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Universidade do Vale do Paraíba

Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento

Estudo e avaliação de termoplásticos utilizados na confecção de


órteses.

Cristiane Kroll Lindemayer

Dissertação de Mestrado apresentada


ao Programa de Pós-Graduação em
Bioengenharia, como complementação
dos créditos necessários para obtenção
do título de Mestre em Engenharia
Biomédica.

São José dos Campos, SP


2004
Estudo e avaliação de termoplásticos utilizados na confecção de
órteses

Cristiane Kroll Lindemayer

Dissertação de Mestrado apresentada


ao Programa de Pós-Graduação em
Bioengenharia, como complementação
dos créditos necessários para obtenção
do título de Mestre em Engenharia
Biomédica.

Orientador: Prof. Dr. Johnny Vilcarromero

São José dos Campos, SP


2004
L722e
Lindemayer Cristiane Kroll
Estudo e avaliação de termoplásticos utilizados na confecção
de órteses / Cristiane Kroll Lindemayer. São José dos Campos:
UniVap, 2004.
68 p: il.; 31cm.

Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Gradualção em


Bioengenharia do Instituto de Pesquisa e Deenvolvimento da
Universidade do Vale do Paraíba, 2004.

1. Órteses 2. Polímero termoplástico 3. Espasticidade


4. Membros superiores 5. Terapia Ocupacional I.
Vilcarromero, Johnny, Orient. II. Título

CDU:615.851.3

Autorizo, exclusivamente para fins acadêmicos e científicos, a reprodução total ou parcial


desta dissertação, por processo fotocopiador ou transmissão eletrônica.

Aluna:

Data: 26 de maio de 2004.


“Estudo e avaliação de termoplásticos utilizados na confecção de órteses.”

Cristiane Kroll Lindemayer

Banca Examinadora

Profª. Dra. Roselena Faez, Presidente (Univap)

Prof. Dr. Johnny Vilcarromero, Orientador (Univap)

Profª. Dra. Cristina Yoshie Toyoda (UFSCar)

Prof. Dr. Marcos Tadeu Pacheco


Diretor do IP&D
São José dos Campos, 26 maio de 2004.
.
Dedico este trabalho ao grupo de Terapeutas Ocupacionais da UNIVAP, pelo nosso
esforço, garra, sofrimento, alegrias e tristezas que percorremos coletivamente para nos
mantermos “vivas e pulsantes” como grupo com dignidade.

Aos profissionais de áreas afins, pela contribuição dada a este trabalho e que
isto sirva de início para uma caminhada de construções coletivas, mesclando-se
conhecimentos.

À minha família, meu companheiro Demétrius, pela sua incansável compreensão,


paciência e dedicação aos filhos na minha ausência. Ao pequeno Pedro e a pequenina
Júlia, me perdoem pelos momentos de ausência e pouca tolerância. Obrigado pela força e
estímulo que vocês me deram. Amo vocês!
AGRADECIMENTOS

À Universidade do Vale do Paraíba por conceder a realização deste Mestrado.

Ao professor Johnny Vilcarromero,, orientador deste trabalho, pela sua paciência,


compreensão, auxílio e ensinamentos nesta trajetória. Muito obrigado.

À professora Roselena Faez colaboradora deste trabalho, pela sua atenção e ensinamentos
no meio de seu dia-a-dia atarefado.

Às experientes colegas Viviane Maximino e Rosé C. Toldrá, companheiras de uma árdua


trajetória docente, pela dedicação e auxílio no desenvolvimento e correções deste trabalho

À dona Yara P. F. Pascotto que concedeu algumas horas de seu dia-a-dia ocupado para
fazer as correções deste trabalho. À sua filha Naya P. F. Francisco, aprendiz e colega de
trabalho, pelas muitas conversas e trocas sobre o assunto. Desejo que continuemos nesta
caminhada realizando trabalhos juntas.

À Maria da Conceição Fonseca, Rúbia Gomes e Rosângela Taranger , bibliotecárias da


Univap, pelo auxílio e paciência para responder as perguntas de questão “administrativa”.

Ao Prof. José Augusto Agnelli pela colaboração na realização dos testes mecânicos.

A todas as pessoas amigas que contribuíram com apoio “moral” nesta trajetória.

À meus pais (in memóriam) pela formação como ser humano que hoje sou e por sempre
apostarem e auxiliarem nesta trajetória profissional. Tenho certeza que estariam felizes com
mais esta conquista.

Em fim, à Deus, energia maior, que me permitiu esta possibilidade e me concede saúde
física e emocional para caminhar nesta vida.
“Só existem dois dias do ano que nada
pode ser feito. Um se chame
ONTEM
e outro AMANHÃ.
Portanto, HOJE é o dia certo para
AMAR, ACREDITAR, FAZER
e
Principalmente VIVER..”
(Dalai Lama)
RESUMO

O presente trabalho tem por finalidade o estudo e avaliação de cinco materiais


termoplásticos de baixa temperatura utilizados na confecção de órteses para membro
superior e relacioná-los com sua aplicabilidade. O estudo destes materiais compreende o
estudo da sua composição, estrutura molecular e de suas propriedades mecânicas associadas
com as particularidades que a confecção de órteses estipula. Objetiva familiarizar os
profissionais de Terapia Ocupacional com as vantagens e as desvantagens de se utilizar
certos materiais para pessoas com os prejuízos da espasticidade, visto que na experiência
clínica estes profissionais escolhem o tipo de material empiricamente através de sua prática
cotidiana e com a descrição dos catálogos. A relação entre o material utilizado e a
necessidade do cliente é realizada sem critérios objetivos.Durante o estudo foram
utilizados: i) Espectroscopia na região do Infravermelho (FTIR) e Espectroscopia Raman
na compreensão da composição e estrutura molecular destes materiais; ii) Resistência à
tração e alongamento à ruptura foi utilizado no estudo das Propriedades Mecânicas e iii)
testes qualitativos de alongamento e memória também foram estudados.Na analise dos
resultados foram correlacionados todos os testes realizados, envolvendo as técnicas
espectroscopias e de confecção de órtese. Estes nos levaram a necessidade de priorizar três
características (memória, resistência ao estiramento e rigidez) de confecção de órtese para a
clientela espástica. Neste sentido verificou-se que três dos cincos materiais (Ômega
Ezeform e Aquaplast) poderiam ser utilizados para tal finalidade. As análises também
possibilitaram um conhecimento maior sobre os materiais do cotidiano desta prática
possibilitando sugerir informações para melhor aproveitamento destes. Finalmente se
concluí que para confeccionar ortese para clientela espástica os materiais Omega e Ezeform
reúnem o maior numero de características apropriadas.

Palavras–chave: terapia ocupacional; órtese; polímero termoplástico; espasticidade;


propriedades mecânicas.
ABSTRACT

The purpose of this research was a study and an evaluation of five low temperature
thermoplastic materials, which are used in upper limb orthoses confection and to relate
them with their practical application. Compositional, structural and mechanical proprieties
associated with the particularity that the confection of an orthoses stipulates were examined
in order to extent our knowledge on these five low temperature thermoplastics. Another
intention was to show advantages and disadvantages of useful this kind of materials among
people with spastic condition for the occupational therapists. It was noticed that
occupational therapists have been choosing empirically this kind of material due their
clinical practice and by the description offered by catalogues. There were no clear objective
criteria between thermoplastic material choice and patient necessity. Intenting help
professionals to the best choice three quantitative and two qualitative tests had been carried
through. I) Infrared and Raman spectroscopes was perform in order to know the
composition and structure of these materials; ii) Resistance the traction and along to the
rupture tests was perform for the mechanical properties and iii) memory and along
qualitatively test was also studied.The results analyses involved the correlation between the
spectroscopes test and the splinting. In this sense was observed that the necessity of three
confection characteristics to used in spastic clientele, memory, along resistance and rigidity.
Also was observed that three of five materials (Omega, Ezeform and Aquaplast) would be
used to this propose. The analyses gave a better knowledge on the daily useful
thermoplastic materials becoming possible to do suggestion of best usage of them. Finally,
in conclusion the research could show that Omega and Ezeform congregated the great
number of appropriated characteristics of orthoses confection for spastic patients.

Key words : occupational therapy; ortheses; thermoplastic polymer; spastic; mechanical


properties
SUMÁRIO
Introdução..........................................................................................................1
Capítulo 1 Órtese, Conceito e Aplicação...........................................................5
1.1.O que são as órteses?..................................................................5
1.2......................................................................................................Es
pasticidade....................................................................................7
1.3.....................................................................................................Polí
mero.........................................................................................................14

Capítulo 2 Os materiais utilizados e suas caracterizações..............................18


2.1.Descrição dos materiais selecionados...........................................18

Capítulo 3 Material e Métodos.......................................................................21


3.1. Características de materiais termoplásticos utilizados para
confeccionar órtese pelos profissionais de Terapia ocupacional...............21
3.2. Análise de Composição Estrutural.........................................................22
3.2.1. Espectroscopia na região do Infravermelho..................................22

3.2.2. Espectroscopia Raman..................................................................23

3.3. Ensaio de Propriedades Mecânicas.......................................................23


3.4. Testes qualitativos sobre aplicabilidade do material............................24
3.4.1. Teste de Alongamento........................................................................25
3.4.2. Teste de Memória..............................................................................26

Capítulo 4 Resultados.....................................................................................27
4.1. Análise de Composição Estrutural.........................................................27
4.1.1. Espectroscopia na região do Infravermelho.......................................27
4.1.2. Espectroscopia Raman......................................................................29
4.2. Ensaio de Propriedades Mecânicas.......................................................30
4.3. Testes qualitativos sobre aplicabilidade do material............................35
4.3.1. Teste de Alongamento.......................................................................35
4.3.2. Teste de Memória..............................................................................38

Capítulo 5 Discussão.......................................................................................41
Considerações Finais........................................................................................45
Referências.......................................................................................................47
Anexos..............................................................................................................52
LISTA DE ILUSTRAÇÕES

Figura 01 – Órtese Abdutor de Polegar................................................................................11


Figura 02 – Órtese de Posicionamento de Punho ou cock-up..............................................12
Figura 03 – Órtese de posicionamento Funcional................................................................12
Figura 04 –Estrutura Molecular da policaprolactama 27
Figura 05 - Espectro do Infravermelho dos materiais Aquaplast e Clinic...........................28
Figura 06 -Espectro do Infravermelho dos materiais Preferred e Ômega............................28
Figura 07 - Espectro do Infravermelho do material Ezeform..............................................29
Figura 08 Espectro do Infravermelho dos cinco materiaisl..utilizados................................29
Figura 09 - Espectro do Raman dos materiais Aquaplast, Clinic e Ezeform.......................30
Figura 10 - Espectro do Raman dos materiais Ômega e Preferred -....................................30
Figura 11 - Teste de Tração do material Clinic de 5 amostras............................................32
Figura 12 - Teste de Tração do material Ômega de 5 amostras...........................................32
Figura 13 - Teste Ensaio de Tração do material Preferre de 5 amostras..............................33
Figura 14 - Teste Ensaio de Tração do material Aquaplast. de 5 amostras.........................34
Figura 15 - Teste Ensaio de Tração do material Ezeform de 5 amostras.............................34

Tabela 01 - Descrição do material Ezeform segundo a importadora...................................19


