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EXCELENTÍSSIMO (A) SENHOR (A) DOUTOR (A) JUIZ (A) DE DIREITO DO

04º JUÍZADO ESPECIAL CÍVEL E CRIMINAL DA COMARCA DE


FORTALEZA-CE.

AÇÃO DE RESTITUIÇÃO DE QUANTIA PAGA C/C REPARAÇÃO


DE DANOS MATERIAIS

em face de

I – DA ASSISTÊNCIA JUDICIÁRIA GRATUITA

Em se tratando de firma individual, verdadeira ficção jurídica em


que o patrimônio da pessoa natural se confunde com o da empresa, basta a
simples declaração da parte de que não possui condições de arcar com os
custos do processo para que o benefício da justiça gratuita seja concedido.

Nesse sentido, o requerente solicita, preambularmente, a


concessão do benefício da assistência judiciária gratuita e integral, na forma da
Lei 1.060/50 e do comando constitucional inserto no art. 5º, inciso LXXIV,
da Constituição Federal, por ser pobre na forma da Lei, não tendo condições de
arcar com despesas referentes a custas processuais e honorários advocatícios
sem prejuízo de seu sustento e de sua família, o que faz em razão da “eventual”
necessidade de interposição de recurso (Art. 54, Lei 9.099/95).

II – DOS FATOS
III – DOS FUNDAMENTOS

O requerente como já descrito anteriormente, após efetuar o


pagamento, e mesmo após manter diversos contatos com o requerido não
recebeu na totalidade o equipamento adquirido, bem como os equipamentos
recebidos, fora do prazos, estão com defeitos de fabricação que os inutilizam
para uso no estabelecimento da autora.

Com efeito, o Código de Defesa do Consumidor, prevê em seu


artigo 30, in verbis:

“Art. 30. Toda informação ou publicidade, suficientemente precisa,


veiculada por qualquer forma ou meio de comunicação com relação a
produtos e serviços oferecidos ou apresentados, obriga o fornecedor que
a fizer veicular ou dela se utilizar e integra o contrato que vier a
ser celebrado.”

Ora, cabe ao requerido, o cumprimento da oferta, inclusive, no


que diz respeito ao prazo de entrega. Ademais, a agilidade das operações não
exclui a responsabilidade legal (e contratual) da fornecedora. Insista-se: a ela
compete cumprir o prometido. E, se a fornecedora ré não cumpriu com sua
oferta, era legítimo o cancelamento do pedido e devolução do valor pago. Aliás,
como a compra se deu por cartão de crédito, a responsabilidade pelo estorno
junto à administradora do cartão de crédito é da ré, pois assim como fez com a
comunicação de cobrança, também deve proceder à comunicação do estorno.

III. I - DA FALHA NA PRESTAÇÃO DO SERVIÇO E DA


RESPONSABILIDADE CIVIL OBJETIVA:

O código de Defesa do Consumidor no seu art. 20, protege a


integridade dos consumidores

Art. 20. O fornecedor de serviços responde pelos vícios de


qualidade que os tornem impróprios ao consumo ou lhes diminuam
o valor, assim como por aqueles decorrentes da disparidade com as
indicações constantes da oferta ou mensagem publicitária, podendo
o consumidor exigir, alternativamente e à sua escolha:

§ 2º São impróprios os serviços que se mostrem inadequados para


os fins que razoavelmente deles se esperam, bem como aqueles que
não atendam as normas regulamentares de prestabilidade.
Neste sentido, estabelece o art. 14 do Código de Defesa do
Consumidor que:

Art. 14. O fornecedor de serviços responde, independentemente da


existência de culpa, pela reparação dos danos causados aos
consumidores por defeitos relativos à prestação dos serviços, bem
como por informações insuficientes ou inadequadas sobre sua
fruição e riscos.

Assim, é insofismável que a Requerida feriu os direitos da


consumidora ao agir com total descaso, desrespeito e negligencia, configurando
má prestação de serviços, o que causou danos materiais.

Art. 35. Se o fornecedor de produtos ou serviços recusar


cumprimento à oferta, apresentação ou publicidade, o consumidor poderá,
alternativamente e à sua livre escolha:

I - exigir o cumprimento forçado da obrigação, nos termos da


oferta, apresentação ou publicidade;

II - aceitar outro produto ou prestação de serviço equivalente;

III - rescindir o contrato, com direito à restituição de quantia


eventualmente antecipada, monetariamente atualizada, e a perdas e
danos

Deste modo, amparado pela lei, doutrina e jurisprudência pátria, a


parte consumidora deverá ser indenizada pelos danos que lhe forem causados,
bem como ser restituída no valor dos equipamentos, haja vista não quer mais o
mesmo produto, pois não confia mais na requerida.

IV – DO DANO MATERIAL e REPETIÇÃO DE INDEBITO

A AUTORA efetuou o pagamento referente a compra do produto da


Ré, no cartão de crédito, logo, a AUTORA requer a devolução dos valores pagos
em dobro, com os devidos acréscimos legais.

O dano material ocorreu ante ao pagamento do montante de R$


5.514,68 (cinco mil quinhentos e quartoze reais e sessenta e oito
centavos), totalizando em dobro R$ 11.029,36 (onze mil e vinte e nove
reais e trinta e seis centavos), referente a compra dos materiais não
entregue.

