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FORMAÇÃO RBE

Práticas e Modelos na Auto-Avaliação da Biblioteca Escolar

Relatório Final

“Torna-se de facto relevante objectivar a forma como se está a concretizar o trabalho das bibliotecas escolares, tendo como pano de fundo essencial o seu contributo para as aprendizagens, para o sucesso educativo e para a promoção da aprendizagem ao longo da vida. Neste sentido, é importante que cada escola conheça o impacto que as actividades realizadas pela e com a BE vão tendo no processo de ensino e na aprendizagem, bem como o grau de eficiência e de eficácia dos serviços prestados e de satisfação dos utilizadores. Esta análise, sendo igualmente um princípio de boa gestão e um instrumento indispensável num plano de desenvolvimento, permite contribuir para a afirmação e reconhecimento do papel da BE, determinar até que ponto a missão e os objectivos estabelecidos para a BE estão ou não a ser alcançados, identificar práticas que têm sucesso e que deverão continuar e identificar pontos fracos que importa melhorar.”

Mabe, RBE, 2010, p.4

O presente relatório cumpre a função – comum nestas circunstâncias - de suporte

à reflexão desenvolvida ao longo das últimas semanas no âmbito da formação

“Práticas e Modelos na Auto-Avaliação da Biblioteca Escolar”, promovida pela Rede de Bibliotecas Escolares. Ao longo deste período – longo e difícil - foi possível aprofundar a reflexão acerca deste modelo de auto-avaliação e das suas implicações para a Biblioteca Escolar. Proponho-me, agora, de uma forma necessariamente breve,

efectuar um olhar crítico para a forma como decorreu a acção, para o seu contexto de desenvolvimento, para a qualidade da minha participação e, ainda, para os resultados

e benefícios que a Biblioteca e a Escola em que trabalho poderão recolher desta minha participação.

O excerto do MABE acima transcrito e que havia já seleccionado para uma das

tarefas realizadas condensa, do meu ponto de vista, de uma forma significativa, aquele que é o papel fundamental deste processo de avaliação que tem vindo a ser implementado nas Bibliotecas Escolares. Ao longo dos últimos anos, foi feito em

Portugal um esforço muito consistente e significativo de investimento - a diferentes níveis – nas Bibliotecas Escolares. Essa aposta tem sido, em alguns casos, olhado com desconfiança e, em algumas perspectivas, visto como supérfluo. Quem todos os dias trabalha numa BE sabe que essas desconfianças são, em regra, injustificadas e que essas perspectivas estão erradas. Mas não chega ter essas certezas, é necessário demonstrá-las a toda uma comunidade educativa que estava habituada a olhar para a BE de um ponto de vista tradicional e que não se adequa às realidades dos nosso dias em que o modelo de Biblioteca e os paradigmas de acesso à informação e ao conhecimento estão em profunda mudança.

É neste contexto que entendo este Modelo de Auto-avaliação para as Bibliotecas

Escolares. Torna-se absolutamente necessária a existência de um processo sistemático de auto-avaliação que proporcione uma reflexão profunda e continuada das práticas de trabalho e que conduza a uma melhoria crescente desse trabalho. A generalização deste modelo - mesmo que aplicado com alguma flexibilidade -

Práticas e Modelos na Auto-Avaliação da BE

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deste modelo - mesmo que aplicado com alguma flexibilidade - Práticas e Modelos na Auto-Avaliação da

comporta virtualidades inegáveis para a Rede de Bibliotecas Escolares e para o sistema educativo, permitindo uma visão mais global, uma comparação que é sempre desejável e um balanço integral que é imprescindível. Há uma outra vertente que me parece de destacar: o MABE constitui-se como um instrumento de boa gestão – com propostas de verificação da eficiência e da satisfação dos utentes – apontando para práticas de indiscutível utilidade e necessidade em qualquer organização, nomeadamente de cariz educativo. Por fim, parece-me de salientar o facto deste modelo se constituir como um contributo, nos seguintes aspectos:

para a melhoria do sucesso educativo no contexto de uma escola;

para o aperfeiçoamento das práticas de articulação curricular e desenvolvimento do processo de ensino e na aprendizagem;

para a valorização da BE enquanto espaço de acesso à informação e ao conhecimento.

para a promoção da ideia de aprendizagem aos longo da vida.

A presente acção de formação proporcionou-me uma reflexão mais aprofundada

sobre este modelo, os seus mecanismos, as suas implicações, as suas virtualidades mas também sobre as suas – muitas – exigências. Gostaria de apresentar algumas reflexões sobre alguns aspectos mais práticos desta formação. Considero, em primeiro lugar, que o modelo de formação com sessões presenciais e, sobretudo, online, é bastante eficaz e funcional. Numa perspectiva de auto- formação ele é muito adequado, proporcionador de autonomia, revelando-se ainda como muito funcional, evitando deslocações e tempos de “desperdício”. No entanto, este modelo de formação acaba por ter um inconveniente: a distância entre os formandos, a reduzida utilização dos fóruns de discussão (porque são pouco

“atractivos” e habituais) faz com que se perca uma das principais virtualidades que sempre encontrei nas formações – o contacto pessoal com colegas, a criação de espaços de debate e discussão de ideias, a partilha de experiências e de materiais.

