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ESTUDOS BÍBLICOS 8.

36. EXISTE MALDIÇÃO HEREDITÁRIA?

I. EXISTE MALDIÇÃO HEREDITÁRIA?

"Agora, pois, já nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus”


(Romanos 8.1).

O que é maldição? Ato ou efeito de amaldiçoar ou maldizer. Os que


quebram a Lei estão debaixo de maldição. Cristo nos resgatou dessa
maldição, fazendo-se maldição por nós (Gálatas 3.10-13). Difícil é conciliar a
Teologia da Maldição Hereditária com a Bíblia. Os que defendem a
existência de crentes amaldiçoados por maldições provindas de
antepassados, admitem que seja possível estarmos de posse de uma
herança maldita, por nós desconhecida, e difícil de ser detectada no tempo
e no espaço. O remédio seria quebrar, anular, amarrar, repreender essa
maldição. Feito isso, o crente ou não crente estaria livre de todo peso.

Nem ele nem os seus descendentes sofreriam mais os danos desse mal. A
maldição hereditária - segundo os que a defendem - surge em decorrência
de um trabalho de feitiçaria ou de qualquer outra ação maligna lançada
contra a pessoa. Uma pessoa em sofrimento pode ter sido consagrada,
antes ou depois do seu nascimento, às entidades demoníacas. Uma palavra
má pode ter sido lançada sobre a vida de uma família, que nunca
prosperará e será vítima de enfermidades e angústias. As pessoas sem
temor a Deus, sem vida em Cristo, estão sujeitos a problemas muito
maiores do que esses, pois estão condenadas à morte eterna. Sem Cristo a
maldição nunca acaba!

Não existe Maldição Hereditária, pelas seguintes razões:

1. Poderia ocorrer o caso de os salvos em Cristo carregarem, ainda,


maldições herdadas? "E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura;
as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas” (II Coríntios 5.17).

2. Ocorreria uma situação em que o novo carrega, ainda, coisas velhas?


"Em verdade, em verdade vos digo: quem ouve a minha palavra e crê
naquele que me enviou tem a vida eterna, não entra em juízo, mas
passou da morte para a vida" – Jesus Cristo (João 5.24).

3. A maldição lançada contra os salvos seria mais eficaz do que o Sangue de


Jesus? Mais poderoso não é Aquele que está em nós? "Cristo nos resgatou
da maldição da lei, fazendo-se ele próprio maldição em nosso lugar...”
(Gálatas 3.13).

4. Jesus tomou sobre si nossas maldições, e carregou nossos pecados.


"Carregando ele mesmo em seu corpo, sobre o madeiro, os nossos pecados,
para que nós, mortos para os pecados, vivamos para a justiça; por suas
chagas fostes sarados" (I Pedro 2.24).

5. Dar-se-ia o caso de o crente ficar livre das correntes do pecado, mas


permanecer amarrado, ainda, às maldições resultantes de pecados
cometidos por seus antepassados? "Se, pois, o Filho vos libertar,
verdadeiramente sereis livres" (João 8.36).

Roberto Tupinambá, teólogo.


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Conclusão.

Morremos para o mundo e para o pecado, mas não teríamos morrido para
possíveis maldições sobre nós lançadas? A Cruz de Cristo nos salvou da
maldição da Lei, mas o Sangue de Jesus teria sido impotente para nos livrar
de maldições hereditárias? Fica difícil de imaginar que uma pessoa
beneficiária de tantas bênçãos possa carregar sobre si o fardo das
maldições. A solução para livrar-se delas é aceitar a salvação que há em
Cristo Jesus. As maldições não alcançarão os justos, porque os muros de
nossa fortaleza espiritual estão íntegros, sabendo-se que "a maldição sem
causa não se cumpre" (Provérbios 26.2). Aos que se julgam debaixo de
maldição, Jesus faz um convite e uma promessa: "Vinde a mim, todos os
que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei" (Mateus 11.28).

37. A CIRCUNCISÃO.

“Esta é a minha aliança, que guardareis entre mim e vós e a tua


descendência: todo macho entre vós será circuncidado” (Gênesis 17.10).

