Você está na página 1de 24

Eletrotécnica

Material Teórico
Resistores e suas Associações

Responsável pelo Conteúdo:


Prof. Dr. Paulo Jorge Brazão Marcos

Revisão Textual:
Profa. Esp. Kelciane da Rocha Campos
Resistores e suas Associações

· O Resistor
· Associações Resistivas

Abordaremos os aspectos que envolvem o princípio de funcionamento e a


utilização dos resistores, sua identificação e as associações empregadas (série,
paralela e mista). A partir destes, iremos adquirir conhecimentos teóricos sobre
as leis e técnicas de análise elementares de circuitos, instalações e dispositivos
em corrente contínua e alternada.
Também iremos desenvolver visão analítica com relação à análise de
dispositivos, sistemas e equipamentos elétricos. Assim, você terá um
entendimento sobre como a eletricidade é criada e como ela pode ser
transmitida e utilizada.

Leia atentamente o conteúdo desta unidade, que lhe possibilitará conhecer os resistores,
realizar a sua identificação e compreender as suas associações (série, paralela e mista).
Você também encontrará nesta unidade uma atividade composta por questões de múltipla
escolha, relacionadas com o conteúdo estudado. Além disso, terá a oportunidade de trocar
conhecimentos e debater questões no fórum de discussão.
É extremante importante que você consulte os materiais complementares, pois são ricos em
informações, possibilitando-lhe o aprofundamento de seus estudos e o enriquecimento de
informações sobre este assunto.
Bons estudos!

5
Unidade: Resistores e suas Associações

Contextualização

De modo a iniciarmos os nossos estudos nesta unidade, convido você a refletir a respeito
da situação ilustrada a seguir. Trata-se de uma representação de um circuito elétrico. A figura
envolve, de maneira simplificada, os principais elementos que compõem um circuito: uma fonte
geradora, condutores, elementos receptores (ou cargas) e um interruptor.

experimentoscaseros.wikispaces.com
Oriente sua reflexão pelas seguintes questões:
• Como a eletricidade pode ser controlada?
• Que características elétricas podemos, efetivamente, alterar?
• Quais os fenômenos e as grandezas envolvidas?
• Quais os dispositivos necessários para o correto aproveitamento da eletricidade?
• Como deve ser uma instalação elétrica?

6
O Resistor

Diferentemente do exposto na nossa parte introdutória (UNIDADE I), a qual abordou


principalmente a formação de cargas elétricas – ELETROSTÁTICA – agora trataremos de
aspectos relacionados ao movimento de cargas elétricas, foco este denominado pelo que
conhecemos como ELETRODINÂMICA.
No final da UNIDADE I, também introduzimos o conceito de CORRENTE ELÉTRICA e de
RESISTÊNCIA ELÉTRICA, duas grandezas fundamentais para a compreensão do funcionamento
dos CIRCUITOS ELÉTRICOS.
E por falar neles, os diferentes circuitos eletroeletrônicos que encontramos em aparelhos,
máquinas, entre outros dispositivos, trabalham no sentido de controlar a tensão e ou a corrente
elétrica. E como, justamente, é feito esse controle? A melhor maneira é pela introdução de
componentes específicos que produzem o efeito de obstruir em maior ou menor grau a passagem
de corrente ou o desenvolvimento de uma determinada diferença de potencial. Estes são os
RESISTORES (MAMEDE, 2011, p. 350-358).

Thinkstock/Getty Images

Fig. 1. Placa de um circuito eletrônico onde é possível observar os resistores.

Independentemente da utilização e das configurações em que se apresentam, os resistores


são classificados em duas categorias principais (ALBUQUERQUE, 2007, p. 49):
(1) FIXOS: possuem valores de resistência constantes. Existem vários tipos de resistores fixos,
variando do tamanho quase microscópico (circuitos integrados) a resistores de alta potência,
que são capazes de dissipar muitos watts. Os tipos mais comuns são de carbono moldado, de
filme de carbono, de filme metálico, óxido metálico e de fio. A seguir, detalhamos a estrutura de
um resistor comercial de filme de carbono:

7
Unidade: Resistores e suas Associações

Fig. 2. Estrutura interna de um resistor comercial de filme de carbono.

Nos resistores de filme, o valor da resistência elétrica é ajustado através do desgaste controlado
da camada de material do filme depositado sobre um corpo cerâmico isolante. Isso significa
que, devido às propriedades condutoras do carbono (grafite), quando temos segmentos mais
largos, a resistência do componente como um todo será menor. Efetivamente, a relação entre o
carbono e o corpo cerâmico é que define a resistência do componente.

