=56513> Acesso em 07 mar.
2014.
TORCHELSEN, Rafael P.; COSTA, Antônio Carlos da R. SW Edit. Projeto
SignNet. Pelotas: Universidade Católica de Pelotas, 2002.

354
Transaction: HP00215278672315 e-mail: kersiadourado@gmail.com

ANEXO f

Ensinando e aprendendo o SignWriting em um curso on-


line: as experiências do professor e dos alunos188

Madson Barros Barreto


madson@librasescrita.com.br
www.librasescrita.com.br
Co-fundador e Professor na Libras Escrita
Silvana Langhi Pellin Pereira
vanapellin@hotmail.com
Eva dos Reis Araújo Barbosa
evalibras@gmail.com
Bolsista de Iniciação Científica na Faculdade de Letras da UFMG

Com o intuito de difundir o SignWriting (doravante denominado por “SW”)


no Brasil, sistema através do qual é possível escrever e ler qualquer língua
de sinais do mundo, desde sinais isolados até livros completos (BARRETO
& BARRETO, 2012), em 2011 foi fundada a editora Libras Escrita, que
publicou a primeira obra brasileira específica sobre este sistema, o livro
“Escrita de Sinais sem mistérios” (BARRETO & BARRETO, 2012), cujos
autores criaram e ministraram oficinas e cursos presenciais no estado de Minas
Gerais, neste mesmo ano. No ano seguinte, Madson Barreto lançou o curso
Escrita de Sinais 2.0, na modalidade de Educação a Distância (BRASIL,
2005). O curso de 70h/aula, é organizado em cinco módulos e, nesta primeira
fase, é oferecido somente para ouvintes, no entanto, a versão para surdos já
está sendo estruturada. Ainda em andamento, o Escrita de Sinais 2.0 atende a
mais de 50 alunos oriundos de 16 dos 26 estados brasileiros mais uma aluna de
Portugal promovendo, de acordo com Conforto (2010), a quebra de barreira
do tempo e do espaço. Barreto (2013), criador e professor do curso, busca
mediar o aprendizado com didática e metodologia que propiciem um nível de

188
 Apresentado e publicado (em Inglês e Português Brasileiro) originalmente no SignWriting
Symposium. [Evento on-line]. La Jolla: Deaf Action Committee for SignWriting, 2014. Dis-
ponível em: <http://www.SignWriting.org/symposium/presentation0026.html> Acesso em 01
ago. 2014.
Transaction: HP00215278672315 e-mail: kersiadourado@gmail.com
356 Escrita de Sinais sem mistérios

interação professor/aluno o mais semelhante possível ao de uma sala de aula


presencial. Através de aulas em vídeo, ensina passo a passo o SW, com mais
de 800 exemplos da Língua Brasileira de Sinais (Libras), sempre associando
esta escrita e sua ortografia a tópicos da linguística da língua de sinais,
tais como: a fonética, a fonologia, a morfologia, a sintaxe, a semântica e a
pragmática (QUADROS & KARNOPP, 2004). À medida em que o curso
avança, os alunos realizam atividades práticas que envolvem diferentes habili-
dades como, por exemplo: atenção ao realizar cópias, transcrição ou escrita (com
ênfase nesta); leitura de sinais e textos; tradução para a Libras ou para a língua
portuguesa; análise textual e produção de textos em SW. Essas atividades são
realizadas em vídeo ou escritas em papel e fotografadas. Após enviadas, são
corrigidas individualmente pelo professor utilizando uma Mesa Digitalizadora
e o aluno recebe feedback via e-mail ou áudio gravado. As atividades não são
avaliativas e os alunos têm a oportunidade de fazer as correções necessárias.
O curso conta ainda com um módulo Bônus para o ensino da escrita do SW
no computador usando o SignPuddle 2.0 (SLEVINSKI, 2012), diversas aulas
e entrevistas com profissionais e pesquisadores da área de Libras, sobre o SW,
tópicos da linguística da Libras e temas afins. Assim, com palavras motivadoras e
reconhecendo os avanços do aluno (DRIDEN & VOS, 1999), o aprendizado vai
sendo construído ao longo do curso. Como apontado por duas alunas cursistas.
Silvana Pereira & Eva dos Reis já conheciam o SW antes de iniciarem o curso.
Ambas tiveram o primeiro contato através da obra de Capovilla, Raphael &
Luz (2001) e de Barreto & Barreto (2012). Pereira chegou a estudar esta
escrita na graduação do curso de Letras/ Libras da UFSC. Reis participou de
uma oficina ministrada pela Libras Escrita. Ambas ainda não tinham domínio
do SW, porém através do curso tiveram suas dúvidas esclarecidas e a ânsia
por aprender cresceu ainda mais. As alunas apontam que: (1) a metodologia e
didática de ensino do curso facilitam o aprendizado do SW; (2) as atividades
propostas são prazerosas e atendem aos objetivos do curso; (3) o SW amplia
a visão em relação à Libras, facilita a memorização de sinais e proporciona
melhor entendimento dos parâmetros fonético-fonológicos constituintes
dos sinais auxiliando o aprendizado e aprofundamento dos estudos desta
língua; (4) o SW é capaz de representar graficamente os sinais da Libras
com eficácia; (5) a plataforma virtual do curso é clara, objetiva e organizada,
possui vídeos explicativos e tutoriais que guiam os estudos dos alunos, além
de apresentar outros materiais para aprofundar o aprendizado; (6) a interação
entre professor/alunos e entre alunos/alunos também em um Grupo Secreto
na rede social (Facebook) possibilita discussões, o esclarecimento de dúvidas

356
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Anexo F 357

e o compartilhamento de conhecimentos. Segundo Conforto (2010, p. 70),


“as Tecnologias de Informação e de Comunicação (TIC) têm modelado, por
meio das plataformas de Educação a Distância, espaços para a escuta e para a
conquista da palavra”. Isso nos remete a um novo paradigma do ato de ensinar e
do ato de aprender, pois ambos se constituem juntamente com o avanço dessas
tecnologias e surgem, então, novas possibilidades de mediação aluno/professor.
É nesta perspectiva que o curso Escrita de Sinais 2.0 promove a interação entre
os sujeitos, os quais (re)constroem seus conhecimentos, na prática individual e
por meio do trabalho colaborativo em rede social.

Palavras chave: SignWriting, Língua Brasileira de Sinais, Educação à Distância.

Referências

BARRETO, Madson. Curso Escrita de Sinais 2.0. Belo Horizonte: Libras


Escrita, 2013.
BARRETO, Madson; BARRETO, Raquel. Escrita de Sinais sem mistérios.
Belo Horizonte: edição do autor, 2012.
BRASIL. Decreto 5.622 de 10 de dezembro de 2005. Regulamenta o artigo 80
da lei 9.394 de 20 de dezembro 1996, que estabelece as diretrizes e bases da
educação nacional. Disponível em <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_
ato2004-2006/2005/Decreto/D5622.htm>. Acesso em 30/04/2014.
CAPOVILLA, Fernando C.; RAPHAEL, Walkiria. D; LUZ, R. D. Dicionário
enciclopédico ilustrado trilíngüe da Língua de Sinais Brasileira. São Paulo: Edusp,
2001.
CONFORTO, Débora. Tecnologias digitais acessíveis. In: SANTAROSA,
Lucila Maria Costi (org.) Porto Alegre: JMS Comunicação Ltda, 2010.
DRYDEN, Gordon; VOS, Jeannette. The learning revolution. 2nd edition.
USA: Jalmar Pr, 1999.
QUADROS, Ronice M.; KARNOPP, Lodenir B. Língua de sinais brasileira:
estudos linguísticos. Porto Alegre: Artmed, 2004.
SLEVINSKI JUNIOR, Stephen. SignPuddle 2.0. La Jolla: Center for Sutton
Movement Writing, 2012. Disponível em: <http://www.signpuddle.org>.
Acesso em: 10 jun. 2012.
357
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ANEXO G

A mágica por trás das câmeras: ensinando o SignWriting


em um curso on-line189

Madson Barros Barreto


madson@librasescrita.com.br
www.librasescrita.com.br
Co-fundador e Professor na Libras Escrita
Gilberto Lima Goulart
gilbertolimag@gmail.com
Operador de Câmera e Editor de Vídeo na Libras Escrita

O SignWriting é um sistema para a escrita das línguas de sinais. Criado


em 1974, já é utilizado em mais de 40 países ao redor do mundo (BUTLER,
2012). Em 1996 com o trabalho de Costa, Stumpf & Borba o SignWriting
(também conhecido no Brasil por ‘Escrita de Sinais’) chega ao Brasil demons-
trando que a Língua Brasileira de Sinais (Libras) não é ágrafa, mas também
possui uma modalidade escrita. Logo, muitos artigos e pesquisas foram publica-
das em ou sobre a Escrita de Sinais e a sua funcionalidade. Em 2013 a editora
brasileira Libras Escrita lança o “Escrita de Sinais 2.0” (BARRETO, 2013), um
curso on-line de Educação à Distância de 70 horas. O curso ensina o sistema
SignWriting passo a passo com mais de 800 sinais em Libras de exemplo.
Atualmente, o curso atende mais de 50 alunos de 16 dos 26 estados brasileiros
e 1 estudante de Portugal. Esse curso possui um Website com acesso apenas para
alunos onde todas as aulas estão organizadas em 5 módulos. Temos tipos dife-
rentes de aulas. A maioria delas é gravada em vídeo num estúdio equipado
com um quadro branco fixado na parede. Cada aula tem de 10 a 25 minutos.
O professor sempre prepara previamente os tópicos, exemplos e metodologia
antes de cada aula. A gravação é feita utilizando duas câmeras, uma para
gravações frontais e outra para gravações laterais de 45° (usada para capturar
detalhes da escrita de sinais no quadro branco). Todas as gravações são em HD

189
 Apresentado e publicado (em Inglês e Português Brasileiro) originalmente no SignWriting
Symposium. [Evento on-line]. La Jolla: Deaf Action Committee for SignWriting, 2014. Dis-
ponível em: <http://www.SignWriting.org/symposium/presentation0027.html> Acesso em 01
ago. 2014.
Transaction: HP00215278672315 e-mail: kersiadourado@gmail.com
360 Escrita de Sinais sem mistérios

para possibilitar a edição do vídeo. Quatro lâmpadas florescentes são usadas,


duas para o quadro branco e duas para cada lado do professor. O professor
usa marcadores para o quadro branco em três cores (preto, azul e vermelho)
para exemplos e dicas. Durante a gravação, é usado um microfone de lapela
conectado a um Handy Recorder Zoom® para uma melhor captura da voz.
Às vezes o vídeo de uma aula não é um longo e único vídeo, mas vídeos
curtos de 2 a 5 minutos e vários vídeos não são usados. Em uma folha de
papel o operador de câmera toma notas a respeito dos vídeos, do número das
aulas e anotações relacionadas à edição. Este procedimento é uma parte muito
importante do trabalho. Como muitos vídeos são gravados em um dia, saber
pelas notações os tempos em que ocorreram erros e a aula correspondente para
cada vídeo e arquivo de áudio pode fazer o processo de edição muito mais fácil
e rápido. Então, mais tarde, o editor de vídeo escolhe os vídeos corretos e as
gravações de voz correspondentes para a edição de vídeo no Adobe Premiere®.
O processo de edição em si tem várias particularidades e técnicas. Dentre os
quais: a organização e renomeação de arquivos de forma simples e correta irá
poupar muito tempo no futuro. Outro software utilizado com bastante
frequência é o Adobe Audition®, pois na maioria das vezes é necessário algum
tipo de correção no áudio. Embora a maioria das aulas sejam em português,
nesta fase em que o curso é apenas para ouvintes, ocorrem sinalizações com
exemplos em Libras. No contexto específico de filmar algo que está sendo
sinalizado, há muitas preocupações que devem ser observadas pelo operador de
câmera. Testar o espaço de sinalização antes de começar o trabalho é muito
importante. O professor sabe o tamanho e os detalhes que precisam ser
vistos em uma lição, por isso ele deve informar o operador do espaço que ele
realmente precisa. Se o zoom da câmera estiver muito longe do objeto pode
causar uma perda enorme de detalhes, e o zoom fechado pode resultar no
corte do quadro da câmera e então perder uma parte significativa do sinal.
Checar duas vezes o foco da câmera também evitará o trabalho de refazer dias
e dias de trabalho. Às vezes um pequeno erro pode não ser visto no pequeno
visor da câmera, e isto é descoberto somente no final do dia, quando vemos o
arquivo na tela do computador. Está é uma parte técnica. Mas a real mágica
por trás das câmeras é a metodologia passo a passo do curso (BARRETO &
BARRETO, 2012; BARRETO, 2013) associada aos tópicos da linguística
da Libras (FERREIRA-BRITO, 1995; QUADROS & KARNOPP, 2004)
somada aos vários exemplos da Libras, às dicas usando técnicas de ensino e
aprendizado das neurociências cognitivas (DRIDEN & VOS, 1999; ALVES,
2005; KELLEY, 2008; KELLEY & WHATSON, 2013), a metodologia dos

360
Transaction: HP00215278672315 e-mail: kersiadourado@gmail.com
Anexo G 361

exercícios para cópia, leitura, escrita, transcrição, tradução e análise da leitura


e escrita de sinais, frases e textos em Libras além do feedback individual do
professor para cada aluno e claro: a interatividade no Grupo Secreto na rede
social do Facebook, onde os estudantes podem perguntar e ter respondidas
suas dúvidas, interagir e construir juntos o aprendizado. Se não fosse pela
metodologia, de nada iria adiantar toda a técnica e tecnologia.