I. O QUE SIGNIFICA CIRCUNCISÃO? PARA QUE SERVIA?

Circuncisão é a “retirada cirúrgica do prepúcio, praticada por razões


higiênicas e/ou religiosas”. As razões religiosas têm suas raízes em
Gênesis. A lei da circuncisão foi dada a Abraão quando ele tinha 99 anos de
idade. Deus associou a circuncisão a duas grandes promessas: Ele faria uma
grande nação dos descendentes de Abraão e dar-lhe-ia uma terra como
herança. Deus mandou que Abraão e seus descendentes guardassem a
aliança da circuncisão: “... Todo macho entre vós será circuncidado.
Circuncidareis a carne do vosso prepúcio; será isso por sinal de aliança
entre mim e vós” (Gênesis 17.10,11). Ele ordenou que circuncidassem os
meninos no oitavo dia de vida.

Os incircuncisos não participavam dessas promessas de Deus. Não fazia


parte do povo escolhido, Israel. Homens de outras nações passavam a
participar dos privilégios dos judeus somente quando foram circuncidados.
“Porém, se algum estrangeiro se hospedar contigo e quiser celebrar a
Páscoa do Senhor, seja-lhe circuncidado todo macho; e, então, se chegará,
e a observará, e será como o natural da terra; mas nenhum incircunciso
comerá dela” (Êxodo 12.48).

II. A CIRCUNCISÃO NA IGREJA PRIMITIVA.

Na Igreja primitiva, houve controvérsias acirradas sobre a circuncisão.


Alguns judeus convertidos a Cristo acharam que todos os homens teriam
que ser circuncidados para participarem das bênçãos em Cristo. Talvez
associassem uma outra promessa dada a Abraão (Gênesis 12.3) ao ato de
circuncisão. Mas Deus nunca disse que as bênçãos espirituais em Cristo
dependeriam da circuncisão da carne.

“É, porventura, Deus somente dos judeus? Não o é também dos gentios?
Sim, também dos gentios, visto que Deus é um só, o qual justificará, por fé,
o circunciso e, mediante a fé, o incircunciso” (Romanos 3.29,30).

Roberto Tupinambá, teólogo.


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Embora a circuncisão não tenha valor religioso hoje, ainda aprendemos


lições importantes das instruções dadas aos judeus.

1. No ato da circuncisão, eles se tornaram distintos, e Deus removeu o


“opróbrio” do pecado. “Disse mais o Senhor a Josué: Hoje, removi de vós o
opróbrio do Egito; pelo que o nome daquele lugar se chamou Gilgal até o
dia de hoje” (Josué 5.9).

2. Hoje, Cristo remove o pecado na circuncisão espiritual quando somos


sepultados com Ele no Batismo. “Nele, também fostes circuncidados, não
por intermédio de mãos, mas no despojamento do corpo da carne, que é
a circuncisão de Cristo, tendo sido sepultados,
juntamente com ele no batismo, no qual igualmente fostes ressuscitados
mediante a fé no poder de Deus que o ressuscitou dentre os mortos”
(Colossenses 2.11,12).

38. JERUSALÉM, JERUSALÉM!

“Orai pela paz de Jerusalém! Sejam prósperos os que te amam” (Salmos


122.6).
Jerusalém significa “cidade da paz”. É a cidade principal ao sul da Palestina
e capital de Israel. Qual é o segredo de sua grandeza? Não tinha um
porto marítimo como Alexandria e Roma, nem estava situada num rio, como
o Egito. Enquanto, Roma era o centro político, e Atenas, o centro cultural,
Jerusalém era o centro espiritual do mundo, cidade de maior influência
sobre a esperança e o destino da humanidade. É a cidade escolhida por
Deus, centro de Seus cultos, leis e revelação, com o intuito de proclamá-la
ao mundo. É mencionada pela primeira vez na Bíblia em Josué 10.1.

Davi tomou a cidade dos jebuseus [3] e a fez capital de Israel (2Samuel 5.6-
9). Na divisão da nação continuou a ser capital de Judá, desde 931 a.C. até
ser destruída por Nabucodonosor em 586 a.C. Voltou a ser a capital de
Israel depois do exílio, em 535 a.C. Foi totalmente destruída pelo general
romano Tito em 70 d.C. Jerusalém foi 28 vezes sitiada desde Josué até os
dias de hoje. É uma ironia que a “cidade da paz” tenha tido tão pouca paz
em sua longa existência.

