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10 DESENHO TÉCNICO

Ementa: função e importância do desenho. Instrumentos, materiais e normas


técnicas aplicadas ao desenho. Razão e proporção de objetos. Principais vistas do objeto.
Convenções básicas do desenho de Arquitetura. Este material didático não aborda
ferramenta CAD (Computer Aided Design). A aplicação das técnicas de desenho Técnico
deverá ser desenvolvida livremente pelo estudante com base na ferramenta CAD de sua livre
escolha.

Conteúdo programático: normas técnicas e materiais de desenho; traçado de linhas


(à mão livre) e caligrafia técnica; traçado de linhas (com os materiais de desenho); noções de
desenho geométrico (traçado geométrico); normas técnicas (formatos, legendas, linhas,
cotagem, escalas); projeções ortogonais (sistema europeu), vistas principais; perspectiva
isométrica e cavaleira; cortes.

10.1 Função e Importância do Desenho: Síntese Histórica

O desenho pode ser entendido como uma das primeiras formas de comunicação e
de expressão do homem. Já na pré-história registros eram feitos usando-se as rochas para
representações gráficas. Em diferentes épocas os recursos utilizados têm sido os mais
variados. Na Mesopotâmia, por exemplo, os desenhos de mapas e plantas das cidades eram
traçados em placas de argila. Cem anos antes de Cristo traçava-se em pergaminhos com
auxílio de bastões de chumbo. Por volta do século XVI, após a utilização do chumbo junto ao
estanho e à prata, chegou-se a grafite. O mesmo, à época, era envolvido por porta-mina
artisticamente trabalhado. No século XVII, na Alemanha, foi desenvolvida a ideia de colar
tiras de grafite em madeira, proporcionando maior firmeza para o traçado e fazendo surgir
então o lápis.

Em 1795, o mecânico francês Nicolas Jacques Conté (Sées, 1755- Paris, 1805), foi
um dos fundadores do Conservatório de Artes e Ofícios. Fundou uma fábrica de lápis após
descobrir o grafite artificial. Aperfeiçoou o seu uso por meio de uma mistura de grafite
moído com cerâmica desenlameada e posteriormente submetida a um processo de
estiramento por pressão. Dependendo da proporção de grafite e cerâmica, eram obtidos os
diferentes graus de dureza que conhecemos hoje tanto pelos números nos lápis (1, 2, 3),
como pelas letras (H, B, F).

Durante alguns séculos, o desenho, hoje entendido como técnico, foi um


conhecimento e um processo grafo-representativo de acesso restrito, e por isso mesmo
descomprometido com regras e normas de execução. Um dos maiores complicadores residia
na dificuldade de se demonstrar à volumetria das formas em superfícies planas, problema
que foi minimizado no século XV, quando foi desenvolvido um estudo relativo à teoria do
desenho e a representação gráfica de inúmeros inventos por Leonardo da Vinci (Vinci, 1452-
Castelo de Cloux, 1519), pintor, escultor, inventor, engenheiro e arquiteto italiano.

Mas as técnicas de representação basicamente só passariam a ter maior


fundamentação e importância a partir do final do século XVIII, quando então foi criada a

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Geometria Descritiva com o objetivo de tirar a nação francesa da dependência até então da
indústria estrangeira por Gaspard Monge (Blaune, 1746- Paris, 1818), matemático francês,
foi um dos fundadores da Escola Politécnica de Paris. A Exposição Universal de Desenho,
1828 na França e a Exposição Industrial de Londres em 1851 colaboraram para que o
desenho fosse aceito como um potencial instrumento de autonomia e de desenvolvimento
tecnológico.

Hoje o desenho técnico assume uma posição difusa e multidisciplinar e, aliado a


importantes recursos, como os computadores, auxilia na produção do mundo material no
que se vive, utilizando-se de uma linguagem normalizada e universal. Das ideias preliminares
aos estágios finais de representação, sua complicação se faz presente em projetos
mecânicos; mobiliários; arquitetônico; aeroespaciais; navais e em inúmeras outras áreas. O
conhecimento que se pretende transmitir em neste curso é, apenas, a parte básica
necessária para um aprofundamento específico posterior.

10.2 A Comunicação Gráfica pela Escrita e pelo Desenho

Graficamente, é possível se comunicar pela escrita ou pelo desenho. A escrita, que


não deixa de ser um desenho de letras, sob o ponto de vista gramatical, empresta à
semântica um valor superior ao que é fornecida à caligrafia. Tanto que a força de uma
palavra está no seu significado, pouco importando o formato de suas letras.

Na comunicação pelo desenho, há de se considerar suas diversas modalidades, cada


um com instruções metodológicas de estudo próprias e especificadas em função dos seus
objetivos. Genericamente, o desenho se comunica pela imagem, o que facilita a percepção.
A leitura e a interpretação nem sempre são imediatas. A percepção tridimensional, a partir
de uma representação plana, é indispensável. Igualmente importante é o conhecimento da
estrutura e funcionamento do processo utilizado na execução do desenho.

10.2.1 Acabando com o Medo de Desenhar

Uma coisa é dizer que há a necessidade de se expressar bem graficamente; a outra


é dizer que há necessidade de desenhar bem. Sabe-se que de uma forma ou de outra, diz-se
a mesma verdade. Acontece que a primeira sentença é aceita sem muitas restrições, por não
explicitar a transitividade do verbo desenhar, “fatal” para muitos. Ter que desenhar, na
maioria das pessoas, causa reações psicológicas, geram bloqueios, inibições. Aciona
mecanismos de defesa. Tudo isso aliviado por justificativas do tipo “não nasci com jeito para
desenhar”, “não nasci com este dom” ou ainda “desenhar é coisa pra artista”, e por aí vai. É
fato que existem os privilegiados. O que não se aceita é a exclusividade, por ser possível a
qualquer pessoa, adquirir o jeito para o desenho. E o primeiro passo é acabar com o medo
de desenhar.