Diálogo com o Autor

O termo filme é utilizado para identificar, genericamente, uma camada fina de um determinado
material depositada sobre outro.

Para completar a estrutura do componente, são inseridos fios condutores metálicos nas
extremidades: são os terminais elétricos desse componente e por onde haverá a circulação de
corrente elétrica e ou a aplicação de tensão. Como última etapa, é aplicado um revestimento
isolante, formando o que é conhecido como encapsulamento.
Comparativamente, os resistores de carbono moldado são formados por um núcleo de carbono
misturado com um enchimento isolante, sendo que a proporção entre o carbono e o enchimento é
determinante para a resistência do componente. O comportamento elétrico, nesse caso, é equivalente
ao de filme de carbono apresentado anteriormente (ROBBINS & MILLER, 2010, p. 64).
Comercialmente, os resistores de carbono moldado são mais baratos e até mesmo fáceis de
serem fabricados; contudo, apresentam tolerâncias muito altas e suas resistências são inconstantes
por serem sensíveis à temperatura. O que isso significa, na prática? Significa, basicamente, que
não são componentes precisos (CAPUANO, 1997, p. 4). Nas aplicações onde é necessário se
ter um nível de precisão maior, utilizam-se resistores de filme de carbono, filme metálico ou
de óxido. Existem outras circunstâncias, associadas a fatores operacionais, que determinam a
escolha por um tipo específico de resistor.
O termo “tolerância” é muito utilizado para designar a variabilidade do valor de um
determinado parâmetro. Quanto maior a tolerância, maior a faixa de valores que o componente
pode apresentar. Por exemplo, se um resistor com o valor nominal de 1.000 Ohms apresenta
uma tolerância de 10 %, isso significa que o valor real de sua resistência poderá estar entre os
valores 900 e 1.100 Ohms.

8
Há, ainda, mais um aspecto a se considerar num resistor fixo. Na imagem da direita da Fig.
2, podemos observar que no encapsulamento do resistor há a presença de anéis coloridos
pintados ao longo do seu comprimento.
Essas faixas foram construídas com o intuito de identificar tanto o valor nominal (valor
impresso) da resistência elétrica de um resistor, quanto as características operacionais do
componente. Há muito tempo, costumava-se imprimir os valores no corpo dos componentes,
mas há o risco de serem apagados. Com a evolução da eletrônica, principalmente, houve a
redução no tamanho dos componentes, o que inviabilizou o método da impressão.
A codificação dos resistores com faixas coloridas é universal, sendo conhecida por código
de cores e foi estabelecida de modo que a leitura deve ser realizada da esquerda para a direita,
onde a esquerda do resistor é definida como a extremidade da qual as faixas estão mais perto
(ALBUQUERQUE, 2007, p. 52). Cabe ressaltar que o resistor é um dispositivo bilateral, ou
seja, ele opera do mesmo modo nas duas extremidades ou terminais elétricos que possui. Ele
não apresenta polaridade, portanto ele pode ser ligado literalmente de qualquer modo que o
funcionamento será o mesmo.
Tradicionalmente, a resistência dos resistores convencionais é marcada em seu corpo por
meio de 4 faixas coloridas. As duas primeiras faixas representam o primeiro e o segundo
algarismos do valor da resistência. A terceira faixa é conhecida por faixa multiplicadora ou fator
multiplicador e tem o significado da ordem de grandeza da resistência, ou seja, o número de
zeros que existem após os dois primeiros algarismos. A quarta e última faixa indica a tolerância
do resistor, ou seja, o grau de variação da resistência elétrica. Vejamos:

Fig. 3. Indicação da leitura do código de cores em resistores comerciais.

9
Unidade: Resistores e suas Associações

Vamos seguir o exemplo da Fig. 3. No primeiro resistor apresentado acima, a partir da esquerda,
temos as faixas verde, azul, amarelo e prata. Pela ordem, então, temos verde = 5, azul = 6,
amarelo = x10k ou 10.000 (já que o prefixo k – quilo - na notação de engenharia significa uma
potência de 103) e prata = ± 10%. Por consequência, tem-se um valor de 56x10.000 unidades
de resistência elétrica, que no Sistema Internacional de unidades é o ohm (Ω). Ou seja, temos
um resistor de 560.000 Ω ou, utilizando a notação de engenharia, 560 kΩ ± 10%. Veja: 10%
de 560.000 Ω correspondem a 56.000 Ω. Então, a tolerância nos informa que esse resistor pode
apresentar uma resistência entre 504.000 Ω (-10%) e 616.000 Ω (+10%).
Na iminência da quarta e última faixa não apresentar coloração, entende-se que está associada
a uma tolerância de ± 20%, a maior dentre todas as padronizadas pela tabela de código de cores.
Assim, podemos esquematizar a leitura da resistência nominal de um resistor comercial da
seguinte forma:

Fig. 4. Esquematização da leitura de um resistor comercial de 4 faixas.

