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Não tire os olhos da linha de chegada...

Direito Penal ou Criminal


1. Aspecto formal
Art. 157 - Subtrair coisa móvel alheia, para si ou para
outrem, mediante grave ameaça ou violência a pessoa,
ou depois de havê-la, por qualquer meio, reduzido à
impossibilidade de resistência:

Pena - reclusão, de quatro a dez anos, e multa.


2. Aspecto material
3. Aspecto sociológico
Ciência do Direito Penal
Criminologia
Política Criminal
Direito Penal Objetivo (jus poenale):
conjunto de leis penais em vigor no país

Direito Penal Subjetivo (jus puniendi):


direito de punir do estado
Bem jurídico?
É o bem escolhido pelo ordenamento
jurídico para ser tutelado e amparado.

Exemplos: vida, patrimônio, dignidade


sexual, fé pública, administração pública.
O poder punitivo do Estado não é incondicionado,
encontrando limites...
Quanto ao modo:

respeito aos direitos e garantias fundamentais,


observando, por exemplo,
o princípio da dignidade da pessoa humana.
Quanto ao espaço:

em regra, aplica-se a lei penal somente aos fatos


praticados no território brasileiro.
Quanto ao tempo:

o direito de punir não é eterno, sendo, em regra,


limitado no tempo pelo
instituto da prescrição (art. 107, CP).
É autorizado “fazer justiça com as próprias mãos”?
- O jus puniendi é de titularidade exclusiva do Estado

- É proibida a justiça privada

- Exercício arbitrário das próprias razões é crime


(art. 345, CP)
Art. 345 - Fazer justiça pelas próprias mãos, para satisfazer
pretensão, embora legítima, salvo quando a lei o permite:

Pena - detenção, de quinze dias a um mês, ou multa, além


da pena correspondente à violência.
Existe exceção? SIM!
Art. 57 da Lei nº 6.001/73 (Estatuto do Índio)
“Será tolerada a aplicação, pelos grupos tribais, de acordo com as instituições próprias,
de sanções penais ou disciplinares contra os seus membros, desde que não revistam
caráter cruel ou infamante, proibida em qualquer caso a pena de morte”.
Evolução histórica do Direito Penal
Vingança divina
A pena era cruel, desumana e degradante,
temendo o suposto castigo das divindades.
Vingança privada
A reação punitiva partia da própria vítima ou de
pessoas ligadas ao seu grupo social.
O talião também foi aplicado na Lei das XII Tábuas:

“Contra aquele que destruiu o membro de


outrem e não transigiu com o mutilado, seja
aplicada a pena de talião”.
Vingança pública
Fica legitimada a intervenção estatal nos conflitos sociais
com aplicação da pena pública.
Princípios gerais do Direito penal
Explícitos: positivados no ordenamento jurídico.

Implícitos: derivam daqueles expressamente previstos e


que decorrem de interpretação sistemática de dispositivos.

Individualização da pena (art. 5º, XLVI, CF


deriva
Proporcionalidade (equilíbrio entre a gravidade da infração
e a severidade da pena)
Princípio da legalidade e anterioridade

Art. 5º, II, CF - ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer


alguma coisa senão em virtude de lei (sentido amplo)

Art. 5º, XXXIX, CF e Art. 1º, CP - não há crime sem lei anterior
que o defina, nem pena sem prévia cominação legal (sentido
estrito)
NÃO HÁ CRIME

1) sem lei (admite-se somente lei em sentido estrito)


2) anterior (veda-se retroatividade maléfica da lei penal)
3) escrita (veda-se o costume incriminador)
4) estrita (veda-se a analogia incriminadora)
5) certa (veda-se o tipo penal indeterminado)
6) necessária (intervenção criminal)
Legalidade formal Legalidade material

Exigência Obediência ao devido O conteúdo do tipo


processo legislativo. deve respeitar direitos e
garantias fundamentais
do cidadão

Resultado Lei vigente Lei válida


Exemplo

O STF declarou a inconstitucionalidade do artigo 2º, § 1º, da


Lei nº 8.072/90, que vedava a progressão de regime para os
crimes hediondos.

Embora atendesse à legalidade formal, faltava ao dispositivo a


legalidade material, por violação ao princípio da
individualização da pena e da dignidade da pessoa humana.
Princípio da dignidade da pessoa humana

É um princípio regente, base e meta do Estado Democrático de


Direito.
Devido processo legal

Com raízes no princípio da legalidade, assegura ao ser humano a


justa punição, quando cometer um crime, precedida do processo
penal adequado.
Retroatividade da lei penal benéfica

Leis penais benéficas ao acusado podem retroceder no tempo


para aplicação ao caso concreto, ainda que já tenha sido
definitivamente julgado.
Humanidade

Não haverá penas cuja aflição gerada, física ou moral, ultrapasse


os limites constitucionais da dignidade humana.
O sistema prisional brasileiro

Pessoas presas no Brasil: 711.463

Em uma década, o Brasil viu dobrar o número


de pessoas encarceradas.
O sistema prisional brasileiro

O Brasil está no quarto lugar no ranking dos


países com os maiores contingentes de
pessoas privadas de liberdade.

