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Eletrotécnica

Material Teórico
Geração e distribuição de energia

Responsável pelo Conteúdo:


Prof. Dr. Paulo Jorge Brazão Marcos

Revisão Textual:
Profa. Esp. Kelciane da Rocha Campos
Geração e distribuição de energia

· Potência e energia elétrica


· Geração de energia elétrica
· Distribuição de energia elétrica

Nesta unidade, abordaremos os aspectos envolvidos na geração e distribuição


de energia elétrica.
O principal objetivo desta unidade é desenvolver conhecimentos a respeito
da geração de energia, sua relação com potência e trabalho, essenciais
para o entendimento das máquinas elétricas. Uma vez gerada, também é
importante que tenhamos a compreensão de como a energia é distribuída
em rede. Dessa forma, você terá um entendimento sobre como a energia
elétrica é criada, distribuída e permite o funcionamento dos mais variados
aparelhos ou dispositivos por meio de seus circuitos elétricos.
Em materiais didáticos você encontrará o conteúdo e as atividades propostas
para o tema de geração e distribuição de energia.

Leia atentamente o conteúdo desta unidade, que lhe possibilitará conhecer os processos e
fenômenos envolvidos na geração e distribuição de energia.
Você também encontrará nesta unidade uma atividade composta por questões de múltipla
escolha, relacionadas com o conteúdo estudado.
É extremante importante que você consulte os materiais complementares, pois são ricos em
informações, possibilitando-lhe o aprofundamento de seus estudos e o enriquecimento de
informações sobre este assunto.

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Unidade: Geração e distribuição de energia

Contextualização

Caro(a) aluno(a),
De modo a iniciarmos os nossos estudos nesta unidade, convido você a refletir a respeito da
situação ilustrada a seguir. Trata-se de uma imagem da usina hidrelétrica de Itaipu, no estado do
Paraná, na fronteira entre o Brasil e o Paraguai. A imagem não apresenta todos os componentes
envolvidos na geração e distribuição de energia, mas permite que se tenha uma noção do processo.
Fonte: Wikimedia Commons

Oriente sua reflexão pelas seguintes questões:

– O que é, de fato, energia?


– O que é necessário para a sua produção?
– Quais são as suas características?
– Ela pode ser transmitida? Como?

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Potência e energia elétrica

Para falarmos de geração e distribuição de energia elétrica, é fundamental que se defina


inicialmente o que é energia. Por outro lado, também não se pode falar sobre energia elétrica
sem deixar de tratar de potência. Como veremos, há uma associação direta entre esses conceitos.
O conceito de potência não nos é distante; muito pelo contrário, ele nos é bastante familiar.
Quando, por exemplo, compramos uma lâmpada, qual parâmetro nos orienta em relação à sua
capacidade de iluminação? É a sua potência. De modo geral, verificamos que dispositivos como
as lâmpadas e vários tipos de eletrodomésticos (que são máquinas, efetivamente) apresentam
os valores de potência em watts. Motores costumam representar o valor da sua potência em
cavalo-vapor (ou watts), sendo ambos unidades de potência.
Tecnicamente, quanto maior for a potência num dispositivo ou componente, maior é a
quantidade de energia que podemos extrair dele por unidade de tempo (CAPUANO, 1997, p.
23). Esse é o caso direto da lâmpada, como mostra a Fig. 1:

Fig. 1. Comparativo do brilho de lâmpadas em função da sua potência.

Ou seja, quanto maior o valor da potência da luz, maior é a energia luminosa que a lâmpada
pode produzir por unidade de tempo. Esse raciocínio pode ser extrapolado para outras situações.
Se pensarmos num secador de cabelo, quanto maior a sua potência, maior será a quantidade
de calor que o secador pode produzir por unidade de tempo. Na Fig. 2 mostra-se a estrutura de
um aparelho desse tipo.

Fig. 2. Estrutura de um secador de cabelo.

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Unidade: Geração e distribuição de energia

Motores elétricos também são dispositivos especificados em função da potência desenvolvida,


sendo que quanto maior o seu valor, maior o trabalho mecânico que pode realizar por unidade
de tempo.

Fig. 3. Estrutura de um motor elétrico comercial.

Em todos esses exemplos, fica visível que a potência dos dispositivos está associada à
quantidade de energia empregada, a qual, por sua vez, se associa com a capacidade de realizar
trabalho. Fisicamente, o trabalho é a medida da energia transferida pela aplicação de uma
força ao longo de deslocamento ou trajetória (HALLIDAY, 1994, p. 117-129). Em engenharia,
a potência é entendida como sendo a taxa de realização de trabalho (elétrico, mecânico, etc.)
ou a taxa de transferência de energia. Então, podemos considerar que trabalho e energia são
sinônimos. O símbolo para a potência é a letra maiúscula P, sendo que a definimos como:

