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PROJUDI - Processo: 0002025-76.2018.4.03.6000 - Ref. mov. 39.

1 - Assinado digitalmente por Dalton Igor Kita Conrado:10234


02/03/2020: PEDIDO NÃO CONCEDIDO . Arq: Decisão

Documento assinado digitalmente, conforme MP nº 2.200-2/2001, Lei nº 11.419/2006, resolução do Projudi, do TJPR/OE
PODER JUDICIÁRIO DO 3ª REGIÃO
SJMS - 1ª SUBSEÇÃO JUDICIÁRIA DE CAMPO GRANDE
SJMS - 5ª VARA FEDERAL CRIMINAL DE CAMPO GRANDE - FECHADO E SEMIABERTO - SEEU
Rua Delegado Carlos Roberto Bastos de Oliveira, 128 - Parque dos Poderes - Campo Grande/MS - CEP: 79.037-102 - Fone:
67-3320-1100 - E-mail: cgrande-se05-vara05@trf3.jus.br

Autos nº. 0002025-76.2018.4.03.6000

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Processo: 0002025-76.2018.4.03.6000
Classe Processual: Pedido de Providências
Assunto Principal: Pena Privativa de Liberdade
Data da Infração: Data da infração não informada
Polo Ativo(s): UNIÃO FEDERAL
Polo Passivo(s): ADELIO BISPO DE OLIVEIRA

Trata-se da permanência do interno ADÉLIO BISPO DOS SANTOS no Presídio Federal de Campo
Grande/MS, tendo em vista que o prazo se encerrou em 02/09/2019 (mov. 1.1 – fls. 59). O
Juízo de origem requereu a renovação do prazo de permanência, em razão da altíssima
periculosidade do custodiado e preservação da sua integridade física (Mov. 4.1 – fls.
196/212). A Defensoria Pública da União solicitou o retorno do interno ao sistema
penitenciário de origem para recolhimento e tratamento em local adequado à medida de
segurança imposta ao reeducando (mov. 7.1 – fls. 274/282). Informações prestadas pelo
DEPEN e PFCG (Mov. 23.2 e Mov. 29.1). O Ministério Público Federal e a Defensoria
Pública da União opinaram pelo seu retorno ao Estado de origem (30.1 e 34.1).

Decido.

A lei n.º 11.671/2008, que dispõe sobre a transferência e inclusão de presos em


estabelecimentos penais federais de segurança máxima, aduz que:

Art. 3º Serão incluídos em estabelecimentos penais federais de segurança


máxima aqueles para quem a medida se justifique no interesse da segurança
pública ou do próprio preso, condenado ou provisório.

(...)

Art. 4o A admissão do preso, condenado ou provisório, dependerá de


decisão prévia e fundamentada do juízo federal competente, após receber
os autos de transferência enviados pelo juízo responsável pela execução
penal ou pela prisão provisória.

Neste sentido, os presídios federais foram concebidos para a custódia de presos


imputáveis, condenados ou provisórios, cuja medida se justifique no interesse da
segurança pública ou do próprio preso.

Ocorre que, em sentença proferida nos autos nº 0004600-15.2018.4.01.3801, pelo Juízo da


3ª Vara Federal da Subseção Judiciaria de Juiz de Fora/MG, ADÉLIO BISPO DOS SANTOS foi
absolvido impropriamente, em razão da sua inimputabilidade, sendo-lhe aplicada uma
medida de segurança, por tempo indeterminado.

Desta forma, ADÉLIO BISPO DOS SANTOS não é imputável, não devendo, portanto, permanecer
em estabelecimento penal destinado apenas ao encarceramento de indivíduos e que não
possui espaço destinado ao tratamento adequado à patologia reconhecida em sentença.
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Outrossim, segundo o Código Penal, acerca do local adequado ao cumprimento da medida de

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segurança.

Art. 96. As medidas de segurança são:


I - Internação em hospital de custódia e tratamento psiquiátrico ou, à
falta, em outro estabelecimento adequado;
(...)

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Art. 99 - O internado será recolhido a estabelecimento dotado de
características hospitalares e será submetido a tratamento.

Assim, ADÉLIO deverá ser internado em local apropriado ao cumprimento da medida de


segurança, com estrutura, equipe técnica e medicamentos necessários ao tratamento da
sua enfermidade mental.

