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29/06/2018 THEODOR ADORNO

THEODOR ADORNO – Pensamentos

Theodor Adorno

Rodolfo Domenico Pizzinga

Objetivo do Estudo

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29/06/2018 THEODOR ADORNO

Este estudo é uma coletânea de pensamentos de


Theodor Adorno, filósofo, sociólogo, musicólogo e
compositor alemão de origem judaica – um dos
expoentes da Escola de Frankfurt (Escola de teoria social
interdisciplinar neo-marxista, particularmente associada
com o Instituto para Pesquisa Social da Universidade de
Frankfurt).

Breve Nota Biográfica

Theodor Adorno

Theodor Ludwig Wiesengrund-Adorno ou simplesmente


Theodor Adorno (Frankfurt am Main, 11 de setembro de
1903 – Visp, 6 de agosto de 1969) foi um filósofo,
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sociólogo, musicólogo e compositor alemão. É um dos


expoentes da chamada Escola de Frankfurt, juntamente
com Max Horkheimer, Walter Benjamin, Herbert Marcuse,
Jürgen Habermas e outros.

A Filosofia de Theodor Adorno, considerada uma das


mais complexas do século XX, fundamenta-se na
perspectiva da Dialética. Uma das suas importantes
obras, a Dialética do Esclarecimento, escrita em
colaboração com Max Horkheimer durante a guerra, é
uma crítica da razão instrumental, conceito fundamental
deste último filósofo, ou, o que seria o mesmo, uma
crítica, fundada em uma interpretação negativa do
Iluminismo, de uma civilização técnica e da lógica cultural
do sistema capitalista (que Adorno chama de indústria
cultural). É também uma crítica à sociedade de mercado
que não persegue outro fim que não o do progresso
técnico.

Criticando a práxis brutal da sobrevivência, a obra de


arte, para Adorno, apresenta-se, socialmente, como
antítese da sociedade, cujas antinomias e antagonismos
nela reaparecem como problemas internos de sua forma.
Por outro lado, entre autor, obra e público, a obra adquire
prioridade epistemológica, afirmando-se como ente
autônomo. Este duplo caráter se vincula à própria
Natureza desdobrada da arte, que se constitui como
aparência. Ela é aparência por sua diferença em relação
à realidade, pelo caráter aparente da realidade que
pretende retratar, pelo caráter aparente do espírito do
qual ela é uma manifestação; a arte é, até mesmo,
aparência de si própria na medida em que pretende ser o
que não pode ser: algo perfeito em um mundo imperfeito,
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por se apresentar como um ente definitivo, quando na


verdade é algo feito e tornado como é.

Na sua obra, Adorno defendeu a necessidade de uma


teoria crítica, negando as correntes de pensamento que
contribuíram para perpetuar as forças de dominação do
homem. Foi também uma importante referência de
movimentos e de pensadores de esquerda de matriz
antitotalitária.

Pensamentos Adornianos

O ser humano se estabelece na imitação: um homem se


torna um homem apenas imitando outros homens.

A tentativa de superar a barbárie é decisiva para a


sobrevivência da Humanidade.

O horror está além do alcance da Psicologia.

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O Horror da Indiferença

Existe um critério quase infalível para determinar se


um homem é realmente teu amigo: o modo como refere
opiniões hostis ou descorteses a teu respeito.

O amor é a capacidade de perceber o semelhante no


dessemelhante.

A pressa, o nervosismo e a instabilidade observados


desde o surgimento das grandes cidades, alastram-se nos
dias de hoje de uma forma tão epidêmica quanto outrora
foram a peste e a cólera. Neste processo, se manifestam
forças das quais os passantes apressados do século XIX
não eram capazes de fazer a menor idéia. Todas as
pessoas têm necessariamente algum projeto. O tempo de
lazer exige que se o esgote. Ele é planejado, utilizado para
que se empreenda alguma coisa, preenchido com vistas a
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toda espécie de espetáculo ou, ainda, apenas, com


locomoções tão rápidas quanto possível. A sombra de
tudo isto cai sobre o trabalho intelectual. Este é realizado
com má consciência, como se tivesse sido roubado a
alguma ocupação urgente, ainda que meramente
imaginária. A fim de se justificar perante si mesmo, ele se
dá ares de uma agitação febril, de um grande afã, de
uma empresa que opera a todo vapor devido à urgência
do tempo e para a qual toda a reflexão – isto é, ele
mesmo – é um estorvo. Com freqüência, tudo se passa
como se os intelectuais reservassem para a sua própria
produção precisamente apenas aquelas horas que
sobram das suas obrigações, saídas, compromissos e
divertimentos inevitáveis.

Serás amado apenas quando puderes mostrar a tua


fraqueza, sem provocar nenhuma força.

A arte é a magia libertada da mentira de ser


verdadeira.

Um alemão é alguém que não pode dizer uma mentira


sem que ele mesmo acredite.

A tarefa atual da arte é introduzir o caos na ordem.

Conselho ao intelectual: não deixes que te representem.