W
P=
t (Eq. 1)
Onde W é a quantidade de trabalho realizada (ou energia) medida em joules (J) e t é o
intervalo de tempo correspondente em segundos (s). Pela Eq. 1, verificamos a relação joule por
segundo, a qual corresponde a 1 watt (W), em homenagem ao engenheiro escocês James Watt
(1736-1819). Eventualmente, como no caso dos motores, é comum encontramos a unidade
cavalo-vapor (cv), que equivale a 735,5 W. Há também a unidade inglesa HP (horse-power),
que equivale a 746 W.
Na UNIDADE I – Fundamentos da eletricidade – definimos a grandeza diferença de potencial
elétrico (também denominada de tensão elétrica) criada entre dois pontos quaisquer. Nesse
caso, a quantidade de energia necessária para separar as cargas depende da tensão gerada e da
quantidade de carga deslocada. Assim, definiu-se que 1 volt (1 V) de tensão é criado quando se
consome 1 joule (1 J) de energia para deslocar 1 coulomb (1 C) de carga elétrica de um ponto
ao outro:
W
V=
Q (Eq. 2)
Além desse, também foi apresentado o conceito de corrente (I), a qual se associa com a taxa
de transferência de cargas (Q):
Q
I= (Eq. 3)
t
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Se isolarmos W na Eq. 2, teremos que W = V . Q. Se substituirmos o valor de W na Eq. 1,
temos que a potência P = Q . V / t. Contudo, pela Eq. 3, a relação Q / t é a própria corrente
elétrica I. Então, podemos definir potência, em termos elétricos, como:

P = V .I (Eq. 4)
Imagine que tenhamos um aquecedor elétrico, o qual está representado pelo circuito
esquemático a seguir:

Fig. 4. Circuito simplificado de um aquecedor elétrico.

Essa esquematização ilustra uma situação tipicamente comum. No caso, o aquecedor está
ligado à rede elétrica residencial, cuja tensão é da ordem de 127 V (perceba, inclusive, que o
símbolo para fonte de alimentação foi alterado, justamente por não ser uma fonte de tensão
contínua). A resistência do aparelho possui um valor de 12 Ω. Para podermos calcular a potência
desse aquecedor, necessitamos do valor da corrente elétrica I que circula pela resistência. Então,
precisamos aplicar a 1.a Lei de Ohm:

V=R.I → I=V/R
I = 127 V / 12 Ω → I = 10,6 A

E, aplicando a Eq. 4, temos:

P=V.I → P = 127 V . 10.6 A


P = 1.346,2 W

Esse exemplo de uma aplicação contendo uma resistência nos faz pensar sobre o papel
dos bipolos que constituem os circuitos elétricos. Como já foi visto, um bipolo elétrico é um
dispositivo ou componente que transforma energia elétrica. A quantidade de energia trocada
por unidade de tempo, ou potência, depende então da tensão desenvolvida entre os seus
terminais e da intensidade da corrente que o percorre. Se o bipolo é um gerador, então a Eq.
4 nos permite calcular a potência fornecida ao circuito elétrico. Se, por outro lado, o bipolo for
um receptor, como é o caso de uma resistência, a Eq. 4 nos fornece a potência elétrica recebida
do resto do circuito.

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Unidade: Geração e distribuição de energia

No caso de um condutor, quando este é percorrido por uma corrente elétrica no seu
interior, acaba por desenvolver certo nível de aquecimento, proporcional ao nível de corrente.
Isso acontece porque os elétrons livres se chocam contra os átomos do material condutor,
já que uma corrente elétrica representa um fluxo ordenado de elétrons entre dois pontos do
condutor. Essa transformação de energia elétrica em calor é denominada de Efeito Joule. No
caso, dizemos que um resistor (ou uma resistência) é um bipolo passivo, pois dissipa em calor
toda a energia que recebe. Essa potência dissipada em calor é, na verdade, a própria potência
elétrica e é calculada pela Eq. 4.
Se considerarmos a 1.a Lei de Ohm, que estabelece que V = R . I, podemos substituir o
termo da tensão elétrica, V, da Eq.4, que multiplicado pelo termo I que sobra resulta em:

P=R .I2 (Eq. 5)

Equação esta que também é conhecida como Lei de Joule, em homenagem ao físico britânico
James Prescott Joule (1818-1889) (ALBUQUERQUE, 2006, p. 56).

Diálogo com o Autor

A Lei de Joule é uma lei física que expressa a relação entre o calor gerado e a corrente elétrica que
percorre um condutor ao longo de um determinado intervalo de tempo. Muitas aplicações estão
fundamentadas nesse fenômeno.

A determinação da potência tem implicações tecnológicas importantes. Além de determinar a


taxa de transferência de energia, a potência se torna um parâmetro de especificação, por exemplo,
de componentes como os resistores, uma vez que estes devem ser capazes de dissipar o calor com
segurança e sem nenhum tipo de dano. Nesse sentido, então, é comum selecionar componentes
capazes de dissipar duas ou mais vezes a potência calculada, de modo a operar mais frio.
Para circuitos com uma fonte e uma carga, a energia circula da fonte para a carga, e a direção
da transferência de potência torna-se óbvia. Contudo, para circuitos com múltiplas fontes e
cargas, no entanto, a direção do fluxo de energia em algumas partes do circuito pode não ser
evidente. Logo, é importante que se estabeleça uma convenção definida para a transferência de
potência (ROBBINS, 2010, p. 91-96).

Fig. 5. Representação esquemática da convenção para a direção da potência.

