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Análise Crítica

O texto original aparece no jornal oficial de 9 de dezembro de 2013. Decreto IEPS


“Bebidas açucaradas, para diminuir a obesidade”.

O atual alto consumo de bebidas com adição de açúcar contribui


significativamente para a ingestão excessiva de energia e é um fator importante no
desenvolvimento de sobrepeso e obesidade no México, o que representa um apelo
à definição de políticas públicas que favoreçam a redução no consumo de bebidas
com adição de açúcar.

Assim, considerando que a alta prevalência de sobrepeso e


obesidade representa um grande problema de saúde pública no México e que é
essencial ter uma política estadual para conseguir mudanças nos padrões
alimentares e na atividade física da sociedade mexicana, O Ministério da Saúde está
em processo de implementação da “Estratégia Nacional de Controle da Obesidade
e Diabetes”, que visa cumprir as estratégias propostas pelo Plano Nacional de
Desenvolvimento 2013-2018, referente a “Tornar as ações de proteção, promoção
e prevenção um eixo prioritário para a melhoria da saúde” e, assim, seguir as
respectivas linhas de ação, como reduzir a carga de morbimortalidade de doenças
crônicas não transmissíveis, principalmente diabetes e hipertensão, e implementar
ações para a prevenção e controle do sobrepeso, obesidade e diabetes.

Dado o problema da alta prevalência dessas doenças e seus impactos, é


importante fortalecer a implementação de políticas e programas eficazes de
prevenção da obesidade. Nesse sentido, qualquer esforço para reduzir os efeitos
negativos dessa situação e os custos gerados por sua atenção deve ser analisado
não somente a partir de uma política de saúde puramente pública; por esse motivo,
considerou-se que uma medida tributária contribuiria para os fins acima
mencionados.

Nesse sentido, a presente iniciativa propõe ao H. Congresso da União tributar com


o IEPS, através do estabelecimento, no nível produtor e importador, de uma cota
específica de 1 peso por litro para bebidas aromatizadas, bem como concentrados,
pós, xaropes, essências ou extratos de aromas, dependendo do rendimento que,
quando diluídos, permitem obter bebidas aromatizadas, contendo qualquer tipo de
açúcar adicionado.
1 Quais são os argumentos do artigo do DOF?

2 Quais foram as consistências e inconsistências encontradas no documento?

3 Quais são os erros ou vieses encontrados no argumento (sucessos, omissões, falácias, inferências falsas e
estatísticas enganosas)?

4 As conclusões estabelecidas podem ser deduzidas dos argumentos?

5 A pessoa está dando seu ponto de vista derivado de sua investigação?

6 Como você está ordenando seu próprio argumento (que não é disperso)?

O início do texto traz a frase “Bebidas açucaradas, para diminuir a obesidade”


fazendo alusão a uma afirmação que não deixa claro a real intenção do texto,
aparentando contextualizar de forma a demonstrar que as bebidas açucaradas
diminuem a obesidade. Na afirmação “O atual alto consumo de bebidas com
adição de açúcar contribui significativamente para a ingestão excessiva de
energia e é um fator importante no desenvolvimento de sobrepeso e obesidade
no México...” é preciso uma análise através de dados estáticos que demonstram
que é alto o consumo de bebidas açucaradas, assim como o que significa em
números a ingestão desse açúcar ser fator importante no desenvolvimento de
sobrepeso. Ainda temos que nos perguntar: Somente as bebidas açucaradas
desenvolvem o sobrepeso? Precisam ser associadas a algum outro alimento
para causar o sobrepeso? Em qual quantidade de bebidas temos que ingerir
para associarmos esse sobrepeso? Ainda na mesma frase temos uma
contradição quando fala que a ingestão de bebidas açucaradas causa uma
ingestão excessiva de energia e isso ajuda a desenvolver o sobrepeso, pois o
significado de energia é inverso do que traria aumento de peso, sendo energia a
realização de trabalhos, aumento de potencialidade, que traria na verdade perda
de peso.
Na parte “...a alta prevalência de sobrepeso e obesidade representa um grande
problema de saúde pública no México e que é essencial ter uma política estadual
para conseguir mudanças nos padrões alimentares e na atividade física da
sociedade mexicana...” não demonstra a real necessidade do envolvimento do
Governo nesse tema da forma como planejada no decreto. Temos apenas
subsídios para uma intervenção governamental na forma educacional. A frase
cita padrões alimentares e atividade física, campo esse que também não justifica
a intervenção do governo da maneira apresentada. A taxação nas bebidas
açucaradas não necessariamente fará com que as pessoas consumam menos
desse alimento ou não substituam por outros alimentos com teor de açúcar
parecidos. O governo vai interferir e taxar todos os alimentos que ajudam no
aumento da obesidade? Vai escolher alguns? Essa forma de atuação do
Governo requer mais analise e dados científicos de estudos. Mudanças de
padrões requer mais de educação do que de taxação. Em relação a atividades
físicas não vai ser a taxação nas bebidas açucaradas que vai fazer com que os
mexicanos façam mais atividades físicas ou mesmo se alimentem de forma mais
saudável. Continuando a falta de informações que exigiriam uma intervenção
governamental na forma de decreto.

Em “Dado o problema da alta prevalência dessas doenças e seus impactos, é


importante fortalecer a implementação de políticas e programas eficazes de
prevenção da obesidade. ” Como se pode afirmar que somente as bebidas
açucaradas causam doenças? O texto não possui nenhum conteúdo que
consiga demonstrar ou comprovar que as bebidas sozinhas trazem tantos efeitos
negativos.

Justifica-se o decreto com o custo pela atenção ao problema da obesidade


causada pelas bebidas açucaradas, mas não fica claro onde o valor arrecadado
com esse decreto vai ser utilizado. Não deixa claro se a medida sozinha trará
uma real redução de doenças ou sobrepeso na população. Em nenhum
momento o decreto deixa claro que o pagamento do imposto vai diminuir o
consumo, pois não traz analises, sendo somente mais um custo para todos os
consumidores, e não somente os obesos ou diabéticos.

Taxar toda e qualquer bebida açucarada é uma cobrança excessiva, pois se


parte do princípio que somente quem bebe são pessoas que são obesas o que
não considera a outra parte da população que é magra, que é saudável, mas
consomem bebidas açucaradas. O governo poderia utilizar uma medida de teor
de açúcar nas bebidas como um máximo permitido, que não prejudique a saúde,
para taxar as empresas que não seguissem esse parâmetro, ou mesmo, fazer
campanhas junto a empresas e a população para somente consumir bebidas
que diminuam a quantidade de açúcar em seus produtos. A atenção e forma de
abordagem a esse produto está desproporcional, sendo tratado igual a produtos
que causam vicio. A iniciativa de cuidar da saúde da população é sempre válida,
mas temos que pensar de modo a englobar uma parcela maior de pessoas,
sempre educando.
Avaliação

Lista de verificação Sim cumpre Não cumpre

1. Assinalou os argumentos no texto.

2. Identificou consistências e inconsistências no argumento.

3. Detectou sucessos, omissões, falácias, inferências falsas, estatísticas tendenciosas.

4. Analisou criticamente as relações causais da obesidade indicadas no texto.

5. Apresentou uma conclusão pessoal sobre o conteúdo do decreto.

6. Desenvolveu uma ordem em seu próprio argumento.

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