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Edição: O que é o homem?

Liberdade: um mito?
1
Tereza Maria Sério
Maria Amalia Andery 2

Se há uma noção cara ao homem contemporâneo esta é a noção de liberdade.


Defendemos que a liberdade é um direito humano inalienável. Lutamos pela
liberdade: pelas liberdades democráticas, pela liberdade de ir e vir, pela liberdade
Volume 1
de decidir, pela liberdade de pensar, pela liberdade de escolher, pela liberdade de
Julho-Dezembro 97 imprensa, pela liberdade de expressão, pela liberdade da empresa, pela liberdade
Número 1 dos povos ....

Por trás da questão da liberdade se encerra uma questão básica para qualquer
proposta de explicação do homem e de suas ações: a concepção de homem.
Queremos dizer que qualquer teoria ou sistema explicativo funda-se em vários
supostos, entre eles uma concepção de homem. E a questão de liberdade — que
se refere à questão da determinação do comportamento humano — é central.

Por isto escolhemos tratar da noção de liberdade, na tentativa de discutir a


concepção de homem que informa o behaviorismo radical. Para isto nos
basearemos em textos de Skinner. Sentimo-nos autorizadas a utilizar esse autor
para tratar de um tema tão candente como a liberdade, porque noção de liberdade
foi um tema quase que constante na obra de Skinner.

Citamos três exemplos que mostram essa presença marcante:

a) Em 1948, Skinner publicou uma "novela" intitulada Walden II. Neste livro
descreve a vida em uma comunidade utópica, organizada segundo os princípios de
análise do comportamento. O tema da liberdade é recorrente no livro.

O livro teve uma trajetória interessante. As 3000 ou 5000 cópias da primeira edição
ficaram encalhadas por quase 20 anos. Surpreendentemente, mais de um milhão
de cópias foram vendidas nos EUA na década de 60. A extraordinária venda do
livro nessa época coincide com um momento em que o mundo vivia e discutia a
questão da liberdade: é a década do movimento estudantil na Europa, nos EUA e
na América Latina, a década do movimento pelos direitos civis nos EUA, do
movimento hippie, da reação contra a Guerra no Vietnã, de grandes movimentos de
trabalhadores ...

O livro foi visto de duas maneiras antagônicas. De um lado, foi lido como uma
proposta libertária — quase anarquista — possivelmente por retratar uma
sociedade que enfatizava a variabilidade, a escolha individual — do trabalho, da
quantidade de trabalho, dos laços afetivos, do lazer. De outro lado, foi lido como
uma proposta totalitária — fascista mesmo — possivelmente por abolir a família
como forma de organização social, por envolver toda comunidade na educação das
crianças, por abolir a propriedade privada e a hierarquia no trabalho e por propor o
planejamento sistemático da cultura.

Se vale nossa opinião, ao analisar detidamente o livro concluímos (Andery, 1990)


que, para Skinner, quatro valores centrais devem dirigir tanto o planejamento
cultural quanto a avaliação de uma cultura: igualdade, felicidade, um impulso para o
futuro e ... liberdade.
b) Em 1959 Skinner publicou um livro chamado Registro Cumulativo. Este livro é
uma coletânea de artigos escolhidos e organizados pelo próprio Skinner. O autor
dividiu o livro em nove partes. A primeira delas foi intitulada: As Implicações de uma
Ciência do Comportamento para os Problemas Humanos, Especialmente para o
Conceito de Liberdade. Seis capítulos compõem esta parte: Liberdade e o Controle
do Homem; O Controle do Comportamento Humano, Algumas Questões Relativas
ao Controle do Comportamento Humano; O Planejamento de Culturas; ‘Homem’, e
O Planejamento de Comunidades Experimentais.

Se analisássemos apenas os títulos destes artigos três aspectos poderiam ser


destacados: (1) a contraposição que Skinner parece estabelecer entre liberdade e
controle, (2) a possível relação que parece estabelecer entre liberdade e concep-
ção de homem e (3) a interação entre liberdade e planejamento — não um
planejamento qualquer, mas o planejamento da cultura.

