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EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA 2ª VARA

CRIMINAL DA COMARCA DE GUARULHOS-SP.

Processo n.º 2977/2009

ADRIANO DOS SANTOS SILVA, já devidamente qualificado nos


autos do processo crime que lhe move a D. Justiça Pública, por sua
Advogada, não se conformando com a R. Sentença de fls. que o condenou a
pena de 07 anos, 08 meses e 03 dias de reclusão e pagamento de 20
dias-multa, no regime inicial fechado, vem, respeitosamente à presença de
Vossa Excelência, recorrer com fulcro no artigo 593 do Código de Processo
Penal.

Recebido o apelo ora interposto, protesta pela apresentação de


suas razões, prosseguindo-se nos demais termos da lei, para que não haja
cerceamento de defesa e protesta pelos ulteriores de direito.

Termos em que,
Pede Deferimento.

Guarulhos, 15 de março de 2011.

Gislane Mendes Lousada


OAB-SP 181.036
RAZÕES DE APELAÇÃO

PROCESSO N.º 2977/09

APELANTE: ADRIANO DOS SANTOS SILVA

APELADA: JUSTIÇA PÚBLICA

EGRÉGIO TRIBUNAL
COLENDA CÂMARA
DOUTOS DESEMBARGADORES

A r. sentença de fls., que condenou o Apelante a pena


privativa de liberdade de 07 anos, 08 meses e 03 dias de reclusão, além
de 20 dias-multa, por infração ao Artigo 157 § 2º Incisos I e II do Código
Penal, em razão da qual teria de cumprir a pena aplicada em regime inicial
FECHADO, sendo-lhe obstado o direito de apelo em liberdade.

Data venia, a reforma da respeitável sentença se impõe,


eis que os fundamentos em que aquela se baseia são por demais frágeis,
como se verá.

Na fase investigatória, segundo consta da


denúncia, na data de 31/05/2009, entre 1h50 e 3h45, na Rua
Jacofer, altura do nº 615, no bairro do Limão, nesta Capital, o réu,
agindo em concurso com Ademir Paulo do Nascimento,
subtraíram para eles, mediante uso de chave falsa, bem
pertencente a Leandro Souza Oliveira Santos.

Segundo a r. denúncia, a vítima, quando saiu


do estabelecimento denominado CTN Centro de Tradições
Nordestinas, constatou o furto de seu veículo, e, de imediato
informou aos policiais de uma viatura que passavam pelo local.

Foram feitas diligências e cerca de 20 minutos,


lograram êxito em localizar o veículo da vítima, ocasião em que o
capô estava aberto e Ademir olhava o motor, enquanto que Daniel
estava ao volante do referido bem.
Não é crível que tais fatos tenham sido frutos de
eventual conduta do Apelante, pois os dados são totalmente opostos,
inclusive quanto às circunstâncias que se déramos fatos.

É curial frisar ainda que, se realmente o Apelante fosse


um dos autores do delito em questão, o Apelante jamais poderia ser, haja
vista, que conforme se vê nos depoimentos colhidos desde a fase
inquisitorial, o Apelante assim como o co-réu, estavam na CTN, local onde
também se encontrava a vítima, pois trata-se de lugar de danças, onde é
bastante freqüentado, assim como é fato, que nenhum popular forneceu as
características do Apelante como sendo uma das pessoas que furtou o
veículo.

Tanto o acusado quanto o co-réu, no auto flagrancial


negaram a prática do delito, informando que um rapaz pediu ajuda a ele e
Ademir para levar o veículo até o Posto, mas, como estava com o pneu
furado ou murcho, este foi buscar um macaco, fato que causou estranheza
nos réus, os quais de imediato voltaram ao veículo Voyage, o qual não pegou
na partida e estava sendo empurrado por Daniel com Ademir ao volante,
ocasião em que apareceram os policiais militares, os quais os abordaram, e
que imputaram o furto aos mesmos, sendo certo, que Daniel informou-lhes
que tinha passagem policial.

Em Juízo, Daniel deu versão idêntica a fornecida na


Delegacia de Polícia.

Portanto, não há que se dizer que houve contradição no


depoimento fornecido por Daniel.

Tanto é verdade, que a própria vítima afirma que os


policiais, informou a este que um dos detidos tinha passagem policial.

Ademais, a própria vítima afirma que seu veículo fora


encontrado cerca de 10 minutos após os fatos, o que nos leva ao crime
TENTADO, e não crime CONSUMADO conforme fora prolatada a r.
sentença.

O policial Marcelo às fls. 230, afirma que Ademir estava


tentando ligar o veículo, e que o veículo fora encontrado cerca de 500 metros
do local dos fatos.

O policial Paulo, às fls. 227, declara que não se lembra


se havia alguma chave falsa, assim como não se lembra se o veículo estava
ligado.

Os dois policiais afirmam que nenhum dos réus


reagiram à prisão.
Ficou provada a materialidade durante a instrução
criminal, mas, é certo, como a matemática, que não houve provas
contundentes da autoria, e no caso de dúvidas, esta deva beneficiar o réu,
não se pode condenar alguém apenas por convicção de que este trata-se de
criminoso, e, levando-se em forma de convencimento seus antecedentes
criminais.

Não houve em momento algum juízo de certeza,


indispensável à condenação, comprovando o envolvimento do Apelante neste
delito.

Diante do exposto, requer seja dado provimento à presente


apelação, para o fim de reformar a r. sentença de fls. _____, absolvendo-se o
Apelante nos termos do artigo 386, VI, do Código de Processo Penal, como
medida de justiça.

Termos em que,
Pede Deferimento.
__________________, _____ de __________ de __________
(local e data)

_______________________
(nome do advogado)
OAB/____ n.º _________