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Aula teórica: 01 02.03.2020


Tema 1. Operações com conjuntos numéricos
- Representação e descrição de conjuntos;
- Operações com conjuntos.

Objectivos
No fim desta aula os estudantes devem ser capazes de:
• Representar e descrever conjuntos numéricos por extensão e por compreensão;
• Operar com conjuntos numéricos.

1. Operações com conjuntos n.u,mérieos

1. 1. Conjuntos
O termo matemático "c0nj unito II não tem uma definição rigorosa mas pode ser explicado a
partir de e:x;emplos:

Exemple 1.

1} O conjunto das consoantes do alfabeto latino.

2} O conjunto de números reais (JR).

3} O conjunto de funções continuas no intervalo [a, b].

4) O conjunto de funções integráveis no intervalo [a, b] .


5) O conjunto das teorias sobre o surgimento da terra.

6) O conjunto de átomos que constituem o sistema solar.

7) O conjunto de peças de automóvel.

8) O material de protecção individual.

Portanto, se pode considerar conjunto a uma família ou colecção de objectos, tendo em conta
algum tipo de característica comum. O essencial no conceito de conjunto é o acto de unir
diferentes objectos do mundo real ou da intuição humana em um todo.

Para descrever um conjunto é necessário apresentar todos os seus elementos ou caracterizá-


lo através das suas propriedades específicas.

Um conjunto pode ser finito ou infinito. É finito o conjunto que apresenta um número li-
mitado de seus elementos e caso contrário diz-se infinito.

Para representar conjuntos , comumment e, utilizam-se letras maúsculas do nosso alfabeto (A,
2

B, C, ...,Z) . Aos objectos coleccionados denominam-se elementos ou membros do conjunto e


representam-se pelas letras mínúsculas (a, b, c, .. . ,z).

Para escrever, simbolicamente, que o elemento x pertence ao conjunto A, representa-se por


x E A. Por outro lado, para referir que o elemento x não pertence ao conjunto A , designa-se
por x t4.

1. 1. 1. Descrição de conjuntos
Existem duas formas para descrever os conjuntos:

1) Extensão
Na descrição de conjuntos por extensão, realiza-se uma listagem dos elementos de con-
junto, agrupados entre chavetas e separados por vírgula ou ponto e vírgula. No caso
em que os elementos do conj.unto são variaveis continuas, utilizam-se os intervalos para
descrever os respectivos conjuntos.

Exemplo 2. Os conjuntos de números pares, de letras do alfabeto português e de números


reais maiores que zero e menores que dez representam-se, respectivamente, por:
{2, 4, 6, 8, ... } , {a, b, e, ... , z} e J0; 10[. Notemos que o conjunto de letras do alfabeto por-
tuguês é finito enquanto que os outros dois são infinitos.

Exemplo 3. Descreva por extensão os s,eg.uintes conjuntos:


2x+ 1
(a) A= { x E lR : 1 ~ -/2 ~
2
{b) D = { T E R : T> Os•eja o menor peri@do da fu.nção J( x) = cos 2 x }
. . nx sim{n,!) }
(c) E = { x E ~ : hm --'---'- = 0
n➔oo 1il, +l ·

Resolução
2x+ l
(a)l~\1'2 > (x+l)<=>
2

2 1 + cos 2x ·
(b) J(x) = cos x = . Agora reso·lvemos a equação f(x) j(x + T) =O, isto é,
2
1 + cos2x 1 + cos[2(x + T)]
= 0 ~ cos 2x cos[2(x + T)] =O{=>
2 2
. [2x
2 · sm . [2x+2(x+T)l = O {=> sin( T) • sin (2x + T) = O {=:=>
2(x+T)l · sm
2 2

sin(T) =O<=> T = k1r, k = 1, 2, 3, .... Deste modo, D= {1r}

. nx sin(n!) . nx
(e) Como Isin(n!)I ::; 1, n = 1, 2, 3, ... ==> hm - - - = O <=> hm - - = O {=>
n ➔oo n+l n➔oo n+l
x < 1. Portanto, E=] oo, 1[ D.
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2) Compreensão
Na .compreensão apresentam-se, entre chavetas, todas as características específicas do
COnJunto.

Exemplo 4. O conjunto de números pares representa-se por:


{x : x é divisivel por 2} e lê-se: 11 conjunto Jarmado por todos os x tal que x é divisivel
por 2 11 •

O conjunto das letras do (jJ,lfabeto português representa-se por:


{x : x é uma letra do alfebeto português } e lê-se: 11 conjunto f armado por todos os x tal
que x é uma letra do alfebeto português 11•

Na área de Métodos Numéricos merecem especial atenção os conjuntos números.

1.1.2. Conjuntos numéricos


Um conjunto numérico é aquele cujos elemen.tos são números, e pode ser:

1) Conjunto de números naturais:

N = {1;2;3;4, ... }

2) Conjunto de números inteiros relativos:

Z = {O; ±1; ±2; ±3; ±4; ... }

3) Conjunto de números racionais:

Q! = {; : X, yE Z, y ,é O}
Todos os números racionais podem ser representados por fracções decimais finitas ou
infinitas periódicas.