Esses três aspectos nos permitem fazer várias perguntas: Qual a concepção de
homem de Skinner? Qual a relação entre sua concepção de homem e o conceito de
liberdade? É possível compatibilizar liberdade e controle, liberdade e planejamento?
Se a resposta a estas perguntas parecer simples, se forem respostas do tipo ‘claro
que controle e planejamento se opõem a liberdade’, então podemos, como tantas
vezes já se fez, simplesmente descartar Skinner como arauto do homem autômato,
do homem robô.

Exatamente porque achamos que a resposta a estas questões não é simples,


continuamos recorrendo a Skinner.

c) Em 1971, Skinner publicou um livro cujo título original era Beyond Freedom and
Dignity que poderia ser traduzido como ‘Para Além da Liberdade e da Dignidade’.
Entretanto, o livro foi traduzido para o português como O Mito da Liberdade. E é
desta tradução que se originou o título deste artigo. Por que recorreríamos a um
título que consideramos mal dado? Esta não teria sido uma má escolha?

Em nossa opinião, não. Isto porque acreditamos que qualquer diálogo com a
análise behaviorista radical da noção de liberdade supõe pelo menos duas coisas.
Em primeiro lugar, supõe a possibilidade de que se supere uma reação emocional
inicial, quase incontrolável, do tipo: ‘liberdade um mito?! vai dizer que liberdade não
existe?! que o homem não é livre?!’ Em segundo lugar, supõe a possibilidade da
pergunta: seria liberdade um mito? Contando com estas duas possibilidades é que
propomos este artigo.

Para isto, se tivéssemos o talento necessário teríamos começado citando, com toda
veia artística que o verso exige, Raul Seixas: "prefiro ser essa metamorfose
ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo." O que queremos
dizer é que fazer a pergunta já supõe abrir mão de crenças muito bem arraigadas,
de "opiniões bem formadas". Envolver-se na busca de respostas supõe um certo
gosto pela mudança. Talvez o mais correto fosse afirmar que mais que um certo
gosto pela mudança, envolver-se na busca de respostas supõe ser desafiado para
a mudança.

Devemos alertar que mudança, neste caso, significa muitas coisas. Mudar significa,
por exemplo, numa época neo-liberal afirmar:

Economia livre não quer dizer ausência de controle econômico, porque nenhuma
economia será livre enquanto os produtos e o dinheiro permanecerem como
reforçadores. Quando nos recusamos a impor controle sobre salários, preços e a
utilização de recursos naturais, a fim de não interferir na iniciativa individual,
deixamos o indivíduo sob controle de contingências econômicas não planeja-das.
(Skinner,1971, p.93)

Feitos todos os desafios e alertas, podemos finalmente perguntar: como o


behaviorismo radical e, mais especifi-camente Skinner, analisa a noção de
liberdade?

A visão de homem autônomo

Podemos dizer que toda a proposta behaviorista para a psicologia se insere numa
perspectiva anti-mentalista. Visto sob este prisma, o behaviorismo é um programa
de combate ao mentalismo. É neste contexto que devemos inserir a análise da
questão da liberdade:

Incapazes de compreender a maneira ou a razão de uma pessoa proceder,


atribuímos seu comportamento a uma pessoa que não podemos ver e cujo
comportamento tampouco podemos explicar, mas sobre a qual não somos levados
a fazer perguntas. Provavelmente adotamos esta estratégia não tanto por falta de
interesse ou poder, mas devido a uma antiga convicção de que inexistem antece-
dentes relevantes para grande parte do comportamento humano. A função do
homem interno é fornecer uma explicação que por sua vez não será explicada .... o
homem autônomo serve para explicar apenas aquilo que ainda não somos capazes
de explicar de outra maneira. (Skinner, 1971, p.11)

Segundo Skinner, dentre os aspectos relacionados a esta concepção de homem,


encontra-se uma determinada concepção de liberdade.

Segundo o ponto de vista tradicional, uma pessoa é livre. É autônoma no sentido


de que seu comportamento não tem causa. Pode-se, portanto, considerá-la
responsável por seus atos e puni-la merecidamente por seus erros. (Skinner, 1971,
p.17)

Liberdade, neste caso, é livre arbítrio. É ausência de determinação. Qualquer


concepção científica de homem negará a liberdade definida desta forma. Esta
afirmação, entretanto, não encerra a discussão. Afirmar uma oposição entre ciência
e livre arbítrio é apenas o princípio de um longo percurso:

A ciência é comportamento humano e também o é a oposição à ciência. O que


aconteceu na luta do homem pela liberdade e pela dignidade e que problemas
surgem quando os conhecimentos científicos começam a ganhar importância nesta
luta? (Skinner, 1971, p.20)

O que estamos enfatizando aqui é que a análise da noção de liberdade deve seguir
este percurso: analisar compor-tamentalmente a luta do homem pela liberdade e
analisar se há oposição entre esta luta e o conhecimento científico acerca do
homem.

