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AULA 6
CONTINUAÇÃO – QUESTIONAMENTO ELABORATIVO

O crime de homicídio está disposto no art. 121 do CP, comportando as modalidades dolosa e culposa.
Existem classificações de homicídios. O homicídio pode ser classificado em simples, privilegiado e qualificado.
Deve-se atentar ainda que o homicídio simples, via de regra, não é um crime hediondo, porém se ocorrer sob a
condição da prática de uma atividade típica de grupo de extermínio, ainda que por um só agente, será considerado
como crime hediondo. Neste caso, tem-se o chamado homicídio simples condicionado.
Em relação ao crime de homicídio privilegiado, ele pode ocorrer de três maneiras: por relevante valor
social, relevante valor moral e sob domínio de violenta emoção. Uma outra característica do homicídio privile-
giado é que o privilégio afasta a hediondez do tipo penal. Se houver uma qualificadora objetiva na prática desse
crime, poderá ocorrer a hipótese de homicídio privilegiado qualificado, mas ainda assim não será crime hediondo.
Ressalta-se que as qualificadoras objetivas estão dispostas no inciso III do §2º do art. 121 do CP; são, portanto, os
meios empregados na prática do crime de homicídio, por exemplo: a tortura, a asfixia, o emprego de veneno, dentre
outras.
ATENÇÃO: A eutanásia é crime de homicídio, pois viola o bem jurídico tutelado vida. No entanto, em
se tratando de crime por relevante valor moral (exemplo, compaixão à vítima), a eutanásia é considerada crime de
homicídio privilegiado e, por isso, nessas circunstâncias, o privilégio é causa de diminuição de pena.
Antes de dar continuidade ao estudo acerca das classificações do homicídio, veja o questionamento
elaborativo a seguir:

QUESTIONAMENTO ELABORATIVO
1. Caso o livramento condicional seja revogado restando o cumprimento de 4 anos de pena, tendo
o condenado já permanecido por dois anos em liberdade, qual é a pena que ainda deve ser cumprida caso
ele seja condenado a uma nova pena de 08 anos? Obs: Pena fixada em crime anterior – 6 anos.
Na hipótese de o agente ter delinquido após a concessão do livramento condicional, ou seja, durante
o período de 2 anos em que esteve em liberdade, ele deverá cumprir os 4 anos de pena referente à condenação do
crime anterior, bem como os 8 anos de pena referente à condenação da prática do novo crime. Um total, portanto,
de 12 anos de pena. Já na hipótese do agente ter delinquido antes da concessão do livramento condicional,
haverá o abatimento do tempo em que esteve em liberdade (2 anos) do pena restante (4 anos) e, assim, o agente
deverá cumprir tão somente os 2 anos da pena referente à condenação do crime anterior, bem como os 8 anos de
pena referente à condenação da prática do novo crime. Um total, portanto, de 10 anos de pena.

2. Como se dá a progressão de regime em crime hediondo?


Na hipótese de a prática do crime hediondo ter ocorrido anteriormente à data da vigência da Lei
11.464/07 (29/03/2007), a progressão de regime se dará num quantum de 1/6 da pena. Haja vista que a referida lei
é maléfica, e lei maléfica não retroage. Já na hipótese de a prática do crime hediondo ter ocorrido posteriormente

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anteriormente à data da vigência da Lei 11.464/07 (29/03/2007), a progressão de regime se dará num quantum
de 2/5 da pena, no caso de réu primário, e 3/5 da pena, se reincidente. Cabe salientar que no caso de crime
hediondo, é possível que o regime se inicie em regime semiaberto, por exemplo.

3. Qual é a consequência do erro sobre a pessoa?


O instituto do erro sobre a pessoa está disposto no art. 20, §3º, do CP. O erro sobre a pessoa ocorre
quando o agente confunde a pessoa, atingindo pessoa diversa da qual ele deseja atingir. Nesta hipótese, o agente
responde como se tivesse atingido a pessoa pretendida, ou seja, ignora-se quem foi de fato atingida e considera-se
as características da pessoa que deveria ter sido por ele atingida.

4. O homicídio é crime hediondo?


O crime de homicídio será considerado hediondo quando ele for genuinamente qualificado. Em se tra-
tando de homicídio privilegiado qualificado, este não será crime hediondo, pois o privilégio afasta a hediondez. Outra
hipótese de hediondez é o homicídio simples condicionado. Aqui, para que o homicídio simples seja considerado
como crime hediondo deve existir a seguinte condição: ter ocorrido mediante a prática de uma atividade típica de
grupo de extermínio, ainda que por um só agente.