A fungibilidade [que se gasta, que se consome após o
uso] das obras e das pessoas e a crença daí derivada de
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que todos têm de poder fazer tudo, se revelam no seio do


estado vigente como grilhões. O ideal igualitário da
representatividade é uma fraude, se não for sustentado
pelo princípio da revogabilidade e da responsabilidade
do 'rank and file' [das massas, do grande público]. O mais
poderoso é justamente o que menos faz, o que mais se
pode encarregar daquele a que se dedica e sua vantagem
arrecada. Parece coletivismo, e se fica apenas pela
demasiado boa opinião de si mesmo, pela exclusão do
trabalho, graças à disposição do trabalho alheio. Na
produção material está solidamente implantada a
substituibilidade. A quantificação dos processos laborais
diminui tendencialmente a diferença entre o encargo do
diretor-geral e o do empregado de uma estação de
serviço. É uma ideologia miserável pensar que, nas
atuais condições, para a administração de um truste se
requer mais inteligência, experiência e preparação do
que para ler um manômetro. Mas, enquanto na produção
material há um apego tenaz a esta ideologia, o espírito
da que lhe é contrária cai na submissão. Tal é a cada vez
mais ruinosa doutrina da 'universitas litterarum', da
igualdade de todos na república das ciências, que não só
faz de cada um controlador do outro, mas, além disto,
deve capacitá-lo para fazer igualmente bem o que o outro
faz. A substituibilidade submete as idéias ao mesmo
processo que a troca das coisas. É excluído o
incomensurável. Mas, como o pensamento tem, antes de
mais, de criticar a onímoda comensurabilidade, derivada
da relação de troca, volta-se então, enquanto relação
produtiva espiritual, contra a força produtiva. No plano
material, a substituibilidade é o já possível, e a
insubstituibilidade é o pretexto que a impede; na teoria, à
qual cabe compreender esse 'quid pro quo', a
substituibilidade ajuda o aparelho a se prolongar ainda
até onde reside a sua oposição objetiva. Só a
insubstituibilidade poderia contrabalançar a inserção do
espírito na área do emprego. A exigência, admitida como
evidente, de que toda a realização espiritual se deve
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deixar dominar por qualquer membro qualificado da


organização faz do mais obtuso técnico científico a
medida do espírito: onde iria ele buscar a capacidade
para a crítica da sua própria tecnificação? A Economia
suscita, assim, a nivelação do que, em seguida, se indigna
com o gesto do 'agarra, que é ladrão!' A demanda da
individualidade tem de se projetar de forma nova na
época da sua liquidação. Quando o indivíduo, como todos
os processos individualistas de produção, surge
historicamente antiquado e na retaguarda da técnica,
chega-lhe de novo, enquanto sentenciado, o momento de
dizer a verdade perante o vencedor. Pois, só ele conserva,
de um modo geralmente distorcido, o vestígio de aquilo
que concede o seu direito a toda a tecnificação, e de que
esta elimina, ao mesmo tempo, a consciência.

Aquele que amadurece cedo vive antecipadamente.

De homens muito maus não se pode nem mesmo


imaginar que morram.

A decadência da oferta se espelha na penosa invenção


dos artigos para presente, que já pressupõem o fato de
não se saber o que presentear porque, na verdade, não se
tem nenhuma vontade de fazê-lo.

Liberdade não é poder escolher entre preto e branco,


mas, sim, abominar estes tipos de propostas de escolha.

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A inteligência é uma categoria moral.

As relações privadas entre os homens se formam,


parece, segundo o modelo do 'bottleneck' industrial
[gargalo de garrafa industrial]. Até na mais reduzida
comunidade, o nível obedece ao do mais subalterno dos
seus membros. Assim, quem na conversação fala de
coisas fora do alcance de um só que seja comete uma
falta de tato. O diálogo se limita, por motivos de
humanidade, ao mais chão, ao mais monótono e banal,
quando na presença de um só 'inumano'. Desde que o
mundo emudeceu o homem, tem razão o incapaz de
argumentar. Não necessita mais do que ser pertinaz no
seu interesse e na sua condição para prevalecer. Basta
que o outro, em um vão esforço para estabelecer contato,
adote um tom argumentativo ou panfletário para se
transformar na parte mais débil. Visto que o 'bottleneck'
não conhece nenhuma instância que vá além do factual,
quando o pensamento e o discurso remetem
forçosamente para semelhante instância, a inteligência
se torna ingenuidade, e isto até os imbecis entendem. A
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conjura pelo positivo atua como uma força gravitória,


que tudo atrai para baixo. Mostra-se superior ao
movimento que se lhe opõe, quando com ele já não entra
em debate. O diferenciado que não quer passar
inadvertido persiste em uma atitude estrita de
consideração para com todos os desconsiderados. Estes
já não precisam sentir nenhuma intranqüilidade na
consciência. A debilidade espiritual, confirmada como
princípio universal, surge como força de vida. O
expediente formalístico-administrativo, a separação em
compartimentos de tudo quanto pelo seu sentido é
inseparável, a insistência fanática da opinião pessoal na
ausência de qualquer fundamento, a prática, em suma,
de reificar [encarar (algo abstrato) como uma coisa
material ou concreta] todo o traço da frustrada formação
do eu, de se subtrair ao processo da experiência e de
afirmar o 'sou assim' como algo definitivo, é suficiente
para conquistar posições inexpugnáveis. Podemos estar
seguros do acordo dos outros, igualmente deformados,
como da vantagem própria. Na cínica reivindicação do
defeito pessoal pulsa a suspeita de que o espírito objetivo,
no estágio atual, liquida o subjetivo. Estão 'down to
earth' [realistas] como os antepassados zoológicos, antes
de se alçarem sobre as patas traseiras.

