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A Alimentação na Antiguidade Clássica –

Grécia

Escola Superior de Hotelaria e Turismo do Estoril


Trabalho realizado por: Simone Filipa Crespo Lopes
Aluna nº: 11868
Curso: Produção Alimentar em Restauração
Disciplina: Historia da Gastronomia e da Alimentação
Docente: Professora Raquel Moreira
Ano letivo: 2019/2020

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Resumo:
Coube aos gregos o papel de maiores influenciadores gastronómicos da Antiguidade
Clássica, estes foram os principais difusores e criadores de uma vasta, rica e primordial
alimentação mediterrânica. Apesar da cozinha grega abranger, de um modo uniforme, o
vasto território por eles conquistado (tanto para oriente como para o ocidente) não
deixam de existir certas variações na “alimentação típica”, consequências do: estatuto
social (as pessoas de um estatuto social tinham mais posses alimentares que os menos
afortunados); da qualidade dos ingredientes; das características da terra, na medida em
que, a terra influencia o que nela se mais produz, vegetais, temperos, frutas, carne e até
peixe (por exemplo, no litoral haveria mais fluxo do que no interior) e até mesmo por
causa dos cozinheiros em questão. Todos estes fatores contribuíram para as diferenças
regionais e suas tradições e culturas. (Grimm, 2017) (Visão História, 2015)
Este ensaio tem como principal objetivo o de aprofundar como era a alimentação e os
costumes dos gregos durante a Antiguidade Clássica, irei relacionar textos que
abrangem tópicos como: a importância do pão, o vinho, a carne, o peixe, os banquetes,
os simpósios, entre outros.
Visando compreender melhor de que modo os gregos enriqueceram a nossa cultura na
mesa, influenciaram a Europa, de que modo as suas práticas e tradições, “modo de vida,
e normas de socialização marcaram, indiscutivelmente, a Europa até aos dias de hoje.
(Visão História, 2015)

Alimentação na Grécia da Antiguidade Clássica


Como foi referido acima o estatuto social tinha influência naquilo que as pessoas
consumiam, antes de V A.C. a dieta entre o “rico” e o “pobre” era substancialmente
parecida, o “rico” bebia mais vinho do que água e podia comer carne sem esperar por
um ritual de sacrifício, enquanto que a alimentação do “pobre” consistia mais em pastas
de cereais, a carne era rara e quando existia, exigia um ritual de sacrifício preparado
pelo padre (irei abordar esta temática noutro ponto do ensaio) depois de V A.C. o
contraste entre a dieta entre estes dois estatutos ficou mais distinta; o aldeão estava
“reduced to a diet of pulses, greens and turnips, iris rhizomes, beechnut, lupin seeds
(...), an occasional grasshoper, wild pears “and that god-given inheritance of our mother
country, darling of my heart, a dried fig”. If there was enough food for more than three
of the family, (…), it was unusual, as a rule, the others had to make do with a mouthful
of barley-paste.” (Tannahill, 1988, p.69)
Os vegetais eram característicos da alimentação da população mais modesta, tal como: o
grão-de-bico, favas, figos secos e maçãs. A carne e o peixe por serem emblemáticos
numa mesa bem constituída não tinham por hábito entrar na alimentação desta classe
social. (Visão História, 2015)
Os soldados ainda estavam pior “colocados” no sentido em que, o seu típico “black
broth” fazia tremer até o grego comum que, como sabemos, não tinha uma alimentação
gourmet, este caldo consistia em caldo de porco misturado com vinagre e sal.
(Tannahill, 1988),