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A direção da corrente e a polaridade da tensão desempenham um papel importante na
determinação do sinal da potência. Para tanto, utilizaremos como exemplo uma carga resistiva,
representada por meio da Fig. 5.
Como a direção do fluxo da potência só pode estar sobre o resistor e nunca fora dele (uma
vez que este componente não gera energia), definimos que a direção positiva da transferência
de potência se dá quando ela sai da fonte para a carga, como exposto na Fig. 5(a), e a indicamos
como: P → . Adota-se, então, a seguinte convenção: para as polaridades relativas da tensão
e para as direções da corrente e potência mostradas na Fig. 5(a), quando a transferência de
potência ocorre na direção da seta, diz-se que ela é positiva; quando ocorre na direção oposta
à seta, ela é negativa.
Ao observar a Fig. 5(b), que destaca a extremidade do lado da fonte de alimentação, podemos
verificar que a potência de saída da fonte é positiva quando as setas que indicam a corrente e
a potência apontam para fora da fonte, quando I e P têm valores positivos, e a tensão da fonte
tem a polaridade indicada.
Agora, quando observamos a Fig. 5(c), a qual destaca a terminação da carga, observamos a
polaridade relativa da tensão sobre a carga em direção das setas da corrente e da potência. Vemos
que a potência da carga é positiva quando as setas da corrente e da potência apontam para a
carga, a corrente e a cargas têm valores positivos, e a tensão da carga tem a polaridade indicada.
Quando definimos que a potência envolve a taxa de realização de trabalho, tomamos como
referência a Eq. 1. Se isolarmos o termo referente ao trabalho ou energia, W, temos:

W = P.t (Eq. 6)

Então, se t é medido em segundos (s) e P em watts, W assume unidades de watt-segundo (ou


joules, J); se t for medido em horas, W tem valores medidos em watt-horas (Wh). Para que essas
afirmações sejam verdadeiras, o termo referente à potência na Eq. 6 deve ser constante durante
o intervalo de tempo considerado (HALLIDAY, 1994, p. 105). Na eventualidade de não ser, a
equação deve ser utilizada em cada intervalo de tempo durante o qual P é constante.
Essa consideração incide diretamente na cobrança do consumo de energia. A expressão
da Eq. 6 é utilizada para calcular a energia elétrica consumida por circuitos eletroeletrônicos,
equipamentos eletrodomésticos, lâmpadas e máquinas elétricas. Nas residências, o consumo é
devido principalmente ao uso dos eletrodomésticos e luzes. No quadro de distribuição de energia
elétrica de uma residência, prédio ou indústria, há um medidor de energia, como apresentado
na Fig. 6, que indica constantemente a quantidade de energia que está sendo consumida.
Mensalmente, a empresa concessionária faz a leitura da energia elétrica consumida, calculando
a tarifa correspondente a ser paga pelo usuário.

Fig. 6. Relógio medidor de energia elétrica consumida. Variações: (a) analógica e (b) digital.
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Unidade: Geração e distribuição de energia

Vejamos: se uma lâmpada de 60 W funcionar durante 1 h, a energia consumida será, de acordo


com a Eq. 6, W = P . t = (60 W) . (1h) = 60 Wh; se um aquecedor elétrico de 1.200 W trabalhar
durante 12 h, a energia consumida será W = (1.200 W) . (12 h) = 14.400 Wh. Então, para as
múltiplas cargas que se fizerem presentes, a energia total é a soma da energia das cargas individuais.

Diálogo com o Autor

Dependendo da aplicação, o watt-hora (Wh) é uma unidade muita pequena para mensurar toda a
magnitude de consumo. É o caso do consumo de energia elétrica em residências, indústrias e comércio,
onde as ordens de grandeza são superiores. A unidade de medida utilizada, nesses casos, é o quilowatt-
hora (kWh). No caso específico da quantidade de energia elétrica produzida por usinas hidrelétricas,
termoelétricas ou mesmo nucleares, a unidade de medida utilizada é o megawatt-hora (MWh).

Geração de energia elétrica


As fontes de energia são de extrema importância em nossa sociedade atual. Por meio da
energia, a humanidade consegue cozinhar seus alimentos, aquecer e iluminar ambientes,
refrigerar substâncias, promover o funcionamento de meios de transporte, máquinas industriais,
entre outros vários processos.
Foi por meio das revoluções industriais e da intensificação do processo de urbanização que
ocorreu um aumento extraordinário na utilização das diversas fontes energéticas. Pelo atual nível
tecnológico da nossa atual sociedade, a demanda por energia é cada vez maior. Diante desse
cenário, o consumo de energia aumentou de forma significativa, fato que tem gerado grandes
problemas socioambientais. Isso ocorre porque a maioria das fontes utilizadas é de origem fóssil,
como é o caso do carvão, gás natural e petróleo. A sua queima libera vários gases responsáveis
pela poluição atmosférica, pelo efeito estufa, contaminação dos recursos hídricos, entre outros
fatores nocivos ao meio ambiente.
Por esses motivos, têm sido feitos investimentos em pesquisas que objetivam o desenvolvimento
de fontes energéticas renováveis e limpas. Dentre elas, podemos citar a hidráulica (das águas), a
solar (proveniente do sol), eólica (dos ventos), a maremotriz (das marés), de biomassa (matéria
orgânica), entre outras. Essas fontes, além de serem encontradas em abundância na natureza,
geram menos impactos ambientais.
Dados do balanço energético nacional, feitos pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE –
https://ben.epe.gov.br), órgão vinculado ao Ministério de Minas e Energia, coletados em 2013 e
apresentados em 2014, mostram que a matriz energética brasileira é composta por:
– 41,1 % de fontes de energia renováveis: sendo 16,1 % relacionados ao uso de biomassa,
12,5 % à hidráulica1 (hidrelétrica), 8,3 % à lenha e carvão vegetal e 4,2 % relacionados a outras
fontes, como a solar, eólica, entre outras;

