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ESTUDOS BÍBLICOS 4.

Introdução.

Estes Estudos Bíblicos foram escritos com a finalidade de expor o mais


simples do fundamento da fé cristã. A palavra “doutrina" significa
ensinamento. E nessas páginas sintetizamos o maior número possível de
doutrinas bíblicas, passando pela Reforma Protestante e a Contra-Reforma,
e também, analisamos as 10 principais religiões (e seitas) do nosso tempo.

Procuramos escrever de maneira simples e bem clara os ensinos, sempre


bem acompanhados de versículos bíblicos. Em nenhuma doutrina frisamos
nossas ideias particulares, mas usamos a Palavra de Deus para acurar a
mais límpida verdade.

Estes Estudos Bíblicos não tem a pretensão de cobrir tudo que é tratado
na Palavra de Deus. Visa, tão-somente, dar instrução clara e objetiva de
doutrinas essenciais e relevantes para a nossa maturidade espiritual.

Acreditamos que existem verdades cristãs que devem estar na mente e no


coração de cada autêntico servo de Deus. A simplicidade desse trabalho é
proposital, visto que nesses últimos dias, muitos querendo ser doutores
acabaram dando ouvidos a demônios (I Timóteo 4.1), se esquecendo da
simplicidade que há no verdadeiro Evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo.

“Antes, crescei na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador


Jesus Cristo. A ele seja dada a glória, tanto agora como no dia eterno” (II
Pedro 3.18).

Roberto Tupinambá, teólogo.


Junho 2010.

Roberto Tupinambá, teólogo.


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ESTUDOS BÍBLICOS – VOLUME II.

ÍNDICE.

ESTUDOS BÍBLICOS 4.

16. HAMARTIOLOGIA, A DOUTRINA DO PECADO. 3.

17. SOTERIOLOGIA, A DOUTRINA DA SALVAÇÃO. 4.

18. A PROMESSA DA CURA DIVINA. 6.

19. ORAÇÃO, COMUNHÃO COM DEUS. 7.

20. GALARDÕES & COROAS. 9.

ESTUDOS BÍBLICOS 5.

21. A SOBERANIA DE DEUS. 11.

22. O SILÊNCIO DE DEUS. 12.

23. A MISERICÓRDIA E A GRAÇA DE DEUS. 14.

24. O QUE É A BLASFÊMIA CONTRA O ESPÍRITO SANTO? 15.

25. O CULTO DOMÉSTICO. 16.

ESTUDOS BÍBLICOS 6.

26. CRESCIMENTO ESPIRITUAL. 18.

27. A ÉTICA CRISTÃ. 19.

28. A ÉTICA DA SANTIFICAÇÃO. 20.

29. A ÉTICA DO CULTO. 21.

30. A ESCOLA BÍBLICA DOMINICAL. 22.

BIBLIOGRAFIAS. 23.

Roberto Tupinambá, teólogo.


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16. HAMARTIOLOGIA, A DOUTRINA DO PECADO.

“Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a


vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor” (Romanos 6.23).

Hamartiologia é o estudo da doutrina do pecado. Paulo declarou que Adão


existiu realmente como indivíduo, sendo ele mesmo protótipo do homem
decaído (Romanos 5.12-21). Jesus falou da criação do homem, confirmando
a história de Gênesis (Mateus 19.4). Não há lugar para interpretações
mitológicas ou alegóricas da veracidade histórica da Criação e,
consequentemente, da queda de Adão.

I. O QUE É PECADO?

A Bíblia define o pecado de diversos modos: Deixar de praticar o bem (Tiago


4.17); desobediência (Hebreus 2.2,3) e transgressão da lei (I João 3.4). O
pecado tem dois aspectos: ativo (transgressão da lei) e passivo (deixar de
praticar o bem). A desobediência, na maioria das vezes, está latente,
escondida no coração. Toda a ação contra Deus, seja escondida ou
revelada, é pecado.

II. O QUE É PECADO ORIGINAL?

”Pois todos pecaram e carecem da glória de Deus” (Romanos 3.23).