VEJAMOS AS PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DO CRIME DE HOMICÍDIO

Simples Caput do art. 121

DOLOSO Privilegiado Art. 121, §1º

HOMICÍDIO Qualificado Art. 121, §2º

Cabimento de
CULPOSO Art. 121, §5º
perdão juicial

2. HOMICÍDIO QUALIFICADO (§2º do art. 121 do CP)


As qualificadoras do homicídio estão previstas no §2º do art. 121 do CP. Vejamos as qualificadoras que
sempre estiveram presentes no parágrafo segundo, lembrando que atualmente existem mais duas que veremos
adiante:

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Art. 121, CP:

Homicídio qualificado

§ 2° Se o homicídio é cometido:

I - mediante paga ou promessa de recompensa, ou por outro motivo torpe;


II - por motivo fútil;
III - com emprego de veneno, fogo, explosivo, asfixia, tortura ou outro meio insi-
dioso ou cruel, ou de que possa resultar perigo comum;
IV - à traição, de emboscada, ou mediante dissimulação ou outro recurso que
dificulte ou torne impossível a defesa do ofendido;
V - para assegurar a execução, a ocultação, a impunidade ou vantagem de outro
crime:

Pena - reclusão, de doze a trinta anos.

Conforme dispõe o referido artigo, verifica-se que a qualificadora pode se dar pelo motivo em que o
crime de homicídio foi praticado, que é o caso do inciso I (mediante paga ou promessa de recompensa, ou por
motivo torpe) e do inciso II (por motivo fútil). Essas qualificadoras não podem ser conjugadas com o privilégio,
uma vez que se tratam de qualificadoras subjetivas.

ATENÇÃO: O motivo torpe é aquele motivo abjeto, vil e repugnante; matar uma pessoa para conseguir
um seguro de vida, por exemplo. Já o motivo fútil é quando o agente mata alguém por motivo banal, despropor-
cional; o agente que mata uma pessoa por ela não ter lhe emprestado 5 reais, por exemplo.
Já o inciso III do §2º do art. 121 do CP estabelece as qualificadoras pelo meio empregado no crime
de homicídio. São eles: “emprego de veneno, fogo, explosivo, asfixia, tortura ou outro meio insidioso ou cruel, ou de
que possa resultar perigo comum”.
No inciso IV, há a disposição sobre o modo como agente mata, o qual ocorre “à traição, de emboscada,
ou mediante dissimulação ou outro recurso que dificulte ou torne impossível a defesa do ofendido”. Exemplo: o
agente chama uma pessoa para tomar um vinho e jantar em sua casa, chegando a sua casa, o agente a mata. Ou
seja, o agente dissimulou uma situação somente para matá-la.
De acordo com o inciso V, o agente mata alguém “para assegurar a execução, a ocultação, a impuni-
dade ou vantagem de outro crime”.

ATENÇÃO: Há conexão teleológica quando o agente comete o crime de homicídio com a finalidade de
garantir a execução de um crime futuro. Quando o homicídio ocorre como consequência do crime anterior, tem-se
a chamada conexão consequencial. Na conexão consequencial, o agente tem por finalidade ocultar a ocorrência
do crime anterior, sair impune ou até mesmo obter vantagem de outro crime.

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Em 2015, duas novas qualificadoras surgiram no art. 121, §2º, do Código Penal. Houve, portanto, a
inclusão do feminicídio e do homicídio funcional. Veja como ficou a redação do referido artigo:

Art. 121, CP:

Feminicídio (Incluído pela Lei nº 13.104, de 2015):

VI - contra a mulher por razões da condição de sexo fe-


minino: (Incluído pela Lei nº 13.104, de 2015)

VII – contra autoridade ou agente descrito nos arts. 142


e 144 da Constituição Federal, integrantes do sistema
prisional e da Força Nacional de Segurança Pública, no
exercício da função ou em decorrência dela, ou contra
seu cônjuge, companheiro ou parente consanguíneo até
terceiro grau, em razão dessa condição: (Incluído pela
Lei nº 13.142, de 2015)

Pena - reclusão, de doze a trinta anos.

Sabendo que lei maléfica não retroage, é necessário saber quando o crime foi praticado para que seja
aplicada ou não as qualificadoras de feminicídio e homicídio funcional no caso concreto. A Lei 13.104/15, que esta-
belece o Feminicídio, entrou em vigor em 10 de março de 2015. Enquanto a Lei 13.142/15, que estabelece o homi-
cídio funcional, entrou em vigor em 07 de julho de 2015.
Estas duas leis não alteram somente o Código Penal. Elas alteraram também a Lei de Crimes hediondos
(Lei 8.072/90), pois como o homicídio qualificado é crime hediondo, estas qualificadoras passaram a integrar o rol
do art. 1º da Lei 8.072/90.

ATENÇÃO: Os crimes de homicídios praticados antes da vigência dessas Leis não podem ser conside-
rados qualificados por essas qualificadoras, nem podem ser considerados crimes hediondos.