Tabela 02 - Descrição do material Aquaplast segundo a importadora.................................19
Tabela 03 - Descrição dos materiais Clinic, Ômega e Preferred segundo a importadora.. . .20
Tabela 04 - Resultado do Ensaio Completo de Tração........................................................31
Tabela 05 – Resultados dos procedimento 1 e 2 do Teste de Alongamento........................35
Tabela 06 – Resultados dos procedimentos 4, 5 e 6 do Teste de Alongamento..................36
Tabela 07 - Resultados do Teste de Memória......................................................................39
Tabela 08 – Comparação dos cinco materiais com os resultados dos testes realizados......41
1

INTRODUÇAO

O homem padece com doenças, sofre emocional e fisicamente, necessita se adaptar


e busca incansavelmente recursos na Ciência para superar estes momentos. Os profissionais
da área da saúde pesquisam e experimentam estes recursos e tantos outros que sejam o
melhor para o seu cliente. Dentro destes encontram-se as órteses, dispositivos que auxiliam
na biomecânica de uma parte do corpo, que podem ser confeccionadas de polímeros
termoplásticos de baixa temperatura, utilizados pelos terapeutas ocupacionais nas
patologias neurológicas e ortopédicas com o intuito de auxiliar o seu cliente a minimizar os
prejuízos causados por seqüelas de lesões e doenças. Estes materiais são compostos
químicos, termomoldáveis que facilitam o posicionamento dos membros superiores e
inferiores e são prescritos pelos médicos e terapeutas ocupacionais. Eles possuem
características determinadas pela sua composição química, as quais influenciam na hora da
confecção, identificáveis com a prática profissional.
Desde a Antigüidade, Hipócrates falava em princípios para os tratamentos de
enfermidades ortopédicas que são utilizados ainda hoje para confecção de órteses. Em
vários períodos da história há a descrição de procedimentos utilizando-se órtese, como
Galen (131 – 201DC) utilizando vários recursos para a correção de deformidades da coluna,
Caelius Aurelianus (400DC), Guy de Chauliac (1300 – 1368), Ambroise Paré (1509 –
1590) considerado pioneiro na arte da confecção de órtese. Assim vários autores tratavam
deformidades de coluna e dos pés com aparelhos ortopédicos. Da mesma forma que a
técnica de confecção evoluiu os materiais utilizados também foram mudando com o passar
das décadas, os materiais variavam como madeira, metal, alumínio, couro, borracha,
plástico, gesso, gesso sintético. Nos últimos anos o material com maior utilização é o
termoplástico de baixa temperatura.
Hoje se tem a possibilidade e uso de diversos materiais e o profissional preocupa-se
com a estética e conforto deste aparelho e em patologias neurológicas o cliente opina se
este é o melhor procedimento para o seu bem –estar. Busca-se a saúde e a autonomia,
objetivando-se posição funcional e integridade osteo-articular para que esta pessoa possa
realizar-se na sua vida independentemente da sua limitação corporal.
Segundo LUZO et al (2001), “as órteses tornaram-se os recursos terapêuticos de
Terapia Ocupacional mais largamente conhecidos e utilizados na reabilitação das
afecções do aparelho locomotor. Baseado nos dados coletados e no estudo dos
materiais disponíveis, o terapeuta ocupacional projeta a órtese com criatividade e
cientificidade, associando conceitos de física básica (como as leis da inércia e da
gravidade, com a composição e resolução de forças, o estudo dos braços de
alavanca e movimentos circulares) à habilidade manual de moldagem de um
artista”.
Existem hoje no mercado inúmeros materiais termoplásticos para esta finalidade,
mas todos são importados. As importadoras descrevem nos catálogos seus materiais com
informações técnicas relacionadas com as caraterísticas de confecção de órtese e alguns
comentários sobre a composição do material em questão. A maioria dos terapeutas
ocupacionais que confeccionam órtese não toma conhecimento sobre o material que
utilizam além do fornecido pela importadora. Em outras palavras utilizamos estes materiais
e sabemos muito pouco sobre eles.
O termoplástico de baixa temperatura (amolece à temperatura de 60 a 75°C)é o
material mais comum na prática da confecção de órtese do terapeuta ocupacional devido às
vantagens de se poder criar com o material, facilidade de confecção e durabilidade. Mas as
propriedades químicas que possibilitam estas vantagens são pouco estudadas por estes
profissionais. Foram encontrados artigos e estudos realizados pelos profissionais da área na
década de 90, realizados com a parceria de engenheiros. O resgate do assunto torna-se
importante para perceber que os cinco materiais escolhidos já possuem uma história. As
interfaces com demais profissionais vêem a engrandecer o cotidiano profissional
melhorando a prática clínica e de pesquisas.
Os termoplásticos utilizados neste estudo foram os materiais Ômega, Clinic e
Preferred da marca North Coast e Ezeform e Aquaplast da marca Sammons Preston, em
razão de serem os freqüentemente usados na prática clínica e, portanto, serem maiores os
conhecimentos e facilidade de encontrá-los. Estes materiais são utilizados por alguns
profissionais na cidade de São José dos Campos e na Univap locais deste trabalho. O
material Ezeform é utilizado na AACD, cidade de São Paulo, pelos setores de terapia
ocupacional e oficina ortopédica.
Os modelos de órtese que foram abordados neste trabalho são os mais comuns na
espasticidade, seqüela neurológica decorrente de lesão ou tramas no sistema nervoso central
ou medula. A espasticidade encontra-se em muitas patologias neurológicas atendidas na
fase da reabilitação pelos terapeutas ocupacionais.
Existem vários questionamentos fundamentais entre os profissionais de terapia
ocupacional que envolve a utilização de termoplásticos para a confecção de órteses, como
por exemplo:
a) Por que os termoplásticos de baixa temperatura como: Aquaplast, Ômega e
Ezeform são os mais utilizados nas confecções de órtese para pessoas com prejuízos e
déficits decorrentes da espasticidade?
b) Por que os materiais Clinic e Preferred são preferencialmente utilizados em
patologias ortopédicas?
c) Qual a relação entre a composição química e suas propriedades mecânicas com as
condições de aplicabilidade na confecção de órtese. A relação propriedades dos materiais,
características de confecção de órtese e aplicabilidade já é percebida empiricamente pelos
profissionais que a realizam. Mas tem-se pouco conhecimento do material em si, é apenas
com a prática cotidiana que se determina qual material é adequado para uma seqüela ósteo-
articular.
Na tentativa de responder a algumas das questões acima o presente trabalho se
propõe a:
 relacionar o estudo estrutural, as propriedades mecânicas e os testes qualitativos
destes cinco materiais termoplásticos de baixa temperatura com as características de
confecção de órtese de membro superior para a espasticidade, percebendo assim
quais os materiais adequados para esta seqüela;
 observar através dos testes realizados, se os materiais encontram-se dentro das
características descritas nos catálogos;
 eleger dentro das características de confecção de órtese descritas pelos autores e
catálogos, quais são prioritárias para a clientela espástica; e.
 conhecer melhor os materiais sob a ótica da Ciência dos Materiais para melhor
manuseio.
Para tanto, o presente trabalho está escrito em cinco capítulos, estruturados da
seguinte forma:
- no primeiro capítulo são descritos brevemente os três assuntos que norteiam este
trabalho: os conceitos de órtese e os modelos utilizados na espasticidade, a descrição da
espasticidade com os aspectos clínicos, fisiologia, métodos de avaliação e tratamentos e
por último é descrito o conceito dos materiais utilizados sob a ótica da Ciências dos
Materiais;
- no segundo capítulo há a descrição dos cinco materiais utilizados nesta pesquisa
baseados nos catálogos das importadoras e na bibliografia;
- no terceiro capítulo é relatado os materiais e métodos utilizados sendo as análises de
composição estrutural, ensaios de propriedades mecânicas e dois testes qualitativos, um
de alongamento e outro de memória;
- no quarto capítulo são apresentados os resultados;
- no quinto capítulo é realizada a discussão e
- no sexto capítulo são apresentadas as considerações finais desta dissertação.
Para alcançar os resultados desejados com este trabalho foi realizada uma abordagem
técnica-cientifica, mas numa linguagem que possa ser entendida por uma ampla quantidade
de pessoas. Isto, porque a maioria dos profissionais da área clinica não dominam este
assunto. Este trabalho está direcionado a todas as pessoas que possuem interesse neste
campo e, principalmente, aos profissionais da área.
CAPÍTULO 1

ÓRTESE, CONCEITOS E APLICAÇÃO.

Neste capítulo foram abordados os conceitos de


órtese, da aplicabilidade em questão que é a
espasticidade e por último o conceito de polímero,
nomenclatura química dos
plásticos.

1.1.O QUE SÃO AS ÓRTESES?

“Órteses são equipamentos terapêuticos de auxilio funcional. Estas são utilizadas


não apenas nos programas de recuperação aplicados sobre os membros superiores e
inferiores, como também no tronco, na forma de faixas contensoras ou coletes” (LIANZA,
2001). A palavra origina-se do grego orthós a qual significa reto, direito, normal.
A órtese de membro superior é um aparelho temporário para a reabilitação com a
finalidade de promover o equilíbrio, a biomecâmica e a funcionalidade para a mão,
acomodando-a para que o braço possa conduzi-la e alcançar o desejado.
Elas são classificadas quanto à função e podem ser estáticas, estáticas funcionais ou
dinâmicas. As estáticas fornecem suporte a uma ou mais articulações em uma determinada
posição e possuem como finalidade imobilização e estabilização articular. Busca um
posicionamento para melhor realizar a função, proporciona o repouso articular, impede
movimentos indesejados e previne e corrige deformidades, procedimento este que muitas
vezes exige uma órtese com confecção seriada reduzindo o padrão patológico, isto é,
moldada diversas vezes em seqüência progressiva até atingir o grau para a posição
funcional e assim posicionar melhor a mão para que possa realizar algo ou não enrigecer. A
órtese estática funcional estabiliza uma articulação permitindo a função do segmento. As
dinâmicas possuem uma parte móvel e tração e promovem a redução de retrações
tendinosas, aumentam a amplitude articular, melhoram a força muscular e auxiliam na
redução e contraturas fixas.
Uma órtese pode ser pré-fabricada em diversos materiais ou confeccionada sob
medida para o cliente. Nestes casos utiliza-se o polipropileno, gesso sintético, gesso de
paris, o neoprene em alguns casos e o mais usado é um termoplástico de baixa temperatura
moldável em temperatura de 60 a 80° C. A escolha do modelo e do tipo de material a ser
utilizado dependerá do objetivo que se deseja alcançar com seu uso e com as características
do cliente que a colocará.
No mercado internacional há vários tipos de materiais termoplásticos de baixa
temperatura composto basicamente de borracha e plástico. Seus comportamentos são
determinados pela composição química maior de um ou de outro componente. Para
confeccionar necessita-se ter o conhecimento de anatomia e biomecânica do membro
superior, dos aspectos clínicos da patologia em questão e do material e modelo a serem
utilizados.
Para o processo de confecção de órtese é necessário que o terapeuta ocupacional
avalie, prescreva e planeje. Inicia-se com histórico do cliente, depois se utiliza técnicas
específicas como a goniometria, avaliação da preensão, da força, do movimento presente e
do movimento passivo, da condição da pele e ósteo-articular, avaliação da sensibilidade,
das atividades de vida diárias (vestuário, alimentação, comunicação, locomoção e auto-
cuidado), avaliação das alterações sensitivas, da percepção da dor, da cinestesia 1, da
propriocepção2 e avaliação cosmética, avaliação onde o cliente e o profissional sugerem
uma nota para a função e outra para a estética da mão. Para esta descrição deve-se conhecer
a patologia e suas alterações em questão, estrutura articular e muscular e sua relação com o
movimento, compreender a estrutura neuroanatòmica para poder avaliar as respostas
motoras. Levando em consideração a posição funcional da mão, caso contrário o
dispositivo poderá causar dor e luxação nas articulações.
Durante o processo de confecção da órtese observa-se a seguinte característica do
material utilizada: conformabilidade, aderência, memória, rigidez, resistência ao
estiramento e acabamento superficial, as quais estão descritas no capítulo três.
Para o uso diário observa-se:
- durabilidade: tempo de duração do aparelho;

- rigidez: capacidade do material de resistir ao estresse repetitivo diário como batidas;

1
cinestesia: a sensibilidade proprioceptiva,o sentido da percepção de movimento, peso, resistência e posição.
2
propriocepção: apreciação da posição, do equilibro e de suas modificações por parte do sistema muscular,
especialmente durante o movimento.
- conforto: permitir conforto ao cliente para que possa ser utilizada pelo tempo indicado;
- higiene: o material deve permitir a sua limpeza diária; e
- uso: fácil colocação e retirada da órtese.
Após a confecção há o acompanhamento deste cliente pelo terapeuta ocupacional e
o profissional que solicitou a órtese. O cliente será devidamente orientado sobre os motivos
de utilizar este aparelho, sua adaptação, uso, limpeza, cuidado com o material e possíveis
dificuldades que poderão aparecer.

