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RODOLFO RIBEIRO FERREIRA

RELATÓRIO 10
SAUDE E SOCIEDADE 4

ITAPERUNA

2019
RELATÓRIO DO DIA 13/08/19

No dia 13/08/19 foi realizada a segunda atividade da disciplina de Saúde e


Sociedade 4 cujo foco reside no conhecimento das redes de saúde. Nessa ocasião, foi
visitado o CRAS, uma rede de assistência social que se situa na Avenida Porto Alegre,
no Jardim Surubi, bairro Cidade Nova em Itaperuna – RJ. A responsável pela orientação
dos médicos em formação foi a tutora Renata.
A principio, o grupo havia se encontrado com a tutora no CRAS. Renata havia
frisado que na ocasião somente estavam presentes as pessoas encarregadas do
funcionamento geral do estabelecimento. No tocante à equipe técnica do CRAS, ela
havia dito que ela se consiste em uma assistente social, uma psicóloga e uma assistente
técnica. Além do mais, a coordenadora da rede é uma psicopedagoga. Há 2 cozinheiros,
que oferecem café da manhã, almoço e café da tarde. No período da manhã, ficam
crianças menores de 10 anos ao passo que no período de tarde, maiores de 10.
Acerca da obrigatoriedade de frequência de ida à rede de assistência, Renata
relatou que as crianças que estão cadastradas são obrigadas a frequentarem o local até
os 15 anos de idade. Depois dos 15, os jovens podem continuar com o desenvolvimento
de atividades nas oficinas do local mas não mais possuem a obrigação de frequentar o
mesmo.
Ademais, o projeto de orquestra que fez uma apresentação musical no último
congresso, de atenção básica realizado na UniRedentor envolve crianças justamente do
CRAS, que recebem treinamento musical. É importante salientar que o CRAS recebe
não só crianças como também adultos a fim de fortalecer vínculos e trabalhos em
oficinas. A tutora havia comparado os serviços ofertados pelo rede com os oferecidos
pela atenção básica, devido ao fato de que a rede atua de forma preventiva no que tange
a saúde e qualidade de vida dos que são assistidos por ela. A saber, há crianças que
estão por lá pois não possuem moradia ou mesmo porque possuem parentes como
primos que já se encontram pela rede.
Sobre a articulação da rede com programas sociais, Renata havia dito que há
cadastramento da bolsa família. Acerca disso, crianças precisam frequentar escola com
frequência para receber bolsa. Acresce que assistência básica é ofertada pelo CRAS,
que conta ocasionalmente com a colaboração de alguns funcionários que se mobilizam
para juntar certa quantia de dinheiro para que possam oferecer cestas básicas para
algumas famílias.
A respeito do perfil das pessoas que frequentam o CRAS, 60% das vagas tem que
ser preenchidas por pessoas de baixa renda. As crianças que chegam no local podem
ser por indicação do conselho tutelar, indicação pelos postos de UBS, dentre outras
situações. 90% das crianças que frequentam a rede são do Surubi. Há os que são de
Retiro do Muriaé, de Venâncio, por exemplo. Todas essas crianças são assistidas pelo
CRAS de Surubi. Contudo, é importante salientar que existem 5 CRAS por Itaperuna.
Todavia, a rede do gênero que é de maior abrangência é a do Surubi.
Acresce que existem núcleos de convivência, locais onde se recebem crianças
para realizar o fortalecimento de vínculos. No CRAS Surubi, são 20 crianças no período
da tarde e 22 na manhã. No que tange às oficinas existentes, há de pintura, de cabelo e
design de sobrancelhas, artesanato, dentre outras. Essas oficinas contribuem para que
as pessoas que se envolvem com a prestação de seus serviços adquiram uma fonte de
renda. Acerca dos dias de funcionamento, a de artesanato funciona durante a segunda;
de cabelo e design de sobrancelhas (terça) ; pintura e tecido (quarta), e a de bordado
(quinta). O horário de funcionamento é das 08:00 até 17:00 de segunda a sexta.
Há, inclusive, oficina de música, cavaquinho, violão. Os médicos em formação
conheceram o local onde se situam os instrumentos de música, onde as crianças
ensaiam. A tutora Renata havia dito que muitos dos professores de música que estão no
CRAS já foram alunos da própria rede. Acresce que há grupos que tocam em casamento,
festas e cerimônias em geral. Desse modo, notou-se que as pessoas que são assistidas
pelo CRAS eventualmente se tornam independentes financeiramente de assistência.
Outrossim, muitas vezes as crianças só recebem afeto das pessoas que estão no
CRAS. Acerca disso, como médico em formação durante a visita à rede de assistência,
o que me chamou atenção foi o fato de a Renata ter relatado uma vez em que havia
crianças jogando bola e uma delas havia, durante o desenvolvimento do jogo, chutado a
canela de outra. Nesse período, a tutora disse que tinha ficado aflita, pois imaginava que
as crianças iam brigar umas com as outras. Contudo, o que se sucedeu foi que a criança
que tinha se machucado havia relatado o que ocorreu para a psicóloga do local que,
