Você está na página 1de 165

FIDÉLIS CASTRO

CÁLCULO II

VITÓRIA

2009
2

Governo Federal
Ministro de Educação
Fernando Haddad
Ifes – Instituto Federal do Espírito Santo
Reitor
Denio Rebello Arantes
Pró-Reitora de Ensino
Cristiane Tenan Schlittler dos Santos

Diretora do CEAD – Centro de Educação a Distância


Yvina Pavan Baldo
Coordenadoras da UAB – Universidade Aberta do Brasil
Yvina Pavan Baldo
Maria das Graças Zamborlin

Curso de Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas


Coordenação de Curso
Andromeda Goretti Correa de Menezes
Designer Instrucional
Danielli Veiga Carneiro
Professor Especialista/Autor
Fidélis Castro,

Catalogação da fonte: Rogéria Gomes Belchior - CRB 12/417


C355 Castro, Fidélis
Cálculo II. / Fidélis Castro. – Vitória: CEFETES, 2008.
165 p. : il.
1.Cálculo. I. Centro Federal de Educação Tecnológica do Espírito Santo.
II. Título.
CDD 515

DIREITOS RESERVADOS
Ifes – Instituto Federal do Espírito Santo
Av. Vitória – Jucutuquara – Vitória – ES - CEP - (27) 3331.2139

Créditos de autoria da editoração


Capa: Juliana Cristina da Silva
Projeto gráfico: Juliana Cristina e Nelson Torres
Iconografia: Nelson Torres
Editoração eletrônica: Duo Translation

Revisão de texto:
Ilioni Augusta da Costa
Maria Madalena Covre da Silva.
COPYRIGHT – É proibida a reprodução, mesmo que parcial, por qualquer meio, sem autorização escrita dos
autores e do detentor dos direitos autorais.

Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas


3
Derivadas

Olá, Aluno(a)!

É um prazer tê-lo(a) conosco.

O Ifes oferece a você, em parceria com as Prefeituras e com o Governo


Federal, o Curso Superior de Tecnologia em Análise e Desenvolvimento
de Sistemas, na modalidade a distância. Apesar de este curso ser ofertado
a distância, esperamos que haja proximidade entre nós, pois, hoje, graças
aos recursos da tecnologia da informação (e-mail, chat, videoconferência,
etc.), podemos manter uma comunicação efetiva.

É importante que você conheça toda a equipe envolvida neste curso: co-
ordenadores, professores especialistas, tutores a distância e tutores presen-
ciais, porque, quando precisar de algum tipo de ajuda, saberá a quem
recorrer.

Na EaD - Educação a Distância, você é o grande responsável pelo sucesso


a aprendizagem. Por isso, é necessário que você se organize para os estudos
e para a realização de todas as atividades, nos prazos estabelecidos, con-
forme orientação dos Professores Especialistas e Tutores. Fique atento às
orientações de estudo que se encontram no Manual do Aluno.

A EaD, pela sua característica de amplitude e pelo uso de tecnologias mo-


dernas, representa uma nova forma de aprender, respeitando, sempre, o
seu tempo.

Desejamos-lhe sucesso e dedicação!

Equipe do Ifes

Cálculo II
ICONOGRAFIA

Veja, abaixo, alguns símbolos utilizados neste material para guiá-lo em seus estudos

Fala do Professor

Conceitos importantes. Fique atento!

Atividades que devem ser elaboradas por você,


após a leitura dos textos.

Indicação de leituras complemtares, referentes


ao conteúdo estudado.

Destaque de algo importante, referente ao


conteúdo apresentado. Atenção!

Reflexão/questionamento sobre algo impor-


tante referente ao conteúdo apresentado.

Espaço reservado para as anotações que você


julgar necessárias.
CÁLCULO II

Cap. 1 - DERIVADAS   9


1.1 Retas tangentes  9
1.2 Velocidade média e velocidade instantânea   19
1.3 Coeficiente angular de uma curva e taxa de variação  27
1.4 A derivada como uma função  33
1.5 Regras de derivação  38
1.6 Derivadas de ordem superior  60
1.7 Derivadas de funções trigonométricas  65
1.8 Derivadas de funções exponenciais  77
1.9 Regra da cadeia  81
1.10 Derivação implícita  95
1.11 Taxas relacionadas  102

Cap. 2 - APLICAÇÕES DAS DERIVADAS   115


2.1 Extremos de uma função  115
2.2 Crescimento, decrescimento e o teste da primeira
derivada  127
2.3 Concavidade e o teste da segunda derivada  137
2.4 Problemas que envolvem máximos e mínimos  149
2.5 Antiderivadas  158

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 165


7
Derivadas

APRESENTAÇÃO

Olá Aluno(a)!

Nosso curso de Cálculo II será dividido em 2 partes. Na primeira, estuda-


remos a derivada de uma função, que é o conceito fundamental do Cálculo
Diferencial. Inicialmente, interpretaremos as derivadas como coeficientes
angulares de retas tangentes a curvas e como taxas de variação de funções.
Em seguida, definiremos a função derivada e desenvolveremos técnicas
para obtê-la algebricamente. Na segunda, estudaremos algumas aplica-
ções das derivadas, como o cálculo de valores máximos e mínimos de uma
função, a determinação dos intervalos de crescimento e decrescimento e
dos intervalos onde uma função é côncava ou convexa, e utilizaremos es-
ses novos conceitos para resolver problemas de otimização.

Quero destacar que um curso de Cálculo requer um tempo diário de es-


tudo e dedicação. Por isso é muito importante que você realize todas as
atividades propostas, tanto neste livro, como na sua sala de aula virtual e
em outros materiais de estudo complementares. Leia os textos com bastan-
te atenção, sempre com espírito questionador e investigativo. Personalize
o seu estudo. Dê novos títulos e subtítulos, redividindo o texto. Assim você
o verá por uma nova ótica, além do que, será mais fácil reter as informa-
ções por partes. Crie perguntas e tente respondê-las sem pesquisar. Depois
confira as respostas. Sintetize com suas palavras o que foi estudado. Faça
resumos, colocando o tema central, definições essenciais, exemplos, casos
particulares e observações. Leia bem os enunciados das questões propos-
tas e interprete o que está sendo pedido. Comece, então, a responder com
atenção, sempre pesquisando no livro texto, no material impresso, na in-
ternet, ou em outros meios que facilitem sua resposta. Verifique se todas as
suas respostas estão corretas, revendo o que foi feito. Interesse-se participe
e discuta com o professor e com seus colegas.

Desejo a você um excelente curso!

Cálculo II
9
Derivadas

DERIVADAS

Neste capítulo estudaremos a derivada de uma função, conceito


fundamental do Cálculo Diferencial. Inicialmente, interpretare-
mos as derivadas como coeficientes angulares de retas tangentes a
curvas e como taxas de varia ção de funções. Em seguida, defini-
remos a função derivada e desenvolveremos técnicas para obtê-la
algebricamente.
Bons estudos!

Prof. Fidelis Castro

Como determinar uma reta tangente a uma curva?

Esse problema foi a questão matemática dominante no início do século


XVII. Naquela época, os matemáticos buscavam construir um método
para calcular os coeficientes angulares de retas tangentes a curvas,
no intuito de dar explicações mais detalhadas a algumas aplicações
da matemática na ótica, na mecânica e na geometria, por exemplo, o
cálculo do ângulo no qual um raio de luz penetra em uma lente curva,
a determinação da direção do movimento de um corpo em qualquer
ponto ao longo de seu percurso e o cálculo do ângulo em que as curvas
se cortam.
Todas essas explicações já foram dadas e vários conceitos matemáticos
foram elaborados, como o de coeficiente angular de uma reta tangente
a uma curva, o de taxa de variação instantânea de uma função e o de
função derivada.
Vamos, a partir de agora, estudar esses conceitos.

1.1 Retas tangentes

O primeiro passo para determinar a equação de uma reta tangente a


uma curva C é determinar o coeficiente angular dessa reta. Vejamos
como isso é feito:

Se uma curva C tiver uma equação y = f ( x) e quisermos encontrar o


coeficiente angular da reta tangente à curva num ponto P específico,

Cálculo II
10
Capítulo 1

digamos P (a, f (a )) , basta, inicialmente, considerarmos um ponto


vizinho Q( x, f ( x)) , onde x ¹ a, e calcularmos o coeficiente angular
mPQ da reta secante PQ, conforme vimos no módulo anterior.

Dy f ( x) - f (a)
mPQ = =
Dx x-a

Figura 1: Para calcularmos o coeficiente an-


gular da tangente calculamos, inicialmente, o
coeficiente angular da reta secante por P e Q.

Feito isso, fazemos o ponto Q aproximar-se indefinidamente do ponto


P, produzindo inúmeras retas secantes, cujos coeficientes angulares se
aproximam do coeficiente angular da reta tangente em P. A Figura 2
ilustra esse procedimento.

Figura 2: À medida que Q se aproxima de P as


retas secantes vão se aproximando da posição
de tangência.

Ao fazermos o ponto Q aproximar-se de P ao longo da curva C, obrigamos


f ( x) - f (a)
x tender a a. Dessa maneira, se o coeficiente mPQ = se
x-a
aproximar de algum número m, à medida que x for se aproximando
de a, esse número m será, por definição, o coeficiente angular da reta
tangente à curva no ponto P(a, f (a )) .

A partir dessa ideia, elaboramos a seguinte definição:

Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas


11
Derivadas

Definição 1
Coeficiente angular da reta tangente
Dada uma curva C de equação y = f ( x), o coeficiente angular m
da reta tangente à curva no ponto P(a, f (a )) é dado por
f ( x) - f (a)
m = lim
x® a x-a

Podemos também elaborar uma definição equivalente à anterior, se, no


lugar de x, escrevermos a+h, sendo h um número real. Veja a definição
alternativa:

Definição 2
Coeficiente angular da reta tangente (Definição alternativa)

Dada uma curva C de equação y = f ( x) , o coeficiente angular m


da reta tangente à curva no ponto P(a, f (a )) é dado por
f (a + h ) - f (a )
m= lim
h �0 h

f ( x) - f (a)
Tanto a expressão m = lim , quanto a expressão
f (a + h ) - f (a ) x® a x-a
m= lim podem ser utilizas para a determinação do
h �0 h
coeficiente angular de uma reta tangente. Os resultados sempre serão
equivalentes.

Vejamos alguns exemplos:

Exemplo 1: Dada a curva f ( x) = x 2 , determine a equação da reta


tangente ao gráfico de f no ponto (1,1).

Solução:
Inicialmente devemos determinar o coeficiente angular m. Para isso,
utilizaremos a definição alternativa (observando que, nesse caso, a
=1):
f ( a + h) - f ( a )
m = lim (definição alternativa)
h® 0 h
Cálculo II
12
Capítulo 1

( a + h) 2 - ( a ) 2
m = lim (substituindo f pela função f ( x) = x 2)
h® 0 h

a 2 + 2ah + h 2 - a 2
m = lim (desenvolvendo o quadrado da soma)
h® 0 h
2ah + h 2
m = lim (simplificando)
h® 0 h
h( 2a + h)
m = lim (evidenciando)
h® 0 h

m = lim(2a + h) (cancelando os fatores comuns ao


h® 0
numerador e ao denominador)

m = 2.1 + 0 (substituindo a pelo seu valor e calculando


o limite)

m=2

Agora que temos o valor do coeficiente angular ( m = 2), utilizaremos


a fórmula ponto-coeficiente angular ( y - y0 = m( x - x0 )), estudada no
módulo anterior, para determinar a equação da reta tangente:

y - y0 = m( x - x0 ) (fórmula ponto-coeficiente angular)

y -1 = 2.( x -1) (substituindo os valores fornecidos no


problema)

y -1 = 2 x - 2 (simplificando)

y = 2 x -1

Resposta: A equação da reta tangente ao gráfico de f ( x) = x 2 no ponto


(1,1) é y = 2 x -1 . Os gráficos das duas curvas podem ser visualizados
na Figura 3.

Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas


13
Derivadas

Figura 3: Gráficos da curva f ( x) = x 2 e


de sua reta tangente no ponto (1,1).

3
Exemplo 2: Encontre a equação da reta tangente à curva f ( x) = , no
x
ponto ( 3 ,8).
8
Solução:
Vamos utilizar a definição alternativa (observando que, nesse caso,
3
temos a = ) para encontrar o valor do coeficiente angular m:
8
f ( a + h) - f ( a )
m = lim (definição alternativa)
h® 0 h

3 3
-
= lim a + h a (aplicando a função f(x))
h® 0 h

3a - 3(a + h)
a ( a + h)
= lim (simplificando)
h® 0 h

-3h
= lim
h® 0 ah( a + h)

-3
= lim
h® 0 a ( a + h )

-3
= lim (substituindo a pelo seu valor e calculando
h® 0 3 3
.( + 0) o limite)
8 8

Cálculo II
14
Capítulo 1

-3
=
9
64

64
=- .
3
Agora que temos o valor do coeficiente angular, utilizaremos a fórmula
ponto-coeficiente angular ( y - y0 = m( x - x0 ) ) para determinar a
equação da reta:

y - y0 = m( x - x0 ) (fórmula ponto-coeficiente angular)

64 3
y -8 = - .( x - ) (substituindo os valores dados)
3 8
64
y -8 = - x + 8 (simplificando)
3
64
y = - x + 16
3

3
Resposta: A equação da reta tangente ao gráfico de f ( x) = no ponto
64 x
( 3 ,8) é y = - x + 16 .
8 3

3
A Figura 4 mostra o gráfico da curva f ( x) = e de sua reta tangente
x
no ponto a=3/8.

3
Figura 4: Curva f ( x) =
e sua reta tangente
64 x
y = - x + 16 no ponto a=3/8
3

Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas


15
Derivadas

Exemplo 3: Determine a equação da reta tangente à curva f ( x) = x


no ponto (4,2).

Solução:
Vamos utilizar a definição alternativa (observando que nesse caso temos
a = 4) para encontrar o valor do coeficiente angular m:

f ( a + h) - f ( a )
m = lim (definição alternativa)
h® 0 h

a+h - a
= lim (aplicando a função f(x))
h® 0 h

( a + h - a ).( a + h + a )
= lim (multiplicando e dividindo por
h® 0 h.( a + h + a ) a+h + a )

a + h-a
= lim (desenvolvendo o produto da
h® 0 h.( a + h + a )
soma pela diferença)

h
= lim (simplificando)
h® 0 h.( a + h + a )

1
= lim (cancelando o fator comum)
h® 0 a+h + a

1
= (substituindo o valor de a e
4+0 + 4 calculando o limite)

1
= .
4
Agora que temos o valor do coeficiente angular, utilizaremos a fórmula
ponto-coeficiente angular ( y - y0 = m( x - x0 ) ) para determinar a
equação da reta:

Cálculo II
16
Capítulo 1

y - y0 = m( x - x0 ) (fórmula ponto-coeficiente angular)

1
y - 2 = .( x - 4) (substituindo os valores dados)
4
1
y - 2 = x -1 (simplificando)
4
1
y = x +1
4
Resposta: A equação da reta tangente ao gráfico de f ( x) = x no
ponto (4,2) é y = 1 x + 1 .
4
A Figura 5 mostra o gráfico da curva f ( x) = x e de sua reta tangente
no ponto a=4.

Figura 5: Função f ( x) = x e sua reta tangente


1 no ponto a=4
y = x +1
4

ATIVIDADE 1 (Algumas vezes, nos exercícios propostos, será


utilizada a expressão “inclinação” como sinônimo de “coeficiente
angular”).
A) Uma curva tem por equação y = f ( x) . Escreva uma expres-
são para a inclinação da reta secante pelos pontos P(3, f (3)) e
Q( x, f ( x)) . Escreva, também, uma expressão para a inclinação
da reta tangente em P.
B) Qual o coeficiente angular da reta tangente à curva y = f(x) =
x2 + 5, no ponto (0,5)?
C) Calcule o valor do coeficiente angular da reta tangente à curva
y = 2 x , no ponto em que x=25.

Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas


17
Derivadas

D) Determine a equação da reta tangente à curva y = x3, no ponto


(2,8), utilizando a definição alternativa.
E) Calcule o coeficiente angular da reta tangente à parábola
y = x 2 - 2 x , no ponto (-3,3), usando a definição 1 e, depois, a de-
finição alternativa. Determine a equação dessa reta tangente.
1
F) Encontre a inclinação da tangente à curva y = , no
5- 2x
ponto em que x=a. Encontre as equações das retas tangentes nos
æ 1ö
pontos (2,1) e ççç-2, ÷÷÷ .
è 3ø
G) A curva y = x tem alguma reta tangente horizontal? Em
caso afirmativo, indique onde e justifique sua resposta. Lembre-se
de que uma reta horizontal tem coeficiente angular igual a zero.
2
H) A parábola y = ( x -1) tem alguma reta tangente horizontal?
Em caso afirmativo, indique e justifique sua resposta.

__________________________________________________
__________________________________________________
_________________________________________________
__________________________________________________
__________________________________________________
__________________________________________________
_________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
__________________________________________________
__________________________________________________
__________________________________________________
___________________________________________________
__________________________________________________
__________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
__________________________________________________
__________________________________________________
__________________________________________________
___________________________________________________
__________________________________________________
__________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________

Cálculo II
18
Capítulo 1

____________________________________________________
__________________________________________________
__________________________________________________
_________________________________________________
__________________________________________________
__________________________________________________
__________________________________________________
_________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
__________________________________________________
__________________________________________________
__________________________________________________
___________________________________________________
__________________________________________________
__________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
__________________________________________________
__________________________________________________
__________________________________________________
___________________________________________________
__________________________________________________
__________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
__________________________________________________
__________________________________________________
__________________________________________________
___________________________________________________
__________________________________________________
__________________________________________________
__________________________________________________
__________________________________________________
__________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
____________________________________________________

Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas


19
Derivadas

1.2 Velocidade média e velocidade instantânea

Suponha que busquemos resolver o seguinte problema: descrever o


movimento de um objeto que se desloca em trajetória retilínea. Para
isso, vamos lembrar que a função s que determina a posição do objeto
(em relação à origem) como uma função do tempo t é denominada
função posição. Por meio da função posição e da variação do tempo,
podemos determinar a velocidade média de um objeto em um intervalo
de tempo Dt . Veja a definição:

Definição 3
Velocidade média
Se, no intervalo de tempo ∆t, a posição do objeto variar de ∆s =
s(t + ∆t) – s(t), então, usando a fórmula Taxa = distância , a velo-
cidade média é dada por: tempo
Variação da posição ∆ s
= .
Variação do tempo ∆ t

Exemplo 4: Se uma bola de bilhar cair de uma altura de 100 cm,


a função posição s que fornece a sua altura em função do tempo t é
s = -16t 2 + 100 , onde s é medido em cm e t é medido em segundos.
Calcule a velocidade média da bola nos intervalos de tempo abaixo:

a. [1, 2] b. [1, 1,5] c. [1, 1,1]

Solução:
a) No intervalo [1,2], o objeto cai de uma altura de s(1) = -16(1)² + 100 =
84 cm para uma altura de s(2) = -16(2)² + 100 = 36 cm. A velocidade média,
de acordo com a definição apresentada, é Ds 36 - 84 -48 cm
= = = -48
por segundo. Dt 2 -1 1

b) No intervalo [1, 1,5], o objeto cai de uma altura de 84 cm para uma


altura de 64 cm, faça os cálculos como foram feitos no item “a”. A
velocidade média é Ds 64 - 84 -20 cm por segundo.
= = = -40
Dt 1, 5 -1 0, 5
c) No intervalo [1, 1,1], o objeto cai de uma altura de 84 cm para uma altura
de 80,64 cm. A velocidade média é Ds 80, 64 - 84 -3, 36
= = = -33, 6
cm por segundo. Dt 1,1-1 0,1

Cálculo II
20
Capítulo 1

Obs.: As velocidades médias calculadas acima são todas negati-


vas. Isso indica que o objeto está se deslocando para baixo.

Suponha que no Exemplo 4 você quisesse calcular a velocidade


instantânea (ou simplesmente velocidade) do objeto no instante t = 1.
Uma ideia para se fazer isso é calcular a velocidade média no intervalo
[1, 1+∆t] e ir diminuindo o valor de ∆t de tal forma que o comprimento
do intervalo [1, 1+∆t] se aproxime de zero. À medida que isso for feito,
as velocidades médias se aproximarão da velocidade no instante t =
1. Observe que essa ideia é idêntica à que foi utilizada para calcular o
coeficiente angular da reta tangente por meio dos coeficientes angulares
das retas secantes (veja Figura 2).

A partir dessa ideia elaboramos a seguinte definição de velocidade


instantânea:

Definição 4
Velocidade instantânea
Em geral, se s = s(t) é a função posição de um objeto cuja trajetória
é retilínea, então a velocidade do objeto no instante t é:
s (t + Dt ) - s (t )
s '(t ) = v (t ) = lim
Dt ® 0 Dt

i) A velocidade de um objeto pode ser negativa, zero ou positiva.


ii) A velocidade escalar de um objeto é o valor absoluto (módulo)
da sua velocidade.

Exemplo 5: t segundos após decolar, a altura de um foguete é 3t 2


pés. Qual é a velocidade de ascensão do foguete 10 segundos após a
decolagem?

Solução:
Em primeiro lugar, vamos usar a equação do movimento f (t ) = 3t 2
para encontrar a velocidade v(t) após t segundos:

Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas


21
Derivadas

f (t + h) - f (t )
v(t ) = lim (velocidade como taxa de variação do
h®0 h
deslocamento)

3(t + h) 2 - 3t 2
v(t ) = lim (aplicando a função deslocamento)
h®0 h

3(t 2 + 2th + h 2 - t 2 )
v(t ) = lim (desenvolvendo o quadrado da
h®0 h
soma)

3h(2t + h)
v(t ) = lim (cancelando termos opostos e
h®0 h
colocando em evidência)

v(t ) = lim 3(2t + h) (cancelando os fatores comuns)


h®0

v(t ) = 6t (calculando o limite)

Agora podemos calcular a velocidade do foguete no instante t=10


segundos. Basta substituir t por 10:

v(10) = 6´10 = 60 pés / s

Exemplo 6: Se um objeto cair de uma altura de 200 cm, a função posição


s que dá a sua altura em função do tempo t é s = -16t 2 + 200 , onde s
é medido em cm e t é medido em segundos. Calcule a velocidade do
objeto exatamente 3 segundos após ele ter caído.

Solução:
A velocidade instantânea do objeto será dada pela relação
s (t + Dt ) - s (t ) .
s '(t ) = v (t ) = lim
Dt ® 0 Dt

Usando essa relação e a função s = -16t 2 + 200 , temos:


s (t + Dt ) - s (t )
s '(t ) = v (t ) = lim
Dt ® 0 Dt

-16 (t + Dt ) + 200 - (-16t 2 + 200)


2

s '(t ) = v (t ) = lim
Dt ®0 Dt

-16 (t 2 + 2tDt + Dt 2 ) + 200 + 16t 2 - 200


s '(t ) = v (t ) = lim
Dt ®0 Dt
Cálculo II
22
Capítulo 1

-16t 2 - 32tDt -16Dt 2 + 200 + 16t 2 - 200


s '(t ) = v (t ) = lim
Dt ®0 Dt

-32tDt -16Dt 2
s '(t ) = v (t ) = lim
Dt ® 0 Dt

Dt (-32t -16Dt )
s '(t ) = v (t ) = lim
Dt ®0 Dt

Dt (-32t -16Dt )
s '(t ) = v (t ) = lim
Dt ®0 Dt

s '(t ) = v (t ) = lim(- 32t -16Dt )


Dt ® 0

s '(t ) = v (t ) = -32t

A função s '(t ) = v (t ) = -32t é a função velocidade do objeto.