A luta do homem pela liberdade


Indiscutivelmente, para Skinner, há um sentido no qual todo ser humano participou
e participa de uma "luta pela liberdade": a luta envolvida na relação do homem com
a natureza para libertar-se de condições aversivas.

Grande parte da tecnologia física resulta dessa espécie de luta pela liberdade. Com
o correr dos séculos, trilhando caminhos desordenados, os homens construíram um
mundo em que se acham totalmente livres de muitas espécies de estímulos
ameaçadores ou prejudiciais — temperaturas extremas, fontes de infecção, trabalho
pesado, perigo — e até daquele estímulos aversivos secundários genericamente
chamados desconforto. (Skinner, 1971, p.25)

Entretanto, há um sentido mais importante da expressão luta pela liberdade. É


quando nos referimos "às condições aversivas que são produzidas por outras
pessoas"

(Skinner, 1971, p.25). Sobre isto Skinner afirma:

(... ) a luta pela liberdade se dirige contra os agentes intencionais de controle, ou


seja, contra aqueles que tratam os semelhantes de maneira aversiva, com o fim de
induzi-los a se comportarem de determinado modo. (Skinner, 1971, p27)

A oposição do homem ao controle aversivo exercido por outros homens gerou e


necessitou para se desenvolver de um instrumento importante, que Skinner
denomina de "a literatura de liberdade" ou "filosofia democrática". De uma maneira
geral, a assim chamada literatura da liberdade tem induzido os homens a se
contraporem — fugindo ou atacando — a aqueles que os controlam aversivamente
e às suas formas de controle. Enfatizando formas de controle aversivo, promo-
vendo principalmente ataque a tais controles e ainda que produzindo contra-
controle, esta literatura efetivamente promoveu, instigou e convenceu pessoas s a
se oporem ativamente ao controle aversivo.

Que problemas, então, uma análise comportamental revela, com relação a esta
literatura?

Em primeiro lugar essa literatura da liberdade enfatizou os sentimentos e estados


de espírito e não as mudanças que ela mesma promoveu. No dizer de Skinner, ela
coloca como objetivo mudar "os corações e as mentes das pessoas" e não suas
ações. Deste ponto de vista, liberdade torna-se "uma posse".

Em segundo lugar, esta literatura deu pouco ou nenhum destaque às contingências


de reforçamento positivo que podem originar problemas tão sérios quanto os que
são produto de controle aversivo. Skinner aponta algumas situações que revelam
estes problemas:

a. Quando o controle positivo apenas retarda conse-qüências aversivas atrasadas,


a literatura da liberdade não parece ajudar. Nesta circunstância, o agente
controlador geralmente se beneficia em detrimento do controlado.

Embora todos nós possamos nos rebelar quando alguma sanção é imposta
contingentemente a uma ação individual, não costumamos sentir nossa liberdade
ameaçada quando recebemos algo em troca de nossa anuência. Certamente, os
cristãos em Roma, perseguidos e atirados ao circo não se sentiam livres. Mas o que
dizer dos romanos que "escolhiam" ir ao circo? Quase com certeza identificamos
nossos opressores e repressores, mas sequer nos perguntamos sobre o pão e o
circo que quotidianamente nos são ofertados (ou impostos). Como diz Skinner:

Aquilo de que o escravo deve ser consciente é sua miséria e a verdadeira ameaça
é o sistema de escravidão concebido de modo a não produzir revolta. A literatura
da liberdade teve em mira tornar o homem consciente do controle aversivo, mas na
sua escolha de métodos deixou de libertar o escravo feliz. (Skinner, 1971, p.35)

b. Quando o controle sobre o comportamento é positivo, mas a quantidade de


reforços não é proporcional ao comportamento exigido, a literatura de liberdade
também não auxilia a análise. Ainda que o trabalhador possa ter aceito seu contrato
de trabalho, ainda que ninguém o tenha ameaçado, certamente este trabalhador
não é livre. A relação - tão nossa conhecida - de trabalho árduo (12, 15 horas
diárias, sem falar na condução) e pouca remuneração é o exemplo mais típico.