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A vida se tornou a ideologia da sua própria ausência.

Normalidade significa Morte.

Não existe nenhum amor que não seja um eco. 1

Com a felicidade acontece o mesmo que com a verdade:


não a possuímos, mas estamos nela. Sim, a felicidade não
é mais do que o estar envolvido, reflexo da segurança do
seio materno. Por isto, nenhum ser feliz pode saber que o
é.2 Para ver a felicidade, teria de dela sair: seria, então,
como um recém-nascido. Quem diz que é feliz mente, na
medida em que jura, e peca, assim, contra a felicidade. Só
lhe é fiel quem diz: fui feliz. A única relação da
consciência com a felicidade é o agradecimento: tal
constitui a sua incomparável dignidade.
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A avalanche de informações minuciosas e de diversões


variadas corrompe e entontece simultaneamente.

Aquele que se mantém distanciado das realidades que o


cercam corre o risco de se acreditar melhor do que
outros, e, geralmente, critica a sociedade por interesses
particulares.

Aquele que morre em desespero viveu toda a sua vida


em vão.

O pensamento dialético é uma tentativa de romper a


lógica de coerção pelos seus próprios meios.

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O escritor se organiza no seu texto como em sua casa.


Comporta-se nos seus pensamentos como faz com os seus
papéis, livros, lápis e tapetes, que leva de um quarto para
o outro, produzindo uma certa desordem. Para ele,
tornam-se peças de mobiliário em que se acomoda, com
gosto ou desprazer. Acaricia-os com delicadeza, serve-se
deles, revira-os, muda-os de sítio, desfá-los. Quem já não
tem nenhuma pátria, encontra no escrever a sua
habitação. E aí produz, como outrora a família,
desperdícios e lixo. Mas, já não dispõe de desvão e é-lhe
muitíssimo difícil se livrar da escória. Por isto, ao tirá-la
da sua frente, corre o risco de acabar por encher com ela
as suas páginas. A exigência de resistir à autocompaixão
inclui a exigência técnica de defrontar com extrema
atenção o relaxamento da tensão intelectual e de eliminar
tudo quanto tenda a se fixar como uma crosta no
trabalho, tudo o que decorre no vazio, o que, talvez,
suscitasse, em um estádio anterior, como palavreado, a
calorosa atmosfera em que emerge, mas, agora,
permanece bafiento e insípido. Por fim, já nem sequer é
permitido ao escritor habitar nos seus escritos.
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A arte só consegue se opor ao se identificar com aquilo


contra o qual ela se insurge.

Não há dúvida de que a História da Música é uma


progressiva racionalização. Não obstante, a
racionalização é apenas um de seus aspectos sociais,
assim como a racionalidade ela própria. Aufklärung
[Esclarecimento, Iluminismo] é apenas um momento da
História da sociedade, que permanece irracional, presa
ainda a formas 'naturais'. No interior da evolução total
de que participou através da progressiva racionalidade,
a música foi também, e sempre, a voz do que ficara para
trás no caminho desta racionalidade ou do que fora
vítima.

Aquilo que é qualitativamente contrário ao conceito é


difícil de se conceitualizar; a forma na qual algo pode ser
pensado não é indiferente em relação ao objeto do
pensamento.

É específico à música que seu caráter enigmático seja


enfatizado pela sua distância em relação à determinação
visual ou conceitual do mundo dos objetos.

A semiformação é o espírito conquistado pelo caráter


de fetiche da mercadoria.

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O entendido e o experimentado medianamente (semi-


entendido e semi-experimentado) não representam um
processo de formação incompleto, mas, sim, um inimigo
letal deste processo, visto que, os elementos inassimilados
fortalecem a reificação da consciência que deveria
justamente ser extirpada pela formação.

A consciência coisificada, que se entende mal a si


mesma como se fosse Natureza, é ingênua: toma a si
mesma – algo que veio a ser e que é completamente
mediado em si – como se fosse, conforme expressão de
Husserl, a esfera do ser das origens absolutas, e àquilo
que ela arma diante dela como sendo a coisa tão ansiada.

O princípio da Estética Idealista, a finalidade sem-fim,


é a inversão do esquema a que obedece socialmente a
arte burguesa: a falta de finalidade para os fins
determinados pelo mercado.

A arte incorpora algo como liberdade no seio da não-


liberdade. O fato de, por sua própria existência, desviar-
se do caminho da dominação, a coloca como parceira de
uma promessa de felicidade, que ela, de certa maneira,
expressa em meio ao desespero.

Com a difusão da Economia mercantil burguesa, o


horizonte sombrio do mito é aclarado pelo sol da razão
calculadora, sob cujos raios gelados amadurece a
sementeira da nova barbárie.