Palavras chave: SignWriting, Língua Brasileira de Sinais, Educação à Distância,


filmagem e edição, ensino aprendizagem.

Referências

ALVES, Renato. Curso avançado para expansão da criatividade, memória e


concentração. Tupã: Editora Humano, 2005.
BARRETO, Madson. Curso Escrita de Sinais 2.0. Belo Horizonte: Libras
Escrita, 2013.
BARRETO, Madson; BARRETO, Raquel. Escrita de Sinais sem mistérios.
Belo Horizonte: edição do autor. 2012.
BUTLER, Charles. Re: Who we are?/ How many? Disponível em: <sw-l@
listserv.valenciacollege.edu> Mensagem recebida em: 08 fev. 2012.
DRYDEN, Gordon; VOS, Jeannette. The learning revolution. 2nd edition.
USA: Jalmar Pr, 1999.
FERREIRA-BRITO, Lucinda. Por uma gramática de língua de sinais. Rio de
Janeiro: Tempo Brasileiro: URFJ, 1995.
KELLEY, Paul. Making Minds: what’s wrong with education - and what
should we do about it? New York: Routlegde, 2008.
KELLEY, Paul; WHATSON, Terry. Making long-term memories in minutes:
a spaced learning pattern from memory research in education. Frontiers in
Human Neuroscience. 25 September, 2013.
QUADROS, Ronice; KARNOPP, Lodenir. Língua de Sinais Brasileira:
estudos linguísticos, 2004.

361
Transaction: HP00215278672315 e-mail: kersiadourado@gmail.com
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ANEXO H

A relevância do SignWriting como recurso para a


transcrição fonológica das línguas de sinais190

Roberto César Reis da Costa, Me.


roberto.fono@gmail.com
Professor Assistente no SENAI/ CIMATEC
Fonoaudiólogo na Associação Educacional Sons do Silêncio (AESOS)
Madson Barros Barreto
madson@librasescrita.com.br
www.librasescrita.com.br
Co-fundador e Professor na Libras Escrita

Este artigo tem por objetivo apresentar a relevância do SignWriting (dora-


vante chamado SW) como uma forma de transcrição fonológica das Línguas
de Sinais. Apesar de usar especificamente exemplos da Língua Brasileira de
Sinais, os pressupostos descritos podem ser aplicados a qualquer Língua de
Sinais. Por muitos anos, as Línguas de Sinais foram consideradas línguas
ágrafas. Nos últimos dois séculos, pesquisadores de vários países têm tentado
mudar seu status. Em 1822, Bébian publicou o seu livro “Mimographie” para
fazer notações da Língua de Sinais Francesa em termos de escrever os seguin-
tes aspectos: a forma da mão, sua posição no espaço, o lugar onde se executava
o sinal, a ação executada e as expressões faciais (OVIEDO, 2007). Um século
mais tarde, em 1960, provavelmente influenciado pelo trabalho de Bébian,
Stokoe propôs seu próprio sistema de notação para a Língua de Sinais
Americana levando em conta apenas três aspectos (também conhecidos como
parâmetros): Configurações de Mão, Locação e Movimentos. Em seu artigo,
Stokoe legou aos surdos e ouvintes este sistema para escrita da Língua de Sinais
Americana, uma vez que ele tinha proposto isto como uma ferramenta para
a transcrição e análise de língua de sinais através de um sistema de “escrita”.
Desde então, muitos outros sistemas foram criados ao redor do mundo

190
 Apresentado e publicado (em Inglês e Português Brasileiro) originalmente no SignWriting
Symposium. [Evento on-line]. La Jolla: Deaf Action Committee for SignWriting, 2014. Dis-
ponível em: <http://www.SignWriting.org/symposium/presentation0032.html> Acesso em 01
ago. 2014.
Transaction: HP00215278672315 e-mail: kersiadourado@gmail.com
364 Escrita de Sinais sem mistérios

(BARRETO & BARRETO, 2012), mas um deles tem sido usado por mais de
40 países (BUTLER, 2012): este é o sistema ‘SignWriting’ que foi criado pela
norte-americana Valerie Sutton em 1974. Este é um sistema de escrita visual
especificamente para a escrita e leitura das Línguas de Sinais. Os símbolos do
SW têm uma estrutura icônica, de modo que a lógica interna permite que você
escreva, não só sinais ou frases isoladas, mas também um livro completo em
qualquer língua de sinais (BARRETO & BARRETO, 2012). De acordo com
Sutton (1998) e Roald (2006), o SW é escrito em colunas verticais de cima para
baixo porque, desta forma, os símbolos podem ser empilhados como no corpo
humano, tornando mais fácil a leitura e a escrita. Este sistema possui símbolos
e regras de ortografia que representa todos os parâmetros fonético-fonológicos
das Línguas de Sinais: Configurações de Mãos, Orientações de Mão, Locações,
Movimentos e Expressões não manuais (QUADROS & KARNOPP, 2004).
Para o uso diário, não é necessário escrever os detalhes prosódicos apenas o sinal
“puro” conforme as regras sintáticas da Língua de Sinais. No entanto, precisam
mais do que Bébian e Stokoe apontaram; pensando em fonologia, é neces-
sário escrever detalhes fonético-fonológicos. Atualmente, muitas pesquisas ao
redor do mundo têm usado gravação de vídeos, fotos, desenhos, transcrições
por glosas e notas descritivas, mas isto não parece suficiente. Costa (2012: 125)
afirma que o SW refere-se a um sistema de escrita das línguas visogestuais.
Assim, através deste sistema, é possível transcrever não só sinais com processos
fonológicos normais, mas também sinais com processos fonológicos desviantes.
Uma vez que é comum observar processos fonológicos em crianças que estão
adquirindo Língua de Sinais, transcrever sinais usando o SW deve ser uma
boa forma de resolver o problema de não ter um “IPA” (Alfabeto Fonético
Internacional) para as línguas de sinais. Em sua tese (Proposta de Avaliação
Fonológica da Língua Brasileira de Sinais - FONOLIBRAS), Costa (op. cit)
tem observado processos fonológicos (assimilação, elisão, ênfase e metátese)
a partir da análise dos sinais escritos por meio do SW. Acreditamos que
seja viável a criação de um alfabeto “fonético” para as Línguas de Sinais se e
somente se nós seguirmos um modelo prosódico para analisar uma Língua
de Sinais. O Modelo Prosódico foi primeiramente proposto por Brentari
(1990, 1998). Neste modelo, a base para a descrição de um sinal é dividida
em traços inerentes e prosódicos (BRENTARI, 1998). Os traços inerentes
englobam o articulador (A), e o local da articulação (POA), enquanto os
recursos prosódicos abrangem “o inventário de todos os tipos de movimento”
(BRENTARI, 1998: 129).

364
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Anexo H 365

Palavras chave: SignWriting, transcrição fonética e fonológica.

Referências

BARRETO, Madson; BARRETO, Raquel. Escrita de Sinais sem mistérios.


Belo Horizonte: edição do autor, 2012.
BRENTARI, Diane. Theoretical foundations of American Sign Language
phonology. Doctoral dissertation. University of Chicago, Chicago, 1990.
________. A prosodic model of Sign Language phonology. Cambridge, MA:
MIT Press, 1998.
BUTLER, Charles. Re: Who we are?/ How many? Disponível em: <sw-l@
listserv.valenciacollege.edu> Mensagem recebida em: 08 fev. 2012.
COSTA, Roberto C. R. Proposta de instrumento de avaliação fonológica
da Língua Brasileira de Sinais: FONOLIBRAS. Dissertação (Mestrado).
Salvador: Universidade Federal da Bahia, Instituto de Letras, 2012.
OVIEDO, Alejandro. Roch Ambroise Auguste Bébian (1789-1839): pionero
de los estudios sobre la sordera, 2007. Disponível em: <http://www.cultura-
sorda.eu/4.html> Acesso em 14 nov. 2011.
QUADROS, Ronice M.; KARNOPP, Lodenir B. Língua de sinais brasileira:
estudos linguísticos. Porto Alegre: Artmed, 2004.
ROALD, Ingvild. Teng Skrift: innføring i tegnskrift. Bergen: Vestlandet
Kompetansesenter, 2006. Disponível em: <http://www.SignWriting.org/
archive/> Acesso em 01 jul. 2011.
STOKOE, William. Sign Language structure: an outline of the visual
communication systems of the American deaf. 1960 in Journal of Deaf
Studies and Deaf Education, vol. 10 nº 1, Press Oxford University, 2005.
SUTTON, Valerie. The importance of writing sign language down in columns.
In: HOEK, Karen van. Writing ASL grammar in SignWriting®. Lesson
two: writing spatial comparisons in ASL. La Jolla, CA: Center for Sutton
Movement Writing, Inc. 1998. Disponível em: <http://www.SignWriting.
org/archive/> Acesso em: 30 jun. 2011.

365
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ANEXO I

“Escrita de Sinais sem mistérios”: O primeiro livro


brasileiro para o ensino do SignWriting191

Madson Barros Barreto


madson@librasescrita.com.br
www.librasescrita.com.br
Co-fundador e Professor na Libras Escrita
Raquel Tibúrcio Rosa Barreto
raquel@librasescrita.com.br
www.librasescrita.com.br
Co-fundadora e Professora na Libras Escrita

O sistema SignWriting (aqui referido como SW) para a escrita das línguas de
sinais foi criado em 1974, mas só chegou ao Brasil em 1996, com o trabalho
de Costa, Stumpf e Borba para escrever a Língua Brasileira de Sinais – Libras
(BARRETO & BARRETO, 2012). Este não é o primeiro sistema de escrita
criado para as línguas de sinais. O registro mais antigo data de 1822 na obra
de Bébian: “Mimographie”, um sistema de notação para o registro escrito das
formas das mãos, sua posição no espaço, o lugar onde se executava o sinal, a
ação executada e a expressão facial usada (OVIEDO, 2007). Posteriormente,
em 1960, Stokoe publica um sistema de notação para o registro escrito das
Configurações de Mão, Locação e Movimento. Tantos outros sistemas como
estes foram criados nos anos seguintes. De todos, o que mais tem se destacado
é o SW (chamado no Brasil de ‘Escrita de Sinais’), usado em mais de 40 países
em todo o mundo (BUTLER, 2012). Esta é uma escrita visual direta capaz
de fazer o registro de todos os parâmetros fonético-fonológicos das línguas de
sinais: Configurações de Mão, Orientações de Mão, Locações, Movimentos
e Expressões não manuais (CAPOVILLA et al., 2006; SUTTON, 2009;
BARRETO & BARRETO, 2012). Com o objetivo de difundir ainda mais
este sistema no Brasil, em 2012, Barreto & Barreto publicam a obra ‘Escrita

191
 Apresentado e publicado (em Inglês e Português Brasileiro) originalmente no SignWriting
Symposium. [Evento on-line]. La Jolla: Deaf Action Committee for SignWriting, 2014. Dis-
ponível em: <http://www.SignWriting.org/symposium/presentation0035.html> Acesso em 01
ago. 2014.
Transaction: HP00215278672315 e-mail: kersiadourado@gmail.com
368 Escrita de Sinais sem mistérios

de Sinais sem mistérios’ com 245 páginas. Sendo a primeira obra brasileira
específica sobre o SW, o livro – que tem por autores uma surda e um ouvinte –
tem dois capítulos teóricos com tópicos das principais pesquisas e publicações
brasileiras e internacionais sobre esta escrita, sua importância e uso. A parte
prática, do capítulo três ao dezesseis, ensina passo a passo o sistema SW tendo
como base teórica principal Sutton (S/D; 1998; 2000; 2003; 2009; 2011),
Roald (2006) e Parkhursk & Parkhursk (2001; 2008). A cada capítulo, através
de fotos reais e textos explicativos, o leitor aprende novos símbolos associados
diretamente aos parâmetros fonético-fonológicos da Libras. Primeiramente
são ensinados os símbolos mais utilizados para a escrita desta língua e outros
que servem de base para a escrita dos demais. As regras ortográficas do SW
aplicadas à gramática da Libras são enfatizadas em cada capítulo através de
explicações em destaque e por meio dos mais de 606 sinais de exemplo na
Língua Brasileira de Sinais. O livro tem ainda uma história – que vai do
capítulo seis ao final – que se utiliza de aspectos culturais, linguísticos e
sociais das comunidades surdas brasileiras. A história faz uso de muitos
classificadores e foi escrita diretamente em SW, não sendo uma tradução
do português ou transcrição de um vídeo, usando os sinais anteriormente
ensinados com atenção aos aspectos sintático-morfológicos da Libras. Ao
final de cada parte da história, o leitor conta com o auxílio de um glossário
bilíngue (Libras/ Português) e no final do livro, um apêndice com as 111
Configurações de Mão (CMs) da Libras organizadas em grupos de acordo
com o ISWA 2010 (SUTTON, 2011). Destas, 6 Configurações de Mão não
constavam na classificação de Sutton e “foram escritas conforme as regras
estabelecidas para novas configurações de mão (SUTTON, 2000) e alocadas
próximas a CMs parecidas” (BARRETO & BARRETO, 2012, p. 230). Desta
forma, o livro, que já foi vendido pelo website para leitores de 23 dos 26
estados brasileiros, além do Distrito Federal, difunde o SW e os resultados
de pesquisas brasileiras e internacionais. Propicia ainda tantos outros frutos
incontáveis e intangíveis obtidos direta ou indiretamente pelos leitores na
medida em que se apropriam desta escrita que promove novas conexões
neurolinguísticas, sociais e antropológicas, etc. A agraficidade das línguas de
sinais foi quebrada, um novo território que aponta ao infinito foi conquistado
pelas Comunidades Surdas.