Substituindo t por 3, encontramos a velocidade do objeto exatamente 3
segundos após ele ter caído:

s '(3) = v (3) = -32´3 = -66 cm por segundo.

Exemplo 7: No instante t = 0, um mergulhador pula de uma plataforma


de mergulho de uma altura de 32 pés acima do nível da água. A posição
do mergulhador é dada pela função s (t ) = -16t 2 + 16t + 32 , onde s é
medido em pés e t é medido em segundos. Pergunta:

a) Em que instante o mergulhador atinge a superfície da água?


b) Qual a velocidade do mergulhador no momento do impacto?

Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas


23
Derivadas

Solução:
a) Para encontrar o instante de impacto, basta fazer s = 0, já que a sua
altura no momento do impacto será igual a zero.

-16t 2 + 16t + 32 = 0 (igualando a função posição a zero)

-16 (t + 1)(t - 32) = 0

t = -1 ou t = 2 (resolvendo a equação do 2º grau


resultante)

Como t ³ 0 , concluímos que o mergulhador atinge a superfície da água


no instante t = 2 segundos.

b) A velocidade no instante t é dada pela expressão s '(t ) = -32t + 16 ,


obtida por meio da definição de velocidade instantânea (faça as contas,
conforme o exemplo 5, que você chegará a esse resultado).

Portanto, a velocidade no instante t = 2 é:

s’(2) = -32(2) + 16 = -48 pés por segundo.

Note que, na figura, o mergulhador se desloca para cima no pri-


1
meiro meio segundo, pois sua velocidade é positiva para 0 < t <
2
Ele atinge a altura máxima do mergulho no instante em que a ve-
locidade é zero.

Exemplo 8: Suponha que uma pedra tenha sido solta do alto de uma
torre, 450 m acima do solo.
a) Qual a velocidade da pedra após 5 segundos?
b) Com qual velocidade a bola chega ao solo?

Solução:
a) Em primeiro lugar, vamos usar a equação do movimento f (t ) = 4, 9t 2
para encontrar a velocidade v(t) após t segundos:
f (t + h) - f (t )
v(t ) = lim (velocidade como taxa de variação do
h®0 h
deslocamento)

Cálculo II
24
Capítulo 1

4, 9(t + h) 2 - 4, 9t 2
v(t ) = lim (aplicando a função deslocamento)
h®0 h

4, 9(t 2 + 2th + h 2 - t 2 )
v(t ) = lim (desenvolvendo o quadrado da
h®0 h
soma)

4, 9h(2t + h)
v(t ) = lim (cancelando termos opostos e
h®0 h
colocando em evidência)

v(t ) = lim 4, 9(2t + h) (cancelando os fatores comuns)


h®0

v(t ) = 9, 8t (calculando o limite)

Agora podemos calcular a velocidade da pedra no instante t=5


segundos:

v(5) = 9, 8´5 = 49m / s

b) Uma vez que a pedra está a 450 metros de altura, ela atingirá o solo
quando f (t ) = 4, 9t 2 for igual a 450. Assim,

4, 9t 2 = 450
450
t2 =
4, 9

450
t= » 9, 6
4, 9

Isso significa que a pedra atingirá o solo após, aproximadamente, 9,6


segundos e sua velocidade nesse instante será

v(9, 6) = 9, 8´9, 6 = 94m / s .

ATIVIDADE 2
A) Um objeto é largado do topo de uma torre de 100m de altura. A
distância a que o objeto está do solo após t segundos é 100 - 4, 9t 2
Qual é a velocidade do objeto após 2 segundos de queda?

Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas


25
Derivadas

B) A equação para queda livre na superfície de Marte é s =1, 86t 2


metros em t segundos. Suponha que uma pedra caia de um pe-
nhasco de 200 metros de altura. Determine a velocidade da pedra
quando t=1 segundo. Compare com o resultado que seria obtido
se o experimento fosse realizado na Terra.
Obs.: Na Terra a equação para queda livre seria s = 4, 9t 2 .
C) Se Galileu tivesse deixado cair uma bola de canhão do topo da
torre de Pisa, 179 pés acima do solo, sua altura t segundos depois
de cair teria sido s =179 - 16t pés em relação ao solo.
2

a) Qual teria sido a velocidade e o módulo de velocidade da bola


no instante t ?
b) Quanto tempo a bola levaria, aproximadamente, para atingir
o solo?
c) Qual teria sido a velocidade da bola no momento do impacto?

__________________________________________________
__________________________________________________
_________________________________________________
__________________________________________________
__________________________________________________
_________________________________________________
__________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
__________________________________________________
__________________________________________________
__________________________________________________
__________________________________________________
__________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
__________________________________________________
__________________________________________________
__________________________________________________
__________________________________________________
__________________________________________________

Cálculo II
26
Capítulo 1

__________________________________________________
__________________________________________________
_________________________________________________
__________________________________________________
__________________________________________________
__________________________________________________
_________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
__________________________________________________
__________________________________________________
__________________________________________________
___________________________________________________
__________________________________________________
__________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
__________________________________________________
__________________________________________________
__________________________________________________
___________________________________________________
__________________________________________________
__________________________________________________
__________________________________________________
__________________________________________________
_________________________________________________
__________________________________________________
__________________________________________________
__________________________________________________
_________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
__________________________________________________
__________________________________________________
__________________________________________________
___________________________________________________
__________________________________________________
__________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
____________________________________________________

Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas


27
Derivadas

1.3 Coeficiente angular de uma curva e taxa de


variação

Se tomarmos qualquer um dos exemplos 1, 2 ou 3 e observarmos os


gráficos de cada curva y = f ( x) e de sua reta tangente, perceberemos que
na vizinhança do ponto de tangência os gráficos são muito próximos um
do outro. Essa verificação pode ser feita se construirmos os gráficos por
meio de um software específico e dermos zoom no ponto de tangência.
1
A Figura 6 mostra os gráficos da curva f ( x) = x e da reta y = x + 1 ,
4
que é tangente à curva no ponto (4,2), visualizados dando-se um zoom.
Perceba como os gráficos são bem próximos um do outro.

Figura 6: Zoom nos gráficos da curva f ( x) = x e sua


reta tangente y = 1 x + 1 no ponto a=4
4

Essa “proximidade” entre os gráficos nos motiva a definir o coeficiente


angular de uma curva y = f ( x) num ponto específico como sendo
igual ao coeficiente angular da reta tangente à curva naquele ponto. Veja
a definição:

Definição 5
Coeficiente angular de uma curva

O coeficiente angular da curva y = f ( x) em um ponto P(a, f (a ))


é o número
f ( a + h) - f ( a )
m = f '(a ) = lim (desde que o limite exista)
h® 0 h

Cálculo II
28
Capítulo 1

Utilizando a definição apresentada podemos voltar aos exemplos 1, 2 e


3 e observar que:

• o coeficiente angular da parábola f ( x) = x 2 no ponto x=1 é 2;


3
• o coeficiente angular da hipérbole f ( x) = no ponto x=3/8 é
x
-64/3;
• o coeficiente angular da curva f ( x) = x no ponto x=4 é 1/4.

f ( a + h) - f ( a )
i) A expressão m = f | (a ) = lim recebe outras
h® 0 h
duas denominações:
1ª) Taxa de variação instantânea da função y = f ( x) em relação
a x no ponto x=a;
2ª) Derivada de y = f ( x) no ponto x=a.

ii) Quando estivermos resolvendo um problema e nos for soli-


citado que calculemos a “taxa de variação instantânea da função
num ponto a” ou o “coeficiente angular da curva em um ponto
a” ou a “derivada da função em um ponto a” ou, ainda, o “co-
eficiente angular da reta tangente em um ponto a”, o procedi-
mento deverá ser sempre o mesmo: calcular o valor da expressão
f (a + h) - f (a ) . O que muda é apenas a forma
m = f | (a ) = lim
h® 0 h
de se expressar.

Exemplo 9: Qual é a taxa de variação da área de um círculo em relação


ao raio, quando este é r=3?

Solução:
Em primeiro lugar, vamos usar a expressão da área do círculo f (r ) = pr 2
para encontrarmos a taxa de variação f | (a ) .

f ( a + h) - f ( a )
f | (a ) = lim (definição de taxa de variação)
h®0 h

| p ( a + h) 2 - p a 2
f (a ) = lim (aplicando a função área f (r ) = pr 2 )
h®0 h
2
p ( a + 2 ah + h 2 - a 2 )
f | (a ) = lim (desenvolvendo o quadrado da
h®0 h
soma)
p h( 2a + h)
f | (a ) = lim (cancelando termos opostos e
h®0 h
colocando em evidência)

Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas


29
Derivadas

f | (a ) = lim p (2a + h) (cancelando os fatores comuns)


h®0

f | (a ) = 2pa (calculando o limite)

Agora podemos calcular a taxa de variação da área do círculo em relação


ao raio, quando este é r=3, bastando trocar a por 3:

f | (3) = 2p ´3 = 6p cm 2 cm

Isso significa que, se imaginarmos um círculo aumentando de


tamanho continuamente, no momento em que seu raio atingir 3 cm de
comprimento, sua área vai estar aumentando 6p cm²/cm.

Exemplo 10: A área de um quadrado de lado s é dada por f(s) = s 2 .


Calcule a taxa de variação da área em relação a s, quando s = 4 metros.

Solução:
Em primeiro lugar, vamos usar a expressão da área do quadrado f(s) = s 2
para encontrarmos a taxa de variação f | (a ) .

f ( a + h) - f ( a )
f | (a ) = lim (definição de taxa de variação)
h®0 h

( a + h) 2 - a 2
f | (a ) = lim (aplicando a função área f(s) = s 2 )
h®0 h

a 2 + 2ah + h 2 - a 2
f | (a ) = lim (desenvolvendo o quadrado da
h®0 h
soma)

h( 2a + h)
f | (a ) = lim (cancelando termos opostos e
h®0 h
colocando em evidência)

f | (a ) = lim(2a + h) (cancelando os fatores comuns)


h®0

f | ( a ) = 2a (calculando o limite)
Agora podemos calcular a taxa de variação da área do quadrado em
relação ao seu lado, quando este é s = 4 metros:

f | (4) = 2´ 4 = 8 m 2 m

Cálculo II
30
Capítulo 1

Isso significa que, se imaginarmos um quadrado aumentando de


tamanho continuamente, no momento em que seu lado atingir 4 m de
comprimento sua área vai estar aumentando 8 m 2 m .

A velocidade de uma partícula é a taxa de variação do deslocamento em


relação ao tempo. Há também interesse dos físicos por outras taxas de
variação, como a taxa de variação do trabalho em relação ao tempo (que
é chamada de potência). Quem estuda as reações químicas se interessa
pela taxa de variação da concentração de um reagente em relação ao
tempo (chamada de taxa de reação). Uma siderúrgica se interessa pela
taxa de variação do custo de produção de x toneladas de aço por dia em
relação a x (chamada de custo marginal). Um biólogo está interessado na
taxa de variação populacional de uma colônia de bactérias no tempo. Na
realidade, há uma grande importância das taxas de variação nas ciências
naturais, nas ciências exatas e até mesmo nas ciências sociais.

Vejamos mais um exemplo:

Exemplo 11: A quantidade de litros N de gasolina comum vendida por


um posto de gasolina a um preço de p reais por litro é dada por N = f(p).
Qual o significado de f ’(2,749)?

Solução:
No momento em que o preço da gasolina atingir o valor R$ 2,749, a
quantidade N de litros de gasolina vendida vai estar sofrendo uma
variação, que pode ser positiva, negativa ou nula (as pessoas podem
estar comprando mais ou menos combustível ou mantendo a mesma
taxa de compra) . Dessa forma, o número f ’(2,749) significa a taxa de
variação da quantidade de combustível vendida em relação ao preço do
litro, no momento em que o preço do litro é R$ 2,749.

ATIVIDADE 3
A) O que significa dizer que uma reta é tangente a uma curva C
no ponto P?
f ( a + h) - f ( a )
B) Qual é o significado da fórmula lim ? Interpre-
h® 0 h
te essa fórmula geométrica e fisicamente.
C) Um copo de leite morno é colocado na geladeira. Esboce o grá-
fico da temperatura do leite como uma função do tempo. A taxa
de variação inicial da temperatura é maior ou menor do que a taxa
de variação após 1 hora?

Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas


31
Derivadas

D) O custo em dólares de produzir x unidades de certa mercado-


ria é C ( x) = 5000 + 0, 05 x 2 . Encontre a taxa instantânea da varia-
ção de C em relação a x quando x=100. Isso é chamado de custo
marginal.
4
E) O volume de uma esfera de raio r é V (r ) = pr 3 . Qual é a taxa
3
de variação do volume de uma esfera em relação ao raio quando
este é r=3?

__________________________________________________
__________________________________________________
_________________________________________________
__________________________________________________
__________________________________________________
_________________________________________________
__________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
__________________________________________________
__________________________________________________
__________________________________________________
__________________________________________________
__________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
__________________________________________________
__________________________________________________
__________________________________________________
__________________________________________________
__________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
____________________________________________________

Cálculo II
32
Capítulo 1

__________________________________________________
__________________________________________________
_________________________________________________
__________________________________________________
__________________________________________________
__________________________________________________
_________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
__________________________________________________
__________________________________________________
__________________________________________________
___________________________________________________
__________________________________________________
__________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
__________________________________________________
__________________________________________________
__________________________________________________
___________________________________________________
__________________________________________________
__________________________________________________
__________________________________________________
__________________________________________________
_________________________________________________
__________________________________________________
__________________________________________________
__________________________________________________
_________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
__________________________________________________
__________________________________________________
__________________________________________________
___________________________________________________
__________________________________________________
__________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
____________________________________________________

Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas


33
Derivadas

1.4 A derivada como uma função

Até agora, consideramos a derivada de uma função f em um número


f ( a + h) - f ( a )
fixo a, dada por f '(a) = lim , e vimos que o valor da
h®0 h
derivada em cada ponto do domínio de f nos fornece informações sobre
a variação da função naquele ponto. Vamos agora mudar nosso ponto
de vista, considerando o número a como uma variável x. Fazendo isso,
estaremos determinando a função derivada, uma função que retorna os
valores dos coeficientes angulares da curva y = f ( x) em todos os pontos
do seu domínio.

Definição 6
A função derivada

Dada uma função y = f ( x) , define-se a função derivada f '( x) da


seguinte forma:

f ( x - h) - f ( x )
f '( x)= lim
h �0 h

Exemplo 12: Calcule a derivada da função f ( x) = x 2 + x .

Solução:
Vamos utilizar a definição de derivada:

f ( x + h) - f ( x )
f '( x) = lim (definição de função derivada)
h®0 h
f(x+h) f(x)

( x + h) 2 + ( x + h) - ( x 2 + x )
= lim (aplicação da função f)
h® 0 h

x 2 + 2 xh + h 2 + x + h - x 2 - x
= lim (simplificação)
h® 0 h

Cálculo II
34
Capítulo 1

2 xh + h 2 + h
= lim
h® 0 h

h(2 x + h + 1)
= lim
h® 0 h

= lim(2 x + h + 1)
h® 0

= 2 x +1

Portanto, a função derivada de f ( x) = x 2 + x é a função f '( x) = 2 x+ 1 .

3
Exemplo 13: Calcule a derivada da função f ( x)= .
x

Solução:
Utilizamos a definição de função derivada:

f ( x + h) - f ( x )
f '( x) = lim
h®0 h
3 3
-
=
lim x + h x
h® 0 h
3x 3( x + h)
-
x ( x + h) x ( x + h)
= lim
h® 0 h

-3h
= lim
h® 0 hx( x + h)

-3
= lim
h® 0 x ( x + h)

3
=- .
x2
3 3
Portanto, a derivada da função f ( x)= é a função f '( x) = - 2 .
x x
Há vários modos de representar a derivada de uma função y=f(x). Além

Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas


35
Derivadas

de f '( x) , as notações mais comuns são:

• y’ (lê-se: y linha) → Apropriada e breve, mas não fornece a va-


riável independente;
dy
• (lê-se: dy dx) → Fornece as variáveis e usa d para a
dx
derivada;
df
• (lê-se: df dx) → Dá ênfase ao nome da função;
dx
d
• f ( x) (lê-se: ddx de f(x))
dx

dy
O mais usual é lermos como “a derivada de y em relação a x”.
dx

dy
Exemplo 14: Calcule , sendo y = 3x + 2.
dx
Solução:
Utilizamos a definição de função derivada:

dy f ( x + h) - f ( x )
= lim
dx h ® 0 h

3( x + h) + 2 - (3x + 2)
= lim
h® 0 h

3x + 3h + 2 - 3 x - 2
= lim
h® 0 h
3h
= lim
h® 0 h

= lim 3
h® 0

=3.
dy
Portanto, se y = 3x + 2, então =3, que é uma função constante.
dx

Cálculo II
36
Capítulo 1

ATIVIDADE 4
Nos exercícios de A a M, calcule a derivada da função dada, usan-
do a definição via limite, conforme os exemplos 12, 13 e 14.
A. f(x) = 3

B. g(x) = -5

C. f(x) = -5x

D. f(x) = 4x + 2
2
E. h(s) = 3 + s
3
1
F. f(x) = 9 - x
2
2
G. f(x) = 2x + x -1

H. f(x) = 1 - x 2

I. f(x) = x 3 - 12x

J. f(x) = x 3 + x 2
1
K. f(x) =
x-1
1
L. f(x) = 2
x
M. f(x) = x+ 1

__________________________________________________
__________________________________________________
_________________________________________________
__________________________________________________
__________________________________________________
__________________________________________________
_________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
____________________________________________________

Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas


37
Derivadas

__________________________________________________
__________________________________________________
_________________________________________________
__________________________________________________
__________________________________________________
_________________________________________________
__________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
__________________________________________________
__________________________________________________
__________________________________________________
__________________________________________________
__________________________________________________
__________________________________________________
__________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
__________________________________________________
__________________________________________________
__________________________________________________
__________________________________________________
__________________________________________________
__________________________________________________
__________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
__________________________________________________
__________________________________________________
__________________________________________________
__________________________________________________
__________________________________________________
__________________________________________________
__________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
____________________________________________________

Cálculo II
38
Capítulo 1

1.5 Regras de derivação

Muitas vezes, ao calcularmos a derivada de uma função aplicando a


definição f '( x) = lim f ( x + h) - f ( x) temos muito trabalho devido
h®0 h
aos cálculos longos que efetuamos. Porém, existem regras matemáticas
práticas, que permitem calcular derivadas de forma mais rápida. Com
essas regras, que serão introduzidas a partir de agora, poderemos
resolver todos os exemplos e exercícios dos tópicos 1.1, 1.2, 1.3 e 1.4 de
forma bem mais simplificada. Não deixe de refazê-los.

As regras de derivação nos permitirão calcular as derivadas de


polinômios, de funções racionais, funções algébricas, exponenciais,
logarítmicas e trigonométricas de forma relativamente rápida. Vamos
a elas.

Teorema 1
Derivada de uma função constante

A derivada de uma função constante é igual a zero. Ou seja, se f(x)


= c, então df d .
= (c ) = 0
dx dx

Demonstração:
Para provar essa afirmação, basta aplicar a definição de derivada à
função f(x) = c. Veja:

f ( x + h) - f ( x ) c-c
f '( x) = lim Þ f '( x) = lim Þ f '( x) = lim 0 = 0
h® 0 h h ® 0 h h® 0

Exemplo 15:

a) Se f tem o valor constante f(x) = 8, então f’(x) = 0.


dy
b) Se y = 3p 2 + 5 , então = 0.
dx

Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas


39
Derivadas

Teorema 2
Regra da potência
Se n for um número real qualquer, então
d n
( x ) = n × x n-1
dx
Em outras palavras: A derivada de uma função potência é o pro-
duto do expoente pela base elevada ao expoente diminuído de 1.

Demonstração:
Vamos provar a afirmação para o caso em que n é um número
natural, mas ela é válida para qualquer valor real de n.
Aplicando a definição de derivada à função f ( x) = x n , temos:

f ( x + h) - f ( x ) ( x + h) n - x n
f '( x) = lim Þ f '( x) = lim Þ
h® 0 h h® 0 h

( x + h - x) éëê( x + h) n-1 + ( x + h) n-2 × x + ( x + h) n-3 × x 2 + ... + x n-1 ùûú


f '( x) = lim Þ
h® 0 h

h éêë( x + h) n-1 + ( x + h) n-2 × x + ( x + h) n-3 × x 2 + ... + x n-1 úùû


f '( x) = lim Þ
h® 0 h

f '( x) = lim( x + h) n-1 + lim( x + h) n-2 × x + lim( x + h) n-3 × x 2 + ... + lim x n-1 Þ
h® 0 h® 0 h® 0 h® 0

f '( x) = x n-1 + x n-2 × x + x n-3 × x 2 + ... + x n-1 Þ

f '( x) = x n-1 + x n-1 + x n-1 + ... + x n-1 Þ f '( x) = n × x n-1

Exemplo 16:

Observe na Tabela 1 algumas funções-potência e suas derivadas:

Função f(x) Sua derivada f '( x)


f ( x) = x 2 f '( x) = 2 x

f ( x) = x3 f '( x) = 3x 2

f ( x) = x 4 f '( x) = 4 x3

f ( x) = x10 f '( x) =10 x9

f ( x) = x140 f '( x) =140 x139

Cálculo II
40
Capítulo 1

f ( x) = x-1 1
f '( x) = -x-2 = -
x2

f ( x) = x-2 2
f ( x ) = - 2 x -3 = -
x3
f ( x) = x-3 3
f ( x ) = - 3 x -4 = -
x4

f ( x) = x-45 45
f ( x) = -45 x-46 = -
x 46
Tabela 1: Exemplos de derivadas de funções-potência

Exemplo 17:
1
Sendo f ( x) = x = x 2 , calcule f '( x) .

Solução:
1
Aplicando a regra da potência (com n = ), temos:
2
1
f ( x) = x = x 2
1 12 -1
f '( x) = x (regra da potência)
2
1 - 12
f '( x) = x
2
1
f '( x) = 1
2x 2
1
f '( x) =
2 x

Exemplo 18:
1
Sendo f ( x) = 3 x = x 3 , calcule f '( x) .