Outro detalhe é que alguns fabricantes até implementam uma 5.a faixa, sendo esta associada
a uma característica denominada confiabilidade. Esta indica a confiabilidade prometida pelo
fabricante para o componente. Ela representa uma informação estatística do número esperado de
componentes que não mais terão o valor de resistência nominal após 1.000 horas de uso (padrão).
Por exemplo, se tivermos um resistor com confiabilidade de 1%, espera-se que, após 1.000 horas
de uso, não mais do que 1 resistor em 100 esteja fora do limite de resistência especificado, como
indicado nas quatro primeiras faixas dos códigos de cores (ROBBINS & MILLER, 2010, p. 67).
O que podemos verificar, portanto, é que a existência dessa faixa adicional está vinculada a
um controle de qualidade aprimorado. Contudo, nem todas as empresas adotam esse método
ou possuem tecnologia para tal.
Logo, a existência da 5.ª faixa colorida é mais comum em resistores de precisão, normalmente
constituídos por filme metálico, onde estes apresentam 3 faixas destinadas a identificar os
algarismos significativos que compõem o valor da resistência nominal (CAPUANO, 1997, p. 4).
Seguindo o segundo exemplo da Fig. 3, temos, a partir da esquerda, as faixas vermelha,
laranja, violeta, preta e marrom. Pela ordem, então, temos vermelho = 2, laranja = 3, violeta
= 7, preta = x1 (na notação de engenharia significa uma potência de 100) e marrom = ± 1%.
Por conseqüência, tem-se um valor de 237x1 ohms (Ω). Ou seja, temos um resistor de 237Ω ±
1%. Nesse caso, 1% de 237Ω corresponde a 2,37Ω. Então, a tolerância nos informa que esse
resistor terá a sua resistência entre 234,63 Ω (-1%) e 239,37 Ω (+1%).
Os valores nominais de resistência são padronizados, ou seja, não é possível encontrar
qualquer valor de resistência (ALBUQUERQUE, 2007, p. 53). Comercialmente, encontramos
resistores que seguem séries (EIA) que dependem da sua tolerância; são elas E6 (20%), E12
(10%) e E42 (5 e 1%).

10
A seguir, apresenta-se a simbologia utilizada para representar os resistores em circuitos elétricos:

Resistência

Resistência ajustável
Fig. 5. Simbologia utilizada para identificar resistores fixos e variáveis.

(2) VARIÁVEIS ou AJUSTÁVEIS: nestes, o valor da resistência varia dentro de um intervalo


estabelecido. Oferecem funções indispensáveis, úteis no dia a dia. São utilizados principalmente para
ajustar o volume de aparelhos de som e rádios, controlar o nível de iluminação em residências, etc.
Nos resistores variáveis, o valor nominal da resistência é obtido ao se ajustar ou girar um eixo
ou, ainda, ao deslizar uma alavanca.

Fig. 6. Mecanismo de funcionamento de um resistor variável comercial.

Isso é possível porque esses componentes possuem três terminais elétricos, dois deles fixados
às extremidades do material resistivo. O terminal central é ligado a um contato que se move pelo
material resistivo quando o eixo é girado por uma haste manualmente ou através de uma chave
de fenda. A resistência entre os dois terminais externos continuará constante, enquanto que a
resistência entre o terminal central e um desses dois irá se alterar de acordo com a posição do
contato (ALBUQUERQUE, 2007, p. 50):

Fig. 7. Representação da variação da resistência interna de um resistor variável em função da posição do contato móvel.

11
Unidade: Resistores e suas Associações

Através do esquema que apresentamos na Fig. 7, podemos afirmar, então, que a resistência
elétrica entre os terminais a e c equivale a:

Rac = Rba + Rbc (Eq. 1)

Os tipos mais comuns de resistores variáveis ou ajustáveis são os potenciômetros, os reostatos


e os varistores. De modo geral, esses resistores são empregados para controlar ou tensão ou
corrente, conforme apresentamos no início desta discussão.