Veja excelência, os equipamentos comprados na loja da requerida


seriam para uso exclusivo da atividade comercial da requerente. A não entrega
dos equipamentos gerou prejuízos de forma inconteste, haja vista que
comprometeu o faturamento da empresa autora, pois esta não teve o subsidio
necessário para atender a grandes demandas seus clientes por culpa exclusiva
da empresa requerida que não honrou com seus compromissos.

O valor quitado pela AUTORA deverá ser devolvido em dobro, à luz


do que prescreve o artigo 884 do CC:

“Art. 884. Aquele que, sem justa causa, se enriquecer à


custa de outrem, será obrigado a restituir o
indevidamente auferido, feita a atualização dos
valores monetários.

Parágrafo único. Se o enriquecimento tiver por objeto


coisa determinada, quem a recebeu é obrigado a
restituí-la, e, se a coisa não mais subsistir, a
restituição se fará pelo valor do bem na época em que
foi exigido.”

Contudo, o artigo 42 parágrafo único do Código de Defesa do


Consumidor, esclarece também:

Parágrafo único. O consumidor cobrado em quantia indevida


tem direito à repetição do indébito, por valor igual ao dobro do que
pagou em excesso, acrescido de correção monetária e juros legais, salvo
hipótese de engano justificável.

Também, o Código de Defesa do Consumidor, no seu art. 6º,


protege a integridade moral dos consumidores:

Art. 6º - São direitos básicos do consumidor:


VI – a efetiva prevenção e reparação de danos patrimoniais e
morais, individuais, coletivos e difusos.

V – DA INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA

A questão do ônus da prova é de relevante importância, visto que a


sua inobservância pode vir a acarretar prejuízos ao requerente, mormente à
aplicação do Código de .

Nesse sentido, o Art. 6º, incisos VI e VII, do CDC, assegura a


prevenção e a indenização pelos danos causados, tanto na esfera patrimonial
como extrapatrimonial.

Além de, garantir a inversão do ônus da prova, no inciso VIII.


Sendo assim, o Código de Defesa do Consumidor, no já citado, o inciso VIII,
Artigo 6º, facilita a defesa do consumidor lesado, com a inversão do ônus da
prova, a favor do mesmo.

No processo civil só ocorre à inversão, quando, a critério do juiz,


for verossímil a alegação, ou quando for ele hipossuficiente, constatando-se a
inversão do “onus probandi”.

Da exegese do artigo vislumbra-se que para a inversão do ônus da


prova se faz necessária à verossimilhança da alegação, conforme o
entendimento do Juiz, ou a hipossuficiência do autor.

Portanto, são 02 (duas) as situações, presentes no artigo em tela,


para a concessão da inversão do ônus da prova, quais sejam: a
verossimilhança e a hipossuficiência. A verossimilhança é mais que um indício
de prova, tem uma aparência de verdade, o que no caso em tela, se constata
através das cópias de todos os documentos anexos.

Por outro lado, a hipossuficiência é a diminuição de capacidade do


consumidor, diante da situação de vantagem econômica da empresa.Daí,
a relevância da inversão do ônus da prova está em fazer com que o consumidor
de boa-fé torne-se mais consciente de seus direitos e o fornecedor mais
responsável e garantidor dos serviços que prestam.

Portanto, haja vista a verossimilhança das alegações do requerente


e da hipossuficiência do mesmo, este faz jus, nos termos do Art. 6º, VIII da
lei 8.078/90, à inversão do ônus da prova ao seu favor, por ser a parte
vulnerável no processo.

VI – DOS PEDIDOS

Diante o exposto, requer se digne Vossa Excelência:

a) A concessão dos benefícios da justiça gratuita, nos termos do


art. 5º, LXXIV, CF, c/c Lei 1.060/50, haja vista ser o autor pobre na forma da
lei;

b) Conceder, nos termos do Art. 6º, inc. VIII do CDC, a inversão do


ônus da prova em favor da parte Autora;

c) Determinar a citação dos requeridos, para que, e, querendo,


respondam a presente demanda, sob pena dos efeitos da revelia;

d) Condenar os requeridos à Restituição do valor em dobro, na


forma do Artigo 42, parágrafo único, no valor de R$ 11.029,36 (onze mil e
vinte e nove reais e trinta e seis centavos), referente à compra dos
materiais não entregue, já em dobro, com incidência de juros de 1% ao mês a
partir da citação e correção monetária desde a data do desembolso; Outrossim,
ordenando o eminente Magistrado que a requerida seja obrigada a buscar de
forma imediata o maquinário vendido com defeito (02 duas Bancadas) que se
encontra no endereço da autora, sob pena não só de responder por todas as
avarias que os equipamentos venham a sofrer em razão da inércia da requerida
em mandar buscar por sua deterioração natural.
e) Requer ainda de Vossa Excelência, condenar as requeridas ao
pagamento de 20% (vinte por cento) do valor da causa a título de honorários
advocatícios.

O requerente protesta provar o alegado por todos os meios de prova


em Direito admitidos, em especial os de caráter documental, prova
testemunhal, depoimento pessoal do Autor e Réus, sob pena de confissão,
juntada ulterior de documentos e tudo mais que se fizer necessário para a
perfeita resolução da lide, o que fica, desde logo, requerido, nos termos do
Art. 32, da Lei 9.099/95.

Dá-se à causa o valor de R$ 11.029,36 (onze mil e vinte e nove


reais e trinta e seis centavos), referente à compra dos materiais não
entregue.

Nestes termos,
pede e espera deferimento.
Fortaleza-CE, 23 de janeiro de 2020.

oab

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