Palavras chave: SignWriting, livro Escrita de Sinais sem mistérios, Língua


Brasileira de Sinais, Brasil.
368
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Anexo I 369

Referências

BARRETO, Madson; BARRETO, Raquel. Escrita de Sinais sem mistérios.


Belo Horizonte: edição do autor, 2012.
BUTLER, Charles. Re: Who we are?/ How many? Disponível em: <sw-l@
listserv.valenciacollege.edu> Mensagem recebida em: 08 fev. 2012.
CAPOVILLA, Fernando C.; et al. A escrita visual direta de sinais SignWriting
e seu lugar na educação da criança Surda, 2006. In: CAPOVILLA, F. C.;
RAPHAEL, W. D. Dicionário enciclopédico ilustrado trilíngue da língua de
sinais brasileira. Vol. II: Sinais de M a Z. 3ed. São Paulo: Edusp, 2006, pp.
1491-1496.
OVIEDO, Alejandro. Roch Ambroise Auguste Bébian (1789-1839): pionero
de los estudios sobre la sordera, 2007. Disponível em: <http://www.cultura-
sorda.eu/4.html> Acesso em 14 nov. 2011.
PARKHURST, Stephen; PARKHURST, Dianne. A Cross-Linguistic guide
to SignWriting®: a phonetic approach, 2008. Disponível em: <http://www.
SignWriting.org/archive/> Acesso em 22 jul. 2011.
PARKHURST, Steve; PARKHURST, Dianne. Signo Escritura: um sistema
completo para escribir y leer las Lenguas de Signos. Madrid: Promotora
Española de Lingüística, 2001.
ROALD, Ingvild. Teng Skrift: innføring i tegnskrift. Bergen: Vestlandet
Kompetansesenter, 2006. Disponível em: <http://www.SignWriting.org/
archive/> Acesso em 01 jul. 2011.
STOKOE, William. Sign Language structure: an outline of the visual
communication systems of the American deaf. 1960 in Journal of Deaf
Studies and Deaf Education, vol. 10 nº 1, Press Oxford University, 2005.
SUTTON, Valerie. Lessons in SignWriting: textbook & workbook. 3rd ed. La
Jolla, CA: Center for Sutton Movement Writing, Inc. 2003. Disponível em:
<http://www.SignWriting.org/archive/> Acesso em: 30 jun. 2011.
SUTTON, Valerie. Lições sobre o SignWriting: um sistema de escrita para
língua de sinais. Tradução e adaptação: STUMPF, Marianne R.; COSTA,
Antônio C. da Rocha. S/D. Disponível em <http://rocha.c3.furg.br/arquivos/
download/licoes-sw.pdf>. Acesso em: 30 jan. 2009.
SUTTON, Valerie. SignWriting - sign languages are written languages! Part 1:
SignWriting basics. La Jolla, CA: Center for Sutton Movement Writing, Inc.
2009.
369
Transaction: HP00215278672315 e-mail: kersiadourado@gmail.com
370 Escrita de Sinais sem mistérios

SUTTON, Valerie. SignWriting e-lessons: Questions 0018 and 0019. La


Jolla, CA: Center for Sutton Movement Writing, Inc. 2000. Disponível em:
<http://www.SignWriting.org/lessons/elessons/less009.html> Acesso em: 30
jun. 2011.
SUTTON, Valerie. The importance of writing sign language down in columns.
In: HOEK, Karen van. Writing ASL grammar in SignWriting®. Lesson
two: writing spatial comparisons in ASL. La Jolla, CA: Center for Sutton
Movement Writing, Inc. 1998. Disponível em: <http://www.SignWriting.
org/archive/> Acesso em: 30 jun. 2011.
SUTTON, Valerie. The SignWriting Alphabet: The international SignWriting
Alphabet 2010 (ISWA 2010). La Jolla, CA: Center for Sutton Movement
Writing, Inc. 2011.

370
Transaction: HP00215278672315 e-mail: kersiadourado@gmail.com

ANEXO J

A produção linguístico terminológica da língua


brasileira de sinais (Libras) e o SignWriting192

Vera Lúcia de Souza e Lima, Dra.


veralima@civil.cefetmg.br
Professora no CEFET-MG
Madson Barros Barreto
madson@librasescrita.com.br
www.librasescrita.com.br
Co-fundador e Professor na Libras Escrita

A ideia de que as línguas de sinais poderiam ser escritas esteve fermentando


durante os dois últimos séculos nas mentes de vários pesquisadores a começar
de Bébian em 1822 e passando por Stokoe (1960) que se preocupou em desen-
volver um sistema de notação para as línguas de sinais com dois objetivos
principais: trazer para dentro do âmbito da linguística uma língua praticamente
desconhecida – a língua de sinais do surdo americano; servir como forma de
registro a ser usado por surdos ou ouvintes usuários desta língua e também
como ferramenta de análise transcritiva dos sinais para esta língua até então
ágrafa. Tantos outros sistemas de notação ou escrita foram criados nas décadas
seguintes (BARRETO & BARRETO, 2012). Mas o surpreendente foi a
contribuição de Sutton (1999, 2003, 2009) que em 1974 trouxe a solução:
o SignWriting, um sistema completo e específico para a escrita das línguas
de sinais capaz de registrar todos os parâmetros fonético-fonológicos destas
línguas. A difusão do SignWriting no Brasil tem crescido, mas ainda há muito
caminho a trilhar. Embora os estudos aqui tenham começado em 1996 na
Pontifícia Universidade Federal do Rio Grande do Sul (PUC-RS), ainda é
possível encontrar textos acadêmicos que afirmam que as línguas de sinais são
ágrafas (GESSER, 2006; CAMPELLO, 2008). No Brasil, as leis que regem
a utilização da Língua de Sinais Brasileira (Libras), têm oportunizado vários

192
 Apresentado e publicado (em Inglês e Português Brasileiro) originalmente no SignWriting
Symposium. [Evento on-line]. La Jolla: Deaf Action Committee for SignWriting, 2014. Dis-
ponível em: <http://www.SignWriting.org/symposium/presentation0036.html> Acesso em 01
ago. 2014.
Transaction: HP00215278672315 e-mail: kersiadourado@gmail.com
372 Escrita de Sinais sem mistérios

avanços nos estudos linguísticos, dentre as quais é relevante citar: a pioneira


Lei Estadual 10.379/1991 que reconhece oficialmente, no Estado de Minas
Gerais, como meio de comunicação objetiva e de uso corrente, a linguagem
gestual codificada na Língua Brasileira de Sinais – LIBRAS; a Lei nº
10.098/2000, que estabelece normas gerais e critérios básicos para a promoção
da acessibilidade; a Lei no 10.436/2002 que reconhece a Libras e outros
recursos de expressão a ela associados; o Decreto Lei nº 5.626/2005 que
regulamenta a Lei no 10.436/2002 que dispõe sobre a Língua Brasileira de
Sinais - Libras, e o art. 18 da Lei no 10.098/2000. O avanço de tais leis somado
aos movimentos sociais das comunidades surdas tem conduzido estes sujeitos
aos níveis acadêmicos mais elevados. Isto vem evidenciado um grave problema
na educação profissional dos surdos: a escassez do léxico terminológico em
Libras. Tal escassez pode ser notada em outras línguas de sinais por todo o
mundo. No Brasil, a partir de pesquisas iniciadas em 2008 no Centro Federal
de Educação Tecnológica de Minas Gerais (CEFET/MG) para a produção do
léxico terminológico, De Souza e Lima & Leite (2010) e De-Souza-e-Lima
(2014), pesquisam a produtividade linguística em Libras com a participação
de bolsistas de iniciação científica surdos. No processo de pesquisa, à medida
em que De Souza e Lima, amplia sua compreensão acerca do SignWriting a
compreensão da formação dos sinais em Libras é também ampliada. Pode-
se perceber que os princípios do SignWriting trazem mais precisão para a
formação do sinal, fator relevante na terminologia. Sabemos que todas as
línguas, incluindo a Libras, possuem processos de variação. Sejam estas varia-
ções regionais, como é o caso do Brasil, país de dimensões continentais, sejam
individuais mesmo que ao nível da prosódia do falante ou sinalizante. A contri-
buição de Barreto & Barreto (2012) e Barreto (2013) neste processo trouxe
uma aproximação do SignWriting não somente por meio do ensino de sua
ortografia, de sinais ou textos, mas por meio de discussões presenciais acerca das
melhores maneiras de grafar os sinais. O processo tecnológico que Sutton dispo-
nibiliza ao ser compatibilizado com softwares permitirá cada vez mais que o
léxico terminológico tenha ampla divulgação e alcance do seu principal público
alvo: o estudante surdo.

Palavras chave: linguística, produtividade linguística, Língua Brasileira de


Sinais, SignWriting.

372
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Anexo J 373

Referências

BARRETO, Madson. Curso Escrita de Sinais 2.0. Belo Horizonte: Libras


Escrita, 2013.
BARRETO, Madson; BARRETO, Raquel. Escrita de Sinais sem mistérios.
Belo Horizonte: edição do autor, 2012.
BÉBIAN, Roch Ambroise A. Mimographie, or essai d´écriture mimique. Paris,
1825. Disponível em: <http://www.cultura-sorda.eu/resources/Bebian_
Mimographie_1825.pdf> Acesso em: 14 nov. 2011.
BRASIL. Decreto nº 10.436, de 24 de abril de 2002.
BRASIL. Decreto nº 5.626, de 22 de dezembro de 2005.
BRASIL. Lei nº 10.098, de 19 de dezembro de 2000.
DE SOUZA E LIMA, Vera Lúcia. Língua de Sinais: proposta terminológica
para a área do desenho arquitetônico. Tese de doutorado. Belo Horizonte:
UFMG, 2014.
DE SOUZA E LIMA, Vera Lúcia; LEITE, Regina. Contribuindo com o
currículo da educação profissional de surdos: entre o visuoespacional da língua
Libras e a linguagem visuoespacial da arquitetura. Belo Horizonte: II
Seminário Nacional de Educação Profissional e Tecnológica, 2010.
GESSER, Audrei. Um olho no professor surdo e outro na caneta: ouvintes
aprendendo a língua brasileira de sinais. Tese de doutorado. Campinas:
UNICAMP. 2006.
CAMPELLO, Ana Regina. Pedagogia visual na educação dos surdos mudos.
Florianópolis: UFSC, 2008.
STOKOE, William. Sign Language structure: an outline of the visual
communication systems of the American deaf. 1960 in Journal of Deaf
Studies and Deaf Education, vol. 10 nº 1, Press Oxford University, 2005.
SUTTON, Valerie. Lessons in SignWriting: textbook & workbook. 3rd ed. La
Jolla, CA: Center for Sutton Movement Writing, Inc. 2003. Disponível em:
<http://www.SignWriting.org/archive/> Acesso em: 30 jun. 2011.
SUTTON, Valerie. Researcher’s resources SignWriting. In: Sign Language &
Linguistics 2(2), Amsterdam: John Benjamins, 1999, pp. 271–281. Disponível
em: <http://www.SignWriting.org/archive/> Acesso em: 30 jun. 2011.
SUTTON, Valerie. SignWriting - sign languages are written languages! Part 1:
SignWriting basics. La Jolla, CA: Center for Sutton Movement Writing, Inc.
2009.
373
Transaction: HP00215278672315 e-mail: kersiadourado@gmail.com
Transaction: HP00215278672315 e-mail: kersiadourado@gmail.com

