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AO JUIZADO ESPECIAL FEDERAL DA SUBSEÇÃO JUDICIÁRIA DE


________

________ , ________ , ________ , ________ ,


portador do RG nº ________ , e CPF nº ________ , NB
nº ________ residente e domiciliado no ________ ,
vem, respeitosamente, perante Vossa Excelência, por meio
de sua procuradora constituída, ajuizar a presente

AÇÃO DE RESTABELECIMENTO DE AUXÍLIO-


DOENÇA COM PEDIDO DE TUTELA
ANTECIPADA

em face do Instituto Nacional de Seguro Social - INSS, na


pessoa de seu representante legal da procuradoria federal
da autarquia previdenciária, pelos fatos e fundamentos a
seguir:
DA IRRETROATIVIDADE DA LEI NOVA

Preliminarmente urge destacar que as condições para o


requerimento do benefício aqui pleiteado foram alcançados em ________ , ou
seja, data anterior à vigência da MP 664/14 convertida na Lei 13.135/15 e MP
767/17, convertida em Lei 13.457/17, que alterou dispositivos da Lei 8.213/1991,
bem como da recente MP 871/2019 convertida em lei 13.846/2019, não
podendo ser atingida pelas regras novas por ela instituída.

Trata-se da observância pura à SEGURANÇA JURÍDICA inerente


ao Estado Democrático de Direito, nos termos de clara redação constitucional
em seu Art. 5º:

XXXVI - a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato


jurídico perfeito e a coisa julgada;

Trata-se de aplicação inequívoca do PRINCÍPIO DA


IRRETROATIVIDADE DE NORMA NOVA, especialmente quando trazem
normas prejudiciais ao trabalhador, conforme disposto no DECRETO-LEI Nº
4.657/42 (LIDB):

Art. 6º. A lei em vigor terá efeito imediato e geral,


respeitados o ato jurídico perfeito, o direito adquirido e a
coisa julgada.

A doutrina ao corroborar este entendimento, destaca sobre o


princípio que vigora no Brasil sobre a irretroatividade da lei nova, pela qual não
se pode aplicar novo ato normativo concernentes à situações constituídas antes
de sua entrada em vigor:
"O princípio da irretroatividade da lei está consagrado
entre nós pelas disposições da CF 5.º XXXVI e da LINDB
6.º caput ("efeito imediato"), razão pela qual se asseguram
a sobrevivência e a ultratividade da lei antiga. Por esse
princípio a lei nova não pode retroagir para atingir o ato
jurídico perfeito, o direito adquirido ou a coisa julgada."
(NERY JUNIOR, Nelson. NERY, Rosa Maria de Andrade.
Código Civil Comentado. 12 ed. Editora RT, 2017. Versão
ebook, Art. 6º LINB.)

Trata-se de princípio que busca preservar o DIREITO


ADQUIRIDO, conforme já entendido pela jurisprudência:

PREVIDENCIÁRIO. AUXÍLIO RECLUSÃO. QUALIDADE


DE SEGURADO. SEGURADO BAIXA RENDA.
DESEMPREGO AO TEMPO DA RECLUSÃO. RENDA
ZERO. TEMA N.896 STJ. DATA DO FATO GERADOR DO
BENEFÍCIO. INAPLICABILIDADE DA MP 871/2019. 1.
EM RELAÇÃO À QUALIDADE DE SEGURADO BAIXA
RENDA, PARA OBTENÇÃO DE AUXÍLIO RECLUSÃO, O
SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA, NO JULGAMENTO
DO TEMA N. 896 DOS SEUS RECURSOS REPETITIVOS
(RESP 1485417/MS, REL. MINISTRO HERMAN
BENJAMIN, PRIMEIRA SEÇÃO, JULGADO EM
22/11/2017, DJE 02/02/2018), FIRMOU TESE NO
SENTIDO DE QUE "PARA A CONCESSÃO DE AUXÍLIO-
RECLUSÃO (ART. 80 DA LEI 8.213/1991), O CRITÉRIO
DE AFERIÇÃO DE RENDA DO SEGURADO QUE NÃO
EXERCE ATIVIDADE LABORAL REMUNERADA NO
MOMENTO DO RECOLHIMENTO À PRISÃO É A
AUSÊNCIA DE RENDA, E NÃO O ÚLTIMO SALÁRIO DE
CONTRIBUIÇÃO 2. NO PRESENTE CASO, TENDO A
ÚLTIMA CONTRIBUIÇÃO OCORRIDO EM 07/2017, NO
MOMENTO DA PRISÃO EM 12/04/2018, POSSUÍA
RENDA ZERO, CUMPRINDO O REQUISITO BAIXA
RENDA . 3. OUTROSSIM, NÃO SE APLICAM AO
CASO AS INOVAÇÕES DA MEDIDA PROVISÓRIA
871/2019, QUE PASSOU A PREVER QUE A
AFERIÇÃO DA RENDA MENSAL BRUTA PARA
ENQUADRAMENTO DO SEGURADO COMO DE
BAIXA RENDA OCORRERÁ PELA MÉDIA DOS
SALÁRIOS DE CONTRIBUIÇÃO APURADOS NO
PERÍODO DE DOZE MESES ANTERIORES AO
MÊS DO RECOLHIMENTO À PRISÃO, TENDO EM
VISTA QUE O FATO GERADOR DO DIREITO,
RECLUSÃO DO SEGURADO, ACONTECEU ANTES
DO ADVENTO DE TAL MUDANÇA LEGISLATIVA,
NÃO PODENDO ESSA SER APLICADA DE FORMA
RETROATIVA.(TRF-4 - RECURSO CÍVEL:
50037244020184047115 RS 5003724-40.2018.4.04.7115,
Relator: ANDRÉ DE SOUZA FISCHER, Data de
Julgamento: 09/05/2019, PRIMEIRA TURMA
RECURSAL DO RS)

PREVIDENCIÁRIO. AÇÃO ANULATÓRIA. COBRANÇA


ADMINISTRATIVA DE VALORES RECEBIDOS EM
RAZÃO DE ANTECIPAÇÃO DE TUTELA COM
POSTERIOR REVOGAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
PRECEDENTES DO STJ. PORTARIA CONJUNTA N.
2/2018 DA PROCURADORIA GERAL FEDERAL E DO
PRESIDENTE DO INSS. MP 871/2019. APLICAÇÃO AOS
FATOS OCORRIDOS A PARTIR DE 18/01/2019. 1. O
INSS não pode cobrar administrativamente valores
recebidos em razão de tutela antecipada posteriormente
cassada, devendo, sim, cobrá-los nos autos do processo em
que aquela decisão foi proferida. Hipótese de retorno do
processo ao status quo ante, ou seja, de retorno da
situação processual presente quando a tutela antecipada
foi concedida, depois de regular contraditório e ampla
defesa. Precedentes do STJ. Aplicação do art. 1º da
Portaria Conjunta n. 2, de 16/01/2018, da Procuradoria
Geral Federal e do Presidente do INSS. 2.A cobrança
administrativa pretendida pelo INSS só passou a
ser possível com a edição da MP 871/2019, que
depende de regulamentação para viabilizar o
procedimento, não se aplicando aos fatos
ocorridos antes de sua vigência. 3.Apelação
parcialmente provida. (TRF-3 - ApCiv:
00068409020124036109 SP, Relator:
DESEMBARGADORA FEDERAL MARISA SANTOS, Data
de Julgamento: 05/06/2019, NONA TURMA, Data de
Publicação: e-DJF3 Judicial 1 DATA:19/06/2019)

Por tais razões que as regras da MP 871/2019 convertida na atual


Lei 13.846/2019, em especial ________ não atendida pelo Autor, não podem
ser aplicadas no presente caso.

DOS FATOS

O autor é segurado da previdência social desde ________ ,


portador de ________ CID ________ , como demonstra laudos médicos que
junta em anexo, e teve benefício junto ao INSS sob registro NB ________ , que
foi cessado indevidamente.

Em ________ , o Autor foi convocado para proceder com o


recadastramento, junto ao Banco ________ , a fim comprovar sua existência
(prova de vida) e não ter suspenso o seu benefício.