desde já havia chamado o garoto que tinha chutado o outro. A profissional da psicologia
interveio e fez com que o que tinha machucado pedisse desculpas e fosse abraçar o
amigo. O abraço, verdadeiro, marcou a vida da tutora, como ela havia contado para os
estudantes de medicina na ocasião da visita. Esse relato também me marcou, o que me
fez perceber que as crianças que estão no CRAS de fato recebem assistência, não só
no sentido de receberem auxílios de saúde, mas também no sentido de serem instruídos
para viver e praticar o bem. Em outras palavras, a rede trabalha com o fortalecimento de
vínculos.
Os médicos em formação também conheceram durante a ocasião da visita à rede
CRAS a Tainá, quem faz o acompanhamento das crianças. Durante o momento, havia
várias crianças brincando na grama do estabelecimento, em uma espécie de quintal.
Tainá havia frisado que na rede também há a realização de atividades de artes abstratas
com as crianças, dentre várias outras formas de entretenimento. Ela havia dito também
que há duas secretarias que organizam o financiamento de bolsas no sistema do CRAS.
A respeito de denúncias de violência, a tutora Renata disse que não se tem
recebido no CRAS ultimamente. Contudo, quando há ocorrências, sucede-se o
encaminhamento para segunda instância, a saber, para advogados.
Em relação ao sistema de cadastramento existente no CRAS, as crianças são
cadastradas em um sistema a fim de que se possa fazer controle de frequência das
mesmas. Caso a criança não esteja frequentando, a assistente social irá fazer
encaminhamento para a psicóloga que trabalha na rede. Ademais, caso o (a) jovem
queira sair, a família do mesmo irá ter que ir à rede e justificar a saída. No que diz respeito
à família, esta passa por um processo de entrevista de avaliação com assistente social.
Eventualmente, as crianças voltam para casa. Além do mais, há a realização de visitas
domiciliares, dependendo de cada situação analisada pela equipe técnica.
Mediante o exposto, verifica-se que o CRAS realiza o encaminhamento de
pessoas que entram na rede para oficinas de sorte que as mesmas possam ser inseridas
no mercado de trabalho. Saliente-se ainda que o LOAS é articulado com a rede, visto
que oferece benefícios por tempo determinado. Em outras palavras, trata-se de um
benefício de assistência social. A saber, benefícios são oferecidos à famílias que
possuem membros em situações vulneráveis de saúde, ou mesmo que não possuem
como trabalhar de modo que contribua para aumentar os insumos da família.
Tendo em vista os fatores antes mencionados, o CRAS se configura como
fornecedor de atenção básica de saúde, especialmente de atenção primária. De acordo
com Teixeira (2010, p. 286 apud Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à
Fome, 2005, p. 10) o “CRAS é uma unidade pública estatal, que atua com famílias e
indivíduos em seu contexto comunitário, visando à orientação e fortalecimento do
convívio sociofamiliar”.
O CREAS, por sua vez, se configura como fornecedor de assistência de forma
mais especializada. Acerca disso, consoante Ministério do Desenvolvimento Social
(2015), o CREAS se trata de uma rede assistência social especializada que atende
pessoas e famílias as quais se encontram em situações de risco ou cujos direitos foram
violados.
A tutora Renata também havia mencionado a Casa-lar, onde são feitas
internações determinadas pelo Conselho tutelar. A respeito disso, consoante Ministério
do Desenvolvimento Social (2015), o Casa-lar é uma das unidades que fornece
acolhimento institucional destinado a crianças e adolescentes. Nessa unidade, o
acolhimento é realizado em residências cujas capacidades máximas são para 10
adolescentes e crianças por unidade. Acresce que os assistidos se encontram em
situação de afastamento de convívio familiar. O acesso a esse acolhimento é realizado
através de um encaminhamento que é feito por parte do CREAS, dentre outros
intermédios de políticas públicas.
Como médico em formação, se fosse um funcionário dessa rede de saúde visitada,
o CRAS, iria trabalhar de modo que fosse prezado o desenvolvimento humano das
crianças, no sentido de garantir que as mesmas obtivessem acesso à educação, ao
estabelecimento de vínculos com as demais de sorte que possa desenvolver habilidades
interpessoais, inteligência emocional. Para os adultos e adolescentes, o mesmo pensaria
em fazer, haja vista o fato de que muito se preza no mercado de trabalho o
desenvolvimento de habilidades interpessoais, por exemplo, a de saber lidar com o outro,
respeitar as diferenças, de conquistar a sua autonomia.
Portanto, essa visita a rede CRAS foi muito gratificante por poder conhecer o lindo
trabalho que é feito não só com as crianças mas também com adultos, através de oficinas
profissionalizantes que ajudam aos mesmos a se inserir no mercado de trabalho.