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– 58,9 % de fontes energéticas não renováveis: sendo 39,3 % relacionados ao uso do petróleo
e derivados, 12,8 % a gás natural, 5,6 % a carvão mineral e 1,2 % relacionado ao uso do urânio
pela indústria nuclear.
Essas informações confirmam o uso predominante dos combustíveis fósseis no nosso país
e mostram que muito trabalho precisa ser feito para mudar esse quadro. Outra informação a
se considerar foi a redução no porcentual da fonte de energia hidráulica (5,4 % em relação
a 2012), devido a uma diminuição da sua oferta, seja por falta de investimentos (que não
acompanharam a demanda) como pela redução dos reservatórios em algumas regiões do país.
Historicamente, a energia hidroelétrica ou hidrelétrica é a principal fonte de energia utilizada
para a produção de eletricidade no país. Atualmente, 90 % da energia elétrica consumida no
país advêm de usinas hidrelétricas, enquanto a média no mundo é em torno de 16 %. Apesar
disso, dados apontam que o país só utiliza 25 % do seu potencial hidráulico. Além do mais, o
Brasil ainda importa parte da energia hidroelétrica, sendo uma parte relacionada à propriedade
paraguaia da Usina Binacional de Itaipu e outra relacionada à compra de eletricidade produzida
pelas usinas de Garabi e Yaciretá na Argentina. A seguir, apresenta-se a relação das principais
usinas hidrelétricas do Brasil:
TABELA 1. Relação das principais usinas hidrelétricas do Brasil.

Rio/Sistema
Usina Capacidade (MW)
hidrográfico
Itaipu Paraná 14.000
Tucuruí Tocantins 8.370
Ilha Solteira Paraná 3.444
Xingó São Francisco 3.162
Foz do Areia Iguaçu 2.511
Paulo Afonso São Francisco 2.462
Itumbiara Paranaíba 2.082
Teles Pires Teles Pires 1.820
São Simão Paranaíba 1.710
Jupiá Paraná 1.551
FONTE: www.mundoescola.com/geografia/fontes-energia-brasil.htm

Diálogo com o Autor


Entende-se por matriz energética o conjunto de fontes que desenvolvem a energia ofertada à
sociedade, principalmente para produzir bens e serviços.

E como funciona uma usina hidrelétrica?


Vamos exemplificar o seu funcionamento a partir da análise da Fig. 7.

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Unidade: Geração e distribuição de energia

Fig. 7. Estrutura de uma usina hidrelétrica.


Segundo a ELETROBRAS (Centrais Elétricas Brasileiras S. A.), uma usina hidrelétrica pode
ser definida como um conjunto de obras e equipamentos cuja finalidade é a geração de energia
elétrica através do aproveitamento do potencial hidráulico existente num rio.
O potencial hidráulico é proporcionado pela vazão hidráulica e pela concentração dos
desníveis existentes ao longo do curso de um rio. Isso pode acontecer das seguintes maneiras:
• de forma natural, quando o desnível está concentrado numa cachoeira;
• através de uma barragem, quando pequenos desníveis são concentrados na altura da barragem;
• através de desvio do rio de seu leito natural, concentrando-se os pequenos desníveis
nesse desvio.
Estruturalmente, uma usina hidrelétrica compõe-se das seguintes partes:
• barragem;
• sistemas de captação e adução de água;
• casa de força (onde estão as turbinas e os geradores);
• sistema de restituição de água ao leito natural do rio.
Cada parte se constitui em conjunto de obras e instalações projetadas para operar, com
eficiência, de maneira integrada. A água captada no lago formado pela barragem é conduzida
até a casa de força através de canais, túneis e/ou condutos metálicos. Após passar pela turbina
hidráulica, na casa de força, a água é restituída ao leito natural do rio, através do canal de fuga.
Fonte: Wikimedia Commons

Fig. 8. Imagem aérea da usina de Itaipu, a maior usina hidrelétrica do Brasil, localizada no
rio Paraná, na fronteira entre Brasil e Paraguai.
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Assim, a potência hidráulica é transformada em potência mecânica quando a água passa pela
turbina, fazendo-a girar e, no gerador que gira acoplado mecanicamente à turbina, a potência
mecânica é transformada em potência elétrica.
A energia gerada dessa maneira é conduzida através de cabos ou barras condutoras dos
terminais do gerador (barramento) até um transformador elevador onde tem sua tensão
(diferença de potencial) elevada para a correta condução, através das linhas de transmissão,
rumo aos centros de consumo. Nestes, por meio de transformadores abaixadores, a energia tem
sua tensão levada a níveis adequados para utilização pelos consumidores.
Nesse processo de transmissão de energia até os centros consumidores, as linhas de transmissão
são distribuídas por longas distâncias e ficam sujeitas ao efeito Joule. Por esse motivo é que
a transmissão de energia ocorre com a utilização de tensões elevadas. Esse mesmo detalhe
também é responsável pela utilização de tensões de 220 e 440 V em zonas rurais, enquanto que
nas urbanas encontramos até 220 e 380 V. A maior tensão permite a obtenção de uma corrente
menor para uma mesma potência elétrica, segundo a Eq. 4, e que se desperdice menos energia
pelo efeito Joule. Além disso, utilizam-se cabos mais finos em seção reta, permitindo uma
economia de material condutor e com as estruturas de sustentação (torres), além da significativa
redução de peso.

Fig. 9. Torre de sustentação das linhas de transmissão de energia.