Quase 300 pessoas presas para cada cem mil


habitantes.
O sistema prisional brasileiro

Desse contingente de pessoas encarceradas, 41% sequer foram


condenadas pelo sistema de justiça brasileiro. E mais da metade
dos presos provisórios estão custodiados há mais de 90 dias.

A despesa anual com custeio de pessoal e execução dos estados


da federação alcança a casa dos 12 bilhões de reais
O sistema prisional brasileiro

Se a pessoa é presa no Brasil ela terá 6 vezes mais chances de


morrer do que se não tivesse sido privada da sua liberdade.
O sistema prisional brasileiro

“A questão penitenciária do Brasil é grave. Sua solução extremamente complexa.


E o ponto de partida é a compreensão de que, enquanto persistirem as causas
geradoras da criminalidade violenta, enquanto não se reformular o sistema penal
brasileiro – destinando-se os presídios somente aos efetivamente perigosos -,
nenhum Governo conseguirá equilibrar o sistema penitenciário. A solução está,
assim, integrada à reorganização do Estado, ao estabelecimento de políticas
públicas eficientes e justas, com vistas ao bem-estar de toda a sociedade”.

Ex-ministro da Justiça e ex-presidente do Supremo Tribunal Federal,


Maurício Correa.
Princípio da responsabilidade pessoal ou da pessoalidade

 Proíbe-se o castigo penal pelo fato de outrem


 Inexiste responsabilização coletiva

Art. 5º, XLV, CF - nenhuma pena passará da pessoa do condenado,


podendo a obrigação de reparar o dano e a decretação do
perdimento de bens ser, nos termos da lei, estendidas aos
sucessores e contra eles executadas, até o limite do valor do
patrimônio transferido
Princípio da individualização da pena

 Resposta estatal ao autor de um fato punível

Art. 5º, XLVI, CF - a lei regulará a individualização da pena e adotará, entre


outras, as seguintes:
a) privação ou restrição da liberdade;
b) perda de bens;
c) multa;
d) prestação social alternativa;
e) suspensão ou interdição de direitos;
Art. 59, CP - O juiz, atendendo à culpabilidade, aos antecedentes, à
conduta social, à personalidade do agente, aos motivos, às
circunstâncias e consequências do crime, bem como ao
comportamento da vítima, estabelecerá, conforme seja necessário
e suficiente para reprovação e prevenção do crime
Art. 5º, Lei de Execução Penal (LEP): Os condenados serão
classificados, segundo os seus antecedentes e personalidade, para
orientar a individualização da execução penal.
Princípio da materialização do fato

 O Estado só pode incriminar condutas humanas voluntárias, isto é,


fatos (Direito Penal do fato)

 Vedado o Direito Penal do autor, baseada em seus pensamentos,


desejos ou estilo de vida
Princípio da intervenção mínima

 Quando estritamente necessário (ultima ratio)

 Condicionado ao fracasso das demais esferas de controle


(caráter subsidiário)

 Relevante lesão ou perigo de lesão ao bem juridicamente tutelado


(caráter fragmentário)

Um desdobramento lógico é o princípio da insignificância...


A conduta é determinada pelo direito penal? SIM
Representa relevante lesão ou perigo de lesão ao bem jurídico? NÃO
Falta a tipicidade material!

Requisitos para a aplicação do princípio da insignificância


sobre a conduta (STF e STJ):

1. Mínima ofensividade da conduta do agente;


2. Ausência de periculosidade social da ação;
3. Reduzido grau de reprovabilidade do comportamento;
4. Inexpressividade da lesão jurídica causada.
Princípio da proporcionalidade

Ajustar a sanção penal à relevância do bem jurídico tutelado, sem


desconsiderar as condições pessoais do agente.

Princípio da responsabilidade subjetiva

Não basta que o fato seja materialmente causado pelo agente,


ficando a responsabilidade penal condicionada à existência da
voluntariedade (dolo ou culpa).
Princípio da vedação do bis in idem

a) processual: ninguém pode ser processado duas vezes pelo


mesmo crime;
b) material: ninguém pode ser condenado pela segunda vez em
razão do mesmo fato;
c) execução: ninguém pode ser executado duas vezes por
condenações relacionadas ao mesmo fato
Princípio da culpabilidade

Só pode o Estado impor sanção penal ao agente imputável


(penalmente capaz), com potencial consciência da ilicitude,
quando dele exigível conduta diversa (podendo agir de outra
forma).
Princípio da presunção de inocência (ou não-culpabilidade)

Art. 5º, LVII, CF - ninguém será considerado culpado até o trânsito


em julgado de sentença penal condenatória;

HC 126292/SP – STF?