Sobre homicídio qualificado, veja o esquema a seguir:

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HOMICÍDIO
QUALIFICADO Hediondez: Crimes inafi-
ançáveis e insuscetíveis
de anistia, graça e indulto.

Atenção: Alterações
Legislativas

Inciso VII - Homicídio


Inciso VI - Feminicídio Outras qualificadoras:
Funcional
Vigência: 10/03/15 Incisos I a V
Vigência: 07/07/15

São algumas consequências da hediondez no homicídio qualificado: o crime ser inafiançável e ser in-
suscetível de anistia, graça e indulto. Além, claro, da progressão de regime ser diferenciada, conforme já estudado
anteriormente.

ATENÇÃO À SEGUINTE PERGUNTA: O homicídio pode ser híbrido (qualificado e privilegiado)?


De acordo com que já foi estudado, o homicídio pode ser híbrido, ou seja, qualificado e privilegiado ao
mesmo tempo. Contudo, deve-se observar se a qualificadora é objetiva, pois não podem ser conjugados o privilégio
e qualificadora subjetiva. Exemplo: O pai mata o estuprador da filha, com emprego de fogo. Neste caso, prevalece
o entendimento de que fica afastada a hediondez.

As qualificadoras do homicídio possuem algumas particularidades. São elas:


a) Emprego de veneno:
Atente-se que o emprego de veneno nem sempre vai servir para uma qualificar o crime de homicídio
pelo inciso III do §2º do art. 121 do CP. Em relação a este dispositivo, o entendimento pacífico pela doutrina é que,
para que o crime de homicídio seja qualificado por emprego de veneno, este emprego não pode ser do conheci-
mento da vítima. Ou seja, precisa ser um meio insidioso. Por exemplo, a vítima está bebendo uma taça de vinho e
não sabe que está sendo envenenada.
Em contrapartida, caso seja do conhecimento dela, poderá qualificar pelo meio cruel, mas não pelo em-
prego do veneno.
Exemplo:

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Albertino diz a Belinha que caso ela não tome o veneno letal, matará seu filho, que está no mesmo local.
Belinha ingere o veneno e morre lentamente. Neste caso, a vítima tem ciência do veneno. O homicídio até será
qualificado, mas pelo meio cruel e não pelo emprego de veneno.

b) Tortura:
Outra qualificadora é a tortura no crime de homicídio, a qual não pode ser confundida com o crime de
tortura (art. 1º, §3º, da Lei 9.455/57). Esta dispõe sobre o crime de tortura qualificado pela morte.
No homicídio qualificado pela tortura, o dolo é de matar. A tortura é meio.
Caso o dolo seja de torturar, ocorrendo a morte a título de culpa, haverá crime de tortura qualificada
pela morte. Trata-se de crime preterdoloso, pois há dolo na tortura e culpa na morte.

ATENÇÃO: Crime preterdoloso é aquele que possui dois resultados, porém somente o primeiro resul-
tado ocorre a título de dolo, e culpa no resultado seguinte.

Exemplo: Albertino decide torturar Carlinhos, para que este confesse uma traição. No entanto, Albertino
exagera nos atos de tortura e acaba por provocar a morte de Carlinhos. Neste caso, qual era o dolo? Torturar. A
morte ocorreu a título de culpa. O crime será de tortura qualificada pela morte.

Veja a redação do art.1º da Lei 9.455/57:

Art. 1º Constitui crime de tortura:

I - constranger alguém com emprego de violência ou grave ameaça, causando-


lhe sofrimento físico ou mental:
a) com o fim de obter informação, declaração ou confissão da vítima ou de
terceira pessoa;
b) para provocar ação ou omissão de natureza criminosa;
c) em razão de discriminação racial ou religiosa;

II - submeter alguém, sob sua guarda, poder ou autoridade, com emprego de


violência ou grave ameaça, a intenso sofrimento físico ou mental, como forma de
aplicar castigo pessoal ou medida de caráter preventivo.

Pena - reclusão, de dois a oito anos.

§ 1º Na mesma pena incorre quem submete pessoa presa ou sujeita a medida de


segurança a sofrimento físico ou mental, por intermédio da prática de ato não pre-
visto em lei ou não resultante de medida legal.

§ 2º Aquele que se omite em face dessas condutas, quando tinha o dever de evitá-
las ou apurá-las, incorre na pena de detenção de um a quatro anos.

§ 3º Se resulta lesão corporal de natureza grave ou gravíssima, a pena é de reclu-


são de quatro a dez anos; se resulta morte, a reclusão é de oito a dezesseis anos.