1.2. ESPASTICIDADE

Dentro das disfunções físicas que fazem uso de órtese destaca-se a espasticidade. A
palavra espasticidade é derivada do grego spastikos, que significa encolher, retrair, é
resultante de uma lesão do sistema motor no cérebro, no tronco encefálico ou na medula,
por lesões compressivas ou trauma.
No cotidiano dos profissionais que trabalham com reabilitação neurológica e
atendem clientes com seqüelas de lesão no sistema nervoso central (SNC), a espasticidade é
um dos componentes que exige atenção especial e estudo devido ás dificuldades e
incapacidades que interferem no restabelecimento do cliente atingindo os momentos mais
simples como o ato de comer, caminhar, banhar-se, etc, mobilizando desde conteúdos
emocionais até a sua preocupação com a aparência. A confecção de órtese para um cliente
que possui espasticidade requer habilidade para lidar com a pessoa e com o material e
reavaliações constantes do caso.
A espasticidade é uma desordem motora secundária à lesão do neurônio motor
superior3, estudada intensivamente desde o final do século passado por diversos autores.
Caracteriza-se pela hiperexcitabilidade do reflexo de estiramento com exacerbação dos
reflexos profundos e aumento do tônus muscular, levando a um desequilíbrio na
musculatura que causará uma diminuição (paresia) ou perda do movimento (plegia).

3
neurônio motor superior: neurônio que conduz impulsos do córtex motor até um músculo
Segundo LIANZA (1995), a espasticidade é um fenômeno resultante de lesão no
1º neurônio ou da interrupção de suas vias descendentes (feixes corticoespinais 4)
de liberação neuromuscular, pelo qual o equilíbrio entre o nível excitatório
5
superior e os impulsos inibitórios no arco reflexo da coluna vertebral são
perturbados por uma liberação de impulsos excitatórios.

A fisiopatologia da espasticidade ainda não está completamente esclarecida.


Normalmente, o SNC dá impulsos aferentes inibitórios descendentes à medula espinhal,
onde são regulados reflexos locais. Se os sinais descendentes forem interrompidos (através,
por exemplo, da lesão cerebral), o reflexo medular local fica desregulado. Os neurônios
motores eferentes alfa e gama ficam hiperativos. O aumento da atividade nervosa é
transferido à junção neuromuscular e às fibras motoras, e o resultado é o aumento da
contração muscular, é o reflexo miotático.
Quanto aos aspectos clínicos, “estes se expressam pela exaltação funcional das
atividades reflexas monossinápticas do músculo e traduzem-se pela exaltação do tônus
muscular (hipertonia) e dos reflexos osteotendinosos” (GREVE e CASALIS, 1990). Como
características aparecem:

- aumento da resistência do músculo ao estiramento proporcional à velocidade deste


estiramento, o que diferencia a espasticidade da rigidez;

- diminuição da resistência muscular após um certo grau de estiramento, isto é, sempre


que o estiramento for mantido perceber-se-á a diminuição brusca desta resistência, é o
chamado sinal do canivete.

- distribuição desigual no território muscular afetado;

- clônus, descarga repetitiva do reflexo de estiramento (miotático) do músculo alongado.

Estas características levam a prejuízos nos músculos, articulações e na pele de acordo


com o tempo de seqüela e intensidade da espasticidade.

4
feixes corticoespinhais: feixes nervosos descendentes do córtex para a medula
5
arco reflexo: via de transporte de um impulso durante a ação reflexa, que vai do receptor a um efetor.
RÉMY-NÉRIS et al. (1997), define várias conseqüências da espasticidade como
hipertonia muscular do agonista6 e diminuição da resistência do músculo antagonista7,
levando a retrações e atrofias musculares e com o tempo provocam luxações nas
articulações e conseqüentemente deformidades. Caso não haja tratamento se desenvolverá
rigidez nestas articulações. As deformidades articulares desenvolvem posturas inadequadas
nas articulações adjacentes e dores. Como conseqüência aparece à diminuição de amplitude
de movimento, diminuição do fluxo sangüíneo, a pele tende a tornar-se fina e podem
aparecer as ulceras de decúbito 8. Estas posturas, muitas vezes não funcionais, levam a
dificuldades de higiene, alimentação, vestuário e locomoção.

Segundo TEIVE, ZONTA E KUMAGAI (1998), a espasticidade é comum na


musculatura adutora e flexora nos membros superiores levando a postura de ombro em
rotação interna, antebraço pronado, flexão de punho, dedos em garra, polegar empalmado.
Nos membros inferiores é comum na musculatura extensora e adutora levando ao
movimento que se chama de tesoura.

O diagnóstico de espasticidade é basicamente clínico. Na avaliação é fundamental


identificar o padrão clínico da disfunção motora (grupos musculares envolvidos, a força de
contração do músculo isoladamente, a presença de sinergias 9, a amplitude articular ativa e
passiva), a habilidade que o cliente tem de controlar músculos, deformidades, contraturas, o
desempenho funcional durante as atividades e o estado emocional. Os métodos
quantitativos e qualitativos utilizados são em sua maioria subjetivos. A Escala de Ashworth
Modificada (anexo 01) é a mais utilizada na avaliação do tônus muscular. Porém sua
subjetividade faz com que ela seja menos fidedigna, pois o resultado depende da
experiência e interpretação do examinador. Os grupos musculares prejudicados são
identificados através de manobras específicas e através do alongamento brusco e lento. A
mensuração da amplitude articular é realizada através da goniometria. Pode-se utilizar a

6
músculo agonista: músculo referido.
7
músculo antagonista: músculo que atua em oposição ao referido.
8
úlcera de decúbito: ferimento com base inflamada decorrente de pressão sobre a pele.
9
sinergia: ação ou efeito combinado de dois ou mais órgãos freqüentemente superior à soma de seus efeitos.
eletromiografia dinâmica a qual identifica as características da motricidade voluntária e da
espasticidade.

Devido este quadro abrangente o tratamento da espasticidade envolverá recursos


que diminuem os sinais e sintomas, que melhorem o estado emocional e de desempenho
funcional para que o indivíduo sinta-se apto a participar do tratamento de forma ativa. A
sua opinião será importante para escolher as melhores possibilidades de acordo com o seu
modo de vida, já que a espasticidade não tem cura, mas podem-se diminuir as
incapacidades através da mescla do tratamento conservador e do moderno. A participação
familiar positiva contribui para a melhora do estado emocional e funcional do cliente.

Segundo vários autores utiliza-se como forma de tratar a espasticidade:


cinesioterapia para obter um melhor equilíbrio entre os grupos musculares, técnicas de
relaxamento para musculatura espástica e alinhamento das articulações durante as posturas
de repouso ou de atividade para prevenir o aparecimento de deformidades. Para este
alinhamento articular utilizam-se adaptações, rolos, órteses, etc. Auxiliam na busca do
equilíbrio muscular, técnicas aquáticas, método Bobath e Kabat, equoterapia,
medicamentos, bloqueio neuromuscular químico com fenol ou toxina botulínica e cirurgias
ortopédicas e neurocirurgias. Alguns tratamentos mais recentes têm utilizado a crioterapia,
que através do resfriamento local aumenta a excitabilidade dos motoneurômios alfa e
diminui a dos motoneurômios gama facilitando a contração da musculatura antagonista, e
a eletroestimulação funcional (FES) para provocar a contração do músculo antagonista.

Para prevenir ou corrigir deformidades decorrentes do quadro espástico um dos


recursos utilizados pelos profissionais são as órteses estáticas de posicionamento e as
funcionais. As órteses podem ser indicadas em todas as fases do processo de reabilitação.
Devem ser modificadas, substituídas ou adaptadas conforme a idade, demanda funcional e
evolução do quadro. A indicação e o uso adequados das órteses convencionais melhoram a
relação do custo benefício dos programas de reabilitação, reduzem o risco de complicações
e a necessidade de intervenções cirúrgicas.

Para LUZO (2001), no processo de reabilitação, os procedimentos terapêuticos


voltados à prevenção de deformidades são tão fundamentais e necessários para evitar as
seqüelas do imobilismo quanto o processo e restauração funcional. Independente da opção
do médico pelo tratamento terapêutico ou cirúrgico, prevenir uma deformidade é mais fácil
que corrigi-la.

Segundo SAURON e CASALIS (1990), qualquer que seja a órtese indicada, é


fundamental que se faça uma avaliação criteriosa. Utilizam-se algumas manobras motoras
em conjunto com a inspeção e a palpação que auxiliarão na prescrição da confecção e uso
da órtese. Nos casos de órteses funcionais deve-se realizar uma avaliação dinâmica da
função manual (preensão) e do desempenho funcional do cliente.

O material para confecção mais utilizado nos centros de reabilitação, públicos ou


particulares e indicados nos catálogos do produto são os termoplásticos de baixa
temperatura, o Ômega, o Ezeform e o Aquaplast por resistirem melhor à espasticidade.
Utiliza-se também uma combinação de aste de metal com estes materiais. A espessura do
material varia conforme o grau da espasticidade e o tamanho da mão do cliente. Os
modelos comuns para a espasticidade são as órteses estáticas funcionais de abdutor de
polegar (fig.01), posicionamento do punho ou cock-up (fig. 02) e a órtese estática de
posicionamento funcional (fig.03). São ilustradas a seguir:

Fig.01 Abdutor de polegar


Fig.02 Posicionamento de punho ou cock-up

Fig. 03 Posicionamento funcional

É comum utilizar-se nos casos de encurtamento muscular e início de deformidades,


órteses seriadas nos modelos de posicionamento funcional e do punho. Para confeccionar
este tipo de órtese realiza-se criteriosa avaliação, molda-se a órtese dentro do ângulo da
movimentação passiva sem dor e conforme o acompanhamento e mensuração da amplitude
articular vai se remodelando a mesma visando à posição funcional. Para este tipo de órtese
é necessário que o material escolhido tenha memória e resistência ao estiramento, pois o
material será remodelado várias vezes.
Para SAURON (1990), a presença de plegia ou acentuada paresia dos músculos
antagonistas aos espásticos que se reflete na ausência de potencial da função
manual pode levar a uma deformidade típica em flexão de punho e dedos e
adução do polegar. Os clientes podem se beneficiar com o uso da órtese de
posicionamento funcional (fig. 03) noturna e em alguns períodos do dia.