10.2.2 Como Desenhar Bem

Todos os nossos cinco sentidos favorecem a aprendizagem, pois e por meio deles
que se percebe o mundo. “Quanto maior o número de sentidos que empregamos na
investigação da natureza ou das qualidades de um objeto, tanto mais exato é o

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conhecimento que adquirimos deste objeto” (Pestalozzi). É necessário empenhar o maior


número de sentidos ao momento que se vive, às situações que se enfrenta, até porque
nenhum sentido existe independentemente dos demais; antes, ao contrário, eles se
interpenetram e se completam.

De todos os sentidos, o da visão parece ser o mais solicitado. O ser humano é


naturalmente condicionado à aquisição de conhecimentos por meio da visão. Exercitá-la
ajuda a compreender melhor as relações do espaço tridimensional em que se vive. Favorece
o espírito de observação, a percepção visual, a memória visual e o raciocínio. Numa
experiência visual plena, não basta olhar simplesmente. É preciso ver com todos os sentidos
os detalhes da forma, a simetria existente, a textura da matéria, as cores existentes, a luz, a
sombra, as distâncias, a proporção. É preciso atingir o objeto-alvo curiosamente, analisando
o movimento, o volume, o contorno, o efeito perspectivo, o clima, a temperatura.

10.2.3 A Percepção Visual

Percepção significa conhecer, por meio dos sentidos, objetos e situações. A


abrangência do verbo conhecer demonstra que as pessoas não possuem o mesmo grau de
percepção. Tal faculdade depende de vários fatores e pode variar da simples e imediata
identificação ou reconhecimento de um objeto, até a constatação de detalhes de suas
partes. De todas as formas de percepção a visual é extraordinariamente importante para
quem desenha, isto é para quem executa, lê ou interpreta um desenho. Seu aprimoramento
se consegue mediante exercício do ver, em primeiro lugar. Ver com curiosa atenção e
inteligência. A percepção, seja ela qual for, depende do estado emocional de cada ser, do
seu condicionamento psicológico: ansiedades, expectativa e motivações. Existem,
entretanto, outras considerações sobre as quais se devem ponderar no processo perceptivo:
a posição do observador em relação ao evento é uma delas.

Quando se olha um determinado objeto, a luz penetra em nos olhos, atravessando


a córnea, o humor aquoso, a pupila, o cristalino e o humor vítreo, levando a imagem até a
retina, onde ela é fixada. Na retina, a imagem fica invertida. Da retina, a imagem é
transmitida ao cérebro onde é endireitada. O que se vê, portanto, vem a ser uma resposta
do cérebro ao estímulo recebido pela retina. A retina situa-se na parte posterior do globo
ocular, numa superfície aproximadamente esférica.

A visão exerce grande importância na aprendizagem. Aprende-se quando a


retenção da aprendizagem é seguida de aplicação. A exercitação imediata favorece a
sedimentação dos conhecimentos adquiridos. Aprende-se: 1% a partir do gosto; 1,5% do
tato; 3,5% a partir do olfato; 11% pelo ouvido e 83% por meio da vista (Socondy-Vacum
OilCoStudies).

10.2.4 A Necessidade de Desenhar

O interesse do homem em repassar suas experiências visuais por meio do desenho


data da pré-história. O homem primitivo, assim como a criança, se deixa envolver pelo poder
mágico da imagem e pratica um desenho espontâneo, onde a síntese, transparência e o uso
intuitivo do rebatimento são características marcantes. Durante séculos, artistas tentam

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desenvolver técnicas capazes de permitir a representação gráfica de objetos, figuras e


paisagens à maneira como eram vistos, estudando os efeitos da distância e da luz sobre o
tamanho e a forma dos motivos. Paralelamente, engenheiros e arquitetos desenvolviam
procedimentos que permitissem desenhar seus projetos para posterior construção.

Experiências acumuladas, o desenho evolui como resultado das descobertas e


conquistas culturais da humanidade, sendo hoje valioso instrumento de comunicação e de
expressão. O desenho é uma linguagem. Favorece o entendimento entre as pessoas que
concebem e as que executam um trabalho de natureza tecnológica. Cumpre lembrar que o
“desenhar” compreende três fases: a execução, a leitura e a interpretação. Aos
computadores se pode emprestar a autoria da execução de um desenho, não é nada mais
que um instrumento de desenho; ao homem, entretanto, caberá sempre a leitura e a
interpretação. Na Figura 1 a seguir, no primeiro desenho, é possível fazer referências a um
simples triedro e não ao hexaedro regular. No segundo desenho, o valor perceptivo das
arestas invisíveis torna mais evidente o volume do sólido. No terceiro desenho, o plano
horizontal acolhe a base do sólido que passa a ser um hexaedro.

Figura 1 - Exemplos de desenhos e suas referências

Fonte: Elaborada pelo autor (2014)

10.3 Desenho Técnico – Definição

A arte de representar os contornos dos objetos por meio de linhas ou sombras. O


desenho representa uma técnica para apropriação da natureza, e faz uso desta técnica para
a realização do que a mente cria dentro de si mesma. Os desenhos técnicos se classificam,
didaticamente, em artístico ou expressivo, onde o artista expressa sentimento e imaginação;
técnico-científico, cuja finalidade é resolver graficamente os problemas, utilizando
instrumental próprio.

Nos cursos técnicos serão desenvolvidos os desenhos técnico-científicos: Desenho


Geométrico (estuda os problemas da geometria plana); Geometria Descritiva (Mongeana, Cotada,
Axonométrica) (estuda os problemas da geometria espacial); e Desenho Técnico (tem a finalidade de
representar objetivos, permitindo aos projetistas transmitir aos executantes a forma, as dimensões e
a posição relativa do que se está representando, bem como seu aspecto e material).