É o pecado herdado da desobediência de Adão e Eva. O primeiro homem,


como representante da raça humana, corrompeu toda a humanidade ao
transgredir a lei divina. Deus ordenou ao homem: "... De toda árvore do
jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do
mal, não comerás; porque, no dia em que dela comeres, certamente
morrerás" (Gênesis 2.16,17). A mulher, dando ouvidos à serpente (Satanás),
comeu do fruto da árvore proibida (juntamente com Adão) e cometeram o
primeiro pecado da humanidade.

III. O QUE É REMISSÃO DE PECADOS?

Significa livramento da culpa do pecado. Remissão quer dizer perdão,


redenção, quitação de uma dívida. O preço de nossa redenção, de nossa
libertação, foi o Sangue de Jesus: "... Sem derramamento de sangue, não há
remissão". (Hebreus 9.22). Sem arrependimento não há remissão de
pecados. “... Assim está escrito que o Cristo havia de padecer e ressuscitar
dentre os mortos ao terceiro dia e que em seu nome se pregasse
arrependimento para remissão de pecados a todas as nações, começando
de Jerusalém” (Lucas 24.46,47).

IV. A RESPONSABILIDADE É PESSOAL.

O pecado de Adão e Eva foi uma questão de responsabilidade


pessoal. Eles não tinham naturezas pecadoras como nós temos, por isso,
a tentação para pecar veio de fora. A Bíblia descreve essa fonte como a
serpente (Gênesis 3.1), um termo bíblico para Satanás (Apocalipse 20.2).
Por que Deus não evitou que o mal penetrasse no Universo, já que sabia de

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antemão o que aconteceria? Por que não criou o homem incapaz de pecar?
“... A alma que pecar, essa morrerá” (Ezequiel 18.4).

V. PORQUE SOMOS RESPONSÁVEIS?

“O julgamento é este: que a luz veio ao mundo, e os homens amaram mais


as trevas do que a luz; porque as suas obras eram más” (João 3.19).

Já se disse que a entrada do Inferno (Hades) está guardada por uma Cruz.
Ninguém entra no Inferno sem passar por ela. Em outras palavras, no
Calvário, Cristo fez tudo o que é necessário para evitar que o homem fosse
julgado. Se você pede a Cristo que se vá, verá Satanás ficar.

VI. AS BOAS NOVAS: JESUS CRISTO!

“Então, disseram uns para os outros: Não fazemos bem; este dia é dia de
boas novas, e nós nos calamos; se esperarmos até à luz da manhã, seremos
tidos por culpados; agora, pois, vamos e o anunciemos à casa do rei” (2Reis
7.9).
.
“Em verdade, em verdade vos digo: quem ouve a minha palavra e crê
naquele que me enviou tem a vida eterna, não entra em juízo, mas
passou da morte para a vida" – Jesus Cristo (João 5.24).

Essa é a boa nova: Jesus Cristo! “Se confessarmos os nossos pecados,


ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda
injustiça” (I João 1.9).

Este assunto é uma questão de vida e morte. O homem não vive nem morre
como um animal. A morte não finaliza a existência do homem! A alma e o
espírito sobrevivem ao corpo. O próprio Jesus falou claramente dessa
continuação da existência para salvos e perdidos. Na história do rico e
Lázaro (Lucas 16.19-31), Cristo ensinou a continuação da existência dos
injustos. Todo o ensino do Novo Testamento sobre o futuro julgamento
repousa sobre a certeza de que a alma sobrevive após a morte.

17. SOTERIOLOGIA, A DOUTRINA DA SALVAÇÃO.

“Já agora não é pelo que disseste que nós cremos; mas porque nós
mesmos temos ouvido e sabemos que este é verdadeiramente o Salvador
do mundo” (João 4.42).

Salvação é o livramento da consequência eterna do pecado e da


condenação. Sob certo ponto de vista, a salvação é muito simples. Pode
ser resumida nas palavras de Paulo e Silas ao carcereiro de Filipos: “Crê no
Senhor Jesus e serás salvo, tu e a tua casa” (Atos 16.31). Existem três fases
da salvação: passado, presente e futuro. Fomos salvos (justificação),
estamos sendo salvos (santificação) e seremos salvos (glorificação).

I. O QUE O HOMEM DEVE FAZER PARA SER SALVO?

"E não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe
nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos
salvos” (Atos 4.12).

Roberto Tupinambá, teólogo.