Não há nenhuma cidade no mundo pela qual se lutou e se luta mais do que
por Jerusalém. Jerusalém torna-se mais e mais o centro das atenções. Deus
tem reservado para Jerusalém restauração, domínio e grandeza. Sempre é
proveitoso termos em mente o que Deus e Sua Palavra nos dizem acerca de
Jerusalém. Pois esta é a cidade mais importante do mundo!

Não devemos esquecer que a desolação de Jerusalém está relacionada no


Antigo Testamento, com o seu afastamento de Deus e, no Novo
Testamento, com sua rejeição a Cristo.

I. A SINGULARIDADE DE JERUSALÉM.

1. A partir de Jerusalém o Evangelho foi espalhado por todo o mundo. “Mas


recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas
testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até os
confins da terra” (Atos 1.8).

Roberto Tupinambá, teólogo.


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2. Do Monte das Oliveiras, em Jerusalém, Jesus subiu ao Céu. “E, comendo


com eles, determinou-lhes que não se ausentassem de Jerusalém, mas que
esperassem a promessa
do Pai, a qual, disse ele, de mim ouvistes... Ditas estas palavras, foi Jesus
elevado às alturas, à vista deles, e uma nuvem o encobriu dos seus olhos”
(Atos 1.4,9).

3. Durante quase 2000 anos Jerusalém foi pisada pelos gentios. Desde 1967
esse período terminou, e Jerusalém é novamente a capital do povo judeu.
“Cairão a fio de espada e serão levados cativos para todas as nações; e, até
que os tempos dos gentios se completem, Jerusalém será pisada por eles”
(Lucas 21.24).

4. Em Jerusalém aparecerão as duas testemunhas no tempo da


Grande Tribulação e
testemunharão durante 1260 dias. No fim desse tempo elas serão mortas
pela besta, ressuscitarão depois de três dias e meio, e de Jerusalém subirão
ao céu (Apocalipse 11.3-13).

5. Em Jerusalém estão os tronos de justiça. “Lá estão os tronos de justiça,


os tronos da casa de Davi” (Salmos 122.5).

6. Em Jerusalém ocorreu o maior acontecimento de todos os tempos: Ali


Deus reconciliou o mundo consigo mesmo por intermédio de Jesus Cristo.
“Sabeis que, daqui a dois dias, celebrar-se-á a Páscoa; e o Filho do Homem
será entregue para ser crucificado” – Jesus Cristo (Mateus 26.2).
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[3] Jebuseus. Habitantes de Jebus, antigo nome de Jerusalém (Juízes 19.10). Era
uma das sete nações que habitavam Canaã antes da conquista pelos israelitas
(Êxodo 3.8).
7. Em Jerusalém surgiu a igreja primitiva, quando cerca de quase 3000
pessoas se converteram. Desse modo, ali foi fundada a base da Igreja de
Jesus. “Então, os que aceitaram a palavra foram batizados, havendo um
acréscimo naquele dia de quase três mil pessoas” (Atos 2.41).

8. Jerusalém é a cidade de Davi, onde ele governou como rei durante 33


anos sobre todo o Israel e Judá. “Porém Davi tomou a fortaleza de Sião; esta
é a Cidade de Davi” (2Samuel 5.7).

9. Jerusalém é a cidade do Grande Rei. “Nem pela terra, por ser estrado de
seus pés; nem por Jerusalém, por ser a cidade do grande Rei” – Jesus Cristo
(Mateus 5.35).

10. Jerusalém está situada no centro da terra não apenas geograficamente,


mas também tem importância central quanto ao Plano de Salvação. “Assim
diz o Senhor Deus: Esta é Jerusalém; pu-la no meio das nações e terras que
estão ao redor dela” (Ezequiel 5.5).

11. No fim do tempo do Anticristo todas as nações da terra se ajuntarão


para lutar contra Jerusalém. “Porque eu ajuntarei todas as nações para a
peleja contra Jerusalém; e a cidade será tomada, e as casas serão
saqueadas, e as mulheres, forçadas; metade da cidade sairá para o
cativeiro, mas o restante do povo não será expulso da cidade” (Zacarias
14.2).

Roberto Tupinambá, teólogo.