Um transformador é um dispositivo eletromagnético utilizado para transmitir


energia de um circuito a outro. Ele é constituído por dois enrolamentos
(primário e secundário) que, utilizando um núcleo em comum, converte
primeiro energia elétrica em magnética e depois energia magnética em elétrica.
Essa transformação ocorre por indução eletromagnética e é utilizada para
adequar valores de tensão e corrente nos circuitos elétricos correspondentes. Os
transformadores só operam com sinais alternados, pois nestes ocorre variação
de fluxo magnético essencial para o fenômeno de indução.

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Unidade: Geração e distribuição de energia

Distribuição de energia elétrica


Para entendermos como ocorre o processo de distribuição de energia, que tem sua origem na
própria usina geradora, temos que compreender como a energia é controlada.
Sabemos que são utilizados geradores nas usinas e que estes se interligam a condutores, os
quais se distribuem para as diferentes regiões de um país transportando cargas elétricas. Na
verdade, como os cabos de energia são submetidos a tensões elétricas elevadíssimas, os níveis de
corrente são diretamente proporcionais, de acordo com a 1.a Lei de Ohm. Os circuitos elétricos,
sejam de aparelhos simples, como uma lanterna, assim como de aparelhos mais complexos,
como um computador, trabalham com tensões e correntes CONTÍNUAS e ALTERNADAS.
Uma corrente é considerada CONTÍNUA (simbolizada por CC ou DC, do inglês Direct
Current) quando o fluxo de elétrons passa pelo fio de um circuito sempre no mesmo sentido, ou
seja, é sempre positiva ou sempre negativa, circulando no sentido do pólo positivo para o pólo
negativo, se considerarmos o sentido convencional da corrente. Isso significa que esse tipo de
sinal elétrico mantém a mesma POLARIDADE ao longo do tempo (ALBUQUERQUE, 2013, p.
29). Tal comportamento está representado na Fig. 10.

Fig. 10. Representação esquemática de um sinal de corrente contínua.

É importante que seja ressaltado que não apenas a polaridade se mantém constante ao
longo do tempo, como também a intensidade do sinal. Logo, quando a corrente possui tanto
a polaridade como a intensidade constantes ao longo do tempo, é denominada de corrente
contínua constante.
A maior parte dos circuitos eletrônicos trabalha com corrente contínua. Pilhas e baterias são
exemplos de geradores de corrente contínua; logo, os circuitos que por elas são alimentados
apresentam características compatíveis. Também existem geradores comerciais e industriais de
corrente contínua para aplicações específicas.
Contudo, em algumas situações, embora não haja alteração no seu sentido, uma corrente
contínua pode sofrer alterações ao longo do tempo. Logo, não teremos necessariamente valores
constantes entre duas medidas tomadas em diferentes intervalos de tempo. Então, temos a
chamada corrente contínua pulsante (BOYLESTAD, 2012, p. 420), e seu comportamento está
representado na Fig. 11.

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Fig. 11. Representação esquemática de um sinal de corrente contínua pulsante.

Essa forma de corrente é encontrada em circuitos retificadores (ou transformadores,


conversores) de corrente alternada em corrente contínua.
Um último tipo de comportamento pode ser encontrado nos sinais elétricos. A chamada
CORRENTE ALTERNADA (simbolizada por CA ou AC, do inglês alternating current) caracteriza-
se por um sinal que apresenta variação, tanto de POLARIDADE como de INTENSIDADE ao
longo do tempo (HALLIDAY, Vol. 3, 1994, p. 277-287).

Fig. 12. Representação esquemática de um sinal de corrente alternada.

Essa variação simultânea nos dois parâmetros está associada com a maneira como a energia
é gerada na usina que fornece energia. Dependendo de como essa variação ocorre, há diversas
formas de sinais alternados: senoidal, quadrada, triangular, etc.
É importante ressaltarmos que todas essas características que foram citadas para a corrente
elétrica também são encontradas na tensão, ou seja, esta também pode ser contínua ou alternada.
O sinal apresentado na Fig. 12 e o que é gerado pelas usinas hidrelétricas, termoelétricas e
nucleares no Brasil e é transmitido até as nossas residências é do tipo senoidal.
Então, as usinas geram energia elétrica em corrente alternada que é transmitida em alta tensão
(com exceção de Itaipu, que transmite em corrente contínua a 600 kV) e que depois é distribuída
posteriormente para indústrias, escritórios, comércio e residências. Essa geração toma como base
o conjunto formado por uma turbina acoplada a um gerador, como o que é apresentado a seguir:

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Unidade: Geração e distribuição de energia

Fig. 13. Representação esquemática de um sistema de turbina acoplado a um gerador numa


usina hidrelétrica (note a comparação, em escala, com o tamanho de uma pessoa).
Nesse caso, o gerador é um dispositivo que converte a energia mecânica da turbina em
energia elétrica. A turbina, em si, aproveita o potencial hidráulico (energia potencial) da água
canalizada do lago represado para criar energia cinética (movimento). Veja que o que temos
em ação é conhecido na Física como Princípio da Conservação de Energia, que estabelece
que a quantidade total de energia num sistema isolado permanece constante, podendo ser
transformada de um tipo em outro (HALLIDAY, 1994, p. 139-152).
Um gerador elétrico de energia tem seu funcionamento baseado no fenômeno de indução
eletromagnética, que estabelece que sempre que um condutor se movimentar proporcionalmente a
um campo magnético, uma diferença de potencial surgirá nele (HALLIDAY, Vol. 3, 1994, p. 189-194).
Especificamente, se uma bobina (condutor enrolado com N espiras sobre um núcleo) girar
num campo magnético, então os dois lados da bobina se movem em direções opostas e tensões
induzidas formam-se dos dois lados.