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Conforme a natureza do objeto a ser representado e do tipo de representação, o Desenho


Técnico pode ser subdividido em: Mecânico, Arquitetônico, Eletrotécnico, Topográfico, de Estruturas,
Cartográfico, Naval, Aeronáutico, etc. Os desenhos técnicos se classificam segundo os seguintes
critérios:

 Quanto ao aspecto geométrico: desenho projetivo e desenho não projetivo.


a) desenho projetivo: desenho resultante de projeções da peça sobre um ou mais
planos, compreendendo as projeções ortogonais e as perspectivas, conforme
ilustrado pela Figura 2 a seguir;

Figura 2 - Desenho projetivo

Fonte: Elaborada pelo autor (2014)

b) desenho não projetivo: diagramas, esquemas, fluxograma, organograma,


gráficos, etc., como ilustra a Figura 3 logo abaixo.

Figura 3 - Desenho não projetivo

Fonte: Elaborada pelo autor (2014)

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0- Quanto ao grau de elaboração: croquis, desenho preliminar e desenho


definitivo.
a) croquis: representação gráfica aplicada habitualmente aos estágios iniciais da
elaboração de um projeto ou à representação de elementos existentes em uma
peça ou à execução da obra, como se pode observar na Figura 4 a seguir. É
executado à mão livre ou com instrumentos;

Figura 4 - Croquis

Fonte: Elaborada pelo autor (2014)

b) desenho preliminar: representação gráfica empregada nos estágios


intermediários da elaboração da peça ou do projeto, sujeito ainda às
alterações. Corresponde ao anteprojeto, como ilustra a Figura 5. Dados:
Diâmetro da Flange = 60; Espessura = 15; Diâmetro do Cilindro = 30;

Figura 5 - Desenho preliminar

Fonte: Elaborada pelo autor (2014)

c) desenho definitivo: desenho integrante da solução final da peça ou do projeto,


contendo os elementos necessários à sua compreensão, de modo a poder
servir à execução, conforme ilustrado pela Figura 6 (7) a seguir.

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Figura 6 - Desenho definitivo

Fonte: Elaborada pelo autor (2014)

1- Quanto à finalidade: construção, montagem e ilustração.


2- Quanto ao material empregado: desenho confeccionado a lápis, desenho
confeccionado à tinta em papel comum, manteiga ou vegetal (transparente).
3- Quanto à técnica de execução: desenho à mão livre ou feito com
instrumentos.
4- Quanto à natureza: original ou cópia (heliográfica Xerox).

10.4 A Função do Desenho Técnico e sua Importância na Execução dos Projetos de


Engenharia e Tarefas Industriais

O projeto é uma das principais atribuições do engenheiro. O desenho é a


ferramenta fundamental para o seu desenvolvimento. Um novo produto, seja ele uma
máquina, uma estrutura ou sistema, deve existir na cabeça do engenheiro ou projetista
antes de se tornar realidade. Essa ideia é colocada no papel, para que os outros elementos
da equipe de trabalho a compreendam, por meio de uma linguagem gráfica, por intermédio
de croquis desenhados à mão livre. Esses croquis serão seguidos por outros, até o
desenvolvimento completo da ideia, quando então se passa para a fase de detalhamento.

O engenheiro projetista deve ser capaz de criar os croqui dentro da ideia concebida
e supervisionar a preparação dos desenhos e especificações, que irão controlar os
numerosos detalhes de produção e manutenção do produto. Para executar ou supervisionar
a execução de desenhos, é necessário um treinamento intenso nas técnicas de desenho com
instrumentos e um grande conhecimento da linguagem gráfica.

Um projeto apresenta uma quantidade inumerável de documentos entre plantas,


memoriais, especificações, etc. O desenvolvimento de um projeto pode levar, desde a sua
concepção até o produto final acabado, pouco ou longo tempo, por diversos motivos, tais
como complexidade, atrasos, falta de recursos. O projeto completo de um edifício de dez
andares, com os projetos de arquitetura, fundação, estrutura, instalações, etc., envolve um
número muito grande de plantas. O projeto completo de um automóvel com todas as peças
detalhadas ultrapassa a cifra dos cinco mil desenhos. Uma indústria siderúrgica de grande
porte possui um acervo da ordem de quinhentos mil desenhos, onde estão todos os prédios,
equipamentos e reformas.

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O desenho nada é do que uma forma de linguagem, servindo, portanto para


comunicar ideias e conceitos. Essa linguagem traz sempre como mensagem a representação
de um objeto qualquer tridimensional, por meio de um veículo bidimensional: a folha de
papel, o quadro, uma transparência, etc. Como toda forma de linguagem, também o
desenho apresenta uma série de regras a serem obedecidas, para que ocorra de forma
correta a transmissão da informação entre o emissor – projetista, engenheiro, arquiteto,
etc., e o receptor, que deve ter condições de interpretá-la de forma unívoca.

O objetivo, portanto, é o de estudar essas regras, pois elas já se encontram


definidas, de tal forma que no término do curso os alunos saibam tanto emitir quanto
interpretar informações na linguagem gráfica.

10.5 Instrumentos, Materiais e Seu Uso no Desenho Técnico

Os desenhos técnico-científicos são executados com instrumentos gráficos


apropriados. Esse instrumental pode ser separado num conjunto de materiais permanentes
e noutro de materiais renováveis, conforme será descrito a seguir.

nente

Para o traçado de linhas horizontais são utilizados dois instrumentos: a régua T (em
desuso) e a régua paralela, conforme ilustra a Figura 7.

Figura 7 - Traçado de linhas horizontais

Fonte: Elaborada pelo autor (2014)

Para o traçado de linhas verticais e inclinadas, utiliza-se o par de esquadros, onde o


cateto maior do esquadro de 60o é igual à hipotenusa do esquadro de 45o, como se pode
observar na Figura 8 a seguir.

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Figura 8 - Traçado de linhas verticais

Fonte: Elaborada pelo autor (2014)

Para o traçado de curvas que não sejam arcos de circunferências, utilizam-se as


curva francesa e a curva flexível (ambas em desuso).

Para o traçado de circunferências e seus arcos, utiliza-se o compasso, seja aquele


em estojo com articulações, seja o compasso escolar, com ponta seca, ponta para adaptação
de mina de grafite e tira linha, conforme ilustra a Figura 9 a seguir.