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João Batista, Jesus e Pedro começaram os seus ministérios com um


chamado ao arrependimento:

João Batista: “Arrependei-vos, porque está próximo o reino dos céus”


(Mateus 3.2).
Jesus: “... Arrependei-vos e crede no evangelho” (Marcos 1.15).
Pedro: “... Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de
Jesus Cristo para remissão dos vossos pecados, e recebereis o dom do
Espírito Santo” (Atos 2.38).

1º Passo: Arrepender-se de seus pecados, confessá-los e deixá-los: "O que


encobre as suas transgressões jamais prosperará; mas o que as confessa e
deixa alcançará misericórdia" (Provérbios 28.13).

DICIONÁRIO.
Justificação. Ato ou efeito de justificar ou de justificar-se. Causa, desculpa,
fundamento, razão.
Santificação. Ato ou efeito de santificar. Tendência do cristão à vida de perfeição
evangélica.
2º Passo: Aceitar a Cristo como Senhor e Salvador da sua vida. “Crê no
Senhor Jesus e serás salvo, tu e a tua casa” (Atos 16.31). A partir do
momento que você O aceita, seu nome é inscrito no Livro da Vida, e você
passa a ser morada do Espírito Santo.

3º Passo: Permanecer firme na fé: "Sê fiel até a morte, e dar-te-ei a


coroa da vida”
(Apocalipse 2.10b).

II. O QUE É FÉ?

“De fato, sem fé é impossível agradar a Deus, porquanto é necessário que


aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe e que se torna
galardoador dos que o buscam" (Hebreus 11.6).

O arrependimento se for genuíno conduz à fé. A fé é o culto mais


perfeito que se pode oferecer a Deus. A fé no Novo Testamento é
Cristo. Ele é o objeto de nossa fé, dependência ou confiança (João 3.36). A
fé é o instrumento que nos liga a Cristo. O Novo Testamento enfatiza que
somos salvos pela fé e não pelas obras (Efésios 2.8,9). Como surge a fé?
“E, assim, a fé vem pela pregação, e a pregação, pela palavra de Cristo”
(Romanos 10.17).

III. O NOVO NASCIMENTO.

O novo nascimento (João 3.3.) é experimentado por aquele que se


arrepende de seus pecados e os deixa, crê em Jesus, e O aceita como
Senhor e Salvador. Portanto, novo nascimento é o lado divino dessa
mudança de coração que, vista do lado humano, chamamos de conversão.
O novo nascimento é descrito como “nova criatura”. "E, assim, se alguém
está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se
fizeram novas” (II Coríntios 5.17). O novo nascimento é o maior milagre
que Deus opera na vida do homem.

Roberto Tupinambá, teólogo.


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IV. O BATISMO NAS ÁGUAS É INDISPENSÁVEL À SALVAÇÃO?

Não. Ao ladrão arrependido, na cruz (Dimas), Jesus afirmou que naquele


mesmo dia ele estaria salvo, independente de Batismo nas águas (Lucas
23.42,43). Pelo ato do Batismo o crente, já salvo, confirma seu compromisso
de seguir a Cristo. É certo que a Palavra diz: "Quem crer e for batizado será
salvo". Mas em seguida afirma: "Quem, porém, não crer será condenado"
(Marcos 16.16). Então, quem não crer será condenado. "É a falta de fé que
leva à condenação, e não a ausência de um sacramento". "Quem nele crê
não é julgado; o que não crê já está julgado, porquanto não crê no unigênito
Filho de Deus" (João 3.18).

V. A SALVAÇÃO EM CRISTO.

1. A salvação pode ser perdida. “Agora, pois, perdoa-lhe o pecado; ou, se


não, risca-me, peço-te, do livro que escreveste. Então, disse o Senhor a
Moisés; Riscarei do meu livro todo aquele que pecar contra mim” (Êxodo
32.32,33).
“Se alguém não permanecer em mim, será lançado fora, à semelhança do
ramo, e secará; e o apanham, lançam no fogo e o queimam” – Jesus Cristo
(João 15.6).

2. Só há salvação em Cristo. “E não há salvação em nenhum outro; porque


abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo
qual importa que sejamos salvos” (Atos 4.12).

3. A salvação é obtida pela graça, isto é, favor imerecido de Deus, e não de


obras humanas. “Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não
vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie”
(Efésios 2.8,9).