Solução:
1
Aplicando a regra da potência (com n = ), temos:
3
1
f ( x) = 3 x = x 3
1 13-1
f '( x) = x (regra da potência)
3
1 -2
f '( x) = x 3
3

Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas


41
Derivadas

1
f '( x) = 2
3x 3
1
f '( x) =
3 3 x2

Teorema 3
Regra do múltiplo constante
Se c for uma constante e f uma função, então
d d
(c . f ( x)) = c. f ( x)
dx dx

Em outras palavras: A derivada de uma função que está sendo


multiplicada por uma constante é igual à constante multiplicada
pela derivada da função.
Demonstração:
Para demonstrar esse fato basta aplicar a definição de derivada à
função y = cf ( x) :

cf ( x + h) - cf ( x) c [ f ( x + h) - f ( x ) ]
y ' = lim Þ y ' = lim Þ
h® 0 h h® 0 h

f ( x + h) - f ( x ) f ( x + h) - f ( x )
y ' = lim c. Þ y ' = c.lim
h® 0 h h ® 0 h
.
y ' = lim c. f '( x)
h®0

Exemplo 19:

Sendo f ( x) = 6 x5 , calcule f '( x) .

Solução:
d
(6 x 5 ) =
dx
d
= 6. ( x5 ) = (repete-se a constante 6 e deriva-se a função)
dx
= 6.5 x 4 =

= 30 x 4

Cálculo II
42
Capítulo 1

Exemplo 20:

Sendo f ( x) = 3 x , calcule f '( x) .

Solução:

d
(3 x ) =
dx
d
= 3. ( x ) = (repete-se a constante e deriva-se a função)
dx
1
= 3× = (resultado do exemplo 17)
2 x

3
=
2 x

Teorema 4
Regra da soma
Se f e g forem ambas diferenciáveis, então

d d d
( f ( x) + g ( x)) = f ( x )+ g ( x)
dx dx dx

Em outras palavras: A derivada de uma soma de duas funções é


igual à derivada da primeira função mais a derivada da 2ª.

Exemplo 21:

Calcule a derivada da função y = 6 x5 + x3 .

Solução:

d
(6 x 5 + x 3 ) =
dx
d d
= (6 x 5 ) + ( x 3 ) =
dx dx

= 30 x 4 + 3x 2 .

Exemplo 22: Calcule a derivada da função f ( x) = 3 x + x5 .

Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas


43
Derivadas

Solução:

d
(3 x + x5 ) =
dx

d d
= (3 x ) + ( x5 ) =
dx dx

3
= + 5x4 . (utilizando o resultado encontrado no exemplo 20)
2 x

Teorema 5
Regra da diferença
Se f e g forem ambas diferenciáveis, então

d d d
( f ( x) - g ( x)) = f ( x) - g ( x)
dx dx dx

Em outras palavras: A derivada de uma subtração de duas fun-


ções é igual à derivada da primeira função menos a derivada da
2ª.

Exemplo 23: Calcule a derivada da função y = 6 x5 - x3 .

Solução:

d
(6 x 5 - x 3 ) =
dx
d d
= (6 x 5 ) - ( x 3 ) =
dx dx

= 30 x 4 - 3 x 2 .

Exemplo 24: Calcule a derivada da função y = 2 x - x5 .

Solução:
d
(2 x - x5 ) =
dx
d d
= (2 x ) - ( x5 ) =
dx dx

Cálculo II
44
Capítulo 1

2
= - 5x4 =
2 x
1
= - 5x4
x

Exemplo 25: Calcule a derivada da função f ( x) = 6 x5 - 9 x 7 .

Solução:

d
(6 x 5 - 9 x 7 ) =
dx
d d
= (6 x5 ) - (9 x 7 ) =
dx dx

= 30 x 4 + 63 x 6 .

Obs.: As regras da soma e da diferença podem ser aplicadas quan-


do tivermos uma soma ou subtração não só de duas funções, mas
de qualquer quantidade de funções. Ou seja:
d d d d d d d
( f1 ± f 2 ± f 3 ± f 4 ± f 5 ± ... ± f n ) = ( f1 ) ± ( f 2 ) ± ( f 3 ) ± ( f 4 ) ± ( f 5 ) ± ... ± ( f n )
dx dx dx dx dx dx dx

Exemplo 26: Calcule a derivada do polinômio


5 4 3 2
p( x) = 6 x - x + 2 x + x - 2 x + 1 .

Solução:

d
(6 x5 - x 4 + 2 x3 + x 2 - 2 x + 1) =
dx
d d d d d d
= 6 ( x5 ) - ( x 4 ) + 2 ( x 3 ) + ( x 2 ) - 2 ( x) + (1) =
dx dx dx dx dx dx
= 30 x 4 - 4 x3 + 6 x 2 + 2 x - 2 .

Utilizando-se, conjuntamente, a regra do múltiplo constante, a da


potência, a da soma e a da subtração (como mostrado na observação
acima), podemos derivar qualquer polinômio. Veja os exemplos 27 e
28:

Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas


45
Derivadas

Exemplo 27: Calcule a derivada do polinômio p( x) = 2 x3 + 4 x 2 - 2 x .

Solução:
d
(2 x3 + 4 x 2 - 2 x) =
dx
d d d
= 2 ( x3 ) + 4 ( x 2 ) - 2 ( x) =
dx dx dx
= 6 x2 + 8x - 2 .

Exemplo 28:

Observe na Tabela 2 algumas funções polinomiais e suas derivadas:

Função p(x) Sua derivada p '( x)


p( x) = 2 x3 + x 2 - x p '( x) = 6 x 2 + 2 x -1

p( x) = x30 + 5 x 2 p '( x) = 30 x 29 + 10 x

p( x) = x3 + x 2 + x + 1 p '( x) = 3x 2 + 2 x + 1

p ( x ) = -2 x 8 + 2 x 7 + 9 p '( x) = -16 x 7 + 14 x 6
Tabela 2: Exemplos de derivadas de funções
polinomiais

Teorema 6
Regra do produto
Se f e g forem diferenciáveis, então

d d d
( f ( x) × g ( x)) = f ( x) × g ( x) + g ( x) × f ( x)
dx dx dx

Em outras palavras: A derivada de um produto de duas funções é a


derivada da primeira função vezes a segunda função (sem derivar) mais
a derivada da segunda função vezes a primeira função (sem derivar).

Cálculo II
46
Capítulo 1

Exemplo 29:

Calcule a derivada de y = 9 x 2 . (6 x + 2 )

1ª solução: (Usando a regra do produto)


d
[9 x 2 × (6 x + 2)] =
dx

d d
(9 x 2 ) × (6 x + 2) + (6 x + 2) × (9 x 2 ) = (aplicando a regra do
dx dx
produto)

= 18 x(6 x + 2) + 6 × 9 x 2 =

= 108 x 2 + 36 x + 54 x 2 =

= 162 x 2 + 36 x.

2ª solução: (Simplificando a expressão primeiro)


d
[9 x 2 × (6 x + 2)] =
dx

d
= [54 x3 + 18 x 2 ] =
dx

d d
= 54 x3 + 18 x 2 =
dx dx

= 162 x 2 + 36 x .

Exemplo 30:

Calcule a derivada de y = x × ( x3 + 2) .

1ª solução (Usando a regra do produto)

d
[ x × ( x3 + 2)] =
dx

Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas


47
Derivadas

d d
= ( x ) × ( x3 + 2) + ( x 3 + 2) × ( x ) =
dx dx

æ 1 ö÷ 3
= çç ÷× ( x + 2) + (3 x 2 ) × ( x ) =
çè 2 x ÷ø

æ 1 -1 ö 1
= ççç x 2 ÷÷÷× ( x3 + 2) + (3 x 2 ) × ( x 2 ) =
è2 ÷ø

1 - 1 +3 -
1
2+
1
= x 2 + x 2 + 3x 2 =
2

1 5 -
1 5
= x 2 + x 2 + 3x 2 =
2

7 5 -
1
= x2 + x 2 =
2

7 5 1
= x + .
2 x

2ª solução (Simplificando a expressão primeiro)

d
[ x × ( x3 + 2)] =
dx

d 12 3
= [ x × ( x + 2)] =
dx

d 12 +3 1
= [ x + 2 x 2 )] = (propriedade distributiva)
dx

Cálculo II
48
Capítulo 1

d 72 1
= [ x + 2 x 2 )] =
dx

7 72 -1 1 12 -1
= x + 2× x = (aplicando a regra do produto e do
2 2
múltiplo)
7 5 -
1
= x2 + x 2 =
2

7 5 1
= x + .
2 x

Em tópicos futuros, nós veremos que para o cálculo de algumas derivadas


não será possível simplificar a expressão primeiro, o que inviabilizará a
utilização de soluções do tipo 2. Porém, a solução do tipo 1 poderá ser
sempre utilizada.

Teorema 7
Regra do quociente

Se f e g forem diferenciáveis, então


d d
é ù f ( x) × g ( x) - g ( x) × f ( x)
d f ( x) dx
ê ú = dx
ê ú
dx ë g ( x) û [ g ( x)]2

Em outras palavras: A derivada de um quociente é a derivada do


numerador vezes o denominador (sem derivar) menos a derivada
do denominador vezes o numerador (sem derivar), tudo dividido
pelo quadrado do denominador.

x2 + x - 2
Exemplo 31: Calcule a derivada da função y = .
x3 + 6
Solução:
d éê x 2 + x - 2 ùú
=
dx êë x 3 + 6 úû

Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas


49
Derivadas

d 2 d
( x + x - 2) × ( x3 + 6) - ( x3 + 6) × ( x 2 + x - 2)
= dx dx = (aplicando
[ x3 + 6]2
a regra do
quociente)
( x3 + 6) × (2 x + 1) - ( x 2 + x - 2) × (3 x 2 )
= =
[ x3 + 6]2

(2 x 4 + x3 + 12 x + 6) - (3 x 4 + 3 x 3 - 6 x 2 )
= =
[ x 3 + 6]2

-x 4 - 2 x3 + 6 x 2 + 12 x + 6
= .
[ x3 + 6]2

x 2 +1
Exemplo 32: Calcule a derivada da função y = 3 .
x + 5x
Solução:
d éê x 2 + 1 ùú
=
dx êë x 3 + 5 x úû

d 2 d
( x + 1) × ( x3 + 5 x) - ( x3 + 5 x) × ( x 2 + 1)
= dx dx = (aplicando
[ x3 + 5 x]2
a regra do
quociente)
2 x × ( x3 + 5 x) - (3 x 2 + 5) × ( x 2 + 1)
= =
[ x3 + 5 x]2

(2 x 4 + 10 x 2 ) - (3 x 4 + 3 x 2 + 5 x 2 + 5)
= =
[ x3 + 5 x]2

2 x 4 + 10 x 2 - 3 x 4 - 3 x 2 - 5 x 2 - 5
= =
[ x3 + 5 x]2

-x 4 + 2 x 2 - 5
= .
[ x3 + 5 x]2

Cálculo II
50
Capítulo 1

Todas as regras de derivação que não foram demonstradas podem


ser demonstradas, utilizando-se a definição de derivada e fazen-
do-se manipulações algébricas. O livro texto de nossa disciplina
(Stewart, James – Cálculo Vol. I) apresenta essas demonstrações
nos tópicos 3.1 e 3.2. Estude-as com bastante atenção e procure
refazê-las. A compreensão das deduções das fórmulas do Cálculo
Diferencial e Integral é muito importante o seu desenvolvimento
nesta disciplina e também para o desenvolvimento de seu raciocí-
nio lógico, além disso é um ótimo exercício mental.

ATIVIDADE 5

A) Calcule, usando as regras de derivação, as derivadas das funções


a seguir, conforme os exemplos de 15 a 32:

a) f ( x) = 2 x + 4

b) f ( x) = -2 x - 5

c) f (r ) = pr 2

d) f ( x) = 14 - x 2 + x3 + 4 x 4

e) f(x) = 14 – x–3

f) f(x) = (3x5 – 1)(2 – x4)

g) f(x) = 7(ax² + bx + c ) (sendo a, b e c constantes)


3t ² + 5t - 1
h) f(t) =
t-1
i) f(s) = (s² - 1)(3s - 1)(5s² + 2s)
2 - t²
j) f(t) =
t-2
k) f(x) = x4 + 2/x6
2 x +1
l) f ( x) = 2
x
2x
m) f ( x ) = 2
x +3
2
n) y = x + x
1
o) f ( x) = 2
x +4
x -1
p) g ( x) = 2
x +4
q) y = 34 + 2 x + x 2 + 2 x3 - 3x 4

Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas


51
Derivadas

Vejamos mais alguns exemplos que envolvem taxas de variação que


podem ser resolvidos de modo relativamente rápido, utilizando-se as
regras de derivação. Experimente fazê-los utilizando a definição de
derivada e você perceberá!

Exemplo 33: Ao adicionar um bactericida a um meio nutritivo em


que bactérias estavam crescendo, a população de bactérias continuou
a crescer por um tempo, mas depois parou de crescer e começou a
diminuir. O tamanho da população no instante t (em horas) era dado
por f (t ) = 106 + 104 t -103 t 2 . Determine as taxas de crescimento para

a) t= 0 h.

b) t= 5 h.

c) t= 10 h.

Solução:
Como queremos calcular a taxa de variação da função em três diferentes
instantes de tempo, precisamos calcular a função derivada f '(t ) e depois
substituir t por 0, por 5 e por 10. Veja:

f (t ) = 106 + 104 t -103 t 2

f '(t ) = 104 -103 × 2t (cálculo da derivada)

a) A taxa de crescimento da população em t = 0 h era:

f '(0) = 104 -103 × 2 × 0

= 104 =

=10000 bactérias por hora.

Isso significa que, nesse momento, a população ainda crescia a uma taxa
de 10000 bactérias por hora.

b) A taxa de crescimento da população em t = 5 h era:

f '(5) = 104 -103 × 2 × 5

= 104 -104 =

=0

Cálculo II
52
Capítulo 1

Isso significa que, nesse momento, a população de bactérias permanecia


constante.

c) A taxa de crescimento da população em t = 10 h era:

f '(10) = 104 -103 × 2 ×10

= 104 - 2 ×104 =

= 10000 - 20000

= -10000 bactérias por hora.

Isso significa que, nesse momento, a população diminuía a uma taxa de


10000 bactérias por hora.

Exemplo 34: O custo anual (em reais) para os estoques de um fabricante


1.008.000
é C (q) = + 6, 3q , onde q é o tamanho do pedido ao se
q
reabastecer o estoque. Calcule a variação no custo anual, ao se aumentar

q de 350 para 351, e compare-a com a taxa de variação instantânea,

quando q = 350.

Solução:

Se substituirmos q por 350, teremos o custo para reabastecer o estoque


com 350 unidades:
1.008.000
C(350) = + 6, 3 × 350
350
C(350) = 2880 + 2205

C(350) = 5085

Logo, o custo para reabastecer o estoque com 350 unidades será de R$


5.085,00.

Fazendo o mesmo, só que com q valendo 351, teremos o custo para


reabastecer o estoque com 351 unidades:
1.008.000
C(351) = + 6, 3 × 351
351

Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas


53
Derivadas

C(351) » 5083, 09

Assim, o custo para reabastecer o estoque com 351 unidades será de R$


5083,09.

Portanto, a variação no custo anual, ao se aumentar q de 350 para 351 é


C (351) - C (350) = 5.083,09 – 5.085,00 = –1,91 reais.

Precisamos comparar esse resultado com a taxa de variação instantânea


no ponto q = 350, ou seja, com a derivada da função no ponto 350. Para
isso, vamos calcular a derivada da função 1.008.000 :
C (q) = + 6, 3q
q

C (q) = 1.008.000q-1 + 6, 3q (modificando a forma da função)

dC
= -1´1.008.000q-2 + 6, 3 (derivando)
dq

dC 1.008.000
=- + 6, 3 .
dq q2

A taxa de variação instantânea, quando q = 350, é:


dC (350) 1.008.000
=- + 6, 3
dq 3502

dC
(350) » -1, 928 reais.
dq
Repare que a variação no custo anual, ao se passar de 350 para 351
unidades estocadas (–1,91 reais), pode ser aproximada pela derivada no
ponto 350 (–1,928 reais). O resultado dessa derivada é chamado custo
marginal. Experimente fazer esses cálculos com valores maiores de q e
você verá que esse resultado se manterá.

Exemplo 35: Um carro percorre 15.000 quilômetros por ano e faz x


quilômetros com 1 litro de combustível. Suponha que o custo médio do
combustível seja R$ 2,70 por litro. Calcule o custo anual C do combustível
como função de x e use-o para completar a tabela.

Cálculo II
54
Capítulo 1

x 10 15 20 25 30 35 40
C
dC/dx

Solução:

Para encontrarmos o custo anual com combustível, precisamos dividir


o total de quilômetros percorridos em 1 ano (15000) por x (número
de quilômetros que se faz com 1 litro) e depois multiplicar o resultado
pelo valor de 1 litro do combustível (2,70). Usando esse raciocínio e
representando o custo anual por C, temos:
15000
C ( x) = ´ 2, 70
x
40500
C ( x) =
x
C ( x) = 40500 x-1

Para calcular os valores que completam a 1ª linha da tabela, basta


substituir x por 10, 15, 20 25, 30, 35 e 40 e fazer as contas:

40500
C(10) = = 4050 reais
10
40500
C(15) = = 2700 reais
15
40500
C(20) = = 2025 reais
20
40500
C(25) = = 1620 reais
25
40500
C(30) = = 1350 reais
30
40500
C(35) = » 1157,14 reais
35
40500
C(40) = = 1012, 50 reais
40

Para calcular os valores que completam a 2ª linha da tabela, precisamos


dC
da função derivada . Vamos calculá-la:
dx
C ( x) = 40500 x-1

Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas


55
Derivadas

dC ( x)
= -1´ 40500 x-2 (aplicando a regra da potência)
dx

dC ( x) -40500
=
dx x2
Agora basta substituir x por 10, 15, 20 25, 30, 35 e 40 e fazer os devidos
cálculos:

dC -40500
(10) = = -405
dx 102
dC -40500
(15) = = -180
dx 152
dC -40500
(20) = = -101, 25
dx 202
dC -40500
(25) = = -64, 8
dx 252
dC -40500
(30) = = -45
dx 302
dC -40500
(35) = » -33, 06
dx 352
dC -40500
(40) = = -25, 31
dx 402

A tabela completa fica da seguinte forma:

x 10 15 20 25 30 35 40
C 4050 2700 2025 1620 1350 1157,14 1012,50
dC/dx -405 -180 -101,25 -64,8 -45 -33,06 -25,31

Exemplo 36: Uma moeda de um real cai da cobertura de um


edifício de 1.362 pés, de tal forma que a sua posição no instante t é
s (t ) = -16t 2 + 1362 .

a) Obtenha a função velocidade da moeda.


b) Determine a velocidade média no intervalo [1,2].
c) Calcule a velocidade nos instantes t = 1 e t = 2.
d) Calcule o tempo necessário para a moeda atingir o solo.
e) Calcule a velocidade da moeda no momento do impacto com o solo.

Cálculo II
56
Capítulo 1

Solução:
a) A velocidade é a taxa de variação da posição. Isso significa que, se
derivarmos a função s (t ) = -16t 2 + 1362 , encontraremos a função
velocidade da moeda. Fazendo isso, temos:

v(t ) = s '(t ) = -2´16t

v(t ) = s '(t ) = -32t

b) A posição da moeda no instante t =1 é s(1) = -16 + 1362 = 1346 pés,


e, no instante t =2, é s(2) = -64 + 1362 = 1298 pés. Logo, a velocidade
média da moeda no intervalo [1,2] é:

s (2) - s (1)
Vm =
2 -1

Vm = 1298 -1346

Vm = -48 pés / s

c) A velocidade no instante 1 é v(1) = s '(1) = -32 pés / s e no instante 2


é v(2) = s '(2) = -64 pés / s

d) A moeda atinge o solo quando s (t ) = -16t 2 + 1362 = 0 :

-16t 2 + 1362 = 0
1362
t2 =
16

t » 9, 23 segundos (repare que o valor de t deve ser um número


positivo)

e) A velocidade da moeda no momento do impacto com o solo é


v(9, 23) = s '(9, 23) = -32´9, 23 = -295, 36 pés/s.

ATIVIDADE 6
A) O volume de um cubo de aresta s é dado por V = s 3 . Cal-
cule a taxa de variação do volume em relação a s, quando s = 6
centímetros.
B) A área de um quadrado de lado s é dada por A = s 2 . Calcule a
taxa de variação da área em relação a s, quando s = 2 metros.

Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas


57
Derivadas

C) Verifique que a velocidade média no intervalo [t 0 - ∆ t , t0 + ∆ t ]


é igual à velocidade instantânea em t = t 0 para a função posição.
D) O comprimento da base de um triângulo é dado por 2t + 1 e a
sua altura relativa por t , onde t é o tempo medido em segundos
e a unidade métrica é o centímetro. Calcule a taxa de variação da
área do retângulo em relação à variável t.

E) O raio de um cilindro circular reto é dado por 2t + 1 e a sua


1
altura é dada por t , onde t é o tempo medido em segundos
2
e a unidade métrica é o centímetro. Calcule a taxa de variação do
volume do cilindro em relação à variável t. (Lembre-se de que o
volume de um cilindro é o valor da área da base multiplicado pela
altura.)

F) O custo associado ao pedido e ao frete de componen-


tes usados na fabricação de um produto é dado pela função
æ 200 x ö÷
C = 100 çç 2 + ÷ , na qual x ³1 . C é medido em milhares
çè x x + 30 ÷ø
de reais e x é o número de unidades do pedido, medido em cente-
nas. Calcule a taxa de variação de C em relação a x, quando x = 20.
Qual o significado desse resultado? Veja o exemplo 34.

G) Uma população de 500 bactérias é colocada numa cultura e


passa a crescer, segundo a equação P(t) = 500
� 1+
4t
50 + t²
t é o tempo medido em horas. Calcule a variação de crescimento
� , onde

da população no instante t = 2.
H) Na superfície de um pequeno planeta sem ar, exploradores usa-
ram um estilingue para atirar uma bola verticalmente para cima
com uma velocidade de lançamento de 15 m/s. Como a acelera-
ção da gravidade era g s m / s 2 , os exploradores esperavam que
2
a bola atingisse uma altura de s = 15t - (1/2) g s t metros após t
segundos. Eles verificaram que a bola atingiu sua altura máxima
20 segundos depois do lançamento. Qual é o valor de g?
I) Suponha que a distância percorrida por uma aeronave na pista
2
antes de decolar seja dada por D = (10/9) t (medindo-se D em
metros desde o ponto de partida e t em segundos depois que os
freios foram soltos). A aeronave começa a planar quando sua ve-
locidade atinge 200 Km/h. Quanto tempo levará para a aeronave
planar e que distância ela já terá percorrido até esse instante?

Cálculo II
58
Capítulo 1

J) Embora a erupção do vulcão Kilauea Iki, no Havaí, em novem-


bro de 1959, tenha começado com uma linha de fontes laterais
na parede da cratera, a atividade vulcânica ficou restrita a uma
única abertura no fundo da cratera, que em certo momento lan-
çou lava a 1.900 pés de altura (um recorde mundial). Qual foi a
velocidade de saída da lava em pés/s? Dica: Se v0 é a velocidade de
saída de uma partícula de lava, sua altura no instante t será dada
por s (t ) = v0t -16t 2 pés. Comece determinando o instante em que
ds
= v(t ) = 0 . Despreze a resistência do ar.
dt
K) A Lei da Gravitação Universal de Newton afirma que a força
F que duas massas m1 e m2 exercem uma sobre a outra é dada
Gm1m2
por F = , onde G é uma constante e d é a distância entre

as duas massas. Determine uma fórmula que forneça a taxa de
variação instantânea de F em relação a d. Assuma que as mas-
sas m1 e m2 representam objetos puntiformes em movimento.