Exemplo 5.
Fracções decimais finitas.
o, 5; 11, 158; o, 0258

Fracções decimais infinitas periódicas.


1
= 0,-ª333 .. . {o número 3 repete-se interminavelmente)
3
2
7 = O, 285714285714... (o número 285714 repete-se interminavelmente)

4) Conjunto de números reais


É o conjunt o de todos os números representados por fracções decimais finitas ou infinitas
e, obviamente, designa-se por R .
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5) Conjunto de números irracionais

É o conjunto constituido por todos os números reais que não são racionais, ou seja,
que não podem ser representados sob a forma:

{; : X E Z, y E Z, y ,.f O}

O conjunto de números irracionais representarse por rr. Os números irracionais podem


ser apresentados em fracções decimais infinitas aperiódicas.

Exemplo 6. São irracionais os seguintes números:


v'2 = l.4142135623731...
1r = 3.1415926535897 .. .

e = 2. 7182818284590 .. .

6) Conjunto de números comp:lexos


É o conjunto de números definidos da seguinte forma:

C={a+i•b: i=v'l;a,bE:IR}

Exemplo 7. São complexos os s:eg.uintes números:


i, 2, 5 + v'l, V5, 2 + 4i, 1r + 3i.

A partir dos conjuntos numéricos apresentados anteriormente, não é tarefa dificil definir seus
subconjuntos positivos e negativos. Portanto, designaremos por A e A+ aos conjuntos cons-
tituídos por números negativos e positivos do conjunto A, respectivamente. Da mesma forma,
diremos que Ao é o conjunto A incluindo o zero.

Exemplo 8.
Ao conjunto de números naturais incluindo o zero rep.resenta-se por N0 = {O; 1; 2; 3; ... } .
As representações z+ = {1; 2; 3; 4, ... } e Z = { 1; 2; 3; 4, ... } se correspor:,,dem com os
conjuntos de números inteiros positit1os e negativos, respectivamente. Os números inteiros não
negativos e não positivos designam-se por.zt = {O; 1; 2; 3; 4, ... } e Z 0 = {O; l; 2; 3; 4, ... } ,
respectivamente.

Na teoria de conjuntos se definem dois tipos de relação entre conjuntos e seus elementos:

1) Relação de pertença

Diz-se relação de pertença à conexão que se pode estabelecer entre elemento e conjunto
através dos símbolos E e ~.

Exemplo 9. São verdadeiras as seguintes proposições:


1 E z; 1.s ~ N; 2 + h E e; v'5 ~ Q; v'4 ~ K; 2 + v'2 E e.
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2) Relação de inclusão

Diz-se relação de inclusão à conexão que se pode estabelecer entre conjuntos através
dos símbolos C, Ç, ::> , 2 , </:. t
t> e ~- Para ilustrar, simbolicamente, o emprego destas
relações, se consideram os conjuntos A e B. Então, se podem definir as seguintes relações:

(a) AC B , significa que o conjunto A é subconjunto de B (ou A está contido em B).


(b) A Ç B, significa que o conjunto A é subconjunto ou é igual ao conjunto B.
(c) A::> B, significa que o conjunto B é subconjunto de A (ou A contém B).
(d) A 2 B, significa que o conjunto B é subconjunto ou é igual ao conjunto A.
(e) A (/.. B, significa que o conjunto A não é subconjunto de B.
(f) A ri B, significa que o conjunto A não é subconjunto de B e, obviamente, os dois
conjuntos são distintos.

Exemplo 10. É válida a seguinte cadeia de relações de inclusão:

NcZcQclR

Para a representação gráfica das relações e propriedades de conjuntos utilizam-se os diagramas


de Venn 1 . Os respectivos diagramas con:sistem de curvas fechadas desenhadas sobre um plano
e, frequentemente, se utilizam cfrcuios e um rectângn1o. O rectângulo representa o conjunto
que contém os outros conjuntos representadios petos circulas. Por exemplo, geometricamente,
a cadeia de relações de inclusão apresentada no exemplo anterior é representada da seguinte
forma:

Figura 1 (Diagrama de Venn para a represe111tação gráfica da relação N e Z e Q e lR).

Agora apresentam-se algumas propriedades fundamentais de inclusão:

1) Todo conjunto é subconjunto de si mesmo.

2) Se A e B e B e A, então A= B. A representação A= B significa que os conjuntos


A e B são iguais ou idênticos.

3) Se A e B e B e/.. A, então A =/= B .

Em conformidade com as propriedades anteriores, se conclui que os conjuntos A =


{2, 4, 6, 8} e B = {6, 4, 8, 2} são iguais.
1
John Venn (1834-1923) - ma.temático Britânico

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