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O Modelo de Auto-Avaliação das Bibliotecas Escolares: Metodologias de

Operacionalização (Parte I)

Prudenciana Martins
Novembro de 2010
Nota Introdutória

Ao longo destas sessões temos constado que o desígnio da auto-avaliação é “demonstrar a sua contribuição e impacto no ensino e aprendizagem”, de
forma a responder “às necessidades da escola no atingir da sua missão e objectivos.”
Penso que a aplicação do Modelo de Auto-Avaliação apresenta alguns constrangimentos, nomeadamente, a quem nunca o aplicou.
A recolha de evidências sobrevém como sendo a questão mais crítica e, só com uma participação activa dos alunos, pais/encarregados de educação,
professores e órgãos de gestão é que será possível implementar o Modelo.
No presente ano lectivo, avaliar-se-á o domínio C. Projectos, parcerias e actividades livres e de abertura à comunidade.
O plano que apresento resulta da análise da literatura disponibilizada na plataforma, para a sessão.
INDICADORES C.1.1 Apoio à aquisição e desenvolvimento de métodos de trabalho e de estudo autónomos.

Pontos Fortes  A BE apoia as actividades livres de leitura, pesquisa, estudo e execução de trabalhos escolares, realizadas
pelos alunos, fora do horário lectivo e, dos contextos formais de aprendizagem;
 Os alunos praticam técnicas de estudo variadas: exploram informação de diferentes tipos de
documentos, tomam notas, elaboram fichas de leitura ou resumos, identificam palavras-chave,
sublinham, executam esquemas, produzem e editam trabalhos escritos recorrendo, sempre que
necessário, ao uso do computador e da Internet;
 Os alunos desenvolvem hábitos de trabalho e aprendem a organizar a sua própria aprendizagem,
revelando uma progressiva autonomia na execução das tarefas escolares.

 A extensão do currículo;
 Turmas com mais que um ano de escolaridade que condicionam o envolvimento dos professores
titulares de turma, nas actividades promovidas pela BE;
Pontos Fracos  Falta de tempo, para a operacionalização das actividades propostas pela BE;
 Falta de motivação, por parte de alguns docentes, para o envolvimento na orgânica, dinâmica,
funcionamento e propostas de actividades da BE.

 A BE fomenta e apoia a aquisição e desenvolvimento de métodos de trabalho e de estudo autónomos


Factores críticos de sucesso  A BE promove a utilização autónoma e voluntária da biblioteca como espaço de lazer e livre fruição dos
recursos;
INDICADORES C.1.2 Dinamização de actividades livres, de carácter lúdico e cultural na escola/agrupamento

 Os alunos encontram na BE um conjunto de propostas de actividades visando a utilização criativa dos


seus tempos livres, que lhes permitem desenvolver a sensibilidade estética e o gosto e interesse pelas
artes, ciências e humanidades;
 Os alunos usufruem de um programa de animação cultural, regular e consistente, traduzido num
conjunto de iniciativas, de que são exemplo: exposições, espectáculos, saraus de poesia, teatro,
concursos de Escrita Criativa, jogos, celebração de efemérides;
Pontos Fortes
 A BE promove Feiras do Livro;
 Encontro com autores e ilustradores;
 A BE promove e participa em actividades e concursos promovidos pelo PNL, RBE (ex.Semana da Leitura);
 Dinamiza actividades culturais e de abertura à comunidade;
 A BE participa/colabora, activamente, nas actividades culturais da Escola/Agrupamento;

Pontos Fracos  Os pais/encarregados de educação registam, ainda, uma envolvência ténue, nas actividades/projectos da
BE. É exemplo disso a Semana da Leitura e os Saraus de Poesia.

