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Curso de Setup | Aula 07 - Efeitos de Filtro

Por Kleber K. Shima

EQUALIZADORES
Para guitarristas e baixistas, basicamente encontramos três tipos de equalizadores:

2) Equalizador
paramétrico -
normalmente
1) Tone - um simples possui três bandas
controle que deixa o (grave, médio e
timbre mais grave ou agudo), facilmente
mais agudo. encontrado em pré-
amplificadores e
alguns pedais mais
sofisticados.

3) Equalizador gráfico - é o mais completo, os mais usados são de 6 e 10 bandas.

Mesa/Boogie John Petrucci Signature

MXR Kerry King 10 Band EQ Boss EQ-7 11

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Por Kleber K. Shima

Equalização é uma forma de corrigir certas frequências, destacando ou suavizando


determinadas faixas, alternando apenas a amplitude da frequência desejada.
Repare que o equalizador não altera o ciclo da frequência, caso contrário estaria
alterando a afinação da nota (altura). Eles apenas adiciona ganho (em db) na faixa
desejada.

Como vimos antes, ao tocarmos uma nota várias outras notas secundárias
(harmônicos) também estão soando, criando um espectro sonoro.

Veja no analisador de espectro ao lado que ao


tocarmos a nota Lá em 440 Hz, ou 440 ciclos por
segundo (som do telefone) a nota fundamental
que se sobressai está entre os números 200 e 500
(as faixas de frequência estão descritas na parte
inferior da figura: 16, 31.5, 63, 125, 500, 1K, 2K,
4K, 8K, e 16K). Esses números correspondem ao
espectro de frequências que nós, seres humanos
conseguimos ouvir, que é de 20 Hz a 20 Khz.

Repare que mais notas estão soando junto com a


nota fundamental, que são os harmônicos, e que
definem o timbre. O equalizador tem a função de
ressaltar ou esconder a amplitude dessas frequências. Por exemplo, se eu quiser deixar o
timbre mais grave e encorpado, basta adicionar ganho nas faixas entre 16 e 125. Isso não
altera na afinação, que continuará vibrando a 440 Hz.

Por exemplo, se ao invés da nota Lá 440 Hz tocarmos Lá 880 Hz, a nota fundamental se
moveria para a direita, entre 500 e 1k.

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As principais faixas de equalização e suas características timbrísticas são:


• 16 Hz: super agudos (pouco utilizado na guitarra)
• 8 Hz: agudos estridentes (pouco utilizado na guitarra)
• 4 Hz: agudos (dá o brilho geral no timbre, mas se exagerar, fica cortante demais)
• 2 Khz: médio-agudo (é o que faz a guitarra ficar com som de “abelha” ao usar com
distorção)
• 1 Khz: médio-agudo (o médio que faz a guitarra se destacar na mixagem da banda)
• 500 Hz: médio-graves (acentuando muito, deixa o timbre anasalado)
• 250 Hz: médio-graves (que encorpa o timbre da guitarra, frequência importante)
• 125 Hz: graves (se acentuar demais, vai “brigar” com o baixista..)
• 64 Hz: sub graves (pouco utilizado na guitarra)
• 32 Hz: extremo sub graves (pouco utilizado na guitarra)

Fator Q
Ao mexermos no ganho de determinada faixa de frequência, isso acaba afetando
as faixas vizinhas, como se estivesse puxando um lençol da cama com a ponta dos
dedos.

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O fator Q nos permite ajustar o quanto essas faixas de frequências vizinhas irão
afetar a frequência fundamental. Numa regulagem baixa Q=1, a distribuição das
notas vizinhas será alta (oposto da regulagem). Numa regulagem alta Q=100, a
distribuição das notas vizinhas será baixa, como mostra no gráfico acima.

Equalizadores encontrados em pedaleiras, plug-ins, simuladores, racks e costumam


ter regulagem do Fator Q, assim como alguns pedais de Wah Wah (como o Dunlop
95Q).

Dicas:
No caso de um pedal equalizador, utilize sempre no final da cadeia, antes de ir para
o amplificador. Se usar a distorção do amplificador, utilize no loop.