ANEXO K

Tradução para o SignWriting de resumos de teses de


doutorado e artigos: um novo paradigma193

Madson Barros Barreto


madson@librasescrita.com.br
www.librasescrita.com.br
Co-fundador e professor da Libras Escrita
Pedro Zampier Lopes Vieira de Oliveira
pzlvo@hotmail.com
Tradutor intérprete da Língua Brasileira de Sinais na UFOP
Raquel Tibúrcio Rosa Barreto
raquel@librasescrita.com.br
www.librasescrita.com.br
Co-fundadora e professora da Libras Escrita

No Brasil é crescente a quantidade de pesquisas acadêmicas relacionadas às


comunidades surdas, sua língua e cultura. A publicação da Lei 10.436/2002
que dispõe sobre o reconhecimento da Língua Brasileira de Sinais (Libras)
enquanto língua brasileira usada pelas comunidades surdas e do Decreto
Lei 5.626/2005 que, dentre outros aspectos, estabelece diretrizes básicas de
acessibilidade e educação dos surdos, fortaleceu ainda mais essas comunidades.
A inserção dos surdos no espaço acadêmico se deve não só a essas leis, mas
também aos movimentos sociais dessas comunidades. O sistema SignWriting
– uma proposta de escrita para Línguas de Sinais (LS) utilizada em mais de
40 países em todo o mundo (BUTTLER, 2012) – contribui com este movi-
mento, pois permite o acesso ao registro escrito diretamente em LS. Contudo, os
trabalhos acadêmicos ainda são produzidos somente em Língua Portuguesa, o
que impõe algumas dificuldades aos estudantes surdos tanto na escrita quanto
em suas pesquisas. Ribeiro (2012), Azevedo (2013) e Santos (2013), estudantes

193
 Apresentado e publicado (em Inglês e Português Brasileiro) originalmente no SignWriting
Symposium. [Evento on-line]. La Jolla: Deaf Action Committee for SignWriting, 2014. Dis-
ponível em: <http://www.SignWriting.org/symposium/presentation0037.html> Acesso em 01
ago. 2014.
Transaction: HP00215278672315 e-mail: kersiadourado@gmail.com
376 Escrita de Sinais sem mistérios

e pesquisadores ouvintes, em defesa da acessibilidade aos surdos, propõem a


tradução dos resumos de seus trabalhos para a Libras através do SignWriting.
No Brasil, desde 2012, a editora Libras Escrita realizou vários trabalhos de
tradução. Dentre os quais, estes três em especial merecem destaque por se
tratarem de um gênero acadêmico: o resumo de artigos e de teses de doutorado.
O SignWriting é uma escrita visual direta capaz de registrar com precisão os
parâmetros fonético-fonológicos das línguas de sinais (CAPOVILLA; et al.,
2006; SUTTON, 2009; BARRETO & BARRETO, 2012). Como sistema de
escrita completo, possibilita não só o registro, mas também a leitura do texto.
O trabalho de Silva (2009) assevera que esta é uma escrita viva, pois através
dela o leitor é capaz de associar conhecimentos novos, adquiridos via leitura,
com os conhecimentos prévios e produzir novos conhecimentos. Assim, a
tradução destes resumos acadêmicos para a Libras, por meio do SignWriting,
permite que os leitores tenham acesso às informações principais das obras dos
referidos autores. O processo de tradução – que contou com a participação
de um sujeito surdo na equipe – e o resultado final nos fazem refletir sobre a
importância da escrita para as LS, possibilidade ímpar de registro, manutenção
e perpetuação de uma língua e sua cultura. Para além disso, permitir aos surdos
e surdas, acesso a textos que, muitas vezes, são hermetizados por um idioma
estrangeiro.

Palavras chave: tradução, Língua Brasileira de Sinais, SignWriting.

Referências

AZEVEDO, Omar Barbosa. Significado e comunicação: compreendendo as


mediações linguísticas entre professoras e alunos surdos pelas vias da tradução
e da etnonarrativa implicada. Tese de doutorado. Salvador: Universidade
Federal da Bahia, 2013.
BARRETO, Madson; BARRETO, Raquel. Escrita de Sinais sem mistérios.
Belo Horizonte: edição do autor, 2012.
BRASIL. Decreto nº 10.436, de 24 de abril de 2002.
BRASIL. Decreto nº 5.626, de 22 de dezembro de 2005.
BUTLER, Charles. Re: Who we are?/ How many? Disponível em: <sw-l@
376
Transaction: HP00215278672315 e-mail: kersiadourado@gmail.com
Anexo K 377

listserv.valenciacollege.edu> Mensagem recebida em: 08 fev. 2012.


CAPOVILLA, Fernando C.; et al. A escrita visual direta de sinais SignWriting
e seu lugar na educação da criança Surda, 2006. In: CAPOVILLA, F. C.;
RAPHAEL, W. D. Dicionário enciclopédico ilustrado trilíngue da língua de
sinais brasileira. Vol. II: Sinais de M a Z. 3ed. São Paulo: Edusp, 2006, pp.
1491-1496.
MACIEL, Maria Clara M. de A. O discurso acadêmico-científico produzido por
surdos: entre o fazer acadêmico e o fazer militante. Tese de doutorado. Belo
Horizonte: Universidade Federal de Minas Gerais, 2012.
SANTOS, Verane Trindade. “Vejo Vozes”: a relação do professor fluente em
Libras com os estudantes surdos no contexto da escola bilíngue. Trabalho de
conclusão de curso. Salvador: Universidade Estadual da Bahia, 2013.
SILVA, Fábio Irineu da. Analisando o processo de leitura de uma possível escrita da
língua brasileira de sinais: SignWriting. Dissertação de Mestrado em Educação.
Florianópolis: UFSC, 2009.
SUTTON, Valerie. SignWriting - sign languages are written languages! Part 1:
SignWriting basics. La Jolla, CA: Center for Sutton Movement Writing, Inc.
2009.

377
Transaction: HP00215278672315 e-mail: kersiadourado@gmail.com
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ÍNDICE REMISSIVO DE PALAVRAS OU


EXPRESSÕES CHAVE

7 passos para a fluência na Libras, curso Ambiente Virtual de Ensino


online, 114 Aprendizagem, digital, aprender, Escrita de
Sinais, 88, 101, 109
Anotação: escrita à mão, Escrita de Sinais,
A 39, 41, 42, 57, 72, 76, 82, 83, 106, 110, 120,
130, 132, 170, 301, 343; descritiva, 59, 60;
Acessibilidade: Escrita de Sinais, surdos, coleta de dados, pesquisa, 57, 62
sociedade, Língua de Sinais, tradução, 49,
106, 110, 112, 115, 299, 372, 375, 376; Antebraço, articulador, locação, 121, 126,
Ambiente Virtual de Ensino Aprendizagem, 168, 223, 268, 269
111; em softwares educativos, 111; site Aprender Libras ou outras LS, aprendiz,
bilíngue, 112 adquirir língua, 39, 42, 43, 45, 47, 56, 57, 60,
ActiveX (informática), 98 82, 86, 87, 90, 91, 290, 334, 356; aprofundar-
se na Libras, 46
Adão e Eva, (livro), 103
Aquisição da leitura e escrita, 49, 84,
Adolescente: surdo, ensino, educação,
86, 87, 88, 99, 106; ver também: criança;
Escrita de Sinais, aquisição de escrita, 46, 61,
89, 106, 109 adolescente, adulto, jovem
Adulto: surdo, ensino, educação, Escrita de Araguaína/ TO, 106
Sinais, aquisição de escrita, 46, 49, 59, 60, 61, Área de Membros Exclusiva do Leitor, 75,
89, 93, 107; sinalização do, 102 116
AGA-Sign, 99 Artigo acadêmico, científico, 72, 98, 110,
Aldeia Coroa Vermelha (etnia Pataxó), 80, 363; análise de, 112; tradução, 112; tradução
81, 103 de resumo de, 375; ver também: tradução
Alemanha, 64, 157 Árvore surda, A, (livro), 103
Alfabetização: bilíngue, Escrita de Sinais, Atendimento Educacional Especializado
33, 49, 60, 61, 87, 89, 90, 100, 104, 109, 299, (AEE), 108
343, 344, 347, 348; ver também: Segunda Áudio, 54, 356, 360
Língua; Primeira Língua
Alfabeto: latino, 75, 83; criar, 79; Fonético
Internacional, IPA, 80, 364; Traços Não B
Arbitrários, 93, 300; ver também: datilologia;
featural alphabets Bantu (língua), Semi-bantu, 56, 241
Alofone, alofônico, 140, 153, 165, 207, 322 BARROS, M., 66, 67
Alternado, Movimento, dinâmica, 171 Bater, contato, 208; entre, 227
Ambiente digital, aprender, Escrita de BÉBIAN, R., 63, 64, 67, 363, 364, 367,
Sinais, 100, 109 371
Transaction: HP00215278672315 e-mail: kersiadourado@gmail.com
380 Escrita de Sinais sem mistérios

Bélgica, 65, 72 Catáfora, 173


Belo Horizonte/ MG, 48, 106, 114 CEFET-MG, 41, 42, 111, 194, 239, 240,
Bidimensional, representação, escrita, 67, 281, 294, 371, 372
77, 71, 212, 238, 269, 300 Center for Sutton Movement Writing, Inc.,
Bilíngue, bilinguismo: 104, jogo de cartas 33, 35, 74
113, 114; site ou blog, 105; ver também: Centro de Apoio Pedagógico de Ipiaú
educação; dicionário; glossário (CAPI) (BA) 88, 343, 347
Bimodalismo, bimodalista, educação, 44 Cérebro: base cognitiva, 46, 47, 48;
Blog, Libras, bilíngue, 72, 81, 82, 115, funcionamento, aprendizagem, 47, 92, 119,
333, 352 136; ver também: neurociências cognitivas
Boca, locação, ENM, 77, 156, 242 Ciências, disciplina
escolar, 82
Bochecha, locação, ENM, 270
Cigarras surdas e as formigas, As, (livro), 103
Bônus, 75, 99, 114, 356
Cinderela Surda, (livro), 103
BORBA, M. 97, 343, 351, 359, 367
Cintura, articulador, locação, ENM, 209
Braço, ver: antebraço
Civilizações, 54
Brasil, legislação, acontecimentos,
conquistas, pesquisas, 21, 33, 34, 37, 48, 49, Classificador, 143; ver: tensão; línguas com
55, 56, 68, 72, 88, 96, 97, 113, 115, 118, 170, sistema, 241
229, 302, 337, 343, 347, 351, 352, 355, 359, Cluster, Escrita de Sinais, 77
363, 371, 372, 374, 375; publicações no, Codificação fonológica, 61, 67
Escrita de Sinais, 103, 122, 367; ver também: COELHO, T., 40, 92, 343, 344, 347
educação de surdos
Coerência: 91; visual, 67, 173, 174, 300
Brasileiro: pesquisador, pesquisa, 21, 33,
Coesão: 91; visual, 67, 173, 174, 300
49, 50, 68, 96, 107, 109, 113, 300, 333;
diversidade cultural do, surdo, 48 Coluna vertical, 34, 66, 67, 157, 173, 222,
300, 364
Computação, 299, 338; computacional, 64,
C 67, 99, 100, 101, 104, 300, 333, 336, 351
Computador, Escrita de Sinais, 39, 54,
Cabeça: categoria de grafemas, 49, 76; 67, 68, 72, 75, 76, 97, 99, 104, 130, 131,
articulador das LS, geral, 77, 78, 79, 121, 220, 300, 356, 360; ver também: SW Edit;
126, 148, 174, 209, 210, 227, 282, 283; atrás SignPuddle; SignWriter
da, 209; movimento da, 227, 243, 244
Comunidade surda, 33, 56, 103, 104, 112
Cabelo, locação, 195
Configuração de Mão, fonema, 49, 125,
Cachos Dourados, (livro) 103, 316 134, 141, 147, 152, 164, 180, 190, 206, 218,
Califórnia (EUA) 33, 34, 35, 36, 74 219, 220, 224, 225, 236, 254, 266, 267, 278,
CAPOVILLA, F. 40, 42, 46, 56, 61, 62, 68, 290, 291; mudança de, 155
76, 78, 79, 80, 81, 83, 87, 89, 101, 104, 109, Consciência: fonológica, alfabetização,
241, 299, 334, 343, 344, 347, 348, 351, 352, desenvolvimento de, 61, 87, 89, 93, 107;
356, 367 visual, 93
Carta, Escrita de Sinais, 45, 50, 110, Contato, posição do, 126, 136, 146, 147,
341, 342 148, 172, 208, 227, 292, 293; ver também:
Cartão: de felicitação, mensagem, Escrita tocar; escovar; esfregar; bater; pegar; regras
de Sinais, 44, 46; de memorização, 114 ortográficas; superfície
380
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Índice Remissivo de Palavras ou Expressões Chave 381