4. A salvação abrange o espírito, alma e corpo do homem. “O mesmo Deus


da paz vos santifique em tudo; e o vosso espírito, alma e corpo sejam
conservados íntegros e irrepreensíveis na vinda de nosso Senhor Jesus
Cristo” (I Tessalonicenses 5.23).

5. A salvação tem alcance eterno. “E, tendo sido aperfeiçoado, tornou-se o


Autor da salvação eterna para todos os que lhe obedecem” (Hebreus 5.9).

6. A salvação é operada pela fé em Cristo. “Em verdade, em verdade vos


digo: quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida
eterna, não entra em juízo, mas passou da morte para a vida” – Jesus
Cristo (João 5.24).

A salvação é o grande presente de Jesus Cristo ao homem!

18. A PROMESSA DA CURA DIVINA.

“Certamente, ele tomou sobre si as nossas enfermidades e as nossas dores


levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus e oprimido.
Mas ele foi traspassado pelas nossas transgressões e moídos pelas nossas
iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas
pisaduras fomos sarados” (Isaías 53.4,5).

Roberto Tupinambá, teólogo.


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I. A PROMESSA BÍBLICA DA CURA.

1. A Cura Divina No Antigo Testamento.

A cura divina é uma promessa de Deus para o Seu povo. Ela foi
estabelecida no Antigo Testamento. "Se ouvires atento a voz do Senhor,
teu Deus, e fizeres o que é reto diante dos seus olhos, e deres ouvido aos
seus mandamentos, e guardares todos os seus estatutos, nenhuma
enfermidade virá sobre ti, das que enviei sobre os egípcios; pois Eu Sou
o Senhor que te sara" (Êxodo 15.26).

2. A Cura Divina No Novo Testamento.

a) Cristo, em Seu ministério terreno, curou as enfermidades. “Percorria


Jesus toda a Galileia, ensinando nas sinagogas, pregando o evangelho do
reino e curando toda sorte de doenças e enfermidades entre o povo”
(Mateus 4.23).

b) O Senhor também estendeu o ministério da cura divina aos seus


seguidores. “Curai enfermos, ressuscitai mortos, purificai leprosos, expeli
demônios; de graça recebestes, de graça dai” (Mateus 10.8).

c) A sombra de Pedro curava (Atos 5.15,16) e lenços e aventais do uso


pessoal de Paulo também curavam (Atos 19.11,12).

d) Tiago instruiu quanto à atuação da igreja nesse importante ministério.


“Está alguém entre vós doente? Chame os presbíteros da igreja, e estes
façam oração sobre ele, ungindo-o com óleo, em nome do Senhor. E a
oração da fé salvará o enfermo; e o Senhor o levantará; e, se houver
cometido pecados, ser-lhe-ão perdoados” (Tiago 5.14,15).

II. A ATUALIDADE DA CURA DIVINA.

Existem algumas razões bíblicas para acreditar que Deus continua curando
nos dias atuais. A principal delas se encontra em Hebreus. 13.8: “Jesus
Cristo, ontem e hoje, é o mesmo e o será para sempre”. Além disso, é válido
ressaltar que, ao longo de toda a Bíblia, a cura divina faz um paralelo
com a salvação.

III. A MINISTRAÇÃO DA CURA.


A oração para a cura deve fazer parte do ministério da igreja, porém, deve
ter como meta a glorificação a Deus, jamais a promoção humana. A Bíblia
nos instrui a orar com confiança, crendo que o Senhor efetuará a cura, pois
a incredulidade pode inviabilizá-la (Lucas. 4.25-29). Há circunstâncias em
que apenas uma pessoa, em meio a uma multidão, recebe essa dádiva. Isso
porque a cura é um ato de Deus e Ele cura a quem e quando Ele quer
(Marcos 5.24-34). Não existe uma fórmula para a manifestação da cura
divina.

1. Eliseu ordenou que Naamã mergulhasse sete vezes no rio Jordão (2Reis
5.1-14).
2. Isaías pediu que Ezequias colocasse uma pasta de figos sobre a úlcera
(Isaías 38.21).

Roberto Tupinambá, teólogo.