Os potenciômetros são dispositivos utilizados para ajustar a tensão fornecida para um circuito.
Sua constituição física é exatamente como apresentamos na Fig. 6, podendo ser giratório (ou
multivoltas, como o da Fig. 6) ou deslizante, como mostrado abaixo:

Fig. 8. Potenciômetro comercial do tipo deslizante.

Já os reostatos são utilizados principalmente para ajustar a quantidade de corrente em um


circuito. Essa característica é possível porque pela constituição do dispositivo ele se torna uma
barreira que dificulta a passagem da corrente elétrica em seu elemento condutor. Como se tem
um único caminho para a circulação da corrente elétrica nesse dispositivo, a sua intensidade
não se altera (ROBBINS & MILLER, 2010, p. 66). Quando a corrente passa por um resistor,
perde-se energia elétrica, ou seja, há uma alteração do potencial elétrico, mas a intensidade da
corrente elétrica não se altera.

Fig. 9. Exemplo de reostato comercial.

12
Os reostatos podem ser divididos em dois tipos principais: os de variação contínua e os
de variação descontínua. Os reostatos de variação contínua apresentam uma resistência que
assume valores entre zero e um valor máximo específico. A sua resistência é dada pela relação
entre a resistência do condutor e o seu comprimento (ROBBINS & MILLER, 2010, p. 66). Na
sua constituição, podem apresentar diversas resistências ligadas em série. Já os reostatos de
variação descontínua assumem valores específicos, já que a sua construção ocorre com um
conjunto de resistências de valores determinados.
Os varistores são muito difundidos pela sua utilização como elemento de proteção de circuitos,
onde têm a função de proteger circuitos. Eles evitam os chamados surtos ou transientes de
tensão (sobretensão), como acontece nos filtros de linha.

Fig. 10. Visualização do aspecto de varistores comerciais.

Tradicionalmente, esses componentes são montados em paralelo com os circuitos que se


quer proteger, impedindo que surtos de tensão de pequena duração os afetem, uma vez que se
comportam como limitadores de tensão.
Contudo, outros tipos de resistores variáveis também podem ser encontrados. Nestes, que são
tratados como especiais, os valores das resistências elétricas são alterados por agentes físicos como a
temperatura (Termistor) ou por determinados comprimentos de onda de radiações eletromagnéticas,
como é o caso da luz visível (LDR – Light Dependent Resistor ou Resistor Dependente da Luz, que
pode ser considerado como um fotoresistor) (ROBBINS & MILLER, 2010, p. 68).

Associações Resistivas
A idéia básica que fundamenta uma associação de resistores é o fato de que os valores são
padronizados e, num circuito, muitas vezes necessitamos de valores de resistência diferentes.
Assim, por meio de associações específicas, é possível obter valores de resistência elétrica
adequados, onde alguns outros efeitos podem ser produzidos, tais como a divisão da tensão ou
da corrente elétrica (ALBUQUERQUE, 2007, p. 69). Esses efeitos tornam-se interessantes no
que diz respeito ao funcionamento do próprio circuito.

13
Unidade: Resistores e suas Associações

Uma associação ou rede resistiva é composta por um circuito formado por várias resistências
ligadas em série, paralelo ou de forma mista.

Diálogo com o Autor

Entende-se por associação mista uma combinação das associações em série e paralelo.

As associações ou redes resistivas possuem propriedades características (CAPUANO, 1997,


p. 27-28).

Se visualizarmos a Fig. 11 a seguir, independentemente da quantidade e da disposição das


várias resistências (resistores) possíveis, a fonte de tensão “enxerga” o circuito como um todo. Ou
seja, para a fonte de tensão, a intensidade de corrente elétrica que será entregue a esse conjunto
de resistores será a mesma. Isso significa que se todos esses resistores fossem substituídos por
uma única resistência equivalente (de valor Req), a fonte de tensão ou alimentação E fornecerá
exatamente a mesma corrente I ao circuito.

Fig. 11. Representação esquemática de uma associação de resistores ou rede resistiva e como a fonte de tensão a “enxerga”.