Neste sentido:

PROCESSUAL PENAL. HABEAS CORPUS. EXECUÇÃO. SENTENÇA ABSOLUTÓRIA


IMPRÓPRIA. INIMPUTABILIDADE. INTERNAÇÃO. AUSÊNCIA DE VAGA EM
ESTABELECIMENTO ADEQUADO. PRESÍDIO COMUM. FLAGRANTE ILEGALIDADE.
OCORRÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE DE TRATAMENTO AMBULATORIAL.
PERICULOSIDADE DO AGENTE. POSSÍVEL INSERÇÃO EM RESIDÊNCIA TERAPÊUTICA.
ORDEM CONCEDIDA. 1. A jurisprudência deste Superior Tribunal de Justiça
tem se firmado no sentido de reconhecer a ocorrência de constrangimento
ilegal decorrente da inserção do inimputável em presídio comum para
cumprimento de medida de segurança, ainda que não existam vagas no
estabelecimento adequado.
2. Na hipótese em exame, constatado o encarceramento indevido do paciente
em estabelecimento prisional comum, cabível sua transferência imediata a
hospital de custódia.
3. Demonstrada, contudo, a alta periculosidade do agente, o tratamento
ambulatorial como alternativa à ausência de vagas em hospital
psiquiátrico não poderá ser implementado. 4. De forma subsidiária, em
atenção à particular situação do paciente - que oferece risco à sociedade
e a si mesmo quando em condições inadequadas -, possível seu acolhimento
no programa de serviços residenciais terapêuticos, com limitações.
5. Ordem concedida para determinar a imediata transferência do paciente
para hospital de custódia, em qualquer unidade da Federação, ou,
esgotadas todas as possibilidades e constatada a ausência de vagas, sua
inserção para tratamento em residência terapêutica.
(STJ - HC 381.907/TO, Rel. Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA, SEXTA
TURMA, julgado em 14/08/2018, DJe 27/08/2018)

EMENTA: PENAL. HABEAS CORPUS. RÉU INIMPUTÁVEL. MEDIDA DE SEGURANÇA.


PRESCRIÇÃO. INOCORRÊNCIA. PERICULOSIDADE DO PACIENTE SUBSISTENTE.
TRANSFERÊNCIA PARA HOSPITAL PSIQUIÁTRICO, NOS TERMOS DA LEI 10.261/2001.
WRIT CONCEDIDO EM PARTE. I – Esta Corte já firmou entendimento no sentido
de que o prazo máximo de duração da medida de segurança é o previsto no
art. 75 do CP, ou seja, trinta anos. Na espécie, entretanto, tal prazo
não foi alcançado. II - Não há falar em extinção da punibilidade pela
prescrição da medida de segurança uma vez que a internação do paciente
interrompeu o curso do prazo prescricional (art. 117, V, do Código
Penal). III – Laudo psicológico que reconheceu a permanência da
periculosidade do paciente, embora atenuada, o que torna cabível, no
caso, a imposição de medida terapêutica em hospital psiquiátrico próprio.
IV – Ordem concedida em parte para determinar a transferência do paciente
para hospital psiquiátrico que disponha de estrutura adequada ao seu
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tratamento, nos termos da Lei 10.261/2001, sob a supervisão do Ministério

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Público e do órgão judicial competente.
(STF - HC 107432, Relator(a): Min. RICARDO LEWANDOWSKI, Primeira Turma,
julgado em 24/05/2011, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-110 DIVULG 08-06-2011
PUBLIC 09-06-2011 RMDPPP v. 7, n. 42, 2011, p. 108-115 RSJADV set., 2011,
p. 46-50)

O Setor de Saúde do Presídio Federal de Campo Grande/MS é uma Unidade Básica de Saúde

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que realiza atendimentos emergenciais e básicos, não dispondo de equipe e local
adequados ao tratamento da patologia de acomete o interno.

Eventual permanência em presídio federal, poderia, inclusive, acarretar o agravamento


do seu quadro de saúde.

Neste entendimento, tem-se a manifestação do Diretor da Penitenciária Federal de Campo


Grande/MS (Mov. 29.1):

“Nesses termos, reitero que esta Penitenciária Federal em Campo Grande - MS


é uma Unidade Básica de Saúde, com equipamentos e pessoal para resposta a
incidentes emergenciais básicos, e como tal, não dispõe do aparato, nem de
instrumentos e equipamentos tecnológicos específicos, tampouco de equipe
específica e especial para o préstimo de ações terapêuticas que fujam do
pronto emprego curativo necessário à garantia da integridade física do
custodiado, conforme impõe a Legislação de Execução Penal”

(...)