Contos, literatura, 56, 82 DEIT-Libras, 42, 101, 104, 351


Corpo, articulador, locação, 146, 169, 170, Dêixis, 173; ver também: referente dêitico;
172, 173, 174, 182, 183, 194, 197 olhos, direção do olhar
Corpora, pesquisa LS, 71, 81; ver também: Dentes, locação, ENM, 270
anotação; transcrição Descontinuidade, de pensamento, 56, 61,
Correção ortográfica, 68, 300 87, 334
COSTA, A., 21, 33, 35, 37, 68, 97, 98, 100, Desenho: de sinais, apostilas de Libras, 42,
299, 343, 344, 351, 359, 367 78, 102, 364; versus Escrita de Sinais 78, 82,
Cotovelo, articulador, 168 119; arquitetônico, 101, 102, 240, 281, 294
Criança: surda, ensino, educação, Escrita de Desenvolvimento: social, 54, 109, 115;
Sinais, aquisição de escrita, alfabetização, 46, integral, 56; linguístico, 54, 62, 109, 115,
49, 56, 59, 60, 61, 62, 87, 88, 89, 90, 92, 93, 334; cognitivo, intelectual, neurológico,
100, 104, 106, 107, 108, 109, 110, 115, 170, psicológico, 40, 54, 62, 82, 115, 344, 348;
352; fala em Libras, aquisição da Libras, 55, educacional, 115; da escrita, 54, da Escrita
102, 364 de Sinais, 56, 71, 98; pesquisas, 55; léxico de
Criatividade, 82, 344 sinais, 89; da Língua de Sinais, apropriação
da, 90; software, 105, 338; ver também:
CRYSTAL, D., 60, 91, 92, 93, 301 software
Cultura surda, 56, 62, 103, 104, 108, 110 Diacrítico, 67
Curitiba/ PR, 106
Dicionário, Língua de Sinais, 42, 49, 72,
Currículo, escolar, acadêmico, 37, 106, 108, 75, 80, 82, 97, 98, 100, 101, 102, 122, 335,
336, 352 337, 344, 351
Curso de Libras, 60, 57, 107; ver também: Dimensão, da escrita, representação da, 67,
disciplina de Libras 79; do corpo humano, 131; Brasil, 372
Dinamarca, 70, 72
D Dinâmica: em sala de aula, 86; categoria
de grafemas 49, 76, 125, 130, 152, 161, 168,
D’Sign, escrita, 65 173, 181, 196, 197, 210, 216, 237, 238, 239,
DAC (Deaf Action Committee for Sign- 240, 241, 258, 269, ver também: alternado;
Writing), 37, 73, 74, 343, 347, 351, 355, 359, consecutivo; lento; rápido; relaxado;
363, 371, 375 simultâneo; tensão
DanceWriting, escrita, 70, 71 Disciplina de Libras 57
Datilologia, alfabeto manual, datilológico, Disciplina de Libras, 57, ver também: curso
50, 59, 78, 153, 219, 220, 221, 222, 223, 333, de Libras
334; ver: também, fonte de datilologia Dissertação de mestrado, 72, 110, 111
Davi, (livro), 103 Dongba, escrita, 78
Decodificação fonológica, 61 DOS, sistema operacional, 99, 104
Decreto Lei 5.626/2005, 55, 348, 372, 375
Dedos: direção dos, 166; orientação E
das pontas dos, 67; Configuração de, 66;
Movimentos: 64, 161; articulação média,
Educação: bilíngue, surdo, 34, 37, 49, 55,
167; articulação proximal, 183, 184, 192,
56, 96, 97, 104, 105, 106, 108, 112, 114, 115,
193, 197; entre duas superfícies: 197, 237;
381
Transaction: HP00215278672315 e-mail: kersiadourado@gmail.com
382 Escrita de Sinais sem mistérios

299, 333, 334, 335, 336, 337, 338, 339, 344, Estudos: acadêmicos, 68; linguísticos, 49,
347, 348, 351, 352, 355, 357, 359, 361, 372, 101, 299, 372; Surdos, 96, 299
375; à distância, curso online, 41, 83, 105, Expressão Facial, 63, 216, 225, 228, 367;
336, 344, 352, 355, 357, 359; sexual, 107 ver também: Expressão Não Manual
Eletrônica, 41, 101; digital, 100 Expressão Não Manual, 243, 244, 282;
E-mail: enviar, Escrita de Sinais, 75, proporção na escrita, 131; escrita em
98, 100, 110; feedback por, 356; Lista de colunas, 174
Discussão por, 76 Expressão Não Manual, ENM, fonema:
Encodificação computacional, Escrita de 47, 49, 62, 63, 64, 67, 79, 80, 83, 102, 112,
Sinais, 67, 300 197, 210, 227, 228, 241, 242, 255, 270, 281,
Enunciação, pontuação, 185 284, 300, 364, 367; buscar também: ENM
Equipamento tecnológico, 54, 86 específicas. Ex: boca, cabeça, face, dentes, etc.
Era da Informação, 112 Face, locação, ENM, 49, 73, 76, 79, 147,
155, 210; Face a face, 56; ver também:
Escola de Ensino Fundamental Frei Expressões Não Manuais;
Pacífico (RS) 90
Escola, 43, 44, 45, 70, 72, 90, 115, 210, 351,
352; disciplina escolar, 82; conteúdos, 87; F
atividades, 104; inclusiva, 108; ambiente da,
110; bilíngue, 111; ver também: alfabetização; Face, ver: rosto
educação, idade escolar; currículo; bilíngue/ Facebook (rede social), xxi, 41, 112, 114,
bilinguismo, 115, 116, 118, 302, 352, 356, 361; ver
Escolarização, nível, 88 também: rede social
Escovar, grafema, 133, 227; entre, 227 Faculdade, 42, 94, 97, 105, 106, 111,
Escrita das Línguas de Sinais (ELis), 115, 301
escrita, 66, 67 Faixa etária, aprender, Escrita de Sinais,
Escrita de Sinais 2.0, curso online, 114, 101, 118, 301; ver também: criança;
344, 352, 355, 357, 359 adolescente; jovem; adulto; idade escolar
Escrita de Sinais sem mistérios, (livro), 33, Fala interna, 61
34, 35, 37, 45, 48, 50, 113, 116, 119, 302, Featural alphabets (Alfabeto de Traços Não
344, 352, 355, 367 Arbitrários), 76, 77, 83, 93, 300
Escrita de Sinais: aplicação, 81, 88, 112, Feijãozinho Surdo, O, (livro), 103
114, 299; Benefício, 48, 81, 83, 103, 115,
FENEIS, 113
173, 300;
Fluência na Libras, 57, 81, 111, 114; ver
Esfregar, contato, 172; entre, 227
também: aprender Libras
Espaço de sinalização, 83, 90, 174, 256, 360
Fonema, 40, 60, 61, 62, 63, 67, 76, 78, 79,
Espaço neutro, locação, 121, 222 80, 81, 87, 92, 93, 140, 173, 344, 348
Esportes, escrita de, 74 Fonética, 47, 140, 356; transcrição, 63, 80,
Esquecer: sinais, 60; um grafema, 92; não 81, 102, 365; notação, 64
esquecer, 108 Fonoarticulatória, ver: Língua Oral
Estados Unidos, 56, 71, 72, 74, 82
FONOLIBRAS, 102
Estrutura linguística, 81, 92; ver também:
Fonologia, 47, 91, 101, 333, 356, 364
sintaxe

382
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Índice Remissivo de Palavras ou Expressões Chave 383

Fonte de datilologia, 59 Identidade: fortalecer, 62, 104, 344, 348;


Fortalecimento da identidade, 62 sinalizador, preservar, 82, 102
Fortaleza/ CE, 106 Ideográfica, escrita, 78, 107
Fórum, aprendizado, Escrita de Sinais, 105, II Congresso Internacional de Milão, 55
110, 335 Imprensa, 54
Foto, fotografia, 58, 102, 356, 364, 368 INES (Instituto Nacional de Educação de
França, 88, 109, 351 Surdos), 114
François Neve, Notação de, 65, 66 Infância, 45; infantil, 89, 108, ver também:
criança
Informática, 49, 97, 152; ver também:
G computação
GARCIA, B., 65 Inglês, 37, 56, 73, 76, 78, 81, 83, 86, 93,
Geografia, 82 300, 343, 347, 351, 355, 359, 363, 367,
371, 375
Gestos, 55, 99, 334
Interface, software, 74, 99, 111, 112,
Gestual, língua, 61, 337, 372
336, 351
Ginástica, escrita da, 74
Interpretação, intérprete, ver: tradução
Glosas, 39, 57, 58, 59, 82, 83, 98, 102, 300,
301, 364; ver também: transcrição Interrogação, pontuação, 245
Glossário, 41, 49, 50, 72, 82, 101, 102, 159, Inventor, criador, 33, 35 71, 355
194, 239, 240, 281, 294, 331, 368 IPA (International Phonetic Alphabet), 80,
Grafema, 47, 49, 50, 51, 60, 61, 63, 66, 67, 364; ver também: transcrição; notação
73, 75, 76, 77, 78, 79, 80, 81, 87, 88, 93, 94, Ipiaú/ BA, 88, 113, 114, 343, 347
98, 99, 100, 101, 102, 119 e outras Isaac Newton, 54
ISO (International Organization for
H Standardizations), 75
ISWA (International SignWriting
HamNoSys, notação, 64, 65 Alphabet), 75, 322, 368; ver também:
Hangul, escrita, 77 software; computação
Hebraico, 157 Ivo, (livro), 103
História: da Escrita de Sinais, 48, 119; em
ELS, 49, 50, 119, 228, 241, 368; literária, 39,
103; de vida, 41, 43; da humanidade, 54, 116,
J
302; dos surdos, 55, 107, 110, 116, 302, 337;
João Monlevade/ MG, 111, 114
disciplina de, 82; em quadrinhos, 98, 334;
das Línguas de Sinais, 290 JOUISON, P. 65
Horizontal, Escrita de Sinais, 71, 157, 223 Jovem: surdo, ensino, educação, Escrita de
Sinais, aquisição de escrita, 46, 49, 60,
Humanidade, 54, 86
61, 170

I K
Idade escolar, 56, 92 Kanji, escrita, 78

383
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384 Escrita de Sinais sem mistérios

L LS Francesa, 65, 72, 90, 363


Lúdico, aprender, Escrita de Sinais, 107;
Lábios, locação, ENM, 270 ver também: metodologia
Lateralidade, 121, 122, 283
Legendas, em Escrita de Sinais, 110; em
M
português, 100
Lei 10.436/2002, 55, 348, 372, 375 Mandarim, escrita, 78
Leitura, compreensão, 37, 40, 42, 44, 46, Manhuaçu/ MG, 113, 114
61, 87, 88, 89, 107
Manoelito o palhaço tristonho, (livro), 103
Lento, dinâmica, 258
Manuscrito: ver: anotação
Letras/ Libras 105, 106
Mão passiva, ver: tensão
Letras: alfabeto, 61, 78, 219, 220, 290;
curso superior: 37, 42, 105, 106, 113, 333, Mapas conceituais, Escrita de Sinais,
352, 356 107, 336
Lexicografia, 101 Matemática, 62, 82, 335
Libras em Jogo, 41, 113, 344 MEC, 56, 115, 352
Libras Escrita, 112, 114, 115, 220, 343, Menina chamada Kauana, Uma, (livro) 103
344, 347, 351, 352, 355, 356, 359, 363, 367, Metodologia, ver: passo a passo
371, 375, 376 Metonímia, 290
Língua Gestual Portuguesa, 72 Mímica, 55; escrita de, 74
Língua Oral: auditiva, características da, Mimographie, notação, 63, 363, 367
fonoarticulatória, versus Língua de Sinais,
Morfologia, 47, 356
33, 55, 56, 61, 60, 61, 68, 75, 83, 88, 89, 98,
173, 241; escrita e leitura da, características Moviemasher, 110
da escrita, 40, 56, 60, 61, 62, 67, 78, 79, Movimento, fonema: 33, 47, 49, 62, 63,
81, 88, 89, 90, 91, 92, 93, 94, 157, 301; ver 64, 66, 70, 72, 74, 76, 79, 83, 91; percurso
também: Segunda Língua; glosa; aquisição sobreposto, 145; reto, 132, 133, 142, 144,
de língua 145; circular, 168, 169, 172, 267, 268; curvo,
Língua, locação, ENM, 283, 284 182, 195, 196, 197; originado no pulso, 172,
Línguas de Sinais, várias línguas, 72 265, 268; outros tipos, 211; Plano Diagonal,
279, 280; rotação do antebraço, giro, 223,
Lista de Discussão, 76 224, 225, 226, 238; agito do antebraço, 226;;
Livrinho do Betinho, (revista), 103 de animais, escrita dos, 74; ver também:
Locação, fonema, 62, 146, 155, 195, 209, dedos; Plano Chão; Plano Parede
busque também pela locação específica. Ex: Multidimensional, Língua de Sinais, 60
ombros, cabeça, sobrancelhas, olhos,
cabeça, etc.
LS Alemã, 65, 72 N
LS Americana, ASL, 72, 73, 81, 83,
170, 321 Nariz, locação, ENM, 77, 156, 244
LS Dinamarquesa, 70, 71, 72 NASCIMENTO, M., 40, 92, 105, 343,
344, 347
LS Flamenca e LS Franco-belga
(Bélgica), 72 Navajo, língua, 56, 241