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3. Jesus fez lodo com a saliva e aplicou aos olhos do cego, ordenando-lhe,
em seguida, que fosse se lavar no Tanque de Siloé (João 9.6,7).

A fé, seja daquele que vai ser curado, ou daquele que intercede por um
outro, é a única condição para que a cura seja efetivada. “Então, disse Jesus
ao centurião: Vai-te, e seja feito conforme a tua fé. E, naquela mesma hora,
o servo foi curado” (Mateus 8.13).

IV. E QUANDO A CURA NÃO VEM?

A fé do homem, no entanto, é uma condição relativa, não absoluta para o


recebimento da cura divina. Há momentos que a resposta de Deus, em
relação à cura, é negativa, e, quando isso acontece, devemos aprender a
lidar com a Soberania divina. Mesmo homens de fé, como Paulo, deixaram
de ter suas orações atendidas. Deus ouviu, mas, por motivos que estão
além da compreensão humana, disse-lhe que Sua graça seria suficiente (II
Coríntios 12.8,9).

Paulo fora usado por Deus para que muitas pessoas fossem curadas, no
entanto, ao dirigir-se a Timóteo, quanto a uma enfermidade estomacal,
recomenda-lhe a ingestão de um pouco de vinho (I Timóteo 5.23). Fazemos
uma ressalva de que essa é uma recomendação particular de Paulo a
Timóteo, que não pode ser transformada em doutrina.
Trófimo, um dos companheiros de Paulo em sua terceira viagem
missionária, foi deixado doente em Mileto (II Timóteo 4.20), antiga cidade
da Ásia Menor, perto do mar Egeu. Por quê? Do mesmo modo, não podemos
pensar que a busca do auxílio médico seja pecado, devido ao exemplo de
Asa (2Crônicas 16.12). Asa fora reprovado, nesse sentido, porque preferiu
depositar sua confiança nos médicos, e não em Deus. Há bons médicos,
amados como Lucas (Colossenses 4.14), que podem atuar como
instrumentos de Deus para a obtenção da cura das doenças.

Conclusão.

A cura divina é uma promessa de Deus que tem se cumprido desde os


tempos do Antigo
Testamento. A Igreja do Senhor deve se envolver nesse ministério, orando
pelos enfermos
para que esses venham a receber a cura de suas enfermidades. Não
podemos, no entanto,
esquecer que nem todos são curados, e, quando isso acontece, devemos
continuar buscando a Cristo, suplicando Sua intervenção sobrenatural.
Enquanto essa não vem, não podemos nos privar dos recursos médicos,
contanto que esses sejam buscados em contrição, ciente que o Senhor é a
fonte de toda a saúde. “Disse-lhe Pedro: Enéias, Jesus Cristo te cura!
Levanta-te e arruma o teu leito. Ele, imediatamente, se levantou” (Atos
9.34).

19. ORAÇÃO, COMUNHÃO COM DEUS.

“Não andeis ansiosos de coisa alguma; em tudo, porém, sejam conhecidas,


diante de Deus, as vossas petições, pela oração e pela súplica, com ações
de graças. E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará o
vosso coração e a vossa mente em Cristo Jesus” (Filipenses 4.6,7).

Roberto Tupinambá, teólogo.


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A oração consiste em manter comunhão com Deus. Orar é falar com


Deus, expondo nossa
gratidão, adoração, necessidades e buscando socorro quando necessário. O
Espírito de Deus que habita nos corações dos salvos deixa-nos
continuamente ligado ao Eterno, possibilitando-nos falar com Ele a cada
instante, independente do lugar onde estejamos. (Pode-se orar em voz
audível ou apenas em espírito!).

1. As orações devem ser dirigidas a Deus. “O Senhor está longe dos


perversos, mas atende à oração dos justos” (Provérbios 15.29).

2. As orações devem ser dirigidas ao Espírito Santo. “Vós, porém, amados,


edificando-vos na vossa fé santíssima, orando no Espírito Santo” (Judas
1.20).

3. Mas, toda a oração deve ser finalizada em nome de Cristo. “Se me


pedirdes alguma
coisa em meu nome (Cristo), eu o farei” (João 14.14).

4. Há orações que demoram em serem respondidas. “Não fará Deus justiça


aos seus escolhidos, que a ele clamam dia e noite, embora pareça
demorado em defendê-los?” (Lucas 18.7).