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Para Homer aquilo que mais importava era a comida, e os seus soldados nunca
poderiam combater com estômagos vazios, independentemente da sua bravura, da sua
impiedade e da sua vontade de ganhar, a comida e o vinho são a fonte de energia de um
soldado, é de onde vem a sua força e a sua vontade é também a fonte da felicidade, do
prazer e as fundações de uma vida em comunidade, não é apenas uma necessidade é
todo um modo de vida. (Grimm, 2017)
No entanto, para as pessoas com um estatuto mais elevado tal alimentação precária não
existia; á medida que o Atenas foi crescendo tornou-se num local de arte e cultura e,
consequentemente, os gostos alimentares foram-se tornando cada vez mais complexos e
exóticos tais como: “One much-prized delicacy in the later period was a pig that had
died of over-eating; another, a goose that had been fed (probably forced-fed) on
moistened grain” (Tannahill, 1988, p.69). Fora estes alimentos, esta classe social tinha
acesso ao mais variado cardápio (carne, peixe, legumes, fruta, sobremesas, temperos,
vinhos, etc.) tudo o que pudessem desejar.
Num sentido mais geral, na Grécia as refeições mais “banais” eram tomadas ao ar livre
de uma maneira simplista sem cerimonias, eram consumidas três refeições diárias, ao
levantar-se, ingeriam pão e vinho (akratismós); ao meio dia, o almoço (áriston) pouca
comida e a principal refeição, jantar (deîpnon).
Por outro lado, os gregos também organizavam banquetes e simpósios (irei abordar esta
temática noutro ponto do ensaio), o oposto da das refeições “comuns”. A cozinha grega
assentava em três grandes pilares oferecidos pelos Deuses: grão, oferecido pela Deusa
Demeter (o mais consumido é o trigo); vinho, oferecido pelo Deus Dionysus e o azeite,
oferecido pela Deusa Atena. (Grimm, 2017)
A relação entre comida, sexo e saúde mental era um tópico de muita importância para os
filósofos da altura, que entendiam a necessidade de comida e de sexo como unidades
básicas da vida, para a sobrevivência do homem, mas se fosse para proveito e
entretenimento próprio seria visto como um perigo para a saúde mental, na medida em
que, estimula desejos inapropriados; influenciados por estas mentalidades, quem
quisesse parecer sã e de mentalidade equilibrada teria de ignorar os “desejos do corpo” e
concentrar-se apenas nas necessidades mentais, negligenciado os desejos físicos.
(Grimm, 2017)

Banquetes/ Simpósios
Durante a Antiguidade Clássica desenvolveu-se o costume de realizar simpósios (“beber
juntos”) e banquetes, normalmente, estes eram consequência de uma prolongação do
jantar, mas não necessariamente, quando grandes homens queriam debater algo, se
organizavam estes eventos. Esta era a maneira que pessoas civilizadas conviviam e
entretinham os seus convidados e amigos, quem agisse de maneira diferente não era
considerado gente civilizada. (Grimm, 2017), (Visão História, 2015)
Tinham como objetivo principal a discussão de várias temáticas, incluindo a adoração
aos Deuses Dionysos e Eros, e degustar vinho, só eram convidados homens respeitáveis
e de uma importância considerável. Nestas festividades não eram permitidas mulheres,

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apenas as escravas que lá estavam com o propósito de servir, isto deve-se à segregação,
da altura, entre o sexo feminino e masculino e de não querer expor as mulheres a
situações menos honrosas produzidas pelo excesso de álcool. (Grimm, 2017), (Visão
História, 2015)
Os banquetes começavam sempre com um sacrifício aos Deuses, um presente como
gratidão pelos favores concedidos ou por conceder. Homer esclarece-nos de que carne
não faz parte da alimentação dos imortais, no entanto, exigem um sacrifício animal por
se satisfazerem com o cheiro da carne a arder, não poderá ser de um animal selvagem
(proveniente da caça) mas sim de um animal doméstico. O sacrifício era acompanhado
por uma oração, entretanto, “They skinned the animal quickly, butchered the carcass,
expertly cut the meat in pieces, pierced them with spits, roasted them to a turn and
pulled them off the fire. The work done, the feast laid out, they ate well and no man’s
hunger lacked a share of the banquet.” (Grimm, 2017, p.65)
A acompanhar a carne havia pão, em imensas quantidades e de vários tipos, depois eram
servidos pequenos pratos de comida (estilo entradas) e salada, envinagrada; o prato
principal seria de peixe ou carne com azeite e bem temperado, acompanhado sempre
com vegetais. Depois de o prato principal ser ingerido aparecia o vinho, só aparecia
nesta altura pois era considerado rude beber antes e também tornaria impossível a
verdadeira apreciação da comida, antes de os homens beberem para eles, bebiam em
nome de Dionysus (Deus do vinho), “The god Dionysus himself taught the people –
according to the poets – to drink only three cups, ‘one for health, which they empty
first, the second to love and pleasure, the third to sleep. When this is drunk up wise
guests go home’”. (Grimm, 2017, p.75) para acabar a refeição poderia haver bolos ou
fruta.