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12. O Senhor habitará em Jerusalém. “Assim diz o Senhor: Voltarei para


Sião e habitarei no meio de Jerusalém; Jerusalém chamar-se-á a cidade fiel,
e o monte do Senhor dos Exércitos, monte santo” (Zacarias 8.3).

13. Só existe uma cidade no mundo pela qual Jesus chorou: Jerusalém.
“Quando ia chegando, vendo a cidade, chorou” (Lucas 19.41).

14. Jesus Cristo voltará para Jerusalém para salvar o Seu povo. “Naquele
dia, estarão os seus pés sobre o monte das Oliveiras, que está defronte de
Jerusalém para o oriente; o monte das Oliveiras será fendido pelo meio,
para o oriente e para o ocidente, e haverá um vale muito grande; metade
do vale se apartará para o norte, e a outra metade, para o sul” (Zacarias
14.4).

15. A seguir, Cristo estabelecerá o Seu reino de paz em Jerusalém e será Rei
sobre toda a terra, cumprindo a petição de Cristo (Mateus 6.10). “O Senhor
será Rei sobre toda a terra; naquele dia, um só será o Senhor, e um só será
o seu nome” (Zacarias 14.9).

16. Depois do Milênio, Satanás tentará mais uma vez conquistar e destruir
Jerusalém, seduzindo os povos para lutarem contra Jerusalém. Fogo do céu
consumirá essas nações, e Satanás será lançado no lago que arde com fogo
e enxofre (Geena) (Apocalipse 20.7-10).
“Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas e apedrejas os que te foram
enviados! Quantas vezes quis eu reunir os teus filhos, como a galinha
ajunta os seus pintinhos debaixo das asas, e vós não o quisestes!” – Jesus
Cristo (Mateus 23.37).

ORAI PELA PAZ DE JERUSALÉM!

39. O PODER DO PERDÃO.

“Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os
pecados e nos purificar de toda injustiça” (I João 1.9).

Como ser perdoado? Se me arrepender agora, Cristo me perdoa? Sim! Deus


está sempre pronto a perdoar.

I. O QUE PRECISO FAZER PARA SER PERDOADO?

1. Como confessar o meu pecado? Com sua boca, falando diretamente a


Jesus Cristo e reconhecendo sua culpa. “Se confessarmos os nossos
pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de
toda injustiça” (I João 1.9).

2. Deixar os pecados. Se quisermos ser perdoados, além de confessar


devemos ter o propósito de não mais pecar. “O que encobre as suas
transgressões jamais prosperará; mas o que as confessa e deixa alcançará
misericórdia” (Provérbios 28.13).

3. O que acontece quando recebo o perdão? Começa a experimentar o


amor de Deus. “... Eu vim para que tenham vida e a tenham em
abundância” – Jesus Cristo (João 10.10b).

Roberto Tupinambá, teólogo.


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4. O que acontece se recuso o perdão? Continuo impuro, sem vida


verdadeira, sem autoridade, escravo do pecado, sem comunhão com Deus,
sujeito as enfermidades, tormentos, em horrível expectação de juízo.
“Porque, se vivermos deliberadamente em pecado, depois de termos
recebido o pleno conhecimento da verdade, já não resta sacrifício pelos
pecados” (Hebreus 10.26).

Finalmente devemos pedir perdão e perdoar em Nome de Jesus. Por quê?


Porque o pecado é um débito que nós não podemos pagar, mas Jesus pagou
na Cruz por nós. O crédito pertence a Ele e só Ele pode nos dar este crédito
(I João 2.12).

II. O RESSENTIMENTO.

O ressentimento ou amargura é o veneno que mais tem destruído vidas no


mundo em que vivemos. Muitos dos problemas existentes em nossa vida
como: desentendimento familiar, falta de harmonia entre cônjuges, pais e
filhos, problemas de solidão, depressão, e até loucura; podem ser
conseqüências diretas da falta de perdão na vida de uma pessoa.
Ressentimento é falta de perdão.

1. O Que Causa O Ressentimento?

a) Assassinato. Resultado de ódio e desejo de vingança.


b) Problemas psíquicos e enfermidades.
c) Separação de amigos e familiares.
d) Suicídio causado por depressão aguda ou desespero proveniente de
profunda decepção.