Ocorre que neste período, o Autor já estava acometido de


________ , ficando impedido de se locomover, conforme laudos que comprova
em anexo.

Com isso, seu filho tentou comunicar o referido banco da situação,


momento que foi informado que deveria buscar o próprio INSS. Ao contatar o
INSS foi informado que só seria possível o recadastramento com o
comparecimento do beneficiário, momento que tentou esclarecer o ocorrido,
sem sucesso.

Assim, com a sua completa incapacidade de locomoção, sem poder


realizar a prova de vida, teve seu benefício suspenso indevidamente

Ocorre que o Autor deveria ser convocado para realizar a sua prova
de vida, bem como para realizar a perícia médica a fim de confirmar a
manutenção da incapacidade do autor, fato que não ocorreu.

Trata-se, portanto, de suspensão arbitrária do auxílio-doença pela


autarquia, ora ré, e totalmente descabida, pois o motivo apresentado não possui
amparo legal.

Desta forma, restando inexitosa toda e qualquer solução extrajudicial


do litígio, busca-se na presente demanda o único meio útil e eficaz para dirimir
a lide em voga.

DO DIREITO

A Lei nº 8.213/91 estabelece, nos artigos 59 e 62, os requisitos


para a concessão e manutenção do auxílio-doença:
Art. 59. O auxílio-doença será devido ao segurado que,
havendo cumprido, quando for o caso, o período de
carência exigido nesta Lei, ficar incapacitado para o seu
trabalho ou para a sua atividade habitual por mais de 15
(quinze) dias consecutivos.

§ 1º Não será devido o auxílio-doença ao segurado que se


filiar ao Regime Geral de Previdência Social já portador da
doença ou da lesão invocada como causa para o benefício,
exceto quando a incapacidade sobrevier por
motivo de progressão ou agravamento da doença
ou da lesão.

(...)

Art. 62. O segurado em gozo de auxílio-doença,


insuscetível de recuperação para sua atividade habitual,
deverá submeter-se a processo de reabilitação profissional
para o exercício de outra atividade.

§ 1º O benefício a que se refere o caput deste artigo


será mantido até que o segurado seja considerado
reabilitado para o desempenho de atividade que
lhe garanta a subsistência ou, quando considerado
não recuperável, seja aposentado por invalidez.

Conforme comprovam os atestados médicos e receituários


acostados em anexo, o Autor preencheu todos os requisitos necessários para a
obtenção/manutenção do auxílio-doença, quais sejam: a carência cumprida, a
condição de segurado e incapacidade.
A incapacidade no presente caso impede o retorno às atividades
habituais, sendo indispensável a continuidade do tratamento e o afastamento do
trabalho, na busca de uma possível recuperação, o que o autor está fazendo de
forma incansável.

DA PROVA DE VIDA

Antes da vigência da resolução 677/2019, a qual dispõe sobre


alternativas para aqueles que tem dificuldades de locomoção, a prova de vida
era realizada estritamente nas agências bancárias.

Assim, mesmo impossibilitado de se dirigir à agência, o segurado


encaminhou por meio de seu representante o atestado médico e a procuração
hábil para comprovar sua vida e seu estado de saúde, não obtendo êxito,
acabando penalizado com a suspensão do seu benefício.

Trata-se, portanto, de grave afronta ao direito do segurado, que


além de estar com graves limitações físicas é surpreendido com a suspensão da
única fonte de subsistência que é o seu benefício previdenciário.

Desta forma, diante da demonstração inequívoca de


impossibilidade de locomoção do Autor, bem como diante da prova de vida
consubstanciada em documentos válidos de identidade, laudos médicos
recentes e procuração ao seu representante, deve a instituição realizar os
procedimentos necessários a averiguar o estado do beneficiário mediante visita
em seu local, conforme precedentes sobre o tema:

MANDADO DE SEGURANÇA - APOSENTADORIA -


SERVIDORA ESTADUAL - RECADASTRAMENTO -
LOCOMOÇÃO DA BENEFICIÁRIA - IMPOSSIBILIDADE
- OBSERVÂNCIA DOS PROCEDIMENTOS PARA
REALIZAÇAO DO RECADASTRAMENTO PELA
IMPETRANTE - NÃO COMPROVAÇÃO - PROVA DE
VIDA REALIZADA JUDICIALMENTE -
REESTABELECIMENTO DE BENEFÍCIO DE
APOSENTADORIA - SEGURANÇA PARCIALMENTE
CONCEDIDA. 1) Diante da impossibilidade do
comparecimento pessoal do beneficiário/aposentado, por
impossibilidade de locomoção, para fins de prova de vida,
deve o seu recadastramento ser realizado com observância
dos procedimentos administrativos estabelecidos pelo
órgão instituidor, com a apresentação, pelo beneficiário,
dos documentos pertinentes à comprovação da prova de
vida, através de atestado médico ou certidão do cartório.
2) Considerando que a prova de vida restou realizada nos
autos do presente 'mandamus', deve ser parcialmente
concedida a segurança, para ratificar a liminar deferida no
sentido de se ver estabelecido o benefício de
aposentadoria, com o pagamento dos valores bloqueados
desde a propositura do mandado de segurança. (TJ-MG -
MS: 10000160383071000 MG, Relator: Hilda Teixeira da
Costa, Data de Julgamento: 20/11/2018, Data de
Publicação: 23/11/2018)

Neste sentido, requer o reconhecimento imediato da nulidade do


ato que suspendeu o benefício do Autor, com as providências necessárias para o
recadastramento sem que o Autor tenha que se locomover até a instituição
bancária, mediante visita in loco ou aceitabilidade dos laudos comprobatórios.

No presente caso, diante da comprovação da permanente


incapacidade do trabalhador rural, tem-se por necessária a conversão em
aposentadoria especial, conforme precedentes sobre o tema:
PREVIDENCIÁRIO. APELAÇÃO CÍVEL. AUXÍLIO-
DOENÇA. INCAPACIDADE PARCIAL COMPROVADA.
RESTABELECIMENTO DO BENEFÍCIO.
CONVERSÃO EM APOSENTADORIA RURAL POR
INVALIDEZ. PERÍCIA MÉDICA. REABILITAÇÃO PARA
OUTRAS ATIVIDADES. ALTA PROGRAMADA.
IMPOSSIBILIDADE. PROVIMENTO PARCIAL. - Ação
objetivando o restabelecimento do benefício de auxílio-
doença com conversão em aposentadoria rural por
invalidez. - A perícia foi clara no sentido de
confirmar a incapacidade parcial e definitiva da
autora, encontrando-se impossibilitada de laborar
em atividades que exijam exposição ao sol, em
razão de ser acometida por câncer de pele, sendo
devido, portanto, o benefício do auxílio-doença. -
No caso, o laudo pericial é conclusivo no sentido de que a
patologia apresentada pela autora não inviabiliza o
exercício de outras atividades laborativas, isto é, não se
enquadra nas exigências legais do artigo 42 da Lei nº
8.2013/91, para a concessão do benefício de aposentadoria
rural por invalidez. - A fixação do prazo de 180 dias para a
cessação do benefício, sem nova perícia médica realizada
pelo INSS, confronta a legislação previdenciária,
consoante ao apregoado no artigo 62 da Lei nº 8.213/91,
conforme decisão da Turma Nacional de Uniformização de
Jurisprudência, no processo 0501304-33.2014.4.05.8302,
Rel. Juiz Federal Frederico Koehler, julgado em
11/12/2015. (TRF-2 - AC: 00006737820174029999 RJ
0000673-78.2017.4.02.9999, Relator: PAULO ESPIRITO
SANTO, Data de Julgamento: 17/07/2017, 1ª TURMA
ESPECIALIZADA)
DA AVALIAÇÃO SOCIAL DO SEGURADO

Apesar de constar no laudo médico a capacidade do segurado para


atividades administrativas, deve ser considerado que o autor trabalhou a vida
inteira com trabalho pesado e não possuiu qualquer instrução para se colocar no
mercado de trabalho, evidenciando a sua incapacidade.

No presente caso, o autor possui ________ , e tem como


instrução apenas ________ , uma vez que trabalhou a vida toda como
________ , evidenciando a inviabilidade de retornar ao mercado de trabalho
numa atividade administrativa.