Chamamos, então, de resistor equivalente o elemento resistivo que pode substituir um


conjunto de resistores, sem que o resto do circuito apresente diferença. Como já apontamos
anteriormente, podemos recorrer a essas associações para provocar a divisão de uma tensão,
ou a divisão de uma corrente. Assim, podemos projetar e construir circuitos elétricos com
parâmetros de resistência, corrente e tensão controlada e dimensionada para as aplicações que
se fizerem necessárias.

Associação em Série
Dizemos que resistores estão em série quando a corrente que passa por um deles for a mesma
que passa pelos outros. Isso ocorre porque a corrente elétrica possui um único caminho para
circular, como mostramos a seguir.

14
Fig. 12. Representação esquemática de uma associação em série de resistores.

Nessa associação, tensão total V aplicada aos resistores se subdivide entre eles
proporcionalmente aos seus valores. Cada uma dessas subdivisões de tensão é denominada de
queda de tensão (ALBUQUERQUE, 2007, p. 70).
Observamos, então, que a soma das quedas de tensão nos resistores é igual à tensão total V
fornecida pela fonte:

V=VR1+VR2+ … + VRn (Eq. 2)

Onde: VR1 = R1 . I, VR2 = R2 . I, ..., VRn = Rn . I

Substituindo-se as quedas de tensão em cada resistor pela 1.ª Lei Ohm (Vi = Ri. I), tem-se:

V=R1.I+ R2 .I + … + Rn .I (Eq. 3)

Perceba que o valor da corrente I é comum em cada parcela de queda de tensão. Logo,
podemos colocá-lo em evidência:

V=I .(R1+ R2+ …+Rn) (Eq. 4)

Agora, se dividirmos o termo da tensão V pela corrente I, chegamos em:

V (Eq. 5)
= R1 + R2 +  + Rn
I
O resultado V / I corresponde à resistência equivalente Req da associação em série, isto é, a
resistência que a fonte de alimentação entende como sendo a sua carga:

Req=R1+ R2+ …+ Rn (Eq. 6)

Diálogo com o Autor

Usamos o termo CARGA para identificar qualquer elemento presente num circuito que drena
ou consome a corrente da fonte.

15
Unidade: Resistores e suas Associações

Se tivermos n resistores na associação exatamente com o mesmo valor de resistência, o valor


da resistência equivalente Req pode ser calculado como:

Req=n . R (Eq. 7)

Embora não tenhamos introduzido o conceito, ainda, a potência total fornecida pela fonte é
igual à soma das potências dissipadas por cada resistor, tal qual a tensão.

Associação em Paralelo
Numa associação em paralelo, a tensão em todos os resistores é a mesma, sendo que é a
corrente que se divide. Isso é possível porque as várias partes do circuito, que chamamos de
ramos, estão ligadas aos mesmos pontos e a corrente pode circular por mais de um caminho,
como se mostra a seguir:

Fig. 13. Representação esquemática de uma associação em paralelo de resistores.

Nesse tipo de associação, os resistores estão ligados de tal forma que a tensão total V aplicada
ao circuito seja a mesma em todos os resistores e a corrente total I se subdivida entre eles de
forma inversamente proporcional aos seus valores (CAPUANO, 1997, p. 29).

A soma das correntes nos resistores é igual à corrente total I fornecida pela fonte:

I=I1+I2+ …+ In (Eq. 8)

Onde I1 = V / R1, I2 = V / R2, ..., In = V / Rn

Substituindo-se os valores das correntes nos resistores pela 1.a Lei de Ohm (I = V / R), tem-se:
V V V
I= + ++ (Eq. 9)
R1 R2 Rn

Rearranjando cada termo fracionário da Eq. 9, temos:


V V 1
I = V. + +  + V. (Eq. 10)
R1 R2 Rn

16
Dividindo-se a corrente I pela tensão V, chegamos a:

I 1 1 1 (Eq. 11)
= + ++
V R1 R2 Rn

Esse resultado corresponde à condutância equivalente (G) da associação (ROBBINS &


MILLER, 2010, p. 72). Invertendo-se esse valor, obtém-se, portanto, a resistência equivalente
Req que a fonte de tensão entende como sendo a sua carga:

1 1 1 1 (Eq. 12)
= + ++
Req R1 R2 Rn

Se tivermos i resistores de igual valor ligados em paralelo, a resistência equivalente pode ser
calculada através de uma equação mais simples:
R
Req = (Eq. 13)
n

No caso específico de termos dois resistores em paralelo, a resistência equivalente pode ser
calculada por uma equação mais simples:

1 1 1 (Eq. 14)
= +
Req R1   R2

Resolvendo a soma de frações, temos:

1 R + R2 (Eq. 15)


= 1
Req R1 . R2

Tomando-se, agora, o inverso da Eq. 15, chegamos a:


R1 .R2
Req = (Eq. 16)
R1 + R2

Da mesma forma que na associação em série, numa associação em paralelo, a potência total
fornecida pela fonte é igual à soma das potências dissipadas pelos resistores.