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Como pode um mundo tão desenvolvido cientificamente


apresentar tanta miséria? Este é o problema central: o
confronto com as formas sociais que se sobrepõem às
soluções racionais. Assim como o desenvolvimento
científico não conduz necessariamente à emancipação,
por se encontrar vinculado à uma determinada formação
social, também acontece com o desenvolvimento no plano
educacional. Como pôde um país tão culto e educado
como a Alemanha de Goethe desembocar na barbárie
nazista de Hitler?

A liberdade, a autonomia e a maioridade é o processo –


que Freud denominou de desenvolvimento normal – pelo
qual a criança, em geral, se identifica com a figura do
pai, portanto, como uma autoridade, interiorizando-a,
apropriando-a, para, então, ficar sabendo, por um
processo sempre muito doloroso e marcante, que o pai, a
figura paterna, não corresponde ao ideal que dele
apreendeu, libertando-se, assim, do mesmo, e se
tornando, precisamente, por esta via, em um ser
emancipado.

A educação seria impotente e ideológica se ignorasse o


objetivo de adaptação e não preparasse os homens para
se orientarem no mundo.

Qualquer debate acerca das metas educacionais carece


de significado e importância frente a esta meta: que
Auschwitz não se repita. Ela foi a barbárie contra a qual
se dirige toda a educação. Fala-se da ameaça de uma
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regressão à barbárie. Mas, não se trata de uma ameaça,


pois Auschwitz foi a regressão; a barbárie continuará
existindo enquanto persistirem no que têm de
fundamental as condições que geram esta regressão.

O problema que se impõe é saber se por meio da


educação podemos transformar algo de decisivo em
relação à barbárie. Entendo por barbárie algo muito
simples, ou seja, que, estando na civilização do mais alto
desenvolvimento tecnológico, as pessoas se encontrem
atrasadas de um modo disforme em relação a sua
própria civilização, e não apenas por não terem em sua
arrasadora maioria experimentado a formação nos
termos correspondentes ao conceito de civilização, mas
também por se encontrarem tomadas por uma
agressividade primitiva, um ódio primitivo, ou, na
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terminologia culta, um impulso de destruição, que


contribui para aumentar ainda mais o perigo de que toda
esta civilização venha a explodir – aliás, uma tendência
imanente que a caracteriza.

Assaz difícil é decidir o que seja objetivamente a


verdade,3 mas, no trato com os homens, não há que se
deixar aterrorizar por isto. Existem critérios que para o
primeiro são suficientes. Um dos mais seguros consiste
em objetar a alguém que uma asserção sua é 'demasiado
subjetiva'. Se se utilizar aquela indignação em que ressoa
a furiosa harmonia de todas as pessoas sensatas, então,
há motivo para se ficar alguns instantes em paz consigo.
Os conceitos de subjetivo e objetivo se inverteram por
completo. Diz-se objetiva a parte incontroversa do
fenômeno, a sua efígie inquestionavelmente aceite, a
fachada composta de dados classificados, portanto, o
subjetivo; e denomina-se subjetivo o que tal desmorona,
acede à experiência específica da coisa, se livra das
opiniões convencionais a seu respeito e instaura a
relação com o objeto em substituição da decisão
majoritária daqueles que nem sequer chegam a intuí-lo, e
menos ainda a pensá-lo – logo, o objetivo. A futilidade da
objeção formal da relatividade subjetiva patenteia-se no
seu próprio terreno, o dos juízos estéticos. Quem, alguma
vez, pela força da sua precisa reação em face da
seriedade da disciplina de uma obra artística, se submete
à sua lei formal imanente, à coerção da sua
configuração, vê se desvanecer a prevenção do
meramente subjetivo da sua experiência como uma
mísera ilusão, e cada passo que dá, graças à sua
inervação extremamente subjetiva, para se adentrar na
obra, tem uma força objetiva incomparavelmente muito
maior do que as grandes e consagradas
conceptualizações acerca de, por exemplo, do 'estilo', cuja
pretensão científica se impõe à custa de tal experiência.
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Isto é duplamente verdadeiro na era do Positivismo e da


indústria cultural, cuja objetividade é calculada pelos
sujeitos que a organizam. Perante esta, a razão refugiou-
se toda, e sem janelas, nas idiossincrasias, acusadas de
arbitrariedade pela arbitrariedade dos poderosos,
porque eles querem a impotência dos sujeitos, em virtude
da angústia frente à objetividade que só em tais sujeitos
se encontra preservada. (Grifo meu).

A reflexão pode servir tanto à dominação cega como


ao seu oposto. As reflexões precisam, portanto, ser
transparentes em sua finalidade humana.

No fundo, a competição é um princípio contrário a uma


educação humana.