Trata-se de inadequada a análise pericial que deixa de avaliar o


contexto social do autor , uma vez que conforme orientação do Superior
Tribunal de Justiça, além da saúde do segurado, devem ser considerado se os
seus aspectos socioeconômicos, profissionais e culturais o tornam incapaz para
o exercício do trabalho habitual e inviabilizam seu retorno ao mercado de
trabalho, in verbis:

PREVIDENCIÁRIO. APOSENTADORIA POR


INVALIDEZ. VIOLAÇÃO DO ART. 1.022 DO CPC/2015.
NÃO OCORRÊNCIA. REQUISITOS PARA A CONCESSÃO
DO BENEFÍCIO. CONSIDERAÇÃO DOS ASPECTOS
SOCIOECONÔMICOS, PROFISSIONAIS E CULTURAIS
DO SEGURADO. DESNECESSIDADE DE VINCULAÇÃO
DO MAGISTRADO À PROVA PERICIAL.
PRECEDENTES. REVISÃO DO ACÓRDÃO.
IMPOSSIBILIDADE.REEXAME DE FATOS E DAS
PROVAS. SÚMULA N. 7/STJ.(...) III - No caso dos autos, o
Tribunal de origem determinou a implementação do
benefício da aposentadoria por invalidez por entender que
a condição de saúde da segurada, seus aspectos
socioeconômicos, profissionais e culturais a tornam
incapaz para o exercício do trabalho habitual e
inviabilizam seu retorno ao mercado de trabalho. IV -
Verifica-se que o acórdão regional está em conformidade
com o entendimento jurisprudencial desta Corte no
sentido de que "a concessão da aposentadoria por
invalidez deve considerar, além dos elementos previstos
no art. 42 da Lei 8.213/91, os aspectos socioeconômicos,
profissionais e culturais da segurada, ainda que o laudo
pericial apenas tenha concluído pela sua incapacidade
parcial para o trabalho" (REsp n. 1.568.259/SP, Rel.
Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em
24/11/2015, DJe 1/12/2015). Outros julgados: AgRg no
AREsp n. 712.011/SP, Rel. Min. Assusete Magalhães, DJe
4.9.2015; AgRg no AREsp n. 35.668/SP, Rel. Ministro Nefi
Cordeiro, Sexta Turma, julgado em 5/2/2015, DJe
20/2/2015 e AgRg no AREsp n. 497.383/SP, Rel. Ministra
Assusete Magalhães, Segunda Turma, julgado em
18/11/2014, DJe 28/11/2014. V - Assim, havendo o
Tribunal de origem concluído pela incapacidade laborativa
da segurada, o acolhimento da tese recursal de modo a
inverter o julgado demandaria necessariamente o
revolvimento do conjunto fático-probatório dos autos, o
que é inviável na instância especial diante do enunciado n.
7 da Súmula do STJ. VI - Recurso especial improvido.
(AREsp 1348227/PR, Rel. Ministro FRANCISCO FALCÃO,
SEGUNDA TURMA, julgado em 11/12/2018, DJe
14/12/2018)

Nesse sentido:

PREVIDENCIÁRIO. AUXÍLIO-DOENÇA.
APOSENTADORIA POR INVALIDEZ. INCAPACIDADE
PERMANENTE. CONDIÇÕES PESSOAIS DO
SEGURADO. A circunstância de ter o laudo pericial
registrado a possibilidade, em tese, de serem
desempenhadas pelo segurado funções laborativas que não
exijam esforço físico não constitui óbice ao
reconhecimento do direito ao benefício de aposentadoria
por invalidez quando, por suas condições pessoais,
aferidas no caso concreto, em especial a idade e a
formação acadêmico-profissional, restar evidente a
impossibilidade de reabilitação para atividades que
dispensem o uso de força física, como as de natureza
burocrática. (TRF-4 - AC: 50583217120174049999
5058321-71.2017.4.04.9999, Relator: TAÍS SCHILLING
FERRAZ, Data de Julgamento: 23/05/2018, SEXTA
TURMA)

PREVIDENCIÁRIO. APOSENTADORIA POR


INVALIDEZ. ART. 42, CAPUT E § 2º DA LEI 8.213/91.
QUALIDADE DE SEGURADO. CARÊNCIA.
INCAPACIDADE TOTAL E PERMANENTE REVELADA
PELO CONJUNTO PROBATÓRIO E CONDIÇÕES
PESSOAIS DA PARTE AUTORA. REQUISITOS
PRESENTES. APOSENTADORIA POR INVALIDEZ
DEVIDA. TERMO INICIAL DO BENEFÍCIO. 1.
Comprovada a incapacidade total e permanente para o
trabalho, diante do conjunto probatório e das condições
pessoais da parte autora, bem como presentes os demais
requisitos previstos nos artigos 42, caput e § 2º da Lei n.º
8.213/91, é devida a concessão do benefício de
aposentadoria por invalidez. 2. O termo inicial do
benefício é a data do requerimento administrativo, de
acordo com a pacífica jurisprudência do Superior Tribunal
de Justiça (REsp nº 200100218237, Relator Ministro Felix
Fischer. DJ 28/05/2001, p. 208). 3. Apelação do INSS não
provida. Apelação da parte autora provida. (TRF-3 - Ap:
00095556520184039999 SP, Relator:
DESEMBARGADORA FEDERAL LUCIA URSAIA, Data de
Julgamento: 22/05/2018, DÉCIMA TURMA, Data de
Publicação: e-DJF3 Judicial 1 DATA:30/05/2018)

Ou seja, deve ser analisada a funcionalidade do indivíduo, através


da ponderação dinâmica entre os fatores pessoais, sociais e econômicos de cada
segurado.

Razão pela qual diante da demonstração inequívoca da


incapacidade do Autor, faz jus à percepção do benefício de auxílio-doença, a
contar da data da data da sua cessação.

DO INDEVIDO CANCELAMENTO DO BENEFÍCIO SEM PRÉVIA


PERÍCIA

O Autor teve o benefício cancelado sem qualquer perícia prévia


que indicasse a sua capacidade laboral para manter a sua subsistência. Pelo
contrário, tentou agendar perícia mas ________ .

Inexiste, portanto, em todo processo administrativo qualquer


comprovação de que a sua incapacidade para o trabalho tenha cessado em
algum momento.

Na realidade, somente após dilação probatória no presente


processo, bem como de posse de laudos atuais da doença incapacitante, pode-se
esclarecer a controvérsia sobre a possibilidade de suspensão do benefício, mas
jamais antes de uma perícia conclusiva!

Sobre a imprescindibilidade da perícia médica para a suspensão de


benefícios previdenciários que envolvam incapacidade laborativa do segurado,
cito precedentes de Tribunal:

PREVIDENCIÁRIO. AUXÍLIO-DOENÇA REQUISITOS.


INCAPACIDADE COMPROVADA. LAUDO PERICIAL.
ALTA PROGRAMADA. TUTELA ESPECÍFICA.
CONSECTÁRIOS LEGAIS. 1. Quatro são os requisitos para
a concessão do benefício em tela: (a) qualidade de
segurado do requerente; (b) cumprimento da carência de
12 contribuições mensais; (c) superveniência de moléstia
incapacitante para o desenvolvimento de qualquer
atividade que garanta a subsistência; e (d) caráter
definitivo/temporário da incapacidade. 2. Caracterizada a
incapacidade laborativa temporária da segurada para
realizar suas atividades habituais, mostra-se correta
concessão do benefício de auxílio-doença. 3.
Inadmissível a concessão de auxílio-doença com
alta programada, porquanto o benefício não pode
ser cancelado automaticamente com base em
estimativa pericial para a convalescença do
segurado, por se tratar de evento futuro e incerto.
Antes da suspensão do pagamento do benefício, cabe a
reavaliação médico-pericial. 4. Reconhecido o direito da
parte, impõe-se a determinação para a imediata
implantação do benefício, nos termos do art. 497 do CPC.
5. Consectários legais fixados nos termos do decidido pelo
STF, no julgamento do RE 870.947, em sede de
repercussão geral (Tema 810). (TRF-4 - AC:
50130028020174049999 5013002-80.2017.4.04.9999,
Relator: LUIZ ANTONIO BONAT, Data de Julgamento:
26/02/2018, TURMA REGIONAL SUPLEMENTAR DO
PR)