Figura 9 - Traçado de circunferências – compassos

Fonte: Elaborada pelo autor (2014)

Para tomadas de medidas de distâncias, utiliza-se o escalímetro, conforme ilustra a


Figura 10 (7), réguas ou escalas graduadas, como ilustra a Figura 11.

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Figura 10- Tomadas de medidas de distância - escalímetro

Fonte: Elaborada pelo autor (2014)

Figura 11- Tomadas de medidas de distância – réguas e escala graduada

Fonte: Elaborada pelo autor (2014)

Para tomada de medida de ângulos, utiliza-se o transferidor (180o ou 360o),


ilustrado pela Figura 12 a seguir.

Figura 12 Tomada de medida de ângulos – transferidor de 360o

Fonte: Elaborada pelo autor (2014)

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Para o traçado a lápis, podem ser usados os lápis cilíndricos comuns (n o 1, 2, 3, 4, 5)


e as lapiseiras espessuras (0,3; 0,5; 0,7; 0,9), ilustrados pelas Figuras 13 e 14 a seguir.

Figura 13 - Traçado a lápis – lápis cilíndrico no 2

Fonte: Elaborada pelo autor (2014)

Figura 14 - Traçado a lápis – lapiseira pentel espessura 0,9

Fonte: Elaborada pelo autor (2014)

Para o traçado à tinta, utilizam-se penas cilíndricas, como ilustra a Figura 15 abaixo.

Figura 15 - Traçado à tinta – estojo de canetas rotring

Fonte: Elaborada pelo autor (2014)

Como instrumentos de apoio encontram-se: gabaritos, prancheta, banco,


tecnígrafo, luminária, normógrafo (Figura 16), computador.

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Figura 16 - Instrumentos de apoio – normógrafo vazado (E) e estojo de normografia (D)

Fonte: Elaborada pelo autor (2014)

8.5.2 Material Renovável

Os materiais renováveis são: grafite para lapiseira, borrachas, apontador para


grafite ou lixa, tinta nanquim, fita adesiva, gilette, escova bigode, álcool, benzina, pano para
limpeza ou flanela.

8.5.3 O Uso do Material de Desenho

Os projetos se caracterizam por um conjunto de desenhos cuja elaboração e boa


apresentação dependem de dois aspectos. O primeiro é o uso das Normas e dos Métodos de
Projeções convencionados; o segundo é mais uma arte, cuja técnica de execução depende
da segurança adquirida no manuseio dos instrumentos. A execução tanto pode ser a lápis
como à tinta.

 Desenho com grafite: para se obter uma boa qualidade num desenho com grafite
deve-se, antes de qualquer coisa, utilizar a dureza apropriada. Além disso, convém
preparar a ponta do grafite em cone ou espátula (lápis) segundo a preferência do
desenhista. A ponta do compasso deve ficar chanfrada pelo lado externo à haste
do compasso.
 Desenho com régua: o traçado de linhas deve ter um sentido cômodo para o
desenhista. O traço das horizontais convém que seja da esquerda para a direita, e
as verticais de baixo para cima, deixando o grafite apoiado no esquadro ou na
régua formando ângulo de 60° com a folha de desenho. A régua T ou régua
paralela, quando for utilizada deve ser manejada pela mão esquerda, o corpo deve
ficar paralelo à direção dos traços.
 Desenho com esquadros: os esquadros podem se combinar entre si, formando
diversos ângulos. Convém sempre verificar o par e a exatidão dos esquadros ao
comprá-los ou ao usar com outro acidentalmente.
 Desenho com curva francesa: os ramos traçados devem continuar tangentes (sem
ponto de interseção) entre si, escolhendo os trechos mais convenientes e
observando a simetria.

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 Desenho com compasso: observar as formas adequadas de uso dos diversos tipos
de compassos:
a) escolar simples;
b) compasso de ponta seca (em desuso);
c) compasso bailarino (em desuso);
d) adaptador para uso da caneta para tinta nanquim, acoplada ao compasso.

7.6 Normas Técnicas Aplicadas ao Desenho

O desenvolvimento tecnológico atual impõe, cada vez mais, a necessidade de serem


estabelecidas e respeitadas normas e padrões universais, que dentre outros objetivos visam,
tanto facilitar o processo de intercâmbio de produtos e informações, como também,
resguardar a qualidade do que é produzido. É de grande importância a conscientização por
parte dos estudantes quanto à necessidade de obediência às normas técnicas vigentes nas
mais diferentes áreas, e, neste caso particular, com relação à área de desenho técnico. De
acordo com a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), as normas técnicas aplicadas
ao desenho são as descritas a seguir (ABNT, 1984):

 NBR 8402 – da execução de caracteres para escrita em desenho técnico: os tipos


de letras e algarismos usados em cotas, legendas e anotações devem ser bem
legíveis, de rápida execução e proporcionais ao desenho, podendo ser verticais ou
inclinadas a 75°, executadas à mão livre ou com auxílio de ferramentas por meio
da normografia ou digitação.
 NBR 8403 – aplicação de linhas em desenho técnico – tipos de linhas – larguras: as
linhas utilizadas em desenho técnico são grossa, média e fina: A linha grosa é
empregada em arestas e contornos visíveis; a linha média é empregada para
representar arestas e contornos invisíveis, linha de ruptura; e a linha fina é
empregada para representar linha de cota, linha de chamada, linha de centro, eixo
de simetria e demais linhas básicas.

Por determinação da ABNT, as linhas do desenho técnico são regulamentadas pela


NBR 8403 quanto à aplicação e largura. Descrição das linhas: linha de contorno visível
representa todas as arestas visíveis do objeto que está sendo representado (vide as linhas
horizontais e inclinadas da Figura 17). Linha de contorno invisível representa as linhas que
estão encobertas por outras partes do objeto em relação ao observador. Usa-se a linha
tracejada para a indicação destas partes encobertas (Figura 17). Linha de centro e eixo de
simetria representa as partes simétricas, onde um lado é igual ao inverso do outro, e
também o centro das figuras. Na representação da linha de centro e eixo de simetria usa-se
uma linha fina formada por traços e pontos alternados (vide linha vertical formada por traço
e ponto no centro da peça). Linha de chamada é uma linha fina, que não deve tocar na linha
de contorno, que é utilizada para auxiliar a linha de cota. É recomendável que a linha de
chamada não deva encostar-se ao contorno dos objetos. Linha de cota é uma linha fina
limitada por flechas agudas que tocam nas linhas de chamadas. Em alguns casos especiais
nas linhas de cotas são utilizados pontos ou traços inclinados em substituição às flechas. O
numeral 297 representa o valor real da dimensão o qual passa a ser chamado de cota.