Esta órtese posiciona o antebraço, alinhando-o com a mão, conforme é possível,


bloqueiam as articulações do punho, metocarpofalanges e falanges. O seu uso auxilia a
cinesioterapia10 mantendo a postura adequada com o alinhamento articular e mantendo o
grau de amplitude conquistado durante as sessões de tratamento. Nestes casos costuma-se
utilizar um termoplástico com a espessura de 3,2mm para suportar o braço de alavanca que
forma entre o antebraço e a mão, mais a força da espasticidade.

No caso dos clientes que apresentam espasticidade dos grupos musculares flexores,
mas seus antagonistas são levemente paréticos, ou seja, a musculatura extensora consegue
vencer a espasticidade em alguns momentos proporcionando uma funcionalidade para esta
mão. SAURON (1990), indica uma órtese de posicionamento funcional (fig. 03) noturna
para o melhor alinhamento das articulações, mesmo que este braço relaxe durante o sono.
E, para durante o dia, dependendo do grau de funcionalidade, pode-se fazer uso de uma
órtese funcional de posicionamento de punho ou de polegar (figs. 02 e 01) respectivamente.

Quando o cliente apresenta uso do membro superior com grau menor de


espasticidade sobre a musculatura flexora de punho e dedos, realiza-se uma avaliação sobre
a funcionalidade deste braço no cotidiano. Segundo SAURON (1990), testa-se a eficiência
dos músculos extensores dos dedos quando o punho está em posição neutra. Se ele
conseguir estender os dedos prescreve-se uma órtese de posicionamento de punho (fig. 02)
com os dedos livres. Caso contrario esta órtese prejudicará o soltar voluntário. Clientes com
deficiência na musculatura que realiza a oponência de polegar deixando-o acomodado na
palma da mão beneficiam-se com o uso do abdutor de polegar (fig. 01) diariamente.

10
cinesioterapia: terapia que se utiliza de movimentos.
Estes graus menores de espasticidade, os quais não impedem a funcionalidade da
mão, mas muitas vezes devido o desequilíbrio muscular levam a deformidades como
pescoço-de -cisne 11 e se beneficiariam com o uso precoce da órtese, pois pode prevenir que
estas deformidades se tornem fixas. Este é um dos objetivos do dispositivo, buscar a
harmonia entre musculatura agonista e antagonista, melhorando a estética e a
funcionalidade da mão.

1.3. POLÍMERO

FESS (2002), relata no histórico da confecção de órtese para a mão lesada a


introdução ao uso do material plástico no final da década de 1930 e inicio de 1940.
Inicialmente é usado o termoplástico de alta temperatura, o qual permitia ser aquecido,
obter-se uma forma do material e retornar ao aquecimento para nova forma.

Com o fim da Segunda Guerra Mundial o plástico encontrado na natureza passou a


ser produzido em laboratórios. Surge o polímero sintético que revolucionou este campo e
proporcionou baixar os custos e administrar quimicamente suas propriedades. A alteração
química do plástico possibilitou, nos anos 60, baixar a temperatura de aquecimento e
amolecimento permitindo que este fosse moldado direto sobre a pele do cliente e
contornando melhores as pequenas áreas da mão. O primeiro termoplástico de baixa
temperatura utilizado pelos terapeutas foi o Orthoplast, bioplástico fácil de trabalhar e que
não permitia alongamentos.

Os materiais de confecção de órtese continuavam evoluindo e no final dos anos 70


aparecem os materiais a base de policaprolactona. A alteração química melhora as
propriedades de trabalho e de uso da órtese. Os primeiros materiais a base de
policaprolactona foram o Polyform e o Aquaplast.

Quimicamente o polímero apresenta “repetições de pequenas unidades químicas


estruturais em sua longa cadeia principal” (MANO, 1991). Polímero vem de “mero”,

11
Pescoço-de-cisne: deformidade decorrente de lesão nos tendões extensores, levando a hiperextensão da
interfalangiana proximal e flexão da interfalangiana distal.
origem grega de meros, que significa partes; o termo polímero foi criado para significar
muitos meros. Um único mero é chamado de monômero. O mero representa uma unidade
repetitiva esta estrutura repetindo-se muitas vezes forma a cadeia do polímero. Outros
materiais poliméricos do nosso cotidiano são: borracha, fibra, adesivo e plástico.

A indústria de plástico desenvolveu polímeros a partir de muitos monômeros com


um grupo de átomos. Polímeros sintéticos consistem de moléculas com comprimentos
diferentes, de modo que ele não tem massas moleculares definidas. Os polímeros também
não têm pontos de fusão12 definidos, em vez disso ele amolecem gradualmente à medida que
a temperatura é aumentada.

Na estrutura macromolecular as moléculas na cadeia podem ter:


 Ligações lineares: são aquelas em que as unidades mero estão unidas ponta a ponta
em cadeias únicas. Essas longas cadeias são flexíveis, e podem ser consideradas
como uma massa de espaguete. Ex.: PVC, polietileno e nylon.
 Ligações cruzadas: as cadeias lineares adjacentes estão unidas um a outras em
várias posições através de ligações covalentes. Essas ligações cruzadas amarram
uma cadeia a outras impedindo seu livre deslizamento e consequentemente
aumentando a resistência ao alongamento. Ex. materiais elásticos com
características de borracha (baixa densidade de ligações cruzados) ou (alta
densidade de ligações cruzados) termorrígidos.
 Ligações ramificadas: as ramificações, consideradas um prolongamento da cadeia
principal, resultam de reações paralelas que ocorrem durante a síntese do polímero.
 Ligações em redes: são unidades mero trifuncionais, as quais possuem três ligações
covalentes ativas, formando redes tridimensionais.
Dependendo do modo como estão ligados química e estruturalmente os plásticos se
dividem em duas classes:
a) Termoplásticos: estes necessitam de calor para serem conformados e, após o
resfriamento, mantêm a forma que adquiriram. Estes materiais podem ser várias
vezes reaquecidos e refeitos em várias formas, sem que ocorra alteração
significativa das suas propriedades. A maior parte dos termoplásticos é

12
Ponto de fusão: temperatura em que as regiões ordenadas dos polímeros se desagregam e se fundem.
constituída por cadeias principais, muito longas, de átomos de carbono ligados
covalentemente, estas estão ligadas umas as outras através de ligações
secundárias. Os termoplásticos sofrem amolecimento gradual à medida que a
temperatura aumenta e as forças de ligações secundárias entre as cadeias
moleculares tornam-se mais fracas e consequentemente a resistência mecânica
do termoplástico diminui.
b) Termoendurecíveis: fundem-se quando aquecidos, porém nesse estado sofrem
reação química que causa a formação de ligações cruzadas intermoleculares
resultando uma estrutura reticulada, infusível e insolúvel.
A viscosidade de um polímero, sua capacidade de fluir quando fundido depende do
comprimento da cadeia. Quanto mais longas as cadeias mais emaranhadas elas podem estar,
portanto seu fluxo é mais lento. Mas o aumento do comprimento da cadeia aumenta a
resistência e a viscosidade do mesmo.
A elasticidade de um polímero é sua capacidade de voltar a sua forma original após
ser esticado, em temperatura ambiente. A borracha natural tem baixa elasticidade e é
facilmente amolecida pelo aquecimento. A borracha vulcanizada é mais resistente à
deformação quando esticada, porque as ligações cruzadas a puxam de volta. Quanto mais
ligações entre as cadeias menos o material se estica.
Segundo MANO (1991), o desempenho dos materiais se relaciona com uma série de
características significativas, que podem ser distribuídas em três grandes grupos: as
propriedades físicas (mecânica, elétrica e térmica), as propriedades químicas e as
propriedades físico-químicas. Neste trabalho serão abordadas duas propriedades mecânicas
dos polímeros, a resistência à tração e o alongamento na ruptura realizado dentro de um
ensaio completo de tração.
As propriedades físicas de um polímero dependem não apenas da sua massa molar e
de sua forma, mas também das diferenças na estrutura das cadeias moleculares. Sua
estrutura pode compreender cargas inorgânicas para melhorar estas propriedades. Esta
situação gera características que os diferenciam em aparência, rigidez, transparência, e
resistência.
. As propriedades dos polímeros dependem bastante dos materiais de partida, do tipo
de reação empregada na sua obtenção e da técnica de preparação. Dentro das propriedades
que os caracterizam, segundo MANO (1991),

os polímeros possuem cadeias formadas por anéis aromáticos, interligados por


um ou dois átomos pertencentes a grupos não-parafínicos, oferecem maior
dificuldades à destruição da ordenação macromolecular, e assim apresentam
propriedades mecânicas mais elevadas, as quais se mantêm ao longo de uma
ampla faixa de temperatura.

Observa-se também que grandes deformações na ruptura, isto é, aumento percentual


do comprimento da peça sob tração, é uma característica dos termoplásticos e das
borrachas. Quanto à resistência mecânica, é comum agrupar os polímeros em borrachas ou
elastômeros, plásticos e fibras.
Quanto às propriedades mecânicas, estas compreendem a resposta dos materiais às
influências mecânicas externas manifestadas pela capacidade de desenvolverem
deformações reversíveis e irreversíveis e resistirem à fratura. Há, também, a correlação
entre processos mecânicos e químicos, os quais se influenciam mutuamente de modo
substancial. Essas características dos polímeros são geralmente avaliadas por meio de
ensaios, que indicam dependência tensão-deformação, que, todavia são insuficientes para
descrever os materiais poliméricos, também a nível molecular. Assim, as características dos
polímeros, que se refletem nas suas propriedades mecânicas, podem ser quantificadas
através de métodos cujo empirismo é contrabalançado pelo rigor das condições,
estabelecidas nas normas técnicas.
Características do polímero policaprolactama segundo MANO (1991):
Abreviação: PA-6
Outras denominações: Nylon, Náilon-6, policaprolactama
Características: Peso molecular, 10.000-30.000 Densidade 1,12-1,14
Índice de refração 1,54 Tm, 215-220°C; Tg 50°C
Cristalinidade até 60% Termoplástico amarelado e
translúcido.
CAPITULO 2

OS MATERIAIS UTILIZADOS E SUAS CARATERIZAÇOES

Neste trabalho será abordado o estudo de cinco


materiais termoplásticos freqüentemente utilizados pelos profissionais
de terapia ocupacional os quais são: Ezeform e Aquaplast da marca
Sammons Preston e Clinic, Ômega e Preferred da marca North
Coast.