PREVIDENCIÁRIO. AUXÍLIO-DOENÇA. TERMO


INICIAL. IMPOSSIBILIDADE DE CESSAÇÃO DO
BENEFÍCIO SEM REALIZAÇÃO PRÉVIA DE PERÍCIA
MÉDICA. CORREÇÃO MONETÁRIA E JUROS DE
MORA. DIFERIMENTO. IMPLANTAÇÃO DO
BENEFÍCIO. 1. São três os requisitos para a concessão dos
benefícios por incapacidade: a) a qualidade de segurado;
b) o cumprimento do período de carência de 12
contribuições mensais; c) a incapacidade para o trabalho,
de caráter permanente (aposentadoria por invalidez) ou
temporária (auxílio-doença). 2. A concessão dos benefícios
de auxílio-doença e aposentadoria por invalidez pressupõe
a averiguação da incapacidade para o exercício de
atividade que garanta a subsistência do segurado, e terá
vigência enquanto permanecer ele nessa condição. 3. A
incapacidade laboral é comprovada através de exame
médico-pericial e o julgador, via de regra, firma sua
convicção com base no laudo, entretanto não está adstrito
à sua literalidade, sendo-lhe facultada ampla e livre
avaliação da prova. 4. No caso dos autos, o laudo pericial
indicou que a parte autora é portadora de flebite e
tromboflebite em fase evolutiva, razão pela qual assiste-lhe
o direito ao restabelecimento do benefício desde a data da
cessação, já que o início da incapacidade foi fixado pelo
perito em 21-01-13. 5. O benefício não pode ser
cancelado automaticamente com base em
estimativa pericial para a convalescença do
segurado, por se tratar de evento futuro e incerto.
Antes da suspensão do pagamento do benefício,
cabe ao INSS a reavaliação médico-pericial. 6. A
definição dos índices de correção monetária e juros de
mora deve ser diferida para a fase de cumprimento do
julgado. 7. O cumprimento imediato da tutela específica
independe de requerimento expresso do segurado ou
beneficiário, e o seu deferimento sustenta-se na eficácia
mandamental dos provimentos fundados no art. 461 do
CPC/1973, bem como nos artigos 497, 536 e parágrafos e
537 do CPC/2015. 8. A determinação de implantação
imediata do benefício, com fundamento nos artigos
supracitados, não configura violação dos artigos 128 e 475-
O, I, do CPC/1973 e 37 da CF/88. (TRF-4 - AC:
50089142820154047102 RS 5008914-28.2015.404.7102,
Relator: ROGER RAUPP RIOS, Data de Julgamento:
07/03/2017, QUINTA TURMA)

Por indevida a cessação do benefício sem prévia perícia que ateste


a capacidade do Autor, o restabelecimento do benefício é medida que se impõe.

DA IRREGULAR SUSPENSÃO DO BENEFÍCIO

Trata-se de benefício suspenso pela ausência do segurado na


perícia, após convocado avaliação da manutenção das condições que ensejaram
o afastamento ou a aposentadoria.

Ocorre que no presente caso, a convocação ocorreu exclusivamente


por meio de publicação do Diário Oficial, sem qualquer notificação por
correspondência ou por telefone.

O art. 62 da Lei n°. 8.213/1991, que dispõe sobre os Planos de


Benefícios da Previdência Social, com a nova redação dada pela Lei nº 13.457,
de 2017, prevê expressamente que:

Art. 62 (...). Parágrafo único. O benefício a que se refere o


caput deste artigo será mantido até que o segurado seja
considerado reabilitado para o desempenho de atividade
que lhe garanta a subsistência ou, quando considerado não
recuperável, seja aposentado por invalidez.

Ou seja, a lei prevê claramente que não cessará o benefício


enquanto o segurado não seja dado como habilitado para o desempenho de
atividade laborativa que lhe garanta a subsistência.

Com efeito, para que possa ser cessado ou suspenso o pagamento


do benefício, é imprescindível a prévia realização de perícia médica para que se
comprovem as condições de saúde do segurado.

E para tanto, a CONVOCAÇÃO do segurado DEVE SER EFICAZ,


em observância ao princípio da publicidade e do contraditório e da ampla
defesa.

Não pode o INSS presumir que o segurado acompanharia


diariamente o Diário Oficial e julgar suprido o dever de publicidade de seus
atos, vindo a suspender o benefício como se o segurado estivesse habilitado.

Suspender ou cessar o pagamento do benefício sem atenção ao


devido processo administrativo para concessão ou manutenção de benefícios
previdenciários, configura notória ilegalidade e manifestamente
desproporcional à finalidade social da lei, conforme precedentes sobre o tema:

PREVIDENCIÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA.


ARTIGO 101 LEI N°. 8.213/1991. SUSPENSÃO DO
BENEFÍCIO. EXAME MÉDICO. EDITAL. DEVIDO
PROCESSO ADMINISTRATIVO1. O artigo 101 da LBPS
dispõe que o segurado em gozo do auxílio-doença estará
obrigado, sob pena de suspensão do benefício, a submeter-
se a exame médico, a fim de comprovar a persistência ou
não da incapacidade laborativa.2. Para que possa ser
cessado ou suspenso o pagamento do benefício de auxílio-
doença, é imprescindível a prévia realização de perícia
médica para que se comprovem as condições de saúde do
segurado.3. Não pode o INSS suspender ou cessar o
pagamento do benefício sem atenção ao devido processo
administrativo para concessão ou manutenção de
benefícios previdenciários. A mera publicação em edital
não faz presumir a cessação da incapacidade laborativa do
segurado.4. Hipótese em que o pagamento do benefício do
impetrante foi cessado sem a prévia notificação do
beneficiário e sem a realização de nova perícia hábil.
(TRF4, REMESSA NECESSÁRIA CÍVEL 5066710-
12.2017.4.04.7100, Relator(a): , QUINTA TURMA,
Julgado em: 30/10/2018, Publicado em: 05/11/2018)

AGRAVO DE INSTRUMENTO. PROCESSO CIVIL.


MANDADO DE SEGURANÇA. AUXÍLIO-DOENÇA.
NOTIFICAÇÃO PARA PERÍCIA MÉDICA EFETIVADA
POR EDITAL. SUSPENSÃO UNILATERAL DO
BENEFÍCIO. IMPOSSIBILIDADE. MANUTENÇÃO DA
DECISÃO LIMINAR. Hipótese em que a autoridade
impetrada carreou aos autos eletrônicos cópia de edital de
convocação publicado no Diário Oficial da União,
elaborado a partir da informação de que os beneficiários
nele mencionados não foram localizados por
correspondência via Correios; todavia, sem demonstração
de que efetivamente foi expedida essa correspondência,
pressuposto inequívoco para a comunicação por
intermédio de edital. Essa comunicação somente é válida,
não obstante seu caráter quase ficcional, na medida em
que público assaz restrito acessa o Diário Oficial, após
envidados esforços do ente público no sentido de
encontrar o segurado. Não obstante, in casu, a própria
Autarquia Previdenciária referiu ter conhecimento de 2
(dois) endereços do segurado: o constante de seu banco de
dados e o informado na inicial do processo de origem.
Logo, antes de convocá-lo via edital, deveria ter, ao menos,
tentado enviar a correspondência para os dois endereços
de seu conhecimento. E, não havendo nos autos
comprovação de tal agir, como bem pontuado pelo
magistrado singular, é de ser confirmada a decisão liminar
que determinou o restabelecimento do benefício de
auxílio-doença para que os pagamentos sejam mantidos
até que seja feita a devida avaliação médica pericial.
(TRF4, AG 5010746-57.2018.4.04.0000, Relator(a):
ARTUR CÉSAR DE SOUZA, SEXTA TURMA, Julgado em:
17/10/2018, Publicado em: 22/10/2018)

Não pode o INSS através de mera publicação em edital, presumir o


amplo conhecimento dos segurados, e vir a cessar o benefício por presumir o
término da incapacidade laborativa do segurado sem qualquer embasamento
legal.