___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________

Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas


59
Derivadas

___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________

Cálculo II
60
Capítulo 1

1.6 Derivadas de ordem superior

Ao derivarmos uma função, obtemos como resultado uma nova


função, chamada função derivada. Se for possível derivarmos a função
derivada, obteremos mais uma função, chamada de segunda derivada,
ou derivada de segunda ordem. Representamos a segunda derivada de
d 2 f (x )
uma função y = f ( x) com o símbolo 2 . Dessa forma, temos que:
dx

d 2 f (x ) d  d f (x )
=  
d x2 d x  d x 

Vamos continuar no mesmo raciocínio. Pode ser que esta nova função
d 2 f (x )
possa ser derivada novamente. Se houver essa possibilidade e
d x2
se o fizermos, encontramos a terceira derivada ou derivada de terceira
ordem. Representamos a terceira derivada de uma função y = f (x) com
o símbolo d f (x ) . Assim,
3

d x3

d 3 f (x ) d  d  d f (x ) d  d 2 f (x )
=    =  
d x3 d x  d x  d x  d x  d x 2 

Podemos, ainda, continuar derivando, obtendo as derivadas de quarta


ordem, quinta ordem, sexta ordem, etc.

d n f (x )
Em geral, o símbolo representa a derivada de ordem n de uma
d xn
função y = f (x) .

Além da simbologia apresentada, essas derivadas também podem ser


denotadas como segue:

d f (x )
I) = f ′ (x ) (primeira derivada)
dx

d 2 f (x )
II) = f ′′ (x ) (segunda derivada)
d x2

Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas


61
Derivadas

d 3 f (x )
III) = f ′′′ (x ) (terceira derivada)
d x3

d 4 f (x )
IV) = f iv (x ) = f (4 ) (x ) (quarta derivada)
d x n4

E assim sucessivamente.

Exemplo 37: Usando as fórmulas de derivação, calcule as derivadas de


1a e 2a ordem da função f (x ) = x 3 , no ponto x0 = −1 .

Solução:

A derivada de 1ª ordem é f ' (x ) = 3x 2 . Aplicando-a em x0 = −1 ,


encontramos f ' (− 1) = 3(−1) 2 = 3 .

A derivada de segunda ordem é a derivada da função f ' (x ) = 3x 2 , que é


f " (x ) = 6 x . Aplicando-a em x0 = −1 , encontra-se f " (− 1) = 6.( −1) = −6 .

Exemplo 38: A posição de uma partícula em movimento é dada


pela equação s (t ) = t 3 - 6t 2 + 9t , onde t é medido em segundo e s em
metros.

a) Encontre a velocidade da partícula no instante t.

b) Em quais instantes a partícula estará em repouso?

c) Qual a velocidade da partícula no instante 2 segundos? E no instante


4 segundos?

Solução:

a) A função velocidade é a primeira derivada da função posição.


Portanto, basta derivar a função s (t ) = t 3 - 6t 2 + 9t . Veja:

Cálculo II
62
Capítulo 1

s (t ) = t 3 - 6t 2 + 9t

s '(t ) = v(t ) = 3t 2 -12t + 9

b) A partícula estará em repouso quando sua velocidade for igual a


zero. Devemos, então, ter s '(t ) = v(t ) = 3t 2 -12t + 9 = 0 . Resolvendo
essa equação do segundo grau, chegamos a t= 1 ou t = 3. Portanto, a
partícula estará em repouso em dois instantes: 1 e 3 segundos.

c) As velocidades nos instantes t = 2 e t = 4 são, respectivamente:

v(2) = 3.2 2 − 12.2 + 9 = −3m / s

v(4) = 3.4 2 − 12.4 + 9 = 9m / s

Portanto, após 2 segundos, a partícula se move com velocidade de -3m/s,


enquanto, após 4 segundos, ela se move com velocidade de 9m/s.

Exemplo 39: Encontre as derivadas de todas as ordens relativas à função


f (x )= 3 x 3 + 2 x 2 − 5 x − 4 .

Solução: Vamos derivar a função f (x )= 3 x 3 + 2 x 2 − 5 x − 4


sucessivamente:

f ′ (x )= 9 x 2 + 4 x − 5

f ′′ (x )= 18 x + 4

f ′′′ (x ) = 18

f iv (x ) = f v
(x ) = � = 0

Observe que a partir da quarta derivada todas serão iguais a zero.

Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas


63
Derivadas

ATIVIDADE 7
A) Calcule as derivadas de 1ª, 2ª e 3ª ordens, relativas às seguintes
funções:
a) f(t) = t8 - 2t5 + 3t + 1
b) y = (3x² - 4x)²
c) y = x3 + x 2 + x + 2
d) y = x 2 - 2 x + 3
e) y = 34 x 2 + x
f) y = x
1
g) y =
x
h) y = 2 x 4 + x3 - 3 x 2 + 4 x -1

B) Calcule f ”(1), sabendo que f(x) = (1+x)² - x.

C) Dadas as funções f(x) = x²+Ax e g(x) = Bx, determine os números


A e B, tais que:
ìïïf'(x) + g'(x) = 1 + 2 x
í
ïïî f(x) - g(x) = x ²
D) Um balonista deixa cair de um balão um saco de areia, de uma altura
de 160 m acima do solo. Após t segundos, o saco de areia está a 100 –
4,9t² do solo.
a) Ache a velocidade do saco de areia em t=1 e em t=5 e faça o gráfico
da função velocidade.
b) Com que velocidade o saco de areia atinge o solo?

E) Usando as fórmulas de derivação, calcule as derivadas de 1a e 2a or-


dens da função f ( x) = 2 x3 + 3 x 2 , no ponto x0 = -2 .

F) Seja f ( x) = 3x 4 + 4 x 3 + x + 10 .
a) Calcule f’(x).
b) Escreva a equação da reta tangente ao gráfico de f no ponto corre-
spondente a x0 = 1 .
c) Lembrando que uma reta tem inclinação de 45° quando seu coefi-
ciente angular é igual a 1, ache os pontos sobre o gráfico de f, nos quais
a reta tangente tem inclinação de 45°. Dica: Calcule a primeira derivada,
iguale-a a 1 e resolva a equação resultante.

Cálculo II
64
Capítulo 1

___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
____________________________________________________

Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas


65
Derivadas

1.7 Derivadas de funções trigonométricas

Neste tópico determinaremos as derivadas das funções trigonométricas


(função seno, cosseno, tangente, cotangente, secante e cossecante). Mas,
antes disso, vamos estudar o limite trigonométrico fundamental, cujo
resultado será necessário para o cálculo dessas derivadas.

Teorema 8
Limite trigonométrico fundamental

sen x
Se x é um número real, então lim .
x®0 x
Demonstração:
Para demonstrá-lo, vamos utilizar um argumento geométrico.
Consideremos a Figura 7, que apresenta um arco pertencente ao
1º quadrante de medida x radianos. Sejam AC a medida do seg-
mento cujas extremidades são A e C, TB a medida do segmento
 a medida do comprimento do
cujas extremidades são T e B e TC
arco da circunferência trigonométrica com ponto inicial T e final
 < TB .
C. Da construção feita na Figura 7 temos que AC < TC
Observe que AC = sen x (pela definição de seno), TB = tg x (pela
 = x (a medida do comprimento do
definição de tangente) e TC
arco da circunferência trigonométrica correspondente a um ân-
gulo central de x radianos é x unidades de comprimento). Dessas
observações, montamos a seguinte desigualdade:
senx < x < tgx
senx
Mas, como tgx = , escrevemos a desigualdade anterior da
cos x
seguinte maneira:
senx
senx < x <
cos x
Dividimos os membros da desigualdade por senx , que é um nú-
mero positivo, já que x é do 1º quadrante, e chegamos a:
x 1
1< <
senx cos x
Invertendo as desigualdades, temos:
senx
1> > cos x
x senx
Como lim+ 1 = lim+ cos x = 1, segue que lim+ =1.
x®0 x®0
senx
x®0 x
Mas, como a função f ( x) = é uma função par, seus limites à
x
direita e à esquerda devem ser iguais. Portanto,
senx
lim = 1.
x®0 x

Cálculo II
66
Capítulo 1

Figura 7

Utilizaremos agora o limite trigonométrico fundamental para determinar


a derivada da função seno.

Teorema 9
Derivada da função seno

Se f ( x) = senx , então f '( x) = cos x

Em outras palavras: A derivada da função seno é a função


cosseno.
Demonstração:
Aplicando a definição de derivada de uma função, temos:
d sen( x + h) - sen( x)
(sen x) = lim .
dx h ®0 h
Utilizando a fórmula de transformação em produto
p-q p+q
sen( p ) - sen(q ) = 2 × sen × cos , podemos escrever:
2 2
( x + h) - x ( x + h) + x
2 × sen × cos
d 2 2
(sen x) = lim
dx h®0 h
Simplificando a expressão temos:

d sen(h / 2) é æ h öù
( senx) = lim × lim ê cos çç x + ÷÷÷ú
dx h/2 h® 0 ê ç 2 øúû
h® 0
ë è

Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas


67
Derivadas

sen(h / 2)
Perceba que o limite lim é um limite trigonométrico
h®0 h/2
fundamental, logo, vale 1. Além disso, como a função cosseno é
contínua, segue que lim (cos x ) = cos (lim x) . Considerando essas
duas observações, chegamos a:

d é æ h öù
( senx) = 1× cos ê lim çç x + ÷÷÷ú
dx êë h®0 çè 2 øúû

E, portanto:

d
( senx) = 1× cos x = cos x
dx

Exemplo 40: Diferencie y = x 2 × sen( x) .

Solução:
Como temos uma multiplicação de duas funções, vamos utilizar a regra
do produto (derivada da primeira função vezes a segunda função (sem
derivar) mais a derivada da segunda função vezes a primeira (sem
derivar)):

y = x 2 × sen( x)

y ' = 2 x × sen( x) + cos( x) × x 2

Teorema 10
Derivada da função cosseno

Se f ( x) = cos x , então f '( x) = -senx


Em outras palavras: A derivada da função cosseno é o oposto da
função seno.

Cálculo II
68
Capítulo 1

d
Podemos provar que cos( x) = -senx da mesma maneira que
dx
calculamos a derivada da função seno.

Teorema 11
Derivada da função tangente

Se y = tgx , então y ' = sec 2 ( x)

Em outras palavras: A derivada da função tangente é o quadrado


da função secante.
Demonstração:
A função y = tgx pode ser escrita como a razão entre a função
seno e a função cosseno:
sen x π
y = tg x = , com x ≠ + kπ, k ∈ IN
cos x 2

sen x π
Para derivar y = tg x = , com x ≠ + kπ, k ∈ IN, basta uti-
cos x 2
lizar a regra do quociente (derivada do numerador vezes o de-
nominador (sem derivar) menos a derivada do denominador ve-
zes o numerador (sem derivar), tudo dividido pelo quadrado do
denominador):
cos 2 x - sen x × (- sen x)
y' =
cos 2 x

cos 2 x + sen 2 x
y'=
cos 2 x

1
y'=
cos 2 x

y ' = sec 2 ( x)

Teorema 12
Derivada da função cotangente
Se y = cotgx , então y ' = - cos sec 2 ( x)

Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas


69
Derivadas

Em outras palavras: A derivada da função cotangente é o oposto


do quadrado da função cossecante.

Pode-se provar que a derivada da função cotangente é o oposto do


quadrado da função cossecante do mesmo modo que calculamos
cos x
a derivada da função tangente. É só escrever y = cotgx = e
senx
aplicar a regra do quociente.

Teorema 13
Derivada da função secante

Se y = sec x , então y ' = sec( x) × tg ( x)

Em outras palavras: A derivada da função secante é ela própria


vezes a função tangente.

Para calcular a derivada da função secante escrevemos


1
y = sec x = e aplicamos a regra do quociente.
cos x

Teorema 14
Derivada da função cossecante

Se y = cos sec x , então y ' = - cos sec( x) × cotg ( x)

Em outras palavras: A derivada da função cossecante é o oposto


dela mesma, vezes a função cotangente.

Cálculo II
70
Capítulo 1

Para calcular a derivada da função cosssecante escrevemos


1
y = cos sec x = e aplicamos a regra do quociente.
senx

Segue, abaixo, uma tabela-resumo com as derivadas das funções


trigonométricas:

Tabela das derivadas de funções trigonométricas

d d
sen ( x ) = cos ( x) cos ( x) = - sen ( x )
dx dx

d d
tg ( x) = sec 2 ( x) cot g ( x) = - cos sec 2 ( x)
dx dx

d d
sec ( x ) = sec ( x )× tg ( x ) cos sec ( x ) = - cos sec ( x)× cot g ( x )
dx dx
Tabela 3: derivadas das funções trigonométricas

Exemplo 41: Um objeto na extremidade de uma mola vertical é esticado


4 cm além de sua posição no repouso e solto no instante t = 0. Sua
posição no instante t é s (t ) = 4 cos(t ) . Encontre a velocidade do objeto
no instante t.

Solução:
Para encontrar a velocidade, basta derivar a função posição:
d
v(t ) = s '(t ) = (4 cos(t ))
dt

d
v(t ) = s '(t ) = 4 (cos(t ))
dt

v(t ) = s '(t ) = -4sen(t )

sec ( x)
Exemplo 42: Diferencie f ( x) = .
1 + tg ( x)

Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas


71
Derivadas

Solução:
Como temos uma divisão entre duas funções, basta utilizar a regra do
quociente (derivada do numerador vezes o denominador (sem derivar)
menos a derivada do denominador vezes o numerador (sem derivar),
tudo dividido pelo quadrado do denominador):

sec ( x)
f ( x) =
1 + tg ( x)
d d
(sec( x)). éë1 + tg ( x )ùû - éë1 + tg ( x )ùû .sec( x)
f '( x) = dx dx
2
é1 + tg ( x )ù (regra do
ë û
quociente)

sec ( x )× tg ( x). éë1 + tg ( x )ùû - sec 2 ( x).sec( x)


f '( x ) = 2
é1 + tg ( x)ù
ë û (derivando
as funções trigonométricas)

sec ( x)× tg ( x) + sec ( x)× tg 2 ( x) - sec3 ( x)


f '( x) = 2
é1 + tg ( x)ù
ë û (aplicando a
propriedade distributiva)

Substituindo tg 2 ( x) por sec 2 ( x) -1 , temos:

sec ( x )× tg ( x) + sec ( x )× éëêsec 2 ( x) -1ùûú - sec3 ( x)


f '( x) = 2
é1 + tg ( x)ù
ë û
sec ( x)× tg ( x) + sec3 ( x) - sec ( x) - sec3 ( x)
f '( x) = 2
é1 + tg ( x)ù (aplicando a
ë û
propriedade distributiva)

sec ( x)× tg ( x) - sec ( x )


f '( x) = 2
(cancelando as parcelas opostas)
é1 + tg ( x )ù
ë û

sec ( x )×[tg ( x) -1]


f '( x) = 2
(evidenciando)
é1 + tg ( x )ù
ë û

Cálculo II
72
Capítulo 1

Nosso uso principal para o limite trigonométrico fundamental foi


provar que a derivada da função seno é a função cosseno. Mas esse limite
também é proveitoso na determinação de outros limites envolvendo
trigonometria, como nos exemplos a seguir:
sen(7 x)
Exemplo 43: Encontre lim
x®0 4x
Solução:
sen(7 x)
Se o limite solicitado fosse lim , o resultado seria 1, de
x®0 7x
imediato.

Isso nos dá uma idéia: transformar algebricamente a expressão


sen(7 x) , a fim de chegarmos a um limite fundamental.
lim
x®0 4x
7
Para isso, basta multiplicarmos o numerador e o denominador por (o
4
que não altera o valor da expressão). Veja:

sen(7 x)
lim =
x®0 4x

7
´ sen(7 x)
lim 4 =
x®0 7
´4x
4

7 sen(7 x)
´ lim =
4 x®0 7 x

7 7
´1 =
4 4

sen(ax)
Exemplo 44: Calcule lim , em que a e b são constantes reais
x®0 bx
(generalização do exemplo anterior).

Solução:
sen(ax)
Se o limite solicitado fosse lim , o resultado seria 1. Vamos,
x®0 ax sen(ax)
então, transformar algebricamente a expressão lim , a fim
x®0 bx
de chegarmos a um limite fundamental, para simplificarmos nossas
contas.
a
Para isso, basta multiplicarmos o numerador e o denominador por (o
b
que não altera o valor da expressão). Veja:

Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas


73
Derivadas

sen(ax)
lim =
x®0 bx

a
´ sen(ax)
lim b =
x®0 a
´bx
b

a sen(ax)
´ lim =
b x®0 ax

a a
´1 =
b b

Exemplo 45: Calcule lim x × cot g ( x)


x®0

Solução:
cos( x)
Sabemos que cot g ( x) = . Fazendo essa substituição no limite
sen( x)
solicitado, temos:

lim x × cot g ( x) =
x®0

x cos( x)
= lim =
x®0 sen( x)

cos( x)
= lim =
x®0 sen( x)
x
lim [cos( x) ]
x®0
= =
é sen( x) ù
lim ê ú
ë x úû
x®0 ê

cos 0
= =
1

=1.

Cálculo II
74
Capítulo 1

ATIVIDADE 8

A) Derive as seguintes equações e obtenha y ' . Ao lado de cada


item segue a resposta para conferência.

a) y = x 2 − sen x R. y ′ = 2 x − cos x

sen x
b) y = R. y¢ = x cos x-sen x
x2
x

c) y = sen x cos x R. y ′ = cos 2 xsen 2 x

cos x
d) y = R. y ¢ = 1-senx
1
1 − sen x

e) y = −10 x + 3 cos x R. y ′ = −10 − 3sen x

f) y=(sec x + tg x)(sec x - tg x) R. y ′ = 0

cot g x - cos sec 2 x


g) y = R. y ¢ =
1 + cot g x 1 + cot g x

4 1
h) y = + R. y ¢ = 4 tg x sec x - cos sec 2 x
cos x tg x

i) y = x 2 sen x + 2 x cos x − 2 sen x R. y ′ = x 2 cos x

-1 cos secx
j) y = (cos secx + cot gx) R. y ¢ =
cot gx + cos secx

B) Calcule os limites:

tg ( x)
a) lim
x®0 x

sen(100 x)
b) lim
x®0 2x

-5sen( x)
c) lim
x®0 2x

Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas


75
Derivadas

x
d) lim
x®0 senx

1
sen( )
e) lim x
x®¥ x

sen(8 x)
f) lim
x®0 sen(9 x)

tg ( x)
g) lim
x®0 4x

sen( x)
h) lim
x®0 x + tg ( x)

C) Uma partícula tem sua posição variando com o tempo, de acor-


do com a relação s (t ) = -2sen(t ) + 3 cos(t ) . Encontre a velocidade
da partícula no instante t.

D) Se a velocidade de um objeto no instante t é v(t ) = -sen(t ) - cos(t )


, qual a sua posição no instante t = 4 ? Dica: use uma calculadora
científica para efetuar os cálculos necessários. Lembre-se de que
ela deve estar no modo radiano.

cos( x)
E) Encontre os pontos sobre a curva y = nos quais a
2 + sen( x)
reta tangente é horizontal.

___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
____________________________________________________

Cálculo II
76
Capítulo 1

___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
____________________________________________________

Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas


77
Derivadas

1.8 Derivadas de funções exponenciais

Teorema 15
Derivada da função exponencial

A derivada da função y = a x (sendo a > 0 e a ¹1 ) é a função


y ' = a x × ln(a )

Em outras palavras: A derivada da função exponencial é ela pró-


pria multiplicada pelo logaritmo natural de sua base.

Demonstração: Aplicando a definição de derivada de uma fun-


ção, temos:
d x a x+h - a x
(a ) = lim
dx h® 0 h
d x a x × ah - a x
(a ) = lim (produto de potências de mesma base)
dx h®0 h

d x a x × (a h -1)
(a ) = lim (evidenciando)
dx h®0 h

Como a x não depende de h, pode “sair” do limite:

d x x a h -1
(a ) = a × lim
dx h®0 h
a h -1
Observe que o limite lim é igual à derivada da função y = a x
h® 0 h
aplicada em x = 0 . Logo, a expressão d x a h -1
(a ) = a x × lim
pode ser escrita da seguinte forma: dx h®0 h

d x
(a ) = a x × f '(a )
dx

Até aqui nós provamos que a derivada de qualquer função expo-


nencial é proporcional à própria função. Porém, pode-se demons-
trar, ainda, que o número f '(a ) é igual a ln(a ) . Admitindo isso,
chegamos ao seguinte resultado:
d x
(a ) = a x × ln(a )
dx

Cálculo II
78
Capítulo 1

Exemplo 46: Mostre que a derivada da função f ( x) = e x é ela própria


( e é o número de Eüler, estudado no módulo anterior, que satisfaz a
condição ln(e) =1).

Solução:
d x
Aplicando a relação (a ) = a x × ln(a ) , temos:
dx

d x
(e ) = e x × ln(e)
dx

Como ln(e) =1, podemos simplificar a expressão:

d x
(e ) = e x ×1
dx

d x
(e ) = e x
dx

A função f ( x) = e x é a única função cuja derivada é ela própria.

Exemplo 47: Calcule a derivada da função f ( x) = 3x + x3

Solução:
Vamos utilizar a regra da derivada da soma:

f ( x ) = 3x + x 3

d x d
f '( x) = (3 ) + ( x 3 )
dx dx
Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas
79
Derivadas

f '( x) = 3x × ln(3) + 3 x 2

Exemplo 48: Calcule a derivada da função f ( x) = 3x sen( x)

Solução:
Temos que utilizar a regra do produto (derivada da primeira função
vezes a segunda função -sem derivar) mais a derivada da segunda
função vezes a primeira - sem derivar):

f ( x) = 3x sen( x)

d x d
f '( x) = (3 ) sen( x) + sen( x)3x (regra do produto)
dx dx

f '( x) = ln(3) × 3x sen( x) + 3x cos( x) (derivando as funções)

f '( x) = 3x [ln(3) sen( x) + cos( x) ] (evidenciando)

sec ( x )
Exemplo 49: Diferencie f ( x) =
2x
Solução:
Basta utilizar a regra do quociente (derivada do numerador vezes o
denominador - sem derivar -, menos a derivada do denominador
vezes o numerador - sem derivar -, tudo dividido pelo quadrado do
denominador):

sec ( x )
f ( x) =
2x

d d
(sec( x)).2 x - éêë 2 x ùúû .sec( x)
f '( x) = dx dx (regra do quociente)
2
é2x ù
ëê ûú

Cálculo II
80
Capítulo 1

sec x × tgx.2 x - ln(2).2 x × sec( x)


f '( x) = 2
(derivando as funções)
é2x ù
ëê ûú

2 x sec x ×[tgx - ln(2) ]


f '( x) = 2
(evidenciando)
é2x ù
êë úû

sec x ×[tgx - ln(2) ]


f '( x) = (cancelando fatores
2x
comuns)

Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas


81
Derivadas

1.9 Regra da cadeia

Uma das mais importantes regras de derivação será estudada agora, a


Regra da Cadeia. Essa regra trata da derivada de funções compostas
e acrescenta uma surpreendente versatilidade às regras vistas nas
seções anteriores. Note que podemos derivar funções mais complexas
utilizando a regra da cadeia:

Podemos derivar essas Para derivar essas funções


funções sem usar a regra da utilizamos a regra da cadeia
cadeia

y = x 2 +1 y = x 2 +1
y = sen( x) y = sen( x 2 + x3 )
y = 3x + 2 y = (3x + 2)
50

y = x + tg ( x) y = x + tg ( x 2 )
Tabela 4: Exemplos de funções que podem ser
derivadas por meio da regra da Cadeia

Exemplo 50: Constrói-se um conjunto de engrenagens, como mostrado


na Figura 8, com a segunda e a terceira engrenagens acopladas no
mesmo eixo. O primeiro eixo movimenta o segundo que, por sua
vez, coloca o terceiro eixo em movimento. Represente por y, u e x o
número de rotações por minuto do primeiro, segundo e terceiro eixos
respectivamente.