2.1.DESCRIÇÃO DOS MATERIAIS SELECIONADOS

EZEFORM: marca Sammons Preston, descrição segundo BREGER-LEE et al,


(1991), plástico de baixa temperatura amolecendo em água quente em 70 a 80° C, possui
muita resistência, pouca elasticidade e capacidade de alongamento, proporciona boa
moldagem e aderência, não assimilando digitais, fácil de trabalhar as bordas
proporcionando bom acabamento e aparência nas órteses. Utilizado para órteses de
posicionamento em pacientes espásticos (maior resistência).
Descrição segundo catálogo da importadora:“ esta placa possui uma resistência
máxima ao alongamento, excelente rigidez, boa adaptação, disponível em placas perfuradas
e sólidas, nas cores branco, bege e azul, medindo 46 x 61cm com 3,2 mm de espessura e
31 x 46 cm com 1,6 mm de espessura (tabela 1). Extremamente forte e durável, qualidade
de conformidade, adesão permanente enquanto as superfícies aquecidas são pressionadas,
ideal para pacientes que são incapazes de cooperar, acessórios adaptáveis, órteses para
espasticidade, de posição funcional, de repouso para o punho e de cotovelo. Material
formado por uma base de policaprolactama (Nylon 6) e tem características similares
àquelas apresentadas pelos materiais á base de borracha de isopreno. Cuidados e limpeza
A órtese perderá sua forma nas temperaturas acima de 135 graus F (57° C). Deve ser
mantido ausente das fontes do calor tais como fornos, água quente, e janelas ensolaradas
do carro. A órtese pode ser limpa com o sabão e água morna. As cintas podem ser lavadas
com sabão e água, mas a parcela adesiva não deve ser umedecida. A órtese e as cintas
devem ser mantidas secas completamente antes do uso.
Tabela 01 Características do material segundo a importadora
Espessura (mm) Aquecimento/Tempo (°C/s) Tempo de trabalho (min.)

1,6 65 a 70 / 35. 1a2

3,2 70 a 75 / 60 4a6

.
AQUAPLAST, marca Sammons Preston, descrição segundo BREGER-LEE et al,
(1991), material plástico emborrachado, amolecendo em temperatura de 70 a 80°C, possui
boa resistência , pode absorver as digitais, possui muita elasticidade e alongamento
permitindo boa memória, possui boa capacidade de moldagem e de aderência, necessita ser
trabalhado nas bordas e requer experiência.
Descrição segundo o catálogo da importadora: “o material possui uma excelente
combinação de conformabilidade íntima e resistência ao alongamento, boa adaptação e
100% de memória permitindo ajustes nas órteses e seriá-las, quando aquecido fica
transparente facilitando a visualização dos pontos de pressão, adesão permanente quando
quentes, disponível em placas perfuradas e sólidas, nas cores branca, bege e azul, medindo
46x61cm. É recomendado para órteses de mão, punho e dedos, serve de suportes dinâmicos
e sua espessura máxima é para grande resistência. Material a base de policaprolactama”.
Cuidados e limpeza como a descrição do material Ezeform.
Tabela 02 Características do material segundo a importadora.
Espessura (mm) Aquecimento/Tempo (°C/s) Tempo de trabalho (min.)

1,6 70 a 75 / 35 1a2
2,4 70 a 75 / 60 2a3

3,2 70 a 75 / 60 4a6

4,8 70 a 75 / 60 a 120. 4a7

NCM CLINIC marca North Coast , descrição segundo BREGER-LEE et al,


(1991), material plástico com temperatura de moldagem em 70 a 75 °C , oferece boa
resistência, alongamento e aderência, boa memória, molda-se muito bem aos contornos
facilitando o trabalho, permanece digitais, baixa elasticidade.
Descrição segundo a importadora: “ material do tipo plástico, de moldagem precisa e de
acomodação perfeita às curvas e relevos anatômicos, encontra-se no grupo do
termoplásticos mais rígidos, não requerendo reforços adicionais. Amolece á temperatura de
72°C, medidas da placa de 46 x 61cm com 3,2 mm de espessura,” na cor branca amarelada
e placa lisa. Demais características na tabela 03.

tm
ÔMEGA marca North Coast, este material não foi escrito por BREGER-LEE et
al. Descrição da importadora: “este material combina rigidez com grande resistência ao
estiramento e conformabilidade controlada, além de grande memória”(tabela 03).
Apresenta- se em placas lisas, com medidas de 46x61cm e 3,2 mm de espessura, na cor
branco amarelada.

NCM PREFERRED 3/32” marca North Coast. Descrição segundo BREGER-LEE


et al (1991), material plástico emborrachado, com temperatura de amolecimento de 70 a
75°C, muito resistente e versátil, com pouca elasticidade e alongamento levando a baixa
memória, bom para moldar e possui boa aderência, não deixa as digitais. Deve ser forrado
pois com a transpiração pode macerar a pele.
Descrição segundo a importadora: “ esse material combina a facilidade de uso e a
rigidez dos materiais de 3,2mm com a conformabilidade e a leveza dos materiais de 1,6mm,
placas lisas com medidas de 31cmx46cm e 2,4mm de espessuras”. Demais características
na tabela 03.
Tab. 03:Características dos materiais Clinic, Ômega e Preferred segundo a importadora:
Características NCM Clinic NCM Preferred Ômega
Resistência ao estiramento Mínima Média Máxima
Caimento Médio Médio Máximo
Memória Mínima Média Máxima
Rigidez Máxima Média Máxima
Acabamento superficial Mínimo Médio Médio
Aderência Mínima Mínima Máxima
CAPÍTULO 3

MATERIAL E MÉTODOS

Neste trabalho foram abordados alguns estudos a fim de se conhecer as diferenças


entre os cinco materiais. Foram realizados três testes quantitativos, de composição
estrutural e de propriedades mecânicas, e dois testes qualitativos, de alongamento e dos
memória. Após os testes, os resultados foram relacionados com as características de
materiais necessárias à confecção de órtese pelos profissionais de Terapia Ocupacional, e
verificado quais os materiais que possuem mais vantagens para confeccionar uma órtese de
membro superior para a clientela espástica.

3.1. Características dos materiais termoplásticos utilizados para confecção de


órtese pelos profissionais de Terapia Ocupacional .
Os materiais termoplásticos utilizados na confecção de órtese para a clientela
neurológica e ortopédica possuem as características durante a moldagem e confecção
descritas pelos fabricantes e autores, as quais lhes conferem melhor aplicabilidade para uma
ou outra patologia. Alguns parâmetros são utilizados pelos profissionais da terapia
ocupacional para a utilização de materiais em órteses e descrito por vários autores
(BREGER-LEE (1990), CANELÓN (1995), OLIVEIRA (2003)) são:
1. Conformabilidade / caimento: é o ajuste do material à região na qual se aplica. Isto
permite que o material se ajuste a região com o auxílio da gravidade e leves toques
serão suficientes para o ajuste aos contornos anatômicos;
2. Resistência ao estiramento: o material aquecido normalmente estica e pode alterar
seu tamanho inicial. Materiais com alto grau de resistência ao estiramento quando
aquecidos mantêm seu molde inicial. Em órteses para patologias neurológicas esta
característica é muito importante, pois às vezes necessita-se ajustar o material e este
saindo do molde inicial é perdido;
3. Memória: é a tendência do material a retornar ao seu tamanho natural, assim poderá
ser facilmente remodelado permitindo confeccionar uma órtese seriada.
4. Acabamento: é a habilidade do material de resistir a marcas de pressão em sua
superfície enquanto quente;
5. Rigidez: este termo descreve o grau em que o material uma vez modelado resistirá a
deformações quando alguma força é aplicada. Deve-se pensar na flexibilidade da
órtese. Um material contendo mais borracha que plástico permite uma certa
flexibilidade;
6. Auto –aderência: é a capacidade que o material tem de resistir à força de separação
quando suas partes são aderidas. Característica que permite dobras para melhor
acabamento.
Outras características de manuseio a ser consideradas são: tempo de aquecimento,
tempo de trabalho ou enrijecimento. Após o aquecimento, geralmente o material pode ser
trabalhado por 1 a 6 minutos, dependendo do tipo de material. Alguns plásticos podem
encolher ligeiramente quando resfriados.

3.2. Análise de Composição Estrutural


Foram realizadas as análises de Espectroscopia na região do Infravermelho e
Espectroscopia Ramam para verificar a estrutura química dos cinco materiais
termoplásticos. Os resultados da Espectroscopia na região do Infravermelho estão nas
figuras de 01 a 05 e os resultados da Espectroscopia Raman nas figuras 06 e 07, os
comentários e discussões destas figuras encontram-se no capítulo seguinte.

3.2.1. Espectroscopia na região do Infravermelho :


As medidas foram realizadas em um Espectrômetro de Infravermelho por
Transformada de Fourier da Bio-rad, na faixa de 200 cm-1 até 4000 cm-1, com 36 scan e 4
cm-1 de resolução. O aparelho está montado no laboratório de Microeletrônica, junto ao
grupo de Novos Materiais da Escola Politécnica da USP-USP. O espectro nos fornece
bandas de absorção que são características dos modos vibracionais associados à estrutura
local do material. No resultado do Infravermelho é apresentado no espectro de
transmitância em função do número de onda de cada um dos materiais descritos
anteriormente. Desta forma, com ajuda do Espectroscopia Raman podemos ter uma idéia da
estrutura química local destes materiais.
3.2.2. Espectroscopia Raman
A Espectrometria Raman ocorre atraves da luz incidindo sobre a amostra é
espalhada pelas moléculas de forma inelástica, ou seja, a luz incide com certa freqüência e
retorna com freqüência diferente, pois há uma interação com as moléculas da amostra. O
comportamento vibracional de uma molécula fornece por meio seguro e inconfundível a
possibilidade de classificar uma certa substância. O teste de Raman foi realizado no
Instituto de Desenvolvimento e Pesquisa da UNIVAP. O Raman esta composto de uma
fonte laser de Ti-Safira (Spectra Physics, modelo 3900), bombeado por um laser de Ar de
6W (Spectra Physics, modelo 2709S). A Radiação laser é coletada e acoplada a uma serie
de lentes antes de entrar no espectrofotômetro. O sistema de detecção óptica é composto de
um espectrógrafo (Kaiser Optical System, Inc, f/1.8i) e um CCD refrigerado com N2
liquido, Deep Deplection (princenton Instruments EEv com 1024x256 pixels). O espectro
foi obtido usando um feixe de 860 nm em macro-Raman esquema, com abertura de slot de
200 ì m, intensidade de laser na amostra de 40 mW, 2 scan de 2 s cada um.

3.3. Ensaio de Propriedades Mecânicas


Segundo MANO (1991), as propriedades mecânicas compreendem a resposta dos
materiais às influências mecânicas externa, que são resistência, rigidez e alongamento. Para
CALLISTER (2002), a compreensão dos mecanismos de deformação dos polímeros é
importante para que possamos ser capazes de administrar as características mecânicas desse
materiais. Os testes de propriedade mecânica são realizados em temperatura ambiente, por
volta de 25° C.
Foi realizado um ensaio completo de tração que compreende:
1. Resistência à tração: ou a ruptura, ou tenacidade de um material, é avaliada pela carga
aplicada ao material por unidade de área, no momento da ruptura. Correlação com a
aplicabilidade: resistência da órtese no dia-a-dia.
2. Alongamento na ruptura: representa o aumento percentual do comprimento da peça
sob tração no momento da ruptura, causando uma deformação do material. Observa-
se que grandes alongamentos são uma característica dos polímeros, em geral, e das
borrachas naturais. Correlação com a aplicabilidade: deformação do material no
momento da moldagem e experimentação causada pela espasticidade e a gravidade.
3. Módulo secante a 1% de alongamento: define a rigidez do material
Os cinco materiais foram submetidos ao teste de ensaio completo de tração segundo
as normas ASTM .D638, realizado na Universidade Federal de São Carlos, no Dep. de
Engenharia de Materiais. Este teste compreende a tensão máxima de tração durante o
alongamento até o momento da ruptura, esta tensão é gerada por uma carga máxima. Este
ensaio define a resistência do material e sua capacidade de deformação quando é aplicada
uma tração. E o ensaio gera o módulo secante a 1% de alongamento que define a rigidez do
material. Nos figuras aparecem a tensão de tração com a carga máxima na vertical e a
deformação causada pelo alongamento na horizontal.
Para o ensaio foram utilizados cinco corpos de prova de cada material com as
dimensões de 10cm por 1,5cm. Foram analisados CLINIC 3,2mm, ÔMEGA 3,2mm,
PREFERRED 2,4mm, EZEFORM 3,2mm, AQUAPLAST 3,2mm e AQUAPLAST 2,4mm.
Os resultados por inteiro se encontram no anexo 02. No capítulo seguinte encontra-se na
tabela 04 a comparação com os principais resultados e as figuras.