Nas palavras da doutrinadora Odete Medauar, o princípio do


devido processo legal só se consubstancia diante da ampla publicidade dos
elementos necessários ao contraditório, em especial, a comunicação efetiva
sobre o início de um processo d suspensão do benefício:

"Do princípio do contraditório, centrado na informação


necessária para possibilitar a reação, emanam faculdades,
direitos, enfim, consequências que formam o corpo do seu
próprio conteúdo. Tendo em vista sua profunda inter-
relação com o princípio da ampla defesa, alguns
desdobramentos vêm inseridos pela doutrina e
jurisprudência também no rol dos elementos
configuradores deste último. Serão arrolados a seguir os
desdobramentos mais diretos do princípio do
contraditório.

a) Informação geral- Significa o direito, atribuído aos


sujeitos e à própria Administração, de obter conhecimento
adequado dos fatos que estão na base da formação do
processo e de todos os demais documentos, provas e dados
que vieram à luz no curso do processo. Daí resultam
exigências impostas à Administração no tocante à
comunicação, aos sujeitos, de elementos do processo em
todos os seus momentos. Vincula-se, também, à
informação ampla o direito de acesso a documentos que a
Administração detém ou a documentos juntados por
sujeitos contrapostos." (MEDAUAR, Odete. Direito
Administrativo Moderno. 20ª ed. Editora RT, 2016.
Versão ebook, 9.6.1 O princípio do contraditório)

Portanto, não observados os princípios da PUBLICIDADE, do


DEVIDO PROCESSO ADMINISTRATIVO, bem como do CONTRADITÓRIO E
DA AMPLA DEFESA, tem-se por nulo o ato de suspensão do benefício, devendo
ser imediatamente revisto.

A jurisprudência é no sentido de restabelecer o auxílio-doença


mesmo nos casos em que, "(...) embora possível, teoricamente, o exercício de
outra atividade pelo segurado, ainda assim a inativação por invalidez deve
ser outorgada se, na prática, for difícil a respectiva reabilitação, seja pela
natureza da doença ou das atividades normalmente desenvolvidas, seja pela
idade avançada.", proferindo a seguinte ementa:

"PREVIDENCIÁRIO. RESTABELECIMENTO DE
AUXÍLIO-DOENÇA. Comprovado pelo conjunto
probatório que a parte autora é portadora de
enfermidade(s) que a incapacita(m)
temporariamente para o trabalho, é de ser
reformada a sentença para restabelecer o auxílio-
doença desde a cessação administrativa até a data
da concessão da aposentadoria por idade".(AC 5012948-
80.2018.4.04.9999, 6ª Turma, Rel. João Batista Pinto
Silveira, Julgado em: 17/10/2018)

PROCESSUAL CIVIL E PREVIDENCIÁRIO.


AUXÍLIO-DOENÇA. INCAPACIDADE LABORAL.
PERÍCIA JUDICIAL. CONSTATAÇÃO.
RESTABELECIMENTO. DIB. TERMO INICIAL. DATA
CESSAÇÃO INDEVIDA. BENEFÍCIO CONCEDIDO
JUDICIALMENTE. CANCELAMENTO
ADMINISTRATIVO. POSSIBILIDADE. CORREÇÃO
MONETÁRIA. INPC. APLICAÇÃO. SUCUMBÊNCIA.
HONORÁRIOS. RAZOABILIDADE. MANUTENÇÃO. I -
De acordo com o estabelecido nos arts. 59 e 62 da Lei nº
8.213/91, enquanto o segurado permanecer incapacitado
para o exercício de suas atividades laborais, deve
continuar recebendo o auxílio-doença acidentário. II - O
restabelecimento do auxílio-doença cessado
indevidamente tem como termo inicial a data da
cessação indevida. III - Considerando o caráter
transitório do auxílio-doença, a concessão judicial do
benefício, ainda que em caráter liminar, não inviabiliza a
sua revisão administrativa pela Autarquia
Previdenciária, nos moldes do art. 101 da Lei 8.213/91.
IV Ao débito previdenciário deve incidir a correção
monetária com aplicação do INPC, nos moldes
determinados pelo artigo 41-A da referida legislação, razão
pela qual se modifica, em parte, a sentença. V -
Obedecidos os critérios do artigo 20, §3º, do CPC/73,
vigente à época da prolação da sentença, e o disposto na
Súmula 111/STJ, impositiva é a confirmação da fixação dos
honorários advocatícios sucumbenciais. RECURSO
PROVIDO EM PARTE. SENTENÇA REFORMADA EM
PARTE, em reexame necessário. (Classe:
Apelação,Número do Processo: 0005487-
50.2011.8.05.0001, Relator(a): Adriana Sales Braga,
Quarta Câmara Cível, Publicado em: 08/02/2017)

Razão pela qual o restabelecimento do auxílio com os pagamentos


retroativos é medida que se impõe.

DANOS MORAIS PELA DEMORA INFUNDADA

Tratando-se de requisitos claramente comprovados, bem como,


evidenciada uma demora infundada no reestabelecimento do benefício, tem-se
por devida a condenação em danos morais.

Afinal, no presente caso, os danos são evidentes, pois:

 Trata-se de benefício com caráter alimentar, ou


seja, de concessão urgente;

 O Autor não dispõe de qualquer renda e sobrevive


às custas de ajuda de amigos e familiares;

 Os requisitos foram perfeitamente atendidos,


conforme declaração do próprio INSS de
________ que junta em anexo;

 O período de espera ultrapassa ________ ,


causando graves constrangimentos;

 Outras evidências do dano.


Portanto, situação perfeitamente enquadrada na jurisprudência
como merecedora de indenização por danos morais, vejamos:

ADMINISTRATIVO. PROCESSUAL CIVIL. FUNCESP.


INEXISTÊNCIA DE RESPONSABILIDADE.
REGULAMENTO. INSS. RESPONSABILIDADE CIVIL
OBJETIVA. INDENIZAÇÃO POR DANO MORAL. INSS.
BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. CONCESSÃO
EXTEMPORÂNEA. (...) In casu, indiscutível o dano, dada
a demora de mais de cinco meses para a concessão do
benefício de Pensão por Morte. Dessa forma, demonstrado
o dano moral, devendo ser mantido o valor de R$500,00,
equivalendo aos cinco meses de atraso para a concessão do
benefício pelo INSS. (...) 6. Remessa Oficial não provida.7.
Apelo provido. (TRF 3ª Região, QUARTA TURMA,
ApReeNec - APELAÇÃO/REMESSA NECESSÁRIA -
1228882 - 0016273-54.1989.4.03.6100, Rel.
DESEMBARGADOR FEDERAL MARCELO SARAIVA,
julgado em 05/09/2018, e-DJF3 Judicial 1
DATA:17/10/2018)

Recurso inominado - prova de vida realizada por servidor


na forma da lei - Benefício previdenciário suspenso
indevidamente após o autor efetuar o recadastramento -
Demora no restabelecimento - Situação que tem o
condão de gerar dano moral indenizável, além dos
danos materiais, eis que certamente extrapola os
limites do mero aborrecimento - Valor fixado a título
de indenização que não comporta redução, porquanto se
afigura razoável, proporcional ao evento danoso e
compatível com as condições pessoais da vítima - Sentença
mantida - Recurso desprovido. (TJSP; Recurso Inominado
Cível 1013540-80.2016.8.26.0053; Relator (a): Alexandra
Fuchs de Araujo; Órgão Julgador: 2ª Turma - Fazenda
Pública; Foro de São José do Rio Preto - 1ª. Vara Cível;
Data do Julgamento: 11/12/2018; Data de Registro:
11/12/2018)

PREVIDENCIÁRIO E CIVIL. AUXÍLIO-DOENÇA.