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§ 4º Aumenta-se a pena de um sexto até um terço:
I - se o crime é cometido por agente público;
II - se o crime é cometido contra criança, gestante, portador de deficiência,
adolescente ou maior de 60 (sessenta) anos; (Redação dada pela Lei nº 10.741,
de 2003)
III - se o crime é cometido mediante sequestro.

§ 5º A condenação acarretará a perda do cargo, função ou emprego público e a


interdição para seu exercício pelo dobro do prazo da pena aplicada.

§ 6º O crime de tortura é inafiançável e insuscetível de graça ou anistia.

§ 7º O condenado por crime previsto nesta Lei, salvo a hipótese do § 2º, iniciará o
cumprimento da pena em regime fechado.

Atente-se que, a partir da leitura do §3º, o agente não pode desejar a morte da vítima, pois havendo dolo
na morte, haverá crime de homicídio.
Se o agente, que somente queria torturar a vítima, decidir matá-la para que não seja denunciado poste-
riormente, haverá concurso de crimes, respondendo pelo crime de tortura e pelo crime de homicídio qualificado por
conexão.

ATENÇÃO: Nesta hipótese, o agente agiu mediante mais de uma conduta, praticando crimes de espé-
cies diferentes, logo, haverá concurso material de crimes (art. 69 do CP).

3. HOMICÍDIO MAJORADO
Além de hipóteses de privilégio e de qualificadoras, o art. 121 do CP prevê causas de aumento de pena,
o chamado homicídio majorado. Lembrando que as causas de aumento de pena são utilizadas na 3ª fase da
dosimetria da pena, bem como as causas de diminuição.
O homicídio majorado está previsto no §4º do referido artigo. Veja:

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Art. 121, CP:

Aumento de pena

§ 4º No homicídio culposo, a pena é aumentada de 1/3


(um terço), se o crime resulta de inobservância de regra
técnica de profissão, arte ou ofício, ou se o agente deixa
de prestar imediato socorro à vítima, não procura diminuir
as consequências do seu ato, ou foge para evitar prisão
em flagrante. Sendo doloso o homicídio, a pena é au-
mentada de 1/3 (um terço) se o crime é praticado contra
pessoa menor de 14 (quatorze) ou maior de 60 (ses-
senta) anos.

Exemplo:
José estava limpando sua arma, mas não percebeu que a mesma não estava descarregada. Por des-
cuido, José acaba efetuando um disparo, o qual atingiu Maria, que veio a óbito logo em seguida. José, portanto,
praticou um crime de homicídio culposo. Maria tinha 62 anos de idade à época do fato. Assim, por se tratar de
homicídio culposo, não haverá a majoração da pena, pois o §4º do art. 121 do CP prevê a causa de aumento de
pena apenas para casos de homicídio doloso contra vítima menor de 14 ou maior de 60 anos.
Ainda neste exemplo, se José, podendo prestar socorro imediato à vítima, não o faz, o crime de homicídio
culposo terá sua pena aumentada de 1/3.
Desta maneira, observe que haverá aumento de pena se:

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Além dessas causas de aumento de pena, o §6º do art. 121 prevê outras majorantes:

Art. 121, CP:

§ 6º. A pena é aumentada de 1/3 (um terço) até a metade


se o crime for praticado por milícia privada, sob o pre-
texto de prestação de serviço de segurança, ou por grupo
de extermínio.

A Lei 13.104/15, além de ter incluído o feminicídio como qualificadora do crime de homicídio, estabeleceu
também uma nova causa de aumento de pena, a qual está disposta no §7º do art. 121 do CP:

Art. 121, CP:

§ 7º - A pena do feminicídio é aumentada de 1/3 (um


terço) até a metade se o crime for praticado: (Incluído
pela Lei nº 13.104, de 2015)

I - durante a gestação ou nos 3 (três) meses posteriores


ao parto; (Incluído pela Lei nº 13.104, de 2015)
II - contra pessoa menor de 14 (catorze) anos, maior de
60 (sessenta) anos ou com deficiência; (Incluído pela
Lei nº 13.104, de 2015)
III - na presença de descendente ou de ascendente da
vítima.

CRIME DE INDUZIMENTO, INSTIGAÇÃO OU AUXÍLIO A SUICÍDIO

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Após ter estudado o homicídio e suas modalidades, faz-se necessário atentar-se para a seguinte pergunta:
Será que se a vítima quiser abrir mão da sua própria vida, pedindo que outra pessoa a mate, haverá crime
de homicídio? Sim, a vida é um bem jurídico indisponível. Assim sendo, mesmo que com o consentimento da
vítima, é possível que o crime configurado seja o de homicídio. Como é o caso da eutanásia, conforme já mencio-
nado.
No entanto, é possível que haja situações em que a vítima queira morrer, uma outra pessoa a ajuda, e o
crime não seja o de homicídio, mas sim o crime que está previsto no art. 122 do CP: crime de induzimento,
instigação ou auxílio a suicídio.