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Figura 17 - Descrição das linhas

Fonte: Elaborada pelo autor (2014)

Quando necessário, podem ser utilizados outros tipos de linhas. Deve-se recorrer à
representação de arestas e contornos invisíveis (tracejado) apenas nos casos de maior
clareza do desenho.

 NBR 10068 – folha de desenho – layout e dimensões: a folha de desenho se


enquadra em um formato de papel da série A, como ilustrado pela Figura 18 (7).

1- o formato básico cujo símbolo é o A0 (zero): um retângulo de 841 mm x 1189


mm com área de 1m²;

Figura 18 - Folha do desenho – layout e dimensões

A1

A0

A3
A2

A4 A4

Fonte: Elaborada pelo autor (2014)

2- características dos formatos derivados do formato básico: cada um é obtido


pela bipartição do anterior, segundo uma linha paralela ao menor lado do
retângulo bipartido. São geometricamente semelhantes entre si. Guardam

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entre os seus lados a mesma razão existente entre o lado de um quadrado e a


sua diagonal. As áreas dos formatos derivados são múltiplas ou submúltiplas da
área do formato básico (1m²). Cada formato é representado pelas dimensões
dos seus lados ou pelo seu símbolo. Ex.: 210 mm x 297 mm ou A4(quatro);
3- tabela: dimensões do papel, ilustradas pela Figura 19 a seguir;

Figura 19 - Tabela de dimensões do papel

Margem
Formato Dimensões (mm)
Esquerda Direita

A0 841 x 1189 10

A1 594 x 841 10

A2 420 x 594 25 10

A3 297 x 420 7

A4 210 x 297 7

Fonte: Elaborada pelo autor (2014)

4- podem ser usados formatos compostos obtidos pela conjugação de formatos iguais
ou consecutivos. Por exemplo, 4 A4 (840 x 297), como ilustra a Figura 20 a seguir;

Figura 20 - Formato conjugado 4 A4

A4 A4 A4 A4

Fonte: Elaborada pelo autor (2014)

5- no lado vertical esquerdo, recomenda-se uma margem de 25 mm, no caso de


arquivamento do desenho em classificadores conforme a tabela apresentada no item
3.

 NBR 13142 – dobramento e cópias: sendo necessário o dobramento de folhas, o


formato final deve ser o A4 de modo a deixar visível o quadro destinado à legenda.
O dobramento das folhas pode ser efetuado da seguinte maneira:
a) efetua-se o dobramento a partir do lado direito em dobras verticais de 185
mm; a parte final é dobrada ao meio;
b) em seguida a folha será dobrada segundo a altura, em dobras horizontais de
297 mm;
c) aconselhamos assinalar nas margens, as posições das dobras, a fim de facilitar o
dobramento.

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 NBR 10582 – procedimento – espaço para desenho, texto e legenda no desenho


técnico: toda folha desenhada deve levar no canto inferior direito, um quadro
destinado à legenda conforme modelos abaixo:
a) espaço para o desenho, conforme ilustra a Figura 21 deve seguir as seguintes
recomendações:
i) os desenhos devem ser dispostos tanto no sentido vertical como no sentido
horizontal;
ii) o desenho principal deve ocupar o local acima e à esquerda na folha;
iii) o desenho, se possível, deve ser executado observando-se as dobras da folha
do papel;
iv) a legenda deve ter 178 mm de comprimento nos formatos A2, A3 e A4 e 175
mm nos A0 e A1;

Figura 21 - Orientações para o desenho na folha

Espaço para o Espaço para Espaço para o


desenho o texto desenho

Espaço para o texto

Legenda Legenda

Fonte: Elaborada pelo autor (2014)

b) lista de peças, relação de materiais, descrição de modificações e indicações


suplementares, quando necessárias, devem ser apresentadas preferivelmente
acima ou então à esquerda da legenda.

 NBR 8196 – emprego de escalas em desenho técnico: a escala do desenho deve,


obrigatoriamente, ser indicada na legenda; constando na mesma folha desenhos
em escalas diferentes, estas devem ser indicadas tanto na legenda como junto aos
desenhos a que correspondem; as escalas são três: natural (1:1) um por um é a
leitura. Além da escala natural as recomendadas são a escala para redução (1:2;
1:2,5; 1:5; 1:10; 1:20; 1:25; 1:50; 1:100; 1:200; 1:250; 1:500; 1:1000) e escala para
ampliação (2:1; 5:1; 10:1; 20:1; 100:1; 200:1; 500:1; 1000:1).

 NBR 10067 – princípios gerais de representação em desenho técnico – vistas e


cortes.

10.7 Projeções

O desenho geométrico é plano quando estuda a representação de figuras de até


duas dimensões; é projetivo, quando representa figuras do espaço tridimensional. O
primeiro, o desenho geométrico, é de fácil execução pela compatibilidade dimensional que

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existe entre as figuras a serem desenhadas e o plano sobre o qual serão representadas; já o
segundo, o desenho projetivo, está sujeito a um conjunto de regras e de convenções que
promovem, como num “passe de mágica” a redução dimensional do objeto, de tal forma
que se garanta a reversibilidade do sistema, isto é, do espaço para o plano e vice versa. Para
que se possa fazer esta “mágica”, a geometria projetiva fundamenta-se na teoria das
projeções.

A representação no plano de uma figura do espaço tridimensional é realizada graças


à existência dos Sistemas de Representação, que podem ser agrupados em duas
modalidades, em função dos seus objetivos: na primeira, os desenhos de apresentação, são
as perspectivas; na segunda, são os desenhos operacionais ou de precisão. São os seguintes
os Sistemas de Representação: Perspectiva Cônica; Perspectiva Axonométrica; Perspectiva
Cavaleira; Sistema Mongeano; Sistema dos Planos Cotados.