Cálculo II
82
Capítulo 1

Figura 8: Engrenagens ilustrando a regra da


cadeia

dy du dy dy dy du
Calcule , e , e demonstre que = ´ .
du dx dx dx du dx

Solução:
Como o perímetro da segunda engrenagem é três vezes maior que o
da primeira, segue que o primeiro eixo deve dar três voltas para que
o segundo eixo dê uma volta. Da mesma forma, o segundo eixo deve
dar duas voltas para que o terceiro eixo dê uma volta (preste bastante
atenção na figura), e assim podemos escrever:

dy du
= 3e =2
du dx

Desses dois resultados, concluímos que o primeiro eixo deve dar seis
voltas para que o terceiro eixo dê uma volta. Portanto, obtemos:

Taxa de variação do Taxa de variação do segundo


dy primeiro eixo em re- ´ eixo em relação ao terceiro
=
dx lação ao segundo eixo eixo

= taxa de variação do primeiro eixo em re-


dy du
= × = 3 × 2 = 6 lação ao terceiro
du dx

Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas


83
Derivadas

Em outras palavras, a taxa de variação de y em relação a x é o produto


da taxa de variação de y em relação a u pela a taxa de variação de u em
relação a x.

O mesmo raciocínio aplicado no exemplo anterior é utilizado para


derivar funções compostas.

O exemplo foi uma ilustração da regra da Cadeia, que está enunciada a


seguir.

Teorema 16
A regra da cadeia

Se y= f(u) é uma função derivável na variável u, e u = g(x) é uma


função derivável na variável x, então y = f(g(x)) é uma função de-
rivável na variável x e
dy dy du
= ×
dx du dx

Exemplo 51: Diferencie f ( x) = (x 2 + 3) .


2

1ª solução:

Uma maneira de resolver o problema é desenvolver a expressão e calcular


a derivada do resultado obtido. Veja:
2
f ( x) = ( x 2 + 3)

f ( x) = x 4 + 6 x 2 + 9 (desenvolvendo o quadrado da soma)

f '( x) = 4 x3 + 12 x (derivando o polinômio)

2ª solução:

Outra solução consiste em utilizar a regra da cadeia. Para isso, precisamos


representar uma parte da expressão da função f ( x) = (x 2 + 3) por uma
2

variável auxiliar u. Fazemos, então, u = x 2 + 3 e, consequentemente,

Cálculo II
84
Capítulo 1

ficamos com y = u 2 . Ao usarmos a regra da Cadeia, precisamos calcular


dy e du , e em seguida multiplicar os resultados.
du dx

dy
Primeiro calculamos :
du
dy d
= (u 2 ) = 2u
du du

du
Depois calculamos :
dx
du d
= ( x 2 + 3) = 2 x
dx dx

dy
Em seguida, finalizamos, calculando pela regra da cadeia:
dx
dy dy du
f ' ( x) = = ⋅ =
dx du dx

2u × 2 x =

4( x 2 + 3) × x = (substituímos u por x 2 + 3 )

4 x3 + 12 x .

Portanto, f '( x) = 4 x3 + 12 x .

Exemplo 52: Calcule a derivada da função f ( x) = x 2 + 1 .

Solução:
Primeiramente, vamos escrever a função, utilizando a forma de
potência:
1
f ( x) = x 2 + 1 ⇒ f ( x) = ( x 2 + 1) 2

Agora,1 chamamos x 2 + 1 de u e ficamos com as funções u = x 2 + 1 e


y = u2 .
dy
Calculamos :
du

Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas


85
Derivadas

1
dy d 2
= (u )
du du

1 12 -1
= u
2

1 - 12
= u
2

du
Depois, calculamos :
dx
du d
= ( x 2 + 1) = 2 x
dx dx

dy
Em seguida, finalizamos, calculando pela regra da cadeia:
dx
dy dy du
f ' ( x) = = ⋅ =
dx du dx

1
1 −
= u 2 ⋅ 2x =
2

1

= u 2 ⋅x =

1

= ( x 2 + 1) 2 ⋅ x =

x
= 1
.
2
(x + 1) 2

x
Portanto, f ' ( x) = .
x2 +1

dy
Exemplo 53: Calcule , sendo y = ( x 2 + 1) 3 .
dx

Cálculo II
86
Capítulo 1

Solução:

Para essa função, consideramos u = x 2 + 1 e ficamos, a partir dessa


representação, com duas funções: u = x 2 + 1e y = u 3 .
dy
Calculamos :
du

1
dy d 2
= (u )
du du

1 12 -1
= u
2

1 - 12
= u
2

du
Depois, calculamos :
dx
du d
= ( x 2 + 1) = 2 x
dx dx

dy
Em seguida, finalizamos, calculando pela regra da cadeia:
dx
dy dy du
f ' ( x) = = ⋅ =
dx du dx

1
1 −
= u 2 ⋅ 2x =
2
1

= u ⋅x = 2

1

= ( x 2 + 1) 2 ⋅ x =
x
= 1
.
2
(x + 1) 2

x
Portanto, f ' ( x) = 2
.
x +1

Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas


87
Derivadas

Como vimos, a regra da cadeia é utilizada para derivar uma fun-


ção que é composta de outras funções, ou seja, uma função da
forma y = f ( g ( x)) .
Ao aplicar a Regra da Cadeia, é útil pensar na função composta
f  g ( x) = f [ g ( x) ] como tendo duas partes: uma parte interna (
g ( x) ) e outra externa. Com isso em mente, podemos calcular a
derivada da função y = f ( g ( x)) de uma forma alternativa, que na
verdade é a própria regra da Cadeia, só que escrita com outras
palavras:
i) Primeiramente, calcule f '( g ( x)) (derivada da função externa
aplicada na interna);
ii) Depois, calcule g '( x) (derivada da parte interna);
iii) Por fim, multiplique os dois resultados encontrados.

Exemplo 54: Derive a função y = ( x 3 − 1)100 .

Solução:
i) Calculamos f '( g ( x)) (derivada da função externa aplicada na
interna):

f '( g ( x)) = 100( x 3 − 1) 99 (regra da potência);

ii) Calculamos g '( x) (derivada da parte interna);


d 3
g '( x) = ( x -1) = 3 x 2
dx
iii) Multiplicamos os resultados dos itens i e ii:

y ' = 100( x3 -1)99 . 3 x 2

= 300 x 2 ( x3 -1)99

Portanto, y ' = 300 x 2 ( x3 -1)99

Exemplo 55: Derive y = ( x 50 − 1)10

Solução:
i) Calculamos f '( g ( x)) (derivada da função externa aplicada na
interna):

Cálculo II
88
Capítulo 1

f '( g ( x)) = 10( x50 -1)9 (regra da potência);

ii) Calculamos g '( x) (derivada da parte interna);


d 50
g '( x) = ( x -1) = 50 x 49
dx
iii) Multiplicamos os resultados dos itens i e ii:

y ' = 10.( x50 -1)9 .50 x 49

= 500 x 49 ( x50 -1)9

Portanto, y ' = 500 x 49 ( x50 -1)9

Imagine se tivéssemos que desenvolver a expressão original dada no


problema para depois derivar!

10
Exemplo 56: Derive y = [ sen( x) ]

Solução:
i) Calculamos f '( g ( x)) (derivada da função externa aplicada na
interna):

f '( g ( x)) = 10( senx)9 (regra da potência);

ii) Calculamos g '( x) (derivada da parte interna)


d
g '( x) = ( senx) = cos x ;
dx
iii) Multiplicamos os resultados dos itens i e ii:

y ' =10( senx)9 cos x

Portanto, y ' =10( senx)9 cos x

Imagine se tivéssemos que desenvolver a expressão original dada no


problema para depois derivar!

Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas


89
Derivadas

Exemplo 57: Um pêndulo de 15 centímetros se desloca segundo a equação


q = 0, 2 cos 8t , em que θ , medido em radianos, é o deslocamento angular
em relação à direção vertical e t representa o tempo que é medido em
segundos. Determine:

a) o deslocamento angular máximo.

b) a taxa de variação de θ no instante t = 3 .

Solução:
a) Queremos encontrar o valor máximo da função q = 0, 2 cos 8t . Ora,
sabemos, do módulo passado, que o valor máximo do cosseno é 1.
Assim, a função q = 0, 2 cos 8t terá valor máximo quando cos8t = 1 .
Substituindo, então, cos8t por 1 na expressão q = 0, 2 cos 8t , temos:

q = 0, 2 cos 8t

q = 0, 2 ×1

q = 0, 2 radianos

q »11, 46 graus.

b) Como θ expressa o deslocamento em função do tempo, segue que a


derivada d q representa a taxa de variação de θ . Vamos calcular essa
derivada: dt

q = 0, 2 cos 8t

dq d
= [0, 2 cos 8t ]
dt dt

dq d
= 0, 2 × [cos 8t ]
dt dt

dq
= 0, 2 ×[-8sen(8t ) ]
dt

dq
= -1, 6sen(8t )
dt

Cálculo II
90
Capítulo 1

Agora, é só trocar t por 3:

d q(3)
= -1, 6sen(8 × 3)
dt

d q(3)
= -1, 6sen(24)
dt

d q(3)
» 1, 45 radianos por segundo.
dt

d q(3)
» 83,12 graus por segundo.
dt

æ 1 ö
Exemplo 58: Calcule a derivada da função y = sen çç ÷÷÷ .
çè x ø

æ 1 ö -1
y = sen çç ÷÷÷ = sen x 2
çè x ø ( )

dy
dx
1 -3 -1
= - x 2 cos x 2
2
( ) (regra da cadeia na forma simplificada)

1 æ 1 ö
=- cos çç ÷÷÷
2 x3 çè x ø

Exemplo 59: Calcule a derivada da função ( ).


y = 4 x 2 cos 3 x 4

y = 4 x 2 cos (3 x 4 )

dy
= 8 x cos (3 x 4 ) - 48 x 4 sen (3 x 4 ) (regra do produto e regra da
dx
Cadeia)

Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas


91
Derivadas

x
Exemplo 60: Calcule a derivada da função y = − .
(x 2
+4 )
3

x
y =-
3
( x 2 + 4)
3 1

dy ( x + 4) - 3x ( x + 4)
2 2 2 2 2
=- 3
(regra do quociente e regra da
dx ( x 2
+ 4) Cadeia)

1 1

(x 2
+ 4)( x + 4) - 3x ( x + 4)
2 2 2 2 2
=- 3
( x 2 + 4)
1

( x 2 + 4 - 3x 2 )( x 2 + 4)2
=- 3
( x 2 + 4)
1

(4 - 2 x 2 )( x 2 + 4)2
=- 3
( x 2 + 4)
1

(2 x 2 - 4)( x 2 + 4)2
= 3
( x 2 + 4)
1
-3
= (2 x - 4)( x + 4)
2 2 2

(2 x 2 - 4)
= 5

( x 2 + 4)2
2 ( x 2 - 2)
=
5
( x 2 + 4)

x
Portanto, a derivada da função y=− é a função
2 ( x 2 - 2) . (x 2
+4 ) 3

y'=
5
( x 2 + 4)

Cálculo II
92
Capítulo 1

ATIVIDADE 9
A. Nos itens seguintes, calcule a derivada da função dada.

a) y = (2 x − 7 )
3

b) g (x ) = 3(4 − 9 x )
4

c) f (t ) = 1 − t

3 2
d) y = 9 x + 4

4 2
e) y = 2 4 − x

1
y=
f) x−2
2
 1 
f (t ) =  
g)  t − 3 

1
y=
h) x+2

i) f (x ) = x (x − 2 )
2 4

2
j) y = x 1 − x

B. O deslocamento, em relação ao equilíbrio de um objeto em


movimento harmônico no extremo livre de uma mola, é dado por
1 1
y = cos 12t − sen12t , em que y é medido em pés e t representa
3 4
o tempo que é medido em segundos. Determine a posição e a ve-
locidade do objeto no instante t = π / 8 .
C) Calcule as derivadas das expressões abaixo. Repare que, ao
lado de cada item, segue a resposta para você conferir com o seu
resultado.
8
a) f ( x) = (2 x - 3)
7
R. f ¢ ( x) = 16 (2 x - 3)
3
 3x + 1 
b) f (x ) =  2 
 x 
2
 3x + 1   3x + 2 
R. f ′(x ) = −3 2  ⋅  3 
 x   x 

Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas


93
Derivadas

x +1
c) g ( x) = x 2 + 2 x -1 R. g ¢ ( x) = 2
x + 2 x -1

4 3 dy 12 x3 + 6 x 2
d) y = 3 x + 2 x
3
R. =
dx 3 3 (3x 4 + 2 x3 ) 2

10 dy 9
e) y = (4 x3 + 5 x 2 + 3) R. = 10 (4 x3 + 5 x 2 + 3) (12 x 2 + 10 x)
dx

D. Calcule a derivada de cada função:


1 1
a) f(t) = t8 - 2t5 + 3t + 1 b) g(t) = − +1
3t ³ 2t ²

æ1 öæ2 ö 2 x² + x +1
c) h( x) = çç 2 + 3÷÷÷.ççç + x÷÷÷ d) p ( x) =
çè x ø è x³ ø x ² - 3x + 2

e) y = (2x² + x - 5)³ f) h(t ) = 2t ³ − t + 1

g) f(s) = (7s² + 6s - 1)³ h) g(s) = (4s² - 5s + 2)-1/3

3
æ 7u + 1 ö÷
i) f(r) = (7r²+6r) (3r - 1)
7 4
j) f (u ) = çç 2
çè 2u + 3 ÷÷ø

2u + 1
k) h(u ) = l) f(y) = (5y-2)6 (3y-1)³
u -1

( y -1)³
m) g(y) = (y²-1)(3y-1)(5y³+2y) n) h( y ) =
( y - 2)²( y - 3)

2 (v - a )²
o) p (u ) = (5u - 3)-1(5u + 3) p) f (v) =
3 (v - b)

q) h(r) = (4r² - a)³(a – 2r) r) f(x) = 7 (ax²+bx+c)-1/3

E. A quantidade y (em gramas) de plutônio radioativo remanescente em


uma amostra de 20g, após t dias é dada pela fórmula A = 20 ⋅ (1 / 2 )
t / 140

A que taxa o plutônio diminui quando t = 2 dias? Responda usando


unidades apropriadas.

Cálculo II
94
Capítulo 1

___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
____________________________________________________

Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas


95
Derivadas

1.10 Derivação implícita

Dada a equação y = 4 x 2 - 6 , dizemos que y é uma função explícita de x e


podemos escrever y = f ( x) onde f ( x) = 4 x 2 - 6 . Em outras palavras,
podemos “isolar” a variável y.

Observe que a equação 8 x 2 - 2 y = 12 define a mesma função f, pois,


resolvendo a equação isolando y obtemos:
8 x 2 -12 = 2 y

8 x 2 -12
y=
2

y = 4 x2 - 6

Para o caso de 8 x 2 - 2 y = 12 , dizemos que y é uma função implícita de


x, ou que f é definida implicitamente pela equação 8 x 2 - 2 y = 12 . Ou
seja, nesse caso não há uma variável “isolada”.

Quando uma relação entre variáveis é dada de forma implícita:

1º) pode acontecer de uma equação definir implicitamente mais do


que uma função. Por exemplo, se considerarmos a equação x 2 + y 2 = 1 ,
temos duas funções definidas. Vejamos:

x2 + y 2 = 1
ß
y = ± 1+ x2

Temos duas funções: y = + 1 + x 2 e y = - 1 + x 2 .

2º) pode acontecer de ser muito difícil ou, até, impossível isolar
uma das variáveis. Por exemplo, tente isolar x ou y na equação
y 4 + 3 y - 4 x3 = 5 x + 1 ou na equação sen( xy 2 + y ) = x - y !

Cálculo II
96
Capítulo 1

Mas a questão que nos interessa aqui é a seguinte:

Pode-se calcular a derivada de uma função definida implicitamente,


sem ser necessário determinar o valor de y explicitamente? A resposta a
dy
essa pergunta é sim. A técnica utilizada para encontrar nesses casos
dx
é chamada derivação implícita.

Regra da potência e da cadeia aplicadas de forma conjunta

Uma das regras mais utilizadas quando estamos derivando im-


plicitamente é a regra da potência aplicada conjuntamente com a
regra da cadeia:

d n du
[u ] = nu n-1 ×
dx dx

Em outras palavras: Multiplica-se o expoente pela base elevada


ao expoente diminuído de 1 (regra da potência) e, em seguida,
multiplica-se pela derivada da parte interna (regra da cadeia).

Exemplo 61: Obtenha dy/dx, sabendo que y 3 + y 2 − 5 y − x 2 = −4 .

Solução:
Primeiramente, derivamos ambos os lados da equação
y 3 + y 2 − 5 y − x 2 = −4 , em relação à variável x:

d 3
dx
[
y + y2 − 5y − x2 =
d
dx
][− 4]

Todas as vezes que formos derivar em relação a uma variável diferente


daquela segundo a qual a função está definida, precisamos multiplicar
pela derivada da parte interna. Isso corresponde à regra da cadeia.
Acompanhe os cálculos:
d é 3ù d é 2ù d d d
ê
ë y ûú + ëê y ûú - [5 y ]- éëê x 2 ùûú = [-4]
dx dx dx dx dx

Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas


97
Derivadas

dy dy dy
3y2 + 2 y -5 - 2x = 0
dx dx dx

dy
A 1ª, a 2ª e a 3ª parcelas vieram acompanhadas do fator , justamente
dx
pelo que foi mencionado acima. Esse fator corresponde à multiplicação
pela derivada da parte interna, já que as três referidas parcelas são
definidas em relação a y, enquanto a derivação é em relação a x.

Agora, agrupamos todos os termos que envolvam dy/dx no lado esquerdo


da equação e colocamos os outros termos no lado direito da equação:
dy dy dy
3y2 + 2 y - 5 = 2x
dx dx dx

Colocamos dy/dx em evidência no lado esquerdo da equação:


dy
(3 y 2 + 2 y - 5) = 2 x
dx

Obtemos dy/dx, dividindo por (3 y 2 + 2 y - 5) :


dy 2x
= 2
dx 3 y + 2 y - 5

Acompanhando os passos desenvolvidos na solução do exemplo anterior,


podemos listar algumas diretrizes que podemos seguir para derivarmos
uma expressão implicitamente:

Diretrizes para derivar implicitamente


1. Derive ambos os lados da equação em relação à variável x, sem
se esquecer de utilizar a regra da cadeia quando necessário;
2. Agrupe todos os termos que envolvem dy/dx no lado esquer-
do da equação e coloque os outros termos no lado direito da
equação;
3. Coloque dy/dx em evidência no lado esquerdo da equação;
4. Isole dy/dx.

Cálculo II
98
Capítulo 1

Exemplo 62: Obtenha dy/dx, sabendo que y 4 + 3 y - 4 x3 = 5 x + 1 .

Solução:
Primeiramente, derivamos ambos os lados da equação
y 4 + 3 y - 4 x3 = 5 x + 1 em relação à variável x:

d 4 d
dx
( y + 3 y - 4 x3 ) = (5 x + 1) (derivamos ambos os membros em
dx
relação a x)

dy
4 y 3 y ¢ + 3 y ¢ -12 x 2 = 5 (repare que em vez da expressão ,
dx
utilizamos a notação y ' )

y ¢ (4 y 3 + 3) = 5 + 12 x 2 (evidenciamos y ' )

5 + 12 x 2
y¢ = (isolamos y ' )
4 y3 + 3

Exemplo 63: Determine o coeficiente angular da tangente ao gráfico da


curva y 4 + 3 y − 4 x 3 = 5 x + 1 no ponto P(1,-2).

Solução:
O coeficiente angular em P é o valor da derivada quando x = 1 e y = -2.
Como já temos a expressão que representa a derivada (do item anterior),
basta fazermos uma simples substituição:

5 + 12 x 2 5 + 12 17
y¢ = 3
Þ y¢ = 3
= .
4y +3 4 (-2) + 3 29

Exemplo 63: Calcule a derivada de y em relação a x, dada a relação


x + seny = xy .

Solução:
Derivamos os dois membros em relação a x:

Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas


99
Derivadas

d d
[ x + seny ] = [ xy ]
dx dx

dy dy
1 + cos y × = 1× y + × x (regra do produto no membro da
dx dx
direita)

dy dy dy
cos y - x = y -1 (agrupando do lado esquerdo)
dx dx dx

dy
(cos y - x) = y -1 (evidenciando)
dx

dy y -1 dy
= (isolando )
dx cos y - x dx


ATIVIDADE 10


A) Use a derivação implícita para determinar dy / dx nos exercí-

cios A-J.


2 2
A. x y + xy = 6


2
B. 2 x y + y = x + y
3 3
C. x − xy + y = 1

D. x (x − y ) = x − y
2 22 2

x −1
y2 =
E. x +1
2 x− y
x =
F. x+ y
G. x = tg y

H. x + sen y = xy
1
I. y sen   = 1 – xy
 y
J. y cos  1  = 2x +2y
2

 y
 
B) Admitindo que cada uma das equações abaixo define implici-
tamente uma função y = f(x) , determine y ' .

Cálculo II
100
Capítulo 1

a) y 2 − 2 xy + 4 = 0
2 2
b) ( x + y ) - ( x - y ) = x 4 + y 4
C) Seja y = f(x) dada implicitamente pela equação 2 y = 1 + xy 3 .
Determine a equação da reta tangente ao gráfico de f no ponto em
que y = 1.
D ) Dada a equação x 2 + y 2 = 9 , determine:
a) a derivada em relação a x.
b) duas funções de x definidas pela equação.
E) Seja y = f (x) a função dada implicitamente pela equação
y3 + y = x ,
1
a) mostre que f '( x) = ;
3[ f ( x)]2 + 1
b) determine a equação da reta tangente ao gráfico de f no ponto
(10, f (10)) .
F) Encontre os dois pontos em que a curva x 2 + xy + y 2 = 7 cru-
za o eixo x e mostre que as tangentes à curva nesses pontos são
paralelas. Qual é o coeficiente angular comum dessas retas?