CESSAÇÃO INDEVIDA POR ERRO DA
ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. DESINTERESSE DO
AUTOR NO PROSSEGUIMENTO DO PEDIDO QUANTO
AO RECEBIMENTO DO BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO,
REMANESCENDO O PEDIDO DE INDENIZAÇÃO POR
DANOS MORAIS EM FACE DO INSS. COMPETÊNCIA
DECLINADA PARA ESTA TURMA ESPECIALIZADA.
COMPETÊNCIA ACOLHIDA. DANOS MORAIS
DEVIDAMENTE COMPROVADOS DEVIDO AO ERRO
FLAGRANTE DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA.
SITUAÇÃO QUE ULTRAPASSA OS MEROS DISSABORES
DO COTIDIANO. DEVER DE INDENIZAR. BENEFÍCIO
DE CARÁTER ALIMENTAR. RECURSO PROVIDO.1. Em
se tratando a pretensão de indenização por dano moral
contra o INSS, a competência para a apreciação do pedido
é desta Turma Especializada.2. No presente caso, o
recorrente teve o benefício cessado sem qualquer
justificativa do INSS e só retornou a trabalhar, mesmo
com dores, porque recebeu um comunicado de que o prazo
do benefício terminaria em fevereiro, quando,
inicialmente, era para retornar ao trabalho apenas em
junho.3. Durante o período de três meses em que houve a
suspensão do benefício o autor teve que se valer da ajuda
de terceiros para conseguir suprir necessidades básicas do
seu dia-a-dia, considerando que a esposa recorrente estava
grávida, além do que, a mãe e o irmão menor também
residiam juntos com ele, sendo que a única fonte de renda
familiar era a do próprio recorrente, razão pela qual ele
necessitou de favores para conseguir prover o sustento da
casa4. Nesse compasso, conclui-se que os fatos
vivenciados pelo recorrente demonstram,
claramente, a existência de situação que
ultrapassa os meros dissabores do cotidiano,
considerando que, por conta do erro flagrante da
Administração Pública, o recorrente se viu
privado do recebimento do benefício
previdenciário, de caráter alimentar, o qual já
havia sido devidamente deferido. Precedentes do
TRF-4ª Região.5. Configurado o dever de indenizar em
decorrência do erro cometido pela Administração Pública,
cumpre ao INSS a reparação do dano moral impingido ao
autor. Indenização fixada em R$ 5.000,00 (cinco mil
reais).6. Recurso provido. (TRF4, RECURSO CÍVEL
5003133-97.2016.4.04.7002, Relator(a): GERSON LUIZ
ROCHA, PRIMEIRA TURMA RECURSAL DO PR, Julgado
em: 08/08/2018, Publicado em: 17/08/2018).

A narrativa demonstra claramente o grave abalo moral sofrido


pelo Autor em manifesto constrangimento ilegítimo. A doutrina ao lecionar
sobre a matéria destaca:

"O interesse jurídico que a lei protege na espécie refere-se


ao bem imaterial da honra, entendida esta quer como o
sentimento da nossa dignidade própria (honra interna,
honra subjetiva), quer como o apreço e respeito de que
somos objeto ou nos tornamos mercadores perante os
nossos concidadãos (honra externa, honra objetiva,
reputação, boa fama). Assim como o homem tem direito
à integridade de seu corpo e de seu patrimônio
econômico, tem-no igualmente à indenidade do seu
amor-próprio (consciência do próprio valor moral e
social, ou da própria dignidade ou decoro) e do seu
patrimônio moral." (CAHALI, Yussef Said. Dano Moral.
2ª ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 1998, p. 288).
Assim, diante da evidência dos danos morais em que o Autor fora
acometido, resta inequívoco o direito à indenização.

Razões pelas quais, requer cumulativamente a condenação do


INSS ao pagamento de danos morais.

DA ATUALIZAÇÃO DOS VALORES DEVIDOS

A atualização monetária das condenações impostas à Fazenda


Pública devem observar recente posicionamento do STF que entendeu pela
inconstitucionalidade da aplicação do TR, determinando a adoção do IPCA-E
para o cálculo da correção monetária nas dívidas não-tributárias da Fazenda
Pública.

Entendimento assim ementado:

DIREITO CONSTITUCIONAL. REGIME DE


ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA E JUROS MORATÓRIOS
INCIDENTE SOBRE CONDENAÇÕES JUDICIAIS DA
FAZENDA PÚBLICA. ART. 1º-F DA LEI Nº 9.494/97
COM A REDAÇÃO DADA PELA LEI Nº 11.960/09.
IMPOSSIBILIDADE JURÍDICA DA UTILIZAÇÃO DO
ÍNDICE DE REMUNERAÇÃO DA CADERNETA DE
POUPANÇA COMO CRITÉRIO DE CORREÇÃO
MONETÁRIA. (...) 1. O princípio constitucional da
isonomia (CRFB, art. 5º, caput), no seu núcleo essencial,
revela que o art. 1º-F da Lei nº 9.494/97, com a
redação dada pela Lei nº 11.960/09, na parte em que
disciplina os juros moratórios aplicáveis a
condenações da Fazenda Pública, é
inconstitucional ao incidir sobre débitos oriundos
de relação jurídico-tributária, os quais devem
observar os mesmos juros de mora pelos quais a
Fazenda Pública remunera seu crédito; nas
hipóteses de relação jurídica diversa da tributária, a
fixação dos juros moratórios segundo o índice de
remuneração da caderneta de poupança é constitucional,
permanecendo hígido, nesta extensão, o disposto legal
supramencionado. 2. O direito fundamental de
propriedade (CRFB, art. 5º, XXII) repugna o disposto no
art. 1º-F da Lei nº 9.494/97, com a redação dada pela Lei
nº 11.960/09, porquanto a atualização monetária das
condenações impostas à Fazenda Pública segundo
a remuneração oficial da caderneta de poupança
não se qualifica como medida adequada a
capturar a variação de preços da economia, sendo
inidônea a promover os fins a que se destina. 3. A
correção monetária tem como escopo preservar o poder
aquisitivo da moeda diante da sua desvalorização nominal
provocada pela inflação. É que a moeda fiduciária,
enquanto instrumento de troca, só tem valor na medida
em que capaz de ser transformada em bens e serviços. A
inflação, por representar o aumento persistente e
generalizado do nível de preços, distorce, no tempo, a
correspondência entre valores real e nominal (cf.
MANKIW, N.G. Macroeconomia. Rio de Janeiro, LTC
2010, p. 94; DORNBUSH, R.; FISCHER, S. e STARTZ, R.
Macroeconomia. São Paulo: McGraw-Hill do Brasil, 2009,
p. 10; BLANCHARD, O. Macroeconomia. São Paulo:
Prentice Hall, 2006, p. 29). 4. A correção monetária e a
inflação, posto fenômenos econômicos conexos, exigem,
por imperativo de adequação lógica, que os instrumentos
destinados a realizar a primeira sejam capazes de capturar
a segunda, razão pela qual os índices de correção
monetária devem consubstanciar autênticos índices de
preços. 5. Recurso extraordinário parcialmente provido.
(RE 870947, Relator(a): Min. LUIZ FUX, Tribunal Pleno,
julgado em 20/09/2017, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe-
262 DIVULG 17-11-2017 PUBLIC 20-11-2017)

Em sua relatoria, o Min. Luiz Fux no RE 870947, acima ementado,


elucida a matéria:

"Não vislumbro qualquer motivo para aplicar critérios


distintos de correção monetária de precatórios e de
condenações judiciais da Fazenda Pública. Eis as minhas
razões. A finalidade básica da correção monetária é
preservar o poder aquisitivo da moeda diante da sua
desvalorização nominal provocada pela inflação.
Enquanto instrumento de troca, a moeda fiduciária que
conhecemos hoje só tem valor na medida em que capaz de
ser transformada em bens e serviços. Ocorre que a
inflação, por representar o aumento persistente e
generalizado do nível de preços, distorce, no tempo, a
correspondência entre valores real e nominal (...). Esse
estreito nexo entre correção monetária e inflação exige,
por imperativo de adequação lógica, que os instrumentos
destinados a realizar a primeira sejam capazes de
capturar a segunda. Em outras palavras, índices de
correção monetária devem ser, ao menos em tese,
aptos a refletir a variação de preços de
caracteriza o fenômeno inflacionário, o que
somente será possível se consubstanciarem
autênticos índices de preços."

E conclui sobre os efeitos nefastos da manutenção

"A diferença supera os 30% (trinta por cento) e revela os


incentivos perversos gerados pelo art. 1º-F da Lei nº
9.494/97: quanto mais tempo a Fazenda Pública
postergar a quitação de seus débitos, menor será,
em termos reais, o valor da sua dívida, corroída
que estará pela inflação. Nesse contexto, é nítido o
estímulo ao uso especulativo do Poder Judiciário. (...)
Ora, se o Estado não utiliza a caderneta de poupança
como índice de correção quando tem o objetivo de passar
credibilidade ao investidor ou de atrair contratantes, é
porque tem consciência de que o aludido índice não é
adequado a medir a variação de preços na economia. Por
isso, beira a iniquidade permitir utilizá-lo quando em
questão condenações judiciais."