Já nada há de inofensivo. As pequenas alegrias e as


manifestações da vida que parecem isentas da
responsabilidade do pensamento não só têm um
momento de obstinada estupidez, de autocegueira
insensível, mas, entram, também, imediatamente a
serviço da sua extrema oposição. Até a árvore que
floresce mente no instante em que se percepciona o seu
florescer sem a sombra do espanto; até o 'como é belo!'
inocente se converte em desculpa da afronta da vida, que
é diferente, e já não há beleza nem consolação alguma,
exceto no olhar que, ao se virar para o horror, o defronta
e, na consciência não atenuada da negatividade, afirma
a possibilidade do melhor. É aconselhável a desconfiança
perante todo o lhano, o espontâneo, em face de todo o
deixa-andar que encerre docilidade frente à prepotência
do existente. O malevolente subsentido do conforto, que
outrora se limitava ao brinde da jovialidade, já há muito
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adquiriu sentimentos mais amistosos. O diálogo


ocasional com o homem no metrô, que, para não
desembocar em disputa, consente apenas em umas
quantas frases, a cujo respeito se sabe que não
terminarão em homicídio, é já um elemento delator;
nenhum pensamento é imune à sua comunicação, e basta
já expressá-lo em um falso lugar e num falso acordo para
minar a sua verdade. De cada ida ao cinema volto, em
plena consciência, mais estúpido e depravado. A própria
sociabilidade é participação na injustiça, porquanto dá a
um mundo frio a aparência de um mundo em que ainda
se pode dialogar, e a palavra solta, cortês, contribui para
perpetuar o silêncio, pois, pelas concessões feitas ao
endereçado, este é ainda humilhado na mente do falante.
O funesto princípio que reside na condescendência
desdobra-se no espírito igualitário em toda a sua
bestialidade. A condescendência e o não se ter em grande
monta são a mesma coisa. Pela adaptação à debilidade
dos oprimidos, confirma-se, em tal fraqueza, o
pressuposto da dominação, e revela-se a medida da
descortesia, da insensibilidade e da violência de que se
necessita para o exercício da dominação. Se, na mais
recente fase, decai o gesto da condescendência e se torna
visível apenas a igualação, então, tanto mais
irreconciliavelmente se impõe em tão perfeito
obscurecimento do poder a negada relação de classe.
Para o intelectual, a solidão inviolável é a única forma
em que ainda se pode verificar a solidariedade. Toda a
participação, toda a humanidade do trato e da partilha
são simples máscara da tácita aceitação do inumano. Há
que se tornar consonante com o sofrimento dos homens:
o menor passo para o seu contentamento é ainda um
passo para o endurecimento do sofrimento.

A intimidade entre as pessoas é indulgência e


tolerância – reduto das singularidades pessoais.
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O anti-semitismo burguês tem um específico


fundamento econômico: o disfarce do domínio como de
produção.

O anti-semitismo é o boato sobre os judeus.

Nos homens, a alienação se reflete essencialmente no


fato de que as distâncias desaparecem.

O Fascismo é totalitário, inclusive no fato de que tenta


estimular a rebelião dos oprimidos contra o domínio,
mas diretamente a serviço deste último.

O poder magnético que sobre os homens exercem as


ideologias, embora já se lhes tenham tornado decrépitas,
explica-se, para lá da Psicologia, pelo derrube
objetivamente determinado da evidência lógica como tal.
Chegou-se ao ponto em que a mentira soa como verdade,
e a verdade como mentira. Cada expressão, cada notícia
e cada pensamento estão pré-formados pelos centros da
indústria cultural. O que não traz o vestígio familiar de
tal pré-formação é, de antemão, indigno de crédito, e
tanto mais quanto as instituições da opinião pública
acompanham o que delas sai com mil dados factuais e
com todas as provas de que a manipulação total pode
dispor. A verdade que intenta se opor não tem apenas o
caráter de inverossimilhança, mas é, além disto,

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demasiado pobre para entrar em concorrência com o


altamente concentrado aparelho da difusão.

Com a ajuda do cinema, das 'soap operas' [telenovelas]


e do estar ligado, a Psicologia profunda penetrou nos
últimos rincões e a cultura organizada cortou aos
homens o acesso à derradeira possibilidade da
experiência de si mesmo. E o esclarecimento já pronto
transformou não só a reflexão espontânea, mas o
discernimento analítico, cuja força é igual à energia e ao
sofrimento com que eles são obtidos, em produtos de
massas, e os dolorosos segredos da história individual,
que o método ortodoxo se inclina já a reduzir, a fórmulas,
em vulgares convenções. Até a própria dissolução das
racionalizações se tornou racionalização. Em vez de
realizar o trabalho de autognose, os endoutrinados
adquiriram a capacidade de subsumir todos os conflitos
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em conceitos como complexo de inferioridade,


dependência materna, extroversão e introversão, que, no
fundo, são pouco menos do que incompreensíveis. O
horror em face ao abismo do eu foi eliminado mediante a
consciência de que não se trata mais do que uma artrite
ou de uma alergia. Os conflitos perderam, assim, o seu
aspecto ameaçador. São aceites; não sanados, mas
encaixados somente na superfície da vida normalizada
como seu ingrediente inevitável. São, ao mesmo tempo,
absorvidos como um mal universal pelo mecanismo da
imediata identificação do indivíduo com a instância
social; tal mecanismo, já há muito, definiu as condutas
pretensamente normais. Em vez da catarse, cujo êxito é,
de qualquer modo, duvidoso,4 surgiu a conquista do
prazer de até na própria debilidade ser um exemplar da
maioria, e conseguir, assim, não tanto como outrora, os
internados nos sanatórios, o prestígio do interessante
estado patológico, quanto, justamente em virtude
daquelas deficiências, de se mostrar como nela integrado
e transferir para si o poder e a grandeza do coletivo. O
narcisismo [característica de uma personalidade que
sente paixão por si mesma], que com a decadência do eu
ficou privado do seu objeto libidinal, foi substituído pelo
prazer masoquista de não mais ser um eu, e a geração
ascendente vela pela sua ausência de eu com mais zelo do
que por algum dos seus bens, como se fosse uma posse
comum e duradoura.