3.4. Testes qualitativos sobre a aplicabilidade do material.


Foram realizados dois testes qualitativos, de alongamento e de memória. A idéia de
realização destes testes vêm do manuseio de confeccionar órteses no cotidiano profissional,
do questionamento sobre os termoplásticos que se utiliza para um determinado objetivo, as
diferenças e semelhanças sobre eles e quimicamente o que são. Foram utilizados os cinco
materiais desta pesquisa. A forma de realização dos testes está baseada nos ensaios das
propriedades mecânicas e no manuseio do material aquecido.
O primeiro priorizou o alongamento permitido por cada material, sem rompê-lo. No
segundo teste o objetivo foi a memória e os cinco materiais sofreram o mesmo
comprimento de alongamento. O objetivo de realizar estes testes foi de conhecer o
comportamento dos materiais escolhidos em determinada situação e comparar com as
características de confecção de órtese. Por isto nestes dois testes repetiu-se os
procedimentos retornando o material à água aquecida observando-se tempo e temperatura
de amolecimento, tempo de enrijecimento, memória , marcas de digitais e rigidez. Abaixo
segue a descrição de cada teste e os resultados encontram-se nas tabelas 05 a 07, no
capítulo 4.

3.4.1. Teste de Alongamento


Descrição das amostras: foram analisadas cinco amostras de polímeros termoplásticos
utilizados em confecção de órtese: Ezeform e Aquaplast da marca Sammons Preston e
Ômega, Preferred e Clinic, da marca Nortch Coast. Com as dimensões de 5cm de largura
por 7 cm de comprimento e 3,2mm de espessura, com exceção do material Preferred que
apresentou a espessura de 2,4mm.
Equipamentos: termômetro, cronômetro, régua, panela com termostato.
Objetivos: - verificar o alongamento máximo de cada material;
- observar a rigidez do material após um manuseio e quando ele está frio;
- número de vezes deste alongamento e
- observar como o material se comporta com o alongamento e, após, como ele
retorna dentro da água quente.
Descrição dos procedimentos :
1. as amostras foram mergulhadas em água quente na temperatura de 60° C,
2. amolecida a amostra foi seca e observado quanto tempo leva para enrijecer novamente;
3. amostra enrijecida foi retorcida para observar a sua rigidez no meio e nas bordas;
4. a amostra foi devolvida para água quente aguardando seu amolecimento;
5. amolecida a amostra foi retirada da água, seca e alongada pelas bordas laterais
continuamente até antes de aparecer rupturas e enrijecer;
6. a amostra rígida foi devolvida a água quente; observado como ela retorna ao seu
tamanho natural;
7. este procedimento foi realizado por dez vezes e verificado como as amostras suportaram
o alongamento e se há alteração do seu tamanho natural;
Observações: 1. O alongamento que o material suporta está relacionado à característica de
resistência ao estiramento onde encontra-se a gravidade e a força contraria que seria a
espasticidade durante a confecção e relaciona-se quimicamente com a estrutura das cadeias
moleculares e a composição química.
3.4.2. Teste de Memória
Descrição das amostras: duas amostras de cada material com medidas de 10cm de
comprimento por 1,5cm de largura e 3,2mm.de espessura com exceção do material
Preferred com 2,4mm de espessura.
Equipamentos: termômetro, cronômetro, panela com termostato e régua.
Objetivos: - verificar temperatura de amolecimento de cada material;
- alongar cada amostra com 1,7cm no comprimento e 1cm na largura;
- observar o retorno do material quando recolocado na água quente e
- observar assimilação de digitais e marcas durante o manuseio do material.
Descrição dos procedimentos:
1 a amostra foi mergulhada na água quente e observado a temperatura de amolecimento;
o material foi retirado e esticado (1,7cm x 1cm);
2. a amostra foi deixada enrijecer , esfriando, foi observado marcas e digitais;
3. a amostra foi colocada na água quente e observado como é o seu retorno e em que
temperatura;
4. caso a amostra tenha retornado ao tamanho natural repetir o alongamento por 10 vezes
ou o quanto ela suporta e
5. caso a amostra não tenha retornado ao tamanho natural a mesma foi novamente
mergulhada na água quente em temperatura de ebulição e observado o seu retorno.
Observações: A capacidade do material retornar ao seu estado natural e quantas vezes isto
é possível está relacionado a característica de memória durante a confecção e
provavelmente a quantidade de borracha dentro da sua composição.
CAPÍTULO 4

RESULTADOS

4.1. Análise de Composição Estrutural


4.1.1. Espectroscopia na região do Infravermelho
Foram realizados análises dos espectros da Espectroscopia na região do
Infravermelho as quais permitiram inferir sobre a estrutura química dos materiais
utilizados. Segundo os espectros há semelhança nos materiais Aquaplast com o Clinic
(figura 04) e do Ômega com o Preferred (figura 05), o Ezeform diferencia-se de todos.
–1
Observou-se que os materiais apresentam uma banda na faixa de 1750 cm que estaria
–1
relacionada à molécula de carbonila e na faixa de 3400 a 3650cm que estaria relacionado
ao grupo de amina (N-H). Esta composição evidencia a presença de moléculas do
componente químico Nylon. Segundo a descrição do catálogo (capítulo 3) os materiais
Ezeform e Aquaplast apresentam o componente plástico policaprolactama, conhecido como
Nylon.6. Através do espectro também se observou a presença de anel benzênico na faixa
entre 1500 e 1700cm-1.. Como o nylon não apresenta o anel benzênico isto mostra que os
materiais possuem mistura de componentes químicos. Esta mistura na composição química
é realizada para melhorar as propriedades mecânicas, principalmente a tração
(alongamento). As diferenças entre os cinco materiais são causadas pelas cargas
inorgânicas, as quais encontram-se abaixo de 400 cm –1.

Figura 04: Estrutura Molecular da policaprolactama.


clinic aquaplast
100

80

Transmitância (%)
60

40

20

0
400 800 1200 1600 2000 2400 2800 3200 3600 4000
-1
Número de Onda (cm )

Figura 05: Espectro do Infravermelho dos materiais Aquaplast e Clinic.

40
prefered
35 omega

30
Transmitância (%)

25

20

15

10

0
400 800 1200 1600 2000 2400 2800 3200 3600 4000
-1
Número de Onda (cm )

Figura 06: Espectro do Infravermelho dos materiais Ômega. e Preferred.


6

Transmitância (%)
4

0
400 800 1200 1600 2000 2400 2800 3200 3600 4000

número de onda (cm -1)

Figura 07: Espectro do Infravermelho do material Ezeform

120
aquaplast clinic ezeform omega prefered

100
Transmitância (%)

80

60

40

20

0
400 800 1200 160 0 2000 2400 2800 320 0 3600 4 00 0

número de onda (cm-1)

Figura 08: Espectro do Infravermelho dos cinco materiais utilizados.

4.1.2.Espectroscopia Raman
Nos espectros de Raman observa-se que os materiais da marca North Coast são
semelhantes e possuem picos até a intensidade de 3500 u.a. e os materiais da Sammons
Preston possuem picos de no máximo 1500 u.a.,
4000

Aquaplast
3500 Ezeform
nomclinic

3000

Intensidade (u.a.)
2500

2000

1500

1000

500
0 400 800 1200 1600 2000

-1
Raman Shift (cm )

Figura 09: Espectro do Raman dos materiais Aquaplast, Ezeform e Clinic.

30000
omega
north coast

25000
Intensidade (u.a.)

20000

15000

10000

5000

0 400 800 1200 1600 2000

-1
Raman Shift (cm )

Figura 10: Espectro do Raman dos materiais Ômega e Preferred.

4.2. Ensaio de Propriedades Mecânicas


A tabela 04 mostrou os resultados das médias sobre as cinco amostras de cada
material do teste de tração, logo após aparecem os comentários e em seguida os gráficos de
cada material (figs.nº 10 a 14) mostrando as deformações sofridas. Os resultados na íntegra
estão no anexo 02.
Tabela 04: Resultados do Ensaio Completo de Tração.
Valores da média e Clinic Ômega Preferred Ezeform Aquaplast
desvio padrão 2,4mm
Carga máxima( Kgf ) 57,5 101 45 44 100
+/- 2 +/- 10 +/- 1,5 +/- 3 +/- 4
Tensão máxima de tração 11 17 12,5 9 20
(MPa) +/- 0,3 +/- 0,7 +/- 0,5 +/- 0,6 +/- 0,02
Alongamento na ruptura 17 15 7,5 59 707,5
( %) +/- 4 +/- 3 +/- 1 +/- 24 +/- 99
Módulo secante a 1% de 407 423 438 328 381
along (Mpa) +/- 28 +/- 57 +/- 18 +/- 32,5 +/- 16

Observa-se como resultado desta tabela no item resistência a uma carga e a uma
tensão que os materiais Ômega juntamente com o Aquaplast possuem valores maiores
conferindo uma melhor resistência dos mesmos nos testes e isto aparece no uso diário dos
materiais. Já no alongamento até sua ruptura o que confere a deformação sofrida pelo
material o Ômega e o Aquaplast apresentam valores distintos, verificando-se um
comportamento diferenciado entre estes. Os valores do item de alongamento foram
menores nos materiais da North-Coast, principalmente o Preferred e em segundo o Ômega.
E maiores nos materiais da Sammons Preston. No módulo secante a 1% verifica-se a
rigidez do material e o material Preferred apresentou o maior valor, portanto é o material
mais rígido mesmo tendo a espessura menor . Isto demonstra um comportamento com
maior plasticidade. O plástico possui menor maleabilidade e tende a se quebrar no uso
diário.
O material Ezeform demonstra no teste de tração a sua combinação de rigidez com
maleabilidade o que já havia sido descrito pelo catálogo (capítulo 3) e no teste de
alongamento, mas diferencia-se destas descrições no item de resistência a carga e tensão,
pois apresentou a menor resistência de todos os materiais.
Descrição dos Gráficos

Figura 11: Teste de Tração do material Clinic de 5 amostras.

Figura 12: Teste de Tração do material Ômega de 5 amostras.


Figura 13: Teste de Tração do material Preferred de 5 amostras.

Os materiais da marca North-Coast possuem seus gráficos semelhantes, com uma


curvatura que mescla deformação elástica (não é permanente, é totalmente recuperada
quando da liberação de uma tensão aplicada) e plástica (permanente ou não recuperável
após a liberação da tensão aplicada). E passando o pico, onde ocorre a carga máxima,
aparece uma mínima deformação plástica até o final da curvatura onde ocorreu a ruptura do
material devido o alongamento máximo. Esta descrição lhes confere uma maior
elasticidade. A ocorrência conjunta das duas deformações não é o adequado para a
confecção de órtese, pois no momento em que se realiza um pequeno alongamento durante
a confecção e não se deseja isto, ao colocar o material novamente na água quente ele não
irá retornar totalmente. Qual temperatura e quanto de alongamento são necessários para que
ocorra esta deformação é observado nos ensaios de DMA (Análise Dinâmico Mecânica), de
Temperatura de Transição Vítrea e Temperatura de Fusão testes que serão realizados em
um próximo trabalho.
Figura 14: Teste de Tração do material Aquaplast. de 5 amostras.