Induzimento, instigação ou auxílio a suicídio

Art. 122, CP - Induzir ou instigar alguém a suicidar-se ou


prestar-lhe auxílio para que o faça:

Pena - reclusão, de dois a seis anos, se o suicídio


se consuma; ou reclusão, de um a três anos, se da
tentativa de suicídio resulta lesão corporal de natu-
reza grave.

O art. 122 do CP dispõe ainda em seu parágrafo único sobre uma causa de aumento de pena. Veja:

Art. 122, CP :

Parágrafo único - A pena é duplicada:

Aumento de pena

I - se o crime é praticado por motivo egoístico;


II - se a vítima é menor ou tem diminuída, por qualquer
causa, a capacidade de resistência.

O crime de induzimento, instigação ou auxílio a suicídio possui alguns pontos que merecem ser analisados
com cautela. Primeiramente, deve-se analisar o que significa as condutas previstas no tipo penal: induzir, instigar
e auxiliar.

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Induzir significa criar a ideia, fazendo nascer na outra pessoa (vítima) a vontade de cometer suicídio.
Instigar é quando a vítima já cogita a ideia de tirar a própria vítima e conta isto a outra pessoa, essa pessoa,
portanto, reforça a ideia do suicídio. O induzimento e a instigação são formas de participação moral no suicídio. Já
o auxílio é uma forma de participação material, ou seja, a pessoa dá meios à vítima para que esta tire a própria
vida, como por exemplo, ensinando a pessoa a fazer um nó de forca, entregando uma corda, ajudando a vítima a
subir em um banco para que ela se enforque. Perceba que nenhum desses exemplos são meios aptos a matar, mas
sim somente ajuda a vítima a tirar a própria vida. Desta maneira, se ao invés de abrir a janela para que a vítima
pule, o agente abrir a janela e a empurra, o crime será de homicídio, pois este ato é apto a matar.

Exemplo: Se Albertino já tem o desejo de tirar a própria vida ou ainda se tal desejo é criado por Carlinhos,
é possível que haja crime do art. 122, caso Carlinhos crie a ideia ou reforce a ideia já existente de Albertino em
tirar a própria vida.

a) Mas por que é possível? Não é algo certo?


Perceba que, na redação do art. 122 do CP, a pena tem uma característica bem diferente das penas
previstas em outros crimes, prevendo, portanto, apenas dois resultados: “Pena - reclusão, de dois a seis anos, se
o suicídio se consuma; ou reclusão, de um a três anos, se da tentativa de suicídio resulta lesão corporal de
natureza grave”. A consequência dessa previsão é que esses resultados, morte e lesão corporal de natureza grave
(aqui leia-se: grave gravíssima), são obrigatórios para que exista o crime do art. 122. Atente-se que este crime não
admite o fenômeno da tentativa, sendo punível somente estes dois resultados mencionados no tipo penal.
ATENÇÃO: Cézar Roberto Bitencourt entende como sendo possível a tentativa no caso do crime previsto
no art. 122 do CP, considerando que a vítima sobreviveu com lesão à tentativa qualificada. Todavia, esse entendi-
mento é minoritário. E o posicionamento relevante em provas é o pacificado, ou seja, que o crime previsto no art.
122 do CP não admite tentativa.

b) Mas basta praticar os verbos previstos no artigo?

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Não, pois trata-se de um crime de resultado obrigatório. Ou seja, ou suicídio deverá se consumar ou a
vítima tem que sofrer lesão corporal de natureza grave.

c) E se a vítima sobreviver sem qualquer lesão ou apenas com lesão corporal de natureza leve?
O agente não responderá pelo crime do art. 122 do CP, pois se trata de fato atípico.
ATENÇÃO: Alguns autores entendem que esses resultados obrigatórios previstos no art. 122 (consuma-
ção do suicídio e ocorrência de lesão corporal leve) não seriam elementares do crime, mas sim condição objetiva
de punibilidade.

d) Então, não há tentativa?


Não, pois, conforme já explicado, o art. 122 do CP estabeleceu quais resultados seriam puníveis. O art.
122 não pode ser combinado com o art. 14, II do CP (Entendimento majoritário).

Veja outro exemplo.


Exemplo: Considerando que o auxílio não pode ser um ato apto a matar, imaginemos que Albertino mi-
nistre veneno em Carlinhos, que quer morrer.

a) Trata-se de hipótese auxílio?


Não, pois ministrar veneno é ato apto a matar (atente-se que ministrar é aplicar o veneno na vítima; por
exemplo, quando alguém injeta veneno na vítima por meio de uma seringa). Caso Albertino apenas entregasse o
veneno nas mãos de Carlinhos, para que ele mesmo ingerisse, aí sim haveria auxílio ao suicídio.