c. É necessário ainda destacar uma outra história de reforçamento que pode estar
atrás do trabalho árduo e que não permite falar em liberdade: se o reforçador for
muito poderoso, como é o caso em histórias de privação intensa, as pessoas não
são livres. Diz Skinner:

Podemos não nos sentir livres também sob refor-çamento positivo se ele for tão
poderoso a ponto de nos impedir de fazer coisas que gostaríamos de fazer.
Escravos obviamente não se sentem livres, mas trabalhadores também não se
sentem livres se tiverem que trabalhar tão longa e duramente a ponto de não terem
energia para nada mais. (Skinner, 1971, p.39)

A ciência do comportamento e a questão da liberdade

Em que medida este processo trilhado pela luta pela liberdade comprometeria uma
análise científica do homem? Para responder esta pergunta, dois aspectos
precisam ser considerados:

a. as próprias teorias científicas, fruto que são desta luta pela liberdade, acabam
por refletir traços / marcas das concepções de homem defendidas pela literatura da
liberdade.

Aceitando a determinação, em princípio, das ações humanas, tais teorias acabam


como que atenuando esta determinação. Esta atenuação é conseguida por
qualquer uma de duas estratégias.

a1) Em primeiro lugar, assumindo os determinantes da ação humana como algo tão
distante da própria ação que as relações de determinação parecem quase
inexistentes. Nenhum de nós parece ter sua liberdade/ autonomia ameaçada
quando consulta o mapa astral, o horóscopo, ou se sente integrado nos sistema
total de energia do universo. Na realidade, o que estas teorias fazem é distanciar o
homem da ação. A inacessibilidade dos determinantes da ação torna o sujeito mero
espectador de seu destino.

a2) A segunda estratégia de atenuação do determinismo consiste em trazer para


dentro do indivíduo estas deter-minações. Certamente, o fortalecimento do
indivíduo como fonte e origem de sua ação cumpriu um papel histórico importante:
Para unir os homens contra a tirania foi necessário fortalecer o indivíduo, ensinar-
lhe que ele tinha direitos e podia governar a si mesmo. Dar ao homem comum uma
nova concepção de seu valor, sua dignidade e seu poder para salvar-se a si
mesmo, tanto então como depois, foi freqüentemente o único recurso do
revolucionário. (Skinner, 1959, p.8)

Entretanto, o papel exacerbado do indivíduo como iniciador da ação é, em si


mesmo, um produto histórico que hoje tem importantes implicações: como a análise
do comportamento indica, continuar valorizando o sujeito, ensimesmando-o,
rompendo e obscurecendo suas relações com o ambiente físico e social pode
apresentar o indivíduo como autônomo, mas acabará por destrui-lo como homem.

A consciência é um produto social. Não só não é o campo especial do homem


autônomo, mas se acha fora de alcance do homem solitário. (Skinner, 1971, p. 183)

b) A luta pela liberdade e especialmente a literatura da liberdade, ao centralizarem


sua análise nos sentimentos e estados de espírito e na crítica às técnicas de
controle aversivo, acabaram por opor liberdade a todo controle. Esta oposição
supõe uma sobre valorização da liberdade e, por conseqüência, a desvalorização e
desqualificação do que se supõe ser seu antônimo, seu oposto - o controle.

Ao lutar pela liberdade, os defensores da literatura da liberdade "cometeram o erro


de supor que estavam suprimindo controle em lugar de corrigi-lo."(Skinner, 1971, p.
173)

Com tudo isso, a literatura da liberdade se encontra hoje "despreparada para o


próximo passo, que não consistirá em libertar os homens do controle, mas sim em
analisar e modificar os tipos de controle a que estão expostos. (Skinner, 1971, p.
40)

Se voltarmos à nossa pergunta - afinal em que medida o processo da luta pela


liberdade compromete uma análise científica do homem - aí está a oposição
irreconciliável entre a concepção tradicional de homem e a concepção behaviorista.
Após todo este percurso, voltamos, ainda que das mais diferentes formas ao
problema da determinação humana. E qual a importância disto?