384
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Índice Remissivo de Palavras ou Expressões Chave 385

Negrinho e Solimões, (livro), 103, 114 Perspectiva Expressiva, 71, 121


Neurociências cognitivas, 43, 50, 114, 360; Perspectiva Receptiva 71, 121
ver também: cérebro Pescoço, articulador, locação, 121, 148, 209
NEVE, F., 65, 66 Pessoa, transformação, 47, 113, 118
Nível: de escolarização, 88; linguístico, PINKER, S., 55, 56
44, 47
Pitman Shorthand, sistema taquigráfico, 77
Noé, (livro), 103
Planejamento mental, 93
Notação, 57, 59, 62, 63, 64, 65, 66, 67, 70,
79, 80, 257, 300, 333, 335, 343, 363, 367, 371 Plano Chão, 142, 223, 226, 238, 267,
268, 293
Plano Diagonal, ver: Movimento
O Plano Parede, 132, 154, 223, 238, 267,
O menino, o pastor e o lobo, (livro), 103 268, 293
Olhar, ENM, 173, Plugin, 73, 105, 110
Olhos, locação, ENM, 156, 210, 255; Ponto de Articulação, ver: locação
direção do olhar, 102, 157, 256, 257 Ponto de vista do sinalizador, corpo do, se
Ombro, articulador, locação, ENM, 146, aproxima do, se afasta do, direção do olhar,
147, 209, 210, 281, 282 71, 121, 122, 132, 173, 196, 219, 259, 267,
268, 271, 283
Orelha, locação, 195
Pontuação, 49, 60, 77, 112, 157, 185, 241,
Orelha, locação, 77, 195
245, 284
Orientação da Palma, fonema, 122, 128;
Porto Alegre (RS), 33, 35, 37, 97, 111, 337
mudança de, 155
Português Brasileiro, 39, 40, 41, 42, 44,
Orkut (rede social), 112, 339; ver também:
rede social 46, 49, 56, 57, 58, 59, 60, 67, 70, 71, 73, 75,
76, 77, 78, 82, 83, 86, 87, 90, 91, 93, 96, 103,
Ortografia, ver: regras ortográficas 107, 108, 109, 110, 112, 114, 115, 120, 157,
158, 170, 185, 290
P Pressão, ver: tensão
Primeira Língua (L1), 44, 61, 87, 90,
Padrão Manuscrito ou escrita à mão, 100, 104, 109, 115, 301, 336, 348, 352; ver
reconhecimento 99, 100; ver também:
também: Português Brasileiro
software
Processos cognitivos, 60
Pantomima: 55; escrita de, 74
Professor bilíngue, 57
Parada brusca, ver: tensão
PUC-RS, 97, 371
Parênteses, pontuação, 284
Passo a passo, metodologia, ensino, Escrita Pulso, ver: movimentos
de Sinais, 40, 45, 48, 49, 57, 77, 88, 94, 113,
114, 119, 300, 301, 352, 356, 359, 360, 3698
Q
Pausa curta, pontuação, 185
Pedagogia visual, 104, 373 QUADROS, R., 41, 47, 58, 60, 61, 62, 79,
Pegar, contato, 194; entre, 227 83, 96, 102, 104, 105, 109, 112, 173, 210,
Peito, articulador, locação, 121, 146, 245, 351, 356, 360, 364
147, 149 Química, 41, 101, 102, 194, 239
385
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386 Escrita de Sinais sem mistérios

Quirema, 62; ver também: fonema SignHTML, 99; ver também: software;
computação
SignNet, projeto, 37, 97, 98, 99, 351; ver
R também: software; computação
Rápido, dinâmica, 258 SignPuddle (sistema computacional) 74, 75,
98, 99, 100, 105, 109, 170, 212, 356, 357; ver
Rapunzel Surda, (livro), 103
também: computador, escrita no
REATECH (feira), 114
SignSim, 98, 100; ver também: software;
Rede Social, 112, 115, 356, 357, 361; ver computação
também: Facebook; Orkut
SignSMS, 99; ver também: software;
Reescrita, 93 computação
Referente: dêitico, 67, 83, 173, 174, 300; SignTalk, 98, 100; ver também: software;
anafóricos, 83, 173, 174, 300; ver também: computação
catáfora
SignWebEdit, 99, 334; ver também:
Registro das Escritas do Mundo (Registry
software; computação
of World Scripts), 75
SignWebmessage, 338; ver também: software;
Regras ortográficas, ortografia, 50, 93, 136,
computação
148, 356, 364, 368, 372; exceções: 137
SignWriter (sistema computacional) 74, 99,
Relaxado, dinâmica, 259
104; ver também: software; computação
Respiração, ENM, 270
SignWriting Brasil, grupo no Facebook,
Resumo, Escrita de Sinais, 110, 111, 375, xxi, 112
376; ver também: tradução
SignWriting Journal, 100
Rosto, articulador, locação, ENM, 147, 148,
149, 209, 210 SignWriting Symposium, 34, 36, 50, 343,
347, 351, 355, 359, 363, 367, 371, 375
Simultâneo, Movimento, dinâmica, 50,
S 170; Língua de Sinais, 60
Sinais indígenas, 81
Sala de bate papo, 98
Sinais nome, 290, 322
Salvador/ BA, 80, 102, 106, 111, 113, 114
Sinalário, 90
SAMPSON, G., 77
Sinógrafo, 144, 164
São Paulo/ SP, 113, 114
Sintaxe, 48, 335, 336
Segunda Língua (L2), aquisição, 46, 56,
61, 87, 89, 90, 100, 108, 109, 299, 336; Sobrancelha, locação, ENM, 155, 228
ver também: Língua Oral; alfabetização; Software, 35, 37, 49, 64, 98, 99, 100, 111,
Primeira Língua; Português Brasileiro 335, 351, 360, 372; ver também: computação
Semântica, 48, 356 Sol e as ovelhas, (livro), 103
SignDic, 98; ver também: software; Soletração rítmica, sinais soletrados, 222;
computação ver também: datilologia
SignEd, 98, 100; ver também: software; STOKOE, W., 55, 63, 64, 65, 67, 299, 363,
computação 364, 371; notação de, 63, 64, 65, 79, 67,
SignHQ, 98, 334; ver também: software; 79, 80
computação

386
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Índice Remissivo de Palavras ou Expressões Chave 387

STUMPF, M., xxi, 41, 55, 61, 62, 64, 665, Trabalho de conclusão de curso, 72, 111
66, 68, 81, 82, 87, 88, 89, 90, 96, 97, 101, Traço final, pontuação, 158
103, 104, 105, 109, 112, 299, 338, 343, 344,
Tradução: tradutor, execução, técnica, 39,
347, 351, 352, 367
41, 44, 49, 57, 58, 73, 82, 87, 91, 98, 103,
Superfície, grafema de, contato, 292, 293 106, 110, 115, 290, 333, 334, 335, 336, 337,
SUTTON, V., xx, 33, 35, 37, 49, 70, 71, 72, 348, 352, 356, 361, 368, 376; análise, história,
73, 74, 81, 83, 89, 145, 166, 168, 292, 299, 111, 112, 375; automática, 68, 300, 338; de
222, 333, 343, 344, 364, 367, 368, 371, 372 resumo acadêmico, 375; semiautomático, 98;
SW Edit (sistema computacional), 37, 99, ver também: artigo acadêmico
351; ver também: software; computação Transcrição, Língua de Sinais, 39, 57, 58,
SW informa, informativo, 100 59, 63, 64, 65, 71, 73, 74, 80, 81, 82, 83, 102,
110, 221, 300, 356, 361, 363, 364, 368, 371;
SWDB, software, 100, 335; ver também: ver também: IPA; glosa
software; computação
Tridimensional, Língua de Sinais, sinal,
SWML (SignWriting Markup Language) espaço, 67, 79, 83; boneco, avatar, 100, 300,
98, 99; ver também: software; computação 333, 348
SW-OCX, 98; ver também: software; Tronco, articulador, locação, ENM, 148,
computação 168, 173, 174, 210, 281, 282
SWService, 99, 338; ver também: software;
computação
SW-Webmail, 98; ver também: software; U
computação; e-mail
Uberaba/ MG, 113
UCPel, 97, 100
T UFC, 105, 111
UFPB, 106
Tablet, 100; ver também: software;
computação UFSC, 37, 42, 101, 105, 106, 110, 111, 351,
352, 356
Teclado: 74, 99, 351; virtual, Escrita
de Sinais, 106; ver também: software; Unicode, padrão, 76
computação Universidade de Hamburgo (Alemanha), 64
Técnicas: de ensino, aprendizagem, 42, Universidade de Liége (Bélgica), 65
43, 47, 50, 113, 114, 118, 360; de pesquisa, Universitário, 90, 105, 106, 107
96; edição de vídeos, 360; produção de
Variações regionais, regionalismos, 48, 82,
dicionário, 101
107, 112, 372
Telefonia móvel, celular, 56, 86, 99
Tempo, categoria, ver: dinâmica
Tensão, dinâmica, 238, 239, 240, 241 V
Terezina/ PI, 106 Visão de cima, 128
Tese de doutorado, 72, 102, 111, 375, 376 Visão de frente, 128
Tocar, contato, 124, 148, 156, 240; entre, Visão lateral, 149
194
Visoespacial, língua, Língua de Sinais, 60,
Topônimo, 290 78, 108

387
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388 Escrita de Sinais sem mistérios

Vitória da Conquista/ BA, 113, 114


Viva as diferenças, (livro), 103

W
Wikipedia ASL, projeto, 75, 170

X
XML (eXtensible Markup Language), 98;
ver também: software, computação

Y
Yoruba, língua, 58

388
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Índice Remissivo dos Grafemas da


Escrita de Sinais

Neste índice você encontrará todos os grafemas da Escrita de Sinais


que são ensinados neste livro. Estão organizados em grupos e ordena-
dos conforme Sutton (2011). Utilize este índice para buscar grafemas
da Escrita de Sinais. Embaixo de cada grafema você encontrará o(s)
número(s) da(s) página(s) em que foi(ram) ensinado(s).

Orientações da Palma

122, 125, 144

123, 124, 125, 144

123, 125, 128, 130, 131

129, 130, 131, 144

129, 130, 131, 144

128, 129, 130, 131, 144


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390 Escrita de Sinais sem mistérios

Configurações de Mão

Grupo 01
Indicador
CM 09 - 207 CM 17 - 254

Grupo 02
CM 01 - 125, 128, 129, 131, Indicador e Médio
144, 220 CM 18 - 254

CM 10 - 134, 220
CM 02 - 206, 220 CM 19 - 278

CM 11 - 134
CM 03 - 291 CM 20 - 266

CM 12 - 134, 220
CM 04 - 278 CM 21 - 254

CM 13 - 134
CM 22 - 254
CM 05 - 206

CM 14 - 134, 166, 220


CM 23 - 236
CM 06 - 140

CM 15 - 135, 220
CM 07 - 140, 220 CM 24 - 236
Grupo 03
Polegar, Indicador
e Médio
CM 08 - 206 CM 25 - 206

CM 16 - 236 CM 26 - 236
390
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Índice Remissivo dos Grafemas da Escrita de Sinais 391

Grupo 05
CM 27 - 236 Cinco Dedos CM 44 - 207

CM 28 - 166, 207, 220 CM 35 - 141 CM 45 - 180

CM 46 - 180, 220
CM 29 - 291 CM 136 - 141

Grupo 04
CM 47 - 237
Quatro Dedos
CM 37 - 141

CM 48 - 237
CM 30 - 165 CM 38 - 166, 180

CM 49 - 237

CM 31 - 254 CM 39 - 266

CM 50 - 135

CM 32 - 165, 220
CM 40 - 122, 129,
130, 131, 144, 207
CM 51 - 135, 220

CM 33 - 267

CM 52 - 135
CM 41 - 207, 208

CM 34a - 165
CM 53 - 180
CM 42 - 266
CM 34b - 165, 220
CM 54 - 180

CM 43 - 266
391
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392 Escrita de Sinais sem mistérios

CM 55 - 181
CM 63 - 291 CM 73 - 255

Grupo 07
Anelar
CM 56 - 237 CM 64 - 152, 220

CM 57 - 181 CM 65 - 291 CM 74 - 207

CM 58 - 181
CM 66 - 192
CM 75 - 279
Grupo 06
Mínimo
CM 67 - 152, 220
CM 76 - 279

CM 59a - 164, 220


CM 68 - 152
CM 77 - 279

CM 59b - 164
CM 69 - 152 Grupo 08
Médio

CM 60 - 164
CM 70 - 291
CM 78 - 165

CM 61 - 164
CM 71 - 152
CM 79 - 190

CM 62 - 164, 166, 220


CM 72 - 255
CM 80 - 190

392
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Índice Remissivo dos Grafemas da Escrita de Sinais 393