As três maneiras mais utilizadas na guitarra são:

1. Mid Scoop - a famosa equalização “sorriso” onde o médio é cortado e os graves e


agudos são acentuados. Ideal para tocar metal pesado com muita distorção. Ideal para
tocar sozinho, pois a ausência do baixista é compensada acentuando os graves e os
agudos mais cintilantes dão um brilho extra:
2. Mid Boost - ideal para tocar quando estiver com banda, pois é no médio-agudo
que está o principal lugar da guitarra na mixagem de uma banda (de 1,25 a 4 Khz).
Experimente acentuar essas frequências quando estiver tocando com a sua banda.
3. Clean Boost - Na ausência de um pedal de clean boost para apenas aumentar o volume
da guitarra na hora do solo, você pode deixar a equalização flat, aumentando apenas o
ganho geral (para isso, é necessário que o equalizador esteja no final da cadeia).

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COMPRESSOR
A função do compressor é pegar o sinal que está mais fraco, aumentando sua
amplitude. Além disso, o compressor corta os sinais elevados, criando um som
mais uniforme, porém com menos dinâmica e com mais sustain pois a medida que
o sinal vai enfraquecendo no final da nota, o compressor puxa esse sinal pra cima,
aumentando também a sustentação da nota, deixando o sinal mais “achatado”.

Se o sinal estiver com ruído, o compressor também irá aumentar o ruído, portanto,
use com cautela.

Normalmente o compressor é usado para os seguintes fins:


1. Som limpo: Quase todos os guitarristas de country utilizam um compressor no som
limpo. Isso facilita o solo e faz com as notas “grudem” uma na outra, facilitando a ex-
ecução.
2. Antes do overdrive: Muitos guitarristas usam para dar mais sustain e mais ganho ao
pedal de overdrive sem alterar o timbre original do overdrive, por estar ligado depois do
compressor. Em distorções mais pesadas não se usa muito, pois nesse caso o timbre
já tende a ser comprimido naturalmente. Use mais no crunch e no overdrive leve.
3. Mixagem/masterização: Nesse caso o compressor é usado depois do sinal já gravado,
fazendo com que os instrumentos se misturem, dando mais punch na gravação.

Controles:
• Level: Controla o nível de volume
• Attack: Controla o tempo de ataque do efeito. Quanto maior for o attack, mais tempo
ele levará para o compressor entrar em ação. Esse parâmetro é ajustado em mili
segundos. Se estiver em 1000ms, levará um segundo para o efeito entrar em ação.

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• Sustain ou Sensivity: Aumenta o nível da compressão e consequentemente, a


sustentação da nota. Quanto mais aumentarmos o sustain mais o compressor agirá
em níveis cada vez mais baixos de entrada.

Compressores profissionais (mais usados para gravação):

Fazem a mesma coisa que os compressores normais com ajustes mais precisos.
Confira os controles e funções:
• Threshold (gatilho): Determina em que nível o compressor entra em ação. Por exemplo,
se regularmos o threshold para -2 Dbs, o compressor só funcionará quando tiver um
sinal ultrapassando a barreira de -2 Dbs. Caso o sinal nunca chegue em -2 Dbs, o sinal
sairá do mesmo jeito que entrou, sem causar nenhum efeito. O threshold só tem efeito
quando se estipula qual será o ratio da compressão.
• Ratio (razão): O ratio determina a quantidade em Db que o compressor irá atuar entre
-2 Db (como no exemplo utilizado do item anterior) e o restante que ultrapassar essa
barreira. Se o ratio for 2:1 (dois pra um) significa que para cada 2Bb ultrapassado
pela barreira do threshold, passará 1 Db, ou seja, o que passar de -2 Db, o compressor
estará atuando somente nesse trecho. Quando usamos o ratio 4:1 significa que
para cada 4 Db que ultrapassar o threshold, ele estará cortando o sinal para 1 Db de
distância entre o threshold e o pico. Quando temos um ratio 4:2 significa que para
cada 4 Db que ultrapassar o threshold (-2 Db), somente 2 Db após o threshold serão
comprimidos. O ratio no máximo (infinito) faz com que o efeito passe de compressor
para limiter.
• Attack (ataque): É o tempo que o compressor vai esperar pra começar a funcionar, em
mili segundos. Exemplo, se você quer que o ataque da palheta apareça na gravação,
o ideal é que o compressor “espere” o momento da palhetada para comprimir
posteriormente. Deixando em 0ms, ele irá comprimir desde o primeiro instante e você
não conseguirá ouvir o ataque da palhetada.