A esperança está, primordialmentete, naqueles que não


encontram consolo.

Porque, até agora, o pensamento tem sido desvirtuado


na resolução dos problemas a ele atribuídos, até mesmo o

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que não lhe é atribuído é processado como se fosse um


problema.

Tudo o que sempre foi denominado de arte popular


sempre refletiu dominação.

A felicidade está obsoleta: não é rentável.

A visão da vida se tornou uma ideologia que criou a


ilusão de que não há Vida.

Em toda parte, os mais atingidos são aqueles que não


têm escolha.

A tarefa quase insolúvel é não deixar que o poder dos


outros e a nossa própria impotência nos estupidifique.

Um lápis e uma borracha são mais úteis ao


pensamento do que um batalhão de assessores.

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29/06/2018 THEODOR ADORNO

A imoralidade da mentira não consiste na violação da


sacrossanta verdade. Ao fim e ao cabo, tem direito de a
invocar uma sociedade que induz os seus membros
compulsivos a falar com franqueza para, logo a seguir,
tanto mais seguramente os poder surpreender. À
universal verdade não convém permanecer na verdade
particular, que imediatamente se transforma na sua
contrária. Apesar de tudo, à mentira é inerente algo
repugnante cuja consciência submete alguém ao açoite
do antigo látego, mas que, ao mesmo tempo, diz algo
acerca do carcereiro. O erro reside na excessiva
sinceridade. Quem mente se envergonha, porque em cada
mentira deve experimentar o indigno da organização do
mundo, que o obriga a mentir, se ele quiser viver, e ainda
lhe canta: 'Age sempre com lealdade e retidão'. Tal
vergonha rouba a força às mentiras dos mais sutilmente
organizados. Elas confundem; por isto, a mentira só no
outro se torna imoralidade como tal. Toma este por
estúpido e serve de expressão à irresponsabilidade. Entre
os insidiosos práticos de hoje, a mentira já há muito
perdeu a sua honrosa função de enganar acerca do real.
Ninguém acredita em ninguém, todos sabem a resposta.
Mente-se só para dar a entender ao outro que a alguém
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29/06/2018 THEODOR ADORNO

nada nele importa, que dele não se necessita, que lhe é


indiferente o que ele pensa acerca de alguém. A mentira,
que foi outrora um meio liberal de comunicação,
transformou-se hoje em uma das técnicas da insolência,
graças à qual cada indivíduo estende à sua volta a frieza,
e sob cuja proteção pode prosperar.

Tato [sutileza e sensibilidade] é a discriminação de


diferenças. Ele consiste em desvios conscientes.

Aquele que tem o sorriso [a alegria] do seu lado não tem


nenhuma necessidade de prova.

Se tempo é dinheiro, parece moral poupar tempo...

Uma sociedade emancipada não é um Estado unitário,


mas aquela que realiza a universalidade pela
reconciliação das diferenças.

Toda sátira [maledicência] é cega.

Os indivíduos são completamente anulados frente aos


poderes econômicos.

http://paxprofundis.org/livros/theodad/theodad.htm 26/40
29/06/2018 THEODOR ADORNO

O significado dos emblemas fascistas, da disciplina


ritual, dos uniformes e de todo o aparato supostamente
irracional é possibilitar o comportamento mimético.

A definição de Novalis segundo a qual toda filosofia é


nostalgia só é correta se a nostalgia não se resolve no
fantasma de um antiqüíssimo estado perdido, mas
representa a pátria, a própria Natureza, como algo de
extraído ao mito. A pátria é o estado de quem escapou.

A razão contém, enquanto ego transcendental supra-


individual, a idéia de uma convivência baseada na
liberdade, na qual os homens se organizem como um
sujeito universal e superem o conflito entre a razão pura
e a empírica na solidariedade consciente do todo. A idéia
desse convívio representa a verdadeira universalidade –
a Utopia.

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29/06/2018 THEODOR ADORNO

A verdadeira natureza do Esquematismo acaba por se 5

revelar na ciência atual como o interesse da sociedade


industrial. O ser é intuído sob o aspecto da manipulação
e da administração. Tudo, inclusive o indivíduo humano,
para não falar do animal, se converte em um processo
reiterável e substituível, mero exemplo para os modelos
conceituais do sistema.

A ciência – ela própria – não tem consciência de si; ela


é um instrumento, enquanto o esclarecimento é a filosofia
que identifica a verdade com o sistema científico.

Toda burrice parcial de uma pessoa designa um lugar


6

em que o jogo dos músculos foi, em vez de favorecido,


inibido no momento do despertar.