Figura 15: Teste de Tração do material Ezeform de 5 amostras.


Os dois materiais da marca Sammons Preston possuem semelhanças nos figuras e
diferem dos demais. Nestas figuras aparece a deformação elástica bem diferenciada da
deformação plástica. Primeiro a elástica e persistindo o alongamento aparece a plástica até
a ruptura. Esta descrição confere aos materiais uma maior plasticidade. A ocorrência das
deformações em momentos distintos é melhor para o uso do material na água aquecida, isto
é, é mais fácil de controlar os alongamentos sofridos pelo material durante o manuseio. O
material Aquaplast apresentou a maior deformação plástica onde a cadeia molecular
espichou se alinhou com a direção do alongamento.

4.3. Testes qualitativos sobre a aplicabilidade do material.

4.3.1.Teste de Alongamento
Resultados do teste estão nas tabela 05, procedimentos 1 e 2 e tabela 06 demais
procedimentos e após os comentários comparativos.

Tabela 05: Resultados dos procedimentos 1 e2 do Teste de Alongamento.


Material Temperatura Tempo amolecim. Tempo Observações
(°C) (Seg) enrijecim.(Seg)
Ezeform 68 75 Inicial.90
final. 180
Ômega 70 75 Inicial 60 Gruda nas mãos
final. 135 quando aquecido
Aquaplast 70 75 Inicial 120 Mat. cristalino
transparência final 270 Opaco devido a sua
transparência.
Preferred 70 50 Inicial 60
2,4mm final 120
Clinic 68 80 Inicial 45
final 105

Após os procedimentos 1 e 2 e com as amostras já em temperatura ambiente, observou-


se cada uma quanto a rigidez manuseando-as:
- Amostra Ezeform: apresentou-se rígida nas bordas cedendo no meio onde houve torção
quando amolecido;
- Amostra Ômega: apresentou-se totalmente rígido;
- Amostra Aquaplast: permitiu manuseio de torção e dobras;
- Amostra Preferred: idem
- Amostra Clinic: apresentou-se quase que totalmente rígido.
Tabela 06: Resultados dos procedimentos 4, 5 e 6 do teste de Alongamento.
1º Tempo e 2º 3º
Material alongam. como alongam. alongamento Observações
(cm e s) amoleceu(s) (cm ) (cm )
Esticou13 20 Amoleceu 15 Recuperou Recuperou 5 ,não Não oferece resistência ao
Ezeform enrijeceu14 em 60 e 17
2 Esticou permitiu mais alonga- a alongamento. Baixa
50 manteve-se 17 mentos, ruptura total elasticidade. Diminuiu a
reto. Não Iniciou espessura no meio.
retornou ao rupturas
tn.16 no meio.
Esticou 14 Amoleceu Recuperou Recuperou 3 Oferece resistência ao
Enrijeceu em 45, 6 Esticou até 10 mas alongamento quando
em retornou ao Esticou 11 rompeu-se novamente aquecido. Rompeu-se.
Omega 75 seu tn.. Muitas Aquecido retorna ao tn e
rupturas fecha as rupturas. Não
Verticais diminui a espessura.
Alongado até 5x reagiu da
mesma forma. Grudento
ao toque.
Esticou 18, Amoleceu Recuperou Recuperou 1 , Oferece resistência ao
solto com 25 3 .Esticou Esticou 30, solto alongamento quando
retornou. retornou ao 18, retornou aos 12 estica- aquecido, solto apresenta
Aquaplas Novamente seu tn Segurando. do enrijeceu com 18 4º ondulações nas bordas.
esticado retorcendo- para não along. Idem. 5ºalong. Após quinto amolecimen-
esfriando se retornar. Recuperou 10 to grudou nas mãos. Não
atingiu 13. Esticou 30, retornou apresenta sinais de
Enrijeceu para 14 6ºalong. rupturas. Amostra possui
80 Recuperou 6, esticado aparência de um elástico
33, 7º along. Recu - quando alongado
perou 25 esticou 36. 8º Diminuiu a espessura
along. idem. e central.
segurado até enrijecer.
Esticou 21 Amoleceu Não Não recuperou nada e Não oferece resistência ao
iniciando em 15, recuperou rompeu-se na retirada alongamento Permaneceu
Preferred ruptura em retorceu-se seu tn e da água quente com as digitais do
uma mas não permanece primeiro manuseio .
borda. encolheu. rompi do na Diminuiu a espessura
Enrijeceu
em 30. borda, central.
esticou 49.
Esticou 15, Amoleci- Recuperou Recuperou 2 Oferece uma pequena
força para mento em 2 esticou Esticou 30 retornando resistência ao alonga-
Clinic retornar,en- 30, retornou 22, solto 2. 4º along. mento, não apresentou
colheu 1, pouco o seu retornou 1.. Recuperou 3, esticou sinais de ruptura. Sua
enrijeceu tn 41 5º along. espessura ficou finíssima
em 30 Recuperou 3,esticou no meio
64.

13
Esticar: alongamento provocado no material aquecido.
14
Enrijecer: condição do material quando este vai perdendo a energia do calor.
15
Amolecer: condição do material quando este vai ganhando a energia do calor.
16
Tamanho natural (tn): forma e tamanho inicial do material antes de ser colocado em contato com o calor..
17
Recuperar: relacionado ao tamanho do material, comportamento de encolher observado no material quando
este foi colocado na água aquecida.
Como já foi explicado, o comportamento borrachoso é importante para as
características de confecção de órtese, pois confere aos materiais elasticidade e
maleabilidade. Na caraterística de resistência ao estiramento o material aquecido durante a
confecção de órtese normalmente estica e altera o seu tamanho por centímetros devido o
manuseio. Para a clientela espástica o material necessita ter alto grau de resistência ao
estiramento devido à gravidade e a força exercida pela espasticidade auxiliarem na
deformação do material. No caso, as amostras sofreram um alongamento e alteraram o seu
tamanho, mas as duas amostras, Ômega e Aquaplast, resistiram ao estiramento ou a uma
deformação elástica (deformação que é totalmente recuperada quando da liberação de uma
tensão aplicada) quando o material ainda está quente, permitindo-o melhor na fase de
enrijecimento (perdendo a energia do calor). Ao serem colocados na água quente
retornavam ao seu tamanho natural.
Quimicamente, a elasticidade de um polímero é sua capacidade de voltar à sua
forma original após ser esticado, isto porque na sua estrutura química as ligações cruzadas
puxam-no de volta. No caso das amostras isto só acontece com o auxílio da temperatura. As
amostras de Ezeform, Preferred e Clinic demonstram uma deformação plástica (deformação
permanente ou não recuperável após a liberação da carga aplicada). O que diferenciou o
material Ômega e o Aquaplast foram às rupturas verticais sofridas já inicialmente pelo
Ômega, apesar de sempre permitir serem fechadas novamente devido a sua aderência
(grudento). E esta é uma das características de confecção que para um principiante
atrapalha o manuseio, mas com a prática é importante para realizar as dobras e permitir que
o material fique aderido à pele conferindo um melhor acabamento. Este material foi o
melhor nesta característica. A amostra de Ezeform, pareceu intermediária, média resistência
ao estiramento, pois esticou pouco e retornava pouco na água quente. As demais amostras
demonstraram baixa resistência ao estiramento, pois esticaram muito.
Outra característica importante para a clientela espástica é a memória, capacidade
do material de retornar ao seu estado natural assim que devolvido na água quente,
permitindo remodelá-lo em uma órtese seriada ou realizar ajustes para clientes com maior
grau de espasticidade. Novamente as amostras de Ômega e Aquaplast são melhores, a
amostra de Ezeform intermediária e para a amostra de Clinic, conforme já colocado pelo
fabricante (capitulo 2), é mínima a memória. A amostra de Preferred foi colocado como
tendo média memória pelo fabricante, mas durante a observação demonstrou mínima.
O material Aquaplast, apesar de conferir duas características para a aplicabilidade,
não é sugerido devido o seu tempo demorado de enrijecimento, exigindo um tempo de
espera muito grande para o cliente. Os demais materiais possuem um tempo recomendado
de enrijecimento e todos possuem temperatura de amolecimento semelhantes e compatíveis
com a aplicabilidade. Para a característica de acabamento, apenas a amostra de Preferred
ficou com as marcas das digitais. Observa-se que quanto mais se repetia as etapas do teste
de alongamento mais os materiais se esticavam, menos a amostra do Ômega que sempre
tinha o mesmo comportamento e o Preferred que apesar de alongar bastante logo rompeu-
se em uma extremidade
A característica de rigidez é a capacidade do material suportar as agressões diárias,
para isto o material precisa ter uma certa maleabilidade. Estas agressões estão relacionadas
com a espasticidade apresentada pela clientela, portanto, o material Ezeform apresento-se
melhor neste item.
Sugere-se que os materiais Ômega, Ezeforme e o Aquaplast sejam os mais
adequados para a clientela espástica conforme observado na prática clinica e sugerido pelos
fabricantes (capítulo 2). Eles reúnem algumas das características descritas como essenciais
para a confecção de órtese para a clientela espástica, mas nenhum destes materiais possuem
propriedades químicas que contemple todas as características.

4.3.2. Teste de Memória

Este teste teve o objetivo principal de observar a característica de memória dos


materiais A memória é uma das principais características da confecção de órtese para a
clientela espástica pois ela é necessária para fazer a órtese seriada, mantendo a amplitude
articular e a função ganha nos atendimentos. “A memória é uma propriedade somente dos
termoplásticos, estes materiais são aproveitados para ajustes seriados” (CANELÓN,1995).

Abaixo estão os resultados e após os comentários.


Tabela 07: Resultados do teste de Memória.
Tempera- Tempo de Marcas de Retorno do
Material Tura Amolec. Pressão Alongamento/ memória
(°C) (S)
Ezeform 68 75 Não Não retornou totalmente a seu
tamanho natural, médio
Ômega 68 a 45 Sim, saem no Retornou sete vezes ao tamanho
70 reaquecimento natural.
Aquaplast 60 a 25 Não Retornou 10 vezes ao tamanho
62 natural e provavelmente repetiria.
Sim, muito Realizado um alongamento, pois
Preferred 60 a 15 não retornou ao seu tamanho
2,4mm 61 natural.
Sim, muito Realizado um alongamento, pois
Clinic 65 25 não retornou ao seu tamanho
natural..

O primeiro item a ser observado foi a temperatura de amolecimento dos materiais.