RELATÓRIO DO DIA 29/10/19

No dia 29/10/19 foi realizada a décima atividade da disciplina de Saúde e


Sociedade 4 cujo foco reside no conhecimento das redes de saúde. Nessa ocasião, foi
feita uma visita de retorno ao CRAS, uma rede de assistência social que se situa na
Avenida Porto Alegre, no Jardim Surubi, bairro Cidade Nova em Itaperuna – RJ. A
responsável pela orientação dos médicos em formação foi a tutora Renata.

Nessa visita, houve a realização de uma atividade educacional por parte dos
médicos em formação a respeito da importância de se tomar vacinas, com as crianças
que estavam presentes. Acerca disso, os estudantes se organizaram entre si a respeito
do que seria feito. Sendo assim, a princípio foi realizado um teatro por parte dos
estudantes, por meio do qual as crianças presentes puderam compreender a importância
de se vacinar contra doenças como uma forma de se prevenir contra as mesmas. A
linguagem utilizada pelos estudantes para fazer a cena foi simples, de fácil entendimento
de modo que elas pudessem absorver o conhecimento que estava sendo disseminado.

Além do mais, foi aberto um espaço para que as crianças pudessem interagir com
os estudantes. A saber, foi perguntado às primeiras a respeito de quantos anos elas
possuíam. Esse questionamento foi feito a fim de alertar aos mesmos sobre a
importância de se vacinar contra HPV, tendo em vista a faixa etária que compreende o
público-alvo infantojuvenil. Quanto ao HPV, consoante INCA (2010?), “meninas de 9 a
14 anos e meninos de 11 a 14 anos podem tomar a vacina gratuitamente no SUS”.
Acresce que, tendo em vista essa interação, as crianças se sentiram à vontade para
falar, por exemplo, a respeito de seus pais, irmãos, etc., isto é, para compartilhar dados
particulares a respeito de suas vidas, o que tornou a atividade mais produtiva.

Saliente-se ainda que os médicos em formação passaram uns vídeos bem


interativos, com animação, para levar informações no que diz respeito à doenças de
forma bem interativa e compreensível para as crianças do CRAS, a saber sobre HPV e
do porquê se deve vacinar.

Desse modo, essencialmente, a visita de retorno à rede do CRAS foi justamente


voltada para a realização de uma atividade educativa, a qual considero ter sido muito
gratificante ter feito parte. Houve um momento em que foi tirada uma foto no final da
atividade, em que uma das crianças se sentiu a vontade de subir, se apoiar em mim para
também aparecer na foto, o que interpretei como um sinal de que ela de fato se sentiu a
vontade com a minha presença assim como a dos demais estudantes de medicina
presentes.
Figura 1- Médicos em formação da UniRedentor com tutora Renata Monteiro em ação educativa
com crianças do CRAS

Fonte: Elaborada pelo autor

REFERÊNCIAS

INCA. Quem pode ser vacinado contra o HPV, [2010]. Disponível em:
<https://www.inca.gov.br/perguntas-frequentes/quem-pode-ser-vacinado-contra-o-
hpv/>. Acesso em: 1 nov. 2019.

MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO SOCIAL. Serviços de Acolhimento para


Crianças, Adolescentes e Jovens, 2015. Disponível em:
<http://mds.gov.br/assuntos/assistencia-social/unidades-de-atendimento/unidades-
deacolhimento/servicos-de-acolhimento-para-criancas-adolescentes-e-jovens/>. Acesso
em: 17 ago. 2019.

MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO SOCIAL. Centro de Referência Especializado


de Assistência Social - Creas, 2015. Disponível em:
<http://mds.gov.br/assuntos/assistencia-social/unidades-de-atendimento/creas/>.

Acesso em: 17 ago. 2019.

TEIXEIRA. S. Trabalho Interdisciplinar nos CRAS: um novo enfoque e trato à Pobreza?.

Textos & Contextos (Porto Alegre), v. 9, n. 2, p. 286 - 297, ago./dez. 2010

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