___________________________________________________
__________________________________________________
_ __________________________________________________
___________________________________________________
_ __________________________________________________
___________________________________________________
_ __________________________________________________
___________________________________________________
_ __________________________________________________
___________________________________________________
_ __________________________________________________
___________________________________________________
_ __________________________________________________
___________________________________________________
_ __________________________________________________
___________________________________________________
_ __________________________________________________
___________________________________________________
_ __________________________________________________
___________________________________________________
_ __________________________________________________
___________________________________________________
_ __________________________________________________

Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas


101
Derivadas

___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
____________________________________________________

Cálculo II
102
Capítulo 1

1.11 Taxas relacionadas

Já foi visto como a Regra da Cadeia pode ser usada para calcular dy / dx
implicitamente. Outra forma importante de usar a Regra da Cadeia é
para calcular a taxa de variação de duas ou mais variáveis relacionadas
que dependam do tempo.

Por exemplo, quando um tanque com formato de cone é esvaziado, o


volume V, o raio r e a altura h do nível da água, são todos funções do
tempo. Sabendo que essas variáveis estão relacionadas pela equação
p
V = r 2 h , podemos derivar ambos os membros da equação em relação
3
à variável t (tempo), por meio de derivação implícita, e obter a equação
de taxas relacionadas. Veja:

p 2
V= r h (fórmula do volume do cone)
3

d d æp ö
(V ) = çç r 2 h÷÷÷ (derivando ambos os membros em
dt dt çè 3 ø
relação a t)

d p d p
(V ) = × (r 2 h) ( 3 é constante e pode “sair” da
dt 3 dt
derivada)

dV p æç 2 dh dr ö
= çr + 2rh ÷÷÷ (aplicando a regra do produto juntamente
dt 3 çè dt dt ø
com a regra da Cadeia)

Dessa maneira, encontramos a taxa de variação de V em função da taxa


de variação de h e da taxa de variação de r.

Vejamos agora alguns exemplos de problemas que podem ser resolvidos


com a estratégia apresentada acima:

Exemplo 64: Suponha que x e y sejam funções deriváveis em relação à


variável t e que estão relacionadas pela equação y = x² + 3. Calcule dy/dt
quando x =1, sabendo que dx/dt = 2 se x = 1.

Solução:
Primeiramente, derivamos ambos os lados da equação em relação à
variável t, usando a Regra da Cadeia:

Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas


103
Derivadas

y = x 2 + 3 (escrevendo a equação original)

d d
[ y ] = [ x 2 + 3] (derivando os dois membros em relação à variável
dt dt
t)

d d d
[ y] = x2 + 3
dt dt dt

dy dx
= 2x (regra da cadeia)
dt dt

Para x = 1 e dx/dt = 2, obtém-se:


dy
= 2(1)(2) = 4
dt

Exemplo 65: Uma pedra lançada num lago parado origina ondulações
na forma de círculos concêntricos. O raio r do círculo externo aumenta
a uma taxa de 1 pé por segundo. Quando o raio medir 4 pés, qual será a
taxa de variação da área A do círculo?

Solução: As variáveis r e A estão relacionadas pela equação A = pr 2 . A


dr
taxa de variação do raio em relação ao tempo é =1.
dt
Resumindo o problema, temos os seguintes dados:

Equação: A = pr 2

dr
Taxa dada: =1
dt

dA
Objetivo: Calcular para r = 4
dt
Com essas informações, podemos proceder como no exemplo anterior:

Cálculo II
104
Capítulo 1

d d
[ A] = [pr 2 ]
dt dt

dA dr
= 2pr
dt dt

dA
= 2p (4)(1) = 8p
dt

Isso significa que no instante em que o raio medir 4 pés, a taxa de


variação da área será 8π pés quadrados por segundo.

Para resolver um problema que envolve taxas relacionadas podemos


seguir algumas regras básicas.

Diretrizes para resolver um problema de taxas relacionadas


1. Identifique todas as quantidades dadas e aquelas que devem ser
calculadas.
2. Faça um esboço do problema e crie símbolos para as quantida-
des envolvidas.
3. Escreva uma equação envolvendo as variáveis cujas taxas de va-
riação ou são dadas ou precisam ser calculadas.
4. Usando a regra da Cadeia, derive implicitamente ambos os la-
dos da equação em relação à variável t.
5. Após executar o Passo 4, substitua, na equação resultante, todos
os valores dados das variáveis e de suas taxas de variação.
6. Por fim, calcule a taxa de variação pedida.

Uma dificuldade natural que surge quando começamos a resolver


problemas de taxas relacionadas é a interpretação do problema e a
criação de um modelo matemático a partir dessa interpretação. A
tabela abaixo relaciona exemplos de modelos matemáticos envolvendo
taxas de variação. Por exemplo, no primeiro caso a taxa de variação é a
velocidade de um carro. Veja:

Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas


105
Derivadas

Formulação Verbal Modelo Matemático


A velocidade de um carro via- x = distância percorrida
jando por 1 hora é de 50 milhas
dx
por hora = 50 para t = 1
dt

Água está sendo bombeada para V= volume da água da piscina


uma piscina a uma taxa de 10
dV
metros cúbicos por hora. = 10m 3 / h
dt

θ
Uma engrenagem está girando
numa taxa de 25 rotações por dθ
= 25(2π ) rad/mim
minuto (1 rotação = 2π rad) dt

Tabela 5: modelo matemático vs formulação verbal

Exemplo 66: Enche-se um balão esférico a uma taxa de 4,5 decímetros


cúbicos por minuto. Calcule a taxa de variação do raio quando este
medir 2 decímetros.

Solução:
Seja V o volume do balão e r a medida do seu raio. Como o volume
aumenta a uma taxa de 4,5 decímetros cúbicos por minuto, sabemos
que no instante t a taxa de variação do volume é dV 9 . Logo, o
= 4, 5 =
problema pode ser formulado como segue. dt 2

dV 9
Taxa dada: = (a taxa de variação do volume é constante)
dt 2
dr
Objetivo: Calcular para r = 2 .
dt
Para calcular a taxa de variação do raio, primeiramente encontramos
uma equação que relacione o raio r com o volume V:
4
Equação: V = πr 3 (volume de uma esfera)
3
Derivando ambos os lados da equação em relação à variável t,
obtemos:
dV dr
= 4pr 2 (derivando em relação à variável t)
dt dt

Cálculo II
106
Capítulo 1

dr 1  dV 
=   (isolando dr/dt)
dt 4πr 3  dt 

Finalmente, para r = 2 , a taxa de variação do raio é:

dr 1 9
=   ≈ 0,09 decímetros por minuto
dt 16π  2 

No exemplo 66, note que a taxa de variação do volume é constante,


porém, a taxa de variação do raio não. O fato de duas taxas serem
relacionadas não implica que elas sejam proporcionais. Nesse exemplo,
a taxa de variação do raio diminui com o tempo.

Exemplo 67: A que taxa o nível do líquido diminui dentro de um tanque


cilíndrico vertical se bombearmos o líquido para fora a uma taxa de
3000 litros por minuto?

Solução:
Primeiramente, fazemos uma figura relativa ao problema, identificando
as variáveis. Devemos observar tudo o que varia com o tempo.

Figura 9: tanque cilíndrico sendo esvaziado

Vamos representar o raio do cilindro por r, a altura do líquido por h


e o volume do líquido por V. Com o passar do tempo, r permanece

Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas


107
Derivadas

inalterado, mas h e V se modificam. Percebemos, então, que h e V são


funções deriváveis do tempo t.

Sabemos que o líquido é bombeado para fora a uma taxa de 3000 litros
por minuto, ou seja, que a taxa de variação do volume em relação ao
tempo é de “menos 3000 litros por minuto”. Representamos isso da
seguinte forma:
dV
= -3000
dt
Queremos calcular a taxa de variação da altura do nível da água em
relação ao tempo, ou seja, precisamos calcular
dh
dt
Como h e V se modificam com passar do tempo t, precisamos de uma
equação que relacione h, V e t.

Essa equação é a do cálculo do volume de um cilindro circular reto em


litros (área da base vezes a altura, vezes mil). Veja:

V =1000pr 2 h

Agora que temos a equação, derivamos os dois membros em relação ao


tempo t:

V =1000pr 2 h

dV d
= [1000pr 2 h]
dt dt

dV d
=1000p [r 2 h]
dt dt

dV é dh ù
= 1000p ê r 2 . ú
dt êë dt úû

dV dh
Basta, então, substituir o valor = -3000 na equação e isolar :
dt dt
é dh ù
-3000 = 1000p ê r 2 . ú
êë dt úû

Cálculo II
108
Capítulo 1

3 é 2 dh ù
- = êr . ú
p êë dt úû

dh 3
= - 2 m/minuto.
dt pr
Concluímos que o nível do líquido no tanque desce segundo a velocidade
3
de − 2 metros por minuto. Ou seja, essa velocidade depende da
πr
medida do raio do cilindro.
dh
Se r = 1 metro, por exemplo, então » -95 cm / min .
dt

dh
Se r = 10 metros, por exemplo, então » -0, 0095 cm / min .
dt
Esse resultado é completamente coerente, pois, com certeza, se o raio for
grande, o nível do líquido diminuirá devagar e, se o raio for pequeno, o
nível diminuirá rapidamente.

Exemplo 68: Uma viatura de polícia, vindo do norte e se aproximando


de um cruzamento em ângulo reto, está perseguindo um carro em alta
velocidade que, no cruzamento, toma a direção leste. Quando a viatura
está a 0,6 km ao norte do cruzamento e o carro fugitivo a 0,8 km a leste,
o radar da polícia detecta que a distância entre a viatura e o fugitivo está
aumentando a 20 km/h. Se a viatura está se deslocando a 60 km/h no
instante dessa medida, qual é a velocidade do fugitivo?

Solução:
Como no exemplo anterior, fazemos uma figura relativa ao problema,
identificando as variáveis.

Figura 10: perseguição próxima de um cruzamento

Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas


109
Derivadas

Vamos representar a distância entre a viatura e o cruzamento por y, a


distância entre o carro dos fugitivos e o cruzamento por x e a distância
entre os dois veículos por s. Com o passar do tempo, as três variáveis são
alteradas, portanto x, y e s são funções deriváveis do tempo t.

As taxas de variação presentes no problema são:

ds
I) dt = +20 (a distância s entre os veículos aumenta a uma taxa de 20
km/h)
dy
II) = -60 (a distância y entre a viatura e o cruzamento diminui a
dt
uma taxa de 60 km/h

Queremos determinar a velocidade do carro dos fugitivos. Ou seja,


dx
queremos descobrir .
dt
Precisamos de uma equação que relacione x, y e s. Ora, na figura temos
um triângulo retângulo e podemos aplicar o teorema de Pitágoras:

x2 + y 2 = s2

Agora que temos a equação, derivamos os dois membros em relação ao


tempo t:

d ( x2 + y 2 ) d 2
= (s )
dt dt

dx dy ds
2x + 2 y = 2s
dt dt dt

dx dy ds
x +y =s
dt dt dt

ds dy
= +20 = -60
Segundo o problema, temos y = 0,6, x = 0,8, s = 1, dt e dt
Basta substituir esses valores na equação x dx + y dy = s ds :
dt dt dt

Cálculo II
110
Capítulo 1

dx dy ds
x +y =s
dt dt dt

dx
0, 8 + 0, 6´ (-60) = 1´ 20
dt

dx 56
= = 70 km/h
dt 0, 8

Portanto, os fugitivos fogem a 70 km/h.

ATIVIDADE 11
A) Seja V o volume de um cilindro tendo altura h e raio r e supo-
nha que h e r variam com o tempo,
a) como estão relacionadas dV/dt, dh/dt e dr/dt ?
b) Em certo instante, a altura é de 6 cm e está crescendo a 1cm/s,
enquanto o raio é de 10 cm e está decrescendo a 1 cm/s. Com que
rapidez o volume está variando naquele instante? O volume está
crescendo ou decrescendo?
B) Uma escada de 8 m está encostada em uma parede. Se a ex-
tremidade inferior da escada for afastada do pé da parede a uma
velocidade constante de 2 m/s, com que velocidade a extremidade
superior estará descendo no instante em que a inferior estiver a 3
m da parede?
C) A base x e a altura y de um retângulo estão variando com o
tempo. Em um dado instante, x mede 3 cm e cresce a uma taxa
de 2 cm/s, enquanto y mede 4 cm e decresce a uma taxa de 1cm/s.
Determine, nesse instante, a taxa de variação da área A do retân-
gulo em relação ao tempo.
D) Dois carros estão se encaminhando em direção a um cruza-
mento, um seguindo a direção leste a uma velocidade de 90 km/h
e o outro seguindo a direção sul, a 60 km/h. Qual a taxa segundo a
qual eles se aproximam um do outro no instante em que o primei-
ro carro está a 0,2 km do cruzamento e o segundo a 0,15 km?
E) A água escoa de reservatório de concreto cônico (vértice para
baixo), com raio da base de 45 m e altura de 6 m, a uma taxa de
50 m²/min.
a) Com que taxa (cm/min) o nível da água estará diminuindo

Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas


111
Derivadas

quando este for de 5 m de profundidade?


b) Com que taxa o raio da superfície da água estará variando nesse
momento? Use cm/min como unidade.
F) Suponha que uma gota de neblina seja uma esfera perfeita e
que, por condensação, capte umidade a uma taxa proporcional à
área de sua superfície. Mostre que nessas circunstâncias o raio da
gota cresce a uma taxa constante.
G) Um balão está subindo verticalmente acima de uma estrada a
uma velocidade constante de 1 pé/s. Quando ele está a 65 pés aci-
ma do solo, uma bicicleta que se desloca a uma velocidade cons-
tante de 17 pé/s passa por baixo dele. A que taxa a distância s(t)
entre a bicicleta e o balão aumentará três segundos depois?
H) Você está filmando uma corrida de um lugar a 132 pés de
distância da pista, seguindo um carro que se desloca a 180 mi/h
(264 pé/s). Quando o carro estiver exatamente em sua frente, a
que velocidade o ângulo θ de sua câmera variará? E meio segundo
depois?
I) O comprimento l de um retângulo diminui a uma taxa de 2
cm/s, enquanto a largura w aumenta a uma taxa de 2cm/s. Encon-
tre as taxas de mudança para
a) a área;
b) o perímetro;
c) os comprimentos das diagonais do retângulo quando l = 12 cm
e w = 5 cm.
Quais medidas estão aumentando e quais estão diminuindo?
J) Uma escada com 13 pés está em pé e apoiada em uma parede,
quando sua base começa a escorregar, afastando-se da parede. No
momento em que a base está a 12 pés da casa, ela escorrega a uma
taxa de 5 pés/s.
a) A que taxa o topo da escada escorrega para baixo nesse
momento?
b) A que taxa a área do triângulo, formado pela escada, parede e
pelo solo, varia?
c) A que taxa o ângulo θ , formado pela escada e pelo solo,
varia?
K) Dois aviões comerciais voam a 400.00 pés em rotas retilíneas,
que se cruzam formando ângulos retos. O avião A se aproxima do
ponto de intersecção a uma velocidade de 442 nós (milhas náuti-
cas por hora; uma milha náutica é igual a 2.000 jardas) e o avião B
se aproxima a 481 nós. A que taxa a distância entre os aviões varia,
quando A está a 5 milhas náuticas do ponto de intersecção e B a 12
milhas náuticas do mesmo ponto?

Cálculo II
112
Capítulo 1

L) Calcule a taxa de variação da distância entre a origem e um


ponto que se desloca ao longo do gráfico da função y = x² + 1,
supondo que dx/dt = 2 centímetros por segundo.
M) Calcule a taxa de variação da distância entre a origem e um
ponto que se desloca ao longo do gráfico da função y = sen x, su-
pondo que dx/dt = 2 centímetros por segundo.
N) O raio r de um círculo está aumentando a uma taxa de 3 centí-
metros por minuto. Calcule a taxa de variação da área do círculo
quando
a) r = 6 centímetros
b) r = 24 centímetros.
O) Seja A a área de um círculo de raio r, que é uma função do
tempo t. Se dr/dt é constante, então dA / dt também é constante?
Justifique.
P) Um balão esférico é inflado com gás a uma taxa de 800 cen-
tímetros cúbicos por minuto. A que taxa cresce o raio do balão
quando o raio medir:
a) 30 centímetros?
b) 60 centímetros?
Q) As arestas de um cubo estão aumentando a uma taxa de 3 cen-
tímetros por segundo. Qual a taxa de variação do volume quando
cada aresta do cubo medir:
a) 1 centímetro?
b) 10 centímetros?
1
R) O volume V de um cone é dado por V = π r²h . Calcule a
3
taxa de variação do volume do cone, se dr/dt = 2 polegadas por
minuto e h = 3r, quando:
a) r = 6 polegadas
b) r = 24 polegadas.
S) Numa usina de areia e cascalho, a areia está caindo de um con-
dutor sobre uma pilha cônica, a uma taxa de 10 metros cúbicos
por minuto. O diâmetro da base da pilha cônica é, aproximada-
mente, três vezes a sua altura. A que taxa a altura está variando no
instante em que essa altura for igual a 15 polegadas?
T) Um tanque em formato de cone (com vértice para baixo) tem
10 pés no seu diâmetro superior e 12 pés de profundidade e sua
tampa tem um diâmetro de 10 pés. O tanque está se enchendo
com água a uma taxa de 10 pés cúbicos por minuto. Calcule a
taxa de variação da profundidade da água no instante em que a
profundidade for de 8 pés.

Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas


113
Derivadas

___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
____________________________________________________

Cálculo II
114
Capítulo 1

___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
____________________________________________________

Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas


APLICAÇÕES
DAS DERIVADAS

Neste capítulo estudaremos algumas aplicações das derivadas, como


o cálculo de valores máximos e mínimos de uma função, a determi-
nação dos intervalos de crescimento e decrescimento e dos intervalos
em que uma função é côncava ou convexa, utilizaremos esses novos
conceitos para resolver problemas de otimização.
Bons estudos!

Prof. Fidelis Castro

2.1 Extremos de uma função

No Cálculo Diferencial e Integral, uma das questões mais importantes é


a determinação do comportamento de uma função em um intervalo I.

Quando estamos estudando o comportamento de uma função, várias


perguntas vêm à nossa mente de forma natural. Seguem algumas delas:

• Será que f tem um valor máximo em I?


• Será que tem um valor mínimo?
• Onde a função é crescente?
• Onde é decrescente?

Nesta seção aprenderemos como usar derivadas para responder a essas


perguntas e a outras que por ventura surgirem. Veremos também por
que essas questões são importantes em diversas aplicações do Cálculo
na vida real.

Definição 7
Extremos de uma função em um intervalo
Seja f uma função definida num intervalo I que contenha o nú-
mero c.
116
Capítulo 2

Dizemos que f (c ) é o valor mínimo de f em I, se f (c ) £ f ( x)


para todo x pertencente a I.
Dizemos que f (c ) é o valor máximo de f em I, se f (c ) ³ f ( x)
para todo x pertencente a I.
Em outras palavras: O valor máximo de uma função em um in-
tervalo é o maior valor entre todas as imagens da função naquele
intervalo. O valor mínimo de uma função em um intervalo é o
menor valor entre todas as imagens da função naquele intervalo.

O mínimo e o máximo de uma função em um intervalo são cha-


mados valores extremos, ou, simplesmente, extremos. O mínimo
e o máximo de uma função em um intervalo são chamados, tam-
bém, respectivamente, de mínimo absoluto (mínimo global) e
máximo absoluto (máximo global) nesse intervalo.

O teorema do valor extremo, enunciado a seguir, garante que uma


função contínua, definida em um intervalo fechado, tem tanto valor
máximo quanto valor mínimo nesse intervalo. Embora o teorema do
valor extremo seja intuitivamente plausível, sua demonstração foge ao
escopo deste texto.

Teorema 16
Teorema do Valor Extremo

Se f é uma função contínua no intervalo fechado [a, b], então, f


tem tanto máximo quanto mínimo nesse intervalo.
Em outras palavras: Qualquer função que seja contínua e esteja
definida em um intervalo fechado tem que ter, obrigatoriamente,
valor máximo e valor mínimo nesse intervalo.

Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas


117
Aplicações das Derivadas

Definição 8
Extremos Relativos
Se existir um intervalo aberto contendo c, no qual f(c) é um máxi-
mo, então, f(c) é chamado de máximo relativo de f, ou podemos
ainda dizer que f tem um máximo relativo em (c, f(c)).
Em outras palavras: Pode acontecer de um ponto ser o máximo
de uma função, não comparando com todos os valores da função,
mas apenas com os valores de uma vizinhança do ponto. Nesse
caso, dizemos que ele é um máximo relativo ou máximo local.
Se existir um intervalo aberto contendo c, no qual f(c) é um míni-
mo, então, f(c) é chamado de mínimo relativo de f, ou podemos
ainda dizer que f tem um mínimo relativo em (c, f(c)).
Em outras palavras: Pode acontecer de um ponto ser o mínimo
de uma função, não comparando com todos os valores da função,
mas apenas com os valores de uma vizinhança do ponto. Nesse
caso, dizemos que ele é um mínimo relativo ou mínimo local.

Dessa maneira, podemos fazer o seguinte resumo:

I) Máximo absoluto (ou global): maior valor da função em todo o


intervalo no qual ela estiver definida.

II) Máximo relativo (ou local): maior valor da função em apenas uma
vizinhança de um ponto.

III) Mínimo absoluto (ou global): menor valor da função em todo o


intervalo no qual ela estiver definida.

IV) Mínimo relativo (ou local): menor valor da função em apenas uma
vizinhança de um ponto.

Informalmente, podemos pensar em um máximo como ocorrendo


em uma “montanha” do gráfico e em um mínimo como ocorrendo em
um “vale” do gráfico. Tais montanhas e vales podem ocorrer de duas
formas:

1ª) Se a montanha (ou vale) for suave e arredondada, como na Figura


11, o gráfico tem uma reta tangente horizontal no ponto mais alto (ou
no ponto mais baixo).

Cálculo II
118
Capítulo 2

Figura 11: máximo e mínimo de uma função suave

Na Figura 11, temos o gráfico de uma função que tem um valor máximo
global no ponto (4, 3) e um valor mínimo global no ponto (0, -2).

2ª) Se a montanha (ou vale) for aguda e com “bico”, como na Figura 12,
o gráfico representa uma função que não é diferenciável (derivável) no
ponto mais alto (ou no ponto mais baixo).

Figura 12: máximo e mínimo de uma função com “bicos”

Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas


119
Aplicações das Derivadas

Na Figura 12, temos o gráfico de uma função que tem um valor máximo
local no ponto (0, 2) e dois valores mínimos globais nos pontos (-2,0)
e (2 0).

No próximo exemplo, veremos o que ocorre com as derivadas de funções


em pontos extremos relativos dados.
9 ( x 2 - 3)
f ( x) =
Exemplo 69: Ache o valor da derivada da função x3 no
ponto (3, 2), que é um ponto de máximo relativo. Veja o gráfico dessa
função na Figura 13.