Pão
O pão é o bem mais essencial e mais abundante numa mesa grega, este alimento
transcende tempo e estatutos sociais, pertence a qualquer mesa e qualquer individuo,
também era utilizado como instrumento para comer, na medida em quem, não haviam
talheres (à exceção de facas de trinchar). O pão de Atenas tinha um grande prestigio e
era considerado um grande motivo de orgulho entre gregos. A partir dos cereais era
feito a “maza”, consistia numa espécie de papa ou pasta, cozinhava-se os grãos em
água, leite ou vinho e podia ser adocicado, era considerado uma comida de conforto
havendo mitos que afirmavam que a “maza” tinha poderes mágicos e restauradores. Os
pães podiam ser distinguidos pelo tipo de grão utilizado: espelta, trigo, cevada, centeio;
pelo sitio onde era cozido: no forno, nas brasas ou numa frigideira; pelo tipo de liquido
introduzido á mistura: leite, azeite, vinho. Também podia ser fermentado ou não, e
podiam ser adicionados ingredientes extra, como por exemplo: sementes, mel, queijo,
banha e passas ou outro tipo de fruta seca. A elevada procura de pão resultou na criação
das primeiras padarias (séc. V A.C), tal criação foi atribuída a Thearion (de Atenas), a
ele também foi atribuída a criação dos primeiros fornos para pão. (Grimm, 2017),
(Visão História, 2015), (Tannahill, 1988)

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Vinho
A vinicultura apareceu aos gregos vindo de Este e rapidamente se tornaram grandes
exportadores de vinho (apresentaram o vinho ás colonias e mais tarde a outros pontos da
Europa) e grandes apreciadores de vinho, era considerado um primordial da civilização
e quem não conhecesse este produto, simplesmente, não era considerado civilizado.
Fazia parte da dieta de todos os gregos e era considerado mais saudável beber vinho do
que a agua dos aquedutos de Atenas, especialmente porque esta civilização misturava
sempre o vinho com água, diluindo assim a percentagem de álcool presente. Tornou-se
habitual o consumo do vinho apenas no final das refeições e só depois de este ter sido
consagrado em honra dos Deuses, bebiam em honra de dois Deuses, Zeus e Baco-
Dioniso, especialmente nos simpósios e banquetes. (Grimm, 2017), (Visão História,
2015)
As cores do vinho grego variavam entre branco, dourado e escuro; a consistência era
considerada pegajosa e grossa (provavelmente por causa da evaporação a partir de onde
o vinho era armazenado). O vinho era bastante perfumado, cheiro de flores, caso não
tivesse nenhum cheiro particular seriam induzidas fragâncias (de flores ou de
especiarias). Havia a possibilidade de ter um sabor forte devido á maneira como era
fermentado – era utilizada pele de porco ou de cabra na assistência da fermentação.
(Grimm, 2017), (Tannahill, 1988)
Os vinhos que tiveram mais estimação foram os doces: adoçados com mel ou com água
do mar, aumentado assim a fermentação e a doçura do vinho. O envelhecimento e o
aroma da bebida era o que distinguia a qualidade do produto, sendo os melhores vinhos
produzidos em Lesbos, Chios e Cos (lado oriental da ilha). (Grimm, 2017), (Visão
História, 2015)