“Logo, esta Direção alerta sobre os possíveis riscos da não manutenção do


tratamento médico pelo custodiado e pela própria natureza básica dos
serviços prestados por esta Penitenciária Federal para o atendimento da
determinação contida na medida de segurança imposta pelo magistrado de
origem”

(...)

“Nesse sentido, esta direção de Penitenciária Federal informa que a medida


de segurança imposta pelo magistrado de origem não se coaduna com a
aplicação da pena em medida compatível, de forma condizente e nos padrões
legais dispostos pela Lei de Execuções Penais nesta Unidade para realizar o
pleno cumprimento de medida de segurança regularmente imposta, tanto por
ausência de expressa previsão legal de cumprimento de medida de segurança
em Penitenciária Federal, quanto pela própria natureza de Unidade Básica de
Saúde desta Unidade, sugerindo, salvo melhor juízo, que este interno
realize o cumprimento da pena fora do Sistema Penitenciário Federal, uma
vez que todas as Unidades que compõe o Sistema Penitenciário Federal
possuem similar estrutura e não possuem competência legal para realizar ou
ministrar tratamento de presos cumprindo medida de segurança, não se
coadunando o cumprimento da pena com a finalidade imposta pelo magistrado
de origem.”

Por fim, a permanência do preso compromete a segurança interna do estabelecimento


penal, uma vez que seus atos de desobediência não são passíveis de aplicação de sanções
disciplinares, gerando tratamento diferenciado em relação aos demais internos.

Cumpre ressaltar que, não obstante informações do Juízo de origem de que a defesa
constituída do preso solicitou sua permanência no estabelecimento penal federal, a
Defensoria Pública da União que, atualmente, patrocina a defesa de ADÉLIO, solicitou “o
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retorno imediato do interno ao Estado de origem, para que seja acolhido em local

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adequado, onde possa dar início ao tratamento de saúde que necessita, garantindo a sua
reinserção social nos termos da lei.” (Mov. 7.1 e Mov. 34.1).

Segundo julgado do CSTJ (CC 118.834, j. 23.11.2011, rel. Min. Gilson Dipp), nos termos
do voto do e. relator:

“(...) cabe ao Juízo solicitante justificar adequadamente, com razões

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objetivas, a postulação assim como compete ao Juízo demandado aceitar,
sem discutir as razões daquele que é o único habilitado a declarar a
necessidade da transferência, salvo se existirem razões objetivas para
tanto. Aliás, se disso discordar o réu ou acusado caberá recurso ao
Tribunal ao qual está sujeito o juízo solicitante até que se decida se o
pedido de transferência tem ou não fundamento.”

“O Juízo Federal só pode justificar a recusa se evidenciadas condições


desfavoráveis ou inviáveis da unidade prisional, tais como lotação ou
incapacidade de receber novos presos ou apenados.”

Portanto, entendo que restou evidenciada a inviabilidade da manutenção do interno no


Presídio Federal de Campo Grande/MS, em razão da aplicação da medida de segurança.

Assim sendo, com fundamento no art. 4º, da Lei n. 11.671/2008, determino o retorno de
ADÉLIO BISPO DOS SANTOS ao Juízo de origem, no prazo de 30 (trinta) dias, para
recolhimento e tratamento em local adequado à medida de segurança imposta ao
reeducando.

Oficie-se ao Juízo da 3ª Vara Federal da Subseção Judiciaria de Juiz de Fora/MG, bem


como ao i. Diretor do PFCG, que deverá dar ciência ao preso, instruindo com cópia desta
decisão.

Com a efetivação da medida, digitalizem-se os autos de transferência, remetendo-os para


Juízo da 3ª Vara Federal da Subseção Judiciaria de Juiz de Fora/MG.

Os pedidos pendentes referentes a execução da pena deverão ser apreciados no Juízo de


origem do apenado.

Expeça-se ofício ao DEPEN determinando o cumprimento da presente decisão, ficando desde


já determinado/autorizado o recolhimento do preso nas custódias ou celas mantidas pela
Polícia Federal nos aeroportos ou nas proximidades dos aeroportos durante o período de
traslado do preso ADÉLIO BISPO DOS SANTOS.

Int. Ciência ao MPF.

Campo Grande, data da assinatura eletrônica.

Dalton Igor Kita Conrado

Juiz Federal

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