Devemos orar e clamar pelo que desejamos, no entanto, é preciso entender


que Cristo é Soberano e que a Sua vontade é superior à nossa. Em alguns
casos não somos atendidos. “Por causa disto, três vezes pedi ao Senhor
que o afastasse de mim. Então, ele me disse: A minha graça te basta,
porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, mais me
gloriarei nas fraquezas, para que sobre mim repouse o poder de Cristo” (II
Coríntios 12.8,9). Em muitas igrejas contemplamos uma espécie de
misticismo. Em troca de ofertas, recebem-se objetos “dotados de poder”,
inclusive para dominar Satanás. É o evangelho fácil, totalmente
desvinculado com a Palavra de Deus.

I. PORQUE ORAR?

Se Deus sabe de nossas necessidades, antes de Lhe pedirmos (Mateus 6.8),


por que devemos orar?

1. A verdadeira oração nos aproxima mais de Deus. "Vigiai e orai, para que
não entreis em tentação; o espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é
fraca" – Jesus Cristo (Marcos 14.38).

2. A verdadeira oração gera mais fé. Quando chegam as respostas e as


bênçãos de Deus
em nossas vidas, a nossa fé aumenta. “A benção do Senhor enriquece, e,
com ela, ele não
traz desgosto” (Provérbios 10.22).

A oração eficaz.
1. Incessante. “Orai sem cessar” (1Tessalonicenses 5.17).

Roberto Tupinambá, teólogo.


ESTUDOS BÍBLICOS 4. 10

2. Confiante. “Acheguemo-nos, portanto, confiadamente, junto ao trono da


graça, a fim de recebermos misericórdia e acharmos graça para socorro em
ocasião oportuna” (Hebreus 4.16).
3. Fervorosa. “... Muito pode, por sua eficácia, a súplica do justo” (Tiago
5.16).

II. CAUSAS DE FRACASSOS NAS ORAÇÕES.

1. Falta de fé. "De fato, sem fé é impossível agradar a Deus, porquanto é


necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe e que
se torna galardoador dos que o buscam" (Hebreus 11.6).

2. Iniquidade. “Eis que a mão do Senhor não está encolhida, para que não
possa salvar; nem surdo o seu ouvido, para não poder ouvir. Mas as vossas
iniquidades fazem separação entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados
encobrem o seu rosto de vós, para que vos não ouça" (Isaías 59.1,2).

3. Maus objetivos. “Pedis e não recebeis, porque pedis mal, para


esbanjardes em vossos prazeres” (Tiago 4.3).

4. Vida em pecado. "Sabemos que Deus não atende a pecadores; mas, pelo
contrário, se alguém teme a Deus e pratica à sua vontade, a este atende"
(João 9.31).

Conclusão.

Somos ouvidos e atendidos mediante a graça de Deus, e não por mérito


pessoal. Nosso dever é clamar. O de Deus é responder, se Ele quiser.

20. GALARDÕES & COROAS.

“Eis que o Senhor Deus virá com poder, e o seu braço dominará; eis que o
seu galardão está com ele, e diante dele, a sua recompensa” (Isaías 40.10).

I. OS GALARDÕES.

Galardão significa recompensa (Mateus 5.46). Galardão são as


recompensas que os salvos receberão na glória por vir, de acordo com suas
obras (II Coríntios 5.10) [1]. A doutrina do galardão encontra apoio bíblico
suficiente, tanto no Antigo Testamento (2Crônicas 15.7) quanto no Novo
Testamento (Apocalipse 22.12) [2]. Existem várias categorias de galardões.

II. AS COROAS.

“Venho sem demora. Conserva o que tens, para que ninguém tome a tua
coroa” – Jesus Cristo (Apocalipse 3.11).

Tudo o que fazemos em vida como filhos de Deus, salvos pela graça, em
Nome de Jesus, adquire uma dimensão eterna. O Juiz é o Senhor Jesus
Cristo. Não se trata de julgamento
de salvação ou perda da salvação. A ênfase aqui recai sobre a nossa
fidelidade à Cristo

Roberto Tupinambá, teólogo.