2. O Ressentimento Na Igreja.

a) Causam divisões entre famílias, membros que acabam se mudando para


outras igrejas por não suportarem a presença dos “problemáticos”, como
também a própria divisão da igreja.
b) Impede a comunhão com Deus e o desenvolvimento de relacionamentos
sadios entre irmãos.
c) Impede a graça de Deus nas nossas vidas. “Atentando, diligentemente,
por que ninguém seja faltoso, separando-se da graça de Deus; nem haja
alguma raiz de amargura que, brotando, vos perturbe, e, por meio dela,
muitos sejam contaminados” (Hebreus 12.15).

III. A IMPORTÂNCIA DO PERDÃO.

É um requisito para se ser perdoado (Mateus 6.14,15). Pessoas que


‘’passam mal’’ ao encontrarem certas pessoas ou lembrar certas
experiências negativas do passado. Problemas de enfermidades constantes;
úlceras nervosas, etc. Muitos destes problemas são causados por
ressentimentos.

1. Se mantivermos um espírito perdoador, não ficaremos abatidos quando


feridos ou decepcionados com outras pessoas. “Suportai-vos uns aos
outros, perdoai-vos mutuamente, caso alguém tenha motivo de queixa

Roberto Tupinambá, teólogo.


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contra outrem. Assim como o Senhor vos perdoou, assim também perdoai
vós” (Colossenses 3.13).

2. Quantas vezes se deve perdoar a um irmão? Deve ser ilimitado. “Então,


Pedro, aproximando-se, lhe perguntou: Senhor, até quantas vezes meu
irmão pecará contra mim, que eu lhe perdoe? Até sete vezes? Respondeu-
lhe Jesus: Não te digo que até sete vezes, mas até setenta vezes sete”
(Mateus 18.21,22).

3. A quem devo perdoar? A todos, sem distinção e a si mesmo. Muitas


pessoas sofrem por causa de erros e/ou pecados no passado e não
conseguem se perdoar ou aceitar o que aconteceu.

1. Como Devemos Perdoar.

a) Depender da graça de Deus e aceitá-la pela fé (II Timóteo 2.1).


b) Disciplinar os pensamentos não aceitando pensar negativamente contra
a pessoa. (Filipenses 4.8,9).
c) Tomar a decisão de perdoar a pessoa (Marcos 11.25,26).
d) Voltar (ou começar) a fazer o melhor possível para a pessoa (I Pedro
3.8,9).

Interceder pela pessoa e abençoá-la em oração. É impossível ter


ressentimento contra alguém pelo qual oramos sempre (Mateus 5.38-48).

Conclusão.

Uma das razões para a falta de poder nas nossas vidas e na igreja é a falta
de perdão, pois
quebra a comunhão e impede o fluir de Deus. “Se, porém, andarmos na luz,
como ele está
na luz, mantemos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus, seu
Filho, nos purifica de todo pecado” (I João 1.7).

40. A REFORMA PROTESTANTE E A CONTRA-REFORMA.

I. OS MOTIVOS.

O processo de reformas religiosas teve início no século XVI. Podemos


destacar como causas dessas reformas: abusos cometidos pela Igreja
Católica e uma mudança na visão de mundo, fruto do pensamento
renascentista.

Martinho Lutero: Precursor da Reforma Protestante.

A Igreja Católica vinha desde o final da Idade Média, perdendo sua


identidade. Gastos com

Roberto Tupinambá, teólogo.


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luxo e preocupações materiais estavam tirando o objetivo católico


dos trilhos. Muitos
elementos do Clero estavam desrespeitando as regras religiosas,
principalmente no que

HISTÓRIA.
Renascentista. Período da História da Europa entre fins do século XIII e meados do
século XVII.
Idade Média. Período que compreende a queda do Império Romano do Ocidente em
476 d.C., e com o fim do Império Romano do Oriente, com a Queda de
Constantinopla em 1453 d.C..
diz respeito ao celibato. Padres que mal sabiam rezar uma missa e
comandar as liturgias
deixavam à população insatisfeita.