Os materiais Preferred, Clinic e Aquaplast amolecem com 60 a 62°C, e o Ômega e o
Ezeform com 68 a 72°C. Abaixo destas temperaturas eles demoram mais para amolecerem,
ultrapassando um minuto. Para enrijecer os materiais variam de um minuto a um e meio,
mas o Aquaplast demora dois a três minutos neste tamanho de amostra.
Durante a confecção de órtese para a aplicabilidade em questão o cliente muitas
vezes não contribui e o profissional necessita refazer o posicionamento da mão junto com a
moldagem do material, apertando-o e contribuindo para as marcas de pressão. Este
procedimento prejudica a estética da órtese e podem aparecer pontos de pressão do material
sobre os contornos anatômicos. Neste item os materiais Preferred e o Clinic não perderam
as marcas de pressão adquiridas mesmo depois de serem reaquecidos. O Ômega ficou com
marcas mas perdeu-as quando reaquecido, e por último, o Aquaplast e o Ezeform não as
absorveram.
Para o alongamento de 1,7 cm de comprimento e 1cm de largura sofrido por todos
os materiais e onde foi observado a característica de memória quando reaquecido na água
quente, os materiais Preferred, Clinic e o Ezeform não retornaram a seu tamanho natural. Já
os materiais Aquaplast e o Ômega retornaram ao seu tamanho natural. O Ômega suportou
sete repetições do alongamento até que sofreu rupturas e o Aquaplast, independente de sua
espessura, permitiu dez alongamentos sem alterações de tamanho ou forma.
Conclui-se baseado nos objetivos do teste que os materiais Ômega e o Aquaplast
são os melhores na característica de memória , como já foi observado no teste anterior. Para
CANELÓN (1995), o Preferred e o Ezeform possuem uma moderada memória, já segundo
os dois testes qualitativos o Preferred possui uma mínima memória.
CAPÍTULO 5

DISCUSSÃO

Tabela 08: Comparação dos cinco materiais com os resultados dos testes.
Tempo Tempo de
Material T° de amoleci- Ensaio de Tração Memória Marcas/ Alongamento
(°C) Enrijeci- mento, digitais
mento
(s)
Maior plasticidade Permitiu 3 alonga-
68 a 90 a 75 Mat. + maleável, com Média para Não mentos, rompeu-se
Ezeform 70 180 Menor resistência e mínima assimila no meio.Mínima
permite médio elasticidade.
alongamento.
Maior elasticidade, Assimi- Oferece resistência
70 a 60 a 45 e 75 mat. média rigidez, Muita la e per- ao alongamento,
Ômega 72 135 resistente as de com permitiu pouco.
deformações, permite novo rompeu-se e
pequeno alongamento amoleci quando aquecido
mento fechava-as. Média
elasticidade.
Maior plasticidade, Mat. alongou
60 120 a 25 e 75 Mat. maleável, Muita Não várias vezes,
Aquaplast a 270 permitindo um grande assimila oferece resis -
62 alongamento e tência quando
resistência. aquecido Não
apresentou
rupturas. Maior
elasticidade.
Maior elasticidade. Alongou 2 vezes e
Preferred 60 60 a 15 e 50 Mat. mais rígido Mínima Assimi- rompeu-se na
2,4mm a 120 permitiu pouco la ponta. Material
62 alongamento e quente tem
média
resistência. comportamento de
chiclete.
Maior elasticidade. Permitiu 5 alonga-
65 45 a 25 e 80 Possui média rigidez Mínima Assimi- mentos, retornando
Clinic a 105 e resistência e la um pouco e
70 proporcionou média esticando cada vez
deformação. mais. Não rompeu-
se.

Os cinco materiais utilizados nesta pesquisa são polímeros termoplásticos


compostos de Nylon 6 (policaprolactama) com outros componentes químicos (anel
benzênico) e adicionados de cargas inorgânicas, caracterizando-os como materiais com
mistura de componentes poliméricos Esta descrição é dos espectros de infravermelho e
vêem a completar a descrição dos catálogos de “materiais compostos de borracha e plástico
com policaprolactama”. As diferenças de comportamento dos materiais nas características
de confecção de órtese são resultado da adição das cargas inorgânicas, aditivos químicos
que preenchem as cadeias moleculares completando os espaços entre os componentes
básicos do material proporcionando uma melhora nas propriedades mecânicas.
Para a clientela espástica com déficits musculares e funcionais que se beneficiam
com o uso de órtese de posicionamento de punho, posicionamento funcional ou o abdutor
de polegar, sugere-se a relevância de algumas características de confecção de órtese para
proporcionar um melhor trabalho, estas são:
 A memória permitirá a remodelagem do material, reajustes e a confecção da órtese
seriada;
 Resistência ao estiramento no qual o material não se deformará enquanto estiver
amolecido, quente e sofrendo forças de manuseio e da espasticidade, e.
 Rigidez característica de durabilidade da órtese, onde o material necessita ter uma
certa maleabilidade para não se quebrar com a força da espasticidade.
A memória está relacionada ao comportamento borrachoso, as ligações na cadeia
molecular que quanto mais cruzadas e reticulares impedem o alongamento do material e a
deformação plástica. Um material com muita memória pode sofrer uma deformação elástica
maior, que quando reaquecido retornará a sua forma original. Mas um material com mínima
memória e amolecido a uma temperatura elevada pode sofrer uma deformação plástica se
sofrer um alongamento. Isto acontece quando se retira o material da água quente. Coloca-se
o material na mão do cliente e ao fazer os ajustes reaquecendo-o, este material não mais
retornará a sua forma original e poderá ser perdido. Ele só retornará a sua forma se for
reaquecido em temperatura de fusão, isto é, temperatura elevada que funde o material
deixando-o num líquido viscoso.
Sobre o momento de retirada da água quente sugere-se o uso de uma espátula larga
de plástico resistente à temperatura de ebulição assim, não causará deformações ou o uso de
uma esteira entre a panela e o material.
A característica de resistência ao estiramento é comparada ao teste de alongamento
do material. . Segundo CALLISTER (2002), a nível molecular a medida que a temperatura
é elevada as forças de ligação secundárias são diminuídas (devido a concentração de
energia (calor) que leva ao aumento do movimento molecular), diminuindo a resistência do
material, e proporciona um movimento relativo de cadeias adjacentes quando uma tensão é
aplicada. Durante a confecção o material poderá sofrer alongamentos com a gravidade ou
com seu manuseio. E caso isto aconteça ele necessitará de memória para recuperar seu
tamanho. Os dois materiais, Ômega e o Aquaplast, possuem processo de deformação
diferentes no teste de tração, mas nos testes qualitativos os dois possuíram uma resistência
inicial ao estiramento enquanto ainda estavam quentes. Ao iniciar o resfriamento eles
diferenciavam pois o Ômega estirou pouco e rompeu-se e o Aquaplast estirou muito sem
romper-se. No reaquecimento a memória era muito boa pois os dois retornavam ao seus
tamanhos naturais várias vezes.
A característica de rigidez é a capacidade do material suportar as agressões diárias,
para isto o material precisa ter uma combinação de maleabilidade com a rigidez. Estas
agressões estão relacionadas com a espasticidade apresentada pela clientela, força exercida
no braço de alavanca que se forma entre o antebraço e a mão e que pode levar a quebra da
órtese. Neste item o material Ezeform apresentou-se melhor de acordo com os testes
qualitativos e o de ensaio completo de tração
Para a clientela espástica, segundo os testes, os materiais Ômega, o Ezeform e o
Aquaplast contemplam o maior número de características apropriadas. O que vem de
encontro a descrição dos catálogos e de Breger-Lee et al (1991). Mas nenhum deles
enquadram-se em todas as características desejadas para tal clientela.
O Ômega e o Aquaplast possuem boa memória, facilitando a confecção de órtese
seriada, a qual é necessária para esta clientela. O Ômega e o Ezeform são menos elásticos
contornam as saliências anatômicas, mas oferecem resistência para não cederem com a
força da espasticidade e se deformarem. Já o Aquaplast e o Ezeform não assimilam as
digitais e marcas deixadas durante o manuseio, ás vezes difícil devido a pouca cooperação
do cliente espástico. Os três possuem aderência ao serem manuseados o que o auxilia no
acabamento. O tempo de enrijecimento /trabalho do Aquaplast é em torno de 4 a 5 minutos
onde podem ser feitos os detalhes da órtese, mas um tempo de espera longo para esta
clientela. Esta característica é devido a sua transparência que quimicamente lhe é conferida
pela cristalinidade e demora de dispensar a energia do calor. Para o demais o tempo é de 1’
30’’ a 2’ 30’’.Todos podem serem usados em órtese grandes, para órtese do abdutor de
polegar pode-se utilizar a espessura de 2,4mm destes materiais.
. O Clinic e o Preferred, pelas suas características de mínima memória e maior
rigidez apresentado nos testes, contemplam melhor uma clientela ortopédica.
CONSIDERAÇÕES FINAIS

Este trabalho teve como objetivo principal a correlação das propriedades químicas e
mecânica de cinco materiais poliméricos termoplásticos de baixa temperatura com as
características de confecção de órtese de membro superior para a clientela espástica. Com o
desenvolvimento do trabalho percebeu-se que dentre as cinco características analisadas, três
delas são prioritárias durante a confecção de órtese para esta clientela. São a características
de memória, resistência ao estiramento e rigidez. Após os testes realizados conclui-se que
os materiais ômega e ezeform são os mais indicados para a clientela espástica pelo conjunto
de características necessárias. Este resultado está de acordo com os catálogos e a literatura
encontrada, sendo que o material aquaplast que, apesar de ter a mesma indicação, não foi
considerado apropriado devido a demora no enrijecimento.
O conhecimento das propriedades químicas e mecânica aliado as necessidades de
comportamento do material durante a confecção de órtese, leva à sugestão de se elaborar
um material nacional, dentro da nossa realidade, ecológico e contemplando um maior
número de características, visto que lidamos apenas com termoplásticos de baixa
temperatura importados e que contemplam apenas algumas das características para a
aplicabilidade descrita. A produção de um nacional será importante para os profissionais
que confeccionam as órteses pois, alem de baixar os custo para a clientela, também teria-se
mais informações técnicas e acessíveis sobre o material estimulando um envolvimento
maior por parte dos profissionais clínicos o que não acontece com os catálogos
estrangeiros.
Este estudo permitiu alcançar um conhecimento maior sobre os materiais,
proporcionando habilidade para criar e tirar o máximo aproveito de suas características. Isto
leva ao pensamento do quanto é necessário e importante esta compreensão para poder
atender melhor a necessidade do cliente, seja ela clinicamente, esteticamente ou
funcionalmente e não simplesmente confeccionar órteses. Como coloca a autora BREGER-
LEE na descrição de seu artigo no início dos anos 90, “expandir nosso conhecimento sobre
os materiais usados para a confecção de órtese é importante para conhecer a performance
dos materiais termoplásticos de baixa temperatura. As múltiplas escolhas destes materiais
com suas propriedades básicas similares, com suas características básicas diferentes, fazem
criar um desafio para os terapeutas e a escolha do material adequado torna-se uma tarefa
árdua”.

Perspectivas de continuidade de desenvolvimento deste trabalho

Embora tenhamos abordado vários aspectos necessários na compreensão dos


termoplásticos para aplicações na confecção de órteses, torna-se necessário o
aprimoramento e continuidades do trabalho. A realização de outros testes como os de
Temperatura de Transição Vítrea, Temperatura de Fusão, a técnica de Análise Dinâmico
Mecânico (DMA) e Espectroscopia de Raman e de Infravermelho aprimorados irão nos
permitir quantificar melhor a propriedade de cada material e a esclarecer o que
empiricamente se percebe no cotidiano da confecção de órtese. Também auxiliará pesquisas
com os profissionais de terapia ocupacional que confeccionam órteses sobre o uso dos
materiais, e pesquisa com a clientela durante a confecção e uso da órtese.
Espera-se com este trabalho ter contribuído com os profissionais da área para um
melhor aproveitamento e esclarecimento sobre alguns materiais utilizados para tal
finalidade.
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ANEXOS
Anexo 01

Escala de Ashworth Modificada.


Anexo 02
Anexo 03

Figura. 16 Teste de alongamento - estado inicial dos materiais

Figura. 17 Teste de alongamento – estado final dos materiais

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