Uma vida inconseqüente, ilógica e contraditória não


pode ser vivida corretamente.

Cada obra de arte é um crime não confirmado. 7

Quem se adapta [se submete] está perdido.

Para um homem que não tem uma pátria, escrever se


torna um lugar para viver.

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29/06/2018 THEODOR ADORNO

Na concepção abstrata do erro universal, toda a


responsabilidade concreta desaparece.

Seitas insanas crescem no mesmo ritmo das grandes


organizações. É o ritmo da destruição total.

Na Psicanálise nada é verdadeiro, exceto os exageros.


8

A modernidade é qualitativa, não uma categoria


cronológica.

Não há emancipação [pessoal] sem emancipação da


sociedade.

Nenhum mal vem ao homem de fora. 9

A linguagem proletária é ditada pela fome. Os pobres


mastigam as palavras para preencher suas barrigas.

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29/06/2018 THEODOR ADORNO

Primeiro e único da ética sexual: o acusador está


sempre errado.10

Os deuses olham com prazer para os pecadores


arrependidos.

A piada do nosso tempo é o suicídio de intenção.

O específico não é exclusivo: falta-lhe a aspiração à


totalidade.

A lasca em seu olho é a melhor lente de aumento.


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29/06/2018 THEODOR ADORNO

Pensar não significa mais do que verificar a cada


momento se é possível realmente pensar.

Dizer 'nós' significando 'eu' é um dos insultos mais


recônditos.

O talento, talvez, nada mais seja do que a fúria


sublimada de um modo feliz.

' Como eu poderia amar o bem, se não odiasse o mal?'


(Johan August Strindberg, apud Adorno).

Mas a Terra, totalmente esclarecida, resplandece sob o


signo de uma calamidade triunfal.

Pode Ir Parando Já

Pode parar com a insistência;


eu só ouço minha consciência.

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29/06/2018 THEODOR ADORNO

Não desperdice seu ramerrame;


refinei o tempo broco do arame.

Ninguém faz a minha cabeça;


para isto, eu me esforcei à beça.
Sou o meu Rei e o meu Senhor;
eu sou um instrumento do Amor.

Mas, se você abrir seu postigo,


se lhe convier, poderá vir comigo.
Onde estou indo, cabe mais um.
Afinal, somos ou não todos um?

O Arame da Existência
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29/06/2018 THEODOR ADORNO

______

Notas:

1. Sim, o Amor é um Eco – um Eco do Deus de nossos Corações.

2. É aquela velha estória: só costumamos dar valor às coisas quando as


perdemos.

3. Se considerarmos que a verdade absoluta é algo impossível de ser


alcançado, então, todas as verdades que reconhecemos como tais são
relativas. Logo, torna-se irrelevante decidir o que seja objetivamente a
verdade. Só interiormente conheceremos a resposta para as nossas dúvidas,
que vão sendo atualizadas à medida que progredi(r)mos intelectual e
espiritualmente.

4. Não compartilho da idéia que o êxito da catarse (do grego, )


seja duvidoso. Poderá ser incompleto, mas, duvidoso jamais. Segundo
Aristóteles (Estagira, 384 a.C. – Atenas, 322 a.C.), a catarse refere-se à
purificação das almas por meio de uma descarga emocional provocada por
um drama. Ainda segundo o filósofo grego, se um homem bom passar da má
para a boa fortuna, nós não sentiremos terror; se um homem bom passar da
boa para a má fortuna, nós ficaremos com pena; se um homem mau passar
da boa para a má fortuna, nós nos sentiremos felizes; e, se um homem mau
passar da má para a boa fortuna, nós sentiremos repugnância. Sob a ótica
da Psicologia, resumidamente, catarse é experimentar a liberdade em
relação a alguma situação opressora, tanto as psicológicas quanto as
quotidianas, através de uma resolução que se apresente de forma efetiva o
suficiente para que tal ocorra. Enfim, quem não quer experimentar a
liberdade?

5. O Esquematismo é uma forma de representar objetos reais com um estilo


caracterizado pelo uso de traços simbólicos e simplificados que não
pretendem ser realistas. O desenho resultante, usualmente, omite detalhes
irrelevantes para a informação que interessa ressaltar, sendo os elementos
reduzidos a diagramas arbitrários ou convencionais que tangenciam a
abstração, e que, apesar disto, são facilmente acessíveis para a
compreensão humana. Um exemplo de Esquematismo são as fórmulas
químicas utilizadas na Química Orgânica e na Química Inorgânica.

http://paxprofundis.org/livros/theodad/theodad.htm 33/40
29/06/2018 THEODOR ADORNO

Átomo de Hélio (2He4)