CM 99 - 218
CM 81 - 190 CM 90 - 191

CM 100 - 218

CM 82 - 190 CM 91 - 292

CM 101 - 218

CM 83 - 278 CM 92 - 140, 220

CM 102 - 218
Grupo 09
Indicador e Polegar
CM 93a - 141, 220
CM 103 - 218

CM 84 - 135
CM 93b - 141 CM 104 - 219

CM 85 - 190
CM 105 - 219, 220
CM 94 - 140

CM 86 - 191 CM 106 - 219

CM 95 - 292
Grupo 10
Polegar
CM 87 - 191
CM 96 - 278
CM 107 - 153

CM 88 - 191, 220
CM 97 - 266 CM 108a - 153, 220

CM 89 - 191, 220 CM 98 - 141 CM 108b - 153

393
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394 Escrita de Sinais sem mistérios

CM 109 - 153

CM 110 - 153

CM 111 - 125,
130, 131, 144, 220

Movimentos

Grupo 11
Contato 133 292, 293

Grupo 12
124, 148 227 Movimento do(s)
dedo(s)

194 172
167

194 227
167, 168

292, 293
227
167

292, 293
208
167

292, 293
227
184

394
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Índice Remissivo dos Grafemas da Escrita de Sinais 395

Grupo 14
183
Retas no Plano
154 Diagonal
184

154 280
193, 194

154 280
193

Grupo 15
154 Retas no Plano Chão
192, 193

142, 143
154
197, 198

143, 144, 145, 146

197, 198 238

Grupo 13 145, 146


Retas no Plano Parede
238
269
132, 133, 143

211, 212
238
132, 133, 143, 144

145, 146 211, 212 238

269 238
211, 212

395
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396 Escrita de Sinais sem mistérios

Grupo 18
Curvas que ‘batem’ no
238 225 Plano Chão

Grupo 16
Curvas planas no Plano
Parede 225 195, 196

182 195, 196


225

211 211
225

211 211

227

211 211

226, 227
211
211 Grupo 17
Curvas que ‘batem’ no
Plano Parede
211
211

195, 196, 197, 279

211
225
195, 196, 197, 280

226
396
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Índice Remissivo dos Grafemas da Escrita de Sinais 397

226 226
223, 224

226 226
223, 224
Grupo 19
Curvas paralelas ao
195, 196 Plano Chão
223, 224

182, 183
195, 196

223, 224
182, 183

211

182, 183 226, 227

211
211

226, 227
211 211

Grupo 20
Círculos
211
211

211 168, 169

211

223, 224 169, 170

211

223, 224 169

397
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398 Escrita de Sinais sem mistérios

267

268

268

Dinâmica e Tempo

Grupo 21

258

258, 259

238, 239

259

170, 171

171, 172

184, 185

398
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Índice Remissivo dos Grafemas da Escrita de Sinais 399

Outras Partes do Corpo

Grupo 22
Cabeça
155
243

126, 131, 147, 149


228

244

209
228

244, 245
283
156, 256

244
147, 149
256

244
243 256

244, 245
256
243
Grupo 23
Testa, Olhos e
Sobrancelhas
256
245

228
256
399
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400 Escrita de Sinais sem mistérios

256 270 243

Grupo 24
Bochechas, Orelhas, 270
Nariz e Respiração 271

270

270 Grupo 25 243


Boca e Lábios

270
243
156

270
271
156

195
271
242, 243
Grupo 26
Dentes, Língua e
149, 156 Pescoço
242, 243

156 283
242, 243

270 283
242, 243

400
Transaction: HP00215278672315 e-mail: kersiadourado@gmail.com
Índice Remissivo dos Grafemas da Escrita de Sinais 401

210
283 271

282

283
149, 209 282

284
195 282

Grupo 27 Grupo 28
Tronco Membros
284

281, 149

126, 183
284
281

281
271, 272

209
271, 272

210

271
210

210
271

401
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402 Escrita de Sinais sem mistérios

Pontuação

Grupo 29

185

157, 158

245, 246

185

284, 285

402
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Índice Remissivo dos Sinais


Escritos no Livro

Aqui estão listados em ordem alfabética o equivalente em Português


dos sinais da Libras utilizados como exemplo ou que estão nos
glossários no final de cada trecho da história em ELS. Na frente das
palavras, está(ão) o(s) número(s) indicando a (s) página (s) onde os
respectivos sinais estão.
Excluem-se: os demais sinais utilizados nas partes pré-textuais do
livro (epígrafe, dedicatória, agradecimentos, etc.), sinais dos títulos de capítulos
ou seções, e da história em ELS ou frases de exemplo.

A Acreditar, 155 Amicíssimo, 147, 148


Adesivo, 226 Amigo, 147
A, 220 Admirador, 243 Ampla acuidade visual, 155
À tarde, 161 Adoecer, 190 Andar, 216
Abacate, 237 Adversário (a), 294 Andar de salto alto (CL),
Abade l’Épée, 209 Advogado (a), 268 259
Abandonar, 240 Agradecer, 216 Aniversário, 147, 270
Abraço muito forte Ajoelhar-se, 136 Ano (s), 161
(despedida), 240 Anos (duração), 161
Ajudar, 145
Abrir (gaveta), 130
Ajudar-me (direcional), Antiquado, 142
Abrir (janela), 183 216, 233 Ao amanhecer, 203
Abrir a espingarda para Ajuntar duas coisas, 228, Apelar, 197
recarregá-la (CL), 255 240
Aplaudir, 227
Abrir o portão um pouco Aldeia, 148
para espiar (CL), 244 Apontador, 228
Alemanha, 147
Abrir os olhos, 256 Aprender, 167
Algemas, 191
Absurdo, 166 Aqui, 161
Alguns, 194
Acabar por completo, 190 Ar, 270
Almoçar, 171
Academia, 224 Arado, 254
Amado (a), 240
Acessibilidade, 172 Aranha, 192
Amanhã, 203
Acidente de automóvel Aranha movendo as
Amante, 192 patas com dificuldade
muito grave, 284
Amargo, 270 (relaxadamente) (CL), 203
Acidente de carro, 155,
208, 227, 239 Amazonas (estado), 188 Arco-íris, 182
Acima, 184 Ambiente sem ninguém, Área, 169
Aconselhar, 181, 227 216 Área, 216
Acontecer, 216 América Latina, 236 Árvore, 227
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404 Escrita de Sinais sem mistérios

Ásia, 169 Beber, 177, 226 Cadeira, 134


Aspas, 167 Beber com canudinho, 270 Caixa, 264
Atacar uma mosca, 239 Beber muito, 177 Calma, 197, 216
Atrasar, 269 Bem-vindo (a), 188 Caminhão, 288
Atual, 264 Bicho preguiça, 259 Caminhar (CL), 216
Auditório, 281 Biscoito, 156 Caminho, 211
Avisar, 203 Boas vindas, 188 Camisa de botão, 190
Avó, 126 Bola grande, 180 Campeonato, 145
Avô, 126 Bola grande, 240 Cancelar, 154, 161
Azeite, 169 Bolívia, 255 Cano, 144
Bom, 167 Cão latindo (CL), 161
Bom amigo, 147, 148 Cão pastor alemão, 161
B
Bombeiro, 196 Cara a cara, 294
B, 220 Bonito (a), 193 Características, 182
Babar, 284 Botão direito do mouse Caranguejo, 237
(informática), 254 Cardápio, 188
Bactéria, 255
Branco, 172 Caridoso (a), 183
Bahia, 276
Brasil, 165 Carlos Skliar, Dr. (autor),
Bairro, 169, 264 Brasília/ DF, 218 227
Bala, 284 Bravo (a), 172 Carregar no ombro, 210
Banco, 233 Brega, 255 Carro, 125, 133
Brilhar, 238 Carro passando por várias
Banguelo (a), 272
ruas (CL), 212
Banheira de Brincar, 171
Carro se amassou muito
hidromassagem (Glossário Brinco, 195
(CL), 177
de Desenho Arquitetônico Broche, 237
do CEFET/ MG), 294 Carteira de identidade, 227
Burocracia, 137
Banheiro, 177 Casa, 124, 131, 136, 148,
Buscar, 166 207, 276
Barbear, 141
Castor roendo um tronco
Barco, 237 (CL), 254
Barrigudo (a), 197
C
Cavalgar, 194
Barulho, 195 C, 220 Cego, 133
Base, 239 Cabeça, 181 Centro de Educação para
Básico, 239 Cabelereiro (a), 195 Surdos Rio Branco (SP), 164
Batata, 188 Cabelo, 195 Chamar, 196
Bater, 258 Cabelo cacheado, 195, 212 Chave, 227
Bater com mais força, 258 Cabisbaixo (muito triste), Chave de fenda, 226
Bater com mais força e 243 Chaves, 291
mais rapidamente, 258 Cabo, 130 Chef, 298
404
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Índice Remissivo dos Sinais Escritos no Livro 405

Chegar, 264 Consertar, 228 Dar sinal a algo ou alguém,


Cheque, 153 Construir, 185 268
Chique, 298 Dar um soco muito forte
Continuar, 276 (CL), 282
Chover muito, 177 Conversa informal, 259 Decidir, 298
Churrasco, 238 Conversar, 172 Deficiente, 278
Chutar (CL luta), 278 Conversar em Libras, 276 Defunto, 256
Claraboia (Glossário de Conversar informalmente, Demorar, 233
Desenho Arquitetônico do 276 Denominar, 268
CEFET/ MG), 281 Convidar, 188 Dentro, 194
Clarear, 256 Convite, 240, 298 Depender (condicional),
Clipes, 236 Copo, 180 133
Cobra, 267 Cor, 193 Depois, 196
Coçar-se, 141 Coração partido (CL), 237 Descansar, 197, 203
Coceira, 141 Corpo, 209 Descendência, 211
Correr rápido, 258 Descobrir, 239
Coelho, 184
Cortar com tesoura, 198 Desconhecido, 210, 244
Coisas, 233
Coruja, 256 Desculpar-se, 153
Colocar a bolsa no ombro, Desenhar, 198
Costas, 209
210
Costurar à mão, 192 Desesperado, 243
Colocar o bolo no forno Despedir-se, 141
(CL), 143 Cozinhar, 268
Crescer, 133 Desprezar, 210
Colocar os óculos (CL), Detonador, 154
233 Crescer junto com alguém,
146, 188 Devagar, 197
Colocar um quadro na Diferente, 198
Criança, 129
parede (CL), 240
Crianças, 211 Difícil, 167
Combinar, 129, 206 Digitar mensagem no
Criar, 298
Começar, 188 celular, 203
Cuidar, 188
Comer, 184 Dinamarca, 236
Culpa, 135
Cômodo, 216 Dinossauro, 278
Cupuaçu, 188, 198
Direita, 208
Compensar, 233 Currículo Lattes, 192, 294
Diretor (a), 149
Comprar, 161
Disciplina, 181
Comunicação, 181 D Disfarçar, 171
Comunidade, 224 Distanciar se de uma
Confusão, 194 D, 220 pessoa, 188
Dar, 161, 193 Distanciar-se de uma
Congresso, 224
Dar descarga (sanitário), pessoa (CL), 133
Conhecer, 166
130 Distanciar-se muito de
Conseguir, 233 Dar sinal (ônibus), 125 uma pessoa (CL), 133
405
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406 Escrita de Sinais sem mistérios