ATENÇÃO: Tem-se o crime de homicídio, portanto, quando o ato é apto a matar.

No caso de duas pessoas, por meio de pacto de morte, que combinam de cometer suicídio juntas, aquele
que pratica ato de execução apto a matar, responde por homicídio consumado ou tentado.
Exemplo: Albertino e Carlinhos decidem se matar juntos, no banheiro, com inalação de gás. Albertino
abre o gás e ambos sobrevivem sem qualquer lesão. Nesta hipótese, Albertino praticou ato apto a matar, de-
vendo responder por homicídio tentado (art. 121 c/c art. 14, II, do CP). Enquanto, Carlinhos não responderá por

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nada, pois embora tenha reforçado a ideia de Albertino, não houve resultado obrigatório que permitisse a punição
pelo art. 122 do CP.

ATENÇÃO: No Direito Penal, entende-se por tentativa branca quando o agente, que deseja matar, inicia
a execução, ele não atinge a consumação por circunstâncias alheias a sua vontade e a vítima sai ilesa da situação,
mas ainda assim ele responde pelo crime praticado na modalidade tentada.

Crime do art. 122 do CP contra vítima menor de 14 anos de idade


Outro ponto muito importante do art. 122 do CP é quando este crime é praticado contra vítima menor de
14 anos. Para este caso, existe um entendimento doutrinário que estabelece que se o agente induz, instiga ou
auxilia vítima menor de 14 anos de idade e esta comete suicídio, o crime será de homicídio.
ATENÇÃO: Mas o parágrafo único do artigo 122 não determina o aumento de pena se a vítima for
menor? Sim, mas apenas no caso de vítima menor de 18 e a partir de 14, pois se ela tem menos de 14, crime não
será do art. 122 e sim de homicídio (art. 121 do CP).

CRIME DE INFANTICÍDIO

Outro crime contra vida é o crime de infanticídio, o qual tem previsão legal no art. 123 do CP. Veja:

Infanticídio

Art. 123, CP: Matar, sob a influência do estado puerpe-


ral, o próprio filho, durante o parto ou logo após:

Pena - detenção, de dois a seis anos.

O infanticídio, ao ser criado, foi estabelecido pelo legislador como crime autônomo, e por isso que não
está disposto junto ao art. 121 do CP, que prevê o crime de homicídio. Pelo princípio da especialidade, o infanticídio
é especial ao homicídio.
O que especializa este crime são suas elementares de caráter pessoal. Assim, deve-se verificar se:

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Por este dispositivo e conforme a corrente majoritária, entende-se que a mãe mata o próprio filho (nas-
cente ou recém-nascido) durante o parto ou logo após parto, estando, necessariamente, influenciada pelo
estado puerperal.
Será que é possível o concurso de pessoas no crime de infanticídio?
Para responder essa pergunta é necessário analisar duas hipóteses possíveis em uma situação fática.
São elas:
Hipótese nº 1 – A mãe pratica a conduta principal, ela quem mata o próprio filho, e o terceiro somente a
auxilia.
Hipótese nº 2 – O terceiro pratica a conduta principal, ele quem mata o nascente ou recém-nascido,
enquanto a mãe, influenciada pelo estado puerperal e logo após o parto, o auxilia.
Para a análise da hipótese nº 1º, é importante relembrar sobre o que dispõe o art. 30 do CP. Veja:

Circunstâncias incomunicáveis

Art. 30, CP - Não se comunicam as circunstâncias e as


condições de caráter pessoal, salvo quando elementares
do crime.

Entenda que “ser mãe”, “estar influenciada por estado puerperal”, praticar a conduta “durante ou logo
após o parto”, todas essas circunstâncias são de caráter pessoal, mas que irão se comunicar no caso de infanticídio
por serem elementares do crime. Desta maneira, na primeira hipótese, de acordo com o art. 30 do CP, essas cir-
cunstâncias de caráter pessoal poderiam se comunicar dela para o terceiro, haja vista que a conduta principal é da
mãe. Salienta-se que o terceiro, neste caso, tem uma conduta acessória, pois somente auxiliar esta mulher.
Desta maneira, no que tange a comunicabilidade das circunstâncias pessoais no crime de homicídio, o
Direito penal segue a regra universal de que o acessório é que deve seguir o principal.

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Veja que, quando a conduta principal é da mãe, não há maiores problemas em identificar que a con-
duta do terceiro que auxilia, segue a conduta principal da mãe, devendo (para a doutrina amplamente majori-
tária) ambos responderem por infanticídio.
Portanto, na hipótese nº 1: Ambos respondem por infanticídio, aplica-se o art. 30 do Código Penal.
Entretanto a hipótese nº 2 é amplamente controvertida, pois admite três posicionamentos. São eles:
a) Ambos respondem por homicídio;
b) Ambos respondem por infanticídio;
c) O terceiro responde por homicídio e a mãe por infanticídio, havendo, portanto, a quebra da teoria
monista.