Na perspectiva cônica merecem destaque os desenhos com uma ou com duas


fugas. Na perspectiva Axonométrica, serão destacadas a perspectiva isométrica. No
presente trabalho não serão abordado os Planos Cotados, dado que não favorecem aos seus
objetivos imediatos.

10.7.1 Diferentes Maneiras de Projetar – Noções Elementares

Para que se possa definir um sistema projetivo, não necessários de três entes: o
objeto a ser projetado, o centro da projeção e do plano que acolherá a projeção, a imagem
do objeto. Todos esses elementos são indispensáveis. O Desenho Técnico de um objeto é
expresso por meio de vistas ortográficas e perspectivas. Ambas as formas de representação
gráfica são aplicações do estudo de projeções.

A operação geométrica projeção supõe a existência de uma superfície onde se


realizam as projeções, pontos onde retas que passam pelos diversos pontos a serem
projetados “furam” essa superfície. Entende-se por projeção de uma figura como a projeção
de todos os seus pontos. Pode-se pensar na projeção como sendo a sombra de um ou mais
pontos em um determinado plano.

7.7.2 Sistemas de Projeção e Perspectivas

Os sistemas de projeção são divididos em: projeção cônica, projeção cilíndrica,


projeção cilíndrica ortogonal, que serão descritas abaixo.

 Projeção cônica: o centro dos raios projetantes é um ponto. A distância do ponto


ao plano é finita, é conhecida. O centro de projeção, obviamente não pode
pertencer ao objeto nem ao plano de projeção. As projetantes divergem do centro
de projeção ou foco, interceptando o plano de projeção, como se pode observar
na Figura 22 abaixo.

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Figura 22 - Projeção cônica

Fonte: Elaborada pelo autor (2014)

 Projeção cilíndrica: o centro de projeção não é conhecido, está no infinito. Desse


ponto se conhece apenas sua direção (d). As projetantes seguem-se
paralelamente à referida direção que pode ser, em relação ao plano de projeção,
oblíqua ou ortogonal. A Figura 23 a seguir ilustra a projeção cilíndrica oblíqua ou
simplesmente projeção oblíqua.

Figura 23 - Projeção cilíndrica oblíqua

Fonte: Elaborada pelo autor (2014)

 Projeção cilíndrica ortogonal: tudo o que acontecer é igual ao sistema de


projeção cilíndrica só que a direção dos raios projetantes é perpendicular ao
plano de projeção, como ilustra a Figura 24 a seguir.

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Figura 24 - Projeção cilíndrica ortogonal

Fonte: Elaborada pelo autor (2014)

Quanto às perspectivas, estas podem ser: desenhos de ilustração, perspectiva


cônica de uma fuga, perspectiva cavaleira, perspectiva cônica de duas fugas, perspectiva
isométrica, e projeção ortogonal de um ou mais pontos num plano por meio de vistas.

 Desenhos de ilustração: é fácil se compreender a razão porque as perspectivas


são chamadas de desenhos de apresentação, de ilustração. Um objeto desenhado
em perspectiva, seja ela qual for, é de rápida compreensão, uma vez que o volume
definido traz de imediato as dimensões da figura objeto. As distorções que possam
ocorrer são facilmente administráveis. Pode-se, em breve resumo, dizer que a
diferença de uma perspectiva para outra reside em dois fatores: a posição do
sólido em relação ao plano de projeção, e o(s) sistema(s) de projeção utilizado.

 A perspectiva cônica de uma fuga: o sólido é colocado de tal forma que uma face
fique paralela ou contido no plano de projeção. Utiliza-se inicialmente projeção
ortogonal, seguindo-se de uma projeção cônica. Observa-se na Figura 25 que as
arestas perpendiculares ao plano de projeção, convergem para o único ponto de
fuga.

Figura 25 - Perspectiva cônica de uma fuga

Fonte: Elaborada pelo autor (2014)

 A perspectiva cavaleira: o sólido é colocado de tal forma que uma face fique
paralela ou contida no plano de projeção. Utiliza-se inicialmente a projeção
ortogonal, seguindo-se de uma projeção oblíqua. Observa-se que as arestas

ELETROTÉCNICA MÓDULO I
20

perpendiculares ao plano de projeção projetam-se paralelamente entre si,


segundo a direção determinada pelo ângulo assinalado na Figura 26 a seguir.

Figura 26 - Perspectiva cavaleira

Fonte: Elaborada pelo autor (2014)

 A perspectiva cônica de duas fugas: o sólido é colocado de tal forma que suas
arestas laterais ficam paralelas ao plano de projeção, podendo uma delas estar ou
não contida no plano. Utiliza-se inicialmente uma projeção ortogonal, seguindo-se
de uma projeção cônica. Observa-se que as arestas não paralelas ao plano
convergem para a direita ou para a esquerda, com encontro nos pontos de fuga. A
perspectiva cônica de uma ou de duas fugas aproxima-se do que ocorre com a
visão conforme Figura 27 abaixo.

Figura 27 - Perspectiva cônica de duas fugas

Fonte: Elaborada pelo autor (2014)

 A perspectiva isométrica: o sólido é colocado de tal forma que as arestas que


partem de um mesmo vértice fiquem inclinadas em relação ao plano de projeção.
Utiliza-se sempre a projeção ortogonal, como ilustra a Figura 28. No caso
específico da isometria, a deformação ocorrerá igualmente para todas as
dimensões. A projeção ortogonal das arestas que concorrem no mesmo vértice,
forma entre si ângulos de 120° de amplitude.

Nota: o prisma ao ser construído com o auxílio da régua paralela deve utilizar
ângulos de 30°.
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Figura 28 - Perspectiva isométrica

Fonte: Elaborada pelo autor (2014)

A Figura 29 a seguir ilustra a projeção ortogonal de um ou mais pontos num plano


por meio de vistas.