9( x 2 - 3)
Figura 13: gráfico da função f ( x) =
x3

Solução:
9 ( x 2 - 3)
A derivada de f ( x) = é:
x3

x 3 (18 x ) - (9)( x 2 - 3)(3 x 2 )


f ¢ ( x) = 2
(aplicando a regra do quociente)
( x3 )

Cálculo II
120
Capítulo 2

9 (9 - x 2 )
f '( x) = .
x4
No ponto (3, 2) o valor da derivada é:
9 (9 - 32 )
f '(3) =
34

9 (9 - 9)
f '(3) =
34

f '(3) = 0

Como uma reta horizontal tem coeficiente angular igual à zero,


concluímos que a reta tangente ao gráfico da função 9 ( x 2 - 3)
f ( x) =
no ponto (3, 2) é horizontal. Veja a Figura 14. x3

Figura 14: reta horizontal tangente ao gráfico da função


9( x 2 - 3) no ponto (3, 2)
f ( x) =
x3

Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas


121
Aplicações das Derivadas

Ao analisarmos o valor da derivada de uma função em seu(s) ponto(s)


de máximo ou mínimo relativo temos sempre duas possibilidades: ou
ele é igual a zero ou ele não existe. Os valores de x nesses pontos são
chamados de números críticos. Veja a definição a seguir:

Definição 9
Número Crítico
Seja f uma função definida em c. Se f ′(c ) = 0 , ou se f não é dife-
renciável em c, então, c é chamado de número crítico de f.

Em outras palavras: Os números críticos de uma função são to-


dos os valores do domínio da função nos quais a derivada é zero
ou não existe.

Teorema 17
Extremos relativos ocorrem apenas nos números críticos

Se f tem um mínimo relativo ou um máximo relativo em x = c,


então, c é um número crítico de f.

Em outras palavras: Se x é um valor correspondente a um ponto


de máximo ou mínimo de uma função, então, ou a derivada em x
é igual a zero ou a derivada em x não existe.

O Teorema acima afirma que os extremos relativos de uma função


podem ocorrer apenas nos números críticos da função. Sabendo disso,
você pode usar os procedimentos seguintes para encontrar os extremos
em um intervalo fechado.

Cálculo II
122
Capítulo 2

Procedimentos para encontrar extremos em um intervalo


fechado
1. Para encontrar os extremos de uma função contínua f em um
intervalo fechado [a, b], siga os seguintes passos:
2. Ache os números críticos de f no intervalo [a, b].
3. Calcule f em cada número crítico do intervalo [a, b].
Calcule f nas extremidades de [a, b].
4. O menor desses valores é o mínimo. O maior é o máximo.

Os próximos exemplos mostram como aplicar esses procedimentos.


Perceba que achar os números críticos da função é apenas parte do
procedimento. Calcular a função nos números críticos e nas extremidades
do intervalo é a outra parte.

Exemplo 70: Ache os extremos de f ( x) = 3 x 4 - 4 x3 no intervalo


[-1, 2].

Solução:
Começamos diferenciando a função:

f ( x) = 3x 4 - 4 x3

f ¢ ( x) = 12 x3 -12 x 2

Para achar os números críticos de f, devemos encontrar todos os valores


de x para os quais f ¢ ( x) = 0 e todos os valores de x em que f ¢ ( x ) não
existe.

f ¢ ( x) = 12 x3 -12 x 2 = 0

12 x 2 ( x -1) = 0

x = 0 ou x =1

Como f ¢ ( x ) é definida para todo x, pode-se concluir que os únicos


números críticos de f são 0 e 1.

Calculando f nesses dois números críticos e nas extremidades de [-1, 2],


vemos que o máximo é f (2) = 16 e que o mínimo é f (1) = -1 , como
mostrado na tabela abaixo. A Figura 15 mostra o gráfico de f.

Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas


123
Aplicações das Derivadas

Extremidade Número- Número- Extremidade


Esquerda Crítico Crítico Direita
f (− 1) = 7 f (0 ) = 0 f (1) = −1 f (2 ) = 16
Mínimo Máximo

Figura 15: gráfico da função f ( x) = 3x 4 - 4 x3

Observe, na Figura 15, que o número crítico x = 0 não fornece


um mínimo relativo nem um máximo relativo. Isso nos diz que os
números críticos de uma função não precisam fornecer extremos
relativos. Ou seja, se um valor é extremo, então, ele é crítico, mas
se ele é crítico, não é, necessariamente, extremo.

1 5
Exemplo 71: Ache os extremos de f ( x) = x3 - x 2 + 6 x no intervalo
3 2
[1, 4].

Solução:
Começamos derivando a função:

Cálculo II
124
Capítulo 2

1 5
f ( x) = x3 - x 2 + 6 x
3 2

f '( x) = x 2 - 5 x + 6

Para achar os números críticos de f, devemos encontrar todos os valores


de x para os quais f ¢ ( x) = 0 e todos os valores de x em que f ¢ ( x ) não
existe.

f '( x) = x 2 - 5 x + 6 = 0

x = 2 ou x = 3

Como f ¢ ( x ) é definida para todo x, pode-se concluir que os únicos


números críticos de f são 2 e 3.

Calculando f nesses dois números críticos e nas extremidades de [1, 4],


32 23
vemos que o máximo é f (4) = e que o mínimo é f (1) = , como
6 6
mostrado na tabela abaixo. A Figura 15 mostra o gráfico de f.

Extremidade Número Número Extremidade

Esquerda Crítico Crítico Direita

23 14 28 9 27 32
f (1) = f ( 2) = = f (3) = = f ( 4) =
6 3 6 2 6 6
Mínimo Máximo

ATIVIDADE 12

A. Nos exercícios de A a M:
i) calcule os números críticos de f, se existirem.
ii) calcule os valores máximo e mínimo, se existirem.

2
A. f ( x) = x − 6 x

Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas


125
Aplicações das Derivadas

2
B. f ( x) = −2 x + 4 x + 3
3 2
C. f ( x) = 2 x + 3 x − 12 x
2
D. f ( x) = x (3 − x)
x 5 − 5x
f ( x) =
E. 5
1/ 3
F. f ( x) = x + 1
2/3
G. f ( x) = ( x − 1)
3 2
H. f ( x) = x + 3 x + 1
x3
f ( x) = - 9 x + 2
I. 3
3
J. f ( x) = 3 - ( x + 1)
2 3
K. f ( x) = ( x -1)
x2
f ( x) =
L. x -1
1
f ( x) = x +
M. x

__________________________________________________
__________________________________________________
_________________________________________________
__________________________________________________
__________________________________________________
_________________________________________________
__________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
____________________________________________________

Cálculo II
126
Capítulo 2

__________________________________________________
__________________________________________________
_________________________________________________
__________________________________________________
__________________________________________________
__________________________________________________
_________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
__________________________________________________
__________________________________________________
__________________________________________________
___________________________________________________
__________________________________________________
___________________________________________________
__________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
__________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
__________________________________________________
__________________________________________________
__________________________________________________
___________________________________________________
__________________________________________________
___________________________________________________
__________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
__________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________

Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas


127
Aplicações das Derivadas

2.2 Crescimento, decrescimento e o teste da


primeira derivada

Primeiramente, vamos recordar as definições de função crescente e


decrescente, estudadas no módulo anterior.

Definição 10
Funções crescentes e decrescentes

Uma função f é crescente em um intervalo, se para quaisquer


dois números x1 e x2 no intervalo, com x1 < x 2 , tivermos
f (x1 ) < f (x 2 ).

Uma função f é decrescente em um intervalo, se para quais-


quer dois números x1 e x2 no intervalo, com x1 < x 2 , tivermos
f (x1 ) > f (x 2 ).

Uma função é crescente se, conforme x se move para a direita, seu gráfico
se move para cima, e é decrescente se seu gráfico se move para baixo. A
função na Figura 16, por exemplo, é decrescente no intervalo (-¥, a ) , é
constante no intervalo (a, b) , e é crescente no intervalo (b,¥) .

O Teorema 18 abaixo mostra que uma derivada positiva implica que


a função é crescente, uma derivada negativa implica que a função é
decrescente, e uma derivada nula em todo um intervalo implica que a
função é constante nesse intervalo.

Cálculo II
128
Capítulo 2

Figura 16: intervalos de crescimento e decres-


cimento de uma função

Teorema 18
Teste para Funções Crescentes e Decrescentes

Seja f uma função contínua no intervalo fechado [a, b] e diferen-


ciável no intervalo aberto (a, b ) .
1. Se f ' (x ) > 0 para todo x em (a, b ) , então, f é crescente em
[a, b] .
2. Se f ' (x ) < 0 para todo x em (a, b ), então, f é decrescente em
[a, b]
3. Se f ' (x ) = 0 para todo x em (a, b ) , então, f é constante em
[a, b] .

3
Exemplo 72: Encontre os intervalos abertos nos quais f ( x) = x3 - x 2
2
é crescente e os intervalos abertos nos quais é decrescente.

Solução:
Observe que f é diferenciável em toda a reta real, pelo fato de ser uma
função polinomial. Para determinar os números críticos de f , vamos
calcular f ' (x ) e igualar a zero.
3
f ( x) = x3 - x 2
2
Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas
129
Aplicações das Derivadas

f '( x) = 3 x 2 - 3 x = 0

x = 0 ou x =1

Já que não existem pontos em que f ' não existe, podemos concluir que
x = 0 e x = 1 são os únicos números críticos. Esses dois números críticos
dividem a reta real em três intervalos abertos:

1º) -¥ < x < 0 (de menos infinito até zero)

2º) 0 < x < 1 (de zero a 1)

3º) 1 < x < ∞ (de 1 até mais infinito)

Agora, atribuímos um valor qualquer para x em cada um dos intervalos


para descobrir em quais deles a derivada é positiva e em quais é
negativa. Fazendo isso, descobriremos os intervalos nos quais a função
3
f ( x) = x3 - x 2 é crescente e os intervalos nos quais é decrescente.
2
A Tabela 6 resume os testes nos três intervalos determinados por esses
dois números críticos.

Intervalo −∞< x<0 0 < x <1 1< x < ∞

Valor de teste x = −1 1 x=2


x=
2

Sinal de f ' (x ) f ' (− 1) = 6 > 0 1 3 f ' (2 ) = 6 > 0


f '  = − < 0
2 4

Conclusão f ( x) é f ( x) é f ( x) é
crescente decrescente crescente
3
Tabela 6: intervalos de crescimento e decrescimento da função f ( x) = x3 - x 2
2

Portanto, f é crescente nos intervalos (− ∞,0 ) e (1, ∞ ) e decrescente no


intervalo (0,1), como mostra a Figura 17.

Cálculo II
130
Capítulo 2

3
Figura 17: gráfico da função f ( x) = x3 - x 2
2

O Exemplo 72 nos mostrou como achar os intervalos em que uma


função é crescente ou decrescente. Os procedimentos abaixo resumem
os passos seguidos no exemplo.

Procedimento para encontrar intervalos nos quais f é cres-


cente ou decrescente
Seja f uma função contínua no intervalo (a, b ). Para achar in-
tervalos abertos nos quais f é crescente ou decrescente, siga os
passos:
Localize os números críticos de f em (a, b ) e use esses números
para determinar intervalos de teste.
Determine o sinal de f ' (x ) em um valor de teste em cada um dos
intervalos.
Use o Teorema 8 para determinar se f é crescente ou decrescente
em cada intervalo.
Obs.: Esses procedimentos também são válidos se o intervalo
(a, b ) for substituído por um intervalo da forma (− ∞, b ), (a, ∞ )
ou (− ∞, ∞ ).

Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas


131
Aplicações das Derivadas

Definição 11
Uma função é denominada estritamente monótona em um in-
tervalo se ela é ou crescente no intervalo todo ou decrescente no
intervalo todo.
Em outras palavras: Ela não pode mudar de crescente para de-
crescente ou de constante para crescente, por exemplo.

Exemplo 73: A função f (x )= x 3 é estritamente monótona na reta toda,


pois é crescente, em toda a reta real. Já uma função quadrática não é
estritamente monótona na reta real inteira, pois ela muda de crescente
para decrescente ou vice-versa.

Depois de determinar os intervalos nos quais uma dada função é crescente


ou decrescente, não é difícil localizar seus extremos relativos. Por
3
exemplo, na Figura 17 (do exemplo 72), a função f ( x) = x3 - x 2 tem
2
um máximo relativo no ponto (0,0), pois f é crescente imediatamente
à esquerda de x = 0. Analogamente, f tem um mínimo relativo no
 1
ponto 1,−  , pois f é decrescente imediatamente à esquerda de
 2  imediatamente à direita de x = 1. Veja a Figura 18, que
x = 1 e crescente
destaca esses pontos.

3
Figura 18: máximos e mínimos relativos da função f ( x) = x3 - x 2
2

Cálculo II
132
Capítulo 2

O teorema seguinte, chamado de Teste da Primeira Derivada, torna isso


mais explícito.

Teorema 19
Teste da Primeira Derivada

Seja c um número crítico de uma função f , contínua num in-


tervalo aberto I que contém c . Se f é diferenciável em I , com
a possível exceção de c , então, f (c ) pode ser classificado como
segue abaixo:
1. Se f ' (x ) muda de positiva para negativa em c , então, f tem
um máximo relativo em (c, f (c )) .
2. Se f ' (x ) muda de negativa para positiva em c , então, f tem
um mínimo relativo em (c, f (c )) .
3. Se f ' (x ) é positivo dos dois lados de c , ou negativo dos dois
lados de c , então, f (c ) não é nem um mínimo relativo nem
um máximo relativo.

Exemplo 74: Encontre os extremos relativos de f (x ) = (x 2 − 4 )


2 3
.

Solução:
Inicialmente, observamos que f é contínua na reta toda.

Depois, calculamos sua derivada:


2 2
f ' (x ) =
3
(x −4 ) (2 x )
−1 3
(regra da potência e da cadeia)

4x
f '( x) = 13
3( x - 4)
2

4x
A derivada f '( x) = 1 3 é zero quando x = 0 e não existe
3( x 2 - 4)
quando x = ±2 . Assim, os números críticos são x = −2 , x = 0 e x = 2 .
A Tabela 7 resume os testes para os quatro intervalos determinados por
esses três números críticos

Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas


133
Aplicações das Derivadas

Intervalo − ∞ < x < −2 −2< x<0 0< x<2 2< x<∞

Valor de
teste x = −3 x = −1 x =1 x=3
Sinal de
f ' (x ) f ' (− 3) < 0 f ' (− 1) > 0 f ' (1) < 0 f ' (3) > 0
Decres-
Conclusão Decrescente Crescente Crescente
cente
Tabela 7: crescimento e decrescimento da função 4x
f '( x) = 13
3( x 2 - 4)

Aplicando o Teste da Primeira Derivada, podemos concluir que f tem


um mínimo relativo no ponto (− 2,0), um máximo relativo no ponto
(0, 3 16 ) e um outro mínimo relativo no ponto (2,0). Tudo isso fica
explícito quando visualizamos o gráfico da função na Figura 18.

Figura 19: valores extremos da função f '( x) = 4x


13
3( x 2 - 4)

Exemplo 75: Determine os intervalos de crescimento e decrescimento


da função x 4 +1 .
f ( x) = 2
x
Solução:
Primeiro vamos derivar a função:

f (x ) = x 2 + x −2

Cálculo II
134
Capítulo 1

f ' (x ) = 2 x + 2 x −3
2
f '( x) = 2 x -
x3

2 ( x 4 -1)
f '( x) =
x3

2( x 2 + 1) ( x -1)( x + 1)
f '( x) =
x3 (fatoração usando diferença entre dois
quadrados)

Observe que f ' (x ) é zero em x = ±1 . Além disso, já que x = 0 não está


no domínio de f '( x ) , devemos usar esse valor de x juntamente com
x = ±1 . Logo, temos os seguintes números críticos para a determinação
dos intervalos de teste.

x = ±1 Números críticos, f (± 1) = 0
x=0 0 não está no domínio de f '

A Tabela 8 resume a análise feita para os quatro intervalos determinados


por esses três valores de x .

Intervalo − ∞ < x < −1 −1 < x < 0 0 < x <1 1< x < ∞

Valor de 1
x = −2 x=− 1 x=2
teste x=
2 2

Sinal de
f ' (− 2 ) < 0  1
f ' −  > 0
1
f '  < 0 f ' (2 ) < 0
f ' (x )
 2 2

Conclusão Decrescente Crescente Decrescente Crescente

x4 + 1
Tabela 8: crescimento e decrescimento da função f '( x) = x2

x 4 +1
Portanto, a função f ( x) = 2 é crescente nos intervalos (-1, 0) e
x
(1, +¥) e é decrescente nos intervalos (-¥, -1) e (0,1) .

ATIVIDADE 13
Nos exercícios de A a G, determine os intervalos de crescimento e

Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas


135
Aplicações das Derivadas

de decrescimento de cada função.


2
A. f ( x) = x − 6 x
2
B. f ( x) = −2 x + 4 x + 3
3 2
C. f ( x) = 2 x + 3 x − 12 x
2
D. f ( x) = x 5 (3 − x)
x − 5x
f ( x) =
E. 5
1/ 3
F. f ( x ) = x +1
2/3
G. f ( x) = ( x − 1)

___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
____________________________________________________

Cálculo II
136
Capítulo 2

___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
____________________________________________________

Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas


137
Aplicações das Derivadas

2.3 Concavidade e o teste da segunda derivada

Nós já vimos que localizar os intervalos em que uma função f cresce ou


decresce nos ajuda a descrever seu gráfico. Nesta seção, veremos como
usar a localização dos intervalos em que f ’ cresce ou decresce para
determinar onde o gráfico de f está curvado para cima ou para baixo.

Teorema 18
Concavidade
Seja f uma função diferenciável em um intervalo aberto I. O grá-
fico de f é côncavo para cima em I, se f ’ for crescente no intervalo,
e côncavo para baixo, se f ’ for decrescente no intervalo.
Em outras palavras: No intervalo em que a primeira derivada for
crescente, o gráfico da função será côncavo para cima e, no inter-
valo em que a primeira derivada for decrescente, o gráfico será
côncavo para baixo.

A Figura 20 ilustra o teorema 18, mostrando a relação entre o crescimento


da 1ª derivada e a concavidade do gráfico de uma função, que, nesse
caso, fica voltada para cima e entre o decrescimento da 1ª derivada e a
concavidade do gráfico, que fica voltada para baixo.

Figuras 20: relação entre concavidade de um gráfico e crescimento ou


decrescimento da 1ª derivada.

Para determinar os intervalos abertos em que a função f é côncava


para cima ou para baixo, precisamos encontrar intervalos nos quais f ’ é
crescente ou decrescente.

Cálculo II
138
Capítulo 1

1
Exemplo 76: Os gráficos de f ( x) = x3 - x e da sua derivada
3
f '( x) = x 2 -1 estão representados na Figura 21. O gráfico de
1
f ( x) = x3 - x é côncavo para baixo no intervalo aberto (−∞,0) porque
3
f '( x) = x 2 -1 é decrescente em (−∞,0) . Analogamente, o gráfico de f é
côncavo para cima no intervalo (0, ∞ ) porque f '( x) = x 2 -1 é crescente
em (0, ∞ ). Veja a figura.

1
Figura 21: gráficos das funções f ( x) = x3 - x e f '( x) = x 2 - 1
3

Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas


139
Aplicações das Derivadas

O teorema 19 mostra como usar a segunda derivada de uma função f


para determinar intervalos nos quais o gráfico de f é côncavo para cima
ou para baixo.

Teorema 19
Teste para concavidade
Seja f uma função cuja segunda derivada exista em um intervalo
aberto I.
Se f ’’ (x) > 0 em I, então, o gráfico de f é côncavo para cima em I.
Se f ’’ (x) < 0 em I, então, o gráfico de f é côncavo para baixo em I.
Em outras palavras: É o sinal da segunda derivada que determina
a concavidade de uma função. Segunda derivada positiva significa
concavidade voltada para cima. Segunda derivada negativa sig-
nifica concavidade para baixo.

Para aplicar o teorema 19, localize os valores de x para os quais f ’’(x)


= 0 ou onde não exista. A seguir, use os valores de x encontrados para
determinar os intervalos de teste. Finalmente, teste o sinal de f ’’(x) em
cada um desses intervalos de teste. Acompanhe o exemplo:

Exemplo 77: Determine os intervalos abertos nos quais o gráfico de


6
f (x )= 2 é côncavo para cima ou para baixo.
x +3

Solução:
Observe inicialmente que f é contínua em toda a reta real, já que seu
denominador nunca será igual a zero.

Vamos determinar a segunda derivada da função:

(
f (x )= 6 x 2 + 3 )−1
(reescrevendo a função)

(
f ' (x ) = (− 6 ) x 2 + 3 ) (2 x )
−2
(calculando a 1ª derivada)
-12 x
f '( x) = 2
(simplificando)
( x 2 + 3)

f ' ' (x ) =
(x 2
+3 ) (− 12)− (− 12 x )(2)(x
2 2
)
+ 3 (2 x )
(calculando a 2ª
(x + 3) 2 4
derivada)

Cálculo II
140
Capítulo 2

36( x 2 -1)
f ''( x) = 3
(simplificando)
( x 2 + 3)

Observe que f ' ' (x )= 0 , quando x = ±1 (valores que anulam o


numerador) e f '' está definida para toda a reta real. Perceba, ainda, que
os números -1 e 1, determinam, na reta real, os seguintes intervalos de
teste: (− ∞,−1), (− 1,1) e (1, ∞ ). Os resultados são mostrados na Tabela
9 e na Figura 22.

6
Figura 22: gráfico da função f ( x) =
x2 + 3

Intervalo − ∞ < x < −1 −1< x <1 1< x < ∞

Valor de
x = −2 x=0 x=2
teste
Sinal de
f ' ' (x ) f ' ' (− 2 ) > 0 f ' ' (0 )< 0 f ' ' (2 ) > 0

Côncava para Côncava para


Conclusão Côncava para cima
cima baixo
6
Tabela 9: estudo da concavidade do gráfico da função f ( x) =
x2 + 3

Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas


141
Aplicações das Derivadas

6
Portanto, o gráfico da função f (x )= 2 é côncavo para cima nos
x +3
intervalos (− ∞,−1) e (1, ∞ ) e é côncavo para baixo no intervalo (− 1,1).

A função dada no exemplo 77 é contínua em toda reta real. Mas,


se existirem valores de x para os quais uma determinada fun-
ção não seja contínua, esses valores devem ser usados juntamente
com os pontos em que f ' ' (x )= 0 ou em que f ' ' (x ) não existe
para formar os intervalos de teste.

Exemplo 78: Determine os intervalos abertos nos quais o gráfico de


x 2 + 1 é côncavo para cima ou para baixo.
f (x ) = 2
x −4

Solução:
x2 +1
Diferenciando duas vezes a função f (x )= 2 , obtemos o seguinte:
x −4

x2 +1
f (x ) = (reescrevendo a
x2 − 4
função)

( x 2 - 4)(2 x)-( x 2 +1)(2 x)


f '( x) = 2
(calculando a 1ª
( x 2
- 4) derivada)

-10 x
f '( x) = 2
(simplificando)
( x 2 + 4)

f ' ' (x )=
(x 2
+4 ) (− 10)− (− 10 x )(2)(x
2 2
)
− 4 (2 x )
(calculando a 2ª
(x − 4)2 4
derivada)

10(3x 2 + 4)
f ''( x) = 3
(simplificando)
( x 2 - 4)

Cálculo II
142
Capítulo 2

Não existem pontos nos quais f ''( x) = 0 , mas em x = ±2 a segunda


derivada não é definida. Temos, então, que estudar a concavidade nos
intervalos (− ∞,−2 ), (− 2,2 ) e (2, ∞ ), que são os intervalos determinados
pelos números reais -2 e 2. Os resultados são mostrados na Tabela 10 e
na Figura 23.