Factores críticos de sucesso  Os alunos descobrem na BE um agregado de propostas de actividades apontando para a utilização
criativa dos seus tempos livres, que lhes permitem desenvolver a sensibilidade estética e o gosto e
interesse pela Leitura, Artes, Ciências, História de Portugal e Universal;
 Os alunos desfrutam de um Programa de Animação da BE, mensal que concorre para um conjunto de
iniciativas. São exemplo disso: sessões de poesia/contos, exposições, espectáculos de teatro, concursos,
jogos, celebração de efemérides, outros…
INDICADORES C.1.3 Apoio à utilização autónoma e voluntária da BE como espaço de lazer e livre fruição dos recursos

 A BE dispõe de um horário que assegura o seu acesso a toda a comunidade educativa – cada turma tem
Pontos Fortes o seu dia da semana e hora, para frequência e utilização da BE;
 O horário da BE é assegurado pela professora bibliotecária e todos os docentes da escola;
 Os alunos adquirem hábitos de utilização da BE decorrente da formação de utilizadores;
 Todos os alunos, individualmente ou em pequenos grupos, usufruem livremente do espaço da BE, num
clima de respeito e descontracção;
 A BE dispõe de uma boa colecção na área da literatura infanto/juvenil;
 Os alunos utilizam computadores da BE para acederem à Internet e fazerem as suas pesquisas, as suas
leituras na Biblioteca de Livros Digitais, para escreverem, criarem textos seus, em poesia e/ou prosa,
para fruírem de todo o carácter didáctico que os computadores propiciam;
 A BE incentiva a aquisição de hábitos de leitura livre e o empréstimo domiciliário;
 A BE promove a itinerância de fundo documental entre as bibliotecas escolares do Agrupamento através
do projecto Biblioteca Itinerante – “Passear os Livros, melhorar o conhecimento”;
 Promove a utilização autónoma da BE como instrumento de lazer e de trabalho autónomo.

 A BE dispõe de uma fraca colecção ao nível dos jogos educativos, música e filmes de ficção;
Pontos Fracos  Falta de recursos humanos que assegurem o completo funcionamento da BE/CRE
 Apenas um computador, dos três que a BE detém, possui acesso à Internet;
 Regista-se falhas no acesso à Internet.

Factores críticos de sucesso  Os alunos beneficiam de acesso livre e permanente à BE;


 Os alunos adquirem hábitos de utilização livre da BE, cultivando um clima de liberdade, respeito e
descontracção;
 Os alunos dispõem de condições favoráveis à utilização individual e, em pequenos grupos, da BE;
 Os alunos usufruem de uma boa colecção na área da literatura infanto/juvenil
INDICADORES C. 1.4 Disponibilização de espaços, tempos e recursos para a iniciativa e intervenção livre dos alunos

 Os alunos trabalham, autonomamente, em projectos e actividades propostas pela BE;


Pontos Fortes  Os alunos escrevem notícias e textos em prosa e/ou verso decorrentes de propostas lançadas pela BE
que são publicadas nos jornais da localidade Lordelo Jornal e O Cónego

 Falta de um espaço físico, na BE, para o desenvolvimento das iniciativas dos alunos;
Pontos Fracos  Falta de pessoal para assegurar a presença dos alunos na BE, para o desenvolvimento de suas
actividades;
 Falta de computadores actualizados, na BE.
 Falhas na Internet

Factores críticos de sucesso  Os alunos são apoiados na criação de núcleos/ clubes onde podem promover e desenvolver a sua livre
expressão (produção de textos de Escrita Criativa, de notícias, sobre eventos desenvolvidos na escola, no
âmbito das actividades do PAA da escola e da BE e, que são remetidos aos jornais da localidade, para
publicação)
INDICADORES C. 1.5. Apoio às actividades de enriquecimento curricular (AEC) e actividades de animação e apoio à
família (AAAF), conciliando-as com a utilização livre da BE

 A BE divulga os seus recursos aos professores das AEC;


Pontos Fortes  A BE apoia os professores das AEC, na realização de actividades, disponibilizando recursos;
 A BE disponibiliza o seu espaço aos professores das AEC, para o desenvolvimento de actividades;
 A ocupação e utilização dos recursos da BE são rentabilizadas, em horário extra-lectivo, quer em
actividades livres, quer em AEC/AAAF.

 Nem todos professores das AEC tiram partido dos recursos da BE;
Pontos Fracos  Alguns professores não respeitam o regulamento da BE, ficando com o material requisitado muito
tempo e, até, perdendo material que não mais é reposto, apesar dos esforços desenvolvidos.