Figura 29 - Projeção ortogonal de um ou mais pontos num plano por meio de vistas

Fonte: Elaborada pelo autor (2014)

As representações por meio de vistas serão obtidas, essencialmente, pelo


rebatimento sobre o plano do desenho das projeções ortogonais da peça sobre as 3 faces
internas de um triedro tri retangular:

a) nos casos das vistas essenciais em posição normal, dispensam-se as suas


denominações (Figura 30);

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22

Figura 30 - Vistas essenciais em posição normal

Fonte: Elaborada pelo autor (2014)

b) as peças devem ser representadas na posição que melhor as caracteriza: em


geral na sua posição de montagem, podendo, todavia, para desenho de detalhe,
adotar-se qualquer posição conveniente;
c) é permitida a representação das peças com menos de três vistas essenciais
quando isso não afetar a sua clareza (Figura 31);

Figura 31 - Peças com menos de três vias essenciais

Fonte: Elaborada pelo autor (2014)

d) como elemento complementar, para melhor compreensão da peça


representada, podem-se também usar as perspectivas (Figura 32);

Figura 32 - Peças com perspectivas

Fonte: Elaborada pelo autor (2014)

MÓDULO I ELETROTÉCNICA
23

e) além das três vistas essenciais, outras poderão ser usadas. Quando isso for
necessário, estas vistas deverão ser denominadas e assinaladas por letras e
flechas.

10.7.3 Visualização de Vistas Ortográficas

A visualização de vistas ortográficas pode ser feita pelo método de obtenção da


vista frontal e pelo método de obtenção da vista de cima ou superior.

10.7.4 Cortes no Desenho Técnico

Uma vista exterior mostra a peça como ela aparece aos olhos do observador.
Detalhes internos dessa peça aparecem no desenho por meio de linhas indicando contornos
invisíveis. Quando os detalhes no interior de uma peça se tornam complexos, mais e mais
linhas invisíveis são necessárias para mostrar com precisão, e tais detalhes e o desenho se
tornam difíceis de interpretar. Uma técnica que se utiliza nos desenhos em tais casos é
cortar uma parte da peça e expor as partes internas. Em tais seccionamentos, todas as
partes que estavam invisíveis tornam-se representadas por contornos visíveis. Os cortes das
peças são destacados por meio de hachura que varia de acordo com os diversos materiais:

a) as hachuras são habitualmente a 45° com o eixo da peça e devem ser feitas com
linhas finas e paralelas;
b) nas áreas hachuradas não se deve representar arestas invisíveis, excetuando-se
os casos que requeiram maior clareza;
c) o corte registra tanto a interseção do plano secante com a peça, como a
projeção da parte desta peça situada além desse plano secante. Note-se que o
corte é indicado em uma vista e representado em outra.
d) a posição do plano secante e o sentido da visada são indicados por linhas de
traço e ponto, flechas e letras.

Conforme a extensão em que se supõe cortada a peça tem-se:

 Corte total: quando o plano secante atinge toda a extensão da peça. O corte total
pode ser dado nos dois sentidos: longitudinal quando é indicado no sentido
horizontal; e transversal quando é indicado no sentido vertical.
 Corte com desvio: a direção do corte normalmente passa pelo eixo principal da
peça, mas pode também, quando isso se fizer necessário, mudar a direção para
passar por detalhes fora do eixo principal da peça.
 Meio corte: é o corte que se emprega, às vezes, no desenho de peças simétricas,
onde somente meia vista aparece em corte.
 Corte parcial: é o corte aplicado em trecho delimitado por ruptura para exibir
detalhes internos do trecho seccionado.

A NBR 6492 diz respeito à representação de projetos de arquitetura. Ela aborda as


seguintes definições:

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 Planta baixa: é um corte horizontal demonstrando a distribuição das


dependências.
 Cortes: podendo ser transversal ou longitudinal, representa o que está seccionado
pelo plano vertical.
 Fachadas: são as vistas exteriores da edificação.
 Locação: é a disposição da edificação em relação aos limites do terreno.
 Coberta: trata da disposição do telhado e as respectivas quedas d’água.
 Situação: trata da posição do lote em relação à quadra, ruas, avenidas e aos
limites e confrontantes.

A Figura 33 a seguir apresenta modelos de plantas com projeto de arquitetura.

Figura 33 - Plantas que compõem um projeto de arquitetura: leitura e interpretação

Fonte Oberg (1979)

As normas que trata das terminologias foram canceladas e ainda não têm
substitutas. No entanto, os termos mais empegados (e suas definições) em desenho técnicos
são:

MÓDULO I ELETROTÉCNICA
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 Altura – é universalmente designada pela letra h, por ser esta letra com que a
palavra citada se inicia em alguns idiomas> em inglês, heihgt; em francês, hauter;
e em alemão höhe.
 Boleado – que não possui canto vivo ou aresta viva.
 Chanfro – corte oblíquo efetuado no extremo de uma peça.
 Esboço – fase inicial de um desenho ou projeto. O mesmo que croquis.
 Escareado – configuração existente em algumas peças.
 Furo cego – furo que não vaza a peça, isto é, não é passante.
 Hachurar – representar hachuras (do francês hachure).
 Longitudinal – diz respeito ao comprimento.
 Nervura – reforço de uma peça, com função de oferecer maior resistência à parte
dela.
 Ortogonal – que forma ângulo reto (do grego orthos = reto e gonia = ângulo).
 Passante – diz-se do furo que vaza a peça.
 Rebaixo – configuração de um furo com dimensão maior em certa profundidade.
 Ressalto – parte mais elevada existente em algumas peças. Pode ser chamado de
espiga.
 Simétrico – que possui ambas as partes iguais.
 Transversal – que diz respeito à largura em desenho técnico, na aplicação de um
corte.

10.8 Traçado de Linhas: Prática de Desenho à Mão Livre

Promover o necessário adestramento manual, para que o aluno seja capaz de


esboçar formas diversas, praticando um desenho espontâneo, guardando as relações de
proporcionalidade é o objetivo desta proposta de trabalho. Com este enfoque,
promoveremos o adestramento manual por meio da prática de pequenos traços à mão livre,
aplicados a situações em que se exercite a Percepção Visual.