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• Release: É o tempo que o compressor irá atuar (em mili segundos) nas configurações
estabelecidas pelo threshold, ratio e attack. Evite usar o release muito longo para não
“atropelar” os trechos ou as notas seguintes.

Por exemplo, se o som passar de -2 Db (barreira estipulada pelo threshold) e o ratio


estiver em 4:2, o attack em 0 ms e o release em 7 ms, significa que entre -2 Db e o
pico, a cada 4 Db que estiver acima de -2 Db, o threshold deixará passar 2 Db para
serem comprimidos. Esse trecho será comprimido na hora, sem atraso, pois o
attack está em 0ms, durante 7 ms, que é o tempo estipulado pelo release.

• Knee: Determina se a entrada do compressor será abrupta (em regulagens baixas)


ou suave (em regulagens altas)
• Gain (ganho): Após comprimir o som com os ajustes desejados, utilize o ganho
para compensar a diminuição de volume gerada pelo compressor. Ajuste o volume
comparando com o sinal bypass (sem efeito) para chegar num volume igual ao
volume original.

WAH-WAH
O wha-wha é um efeito que mexe nas faixas de frequências do timbre através de
um potenciômetro de tonalidade (grave, médio e agudo) que pode ser utilizado
com o pé enquanto se está tocando. O mesmo efeito pode ser obtido abrindo e
fechando o controle “Tone” de sua guitarra.

O pedal wha-wha foi criado em 1966 pelo engenheiro Brad Plunkett, que trabalhava
para a empresa americana de orgão Thomas Organ Company. Plunkett adaptou
um pedal de volume usado no orgão trocando o potenciômetro de volume por um
de tonalidade, fazendo com que o pedal acentuasse as frequências mais altas ou
baixas de acordo com o movimento do pé.

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O primeiro modelo de pedal wah do mundo foi o Clyde McCoy, fabricado pela Vox
na Itália e distribuído pela Thomas Organ nos EUA, lançado em 1966.

O curioso é que Clyde não era guitarrista e o nome foi dado em homenagem a ele,
que fazia o efeito de wah no trumpete antes da invenção do pedal. O fato é que
quando a Vox aceitou fabricar os pedais para a Thomas Organ, eles queriam que
o efeito fosse usado apenas por instrumentos de sopro, mas um dos consultores
da empresa, o guitarrista Del Casher, defendia o uso do pedal em guitarras, que
começou a usar e divulgar o protótipo em seus shows, sendo considerado o
primeiro guitarrista da história a utilizar o pedal de wah.

O nome “Cry Baby” foi criado pela Vox em 1968 e usado nos modelos que a Vox
fazia para o mercado americano.

O efeito de wah na guitarra se consolidou com a música “Voodo Chile” de Jimi


Hendrix, a partir de então, o wah passou a ser um item fundamental no set up de
quase todos os guitarristas.

Hoje a marca “Cry Baby” pertence a Jim Dunlop, que possui um linha extensa de
pedais de wah, que vão desde a reedição do clássico Clyde até modelos mais
modernos e signatures de diversos artistas, como Eddie Van Halen, Zakk Wylde,
John Petrucci, Kirk Hammet, Joe Bonamassa, etc.

Alguns pedais possuem acionamento automático, como o Morley Bad Horsie e o


Dunlop 95Q.

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Vox King Wah Morley Bad Horsie 2 Custom Audio Wha

Fulltone Clyde Deluxe Jim Dunlop Cry Baby 95Q RMC - Geoffrey Teesee

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WHAMMY
É um efeito que vai mudando a afinação da nota conforme pisamos no pedal. O
primeiro modelo foi lançado pela Digitech, modelo Whammy.

Digitech Whammy IV Digitech Whammy DT

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