E ao julgar a modulação dos efeitos julgado em 03/10/19,


prevaleceu, por maioria, o entendimento de que não cabe a modulação, devendo
a atualização de débitos judiciais das Fazendas Públicas aplicar-se de junho de
2009 em diante.

Nesse sentido a jurisprudência vem confirmando e adotando este


posicionamento:

INCIDÊNCIA DO IPCA-E EM LUGAR DA TR - TESE


JURÍDICA FIRMADA PELO STF EM REGIME DE
REPERCUSSÃO GERAL (RE Nº 870.947/SE - TEMA
810). I - O Plenário do STF reconheceu a repercussão geral
da matéria debatida nos autos do RE nº 870.947 e, após
conclusão do julgamento do feito, firmou a seguinte tese:
"o art. 1º-F da Lei nº 9.494/97, com a redação dada pela
Lei nº 11.960/09, na parte em que disciplina a
atualização monetária das condenações impostas
à Fazenda Pública segundo a remuneração oficial
da caderneta de poupança, revela-se
inconstitucional ao impor restrição
desproporcional ao direito de propriedade (CRFB,
art. 5º, XXII), uma vez que não se qualifica como
medida adequada a capturar a variação de preços da
economia, sendo inidônea a promover os fins a que se
destina." II - A atualização monetária dos
precatórios, bem como das condenações judiciais
impostas à Fazenda Pública, há de ser realizada
com base na variação do IPCA-E (Índice de Preços ao
Consumidor Amplo Especial), índice considerado pelo STF
como mais adequado para recompor a perda do poder de
compra da moeda. III - Agravo de Instrumento não
provido. IV - Agravo interno prejudicado.(TRF-2 - AG:
00018913420184020000 RJ 0001891-
34.2018.4.02.0000, Relator: SERGIO SCHWAITZER,
Data de Julgamento: 11/05/2018, 7ª TURMA
ESPECIALIZADA)

"(...). O Supremo Tribunal Federal reconheceu no RE


870.947, com repercussão geral, a
inconstitucionalidade do uso da TR,
determinando a adoção do IPCA-E para o cálculo
da correção monetária nas dívidas não-tributárias
da Fazenda Pública. (TRF4 5011707-12.2012.4.04.7112,
SEXTA TURMA, Relatora TAÍS SCHILLING FERRAZ,
juntado aos autos em 13/12/2017)

Por tais razões que a procedência desta ação deve conduzir à


condenação ao pagamento do benefício pleiteado desde a data do seu
requerimento administrativo, devidamente atualizado pelo IPCA-E cumulado
com os mesmos juros de mora pelos quais a Fazenda Pública remunera seu
crédito tributário, em respeito ao princípio constitucional da isonomia (CRFB,
art. 5º, caput).
TUTELA DE URGÊNCIA

Nos termos do Art. 300 do CPC/15, "a tutela de urgência será


concedida quando houver elementos que evidenciem a probabilidade do
direito e o perigo de dano ou o risco ao resultado útil do processo."

No presente caso tais requisitos são perfeitamente caracterizados,


vejamos:

DA PROBABILIDADE DO DIREITO: Como ficou


perfeitamente demonstrado, o direto do Autor é caracterizado pela
demonstração inequívoca da veracidade dos argumentos exordiais, uma vez que
com as provas documentais juntadas em anexo é possível confirmar que todos
os requisitos estão preenchidos, sendo iminente a necessidade da obtenção da
tutela, deve o magistrado deferir antecipadamente o objeto postulado.

Assim, conforme destaca a doutrina, não há razão lógica para


aguardar o desfecho do processo, quando diante de direito inequívoco:

"Se o fato constitutivo é incontroverso não há


racionalidade em obrigar o autor a esperar o tempo
necessário à produção da provas dos fatos impeditivos,
modificativos ou extintivos, uma vez que o autor já se
desincumbiu do ônus da prova e a demora inerente à
prova dos fatos, cuja prova incumbe ao réu certamente o
beneficia." (MARINONI, Luiz Guilherme. Tutela de
Urgência e Tutela da Evidência. Editora RT, 2017. p.284)

DO RISCO AO RESULTADO ÚTIL DO PROCESSO: Trata-se


de benefício de caráter alimentar que garante a digna sobrevivência
do Autor.

Assim, é cristalino o risco de ineficácia do provimento final da lide,


exatamente por estar a parte Autora desprovida de qualquer fonte
de renda e, por consequência, de manter a digna subsistência, o que já
vem sendo reconhecido em caráter liminar pelos tribunais:

PREVIDENCIÁRIO. PROCESSO CIVIL. AGRAVO DE


INTRUMENTO. RESTABELECIMENTO DE AUXÍLIO-
DOENÇA. REQUISITOS PREENCHIDOS. TUTELA
PROVISÓRIA DE URGÊNCIA DEFERIDA.
Evidenciados nos autos a probabilidade do direito
e o perigo de dano, deve ser deferida a tutela de
urgência, determinando-se a imediata
reimplantação do benefício de auxílio-doença em
favor da parte agravante. (TRF4, AG 5072526-
32.2017.4.04.0000, TURMA REGIONAL SUPLEMENTAR
DE SC, Relator CELSO KIPPER, juntado aos autos em
28/05/2018)

AGRAVO DE INSTRUMENTO. ANTECIPAÇÃO DOS


EFEITOS DA TUTELA BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO.
DEMONSTRADOS OS REQUISITOS LEGAIS
NECESSÁRIOS À CONCESSÃO DO BENEFÍCIO. TUTELA
ANTECIPADA CONCEDIDA. 1. A tutela antecipada, via de
regra, deve ser concedida após a oitiva da parte contrária.
Contudo, a sua concessão inaudita altera parte não é
vedada em nosso ordenamento jurídico e pode ser deferida
nos casos em que o juiz verificar que o prazo de resposta
possa implicar em risco de perecimento do direito
invocado, como é a hipótese de deferimento de benefício
previdenciário do qual a parte necessite para sobreviver. 2.
A antecipação da tutela é medida excepcional, pois
realizada mediante cognição sumária. Desta forma, a fim
de evitar a ocorrência de prejuízos à parte que sofre
antecipadamente os efeitos da tutela, o Juízo deve buscar
aplicar tal medida com parcimônia, restringindo-a apenas
àqueles casos em que se verifique a verossimilhança da
alegação e a urgência da medida, sob pena de dano
irreparável ou de difícil reparação. 3. O benefício
previdenciário do auxílio-doença é regido pelo art. 59 da
Lei nº 8.213/91. Da leitura do aludido artigo conclui-se
que, para fazer jus ao benefício pleiteado, deverá a parte
autora satisfazer cumulativamente os requisitos
mencionados: incapacidade e carência, quando for o caso;
qualidade de segurado e não ser portador da doença
incapacitante ao ingressar no RGPS. 4. Presente a
verossimilhança nas alegações autorais e não
havendo nos autos comprovação de que a parte
autora possua renda suficiente para prover sua
própria subsistência, restando evidenciada a
presença do periculum in mora no caso concreto
(STJ, 1ª Turma, AgRG na MC 20209, Rel. Min.
NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, DJe 13.6.2014), a
tutela antecipada deve ser concedida. 5. Agravo de
instrumento provido. O benefício do auxílio-doença
deverá ser concedido e mantido até o julgamento de
mérito pelo Juízo a quo (art. 60, § 8º e parágrafo único, da
Lei 8.213/91). (TRF2, Agravo de Instrumento 0001178-
59.2018.4.02.0000, Relator(a): ROGERIO TOBIAS DE
CARVALHO, 2ª TURMA ESPECIALIZADA, Julgado em:
30/07/2018, Disponibilizado em: 02/08/2018)