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Fig. 14. Representação esquemática da movimentação de uma bobina num campo
magnético com a consequente geração de um sinal alternado.
O valor instantâneo da tensão resultante, chamada de força eletromotriz (ou f.e.m) é
proporcional à taxa de conversão do fluxo magnético Φ e o número de espiras da bobina N:

∆Φ
E = −N . (Eq. 7)
∆t

Essa relação foi descoberta pelo físico e químico Michael Faraday (1791-1867) e é conhecida
como Lei de Faraday. O sinal negativo (-) que aparece é devido à Lei de Lenz (físico russo
Heinrich Friedrich Emil Lenz, 1804-1865), a qual determina que a direção da força eletromotriz
é tal que o campo magnético da corrente induzida se opõe à mudança no fluxo que produz essa
força eletromotriz. Verifica-se que a Lei de Lenz também obedece ao Princípio da Conservação
de Energia (HALLIDAY, Vol. 3, 1994, p. 192-194).
Para uma maior clareza, na Fig. 14 é mostrada uma única espira retangular ao invés de uma
armadura com um conjunto de enrolamentos num único núcleo de aço.
Pelo que acabamos de mostrar, então, a tensão alternada que nos é fornecida, através da rede
elétrica, é por questões de geração e distribuição senoidal. Como tal, um sinal senoidal pode ser
representado graficamente de duas formas: nos domínios temporal e angular (ALBUQUERQUE,
2013, p. 30).

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Unidade: Geração e distribuição de energia

Fig. 15. Representação gráfica de sinais alternados nos domínios temporal e angular, respectivamente.

O domínio em questão significa ser a grandeza de variação em relação à tensão alternada.


Matematicamente, tal comportamento implica obedecer a alguma função que descreva a
dependência com o tempo ou mesmo com o ângulo (CAPUANO, 1997, p. 120). A seguir,
apresentamos essas variações.

V ( t ) = VMÁX .sen ωt (Eq. 8)

A expressão da Eq. 8 é a forma temporal de um sinal que varia senoidalmente ao longo


do tempo. Analisando suas variáveis, encontramos v(t), que representa o valor instantâneo
da tensão num determinado instante de tempo t. VMÁX é o máximo valor que a tensão pode
desenvolver num semiciclo. Um semiciclo corresponde à metade de um ciclo completo de um
sinal, antes de ele voltar a se repetir.

Se verificarmos a Fig.15, no gráfico do domínio temporal, um semiciclo pode ser observado


entre o intervalo de tempo compreendido entre 0 e 1 milissegundo (1 ms). Veja que o valor de
pico, ou VP, se localiza a 0,5 ms. Esse semiciclo, inclusive, está na parte superior ou positiva do
eixo. Logo, é denominado de semiciclo positivo. Já entre 1 e 2 ms o semiciclo está invertido em
relação ao primeiro. Isso ocorre porque a polaridade do sinal se inverte, devido à maneira como
é gerado na usina, tal como se definiu por comportamento alternado. Este, então, representa
um semiciclo negativo e possui valor de pico em 1,5 ms. A mesma situação acontece no gráfico
do domínio angular, respeitados os devidos valores.
A tensão máxima também pode ser denominada de amplitude ou tensão de pico (VP). Outro
parâmetro que pode ser utilizado na análise de um sinal alternado é a denominada de tensão
de pico a pico (VPP), a qual corresponde à amplitude total entre os pontos máximos (positivo e
negativo) e, portanto, é o dobro do valor de pico (CAPUANO, 1997, p. 121), ou seja:

VPP=2 .VP (Eq. 9)

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Por último, a variável ω (ômega) representa a velocidade ou frequência angular, ou seja,
corresponde à variação do ângulo θ do sinal alternado em função do tempo (ALBUQUERQUE,
2013, p. 32). Isso acontece, novamente, devido à maneira como o sinal é gerado na usina e
se associa à velocidade angular do enrolamento do gerador e mede quantos radianos ele se
deslocou em um segundo. Por isso, sua unidade de medida é o radianos por segundo (rad / s).
Como citamos, outra possibilidade de se representar um sinal alternado é no domínio angular.
Um ciclo angular tem 2 π radianos ou 360 graus (360º). Sua expressão matemática é:

V (θ ) = VMÁX .sen θ (Eq. 10)

No domínio temporal, um ciclo demora um período T, cuja unidade de medida é o segundo


(s). Ou seja, o período representa, então, o tempo em que a função necessita para completar
um ciclo. Já o número de vezes que um ciclo se repete por segundo chama-se de frequência (f),
havendo a seguinte relação entre eles (CAPUANO, 1997, p. 120):

1
f = (Eq. 11)
T
A frequência pode ser medida em ciclos por segundo (c / s) que, no sistema internacional
de unidades equivale ao hertz (Hz), em homenagem ao físico alemão Heinrich Rudolf Hertz
(1857-1894).
Ao observarmos o gráfico no domínio angular, na Fig. 14, temos que ω .t = θ e, quando
θ = 2 . π , tem-se que t = T. Então, a partir da relação 2 . π = ω .T podemos dizer que:


ω= (Eq. 12)
T
Mas, como há uma relação inversamente proporcional definida entre o período e a frequência,
a relação entre a frequência e a velocidade angular pode ser obtida da seguinte maneira:

ω = 2π f (Eq. 13)
Além desses valores característicos, também é comum especificar um parâmetro denominado
de Valor eficaz (Vef ou Vrms), o qual corresponde ao valor de uma tensão alternada que, se
fosse aplicada a uma resistência, provocaria uma dissipação média (em watts) de mesmo valor
numérico de uma tensão contínua aplicada à mesma resistência (ALBUQUERQUE, 2013, p.
51). A sigla RMS significa Root Mean Square ou Raiz Média Quadrática.
O valor eficaz de uma tensão alternada pode ser determinado matematicamente a partir da
tensão de pico a partir da seguinte relação:

VP
V=
ef = 0, 707 VP (Eq. 14)
2

21
Unidade: Geração e distribuição de energia

Da mesma maneira, também podemos relacionar o seu valor com a tensão de pico a pico (VPP):

VPP (Eq. 15)


Vef =
2 2

Uma informação interessante de citarmos é que as tensões da rede elétrica são fornecidas em
valores eficazes ou RMS: 110 VRMS e 220 VRMS.
Embora existam geradores comerciais e industriais de corrente contínua para aplicações
específicas, não é comum o seu uso na geração, transmissão e distribuição de energia (HALLIDAY,
Vol. 3, 1994, p. 277-280). O problema com o sistema de corrente contínua é que nele não há
alternância, ou seja, o sinal possui um sentido único, exigindo muita força para impulsionar o
movimento dos elétrons pelo condutor. Contudo, como já citamos anteriormente, há a questão
do efeito Joule, que provoca grandes perdas de energia por esse método.
Ocorre, também, que o sinal contínuo acaba por não ser aceito pelos transformadores e, as-
sim, não consegue ser transformado num sinal de maior tensão. Afinal, num sinal contínuo, não
há alteração de polaridade provocada pela variação de fluxo magnético. Desse modo, a energia
elétrica não pode seguir muito longe. Por essa razão, a corrente contínua é usada em pilhas e
baterias ou para percorrer circuitos internos de aparelhos elétricos, como o de um computador.
A corrente contínua não é normalmente transmitida em baixas tensões a curtas distâncias de-
vido a oferecer maiores perdas pelo efeito Joule em relação à corrente alternada. Porém, essa
situação se inverte quando a energia é transmitida em altas tensões. No Brasil temos um exem-
plo disso: parte da energia gerada na hidrelétrica de Itaipu é transmitida em corrente contínua
desde Foz do Iguaçu, no Paraná, até a cidade paulista de Ibiúna, a 810 km de distância da usina.
Isso se deve ao fato da energia ser gerada em corrente alternada a 50 Hz pelas turbinas do lado
paraguaio da usina; essa energia é comprada pelo Brasil e então convertida para corrente con-
tínua para ser transmitida e interligada ao sistema elétrico nacional, que é de 60 Hz.

ASSUNCIÓN

500kV
60Hz
500kV
50Hz

Villa Hayes
(348 km) FURNAS - Foz do Iguaçu
500kV - 50Hz Subestação SÃO PAULO
SUBESTAÇÃO DA
MARGEM DIREITA
Limpio 220kV - 50Hz
(323 km) Ivaiporã
Ele Itaberá
vad
V

500 ora
220k

Tijuco Preto
)

/75
(5 km

500k 0kV
V 750kV - 60Hz
50Hz ±6
00k
Vc
Con
ver
.c
USINA DE ACARAY sor
kV

a
220

ASSUNCIÓN ±600kV c.c Ibiúna

PARAGUAY BRASIL
500kV - 60Hz Cascavel Oeste

Fonte: https://www.itaipu.gov.br/energia/integracao-ao-sistema-brasileiro

22
Essa discussão se relaciona a um importante fato histórico. No final do século XIX, em meio à
descoberta da energia elétrica e suas propriedades, surgiu um episódio curioso que foi chamado
de “Guerra das Correntes”. Gradualmente, os EUA começavam a utilizar a eletricidade para
substituir a energia do vapor nas fábricas e o gás na iluminação das casas. Sem dúvida surgiria o
debate se o melhor sistema a se usar era a corrente contínua, desenvolvida por Thomas Edison
ou a corrente alternada de Nicola Tesla, bancada pelo empresário George Westinghouse. Em
meio à disputa, seguiram-se desdobramentos surpreendentes, em que Edison, para provar o
“risco” da corrente alternada, eletrocutava animais em exposições públicas, e chegou ainda
a criar a cadeira elétrica utilizando um gerador de Westinghouse, como modo de embaraçar
o concorrente e mostrar os perigos da corrente alternada. No fim, o sistema de Tesla e
Westinghouse prevaleceu para a transmissão de eletricidade a grandes distâncias, e a corrente
contínua permaneceu eficaz no campo da eletroeletrônica.

Fonte: Wikimedia Commons


Fonte: Wikimedia Commons

Fig. 16. Fotografias de Thomas Edison e Nikola Tesla, respectivamente: inventores geniais e
protagonistas da “guerra das correntes”.