Intervalo − ∞ < x < −2 −2< x<2 2< x<∞

Valor de
x = −3 x=0 x=3
teste
Sinal de
f ' ' (x ) f ' ' (− 3) > 0 f ' ' (0 )< 0 f ' ' (3) > 0

Côncava para Côncava para Côncava para


Conclusão
cima baixo cima
x2 + 1
Tabela 10: estudo da concavidade do gráfico da função f ( x) =
x2 - 4

x2 + 1
Figura 23: gráfico da função f ( x) =
x2 - 4

Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas


143
Aplicações das Derivadas

O gráfico da Figura 22 tem dois pontos nos quais a concavidade muda.


æ 3ö
No ponto çç-1, ÷÷÷ a concavidade, que estava voltada para cima, se
çè 2ø æ 3ö
volta para baixo, e, no ponto çç1, ÷÷÷ , a concavidade, que estava voltada
çè 2 ø
para baixo, se volta para cima. Esses pontos são chamados pontos de
inflexão.

Definição 12
Ponto de Inflexão

Seja f uma função contínua em um intervalo aberto e seja c


um ponto no intervalo. Se o gráfico de f tem reta tangente em
(c, f (c )), então, esse ponto é um ponto de inflexão do gráfico de
f , se a concavidade de f mudar nesse ponto.

Para localizar os possíveis pontos de inflexão, devemos determinar os


valores de x para os quais f ' ' (x )= 0 ou em que não exista f ' ' (x ). Isso
é análogo ao procedimento para localizar os extremos relativos de f .

Exemplo 79: Determine os pontos de inflexão e discuta a concavidade


do gráfico de f (x )= x 4 − 4x 3 .

Solução:
Diferenciando duas vezes a função f (x )= x 4 − 4x 3 , obtemos o
seguinte:

f (x )= x 4 − 4x 3

f ' (x ) = 4 x 3 − 12 x 2

f ' ' (x )= 12 x 2 − 24 x = 12 x(x − 2 )

Fazendo f ' ' (x )= 0 , determinamos que os possíveis pontos de inflexão


ocorrem em x = 0 e x = 2 . Testando os intervalos determinados por
esses valores de x , podemos concluir que ambos nos levam a pontos
de inflexão. A Tabela 10 mostra um resumo desses testes e a Figura 24
mostra o gráfico de f .

Cálculo II
144
Capítulo 2

Figura 24: gráfico da função f ( x) = x 4 - 4 x3

Intervalo −∞< x<0 0< x<2 2< x<∞

Valor de
x = −1 x =1 x=3
teste
Sinal de
f ' ' (x ) f ' ' (− 1)> 0 f ' ' (0 )< 0 f ' ' (3) > 0

Côncava para Côncava para Côncava para


Conclusão
cima baixo cima
Tabela 11: estudo da concavidade do gráfico da função f ( x) = x 4 - 4 x3

Além de testar a concavidade, a segunda derivada pode ser usada para


aplicar um teste simples para mínimos e máximos relativos. Esse teste
é baseado no fato de que, se o gráfico de uma função f é côncavo para
cima em um intervalo aberto contendo c e se f ′(c ) = 0 , então, f (c )
deve ser um mínimo relativo de f. Analogamente, se o gráfico de uma
função f é côncavo para baixo em um intervalo aberto contendo c e se
f ′(c ) = 0 , então, f (c ) deve ser um máximo relativo de f.

Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas


145
Aplicações das Derivadas

Teorema 19
Teste da segunda derivada
Seja f uma função tal que f ′(c ) = 0 e tal que a segunda derivada
de f exista em um intervalo aberto contendo c.
Se f ′′(c ) > 0 , então, f tem um mínimo relativo em (c, f(c)).
Se f ′′(c ) < 0 , então, f tem um máximo relativo em (c, f(c)).

Exemplo 80: Encontre os extremos relativos de f (x ) = 3 x 5 − 5 x 3 .

Solução:
Inicialmente, encontramos os números críticos de f derivando e
igualando a zero:

( )
f ' (x ) = −15 x 4 + 15 x 2 = 15 x 2 1 − x 2 = 0

x = -1 , x = 0 , x =1

Agora, calculamos a segunda derivada:

(
f ' ' (x ) = −60 x 3 + 30 x = 30 − 2 x 3 − x )

Para descobrir qual dos números críticos é máximo e qual é mínimo,


basta aplicarmos a 2ª derivada em cada um deles e observarmos os
resultados. Se o resultado for positivo, o ponto será de mínimo e se for
negativo o ponto será de máximo. Veja essa análise na Tabela 12.

Intervalo (− 1,−2) (1,2) (0,0)


Sinal de
f ' ' (x ) f ' ' (− 1)> 0 f ' ' (1)< 0 f ''(0) = 0
Mínimo Máximo Não podemos ainda
Conclusão
relativo relativo concluir
Tabela 12: estudo dos máximos e mínimos da função f ( x) = 3x5 - 5 x3

Cálculo II
146
Capítulo 2

O teste da segunda derivada falha em (0,0), já que nesse ponto a


segunda derivada não é positiva nem negativa. Podemos, então, usar o
teste da primeira derivada e observar que f cresce à esquerda e à direita
de x = 0 . Assim, (0,0) não é nem um mínimo relativo nem um máximo
relativo (mesmo que o gráfico tenha uma reta tangente horizontal neste
ponto). A Figura 25 mostra o gráfico de f .

Figura 25: gráfico da função f ( x) = 3x5 - 5 x3 . Observe que o ponto


(0, 0) não é nem mínimo relativo nem máximo relativo.

ATIVIDADE 14
A. Determine as abscissas dos pontos críticos das funções abaixo:
a) s(t) = 2t³ + t² – 20t +4
b) f(x) = 4x³ – 5x² – 42x + 7
c) g(w) = w4 – 32w
B. Determine os pontos de máximo, de mínimo e de inflexão
das seguintes funções se existirem, utilizando o teste da primeira
derivada:

Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas


147
Derivadas

a) y = 6x³ + 15x² – 12x -5


b) f(x) = - 9x² + 14x +15
C. Determine as abscissas dos pontos máximos ou mínimos das
seguintes funções, utilizando o teste da segunda derivada.
a) f(x) = x³ – 12x² + 45x +30
b) y = 8x³ – 51x² -90x +1
c) y = -x³ – 9x² + 81x – 6

___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
____________________________________________________

Cálculo II
148
Capítulo 2

___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
____________________________________________________

Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas


149
Aplicações das Derivadas

2.4 Problemas que envolvem máximos e


mínimos

Os problemas de determinação de valores máximos e mínimos se


encontram entre as aplicações mais comuns do Cálculo. Em várias
situações cotidianas escutamos ou lemos termos como lucro máximo,
custo mínimo, tempo mínimo, diferença de potencial máximo,
tamanho ótimo, potência máxima ou distância máxima. A teoria que
desenvolvemos para determinação de extremos de funções pode ser
aplicada na resolução de tais problemas. Para resolvê-los, é necessário
converter as afirmações em linguagem matemática, mediante a
introdução de fórmulas, funções ou equações. Os tipos de aplicação são
ilimitados, tornando-se, assim, difícil enunciar regras específicas para
a determinação de soluções. É possível, entretanto, desenvolver uma
estratégia geral para abordar tais problemas. De modo geral, valem as
orientações seguintes:

Orientações para resolver problemas que envolvem máximos e


mínimos
1. Leia o problema cuidadosamente, várias vezes, refletindo so-
bre os dados e as quantidades não conhecidas que devem ser
determinadas;
2. Se possível, esboce um diagrama introduzindo variáveis para
representar essas quantidades. Expressões como “o que”, “deter-
mine”, “quanto” ou “quando” devem alertá-lo para a quantidade
de incógnitas.
3. Faça uma lista dos dados conhecidos juntamente com quais-
quer relações que envolvam as variáveis. Uma relação, em geral,
pode ser descrita por uma equação de algum tipo.
4. Determine a variável que deve ser calculada e exprima essa va-
riável em função de uma das outras variáveis.
5. Determine os valores críticos da função obtida na orientação 4 e
teste-os para descobrir quais são máximos e quais são mínimos.
6. Verifique se ocorrem máximos ou mínimos nos pontos extre-
mos do intervalo de domínio da função obtida em 4.
7. Não se desencoraje se não conseguir resolver o problema. A
proficiência na resolução de problemas aplicados exige consid-
erável esforço e prática!

Cálculo II
150
Capítulo 2

Vamos aos exemplos:

Exemplo 81: Deve-se construir uma caixa com base retangular, usando
um retângulo de cartolina com 16 cm de largura e 21cm de comprimento,
cortando-se um quadrado em cada canto. Determine as dimensões desse
quadrado para que a caixa tenha o maior volume possível.

Solução:
Observe que devemos calcular o volume máximo, logo precisaremos
encontrar uma “função volume”, que deverá ser maximizada.

Vamos começar fazendo um desenho da peça de cartolina. Utilizaremos


a variável x para representar o comprimento do lado do quadrado a
ser cortado em cada canto. Representamos também o comprimento e
a largura da base da caixa por c e l, respectivamente. Nosso objetivo é
maximizar o volume V da caixa a ser construída.

Figura 26: folha de cartolina que formará uma


caixa de base retangular

Analisando a Figura 26 construída, vemos que l = 16 - 2 x e que


c = 21- 2 x .

Vamos pensar agora na caixa montada. Veja a Figura 27.

Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas


151
Aplicações das Derivadas

Figura 27: caixa de base retangular

De forma genérica, o volume V da caixa na Figura 27é dado por:

V = c×l × x

V = (21- 2 x) × (16 - 2 x) × x

V = x(336 - 42 x - 32 x + 4 x 2 )

V = 2(2 x3 - 37 x 2 + 168 x)

Vamos, agora, determinar os valores críticos de V, calculando a primeira


derivada e igualando a zero:

V = 2(2 x3 - 37 x 2 + 168 x)

V ' = 2(6 x 2 - 74 x + 168)


28
Resolvendo a equação, chegamos aos valores críticos e 3. O
28 3
número crítico deve ser desconsiderado, pois x tem que ser
3
menor que 8 (metade da largura). Assim, resta o valor crítico 3.

Aplicamos o teste da derivada primeira, escolhendo um valor de teste à


esquerda de 3 e outro à direita:

V’(0) = 336 > 0 → V é crescente à esquerda de 3

V’(4) = -64 < 0 → V é decrescente à direita de 3

Cálculo II
152
Capítulo 2

Como a função V passa de crescente para decrescente em x = 3,


concluímos que o ponto é de máximo.

Verifiquemos, finalmente, a existência de máximos e mínimos nos


pontos extremos. Como o domínio da função é o intervalo [0;8] , e,
como V =0 se x = 0 ou x = 8, o máximo de V não ocorre em nenhum
dos pontos extremos do domínio. Consequentemente, deve-se cortar
de cada canto um quadrado de 3 cm de lado para se obter a caixa de
volume máximo.

Exemplo 82: Qual é a maior área possível de um triângulo retângulo


cuja hipotenusa mede 5 cm?

Solução:
Observe que devemos calcular a área máxima. Logo, precisaremos
encontrar uma “função área”, que deverá ser maximizada.

Vamos representar os catetos do triângulo retângulo por x e y.

Sabemos do teorema de Pitágoras que x 2 + y 2 = 52 , ou seja, que


x 2 + y 2 = 25 .

Isolando y (y é positivo!) chegamos a y = 25 - x 2 .

Representando a área do triângulo retângulo por A, temos:


x× y
A=
2

x 25 - x 2
A=
2

Como estamos buscando o valor máximo da área, precisamos derivar a


função A( x) e encontrar seus pontos críticos. Fazendo isso:

x 25 - x 2
A=
2
1 1
2 2 1 2
-
(25 - x ) + x(25 - x ) 2
A' = 2
2

Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas


153
Aplicações das Derivadas

25 - x 2 x
A' = +
2 4 25 - x 2

2(25 - x 2 ) + x
A' =
4 25 - x 2

-2 x 2 + x + 50
A' =
4 25 - x 2

-2 x 2 + x + 50
Igualando a derivada A ' = a zero e observando que x
4 25 - x 2
deve ser um valor positivo, temos:

-2 x 2 + x + 50
A' = =0
4 25 - x 2

2 x 2 - x - 50 = 0

41 + 1
x=
4

x »1, 85

Utilizando o teste da primeira derivada, concluímos que x »1, 85 é


realmente um valor máximo.

Exemplo 83: Um fazendeiro planeja cercar um pasto retangular vizinho


a um rio. O pasto deve conter 180.000 metros quadrados para fornecer
grama suficiente para o rebanho. Quais as dimensões do pasto para
gastar a quantidade mínima de cerca, se não há necessidade de cerca ao
longo do rio?

Cálculo II
154
Capítulo 2

Solução:
Observe que devemos calcular o comprimento mínimo da cerca. Logo,
precisaremos encontrar uma “função comprimento da cerca”, que deverá
ser minimizada.

Um dos lados do pasto não precisará ter cerca, já que estará voltado para
o rio. Sobrarão três lados, que vamos representar por x, x, e y.

Como a área do pasto é 180000 m², segue que xy =180000 e,


consequentemente, y = 180000 .
x

O comprimento C da cerca será:

C = 2x + y

180000
C = 2x +
x

Derivando a função C:

C = 2 x + 180000 x-1

C ' = 2 -180000 x-2


180000
C ' = 2-
x2

Igualando a derivada à zero:


180000
C ' = 2- =0
x2

180000
=2
x2

x 2 = 90000

Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas


155
Aplicações das Derivadas

x = 300
180000
Segue daí que y = = 600
300

Utilizando o teste da primeira derivada, concluímos que x = 300 e


y = 600 são as dimensões que fazem com que o comprimento da cerca
seja mínimo.

Resolva agora os problemas propostos:

ATIVIDADE 15
A. Você está planejando construir uma caixa retangular aberta
com uma folha de papelão de 8 x 15 pol, recortando quadrados
congruentes dos vértices da folha e dobrando suas bordas para
cima. Quais são as dimensões da caixa de maior volume que você
pode fazer dessa maneira? Qual é o volume?
B. Um retângulo tem sua base no eixo x e seus dois vértices su-
periores na parábola y = 12 − x 2 . Qual é a maior área que esse
retângulo pode ter? Quais são suas dimensões?
C. Uma área retangular em uma fazenda será cercada por um rio
e nos outros três lados por uma cerca elétrica feita de um fio. Com
800 m de fio à disposição, qual é a maior área que você pode cer-
car e quais são suas dimensões?
D. Será construído um campo de atletismo retangular, com x uni-
dades de comprimento, tendo nas extremidades duas áreas semi-
circulares com raio r. O campo terá em volta uma pista para cor-
rida com 400 m de extensão.
a) Expresse a área da porção retangular do campo só em função
de x ou só em função de r (a escolha é sua).
b) Quais valores de x e de r dão à porção retangular maior área
possível?
E. Você está projetando uma lata (um cilindro de revolução) de
1000 cm³ cuja manufatura levará ao desperdício em conta. Não
há desperdício ao se cortar a lateral de alumínio, mas tanto a base
como o topo, ambos de raio r, serão recortados de quadrados que
medem 2r de lado. Portanto, a quantidade total de alumínio usada
para fazer uma lata será A = 8r 2 + 2πrh . Qual a razão h:r para a
lata mais econômica?

Cálculo II
156
Capítulo 2

F. A soma dos perímetros de um triângulo equilátero e de um


quadrado é 10. Ache as dimensões do triângulo e do quadrado
que produzem a área total mínima
G. Uma página retangular deve conter 30 polegadas quadradas
de impressão. As margens em cada lado de 1 polegada. Ache as
dimensões da página para que uma quantidade mínima de papel
seja usada.
H. Jane está em um barco a 2 mi da costa e deseja chegar a uma
cidade litorânea localizada a 6 mi ao longo de uma linha costei-
ra retilínea desde o ponto (na costa) mais próximo do barco. Ela
rema a 2 mi/h e caminha a 5 mi/h. Onde ela deve aportar para
chegar à cidade no menor tempo possível?
I. Dois lados de um triângulo medem a e b, e o ângulo entre eles é
θ. Qual é o valor de θ que maximizará a área do triângulo? (Dica:
A=(1/2)ab sen θ)
J. Um sólido é formado adicionando dois hemisférios às pontas de
um cilindro circular reto. O volume total do sólido é 12 centíme-
tros cúbicos. Ache o raio do cilindro que produz a área superficial
mínima.

___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
____________________________________________________

Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas


157
Aplicações das Derivadas

___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
____________________________________________________

Cálculo II
158
Capítulo 2

2.5 Antiderivadas

Definição 13
Primitiva (antiderivada) – Seja f uma função real definida no in-
tervalo [ a ,b ] . Chama-se primitiva (ou antiderivada) da função f
em [ a ,b ] a outra função F definida em [ a ,b ] , tal que F ′( x) = f ( x)
, para todo o x Î [ a ,b ] .

Em outras palavras: Calcular uma antiderivada de uma dada fun-


ção significa encontrar uma função que, ao ser derivada, dê como
resultado a função dada. É o processo inverso da derivação.

Exemplo 84: Encontre uma antiderivada da função


f ( x) = 3x 2 - 2 x + 5

Solução:
Temos que encontrar uma outra função F (x ), cuja derivada F ′(x ) seja
f (x ).

Se tomarmos F ( x) = x3 - x 2 + 5 x , temos F ¢ ( x) = 3 x 2 - 2 x + 5 = f ( x)
Isso significa que uma antiderivada da função f ( x) = 3x 2 - 2 x + 5 é a
função F ( x) = x3 - x 2 + 5 x .

É importante observar que uma função não tem só uma antiderivada.


Uma função tem infinitas antiderivadas que diferem entre si por uma
constante. Mais à frente vamos analisar esse fato.

O conjunto de todas as antiderivadas de uma função f é chamada de


integral indefinida e é representado por ò f ( x)dx .

No símbolo ò f ( x)dx , a função f é chamada de integrando e x é a


variável de integração.

Exemplo 85: Encontre antiderivadas da função f ( x) = 4 x3 .

Solução:
Por tentativas pode-se descobrir facilmente que uma antiderivada da
função f ( x) = 4 x3 é a função F ( x) = x 4 . Para conferir, basta derivar
F ( x) .

Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas


159
Derivadas

Mas também existem outras possibilidades:

G ( x) = x 4 +1

H ( x) = x 4 + 6

I ( x) = x 4 - p

Basta acrescentar qualquer constante à função F ( x) = x 4 que ficaremos


produzindo uma família de antiderivadas.

Em geral, dizemos que se F ( x ) é uma antiderivada, qualquer função


da forma F ( x) + C , em que C é um número real qualquer também é
uma antiderivada.

Exemplo 86: A tabela 13 apresenta algumas funções potência com suas


respectivas integrais indefinidas.

Função Integral indefinida


f ( x) F ( x)
x
x2
+C
2

x2
x3
+C
3

x3
x4
+C
4

x4
x5
+C
5

x5
x6
+C
6

xn
x n +1
+C
n +1

Tabela 13 – Antiderivadas de funções potência

Cálculo II
160
Capítulo 2

Perceba que, ao derivar as funções da coluna da direita, chegamos às


funções da coluna da esquerda.

Integral indefinida de uma função potência


Com o raciocínio apresentado na tabela 13, chegamos à nossa pri-
meira fórmula para calcular antiderivadas:
x n+1
ò x n dx =
n +1
+C

x n+1
Exemplo 87: Use a fórmula ò
x n dx = +C
n +1 para encontrar uma
antiderivada da função f ( x) = 1 .
x
Solução:
Primeiramente, vamos modificar a forma como é apresentada a função
f:

1
1 1 -
f ( x) = = 1 =x 2
x x 2

Assim, escrevemos f na forma de função potência:


1
-
f ( x) = x 2

x n+1
Agora é só usar a fórmula ò x n dx =
n +1
+C :

1 1
1 - +1 1
- x2 x 2

ò x dx =
2
1
+C =
1
+ C = 2x 2 + C = 2 x + C
- +1 2
2

1
Portanto, uma antiderivada da função f ( x) = é, por exemplo, a
x
função F ( x) = 2 x . Experimente derivar F e você encontrará f.

Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas


161
Aplicações das Derivadas

Propriedades da integral indefinida

I) Multiplicação por constante

∫ k ⋅ f ( x)dx = k ⋅∫ f ( x)dx

II) Soma e diferença

∫ [ f ( x) ± g ( x)]dx = ∫ f ( x)dx ± ∫ g ( x)dx

Em outras palavras: A propriedade I diz que se há um valor con-


stante multiplicando uma função, ele não precisa ser integrado.
Basta multiplicá-lo pela integral da função. Já a propriedade II diz
que a integral de uma soma é a soma das integrais.

Exemplo 88: Calcule ò (x


2
- x3 + 4 x + 5 x 5 )dx

Solução:
Utilizando as propriedades da integral indefinida, temos:

ò (x - x3 + 4 x + 5 x 5 )dx =
2

= ò x dx - ò x dx + 4ò xdx + 5ò x dx =
2 3 5

x3 x 4 x2 x6
= - +4 +5 +C =
3 4 2 6

x3 x 4 5x6
= - + 2x2 + +C .
3 4 6

Cálculo II
162
Capítulo 2

ATIVIDADE 16

x n +1
A. Utilizando a fórmula ∫ x n dx = + C , encontre uma antide-
n +1
rivada para cada função abaixo. Se julgar necessário, modifique a
forma da função, como feito no exemplo 87.

1
1) f ( x) =
x3
2) f ( x) = 3 x 2
3) f ( x) = x3 x 2
4) f (x ) = x 2 − x 3 + 5

B. Determine uma função f que satisfaz a equação f " ( x) = x + 1 .


C. Calcule as integrais indefinidas:

1) ∫
x dx

2) ∫12(y )( )
4
+ 4 y 2 + 1 y 3 + 2 y dy

3) ∫ (2 + 3x)dx
2
4) ∫ x
dx

5) 10 x 3 dx

6) 1 −2
∫ (4 + x 2
)(
x3
)dx

___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
____________________________________________________

Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas


163
Aplicações das Derivadas

___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________

Cálculo II
164
Capítulo 2

Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas


STEWART, James. Cálculo, vol.1. 5a.ed. São Paulo, Pioneira/Thomson Learning, 2005.

THOMAS, G.B. Cálculo, vol. 1. 10.ed. São Paulo, Addison Wesley/Pearson, 2002.

ANTON, H. Cálculo: um novo horizonte, vol. 1. Porto Alegre, Bookman, 2000.

GUIDORIZZI, H. L. Um curso de cálculo, vol. 1. 5.ed. Rio de Janeiro, LTC, 2001.

EDWARDS, C. H. & PENNEY, D.E. Cálculo com geometria analítica, vol. 1. São Paulo,
Prentice-Hall, 1997.

SIMMONS, G. F. Cálculo com geometria analítica, vol. 1. Rio de Janeiro, McGraw-Hill,


1987.

LEITHOLD, L. O cálculo com geometria analítica, vol. 1. 3.ed. São Paulo, Harbra, 1994.