Peixe e carne
Existe uma divergência de ideias, entre historiadores, entre qual destes alimentos era o
mais apreciado na altura. Por um lado, temos o peixe: encontram-se vários relatos de
literatura onde estão enumeradas listas de peixes, em adição a este relato, existiam na
época imensas decorações com a temática de peixes, por estes argumentos alguns
historiadores acreditam que este alimento era considerado um alimento de luxo, uma
comida de prestigio; a abundância e variedade de peixe variava de acordo com o que a
região tinha para oferecer – por exemplo: marisco (mar Negro), enguias (lago Copal –
Beócia) – no entanto, o pescado mais acessível era o de porte pequeno (sardinhas),
consumido, preferencialmente, frito, o peixe de maior porte deveria ser cozido, assado
ou estufado. (Grimm, 2017), (Visão História, 2015)
Por outro lado, temos a carne: este alimento era considerado mais sagrado do que o
peixe, na medida em que, era exigido um ritual de sacrifico aos Deuses antes de ser
consumido (esta temática foi abordada em “banquetes e simpósios”). Depois de feito e
de todas as abordagens relacionadas com o ritual terem sido cumpridas, a carne (de
porco, ovelha, cabra e vaca – a carne mais nobre) era temperada e servida com molhos
de base doce ou gordurosos. Aves também eram consumidas á refeição tais como: o
ganso e galinha, a ultima tinha a vantagem de produzir ovos, coisa que as aves

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selvagens eram incapazes de fazer, relativamente a animais de caça os prediletos eram:
a lebre, os coelhos, as raposas, patos e perdizes. (Grimm, 2017), (Visão História, 2015)
Sócrates opunha-se a uma dieta rica em carne pela crença de que comer carne toldava o
pensamento das pessoas de uma maneira obscena, isto é, defendia que uma dieta livre
de carne seria mais benéfico para o corpo e para a alma humana, na medida em que, os
vapores soltos pela carne obscureceriam o pensamento humano; estes pensamentos
filosóficos aliados com a medicina da altura, tinham como objetivo primordial
convencer a população de que uma dieta com carne iria “aquecer” o corpo humano e,
por fim, aumentar o apetite sexual das pessoas. (mais sobre esta temática em
“alimentação na Grécia da antiguidade clássica”) (Grimm, 2017)

Vegetais e fruta
Os vegetais era um alimento que acompanhava qualquer refeição, estava presente em
todas as mesas, em todos os pratos, estava, especialmente, presente, na dieta da
população mais carenciada, pois esta não teria os meios de adquirir alimentos mais
“nobres” como o peixe ou a carne. De entre os legumes comuns da altura, distinguem-
se os seguintes: azeitona, favas, lentilhas, grão-de-bico, alhos, cebolas, alfaces,
rabanetes, etc. Uma forma de elevar estes simples alimentos – por exemplo, o alho, era:
“(…) de o servir sobre pão, e o paté de alhos e azeitonas, que numa versão melhorada
podia incluir ovos, mel, queijo, azeite e vinagre.), também se podia temperar com
vinagre e enriquecer com cevada ou bolbos. (Visão História, 2015)
A fruta amplamente vulgar eram as maçãs, os figos (secos ou frescos), as uvas, as
romãs, as castanhas, os pêssegos, etc. Mais tarde, os gregos introduziram aos romanos a
amêndoa, daí o nome latino “noz grega” (nux graeca). (Visão História, 2015)