Para o behaviorista isto é fundamental porque "o homem, como o conhecemos,


melhor ou pior, é o que o homem fez do homem"(Skinner, 1971, p. 197).

E para o behaviorista o homem vem se construindo ao construir o mundo no qual


vive. E, para nossa tristeza, o mundo que construímos " ... é um padrão pobre.
Qualquer sociedade sem fome e sem violência pareceria esplêndida contra esse
fundo." (Skinner, 1948, p. 286)

Afinal, liberdade é um mito?

Se até aqui a resposta a esta pergunta ainda não está clara não queremos correr o
risco da ambigüidade. Temos duas respostas para a pergunta.

Liberdade não é um mito. Se definida como o conjunto de sentimentos produzidos


por contingências de reforçamento positivo com características bem claras:
contingências que ocorrem na ausência de privação intensa, na ausência de uma
relação desigual entre a quantidade de resposta e reforçamento, na ausência de
acesso desigual e hierarquizado ao refor-çamento e na ausência de quaisquer
contingências aversivas sustentando as positivas. Esta liberdade não é um mito. Ela
pode ser um sonho, mas não é um mito. No entanto, é um sonho que só poderá ser
realizado mudando as contingências, transformando o mundo e não "os corações e
mentes dos homens", como tantas vezes disse Skinner.

Sim, liberdade é um mito. Se entendida como ausência de determinação, como


existência de livre arbítrio, como defesa de um homem autônomo, livre e avesso a
qualquer relação de controle com o ambiente, como o indivíduo que se auto-produz.

Mito aqui tem o preciso significado de uma explicação mítica: um tipo de explicação
que pode ter tido um papel na construção do pensamento racional; papel que se
cumpriu exatamente na medida em que o pensamento racional se expande,
estrutura e difunde e que hoje na defesa da não-razão (des-razão ou pós-razão)
acaba hoje por ocultar a realidade cumprindo agora o papel de manutenção e não
de trans-formação da realidade. E o apego a este mito é um problema. Ele indica
que :

nossas práticas atuais não representam uma posição teórica bem definida ... não
abandonamos totalmente a filosofia tradicional da natureza humana, ao mesmo
tempo que estamos longe de adotar sem reservas um ponto de vista científico.
Aceitamos em parte o pressuposto do deter-minismo, mas permitimos que nossa
simpatia, nosso primeiro compromisso e nossas aspirações pessoais se levantem
em defesa da visão tradicional ...Se este fosse apenas um problema teórico não
teríamos razão para alarme, mas teorias afetam práticas. Uma concepção científica
do comportamento dita uma prática, uma filosofia de liberdade pessoal, uma outra.
Confusão na teoria significa confusão na prática. As infelizes condições atuais do
mundo podem ser devidas em grande parte à nossa vacilação (Skinner, 1953, pp.
8,9)

Esta é a concepção de liberdade defendida pelo behaviorismo radical e este o


desafio que, no nosso entender todo behaviorista radical deveria assumir: o de
produzir conhecimento e tecnologia que nos permitam adquirir o tipo de liberdade
que aqui chamamos de um sonho, o de se envolver na transformação do mundo
com a perspectiva de um dia vivermos no mundo com que todos, um dia,
sonhamos.

Referências
Skinner, B.F. (1948) Walden II. New York: Macmillan

Skinner, B.F. (1953) Science and Human Behavior. New York: Macmillan

Skinner, B.F. (1959) Cumulative Record. New York: Appleton-Century-Crofts

Skinner, B.F. (1971) Beyond Freedom and Dignity. New York: Bantam Books

Andery, M.A. (1990). Uma Tentativa de (re) construção do mundo: a Ciência do


Comportamento como ferramenta de intervenção. Tese de Doutorado apresentada
ao programa de Psicologia Social da PUC-SP.
Notas
1 Dra. em Psicologia. Professora da disciplina Psicologia Compotamental na PUC-
SP.

2 Dra. em Biologia. Professora da disciplina Psicologia Comportamental na PUC-


SP.

http://www.ufba.br/instituicoes/ufba/faculdades/psicologia/liberdad.html

26/09/2003