Por meio da leitura e interpretação de textos, mostra-se a necessidade de se


desenvolver a Percepção Visual pelo exercício do ver. A consciência de se empregar o maior
número de sentidos na observação de um evento favorece o conhecimento, a imaginação, a
criatividade e a inteligência. Os Sistemas de Representação serão mostrados com o mínimo
de informação possível, mas que seja capaz de conter indicações técnicas suficientes para se
distinguir um processo do outro. Breve noção do Sistema Mongeano deverá ser ministrada
como exercício de abstração e redução dimensional.

A possibilidade de se desenhar no plano uma figura do espaço tridimensional


justifica a consciência da necessidade de se obter uma projeção e sua correta interpretação,
permitindo maior desenvolvimento na percepção do aluno. Acredita-se que o futuro da
expressão gráfica esteja no desenho à Mão Livre e no pleno desenvolvimento da Percepção
Visual e do consequente raciocínio espacial. Juntá-las é um dever.

10.8.1 Traçado de Linhas à Mão Livre

O desenho à mão livre não é desenho artístico. O primeiro busca o adestramento


manual para execução de esboços. Sua beleza reside no traçado de linhas descontraídas,

ELETROTÉCNICA MÓDULO I
26

espontâneas e uniformes, onde se observa atentamente as proporções do objeto


desenhado. O desenho artístico, por sua vez, busca a plasticidade, a composição e a
expressão. A prática do desenho à mão livre é realizada pelo exercício do traço.

O indivíduo não deve, numa fase inicial de treinamento, desenhar uma linha que
seja maior do que seu traço. O seu traço tem o comprimento correspondente a um único
impulso dado à mão, numa única direção. Obtém-se o seu traço horizontal, apoiando-se a
mão sobre o papel, deslocando-se o antebraço num único impulso da esquerda para a
direita. Imprime-se ao lápis uma velocidade e pressão constante e moderada, do início ao
fim. Para o seu traço vertical, a mão, que está apoiada sobre o papel, permanece fixa. O
impulso é obtido pela contração dos dedos de cima para baixo. O lápis nunca deve ser
empurrado. Para o seu traço oblíquo, procede-se como no caso anterior, deixando imóvel o
antebraço. O impulso obtido pela contração dos dedos deve ser dado de cima para baixo, da
direita para a esquerda ou da esquerda para a direita.

Na prática do desenho à mão livre, a folha de papel deve permanecer fixa. Discretos
movimentos na postura permitem encontrar posições confortáveis e elegantes. Observação:
“a beleza do desenho à mão livre reside na simples constatação de que fora realizado à mão
livre”.

10.9 Exercícios Propostos

Observando a ilustração acima, representar graficamente as questões do exercício da


caligrafia técnica, utilizada em desenho técnico:

1-Representar as letras retilíneas maiúsculas:


____________________________________________________________
2-Representar as letras retilíneas minúsculas:
____________________________________________________________
3-Representar as letras mistas maiúsculas:
____________________________________________________________
4-Representar as letras mistas minúsculas:
____________________________________________________________

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27

5-Escrever com letras minúsculas centro de ensino grau técnico:


____________________________________________________________

6-Escrever com letras maiúsculas frankstein firmino black Jack:


____________________________________________________________
7-Escrever com numerais arábicos: XXIII – LIV – CXXIX – MMXII:
____________________________________________________________

8-Escrever duas palavras formadas apenas por letras retilíneas:


____________________________________________________________
9-Escrever duas palavras: uma formada por letras curvilíneas e a outra por letras mistas
____________________________________________________________

10- O desenho mostra um hexaedro dividido em quatro regiões, por dois planos
perpendiculares entre si. O primeiro é horizontal e o segundo vertical. A interseção define a
reta comum aos dois planos. Reproduzir na coluna da esquerda as peças da coluna da
direita. Fazer a mão Livre.

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11- O desenho a seguir mostra um hexaedro dividido em oito regiões, por três planos
perpendiculares entre si. A interseção define o ponto comum aos três planos. Reproduzir na
coluna da direita as peças da coluna da esquerda. Fazer a mão Livre para desenvolver a
percepção visual.

MÓDULO I ELETROTÉCNICA
29

12- Reproduzir na coluna da esquerda as peças da coluna da direita. Utilizar instrumentos.

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13- Reproduzir na coluna da esquerda as peças da coluna da direita. Utilizar instrumentos.

MÓDULO I ELETROTÉCNICA
31

14- O desenho mostra um hexaedro dividido em oito regiões, por três planos
perpendiculares entre si. A interseção define o ponto comum aos três planos. Reproduzir na
coluna da direita as peças da coluna da esquerda. Fazer a mão Livre para desenvolver a
percepção visual.

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32

15- Exercício de fixação NBR 8403 - linhas do desenho técnico.

TIPO IDENTIFICAÇÃO TIPO IDENTIFICAÇÃO


A I
B J
C L
D M
E N
F O
G P
H Q

MÓDULO I ELETROTÉCNICA
33

REFERÊNCIAS

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT). NBR 8402: Execução de caráter para escrita
em desenho técnico – procedimento. Rio de Janeiro, 1994.

________. NBR 8403: Tipos de linhas - larguras das linhas - procedimento. Rio de Janeiro, 1984.

________. NBR 10068: Folha de desenho - leiaute e dimensões - padronização. Rio de Janeiro, 1987.

________. NBR 13142: Desenho técnico - dobramento de cópia. Rio de Janeiro, 1999.

________. NBR 10582: Apresentação da folha para desenho técnico - procedimento. Rio de Janeiro,
1988.

________. NBR 8196: Desenho técnico - emprego de escalas. Rio de Janeiro, 1999.

________. NBR 10067: Princípios gerais de representação em desenho técnico - procedimento. Rio
de Janeiro, 1995.

OBERG, L. Desenho arquitetônico. 22ª Edição. Ao Livro Técnico: Rio de Janeiro, 1979.

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