A rede de distribuição de energia elétrica é um segmento do sistema elétrico, composto pelas


redes elétricas primárias (redes de distribuição de média tensão), e redes secundárias (redes de
distribuição de baixa tensão), cuja construção, manutenção e operação são responsabilidade
das companhias distribuidoras de eletricidade.
A energia é distribuída por fases e, dependendo do consumo, pode ser monofásica, bifásica
e trifásica. Então, temos:
– monofásico: recebe a alimentação por dois condutores - fase e neutro em 127 V. Esse tipo
de rede somente é instalado quando a carga residencial somada chega a 12.000 W;
– bifásico: recebe alimentação por três condutores - duas fases e um neutro. Entre as duas
fases, tem-se 220 V. Entre qualquer das fases e o neutro, tem-se 127 V. Essa rede surge para
demandas entre 12.000 e 25.000 W e tem sido utilizada principalmente em áreas rurais;
– trifásico: recebe a alimentação por quatro condutores - três fases e um neutro. Entre
quaisquer das fases, tem-se 220 V. Entre qualquer fase e o neutro, tem-se 127 V. É empregado
quando há demanda entre 25.000 e 75.000 W, sendo muito comum o seu uso na indústria para
operação de máquinas e equipamentos.

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Unidade: Geração e distribuição de energia

Há ainda, os chamados sistemas multifásicos, que são considerados como sistemas especiais;
por exemplo, o hexafásico e o octafásico.
As redes de distribuição primárias são circuitos elétricos trifásicos a três fios (três fases), ligados
nas subestações de distribuição, normalmente são construídas nas classes de tensão 15 KV, 23
KV, ou 34,5 KV.

Fig. 17. Estrutura típica de uma subestação de distribuição.


Nessas classes de tensão, as tensões nominais de operação poderão ser 11 KV, 12,6 KV, 13,2 KV,
13,8 KV, 21 KV, 23 KV, 33 KV, 34,5 KV. Os níveis de tensão 13,8 KV e 34,5 KV são padronizados
pela legislação vigente, os demais níveis existem e continuam operando normalmente.
Nas redes de distribuição primárias, estão instalados os transformadores de distribuição,
fixados em postes, cuja função é rebaixar o nível de tensão primário para o nível de tensão
secundário (por exemplo, para rebaixar de 13,8 KV para 220 V).
As redes de distribuição secundárias são circuitos elétricos trifásicos a quatro fios (três fases
e neutro) que normalmente operam nas tensões (fase-fase/fase-neutro) 230/115 V, 220/127 V,
380/220 V. Nessas redes estão ligados os consumidores, que são residências, padarias, lojas, etc,
e também as luminárias da iluminação pública. São essas redes que atendem os grandes centros
de consumo (população, grandes indústria, etc.).

Fig. 18. Estrutura de poste e sua função na distribuição da tensão para uma residência.

24
Os estabelecimentos grandes como prédios, lojas e mercados consomem mais eletricidade,
e necessitam de transformadores individuais de 75 kVA, 112,5 kVA, 150 kVA, de modo a
atender suas necessidades específicas, como mostra-se na Fig. 17. Em alguns casos, a tensão de
fornecimento é 380/220 V ou 440/254 V.
Todo o sistema de distribuição é protegido por um sistema composto por disjuntores
automáticos nas subestações onde estão ligados às redes primárias, e com chave fusível nos
transformadores de distribuição, que em caso de curto-circuito desligam a rede elétrica.

Fig. 19. Transformador industrial e sua estrutura que preza, principalmente, pela isolação
para garantir a segurança nas operações.

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Unidade: Geração e distribuição de energia

Material Complementar

Para complementar os conhecimentos adquiridos nesta unidade, leia as seguintes obras:


• Instalações Elétricas Industriais – LTC Editora Ltda., de João Mamede Filho;
• Circuitos Elétricos: corrente contínua e corrente alternada – Editora Érica
Ltda., de Otávio Markus.
Ambos enriquecerão sua compreensão sobre os aspectos envolvidos na análise de
circuitos elétricos.

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Referências

ALBUQUERQUE, R. O. Elementos de circuito elétrico. In: Análise de circuitos em corrente


contínua, 21a ed. São Paulo, Brasil: Editora Érica Ltda., 2006. 192 p.

ALBUQUERQUE, R. O. Sinais senoidais. In: Análise de circuitos em corrente alternada.


2a ed. São Paulo. Brasil: Editora Érica Ltda., 2013. 236 p.

BOYLESTAD, R. L. Corrente alternada. In: Introdução à análise de circuitos elétricos. 3a


impressão da 12a ed. São Paulo, Brasil: Pearson-Prentice Hall, 2012. 959 p.

CAPUANO, F. G; MARINO, M. A. M. Potência Elétrica. In: Laboratório de eletricidade e


eletrônica. 10a ed. São Paulo, Brasil: Editora Érica Ltda., 1997. 304 p.

HALLIDAY, D, RESNICK, R., MERRIL, J. Lei da indução, de Farady In: Fundamentos de


Física, V.3, 3a ed. Rio de Janeiro, Brasil: LTC Editora Ltda., 1994. 335 p.

HALLIDAY, D, RESNICK, R., MERRIL, J. Trabalho e Energia. In: Fundamentos de Física,


V.1, 3a ed. Rio de Janeiro, Brasil: LTC Editora Ltda., 1994. 335 p.

ROBBINS, A. H.; MILLER, W. C. Lei de Ohm, Potência e Energia. In: Análise de circuitos
elétricos. Vol I: teoria e prática. 4a ed. São Paulo, Brasil: Cengage learning, 2010. 611 p.

Sites visitados
<https://www.itaipu.gov.br/energia/integracao-ao-sistema-brasileiro>.

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Unidade: Geração e distribuição de energia

Anotações

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