6. Creio que burrice, propriamente, não exista. O que existe, isto sim, é maior
ou menor ignorância das coisas. E, por ignorância, todos nós fazemos, como
costuma ser dito, burrices. Seja como for, todos nós temos dificuldade em
apre(e)nder as coisas; maior ou menor, uns mais, outros menos. E assim,
não é todo mundo que consegue compreender que tanto a verdade quanto o
tempo são relativos. Da mesma forma que não há uma verdade única para
todos os seres, uma verdade absoluta e incontestável, não há um tempo
único para todas as coisas, um tempo absoluto, newtoniano, equivalente e
uniforme. Na verdade, nem se deve pensar no tempo como uma coisa
isolada, autônoma, mas, sim, em espaço-tempo – uma entidade geométrica
unificada, consistindo de uma variedade diferenciável de quatro dimensões
(coordenadas), sendo três espaciais e uma temporal (a quarta dimensão).
Enfim, pense nisto: se o Universo é o que é, ou seja, é o que sempre foi e o
que sempre será, o que é velho e o que é novo? O que é o ontem e o que é
o amanhã? O que é atrasamento e o que é adiantamento? O que é certo e o
que é errado? O que é a vida (viver) e o que é a morte (morrer)? O que é o
que é e o que é o que não é? Por isto, criticar e menospreçar o outro por
causa de suas dificuldades é também um ato de ignorância.

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29/06/2018 THEODOR ADORNO

7. Nem sempre. Guernica, uma cidade basca, por exemplo, é um painel


pintado por Pablo Picasso (1881 – 1973), e exposto em 12 de julho de 1937
na Exposição Internacional de Paris, e registra o sofrimento dos cinco mil
habitantes da Cidade, que foi completamente destruída por bombas
incendiárias jogados pela Legião Condor, majoritariamente aérea, dos
nazistas, em 26 de abril de 1937, cujo principal objetivo, por sugestão do
chefe da Deutsche Luftwaffe, Hermann Göring, era testar a força aérea
alemã em uma guerra convencional. A tela, pintada a óleo, medindo 350 por
782 cm, é normalmente tratada como representativa do bombardeio sofrido
por Guernica, para dar apoio ao ditador Francisco Franco (1892 – 1975), um
dos revolucionários que derrubou a monarquia e instalou a república na
Espanha, em 1931, com o apoio da Itália fascista e da Alemanha nazista. Em
janeiro de 1938, Franco uniu os partidos de direita, tornando-se Chefe de
Estado e de Governo, instalando um regime ditatorial marcado pela
repressão, pela tortura e por fuzilamentos. O último gesto político de Franco
foi restaurar a monarquia, estabelecendo que o príncipe herdeiro, Juan
Carlos Alfonso Víctor María de Borbón y Borbón-Dos Sicilias (Roma, 5 de
janeiro de 1938 – ), deveria sucedê-lo após sua morte, o que de fato
aconteceu. A Espanha, hoje, é uma monarquia que foi restaurada em 22 de
novembro de 1975, tendo Dom Juan Carlos I como Rei de todos os
espanhóis.

Guernica
(Pablo Picasso)

8. Ora, isto não é assim. Uma das funções da Psicanálise é exatamente


reduzir ao mínimo os exageros.

9. Isto está de acordo com o Princípio Místico que admite e afirma que todos
os males são produzidos por nós. O que vem de fora são os efeitos ou as
conseqüências daquilo que nós produzimos interiormente. No final das

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29/06/2018 THEODOR ADORNO

contas, somos todos responsáveis pelo céu e pelos deuses que causamos e
pelo inferno e pelos demônios que engendramos.

10. Acho que Adorno papou mosca aqui. E os estupros? E a pedofilia? E o


tráfico internacional de mulheres e de crianças para fins de exploração
sexual? E a cafetinagem? E o assédio sexual? E o abuso sexual de
menores? E a agressão sexual (penetração vaginal, anal ou oral forçada,
relação sexual forçada, carícias não apropriadas, beijos forçados etc.)? E a
escravidão sexual? E a bolinação? E a pornografia infantil? E sei-lá-mais-o-
quê que uma mente pervertida e doente é capaz de bolar e praticar? Em
todos estes casos, o denunciante está sempre absolutamente certo. Não
denunciar seria ser cúmplice de todas estas barbaridades. Mas, eu desejo
paz, compreensão e libertação para todos os atores destes desvirtuamentos,
que, no fundo, não são propriamente criminosos, mas, doentes, e, por isto,
devem ser, acima de tudo, psicologicamente auxiliados.

Pedófilo Identificado pela INTERPOL

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http://paginadoenock.com.br/

http://paxprofundis.org/livros/theodad/theodad.htm 36/40
29/06/2018 THEODOR ADORNO

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a/theodore-wiesengrund-adorno

http://pt.wikiquote.org/
wiki/Theodor_Adorno

Música de fundo:

Malagueña
Composição: Elpidio Ramírez Burgos & Pedro Galindo Galarza
Interpretação: Trio Los Panchos

Direitos autorais:

As animações, as fotografias digitais e as mídias digitais que reproduzo (por


empréstimo) neste texto têm exclusivamente a finalidade de ilustrar e
embelezar o trabalho. Neste sentido, os direitos de copyright são exclusivos
de seus autores. Entretanto, como nem sempre sei a quem me dirigir para
pedir autorização para utilizá-las, se você encontrar algo aqui postado que
lhe pertença e desejar que seja removido, por favor, entre em contato e me
avise, que retirarei do ar imediatamente.

http://paxprofundis.org/livros/theodad/theodad.htm 39/40
29/06/2018 THEODOR ADORNO

http://paxprofundis.org/livros/theodad/theodad.htm 40/40