A planificação da acção pareceu-me excelente quer ao nível da sua estrutura, dos

conteúdos abordados, dos recursos disponibilizados e sugeridos, das metodologias seguidas, dos processos de avaliação. Extraordinária foi também a capacidade das formadoras na resposta às dúvidas e questões e na prontidão da avaliação Dada a natureza da formação, pareceu-me que o grupo de formandos era bastante homogéneo, com experiências comuns e necessidades de formação idênticas o que permitiu uma sintonia interessante. Por fim, queria salientar um aspecto determinante. Não reclamo do momento em que a formação foi realizada. Costumo dizer que todos os momentos são maus para sobrecarregar o trabalho que já temos. No entanto, penso que haveria alguma vantagem em dilatar um pouco o tempo da formação. Mesmo sabendo que tenho o – péssimo – hábito de deixar para o fim as minhas obrigações, um período de tempo mais alargado sempre permitiria, pelo menos, aliviar a pressão e a tensão! Confesso que tive, nas últimas semanas, alguns momentos de grande pressão, de algum desalento e desespero e tenho a consciência que para levar a bom tremo esta formação tive necessidade de prejudicar o meu trabalho quotidiano – atrasando algumas tarefas também prementes – e sacrificar a minha disponibilidade para a família. Obviamente que, nestas circunstâncias, a qualidade da minha participação não pôde ser a melhor. Apesar dos constrangimentos identificados anteriormente, penso que esta acção de formação proporcionou importantes momentos de reflexão, permitindo, de igual modo, concretizar algumas tarefas da maior importância:

Práticas e Modelos na Auto-Avaliação da BE

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igual modo, concretizar algumas tarefas da maior importância: Práticas e Modelos na Auto-Avaliação da BE DREN

de reflexão sobre o modelo, as suas características, virtualidades e implicações;

de operacionalização do modelo no contexto da escola;

de operacionalização numa perspectiva de avaliação global da escola:

Para além do mais, a formação revelou-se, ainda, particularmente importante nos seguintes domínios:

permitiu-me desenvolver uma mais profunda consciência da importância da auto-avaliação no contexto da BE e da Escola e da sua relevância enquanto instrumento de gestão, de melhoria, mas sobretudo de validação e afirmação da BE;

proporcionou uma reflexão e uma operacionalização de vertentes do trabalho da BE que tem de ser pensados e concretizados numa lógica colaborativa, contrariando, deste modo, um ethos escolar que continua muito condicionado por uma visão muito parcelar, muito disciplinar do currículo e por lógicas muito fechadas. A avaliação da minha participação nesta oficina de formação tem presente todos os condicionalismos que referenciei anteriormente. Assim, tenho consciência que não foi possível encontrar, em todos os momentos, em todas as tarefas, uma disponibilidade de tempo e de empenhamento que seriam desejáveis. Alguns trabalhos foram feitos “a queimar os prazos”, não conseguindo sempre incorporar os contributos de todas as leituras que procurei realizar. Por isso mesmo, vários destes trabalhos aparecem mais como reflexões e perspectivas pessoais resultantes da experiência existente, sem tempo para maturação de reflexões mais profundas. Procurei, todavia, realizar as tarefas com toda a seriedade e procurando aproveitar esta oportunidade de formação. Tenho ainda que reconhecer a minha pouca assiduidade nos fóruns bem como a irregularidade de “postagens” no blog: são o resultado dos condicionalismos temporais anteriormente realçados. São os trabalhos possíveis, não são os desejáveis! No entanto, não posso deixar de considerar que considero da maior relevância ter podido realizar esta formação. Ela revelou-se da maior utilidade para mim, podendo, desta forma, considerar-se muito significativa para o meu trabalho na BE e para a minha intervenção na Escola:

porque me facultou um olhar renovado sobre o Modelo de Auto- Avaliação das Bibliotecas Escolares, com outra consistência e solidez teórica;

porque me proporcionou uma possibilidade de contacto com experiências diferentes, enriquecendo as minhas perspectivas sobre diversas temáticas;

porque me permitiu actualizar algumas perspectivas do MABE e dos conceitos e perspectivas que lhe estão subjacentes e isso deverá ser da maior importância para enquadrar a minha intervenção na BE e na Escola;

porque agudizou a minha consciência sobre a importância que os mecanismos de auto-avaliação têm no desenvolvimento dos processos de trabalho e na melhoria das práticas de trabalho nas organizações, neste caso, nas BEs;

porque me permitiu desenvolver a reflexão, reforçando a minha consciência acerca do papel da BE no contexto educativo e no contexto de uma sociedade em profunda transformação; Nesta perspectiva, não posso deixar de considerar como extremamente positiva a realização desta formação e as perspectivas que com ela me são abertas.

Práticas e Modelos na Auto-Avaliação da BE

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desta formação e as perspectivas que com ela me são abertas. Práticas e Modelos na Auto-Avaliação

Para concluir, duas notas. Uma primeira, com um apelo à RBE para que torne possível a realização de outras formações que proporcionem oportunidades de aprofundamento de conhecimentos e de reflexões. Por fim, uma palavra de reconhecimento para as formadoras, pela competência e disponibilidade demonstradas e uma outra de solidariedade para com todos os colegas que realizaram esta formação – os que a concluíram e aqueles que, por diversos e compreensíveis motivos não a puderam levar a bom termo. Valeu a pena!

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Jorge Alberto Brandão Soares de Carvalho

9 de Dezembro de 2010, 01:54

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Brandão Soares de Carvalho 9 de Dezembro de 2010, 01:54 Práticas e Modelos na Auto-Avaliação da