Factores críticos de sucesso


 A BE participa activamente nas AEC/AAAF organizadas pela escola ou outras entidades, assegurando as
actividades de que é responsável ou apoiando os outros docentes na sua concretização.
 A ocupação e utilização dos recursos da BE são rentabilizados em horário extra-lectivo, quer em
actividades livres, quer em AEC/AAAF.
 Horário da BE;
 Plano Anual de Actividades da BE
Evidências a  Registos de entrada autónoma e voluntária dos alunos na BE e, análise estatística destes dados, por
recolher/Instrumentos a utilizar período;
 Requisição domiciliária e estudo estatístico trimestral, por aluno, turma, ano de escolaridade, escolas do
Agrupamento; livro mais lido; melhor leitor;
 Aplicação da grelha de observação de utilização da biblioteca em contexto livre (C_GO5)
 Aplicação do questionário aos alunos QA3
 Grelha de avaliação do Plano Anual de Actividades da Escola/Agrupamento, das actividades dinamizadas
pela BE, por período;
 Trabalhos realizados pelos alunos;
 Registos de reuniões/encontros com a equipa sobre a preparação, o desenvolvimento e a avaliação das
actividades realizadas;
 Actas do Conselho Pedagógico;
 Registo fotográfico/vídeo de todas as actividades dinamizadas pela BE (exposições, comemoração de
efemérides, encontros com escritores/ilustradores, sessões de leitura, concursos, jogos,
participação/colaboração em actividades de carácter cultural da Escola/Agrupamento, entre outros);
 Página da BE na plataforma Moodle
 Blogue Biblioteclas;
 Utilizar diversos meios de comunicação e divulgação do programa de animação cultural da BE à
comunidade local (através dos pais/encarregados de educação, cartazes, imprensa local, página Web da
Escola/Agrupamento, página da BE na plataforma Moodle).
Levantamento de necessidades Verbas para cobrir despesas relacionadas com a dinamização de actividades

Intervenientes/amostras a  Equipa da BE
utilizar  Director
 Docentes
 Pessoal não docente
 Coordenadora Interconcelhia da Rede de Bibliotecas Escolares
 Pais/Encarregados de educação
 Alunos (o inquérito será aplicado a 10% do número de alunos em cada nível de escolaridade, de modo a
obter uma amostra representativa)
 Alunos – Aplicação da grelha de observação (C_GO5), mensalmente, por aluno e, em grupo de alunos, de
forma diferenciada, no 2.º e 3.º período, de modo a obter um quadro mais representativo

Acções para melhoria a  Melhorar a oferta de espaços, tempos e oportunidades para o desenvolvimento de actividades de
empreender leitura, investigação e estudo com alunos ou grupos;
 Reforçar a articulação com a áreas de Estudo Acompanhado e Apoio ao Estudo;
 Solicitar o envolvimento e colaboração dos pais e encarregados de educação (EE) e da comunidade na
organização e financiamento dos eventos.
 Promover acções para angariação de verbas que permitam um maior equilíbrio da colecção das áreas em
deficit (jogos educativos, CD’s de música e filmes de ficção)
 Melhorar os mecanismos de promoção de marketing da BE, divulgando junto da comunidade local;
 Promover acções de voluntariado para pais/encarregados de educação e alunos (convites para os
pais/encarregados de educação virem à BE ler ou contar uma história; criar uma Comunidade de
Leitores)
Limitações  Falta de verbas para equilíbrio da colecção, em todo o tipo de suporte;
 Falta de recursos humanos que garantam o funcionamento da BE/CRE, durante a hora de almoço.

Levantamento de necessidades  Recursos humanos necessários para assegurar o funcionamento da BE/CRE


 Reforço de verbas para aquisição de jogos educativos, CDs áudio, filmes de ficção…
CALENDARIZAÇÃO: Fases do Processo
Outubro de 2010
Seleccionar o domínio a avaliar juntamente com o órgão de gestão

Novembro de 2010
Proceder à selecção e adaptação dos instrumentos à biblioteca e às necessidades da escola, a utilizar na recolha de
evidências, definição da amostra
Dezembro de 2010
Divulgar, em Conselho Pedagógico, o PowerPoint sobre MAABE bem como o domínio a ser avaliado no presente ano lectivo –
Domínio C
Janeiro /Fevereiro de 2011
Primeira fase
Recolha de evidências
Aplicação do questionário aos alunos (QA3)
Aplicação da grelha de observação (C_GO5)