Temperos
Os temperos dão o toque final a qualquer prato e como já sabemos a herança grega
alimentar é uma bastante rica e abundantemente em aromas, ora, é aqui que entram os
maravilhosos condimentos que irão produzir o derradeiro prato, os temperos utilizados
na época eram: as ervas aromáticas (coentros, tomilho, orégãos, poejo, entre outros), o
sal, o vinagre, o queijo seco e ralado e, talvez o mais digno de menção no que toca á
cultura gastronómica grega: o azeite – o azeite, como já foi dito anteriormente, é um dos
três presentes concedidos por uma Deusa (Atena) á humanidade, esta Deusa não apenas
proporcionou a primeira oliveira como ensinou a cultiva-la. A azeitona necessita de ser
curada, devido ao glicosídeo presente na mesma, depois de curada o sabor amargo
produzido pela molécula não passa para o azeite, permitindo assim que o azeite
permaneça com um bom sabor. Depois de curado o azeite podia ainda ser perfumado
com fruta ou condimentos. (Grimm, 2017), (Visão História, 2015)
Este óleo não servia apenas para a cozinha, tinha outras utilidades, tais como: a
produção de perfumes, sabão e também era usado como combustível para candeeiros,
consequentemente, estes óleos seriam de preços diferentes, dependendo da qualidade,
dos métodos de extração e do propósito do mesmo. (Grimm, 2017)
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Literatura gastronómica
A opinião amplamente partilhada sobre quem foi um dos maiores influenciadores, no
que toca a literatura gastronómica, caí sob os ombros de Arquéstrato, que, no século IV
compôs a Hedypatheia (Life of luxury), dando a volta ao mediterrâneo inteiro,
Arquéstrato aprendeu todos os hábitos e modos de vida de todos os povos por onde
passou. Escreveu o melhor guia da altura acerca da cozinha, com o intuito de ensinar os
seus leitores a cozinhar, onde estão incluídas indicações de ordem diversa: onde
comprar o quê e de acordo com as estações do ano, como cozinhar certo alimento,
cuidados de limpeza com cada produto, o que evitar e o que aproveitar e que localidades
produzem o melhor produto – seja ele peixe, carne, pão ou vinho. (Grimm, 2017),
(Visão História, 2015), (Tannahill, 1988)
As receitas de Arquéstrato parecem ser guiadas pela simplicidade, trazendo ao de cima
o de que melhor cada produto tem para oferecer, pode- se então afirmar que a
Hedypatheia é considerada o primeiro guia gastronómico.
Outro impulsionador da literatura gastronómica, referido nos textos é, Athenaeus, autor
de “Learned Diners”. Nesta obra observa-se que o escritor não tem em consideração as
preocupações com a pobreza da terra, com as guerras, etc. - fatores externos que,
indubitavelmente, afetam a qualidade dos produtos em questão, Athenaeus concentra-se
antes em comida de qualidade, na “boa vida” e em tudo o que pode proporcionar uma
boa refeição – jogos, flores, mulheres, etc. (Grimm, 2017)

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Referências Bibliográficas

 Grimm, Veronika (2017). “The Good Things That Lay at Hand. Tastes of
Ancient Greece and Rome”. In Freedman, Paul (ed.). Food. The History of taste.
Londres: Thames & Hudson, pp. 63-97.

 Grimm, 2017, p.65, “They skinned the animal quickly, butchered the carcass,
expertly cut the meat in pieces, pierced them with spits, roasted them to a turn
and pulled them off the fire. The work done, the feast laid out, they ate well and
no man’s hunger lacked a share of the banquet.”

 Grimm, 2017, p.75, “The god Dionysus himself taught the people – according to
the poets – to drink only three cups, ‘one for health, which they empty first, the
second to love and pleasure, the third to sleep. When this is drunk up wise guests
go home’”

 Tannahill, Reay (1988). Food in History. Londres/Paris: Penguin Books, pp. 60-
70, capítulo 5 - “Classical Greece”.

 Tannahill, 1988, p.69, “reduced to a diet of pulses, greens and turnips, iris
rhizomes, beechnut, lupin seeds (...), an occasional grasshoper, wild pears “and
that god-given inheritance of our mother country, darling of my heart, a dried
fig”. If there was enough food for more than three of the family, (…), it was
unusual, as a rule, the others had to make do with a mouthful of barley-paste.”

 Tannahill, 1988, p.69, “One much-prized delicacy in the later period was a pig
that had died of over-eating; another, a goose that had been fed (probably
forced-fed) on moistened grain”

 Visão História. À Mesa: Cem Mil Anos Através da Alimentação, pp. 24-27