Associação Mista
Numa associação mista, existem resistores ligados tanto em série quanto em paralelo no
mesmo circuito. Diferentemente dos casos anteriores, não podemos expressar sua análise através
de uma única fórmula para chegarmos ao valor da resistência equivalente (ALBUQUERQUE,
2010, p. 81-82).

17
Unidade: Resistores e suas Associações

Fig. 14. Exemplo de uma associação mista de resistores.

O que existe, de fato, é um método de resolução, no qual se resolvem as associações em série


e em paralelo possíveis, de modo a se reduzir o circuito, o qual é equivalente ao original. Repete-
se a operação tantas vezes quanto for necessário, até se chegar a um único valor de resistência.

Na possibilidade de haver, em algum ponto de um circuito, um condutor sem resistência


elétrica ligado aos polos de um dispositivo, dizemos que este está ligado em curto-circuito. Veja
o circuito a seguir:

Fig. 15. Esquematização de uma associação resistiva contendo ligações em curto-circuito.

Os pontos B, C, D e E são ligados por condutores sem resistência elétrica e consequentemente


possuem o mesmo potencial elétrico. Os resistores que ligam esses pontos entre si estão em
curto circuito e, portanto, não funcionam.

Fig. 16. Representação da eliminação dos resistores em curto-circuito.

18
O curto-circuito também pode ser entendido como sendo o caminho de menor resistência
dentro de um circuito, e a corrente elétrica sempre irá procurar esse caminho. A figura a seguir
nos mostra o esquema do circuito após a retirada dos resistores que não funcionam, permitindo
verificar facilmente que o circuito se resume em 3 resistores em paralelo.

Fig. 17. Representação da configuração final do circuito, após a eliminação dos resistores em curto-circuito.

Agora, para se encontrar o valor da resistência equivalente, basta aplicar o método de


resolução correspondente à associação em paralelo.

19
Unidade: Resistores e suas Associações

Material Complementar

Existem muitos títulos bons envolvendo o tema sobre resistores e as suas associações. Para
complementar os conhecimentos adquiridos nesta unidade, sugerimos as seguintes obras:

Explore
• Análise de circuitos em engenharia, de J. David Irwin, Editora Makron Books, 2000, 848 p.;
• Análise de circuitos em engenharia, de William Hart Hayt Jr., Editora MacGraw-hill do Brasil,
2008, 826 p.;
• Circuitos elétricos: corrente contínua e corrente alternada: teoria e exercícios, de Otávio
Markus, Editora Érica, 2011, 303 p.;
• Curso de circuitos elétricos, de Luiz de Queiroz Orsini, Editora Egard Blucher, 1994-1998 (2v.);
• Introdução à análise de circuitos, de Robert L. Boylestad, Editora Pearson Prentice Hall,
2012, 959 p.

Eles enriquecerão sua compreensão sobre os aspectos da estruturação dos circuitos elétricos
a partir dos resistores.
Bom estudo!

20
Referências

ALBUQUERQUE, R. O. Elementos de circuito elétrico. In: Análise de circuitos em corrente


contínua. 21a ed. São Paulo, Brasil: Editora Érica Ltda., 2008. 192 p.

CAPUANO, F. G; MARINO, M. A. M. Resistores e código de cores. In: Laboratório de


eletricidade e eletrônica. 10a ed. São Paulo, Brasil: Editora Érica Ltda., 1997. 304 p.

MAMEDE FILHO, J. Materiais elétricos. In: Instalações elétricas industriais. 8a ed. Rio de
Janeiro, Brasil: LTC Editora Ltda., 2011. 914 p.

ROBBINS, A. H.; MILLER, W. C. Resistência. In: Análise de circuitos elétricos. Vol I: teoria
e prática. 4a ed. São Paulo, Brasil: Cengage learning, 2010. 611 p.

21
Unidade: Resistores e suas Associações

Anotações

22
www.cruzeirodosulvirtual.com.br
Campus Liberdade
Rua Galvão Bueno, 868
CEP 01506-000
São Paulo - SP - Brasil
Tel: (55 11) 3385-3000