Março/Abril de 2011
Tratamento e análise dos dados obtidos no segundo período

Maio de 2011
Segunda fase
Recolha de evidências
Aplicação do questionário aos alunos (QA3)
Aplicação da grelha de observação (C_GO5)

Junho de 2011
Tratamento e análise dos dados recolhidos
Reflexão sobre os resultados obtidos na 1.ª e 2ª fase, conclusões
Registo no quadro ‐ síntese
Decisão sobre o nível de desempenho da BE
Julho de 2011 Elaboração do relatório de auto ‐ avaliação;
Comunicação dos resultados à Direcção da Escola/Agrupamento, Conselho Pedagógico, estendendo-se a toda a comunidade;
Definição de acções de melhoria a implementar no ano seguinte;
Divulgação dos resultados à comunidade educativa.
Relatório Final de auto-avaliação

De acordo com o previsto no modelo de auto-avaliação, o relatório final de avaliação dará uma visão global do funcionamento da BE e será discutido e
aprovado em Conselho Pedagógico, tal como o Plano de melhoria que vier a ser delineado. Este assumir-se-á como um instrumento de sistematização e de
difusão de resultados, a serem apresentados junto dos órgãos de gestão e de decisão pedagógica. A avaliação da BE deverá, ainda, celebrar ligações com a
avaliação da escola. “A auto-avaliação da biblioteca deve ser incorporada no processo de auto-avaliação da própria escola, dada a sua relação estreita com
a missão da escola e os objectivos do seu projecto educativo.” (in Modelo de auto-avaliação da biblioteca escolar)
Do relatório de avaliação da BE deverá transitar uma síntese que venha a integrar o relatório da escola permitindo à avaliação externa efectuada pela
Inspecção, avaliar o impacto da BE na escola, mencionando-a no relatório final de avaliação da escola.
A comunicação dos resultados da avaliação deverá fazer uso dos diferentes canais de comunicação da BE com o exterior.
Impacto esperado

Espera-se que a avaliação da BE conduza à reflexão e à mudança de práticas, que envolva, efectivamente, toda a escola e proporcione um melhor
conhecimento da BE. Pretende-se que, as acções de melhoria a implementar constituam um compromisso da escola e, que a cooperação e articulação
curricular se assumam e, tenha reflexos, nos resultados escolares dos alunos.

Levantamento de necessidades

Será necessária a colaboração dos professores e dos alunos, para a aplicação dos inquéritos.

Outras Limitações

A exigência do Modelo, a ausência de rotinas (recolha de evidências), o necessário compromisso dos órgãos de gestão, a disponibilidade dos alunos
e dos professores, poderá trazer alguns impedimentos na aplicação do modelo de auto-avaliação.
O rigor no preenchimento dos questionários e o eficaz funcionamento da plataforma Moodle serão essenciais para que o tratamento de dados e
resultados possam ser profícuos.
Conclusão

A avaliação não constitui um fim, devendo ser entendida como um processo que deverá conduzir à reflexão e originar mudanças
concretas na prática. A auto-avaliação deverá contribuir para a elaboração do novo plano de desenvolvimento, ao possibilitar a identificação
mais clara dos pontos fracos e fortes, o que orientará o estabelecimento de objectivos e prioridades, de acordo com uma perspectiva realista
face à BE e ao contexto em que esta se insere. Esse plano deve instituir-se como um compromisso da escola, na sua globalidade, já que um
melhor desempenho da Biblioteca Escolar irá beneficiar o trabalho de todos: docentes e alunos.
“A auto-avaliação da biblioteca deve ser incorporada no processo de auto-avaliação da própria escola, dada a sua relação estreita com
a missão da escola e os objectivos do seu projecto educativo.”

Bibliografia

Modelo de Auto-Avaliação da Biblioteca Escolar, Rede de Bibliotecas Escolares, 2010


Texto da Sessão - “O Modelo de Auto-Avaliação das Bibliotecas Escolares: metodologias de operacionalização (Parte I), Plataforma.