ATENÇÃO: Erro sobre a pessoa no crime de homicídio.


Há algumas horas após o parto, uma mulher, influenciada pelo estado puerperal, se dirige ao berçário
no intuito de matar seu filho recém-nascido. No entanto, acabou matando o filho de outra mulher por engano. Nesta
hipótese, verifica-se que esta mãe errou sobre a pessoa, matando o bebê errado. E pela teoria do erro sobre a
pessoa, esta mãe responderá pelo crime de infanticídio, ainda que o bebê morto não fosse seu filho recém-nascido.

CRIME DE ABORTO

Assim como o infanticídio, o crime de aborto é um crime contra vida, estando disposto, inclusive, do art.
124 ao 128. Veja as modalidades de aborto no esquema a seguir:

Autoaborto
art. 124 do CP

Sem consentimento
ABORTO da gestante
art. 125 do CP

Com consentimento
da gestante
art. 126 do CP

De acordo com o art. 124 do CP, no caso de autoaborto, existem duas possibilidades: quando gestante
provoca o aborto em si mesma (tomando algum medicamento abortivo, por exemplo) ou quando a gestante consente
que outra pessoa provoque o aborto (realizando o procedimento em uma clínica clandestina, por exemplo).

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Aborto provocado pela gestante ou com seu con-
sentimento

Art. 124, CP - Provocar aborto em si mesma ou consentir


que outrem lho provoque: (Vide ADPF 54)

Pena - detenção, de um a três anos

No caso do terceiro que provoca o aborto com o consentimento da gestante, ele responde pelo crime de
aborto nos moldes do art. 126 do CP, ou seja, há uma quebra da teoria monista, pois a gestante responde conforme
o art. 124 do CP.

Art. 126, CP - Provocar aborto com o consentimento da


gestante: (Vide ADPF 54)

Pena - reclusão, de um a quatro anos.

O aborto sem o consentimento da gestante, previsto no art. 125 do CP, no entanto, pode se dar de várias
maneiras. Por exemplo, imagine que uma mulher que descobriu que está grávida conte para seu namorado sobre
a gravidez. Ele, não querendo que a criança nasça, arquiteta um plano com um amigo que é médico, leva a mulher
ao consultório dizendo que é para começar o pré-natal, e o médico realiza o procedimento abortivo sem o consen-
timento dela a pedido do amigo (namorado da gestante).

Aborto provocado por terceiro

Art. 125 , CP- Provocar aborto, sem o consentimento da


gestante:

Pena - reclusão, de três a dez anos.

Salienta-se que a quebra da teoria monista ocorrerá nas hipóteses do art. 124 e do art. 126 do CP.

ATENÇÃO: Veja o exemplo a seguir.


Paula e Lídia são amigas. Paula conta a sua amiga que está grávida, mas que não deseja ter o bebê.
Lídia sabendo que sua amiga não teria coragem de ir até a farmácia para comprar um medicamento abortivo, com-
pra o remédio e a entrega. Paula toma o remédio e o aborto é realizado. Como o art. 124 do CP admite a participação

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no crime de aborto, Lídia responderá pelo crime de autoaborto tanto quanto Paula, que estava grávida. Não ha-
vendo, portanto, a quebra da teoria monista. Assim sendo, a gestante e a amiga responderiam pelo mesmo crime
em concurso de pessoas, responderiam pelo crime do art. 124 n/f do art. 29 do CP.

Perceba que no caso do art. 126 do CP, não há uma mera ajuda do terceiro, conforme o exemplo anterior.
No art. 126 do CP, o aborto é provocado pelo terceiro, porém com o consentimento da gestante. No entanto, se a
gestante não for maior de 14 anos, ou for alienada ou débil mental, ainda que haja seu consentimento para a prática
do aborto, o terceiro que o provocou responderá pelo crime nos moldes do art. 125 do CP, ou seja, sem o consen-
timento da gestante.

Art. 126, CP:

Parágrafo único. Aplica-se a pena do artigo anterior, se


a gestante não é maior de quatorze anos, ou é alienada
ou débil mental, ou se o consentimento é obtido mediante
fraude, grave ameaça ou violência.

Desta maneira, reflita sobre os seguintes pontos:


A). Admite-se concurso de pessoas no artigo 124?
Em regra, não. No entanto, é possível a participação para o terceiro que auxilia sem praticar diretamente
qualquer ato abortivo.

B). Exemplo 1: Joana ministra, com consentimento, substância abortiva em sua amiga Paola, que es-
tava grávida, para provocar o aborto. O crime dela é do artigo 126.