A burguesia comercial, em plena expansão no século XVI, estava cada vez


mais inconformada, pois os clérigos católicos estavam condenando seu
trabalho. O lucro e os juros, típicos de um Capitalismo emergente, eram
vistos como práticas condenáveis pelos religiosos. Por outro lado, o Papa
arrecadava dinheiro para a construção da Basílica de São Pedro, em Roma,
com a venda de indulgências (venda de perdão). No campo político, os reis
estavam descontentes com o Papa, pois este interferia muito nos negócios
que eram próprios da realeza.

II. A REFORMA PROTESTANTE.

O monge alemão Martinho Lutero (1484-1546) foi um dos primeiros a


contestar fortemente os dogmas da Igreja Católica. Afixou em 31 de outubro
de 1517, na porta da Igreja de Wittenberg as 95 teses que criticavam vários
pontos da doutrina católica.
As 95 teses de Martinho Lutero condenavam a venda de indulgências e
propunha a fundação do Luteranismo. De acordo com Lutero, a salvação do
homem ocorria pelos atos praticados em vida e pela fé (Efésios 2.8,9).
Embora tenha sido contrário ao comércio, teve grande apoio dos reis e
príncipes da época. Em suas teses, condenou o culto a imagens e revogou o
celibato.

III. A REFORMA CALVINISTA.

Na França, João Calvino (1509-1564) começou a Reforma Luterana no


ano de 1534. De
acordo com Calvino a salvação da alma ocorria pelo trabalho justo e
honesto. Essa ideia
calvinista atraiu muitos burgueses e banqueiros para o Calvinismo.
Muitos operários
também viram nesta nova religião uma forma de ficar em paz com sua
religiosidade. Calvino também defendeu a idéia da predestinação.
“Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou para
serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o
primogênito entre muitos irmãos, E aos que predestinou, a esses também
chamou; e aos que chamou, a esses também justificou; e aos que justificou,
a esses também glorificou” (Romanos 8.29,30).

IV. A REFORMA ANGLICANA.

Roberto Tupinambá, teólogo.


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Na Inglaterra, o rei Henrique VIII (1491-1547) rompeu com o papado, após


este se recusar a anular o casamento dele. Henrique VIII funda o
Anglicanismo e aumenta seu poder e suas posses, já que retirou da Igreja
Católica uma grande quantidade de terras.

V. A CONTRA-REFORMA.

Preocupados com os avanços do Protestantismo e com a perda de fiéis,


bispos e papas reúnem-se na cidade italiana de Trento (Concílio de Trento)
com o objetivo de traçar um plano de reação. Neste Concílio, ficou definido:

HISTÓRIA.
Concílio de Trento, realizado de 1545 a 1563, foi o 19º Concílio Ecumênico. É
considerado um dos três concílios fundamentais na Igreja Católica. Foi convocado
pelo Papa Paulo III para assegurar a unidade da fé (Sagrada Escritura histórica) e a
disciplina eclesiástica, no contexto da Reforma da Igreja Católica e a reação à
divisão então vivida na Europa devido à Reforma Protestante, razão pela qual é
denominado como Concílio da Contra-Reforma.

DICIONÁRIO.
Celibato. Estado de pessoa que se mantém solteira.
Dogmas. Ponto ou princípio de fé definido pela Igreja.
1. Catequização dos habitantes de terras descobertas, através da ação dos
jesuítas.
2. Retomada do Tribunal do Santo Ofício (Inquisição): Punir e condenar os
acusados de heresias.
3. Criação do “Index Librorium Proibitorium” (Índice de Livros Proibidos):
Evitar a propagação de ideias contrárias à Igreja Católica.

Conclusão.

Os objetivos da Reforma Protestante foram:


1. Resgate das convicções básicas da fé cristã.
2. Reavivamento com o aprofundamento da vida cristã.

Roberto Tupinambá, teólogo.


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HISTÓRIA.
Inquisição. Instituída em 1232 pelo papa Gregório IX ela vigorou até 1859, quando
o papado extinguiu definitivamente o Tribunal do Santo Ofício. Este tribunal católico
romano foi utilizado para averiguar heresia, feitiçaria, bigamia, sodomia e
apostasia. O acusado era entregue às autoridades do Estado, que o puniriam. As
penas variam desde confisco de bens, perda de liberdade, até a pena de morte
(muitas vezes na fogueira, método que se tornou famoso, embora existissem outras
formas de aplicar a pena de morte).

Roberto Tupinambá, teólogo.