ESTUDOS BÍBLICOS 4. 11

nesta terra. Este julgamento, portanto, não se refere ao destino, mas a um


ajuste de contas, para recompensa ou perda da recompensa de acordo com
as nossas obras.

Examinemos os 5 galardões que nos aguardam no Tribunal de Cristo


(Encontrados no Novo Testamento).

1. Coroa da Alegria. Para os que forem ganhadores de almas. “Pois quem


é a nossa esperança, ou alegria, ou coroa em que exultamos, na presença
de nosso Senhor Jesus em sua vinda? Não sois vós” (I Tessalonicenses 2.19).

• Ganhar almas é sabedoria divina (Provérbios 11.30).


• Ganhar almas produz alegria diante dos anjos de Deus (Lucas 15.10).

2. Coroa de Glória. Para os que cuidam bem do rebanho de Deus. “Ora,


logo que o Supremo Pastor se manifestar, recebereis a imarcescível coroa
da glória” (I Pedro 5.4).

__________________________________
[1] “Porque importa que todos nós compareçamos perante o tribunal de Cristo, para
que cada um receba segundo o bem ou o mal que tiver feito por meio do corpo” (II
Coríntios 5.10).
[2] “E eis que venho sem demora, e comigo está o galardão que tenho para
retribuir a cada um segundo as suas obras” – Jesus Cristo (Apocalipse 22.12).
• A coroa é imarcescível (Que não se murcha, incorruptível).
• A coroa é de glória (Satisfação, alegria, regozijo).

3. Coroa Incorruptível. Para os que vivem uma vida íntegra diante de


Deus e dos homens (Atos 24.16). “Todo atleta em tudo se domina;
aqueles, para alcançar uma coroa
corruptível; nós, porém, a incorruptível... Mas esmurro o meu corpo e o
reduzo à escravidão, para que, tendo pregado a outros, não venha eu
mesmo a ser desqualificado”
(I Coríntios 9.25.27).

4. Coroa da Justiça. Aos que amam e aguardam a Segunda Vinda de


Cristo. “Já agora a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, reto
juiz, me dará naquele Dia; e não somente a mim, mas também a todos
quantos amam a sua vinda” (II Timóteo 4.8).

• Vigilância permanente (Mateus 25.13) [3].


• O que é espiritual acima do terreno e material (Colossenses 3.2) [4].

5. Coroa da Vida. Aos que suportam com perseverança a provação (Tiago


1.12) e são fiéis até à morte (Apocalipse 2.10). “Bem aventurado o homem
que suporta, com perseverança, a provação; porque, depois de ter sido
aprovado, receberá a coroa da vida, a qual o Senhor prometeu aos que o
amam” (Tiago 1.12).

“... Sê fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida” (Apocalipse 2.10b).

Conclusão.

Roberto Tupinambá, teólogo.


ESTUDOS BÍBLICOS 4. 12

Há quem pense que as coroas devem ser desprezadas porque a salvação


não é um evento competitivo, cujo ganhadores poderá exibir seus prêmios
no Céu. Tal raciocínio, no entanto, é errôneo, pois satisfazer-se somente
com a salvação em si desvinculada de recompensas.

A salvação é a recompensa da fé em Cristo; os galardões, a recompensa


das obras em Cristo.

Mas ambos, tanto a salvação quanto as obras são resultantes da


indescritível graça de Deus. As obras foram preparadas de antemão (Efésios
2.10) [5], e a graça nos capacita a realizá-las. Andemos, pois nas boas obras
para que não percamos a nossa coroa (II João 1.8) [6] e não nos
apresentemos diante do Senhor de mãos vazias (Êxodo 23.15) [7], não
tendo nenhuma coroa para consagramos a Jesus Cristo!

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[3] “Vigiai, pois, porque não sabeis o dia nem a hora” – Jesus Cristo (Mateus 25.13).
[4] “Pensai nas coisas lá do alto, não nas que são aqui da terra” (Colossenses 3.2).
[5] “Pois somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais
Deus de antemão preparou para que andássemos nela” (Efésios 2.10).
[6] “Acautelai-vos, para não perderdes aquilo que temos realizado com esforço,
mas para receberdes completo galardão” (II João 1.8).
[7] "... Ninguém apareça de mãos vazias perante mim" (Êxodo 23.15).

Roberto Tupinambá, teólogo.