C). Exemplo 2: Isabela compra medicamento abortivo e entrega para a Karen tomar, com a sua ciência.
A própria gestante é que ingere ou aplica a medicação. Nesta situação, ambas respondem pelo art. 124 CP, e
Isabela é partícipe do referido crime. Mas por que ela não pratica o crime previsto no art. 126 do CP? Porque
ela não praticou verbo núcleo deste tipo. Ou seja, ela não provocou o aborto.

O art. 127 do CP também dispõe sobre o crime de aborto. Veja:

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Forma qualificada

Art. 127, CP - As penas cominadas nos dois artigos an-


teriores são aumentadas de um terço, se, em conse-
quência do aborto ou dos meios empregados para pro-
vocá-lo, a gestante sofre lesão corporal de natureza
grave; e são duplicadas, se, por qualquer dessas cau-
sas, lhe sobrevém a morte.

Apesar no nome “forma qualificada”, o art. 127 não dispõe sobre uma nova escala penal, o que se tem
é uma causa de aumento de pena. Assim, não se trata de uma forma qualificada de aborto, mas sim uma forma
majorada do crime de aborto, a ser considerada, inclusive, na 3ª fase da dosimetria da pena. Este dispositivo se
aplica ao art. 125 e ao 126 do CP.
Na hipótese do art. 127 do CP, a pessoa não deseja nem morte e nem a lesão corporal de natureza
grave da gestante. Assim, o agente possui dolo somente no aborto e a morte ou a lesão corporal ocorre como
resultado não pretendido, os quais ocorrerão na modalidade culposa.

ATENÇÃO: Se o agente tem dolo no aborto e dolo na morte da gestante, haverá concurso de crimes,
crime de aborto e crime de homicídio.

Veja um caso concreto a ser analisado.


Análise de caso: Albertino toma ciência da gravidez de sua mulher Antonieta. Sabendo que Antonieta
possui doença fatal, ele a convence a ir a um obstetra, mas trata-se de fraude, pois já combinou previamente com
o amigo Carlinhos que seria realizado um aborto. Antonieta vai ao consultório com Albertino. Lá, Carlinhos pratica
manobras abortivas, enquanto Antonieta está desacordada. Albertino não comunicou ao amigo a doença grave de
Antonieta. Albertino já sabia que o procedimento causaria a morte da esposa, o que de fato ocorreu. Ele já desejava
esse resultado, pois queria ficar com sua amante. Qual será a responsabilidade penal dos envolvidos?
Albertino deve responder por homicídio qualificado, com agravante de ter sido cometido contra cônjuge;
e responde ainda pelo crime de aborto previsto no art. 125 do CP, em concurso formal impróprio, haja vista que ele
possuía desígnios autônomos. Carlinhos deve responder pelo art. 125 c/c art. 127 do CP.

ATENÇÃO: O legislador optou por não punir os casos de aborto em algumas situações. É sobre o que
dispõe o art. 128 do CP. Veja:

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Art. 128 - Não se pune o aborto praticado por médico:
(Vide ADPF 54)

Aborto necessário

I - se não há outro meio de salvar a vida da gestante;

Aborto no caso de gravidez resultante de estupro

II - se a gravidez resulta de estupro e o aborto é prece-


dido de consentimento da gestante ou, quando incapaz,
de seu representante legal.

A ADPF 54 é de relatoria do ministro Marco Aurélio Mello, e foi ajuizada pela CNTS (Confederação
Nacional dos Trabalhadores na Saúde) em 2004, tendo sido julgada apenas oito anos depois, em uma votação não
unânime da qual participaram 11 ministros, nos dias 11 e 12 de abril de 2012. O STF julgou a ação procedente por
8 votos a favor, e 2 votos contra.
Foi decidido que não há de ser considerado crime de aborto a interrupção terapêutica induzida da
gravidez de um feto com anencefalia. Bem como foi reconhecida a inconstitucionalidade da interpretação segundo
a qual a interrupção deste tipo de gravidez é conduta tipificada nos artigos 124, 126, 128, incisos I e II, do CP.
Veja o trecho citado pelo Relator da ADPF 54: "Nesse contexto, a interrupção da gestação de feto anen-
cefálico não configura crime contra a vida – revela-se conduta atípica".

QUESTIONAMENTO ELABORATIVO

1. Sempre que houver utilização de veneno como meio para a prática do homicídio pode-se afirmar que
haverá homicídio qualificado pelo emprego de veneno?
2. É cabível perdão judicial em crime de homicídio doloso?
3. É possível que o pai de uma criança recém-nascida responda por crime de infanticídio?
4. O crime de auxílio ao suicídio admite tentativa?
5. É possível concurso de pessoas no crime de auto aborto?

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