Distanciar-se um pouco de Enviar carta, 298 Faculdade, 191


uma pessoa (CL), 133 Enviar e-mail, 298 Falar a alguém, 203
Diversos, 198, 233 Enviar mensagem de Falar mal pelas costas, 209
Dois carros lado a lado celular, 203, 293 Falar oralmente, 184
(CL), 145 Errado (sinalização Família, 192
Dólar, 227 infantil), 161
Famoso (a), 298
Domingo, 169, 206 Escada rolante, 280
Fazer a sobrancelha, 219
Dono (a), 149 Escolher, 219
Fé, 221
Droga (AL, SC), 207 Escrever, 188
Febre, 203
Duas pessoas se assentam Espanha, 197
Fechar (loja), 125
(CL), 251 Especial, 166
Feio (a), 146
Duríssimo, 208 Esperar, 177
Felicidade, 216
Duro, 142, 208 Esperteza, 155, 276
Esperto, 276 Feliz, 216
Espingarda, 278, 294 Férias, 276
E Festa, 147
Esquecer, 264
E, 220 Esquerda, 166 Ficar, 288
Economizar, 153 Estado, 276 Ficar nervoso (a), 272
Ecumenismo, 279 Estar bem, 171 Figura, 198
Ele (a) (apontação Estar deitado, 216 Fila diminuindo (CL), 233
discreta), 129 Estetoscópio, 195 Fio, 152
Elevador de obras subindo Estimado (a), 240 Fique aqui!, 239
(CL), 146 Estranho, 224 Fisgar um peixe, 269
Em breve, 181 Ética (Curitiba/ PR), 208 Florianópolis (SC), 276
E-mail, 298 Eu, 208 Fome, 209
Empregado (a) doméstico Eu te amo, 152 Fone de ouvido, 195
(a), 209
Europa, 165 Fórmula (Glossário de
Encontrar, 143 Química CEFET/ MG),
Exemplo, 152
Enfermeiro (a), 267 194
Experimentar, 136
Engraçado, 288 Fortaleza (CE), 276
Explicar, 288
Enorme, 238 Ex-presidente Luís Inácio Freada brusca de bicicleta
Ensinar, 167 Lula da Silva, 291 (CL), 166
Ensinar-me (direcional), Expulsar, 184 Frente e verso, 224
288 Fugir, 266
Então, 259 Fundar, 298
F
Entender, 126, 137, 148, Futebol de salão, 136
224 F, 220 Futuro, 196
Entrar, 133, 196 Faca, 172
Entregar, 161, 193 Fácil, 190
406
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Índice Remissivo dos Sinais Escritos no Livro 407

G Importante, 212 K
Impressão digital, 227
G, 220 Inaugurar, 184 K, 220
Garagem, 294 Incentivar-me (direcional),
Garçom, 298 196 L
Garçonete, 298 Índio (a), 272
Gastar, 133, 136 Individual, 267 L, 220
Geladeira, 183 Influenza A (H1N1 - gripe Ladrão (a), 284
Gêmeo (a), 142 suína), 283 Lagartixa, 236
Genro, 141 Inglês, 218 Lanchar, 181
Goiás, 161 Injeção, 254 Laranja, 166
Gordo (a), 270 Instituto Nacional Lavar o cabelo, 195
Educação de Surdos (INES), Ler, 154
Gostar, 146, 172
152 Lesma, 167
Gostoso, 243
Inteligente, 161 Lesma se locomovendo
Grande explosão, 239
Internet, 170 (CL), 259
Grávida, 197
Interpretar, 225 Letras (curso superior), 140
Grupo, 180
Intérprete, 225 Letras/ Libras (curso
Guaraná, 188 superior), 227
Intervalo entre aulas, 267
Guiar, 216, 228 Levantar (ordem), 143
Ir (muitas pessoas vão a
algum lugar), 264 Levantar peso (atividade
física), 210
H Ir, 216
Ir embora, 203 Levantar-se, 177
H, 220 Levantar-se abruptamente,
Irmão (ã), 192, 251
Hábito, 238, 293 240
Isqueiro, 153
Hipopótamo, 255, 294 Levar, 228
Itaquaquecetuba/ SP, 291
Hoje, 264 Levar alguém, 216
Item, 3 (tópico), 237
Homossexual (chulo), 208 Levar o canudinho à boca
Item 5 (tópico), 142 (segurando o copo) (CL),
Hospital, 203 281
Lhama, 255
J
I Líder, 191
J, 220 Limão, 243
I, 220 Já, 264 Limpar uma vidraça de
Idade, 161 cima para baixo (CL), 211
Janela, 251
Ideia, 216 Lista, 137, 181
Jogo de xadrez, 188
Idêntico, 198 Livro, 225
Julgar, 135
Identidade, 294 Lobo, 267
Junto, 153
Igual, 198 Logotipo, 251
Justiça, 135
Implante coclear, 209 Lousa, 154
407
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408 Escrita de Sinais sem mistérios

Lucinda Ferreira Brito, Metodologia, 166 N


Dra. (autora), 227 Metrô, 145
Lugar, 264 Meu, 146, 148 N, 220
Lupa, 142 Mexer, 266 Na frente de todos, 149
Luxuoso, 298 Mil, 207 Nada, 177, 216, 244
Minas Gerais, 209 Não, 125, 244
Minha, 146, 148 Não adiantar, 184
M
Minha nossa, 210 Não conhecer, 188
M, 220 Minuto, 164 Não saber, 210, 244
Maconha, 266 Misturar, 181 Não saber nada, 135
Madrugada, 194 Momento presente, 264 Não ter, 227
Madson Barreto (autor), Montanha russa (parque de Não ver, 133
149 diversões), 211 Nascer, 196
Mãe, 161 Morar, 148 Nenhum, 177, 244
Magro (a), 270 Morrer, 209 Nervoso, 272
Mais, 208, 225 Mostrar, 145 Neve, 193
Mais ou menos, 227 Moto, 269 Ninar um neném
Mandar, 280 Moto acelerando (o corpo suavemente, 259
vai para trás) (CL), 282 Ninguém, 177
Manhã, 216
Movimento, 171 No dia seguinte, 203
Marca, 251
Movimentos da cabeça, Noite, 237
Marrom, 164
267
Matar (com faca), 280 Noivo (a) (usado em
Mudar, 169
Matar mosca sem olhar, algumas regiões de SP), 279
Mudar-se (de um lugar
258 Noivo (a), 279
para outro) (direcional), 188
Medo, 167 Nome, 134
Muita experiência, 239
Meia, 140 Norte, 136
Muita responsabilidade,
Melhor, 177 210 Nós três, 177
Melhorar, 203 Muita saudade, 298 Novela, 134
Meningite, 209 Muita vontade, 240 Novíssimo, 177
Mentira, 140 Muitas horas, 268 Novo, 167
Mergulhar, 193 Muitas vezes, 194 Número, 147
Mês, 233 Muito alto, 243 Nutrição, 298
Mesa, 155 Muito cansado (a), 210 Nutricionista, 298
Messias Ramos (surdo de Muito quente, 216, 259
Brasília/ DF), 292 Muito tempo atrás, 183 O
Mestrado, 166 Muitos anos, 188
Mestre, 166 Mulher, 154 O, 220
Metade, 133 Mundo, 193 O dia todo, 177
Metáfora, 294 Música, 182 O que, 219, 243
408
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Índice Remissivo dos Sinais Escritos no Livro 409

Obedecer, 149 Pão com forma Pinguim, 282


Objetos, 233 arredondada, 225 Pirâmide, 148, 267
Obrigado (a), 216 Pará, 276 Pizza, 224
Óculos, 219 Para cima, 143 Planejar, 143
Oeste, 136 Paraná, 227 Polícia, 147
Ofegante, 270 Parecer, 198 Por que, 129
Oficial, 190 Paris (França), 182 Porque, 129
Oi (Empresa de Telefonia), Particular, 267 Porta (Glossário de
291 Partir ao meio, 133 Desenho Arquitetônico do
Oi, 141 Passado, 161 CEFET/MG), 240
Olá, 141 Pássaro andando (CL), 244 Porta batendo ao longe
Olhar em várias direções, Passeata, 171 (CL), 283
172 Patinar, 185, 282 Portas se fecharam, 224
Olhar o tamanho de uma Pato, 236 Porto Alegre (RS), 227
fila (CL), 233 Pouco, 167
Patos de Minas/ MG, 237
Olhar pela janela do carro Pouquíssimo, 219, 256
Pavão, 155
(CL), 244
Pedir, 183 Prato, 224
Olhar rapidamente para a
Pegar algo (direcional), 166 Prato muito cheio (CL),
direita, 258
239
Olhar-me (direcional), 224 Pegar várias coisas, 172
Preconceito, 210
Olhos, 156 Peixe, 142
Preguiça, 259
Onde, 264 Perceber, 233
Preocupação, 216
Operador de caixa, 298 Percurso de um helicóptero
ao decolar (CL), 212 Preocupado (a), 216
Opor-se, 294
Perfeito (a), 193 Preparar, 143
Orar, 124, 148
Perguntar, 188 Presente, 233, 264
Ordenar, 280
Perigoso, 177 Presidenta Dilma Rousseff,
Orgulho, 147 291
Permanecer, 288
Original, 190 Pressionar um pote de cola
Perseguir a mosca com o
Ótimo, 288 olhar e então matá-la, 258 e aplicá-la em círculos (CL),
Ouro, 238 203
Perto, 153
Outra vez, 225 Processar, 227
Pêssego, 237
Ouvinte, 166 Procurar, 207, 216
Pessoa, 218
Ouvir, 203 Promoção, 238
Pessoalmente, 194
Próton (Glossário de
Piada, 288
Química do CEFET/ MG),
P Piano, 192 239
Pica-pau bicando uma Provisório, 134, 137
P, 220 árvore (CL), 244
Próxima semana, 233
Paciência, 233 Pico Dedo de Deus
Psicólogo (a), 133
Pagar à vista, 207 (Teresópolis/ RJ), 292
409
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410 Escrita de Sinais sem mistérios

Q Rezar, 124 Ser destruído, 190


Rico, 141 Ser pego de surpresa, 272
Q, 220 Rímel, 256 Sete, 219
Quadro, 154 Rinoceronte, 156 Sétima série, 219
Quarta-feira, 165 Rio de Janeiro (estado), Seu, 216
Quarto, 216 276 Sexta-feira, 135, 142
Quebrar, 225 Rio Grande do Sul, 268 SignPuddle, 185
Queixo, 194 Rir, 243 Silêncio, 125, 148, 156
Querer, 188 Roteador (informática),
Sim, 223, 243
206
Querido (a), 240 Sinal, 268
Roubar, 193
Quinta-feira, 134, 147 Sino, 269
Roupa, 194
Sistema, 154
R Só, 165
S Sobrancelha, 155
R, 220 Social, 224
S, 220
Rádio comunicador, 237, Sociedade, 224
240 Sábado, 166
Saber, 131, 183 Sócio, 227
Raio muito forte, 239
Sacar dinheiro, 233 Sofrer, 209
Real (moeda brasileira),
136 Saci, 278 Sol, 219
Receber salário, 233 Sair (muita gente), 185 Soldado, 166
Recife (PE), 240, 276 Sair, 203, 266 Solidão, 125, 169
Refrigerante, 188 Salário, 191 Solteiro, 169
Reger, 182 Salvador/ BA, 240 Sonhar, 280
Região, 169 São Paulo (SP), 208 Sono, 256
Regras, 137 Sapato, 208 Soprar uma vela, 270
Régua, 218 Satélite, 255 Sorvete, 170, 284
Relógio, 136 Saudade, 161 Sovina (pão duro), 154
Relógio com defeito (CL), Saúde, 147, 192 Sozinho (a), 125, 169
269 Secretário (a), 181 Sua, 216
Remédio, 172, 218 Sede, 209 Sucesso, 196
Repetir, 225 Seguir, 238 Suco, 223
Reservar, 161 Segunda-feira, 136 Suicídio, 237
Resolver, 298 Segurar um cachorro pela Sul, 133
Responder, 143 corrente (CL), 161 Superfície, 143
Restabelecer-se, 203 Seguro, 192 Surdo (a), 126
Restaurante, 135, 156 Semana, 145 Susto, 197, 208
Revoltar-se, 197 Senhor (a), 149 Susto muito grande, 208
Revólver, 140 Sentir, 251
410
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Índice Remissivo dos Sinais Escritos no Livro 411

T Travesseiro, 183 Você, 143


Treinar, 276 Vocês, 183
T, 220 Trem, 170 Vôlei, 276
Também, 129, 137 Triângulo, 219 Vontade, 209
Tampa do vaso sanitário, Triste, 153, 243 Votar, 194
269
Tudo bem, 240
Tarde, 239
Tartaruga, 293 W
Tchau, 141 U
W, 220
Telefonar, 233
U, 220
Telefone, 152
Um carro seguindo o outro X
Telha, 237 (CL), 146
Telhado, 294 Um dia, 155 X, 220
Tema, 167 Uma hora (duração), 267
Tempo (futebol), 124 Uma onda gigante está
Y
Tentar, 136 vindo (CL), 283
Ter, 146 Usar, 169 Y, 220
Terça-feira, 166 Uva, 223
Terceiro, 164
Z
Texto, 191, 203 V
Tirar, 203 Z, 154, 208, 220
Título, 167 V, 220
Tocantins, 237, 237 Vacina, 219
Tocar campainha, 137 Vários, 198
Todo dia, 147, 170 Vazio, 216
Todo mundo, 193 Vencer, 266, 206
Todos, 193 Veneno, 254
Tomar banho, 172 Ver, 156
Tomar conta, 188 Verba, 180
Tópicos, 137, 181 Verba pequena, 180
Trabalhar, 216 Verdadeiro, 190
Trabalho, 216 Verde (RS, SC, algumas
regiões de SP), 147
Trabalho escolar ou
acadêmico, 192 Vestir uma roupa, 203
Trair, 224 Vício, 238, 293
Trancar à chave, 226 Vídeo conferência, 269
Tranquilo, 184 Vinho, 172
Transformar, 169 Vírus, 255

411
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