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Resumo Comportamento Social

A partir da leitura de Rangel-de- Farias, A. K. C. (2007); Henriques, M. B. (2016)


e Catania, A. C. (1999); nota-se que o conceito de comportamento social é divergente
entre o que é explanado pelos analistas do comportamento, e o que é feito por outras
abordagens. Essas abordagens, por exemplo, explicam a casualidade com
comportamento com base em características intrínsecas de cada indivíduo, como
características intelectuais ou características de personalidade. E a análise do
comportamento (AEC) por investigar a relação organismo-ambiente, para determinar as
características dos eventos sociais, faz uma análise funcional da situação, onde
verificará por meio de manipulação de variáveis as relações que há entre o
comportamento e o ambiente.

A psicologia social atribui aos objetos sociais certas características que seriam a
ele intrínsecas, o que para alguns impossibilitaria a AEC de explicar a complexidade
deles, visto que muito se atribui o estudo de fenômenos simples para a AEC. No
entanto, os objetos sociais não são diferentes dos demais no quesito qualitativo, ele é
diferente quantitativamente e em sua complexidade. O que caracterizaria essa
complexidade é o número de variáveis envolvidas nessa relação, o que torna o trabalho
de pesquisa muito mais penoso.

Então, para estudar os comportamentos sociais deve-se criar e aprimorar


ferramentas que permitam analisar as variáveis envolvidas no controle do
comportamento social. E para tal feito a AEC estaria apita, pois, os seus métodos
permitem o reconhecimento e o manuseio de variáveis ambientais que interagem com o
comportamento. A definição de comportamento social começa com Skinner, em 1957,
quando ele apresenta que comportamento social é a situação onde a emissão ou o
reforçamento de um comportamento é dependente do comportamento de outro
organismo.

Dentro desse grande espectro de comportamentos que são classificados como


sociais há três tipos de relações: as relações competitivas, onde a distribuição dos
reforços é desigual e excludente, dependendo do desempenho do indivíduo, desta forma,
o ganho de reforço por um indivíduo diminui ou exclui o ganho de reforço do outro
individuo; as relações cooperativas são aquelas onde há o reforço mútuo, onde se o
comportamento do grupo atingir certos critérios todos ganham reforço; há também o
trabalho individual, onde o comportamento do indivíduo é independente, pois todos
aqueles organismos cujos comportamentos alcançarem os critérios ganharão reforço
independentemente do comportamento do outro indivíduo.

De acordo com vários estudos da AEC na área dos comportamentos sociais,


variáveis como magnitude de reforço; história de exposição a esquemas de
reforçamento; possibilidade de retirar reforços de parceiros e riscos de tirar reforços
acumulados; sucesso ou fracasso na competição; o custo da resposta; o uso de
instruções referentes ao contexto social; são variáveis que afetam a escolha entre
cooperar, competir e trabalhar individualmente. A partir do capítulo de Rangel-de-
Farias, A. K. C. (2007) e do capítulo de Henriques, M. B. (2016), pode-se verificar
alguns resultados de pesquisas com algumas dessas variáveis.

Nos estudos de magnitude de reforço, os resultados mostram que diferenças na


magnitude do reforço alteram a escolhas dos organismos entre competição, cooperação
e trabalho individual, de forma que, se o reforço apresentado, por exemplo, na relação
de cooperação for de maior magnitude do que o apresentado em outra relação é mais
provável que a cooperação seja escolhida. No entanto, os resultados apresentam também
que há um certo limiar que essa magnitude deve ultrapassar para que ela comesse a ser
escolhida.

A variável história de condicionamento do indivíduo, por sua vez, demonstra, a


parir de alguns estudos, que o controle exercido por contingências de trabalho
cooperativo e individual são estabelecidos mais rapidamente quando as diferentes
razoes de reforço são apresentadas em ordem decrescentes, e que indivíduos que
primeiramente são apresentados a trabalho competitivo, tendem a escolher mais a
competição mesmo em outras situações.

Quanto à possibilidade de retirar pontos do parceiro, observa-se que quanto há a


possibilidade, mesmo que ocasional, de retirar pontos do parceiro durante etapas de
cooperação, a escolha por cooperação diminui, mesmo que a magnitude do reforço
ofertada pela cooperação seja maior. E quando a contingência individual inclui a
oportunidade de retirar pontos do parceiro, a escolha por cooperação aumenta. Sendo
assim, pode-se dizer que a possibilidade de retirar pontos do parceiro é aversiva para o
comportamento de escolha da alternativa onde esta possibilidade está em voga.
O sucesso ou fracasso em competição também é uma variável estudada, e os
resultados sugerem que a preferência pelo trabalho individual era decorrente das perdas
que ocorriam em esquemas competição, ou seja, quando o organismo perde
seguidamente em competição e ele pode escolher outro esquema, como o trabalho
individual, é provável que ele o faça.

A utilização da variável instruções ajuda no aumento das taxas de resposta, assim


permitindo que em esquemas de competição, por exemplo, o indivíduo participe mais
efetivamente. E se ocorrer de um aumento arbitrário (iniquidade) na magnitude do
reforço para apenas um dos membros da relação social, opções de competição ou
trabalho individual começam a serem mais escolhidas do que cooperação, pelo
indivíduo que está desfavorecido. Enquanto, o indivíduo que está sendo favorecido,
começa a escolher mais frequentemente a cooperação.

Sendo assim, observa-se que o conceito de comportamento social é analisado e


pensado de maneira diferente pela AEC em comparação com outras abordagens
presentes na psicologia, e isso apoia-se na forma como ela desenvolve e aplica as suas
metodologias. Estudos na área de comportamento social vem se desenvolvendo, mas
ainda é necessário mais, em decorrência do número de variáveis que estão relacionadas
com o comportamento, e das formas como essas variáveis também se influenciam entre
si.
Referências

Rangel-de- Farias, A. K. C. (2007). Comportamento social: cooperação,


competição e trabalho individual. In Abreu-Rodrigues, J. & Ribeiro, M. Análise do
comportamento: pesquisa, teoria e aplicação (Cap. 15, pp. 265-282). Porto Alegre:
ArtMed.

Henriques, M. B. (2016). Do indivíduo ao grupo: simulações experimentais de


relações sociais com animais não-humanos. In P. G. Soares, J. H. Almeida, & C. R.
X. Cançado (Org.). Experimentos Clássicos em Análise do Comportamento (Vol. 1,
Cap. XV, pp. 239-253). Brasília: Instituto Walden 4.

Catania, A. C. (1999). Aprendizagem: Comportamento, linguagem e cognição


(Cap. 13, pp. 235-248). Porto Alegre: Artmed.