APELAÇÃO CÍVEL. PREVIDENCIÁRIO. INCAPACIDADE


LABORAL. PARCIAL E PERMANENTE DEMONSTRADA.
POSSIBILIDADE DE REABILITAÇÃO. AUXÍLIO-
DOENÇA. JUROS E CORREÇÃO MONETÁRIA. MANUAL
DE CÁLCULOS NA JUSTIÇA FEDERAL. LEI Nº
11.960/2009. INVERSÃO DO ÔNUS DE SUCUMBÊNCIA.
TUTELA ANTECIPADA. IMPLANTAÇÃO
IMEDIATA DO BENEFÍCIO. 1. Trata-se de pedido de
restabelecimento de auxílio-doença, com conversão em
aposentadoria por invalidez. 2. Laudo médico pericial
indica a existência de incapacidade laboral parcial
e permanente, com restrição para a atividade
habitual. Auxílio-doença restabelecido. 3. Inviável a
concessão de aposentadoria por invalidez. Ausência de
incapacidade total e permanente. 4. Juros e correção
monetária de acordo com os critérios do Manual de
Orientação de Procedimentos para os Cálculos na Justiça
Federal, naquilo que não conflitar como o disposto na Lei
nº 11.960/2009. 5. Inversão do ônus da sucumbência. 6.
Prestação de caráter alimentar. Implantação imediata
do benefício. Tutela antecipada concedida. 7.
Apelação da parte autora parcialmente provida, para
conceder o benefício previdenciário de auxilio-doença.
(TRF-3 - AC: 00003703720174039999 SP, Relator:
DESEMBARGADOR FEDERAL PAULO DOMINGUES,
Data de Julgamento: 24/04/2017, SÉTIMA TURMA, Data
de Publicação: e-DJF3 Judicial 1 DATA:05/05/2017)

Portanto, devida a imediata concessão do benefício ao Autor.

DA JUSTIÇA GRATUITA

O Requerente não possui qualquer renda, não dispondo de


condições financeiras para arcar com as custas processuais sem prejuízo do seu
sustento e de sua família.

Para tal benefício o Requerente junta declaração de


hipossuficiência e comprovante de renda, os quais demonstram a inviabilidade
de pagamento das custas judicias sem comprometer sua subsistência, conforme
clara redação do Código de Processo Civil de 2015:

Art. 99. O pedido de gratuidade da justiça pode ser


formulado na petição inicial, na contestação, na petição
para ingresso de terceiro no processo ou em recurso.

§ 1º - Se superveniente à primeira manifestação da parte


na instância, o pedido poderá ser formulado por petição
simples, nos autos do próprio processo, e não suspenderá
seu curso.

§ 2º O juiz somente poderá indeferir o pedido se houver


nos autos elementos que evidenciem a falta dos
pressupostos legais para a concessão de gratuidade,
devendo, antes de indeferir o pedido, determinar à parte a
comprovação do preenchimento dos referidos
pressupostos.

§ 3º Presume-se verdadeira a alegação de


insuficiência deduzida exclusivamente por pessoa
natural.

Assim, por simples petição, sem outras provas exigíveis por lei, faz
jus o Requerente ao benefício da gratuidade de justiça:

AGRAVO DE INSTRUMENTO. JUSTIÇA GRATUITA.


INDEFERIMENTO DA GRATUIDADE PROCESSUAL.
AUSÊNCIA DE FUNDADAS RAZÕES PARA AFASTAR A
BENESSE. CONCESSÃO DO BENEFÍCIO. CABIMENTO.
Presunção relativa que milita em prol da autora que alega
pobreza. Benefício que não pode ser recusado de
plano sem fundadas razões. Ausência de indícios
ou provas de que pode a parte arcar com as custas
e despesas sem prejuízo do próprio sustento e o de
sua família. Recurso provido. (TJ-SP
22234254820178260000 SP 2223425-
48.2017.8.26.0000, Relator: Gilberto Leme, Data de
Julgamento: 17/01/2018, 35ª Câmara de Direito Privado,
Data de Publicação: 17/01/2018)

AGRAVO DE INSTRUMENTO. GRATUIDADE DA


JUSTIÇA. CONCESSÃO. Presunção de veracidade da
alegação de insuficiência de recursos, deduzida
por pessoa natural, ante a inexistência de
elementos que evidenciem a falta dos
pressupostos legais para a concessão da
gratuidade da justiça. Recurso provido. (TJ-SP
22259076620178260000 SP 2225907-66.2017.8.26.0000,
Relator: Roberto Mac Cracken, 22ª Câmara de Direito
Privado, Data de Publicação: 07/12/2017)

A assistência de advogado particular não pode ser parâmetro ao


indeferimento do pedido:

AGRAVO DE INSTRUMENTO. PEDIDO DE


GRATUIDADE DE JUSTIÇA. CONCESSÃO DO
BENEFÍCIO. HIPOSSUFICIÊNCIA. COMPROVAÇÃO DA
INCAPACIDADE FINANCEIRA. REQUISITOS
PRESENTES. 1. Incumbe ao Magistrado aferir os
elementos do caso concreto para conceder o benefício da
gratuidade de justiça aos cidadãos que dele efetivamente
necessitem para acessar o Poder Judiciário, observada a
presunção relativa da declaração de hipossuficiência. 2.
Segundo o § 4º do art. 99 do CPC, não há
impedimento para a concessão do benefício de
gratuidade de Justiça o fato de as partes estarem
sob a assistência de advogado particular. 3. O
pagamento inicial de valor relevante, relativo ao contrato
de compra e venda objeto da demanda, não é, por si só,
suficiente para comprovar que a parte possua
remuneração elevada ou situação financeira abastada. 4.
No caso dos autos, extrai-se que há dados capazes de
demonstrar que o Agravante, não dispõe, no momento, de
condições de arcar com as despesas do processo sem
desfalcar a sua própria subsistência. 4. Recurso conhecido
e provido. (TJ-DF 07139888520178070000 DF 0713988-
85.2017.8.07.0000, Relator: GISLENE PINHEIRO, 7ª
Turma Cível, Data de Publicação: Publicado no DJE :
29/01/2018)

Assim, considerando a demonstração inequívoca da necessidade


do Requerente, tem-se por comprovada sua miserabilidade, fazendo jus ao
benefício.

Por tais razões, com fulcro no artigo 5º, LXXIV da Constituição


Federal e pelo artigo 98 do CPC, requer seja deferida a gratuidade de justiça ao
requerente.

DA RENÚNCIA AO EXCEDENTE A 60 SALÁRIOS MÍNIMOS

Para fins de perfeito enquadramento ao Juizado Especial federal,


nos termos do Art. 3º da Lei nº 10.259/01, o Autor RENUNCIA
EXPRESSAMENTE o valor excedente a 60 salários mínimos.
DOS PEDIDOS

Por todo o exposto, REQUER:

1. A concessão da gratuidade de justiça, nos termos do art. 98 do Código de


Processo Civil;

2. A concessão da TUTELA ANTECIPADA, nos termos do Art. 300 do


CPC, com o restabelecimento imediato do benefício, mediante decisão
cominatória com a obrigação de fazer (NCPC, art. 497 c/c art. 537), para
fins de restabelecer imediatamente o pagamento de auxílio-doença
descrito nesta peça inicial, sob pena de imposição de multa diária de R$
1.000,00 (mil reais);

3. A citação do Réu para responder, querendo;

4. A total PROCEDÊNCIA DA AÇÃO, confirmando a tutela antecipada,


se deferida, com o restabelecimento do benefício e pagamento
retroativo dos valores a partir da data da suspensão, acrescidas
de correção monetária a partir do vencimento de cada prestação até a
efetiva liquidação, devidamente atualizado pelo IPCA-E cumulado com os
mesmos juros de mora pelos quais a Fazenda Pública remunera seu
crédito tributário;

5. Cumulativamente, requer seja o Réu condenado a indenização por Danos


Morais;

6. A produção de todas as provas admitidas em direito, em especial a


juntada dos laudos em anexo e perícia médica;

7. A condenação do réu ao pagamento de honorários advocatícios nos


parâmetros previstos no art. 85, §2º do CPC;

8. Desde já manifesta seu interesse na audiência conciliatória, nos termos


do Art. 319, inc. VII do CPC.

Atribui-se à causa o valor de R$ ________

Nestes termos, pede deferimento.

________ , ________ .

________ ,

ANEXOS:

1. Laudos médicos

2. Cópia do RG e CPF do Autor

3. Comprovante de residência do Autor

4. Procuração

5. Custas Judiciais -Se não for o caso de justiça gratuita

6. Ato impugnado - Suspensão do benefício

7. Prova do esgotamento da via administrativa

8. Cópia do processo administrativo na íntegra

9. Laudos médicos
10. Ato de concessão do benefício

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